Alguém como você
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Revisado por Natashia Kitamura
O toque veludo do enorme sofá vermelho era tudo o que eu sentia em minha pele, além do suor que escorria. O som ofegante em meu ouvido já não provocava nenhuma reação em nenhuma célula do meu corpo.
– Eu vou gozar… - a voz ao meu ouvido me avisou.
Suspirei, deixando que ele fizesse o que eu queria. Não havia toque ou penetração que me causasse os espasmos e a saída de órbita que já causou em mim antes.
– Uau, gata…
Revirei meus olhos e traguei meu cigarro eletrônico, esquecido por um breve tempo na mesa de centro.
Estávamos em um hotel cinco estrelas qualquer de São Paulo. Se fosse para trepar com alguém que não fosse , que ao menos fosse em um espaço luxuoso.
Soltei uma pequena risada, achando engraçado minha exigência interna: eu havia acabado de ser comida no sofá.
– Quer comer algo? - Júlio… não. Lucas. Ou… talvez… Eduardo? me perguntou enquanto caminhava nu até a mesa onde um menu jazia ao lado do telefone.
– Não - soltei a fumaça do cigarro –, eu já vou.
Meu anúncio chamou sua atenção.
– Já? Foram só duas vezes.
– É, não estou muito na vibe hoje… - coloquei minha calcinha e, antes que conseguisse subir o zíper do meu vestido tubo, suas mãos me impediram de me vestir.
– Qual é, somos melhor que isso.
– É claro que não - abri um pequeno sorriso e fiz um carinho em seu peito nu –, você foi ótimo. Eu só tenho que estar acordada às 5 amanhã… hoje – me corrigi, olhando o relógio em seu punho.
Ele mal percebeu minha mentira deslavada. Deu um passo para trás, me deixando ir.
– Me liga quando estiver livre então.
Abri um pequeno sorriso e deixei um beijo em sua boca antes de sair do quarto.
– Até nunca mais. - murmurei, chamando o elevador.
Dentro dele, observei meu reflexo. O vestido curto grudado ao meu corpo, meus cabelos bagunçados, mas que poderiam passar como um penteado. A maquiagem borrada e o cheiro de sexo fresco.
Encostei na porta do elevador, levando em consideração que tinha 2 minutos antes de abrirem. Suspirei, exausta.
Exausta, principalmente, de preencher o vazio que deixou com homens aparentemente iguais a ele.
e eu namoramos por 5 anos.
Ele, herdeiro de um império; eu, filha de um político importante no estado mais visado do Brasil. Nos conhecemos através de amigos. Na época, tínhamos a mesma visão da vida: dois filhinhos de papais que tinham dinheiro até não precisar mais para gastar, desde que não os envergonhássemos.
A falta de uma família presente nos fez ficar juntos. No entanto, nossa união fez com que nossa família finalmente nos percebesse.
Durante todos os anos de namoro, conhecemos lados nossos que ninguém mais conhecia, inclusive nós mesmos. Enquanto curtia sua nova versão, eu estava apavorada.
Seu pai, cada vez mais confiante na maturidade que o filho agora tinha, passava-lhe mais responsabilidades dentro da empresa e, surpreendentemente, curtia ter mais e mais visibilidade e poder.
Eu, por outro lado, era cada vez mais vista como o troféu de e meu pai. Estava garantindo uma boa parceria para papai ao namorar o filho promissor de um dos maiores empresários do país, e parecia feliz em ter conexões políticas favoráveis para os negócios de sua família. Quando papai venceu as eleições como governador, o primeiro beneficiário de sua candidatura foi .
Aos poucos, criei a paranoia de que era somente um objeto para os homens. Falei com todas as minhas amigas, que comprovaram minhas hipóteses, mal sabendo eu que elas falavam com a convicção de que eu deixaria de ser a queridinha favorecida de .
E então chegou o dia em que terminei.
– Você não está falando sério – olhava para mim incrédulo. – Eu venho até aqui compartilhar a minha vitória e você termina comigo?
– Em nenhum momento você suspeitou de que isso poderia acontecer, ? – olhei para seus ombros largos e os olhos castanhos que possuíam um leve tom de mel na parte externa de suas íris. – Você só vem falar comigo para falar das suas conquistas, e ai de mim se não entregar uma boa reação! Enquanto isso, quando eu conquisto algo, recebo um “parabéns, amor" e um beijo na testa. Por que você está comigo? Para ter alguém com quem transar quando quiser? Ah, não. Você pode ter qualquer pessoa para transar que quiser, é só ligar para suas amigas.
– Você não está sendo justa.
– Eu nunca fui justa, . Porque, talvez, a justiça nunca estivesse de fato presente na minha vida. Não é justo eu ter que sorrir toda vez que gostaria de estar sendo amparada pelos homens mais importantes da minha vida; não é justo eu ter que estar bem vestida, bem arrumada e de bom humor, quando na verdade estou morrendo de cólica e cansada. Não é justo eu ser lembrada só quando você precisa de ajuda para falar com meu pai. Não é justo eu continuar namorando um cara que só coloca a si mesmo em primeiro lugar.
Eu estava, de fato, sendo injusta. Afinal, era um ótimo namorado.
Ele não me traía como todos os outros homens ao nosso redor.
Ele lembrava das datas mais importantes.
Ele sempre me dava uma satisfação sobre onde e com quem ia aos lugares.
Eu sempre estava no primeiro lugar de sua lista quando havia algum evento ou programação.
Mas eu precisava sair por cima. Eu precisava, pelo menos, sentir que estava saindo por cima; que era ele quem estava me perdendo, e não o contrário.
“Às vezes precisamos deixar algumas pessoas irem para percebermos sua importância.”
Eu estava prestes a dispensar minha última psicóloga. Ouvir sempre a mesma coisa é cansativo, me faz achar que o problema sou eu.
Até que a senhora Dias me solta uma frase clichê, mas que finalmente coloca minha cabeça para funcionar. E assim, ao invés de "até nunca mais”, eu simplesmente faço um aceno quando ela diz “até semana que vem”.
Eu tenho notícias de , é claro. Todo santo dia, já que os diversos grupos de amigos aos quais faço parte falam dele quase sempre ou ele está ativo.
Sei que ele continua solteiro. Que está focado em seu trabalho, mas que recebe uma mulher ou outra em seu novo apartamento algumas vezes por semana. Danielle foi uma delas, aquela vaca.
Ela sempre gostou dele, mas eu só tive noção quando vi suas mensagens no Instagram de uma vez, durante nosso namoro. Ela reagia a todas as suas postagens e sempre tinha um comentário ou outro para deixar. Na época, ele não respondia nenhuma das investidas dela; aparentemente, agora Danielle era bem conveniente.
Meu celular vibrou dezenas de vezes e um pouco mais por alguns minutos, me obrigando a estacionar o carro em um lugar qualquer na rua para poder dar atenção à ligação de Isilda, minha mãe.
“Sua avó morreu. Venha para casa.”
Simples assim. Perguntei o que havia acontecido e ela só respondeu com um suspiro:
“Você sabe, velhice.”
Isilda nunca foi próxima à vovó Amélia, motivo pelo qual sempre se referiu à própria mãe pelo nome, um hábito que eu e Arthur, meu irmão mais velho, herdamos. Sofia, a caçula de nós, foi a única merecedora do carinho e amor de Isilda, mesmo sendo uma parasita.
Dirigi até em casa, ignorando todas as mensagens que chegavam sem parar no meu celular. No elevador que me levava até a cobertura onde morávamos, respondi somente as mensagens relacionadas ao meu trabalho de influencer em lifestyle. Sob orientação, procurei uma foto minha e de vovó enquanto a equipe trabalhava em uma legenda tocante e simples, como era do meu feitio, para conquistar a empatia dos meus seguidores. Mandei a foto e eles fizeram o resto.
A casa já estava repleta de buquês de flores. Isilda andava de um lado para o outro no telefone, fingindo tristeza profunda pela perda da própria mãe, mas não havia um resquício de lágrima ou pesar em seu rosto.
Arthur e papai também estavam ao telefone, enquanto Sofia estava jogada no sofá mascando um chiclete e conversando com seus amigos.
Enquanto eu aguardava a orientação do que aconteceria em seguida –, pois até os assessores de papai e Arthur estavam ocupados com a movimentação –, recebi uma mensagem de :
“Sinto muito.”
Obviamente não respondi. Pensei em diversas formas de iniciar uma conversa com ele, algo que me distraísse do fato que passaria a próxima semana presa dentro de casa fingindo luto por uma pessoa que mal era presente na minha vida. Vovó era uma alma livre; vivia viajando e agindo como “a tia rica e solteirona que traz centenas de presentes de suas centenas de viagens”. Além disso, o fato de ela e Isilda não serem próximas fez com que seu relacionamento conosco fosse ainda mais escasso. sabia disso. Ele não precisava “sentir muito”.
Ainda assim, quando chegamos no local do velório, ele havia mandado uma coroa de flores com o nome de sua família. Como se nós ainda fôssemos ligados de alguma forma – quer dizer, papai e Arthur provavelmente ainda mantinham contato com , o que, de alguma forma, me fazia sentir traída algumas vezes. Após cerca de 30 minutos no local, e seus pais pessoalmente compareceram no funeral de vovó.
Eu havia saído com Gabriela, minha melhor amiga de infância, para fumar um pouco, em um canto escondido e escuro do velório. Quando voltei, após garantir que não estava com um cheiro absurdamente forte do vape, dei de cara com entretido em uma conversa com Arthur.
Nossos olhares se cruzaram imediatamente. O ambiente se tornou como antes deveria estar: frio e tenso. As pessoas ao nosso redor nos encaravam, porque havia meses que estávamos separados e ninguém entendeu de verdade o que aconteceu, porque nem eu, nem falamos sobre o assunto. O que todo mundo sabia era que, um dia, um de nós decidiu terminar com o outro e assim ficou. O fato só foi consumado, quando eu saí de uma festa com um cara qualquer e passei a noite transando com ele em um hotel de quinta categoria. Desde então, incontáveis mulheres passaram a se jogar para cima de e eu tentava me conter com os lixos que surgiam interessados em uma noite só.
– , querida… – a mãe de surgiu repentinamente em minha frente, seus braços ao meu redor, como se ainda fôssemos próximas. Ela sabia que havia muitos fofoqueiros naquele ambiente, e, querendo ou não, minha família não era fraca. Arthur era um político promissor; concorreria para o cargo de prefeito de São Paulo nas próximas eleições e então para governador do Estado. Estava em suas expectativas chegar à presidência da República, portanto, é do interesse de e seu pai manter contato conosco.
– Obrigada, Carla. - respondi somente, deixando que ela demonstrasse todo o carinho que uma sogra teria por sua nora favorita.
– Você está bem - o comentário foi mais uma afirmação do que uma pergunta. e eu tínhamos a nossa forma de nos comunicar; sabíamos quando alguma frase vinha com um sentido diferente do óbvio.
– Você acha?
Ele não respondeu. Minha resposta o fez pensar. Vi em seus olhos um leve prazer de quem estava satisfeito em saber que eu não estava tão bem quanto ele achava, e não fazia questão de esconder. Na verdade, queria que ele soubesse que eu estava mal. Queria permanecer nos pensamentos dele.
– Ouvi dizer que você saiu com Rafael Loure esses dias.
Ah, então o nome dele era Rafael.
– É.
– Ele não é uma boa companhia.
Inclinei minha cabeça para o lado. Silenciosamente, ele soube que perguntei o que ele tinha a ver com as pessoas com quem eu saía.
mudou o peso de perna, incomodado com minha resposta não-verbal.
– Loure está se envolvendo com pessoas que podem estar conectadas com o…
– Não sei o que isso afeta em uma noite.
Minha resposta súbita o fez se calar. assentiu com a cabeça, mostrando que entendeu o que eu queria dizer: que eu não dava a mínima para Rafael Loure.
– Obrigada por ter vindo – disse, dando-lhe as costas em seguida.
A verdade é que, por mais que quisesse continuar com ali, as pessoas falavam. E o que recentemente elas diziam, era que estava para entrar em um relacionamento sério com Olívia Ganã, uma socialite muito poderosa em São Paulo. Ela, obviamente, lhe trazia muitos benefícios para sua empresa, além de ser, infelizmente, uma ótima pessoa. Se havia alguém com quem eu não gostaria de competir, era com a Olívia.
O velório não durou muito. Mamãe sempre odiou esse tipo de evento e seu irmão mais velho não se importava dela resolver fazer tudo em 3 horas. Ao fim do dia, caminhávamos cada um para o próprio carro para jantar em algum lugar ou simplesmente voltar para casa.
– – meu irmão me chamou antes de eu ir com Gabriela para sua casa. Iríamos jantar comida japonesa pedida por delivery e passaríamos a noite fofocando e assistindo a alguma série na Netflix. Olhei para Arthur, que caminhava com sua esposa grávida para o carro, mas ele somente balançou a cabeça para um lado da rua, o oposto de onde estávamos estacionado.
estava encostado em sua Porsche Macan, os braços cruzados em frente ao peito.
Deliciosamente lindo.
– Vá lá. – Arthur disse antes de ajudar sua esposa a entrar no carro e ir embora.
Olhei para Gabriela, que ergueu as sobrancelhas e fez um sinal para que eu fosse.
– Vê se não complica - ela comenta antes de me dar as costas e ir embora.
– Ela nem ficou para confirmar se precisaria da carona dela… - murmurei, logo em seguida suspirando e indo até . – Não sabia que você estava aqui.
– Não fui para o enterro.
– Ah. - olhei ao redor. – Então…
– Vim ver você.
Permaneci em silêncio. Primeiro, porque estava surpresa com sua forma direta de falar. Ele geralmente floreia o assunto, apesar de eu saber que era um homem prático; segundo, porque não havia motivo para vir me ver. Não estávamos mais juntos e, desde que terminamos há 6 meses, não nos falamos.
– Você está namorando. - joguei o verde.
– Eu? Com quem?
– Olívia Ganã.
– Nem a conheço.
Solto uma pequena risada e olho para o céu já escuro.
– Todo mundo te viu na festa dela no Jardins.
– Quem seria todo mundo?
Foi o sorriso. O sorriso de quem estava se divertindo com a fofoca que estava rolando sobre ele. Eu queria dizer que não estava surgindo com o assunto porque tinha ciúmes, mesmo sendo essa a verdade. Eu só queria que ele soubesse que sou uma pessoa decente que não vai atrás de quem está em um relacionamento sério.
– , pare com isso.
– , preciso que você seja clara. Não estou compreendendo o rumo dessa conversa. Eu não estou namorando ninguém.
– Você foi na festa dela nos Jardins.
– Quando?
– Em setembro – próximo do dia do meu aniversário, eu quis dizer.
– Ah… - ele olhou para cima. – Ah, sim.
– É.
– Não sabia que o nome dela era Olívia. Achei que era Mariana.
Suspirei e massageei minha têmpora.
– É Olívia, e não quero ficar aqui de papo furado. - olhei ao redor para ver se havia alguém disposto para eu pedir uma carona, já que Gabriela supôs (errado) que eu sairia com .
– Quer dizer que você pode sair e transar com quem quiser, e eu não?
Voltei meu olhar para ele.
– Do que você está falando?
– , vamos ser sinceros. - colocou as mãos na cintura e desencostou do carro, dando um passo para mais perto de mim. – Você dormiu com praticamente 80% dos caras que surgiram na sua frente nos últimos 6 meses. Não vou dizer que fui um santo, mas em nenhum momento acreditei que você estava em um relacionamento sério com qualquer um deles, mesmo você tendo trepado mais de 5 vezes com aquele superstarzinho de merda.
Eu quis sorrir, mas mantive minha postura. Lucas era um cantor que estava nas alturas ultimamente e era absurdamente bom no sexo. Mesmo eu não gostando de dormir com a mesma pessoa repetidamente, era inevitável terminar com o pau dele dentro de mim todas as vezes que nos encontrávamos.
Eu sabia que havia sido mais de 5 vezes.
– Por que está sorrindo? - perguntou sério.
– Você está me stalkeando?
Ouvi sua risada e então sua mão passou por seus cabelos sedosos.
– As pessoas gostam de falar. Ainda mais de provocar.
– Me parece que você está andando com as pessoas erradas.
– Você era o filtro do relacionamento, lembra?
Ouvir confirmar que estava perdido em meio a um monte de piranhas não me deixou confortável. Apesar dele ser um homem inteligente e perspicaz, levava um certo tempo para perceber quando uma pessoa era genuína ou maliciosa. Eu, por outro lado, tinha um sexto sentido muito bom para essas coisas.
– Você se divertiu o suficiente? - ele perguntou, seu corpo muito próximo do meu. Em algum momento durante a discussão, revertemos de lado e agora era eu quem estava prensada contra seu carro.
– O que quer dizer?
– Quero saber se você ainda quer perder seu tempo trepando com um monte de cara errado ou finalmente percebeu que a pessoa certa para você sou eu?
Abri a boca para lhe responder algo à altura, mas percebi que não tinha nada para falar. aguardou pacientemente que eu dissesse algo, mas tudo o que saiu, foi:
– Babaca.
Entre seu sorriso sarcástico e a vontade de lhe dar um tapa, grudou seus lábios nos meus.
E foi como voltar para casa depois de uma longa viagem.
Seu corpo grudou ao meu como se fosse possível nos fundir, suas mãos circularam minha cintura e minha nuca como uma forma para que eu não fugisse.
Como se eu fosse.
– Entra - ele disse, mas nenhum de nós pareceu se mover. Foi necessário muita força de vontade para que ele se separasse de mim e eu pudesse contornar o carro.
Em seguida, tudo foi uma questão de velocidade e tesão.
Estávamos a quase 30 minutos de sua casa e eu estava pingando. Havia me esquecido o quanto meu corpo reagia ao de . Talvez fosse isso que eu procurasse durante todos esses meses - essa adrenalina, essa dopamina.
Minha mão, quando vi, abria a braguilha de sua calça e mergulhava para dentro, encontrando um membro sensível e pronto para receber minha boca.
– … - a voz de era de tensão.
– Você quer apostar? - sorri, soltando meu cinto e prendendo-o atrás do meu corpo para que o carro não começasse a apitar o som de segurança. – Consigo fazer você gozar antes de virarmos a esquina do seu apartamento.
– E o que eu ganho com isso?
– Ora… um orgasmo, é claro.
Ouço uma risada nasal seguida de um suspiro quando passo por cima do painel que nos separava e deslizo minha língua por toda a extensão que consigo acessar.
– Porra… - ouço a voz coberta em prazer de .
Em segundos, sua mão agarra meus cabelos; quando a ponta de seu pau toca o fundo da minha garganta, ouço um palavrão e o quadril de subir em minha direção, fazendo com que eu tivesse um leve engasgo.
Com um leve trânsito em nosso caminho, fiz com que ficasse duro duas vezes. Na segunda, deixei que ele visse meus dedos passeando pelos lugares onde ele queria estar. Vi seus dedos apertarem o guidão até as pontas ficarem brancas. Quando gemi seu nome, ele tentou levar sua mão direita até o meio das minhas pernas escancaradas, mas obviamente não deixei.
Ao invés disso, vi seu pau erguido novamente e fiz todo o serviço mais uma vez.
Quando terminei, deu a seta para a direita, onde entramos na rua de seu apartamento.
– Acho que eu ganhei. - olhei para ele enquanto limpava minha boca de seu gozo. Antes que pudéssemos sair do carro, soltou o próprio cinto e avançou para cima de mim, grudando seus lábios nos meus.
– Que bom que você não vai precisar sair de casa por um tempo. - ele murmurou entre os beijos.
– Uhum…
– Vou cancelar meus compromissos pro resto da semana…
– Bom menino…
– E você…
– - o afasto de mim, vendo seus olhos vidrados olharem os meus –, cala a boca e me leva logo para sua casa. Preciso ser fodida agora.
Eu não iria, jamais, dizer que precisava ser fodida por ele especificamente. Que precisava do pau grosso e longo do qual ele tanto se orgulhava; de suas mãos grandes e fortes percorrendo meu corpo, e de seus beijos com a barba por fazer do final do dia me roçando inteira.
Assim que o elevador abriu, passamos para o pequeno hall onde só havia a porta do apartamento de ; ele digitou algumas coisas no elevador, que anunciou “andar travado” e assim que as portas se fecharam, minhas costas colidiram contra a parede e a saia do meu vestido foi erguida. Minha calcinha estava em algum lugar esquecido dentro do carro.
– Meu deus… - a voz de saiu junto com meu gemido assim que ele ergueu minha perna esquerda e enfiou seu pau em mim, certo de que havia lubrificação o suficiente – eu senti sua falta.
– Eu também…
– Fale de novo.
– Eu senti… ah! Falta… - dei um pequeno gritinho quando minha outra perna foi erguida e precisei de muita força abdominal para me manter nos braços de , que metia para dentro de mim como um caminhão desordenado – Senti muita falta do seu pau.
Senti sua risada em meu pescoço e seu pau enorme vibrar dentro de mim. Nos minutos seguintes, ouvimos somente o som de nossos corpos colidindo um contra o outro e nossa respiração descompassada.
– … - o alertei sobre meu ápice. Ele respondeu com um grunhido e aumentou a velocidade das estocadas, me fazendo gritar.
– Grita meu nome, . Fala para mim o quanto aqueles filhos da puta não chegam aos meus pés.
Gargalhei, o que o deixou furioso e disposto a me punir.
Mas tem uma visão interessante de tortura.
Assim que gritei seu nome enquanto gozava, seu corpo continuou a se mover para dentro de mim.
Quando pedi para ele parar, aumentou a velocidade.
Quando implorei para que ele diminuísse, ele me soltou e saiu de mim, só para logo em seguida me virar de frente para a parede e me comer de novo.
Quando meu corpo começou a ceder do cansaço, ele me prensou ainda mais forte, me impedindo de cair.
demorou muito tempo para gozar novamente. Quando gozou, havia energia o suficiente para me levar em seus braços para o banheiro, ligar o enorme chuveiro e me abocanhar inteira.
– Chega… - pedi para ele quando vi seu pau ereto.
Foi a vez dele rir.
– Diga que se arrependeu de ter terminado comigo.
Sua mão direcionava o chuveirinho para todos os lugares que havia me ensaboado. Gemi quando senti o jato entre minhas pernas.
– Nunca.
– Boa menina - ele sorriu e desligou a água.
Ainda molhados, fomos direto para sua cama, onde ele me fez ficar de joelhos com as mãos apoiadas no colchão e sem me avisar, voltou com seu pau para dentro de mim.
Me comeu como se eu fosse uma vadia. Exatamente do jeito que eu gostava.
Gritei seu nome, mas não pedi para ele parar, muito menos disse que me arrependia de tê-lo deixado.
Ele gozou primeiro, o que me fez ficar indignada.
– Lucas nunca gozou antes de mim.
O cansaço que começava a bater em , então, sumiu. Vi seus olhos ficarem escuros por inteiro e sabia que havia cutucado uma ferida ainda muito aberta.
não teve misericórdia. Por magia ou raiva, seu pau se ergueu novamente. Eu estava preparadíssima para receber sua fúria dentro de mim.
Ao invés disso, ele foi lento.
Como se estivéssemos fazendo… amor.
– Não… - murmurei e senti seus beijos em meu pescoço.
– Ah, sim… - seu corpo se movia lentamente, quando tudo o que eu queria era selvageria e um corpo dolorido na manhã seguinte. – Até o final, é assim que vamos transar.
– Porra, .
Ouvi sua risada e senti seu pau entrando lentamente em mim.
Tentei me mover para ficar por cima, mas ele não deixou. Meu corpo estava completamente imóvel pelo dele. Até minhas mãos estavam presas pelas dele, quando tentei levar uma até meu clitóris.
– Isso é muito empata-foda.
– Consigo fazer você gozar como nunca dessa exata maneira.
– Era assim que você comia aquelas vadias?
– Era exatamente assim. E quer saber? - levou sua boca até meu ouvido e sussurrou: – Elas amavam.
riu mais uma vez quando apertei seu pau dentro de mim com toda a força que conseguia, mas o ato só lhe causou mais prazer.
– Diga que se arrepende.
– Não.
– Você não vai conseguir o que quer então, .
– Posso conseguir com outras pessoas.
Senti o frio do ar surgir entre nossos corpos. havia se afastado e parado de se mover, mas permaneceu dentro de mim. Mesmo na escuridão, consegui ver sua expressão séria.
– …
– Eu não sou um brinquedo, .
– Eu sei.
– Você não vai me deixar de novo.
– Não vou.
– Eu sou o único que poderá acabar com o que temos.
Meu silêncio consentiu com ele. Eu sabia que devia isso a . Ele também sabia. Assim como nós dois sabíamos que eu tinha ele em minhas mãos. Algo que nos uniu lá atrás e que o fez se devotar a somente uma pessoa: eu.
– Além disso, você nunca vai conseguir alguém que te faça gritar ou querer mais como eu.
Seu corpo voltou a se mover, dessa vez em uma velocidade aceitável. sabia exatamente o que eu queria e me deu muito mais.
Quando gritei seu nome, ele não parou. Eu odiava que parassem. Gostava que continuassem arremetendo dentro de mim até que meu corpo parasse de convulsionar. E quando parou, foi a vez dele gritar. Senti o jato quente dentro de mim e seus lábios beijarem os meus.
caiu exausto ao meu lado e ligou o ar condicionado.
Ouvi sua respiração ficar mais lenta e, quando começou a ressoar um leve ronco, lhe sussurrei:
– Ninguém nunca foi como você.
Cedi ao sono, mas vi, antes de fechar meus olhos, que seus lábios estavam curvados para cima em um sorriso.
