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Natashia Kitamura
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Temporada #005

Love On The Brain
Rihanna

Esta história não possui capas prévias (:

Sem informações no momento.

Terceira Vez

  Já era a terceira vez.
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  Terceira vez que ela o via com outra pessoa, quando havia dito que não sairia com mais ninguém.
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  Terceira vez que dizia que era a última vez que deixaria ser feita de boba.
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  Terceira vez que xingava a si mesma por ser uma idiota.
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  Terceira vez que o via correr atrás dela como um imbecil.
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  Terceira vez que sentia apaixonar-se pela primeira vez, quando ele fazia uma declaração digna de filme de amor.
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  Terceira vez que pensava ser a última.
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   sentou-se no café da esquina de seu trabalho. Às vezes, quando sentia-se sufocada dentro do escritório da revista de moda que trabalhava, decidia pular o almoço fitness com as colegas de serviço e vinha comer um belo brownie, que só a cafeteria da esquina conseguia fazer. Além disso, diferente dos outros lugares, o doce vinha com duas bolas de sorvete, ao invés de somente uma ou pior, com chantilly.
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  Folheava uma revista adolescente que estava na mesa, esquecida por alguém. Como ninguém veio mostrar poder pelo material, acabou dando-se a liberdade de pegá-la para fazer a leitura. Uma sensação de nostalgia da época em que adorava ler essas revistas bateu em si; foi, inclusive, sua diversão com elas que a fez se decidir por seguir o jornalismo e acabar na revista de moda mais famosa do país.
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  - Tem alguém aqui? – uma voz grossa perguntou.
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   olhou para cima e, se não fosse por sua experiência de vida, teria gaguejado como uma verdadeira adolescente. Vinte e sete anos de vida não deveriam ter sido em vão.
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  - Fique à vontade. – respondeu com um sorriso.
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  - Eu acho que a vi mais cedo. Você trabalha na equipe da Silvia Spadonni, não é?
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  Foi o suficiente para ela.
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  Nenhum cara do calibre dele puxaria assunto, a não ser que fosse um caça-viúvas-ou-ricassas, coisas que ela não era. Não era sequer uma pessoa importante na equipe, o que significava que ou ele era um novato, ou realmente havia visto algo de bonito em .
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  - Sim, faço parte da edição de imagem.
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  - Ah, só uma beleza para conseguir cuidar da outra.
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  Ela soltou uma risada sem graça como parte de seu charme. Havia testado dezenas de vezes durante os encontros ou pretendentes que a interessavam, e descobriu ser um fator muito importante para seu próprio potencial. Ele jamais saberia que, naquele momento, se sentiu mais bonita do que jamais havia se sentido antes.
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  A conversa durou mais do que vinte minutos.
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  Provavelmente duraria mais do que quarenta, se esse não fosse o limite que ela tinha para voltar ao trabalho.
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  Sentiu-se azarada quando ele se despediu dela na frente do prédio do serviço com um beijo na bochecha. , como havia se apresentado, também tinha um outro compromisso. Era modelo e tinha de estar no local das fotos que iria tirar em meia hora. Atravessar São Paulo em meia hora não era uma missão fácil à uma da tarde. se sentiu ainda mais especial, pois em momento algum ele havia mostrado pressa ou encarado o relógio para verificar quando tempo tinha.
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  Ela se sentiu ainda mais feliz quando ele apareceu após o expediente nos dias seguintes. Na primeira vez, houve a desculpa de que precisaram dele para fazer o teste em algumas roupas que iria usar em um photoshoot que faria para a revista. Na segunda, ele havia esquecido o documento de identidade. Na terceira já haviam trocado o primeiro beijo, então não foi necessário uma desculpa. Ele havia ido para ver ela. . Ponto.
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  Com o passar das semanas, descobriu através das colegas de serviço mais fofoqueiras, que ele não era um modelo novato. Apesar de não aparecer com frequência nas revistas femininas, era muito requisitado por marcas grandiosas no mundo. Os modelos que vinham para a revista feminina eram apenas peças secundárias, mas quando ele estava nas fotos, havia claramente uma intenção de fazê-lo aparecer.
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  - Seja minha namorada. – ele disse, três meses depois, após uma seção incrível de sexo. Não fazia muito tempo que os dois dormiam juntos; tinha receio dele querer somente algo casual e cair fora, quando ela deixava-se apaixonar cada dia mais pelo homem não só atraente, como simpático e responsável como ele.
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  - Por quê?
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  - Você quer que eu dê razões para me namorar? – ele riu.
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  - Uma mulher espera mais do que uma afirmação como pedido, não acha?
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  - Achei que fui muito romântico durante o sexo. Mas se quiser, posso tentar mais uma vez. – deu-lhe um longo beijo nos lábios, imediatamente fazendo-a sorrir. – Eu gosto de você de uma maneira que nunca havia gostado antes de outra mulher. Quando dei por mim, percebi que esse era um fator muito importante para me convencer de que eu precisava tê-la só para mim.
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  - Só para você?
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  - Eu sei que não sou o único modelo hétero que entra naquele prédio e trabalha com a sua equipe, Liv. – e mordiscou a orelha dela, oferecendo uma sensação extra de satisfação. – E se quer saber, um de meus defeitos é ser mais ciumento do que as mulheres costumam achar “fofo”.
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  - Eu não gosto de homens possessivos. – comentou, sorrindo
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  - Bem, você não precisa saber que é minha. Só os homens que a rodeiam. Para isso, eu preciso deixar bem claro.
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  - E o que você faria?
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  - Isso é outra coisa que também não precisa saber. – e deu uma piscadela.
achou uma graça. E é claro que aceitou, desde que ele não arranjasse motivos bestas ou inexistentes para brigar com ela quando um homem tiver de conversar.
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  No entanto, foi quem arranjou a primeira briga entre os dois.
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  Foi sete meses após o início do namoro.
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  Bernado estava na Itália. A profissão exigia que ele ficasse mais tempo fora, do que dentro do país, ou de casa, visto que ele passava grande parte do tempo em diversos lugares, menos com .
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  Isso não a aborrecia. Ela compreendia o trabalho dele e, apesar de às vezes sentir ciúmes das relações que ele tinha com outras modelos, Bernado sempre apresentou-a à elas como sua namorada. Sem problema.
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  Entretanto, foi diferente quando ele estava na Itália, porque ela não estava lá para ele apresenta-la às amiguinhas italianas. E ela também não estava para fazer as mulheres saberem que ele tinha dona, como fazia com algumas mulheres mais ousadas.
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  O problema mesmo foi que ele não ligou para ela em nenhum momento da semana que ficou fora. E pelo Instagram, ela viu que ele havia muito tempo livre, que usou turistando com as amigas ou conhecendo festas com elas.
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  - Você ficou com alguma delas? – perguntou assim que teve a oportunidade, logo que ele havia chegado em São Paulo.
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  Por ser muito tarde, ele preferiu ir direto para casa deixar suas coisas, para então ir à casa de para matar a saudade.
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  - Que tipo de pergunta é essa?
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  - O tipo de pergunta que se faz a um namorado que não liga nem para dizer um ‘oi’ durante uma semana inteira, mas que posta vídeos no Instagram se divertindo à beça com as amiguinhas italianas.
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  - Elas eram apenas amigas.
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  - Então você não ficou com elas. – ela afirmou, sabendo bem que ele entenderia que era mais uma pergunta, do que uma afirmação.
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   não respondeu.
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  Ela desligou a ligação em sua cara e, como vingança, também não respondeu ao som da campainha ou ao toque do celular.
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  Na semana seguinte, não parou de ser chamada na porta do andar. Eram flores, caixas de chocolate, cestas de café da manhã, da tarde…
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  - Ele está arrependido. – Bárbara, uma de suas companheiras de equipe disse.
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  - Traição não tem perdão. – disse, jogando o último buquê de flores que recebeu no lixo.
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  - Você poderia ouvir o lado dele primeiro.
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  - Isso não fará mudar o fato de que ele me traiu.
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  Bárbara suspirou. Mas foi quem suspirou mais, porque mesmo tendo sido traída, seu coração insistia em bater mais forte e seu cérebro a forçava se lembrar de todas as razões pela qual se apaixonou por . O que era estranho, pois dizem que a razão sempre deve ser ouvida em uma situação dessas.
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  Devia ser excesso de amor no cérebro.
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  É por isso que não se sentiu tão mal quando aceitou sair para jantar com . E quando sentiu o coração pulsar mais forte quando ele se ajoelhou em sua frente para pedir perdão, e ouviu o cérebro lhe dizer “eu disse que era para ouvi-lo” quando ele explicou que deu um beijo estalado em uma das italianas que era a queridinha do designer para quem estava modelando.
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   apenas acreditou de verdade quando Silvia, sua chefe, disse que não era incomum o estilista fazer exigências em prol de suas queridinhas. Ela mesmo já havia sido obrigada a dar um beijo em uma modelo, para receber a indicação que queria do estilista, para subir no posto de gerente da área editorial. Esse era o mundo da moda; por mais que fosse asqueroso, somente os mais fortes sobreviviam.
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  Na segunda vez, foi uma cisma de . Pelo menos isso ela deveria admitir.
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   havia ido a uma despedida de solteiro em Ilhabela. Ela estava em São Paulo, pois precisava terminar de editar as imagens para as últimas páginas da revista. Uma modelo que vivia dando em cima de lhe mandou uma foto na despedida; ele claramente estava alterado e ela estava aproveitando o momento para dar em cima do homem.
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  Ele havia dito que iria beber, pois era um dos poucos amigos que havia feito no mundo da moda. Assim, não era como se não soubesse. O que ela não sabia, era que outras modelos estariam ali, mais especificamente ela.
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  - Elas chegaram do nada. – ele disse no dia seguinte. – Haviam me dito que era uma reunião de homens, como eu lhe disse.
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  - Você poderia ter saído de perto dela. Sabe quantas fotos e vídeos ela fez de vocês dois e me enviou?
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  - , você sabe quão difícil é ter esse tipo de controle quando se está bêbado? Eu não estava nem aí para ela. Não rolou nada.
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  - Você nunca está aí para ela.
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  - E você disse que não gostava de pessoas possessivas. Por que está agindo como uma?
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  - Porque quando o assunto é aquela vaca, eu não me faço de boba!
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   soltou um longo suspiro, que alimentou ainda mais a raiva de .
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  - O que eu preciso dizer para você entender que nada aconteceu?
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  - Eu só preciso que você pare de deixar essa mulher se aproximar de você toda vez que estão no mesmo lugar.
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  - Ela é uma modelo, você sabe disso, não sabe? Nós fazemos trabalhos juntos.
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  - Porque ela exige.
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  - Ótimo. Eu me afasto dela se você se afastar de Kevin.
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   abriu a boca, ofendida.
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  Kevin era seu melhor amigo gay. O fato de sua preferência sexual deveria ser motivo o suficiente para não se importar, mas desde a primeira vez que eles se encontraram, o modelo cismou em dizer que era somente uma desculpa idiota para Kevin permanecer ao lado dela.
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  - Ele é gay!
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  - Você já disse isso e eu já disse que não me importo.
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  - Ele nunca deu em cima de mim.
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  - Esse é o seu ponto de vista.
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  - Por quê? – ela perguntou. – Por que você cisma tanto com ele?
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  - Ele a toca demais, fica tempo demais com você e tem um pau.
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  - Então se tem um pau, é motivo para se preocupar?
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  - É óbvio.
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   bufou, impaciente.
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  - Eu não vou parar de andar com meu melhor amigo.
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  - Então não vou parar de andar com Letícia.
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  - Ela deu em cima de você na cara dura! Ela disse na sua frente que vai te pegar!
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  - O que um não quer, dois não fazem.
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  - Pare de me retrucar!
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  - Eu só estou deixando claro o acordo. Quando quiser, me diga o que vai decidir.
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  Dois dias depois, decidiu terminar. Kevin era seu melhor amigo de anos e ela jamais o deixaria de lado por um relacionamento. Amigos em primeiro lugar. Ela acreditava na promessa.
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  Junto com sua decisão, resolveu desativar suas redes sociais e bloquear o número de Letícia, assim não saberia se ficasse com ela logo após o término dos dois.
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  Para sua surpresa, ele não ficou.
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  Nem na semana, nem no mês seguinte.
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  Surpresa ainda maior foi quando Kevin ligou para ela pedindo para encontra-lo urgente no restaurante Terraço Itália. imediatamente soube que era parte do plano B que os dois usavam quando um encontro dava errado. O outro deveria vir em socorro e tirar o que está em apuros do lugar.
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  Mas Kevin não estava em apuros.
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  Aparentemente, estava.
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  - Você pode terminar comigo mil vezes. Eu correrei atrás de você mil e uma ou até mais, se decidir me recusar. – ele disse no meio de seu discurso.
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   permaneceu estática no meio do restaurante, ouvindo a declaração de em meio a todos os clientes, que ao fim bateram palmas e incentivaram-na em aceita-lo de volta.
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  - Eu estou cansada desse vaivém. – admitiu para ele.
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  - Eu prometo que será a última. – ele deu um beijo na palma de sua mão, como sempre gostava de fazer durante os momentos mais românticos dos dois.
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  - Você tem muita sorte. De eu amá-lo tanto.
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  - Agora que disse, me sinto muito mais sortudo do que realmente sou. – ele abriu um sorriso charmoso. – O que eu preciso fazer para você sentir o mesmo com relação a mim?
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   fingiu pensar, mas a resposta estava na ponta da língua. Sempre esteve, desde a primeira vez que se viram.
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  - Apenas me ame.
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  - Como nunca irei amar mais ninguém.
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  Ela o encarou, vendo em seu olhar um brilho que não havia visto antes. Sorriu, porque soube que ele não era mais o mesmo.
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  Sorriu porque sentiu que havia ali, entre os dois, algo que não havia existido nas duas primeiras vezes.
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  Sorriu porque apesar de ser a terceira vez que voltavam, dessa vez ela tinha certeza de que seria a última.
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  E foi. Porque ele fez exatamente o que havia dito fazer para fazê-la se sentir sortuda em tê-lo.
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  Apenas a amou. Como nunca amou mais ninguém.
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Fim

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Liv
Liv
1 ano atrás

Ahhhh, que amor de fic!

Comentário originalmente postado em 29 de Outubro de 2017


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