About Thousands

Escrito por Cáa | Revisado por Cáa

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  O telefone tocava em plena madrugada. De primeiro, achei que fosse parte do meu sonho, mas depois o barulho ficou alto demais, a música não fazia sentido dentro do sonho e, enfim, abri os olhos. Meio grogue, procurei o telefone e nem precisei ver quem era, só poderia ser uma pessoa a essa hora.
  - Oi . - Atendi, totalmente sonolento.
  - Hey. - Ela sussurrou do outro lado da linha e, mesmo atordoado por ter sido acordado por um aparelho eletrônico, sorri.
  - Onde está? - Perguntei, bocejando.
  - Voltando da Califórnia. - Continuou a sussurrar e achei graça.
  - Voltando?
  - Estou de volta, no aeroporto. - Disse, por fim.
  - Estou a caminho. - Levantei enquanto tentava pegar uma calça jeans jogada no meu quarto e uma blusa do outro lado da cama.
  - Eu estou com saudades. - disse, por fim. Sempre encerrava uma ligação com os mesmos dizeres. - Eu tenho saudades de você o tempo todo, já disse que você é o que me mantém viva? - Completou e logo não ouvi o outro lado da linha.

  Era a terceira vez que voltava.
  E a segunda vez que fora embora com milhões de desculpas.
  Quando estávamos no colegial, ela sempre dizia que queria viajar pelo país inteiro, mas nunca achei que ela cumpriria sua palavra. Não que eu duvide de , mas na época em que ela começou, ela só tinha quinze dólares no bolso. Quinze dólares e um sorriso de arrancar suspiros meus.
  Estacionei meu carro no aeroporto e logo corri para dentro do local. Aeroportos são sempre movimentados, mas esse movimento sempre diminui as madrugadas. Procurei-a com os olhos e, quando estava pronto para pegar meu celular do bolso da calça, vi uma menina de cabelos e , de costas. Estava em pé, trocando o peso de perna sem parar. Olhei atentamente para a garota de costas e reconheci minha garota.
  - ! - Disse alto e logo a menina virou, com um sorriso imenso nos lábios.
  - ! - Ela gritou e algumas pessoas que passavam por ali, olharam assustadas. correu em minha direção e pulou em mim, agarrei-a pela cintura e enterrei meu rosto em seu pescoço. Ficamos assim até as pernas de escorregarem pelo meu corpo.
  - Não vá embora dessa vez. - Disse assim que encontrei seus olhos .
  - Não vou, prometo. - Falou, afagando minha bochecha.

  Voltamos para casa em silêncio. Estava com um sorriso enorme em meus lábios.
  "Ela nunca tinha prometido ficar antes, dessa vez será diferente." Pensava, feliz. Olho para o lado e me olhava, sorrindo.
  - Como anda a vida? - Ela perguntou. Sua pele estava um pouco mais escura do que o normal, seus cabelos estavam com as pontas um pouco mais claras, mas seus olhos eram os mesmos; brilhantes e encantadores. Califórnia só tinha a deixado mais linda.
  - Melhor agora. - Disse por fim e ela sorriu.
  - Senti sua falta.
  - Você sempre está em minha mente. - Falei tranquilamente, estacionando o carro, finalmente tínhamos chegado em casa.

  - Antes que diga alguma coisa, a casa continua a mesma. - Quebrei o silêncio que tinha se instalado enquanto esperávamos o elevador chegar ao nosso andar.
  - Uma bagunça. - Ela concluiu e rimos. Concordei com a cabeça e ela deu de ombros.
  Peguei as chaves e abri a porta do apartamento, dando espaço para entrar primeiro.
  Deixei sua mala perto do sofá da sala e a olhei, sorridente.
  Fui em sua direção e envolvi sua cintura, apoiando meu queixo em seu ombro. Logo senti as mãos pequenas de envolverem meus ombros e seus lábios depositarem um beijo em meu pescoço, me fazendo arrepiar por completo.
  Encontrei seus olhos e logo nossos lábios estavam grudados enquanto a guiava para meu quarto.
  Essa era uma das melhores partes das voltas de .

  Acordei com a cama balançando. O dia já estava claro, o sol brilhando e logo vi trocada, indo em direção a porta.
  Ergui uma sobrancelha, desconfiado. Isso não está acontecendo, disse a mim mesmo, repetidas vezes. Levantei da cama, peguei a primeira boxer que vi na minha frente e vesti, sem fazer barulho.
  Saí silenciosamente do quarto e segui pelo pequeno comodo. Ela estava com a mala nas mãos, tentando abrir a porta sem fazer nenhum barulho sequer.
  - Você prometeu. - Disse, fazendo pular de susto. Ela virou rapidamente para mim, os olhos arregalados.
  - Eu... - Sua voz era fraca.
  - Você prometeu, cacete! - Gritei, não me importando mais com nada. - Você disse que ficaria! Você... Caramba, ! - Baguncei meus cabelos, nervoso.
  - , eu tenho medo. - Ela falou, depois de um momento de silêncio constrangedor.
  - VOCÊ NÃO ENTENDE? - Gritei a plenos pulmões. - Eu não quero mais viver sem você! Eu não quero dar mais nenhum passo sem você. Já basta as outras duas vezes que aconteceu a mesma coisa. Mas dessa vez você prometeu. Eu não quero mais acordar um dia sem você ao meu lado ou assistindo você ir embora, ! Eu não aguento mais! Eu te amo, porra! - Continuei gritando e gesticulando sem parar. A garota a minha frente estava petrificada. Não sabia o que dizer ou falar.
  - Eu não posso, eu tenho medo. - Repetiu as palavras e quase me soquei. - Eu também te amo, . - Ela disse, depois de um tempo de silêncio.
  - Então por que caralhos você não fica comigo? Seremos um casal, um casal normal, ! - Estava completamente fora de mim, não aguentaria mais uma partida. Dessa vez ela tinha prometido, não? Ela nunca prometia nada.
  - Eu não sei. - Ela disse, lágrimas saindo sem parar de seus olhos.
  - Claro que não. - Resmunguei baixo e fui em sua direção, abraçá-la. Ficamos abraçados por incontáveis minutos, até eu pensar em coisas menos ofensivas para dizer para ela. - Fique. - Disse, não como uma ordem, mas como um pedido desesperado. Eu necessitava de . E sabia que eu também era necessário para ela.
  - Estou com medo. - Apoiou sua mão em meu peito, depositando um beijo tímido no local.
  - Nós podemos tentar, . - Continuei com a voz amena. Vi a garota sorrindo e soltei o ar preso em meus pulmões, agora mais aliviado.
  - Eu amo você. - Ela disse, a voz firme e decidida. - Vamos tentar, não importa o que houver.
  - Você é o que me mantém vivo. - Soltei a frase que ela sempre usava para encerrar nossas ligações, encerrando essa conversa. Nós sempre poderíamos tentar.

Fim! (:



Comentários da autora


  AWN! <3
  Era pra ser um drama, né, mas aí eu fiquei com medo da reação da Kita. ER Então virou esse romance meio suspense no final.
  Muito rápido escrever essa fic depois que fiz a capa, acho que peguei a mania da Cosma, howmake?
  Anyway, pra você, Kita! <3
  Espero que goste, é. *-*
  ~ @xCah {follow}