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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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A História de Ana da Boêmia e Ana da Áustria

Escrita porJosie
Revisada por Lelen

Capítulo 1 • A Infância de %Ana% da Boêmia

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

  %Ana% Jagelão nasceu em Praga e, pelos três primeiros anos de sua vida, foi herdeira presuntiva dos reinos da Boêmia e da Hungria, até o nascimento de seu irmão, Luís, em 1 de julho de 1506. Sua mãe morreu 25 dias depois, por complicações no puerpério. Em 1515, quando %Ana% tinha apenas doze anos, foi arranjado os casamentos de %Ana% e Luís com dois dos netos do imperador Maximiliano I do Sacro Império Romano-Germânico: os arquiduques Fernando I e Maria, respectivamente. No ano seguinte, com a morte de Ladislau II, %Ana% e Luís foram adotados pelo imperador. E esta é a história de %Ana% de Boêmia.
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  O ano era 1518, no décimo quarto ano de %Ana% da Boêmia, o reino de Jagelão despertava preguiçoso sob um céu açulado, tingido pelos primeiros raios de sol que se filtravam através das copas densas do bosque real. %Ana% da Boêmia encontrava-se ainda envolta em mistério e reserva. Seus trajes, embora ricos em brocados e rendas, não disfarçavam a serenidade altiva de seus gestos — era como se, mesmo longe de sua pátria, carregasse consigo o peso de uma linhagem que lutava pela própria sobrevivência.
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  Nessa manhã de primavera, %Ana% decidira afastar-se por um momento dos salões do palácio e de suas intrigas. Vestira um manto azul-esverdeado, leve o bastante para não prender seus movimentos, e sozinha tomou o caminho que serpenteava pelos arredores do reino. Os passarinhos anunciavam o despertar ao longe, e um perfume tênue de flores silvestres vinha das clareiras. Era um convite à reflexão, um raro refúgio em meio às tensões políticas que já rondavam sua nova morada.
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  Enquanto caminhava, os pensamentos giravam em torno do futuro que lhe aguardava. Junto a ela, sempre, a lembrança de sua família — as disputas em Praga, o receio de traições palacianas. Agora, aqui estava ela, em terras jagelônicas, recebida com cordialidade oficial, mas também com certa desconfiança. A corte, sabia %Ana%, era um terreno minado: alianças se formavam e se desmanchavam à mesa de jogos, numa disputa silenciosa onde a palavra nobre nem sempre passava por ser sinônimo de lealdade.
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  Perdeu-se um instante em devaneios, até que ruídos de vozes humanas a despertaram. Aproximava-se de uma clareira mais ampla, margeada por troncos milenares. Ao passar por um tronco tombado, %Ana% percebeu um jovem de aparência humilde encostado numa pedra lisa, voltado para a estrada de terra. Falava com outra figura, contudo seu interlocutor permanecia à sombra das árvores, invisível. As palavras, porém, romperam o silêncio:
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  — Essa princesa boêmia… Acredita mesmo que vai conquistar nossos nobres? Mal fala o idioma e já vem com ares de grandeza. Aposto que se sente dona do reino.
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  %Ana% estremeceu. A voz soava tão próxima que faltou tempo para se ocultar. O coração tamborilou no peito. Sentiu as faces corarem. Por um segundo, quis correr de volta à segurança do palácio, mas o orgulho a deteve.
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  Ajoelhou-se suavemente, pousou a mão direita contra a relva úmida, e ergueu-se com um movimento lento, fingindo distração. Aproximou-se do jovem, que arfou de susto ao vê-la surgir como surge o próprio destino.
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  — Vejo que conhece meu nome — disse %Ana%, com firmeza na voz. — Mas me diga: quem é você para julgar a mim ou a minha vontade de servir ao reino de Jagelão?
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  Ele a contemplou, boquiaberto. Parecia não crer no que via: a princesa de quem falara tão levianamente, bela e alta, face pálida emoldurada por cabelos castanhos ondulados, estava ali, viva e indócil.
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  — Eu… eu não esperava encontrar a senhora aqui — gaguejou. — Não queria… não é que eu… Bem, eu sou Tomasz, filho de um ferreiro. É só que ouvi comentários no vilarejo: achavam que vossa alteza mal sabia pronunciar o nome de Jagelão.
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  %Ana% sentiu a ponta de raiva — mas também um peso de compaixão. Percebeu o susto nos olhos do rapaz acanhado diante da nobreza. Endireitou os ombros, respirou fundo.
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  — É natural que eu ainda aprenda os costumes e a língua local. Mas estou aqui para honrar meu compromisso: fortalecer os laços entre Boêmia e Jagelão. Aprenderei tudo o que for preciso. No entanto, peço que, antes de falar sem pensar, recorde-se de que palavras têm poder.
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  Tomasz a examinava com reverência e curiosidade misturadas. Ao seu redor, a primavera parecia cessar o canto dos pássaros, apreensiva. A tensão ficou suspensa por um instante — até que, finalmente, ele respirou fundo.
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  — Perdoe-me, alteza. Jamais quis ofender-vos. Penso que, se permitirdes, posso ajudar a mostrar ao povo que sois digna de nossa confiança.
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  %Ana% sorriu pela primeira vez naquele dia. O gesto, suave, trouxe luz aos seus olhos. Aproximou-se, retirou do bolso um lenço delicado, bordado pela mãe que ficou em Praga. Estendeu-o a Tomasz.
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  — E como pretendes fazer isso, rapaz?
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  Tomasz pegou o lenço, como se segurasse a própria esperança.
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  — Conheço o mercado de Gdanys, minha senhora. Posso apresentar-vos às vendedoras de mantas e especiarias. Se vossas palavras forem afáveis e vossa prática se mostrar justa, logo se espalhará que a princesa da Boêmia não é apenas rumor ou pompa vazia — mas um sopro de justiça para cães e senhores.
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  %Ana% sentiu um calor crescer-lhe no peito. Era estranho: até então, acreditara que sua força residia apenas na aliança política, no título. Mas aquele rapaz viçoso, filho de ferreiro, oferecia-lhe algo mais valioso: um caminho de proximidade com o povo. E era aquela a semente de transformação que procurava.
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  — Então teremos uma trégua — declarou ela, tocando a luva envelhecida do rapaz. — Mostrarei ao vilarejo quem sou, e darei ouvidos às suas necessidades. Mas, em troca, peço a vossa lealdade — não apenas como homem, mas como jagelonês.
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  Tomasz ergueu a cabeça, visivelmente comovido.
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  — Levo-vos comigo ainda hoje, alteza, se assim desejardes.
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  %Ana% hesitou apenas um instante. Lágrimas contidas lhe salgaram a garganta — não de tristeza, mas de esperança. Sim, estava sozinha longe de sua família, e a incerteza a apavorava. Ainda se sentia, por vezes, como um problema ambulante, uma peça de xadrez em disputa entre cortes. Porém, ali viam-na de forma diferente: não apenas como monarca estrangeira, mas como agente de mudança. E para abraçar tal missão, seria necessário correr riscos.
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  — Hoje mesmo, Tomasz — concordou ela, erguendo o queixo. — Visto-me de maneira mais simples e te acompanho ao mercado. Quero conversar com as pessoas, ver os olhares e ouvir seus pedidos do coração.
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  O rapaz esboçou um sorriso radiante. A princesa gentilmente recolheu o manto azul-esverdeado, trocando-o por um xale cinza-escuro, tecido em trama rústica. Seus traços se suavizaram, os joelhos se dobraram sem constrangimento. Quando desceram, de mãos entrelaçadas como companheiros de aventura, o bosque pareceu abençoar o ato: um vento leve sacudiu as folhas, e o canto dos pássaros voltou a encher o ar.
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  %Ana% caminhava agora com um novo propósito. A corte de Jagelão talvez se espantasse ao vê-la misturada à plebe, mas ela não recuaria. Em cada passo sentia o coração pulsar forte, como se sua própria história se reescrevesse. E, pela primeira vez desde que desembarcara naquela terra estranha, deixou de se considerar um problema. Tornava-se, a cada suspiro, parte de um reino vivo — e de um povo que, se a aceitasse, poderia redescobrir a força que há tempos lhe fugira.
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