Adore

Escrito por Dana Rocha | Revisado por Flavinha

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I don't mean to run but every time you come around I feel more alive than ever and I guess it's too much

  Abri o vidro da janela do carro me sentindo feliz por poder respirar aquele ar novamente. Fazia algum tempo que eu não voltava para casa e eu sentia falta daquele lugar.
  Morava em Franklin desde os meus treze anos, quando os meus pais se separaram e eu me mudei pra cá com minha mãe.
  Com toda a fama e as turnês, era difícil eu conseguir algum tempo para visitar minha mãe, mas depois de infernizar o meu empresário, ele finalmente me deu uns dias de folga.
  Nada mudara naquele lugar. Ainda havia as mesmas casas, as mesmas lojas e eu até via uma ou outra pessoa conhecida. Comecei a reconhecer minha rua e de repente me senti mais animada.
  Era bom estar de volta, mesmo que sozinha - é, porque meus amigos e companheiros de banda não quiseram vir comigo, bando de chatos ingratos. Ainda me deixaram com a tarefa de explicar pras famílias deles porque eles não foram!
  Enfim, o motorista da gravadora parou na frente de casa e foi para o porta malas pegar minhas bagagens. Ele não abria a porta pra mim mais, desde que eu quase briguei com ele por isso. Não gostava de tanta formalidade assim. Não quando eu podia ser eu mesma.
  Mordi o lábio, um pouco ansiosa e caminhei decidida até a porta de casa. Eu não tinha contado pra mamãe ainda que eu estava indo pra lá, queria fazer uma surpresa.
  Toquei a campainha, sentindo Rodney -o motorista- parar ao meu lado com minhas malas nas mãos.
  - Quer uma ajuda, Rod? - Perguntei estendendo a mão pra pegar uma das minhas malas. Aquilo devia estar no mínimo pesado.
  - Tudo bem. - Ele sorriu pra mim, sem me dar nada pra segurar. Esse povo devia ser pago pra sofrer né?
  - Só um minuto. - A voz da minha mãe saiu abafada através da porta e logo comecei a ouvir barulho de chaves e mais rápido ainda a porta estava aberta. Christie me encarou por alguns segundos, parecendo se decidir se era mesmo eu e então se jogou em mim, num daqueles incríveis abraços de mãe.
  - ! Nem acredito que você está aqui bebê! - Ela se afastou de mim para me segurar pelas bochechas. - Tão linda!
  - Ai... Oi, mamãe. - Já tentaram falar enquanto alguém faz biquinho em você? Pois é, eu estava assim. - Que saudade!
  - Ah querida, por que não me avisou que vinha? Vem, vamos entrar.
  - Sra. Williams, suas malas. - Rodney me chamou antes que eu entrasse em casa, me lembrando daquele detalhe.
  - A sim, deixe elas aqui que depois nós levamos pro quarto. - Mamãe tomou a frente, puxando Rodney para dentro.
  Ele deixou minha bagagem na sala de estar e se despediu, avisando que me buscava em uma semana antes de partir.
  - Só uma semana? - Mamãe fez biquinho pra mim.
  - Infelizmente.
  - Então não podemos perder tempo, vou ligar pra todo mundo e chamá-los aqui, precisamos comemorar sua visita.
  - Não mãe, eu não preciso de festa! - Tentei impedi-la, mas quando minha mãe colocava algo na cabeça, ninguém conseguia tirar.
  Christie ligou para o que eu achei que fosse um milhão de pessoas enquanto eu me instalava no meu antigo quarto. Era bom estar em casa.

But maybe we're too young and I don't even know what's real but I know I've never wanted anything so bad I've never wanted anyone so bad

  Eu não sei se foi a viagem, mas algo me deixou com bastante sono e minha cama passou a ser bem convidativa, de modo que quando eu abri novamente os olhos, já era noite e minha mãe gritava por mim no primeiro andar da casa.
  E como eu odiava ser acordada.
  Prezumindo pelo barulho que já haviam pessoas ali, peguei uma roupa um pouco mais apresentável -mas não muito, não precisava de coisas extravagante em casa.- e fui até o banheiro dar um jeito na minha cara amassada.
  Desci as escadas usando a minha melhor máscara de estou-feliz-por minha-mãe-ter-chamado-a-cidade-inteira-na-minha-primeira-noite-em-casa e cumprimentei várias pessoas que eu não via há muito tempo. Fiz social por mais ou menos uma hora e meia e quando já não aguentava mais aquilo, peguei um copo de refrigerante - é, não se bebe na casa da mamãe- e fui me sentar embaixo de uma árvore que dividia o quintal da minha casa e a do vizinho.
  - O que o Bob Esponja faz sozinho aqui fora com tanta gente querendo matar as saudades? - Reconheci a voz que um dia já fizera parte dos meus sonhos mais românticos, mas que agora causavam a minha insônia.
  - Josh? - Levantei a cabeça para olhar para ele. O que ele fazia ali afinal? Josh me olhava com um sorriso divertido no rosto e sem pedir nem nada, se sentou ao meu lado sob a árvore.
  - Oi. - Ele sorriu de leve ficando em silêncio em seguida. O que era aquilo, pegadinha?
  Tá, onde estavam as câmeras?
  - O que você... O que você faz aqui?
  - Hmm, sua mãe ligou pra minha dizendo que você estava na cidade e eu pensei: por que não fazer uma visita pra uma velha amiga?
  Velha amiga? Ele só podia estar brincando mesmo. Como se ele não tivesse sido da mesma banda que eu por anos. Como se nós não tivéssemos namorado por um tempo. E como se ele não tivesse abandonado o Paramore com o Zac.
  Mas enfim, Williams não guarda rancor, todo dia é um novo dia.
  - E aqui estamos nós! - Levantei os braços sorrindo nervosa. Não pensava que estar perto dele depois desse tempo todo sem vê-lo pudesse ser tão estranho. Eu queria pular em seus braços e fugir ao mesmo tempo.
  - É, aqui estamos nós. Sabe que essa árvore me traz algumas recordações?
  Engoli em seco. É, ela trazia pra mim também, mas eu pretendia ignorar aquilo enquanto estivesse ali com ele.

If I let you love me be the one adore would you go all the way? Be the one I'm looking for if I let you love me be the one adore Would you go all the way? Be the one I'm looking for

  - Imagina a gente daqui à alguns anos, fazendo turnês mundiais e fugindo dos paparazzi... - Era uma noite clara e estrelada e eu estava deitada sobre o peito de Josh, admirando as estrelas embaixo da árvore da minha casa. Não sei porque estávamos só nós dois ali, costumávamos andar sempre em bando, mas eu não estava reclamando. Ficar com Josh nunca era ruim, afinal.
  - Josh, a gente mal começou a banda e você já tá pensando em turnê mundial? - Levantei um pouco a cabeça, apoiando a mão em seu peito para poder encará-lo com um sorriso divertido.
  - Temos que pensar grande. - Ele retribuiu o gesto e ficamos nos encarando em silêncio. - Você tá comendo cabelo, bob esponja nojento. - Josh fez uma careta, tirando o cabelo do meu rosto. Só que ele não tirou a mão de lá depois.
  Não, ao invés disso ele segurou o meu rosto, fazendo carinho com o polegar na minha bochecha e começou a olhar para a minha boca, me fazendo quase que automaticamente olhar para a dele também. Na posição que estávamos sobrara pra eu ter a iniciativa, o que não foi difícil, deus sabe porque. Eu nunca tinha parado pra pensar que a amizade com Josh podia resultar em algo mais.
  Aquela foi a primeira vez que nós nos beijamos - e foi incrivelmente maravilhoso, vale resaltar-, mas estávamos começando a banda e tudo o mais, então decidimos nós dois guardar aquilo, para o bem geral. Ou talvez não, porque eu sabia que o sentimento que começou a surgir dentro de mim naquela noite não ia me abandonar tão cedo.

Help me come back down from high above the clouds you know I'm suffocating but I blame this town

  - Por que você veio, Josh? De verdade. - O que ele pensava? Que podia aparecer do nada e derrubar a parede que eu estava construindo contra ele? Josh suspirou e pousou seus olhos sobre os meus.
  - Queria te ver. E queria me certificar de que você não estava virando uma celebridade metidinha. - Ele riu, fazendo cafuné na minha cabeça. Aquilo foi engraçado, há tempos nós não nos comportávamos assim, como amigos de infância. Na verdade, há algum tempo, desde antes dele sair da banda, nós praticamente nem conversávamos.
  - Josh! Vai bagunçar meu cabelo!
  - Iih, tarde demais. - Ele fez bico. - Vem! - Josh me puxou, levantando-se num pulo. Eu dei um gritinho assustada, relutando em segui-lo.
  - Josh, aonde a gente vai? - Firmei meu pé no chão, fazendo-o parar. No entanto, ele não soltou minha mão, me provocando um certo formigamento. Era ridículo eu estar agindo como uma garota apaixonada depois de todo aquele tempo.
  - Ai, para de ser chata e vem logo! - Me puxou com mais força, me fazendo praticamente voar em sua direção. Eu sabia que não tinha forças nem pra argumentar e muito menos pra largá-lo e voltar pra casa, onde era mais seguro, então me deixei ser arrasada deus sabe pra onde.

Why do I deny? The things the burn inside down deep, I barely breathing but you just see a smile

  - Você não pode estar falando sério! - Comecei a reconhecer o caminho para um playground onde nós costumávamos ir à alguns anos atrás. Nós ficávamos lá de bobeira e as vezes até tentando brincar nos brinquedos propriamente infantis.
  - Achei que você fosse gostar de voltar às raízes. - Ele sorriu. - Da última vez que nós viemos aqui eu era só o Josh e você só a bob esponja.
  - É não havia complicações.
  - Talvez uma ou outra besteirinha de ensino médio, mas as coisas eram mais tranquilas. - Fez careta.
  Eu ainda não tinha entendido o que tudo aquilo significava. Josh se comportando como um dos meus melhores amigos perdidos, relembrando o passado e tudo o mais... O que ele queria afinal de contas? Fazer eu me sentir confusa? Porque eu já estava bastante antes disso, agora parecia que eu ia explodir.

And I don't wanna let this go realy I just want to know

  - , depois que eu voltei pra casa, fiz uma espécie de tour pela cidade, me lembrando de tudo o que a gente passou aqui. E sabe, eu percebi que eu não quero perder isso. Nada disso. - Josh se aproximou, olhando nos meus olhos durante todo o tempo. Novamente eu queria correr. Ele não podia estar fazendo aquilo comigo.
  - Josh, nós já passamos por isso antes. Eu não quero sofrer ainda mais.
  - Eu sei, nem eu. Mas e se dessa vez for diferente?
  - Diferente como?
  - Bom, nós já não estamos na mesma banda, isso é um começo. - Me lançou um sorriso amargo. - E quer saber, o Paramore foi muito importante pra mim, mas eu prefiro você. Mil vezes você, se concordar em me dar uma chance.
  - Não é assim tão fácil Josh, eu tenho o Chad agora. Não posso fazer isso com ele.
  - Ok. Eu aceito isso. Desde que você possa me dizer que você o ama. - Josh levantou uma sobrancelha. Um grande filho da puta ele era, me fazendo passar por aquilo.
  - Eu... É óbvio que eu o amo. Ele tem me ajudado muito, sabe?
  - Certo. Mas ele consegue fazer você se sentir assim? - Ele colocou a mão próxima ao meu coração, fazendo-o acelerar loucamente. Se eu fosse mais velha e menos saudável, provavelmente teria tido um ataque cardíaco. - E te deixar sem ar?
  - Josh, não brinca com isso, por favor. - Senti uma lágrima escapar do meu olho, mas Josh a secou antes que ela terminasse o trajeto pela minha bochecha. E pra variar, continuou com a mão ali.
  - Olha pra mim. - Ele pediu. - Nós dois estamos mais maduros agora. Você acha que eu tô brincando? - Cometi o erro de olhar fundo em seus olhos. Eu mais do que ninguém devia saber que não é seguro encará-lo daquela forma. Senti minhas pernas tremerem e suspirei, percebendo que perdera todo o meu alto controle.
  - Eu não sei... - Tentei me redimir, sentindo meu orgulho ser massacrado por aqueles malditos olhos e aquela maldita -e extremamente convidativa- boca, mas não precisei me esforçar para formular uma frase, porque enquanto pensava em uma, Josh murmurou algo como "mas eu sei" e me agarrou.
  Sua língua pediu passagem e eu -idiota- a concedi com um pesado suspiro. Comecei a sentir pequenas explosões por todo o meu corpo à medida que nossas línguas travavam uma batalha uma contra a outra.
  Eu provavelmente deveria afastá-lo e fugir dali, mas eu não queria me importar naquele momento. A única coisa que eu sabia é que eu tinha sentido muita falta daquele beijo e queria aproveitá-lo enquanto podia. Teria o resto da semana para me torturar por isso depois.
  Ou não.

If I let you love me be the one adore would you go all the way? Be the one I'm looking for.



Comentários da autora


Terminei \OO/ Aimeudeus, hora do veredicto final... O que acharam? Tenho que destacar aqui que eu nunca nunca tinha escrito uma fic de Paramore na minha vida e que eu nem ao menos sou fã da banda '-' é, eu não sei quase nada deles, mas tive que fazer um curso rapido pra escrever essa fic pra minha twin mais linda de todas haha
Então, Flah, essa é unicamente pra vc *o* espero que tenha dado pra vc dar pelo menos um suspirozinho kkkkkk
É isso, comentem e sejam felizes \o bjsbjs e até a próxima *-*