Ray Dias
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Sem curiosidades para essa história no momento!

Semiapagados

Capítulo 1

Tempo Presente

  Eu havia acordado às seis horas da manhã, e às oito e meia da manhã, Lucas não parava de falar sobre quais coisas Miguel gostaria de colocar em sua malinha. Miguel mal dormira de tanta ansiedade, e no meio da noite foi para o meu quarto pedindo para dormir comigo. Eu estava acabada de cansaço, pois além do meu filho se mexendo a noite toda na cama, meu sono também havia sido roubado por inquietudes desconhecidas.
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  Às sete da manhã, ainda preparava o café quando vi Miguel pulando em seu padrinho – Lucas – e implorando para que ele ligasse o aparelho de som. Lucas me olhou como se pedisse permissão, e eu apenas assenti com um meio sorriso. Lucas colocou o CD para tocar e Miguel cantava as músicas apaixonadas do pai, estava eufórico e sorridente. O maior fã de Luan, era, sem dúvida, o seu filho. Apressei Miguel para o café da manhã e sentamos os três: eu, meu filho, meu melhor amigo e também padrinho de Miguel. Miguel conversava animado com Lucas sobre os planos que teria com o pai e eu, embora feliz por meu filho, também estava preocupada. Às oito da manhã eu já estava vestindo e penteando os cabelos de Miguel. E como dito, às oito e meia da manhã Lucas organizava os últimos itens na malinha do afilhado.
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  — Pronto, filho, agora é só aguardar o seu pai chegar.
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  — Já está na hora?
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  — Não, filho, seu pai chegará às dez. E agora são oito e quarenta.
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  — Campeão, por que você não assiste aos desenhos? Ajuda a passar rápido a hora. – disse Lucas como se contasse um grande segredo.
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  Miguel correu para a sala de tevê.
  — Eu nunca o vi tão ansioso para ver o pai. – disse Lucas.
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  — Ele tem sentido muita falta do Luan e eu estou muito preocupada com isso.
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  — O que você pretende fazer?
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  — Eu não sei, Luke, não posso cobrar mais do Luan. É o trabalho dele.
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  — Tenho certeza que assim que você conversar com Luan, ele fará o esforço necessário para o melhor do Miguel.
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  — É, é o que eu espero.
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  — Eu quero te dizer que eu estou muito feliz de estar aqui com vocês dois. E eu sempre farei o que eu puder e não puder, por você e pelo Miguel.
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  — Ah irmão, você sabe que eu também sempre estarei contigo. Mas, embora minha intuição me diga o contrário, eu tenho certeza de que é só uma fase. Miguel está começando a entender as coisas, e essa turnê do Luan foi uma surpresa para ele.
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  Luke havia ido morar comigo e com Miguel, assim que eu e Luan nos separamos. Nós resolvemos dar um tempo, e ainda não tínhamos nos divorciado legalmente. Luke também havia rompido o namoro com Marcos. Os dois estavam juntos há muito tempo, quando ainda estávamos na faculdade. Eles eram o tipo de casal que eu sempre achei que não fosse dar certo. Tão diferentes um do outro. E foi Marcos chegar nas nossas vidas, para eu sair. Eu amava o Marcos, por ele amar Lucas e aos poucos ele também foi conquistando o meu coração. Depois que Lucas e eu terminamos a faculdade, a minha vida sofreu uma grande reviravolta: eu trabalhava numa clínica da zona sul do Rio de Janeiro e recebi proposta em Minas Gerais, não pensei duas vezes em me mudar. Cerca de dois meses depois eu estava em minha nova casa em Belo Horizonte. A minha mudança trouxe muitas dificuldades para nós no começo, mais que um amigo, Lucas era um irmão. Morávamos juntos há anos.
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  Eu comecei a morar sozinha na capital Belo Horizonte de aluguel. Trabalhava em três clínicas, uma delas eu gerenciava – pois fora a proposta que me fez ir embora do Rio – e não demorou muito para que eu alcançasse uma posição confortável no trabalho. Antes de conhecer o Luan, eu já havia proposto ao Lucas vir morar comigo, assim que eu financiei meu apartamento. Não tinha ainda pagado nem a terceira parcela do financiamento, e estava quebrada financeiramente. Comecei a trabalhar o dobro para recuperar meu conforto, mas estava feliz pela conquista do próprio imóvel. Se não fosse a ajuda dos meus pais, eu também não teria conseguido tão rápido. Lucas e Marcos estavam vivendo um suposto pré casamento na relação e tudo caminhava bem para eles. No dia em que Lucas me telefonou contando da separação, eu não pensei duas vezes antes de dizer para ele vir embora. E ele veio e comigo estava desde então.
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  Terminamos de arrumar a cozinha e enquanto Luke fazia companhia ao Miguel na sala de tevê, eu fui tomar banho. Ao acabar de pentear meu cabelo, eu voltei para a sala e pegava o telefone para ligar ao Luan. O relógio marcava dez horas e, embora eu devesse esperar mais um pouco, já me preocupava com um possível atraso.
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  — Mamãe, quantas horas?
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  — Eu já estou ligando para o seu pai.
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  Assim que terminei de falar, a campainha do apartamento tocou. Miguel pulava sorrindo e eu o sorri de volta. Fui em direção à porta, e ao abrir lá estava o sorriso mais lindo do mundo. O sorriso tão idêntico ao de Miguel. E os mesmos olhos castanhos, tão profundos e pacíficos mal tiveram tempo de me encarar. Miguel pulou no colo do pai. Sorri com a cena, como eu sempre sorria ao ver os dois. Miguel desceu do colo do pai, e veio me abraçar. Agachei à altura de meu filho, e olhando em seus olhos disse:
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  — Filho, a mamãe quer que você aproveite todos os momentos com o papai, tá bem?
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  — Pode deixar. – ele sorria largo e eu o olhava, com os mesmos olhos preocupados da noite anterior.
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  — Eu te amo muito.
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  Miguel respondeu um “eu também” e novamente nos abraçamos apertado. Luke cumprimentava Luan. E ao me separar de Miguel, finalmente pude cumprimentar meu ex.
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  — Bom dia, . – ele disse me abraçando.
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  — Bom dia, Luan, como vai?
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  — Eu vou bem, e você?
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  — Também. – sorri amigável.
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  — Luke, se importa de esperar com Miguel na porta do elevador? – Luan perguntou ao Lucas quando viu que Miguel já estava na porta do elevador ansioso.
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  — Algum problema? – perguntei.
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  — Você quem vai me dizer. Por que está tão preocupada? Tem alguma coisa acontecendo com o Miguel?
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  — Tem sim, Luan. – suspirei cansada — Ele tem sentido muito a sua falta. Mal dormiu esta noite se mexendo na cama, acordou eufórico, colocou o seu CD e está te aguardando desde as seis horas da manhã. E eu não estou te cobrando nada, mas eu me sinto muito culpada por tê-lo feito passar por tudo isto.
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  Assim que terminei de falar suspirando pesadamente, abaixei a cabeça. Luan pegou meu queixo me fazendo olhá-lo.
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  — A culpa não é sua. Não seja tão dura com você. O único culpado nisso tudo fui eu, que acabei negligenciando a nossa família. Pode ficar tranquila porque eu também sinto muita falta dele e eu estarei o tempo inteiro com o Miguel. Eu vou aproveitar cada minuto, e ele vai se divertir muito. Eu vou dar o meu melhor, porque eu também sinto falta de…
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  Antes que ele pudesse terminar de falar, Pedro surgiu ao lado dele me cumprimentando e me beijando.
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  — Oi amor. Bem, você já conhece o Luan – sorri fraquinho — Luan, este é o Pedro.
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  — Finalmente eu pude conhecer o papai do Miguel.
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  Pedro disse cumprimentando Luan, tentando soar simpático e após Luan respondê-lo, meu namorado voltou-se a mim:
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  — Querida, eu trouxe as coisas para fazer seu prato favorito: bife à parmegiana.
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  Sorri sem graça. Aquele não era o meu prato favorito. Pedro deu as costas em direção à cozinha e eu voltei a encarar Luan.
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  — Acho que precisa contar para ele que o seu prato favorito é bobó de camarão, ou na falta, qualquer tipo de massa. Ou não é mais?
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  — Pode ficar contente em saber que você ainda tem razão sobre isso. – eu sorri.
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  — , no próximo fim de semana é o aniversário da minha mãe. E eu sei que é o seu fim de semana com o Miguel, mas eu queria saber se você se importa se eu levá-lo para o sítio. Mamãe está com saudades dele e de você, e do Luke também. O convite é extensivo.
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  — Eu tinha planejado algumas coisas com Miguel, mas se ele quiser ir não tem problema. Eu passo os outros dois fins de semana seguidos com ele. Tudo bem?
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  — Certo, mas pensa direitinho sobre você e Luke também irem. Mamãe está realmente com saudades.
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  — Eu vou pensar. – sorri e ele beijou meu rosto saindo.
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  Lucas voltou para casa após se despedir de Miguel, e Luan acenou no elevador. Meu ex e meu filho entraram no elevador e eu fechei a porta, com uma angústia diferente no peito.
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Capítulo 2

  Antes de descer o elevador, abracei Luke – que assim como era melhor amigo de , também se tornou um amigo fiel para mim – e não me contentando apenas às cordialidades, precisei investigar:
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  — Há quanto tempo eles estão juntos? – perguntei apontando discretamente para .
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  Ele sorriu e me encarou com aquele olhar de desafio, antes de responder:
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  — Eles estão saindo há cinco meses, mas oficialmente juntos só tem dois.
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  — Cinco meses? – me espantei com aquilo — Ela não me falou nada!
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  — Você esperava que ela ligasse para dizer que partiu para outra?
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  — Não, mas… Você também não contou nada, Luke!
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  — Desculpe Luan, você não pediu para eu espionar a vida amorosa da minha irmã.
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  — Não é isso. – mexi nos cabelos, um hábito de quando eu ficava sem graça — Ela está apaixonada por ele?
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  — O que você acha?
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  — Luke, não brinca cara…
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  — Ela não confessou nada ainda, acho que ela está apenas deixando acontecer.
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  Abracei de novo o meu amigo, Miguel puxava minha perna para irmos logo. Sorri e acenei para que ainda estava à porta de seu apartamento. Bati no ombro de Lucas dizendo:
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  — Eu vou ficar de olho nesse namoro, e conto com você.
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  Lucas apenas assentiu sorrindo.
  Desci o elevador com Miguel sorrindo e falando todos os planos que havia feito. Eu estava muito feliz por estar com meu filho após tanto tempo de viagem. Entretanto, vê-la preocupada com nosso filho daquele jeito, aparentemente cansada, me deixou preocupado com ela também. Vê-la de novo trouxe o mesmo sentimento misto de alegria e tristeza, que eu sentia desde a nossa separação.
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  Perguntei ao Miguel o que ele gostaria de fazer primeiro antes de irmos para o show, e ao me responder “qualquer coisa com você, papai”, eu pude perceber que a falta que eu fiz ao meu filho era muito maior do que eu imaginava. A culpa que sentia, não poderia ser maior que a minha.
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  No carro, a caminho da minha casa, Miguel adormeceu. A mãe havia dito que ele não dormiu nada na noite anterior por efeito de ansiedade. E eu também havia dormido um pouco mal, eu também estava ansioso para rever o meu filho. Chegamos em casa e levei Miguel no colo até o seu quarto.
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  Aquela ainda era a nossa casa, e tudo dentro dela me lembrava . Nós havíamos nos separado há um ano. E em momento algum eu quis o divórcio, e também decidira esperar. Se ela chegasse, a qualquer momento a me pedir o divórcio, eu negaria. Embora estivéssemos afastados por um ano, eu não aceitava a ideia de oficializar o fim da nossa história.
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  Aquele Pedro… Eu não poderia imaginar que já teria outro na vida dela. Ele era uma ameaça que, dia e noite, eu torcia para não acontecer.
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  Quando decidiu partir com Miguel, eu quis que ela ficasse na nossa casa, mas ela decidiu que seria melhor voltar para o seu apartamento. Eu havia comprado aquela casa para ela, por ela, com ela, e jamais imaginaria viver ali sem a ou com outra pessoa. Mas, é o tipo de pessoa que ao romper os laços não guarda as fitas. Não é do tipo que rasga as fotografias, mas não as deixa expostas também.
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  E ela não havia mudado muito depois da nossa separação. Continuava doce, meiga e mesmo eu acreditando que ela passaria a me odiar ou evitar o contato comigo, ela não o fez. Provando-me a cada dia de distância que, o seu único motivo para se afastar de mim fora minha culpa, minha negligência com a família, e a sua intuição. sempre seguia a sua intuição. Por alguma razão, sua intuição dizia que ela deveria se afastar, e não voltou atrás com sua decisão. Eu batalhei para que ficássemos juntos, mas não o suficiente. Naquela época, aceitar as condições que impunha a nós soava como abandonar a minha carreira. E eu jamais aceitaria, e mal acreditava que a mesma mulher que me conquistou e conhecia toda a minha paixão pelo trabalho estaria me propondo aquilo. Os primeiros meses de distância foram baseados nas discussões sobre Miguel. Nenhum dos dois queria recorrer às decisões judiciais, pois nos levaria ao litígio e não havia necessidade daquilo. e eu sempre resolvemos todos os nossos problemas à base de diálogos, nunca levantamos o tom de voz um para o outro, e mesmo na nossa briga com os ânimos exaltados.
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  À noite, eu teria o último show da minha turnê. Eu havia voltado aquela manhã e prometido ir buscar o Miguel. Ele iria comigo à Arena Minas, para assistir o show que encerrava aquela turnê e após eu teria todo o tempo para o meu filho. Meu empresário, assessores e algumas pessoas da equipe passariam na minha casa à tarde para alguns detalhes finais. Era o primeiro show que o meu filho assistiria. Quando bebê, o levou a algumas apresentações, mas ela é uma mãe muito zelosa e só permitiria Miguel ir a um show, verdadeiramente, quando ele fosse um pouco maior. Aquilo explicava a euforia dele durante aquele fim de semana, e por mais que ele estivesse ansioso para executar todos os planos que havia feito, eu não queria acordá-lo. Miguel precisava daquele descanso e eu também.
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  Berta era a empregada da casa, e depois que nos separamos ela não queria continuar a trabalhar na casa sem que sua “adorável patroa” – como ela dizia, pelo enorme apreço que tinha à – estivesse ali. Pedi também pelo apreço que ela tinha a mim, que não deixasse a governança da casa. Eu mantinha uma relação mais aberta – sem muitas formalidades – com Berta, do que . E embora tivesse em Berta uma conselheira, um tipo de mãe, Berta correspondia igualmente à como uma filha, mas, ainda assim, mantinha a formalidade de ser sua patroa. Berta, ia ao apartamento de com alguma frequência visitar a patroa amiga e o Miguel. Berta era apaixonada por nosso Miguel. E quando ficava sem babá para olhar o menino, era Berta que quebrava seus galhos nos momentos de emergência.
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  Ela estava na cozinha preparando o nosso almoço e sorriu feliz quando eu entrei para beber água.
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  — Miguelzinho está cada vez mais bonito, Luan!
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  — É… Está cada vez mais parecido com a mãe.
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  — Tem razão. Como ela está? – Berta perguntava distraída.
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  — Não sei ao certo, me pareceu abatida. Mas continua linda… – eu disse sob os olhares esguios de Berta recordando a imagem de minha ex — Berta, você sabia que ela está namorando?
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  A mulher abriu e fechou a boca um pouco nervosa e me encarou. Respirou fundo e disse se justificando:
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  — Olha Luan, você não me pediu para vigiar a dona !
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  — Não estou te cobrando nada, Berta. – eu ri enquanto via o seu nervosismo.
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  — Bem… Eu vi o cara, algumas vezes – disse com desdém — Não gosto dele e já falei isso para ela, mas eu não posso fazer nada, porque se pudesse o senhor bem sabe onde ela estaria agora – me olhou por cima dos óculos — Mas se eu fosse o senhor, ficaria tranquilo. Aquele romance não vai vingar.
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  — Porque acha isso?
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  — Tenho feito minhas mandingas.
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  — Que horror Berta!
  — Brincadeira – ela gargalhou após ver minha reação — Eu também quero a felicidade da dona , mas eu digo isso por saber que ela está com aquele homem apenas para compensar.
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  — Compensar o que?
  — A falta que sente do senhor.
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  Depois que disse aquilo, Berta saiu deixando as panelas no fogo. Eu fiquei pensando nas suas palavras e recordei o dia que pedi para ela continuar trabalhando na casa:
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  — Berta, infelizmente foi embora, e eu apreciaria muito se você pudesse continuar a governar a casa.
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  — Olha “seu” Luan, eu amo esta família, e meu coração está partido com isso tudo. Eu não ficaria nesta casa sem a dona , mas pelo apreço que tenho ao senhor, eu concordo em continuar. Mas eu vou ser bem clara: se o senhor colocar outra mulher aqui dentro, eu saio sem nem olhar para trás. Eu não vou aceitar outra patroa, e acho bom o senhor ir fazendo sua parte quanto a trazer dona , de volta!
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  — Obrigada, Berta. – abracei sutilmente à governanta amiga enquanto sorria fraco.
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  Estava feliz por ela ficar, mas triste por tais circunstâncias.
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  — Ela logo vai perceber que não vai adiantar agir deste jeito. Assim como o senhor percebeu, antes mesmo de tentar compensar a falta que ela o faz. – Berta disse me despertando dos pensamentos, voltando ao seu fogão.
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  — Eu tentei compensar também, Berta, mas você está certa. Eu percebi que não adiantaria… – Berta me olhava com desaprovação por saber daquilo — E não me chame de senhor, nós já pulamos esta etapa!
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  Apertei o ombro da senhora e fui ao meu quarto. Deitei na cama e olhando em volta tudo me lembrava : desde as cortinas até o abajur ao lado da cama que pertencia a ela.
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  Alguns meses depois de nos separarmos eu saí em turnê e desde então trabalhava incessantemente. Voltar para aquela casa, ainda tocava numa ferida aberta. E eu tentei esquecê-la, me entregando a outras mulheres nas viagens e isso só me atrapalhou ainda mais. Então meti as caras na turnê, e embora todas as músicas cantadas me lembrassem, ela, com o tempo, eu consegui cantar e viver aquelas canções – a maioria escritas para ela – com indiferença.
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  A sensação de anestesia aos sentimentos havia se tornado parte da rotina. Pelo menos até aquela manhã.
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  Eu ainda a amava. E não entendia porque não lutei por ela. Como eu disse, acho que não lutei o suficiente. Estava tão impregnado da minha carreira que cogitar voltar atrás para ficar com ela, significava perder tudo, mas depois de tudo o que eu tinha era a minha família. A carreira, embora importante, não tinha mais graça se não fosse para cantar para ela. Não era como antes.
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  E só depois de vê-la beijando outro, que eu me dei conta de que estava na hora de agir novamente. Eu não poderia a entregar de mão beijada. Ela com certeza só deu chance a ele, por achar que eu não me importava, já que eu não lutei o suficiente.
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  Eu encarava o teto do nosso quarto, e pensava no rosto dela. O rosto que eu não via há tanto tempo, mas tinha todos os traços gravados na cabeça. Peguei o violão e comecei a cantar a minha música, que fazia parte da minha vida desde que havia saído dela. E com esta música, pensando nela, eu começava todos os shows da turnê:
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  “Trouxe o meu colchão pra sala, hoje eu vou dormir aqui, pois não quero relembrar os momentos que vivi. O lençol que a gente usava tem perfume de jasmim, o que tanto me agradava hoje não faz bem pra mim. Depois que você foi embora entrou outra em seu lugar, e é só quando eu me deito que ela vem me visitar. Passa as mãos em meu cabelo, insiste muito em me beijar, e eu com delicadeza peço pra se afastar. Eu não quero compromissos, nem tampouco me apegar, nem novelas tenho visto, dá vontade de chorar. Tenho medo de acordar de madrugada, e uma luz semiapagada refletir ela pra mim. Sei que está tão curiosa e louca pra me perguntar: quem está no seu lugar, quem roubou meu coração se chama solidão.” – (A outra)
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  Aquela noite seria a última da turnê, a última que eu cantaria “A outra” como se fosse uma verdade. Eu havia voltado e mudaria as coisas. Eu não desisti da minha musa, dona de todas as letras e versos. E se todas as canções me lembrariam dela pelo resto dos meus dias, ela estaria ao meu lado pelo resto dos meus dias sendo a inspiração de tudo o que eu fizesse. Eu ainda a amo. E foi necessário vê-la com outro, para despertar. Perder, nos faz valorizar. E eu recusava acreditar que havia a perdido.
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Capítulo 3

  Lucas entrou logo após que Luan e Miguel saíram. Eu estava na cozinha com Pedro e Luke decidiu ir para o seu quarto. Abracei Pedro pelas costas, ele virou e beijou os meus lábios serenamente. Sorri e peguei as cebolas para picar, ajudando-o.
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  — Então ele voltou da turnê? – Pedro perguntou.
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  — Sim, graças a Deus. Eu já estava me preocupando com Miguel. Agora as coisas vão ficar bem.
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  — Ele não vai vir aqui sempre, não é?
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  O tom de voz que Pedro usou me deixou bastante incomodada.
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  — Ele é o pai do meu filho, e virá sempre que necessário. – respondi um pouco mais rude do que esperava.
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  — Você podia ter me avisado. Espero que me avise quando ele vier de novo.
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  Parei o que eu fazia, e volvi a minha atenção ao Pedro que continuava seus afazeres com uma cara debochada.
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  — Para quê? Você é fã dele, e pretende avisar a todo mundo quando ele vier?
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  — Definitivamente não sou fã dele. Mas acho que devo saber quando o seu ex estiver te visitando.
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  — Certo Pedro – eu começava a me alterar sem saber o motivo — Luan é o pai do meu filho. Ele faz parte da minha vida, você goste ou não e ele estará por perto sempre.
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  — Até entendo vocês tem um filho, uma ligação, mas é da vida do Miguel que ele faz parte.
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  — Pedro, você não tem autoridade sobre mim ou meu filho. Luan, Miguel e eu estamos unidos para a vida toda. E você é quem deve se adequar a isto.
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  — Se você me quiser na sua vida, também tem que entender que eu não quero minha mulher com o ex andando por aí, o Miguel não pode servir de desculpa para isso.
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  Pedro já estava tão alterado quanto eu. Nós dois estávamos frente a frente, e eu já não reconhecia o olhar do homem à minha frente.
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  — Eu não sou sua mulher. Você acabou de chegar na minha vida. E eu não vou mais discutir nada disso com você, Luan está em um patamar que você não chegou.
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  — Olha só, eu entendo que vocês têm que conviver bem, mas amor… – Pedro se aproximou carinhoso como quem queria fazer as pazes — Eu vejo um futuro para nós três, eu não pretendo tomar o lugar de pai do Miguel, mas nós seremos uma família. E quando sair o seu divórcio com Luan, ele terá as visitas contadas e não teremos que nos preocupar com isso, então vamos parar de brigar.
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  Pedro tentou me beijar quando eu empurrei o afastando.
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  — Não estou reconhecendo você. Qual é a sua Pedro?
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  — Eu que não estou entendendo porque você está tão nervosa por ouvir a verdade. Vocês se separaram. Acabou. O golpe foi dado e agora ficaremos juntos.
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  — GOLPE? – eu gritei, nervosa. — Você está insinuando que eu dei um golpe no Luan?
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  — Bem, isso não importa agora amor, o motivo do término não faz diferença. Nós três seremos uma família. Ele voltou da turnê, o divórcio vai ser resolvido e seremos felizes. Esquece isso!
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  — Não se aproxima de mim, seu estúpido! Será que o golpista não é você?
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  — Do que está falando?
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  — Foi fácil se envolver com uma mulher fragilizada por um término recente, que tem um filho com um cantor famoso e que, ao sair o divórcio – que você pelo visto, espera mais do que eu – receberá uma alta pensão do ex-marido, não é mesmo?
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  — , não seja estúpida!
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  — Pedro, eu não quero olhar mais para você por hoje.
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  Lucas, que aparentemente estava ouvindo a conversa escondido, entrou na cozinha. Ele parou próximo a nós, observando a discussão. Se bem conheço meu melhor amigo, ele estaria preparado para intervir se necessário.
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  — , qual o problema? Por que a hipótese do divórcio te deixou tão nervosa? Por que você está me atacando desse jeito?
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  — Pedro, eu não sei mais quais as suas reais intenções. Eu preciso pensar… Vai embora.
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  — Amor, acalme-se, eu vou fazer o bife à parmegiana que você adora e nós vamos…
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  — EU DETESTO BIFE À PARMEGIANA, PEDRO – gritei o interrompendo — E você nem ouviu quando te contei a história da primeira, segunda e terceira vez. Eu só como para não ser grosseira com você, mas quer saber de uma coisa… Eu fui muito estúpida! A gente não tem nada a ver!
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  — Eu fiquei este tempo todo cozinhando à toa para você?
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  — Não teria perdido o seu tempo se soubesse ouvir.
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  — Olha só, tá na cara que não vai dar certo por hoje… – Pedro colocou as mãos na cintura e olhando para mim continuou — Eu vou embora.
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  — E não precisa mais voltar.
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  — Do que você está falando? Você está terminando comigo?
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  — O que você quer que eu faça? Você foi extremamente agressivo com esta história de tirar o Luan da vida do meu filho.
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  — Não! De tirar o Luan da sua vida! Eu achei que você queria isso!
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  — Eu não te pedi isso!
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  — Não acredito que perdi meu tempo com você…
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  — E nem eu acredito que depois de três meses estudando, se você merecia ou não, entrar na minha vida e do meu filho, eu ainda assim me enganei.
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  — Sabe o que foi pior? – ele perguntou como se não houvesse escutado o que eu disse — Ter que conquistar o seu filho pra nada!
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  — Então você assume que não se importa nem um pouco com o Miguel!
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  Lucas me retirou da cozinha, pois sabia o quão nervosa eu estava, e antes de sair da cozinha eu gritei:
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  — Pedro some da minha casa, da minha vida, eu não quero você perto do meu filho e nem de mim! Você vai agir como se nós nunca tivéssemos existido, entendeu?
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  Pedro deu as costas enquanto eu falava, e Lucas o acompanhou até a porta. Fui até o balcão da cozinha e pegando o bife que ele estava empanando, eu corri para a sala e antes que ele entrasse no elevador joguei o bife em cima dele:
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  — E LEVA ISSO TAMBÉM, SEU ESTÚPIDO!
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  — !!! – Lucas gritou meu nome, me olhando incrédulo.
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  Bati a porta da casa e me joguei sentada ao sofá.
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  — Primeiramente eu não entendi nada do que aconteceu aqui! – Lucas disse parado de braços cruzados à minha frente.
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  Lucas me encarava com receio, e de repente começou a gargalhar.
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  — Você realmente jogou um bife no Pedro?
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  — Eu nunca mais vou comer bife à parmegiana, Luke! – coloquei as mãos sobre o rosto e de repente o juízo retornou a mim: — Céus, Luke! O que eu fiz?
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  — Sim, foi um desperdício de comida. Coisa mais feia ! – ele falou sentando-se ao meu lado.
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  — Não Luke, desperdício de tempo, como eu pude me envolver com esse, cara?
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  — Acho que é como você disse, você estava fragilizada.
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  — E você não me impediu por quê, seu traíra? – bati no ombro de Lucas.
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  — Gata, não vem com essa não! Você não me pediu que vigiasse a sua vida amorosa. – Lucas sorriu e depois de um silêncio disse: — É a segunda vez que digo isso hoje.
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  — O quê?
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  — , esta explosão não teve nada a ver com o Luan?
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  — Claro que teve Lucas! Óbvio que teve! Você sabe que eu não sou hipócrita de esconder os sentimentos.
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  — Então, você ainda ama o Luan.
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  — Amo. E vê-lo hoje não me fez nada bem. Eu sei que tem um ano que estamos separados, mas depois que ele saiu de turnê eu não o vi mais, e os ânimos se acalmaram…
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  — Então vocês voltam e resolvem tudo isso. Certo?
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  — Claro que não, Lucas! Óbvio que não!
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  — Por que não?
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  — Eu não volto pro Luan até ter certeza de que ele mudou. Eu nem sei se ele me ama.
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  — Ele a ama.
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  — Como você tem tanta certeza?
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  — Ele disse que ia ficar de olho no seu namoro. Não gostou nada de saber do Pedro. Perguntou se você amava o Pedro. E bem… Dá pra ver nos olhos dele.
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  — O que os olhos dele dizem não vão mudar o que aconteceu. Ou o Luan prova que a família é importante para ele, ou eu assino o divórcio.
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  Depois de ter dito aquilo, Lucas me falou que não iríamos almoçar em casa. Fomos nos arrumar e saímos para almoçar num restaurante que o Lucas adorava, e eu não conhecia.
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Capítulo 4

  Miguel e eu tomamos banho de piscina à tarde. E eu fiz algo que não achava correto, mas se fez necessário: coletar informações do namoro de .
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  — Ele é legal papai, mas parece que a mamãe não gosta dele.
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  — E você já falou isso para ela? – perguntei com um sorriso, ao meu filho.
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  — Ela diz que eu sou pequeno pra entender as coisas.
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  Afaguei os cabelos do meu filho, e o abracei apertado enquanto tomávamos Sol. Berta surgiu chamando Miguel para tomar banho, e descansar para sair comigo mais tarde. Antes de ir, Miguel beijou o meu rosto e perguntou:
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  — Quando você volta para casa, papai?
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  Olhei para o rostinho esperançoso do meu filho, e o os olhos de , refletidos nos dele me fizeram responder:
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  — Papai volta logo, filho.
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  Miguel saiu correndo em direção à Berta. Eu não sabia se o meu filho perguntava quando eu voltaria para minha família, ou para dentro da casa em que estávamos. Meu empresário e equipe surgiram atrás de Berta, enquanto ela entrava em casa com Miguel. Levantei, enrolei a toalha na minha cintura e bebi o restante do meu drinque indo até eles. Todos falavam em como Miguel havia crescido, e estava cada vez mais parecido com a mãe. Me perguntaram se eu havia a visto, e como eu havia ficado com reencontro. Apenas respondi:
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  — Já tenho uma música nova para o próximo álbum.
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  — Mesmo longe, é a melhor musa inspiradora – disse Rick, meu empresário — E podemos escutar?
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  — Escrevi hoje, antes do almoço. E ainda estou finalizando os acordes finais, mas acho que ficou bom. Vamos pro estúdio.
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  Entrei e troquei de roupa, guiei minha equipe ao estúdio da minha casa. Enquanto todos se acomodavam nas poltronas e sofá, eu peguei meu violão e mostrei a próxima música:
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(Clique aqui para ouvir)

  “Sente meu perfume aqui, sei que esse cheiro te lembra de tanta coisa. E os amores que virão depois não conseguirão superar nós dois. Você roda, roda e para em mim. Sou o seu princípio, meio e fim como tatuagem que se faz, e você não pode apagar jamais. E passe o tempo que passar, o nosso amor renascerá como a flor de primavera. E aqui vai o meu recado pro seu novo namorado, que está vivendo uma mentira: quando ela ama você, é a mim que está amando, quando ela beija você, é a mim que está beijando, ela não pensa em você é em mim que está pensando, ela nunca me esqueceu, o amor dela sou eu.”
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  — , … – disse Rick sacudindo a cabeça negativamente, sorrindo, quando terminei — Ela me causou problemas demais nesta turnê, mas vamos convir que já está garantindo a próxima!
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  — Você se diverte com a minha desgraça, não é mesmo Anderson Ricardo? – eu perguntei para o meu empresário sorridente.
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  — Jamais! Eu mais do que ninguém quero que vocês se acertem. Ela é a sua musa, afinal.
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  Afirmei com a cabeça e meu empresário e equipe me encaravam sorridentes.
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  — Você precisa reconquistá-la Luan. – disse Rick, agora sério e compassivo.
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  Apesar de brincar muito com a situação, Rick conhecia nossa história e torcia por nós. Ele gostava de . E era impossível não gostar.
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  — Então ela está com outro? – perguntou Ana, minha assessora.
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  — Um tal de Pedro.
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  — Eu vou mandar um buquê de flores para ela agora mesmo. – disse Ana se levantando apressada.
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  — Ana, Ana, espera! – eu levantei a chamando — Vamos agir com calma, ok?
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  — Isso aí! A música é boa Luan, mas hoje temos o último show para fechar. Teremos tempo para trabalhar no novo CD e na missão “quero minha amada de volta”. Vamos trabalhar pessoal! – disse Rick, enfático.
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  Depois de sair do estúdio, eu fui me arrumar para a passagem de som. Miguel, graças à Berta, já estava arrumado para sairmos com uma malinha de coisas que Berta preparou. Ana pegou Miguel no colo, e como ambos se davam muito bem, ela foi a babá da noite. Fomos para a Arena, as coisas estavam quase prontas, a passagem de som foi ótima, e o último show perfeito. Só não foi mais perfeito, porque minha musa não estava assistindo-o com meu filho. O show foi televisionado e eu realmente esperava que assistisse pela televisão. Eu mesmo mandei uma mensagem para Luke, avisando a hora e o canal.
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[——–]
Tempo Passado

  — Isso Luke, no Villa Mix! Eu já estou voltando para casa para me arrumar.
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  — Queria estar aí com você !
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  — E eu também queria que vocês pudessem vir. Como está o Marcos?
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  — O Marcos não está se sentindo muito bem hoje.
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  — O que ele tem?
  — Não sei, chegou estranho do trabalho.
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  — Me mantenha informada.
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  — Claro, claro, eu vou mesmo te ligar do Rio de Janeiro, enquanto você está numa festa sertaneja em Belo Horizonte de camarote curtindo bastante para te falar se o Marcos está com 36, ou 37 e meio de febre! Acorda né, vadia!
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  — Estou falando sério, Lucas! Se precisar me ligue.
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  — Como se você pudesse fazer alguma coisa! Você está dirigindo e falando no celular?
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  — As duas mãos estão no volante, não pira!
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  — Olha só, eu vou desligar. Depois você me conta como foi, e se você tiver a oportunidade transa com o Lucas Lucco por mim.
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  — Ai, deixa de ser piranha! Até depois, se cuidem. Te amo.
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  — Também te amo, juízo!
  Algumas horas depois de ter falado com Luke ao telefone, eu cheguei em casa e subi correndo para meu apartamento.
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  Quando morava no Rio, eu fui a uma boate com alguns amigos, inclusive Lucas, onde Dennis – um DJ – bastante conhecido em Minas estaria. Acabei conhecendo-o e nos tornamos amigos pouco a pouco.
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  Eu não via, ou falava com Dennis desde que havia me mudado do Rio. Até aquela semana, quando ele me ligou se recusando a receber um “não” ao convite que me fez. Ele tocaria nos intervalos dos shows do Villa Mix, que aconteceria no fim de semana em BH. Dennis tinha uma grande carreira na capital. E teria acesso ao camarote VIP dos artistas, e desejava me levar de acompanhante e aproveitar para que, matássemos a saudade de sair juntos para “azarar”. Eu já havia desistido de pedir ao Dennis para não utilizar aquele tipo de gíria. Tão ridícula. Coloquei o meu vestido azul-marinho e calcei o peep-toe roxo. Terminei de jogar os meus cabelos, ajeitar o batom e desci para encontrar Dennis.
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  — Gostoso! – eu abracei meu amigo quando o vi.
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  — Gostosa! – ele me rodopiou no abraço — Finalmente estamos nos reencontrando! Achei que você havia conhecido algum outro DJ das baladas mineiras, e me deixado de escanteio.
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  — Mas é óbvio que não! Não tem amigo melhor para curtir as baladas do que você, exceto o Luke!
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  — Com o Luke eu não tenho como competir. Como ele está?
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  — Bem, no RJ. Está me fazendo muita falta.
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  — Serei o seu Luke hoje, se quiser! Eu só não beijo rapazes.
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  — Pode ser apenas o Dennis. – eu disse sorrindo.
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  Entramos no carro dele e fomos direto ao festival. Chegamos lá, às 21 horas. Entrei no camarote e Dennis foi preparar-se para tocar. Ele seguraria do início até às dez e meia, onde a primeira atração entraria: Jorge e Matheus.
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  No camarote estavam alguns poucos cantores e duplas sertanejas que iriam se apresentar e já haviam chegado, amigos de amigos, convidados vip e pessoas que eu não conhecia, mas tiravam muitas fotos ao lado dos outros presentes. A minha primeira hora sem a companhia de Dennis foi tranquila, eu nunca tive problemas para me socializar. Enquanto eu dançava na beira do camarote assistindo ao Dennis, uma garota se aproximou puxando assunto. Não lembro qual era o nome dela, mas lembro que ela me perguntou se eu era famosa. E eu respondi que não, que era apenas uma amiga do Dennis. Ela sorriu e ficamos conversando por um bom tempo e nos enturmando, até que Dennis voltou. Eu e ele bebíamos alegres e dançarinos, arrancando risos dos mais próximos a nós. Jorge e Matheus já tocavam, e o Villa Mix havia oficialmente começado. Vez ou outra algum cantor, ou dupla conhecido do Dennis se aproximava para falar com ele e, ele me apresentava:
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  — Esta linda que me acompanha hoje, é a . E nós não estamos juntos, tá?
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  Me deixava extremamente sem graça na frente das pessoas, porém conforme o álcool ia fazendo efeito, eu achava mais engraçado do que vergonhoso. Em determinado momento, eu conversava com um dos meus novos colegas, quando Dennis me chamou em um cantinho:
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  — , tem um amigo meu que pediu para te apresentar a ele, vem cá.
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  — Tudo bem, que amigo? – perguntei aleatoriamente, meio altinha.
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  Então Dennis me levou até um cantinho mais vazio, onde estava o cara mais atraente que eu tinha visto até então.
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  Seu cabelo impecável, um blazer de manga ¾ preto sobre uma camisa branca de estampa minimalista. Uma barba tão impecável quanto o cabelo, bebia um drinque olhando fixamente para nós dois.
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  Eu não reconhecia o rapaz, mas meu coração já batia mais forte com o êxtase da imagem à minha frente. Após nos aproximarmos mais, notei que ninguém mais era, do que:
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  — Luan Santana? – eu perguntei ao vê-lo.
  — Luan, esta é a .
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  — … Que doce.
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  Luan puxou minha mão, e eu sorri, em seguida ele me abraçou devagar e enquanto ele me abraçava encarei divertida, ao Dennis fazendo uma careta pelo xaveco bobo de Luan.
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  — É um prazer te conhecer, você me chamou bastante atenção. – Luan disse.
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  — Se você não estivesse escondidinho aqui, eu diria que também chamou a minha – falei sorridente para ele o olhando de cima a baixo — Você está muito bonito!
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  — Eu aprendi a me vestir depois de um tempo, o Dennis me conheceu nas épocas iniciais de Villa Mix, não é?
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  — Com certeza a melhor coisa que ele fez foi abolir o xadrez. – Dennis disse dançando ao nosso lado e xavecando uma loira um pouco mais afastada.
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  — E aí, como você conheceu o Dennis? – Luan me perguntou.
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  — Eu estava numa boate que ele tocava, e ao acabar de se apresentar ele esbarrou em mim e derrubou sua vodca no meu vestido.
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  Luan deu um meio sorriso sacana para Dennis, que foi logo tratando de se explicar:
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  — Foi um acidente de verdade, mas nos rendeu uma amizade maravilhosa. – e Luan deu outro sorriso sacana para nós.
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  — Não, não sorri assim. Dennis e eu nunca ficamos. – esclareci.
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  — Eu não sou cara de compromisso, a é muito legal, nos demos muito bem e eu preferi manter a amizade com ela do que, correr o risco de magoá-la.
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  — Aham – resmunguei arrancando risos do Dennis que foi logo se reparando:
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  — Digamos, que a é uma mulher encantadora. Ela é decidida e eu enxerguei um potencial fracasso em me apaixonar por ela. Então ela foi bem clara quanto o “Dennis, eu não estou interessada em nada sério, não quero que você fique mal depois”.
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  Dennis imitou a minha voz enquanto contava para o Luan, mas não tirava os olhos da loira.
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  — Dennis – o chamei — Vai logo falar com a loira!
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  — Bem, com licença Luan. A será uma companhia melhor que eu, te garanto. – ele se virou, mas voltou a nós em seguida: — E não zoa com ela, porque eu posso até ser seu amigo, mas eu sou mais amigo dela.
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  Luan levantou as mãos em justificativa, e logo depois Dennis saiu. Luan e eu ficamos nos encarando sorridentes. Eu não estava nem um pouco a fim de fazer a puritana com ele, mas também não queria que ele me achasse uma qualquer. Entre olhares e sorrisos sedutores, eu também queria conhecer aquele cara tão lindo, e galanteador com falsa inocência que se interessara por mim. Conversamos animados, dançamos e enquanto íamos até a mesa de bebidas reabastecer nossos copos, meu celular tocou.
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  — Oi Mário! – atendi falando alto por causa do barulho.
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  — ? Eu preciso falar com você.
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  — Mário, olha desculpa, mas eu estou no meio de uma festa cara, eu não consigo te entender direito. Te ligo depois, se cuida! – disse e desliguei.
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  — Namorado? – perguntou Luan ao pé do meu ouvido.
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  — Ex. – eu sorri.
  — Tem muito tempo?
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  — Vejamos… – fiz uma continha de dedos — Cinco anos.
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  Luan fez uma cara desanimada.
  — Que terminamos. – então ele fez uma cara espantada.
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  — E ele ainda corre atrás de você?
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  — Não, é que nós meio que, nos tornamos amigos. Então ele mantém o contato, mas não nos vemos e nos falamos mesmo há muito tempo.
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  — Entendi. – disse o Luan sorrindo abertamente.
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Capítulo 5

  Eu havia acabado de chegar ao camarote, e encontrei alguns parceiros. Peguei uma bebida e fiquei conversando com eles, perguntei a alguns se já haviam se apresentado. Eu entraria depois do Marcos e Belutti. E ainda faltava bastante tempo. Decidi não beber muito antes do show, eu apresentaria duas músicas e depois estaria livre. Não pretendia ficar na festa por muito tempo.
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  Algumas garotas que estavam no local, conhecidas, outras acompanhantes de alguns amigos vieram se apresentar ou falar comigo. Estava em uma rodinha de conhecidos e desconhecidos conversando, quando vi o Dennis passar de relance. Não tínhamos gravado nada juntos, mas eu planejava aquilo há algum tempo. Ele era um dos DJ que eu mais escutava, e embora o funk não fosse a minha praia, eu dava o braço a torcer no trabalho dele.
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  Pedi licença ao pessoal e fui até ele. Nós éramos amigos, havíamos estado nas mesmas festas algumas vezes e ele já havia gravado até com outros parceiros do sertanejo. E eu sempre dizia quando o via “vamos combinar alguma coisa”, mas acabava que eu mesmo nunca o procurava. Então ele me abraçou e fomos para uma parte mais afastada da mesa de comidas e conversamos.
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  Zé Felipe surgiu no camarote, acompanhado com sua nova namorada ou ficante. Nunca sabíamos quem ia surgir com o filho do Leonardo. E ele veio falar conosco. Não demorou muito para Dennis sair. Eu fiquei acompanhando para onde ele iria.
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  E então a vi.
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  Dennis parou ao lado de uma garota de vestido azul-marinho colado ao corpo, com um sapato roxo que valorizava ainda mais seu visual.
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  Ela tinha as pernas douradas mais lindas que eu já havia visto. Ele passou a mão pela cintura da garota e beijou seu rosto. Por um tempo fiquei observando os dois, até notar que eles não estavam juntos. Mas ele conhecia a garota. Perdi um tempo em meus olhares furtivos sobre ela, e ninguém havia se aproximado ainda e eu não entendia a razão.
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  Será que ela teria mau hálito? Qual o problema, para uma mulher incrível como ela não ter nenhum cara a rondando?
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  Ela dançava animada, e conversava simpática com todo mundo. E eu voltei a ser um garoto de quinze anos, tímido e incapaz de chegar naquela mulher. Ela não iria me esnobar se eu chegasse para cumprimentá-la não é?
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  Dennis se aproximou de mim, sem que eu percebesse.
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  — Estou vendo você secando a , tá?
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  — Pô, cara, ela está com você? Foi mal… Mas ela é linda.
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  — É, ela é minha amiga. Porque não vai falar com ela? Ela é muito legal. Eu diria até que deve ser a garota mais legal daqui.
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  — E porque ninguém está com ela?
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  — Tem um monte de gente com ela, a socializa muito bem. Não vê? – ele disse óbvio.
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  — Ela tem namorado?
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  — Não.
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  — Então porque nenhum cara está com ela?
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  — Boa pergunta. Mas quer saber? Se você não for falar com ela, logo alguém vai aparecer.
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  — Ela é um pouco, intimidadora. – eu disse para o Dennis justificando minha falta de coragem e ele riu.
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  — Espera aqui. – disse se afastando e piscando para mim. — Não acredito nisso! – ele voltou a me olhar, parando de ir até a mulher e falou ainda rindo da minha atitude.
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  Não demorou muito e ele voltou trazendo a garota, por sua mão.
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  A cada passo que ela dava se aproximando, eu ia ficando mais embasbacado.
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  Decidi me esconder um pouco abaixo da luz para me recuperar da minha cara de idiota, assim quando ela se aproximasse não veria o meu queixo caído.
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  E ela era ainda melhor de perto.
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  Ela foi a primeira a falar quando estávamos frente a frente. Pronunciou meu nome numa voz melodiosa, e linda. Minha cabeça foi às nuvens com o som de meu nome pronunciado por ela. Dennis nos apresentou, e como quando o cérebro congela após tomar um sorvete rápido demais, o meu havia perdido os sentidos. Aquela foi a pior coisa que eu poderia ter dito. “Que doce” , tão idiota. Abracei-a para que ela não visse minha estúpida cara, e pensando em como recuperar a primeira impressão me afastei voltando a falar com ela.
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  — É um prazer te conhecer, você me chamou bastante atenção. – eu disse
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  — Se você não estivesse escondidinho aqui, eu diria que também chamou a minha – ela falou com um sorriso simpático e me olhando dos pés à cabeça — Você está muito bonito!
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  — Eu aprendi a me vestir depois de um tempo, o Dennis me conheceu nas épocas iniciais de Villa Mix, não é? – eu definitivamente estava impactado e totalmente sem assunto com aquela mulher.
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  Ela era intimidadora, sedutora, mas, ao mesmo tempo, soava muito acessível à conversa e uma aproximação. Eu não sabia como agir com ela, e fiquei pensando se não seria aquele o motivo de nenhum cara ter se aproximado dela.
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  — Com certeza a melhor coisa que ele fez foi abolir o xadrez. – Dennis encarava uma loira enquanto falava conosco.
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  — E aí, como você conheceu o Dennis? – perguntei.
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  Eu estava mesmo curioso para saber, de onde o Dennis tirou aquela mulher, e por qual motivo a boca dela estava tão disponível daquele jeito. Dennis não era o tipo de cara que deixava uma mulher daquelas passar.
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  — Eu estava numa boate que ele tocava, e ao acabar de se apresentar ele esbarrou em mim e derrubou sua vodca no meu vestido.
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  Quando terminou de contar, eu imaginei que Dennis já havia estado com ela, mas ainda não entendia por quê havia deixado-a livre daquele jeito. Dei um meio sorriso sacana para Dennis, e tanto ele quanto entenderam meus pensamentos.
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  — Foi um acidente de verdade, mas nos rendeu uma amizade maravilhosa.
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  — Não, não sorri assim. Dennis e eu nunca ficamos.
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  E assim que respondeu, eu olhei para Dennis em dúvida. Eu realmente não estava entendendo.
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  — Eu não sou cara de compromisso, a é muito legal, nos demos muito bem e eu preferi manter a amizade com ela do que, correr o risco de magoá-la.
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  — Aham – zombava da desculpa dada por Dennis, e ele apenas riu continuando a falar.
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  — Digamos que a é uma mulher encantadora. Ela é decidida e eu enxerguei um potencial fracasso em me apaixonar por ela. Então ela foi bem clara quanto ao “Dennis, eu não estou interessada em nada sério, não quero que você fique mal depois”.
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  Dennis imitou a voz de , que nem de longe chegaria próximo ao tom tão sedutor e melodioso que eu escutava. E ele não parava de olhar para a loira.
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  — Dennis. Vai logo falar com a loira! – o advertiu como se, assim como eu, não aguentasse mais observar aquela troca de olhares entre o rapaz e a loira do outro lado.
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  — Bem, com licença Luan. A será uma companhia melhor que eu, te garanto. – ele se virou, mas voltou a mim, sendo taxativo: — E não zoa com ela, porque eu posso até ser seu amigo, mas eu sou mais amigo dela.
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  Apenas levantei as minhas mãos demonstrando que eu era inocente de qualquer coisa. E assim ele foi paquerar a loira. Depois que Dennis saiu eu não conseguia prestar atenção em mais nada que não fosse . Ela sorria tão lindo, que o meu próprio sorriso era um contágio do dela.
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  Eu não sabia se ela estava tão interessada quanto eu, mas eu estava realmente de quatro por ela. E mal poderia culpar o álcool, primeiro porque ela realmente era um pedaço de mau caminho. E outra porque ainda não havia bebido o suficiente para isso. Trocamos olhares, sorrisos, meias palavras, dançamos e quando fomos ao balcão de bebidas pegar outros drinques o telefone dela tocou.
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  — Oi Mário!
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  Ela atendeu falando alto por causa das conversas altas do camarote e da música do show. Ela fazia uma cara de desinteresse por aquela ligação, assim como umas caretas que mostravam que ela não conseguia ouvir nada.
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  — Mário, olha desculpa, mas eu estou no meio de uma festa cara, eu não consigo te entender direito. Te ligo depois, se cuida!
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  Ela desligou e voltou a sorrir para mim, enquanto pegava seu drinque da minha mão. Bebeu e voltou a olhar para onde o show ocorria. Dançava discreta e sorrindo, até que eu perguntei para tirar qualquer dúvida:
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  — Namorado?
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  — Ex. – ela sorriu convencida como se esperasse a minha pergunta.
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  — Tem muito tempo?
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  — Vejamos… – contou os dedos de uma mão — Cinco anos.
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  Um relacionamento de cinco anos ainda poderia se reaver. E embora ela não tenha dado tanta importância ao telefonema, pensei que talvez, competir com o tal Mário não fosse dar certo.
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  — Que terminamos.
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  Então ela disse que havia terminado há cinco anos. Eu me espantei. Duas coisas se passaram em minha cabeça: a primeira é que não deveria ser uma mulher de sair com muitos caras, ou namorar sério, porque depois de cinco anos aquele cara ainda estava procurando ela… Ou talvez ele fosse um dos muitos ex-namorados que ainda a procuravam. Ou apenas um ex-namorado muito apaixonado, de muito tempo. E a segunda coisa que eu pensava era o porquê de eu estar tão interessado em saber quantos caras aquela mulher teria, ou em como poderia ser difícil competir com eles. Mas competir o quê? Eu só queria uma noite com aquela mulher.
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  — E ele ainda corre atrás de você?
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  — Não, é que nós meio que, nos tornamos amigos. Então ele mantém o contato, mas não nos vemos e nos falamos mesmo há muito tempo.
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  — Entendi.
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  Sorri abertamente para ela. E antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, Rick, o meu empresário que estava curtindo o camarote tanto quanto eu, e eu nem ao menos havia notado chegar, apareceu ao meu lado dizendo que estava na hora de me encaminhar ao palco. Ele sorriu para , ela deu a ele um aceno meigo de cabeça e sorriu.
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  Levantei me direcionando a falar com Rick, e ele não parava de olhar .
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  — Me diz que você não está com ela. – ele falou.
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  — Eu vou descer, cantar e subir rápido e espero que possa observar se algum cara vai se aproximar dela. – eu disse baixinho para ele.
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  — Eu posso ficar com ela se quiser. Me diz que você não está com ela. – ele repetiu ainda sorrindo para e sem tirar os olhos dela.
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  Eu notei que já estava estranhando a reação de Rick, dei uma leve batida no peito de Rick o acordando. Revirei os olhos e falei para ele com todas as letras “eu estou com ela sim”. Ele entortou a boca em reprovação, depois sorriu e me desejou boa sorte no palco. Cumprimentou em despedida e saiu dançando até um grupo de pessoas que pareciam o aguardar.
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  — Vou descer para cantar. – eu disse aos ouvidos dela.
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  — Ah, sim claro! Eu vou assistir e cantar muito aqui de cima. – ela falou animada, beijando o meu rosto.
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  Minha pele arrepiou com o toque dos lábios dela, afaguei seus cabelos pela nuca e devolvi o beijo em seu rosto. Me retirei ao backstage do palco, para me preparar para cantar.
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Capítulo 6

  Luan tocou minha nuca beijando de volta o meu rosto e senti um arrepio percorrer meu corpo. Assim que ele saiu, eu fui andando até o Dennis que estava conversando com os mesmos colegas que havíamos feito no início da festa. A loira estava com ele, e ele me apresentou a ela. Assim como ele foi protetor comigo em relação ao Luan, pensei em ser com ele em relação à loira. Mas acho que quem deveria ser protegido ali, não era o Dennis e sim, a garota. Então decidi não falar nada perto dele. Afinal, ele era meu amigo. Depois quando ele não estava por perto eu sondei a loira:
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  — Qual sua intenção com o Dennis, uma noite ou duas?
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  Ela me olhou desentendida e apenas respondeu:
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  — Duas.
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  — Então tá, olha ele é meu amigo, e eu já vou te avisando que o cara é muito legal. Mas não cria expectativas tá? Eu não quero que você fique mal com ele, e nem ele, com você. Só… Vai com calma. Uma noite por enquanto é o suficiente.
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  Ela sorriu e me agradeceu pelo aviso. Quando ele voltou, nos olhou e sobre uma encarada duvidosa para mim, nos disse: “hum… já estão amiguinhas, é?” . Dennis sabia que eu teria dito algo à garota, mas estava tranquilo. Eu saí para ir falar com outras pessoas que me chamaram, e no meio do caminho, a repórter do canal Multishow que estava no camarote desde o início me parou.
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  — Você estava por aí conversando com o Luan Santana, vocês estão juntos? – me perguntou diretamente.
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  — Nós nos conhecemos hoje, aqui no evento. – eu falei tentando fugir de qualquer resposta que pudesse comprometer tanto ele quanto eu.
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  O cara que havia ido falar com ele para descer ao palco, e que me paquerava indiscreto, havia visto a jornalista comigo e ficou observando curioso nós duas.
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  — Qual o seu nome? – a mulher me perguntou.
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  — .
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  — E vocês se conheceram aqui hoje, e o que você achou do Luan?
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  — Ele é um fofo, muito simpático – respondi entendendo a armadilha da mulher e quais respostas ela queria, então fui mais esperta ao responder — Eu vim com um amigo, e nós acabamos sendo apresentados através dele.
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  — Então você e o Luan não estão saindo, ou nada do tipo?
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  — Não, não, como eu disse nós acabamos de nos conhecer.
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  — Mas ele não deu nenhuma investida em você? Eu notei como ele te olhava, pode falar amiga, estamos todas no mesmo barco.
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  Ri discreta e simpática, para Titi Müller, a jornalista – que parecia um pouco altinha – e respondi:
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  — Prometo que, se ele me paquerar em algum momento, eu volto aqui pra te contar, tá?
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  — Combinado! – ela apertou a minha mão e me abraçou. — Você é muito simpática , tomara que vocês se beijem!
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  Saí sorrindo de perto do câmera e da jornalista. O homem que havia falado com Luan ainda me olhava curioso. Antes que eu chegasse aos meus amigos, ele se aproximou de mim.
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  — Boa noite!
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  — Olá! – eu disse simpática a ele.
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  — Eu sou Ricardo Souza, empresário do Luan. – ele me estendeu uma mão e nos cumprimentamos com beijinhos no rosto.
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  — Ah, isso explica a sua cara de curiosidade, eu sou .
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  — É, pois é, eu nunca vi você com ele…
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  — Nos conhecemos hoje.
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  — E você é do meio? – o empresário perguntou obviamente curioso em saber quem era a “ninguém” que conversava com Luan Santana.
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  — Não, eu sou fisioterapeuta. Eu sou convidada, apenas. – eu respondi com uma expressão humilde.
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  — Ah que legal! Eu já quis ser fisioterapeuta, mas eu sou melhor com música.
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  — Posso garantir, como fã dos seus artistas, que é sim.
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  — Você é muito simpática, está explicado como Luan te encontrou, além de seguir a sua beleza notória.
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  — Ah obrigada, que gentil – respondi tímida. — E na verdade, nós fomos apresentados pelo Dennis. Somos amigos.
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  — Ah bacana! Dennis é um cara divertido!
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  — Sim, muito, olha Rick, eu tenho que ir. Meus colegas me chamam ali – o pessoal que havia me chamado, continuava me chamando e eu já estava a fim de sair daquela conversa, e antes que o homem não soubesse como perguntar eu já fui respondendo: — Olha, aquela repórter fez umas perguntas sobre o Luan e eu, eu apenas disse que éramos amigos que acabaram de se conhecer. Se ela perguntar alguma coisa…
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  — AH! Não, claro! Fique tranquila, até mais. – ele respondeu com um sorriso largo e saiu.
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  Fiquei imaginando que estes empresários às vezes são meio sanguessugas. Me reuni aos meus colegas, e assisti a apresentação de Luan ao lado deles.
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[————]

  Após terminar de cantar voltei ao camarote e fui procurar . Estava preocupado se algum outro cara teria a encontrado, e se havia perdido a atenção dela para outro. Eu andava olhando para os grupos de pessoas à procura dela, quando Titi Müller apareceu em minha frente me assustando. Cumprimentei ela, que me parabenizou pela apresentação. Ela estava um pouco alegre por efeito do álcool, eu supus, e sorria muito. Eu cumprimentei a câmera do programa e Titi deu um grito:
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  — Olha ela!
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  Ela se referia à , que passou perto de nós, sem nos notar. Ela foi até , me puxando pela mão. Eu queria agradecer à Titi, por aquilo.
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  — Luan! Nós conversamos com a sua amiga , que é muito, muito simpática por sinal – ela abraçou de lado — Nós já somos amigas, não é ?
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   assentiu sorrindo um pouco sem graça.
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  — Luan, ela disse que vocês se conheceram hoje e que vocês não estão de affair. Você confirma isso?
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  Eu estava ansioso para deixar claro à que aquela noite, eu queria estar com ela e somente com ela, então prevendo não correr o risco de tomar um toco na frente das câmeras, decidi ser um pouco mais ousado nas respostas:
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  — Sim, nos conhecemos hoje e não estamos de affair ainda, mas eu estou muito interessado na . – Titi deu um gritinho de zombaria, olhando para ela, e sorriu, sapeca.
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  — , e aí? – Titi perguntou.
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  — A minha promessa continua de pé. Eu falei que se ele me paquerasse eu contaria a vocês.
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  — Mas ele está te paquerando, gata! E aí, rola um beijinho ou não? – Titi falou e eu peguei a mão de sorrindo, sem jeito.
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  — Ele é uma celebridade, se eu beijá-lo ele pode se sentir exposto. Fica a critério dele.
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  — Eu gosto disso! – disse a Titi sorridente olhando para mim.
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  E então delicadamente, segurei o rosto de com as duas mãos, e sussurrei ao ouvido dela: “com toda a licença, senhorita”, e beijei seus lábios de uma maneira calma. Titi comemorou com comentários e dizendo para a câmera “Luan Santana tem uma paquera no Villa Mix, sim!” ela afastou a filmagem de nós dois. Quando eu e separamos o beijo, sorrimos para Titi que deu uma piscadinha cúmplice para nós.
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  Guiei até um canto afastado e mais escuro do camarote, e nos sentamos numa poltrona dali para conversar. Continuamos a falar sobre os mesmos assuntos que tínhamos antes de eu ir para o palco. Então beijei novamente . Um beijo tão harmonioso, que parecia que nossas bocas foram feitas uma para a outra.
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  — Eu estou extremamente encantado por você hoje. – eu disse entre os beijos.
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   sorriu e então nos separou. Olhou voraz em meus olhos e disse:
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  — Luan, eu não sou muito de rodeios tá? Não precisa gastar poesias ou falar coisas bonitas para me levar pra sua cama. Eu sou o tipo de pessoa que se quiser dormir com você sem compromisso, vai fazer isso e sair antes que você acorde no dia seguinte. E se eu quiser ficar de chameguinho com você, eu vou acordar e deixar meu telefone. E se eu não tiver a fim, eu te dispenso antes mesmo de dar tempo dessa noite acabar.
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  Eu fiquei boquiaberto com as palavras dela. Jamais imaginaria ouvir tudo aquilo.
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  — Pode pensar o que quiser, mas eu só tenho uma pergunta: o que você quer é passar a noite comigo?
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  Continuei calado, encarando os olhos dela, e acariciando seu rosto. Ainda estava digerindo tudo o que ela disse. Eu levando horas para falar o mínimo com ela, e ela conseguindo ser direta daquele jeito?
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  — Luan… Quais as suas intenções comigo hoje? – perguntou de novo, despertando-me do transe.
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  — Eu quero dormir com você sim, mas não quero que você saia sem despedir amanhã.
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  Ela sorriu, em um meio sorriso sedutor.
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  E eu só conseguia pensar em uma coisa: eu caí na teia de uma viúva-negra?
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Capítulo 7

Narração por

  Depois do beijo, eu achei melhor ser direta com o Luan. Eu queria ficar com ele, mas não o queria gastando seu latim com poesias e palavras falsas para me levar para o quarto dele. Era muito mais simples e sincero apenas falar o que queria.
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  Esta minha forma direta de agir, intimida um pouco os homens, mas me poupa muita dor de cabeça com eles. E eu tenho que agradecer ao Mário por isso, porque antes dele, eu não sabia me comunicar com os homens. Então, depois de muito quebrar a cara, mudei meu jeito de ser pelo meu próprio bem.
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  Luan e eu ficamos de amasso durante o restante da noite, e um pouco antes de irmos embora voltamos a dançar e socializar. Dennis já havia me mandado uma mensagem dizendo que tinha ido para o hotel. Responsabilizou-se pela minha volta, – ainda que desnecessário – disse que na hora que eu quisesse ir embora mandasse uma mensagem a ele, que ele pediria o carro.
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  Dennis: “Ei , não achei a senhorita docinho em canto algum e olha que coincidência: eu também não achei o Luan. Hmm… Estranho não? Kkkk. Então eu voltei para o hotel acompanhado. Quando quiser ir embora, me avisa que eu faço questão de pedir o carro para te buscar aí. Não apronta, dê sinal de vida!”
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  : “Você deixou a sua docinho por uma loira peituda, e adivinha só quem teve que cuidar de mim? Não se preocupe, quando eu chegar em casa amanhã de manhã te aviso Den! Use camisinha!”
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  Respondi e assim que Luan e eu entrávamos no carro dele meu celular apitou, com uma nova mensagem do Dennis.
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  Dennis: “Amanhã de manhã? Quem tá levando a gostosa da pra casa? Hahaha”
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  : “Não achei que fosse me responder agora, a loira fugiu de você?
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  Dennis: “Estamos subindo pro quarto, mas fala logo quem é o safado para eu agarrar a mina aqui logo!”
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  : “Como você é fofoqueiro! HAHAHA se concentra na sua missão aí!”
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  Dennis: “Fala logo !”
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  : “O Luan, né Dennis! Quem mais seria?”
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  Dennis: “Não acredito! Ele não faz o teu tipo, ele é muito romântico! Ele vai se apaixonar, coitadinho…”.
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  : “Tchau Dennis! Boa noite!”
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  Depois não visualizei nenhuma mensagem do Dennis, e contei ao Luan que ele havia ido embora com a loira.
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  — Vou avisar a ele, pra ficar tranquilo que eu mesmo te levarei para casa amanhã. – ele disse assim que comentei sobre a preocupação do Dennis comigo.
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  Cheguei ao hotel onde Luan estava hospedado, e o quarto era magnífico. Antes que eu pudesse tirar os meus sapatos, Luan me abraçou por trás e beijou meu pescoço. Joguei minha bolsa em um canto, retirei os sapatos, e virei de frente para ele passando os braços por sua nuca e o beijando. Ele retirou seu blazer, jogando-o longe também e me beijou, falando em seguida:
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  — Tenho uma condição.
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  — O que? – O olhei em dúvida.
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  — Eu falei sério quando disse que não queria que você fosse embora sem se despedir amanhã.
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  Sorri não levando ele a sério e voltei a beijá-lo. Luan novamente nos separou e disse:
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  — É sério , nada de sair de fininho amanhã. Tudo bem por você?
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  — Tudo bem, não é uma condição tão grave assim.
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  Voltei a beijá-lo. Ele mexia comigo e eu não sabia os motivos.
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  Ele era lindo, mas até ali não tinha nada de diferente nele em relação a outros caras com quem eu fiquei, exceto por sua fama, que sinceramente não importava para mim.
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  E depois daquele papo de não sair de fininho no dia seguinte, só conseguira me lembrar da mensagem do Dennis: “Ele é muito romântico, ele vai se apaixonar…”. Temi por aquilo.
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  A última coisa que eu precisava era me apaixonar por um cara como ele, e muito menos que ele se apaixonasse por mim. Mas era muita petulância pensar aquilo, então, resolvi acreditar que ele só não desejava que eu saísse de fininho por precaução com seu marketing. Afinal, se não tivesse certo cuidado, uma noite com uma garota desconhecida poderia render bons ou maus tabloides para ele. E por mais que aquela não fosse a minha intenção, eu realmente pretendia apagar aquele acontecimento, eu não poderia culpar o Luan por pensar em outra coisa.
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Narração por Luan

  Eu não tinha uma noite daquelas há muito tempo. Eu estava feliz e satisfeito, começou com um jogo de sedução. Uma novidade. Um encanto. E eu acreditei que seria uma aventura, porque me deixou de quatro babando por ela, mas eu não poderia cogitar a hipótese de ficar tão surpreso e apegado ao que nós passamos naquela noite.
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  Acordei antes dela, por puro e banal medo de acordar e não mais a ver ao meu lado. A boca semiaberta, com os lábios um pouco inchados e tão convidativos. O nariz redondo e empinado, com a ponta avermelhada pela baixa temperatura daquela manhã. Os cílios eram pequenos num olhar tão intrigante, e estavam um pouco borrados de maquiagem da noite anterior. E a pele dourada e macia de seu corpo, me convidando a abraçá-la e não mais soltar.
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  O que estava acontecendo comigo? Eu tive certeza desde que a vi, que ela não seria um passatempo como outras que eu tive em minha cama, mas também, não era para ser daquele jeito… Aquela tara absurda que eu sentia ao vê-la ali ao meu lado. Um desejo inexplicável de seguir com ela round após round. Que feitiço aquela mulher trazia consigo? Era certo dizer que a noite foi tão agradável, porque era uma fração de mulher forte mesclada a uma singela sedução. O papo fluía, o carinho magnetizava, e – aquela estúpida – sensação de que as bocas foram feitas uma para a outra. Na verdade, uma sensação de transa eterna.
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  Me peguei a observando dormir, e pensando se eu encontraria um sexo melhor do que aquele, pois, uma noite com fez cair por terra todos os outros. Como se fosse a primeira vez que eu dormia com uma mulher. E enquanto a observava, eu me odiava porque eu não poderia ceder àquele instinto primitivo e guardá-la num bolso. Eu precisava ser racional. Eu precisava pensar que, foi uma noite com uma mulher ainda desconhecida, na qual se eu quisesse continuar naquilo, eu teria de ir além de uma noite.
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  Eu poderia ir além? O que ela fazia da vida? O que ela pensava daquela situação? E a voz dela, na noite anterior ecoava em minha mente:
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“Eu sou o tipo de pessoa que se quiser dormir com você sem compromisso, vai fazer isso e sair antes que você acorde no dia seguinte. E se eu quiser ficar de chameguinho com você, eu vou acordar e deixar meu telefone. E se eu não tiver a fim, eu te dispenso antes mesmo de dar tempo dessa noite acabar”.

  Ela queria sexo sem compromisso? Não havia como saber, uma vez que eu inventei aquela condição maluca de “não saia de fininho”. E por quê eu fizera aquilo, não consegui reunir em qualquer explicação. Será que ela deixaria seu telefone? E se o fizesse sem que eu pedisse eu poderia considerar um interesse a mais, mas, e se eu a pedisse o telefone dela? Significaria um interesse mútuo, ou ela me entregaria apenas por ser “o Luan Santana” atrás do telefone dela? Ela não me pareceu um tipo, aproveitadora. Porém, eu não a conhecia. Ser polido naquela situação era trabalhoso.
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  Beijei os lábios convidativos da , e sem intenção de acordá-la massageei sua cintura naquele carinhoso afeto. Ela contorceu-se um pouco, estufando o peito que denunciava os mamilos rígidos. E eu comecei a imaginar – numa tentativa frustrada de conter minha excitação – as possibilidades de estar com ela em outras situações.
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  Quando dei por mim estava imaginando nós dois num romance sério. Em vários eventos de família, e em passeios como namorados. E imaginei ela com a minha equipe de trabalho. E fantasiando um futuro com aquela estranha, eu me levantei e fui à mesa do quarto de hotel, e iniciei o esboço de uma música cuja aquela mulher arrebatadora de uma noite acabara de me inspirar.
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“Ser romântico às vezes ajuda, mas se fecho os olhos te imagino nua. Talvez pareça uma cena de Hollywood. Se está pensando isso, por favor, não se ilude. Eu só quero uma noite de amor. Como as outras, só mais uma que passou. Mas foi só a porta fechar, pra mudar minha cabeça. A sua boca vale o preço pra perder o sossego que eu tinha. A lua até beijou o mar pra não ficar de vela, os quatro perdidos de amor: eu, você, o mar e ela”.

  Eu comecei a dedilhar os primeiros acordes, e a construir a melodia. Em um momento de pausa olhei para trás, e ela estava acordada com um sorriso bobo no rosto, bem quietinha, mas atenta.
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  — Bom dia – Ela disse rouca, com um sorriso ameno.
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  — Bom dia – respondi.
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  Deixei o violão de lado, e a música sobre a mesa. Caminhei até a cama e me aninhei embaixo das cobertas, deitei frente a frente aos olhos dela. E pude notar o quão sem graça ela havia ficado. Ficamos em silêncio nos olhando.
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  — Uma música nova? – ela perguntou.
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  — Acordei inspirado.
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  Ela riu fraco, e estava mesmo um pouco sem graça com aquilo. Ou com o que havia acontecido na noite anterior. Eu não sabia na verdade. Me aproximei ainda mais do corpo dela, cauteloso. Ela ainda estava nua e sentimos um choque quando nossos corpos se aproximaram. não desfazia o contato visual. E eu abraçava-a contra meu peito, numa atitude possessiva de nos manter ali pelo tempo que fosse. E quando pensei em beijá-la, ela me beijou primeiro.
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  Naquela deliciosa troca de energias, ela subiu sobre meu corpo, com as mãos espalmadas em meu peitoral. E eu apertava a sua cintura de uma forma mais voraz, não consegui me deixar ser dominado por ela de novo. Eu iria mostrá-la também, o quanto eu poderia deixá-la dependente daquilo.
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  E invertendo as nossas posições, deixei entregue a mim. E embora eu achasse que a estava dominando, no meu poder de tocá-la como bem entendesse, o dominado era eu.
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  Meu celular tocou quatro vezes, antes que eu o pegasse definitivamente e o desligasse.
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  — Você deveria atender… Pode ser importante.
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  Ela disse sussurrando ao meu ouvido. Mais insano eu fiquei à medida que aquele timbre de voz invadia minha cabeça.
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  — Seja o que for pode esperar.
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  — Luan… Sério… Atende.
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  E interrompeu meus beijos me fazendo a olhar descontente. Sorriu, um sorriso sacana, e pegou o aparelho na mesa de cabeceira ao lado e me estendeu.
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  — É o Rick… – respondi constatando as ligações de meu empresário.
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  — Vamos. – Ela respondeu e me empurrou para o lado da cama.
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  — Aonde você vai?
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  — Eu tenho que ir, e você também.
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  Caminhou nua, e eu pude ver sua pele arrepiar de frio, em direção ao banheiro. A segui ainda confuso com aquela reação: ela se preparava para ir embora, e como ficaríamos?
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  — Vamos tomar café juntos?
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  Perguntei, como um adolescente ressabiado logo que entrei ao banheiro com ela.
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   me olhou confusa. Adentrou o box e abriu o chuveiro. Molhou o corpo, os cabelos e depois de um tempo curtindo a água sobre si, ela abriu os olhos e me encarou ainda sem resposta.
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  — Eu acho que você vai se atrasar, não?
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  — Não, não! Está cedo, ainda vou tomar café. E estou te convidando. — entrei no box e fechei a porta dele colando nossos corpos.
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  Ela assentiu com um sorriso meigo, e eu a beijei.
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  Ao acabar, ela secou o corpo molhado e eu não conseguia conter minha animação na presença dela. Passei um tempo a mais sob a água quente, para me livrar daquele tesão interminável.
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   secou os cabelos com o secador do hotel, enrolada à toalha, escovou os dentes e saiu do banheiro sem dizer nada. E eu fiquei ali, numa terrível vontade de puxar aquela mulher de volta ao meu corpo, e não mais deixá-la ir.
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  Eu só poderia estar louco.
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Narração por

  Voltei ao dormitório buscando minhas roupas e as vestindo. E não conseguia assimilar o quê, afinal, havia ocorrido ali. Eu poderia repetir aquela noite para o resto da minha vida. E aquela manhã. E aquele banho. E por Deus…! Onde eu estava com a cabeça?
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  Algo me mantinha acordada na realidade de que bastaria sair por aquela porta que nunca mais aconteceria de novo. Eu tinha certeza de que, Luan havia sido tão carinhoso e atencioso de manhã não apenas porque, de fato ele era assim, mas, principalmente porque aquilo tudo não aconteceria mais. E me peguei – como uma idiota – lamentando, quando aquilo acabasse.
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  Ele me convidou para tomar café da manhã com ele, mas não significava nada. E as ligações do empresário, poderiam ser um sinal de que era hora de “dispensar a garota sem que ninguém notasse”. E se aquilo fosse verdade, eu não me importaria. Não ficaria brava, porque as sensações que ele me causara na noite anterior eram suficientes para não me importar se houvesse sido apenas uma transa.
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  Ele saía do banheiro e eu já estava arrumada para ir.
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  — Desculpe fazer você esperar. — Luan pediu e sorriu largo para mim — Vou só me trocar e nós já vamos.
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  — Imagina…
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  Respondi e andei até a mesa do quarto, onde estavam próximos o violão e um papel escrito. A letra rápida de quem não pode deixar escapar inspiração. Seria errado ler? Invasivo? Olhei discretamente para ele, de costas pegando suas roupas, e li de relance algumas frases. Não evitei um sorriso. E decidi não ficar perto da música, pois, ele poderia não gostar.
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  — Você vai gostar quando ouvi-la pronta.
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  Ele disse e eu me virei para ele, surpresa.
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  — Tenho certeza que sim.
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  Pegou uma jaqueta preta e vestiu. Me olhou dos pés a cabeça e voltou ao guarda-roupas falando:
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  — Aonde você quer ir?
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  Fiquei boquiaberta com a frase.
  — Como?
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  — Onde quer tomar café?
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  — Ah… — Ele veio até mim me vestindo com um casaco seu — Onde você quiser.
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  — Certo, vamos numa cafeteria que tem aqui perto?
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  — Mas… Desculpe… Você vai sair por aí comigo?
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  Ele pensou um pouco. Notou o que eu estava tentando dizer. Ergueu o rosto em um sorriso e respondeu:
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  — Vou.
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  Sorri de volta, contudo, me lembrei do empresário dele na noite anterior me sondando e preocupado com a entrevista. E aquelas ligações de manhã. Ele poderia ter coisas a fazer, e eu não queria jamais dar motivos para quaisquer que fossem as pessoas, ou até o próprio Luan dizer que eu o atrapalhei em algo e me dispensar de uma maneira justificável. Antes de ele encenar uma forma de me dispensar, eu o dispensaria.
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  — Não, é melhor eu ir. Eu não posso mesmo demorar, e você também não. Seu empresário deve ter afazeres para te cobrar e bem… É melhor ficarmos por aqui, não é?
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  Ele me olhava confuso com as mãos na cintura. Mexeu no cabelo, meio que o despenteando de leve com o cenho franzido em contrariedade.
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  — Ficarmos por aqui, tipo…?
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  — Foi uma noite maravilhosa, Luan. Obrigada.
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  Aproximei-me o beijando e dei as costas. Quando girei a maçaneta e abri a porta, olhei para ele sorrindo e acenei. Antes que eu saísse por completo do quarto ele me chamou:
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  — Espera!
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  Ficou me olhando e sua respiração ofegava aos poucos, ainda com o cenho franzido.
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  — Me dê seu número telefone? Por favor…
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  Eu não esperava por aquilo, e sorri. Ele com o celular estendido em minha direção, com uma face curiosa. Me aproximei, peguei o telefone e salvei meu número. Ele o pegou de volta, sorridente, me puxou para um beijo e disse:
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  — Nada de sair de fininho, lembra?
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  Acenei positivamente, e saímos juntos do quarto. Entrei no elevador e o fechei antes que ele entrasse, me despedi e quando a porta se fechou totalmente, deixei meu corpo sentir o baque de bater na parede do elevador. Eu sorria como há muito tempo não fazia.
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Capítulo 8

Tempo Presente
Narração por Luan

  — Ei filho, o que você achou do show do papai?
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  — Foi muito legal, papai! Eu quero ser igual você quando crescer!
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  Miguel estava mais animado do que o normal depois de ter visto o último show da minha turnê. Berta preparava um café da manhã especial para o meu garotinho e nós dois sorrimos com a empolgação dele.
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  — E o que a mamãe acha disso? — perguntei a ele na intenção de descobrir se aprovava que o filho sonhasse em ser cantor.
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  — Ela disse que eu sou muito talentoso, igual você.
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  — Claro que é! — Berta respondeu sujando a bochecha dele de cobertura de chocolate.
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  Miguel ria espalhando sonoridade pela cozinha. Eu pensava o que faria sobre minha relação com , a turnê havia acabado e eu poderia descansar um pouco do trabalho e focar na minha vida. A vida de verdade que eu abandonei. Peguei uma xícara e me servi de café, olhando o céu pela grande janela da minha cozinha. Sorri ao lembrar, o quanto insistiu naquelas janelas grandes por toda a casa. Berta surgiu ao meu lado, e cutucou o meu braço indicando o garotinho curioso na bancada da cozinha.
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  — Papai?
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  — Oi filho!
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  — Você ficou triste?
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  — Não, de forma nenhuma! Eu estou é muito feliz porque estou com você!
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  Arranquei cócegas dele, o enchendo de beijos. E como era ótimo ouvir a gargalhada dele.
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  — Do que nós vamos brincar hoje?
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  — O que você quer fazer?
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  — Jogar futebol! — Ele respondeu levantando os braços em comemoração.
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  Peguei meu moleque o colocando sobre os ombros, beijei o rosto de Berta e saímos correndo para a varanda gramada. Antes de começarmos a jogar bola, Miguel iniciou um pique pega entre nós. E após algum tempinho, eu pedi para que ele fosse até seu quarto buscar a bola de futebol que esquecemos. Entramos juntos na cozinha, Miguel correndo para buscar a bola.
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  — Não corre Miguel! – gritei para ele e fui ao filtro buscar água.
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  Berta bateu em meu braço com o pano de prato, fazendo-me notá-la ao telefone. Sorri e pedi desculpas, enquanto ela me olhava. Não me atentei à conversa até ouvir o nome dela.
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  — Sim dona , mas é claro que eu posso…
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  Berta olhou-me com um sorriso bobo, indicando com caretas que estava fazendo cerimônia em pedir-lhe algo. Aquelas duas sempre seriam muito mais do que patroa, ou melhor, ex-patroa e governanta.
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  Bebi meu copo de água ansioso por saber que ela estava conversando com Berta, e tamborilava meus dedos na bancada. Berta se despediu, esmoreci ao achar que ela não queria falar comigo, mas logo, a governanta estendeu o telefone para mim. Puxei o aparelho de suas mãos, ansioso e antes de falar algo, respirei fundo.
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  — ?
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  — Olá Luan, bom dia. Tudo bem?
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  — Sim, e com você?
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  — Também… Eu posso falar com o Miguel?
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  Era isso. Ela ligou para falar com o Miguel. Mas é lógico! Onde eu estava com a cabeça?
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  — Ele foi ao quarto buscar a bola de futebol… — Ela demonstrou satisfação por seu sorriso audível — Mas, é claro que pode falar com ele, só aguarde um instante, por favor.
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  — Obrigada Luan.
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  Fui com o aparelho no ouvido até o quarto de Miguel. Queria ficar na linha escutando a respiração dela do outro lado. O nosso pequeno estava em seu quarto, no meio de seus brinquedos a procurar a bola de futebol e mal se incomodou em parar quando me viu chegando.
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  — Filho, a mamãe quer falar com você.
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  Ele sorriu e correu para o telefone.
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  — Alô, mamãe?
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  Fez uma pausa na conversa com ela e ordenou a me ver observando-o no telefone:
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  — Papai! Procure a bola, não vai dar tempo de brincar tudo!
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  Sorri e baguncei seus cabelos. Miguel caminhou até sua cama e sentou-se para se concentrar na voz da mãe. E eu, procurando a bola, me concentrei na conversa dos dois.
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  — Sim mamãe, foi muito legal! Tinha um monte de gente gritando o nome do papai! E um monte de meninas querendo agarrar ele!
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  Não, Miguel! Não!
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  — Mas ele não agarrou as meninas, mamãe!
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  Isso aí, filho!
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  — Eu quero fazer igual ele, quando eu crescer mamãe! — Miguel soltou uma gargalhada e eu estava certo de que havia feito uma palhaçada para ele — Sim, eu ‘tô divertindo. A tia Berta fez bolo de chocolate! E agora eu vou jogar futebol com o papai. Também te amo, mamãe. Você vem pra cá?
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  E meu coração se espremeu ao ouvir meu filho, com seus pequenos sinais, demonstrando a nossa falta.
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“Não vai dar tempo de brincar tudo”
“Você vem pra cá, mamãe?”

  — O papai pode ir aí pra casa amanhã?
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  Eu me sentia na obrigação de reparar meus erros, com o meu filho. E com a minha esposa.
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  — Tá bom… Eu também te amo, mamãe.
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  Miguel me entregou o telefone.
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  — Ela quer falar com você, papai.
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  — Oi, .
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  — Luan, amanhã você vai levar o Miguel à escola, mas nem eu e nem o Luke poderemos buscá-lo. Então a Berta vai trazê-lo para mim, tudo bem?
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  — Eu o levo!
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  — Sabemos que você é ocupado, Luan. E eu já combinei com a Berta.
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  — De forma alguma, eu vou buscar o meu garoto na escola e levá-lo para você. Precisa de mais alguma coisa, ?
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  — Não, obrigada. Você já falou com ele, sobre o aniversário da sua mãe?
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  — Ainda não, e você vai?
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  — Eu não sei, provavelmente não, Luan. Mas, por favor, não esqueça de me avisar se o Miguel decidir ir com você…
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  — Fique tranquila…
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  — Obrigada Luan, até mais. Qualquer coisa me ligue!
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  Ela desligou a chamada e eu sabia que com “qualquer coisa” ela se referia a “qualquer coisa com o Miguel”. O pequeno já não estava mais no quarto e nem a bola de futebol. Desci as escadas e o encontrei brincando sozinho no gramado, bastante feliz.
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  — Berta… — chamei-a observando meu garoto e colocando o telefone na base: — Não precisa buscar o Miguel amanhã, eu vou levá-lo para a mãe dele.
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  — E a está bem, Luan?
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  — Ela disse que sim, mas… Por quê?
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  — Não reconhece mais o tom de voz triste dela?
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  — Eu só achei que fosse coisa da minha cabeça, ou que ela não quisesse falar comigo.
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  — Se fosse isso, ela simplesmente não falaria. Você não conhece mais a sua mulher?
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  Berta me olhou desafiante, suspirei e ia responder, mas Miguel gritou meu nome cobrando que eu não estava lá fora com ele.
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Narração por

  — Eles estão jogando futebol.
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  Contei ao Lucas, que estava temperando o lombo de porco.
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  — E este sorrisinho, aí? — Ele perguntou me observando de soslaio.
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  — É bom saber que o Miguel está aproveitando o pai.
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  — Você também poderia estar lá aproveitando.
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  — Não começa Luke, já conversamos sobre isso.
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  — Deixa de ser impassível!
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  — E esta carne aí? É melhor ficar bem temperada!
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  — Você e a sua mania de mudar de assunto quando se trata da sua felicidade!
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  — Onde você colocou as batatas que compramos? — perguntei vasculhando a geladeira a fim de mudar definitivamente o assunto — Não me diga que esqueceu!
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  — Não se faça de sonsa, estão na gaveta da geladeira.
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  Eu sorri escondidinho e me juntei ao Luke na bancada da pia.
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  — E o que ficou resolvido? A Berta poderá buscar o Miguelzinho para nós?
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  — Sim, mas o Luan fez questão de trazê-lo.
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  — Ah… E como ele vai entrar dona mocinha? Ou ele tem uma chave do seu apartamento e você nunca me contou!?
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  — Bom, ele tinha. Mas, não sei… Não pensei nisso… Eu vou ligar para a Berta e pedir para emprestar a chave dela para ele.
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  — Ele tem esta chave, acredite. Pode não saber onde guardou, mas ele tem.
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  Luke e eu preparamos o almoço, e dividimos uma garrafa de vinho. E enquanto o lombo assava, eu preparava as minhas coisas para o trabalho do dia seguinte. Lavei um dos meus jalecos, pois, havia esquecido e separei as pastas dos meus pacientes. Lucas apareceu na porta do meu quarto, com as taças de vinho e eu já estava guardando minhas coisas.
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  — Seu ex te ligou.
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  — Aconteceu alguma coisa com o Miguel? — perguntei assustada me levantando da cama e puxando o telefone no móvel de cabeceira ao meu lado.
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  — Seu outro ex.
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  Olhei aliviada para Lucas, feliz por não ser Luan já que, certamente ele ligaria para falar de Miguel. E desdenhei aquela informação desnecessária e recém-dita por Luke. A carne estava quase pronta, saímos do meu quarto para preparar a mesa.
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  — Não vamos colocar a mesa só para nós dois hoje, … — Lucas reclamou manhoso.
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  — Tudo bem, então tire a carne do forno e deixe-a fatiada, por favor.
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  Colocamos nossos pratos e fomos para a sala. E assim que ligou a televisão, Luke colocou em um canal que reprisava o último show de Luan. No caso, o show da noite anterior.
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  — É sério isso?
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  — Ah para! Eu quero assistir! Quero ver se o Miguelzinho aparece.
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  — Ele sabe que não deve expor o Miguel assim.
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  — Deixa de ser chata, eu sei que você também queria ter assistido o show dele ontem e só não viu porque é uma orgulhosa.
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  — Não tem nada disso, eu estava bem cansada. E só.
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  — Quietinha, vai começar o show do seu amor.
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  Decidi não discutir mais com Luke, era óbvio que ele sempre torceria para que Luan e eu ficássemos juntos. E no fundo, eu também torcia, mas havia muito receio. Embora as lembranças de quando nos separamos não mexessem mais comigo como antes, eu ainda recordava de cada palavra. Cada cena.
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  Luan era o marido perfeito, e de repente sua carreira se colocou entre nós e nossa família. Com toda a certeza de que me relacionar com ele nunca seria um problema por seu trabalho, eu investi fundo em nós dois. E me apaixonei como nunca. E vivi os momentos mais felizes que jamais havia imaginado e como um flash dos muitos holofotes em volta dele, tudo acabou.
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  Eu não fazia ideia se Luan tinha outra pessoa em sua vida naquela altura do campeonato. Ele não era mulherengo, nem o tipo que misturava trabalho com a vida pessoal — isso no início do nosso namoro e da sua carreira —, mas estar em turnê pelo tempo que havia ficado… Eu decidi acreditar que ele tentou seguir a vida dele. Assim como eu, erroneamente, tentei seguir a minha. A verdade é que eu estava completamente enfurecida com a separação, e me dediquei somente ao meu filho no começo. Mas, com o tempo a fúria diminuiu dando lugar à decepção por todas as expectativas criadas sobre o casamento, e percebi que deveria dar uma nova chance a mim. E foi ali que surgiu o encosto, pelo qual eu havia rompido há um dia. E cujo, o mesmo, ligava ao meu telefone no momento em que eu estava concentrada no show do meu ex-marido, compenetrada em seu desempenho e nas palavras daquela canção que eu conhecia muito bem.
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“Promete que vai ser só minha?”…

  O estridente volume do aparelho telefônico tocando, me tirou daquele transe e irritou Luke.
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  — Pelo amor de Deus, ! Fala com ele!
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  Puxei o aparelho e saí da sala para não atrapalhar o entretenimento de Luke.
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  — Alô?
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  … A gente precisa conversar.
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  — Não, não precisamos. A minha decisão foi dada ontem. E talvez a única coisa que eu ainda tenha a te dizer é, me desculpar pela forma rude como agi. Embora eu estivesse bastante correta da minha escolha, eu não poderia tratar você como tratei.
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  , eu quem peço desculpa. Você não tem que se desculpar.
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  — Está perdoado. Seja feliz.
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  — Não faz assim, … Olha, eu errei! Eu não deveria me colocar entre a história que você teve com o Luan. Eu sabia que ele sempre seria um fantasma na sua vida, e aceitei isso quando me envolvi, mas eu não quero perder você por uma bobagem.
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  — Ainda que você estivesse sendo sincero agora, Pedro, eu não posso acreditar em você simplesmente porque não consigo. Eu não consigo confiar duas vezes. E eu não quero ao menos tentar. Então, seja feliz.
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  Desliguei a ligação antes que ele continuasse a choramingar qualquer coisa. E quem começou a chorar na cama do meu quarto, fui eu. Não por ele, mas por tudo.
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  Se Luke estava certo, eu estaria sendo impassível demais em mal dar uma chance para conversar com Luan sobre nós. No entanto, ele não demonstrara momento algum que havia interesse naquele tipo de diálogo. Eu estava dividida entre romper o meu “não confiar duas vezes” e, manter a cautela do medo do passado.
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Narração por Luan

  De manhã cedinho, Miguel e eu tomamos café juntos prevendo o tempo que não poderíamos fazer aquilo de novo. E com esperança de não mais me separar dele, eu perguntei se ele gostaria de ir para casa da avó.
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  — Sábado é aniversário da vovó, e ela gostaria muito que você fosse para o sítio. Você quer?
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  — Mas sábado é o dia da mamãe… — falou cabisbaixo enquanto bebia seu leite, e Berta beijou sua cabeça em carinho.
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  — Acontece que eu já conversei com a mamãe, e ela disse que se você quiser ir não tem problema. Mas no outro fim de semana você ficará com ela duas vezes.
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  Ele ainda mantinha a cabeça baixa e, sério, pensando nas opções.
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  — E também… A vovó quer que a mamãe e o tio Luke vão. Só que aí eu não posso te prometer nada filho, porque eu convidei, mas se eles não quiserem ir é direito deles. Pense na vovó, quando for fazer sua escolha. Qual o tamanho da vontade de vê-la?
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  — Muito, muito papai!
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  — Pois é! E vão estar todos os seus primos e tios por lá! E o vovô… Mas, se você não quiser ir Miguel, não tem problemas, o papai te leva pro sítio outro dia.
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  — A mamãe pode ir?
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  — Mas é claro!
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  — É o que seu pai mais quer Miguelzinho! — pronunciou-se Berta me deixando envergonhado na frente do meu filho.
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  — E o tio Pedro?
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  — Quem?
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  — O namorado dela, papai! E se ela falar que só vai se for com ele?
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  A fala de Miguel me deixou com raiva, mas eu me contive:
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  — Não acredito que sua mãe desejaria que ele fosse para a casa da vovó… Mas, ela pode levar quem ela quiser.
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  — Eu quero ir, mas não quero ficar muito tempo sem te ver depois.
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  — Não vai ficar filho, o papai está de férias agora. Passarei mais tempo em casa, e trabalhando nas novas músicas, então eu vou te ver mais vezes! Façamos assim: eu te levo para a escola — Eu disse me levantando e o colocando em minhas costas enquanto Berta levava as coisas dele para o carro: — E quando eu for te buscar, você me diz o que decidiu. Que tal?
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  — VOCÊ VAI ME BUSCAR NA ESCOLA? — gritou Miguel um tanto quanto animado.
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  — Sim, e vou te levar para a casa da mamãe!
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  — EEEBAAA!
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  — Luan… Você tem a chave? pediu para lhe emprestar a minha.
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  — Se ela não trocou as fechaduras, eu ainda tenho a minha cópia, Berta.
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  — Sério?
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  — Qual o espanto? Por acaso eu já não contei que eu amo demais a para desistir dela?
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  Berta olhou para Miguel na tentativa de notar se ele havia escutado o que eu dissera, mas ele estava concentrado com os brinquedos dentro da mochila. Beijei a testa de minha amiga governanta, afivelei o cinto de segurança na cadeirinha de Miguel, e entrei no carro pronto para mais um dia de retorno à casa.
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  Naquela manhã após deixar Miguel na escola, retornei para minha casa e trabalhei na nova música escrita. Cuja a inspiração fora saber que a minha estava com outro. Liberei a Berta de qualquer outra responsabilidade aquele dia, pois, eu não almoçaria em casa.
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  Ao meio-dia eu já estava na porta da escola, pronto a buscar meu filho e um paparazzo, que havia me flagrado, tirou fotos de nós dois. Decidi que fugir não seria prudente.
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  — Papai, porque tem um moço tirando fotos nossas?
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  — Dê um tchauzinho para ele, filho. É um fotógrafo, e eles tentam tirar fotos do papai no dia-a-dia.
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  — Ah tá… Isso acontece quando estou com a mamãe também. Ela falou que é por sua causa.
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  — Ela fica muito chateada com isso, filho?
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  — Só às vezes, normalmente ela fala para eu ignorar.
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  — Ela está certa.
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  Entramos no carro, e eu segui pensando o quanto a nossa união mexeu definitivamente com a vida de . Ela sempre seria a mãe do meu filho, a ex-mulher — ou não, eu torcia — e mesmo que ela soubesse disso quando nós nos unimos, eu ficara extremamente culpado por não ter valorizado os sacrifícios dela como deveria.
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  — ? — falei assim que ela atendeu a chamada que eu fiz.
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  — Luan? Aconteceu alguma coisa?
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  — Estou a caminho com Miguel.
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  — Ah sim, obrigada. Eu não poderei chegar cedo, tem certeza que não é melhor pedir à Berta para ficar com ele?
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  — Não, tudo bem. Eu tenho a tarde livre. Não se preocupe.
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  — Certo… Obrigada. Então, fique à vontade.
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  — Até mais.
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  Após o telefonema rápido, perguntei ao Miguel se ele gostaria de almoçar em algum lugar comigo, ou se preferia que eu cozinhasse para nós. E obviamente, o garoto escolheu a segunda opção. E eu achei ótimo. Seria uma boa surpresa para chegar em casa e ver que eu preparei um belo almoço. Ou pelo menos, eu pensava que seria.
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Capítulo 9

Tempo Passado
Narração por

  Às dez horas da manhã, eu chegava à clínica. Ainda estava muito dispersa em relação à noite anterior com o Luan. Andava na rua olhando para todos os lados, num complexo incomum de vigilância. Provavelmente, eu achava que estaria em todos as manchetes de fofocas no dia seguinte, mas, graças aos céus não estava.
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  Quando adentrei a recepção da clínica, a reação de todos presentes ali, fora absolutamente normal. Cumprimentei pacientes e colegas de trabalho, e fui em direção à minha sala. Queria mesmo, era ficar sentadinha em minha cadeira giratória, rodopiando e repassando a noite mentalmente, mas não seria maduro. Ocupar a mente com trabalho, sim. Seria?
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  Atendi os pacientes, e me peguei vez ou outra observando o visor do celular. O que eu esperaria? Só porque ele pediu o meu telefone, não significava que haveria um contato. Sacudi a cabeça, para afastar aqueles pensamentos adolescentes. E me atirei no trabalho.
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Narração por Luan

  Cada um dos gemidos de ecoava em meus ouvidos e eu sorria. Rick me chamara uma, duas, três vezes. E eu, não entendia nada do que ele falava.
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  Luan! Cara, se concentra! Precisamos definir a agenda!
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  — Foi mal…
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  — Isso tem a ver com a garota de ontem?
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  — Não. Vamos trabalhar. — respondi afastando qualquer paranoia de Rick.
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  Se por algum acaso, meu empresário desconfiasse de que minha desconcentração era devido àquela garota, provavelmente eu nunca mais veria tamanha dificuldade que ele iria impor. Um tempo depois, Ana, minha assessora, chegou com os modelos dos ingressos enviados pela empresa de cortesia. Chamei-a em um canto, bem depois da minha reunião com Rick e equipe, e pedi a ela que telefonasse para , conseguisse seu endereço, e a enviasse um ingresso de cortesia para o camarote do meu próximo show.
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  — Ei, é a garota da entrevista? — perguntou discreta.
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  — É. Mas, morre entre nós, entendeu?
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  — Que fixação, hein?
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  — Você não faz ideia.
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  — Quero conhecê-la.
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  — Ana… Não seja precipitada.
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  — Eu? Pode acreditar que não sou eu quem estou me precipitando.
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Narração por

  — Alô. – atendi sem ao menos ler o número, e prendi o telefone entre a orelha e o ombro, com as mãos cheias de roupas dobradas.
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  — Está em casa?
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  — Estou.
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  — Em cinco minutos estou chegando aí. Só tenho uma hora antes de pegar o avião.
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  — O quê? — falei um pouco mais alto do que o normal. — Espera, quem…
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  Larguei as roupas sobre a cama, pegando o celular e lendo o visor, ao constatar voltei a encostar o telefone no meu ouvido e escutei a gargalhada com a zoeira do meu amigo:
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  — Não acredito que me confundiu com o Luan!
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  — Porra, Dennis! Que susto!
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  Ele apenas sorriu fraco, e despediu-se. Aquilo estava indo longe demais. Eu realmente achei que Luan Santana me ligaria e avisaria que passaria lá em casa? Só poderia ser piada. Naquela noite Dennis voltaria para o Rio de Janeiro, e como bom fofoqueiro passaria na minha casa para saber da noite anterior, eu tinha certeza daquilo. Despedir-se da amiga? HA-HA.
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  Conversamos sobre a festa, o perguntei o que eu deveria fazer em relação àquela história, pois, eu não era conhecida por sair com os caras mais populares. Dennis riu e perguntou se eu havia me apaixonado. Nos despedimos uma hora depois. Pontualmente.
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  Quero saber onde esta história vai parar, huh?
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  — Em lugar algum. Imagina… — fiz cara de desacreditada sorrindo.
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  — Quem diria… — Dennis me abraçou apertado , apaixonada por alguém finalmente. E melhor, por Luan Santana!
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  Dennis começou a gargalhar, e eu o repreendi dizendo que não estava apaixonada por ninguém. Beijou minha testa e seguiu para o elevador. Antes de entrar, me lançou um olhar divertido e um aceno.
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  Aquela noite retornei ao meu quarto e terminei de embalar as roupas destinadas à doação. Meu telefone tocou e era Lucas. Contei a ele tudo o que havia acontecido. Fazendo-o prometer que não contaria nada para o Marcos.
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  — Mas, ele é meu parceiro.
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  — Não é que eu não goste dele, mas, não quero render esta história para mais ninguém.
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  Ele começou a rir no telefone.
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  — É impressão minha, ou você está com medo?
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  — Medo de quê?
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  — De que o mundo descubra isso.
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  — Não vai acontecer por culpa minha, ok?
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  — E quanto à entrevista?
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  — Por sorte, ninguém vai se ligar nisso.
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  — Sorte? Só ela mesma. Você paquera com o cantor sertanejo mais badalado numa entrevista de um canal de música super conhecido, depois transa com ele no hotel que ele está hospedado e só porque ninguém te parou na rua no dia seguinte, acha que escapou das fofocas?
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  — Luke… Não me pira, tá?
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  — Não pira você, gata. Não foi com o Luanzinho do jardim de infância que você transou. Foi com o meteoro da paixão, fofa.
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  — Podemos falar de você agora?
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  — Estou pensando em terminar com o Marcos.
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  — Sério? — entonei numa descrença infinita pela milésima vez a ouvir aquilo e saber que não era verdade: Mas o que ele fez agora?
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  — Nada. Mas, não sei se somos certos.
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  — Luke, você adora inventar uns problemas na sua cabeça né?
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  — O que vai fazer no seu aniversário?
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  — Que aleatoriedade! Eu sei lá!
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  — Quero ir te visitar. Talvez eu nem volte.
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  Bocejei de preguiça daquele drama que se iniciava. Continuamos conversando até eu me cansar do Lucas dizendo que iria “dar uma guinada na vida dele”. E antes de nos despedirmos, Luke me xingou de vadia dizendo que pediu para eu pegar o Rodolffo Matthaus por ele, não o Luan.
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  Uma semana se passou desde a noite do VillaMix, e eu estava no consultório da clínica atendendo, quando meu chefe Estevão surgiu na porta avisando do recesso de sexta-feira por causa das obras. Após aquela micro pausa, estalei o pescoço aliviada pelo descanso que viria bem a calhar, até que meu celular tocou.
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  — Alô!
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  ?
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  Não reconheci aquela voz ao telefone, e olhei para o visor do celular. Não reconhecia o número. Mas, a ligação era de São Paulo. “Se for telemarketing…”, pensei já irritada com a possibilidade de desligar na cara de alguém, ainda que a falta de educação não fosse meu forte.
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  — Sim, quem deseja?
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  — Eu sou a Ana, assistente pessoal de produção do Luan Santana. Teria um minuto?
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  A primeira coisa que me veio à mente: eu precisaria de um advogado. Estava surtando com a hipótese de ter vazado qualquer informação e agora, ser processada por transar com Luan Santana. Eu estava pirando, fato.
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  — Pode falar…
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  — O Luan pediu para que eu te enviasse um ingresso para o próximo show dele. Por isso estou entrando em contato para pegar seu endereço. Será no dia 26 de setembro, na Esplanada do Mineirão.
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  — Ah… Olha, não precisa disso.
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  — Eu só estou fazendo o meu trabalho, quanto a ir ao show ou não, é decisão sua.
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  — Poderia dizer a ele que eu agradeço enormemente a gentileza, mas não posso aceitar?
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  — Tem compromisso nesta data? Posso te enviar para outra data.
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  — Não, olha… Como é mesmo o seu nome?
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  — Ana. E , se você não tem compromisso por que não iria?
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  — Eu imagino o quanto o Luan deve estar ocupado para te encarregar disto, mas, eu não posso mesmo aceitar. Obrigada.
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  — Certo. Obrigada pela atenção. Mas, se mudar de ideia é só me telefonar neste número. De qualquer jeito o ingresso já é seu. Eu falei que é camarote?
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  — Obrigada Ana, bom trabalho e bom dia.
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Narração por Luan

  — Ela recusou?
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  Eu estava completamente surpreso. Não por ter um presente rejeitado, mas pelo quê aquilo significava.
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  — Quando você telefonou?
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  — Hoje pela manhã.
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  — Mas, eu te pedi isto há uma semana, Aninha!
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  — Desculpe Luan, mas você sabe o quanto todos andamos ocupados. E ficar gracejando as mulheres com quem você dorme não está nas minhas funções.
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  — Desculpa, não quis ser grosseiro, é só que… Agora de última hora ele não vai poder.
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  — Ela não tem compromisso. Me afirmou isso, ela apenas não aceitou. Disse que não podia aceitar.
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  — Droga, o que isso quer dizer?
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  — Como?
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  — Você é mulher, por que acha que ela recusou?
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  — Eu sou mulher e meu nome é Ana Vilela. Se você quer saber os motivos dela, pergunte você a ela.
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  — Ela não quer mais me ver?
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  — Você realmente, quer vê-la de novo?
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  — O que você achou que eu queria?
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  — Um cortejo de agradecimento pela noite? Ganhar uma fã? Não correr risco de um escândalo?
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  — Eu já fiz isso alguma vez?
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  Estava ultrajado com a fala de Ana.
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  — Não sei. Foi a primeira vez que você me pede algo do tipo.
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  — Eu vou ligar para ela! — disse me levantando bruscamente.
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  — Luan! Você entra no palco em dez minutos.
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  Acenei para Ana, demonstrando que estava ciente daquilo. E torci para que ela me atendesse.
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Narração por

  Terminei de jantar e estava lavando a louça. E meu celular tocou enquanto eu tinha as mãos cheias de sabão. Não consegui atender a tempo, mas, antes de abrir a torneira novamente, ele tocou de novo, e eu atendi:
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  — , pois não?
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  — Sou eu, o Luan.
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  Gelei sem ter a menor ideia do motivo daquela reação.
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  — Oi… — eu não sabia o que dizer.
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  — Eu tenho que entrar no palco daqui alguns minutos, então, não podia ir antes de ligar e saber por que você rejeitou meu ingresso.
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  — Por que, eu deveria aceitar?
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  — Por que eu quero te ver de novo!
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  — Como é? — Eu estava irritada com a forma como aquilo soava uma ordem — Você por acaso pensou se eu gostaria de te ver de novo?
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  — Claro! Por isso estou ligando, eu não quero que você não queira mais me ver.
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  Ele se enrolou nas palavras e pude ouvir pessoas o chamando para se apressar. Ri da situação e, acredito que ele se acalmou ao notar que eu ria. Não era uma ordem, ou uma intimação. Ele só estava curioso para saber se foi ou não uma dispensa minha.
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  — Você não quer me ver de novo?
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  — Quero sim.
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  — Ótimo! Eu vou passar para a Ana tá? Por que eu preciso subir ao palco, e ela vai te…
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  — Ei, , é a Ana. Tudo bem?
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  Ela tomou o telefone dele, e terminou a ligação após anotar meu endereço para o envio do ingresso. Dormi mais leve. Eu não deveria ter colocado um ponto final naquela insanidade?
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  Algo me dizia que eu estava brincando com fogo. Três dias depois chegou em meu apartamento um arranjo de flores, com um lindo envelope dourado. Dentro, o ingresso e um cartão escrito por Luan. Ou pelo menos, só assinado por ele.
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Capítulo 10

Tempo Presente
Narrado por

  Ouvi som de violão sendo tocado, e uma melodia desconhecida. Coloquei a chave na maçaneta e assim que entrei à sala, me deparei com pai e filho cantando juntos. Sorri, aquela cena me deixou nostálgica em memórias criadas por mim no passado. Eu havia imaginado aquele momento quando Miguel ainda era um bebê e, ver aos dois trouxe-me a saudade de algo que não vivemos e eu nem sabia se viveria. Senti falta daquela família.
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  Caminhei sorrateira por trás do sofá, e deixei a bolsa no aparador. Toquei o ombro de Luan e ele, assustando-se sem parar de tocar e cantar, olhou para mim sorridente. Miguel pulou em meu colo e continuou cantando — no seu sotaque infantil de quem não sabe direito todas as palavras, muito menos toda a letra da música — enquanto eu o enchia de beijos. Luke, em alguns minutos depois chegou apressado, como sempre, e ao nos ver parou estático com um sorriso largo. Não demorou a se juntar a nós.
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  Luan reforçou o último refrão e eu já havia o gravado, cantei acompanhada de Miguel:
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Que tal apostar?
A gente não se fala mais por um mês.
Você vai ver que o tempo não muda nada, nada.
Nada, nada… Eu tô’ aí, mesmo sem estar…

  Nossos olhares eram fortes e indesviáveis como se nunca houvesse mudado nada entre nós. Desci Miguel de meu colo, Luan repousou o violão no sofá e Luke começou a gritar brincadeiras para Miguel que saiu correndo do tio. Sentei-me ao lado de Luan no sofá, e ele avançou sobre mim para um cumprimento de beijinhos no rosto, me assustando e nos deixando constrangidos.
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  — Música nova? — perguntei ainda com a bochecha constrangida.
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  — Desde que voltei venho compondo bastante.
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  — Isso é ótimo.
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  — É mesmo, ainda mais porque longe daqui eu estava numa crise criativa. É como se… toda minha inspiração tivesse ficado aqui.
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  Desviei o olhar por um momento com um sorriso afirmativo em meus lábios.
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  — Miguel gosta de pegá-lo, — apontei para o violão encostado ao sofá —e fingir que toca. Acho que seguirá os passos do pai.
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  — Tudo bem para você se ele quiser isso?
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  — Eu jamais irei me opor às decisões profissionais do nosso filho, sempre estarei lá para apoiá-lo e ajudá-lo a lidar com isso da melhor forma.
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  Minha frase pareceu uma crítica, embora nunca tenha sido.
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  — . Me… Desculpe.
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  O olhei surpresa, e seus olhos continham mágoa e arrependimento. Pelo menos eu pensava que era isso. Sorri, a fim de que ele continuasse.
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  — Eu causei tanto mal a vocês dois… Sinceramente se eu pudesse voltar atrás…
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  — Papai!!
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  Miguel surgiu correndo nos interrompendo e pulando ao colo do pai. Luke já havia trocado de roupa para comer e estava à cozinha servindo a mesa.
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  — Tudo bem, Luan. Não pensa nessas coisas agora, só aproveite o tempo que tem com ele daqui por diante.
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  Afirmei para Luan, que sorriu, havia em seu rosto uma expressão de quem ainda tinha algo a dizer. Miguel nos puxava por suas mãozinhas para almoçarmos, embora ele e Luan já tivessem comido e eu também. Para que meu filho não se chateasse com a manha que iria iniciar sobre “mamãe não quer comer a comida do papai”, eu fiz companhia ao Luke numa pequena degustação. Luan apressou-se para ir embora, mas ao notar que Miguel protestaria, eu o convidei a ficar o restante da tarde.
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  Estávamos na sala, eu havia acabado de servir café para nós três sentados conversando, e Miguel brincava sobre o tapete.
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  — E então Luan, já falou com ele sobre a ida para o sítio?
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  — Sim, mas ele ficou dividido.
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  — Filho? — chamei e Miguel me deu atenção com seus pequenos olhos castanhos, como os do pai: Você quer ir ao aniversário da vovó?
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  — Eu quero, mas, eu não quero não ficar com a mamãe…
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  Nós três entreolhamos, enquanto ele voltou a atenção aos brinquedos.
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  — E você, ? Não quer mesmo ir?
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  — Luan eu tenho tanta coisa para resolver, sabe?
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  — Que tanta coisa, ? — Luke perguntou irônico.
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  — Referente ao trabalho, Luke. — respondi o encarando cortante.
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  — Então você mudou bastante. A que conheci não deixava de estar com a família por causa de trabalho.
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  Luan me pegou. Ele me conhecia o suficiente para saber que aquela era uma desculpa esfarrapada, ainda mais por causa da nossa separação que envolvia aquela temática. Sorri culpada, e nós três rimos discretos por eu ter sido pega na mentira.
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  — Luan, é como eu tinha dito… Não sei se seria uma boa ideia.
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  — Por quê não? Minha família te ama, e todos querem te ver.
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  — Eu só não estou preparada para este reencontro. Seria a primeira vez que eu encararia sua família desde…
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  — Garanto que vai ser como sempre foi. Ninguém vai julgar você por nada, até porque não foi você a culpada.
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  Luke nos encarava com um sorriso bobo, que eu podia pressentir ainda que estivesse com os olhos grudados aos de Luan.
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  — E vai ser bom pra você esquecer o término do namoro, !
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  Encarei, mais uma vez cortante, ao Luke que sorria falsamente. Minha vontade era de matá-lo. Miguel estava ali e não era assim que ele deveria saber. E ainda tinha o Luan.
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  — Você… — Luan fez uma pausa, com um esboço de sorriso que rapidamente, ele, num pigarro desfez: — Terminou com aquele tal de…?
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  — Pedro. Este final de semana.
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  — Eu… Eu não vou dizer que lamento porque eu estaria mentindo.
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  — Não há o que lamentar, de qualquer forma. Ele foi um erro. Mais um.
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  Eu não queria ser estúpida com ele, quando disse que Pedro foi “mais um erro” dando a entender que nosso casamento também foi. Por que não era o que eu pensava. Foi um acerto enquanto durou. E felizmente, Luan me conhecia bem o suficiente para saber que eu estava generalizando e não o atacando. Sorriu verdadeiro, e continuou a insistir na ida para o sítio.
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  — E você Luke, vai não é?
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  — Lógico! Se a quiser ficar aqui sozinha, o problema é dela. Eu estou com muitas saudades do pudim de milho da sua mãe!
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  — Que bom. Ela vai adorar ver vocês lá.
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  Miguel se levantou e sentou-se entre Luan e eu. Apoiou a cabeça no colo do pai, e os pés no meu. Fiz cócegas arrancando risadas gostosas de meu filho.
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  — Adivinha aonde o seu padrinho vai? — Luke perguntou chamando a atenção dele.
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  — Aonde, dindinho?
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  — Ao aniversário da vovó!
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  Miguel se levantou animado e sorridente.
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  — EBA! Mamãe, você também vai?
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  Aqueles pares de pequenas jabuticabas a me encarar, com aquele sorriso branco de leite deixaram meu coração apertado. Miguel merecia, depois de tanto tempo, uma reunião da família completa. Suspirei vencida pelo emocional. Encarei Luan, outro sorriso de apertar o coração, certamente vitorioso de minha decisão.
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  — Vou sim, filho.
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  Todos os três comemoraram.
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  — O tio Pedro vai também, mamãe?
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  — Não filho… Ele… Não vai.
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  Ponderei se era o momento, mas logo decidi que o melhor momento de explicar ao meu filho por que o tio Pedro não estaria ali, não era aquele. Não demorou, para que Luan após me convencer a ir para o sítio com ele e Miguel, ao invés de separada com Luke, se despedir. Miguel chorou dizendo que gostaria que o pai dormisse lá, mas, Luan com jeitinho explicou não poder. E outra vez meu coração estava apertado. Primeiro pelo que nós fazíamos ao nosso filho, e segundo porque eu também queria que ele ficasse.
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  Levei Miguel ao banho, e o coloquei na cama logo após o jantar às dezenove horas. Caminhei pós-banho para a sacada da sala. Era possível ver a grande avenida, naquele horário, pouco movimentada de carros e cheia de luzes. O ar de cidade que se prepara para descansar.
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  Me inclinei na varanda enquanto pensava no retorno de Luan. O ventinho ameno, fresco, e amigo chicoteava meus cabelos soltos e meu robe de cetim. Escutei passos lentos dentro de meu cômodo.
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  — Em que está pensando, hein, mocinha?
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  Luke abraçou-me apoiando o queixo em meu ombro. Sorrimos, por já saber a resposta.
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  — , … Você o ama. Por que ficar tão distante quando é claro que vocês querem estar juntos?
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  — Eu já falei, Luke. Não antes de ter certeza de que Luan entende onde errou.
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  — Mais certeza? É só você se atentar ao olhar dele…
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  — É fácil se confundir agora Luke. Estamos nos reencontrando depois de tudo. E se dermos um passo apressado e depois nada mudar?
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  — Você pensa demais, pensa muito para quem sente tanto.
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  Beijou minha bochecha e saiu do quarto deixando-me. Fechei os olhos por um instante e lá estavam meus pensamentos vagueando novamente em Luan, seus olhares, trejeitos e sorrisos. Seu cheiro, sua voz, sua presença.
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Narração por Luan

  A lua estava mais brilhante do que em qualquer noite desde que eu voltara. Ela estava livre de novo. Ela estava próxima de novo. Por mais que não da forma como eu gostaria, já era alguma coisa. Eu estava deitado na espreguiçadeira da piscina encarando aquele céu estrelado. Com o brilho das estrelas copiando o brilho dos olhos dela. Num simples piscar, as memórias daquela noite vinham: nós três como uma família feliz cantando juntos, conversando, rindo… Nós, como uma família tão perfeitamente intacta, que não parecíamos ter passado um turbulento ano, separados um do outro. Como eu a desejava! Minha vontade era de agarrar-lhe ao saber que ela estava livre do Pedro, e de levá-la em meus braços para o seu quarto quando começamos a iniciar o diálogo sobre o passado.
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  Outro piscar de olhos e, memórias mais antigas reverberavam meu coração. Um arrepio leve percorreu meu corpo se denunciando em meu tórax nu abaixo da lua. Não era sensação de frio, era o tesão saudoso do corpo de . Eu precisava do perdão dela, mais do que tudo, eu precisava retomar meu espaço em seu coração. E aquela viagem para o sítio deveria ser a grande chance da nossa reaproximação definitiva.
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Tempo Passado
Narração por

  Depois daquele primeiro show, muitos outros vieram. E paparazzi, e coletivas de imprensa em que Luan nos denunciava. Até o momento em que ele foi convidado a participar de um quadro no programa do Luciano Huck e eu era convidada surpresa. Eu não queria aceitar nada daquilo. Jamais aceitaria participar da fama do Luan, e em tudo achava que o prejudicaria. Mas, Ana garantiu que seria ótimo revelar tudo, para os dois, e de primeira mão no programa do Luciano. Assim que acabou o quadro, o Luciano anunciou ao Luan uma surpresa. E eu sorria observando meu oculto namorado, confuso e curioso, mas meu sorriso também representava apreensão. Estava com medo de decepcioná-lo de alguma forma.
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  — Luan, lembra aquele jogo de criança “verdade ou consequência”?
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  — Deus do céu, Luciano o quê ‘cê tá aprontando, rapaz?
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  — Eu nada! Você é quem está aprontando com a mídia, seus fãs, cheio de segredos. Eu, como seu amigo, e os seus fãs queremos extrair toda a verdade de você.
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  Luan o encarava confuso e apreensivo. Certamente não estaria daquele jeito, mas como tínhamos um segredo todo programa de televisão que nos mencionava, o deixava desconfortável.
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  — Produção, a surpresa está pronta? — A produção do programa fez sinal positivo e o Huck continuou a falar: — O Luan não sabe, mas eu pedi para a produção chamar uma pessoa aqui hoje. Alguém que eu estou muito curioso para conhecer, e acredito que todo mundo que acompanha o trabalho deste cara.
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  Ele parou de falar para uma câmera, e virando-se para o Luan afirmou:
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  — É claro que eu jamais faria isto se soubesse que você ficaria chateado comigo, pelo amor de Deus, longe de mim e da minha produção. Mas, a sua assessoria concordou e disse que seria uma surpresa muito boa que você gostaria de receber aqui no palco do Caldeirão. — Luan o encarava com sorriso constrangido e expressão de confusão, e seus olhos procuravam por Ana, perdidos como quem tenta descobrir o que era então o Luciano prosseguiu rindo: — Sem mais delongas… Por favor, sinta-se muito bem-vinda !
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  O apresentador me anunciou e eu entrei sorrindo, ainda acanhada. Luan me olhava descontraído tampando o rosto, levou as mãos a cabeça e mexeu nos cabelos, nervoso. Era um hábito dele. Eu já estava corada quando entrei e ao encarar Luan, eu não sabia como agir. Ele estava surpreso, mas, sem dúvidas depois de toda a enrolação do Luciano, ele já desconfiava que tivesse alguma coisa a ver com nós dois.
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  Fui até o Luciano cumprimentá-lo primeiro, e ele era extremamente simpático. Me abraçou e ao separar-me dele eu encarei Luan vindo até mim, e pensei: “Vou apenas pegar a mão dele, e esperar a reação”. Entretanto, Luan estava a fim de acabar com aquilo tudo, e gargalhando me abraçou apertado e me beijou. Escondeu nosso beijo com seus braços. Ouvi a plateia comemorar e o Luciano dizer coisas em meio a risos.
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  — Esquece o jogo gente, o Luan já jogou a verdade no ventilador. — disse o apresentador assim que o encaramos.
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  — Rapaz, eu sabia que tinha alguma coisa a ver com ela, e já que eu estou em casa… Eu ‘tô em casa Luciano?
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  — Ô! Sempre, pode ter certeza que eu e minha equipe te consideramos cria da casa.
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  — Então! A gente não tem que levar a namorada em casa e apresentar pra família?
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  Dito aquilo, todos comemoravam de novo e Luciano abraçou a nós dois, e parecia realmente feliz.
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  — , mas você está muito calada! — Ele falou me olhando divertido: — Cara, a primeira vez que eu chamo a menina no programa e já apronto esta exposição toda com ela!
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  Luciano ria e falava conosco como se realmente estivéssemos na varanda da casa dele. Ele perguntou como nossa história começou, e contamos tudo. Ou quase tudo.
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  Antes daquilo, minha vida já estava turbulenta com as especulações da mídia, da família e amigos sobre o assunto “é você sendo flagrada com Luan frequentemente?”. Após a revelação, é que virou realmente um furacão. No palco do Caldeirão, Luan me promoveu como a “melhor fisioterapeuta que existe”. Contou que eu trato das lesões dele, embora ele não seja de se machucar muito:
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  — Mas, a melhor lesão que ela cuida e trata de maneira ímpar, é a lesão do amor que ela deixou no meu coração.
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  Ele disse e todo mundo adorava quando ele era fofo. Um tanto piegas, mas os fãs adoravam. E eu, de certa forma também. Acabei sendo entrevistada naquele programa, e em outros, e ganhando uma legião de fãs. E com tudo isso também veio os haters. Graças a Deus, as pessoas gostavam muito de nós dois juntos. Em pouco tempo, Luan e eu estávamos no topo dos “casais favoritos” da mídia, do público, e a nossa imagem se tornou um marco.
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  Devo a ele o sucesso relâmpago da minha carreira. Eu teria demorado um pouco mais a chegar aonde cheguei. E tive outras opções de carreira que nunca havia cogitado: teatro, cinema, novela, música, reality e tudo o que a mídia pudesse oferecer. Fiz alguns trabalhos: comerciais, modelagem e fotografia, participei de alguns clipes do Luan, e estive fazendo pontas em novelas. Ponderei realmente, uma segunda carreira. Entretanto, no momento em que eu não tive o Luan, eu evitei tudo isso. Não queria falatórios de que me aproveitara dele. E mesmo evitando, as fofocas vieram forte. Tive outro motivo também: o Miguel. Eu me dedicaria a ele e à minha clínica, e só.
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  Uma vez no programa da Eliana, Luan participou e ao ser perguntado sobre casamento, ele dissera que estava planejando o melhor pedido de todos os tempos. E eu assistia no sofá da casa dos meus pais, o Luke esperneava gritando de felicidade no celular, meus pais e familiares riam comigo. E eu também pulava no sofá.
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  “Esse já foi o melhor pedido de todos os tempos”, eu pensava ao ouvi-lo no programa. Luan havia dito em rede nacional que pediria minha mão. E já era o suficiente para mim. Entretanto, um dia, em minha clínica, pleno horário de trabalho, o meu telefone tocou com uma chamada dele. E ele me deu coordenadas de sair da clínica, subir ao prédio da frente até a cobertura. E lá estava eu, saindo da clínica e atravessando a rua. Entrando no prédio vizinho e subindo à cobertura. E quando cheguei nela, não havia nada.
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  — Luan! Eu estava trabalhando, que ideia é esta de tirar uma com a minha cara? Eu achei que…
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  — Calma, . Agora olha para o norte.
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  Fiz o que ele pediu, e Luan me enrolava com coordenadas estranhas. Eu já estava me irritando, mas o barulho de hélice de helicóptero foi ficando mais forte. E quando olhei para trás, o helicóptero levantava-se atrás de mim, e ganhava altura. Luan, com um microfone e um megafone — que sinceramente ouvia-se pouco pelo ronco das hélices tão próximo — sentado à porta da aeronave cantava para mim. E bem ao topo de minha cabeça, outro helicóptero se abriu caindo sobre mim várias pétalas de rosas vermelhas e brancas, e vários cartõezinhos dizendo: , você aceita se casar com Luan Santana?”.
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  Aquele dia foi uma euforia de confusão e alegria. Na avenida abaixo de nós, várias pessoas se reuniam nos aplaudindo. Aquilo se tornou não só um viral na internet, pela chuva de vídeos amadores no youtube, mas também, tornou-se cena de um clipe dele depois de um tempo. E eu nem sabia que naquele dia, havia uma câmera nos filmando no segundo helicóptero. Ana surgiu ao meu lado com um megafone e eu gritei “sim” para ele. E desde então, as pessoas que conseguiram pegar um daqueles papeizinhos os guardaram como relíquia da nossa história de amor.
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  O nosso casamento foi celebrado em Minas Gerais, tivemos uma festa de campo num sítio maravilhoso, uma cerimônia incrível e singela – apesar da lista enorme de convidados que extrapolou qualquer número que eu pudesse imaginar para meu casamento um dia – o evento mais memorável de toda a minha vida, mais até que a minha formatura. A cerimônia cheia de amigos, familiares, celebridades e não podíamos escondê-la dos fãs. O programa do Huck, mais uma vez em nossa história, filmou todo a cerimônia e exibiu. Recorde de audiência. E a nossa casa, foi comprada em Belo Horizonte. Luan, abriu mão de morar em São Paulo para não movimentar mais ainda a minha vida.
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  Cerca de seis meses depois, eu estava grávida de Miguel. E por mais que parecesse algo planejado entre nós, não foi. E assim como ele me surpreendeu no pedido de casamento, eu o surpreendi com a notícia. Ana, nossa cúmplice em tudo, me ajudou: eu fui de surpresa a um show dele no Rio Grande do Sul, e entrei no palco, no momento em que ele cantava “Chuva de Arroz”, a nossa música. Na minha barriga descoberta estava escrito “Parabéns, papai”, e em minhas mãos um par de sapatinhos. Entrei cantando de surpresa: “vai ser nossa cidade, nosso telefone, nosso endereço e nosso apartamento…” e quando ele me olhou surpreso parou de cantar, correu até mim e me beijou. Só depois se deu conta da cena. Ele estava em êxtase pelo show, e por minha presença, mas ao ler minha barriga e notar os sapatinhos, colocou as mãos no rosto e começou a chorar. Seu público continuava a música sem parar. Luan me puxou num abraço apertado, emocionado e me beijou longamente, e todos gritavam “Parabéns papai!” num coro carinhoso.
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  — Obrigada a todos vocês pelo carinho! Estão sendo os primeiros, a saber: EU VOU SER PAI!
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  Me abraçou, rodopiou, beijou, chorou e cantou a última música. Nossos celulares não pararam de receber mensagens e ligações de felicidade. Ana havia transmitido no instagram dele e no meu, a surpresa que agora todo mundo sabia. Nosso relacionamento tornara-se um evento público. Tudo, exatamente tudo o que fazíamos os nossos fãs sabiam. Naquela semana, outro vídeo nosso se tornando viral: a revelação no show.
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  No dia da primeira consulta médica, ele voltava de mais um show e fez um story dentro do jatinho, contando o quanto estava nervoso pela experiência e implorando para eu esperá-lo chegar até entrar no consultório. Depois, no dia da primeira ultrassonografia, ele e Rick postaram uma foto ao meu lado, onde nós três segurávamos a foto do nosso bebê.
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  Na minha rede social a legenda: “Eu só tenho a agradecer a Deus por você, meu anjo Miguel. Mal consigo esperar a passagem destes meses, quero muito te ver nos meus braços, meu bebê!”.
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  Na legenda do Rick, o empresário dele: “Que Deus lhe dê muita saúde e que você venha forte para brincar com o titio, garotão!”.
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  Na legenda do Luan: “Eu não tenho palavras para descrever o imenso amor que sinto, a gratidão, a felicidade e a ansiedade! Eu nunca imaginei que um amor assim fosse possível! O meu filho, o meu garoto, o nosso anjo Miguel está forte e crescendo saudável. Obrigada pelo carinho de todos que vem nos acompanhando e torcendo por nosso amor! @Oficial eu te amo demais, e jamais terei como agradecer por este presente maravilhoso que é o nosso filho, fruto deste amor tão absurdamente surreal que sentimos. Obrigada por não ir embora ao amanhecer daquele dia. Eu te amo, minha vida.”.
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  Eu não consegui conter as lágrimas ao ler a legenda dele. E assim, a minha gestação foi sendo acompanhada por uma legião de fãs e amigos. Quando o Miguel nasceu, foi uma euforia coletiva maravilhosa, e como no dia da notícia da gravidez, nós recebemos mensagens uma atrás da outra. Luan deu uma pausa nos shows quando ele nasceu. E foi uma turbulência, porque a agenda dele já estava cheia, e ao fazermos o cálculo do nascimento, ele trabalhou dobrado nos outros meses para estar conosco da hora do nascimento até o sexto mês do Miguel.
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  Ele esteve em casa, até os exatos seis meses, e depois voltou a trabalhar. E a primeira música que ele lançou ao retornar aos palcos após a breve pausa foi em parceria com a cantora Belinda chamada “Meu Menino (Minha Menina)” que nas entrelinhas de nós dois falava muito da maneira como lidamos com o sentimento após nosso primeiro encontro.
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  Depois que o Miguel nasceu nós tivemos momentos incríveis em família, porém, cada dia, mais curtos. A carreira do Luan decolava numa rapidez absurda, e eu havia focado na minha carreira de fisioterapeuta após sair da licença maternidade. O tempo parecia ficar contra nós, e céus, como eu sou grata à Berta que esteve ao meu lado como babá e governanta! E à Ana, que nos momentos em que Luan — sem tempo para estar em casa — levava Miguel ao trabalho, ela cuidava dele como se fosse seu filho entre uma escapada e outra do pai.
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  Eu começava a sentir o peso da carreira dele entre nós, mas, o que mais me desgastava era a distância dele como pai. Eu precisei ir com Luke, três vezes, ao hospital de emergência com o garoto. Não eram coisas graves, apenas as corriqueiras doenças de criança, porém, eu era mãe de primeira viagem. E Luke, ainda no Rio com o Marcos, nas três ocasiões pegou o primeiro avião para estar comigo e com o afilhado. Era desnecessário, eu dizia, porque meus pais estavam mais perto, mas, Luke fazia questão. O Luan, muito preocupado interrompia o que estivesse fazendo e ligava de cinco em cinco minutos e por saber que ele se importava e detestava não poder estar comigo nestes momentos, que eu relevava a sua ausência.
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  Entretanto, conforme Miguel foi parando de nos dar estes sustos, Luan foi sentindo-se mais confortável para aceitar cada vez mais compromissos. E eu não era a mulher que aceitava o trabalho se sobrepor à família. As rachaduras iam acontecendo em nosso casamento, e nenhum de nós fazia algo para mudar: eu só cobrava, e o Luan só pedia para eu entender.
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  Foi em um dia, turbulento para mim no trabalho, que os tabloides começaram a especular a crise da nossa relação, e eu fui interrompida dentro do meu consultório por uma das minhas colegas de clínica, me chamando à recepção para ver o que passava na TV. Eu fiquei tão estressada e tão irritada que imediatamente telefonei à Ana contando o ocorrido e pedindo para que ela o mais rápido possível desse uma resposta àqueles jornalistas maldosos. O que eu não sabia é que, naquele dia três shows haviam sido cancelados e a equipe do Luan, assim como ele, estavam exaustos e irritados com a surpresa desagradável e a busca pelos direitos judiciais dele. Ana me tratou muito bem, como sempre, e me acalmou. Explicou o que estava acontecendo e logo eu encerrei a chamada para deixá-la em paz.
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  Naquela noite, Luan me telefonou dizendo que voltaria para casa ainda naquela semana. Na sexta-feira, data de um dos cancelamentos, ele chegou em casa e eu fui recebê-lo com todo carinho, apesar de estar estressada com problemas da clínica. Mas, ele não soube deixar de lado os problemas do trabalho dele para estar comigo e com o filho. Me beijou friamente, mesmo não tendo nos visto há semanas, e abraçou o filho apertado. Entrou com ele para o quarto e eu fiquei plantada na sala. Berta me encarou confusa, e eu já estava furiosa. Não fui atrás dele por puro orgulho. Ao jantar, ele comeu calado e Berta decidiu quebrar o clima:
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  — Como foi o seu dia, senhor Luan?
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  — Péssimo, Berta.
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  Fizemos silêncio e ele mal se preocupou em corresponder à educada pergunta dela, ou de refazê-la a mim.
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  — E a senhora ? Como estão indo aqueles problemas da clínica?
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  — Eu vou conseguir resolvê-los Berta, mas parece que tudo vem de uma vez e acaba se acumulando quando se está sozinha para solucionar tudo. Obrigada pela atenção.
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  Agradeci a ela e o meu marido, nem mesmo atentou-se ao que eu disse. Nossa governanta suspirou pesadamente, e após terminar seu jantar se levantou e ficamos a sós para acabar o nosso. Eu percebi que não tinha assunto com meu próprio marido e aquilo matou o meu orgulho. Tentei puxar assunto com ele sobre o ocorrido da fofoca:
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  — Luan?
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  — Hm?
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  — Ana conseguiu ter um tempo, para desfazer aquelas mentiras sensacionalistas sobre o nosso casamento?
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  — Ah , por favor! Você fica se preocupando com fofocas quando temos mais a nos preocupar? Da próxima vez, evite ocupar Ana com estas besteiras! Até parece que não conhece a mídia.
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  — Pelo que vejo não eram tão mentiras assim…
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  Falei e saí da mesa o deixando só. Ouvi Luan bater com os talheres sobre o prato, provavelmente contrariado. Fui ao quarto me preparar para dormir, vesti minha camisola e abri um livro que vinha me acalmando há algum tempo. Antes que eu tivesse tempo de virar a primeira página lida naquela noite, Luan surgiu em nosso quarto, já com seu pijama e preparado para dormir. Deitou-se ao meu lado e se aproximou de mim. Tirou o livro das minhas mãos e me beijou, se desculpou e começou a beijar meu pescoço, fazendo carinhos que eu adorava e sentia falta. Mas, quando ao nos separar de um beijo eu o olhei nos olhos, pude perceber que não estava sendo igual à antes.
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  — O que está acontecendo com a gente? —perguntei.
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  — , não grila com o que a imprensa anda espalhando. Do nosso amor a gente é que sabe.
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  — Como assim “não grila” Luan? Para você não incomoda nada escutar que estamos numa crise a caminho da separação? E o efeito que estas notícias terão em nossas vidas?
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  — Não me incomoda porque eu não tenho tempo para pensar em fofocas. E você também não!
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  — Não parou para pensar no Miguel no meio disso?
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  — , não é verdade o que eles dizem! Que diferença faz?
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  Àquela altura estávamos separados, encarando um ao outro, com clima sério e desconforto.
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  — Faz diferença quando não é verdade e quando não queremos ser alvos de maldade, principalmente porque sabemos o quanto notícias sobre nós podem mexer com nossas vidas de maneira desastrosas. Mas, sobretudo porque há uma criança envolvida nisso tudo.
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  — Se você se importar toda hora com uma bobeira dessas, vamos nos desgastar a toa.
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  — Se você não se importar com o que as pessoas andam dizendo, ou porque não dizer percebendo sobre a sua família, aí sim haverá desgaste.
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  — Eu não tenho tempo para isso , e você sabe disso. E quer saber? Você também não deveria ter, não vive dizendo que o trabalho não pode influenciar na nossa vida?
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  — Você não tem tempo para mais nada há muito tempo, Luan! E eu também sou ocupada com a minha carreira, mas realmente, eu não deixo o trabalho desgastar a minha família! E quer saber? Você anda tão distante de mim e do seu filho que não percebe como esta influência da fofoca, e consequentemente, do seu trabalho, realmente vem atrapalhando a nossa vida. Não sou eu que estou dando atenção a coisas desnecessárias, é você quem não está dando atenção ao essencial.
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  — Vai começar com isso? Eu estou aqui, não estou?
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  — Depois de quanto tempo? Viu como você chegou? A atenção e carinho que você deu a mim ou ao Miguel? Você ouviu alguma das minhas palavras no jantar?
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  — Eu estou de cabeça cheia, !
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  — Eu também! E nem por isso os meus problemas afetam você ou o Miguel.
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  — Sabe… Eu não tenho como abrir mão de tudo o que eu conquistei agora, você já sabia da vida que eu levava quando se casou comigo.
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  — Não fala mais nada.
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  — … — ele abaixou a cabeça suspirando cansado.
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  — Eles estão certos, há uma crise aqui e se você não vai lidar com isto agora, não serei eu.
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  — , não tem crise nenhuma! Não começa a acreditar nas fofocas, amor. — Ele se aproximou para me beijar, mas eu me virei de costas e me deitei.
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  — Boa noite Luan.
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  Aquela não foi a primeira vez e nem a última que dormimos brigados um com o outro. Nós decidimos dar um tempo, um mês antes da turnê mundial que ele faria. Então chegou a turnê e não nos vimos mais. E nos falamos pouquíssimas vezes, apenas pelo Miguel. Luan não havia me visto ou ao filho, e nós não havíamos tido nenhuma conversa definitiva.
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  Dez meses se passaram, e ele voltou para buscar o Miguel após tanto tempo.
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Capítulo 11

Tempo Presente
Narração por Luan

  Depois do meu retorno, dez meses após minha turnê eu ainda não havia tido uma conversa com sobre a forma como havíamos acabado. Na verdade, não havíamos acabado, mas eu cheguei dando de cara com aquele Pedro com a minha mulher. E eu sabia que não tinha direito de reclamar, houve uma separação especulada pela mídia, cuja resposta contrária eu não dei e nem ela. Então, a mentira que contavam se realizou. Não havia divórcio legal, mas havia a separação. Eu também não podia falar nada sobre a relação dela com o tal Pedro, porque, eu mesmo me relacionei rapidamente com outras mulheres entre uma viagem e outra. Então, não podíamos nos declarar ter traído um ao outro, porque a verdade é que a história de “vamos dar um tempo” foi apenas uma maneira de não assumirmos entre nós que havia acabado.
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  Eu fui egoísta, um babaca que não cumpriu as promessas feitas a ela. Um estúpido que colocou a fama na frente do nosso amor. E o pior: não medi as consequências com nosso filho. Eu queria tanto falar com ela sobre nós dois. Na primeira vez que a vi eu tentei, mas minha oportunidade foi desfeita com a chegada do namorado que tomou o meu lugar. E também no dia em que ela aceitou ir ao sítio dos meus pais, comecei a falar acreditando que teria a oportunidade de desfazer aquela distância, novamente não deu.
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  Então, eu decidi que resolveria aquela história enquanto estivéssemos no sítio. Na semana que antecedia a viagem, Rick e Ana surgiram com um trabalho novo, e também inovador. Estávamos na sala da minha casa, quando eles me contaram.
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  — Luan, estávamos conversando com a equipe da gravadora sobre o quanto as letras das suas músicas atraem o seu público por tanto tempo, e o Tiago falou que esta era uma das questões mais recorrentes ao pessoal da gravadora. E aí eu tive uma ideia muito, muito boa, e eu não aceito você dizer que não.
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  — Pra quando seria, Rick? Você sabe que eu acabei de chegar da turnê e quero descansar, aproveitar pra resolver minhas questões pessoais.
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  — Nós sabemos Luan, mas, o Rick e eu achamos que não vai atrapalhar você em nada. Na verdade como você está compondo novas músicas e está mais tranquilo, seria um trabalho leve e acredito que muito divertido para você.
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  — Sei, Ana… Sei…
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  — Luan! É o seguinte: você vai estrelar uma série própria. No estilo reality, onde serão filmados alguns dos seus dias de rotina nestas férias, mas o foco é principalmente filmar você contando a história das suas canções. Como te inspiraram, o que acontecia na sua vida quando você as escreveu, um raio-x total das suas inspirações!
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  — O Rick e eu já pensamos em algumas canções, mas você fique à vontade para escolher, claro!
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  — Ana, Rick… Vocês sabem que no momento, eu preciso recuperar o meu casamento. E eu não quero nada atrapalhando isto.
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  — Não vai atrapalhar, Luan! Na verdade, eu acho que a vai gostar de saber quais músicas tiveram o dedo dela.
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  — Todas! — Rick comentou para Ana em tom sarcástico e voltou a mim dizendo: — Presta atenção Luan! Isto pode ser a chance de você também se desculpar. Imagina só, você contando para a tudo de bom que sentiu com ela e te inspirou nas melhores músicas, e até tudo de ruim que sentiu, a sua pior fase longe dela que foram estes dez meses! As músicas novas escritas no começo da turnê, que tiveram a ver com a separação. Cara! É uma tremenda chance de você falar a verdade para ela e para todo o Brasil!
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  — É Luan, o Rick está apostando numa novidade voltada para a sua carreira, mas acreditamos que será uma boa chance para reatar com a . Ainda mais porque será tudo exibido simultaneamente às gravações.
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  — A rede globo manifestou interesse na ideia.
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  — Pelo visto vocês já negociaram tudo sem me falar!
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  — Luan, não fica nervoso. Nós apenas especulamos se teria aceitação de alguma emissora, e o Huck quando soube da ideia, disse que queria o quadro da série no programa dele, mas nós achamos melhor ser uma produção independente. E a emissora concordou em reservar o horário do domingo antes do futebol, por achar que teria maior índice de audiência.
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  — Eu não sei não…
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  Mais uma vez, eu fui convencido por eles. E depois de pensar um pouco sobre o assunto, realmente achei uma boa ideia. As gravações começaram naquela mesma semana.
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Primeira Semana: Gravações da terça-feira

  Eu seria o próprio apresentador do programa, e a equipe concordou que só entraria ao ar as cenas que eu permitisse e que, aquele trabalho extra se adequaria à minha rotina e não o contrário. Terça-feira era o dia em que eu combinei com a de pegar o Miguel na escola. Agora que eu estava de férias, decidimos prolongar os nossos encontros não apenas para os fins de semana alternados, mas também, alguns dias pela semana – para matar o tempo que ficamos longe um do outro – e ela foi muito adepta da ideia. Outra coisa que eu tive que perguntar se ela concordaria, era este trabalho. As gravações acabariam por envolver o Miguel, e talvez um pouco da imagem dela.
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  Eu tive medo disso exercer uma influência negativa entre nós dois, já que foi o meu trabalho que atrapalhou tudo, mas Ana foi até ela e conversou em segredo sem que eu soubesse. Então quando eu fui falar com a sobre o assunto, deixando claro que eu preferia não envolvê-los, ela disse que não se importava que o nome dela fosse citado por algum motivo desde que com consciência, mas não queria que sua imagem fosse divulgada. Já no que dizia respeito ao Miguel, afirmou que como o pai eu poderia colocar em minha consciência o peso daquilo sobre a imagem da criança, já que sempre fomos tão discretos com a exposição do nosso filho — diferente de nós dois — e era a minha responsabilidade saber se aquela experiência seria positiva ou não para o Miguel, e se ele estaria preparado. Na opinião da mãe, afirmou tranquilamente que o menino adoraria conhecer um pouco mais a rotina do pai e se sentir inserido nela. Apesar da pouca idade, Miguel começava a entender as coisas e poderia ser importante para ele e eu. Afirmou ainda, que não sabendo exatamente do que se tratava o tal trabalho, ela deixaria em minhas mãos a decisão sobre a aparição do garoto no tal reality.
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  Eu ouvia as palavras dela, louco para beijar os seus lábios. Por que eu fui capaz de deixar aquela mulher? Tão sensata e amável, e tão forte e corajosa! Como eu pude passar tanto tempo longe dela e do meu filho?
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  Eu havia decidido que o Miguel participaria, e como combinado com a emissora: tudo o que eu aprovasse iria ao ar, principalmente no que se tratasse do menino.
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  Estávamos eu e uma equipe externa das gravações na porta da escola dele, e o pequeno tumulto gerado na saída da escola — não por minha causa, exatamente, mas pelas filmagens que fazíamos — quando Miguel surgiu sorridente ao lado da professora. Peguei-o no colo e o beijei, me despedindo das outras crianças, mães e funcionários que acenavam para nós. Ana, que estaria a maioria do tempo nas gravações como minha assessora e amiga, no banco do carona conversava comigo sobre aquele tumulto diferente. E uma câmera acoplada na parte de trás do carro nos filmava, Miguel brincava com ela acenando e rindo. A intenção era que parecesse tudo o mais independente, caseiro e real. Por isso, não havia terceiros interagindo, com exceção da equipe externa que gravaria poucas vezes, o carro e nossas imagens de um ângulo diferente, e com exceção é claro, de quando fossemos falar de música no estúdio do programa. Em geral, o meu dia a dia deveria soar como uma gravação própria.
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  — Por que todo este tumulto hoje? Tem sido assim desde que você voltou? — Ana perguntou se referindo à saída da escola.
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  — Não, as pessoas estão acostumadas comigo já… Não é filho?
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  — Todo mundo adora o papai, tia Ana.
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  Nós rimos.
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  — É por causa das gravações. Estão todos ansiosos para saber o que eu estou aprontando desta vez.
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  — Até eu estou ansiosa pelo resultado.
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  — Papai, a gente pode comer peixe?
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  — Peixinho frito, filho?
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  — É!
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  — Claro que podemos!
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  — Onde você vai arrumar peixe-frito, Luan? A Berta já preparou tudo. — Ana perguntou surpresa.
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  — Vamos ao mercado, e depois nós faremos em casa.
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  E assim fiz. Dirigi até o supermercado a equipe filmando nossas compras. Algumas abordagens de fãs por onde passávamos e o Miguel levando o carrinho, adorando o assédio do público. Depois seguimos para casa e entre uma brincadeira e outra com a Berta, ela autorizou que eu utilizasse a cozinha para preparar o peixe com o Miguel. Tudo entrou na filmagem, até Ana almoçando duas vezes escondido.
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  Após Miguel e eu comermos, fazermos a lição dele e brincarmos um pouco no quintal, nós fomos gravar no estúdio, não da minha casa, mas sim da gravadora. Deixei Miguel com Berta e parti com Ana para a segunda parte daquele primeiro dia de trabalho. E aí, o entrevistador — que era ninguém menos que Rick Bonadio — chegou à gravadora para participar.
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  Na quinta-feira houve mais gravações, com a arrumação das minhas malas para a viagem ao sítio. E ali, entrei em discussão com Rick, meu empresário. Ele achava que a festa de aniversário da minha mãe deveria ser filmada, já que, na minha rotina entrou nas gravações a preparação para a viagem. E eu não aceitei. não queria a imagem dela exposta e eu não queria a imagem da minha família num momento tão íntimo após tanto tempo sendo exposta. A saída foi: seriam filmados respectivamente, a minha saída de casa para buscar o Miguel (eu não citaria a presença de Lucas e ) para a viagem. O momento dos parabéns da minha mãe, sem muita exposição dos meus familiares, e principalmente sem a imagem de e Lucas. Eu preservaria os dois de tudo aquilo. E entrariam na filmagem também alguns momentos entre Miguel e eu no sítio. Tudo registrado por alguém da família, nada de equipe por lá. E assim foi feito.
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  No sábado de manhã, eu liguei a câmera do carro e enquanto eu colocava as malas lá dentro, as imagens já estavam sendo gravadas. Eu estava a caminho do apartamento da , quando meu telefone tocou e eu atendi pelo painel do carro. Era a .
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  — Luan, tudo bem?
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  — Oi , tudo sim. E por aí? O Miguel está pronto? — eu havia me esquecido de avisar a ela, sobre a filmagem no carro então decidi disfarçar que alguém além do meu filho, iria.
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  — Sim, eu só liguei para saber se você já está chegando, o Miguel está aqui insistindo de ansiedade para saber.
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  — Estou quase, daqui uns quinze minutos eu chego.
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  — Tá ok, até mais.
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  Desliguei a ligação e fiquei feliz pela discrição dela. Assim que cheguei, estacionei, desliguei a câmera e subi.
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  Ela atendeu à porta e estava linda. Sorriu me cumprimentando e eu entrei. Parei de frente para , a encarando dos pés a cabeça e ela sorriu sem graça.
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  — O que foi? — ela perguntou.
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  — Você está tão linda.
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  Eu disse me aproximando sem nem perceber, e ela deu um passo para trás. Só então consegui notar a minha aproximação quando a vi se afastar levemente.
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  — Você também.
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  Ela respondeu sorrindo e tocou meu braço indicando-me a acompanhá-la. Ela havia fugido de mim, e eu já tinha reparado que em todas as oportunidades que tentei me aproximar, vinha se esquivando. Não consegui aceitar aquela verdade. Será que ela não me amava mais?
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  A acompanhei enquanto adentrava os cômodos do apartamento. O vestido com decote marcado e acentuado na cintura, solto e esvoaçante a partir dos quadris. De um tecido que eu não sei qual é, mas que a deixava sensual e confortável, na cor vermelho carmim, surtiu sobre mim como um ímã. Eu não consegui desgrudar os olhos do corpo dela, e o que eu mais queria era arrancá-lo diante às memórias que pairavam em minha mente. Meus devaneios foram interrompidos com Miguel, em seu quarto pulando sobre mim assim que cheguei.
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  — Papai! — Ele gritou assim que entrei no seu quartinho e eu o peguei no colo.
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  — Pronto para ver a vovó e toda a família?
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  — Muito, muito! — Ele respondeu animado.
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   pegou a mochilinha dele e eu, ainda com Miguel ao colo, tirei a mochila de suas mãos numa forma não só de cavalheirismo, mas também, de sentir a sua pele de novo.
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  Já na sala, Lucas puxava três malas para a saída. Ao ver aquelas bagagens, me animei mais do que o normal, porque era a confirmação da verdade: e eu viajaríamos e estaríamos juntos por todo o fim de semana. A família toda, unida novamente.
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  Ela e Miguel desceram sendo seguidos por Luke e eu com as bagagens. Mais que imediatamente, Lucas entrou com o afilhado na parte de trás, como se armasse para ir ao meu lado. Ela não ligou a mínima para aquilo. Não havia motivos, na verdade, para que agíssemos como adolescentes tímidos, contudo, ainda assim, eu encarei meu compadre pelo retrovisor e sorri agradecido. E ele entendeu.
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  Lucas era um cara sensacional! Eu tive a sorte de ganhar um compadre e um cunhado postiço como ele. Sempre tão positivo em tudo e companheiro em minha relação com a , além de ser cuidadoso com nosso filho e conosco. Ela trouxe à minha vida, as melhores pessoas e lembranças.
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  Fizemos uma viagem tranquila, divertida e alegre até o sítio. Assim que chegamos, a família estava toda na varanda da casa nos aguardando, notei mudar seu semblante quando passamos a porteira. Estacionei e Lucas desceu rapidamente com meu filho. O menino saiu correndo na direção dos avós e já presenciávamos uma farra de saudade e felicidade com o reencontro. Desafivelamos os cintos de segurança, e antes que ela tocasse a tranca do carro, eu peguei em sua mão sentindo-a gelada:
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  — , não precisa ficar nervosa. Eu te garanto que todos estão ansiosos e felizes em poder rever você.
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  — Eu sei, a sua família é um amor. Sempre foram magníficos, é só… — Ela encarou meus olhos de uma maneira mais calma, e tocou a minha mão sobre a sua: — Uma sensação estranha de nostalgia.
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  — Isso não é bom?
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  Toquei seu rosto com leves carinhos e ela tirou minha mão de sua face, sorriu e respondeu:
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  — Eu não sei.
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  Desceu do carro e eu a acompanhei. Fomos recebidos com a mesma euforia e alegria de antes. Todos sentíamos saudades uns dos outros. Mamãe me abraçou e abençoou-me a testa e logo puxou a todos nós para a área de lazer onde os preparativos do aniversário estavam sendo feitos.
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Capítulo 12

Narração por

  Fui bem recebida como sempre havia sido e não duvidava daquilo, apenas estava nervosa após tanto tempo. Minha ex-sogra me abraçou e sussurrou para mim, o quanto estava emocionada e feliz por receber a nós três: Lucas, Miguel e eu. Assim também foi com o meu ex-sogro. Minha ex-cunhada me puxou pela mão, após eu ter cumprimentado a todos, me levando para a área de lazer onde estavam os preparativos. Ela bronqueou comigo por eu não telefonar avisando a ela que viria. Apesar da separação, nós mantivemos contato por telefone, a família de Luan e eu, mas, era diferente estar com eles pessoalmente. Embora a separação não tivesse afetado nossas relações, eu fui incapaz de levar o neto para ver os avós e a tia. E aquilo gerava certa culpa em mim.
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  Ao nos ver caminhando afoitas para fora da casa, como nos velhos tempos, Luan sorriu para mim e eu para ele. Lucas já estava na cozinha ao lado de Marta, a mãe de Luan. Lá fora, eu me senti à vontade com Fernanda para ajudar na arrumação da decoração e conversar.
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  — Não sabe como estamos felizes em te receber, !
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  — Eu também estou muito feliz por estar aqui de novo!
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  — Mas por que não me contou que vinha? E por que não apareceu mais?
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  — Ah Nanda… Esta situação toda com o Luan, embora não tenha afetado nossas relações, me deixou muito insegura de vir. Eu sei que no fundo foi uma bobagem, mas acho que também foi uma forma de fugir da situação…
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  Ela soltou as coisas que segurava, e me chamou para sentar em um dos bancos de frente para ela. Também larguei o que eu fazia para conversar seriamente. Assim que sentei no banco, Fernanda me abraçou. E eu retribuí. Depois, sorrindo ela começou a falar:
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  — Luan telefonou avisando que viria para a comemoração, mamãe estava ansiosa para saber se ele já tinha falado com você e visto o Miguelzinho. Ele respondeu que sim, e então ela fez o convite através dele. Eu achei uma viagem ela não te ligar para chamar, mas como você estava afastada ela se sentiu envergonhada, acredita? Achou que você não queria contato e era melhor respeitar sua decisão.
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  — Céus, imagine! Eu preciso me desculpar com todos vocês por ter me afastado assim.
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  — Deixe disso, não é como se não tivéssemos conversado mais.
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  — Mas eu não os visitei nenhuma vez.
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  — Nem nós a você. Não fique preocupada com isso, para nós é como se nada tivesse mudado, viu?
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  — O Luan me disse.
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  — E você decidiu vir aqui, logo com ele? Confesso que estou curiosa, já que não quis vir sem ele para nos ver…
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  — Eu não aceitei de cara, achei que não era certo porque não estamos juntos. Mas, ele, Miguel e o Luke me convenceram, e então achei que por ele ser realmente o membro da família era mais correto aparecer com ele, mesmo.
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  — Você é da família, mulher! Não fale asneiras!
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  — Obrigada por este carinho, Nanda.
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  — Você ainda é a nora dos meus pais e minha cunhada. Eu falo sério. — sorri ao ouvir o que ela disse.
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  — E depois, eu ainda amo vocês! — confessei: — No fundo eu fiquei ansiosa pra vir, só não queria dar o braço a torcer pro Luan não achar que poderia ter a ver com ele.
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  — Nós também te amamos, você sabe. Mas, … E o Luan? Você ainda ama o meu irmão?
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  Ponderei se deveria falar a verdade. Entre Fernanda e eu sempre houve uma amizade cúmplice. Eu sabia que o que conversamos ficaria entre nós.
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  — Amo. Da mesma maneira de antes, talvez até mais, depois de ter ficado tanto tempo sem ele.
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  — Ele também sente o mesmo. Não teve outra pessoa para ocupar o seu lugar, acredite… E vocês já conversaram sobre isso?
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  — Não, ainda não tivemos oportunidade de falar do passado.
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  — Passado, ? Vocês se amam… Por que não reatam de uma vez, e esquecem o que aconteceu?
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  — Eu ainda não tenho certeza do amor dele, Nanda… E… Ai… É complicado…
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  — Tudo bem! Não precisamos falar disso agora! Só quero que saiba que nada deixaria nossa família mais feliz do que vê-los juntos de novo.
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  Agradeci ao carinho de minha ex-cunhada. E logo, o pessoal foi chegando para ajudar na arrumação. Luan e eu estávamos nos aproximando aos poucos, mas sem tocar em qualquer assunto do nosso passado ou futuro. Miguel estava radiante.
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  Naquele dia, enquanto arrumávamos as coisas, entre um afazer e outro eu fui para a cozinha ajudar à Marta. Me desculpei com ela e com meu ex-sogro pela atitude de me afastar. Eles entenderam, compreensivos e amorosos externaram as mesmas palavras de Fernanda e até mais. Disseram o quanto apoiam que eu e Luan nos entendamos.
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  À noite, quando alguns tios e primos chegaram para a festa com seresta, a reação ao me ver foi novamente positiva. Alguns acharam que estávamos juntos de novo, e com Luan ao meu lado neste momento, nos entreolhamos sorrindo sem graça, mas nem ele e nem eu desmentimos nada. Entre nós havia uma conversa por olhares. Sempre houvera. E sabíamos que não era a hora de tirar o foco daquele encontro, explicitando para um ou outro em que pé estava a nossa separação. Apenas deixamos as pessoas pensarem o que quisessem enquanto a festa divertia a todos.
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  Em certo momento, após os parabéns, eu estava voltando do quarto de Miguel que caíra no sono exausto por tanto brincar e comer, todos ainda estavam reunidos à fogueira e, enquanto eu caminhava de encontro a eles não notei Luan se aproximar com uma bandeja de copos de caldo quente. Nós nos esbarramos e derrubamos o caldo na bandeja, em nossas roupas e Luan queimou a mão.
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  — Luan! Me desculpe, pelo amor de Deus! Você se machucou? — Eu peguei a mão dele, depois de ajudá-lo a colocar a bandeja sobre a mureta da varandinha perto de nós.
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  — Não, não foi nada! ! Eu te sujei inteira isso está quente! — falou segurando meus braços sem saber o que fazer.
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  Luan era estabanado em situações de acidente, se atrapalhava todo quando queria ajudar. Eu ri discreta, e embora estivesse mesmo quente, puxei ele para dentro de casa.
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  — Vem larga isso aí! — me referi à sujeira no chão: — Depois limpamos. Está mesmo queimando, vamos entrar e tomar um banho frio para não piorar.
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  — Juntos? — Ele perguntou assustado, quase mais animado do que surpreso de fato.
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  Eu achei que fosse sacanagem até notar que ele realmente estava em dúvida, então Luan se aproximou devagar e antes que me beijasse, eu coloquei a mão sobre seus lábios.
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  — Você bebeu mais do que deveria, pelo visto. — falei e ele suspirou descontente, abaixou a cabeça sorrindo envergonhado.
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  Minha mala estava no quarto do Miguel, e eu fui buscar roupas limpas para mim enquanto Luan, que havia se queimado mais, foi ao banho frio se limpar e aliviar a temperatura do seu tórax que havia sido alvo de mais caldo quente do que deveria. Não demorou muito e quando ele saiu do banheiro, eu entrei. Já saí vestida com um pijama de moletom encontrando Luan na sala, em seguida, me aguardando com uma pomada de primeiros socorros, porém, como eu também tinha guardada na mala, eu já havia passado. Agradeci e segui em direção à varanda:
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  — Vamos lá limpar aquela bagunça?
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  — Espera … — Luan pegou-me pela mão e me puxou para o sofá: — Eu quero conversar com você.
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  — O que houve?
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  — Nós dois . Nós precisamos conversar sobre o que houve.
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  — Luan… Não acho que seja a melhor hora.
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  — Se você não quiser falar sobre isto agora, tudo bem, mas amanhã então nós falaremos. , por favor, eu preciso que você me escute.
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  — Tudo bem… Pode falar.
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  — Er… Eu ensaiei tantas vezes como começaria a falar de nós dois, mas… A verdade é que eu preciso falar da falta que senti. Da falta que você me faz todos os dias, desde o primeiro momento em que saí por aquela porta. Eu não quero que você se sinta culpada pelo Miguel, aquele dia na sua casa eu estava falando sobre isso, quando o Pedro chegou e… Enfim, a culpa foi toda minha, . Eu negligenciei a nossa família, você estava certa o tempo todo! Eu fui egoísta e só pude notar algum tempo depois, quando estava sozinho e pensei em tudo.
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  — Eu também senti a sua falta. Não foi só culpa sua, se chegamos ao ponto de não conseguir resolver uma questão tão pequena, como hoje percebo que foi, eu também tive culpa por não ter sido mais flexível em dialogar, mais paciente.
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  — Não, ! Você foi paciente até demais! Eu… Eu ainda te amo, não deixei de amar nenhum segundo e juro que farei de tudo para recuperar o nosso casamento, ou o nosso amor se você ainda me ama…
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  Fiquei em silêncio o encarando, as lágrimas começando a formar um borrão.
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  — E você? Sente o mesmo, ou eu fui idiota o suficiente para destruir tudo?
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  — Luan… É claro que eu te amo, eu olho para o Miguel todos os dias e lembro de você. Não tem como apagar tudo o que vivemos assim.
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  — Então, me perdoa? — ele disse se aproximando mais e segurando o meu rosto, rapidamente eu retirei sua mão dali.
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  — Eu já perdoei. A questão não é esta…
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  — Então me diz, como eu faço para consertar tudo?
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  — É como eu disse, não tem como apagar tudo o que vivemos assim em pouco tempo, eu não sou assim… E isto inclui os momentos ruins também. Aconteceram tantas coisas Luan, que…
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  — Você está certa! — ele me interrompeu: — Eu errei muito e prometo que vou consertar as coisas, só me diz como eu posso substituir todas as discussões e reconstruir nossa relação.
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  — Não se trata disto Luan. Não é um brinquedo quebrado para você consertar, ou como ter uma borracha para apagar as palavras ditas como se elas nunca tivessem existido. Para nós conseguirmos reconstruir tudo, eu preciso confiar em você de novo. Confiar que você entende a diferença entre querer estar contigo ao meu lado pra tudo, e querer separar você do seu trabalho. Você me acusou de absurdos que me feriram muito, Luan. E embora eu saiba que, foi no calor do momento, como vou saber que não acontecerá de novo? Que você entende a diferença de tudo, e está disposto a conciliar a sua família com o seu trabalho? Eu não quero passar por aquilo mais uma vez.
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  — Eu juro que me arrependo de tudo o que eu disse. E eu sei do que você está falando agora, e eu entendo a sua posição. Eu entendo que se trata de confiança, e eu vou provar para você que eu mudei, que te amo além de tudo o que nos separou… Você deixa eu tentar?
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  — Não tem ninguém, que queira mais que você prove que mudou, do que eu.
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  Nos abraçamos e logo fomos para fora da casa, limpar a bagunça que fizemos. Em seguida me despedi de todos na fogueira e fui dormir. Ou tentar. A conversa com ele, por menor que tenha sido me atormentou. Eu queria tanto me entregar a ele de novo, mas, a maldita insegurança — rastro do trauma antigo entre nós — me impedia de simplesmente esquecer o passado e seguir ao lado dele.
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  Na manhã seguinte todos nos reunimos à mesa de café como uma família, de novo. Luan e Miguel saíram para passear pelo sítio, e segundo Lucas, eles filmariam algumas coisas para o tal reality. Então eu e meu irmão postiço também fomos passear. Fernanda selou dois cavalos para nós e fomos cavalgar um pouco. Eu não fazia aquilo há muito tempo, e no caminho eu repensava na conversa anterior com Luan. A brisa amena das pradarias chocava-se em meu rosto e misturava-se às lágrimas fracas que caíam. Logo decidi parar de pensar naquilo, porque se tornava inevitável o choro, e conhecendo Luke como eu conhecia ele iniciaria seu discurso de esquecer tudo de uma vez e me jogar nos braços de meu ex. Eu queria aquilo, só que não poderia prosseguir com as incertezas em meu coração.
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  Depois do passeio, almoçamos e jogamos baralho, um hábito dos domingos pela tarde na família na hora do café. Como íamos embora no domingo à noite, pelos compromissos da segunda-feira, Luan, Lucas, Miguel e eu nos preparamos para irmos. Primeiro subi com Miguel para arrumá-lo antes de me arrumar, e assim que meu filho desceu eu fui ao banho, retornando ao quarto dele em seguida.
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Narração por Luan

  Meu filho desceu alegre apesar de saber que íamos voltar para a cidade. Lucas já havia se arrumado e eu estava terminando de colocar as minhas bagagens no carro. Mamãe, papai e minha irmã insistiam para que fôssemos embora ao amanhecer, mas não podíamos. Lucas prometeu-lhes que faria voltar em breve com Miguel, e minha família afirmou que não a deixaria se afastar mais, agora que sabiam os motivos pelos quais ela não apareceu.
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  Quando entrei em casa, todos conversavam na sala e eu subi para perguntar à se podia colocar as bagagens dela no carro, então abri a porta do quarto do meu filho para pegar as coisas dele, mas por algum motivo deixou as coisas dela ali e desconfiei que ela tenha dormido com Miguel ao invés de utilizar o quarto de hóspedes. Fiquei com aquilo na cabeça, mas não naquele momento, pois na hora que abri a porta me deparei com a cena mais linda: se vestindo. Ela estava de costas à porta, de calcinha e cabelos molhados jogados pelas costas. Ela vestia seu sutiã quando a abordei e não pude fazer nada a não ser olhar. Entrei devagar e fiquei parado, estático, escorado na porta do quarto em silêncio. Eu tinha certeza que não se importaria se me flagrasse a observando, mas eu sabia que se me aproximasse na calada ela ficaria ofendida. Então me contentei apenas em observar. Contra meus próprios instintos. Ela se virou de repente, abotoando sua calça jeans e ao olhar para cima me flagrou. Sorriu de canto, pegou a toalha sobre a cama e secava os cabelos me olhando nos olhos. Ambos em silêncio, naquele deja vú, tão conhecido. Então, rimos um para o outro.
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  — , eu vim perguntar se posso descer com as bagagens, mas… Não consegui falar, só observar.
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  — Estou vendo. — Ela sorriu: — Tudo bem, não é como se não conhecesse cada parte do meu corpo, não é?
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  — Conheço todas, e nunca as esqueci.
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  — Certo… — Ela falou mudando o tom e a expressão — Pode deixar que eu desço com as malas.
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  — Tá bem, qualquer coisa me chama.
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  Caminhei até ela que já penteava seus cabelos e pude perceber o seu corpo enrijecer de ansiedade com a minha aproximação. Parei em sua frente, nossos corpos quase colados, e encarei de seus olhos até seus seios escondidos na peça íntima e sorri encarando novamente o olhar fixo dela. Beijei sua testa e dei-lhe as costas saindo do quarto.
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  Recostei-me na porta, pelo lado de fora e fechei os olhos. Até quando eu sofreria por tamanha distância apesar de estarmos tão perto?
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  Fui me arrumar e quando eu estava pronto, todos me aguardavam na sala. Não demoramos mais, apenas nos despedimos e partimos.
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  Deixei os amores de minha vida em sua casa, e ao parar de frente ao prédio, me despedi de meu filho ainda dentro do carro. Ele dormia e Lucas subiu com ele no colo, continuou no banco do carona, e se virou para mim:
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  — Obrigada. Foi muito importante voltar à casa da sua família. Não só por mim, mas principalmente por Miguel.
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  — É a sua família também.
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  — É eu sei. — ela abaixou a cabeça sorrindo sem graça — Luan…
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  Parou de falar, me encarando com olhar aflito. Toquei sua mão, dando-a coragem para falar o que quer que fosse.
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  — Eu não acho que vou me arrepender disto, mas quero que você entenda que preciso de um tempo para entender se a possibilidade de reatarmos será livre dos mesmos problemas.
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  — , eu não vou cobrar nada de você. Eu entendo que foram muitas mágoas que lhe causei, mas também preciso que se desarme dos traumas e foque nos momentos de amor que tivemos.
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  — Eu juro que estou focando neles…
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  Ela falou quase em sussurro e mal pude perceber quão próximos estávamos, até que os lábios dela tocaram os meus. Eu não acreditava naquilo, e diante daquela abertura dela, eu estava em êxtase! Aprofundei o beijo entre nós, e segurava-lhe a nuca com tanta pressão, que meu corpo berrava o quanto eu não queria mais estar longe. E foi beijando-a, sentindo novamente o sabor de sua língua que a ideia me veio à mente. Ela se afastou me fazendo um carinho leve no pescoço e sorriu.
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  — Eu tenho que ir…
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  — Espera! — segurei em sua mão, aflito, com medo de ter sido um delírio — O que eu devo pensar que significou este beijo?
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  — Significa que estou tentando deixar o passado, só não será de uma hora para outra. Vamos com calma.
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  — Entendo. Tem o tempo que precisar. Eu te amo, .
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  — Eu também te amo.
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  Ela saiu do carro, e subiu. Quase dei partida me esquecendo das bagagens. Então saí e retirei-as, mas antes que eu passasse do elevador, Lucas desceu com uma expressão confusa e nos esbarramos no térreo.
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  — Opa! Eu te ajudo a subir.
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  — Não Luan, que isso cara! Pode deixar comigo, já está tarde.
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  — Então tudo bem, eu vou indo porque estou mesmo cansado.
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  — Luan, aconteceu alguma coisa? A estava estranha lá em cima, vocês brigaram?
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  — Estranha como?
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  — Estranha do tipo escondendo algo.
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  — Ela voltou a usar o sobrenome de solteira?
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  — Hã?
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  — Desculpa… Não brigamos não. Ela estava bem quando se despediu.
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  — Sei… — Luke murmurou desconfiado me olhando de cima a baixo, e meneando a cabeça complementou: — E não. Ela não mexeu no nome, até porque vocês não divorciaram.
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  Abracei Lucas de maneira fraterna e nos despedimos. No caminho para casa, a ideia que eu tive foi se formulando em minha cabeça. E seria um risco alto executá-la na chance de perder a de novo, mas eu precisava fazer aquilo o quanto antes. Na manhã seguinte telefonei ao meu empresário Rick, à minha assessora Ana, à equipe da gravadora e da emissora.
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Capítulo 13

Narração por

  Eu não consegui contar ao Lucas na manhã seguinte o que havia feito no carro de Luan. Mas, eu estava tão feliz, que ele me pegou algumas vezes escondendo os suspiros por aquele beijo. E embora não tenha insistido em me perguntar, ele já sabia que algo havia realmente ocorrido entre Luan e eu.
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  Na segunda-feira, eu entrava em minha clínica quando vi a mensagem de Luan na noite anterior em meu telefone:
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  “Só queria avisar que cheguei bem, caso tenha se preocupado. Boa semana.”
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  Sorri com aquele gesto. Me retomava sensações do início do nosso namoro. E naquela noite, ele telefonou para falar com Miguel e não quis falar comigo. Miguel me disse apenas: “Papai não poderá me ver por alguns dias, ele tem trabalho”. Tentei relevar aquela situação. Eu queria acreditar que Luan não cometeria os mesmos erros. E com a história do reality, mesmo estando de férias, seria natural focar no trabalho alguns dias desde que não se tornasse um hábito por todas as férias em que ele deveria curtir o filho.
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  Naquela semana, Luan não deu mais notícias. Marta telefonou-me e ela também não tinha notícias do filho. Foquei em não pensar naquilo. Mas, não consegui. Quatro semanas se passaram e nada de Luan aparecer, uma vez por semana ele falava com Miguel por telefone e meu filho estava aceitando aquela ocasião com muito mais calma do que eu.
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  No fim de semana fomos passear na casa dos meus pais, enquanto Lucas tinha um encontro com velhos amigos do Rio. Conversei com Miguel tentando entender a placidez dele com o afastamento do pai.
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  — Tudo bem mamãe, o papai tá ocupado agora, mas ele vai me ver logo.
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  Eu ficava furiosa, porque mais me parecia que o Luan estava enfiando desculpas no próprio filho e falsas esperanças. Pensei em ligar para ele, buscar explicações. Entretanto, me recordei de que o mais interessado em provar que havia mudado era ele, e por mais que me incomodasse e doesse eu não correria atrás das justificativas. Era obrigação dele, não minha.
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  Na quarta semana de “desaparecimento” dele, eu já não aguentava mais guardar aquilo para mim. Numa noite, pós jantar, eu chamei Lucas para conversar.
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  — O que houve ? Está muito aflita nos últimos dias.
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  — A culpa é minha, Lucas!
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  — Calma, explica direito.
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  — Eu beijei o Luan na noite que voltamos do sítio!
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  — Eu sabia que tinha acontecido algo! Você toda suspirosa pelos cantos, achando que estava escondendo algo de mim!
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  — Lucas, ele me disse que me amava ainda. Que se arrependeu e que provaria sua mudança total. Que reconstruiria a nossa família.
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  — Então, o que houve? Por que não estão juntos?
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  — Por que eu pedi um tempo para ter certeza se ele falava a verdade. Mas… Tivemos alguns momentos de aproximação no sítio e eu fiquei com tanta vontade de beijá-lo que cedi. E este foi o erro! Tenho certeza que ele acreditou que eu baixei minha guarda e que estava tudo resolvido, e olha só: ele desapareceu de novo!
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  — , não confunda as coisas, o Luan não é louco de por tudo a perder assim! Ele terá uma explicação.
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  — Quatro semanas Lucas! Sem aparecer, sem telefonar. E quando telefona fala com o Miguel que vai vê-lo em breve, mas não vem!
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  — Você… — Lucas começou a rir discretamente: — Está sentindo falta dele.
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  — Estou! Mas estou mais com ódio! Ele não pensa no filho?
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  — Miguel está lidando com esta situação muito melhor do que você.
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  — E eu juro que não entendo.
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  Apoiei minhas mãos ao rosto, sentando-me no sofá e então Lucas acariciou minhas costas. Depois de um tempo, ele foi dormir e eu fiquei na sala. Não percebi que dormi no sofá e acordei no dia seguinte com o cheiro do café e uma coberta sobre mim. Olhei para a cozinha e vi Lucas sorrir em minha direção, compreensivo e talvez com pena.
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  Aquelas semanas se tornaram um mês. Eu já havia desistido de perdoar o Luan. Estava magoada de novo, me sentindo enganada e ainda mais ferida por ver que Miguel já estava chateado com o pai. Meu filho me perguntou se o papai não voltaria mais, e eu não soube o que responder. Então menti. Falei que ele ficaria o dobro de tempo com ele, por ter que trabalhar quando deveria estar ao seu lado. Mas, eu não sabia se seria possível aquilo.
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  Saí da clínica mais cedo na sexta-feira. Passei na padaria para comprar os biscoitinhos de queijo, favoritos do Miguel. Quando estava pagando a compra, a moça do caixa olhou a televisão do estabelecimento na parede e disse:
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  — Nossa, eu não vou perder de jeito nenhum!
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  E eu repeti o ato, curioso de espiar o anúncio da TV. O reality de Luan iria ao ar no domingo daquele fim de semana. Uma série especial intitulada “As Canções de Luan”. Eu encarei a notícia como se não fosse nada, mas eu queria sair dali o mais rápido possível principalmente por notar que todas as funcionárias tagarelavam distraídas de seus trabalhos, sobre a novidade.
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  — O meu troco, por favor! — falei alto para a mocinha que distraída falava do assunto com outra.
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  Elas me olharam confusas e fez-se silêncio entre as duas. Saí daquela padaria para casa, e ao chegar encontrei Miguel com Lucas falando sobre a mesma coisa.
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  — Mamãe! O papai vai aparecer na TV!
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  — , estreia domingo o tal reality, seriado, sei lá!
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  — Hm… Que bom filho. — acariciei seus cabelos e beijei seu rosto — Mamãe trouxe biscoitos!
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  Brinquei com Miguel fui para a cozinha sendo seguida por ele, que ria gostosamente. Lucas observava-me da sala. Ele entendia que eu não estava a fim de falar daquilo. E durante todo sábado não tocamos no assunto, mas no domingo foi inevitável. Na hora do programa eu fui para o quarto, porém, Miguel implorou para que eu assistisse com ele. E eu não pude evitar, puxei meu filho em meu colo e Lucas beijou meu rosto, dando-me forças para encarar aquela situação.
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Domingo à tarde, estreia do programa “As canções de Luan”.

  As cenas iniciais eram dele em seu dia a dia com Miguel, em sua casa, depois à noite, ele colocando nosso filho para dormir. E eu não queria assistir nem mais um minuto, meu coração ia se despedaçando por saber que não viveríamos mais aquele tipo de situação juntos. Já Miguel, estava tão eufórico em ver o pai e em narrar como foi aquele dia de gravação que eu apenas sorria falsamente, e fingia que me animava também. Lucas nada falava, ele prestava uma atenção minuciosa em tudo o que acontecia dentro e fora da tela.
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  O segundo dia das gravações mostravam as preparações para a viagem, em seguida Luan indo nos buscar e depois as poucas cenas dele com Miguel no sítio e na festa. Não houve muita exposição da família, e nem de nós, Luke e eu, o que fez Lucas reclamar, pois, ele queria aparecer mais. Os outros dias, eram incorporados das semanas de ausência de Luan. Várias coisas diferentes que ele fez, numa rotina que não era comum quando ele estava de folga: ir à praia, passeios com amigos. O Luan, muito antigamente, nas folgas curtia a família. E quando aparecia na época de trabalho, era apenas o próprio trabalho que ele mostrava. Então, após mostrar todas as cenas da rotina do Luan, Rick Bonadio apareceu na filmagem. Estava dentro de um estúdio de música, sentado em uma cadeira confortável e dizendo para a câmera, parecia não estar sozinho:
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  — O cara é um fenômeno, e muito, gente fina! Apaixonado pelo filho, a cada cinco palavras de todas estas semanas de preparo ele só falava no Miguel. Eu estava quase buscando o garoto para ficar aqui! — disse Rick Bonadio.
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  Ouvimos risadas ao fundo e a câmera focou em Luan sorrindo sem graça, e respondendo também:
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  — Este material que preparamos é totalmente diferente de tudo o que eu já fiz, eu estou muito feliz com o resultado que temos tido, ansioso para saber o que os fãs vão achar e em especial pela reação de algumas pessoas.
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  A câmera direcionou-se a mostrar Anderson Ricardo, o empresário de Luan que explicou melhor ao ser pedido que contasse um pouco sobre a última turnê do pai do meu filho, e também, que contasse sobre este projeto do programa.
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  — Nós estivemos numa turnê de dez meses e no início dela algumas canções foram compostas, lançamos dois álbuns de grande sucesso e o Luan trabalhou pra caramba! Toda a equipe! Quando finalizamos a turnê, ele não queria nem saber de trabalho, estava louco para ver o filho e a família, resolver algumas questões pessoais… Mas, como trabalho de sucesso surge de uma ocasião despretensiosa, eu conversava com alguns membros da equipe sobre o sucesso das canções do Luan, e nos veio essa ideia de fazer um seriado, mais com cara de documentário, reality, sei lá o nome que se dá… — Rick falou de modo despojado e ouvimos risos baixos ao fundo —… Sobre a história de algumas músicas dele. E eu demorei a convencer o Luan de pausar as férias para um trabalho! Mas, no fundo, ele apostou que vai valer a pena revelar muitas coisas aqui.
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  Então, o documentário mostrou a figura de Ana respondendo como era trabalhar com Luan e aquela equipe por tanto tempo, já que ela estava há anos com ele. Ela também falou das expectativas com aquele trabalho e àquela altura eu estava concentrada à TV tanto que nem ouvia direito os comentários de Miguel ao reconhecer os “tios” na televisão. Luke interagia com meu filho à medida que eu me entregava mais e mais à curiosidade de onde aquele projeto iria parar, e o que afinal, eles mostrariam.
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  — Nossa! Trabalhar com o Luan é maravilhoso! Ele é uma pessoa incrível, mas como será mostrado aqui, algumas canções falam da fase mais complicada dele. Que foi depois da separação com , a mãe do Miguelzinho. E isto instabilizou toda a equipe! — ouvir a voz séria e sincera de Ana, me deixou aflita! Ele iria falar sobre a nossa separação naquele programa? Ele não era louco, era!? — Embora muitas músicas tenham sido compostas e lançadas, tenham feito sucesso, o clima de tristeza e cansaço era grande demais para ele, e tudo o que acontece ao Luan reflete na equipe, e na família. Como assessora de imprensa eu tive muito trabalho para tirar da mídia o foco desastroso da separação, não pelo que as pessoas diriam ou pensariam, mas, pelas consequências das notícias sensacionalistas em cima dele, do filho, da própria que eu amo e considero muito, assim como toda a equipe também a ama, e sobre o nosso trabalho. Mas, o programa vai escancarar o Luan Santana como ninguém jamais viu! O Luan está literalmente nu nisto tudo aqui!
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  Rick Bonadio voltou a ser o foco da filmagem e ele olhava para Luan, perguntando:
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  — Luan, o que você tem a dizer da experiência “As canções de Luan”?
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  — Que eu arrisquei algo precioso neste trabalho para fazer dar certo, uma promessa. — respondeu Luan, deixando uma sensação de ansiedade percorrer meu corpo.
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  Depois desta resposta o quadro mudou para uma cena do Luan, cantando um acústico no estúdio, e o título da música aparecendo.
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Discurso Ensaiado (Daniel part. Luan Santana)
Ela me pôs contra a parede
Marcou um jantar com os parentes pra pedir sua mão, oficialmente.
Só tem um problema parceiro, o pai dela é bravo demais, mas não fujo da raia.
Touro eu domo com as mãos pra trás.
Mas eu já fui preparado.
Calcei minhas botas, de couro escamado.
Viola no peito, discurso ensaiado.
Tô indo amor! Me espera, amor.
E foi só eu chegar, que nem precisou de conversa, puxei um modão das antigas e o velho chorou.
Pedi outra moda “xônada” que resumisse o que eu sinto por sua filha amada.
Aí eu puxei mais ou menos assim: é mais do que paixão, é mais do que prazer, amor que não tem fim.

  O fim da música acústica cantada, e Bonadio, agora estava em uma cena de estúdio a sós com o Luan, onde os dois frente à frente batiam um papo, quase descontraído. E as perguntas de Rick se referiam àquela música:
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  — Por que você gravou esta música, Luan?
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  — O Daniel já havia gravado há muito tempo… — respondeu Luan — E eu e a namorávamos quando um dia num encontro sertanejo com o Daniel, ele puxou a música e eu falei “Rapaz, cê acredita que foi assim mesmo quando eu fui me apresentar na família da ?”. O Daniel riu, e disse que eu deveria gravar, me convidou para participação especial num show e logo em seguida eu repeti o gesto. Ele cantou comigo esta música no meu show em Cuiabá e em alguns outros eu passei a incorporar essa moda. É uma canção universal pra cantor sertanejo que vai encontrar o sogro, e eu garanto que dá certo!
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  Eles riam na gravação, e Lucas e eu, ríamos assistindo, porque era exatamente daquele jeito. Eu percebi que baixei a guarda, e logo dei um jeito de voltar ao meu orgulho. Não seria por uma lembrança que eu perdoaria o Luan! Luke foi à cozinha estourar pipoca, a pedido de Miguel, e estávamos aguardando o comercial para isto, mas aí Miguel falou: “Não tem comercial, o papai avisou pra eu não perder nadinha”. Lucas foi correndo para perder o mínimo possível, e eu fiquei pensando em que momento Luan haveria avisado Miguel. Mas, quando os acordes da outra música começaram, eu voltei atenção ao programa:
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Escreve Aí (Luan Santana)
Te falo tanta coisa enquanto tento segurar a lágrima que insiste em cair.
Entro no meu carro, abro o vidro e antes de ir embora eu te digo: Olha aqui, ainda vou te esquecer, escreve aí.
Chego em casa dou de cara com sua foto, uma ducha e um vinho pra acalmar.
E eu penso vou partir pra outra logo, mas quem é que eu tô tentando enganar?
É só você fazer assim… Que eu volto. (…)
É que eu te amo e falo na sua cara, se tirar você de mim não sobra nada.
O seu sorriso me desmonta inteiro até um simples estalar de dedos.
Talvez você tenha deixado eu ir, pra ter o gosto de me ver aqui, fraco de mais para continuar… Juntando forças pra poder falar, que eu volto é só você sorrir.
Que eu volto é só, fazer assim… Que eu volto.

  As últimas músicas escritas e lançadas por ele em turnê, eu conhecia. Apesar de separados e distantes, eu escutava escondido algumas vezes, além disso, o maior fã de Luan era seu filho. Miguel não deixava de ouvir as músicas do pai e quando Luan lançou a demo de “Escreve Aí”, e também algumas outras naqueles meses, eu sentia a dor em cada frase. Mas, me convenci de que nada daquilo era algo que transmitisse realmente a nós dois, ou um sentimento dele sobre nós dois. Por isso, quando Rick começou a falar daquela letra, eu estava curiosa. Descobri que a cada canção cantada, uma história sobra a criação dela seria exposta, e já não adiantava relutar: eu queria saber cada coisa sobre cada música que eu não sabia.
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  — Cara, que letra! Mas, esta não é conhecida. Ou é? Se eu não me engano saiu só a demo dela, nas suas redes sociais.
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  — Esta música é recente! Bem recente. Faz parte do álbum que estou para lançar: 1977. As músicas dele já estão divulgadas na internet, através de algumas demos. Eu voltei para casa há pouco tempo de férias, e as inspirações também voltaram. Depois do lançamento do segundo álbum no meio da turnê, eu escrevi algumas canções não lançadas. E esta foi uma delas, que eu comecei, mas não consegui terminar. A primeira estrofe que vai da primeira até a quinta frase eu descrevi a cena real da minha separação… — Luan parou de falar, e riu um pouco, nervoso: — Caramba, vocês já começaram com as tristes!?
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  — Eu não tenho nada a ver com a ordem das músicas, juro! Mas, quer dizer que você e a tiveram essa discussão? Conta mais!
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  Bonadio brincou e escutaram-se alguns novos risos gerais abafados no estúdio. As gravações daquele momento pareciam ter sido em tempos diferentes.
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  — É, foi exatamente assim… A e eu tínhamos discutido, eu saí de casa, entrei no carro e jurei que esqueceria ela, mas… Cara, eu falei da boca pra fora! Eu estava arrasado, ela também, e eu sabia que não conseguiria esquecê-la, não naquele momento. Mas, eu sou muito orgulhoso! E a também, embora ela tivesse razão e hoje eu sei disso. A música ficou sem final até eu retornar mês passado para casa. Na primeira vez que eu revi a , a letra veio exatamente no primeiro momento em que ela abriu a porta pra mim e eu dei de cara com o sorriso dela. E quando cheguei em casa, eu escrevi… Sem brincadeira… Umas três canções naquele dia, e terminei esta! Consegui terminar de compor em letra e harmonia, outra música também, que se eu não me engano está na lista que vou cantar hoje!
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  — Então você volta num estalar de dedos?
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  — Ela sabe que sim…
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  Ele riu nervoso, fugindo de olhar para a câmera. Eu não podia acreditar na exposição! E algo me dizia que aquele não tinha sido nem a ponta do iceberg. Luan, eu tinha certeza, falaria muito mais sobre nós naquele programa do que eu podia imaginar. Lucas ria e me cutucava feliz ao meu lado no sofá. Miguel estava tão atento ao pai que nem parecia entender o que estava acontecendo. E o Bonadio continuou:
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  — Vocês se reencontraram para conversar?
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  — Não. Nós ainda não conversamos sobre o casamento. Eu estou respeitando o espaço dela, fui eu quem errou. Mas, temos nos vistos por causa do Miguel e tem sido agradável. Sem brigas, e eu já falei a ela que me arrependo, que eu quero mais do que tudo ter a minha família de volta.
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  A câmera focou em Rick Bonadio sozinho, e enquanto Luan se preparava para cantar outra música, o produtor musical fez um comentário pessoal sobre a minha relação com o Luan. Eu estava me sentindo tão nua quanto o próprio Luan, a cada vez que ouvia meu nome.
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  — Eu conheci o casal, desde o início. é mesmo uma mulher fantástica e eu imagino o quanto Luan sofreu. Mas, com todos os holofotes da mídia, o assédio do público não há como não temer uma crise, em algum momento. Eu não sei o que levou à separação, mas tenho certeza que não foi traição! Que isso! Eles se amavam demais! O Luan a ama muito, é notável. E acho que ela também, apesar de tudo. Eu torço realmente para que eles fiquem juntos, e acredito que todos os fãs não só dele, como dela também.
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Certos Detalhes (Luan Santana part. Conrado & Aleksandro)
Esqueça o mundo
Apague a luz e escute só a minha voz.
Tem certos detalhes que insistem em te fazer desistir de nós.
Razão de ir embora e pede pra você se afastar de mim.
Mas tem certos detalhes, que fazem o coração falar mais alto sim.
Eu te conheço há pouco tempo, mas pro sentimento o tempo não passa de uma palavra.
A luz do seu olhar me fez sonhar e se me acompanhar criemos asas.
É complicado pra você viver a minha vida, mas se tá disposta eu vou buscar outra saída.
Já tentei deixar rolar, dizer que tanto faz.
Mas certos detalhes fazem eu te amar demais.

  — Eu escrevi esta e na hora de compor o álbum Duetos, eu convidei o Conrado e o Aleksandro pra cantar. Cara, esta música tem a ver com a primeira briga de casal entre a e eu! — Luan confessou para Rick e eu tentava puxar a cena que ele disse inspirar a letra, em minha memória. Luke não parava de sorrir zombeteiro para mim.
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  — Óh!! Tem certeza? Isto é que nem data de início de namoro, Luan, se esquecer dá confusão!
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  Luan riu, o estúdio riu e Luke comentou ao meu lado: “Ele tá arriscando muito mesmo!”, e eu… Bem, foquei na resposta que ele daria e não dei atenção nem ao Luke e nem ao meu telefone não parando de vibrar ao meu lado.
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  — Rick, eu te juro rapaz, foi a nossa primeira briga! Ela e eu, começamos a namorar escondido por causa da mídia e toda a exposição, a não era uma celebridade e não queríamos revelar nossa relação ainda. Mais por ela do que por mim… Ela sempre foi muito discreta e eu… Já estava acostumado com a loucura da fama e tal. Aí, nós dois saímos pra jantar, a Ana preparou toda aquela coisa de “missão impossível” contra os paparazzi e lá no final da noite, na saída do restaurante fotografaram a gente. A ficou revoltada comigo! Porque ela achava que o rosto dela tinha sido pego! E ela não queria que aquilo atrapalhasse a vida dela, o trabalho na clínica, ela estava ocupando um cargo importante que a fez se mudar pra Belo Horizonte e justamente naquele dia, eu que insisti pra gente sair. Ela queria pedir comida pelo delivery e ficar em casa, mais à vontade. Na verdade, a maioria dos nossos encontros estavam sendo assim: em casa pra evitar as fofocas, pelo menos enquanto nós dois não tivéssemos certeza se daria certo. Na cabeça dela né? Para mim já tinha dado certo, desde o primeiro dia que ficamos juntos.
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  — Apaixonado o garoto! — Rick zombou rindo admirado.
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  — De um jeito inexplicável. Era pra ser, era pra ser nós dois…
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  — Tá, mas e aí? O cara fotografou vocês, e o que rolou?
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  — Não, aí fui deixar ela em casa. E a , Rick, ela é maravilhosa, mas, o mau humor daquela mulher é coisa de outro mundo! Quando ela fica de mau humor, é tipo uma bomba atômica. E ela estava puta comigo no caminho, — o som da censura pelo palavrão soou ao mesmo tempo em que no estúdio todo mundo ria —… Eu pedia desculpas e ela brigando comigo, dizendo “Eu não quero saber de desculpas, amanhã minha vida vai estar um inferno Luan!”, revoltada! E eu naquela situação de saber que não era bem assim. Que daria pra reverter as coisas, impedir a foto de ser publicada. Isso, se é que os paparazzi tenha conseguido uma imagem boa. Mas, para a era tudo muito novo e assustador. Foi complicado pra ela…
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  — Eu imagino! Eu nem sou essa coca toda e passei um pouco por isso… As mulheres acham que a gente vive na zona nesse meio… Não é não? — Rick disse fazendo Luan e os outros, rirem pelo comentário e logo se atentou ao assunto que estava fora de contexto, na verdade: — Mas, termina aí! Essa história é boa!
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  — Aí que… Chegamos no apartamento dela, eu sentei no sofá já contrariado, porque eu detestava ver a irritada por minha causa. Ainda detesto. Mas enfim… Eu comecei a dizer para ela ficar calma, que eu buscaria uma saída pro caso de a foto ser publicada que não atrapalhasse a rotina dela… E aí ela, em pé na minha frente, com as mãos na cintura, me interrompeu com um simples: “Acabou!”. Eu fiquei mudo, perplexo que ela estava terminando por uma foto! Já estava mais irritado que antes! E ela foi falando que não ia continuar naquela vida de caça e rato, de ficar fugindo e tendo que me encontrar escondido, e que não daria certo. Eu levantei, olhei ela nos olhos e perguntei se ela estava se ouvindo. Daí começamos a discutir a razão para não deixarmos de lado as preocupações e revelar nosso namoro de uma vez, que já vinha sendo alvo de especulações desde o dia que nos encontramos no VilaMix.
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  — Caramba é verdade! Foi uma jornalista maluquinha, não é? Caramba! Eu vi isso, eu vi esse vídeo!
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  — É… Ela foi flagrada comigo lá, por uma jornalista, a Titi Müller, eu cantei a na frente de todo mundo no meio da transmissão, cara! E desde então, eu estava sendo vigiado e a mídia querendo saber quem era a mulher comigo que era flagrada vez ou outra. Se era a mesma pessoa do festival. Mas, como ela estava focada na carreira e na clínica dela, queria esperar um tempo para que nós aparecêssemos publicamente, especialmente porque ela não sabia se éramos sólidos o suficiente pra encarar as responsabilidades de um namoro público. Eu desde o início quis gritar pra todo mundo, mas respeitei por causa dela e naquela hora ela estava brigando comigo por algo que eu não tinha culpa! Ela preferiu manter segredo e eu falei isso com ela, mas a já estava irritada antes, eu acabei a irritando ainda mais! No fim, pra evitarmos uma discussão maior, eu fui embora. Cheguei em casa, escrevi a música. No dia seguinte eu liguei pra ela, antes que ela acordasse, ela não atendeu. Fiquei desesperado, e cinco minutos depois ela me ligou pedindo desculpas e dizendo que não queria terminar. Aí, nós começamos a rir e depois disso passamos a lidar com mais calma com situações assim.
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  Ouvi aquilo tudo e comecei a sentir vontade de chorar. Ele se lembrava de tantos detalhes! Alguns até mais do que eu… Luke me encarou perguntando se eu estava bem e eu só assenti, segurando um embargo na voz já que Miguel deitado em meu colo virou a cabeça para me olhar atento ao que ouviu do padrinho.
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  — Mamãe! O papai tá contando historinha?
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  — Tá sim filho, a história das letras da música dele.
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  — Mas, ele falou de você!
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  — É que em algumas dessas músicas, Miguelzinho, sua mamãe ajudou o papai a fazer. — Luke explicou fazendo carinho no pé de Miguel.
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  — E ela sabe destas músicas? — Rick perguntou assim que Luan terminou a história daquela nossa primeira briga.
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  — A maioria das músicas que eu fiz por ela, a não faz ideia que são inspirados nela ou em nós. Ela nunca perguntou, apenas acompanhava meu trabalho como fã e admiradora, e namorada, amiga… Ela era meu alicerce em tudo no meu trabalho, e continuou sendo mesmo depois. Tem músicas que ela sabe que foram pra ela porque eu compunha algumas quando estávamos juntos, ou são muito óbvias pelas letras. Mas, eu nunca fiz o que estou fazendo agora de contar cada uma das letras que são dela, ou para ela.
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  — E decidiu fazer isto, separados, sem falar nada pra ela e expondo-a deste jeito pro Brasil inteiro?
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  — Você me preocupa falando assim, mas, eu… Caramba Rick, vou aproveitar pra me explicar agora! — Luan falou preocupado, enquanto Rick ria, e ele focou o olhar em uma câmera que parecia que ele estava encarando meus olhos e justificou: , eu juro que estou fazendo isto tudo por nós, e não quis te expor vergonhosamente, eu só queria te fazer uma surpresa. E cumprir a minha promessa…
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  Luke e eu nos olhamos, e eu deixei claro para meu amigo que não engoliria aquilo tão fácil. Apesar dos sentimentos bagunçados, eu estava sim, irritada por aquilo. E Miguel ficou festejando que o pai dele ficava falando de mim e comigo na televisão, sem entender na verdade coisa alguma.
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  Rick Bonadio mais uma vez, fez um comentário particular para a câmera, logo depois de Luan:
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  — Que coragem. O cara é maluco! Tentando reconquistar a ex-mulher em rede nacional, desse jeito… Se não der certo… E eu espero que dê muito certo, porque eu quero ver vocês juntos de novo, mas se não desse seria o maior toco que eu já vi na vida! Já pensou? Que isso, o Luan tá louco!
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  Rick dizia como se estivesse conversando com as pessoas da produção presentes, Luan escondia o rosto nas mãos e todo mundo ali, que não conseguíamos ver — só ouvir — quem eram além dos dois, riam nas situações como aquelas, partido pelos comentários de Rick.
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Dia, Lugar e Hora (Luan Santana)
Se a moça do café não demorasse tanto pra me dar o troco.
Se eu não tivesse discutido na calçada com aquele cara louco.
E ó, que eu nem sou de rolo…
Se eu não tivesse atravessado àquela hora no sinal vermelho.
Se eu não parasse bem na hora do almoço pra cortar o cabelo.
E ó, que eu nem sou vaidoso…
Eu não teria te encontrado. Eu não teria me apaixonado, mas, aconteceu.
Foi mais forte que eu, e você.
Aí eu disse: quer que eu faça um café? Ou faça minha vida, se encaixar na sua, aqui mesmo na rua?
Era pra ser agora.
Quando é pra acontecer, tem dia, lugar e tem hora.

  — Dia, Lugar e Hora é uma música que faz parte deste álbum recente, o mesmo da “Escreve Aí”. E a letra não tem nada a ver com nenhuma experiência que eu tenha vivido. Foi uma inspiração poética, daquelas que a gente não consegue explicar. Mas, o mais engraçado, é que depois que eu escrevi a letra, eu fui ler com calma, e os acordes foram surgindo… Eu comecei a pensar em todas as relações que eu tive, e qual delas eu poderia buscar um traço qualquer, que tivesse um rumo parecido com a música. E nada! Não teve nada que me fez lembrar de caso algum, com exceção de um…
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  — Deixa eu adivinhar: tem a ver com a ? — Rick riu piscando de modo zombeteiro para Luan, que constrangido respondeu:
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  — ‘Tô achando que este programa vai ficar sem graça por causa disso, mas é! Tem dedo da … Nós nos conhecemos de uma maneira diferente, e eu não posso dizer que a letra remete a nenhum detalhe do nosso primeiro encontro. Mas, eu fiquei pensando em como teria sido se tivesse acontecido exatamente como na música. E ali eu percebi, que se eu tivesse que descrever o que eu senti ou como eu me senti quando eu bati os olhos na , seria na mesma intensidade da letra. Um acaso da vida, que cruzou nossos caminhos, mas foi mais forte que eu, e você, como diz na música. E na hora que eu a vi, eu posso dizer que na minha cabeça foi bem daquele jeito, aleatório, sabe? Quando você nem sabe o que dizer, e sai um…: quer que eu faça um café, ou faça a minha vida se encaixar na sua, aqui mesmo, na rua?. E Não sei se foi coincidência ou se por já ter escutado a frase, e ela ter ficado no meu subconsciente, mas a uma vez falou isto sobre nós dois: era pra ser agora. Quando é pra acontecer, tem dia, lugar e tem hora e eu acabei colocando isso na música, e só depois que eu fui lembrar que ela quem me deu a frase. Ela quem me deu mais esta música.
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  — , você sabia disso?
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  Lucas me perguntou, e àquela altura eu já estava bem mais interessada no programa do que o próprio Luke, e até mesmo mais do que o Miguel. Ele repetiu a pergunta e eu apenas respondi:
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  — É como ele disse: eu não sei da história da maioria das músicas.
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  Lucas insistiu em perguntar como eu me sentia com aquilo, e eu pedi para ele ficar quieto e conversar quando acabasse. Ele sorriu para mim, parecia satisfeito. E eu revirei os olhos evitando dar razão ao contentamento dele. No momento, eu queria entender o quê o Luan estava fazendo. O que ele pretendia com tudo aquilo. Depois eu pensaria sobre o que fazer. O telefone tocou, ligações dos meus pais, dos pais dele, da Fernanda, todas atendidas por Luke e todas por um motivo: saber se eu estava assistindo aquilo. Eu não queria falar com ninguém naquele momento, para assimilar tudo o que estava vendo e ouvindo. Meu celular apitava tantas notificações nas redes sociais que precisei silenciá-lo.
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Eu, você, o mar e ela (Luan Santana)
Ser romântico às vezes ajuda, mas se fecho os olhos te imagino nua.
Talvez pareça uma cena de Hollywood.
Se está pensando isso, por favor, não se ilude.
Eu só quero uma noite de amor.
Como as outras, só mais uma que passou.
Mas foi só a porta fechar, pra mudar minha cabeça.
A sua boca vale o preço pra perder o sossego que eu tinha.
A lua até beijou o mar pra não ficar de vela, os quatro perdidos de amor: eu, você, o mar e ela.

  — Eu não acredito que esta música entrou! Eu não posso pular?
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  — Agora não, pô! A produção te mostrou a listagem Luan! Você pode mentir, esta é a alternativa disponível! — Rick falou sacana.
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  — Não, que isso! Não vou mentir. É só que… Caramba…
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  Eu me lembrava daquela história. E comecei a gelar em pensar como ele diria o contexto de ter nascido aquela letra.
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  — Qual é Luan, a gente já sabe que tem a ver com a — Bonadio falou e ouvimos risos altos ao fundo da gravação, aquilo já estava virando chacota: — Todo mundo já sabe que a é a razão de tudo o que está neste programa!
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  — Realmente eu não sei explicar de onde vinham as músicas antes dela, por que… Parece que tudo foi feito por ela e para ela… Mas, vamos lá! Nós dois nos conhecemos no festival sertanejo, isso já foi comentado. E aí, eu fiquei alucinado quando vi a , e ela estava acompanhada do Dennis…
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  — Que Dennis?
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  — Dennis DJ. Eles são amigos. E quando eu a vi, eu fiquei tão embasbacado, que eu não consegui me aproximar dela, pedi pro Denis me apresentar aquela mulher, quase que… Pelo amor de Deus… — as gargalhadas aumentavam e Luan ficava ainda mais constrangido — Sério, sério, e eu nem precisei falar muito porque ele já tinha me visto do outro lado encarando a de longe. E aí beleza, nos conhecemos e começamos a conversar e pra mim, por mais que o efeito dela fosse algo totalmente novo, magnético, e curioso… Eu só queria ficar com ela ali. Só um encontro casual, com uma mulher interessante, da qual eu não sabia nada. E ela foi super direta comigo, me surpreendeu a sinceridade dela. E nenhum dos dois estava esperando nada mais do outro do que… Um único encontro. Mas, tá… Aí a gente ficou sozinho e nós saímos do festival.
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  — Parando para pensar aqui na letra… — Rick comentou de forma piadista de novo para a produção: — Essa história meio que… Sabemos onde vai parar não é? Isso pode ser transmitido esse horário?
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  Eu fui ficando tão envergonhada quanto o Luan, e eu estava só na sala da minha casa! Luke ria com a mão na boca me encarando divertido, e eu praguejava.
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  — Ele é louco? Lucas, eu vou acabar com a raça dele! — sussurrei para que Miguel não ouvisse.
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  — Eu já tinha me apresentado e precisava ir para o hotel, quis deixar ela em casa, mas, ela não quis. E aí… Ela perguntou as minhas intenções para aquela noite, e eu… Eu não ia mentir! Ela concordou, e quando eu vi a entrando no elevador, eu tive a certeza que eu não queria ficar só naquela noite. Eu precisava estar com ela outras vezes, mas ela era uma estranha pra mim, e eu, de certa forma, para ela também! Apesar da minha fama, isso não era o ponto entre a gente. Éramos um casal de desconhecidos interessados um no outro. E depois que ficamos juntos eu comecei a pensar: será que ela vai me dar o número do telefone dela?
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  Naquele momento, o Rick Bonadio, ria discreto com as mãos no rosto se segurando para não gargalhar pela vergonha que o Luan estava passando.
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  — Não ri não cara, foi desesperador cogitar a hipótese de que ela não estava interessada em ficar comigo de novo, que ela ia embora, que eu nunca mais a veria… — Luan tentou se defender — Aí pensei depois: será que ela vai me passar o número dela, por eu ser o Luan Santana? Essas coisas passam na cabeça da gente, é natural. Mas, o mais absurdo é que sabendo que ela era uma desconhecida pra mim, eu sentia que ela não era uma aproveitadora. E eu estava convicto de que nunca mais eu a veria, não por desejo meu, mas dela! E aí eu comecei a imaginar nós dois num futuro como casal, fazendo programas de namorados, conhecendo as famílias, e rapaz… Parei do nada, e disse assim para eu mesmo: “ou eu estou louco, ou estou muito solitário!” E na verdade era os dois, eu estava vindo de uma carga de trabalho sobre trabalho. Muito tempo sem ver os amigos, as famílias, exausto, e sozinhos. Não tinha um relacionamento sério com ninguém. E estava louco por ela! Eu não queria não estar com ela. Foi uma química e ao mesmo tempo uma… Vai soar piegas: uma magia de outro mundo.
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  — A galera ali atrás, ‘tá rindo do cara de quatro pela mulher da vida dele, que ele nem sabia que seria a mulher da vida dele, mas ó: todos vocês… — Rick falava apontando para uma região supostamente atrás das câmeras, a um pessoal que não apareceriam para quem assistia — no fundo, queriam viver um sentimento deste nesta intensidade! E eu sei disso porque, eu sou casado com a mulher mais incrível do mundo e sei do que o Luan está falando. Este sentimento arrebatador, que ninguém entende!
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  — Arrebatador, é essa a palavra!
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  — Incrível e divertida a história desta música Luan, mas, independente de sabermos agora este fato que te inspirou… A música é do c*lho, cara! — mais uma vez, os palavrões foram interrompidos com um sinal sonoro — Já foi lançada?
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  — Não! A viu esta letra sendo construída, e eu disse a ela que ela gostaria de ouvi-la quando a música estivesse pronta, mas eu não sei por que eu não a lancei ainda. Depois de tantos anos, eu separei para o próximo álbum, também.
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  — Junto com as outras que você cantou aqui, mas não foram lançadas?
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  — Algumas, algumas, sim. Farão parte do próximo álbum: 1977.
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  — Depois temos que lançar um álbum exclusivo, uma edição especial. Já tenho o nome do álbum: !
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  Na gravação todos riam de novo do comentário de Rick, e nós que assistíamos também. Até mesmo eu, que mesclava sentimentos de vergonha, irritação, nostalgia e humor. Naquela altura, o Miguel já tinha adormecido. Não conseguiu acompanhar o longo documentário do pai. Porque era isto que aquilo era: um documentário mais pegado para longa-metragem. E então, eu levei meu filho para o quarto. Quando voltei, passavam-se outras cenas do dia a dia do Luan. Alguns encontros da equipe na casa do empresário dele, discutindo trabalho e revendo shows. Lucas aproveitou aquele “intervalo” para ir ao banheiro e pegar bebidas para nós. Quando voltou, sentamos abraçados no sofá. Estávamos gostando daquele programa de domingo. Eu estava pasme com as verdades que descobria. E quanto à última canção ouvida antes, eu confirmei que era verdade que ele disse que eu gostaria de ouvir. E estava a escutando pela primeira vez ali recordando o dia que a li sendo construída no quarto de hotel dele. Depois das cenas de filmagem do dia a dia, o estúdio retornou ao enfoque documental, com mais histórias e canções acústicas:
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A Outra (Luan Santana)
Trouxe o meu colchão pra sala.
Hoje eu vou dormir aqui, pois não quero relembrar os momentos que vivi.
O lençol que a gente usava tem perfume de jasmim.
O que tanto me agradava hoje não faz bem pra mim.
Depois que você foi embora entrou outra em seu lugar,
E é só quando eu me deito que ela vem me visitar.
Passa as mãos em meu cabelo,
Insiste muito em me beijar,
E eu com delicadeza, peço pra se afastar.
Eu não quero compromissos,
Nem tampouco me apegar,
Nem novelas tenho visto, dá vontade de chorar…
Tenho medo de acordar de madrugada,
E uma luz semiapagada refletir ela pra mim.
Sei que está tão curiosa e louca pra me perguntar:
Quem está no seu lugar,
Quem roubou meu coração se chama solidão.

  — Quando iniciou essa última turnê, a gente estava separado. E esta foi uma das músicas que eu fiz antes de viajar. Um mês antes, precisamente. Foi com esta canção que eu abri todos os shows da turnê, pensando na . Pensando em nós dois. Era uma maneira de colocar a dor daquela situação para fora de mim, e as pessoas percebiam o meu sofrimento com aquilo de uma maneira tão explícita que eu recebia mensagens de apoio em muitos shows. Às vezes cartazes expostos na multidão, mensagens nas redes sociais, cartas de fãs. A Ana que sabe, né Ana? Foi muito complicado sair em trabalho, ter que passar para o meu público uma animação que eu não tinha… Tudo de mais precioso estava longe e ao passo de desmoronar. Então… A Outra veio como um grito de socorro. E ao mesmo tempo como um grito de verdade. Eu queria que a pudesse saber que eu cantava essa música por causa dela em todos os shows. E mais do que um grito, “A Outra” foi uma das canções mais proféticas que eu já fiz, porque eu não tive ninguém pra colocar no lugar da durante estes dez meses. Eu me dediquei ao trabalho, me dediquei àquilo que foi a causa da nossa separação.
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  Eu não sabia se era verdade que ele não havia tido ninguém. Lucas, confessou ter conversado com ele no sítio sem que eu soubesse, e o Luan afirmou que não houve outro relacionamento. Mas, soube que ele saiu com algumas garotas na tentativa de me esquecer. Embora, no fundo de seu coração, ele tentava mais matar a saudade de mim enquanto estava com elas, do que, propriamente me esquecer.
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  Luan também disse ao Luke que não me condenava por eu ter me envolvido com outro cara. Ele não tinha o direito de fazer isso, e não considerava traição alguma. Havíamos nos separado embora negássemos o divórcio. Fernanda também disse que o irmão não esteve com outra mulher, quando eu fui ao sítio. E eu terminava de ouvir aquela canção, aos prantos, com Luke me reconfortando, porque eu tentei realmente esquecê-lo. Eu busquei outra pessoa, não com o intuito de lembrá-lo, mas sim de esquecê-lo. Me senti culpada, verdadeiramente, ao saber que enquanto eu me forçava a esquecer Luan, ele abria os shows pensando e cantando nós dois.
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Recado (Luan Santana)
  Sente meu perfume aqui.
  Sei que esse cheiro te lembra de tanta coisa.
  E os amores que virão depois não conseguirão superar nós dois.
  Você roda, roda e para em mim.
  Sou o seu princípio, meio e fim.
  Como tatuagem que se faz, e você não pode apagar jamais.
  E passe o tempo que passar, o nosso amor renascerá como a flor de primavera.
  E aqui vai o meu recado pro seu novo namorado, que está vivendo uma mentira:
  Quando ela ama você, é a mim que está amando,
  Quando ela beija você, é a mim que está beijando,
  Ela não pensa em você, é em mim que está pensando,
  Ela nunca me esqueceu, o amor dela sou eu.

  — Rapaz, sabe quando você manda aquela indireta na rede social e acaba saindo mais direta do que uma bala? É esta música! A estava num relacionamento novo. E quando eu soube… Eu fiquei com muito ódio daquele cara, por que… Enfim… Eu escrevi “Recado” e quando o Rick, meu empresário esteve lá em casa eu falei pra ele que tinha uma música nova. Ele sabia que eu tinha falado com a naquele dia, porque era o dia em que eu buscaria o Miguel. E aí ele já foi logo dizendo quando contei que tinha outra letra: “Mesmo de longe, é a melhor musa inspiradora” e fomos para o estúdio para ele ouvir.
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  — E o que ele achou?
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  — Ele só disse: “Ela me causou problemas demais nesta turnê, mas vamos convir que ela já está garantindo a próxima”.
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  — Uma música de ciúme. Tem que ter! Nenhum cantor passa pela carreira sem uma canção de afronta, dessas! É inédita também né? — Rick perguntou sempre enaltecendo um bom humor.
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  — Sim! Compus quando voltei, mas graças a Deus ela está solteira de novo. Juro que não tive nada a ver com isso, também!
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  Luan falou causando risos nos demais, assumindo o mesmo humor de Bonadio. E eu fiquei pensando se Pedro estaria assistindo aquilo… Até o Luan dizer, me fazendo não pensar em Pedro:
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  — É o