A Joong-ki Tale

Escrito por Queen B | Revisado por Mariana

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   sabia que aquele estágio era uma oportunidade única em sua vida, que não podia perder o controle e fazer nenhuma besteira, mas céus, esquecia aquilo toda vez que Song estava perto e nem era como se desse para evitar.
  Não dava.
  Ela havia se formado há quase um ano e ainda era difícil conseguir um trabalho como aquele, num filme de verdade, e era esperta o suficiente para não querer estragar o trabalho novo, mas, caramba, aquele coreano com traços perfeitos não facilitava nenhum pouco. era estagiaria na área de maquiagem, portanto ajudava os maquiadores e figurinistas com o que precisavam para o figurino dos atores, o que era perfeito para ela, já que aquela era, justamente, sua área favorita para trabalhar na produção de um filme. De novo, seria muito mais fácil se pelo menos colaborasse.
  Era nisso que a mulher estava pensando enquanto deslizava o pincel no rosto delicado e completamente hipnotizante do ator, enquanto sua supervisora, a maquiadora oficial do elenco, terminava o trabalho com o cabelo dele. precisava admitir que estava extremamente agradecida por ela estar ali, já que não tinha dúvidas do tamanho das obscenidades que o ator estaria falando apenas para provoca-la se estivessem sozinhos.
  Ah, sim. já fizera tudo que prometera não fazer e dormira com o inimigo, ou, pior, o astro do filme no qual ela estrava trabalhando, porra, trabalhando!
  Ela ia ser demitida, tinha certeza. Assim que descobrissem, iam coloca-la para fora por não saber separar as coisas e ela estaria perdida. Tudo por causa daquele atorzinho estupidamente bonito e, como se não bastasse aquilo, ele ser bonito, tudo que ele falava parecia encantar . Se fosse outra pessoa, com um pouquinho mais de auto estima, provavelmente acreditaria que ele fazia de propósito. Que queria mesmo deixa-la louca, mas por que alguém ia querer isso, certo?
  - Pronto, pessoal, pronto, pronto. – A maquiadora, Maureen, falou, energizada como sempre, ao terminar o trabalho com o cabelo do astro. – Vou correr e ver se ninguém estragou o meu trabalho com Chao, ok? – E saiu, sem realmente esperar por uma resposta.
  Não que qualquer atitude diferente fosse típica de Maureen. Ela era um verdadeiro furacão no set, para lá e para cá o tempo todo, supervisionando a caracterização de cada um dos personagens e deixando tudo perfeito a tempo sempre. Com certeza um modelo e tanto para .
  - Vai estragar o trabalho dela comigo? – perguntou assim que Maureen saiu, erguendo o olhar malicioso para , que rolou os olhos.
  - Só vai de uma vez antes que acabe se atrasando para gravar, . – Retrucou e ele riu, sem parecer levar a sério a possibilidade de aquilo ser um problema antes de se levantar, enfiando o celular, no qual jogava um joguinho aleatório e sem proposito enquanto as duas lhe maquiavam, no bolso.
  - Estou indo, indo. – Garantiu quando a garota olhou feio para ele por lhe roubar um selinho.
  Aquele tipo de atitude derretia e ela se odiava por isso, se odiava por deixar a doçura do garoto, mesmo com tudo que estar com ele significava arriscar, lhe tirasse a sanidade e deixasse completamente de quatro por ele.

+++

   estava na casa de com ele, vestindo apenas a camisa do garoto enquanto assistiam a reprise de um programa antigo na TV.
  Os dois sabiam que, por mais que tudo houvesse começado entre eles por causa unicamente do sexo, não se trava mais só daquilo e a prova disso era o modo como estava deitada nos braços do garoto enquanto ele lhe fazia cafuné, horas depois de terem transado. Ela sequer havia pensado em ir para casa, porque tudo mudava quando estavam sozinhos. As paranoias da garota não existiam mais quando estavam sozinhos porque ele não era mais o astro de TV, eles não trabalhavam juntos e ela não achava que ia ser demitida, que era facilmente descartável e por isso devia se preocupar em andar na linha, que era o oposto do que estava fazendo com ele.
  Nada daquilo realmente fazia diferença porque em momentos como aquele eles eram só um casal, um casal realmente apaixonado, embora não dissessem e ela não achava que podia pedir por mais.
  Era uma pena que não pudessem passar a vida inteira sozinhos.
  - ? – chamou depois de alguns instantes em silencio, testando se a garota estava acordada e ela apenas resmungou qualquer coisa em resposta, sentindo-se preguiçosa demais para fazer mais que isso. O garoto sorriu e a deslizou cuidadosamente para o lado para poder se levantar. – Vou pegar algo para comer, você quer? – Perguntou, vendo a garota fazer que não de olhos fechados e sorriu, dando as costas.
  Ele gostava de verdade dela, mais do que podia admitir e nem era por ter algum problema em falar, mas porque ela tinha problemas em ouvir. Ele não sabia qual era o problema de verdade, mas sabia que existia e tentava ir aos poucos, não rotular o que tinham ou assustá-la. Assustá-la, aliás, era a última coisa que ele queria, levando em conta que ela era a melhor coisa que havia acontecido a ele nos últimos tempos e tudo que queria era preservar o que tinham o quanto pudesse.
  Ele ainda pensava nisso quando voltou da cozinha com uma caixa de chocolate em mãos, se sentando num canto do sofá para deixar a garota dormir à vontade e aumentando um pouco o volume da TV, se concentrando na reprise.
  Um minuto depois, no entanto, se moveu no sofá, erguendo a cabeça para encará-lo, com apenas um dos olhos abertos.
  - ? – Chamou, sonolenta e ele virou para ela, sorrindo e acenando para fazer graça. Ela bocejou, esfregando o rosto para despertar. – Isso é chocolate? – Apontou e o garoto riu, assentindo antes de lhe estender a caixa para que ela escolhesse um.
   bocejou outra vez e se endireitou no sofá, pegando um chocolate na caixa apenas depois de se sentar perto do garoto e pousar a cabeça em seu ombro.
  - Pode voltar a dormir, se quiser. – Ele murmurou ao lhe abraçar e ela fez que não, indicando que estava bem. Os dois ficaram em silencio por algum tempo, assistindo ao programa até que finalmente criou coragem para trazer à tona o assunto do qual queria tanto falar. Ou melhor, a pergunta que queria fazer. – Então, vai ter um evento no sábado. Uma coisa beneficente e tal. – Ele murmurou, recebendo um hm como resposta. desejou saber o que ela estava pensando para ter uma ideia se era seguro continuar. – Vai ser tipo uma festa, com música e tal...
  - Eu sei como essas coisas funcionam, . – A garota o interrompeu, rolando os olhos. Sabia muito bem aonde ele queria chegar também, tanto quanto sabia, inclusive, as chances daquela conversa terminar bem. E eram poucas. – Não é uma boa ideia e você sabe.
  - Na verdade, eu não sei. – retrucou, virando para ficar de frente para ela. – Não sei porque temos que nos esconder, , de verdade. Não é errado.
  - Eu trabalho para você. – Ela retrucou, baixo. Não queria brigar, de verdade, detestava brigar com o garoto, mas ele precisava entende-la. Sua carreira era importante para ela e não queria fazer nada errado, não queria estragar as coisas.
  - Não é verdade. – insistiu – Eu trabalho no mesmo filme que você, , apenas em setores diferentes e...
  - , não. – A garota o interrompeu, balançando a cabeça – Olha, você já conquistou a sua carreira, está estabilizado fazendo o que ama e não pode me culpar por querer a mesma coisa. Estou apenas começando e preciso fazer as coisas direito. – Ela juntou as duas mãos, como se fizesse uma prece, mesmo que a intenção fosse só tentar fazê-lo entender. – Por favor, não vamos entrar numa briga sobre isso, por favor, por favor, me entenda. – Ela murmurou, olhando em seus olhos e ele suspirou, assentindo.
  - Eu juro que entendo. – Falou, segurando as mãos dela no colo. – Eu entendo, e ninguém torce mais para você do que eu, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra e é isso que você não entende. Nós podemos ter as duas coisas, não precisa ser uma escolha. – Ele falou e a garota suspirou pesadamente, concordando. Aquilo devia ser verdade, não precisava ser uma escolha, certo?
   queria acreditar nas palavras dele, mas não podia evitar pensar nos outros, no que iam pensar...
  - Pelo menos pensa. – acrescentou depois de um instante, fazendo carinho em seus dedos delicadamente. – Pensa antes de dizer que não vai comigo. – Pediu e a garota não conseguiu fazer nada além de assentir, mesmo duvidando que fosse encontrar, realmente, coragem para ir com ele num evento fotografado, com tapete vermelho, dourado, azul ou sabe-se lá que cor e tudo o mais.
  - Tudo bem, tudo bem. – Cedeu – Eu vou pensar. – Disse, arrancando um sorriso satisfeito de , que se inclinou e lhe roubou um selinho, sabendo que não podia pedir mais que aquilo e ter aquele pedido sendo atendido já era muito.
  Ele definitivamente apreciava.

+++

  - Fecha os olhos, Cher. – pediu, rolando os olhos enquanto a amiga ainda ria de uma piada qualquer que vira numa rede social e, bufando, Cher pôs o celular de lado, virando o rosto para a amiga e fechando os olhos para que ela pudesse terminar a maquiagem.
  Cher era a melhor amiga de há muito, muito tempo e a única que sabia todos os detalhes de sua vida, o que incluía . Ela incentivava a ir em frente com o relacionamento, a tentar fazer aquilo dar certo, mas a verdade é que a garota não sabia muito bem o que fazer dado o contexto em que estava encaixado em sua vida.
  Sabia que ele dissera que não precisava ser uma escolha, mas não conseguia parar de sentir como se fosse.
  Enfim, naquela noite, estava na casa da amiga para ajuda-la com a maquiagem, já que ela tinha um jantar importante para ir, com o namorado de anos. Cher achava que ele finalmente ia pedir sua mão em casamento e estava muito feliz pelos dois, pelo passo que a amiga daria no relacionamento, enquanto, ao mesmo tempo, Cher tentava convencer a realmente ir no tal evento com , a se doar ao relacionamento e fazer dele o melhor possível.
  - Vamos, , não é como se ele estivesse sequer te pedindo algo muito difícil. – Cher murmurou e mordeu o lábio, pensando, no entanto, em toda a bagunça que aquilo podia causar. era o queridinho das adolescentes coreanas, estava em todos os sonhos molhados delas e todas, com raríssimas exceções, o queriam e só conseguia imaginar a confusão que ia causar, na imagem dele e na sanidade dela, se descobrissem que estavam juntos. E ainda por cima tinha sua carreira, o fato de ela finalmente ter conseguido o empego dos sonhos e estar, realmente, pensando em arriscar tudo por ele.
  Sua cabeça estava uma bagunça gigantesca, céus.
  - Tem muita coisa em jogo, Cher. – Ela murmurou, culpada, porque realmente se sentia culpada. Não queria magoar o... Namorado? Nem mesmo sabia quanto aquilo, mas, seja lá o que ele fosse dela, ela se importava de verdade com ele e não queria magoá-lo, porém dava muito duro pelo trabalho que tinha e sabia que, no instante em que ouvissem de sua relação com ele, seu trabalho no filme em que ele estava atuando perderia todo o crédito e até os mais leigos estariam criticando tudo que, supostamente, tivesse dedo dela apenas por achar que ela não fizera por merecer o cargo e, céus, como fizera.
  Ninguém batalhara tanto pela própria carreira quanto e ela costumava ter orgulho de falar aquilo, nunca pensara que sentiria tanta dor de cabeça como consequência da carreira que amava. Argh.
  - Tudo bem, mas, já que é assim, quero te perguntar uma coisa. – Cher murmurou em seguida, abrindo os olhos depois que terminou de passar sombra neles e a garota estreitou os olhos, analisando o próprio trabalho. Estava pronta. Pronta e linda, diga-se de passagem, mas ela ignorou aquilo para assentir para a amiga, permitindo que ela fizesse sua pergunta. – Como se sente quando está com ele? – Quis saber, olhando atenta para a amiga, que mordeu o lábio, ficando quieta por um instante, refletindo a respeito da pergunta.
  - Eu sorrio. – Disse, dando de ombros como se aquilo fosse resposta o suficiente, e, bem, era. não era um doce de pessoa e muito menos sorridente, mas lhe arrancava mais sorrisos do que ela era capaz de contar sempre que estavam juntos. Ele fazia com que ela se sentisse leve, alegre.
  Cher sorriu para a resposta da amiga, assentindo como se aquilo lhe deixasse muito satisfeita.
  - Eu, se fosse você, não o deixaria ir. – Murmurou – Você está apaixonada de verdade, e nós só nos sentimos assim por vezes limitadas ao longo da vida. Nunca é bom desperdiçar, especialmente quando a vez em que estamos é a destinada a ser eterna. – Piscou, sorrindo ao finalizar seu discurso, que fez odiar a si mesma, por, de fato, se deixar abalar por aquilo. Por pensar em perder e não precisar de muito mais para ter certeza que aquilo acabaria com ela, suspirando em seguida.
  - Odeio você. – Resmungou e Cher riu, se levantando para ir até o espelho e passar o batom, já que logo seu futuro noivo estaria batendo na porta para irem jantar.
  - Não, você me ama. – Retrucou como se fosse óbvio e a outra apenas rolou os olhos, sabendo que era verdade, jogando-se, em seguida, para trás na cama, sentindo a cabeça doer apenas por pensar no dilema de sua vida.
  De jeito nenhum queria perder , mas estava pronta para tudo que significava assumir um relacionamento com ele?

+++

  Em meio ao fim das gravações, as coisas estavam um caos no set e mal conseguia parar, mas, quando conseguiu, foi parar no camarim de , sem nem pensar no porque até encontra-lo sentado, concentrado num livro e sentir paz inundá-la quase que de imediato.
  - Oi. – Sorriu para ele quando o ator ergueu o olhar do próprio livro, sorrindo também em seguida.
  - Oi. – Murmurou, derretendo-a.
   não sabia porquê de repente estava sentindo todas aquelas coisas com tanta intensidade, talvez tivesse algo a ver com a conversa que tivera com Cher. Era como se estivesse tomando consciência delas, naquele momento muito mais do que antes.
  - Está muito ocupado? – Ela perguntou, fechando a porta mesmo que não tivesse uma desculpa para estar ali. Daquela vez, só daquela, não ia se preocupar em ter uma. Só queria estar perto dele.
  - Não. – respondeu, lhe encarando numa mistura de humor e curiosidade enquanto deixava o livro de lado na penteadeira a sua frente. – Tudo bem? – Perguntou e assentiu, se aproximando e aninhando-se em seus braços, fazendo o garoto rir ao abraçá-la, definitivamente surpreso com a atitude. – Tem certeza? – Riu e ela acabou rindo também, sabendo o quão incomum era aquele tipo de atitude vinda dela.
  - Talvez com um pouquinho de TPM. – Deu de ombros, descansando a cabeça no pescoço do garoto, se deixando envolver e relaxar com o perfume dele penetrando seus poros. Ele tinha cheiro de sono, de calma e paz. Ela adorava. – , para o caso de eu não dizer isso o suficiente, eu gosto muito de você. – Ela murmurou, sem erguer o olhar para lhe encarar ao o fazer, mesmo que desejasse ter coragem para isso.
   sorriu com a declaração, sentindo-se inegavelmente mais feliz com a declaração inesperada, afagando os cabelos da garota.
  - Eu também gosto muito de você. – Respondeu, fazendo a garota sorrir e ela se deu conta outra vez do quanto sorria peto dele ao o fazer. Queria preservar aquilo, a sensação boa que era estar em seus braços e sorrir com aquela frequência absurda. Queria muito preservar aquilo.
  - E eu vou com você no evento, se é importante para você. – Ela murmurou, mais baixo e piscou, surpreso, movendo a cabeça para conseguir encará-la, obrigando assim que a garota se virasse para olhar para ele também.
  - Está falando sério? – Ele perguntou, soando tão incrédulo quanto, de fato, estava e a garota riu, assentindo.
  - Sim. – Sorriu e ele sorriu também, segurando em seus cabelos para beijá-la, levando a garota a segurar em seu rosto e retribuir o beijo de imediato, se perguntando porque não simplesmente concordara com aquilo antes. Gostava tanto daquilo, de deixa-lo feliz só por dizer que sim, que iria com ele aonde quer que fosse.
  No fundo, ela sabia que iria mesmo.
  - Obrigada. – Ele murmurou ao romper o beijo, sorrindo ao abrir os olhos e riu ainda de olhos fechados, roubando lhe outro beijo antes de finalmente os abrir.
  - Por nada. – Falou, não sentindo o peso de ter concordado em ir em público com ele, muito em público, não sentindo nada além de alegria, de paz, e nem ligava de saber que não ia durar muito. Só ligava para o agora, para ele e para a sensação ótima de estar em seus braços.
  Não sabia de verdade da onde estava vindo aquilo, de sua conversa com Cher, talvez, de saber que sua amiga estava noiva, de pensar em e se dar conta que não queria perder aquilo, a sensação tão boa que sentia quando estava em seus braços. A sensação de estar, de fato, apaixonada por ele.

+++

   estava uma pilha de nervos.
  Havia decidido que queria mesmo ir ao evento com , que o queria como seu namorado, mesmo que talvez não soubesse como ser uma boa namorada. Estava decidida a aprender com ele, porque sabia que valia a pena. Sabia que o jeito que se sentia por ele valia a pena.
  O único problema, no entanto, era que o destino não estava conspirando exatamente ao seu favor, não depois que ela rasgara o vestido ao tentar ajustá-lo com sua costura amadora para que ficasse bom em seu corpo. Agora, ela tinha um vestido completamente rasgado, saltos quebrados por conta de uma corrida da qual nunca mais ia querer lembrar na vida para pegar o táxi, que, aliás, não adiantara muito levando em conta que o táxi apenas jogara água nela ao passar por cima de uma poça, ignorando-a completamente.
  E, como se aquilo não bastasse, como se a vida houvesse decidido que, de jeito nenhum, ela ia conseguir fazer o que queria depois de ter tomado coragem e ir ao encontro de , duas horas depois, nem sequer um táxi passou, deixando-a completamente desacreditada de seu azar enquanto andava com bolhas nos pés pelas ruas da Coreia.
  Não só perdera o evento como, muito provavelmente, o amor de sua vida. O cara que podia ser tudo se ela deixasse, justamente, quando ela finalmente decidiu deixar.
  Obviamente, não estava no melhor humor do mundo.
  Por algum motivo, no entanto, ela não se deu por vencida, como se visse algum tipo de desafio no fato de tudo estar dando errado o dia todo e, já que não conseguiu chegar no evento a tempo, seguiu, andando, em direção ao apartamento do ator, ignorando a queimação nos pés, que aumentava mais a cada passo que dava.
  Se bem conhecia , ele já seria difícil o suficiente naquela noite e, se esperasse até o dia seguinte, não teria chances nenhuma e sabia bem daquilo. Ia fazer com que ele lhe escutasse e ia fazer isso hoje, custasse o que custasse.
   era muitas coisas, mas, de jeito nenhum, era uma desistente.

  Depois do que pareceu uma eternidade para a garota descalça, com o vestido rasgado e imundo, ela finalmente chegou ao prédio dele, já depois de anoitecer, e o porteiro lhe deixou entrar sem maiores problemas, afinal ela estava ali o tempo todo. Claro que, quando perguntavam, ela era apenas uma amiga intima de , mas aquilo não ia durar muito mais.
  Era sua namorada agora.
  Enfim, ela subiu e bateu na porta do garoto, esperando exausta, com um medo real demais de terminar simplesmente desabando antes que ele chegasse a porta. , no entanto, não estava muito inclinado a se levantar e abrir a porta, a sequer falar com ninguém depois de levar um bolo de , e terminou apenas por resmungar frustrado com a insistência de quem quer que estivesse na porta, que continuou batendo e batendo até que ele, finalmente, abrisse.
  O ator terminou chocado, para se dizer o mínimo, com a visão de com o vestido rasgado, imundo, toda descabelada e descalça a sua frente.
  - ? – Perguntou, chocado.
  Ele sequer sabia o que pensar quanto aquilo, a visão do motivo de toda a bagunça que estava sua cabeça desde cedo, de quando ela simplesmente não aparecera no evento para encontra-lo, bem ali, naquele estado.
  - Eu. – Ela ergueu a mão, como se respondesse a chamada do colégio, sorrindo cansada. – Posso entrar?
  Ainda chocado e sem ter certeza do que devia pensar ou de como agir, assentiu, dando espaço para que ela o fizesse e, suspirando exausta, entrou, com ele fechando a porta atrás deles logo em seguida.
  - O que aconteceu com você? – Ele perguntou, enfiando as mãos no bolso e a garota detestou a magoa que ele tentava esconder quando virou para encará-lo, bem ali em seus olhos. Ele estava magoado e a culpa era dela.
  Céus, como era detestável a sensação de magoar alguém de quem ela gostava tanto.
  - , me desculpa. – Pediu, dando um passo em sua direção. – Eu queria ir, eu tentei ir, eu juro. Eu sei que não parece verdade, eu sei que você tem todos os motivos do mundo para não acreditar, levando em conta o quanto eu fugi de você, de nós dois, mas eu queria, de verdade, ir. Eu quero ser para você o que você é para mim. – Ela murmurou, sincera – Preciso que acredite em mim.
  - Eu não vou conseguir pensar direito em nada até me dizer o que aconteceu com você. – Ele retrucou, balançando a cabeça. – Você se machucou?
  - Um pouco. – Deu de ombros – Feri os pés depois que os saltos quebraram, já que decidi ir a pé quando não consegui pegar um táxi e...
  - A pé? , o evento foi do outro lado da cidade! – Ele a interrompeu, assustado e ela riu, sem muito humor.
  - Estou bem ciente disso, obrigada. – Retrucou – Não me admira que eu não tenha chegado a tempo, parando para pensar...
  - Você podia ao menos ter me ligado, eu teria entendido. – retrucou, rolando os olhos e se sentiu mal, em especial por saber que ele teria sim entendido. Ele era compreensivo até demais e esse era apenas um dos motivos para ela duvidar que o merecia.
  - Eu sei que teria, amor. – Ela sussurrou, triste. – Mas eu não queria que precisasse entender nada, eu queria estar lá. E, além do mais, fui idiota o suficiente para deixar meu celular em casa simplesmente porque não tinha lugar nenhum no vestido em que eu pudesse escondê-lo e nenhuma das minhas bolsas combinava e...
  - Você é louca. – a interrompeu rindo, o som derretendo e acalmando simultaneamente. Estava tudo bem agora, era o que sua risada dizia.
  - Me perdoa? – Ela pediu baixinho, fazendo bico e Joong rolou os olhos, balançando a cabeça ao em vez de responder, a puxando para seus braços ao em vez disso e abraçando a garota, que, imediatamente, passou os braços em volta de sua cintura, se deixando envolver no perfume dele e aproveitar a sensação de paz que lhe invadia.
  - Sei que fez o seu melhor e eu não poderia pedir mais do que isso. – O ator murmurou e ela sorriu contra sua pele, se afastando e beijando sua bochecha em seguida.
  - Você merece mais do que isso e eu vou tentar, todos os dias, enquanto você me permitir, te dar, namorado. – Piscou e ele sorriu, segurando em seus cabelos e selando seus lábios ao em vez de responder.
  - Obrigado, namorada. – Falou um segundo depois, quando se afastaram e ela sorriu por um breve segundo, não se permitindo, no entanto, perder mais um segundo dele e o puxando para um novo beijo em seguida.

FIM



Comentários da autora


Nota da Autora: Oie!
Essa história é de Julho de 2017, não tinha qualquer pretensão de voltar a postar ela, porém uma grande amiga me convenceu a fazê-lo expondo o carinho que continua a ter pela história depois de tanto tempo.
Tha, tá aí! Obrigada por tudo, baby!