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Temporada #021

Tis The Damn Season
Taylor Swift

Capa por Julia N.

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‘Tis The Damn Season

  Meu celular tocava incessantemente enquanto eu estacionava entre a Igreja e a escola que frequentei quando mais nova, e antes de poder respirar o ar puro da minha cidade natal, um rosto surgiu na minha janela esquerda, me assustando e tirando boas gargalhadas de todos presentes. Rolei os olhos para os meus irmãos e os abracei assim que saí do veículo, embarcando na aura divertida que eles traziam consigo e não tardamos em pôr as novidades em dia. Nicolas e Saffron discutiam para ver quem falaria primeiro sobre as férias e algo envolvendo experimentos da aula de ciências; Blake ignorava os gêmeos e tagarelava com Manuel, que me puxou para perto e colocou seu braço em volta do meu ombro, apontando para a câmera que, no segundo seguinte, tirava uma foto nossa totalmente espontânea. Para nossa sorte, a distância até o mercado central era pouca, caso contrário, se continuássemos por mais tempo caminhando pela cidade, Blake e os mais novos iniciariam uma briga e ninguém queria estragar o feriado. Adentramos o lugar e recebi os famosos olhares de “por favor, compre para a gente aquele chocolate que tanto amamos!” que fui acostumada a adolescência inteira por ser a quem trabalhava, juntamente de Manu. Deixei que escolhessem o que quisessem, afinal, estávamos na semana do Natal e durante a busca dos doces, eu e meu irmão teríamos um tempinho a sós para ele me informar como andavam as coisas em casa.
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  – Bom, é isso. Parece que passaremos a véspera com as nossas mães e a esposa do nosso pai e os filhos das respectivas. E mais umas trinta pessoas, provavelmente. – Ele suspirou, contando nos dedos se não esquecia de ninguém e finalizando os planos para o dia 24.
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  – Não sei se sinto tanta falta dos feriados recheados de rostos conhecidos, mas, definitivamente esse será interessante! – Rimos. – E eu achando que na nossa família já tinha gêmeos o bastante.
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  – Pelo menos os outros estão juntos, já a gente… – Manuel colocava as compras na esteira. – Olha, senti saudades da minha metade, não vou negar.
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  – Manu! Assim eu chorarei no meio do mercado e mamãe reclamará que eu nunca choro ao revê-la! – Fingi secar as lágrimas com um lencinho que estava no meu bolso e recebi um olhar reprovador. – Fala sério, você sabe que eu estou a uma ligação distante.
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  – E 18 horas de carro, né?
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  – Touché. – O cutuquei na barriga. – Ou cinco de avião, o qual você não aceitou que eu comprasse suas passagens para ir me visitar. Então, nada de reclamar.
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  – Por que nossas discussões parecem como a de Nico e Saffron, hein? Às vezes esqueço que temos vinte e três recentes completados anos!
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  – Sabe que estamos mais perto do 24, não é, Manu?
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  – Estraga prazeres!
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  Com as bolsas guardadas no porta-malas e todos em seus devidos lugares, liguei o rádio e engatamos em um novo assunto durante a volta para casa. Não demoraria muito para que a cancela fechasse e o trem continuasse o seu trajeto, algo normal aos olhos de qualquer um. Entretanto, para mim, eu podia sentir o ar ficando mais denso e meus dedos batiam no volante rapidamente, felizmente chamando a atenção apenas de Manuel, que se encontrava no banco da carona e levemente preocupado. Senti sua mão no meu ombro e respirei fundo, seguindo a rua mais longa e recebendo questionamentos do motivo, já que tomaria um bocado de tempo para chegarmos em casa. Meu irmão deu uma resposta qualquer que não prestei muita atenção, pois minha mente estava ocupada tentando bloquear as memórias que insistam em surgir desde que pisei nessa cidade.
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*

  Um fato sobre Melissa Campos: se ela for fazer um bolinho, saiba que terá, no mínimo, trinta pessoas para cantar parabéns e comida para sessenta. Quando diziam que minha mãe não brincava em serviço, não ironizavam, já que a mulher ficou conhecida por seus banquetes em datas festivas e, por morar em cidade pequena, sua fama e seu restaurante bombaram desde a primeira festa que deu, antes mesmo de pensar em ter mais três filhos. Quando uma data, como o Natal, estava perto de acontecer, ela começava os preparativos, geralmente no sábado, terminando apenas um dia após as festividades. Ou seja, teremos bastante comida e gente vindo em casa até a próxima segunda. Preciso confessar que depois que me mudei, me desacostumei com eventos tão grandes, talvez seja por ter um grupo de amigos que preferiam fazer festas entre si do que ir para alguma balada, mas ao sentir o cheirinho do bolo assando e tendo pelo menos cinco pessoas me cumprimentando, meu coração se aqueceu como não acontecia por um longo período. Encontrei Melissa cantarolando a música que tocava na rádio enquanto dava para Raya uma colher com um pouco do caldo que preparava, a fim de descobrir se o tempero estava no ponto certo. Não pude deixar de sorrir com a cena, ver minhas mães desse jeito me fazia feliz, logo elas me notaram e vieram correndo, enchendo meu rosto de beijos e fui envolvida em um abraço apertado.
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  – Meu Deus, rouxinol! Vem cá, preciso de mais abraços. Sério, por quanto tempo dormi para você estar toda crescida?
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  – É, meu amor, o bastante, pelo visto, já que ontem você estava toda orgulhosa de ver que criou sua filha para o mundo. – Raya recebeu um olhar feio de mamãe e começamos a rir. – E você, querida, como está? Seu quarto está arrumado e te esperando, por que não toma um banho e descansa um pouco? Cá entre nós, não vai demorar muito até sua mãe pedir que você compre algo por causa do carro…
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  – Ei, escutei isso!
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  – Parece ser um bom plano, mãe. É tanta pessoa para rever que os minutos que eu tiver sozinha vão me fazer bem. Meio que perdi o pique do sítio, você sabe. – Suspirei pesadamente, um tanto sem graça por Raya saber me ler tão bem independente das estações que passamos separadas.
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  – Seu pai pediu para você passar na loja dele se possível, rouxinol.
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  Assenti e andei calmamente para as escadas, observando o exterior pela enorme porta da cozinha que dava acesso ao gramado, onde vários rostos conhecidos acenavam para mim animadamente e eu os respondia com um sorriso. Desfiz minha mala assim que saí do banho enrolada no meu roupão, e fiquei desse modo por meia hora rolando a timeline no celular até que escuto meu nome ser chamado no andar de baixo diversas vezes e me vejo na obrigação de vestir qualquer peça de roupa antes que batessem na minha porta.
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  – Preciso que busque algumas coisas no seu pai e que deixe o carro na oficina dele, rouxinol. – Senti a chave cair na minha mão e olhei para Raya, que sussurrou um “Te avisei” e soltou um risinho contido ao ver minha reação.
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  – Mais alguma coisa, dona Melissa?
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  – Está liberada, querida. A propósito, pegue uma carona com alguém da cidade, um colega, ou o Robert. – Deu de ombros. – E não demore, parece que choverá. Qualquer coisa, manda uma mensagem pra gente, tudo bem?
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  Como era de se esperar, foi um perrengue conseguir dirigir um veículo que ia de mal a pior. Não que fosse antigo, mas havia algo de errado nele que transformou quinze minutos em quarenta e a cada parada de sinal as trovoadas ficavam mais altas. Meu único pedido era de que meu pai me levasse para casa assim que eu estacionasse, todavia, era capaz de mamãe mandar recado por ele para eu ter que comprar mais alguma coisa. Nem podia resmungar muito, afinal, dos cinco filhos, eu era a única desocupada, e mesmo estando longe por meses, isso não se tornava um impedimento para que ela me pedisse algo.
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  – Robert – o chamei ao vê-lo surgir atrás do balcão.
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  – Quem é vivo sempre aparece! – Ele me puxou para seus braços. – Papai estava com saudades, sabia? Difícil ver minha primogênita, que Manu não me ouça, só por fotos e vídeos. Mas, conte para mim, qual é o problema dessa vez?
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  – O carro da rainha Melissa está ruim, se você pudesse dar uma olhada. Preciso comprar alguns ingredientes e arranjar uma carona para o sítio. – Fiz a minha melhor feição para convencê-lo a me levar.
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  – Essa sua carinha deixou de me convencer há 13 anos, filha. – Meu pai gargalhou, dando a volta no balcão. – Infelizmente só vou poder ir mais tarde, e com a chuva que ameaça cair, Belle terá que vir pra cá com as crianças mais cedo do que o programado.
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  – Tudo bem com vocês? Espero que os pequenos se lembrem de mim!
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  – Tudo, filha. Eles são os que mais perguntam da “ meia irmã mais velha” que gostam tanto! E Belle não fica muito atrás, sempre vem me mostrar as fotos que você posta. – Sorri ao saber das notícias. – Ah, quase ia me esquecendo! Acabei de consertar uma caminhonete e o dono dela ainda está na oficina, acho que era um colega seu de classe… Pode pedir carona ao rapaz, ele está me devendo uns favores. Cidade pequena tem suas vantagens. – O abracei mais uma vez e peguei a lista do meu bolso, tentando memorizar os itens caso eu perdesse o papel. Decidi tirar uma foto e, por fim, segui o pequeno caminho para a oficina. Adorava o fato de que meu pai tinha uma floricultura e ao lado cuidava dos carros.
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  – Caminhonete, caminhonete… – resmunguei baixinho enquanto procurava o tal colega dentre os cinco veículos iguais estacionados. – Ah! Acho que vi alguém. – Abaixei meu rosto na altura da janela, tentando ver se o dono podia estar no lado de dentro.
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  – Nunca te disseram que é feio espionar o carro alheio? – Pude sentir a brisa fria passar pelo meu corpo ao ouvir aquela voz. O tipo de brisa que embaçaria o vidro para-brisa.
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  – .
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  . – Percebi sua postura enrijecer ao falar o meu nome, e não foi muito diferente comigo.
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  – Tudo bem? – Pus minhas mãos no bolso da calça e fitei o chão.
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  – Sim, e você? No que lhe posso ser útil?
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  – Hum… É que não tenho como voltar para casa depois de ir ao mercado e Robert tá ocupado com o trabalho, mas disse que tinha um colega meu aqui, então…
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  – Colega, é? – Ele se aproximou calmamente, provavelmente me analisando para entender a situação. – Bem, se é só isso, pode subir. Pega. – Jogou as chaves para mim. – A condição será você dirigir, já que estou meio impossibilitado.
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  – O que houve com seu pulso?
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  – Ah, tentei subir naquele limoeiro do meu vizinho, caí e torci o pulso. – Deu de ombros, indiferente com o acidente.
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  – Dessa vez o meu tá intacto. – Ri. – Isso me lembrou de quando éramos mais novos e as idas para casa eram com o joelho ralado de tanto pular as muretas espalhadas por aí. – O arrependimento surgiu no mesmo minuto em que raciocinei o que acabara de falar.
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   Albuquerque era o meu parceiro de crime e melhor amigo, e se alguma pessoa poderia superar Raya em me ler por completa, era ele. Nunca soube como expressar os pensamentos e sentimentos que brotavam quando sua silhueta ficava visível no final do corredor da escola, vindo com seu riso solto e jogando as longas madeixas para trás. Ou nos momentos que saíamos correndo sem destino, apenas parando para observar o luar, além de todos os clichés de filmes românticos possíveis que aconteciam conosco. Reprimi um sorriso ao dar uma pequenina abertura àquela sensação tão gostosa que sua companhia proporcionava, e não sei se era coisa da minha cabeça, mas pude reparar que o seu semblante estava tranquilo, diferente de quando me viu.
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  Se está tudo bem pra ele, está tudo bem para mim.
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*

  Desde que saímos da oficina não trocamos mais nenhuma palavra, nem olhares. Não podia culpá-lo por não querer conversar ou por não agir como há um ano, toda a melancolia instalada no meu interior parecia como um perfume ruim, que você só consegue fugir até chegar em casa e tirá-lo do corpo. Mas, os céus sabem como eu queria poder esfregar as escolhas água abaixo para poder seguir o que tivesse que seguir; voltar atrás e ir fundo na estrada não tomada que sempre pareceu ser muito boa. Boa demais para uma pessoa cheia de inseguranças e mágoas do passado que nem eu, tendo seus medos passando em cima de qualquer vontade de seguir o seu coração verdadeiramente.
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  Não percebi que segurava o volante tão firme até um trovão estrondoso chamar a minha atenção, logo dando início à chuva que caía fortemente na caminhonete. A mercearia ainda se encontrava a bons minutos de onde estávamos, e definitivamente não chegaríamos a tempo, afinal, da janela pude perceber que corria o risco de ficarmos ilhados.
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  A única saída era pegar o retorno e aguardar na linha do trem, que provavelmente está fechada esperando o temporal passar.
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  – Esta é a maldita estação. – Bati no volante e encostei minha testa no mesmo, soltando o ar pesadamente.
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  – Ainda tendo problemas com esse feriado? Talvez eu tenha que concordar com você. Quem imaginaria que depois de um ano estaríamos nessa mesma estação em que eu te vi indo embora?
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  – Você se lembra? Achei que…
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  – Achou que uma carta era suficiente para me fazer desistir de ir atrás da garota que eu amei? – Ele se mexeu desconfortavelmente no banco. É perceptível que a dor posta nele pela dor que eu levava comigo é presente, porque era só uma questão de tempo para chegarmos nessa conversa.
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  – Fugindo, na verdade. – Encostei meu corpo no banco. – Não mais que três meses para eu realizar que fugir não foi a ação mais sensata a se fazer.
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  – Está tudo bem, . – “Está tudo bem”, repeti mentalmente.
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  – Odeio quando me chama pelo meu nome. – Virei o suficiente para olhá-lo.
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  – Você odeia muita coisa. – Riu. – Quer que eu te chame como?
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  – Você poderia me chamar de amor pelo final de semana. – Fechei os olhos, sem saber onde isso daria.
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  – … você sabe como isso acabará, né? – Seu tom de voz foi diminuindo.
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  – Eu… sinto falta do seu sorriso. E não sei como terminará cem por cento, mas não posso te pedir muito ou que me espere se você não pedir que eu fique.
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  – Será o suficiente? – segurou meu rosto e deu um sorriso triste. – Não posso tomar uma decisão sozinho que é para dois, entretanto… que tal aproveitarmos que a chuva passou e andarmos por aí, sem pensar muito no amanhã? A estação reabriu.
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  Talvez eu volte para a minha vida em Los Angeles e para os “amigos” que fiz, partindo o meu próprio coração. Mas, pela primeira vez, me aventurei em ir pela estrada que sempre evitei e que estava tão boa agora… porque essa estrada sempre me leva ao e à minha cidade natal.
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Fim

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Gio
Gio
1 ano atrás

Adorei a fic!!!! A única parte ruim é que não tem mais </3

Comentário postado originalmente em 16 de Julho de 2021

Liv
Liv
1 ano atrás
Reply to  Gio

Giooo, obrigada! Fico feliz que tenha gostado!

Comentário postado originalmente em 22 de Julho de 2021

Lelen
Admin
8 meses atrás

Ai, achei a história tão bonitinha… Tipo, ficou um final “em aberto”, mas deu um quentinho no coração PORQUE PODE TERMINAR COM UM FELIZES PARA SEMPRE. E é disso que preciso, da esperança do “felizes para sempre” HAHAHAHAHAH


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