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Ideia #6

Doada por Julia Nakamoto

// A Ideia
Ela e a melhor amiga são completamente o oposto uma da outra. Ela, a santinha; a amiga, a pegadora. A amiga tem um caso com um cara pegador, mas antes disso, teve uma breve ficada com o melhor amigo dele, que é mais certinho. Para tentar fazer o ex ficante esquecer dela, ela decide apresentar a pp para ele. A história em si: A pp vai começar um relacionamento com o rapaz certinho e até curte os momentos com ele, até que o melhor amigo dele começa a mostrar interesse nela, mas ele ainda está “pegando” a melhor amiga da pp de vez em quando. Ela luta até o ultimo fio de cabelo contra as sensações que o “pegador” lhe causa, dizendo ser reações hormonais e etc, porque tudo o que ela mais quer é segurança no relacionamento, que é o que o favorito certinho lhe passa. Mas o certinho não faz surgir as borboletas no estômago assim como o “pegador”. Depois de uma discussão e de acabarem por decidir ser melhor terminar o relacionamento e serem apenas amigos, o certinho acaba virando o cupido do melhor amigo com a pp.

// Sugestões
// Notas
Tentar fazer o relacionamento não ser tóxico apesar da premissa. Por favor. <3


Natashia Kitamura
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// Leitor Doador
Nome: Julia Nakamoto

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O Par Perfeito

Capítulo 1

  – Isso não é uma boa ideia.
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  Foi com esse aviso que viu, pela primeira vez, Ashton.
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  Estavam em uma festa da fraternidade do time de futebol americano, e havia sido convencida por Stephanie, sua melhor amiga, a comparecer ao local. Apesar de não ser muito de festas como aquelas, em que todos iam para beber, encontrar um novo parceiro amoroso e expandir a rede de contatos, acabou cedendo porque Stephanie era muito boa em convencer.
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  No entanto, como já imaginava, assim que entraram no local, foi deixada de lado pela amiga, que encontrou o cara com quem estava tendo um caso; odiava isso nela. Mas não havia como voltar, pelo menos não tão cedo. Aproveitaria para beber alguns drinks e dar uma volta no lugar. Haviam pessoas que conhecia, outras que já havia visto em algum lugar, mas nenhuma com quem pudesse gastar um tempo conversando.
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  Decidiu, então, ficar na área dos drinks. Havia uma boa quantidade e diversidade de bebidas para se divertir, e um grupo de pessoas se divertia fazendo misturas e vendo qual era mais forte e mais gostosa. acabou se unindo a eles, porque achou que era melhor estar distraída com alguma coisa, do que esperar o tempo passar.
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  A voz que surgiu atrás de si chegou no momento em que ela estava para beber uma mistura estranha de rum, vodca, energético e licor de pêssego. A cor estava em um âmbar claro, e o cheiro… bem. Bebidas não costumam ter cheiro.
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  – É só um shot Clarke, deixa de ser estraga prazeres! – uma das pessoas do grupo disse.
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  Clarke, então, pegou a bebida do copo de e o colocou na frente do cara que havia exclamado que aquela mistura não era nada demais.
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  – Então beba você.
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  – Nem pensar – o outro imediatamente disse, sem hesitar –, acabei de beber uma mistura que está queimando até agora o fundo do meu estômago. Não vou beber mais nada esquisito.
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  – Então cale a boca e arranje outra pessoa.
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   não pode deixar de admirar aquele homem. Ele, alto, loiro e com os cabelos perfeitamente cortados. Era magro, mas não musculoso; tudo bem, ela pensou, sempre gostei dos mais magros.
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  – Obrigada. – disse, enquanto era puxada por Ashton até o lado de fora da mansão da fraternidade. – Eu sou…
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  – Sei quem é. – ele respondeu, soltando a mão dela e virando-se para encará-la. – Flack.
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  – Como…
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  – Stephanie me pediu para salvá-la.
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  – Ste?
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  Ele ergueu os ombros, como se não fosse nada demais. Olhou para os lados, parecendo buscar outra pessoa, mas permaneceu com ela, parado e sem fazer menção de deixá-la sozinha agora que havia cumprido com seu dever.
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  – Ah, entendi… – sorriu sem graça. – Você deve ter ficado com a Ste.
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  Imediatamente os olhos de Ashton voltaram a encarar . Ela percebeu, pela luz que vinha da mansão, que eles eram castanhos. Comum, mas, naquele momento, extremamente únicos. Tinham um brilho diferente.
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  A falta de resposta de Ashton confirmou a suposição da moça.
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  Suspirou. Já não era a primeira vez que Stephanie enviava uma de suas conquistas para ela. Cansara de dizer à amiga para não fazer isso; era inconveniente e um incômodo. Mas Stephanie, com todas as qualidades incríveis que tinha, seu maior defeito era de se colocar à frente de qualquer outra pessoa, diferente de , que sempre pensava no outro primeiro.
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  – Ela é uma boa pessoa – disse, como sempre fazia para consolar a conquista de Stephanie –, mas não é de se envolver a fundo com outras pessoas.
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  – Você parece ter isso decorado.
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  Ela abriu um pequeno sorriso. Ele era uma pessoa inteligente. Provavelmente isso fez com que não conseguisse manter Stephanie por muito tempo. A amiga tinha aversão a homens inteligentes demais, pois dizia que eventualmente eles iriam querer controlá-las e a tratarem como se fossem seres inferiores.
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  – Você parece inteligente o suficiente para saber quando o negócio que está tentando fazer é um mau negócio.
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  – Tem certeza que você é amiga dela?
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   riu.
  – A melhor.
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  O jovem abriu um pequeno sorriso. Compreendeu o motivo que fez Stephanie ser grande amiga dessa garota. Ela era esperta e uma boa cúmplice. Além disso, também tinha charme.
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  – Quantas vezes você fez isso?
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  – Você não vai querer saber. – se pôs a andar para longe da mansão. – Nos vemos por aí, Clarke.
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  – Por aí? – ele, com suas pernas compridas, começou a caminhar ao seu lado. – Que tal amanhã?
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  Ashton era um aluno de medicina. Ele estava para começar o penúltimo ano; o fatídico ano dedicado ao internato. A maioria das pessoas ali eram de sua sala; todos queriam aproveitar a última semana de folga, antes de começar o semestre mais empolgante e também exaustivo de suas vidas.
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  Para , foi o dia em que conheceu o seu primeiro e atual namorado. O incrível e certinho Ashton Clarke, que se formou em medicina e então se especializou em endocrinologia, trabalhando inicialmente em hospitais e então criando sua própria clínica, que mais para frente seria um ponto de referência para muitos artistas.
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Capítulo 2

  ATUALMENTE
  

   olhou ao redor com desinteresse. Em seguida, deu uma conferida na hora, pois alguém na parte da manhã havia dito com convicção de que o dia estava passando rápido, mas, aparentemente, como todas as demais pessoas que frequentam aquele ambiente, ela estava mentindo.
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  Ainda eram cinco da tarde, e a última vez que havia conferido, já passava das quatro e cinquenta.
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  – Você parece entediada. – ouviu ao seu lado.
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  – Imagina – ela respondeu, enviando um arquivo para impressão –, só estava gastando tempo olhando ao redor, enquanto espero o documento ser impresso.
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  O som da máquina começou a soar ao fundo da sala. Pessoas e mais pessoas passavam por ela, desinteressadas em seu conteúdo, a não ser que também estivessem aguardando por uma impressão. Com uma pasta contendo os documentos em mãos, seguiu direto para a sala do diretor em passos firmes.
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  – O doutor me chamou para entregar alguns documentos – ergueu a pasta sob a vista de Kim, a secretária, que anunciou sua chegada.
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  – Pode entrar.
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  O homem estava sentado, respondendo uma mensagem em seu celular com um sorriso malicioso. Ao ver , limpou a garganta e colocou o aparelho de lado.
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  – O que temos?
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  – O pedido da Sachs para o evento de Ação de Graças. – ela entregou a pasta para o homem, que sorriu.
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   odiava os sorrisos dele. O diretor não sorria para absolutamente ninguém; pelo contrário, sempre que podia, fazia questão de dar uma lição a seus funcionários, como se fosse um Deus que pudesse tratar os outros da forma que quisesse. Como se ele, ao morrer, também não fosse para o mesmo lugar que todos os outros.
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  Mas com ela, o homem era diferente. Porque não estava no mesmo patamar que ele. O diretor, apesar de arrogante, era esperto. O sobrenome era não somente sinal de poder, mas de sucesso garantido. Eric , pai de , é presidente de uma das empresas mais importantes do país, e por isso, diversas pessoas como o diretor em questão tentavam estar na lista de estimados do homem, tendo que engolir e sua personalidade fechada e rígida.
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  – Foi uma boa decisão minha deixar esse caso em suas mãos, .
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  A moça não respondeu. Não era nada demais. A análise e aprovação de um evento que tradicionalmente acontecia todos os anos não era um caso importante e os dois sabiam disso. O diretor apenas queria verbalizar sua competência, só para o caso dela não ter pensado no assunto.
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  Ele limpou a garganta ao perceber que não receberia nada em resposta.
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  – Seu pai…
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   continuou calada. Tinha que aguentar pessoas falando sobre seu pai o dia inteiro, como se ela fosse o único meio de comunicação que eles poderiam ter com o homem.
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  Como se eu fosse falar bem de vocês para ele. Ela pensou, irritada.
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  – Bem – o homem tentou continuar –, era de se esperar que você oferecesse um bom desempenho. Deve ser do sangue.
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  A vontade era de revirar os olhos, mas abriu um pequeno sorriso, apenas para fazer o homem achar que havia acertado na loto. Devia fazê-los continuar elogiando. Se fosse assim, pelo menos repetiriam o ato na frente do pai.
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  Mas não era parte do sangue. Não havia como falhar no serviço que passavam a ela. Além disso, seu irmão mais velho era um incompetente e havia provado isso de diversas formas. A mais recente, perdendo a eleição como Senador do estado de Nova Iorque. Foi uma grande perda para a família , apesar de Bernard, o irmão, não ter parecido verdadeiramente aborrecido com a situação.
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  – Eu só teria que trabalhar mais – ele ergueu os ombros relaxadamente, durante o jantar que lhe foi tirado algumas responsabilidades.
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  A irmã mais nova nada disse. Ouviu Megan, a irmã que vinha antes dela e depois de Bernard, dar-lhe um sermão sobre as coisas que a família conseguiria com ele no papel de senador. Mas o mais velho jamais entenderia pois era egoísta demais.
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  – Precisa de mais alguma coisa? – ela perguntou. O homem ponderou por alguns segundos, e olhou no relógio.
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  – Não, pode ir.
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  Sem dizer nada, deu as costas ao homem e saiu da sala, voltando para sua mesa, onde teria que arranjar algum serviço que pudesse ou precisasse ser feito. No entanto, durante o caminho de volta, percebeu uma enorme movimentação entre as pessoas; procurou saber sobre o que se tratava, mas foi só descobrir quando já estava em sua mesa, e Margot, sua vizinha de bancada e única colega de equipe, lhe disse:
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  – O senador está aqui!
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  A tonalidade da voz da colega mostrava que a notícia era mais do que positiva. De fato, pode ver que várias outras mulheres que dividiam aquele andar estavam animadas.
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  Sabia quem era o senador . O irmão havia perdido para ele nas últimas eleições. o havia visto durante um evento familiar de políticos, e foi obrigada a comparecer porque é isso o que muitos políticos fazem: mostram que têm uma família perfeita. Neste caso, ainda mais, Bernard estar casado e com sua família inteira o apoiando era mais do que uma vantagem – apesar de ser um homem de currículo impecável, ele era conhecido por gostar de ser solteiro; para os conservadores, isso só tinha um significado: mulherengo.
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  E mesmo assim ele ganhou de Bernard. pensou, vendo parte da comitiva do senador andar de um lado para o outro.
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  – Ele ficará aqui?
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  – Incrível, não é? – Margot sorriu. – Geralmente os senadores ficam em seus próprios escritórios em algum lugar maravilhoso, mas ele, humilde, decidiu ficar por aqui até achar um local mais adequado para toda sua comitiva.
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  Para ficar de olho nas corjas. A mente de , mais uma vez, trabalhou separado da boca.
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  Decidiu que o homem não valia o seu tempo. Já havia o visto antes e, apesar de bonito e charmoso, era um político, e com esses ela não queria se envolver. Além disso, tinha Ashton, com quem se encontraria logo após o trabalho.
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  Sorriu só de se lembrar.
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  Ela e Ashton haviam combinado de se encontrarem somente aos finais de semana, ou quando a agenda dos dois – na verdade, a dele – permitisse. Com a clínica em ascensão, Ashton não podia desviar sua atenção para diversão. Queria abrir uma nova filial próximo dos Hamptons até o final do próximo ano, mas para isso precisava trabalhar muito e conquistar muitos clientes fiéis ao seu trabalho.
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  Apesar do combinado ter sido feito para benefício dos dois, nunca precisou de tempo para seu trabalho, uma vez que ele era rotineiro e não lhe oferecia nenhum desafio. Desde sua formação, há 7 anos, não sentia prazer em ir trabalhar. Isso se deve ao fato de ela não fazer o que realmente queria.
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  – Você trabalhará no prédio da prefeitura. Na área administrativa. – o pai disse, na noite em que celebrariam a formação de na Columbia. – Preciso de alguém de confiança lá. Você fará um bom trabalho.
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  Por mais que quisesse ter a opção de dizer não, a educação que recebeu fez com que ela não dissesse nada e apenas consentisse com o pai. A mãe, como sempre, estava alheia à vida que o marido estava criando para os filhos. Contanto que ela conseguisse continuar mantendo a vida de luxo, o resto da família poderia se destruir o quanto quisesse.
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  A única coisa que lhe foi permitida, após uma fase rebelde pelo qual passou, foi sair de casa para ir morar com Stephanie. As duas se mudaram para uma cobertura que Eric comprou para , porque a filha não poderia ser vista morando em um lugar menos do que o Upper East Side.
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  Vou me atrasar, o paciente das 17h atrasou e agora todos os outros também estão atrasados. Podemos nos encontrar direto no restaurante? Talvez chegue às 20h. Te amo.
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   suspirou.
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  A cabeça imediatamente parou para pensar no que ela poderia fazer durante esse tempo. Ashton não costuma ser do tipo que atrasa; um hábito por conta de suas consultas, mas quando ele diz “talvez”, significa que apenas está sendo doce em dizer que irá se atrasar.
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  – Olhe lá! – Margot deu alguns tapinhas na própria mesa para chamar a atenção de .
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  A moça virou o rosto na direção da entrada, onde entrava em sua melhor forma, com o terno completo, como gostava de se vestir, os cabelos arrumados e os ombros bem eretos. não pode deixar de pensar em como ele era pomposo, como um galo, que infla o peito para mostrar a masculinidade. A imagem do animal lhe fez abrir um pequeno sorriso de sarcasmo, que, para seu azar, foi capturado pelos olhos do senador, já que ele usou exatamente deste momento para passar os olhos pela enorme sala.
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  Merda, ela pensou, vendo-o andar em sua direção.
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  – Bom dia, senhorita – ele lhe disse, dando o sorriso que fazia pessoas como Margot suspirar.
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  – Bom dia, senador.
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   havia feito todas as aulas de etiqueta necessárias, por ordem dos pais. Apesar de não ser carismática, sabia se comportar à frente de qualquer pessoa, principalmente uma que sabia quem ela era e fazia questão de se mostrar.
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  – Não me passou despercebido que você aprecia bastante do que faz – ele olhou para a mesa perfeitamente organizada da mulher, que manteve a expressão serena, mesmo tendo uma imensa vontade de erguer a sobrancelha e mandá-lo pastar.
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  – Não tanto quanto o senhor – ela abriu um pequeno sorriso. Em sua cabeça, não conseguia evitar pensar que se o diretor queria ganhar alguns pontos com ela, esse era o momento perfeito para chamá-la.
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  No entanto, outra pessoa fez o serviço do homem, já que seu telefone tocou ali mesmo.
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  – Com licença – ela sorriu, afastando seu olhar do político, que não se mostrou incomodado e nem inclinado a sair da área. Ao invés disso, encostou-se na mesa de e deixou que seu assessor se aproximasse para discutir alguns assuntos no iPad que carregava.
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  Teimoso! A moça pensou, disfarçando a cara feia ao perceber que não tinha a menor intenção de acabar por ali a conversa.
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  – Sim, basta verificar se os dados que constam na planilha estão corretos… Não, eu já fiz a primeira verificação e conferi com as notas fiscais… O senhor é o gerente, ninguém mais tem a autoridade de aprovar… Sim senhor, obrigada.
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  Era sempre assim. A resposta dos superiores para não fazer suas obrigações eram sempre as mesmas: “Confio no seu trabalho.” e “Se você quem fez, então uma revisão é desnecessária.” Podia, sim, se sentir feliz, se o pai não a impedisse de subir de cargo, apenas porque naquela posição específica em que ela estava, tinha acesso a tudo o que todas as pessoas mais importantes na política de Nova Iorque faziam. Tudo o que ela precisava fazer era enviar assuntos que pudessem se envolver com a empresa ; o resto, Bernard, o pai, Megan e seu marido faziam. Como recompensa, o pai lhe dava uma “mesada” que equivalia ao salário das pessoas a quem ela tinha de ficar de olho.
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  Ao desligar o telefone, suspirou e fechou os olhos, algo que sempre fazia para controlar sua raiva.
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  – Muito trabalho? – ouviu a voz ao seu lado.
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  Ao abrir os olhos, deu de cara com olhos castanhos profundos encarando-a. Havia se esquecido do senador . Ele não podia se aproximar dessa maneira de uma funcionária, muito menos manter esse sorriso que conquistou praticamente todo o estado de Nova Iorque.
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   limpou a garganta e voltou com a expressão tranquila e comportada.
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  – Não senhor. – ela olhou ao redor, onde grande parte das pessoas, apesar de não estar olhando para os dois, tinham suas atenções inteira voltadas para o senador e a queridinha de seus chefes. Nenhum deles enxergaria que mal fez algo para chamar a atenção de ; era mais fácil culpar alguém pela falta de satisfação no trabalho. – Se me permite…
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  Sem esperar por uma resposta, se levantou e deixou a mesa com uma nova pasta em mãos. Teria de ir até a sala do homem a quem havia acabado de falar ao telefone, para finalizar o serviço que ele era pago para fazer, e não ela. Na verdade, era muito bem recompensada por fazer aquele e os demais funcionários de alto calão dependerem dela; o pai adorava quando documentos importantes com aquele que ela pegaria paravam em sua mesa.
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  No entanto, dessa vez, não teria tanta facilidade dessa vez, pois ao sair da sala do gerente, esqueceu-se que ela era próxima da que o senador ocuparia. A movimentação era diferente de quando só havia o gerente passando por ali; suspirou e foi direto para sua mesa. Já sabia como usar o tempo livre até o jantar com Ashton. Esperaria todos saírem para que ela pudesse finalizar esse trabalho para o pai.
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  – Hora extra de novo? – Margot fez uma careta para a colega, que ergueu os ombros. – Você precisa descansar mais. Aquele seu namorado bonitão não vem te pegar hoje?
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  – Ele está ocupado. – apenas respondeu, os olhos presos na tela do computador enquanto digitava um trabalho que era para ser entregue só na semana seguinte. – Bom final de semana.
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  – Eu terei! Vou sair com aquele gato do Tinder. – ela enviou uma piscadela para a colega, que abriu um pequeno sorriso, o máximo que poderia dar para Margot.
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  – Bom encontro.
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  Olhou as horas. 18h15. Tudo bem. Ela conseguiria aguentar mais uma hora. Ninguém fazia hora extra às sextas; muito pelo contrário. Faziam de tudo para conseguirem sair antes.
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  – Você disse que não havia muito trabalho. – uma voz soou à sua frente poucos minutos depois.
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   ergueu o olhar com desinteresse, pois sabia exatamente quem era. Se pudesse, teria suspirado. Um suspiro exausto e entediado.
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  – Eu não tenho. – ela disse, olhando ao redor para conferir se devia manter ou não a etiqueta com o senador.
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  – Só tem nós dois. E mais um ou outro. – ele respondeu para ela, atento aos movimentos da moça.
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  – Ah.
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   abriu um pequeno sorriso. Aquela, sim, era .
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  Os dois haviam se conhecido há alguns anos por conta da política. A mulher não era muito o seu tipo; lhe faltava curvas e charme, contudo, havia algo na seriedade e frieza na irmã de seu ex-concorrente que lhe despertava interesse.
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  – Você não pareceu surpresa por me ver aqui.
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  – Para uma pessoa que gosta de estar no antro da política, a surpresa seria se você não estivesse aqui.
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  – Ora, assim você me magoa.
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  Pena que eu não dou a mínima. Ela quis responder, mas aí já ultrapassaria uma linha da intimidade que ela não gostaria de ter com ele.
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   a irritava. Talvez fosse por agir como o irmão mais velho, com seus sorrisos falsos e teatralizados. Ou então porque ele, toda vez que se encontrava com ela, a provocava. Odiava pessoas que não sabiam o significado da palavra limite. No entanto, por ele ser quem ela, e por ela ter recebido a educação que recebera, sempre lidava da maneira mais educada e fina possível.
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  Entretanto, havia um motivo que a irritava mais do que estes outros mencionados…
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  – Vamos, falei para Clarke que a levaria para o restaurante.
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  – O quê?
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  – Veja só, finalmente consegui chamar sua atenção. – ele sorriu, apoiando-se na divisória que a mesa de tinha com o corredor. – Você achou que o jantar era em casal?
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  Era isso.
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  Esse era o motivo que mais se irritava com . Ela poderia superar as brincadeiras dele com a vida aparentemente perfeita dela, ou com as características muito parecidas com a de seu irmão mais velho, a quem abominava. Mas o fato de ser o melhor amigo de Ashton era demais.
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  Odiava que o senador era o melhor amigo de seu namorado.
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  Odiava com todas as suas forças.
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Capítulo 3

  – Eu tenho trabalho para terminar.
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   deu a volta na bancada de e parou atrás da mulher. Em seguida, inclinou o corpo para frente e deu uma olhada no material que digitava sem parar no computador.
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  – Isso não é para o fechamento do ano? Caramba, , você precisa dar um tempo e ter uma vida. – então, sussurrou no ouvido da moça. – Ashton não está presente na sua vida?
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  Em um impulso, empurrou a cadeira de rodas para trás, pegando no pé do senador, que exclamou de dor e encostou na divisória atrás de si para segurar o pé atingido.
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  – Pode ter acabado o horário útil, senador , mas ainda estamos em um ambiente de trabalho. – ela pegou a pasta com as planilhas e enviou um olhar sério para o homem, que tinha um pequeno sorriso no rosto. – Ponha-se no seu lugar.
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  Aproveitou a deixa para ir ao banheiro, onde poderia tirar as fotos longe das câmeras de segurança, e também dos olhos de . Ninguém podia saber do serviço que fazia para seu pai, apesar de todos saberem o motivo dela estar ali e não na empresa incrivelmente bem-sucedida da família .
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  Antes de sair, olhou no celular se havia alguma mensagem de Ashton. Não, é claro. Ele havia avisado que demoraria. Eram quase 19h, mas pelo que ela conhecia o namorado, ele só chegaria às 20h no restaurante.
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  Dessa vez, revirou os olhos quando, ao sair da prefeitura, encontrou com o carro de parado em frente. O motorista saiu e abriu a porta para ela. Não era possível ver de fora, mas ela sabia que ele estava ali.
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  Não havia escolha. Havia prometido a Ashton que tentaria se dar melhor com , mesmo que ela tivesse tentado lhe explicar de diversas maneiras por que os dois eram tão incompatíveis.
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  – Você quase fez um estrago no meu pé, . – disse, massageando o pé enquanto o motorista seguia para o restaurante.
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  – Que pena.
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  Com aquela simples resposta, mostrou que havia, sim, tido a intenção de machucá-lo, e que continuaria tentando, pois ele também estava sendo ousado demais em cima dela.
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  – Como vai o seu irmão? Ouvi dizer que ele está tendo dificuldade em ter uma lei sancionada. Qual era o nome do ato?
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   não respondeu. Aumentou um item em sua lista do que odiava em . Ele sempre achava que a provocava, exaltando as falhas do seu irmão mais velho. Mas a mulher não se importava, pois dividia da opinião com o senador; no entanto, o que mais a incomodava era o fato dele sempre mencionar o irmão dela em uma conversa. E já tinha de suportar pessoas falando de Bernard o tempo todo durante o horário de trabalho.
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  – Se você não tem outro assunto para tratar, prefiro fazer a viagem em silêncio.
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  – Ouch. Você não me dá mesmo um desconto.
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  Mas mesmo assim o homem respeitou a vontade da moça e desviou a atenção para o celular e o iPad.
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  O trânsito de Manhattan em uma sexta nunca era livre. Turistas do mundo inteiro se aglomeravam em quase todos os quarteirões da ilha, de forma que um trajeto de 20 minutos facilmente se transformava em quase uma hora. Assim, foi tempo o suficiente para encomendar as compras do final de semana e pedir a entrega na cobertura em que ela dividia com Stephanie. Além disso, tentou contatar Ashton, mas foi o assistente quem retornou, dizendo que ele estava finalizando um protocolo com a última cliente do dia. Por fim, recebeu do pai uma transferência de dinheiro intitulada “happy hour”, mas que era somente uma bonificação pela planilha que ela enviou mais cedo a ele.
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  – Ouvi dizer que você não muda de cargo há cinco anos, .
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  Olhou para o homem sentado do lado oposto do carro. Ele tinha o cotovelo apoiado na borda da janela e olhava para ela com um semblante um pouco mais sério do que antes; conseguia distinguir quando estava apenas a usando como objeto de sua diversão, e quando queria falar sério.
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  – Estou satisfeita com o que faço.
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  – Está? – a cabeça dele inclinou levemente para o lado. Apesar de ter sido um movimento discreto, para , foi como se uma flecha tivesse atravessado seu peito.
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  Era o que sentia quando questionavam sua posição. Ela era a melhor funcionária da prefeitura; metade dos funcionários dependiam dela para muitas coisas, a outra metade não a conhecia. Por que, então, ela não tinha sua própria sala e um salário estrondoso?
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  Mas se fosse para seguir sua própria vontade, jamais estaria ali. Não estaria trabalhando para a prefeitura e envolvida em politicagem. Teria seguido seu sonho de abrir sua própria agência de produção de eventos matrimoniais. Tinha vários contatos, havia participado da equipe de alguns casamentos durante a época da faculdade e nunca se encontrou mais feliz do que naquele momento. A correria, a organização, a sensação de dever cumprido ao ver os noivos deixarem a festa. Gostava até das coisas que davam errado e ela tinha de arranjar uma maneira de arrumar tudo sem que o processo restante fosse afetado.
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  Na prefeitura, tudo era a mesma coisa. Os mesmos serviços, as mesmas pessoas, as mesmas expressões infelizes e as mentiras. Odiava ir para o trabalho, odiava ser uma peça do pai e odiava sentir que sua vida não era verdadeiramente sua. E por mais que tivesse todos esses pensamentos, odiava não conseguir dessa rotina, apenas porque desde pequena foi educada a trabalhar pela família (e para ela também).
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  Olhou para a janela. Poderia agir como Megan, sua irmã mais velha. No ano anterior se casou com um homem quase 30 anos mais velho que havia enviuvado e não tinha filhos. Tudo o que ela fez foi encontrá-lo em uma festa, sorrir e tratá-lo como se fosse um gênio dos negócios; recebeu o anel de noivado oito meses depois. Sua lua de mel durou outros seis meses e, pelos planos da irmã, estaria grávida nos próximos 2 ou 3 meses. Mas não é toda essa história a causa da inveja de pela irmã, mas sim o fato de que, após esse casamento, os pais a tratam como se ela fosse a melhor filha.
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  E agora Megan podia trabalhar com o que quisesse, ser quem quisesse, contanto que conseguisse o controle das empresas do marido, que eram grandes o suficiente para fazerem a diferença no meio empresarial.
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  – Posso te oferecer três vezes o que ganha.
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  Ela olhou para o lado oposto da janela, onde a olhava com curiosidade. Já fazia um tempo que estava curioso para saber qual era a de . Desde que a conheceu, por conta de Ashton, viu uma mudança drástica. Da época da faculdade até os dias atuais, foi como se uma nova tivesse tomado o lugar da antiga, sempre sorridente e perspicaz.
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  – O quê? – ela perguntou, descrente do que havia ouvido.
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  – Você está sendo subestimada, – o homem a respondeu –, você sabe que pode muito mais do que isso.
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  – Eu disse que estou satisfeita com meu trabalho. Além disso, você se esqueceu de que sou uma ? Não posso trabalhar com você.
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   abriu um sorriso.
  – Você pode trabalhar com quem quiser. As eleições já acabaram.
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  Para a sorte de , o carro lentamente diminuiu a velocidade, de acordo com que se aproximavam da entrada do restaurante.
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  – Obrigada pela oferta, mas como disse antes, estou satisfeita com meu trabalho. – ela abriu a porta antes que o funcionário designado ao serviço pudesse agir. E sem esperar uma resposta de , saiu.
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  Enquanto caminhava para a mesa reservada por Ashton, pensou nas coisas que aconteceriam se aceitasse trabalhar para o senador. Primeiro, Bernard falaria um monte em seu ouvido, e ele já fazia isso com uma frequência maior do que ela gostaria; segundo, Megan viria, de novo, lhe dar uma lição de moral, como se todas as suas escolhas fossem corretas e as de , erradas. Por fim, o pai viria com toda a frieza necessária para cima da filha, enchendo-a de lembranças de como ela era antes e como ele investiu nela para que tivesse sucesso.
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  Mas que sucesso? Ela pensou.
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  Respirou fundo, deixando tudo de lado. Isso não importava mais.
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  Olhou para a mesa que o maitre apontou como a reservada. Suspirou ao vê-la vazia, à espera das pessoas que jantariam ali naquela noite. Passou os olhos rapidamente no relógio de pulso, que marcava mais de 20h.
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  Atrasado. Ela pensou, sentando-se em um dos lados da mesa, enquanto parava para cumprimentar todos aqueles que reconhecia, e também os que o reconheciam. Levou cerca de 15 minutos para chegar à mesa.
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  – Uma água – ele falou para o garçom que veio atendê-los –, estamos esperando mais duas pessoas.
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  – Duas? – ergueu os olhos do celular para , que abriu um pequeno sorriso.
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  – Você parece surpresa. Tem certeza de que Clarke te falou sobre este jantar?
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  Poderia conversar com Ashton mais tarde, quando ele a levasse para casa. sabia que o motivo do namorado ter ocultado a presença de era porque ela não conseguia manter uma conversa tranquila, pelo fato de o senador provocá-la o tempo inteiro; por outro lado, não falar que iriam encontrar com outra pessoa?
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  – Ah, ainda bem! – a voz conhecida de Stephanie soou atrás de , que arregalou os olhos para ver a melhor amiga se aproximar de . – Esse trânsito está insuportável. Podemos marcar um jantar para mais tarde da próxima vez? Minha clínica não é perto daqui, sabe?
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   não respondeu nada. Ficou observando os dois se cumprimentarem como se fossem amantes; sabia que Stephanie e de vez em quando saíam juntos – porque os dois simplesmente não sabiam ficar sozinhos –, mas não esperava que Ashton fosse concordar em um encontro duplo. Ele odiava essas coisas.
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  – Oi querido, você me deu um bolo essa semana. – a voz de Stephanie se tornou aveludada, enquanto acariciava o rosto de , que tinha a mão em sua cintura.
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  – Estive ocupado com a reforma do meu escritório. Mas mandei algumas pessoas lá. Não foi o suficiente.
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  – É só por isso que não te liguei. – Stephanie se sentou onde antes o senador estava sentado e olhou para . – A governadora é minha nova cliente VIP.
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  – Parabéns – sorriu para Stephanie –, ela tem filhas, não tem?
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  – Filha – Stephanie disse, fazendo o número 1 com o número –, já marcou consulta na semana que vem. Estou bombando, amiga!
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   sorriu. Stephanie abriu uma clínica de estética e, por conta dos diversos contatos que agregou durante a faculdade, logo chamou a atenção da sociedade nova-iorquina, conquistando uma boa quantidade de clientes importantes, que trouxeram outros clientes, tornando-a o que é hoje.
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  Será que se ela estivesse no ramo de seus sonhos como a amiga, também estaria vibrante como Stephanie estava? Os cabelos longos e pretos da amiga estavam brilhantes como nunca; a maquiagem, perfeita; e ela praticava um autocuidado que a deixava com o corpo que todas as suas clientes buscam em sua clínica.
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  Era por isso que ela e estavam juntos agora. Porque o que ele precisava, era de uma mulher empoderada e visualmente bela para todos ficarem felizes por estarem sendo liderados por um homem que se preocupava com os relacionamentos pessoais. Por outro lado, Stephanie também tinha vantagens; além de gostar de homens bonitos – e era inegável que , por mais irritante que fosse, também era um colírio para os olhos -, se aproximava somente dos que lhe traziam benefícios. E como o homem mostrou mais cedo, ele oferecia muitos benefícios para a lista de clientes da clínica de Stephanie.
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  Cansada com o sucesso alheio, sendo que ao olhar para o espelho via uma mulher séria e sem vida, decidiu enviar uma mensagem para o namorado, agora absurdamente atrasado.
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   e Stephanie não param de flertar um com o outro. Quando você chega para me salvar desse martírio?
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  – Você sabe quem foi lá na clínica hoje, ? – Stephanie desviou o olhar de e o suavizou ao encarar a melhor amiga. – Patricia, aquela megera. Teve a coragem de dar as caras lá e a audácia de “me confundir com uma funcionária”.
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  – Ela não tem muita classe.
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  – Pois você tinha de ter me visto pisando nela e sua herança sem valor. – Stephanie ergueu o queixo. – Sinto que toda a humilhação que ela me fez passar na época da faculdade foi finalmente paga.
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   sorriu. Era isso o que mais admirava na amiga. Ela usava das quedas como combustível para seguir em frente. E por mais difícil que a mulher aparentasse ser, ela só não tinha filtro na língua. Cabia a quem recebia a mensagem, interpretar para o lado positivo, caso quisesse manter um relacionamento amigável com Stephanie.
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  – E agora ela quer fazer parte da lista VIP! – Stephanie riu e olhou para , que observava as duas conversarem com um sorriso de quem estava se divertindo mais com elas, do que com o assunto em si. – Dá para acreditar?
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  – Você devia deixar.
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  – O quê? E por quê? Para ela vir jogar na minha cara que paga minhas contas?
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  – Você fala coisas muito piores para algumas pessoas, Ste. – sorriu para a amiga, que mexeu os ombros, como quem não admitiria a verdade posta em mesa. – E se quer saber, essa acusação não é uma mentira. Mesmo não sendo VIP, ela está pagando suas contas. Então por que você não a faz pagar suas contas maiores?
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  Um silêncio tomou conta da mesa em que estavam, até Stephanie entender o que a amiga queria dizer. Virou-se para , que olhava para com o mesmo sorriso de antes, porém junto de um brilho nos olhos que só o alvo de sua mira pode ver, mas que preferiu ignorar.
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  – É por isso que ela é minha melhor amiga.
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  – Isso, e o fato de você morar em uma cobertura no Upper East de graça. – completou, pegando a taça de água para beber um gole.
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  O “casal” soltou uma risada, mas provavelmente com motivos diferentes, pois enquanto Stephanie mantinha o tom humorado de , permaneceu calado, preso em pensamentos e olhando a namorada de seu grande amigo.
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Capítulo 4

  – Desculpe, desculpe!
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  Os três integrantes da mesa olharam na direção de Ashton que, com o rosto corado e o casaco mal colocado, se uniu aos amigos arfando.
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  – Está explicado a demora. – foi o primeiro a falar. – Decidir vir correndo do outro lado da ilha até aqui não é uma boa ideia em uma sexta à noite.
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  – Não foi do outro lado da ilha, mas dois quarteirões. Essa região tem turistas demais. – sentou-se ao lado de e deu-lhe um beijo rápido nos lábios. – Desculpe o atraso.
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  – Se você quer se desculpar, que tal pagar a conta hoje? – abriu um doce sorriso.
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  – Justo – os outros dois falaram, vendo Ashton erguer as sobrancelhas para os três e então olhar para a namorada bem comportada ao lado.
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  – Tudo bem…
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  – Hum… que sede… – olhou para Stephanie, que abriu um sorriso, entendendo a mensagem da amiga.
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  – Por favor! – ela chamou ao garçom. – O menu de drinks.
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  Ashton apertou a cintura de , que sorriu para ele. O olhar que a moça lhe enviou foi bastante claro.
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  Você merece.
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  O problema em si não era beber ou Ashton não ter dinheiro para pagar. não bebia nunca mais do que dois drinks e Clarke podia pagar a conta de jantares como este toda semana, se quisesse. O problema real era Stephanie. A mulher tinha uma resistência surpreendente ao álcool. Na última vez que a desafiou, terminaram a noite com 9 garrafas de vinho na mesa da cobertura que as duas dividiam – e com os dois homens beberam, juntos, pouco mais de quatro.
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  – Então eu disse, será que você poderia, por gentileza, tirar o traseiro da frente do meu carrinho? – Stephanie falava sem parar e rapidamente, um efeito que o álcool lhe causava. Os três demais olhavam para a mulher, rindo e às vezes fazendo comentários.
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  – Ela pelo menos saiu? – Ashton perguntou, pousando a taça do vinho na mesa.
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  – Depois dessa, apenas uma porta não sairia, pois é surda!
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  – E você? – Clarke olhou para , logo ao lado, colocando o braço em sua cadeira. – Como foi a sua semana?
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  Ah, chegou minha vez. pensou, desanimada. Odiava quando chegava a sua vez de contar, porque nunca havia histórias engraçadas e descontraídas para contar como Stephanie. Falava alguma baboseira qualquer que ninguém via graça e então uma das pessoas presentes se encarregava de mudar de assunto e esquecerem do constrangimento dela.
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  Poderia ter uma vida menos chata? Pensou.
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  – Tentei contratá-la para trabalhar com a minha equipe, mas aparentemente, a prefeitura oferece grandes benefícios aos funcionários do mês. – disse, recebendo um olhar feio de .
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  Stephanie e Ashton olharam para a mulher com expressões surpresas e também interessadas.
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  – não fez uma boa oferta? Ele às vezes consegue ser bem cafona com toda a politicagem dele. – Ashton comentou, aproveitando para alfinetar o melhor amigo, que fez o número 3 com os dedos, enquanto bebia um gole do próprio vinho. – Ora, ora…
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  – Qualquer oferta não seria melhor do que esse emprego chato que você tem, ? – Stephanie olhou para a amiga confusa. – Por que você não aceitaria? Ele pediu para você fazer algum serviço ilícito?
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  – Graças a Deus não chamei vocês para minha campanha. – o senador disse, em tom de riso. – Eu estaria morando na rua se dependesse de vocês para conquistar meus eleitores.
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  – Eu gosto do meu trabalho. – ela ergueu os ombros.
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  O trio manteve-se calado, a observando como se esperassem que ela soltasse um: “Brincadeirinha! Eu não suporto aquele emprego maçante e abusivo!”
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  – Beba, amiga. Só beba – Stephanie pegou a garrafa de vinho e serviu a amiga, completando sua taça com a bebida.
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  E então, após o esperado silêncio constrangedor, Stephanie se encarregou de mudar de assunto e deixar que afogasse sua vergonha no vinho.
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  – Eu estou bem!
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  – Não, , não está. Pare de se remexer ou cairemos os dois no chão.
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  Ao saírem do restaurante, os casais acabaram por se separar. , naquela noite, sentiu-se muito disposta a beber até cair, por isso, não se importou quando Stephanie pediu ao garçom por mais uma garrafa de vinho, nem quando a amiga brigou com o seu namorado no momento em que ele tentou fazer parar de beber.
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  Dessa forma, Ashton acabou descendo com em sua residência, ao invés de somente deixá-la no local como às vezes costumava fazer – nos dias que tinha de trabalhar no sábado, o que era o caso –, e ao perceber que a mulher mal conseguia andar em linha reta ou permanecer séria por um minuto inteiro, viu que só ficaria em paz se a visse deitada em sua cama com uma aspirina, um balde e uma garrafa de água ao lado.
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  – Será que conseguimos fazer as acrobacias igual na Dança dos Famosos?
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  – Podemos tentar, se você estiver disposta a quebrar um braço ou uma perna. – ele respondeu pacientemente, abrindo um sorriso ao ouvir as risadas da namorada.
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  De forma eficiente, a fez tomar um banho rápido, a ajudou a colocar o pijama e então sentou-se ao lado dela quando finalmente deitou na cama.
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  – Você não vai ficar? – ela perguntou, acariciando o braço dele.
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  O homem balançou a cabeça, negando.
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  – Tenho que estar no consultório amanhã às oito.
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  – Quer dizer que não vamos nos ver de novo? – ela resmungou, abraçando a cintura do homem.
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  – Claro que vamos. Os finais de semana são nossos. Só preciso receber o eletricista que vai resolver a questão do meu espelho d’água e atender um paciente. Podemos almoçar juntos, tudo bem?
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   sorriu e concordou com a cabeça.
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  – E você paga. – foi o que ouviu ele dizer, antes dela cair no sono.
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  A rotina de aos sábados de manhã é sempre ir até o parque central fazer uma bela caminhada, independente do clima, tomar um rápido café enquanto assiste as pessoas passearem, e então passar na Whole Foods perto para comprar os ingredientes do almoço.
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  Como havia feito as compras no dia anterior, pelo aplicativo, durante o caminho do trabalho até o jantar, decidiu passar em uma floricultura. Sentia um prazer inexplicável em ver todas aquelas flores e nas combinações que poderia fazer para alegrar um pouco mais sua residência.
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  – Bom dia, Sther. – ela disse à gerente da loja que sempre trabalhava aos sábados. A senhora a olhou com carinho e se levantou, saindo de trás do balcão.
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  – Como você está, menina? Passou um bom tempo desde sua última visita.
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   abriu um sorriso sem graça.
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  – Estive com a agenda um pouco apertada. O que tem de novo hoje?
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  A mulher apontou para um canto da loja, onde orquídeas de todas as cores enfeitavam o local; mas naquele dia, estava afim de fazer um buquê para levar para casa. Lembrou-se, no caminho entre o parque e a floricultura, de um vaso que havia comprado no mês anterior, que ficaria perfeita como enfeite na mesa de entrada do hall.
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  No fim, levou mais que somente um buquê, porque ficaria mais romântico se colocasse um pequeno vaso na mesa de refeição. Ashton chegaria do trabalho e veria uma mesa de almoço linda.
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  – Este frango está uma delícia.
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   abriu um pequeno sorriso. Não era exatamente esse o elogio que procurava, mas tudo bem. Ashton estava se esforçando para dar a ela o que provavelmente todo homem acha que uma mulher quer.
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  – Passei na floricultura hoje – fez um movimento com a cabeça para o enfeite entre os dois. O namorado olhou atento para o vaso e então abriu um sorriso.
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  – Você sempre teve bom gosto com decoração.
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  E o elogio parou ali.
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  Será que ela estava sendo exigente demais em querer um pouco mais de atenção?
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  – Quando poderá tirar férias? – mudou de assunto, para não ficar pensando muito no desânimo que sentiu com a falta de comentário sobre o trabalho da manhã.
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  – Hum… – Ashton olhou para cima. – Pode demorar um pouco.
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  – Você não poderia tirar um feriado? O 4 de julho está chegando, podemos ir para Chicago visitar sua família. Há quanto tempo você não os vê?
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  – Eles sempre vem para cá na Ação de Graças.
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  – Bem, e o que acha de nós dois irmos para o Havaí? Sempre quis conhecer, lembra?
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  Ashton abriu um sorriso e pegou na mão de . Acariciou a mão dela e manteve-se em silêncio por um tempo.
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  Ela conhecia aquele silêncio. Aquela ausência de som ensurdecedora vinha quando ele procurava palavras para descartar as ideias de sem ofendê-la muito.
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  – Desculpe – disse, de repente –, sei que estou em falta. É só que não consigo tirar a cabeça do trabalho. Estou finalmente tendo retorno e só consigo pensar em como aumentar o número de clientes e contratar mais profissionais para trabalhar para mim.
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  A mulher suspirou e olhou para o prato de comida. De repente, não tinha mais fome.
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  Queria, pelo menos, que ele fosse um canalha. Se sentiria melhor se ele agisse com estupidez ou simplesmente a traísse. Haveria um motivo para odiá-lo. Mas sabia que Ashton não era esse tipo de pessoa. Ele sempre foi uma boa pessoa, e agora estava sendo sincero quando dizia que estava sendo egoísta em colocar o trabalho à frente de seu relacionamento pessoal.
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  Se ela estivesse ocupada, cheia de trabalho como ele, talvez não se preocupasse tanto com essa falta que sentia dele.
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  Antes que aprofundasse seus pensamentos no assunto e iniciasse o ciclo de pensamentos destrutivos, ouviu a voz de Ashton:
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  – Por que não aceitou a proposta de ?
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   ergueu os olhos da comida.
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  – Por que aceitaria?
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  O médico ergueu os ombros e encostou-se na cadeira. Olhava para com curiosidade, ao mesmo tempo que tentava entendê-la melhor. Quando o assunto era serviço, a mulher se fechava e criava um muro ao seu redor; ninguém tinha permissão de entrar, nem mesmo ele.
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  – Ele não é uma pessoa ruim. Um chefe ruim, quero dizer. – abriu um pequeno sorriso. – E tenho certeza de que a oferta que fez a você não foi ruim também.
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  – Não posso trabalhar para o concorrente do meu irmão.
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  – Achei que após as eleições, você estivesse livre para fazer o que quiser.
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  Não houve resposta que pudesse ser verbalizada. não queria falar sobre como a família quem decidia onde ela trabalhava, nem muito menos mostrar a Ashton que não era tão forte como ele a imaginava.
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  – É só que… – ele começou a falar, mas parou para pensar e desistiu de continuar. – Que tal irmos fazer compras? Estou precisando de algumas coisas para casa e acho que não conseguiria lidar com minhas próprias escolhas.
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   finalmente abriu um sorriso. Amava quando ele tomava a iniciativa de programar algo para os dois. Era sempre ela quem tinha de tomar as decisões, para agilizar o processo, já que ele estava sempre de cabeça na clínica. Mas parece que esse final de semana seria dela, então estava feliz de poder passá-lo inteiro com Clarke, ao invés de sozinha na frente da televisão.
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  – Boa tardeee! – a voz de Stephanie soou do hall e, segundos depois, apareceu na sala de jantar onde o casal estava. – Que casa mais cheirosa! Ah! Eu amo o seu frango assado!
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  – Pegue um prato então, fiz muito. – sorriu para a amiga, que enviou-lhe uma piscadela e correu para a cozinha.
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  – Achei que ela estava falando das flores ali no hall. – a voz de surgiu, diminuindo o sorriso de , que ergueu as sobrancelhas ao ver a imagem do melhor amigo de Ashton entrar. – Belo vaso.
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   baixou a sobrancelha erguida e bebeu um gole do suco que havia feito para ela e Ashton.
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  – Ela tem sempre bom gosto com decoração. – Clarke sorriu para o amigo, vendo-o se sentar ao seu lado.
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  – Bem, com aromas também – se acomodou –, pude sentir o perfume de dentro do elevador. Boa combinação de flores, .
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  – A-ah… – ela abriu um pequeno sorriso, sem graça. – Obrigada.
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  Não conseguiu evitar manter o sorriso enquanto comia. Estava feliz de ter tido reconhecimento no arranjo que havia feito; poderia ter sido de outra pessoa que não fosse , mas não podia reclamar.
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  – Prepare-se para comer o melhor frango assado da sua vida, . – Stephanie disse, após ela e terem se servido da comida. – A é mais do que um rosto bonito.
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  – Eu agradeceria se você não fizesse propaganda da minha namorada, Allen. – Ashton alertou, mas em tom de brincadeira, pois sabia que não havia risco nenhum de seu melhor amigo investir em sua parceira.
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  – Bem, essa é uma regra que nem eu, e nem obedecemos, Clarke. Se você tem medo de perdê-la, então deve cuidar muito bem dela, mas eu não vou deixar de exaltar as qualidades da minha amiga. – Stephanie ergueu os ombros e continuou a comer seu frango. , por outro lado, sorriu para a amiga. Gostava da maneira como ela era direta, e principalmente, por Allen não tratar Ashton diferente apenas porque os dois um dia tiveram um lance.
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  Ashton permaneceu olhando para Stephanie com um pequeno sorriso no rosto. Já havia se acostumado com o jeito transparente da mulher, e não se importava de às vezes – a maioria das vezes – ser um saco de pancadas de Allen. Os dois tinham maneiras diferentes de se comunicarem e acabavam trocando farpas, mas um jeito diferente de e ; estes dois eram como gato e rato.
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  – Qual a programação do dia?
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   sentiu o estômago embrulhar. Não queria responder e não deu tempo de dar um toque em Ashton, para não dizer nada à amiga.
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  Queria passar um tempo com o namorado, já que dificilmente a agenda do homem estava livre para ela e, principalmente, ele sugeria uma programação para os dois. Mas Ashton, com toda a simpatia e inocência, respondeu à amiga, que sorriu.
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  – Podemos ir juntos? Estou louca para comprar algumas coisas para a clínica, mas só tive tempo para ver online.
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  Ashton olhou para , que não soube dizer ‘não’ à amiga. Poderiam ir juntos e então cada casal seguir o próprio caminho. Poderia, sim, ter um dia romântico com Ashton e aproveitá-lo ao máximo, antes de segunda-feira chegar e sabe-se lá quando ela poderá vê-lo novamente.
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  Mas os casais não se separaram.
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   mordeu o lábio ao ver Stephanie e caminhar em direção ao restaurante que Ashton havia escolhido para o jantar. Passaram a tarde inteira indo de uma loja para outra, até as duas mulheres se verem satisfeitas com as próprias compras. estava tão concentrada na lista que Ashton havia criado, que esqueceu-se de conversar a sós com Stephanie, para esta dar-lhe um tempo com o namorado.
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  No fim, a tarde passou tão rápido, que quando viram, Ashton informou às duas que ele e haviam feito uma reserva em um restaurante para os 4.
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  O restaurante era um rooftop famoso que trabalhava somente com reservas em antecedência, mas ter no grupo agilizava um pouco as coisas. O senador, desde antes de entrar no cargo, sempre foi muito querido principalmente em Manhattan, e os cidadãos da ilha não poupavam esforços para demonstrar.
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  – É um enorme prazer tê-lo conosco, senador – o gerente do local os recebia pessoalmente, levando-os até a mesa reservada. Stephanie havia se encontrado com uma cliente VIP do lado de fora do restaurante e Ashton havia ficado para trás para atender ao telefonema de um paciente.
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  Dessa forma, foi obrigada a ir em frente com , que sorriu para o gerente e a apresentou. O homem mostrou-se surpreso ao ouvir o sobrenome de , muito mais na companhia de . não foi bem nas eleições em Manhattan, e apesar de ele sempre cuidar excessivamente da ilha e as empresas fazerem um bom serviço gerando empregos e movimentando a economia, ninguém parece gostar muito de Bernard.
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  “Não os culpo” é o pensamento que mais tinha quando se deparava com um comportamento mais frio por conta de seu sobrenome.
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  Abriu um sorriso comedido, como ensinava a etiqueta, e seguiu para a mesa designada, sem dizer uma palavra.
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  – Desculpe – ouviu dizer –, não sabia que as pessoas iriam tratá-la dessa maneira apenas por conta do seu sobrenome.
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   ergueu os ombros, não se importando.
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  – Há pessoas que não me conhecem e me tratam como uma rainha por esse mesmo motivo. – bebeu um gole da água servida e colocou o guardanapo de pano no colo. – É assim que as coisas funcionam.
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  Mesmo assim, o homem teve a decência de se mostrar incomodado. achou que a conversa terminaria ali, mas continuou falando.
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  – É por isso que não quer trabalhar comigo? Porque não cai bem duas pessoas com sobrenomes aparentemente rivais trabalharem juntas?
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  – É claro que não – mentiu.
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  Em sua defesa, ela mentiu parcialmente. Não achava que trabalhar com era um problema para quem via de fora; para os , talvez também não, o pai se aproveitaria da situação para tirar algum ganho para as próximas eleições.
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  No entanto, trabalhar para era, sim, um problema. Porque Bernard faria de sua vida um inferno, e daria um jeito de fazer Megan também ficar contra .
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  Além disso, sabia que o pai pediria para que ela fizesse trabalhos à parte contra que ela não queria fazer. Não odiava tanto o homem assim, e concordava que ele era uma pessoa muito mais adequada à posição de senador do que o irmão mais velho. Por fim, isso poderia atrapalhar seu relacionamento com Ashton, se algo viesse à tona, e não colocaria a perder, a única coisa que lhe trazia alegria na vida.
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  Perdeu-se em pensamentos e não percebeu que, durante todo o tempo, o senador manteve-se calado a observando. Ele fazia isso com frequência, quando se encontrava em uma situação em que se calava com seus pensamentos e ele era deixado sozinho.
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  – Desculpe a demora – Ashton chegou e se sentou ao lado da namorada –, alguns pacientes têm a plena convicção de que precisam fazer o uso do meu contato pessoal, quando eu lhes ofereço após uma súplica de desespero com o tratamento.
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  – A mulher que volta toda primavera? – o humor de , percebeu, imediatamente mudou para uma mais interessada e vivaz.
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  – Como? – perguntou, olhando para Ashton, que sorriu.
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  – Ela vem à clínica no início da primavera, para fazer os tratamentos necessários para ter o corpo perfeito durante o verão. É assim com a maioria dos pacientes. O começo do ano é sempre de agenda cheia.
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  – Mas estamos no inverno.
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  – Ela vai para o Brasil passar o ano novo. – o médico riu e logo em seguida pegou o cardápio. – Pediram algo?
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  – Sentamos há pouco. – disse. – Stephanie ainda está lá fora?
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  – No telefone agora. Disse que já vem.
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  – E vocês? Onde pretendem passar o ano novo? Que tal uma festa?
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  – Quem sabe ano que vem? – Ashton disse. – Preciso ir para Chicago. Meus pais não poderão vir para o natal, então serei obrigado a ir para lá no ano novo. Acho que meu irmão vai noivar ou algo assim.
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  – Caramba, o pequeno Joe? Ele ainda não é um adolescente?
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  Ashton riu.
  – 25 não é bem um adolescente. Ele namora a garota desde a época do colégio.
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  Apesar de Ashton estar focado na conversa com o amigo sentado à frente, este em questão percebeu o silêncio de e a maneira como ela se perdeu em seus próprios pensamentos novamente. Decidiu deixar de lado e não provocá-la mais; sabia quando o limite da mulher havia sido atingido e, depois de um dia inteiro cheio de provocações, era bom não arriscar.
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  O que se passava na cabeça de , era a pergunta do porquê Ashton não ter lhe contado sobre o plano do irmão caçula em noivar, ou o fato de ele poder passar o natal em Manhattan e o ano novo em Chicago. Além disso, ele não a chamaria para ir com ela?
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  – ? – ouviu a voz do namorado.
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  – Hum?
  – Que tal um vinho?
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   abriu um pequeno sorriso para Ashton. Será que esperava muito dele? Seria ela uma dessas namoradas chatas e obsessivas? Faria mal perguntar-lhe o motivo de não ter contado a ela?
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  Milhares de perguntas passavam por sua cabeça, mas nenhuma delas foi verbalizada. Pelo contrário, a única coisa que a mulher disse, foi:
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  – É claro.
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Capítulo 5

  – Eu sei que não é da minha conta, mas você precisa saber que seu rosto está péssimo.
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   suspirou ao ouvir a franqueza de Margot na mesa ao lado.
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  Era segunda-feira e o domingo havia passado da pior maneira possível. Ainda que ela e Ashton tivessem finalmente tido um tempo a sós, não pareceu aproveitar nem um minuto do tempo gasto juntos, pois sua cabeça toda hora a lembra de que haviam questões em aberto com o namorado. Esperou por uma iniciativa do homem, que não comentou nada até ir embora do apartamento dela naquela manhã.
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  – Teve uma noite ruim? – a colega de trabalho perguntou, provavelmente mais curiosa para ter uma fofoca a qual contar para as outras pessoas do setor.
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  – Não, só fiquei até tarde acordada – mentiu.
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  Respirou fundo e pôs-se a trabalhar. Havia recebido dois pedidos do pai naquela manhã, e teria que realizar uma delas antes do horário de almoço. Com o corpo pedindo por mais um dia de descanso e a mente, quem sabe, mais uma semana, era melhor que ela começasse as atividades logo.
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  Ouviu ao fundo risadas de várias pessoas. Era incomum que o ambiente estivesse tão… feliz. Geralmente as pessoas estavam centradas em seus afazeres, reclamando da vida ou espalhando fofocas de acordo com o próprio interesse sobre outras pessoas. Mas aquelas risadas não eram como as falsas que sempre ouvia nas festas de confraternização ou quando o prefeito fazia alguma piada sem graça. Todos pareciam estar rindo de verdade.
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  – Eu sabia que o senador iria dar um brilho aqui, mas não imaginava que ele fosse transformar o lugar. Você não acha que o dia está bem melhor com ele aqui?
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  – Hum… – sorriu, mas não respondeu. Não queria pensar em , muito menos no bem que ele fazia para a humanidade com seu bom humor, sua eficiência e sua beleza.
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  Levantou-se para imprimir alguns documentos necessários para preencher alguns pedidos para o evento que aconteceria logo após o ano novo.
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  – Senhorita . – ouviu a voz do senador ao seu lado.
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  – Senador . – retribuiu o cumprimento, sem emoção.
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  – Você parece entediada.
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   virou o rosto para o homem, que estava encostado na parede ao lado da máquina. Observou o ambiente e viu que ele estava vazio.
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  – Você não tem trabalho para fazer?
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  A resposta ácida resultou em um pequeno sorriso do político.
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  – Meu trabalho às segundas consiste em assinar alguns papéis durante todo o dia – Ele ergueu um copo de café para ela. – Você vai ver, daqui a menos de cinco minutos meu assistente estará entrando com alguma coisa nova para eu assinar. Admito, porém, que hoje foi uma exceção. Tive um trabalhinho extra agora há pouco, mas já está tudo resolvido.
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  – Senador… – ouviram a voz de um homem entrar às pressas no local e parar de falar ao ver que os dois estavam conversando. – Ah…
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  – Venha, George. Está tudo bem. Só estava aqui atrapalhando o serviço da sorriu para o mais jovem, que corou e se aproximou sem graça. abriu um pequeno sorriso para o moço, mas viu no rosto de que ele achava tudo uma diversão.
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  “Não disse?” Ele mexeu a boca para dizer.
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  – Obrigada pelo café, senador.
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  – Vejo você mais tarde – disse, mas não respondeu. Virou as costas e voltou para a própria mesa.
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  “É claro que não.” Ela pensou no caminho.
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  Mas como sempre acontece quando algo dá errado, outras coisas decidem dar errado junto, apenas para tornar o dia ruim, em um pesadelo.
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  – , o deputado Smith a gostaria em seu escritório em 10 minutos – a secretária do homem disse ao telefone, fazendo com que pegasse seu caderno e caneta, e seguisse para o escritório do homem.
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  – Ah, ! – ele sorriu. – Não precisará disso hoje. – apontou para o material em mãos da mulher. – Como você sabe, o senador estará conosco pelos próximos meses, e ele me perguntou se é possível de emprestarmos alguns funcionários para fazer parte de sua equipe durante sua permanência aqui.
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  Não. Ela pensou.
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  –… ele comentou que ouviu sobre vários funcionários daqui e que excepcionalmente você teve uma grande quantidade de elogios…
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  Por favor, não.
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  –… então ele veio pessoalmente esta manhã fazer o pedido…
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  Tudo menos isso, por favor.
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  –… e não tive como negar. Então você trabalhará com o senador pelos próximos meses, até ele conseguir realizar a mudança para seu escritório.
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  – Mas deputado, tenho muito trabalho pendente…
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  O homem riu.
  – , a quem quer enganar? Você está em dia com tudo! Até adiantada, devo arriscar. É por isso que pediu pessoalmente por você.
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  – Margot iria adorar trabalhar com o senador…
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  – . – o deputado a cortou, mostrando um tom mais sério. – Eu não estou pedindo uma sugestão, estou informando uma decisão que já foi tomada.
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   se calou e nem mesmo o olhar que costumava fazer o deputado mudar de ideia alterou o curso das coisas.
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  – Sim senhor.
  – Você poderá passar todos seus afazeres para Margot e a nova estagiária. Elas darão conta de tudo. Logo mais entraremos em recesso. Gostaria que você fosse para o segundo andar antes das 15h.
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  – Que injusto! Por que ele não me aceitou? – Margot disse, durante o almoço, indignada. já estava ouvindo há uma hora os murmúrios de lamentação e indignação da colega de equipe. A estagiária tinha uma expressão desesperada, pois nos três meses trabalhando junto delas sabia exatamente como as coisas eram sem por perto.
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  – Veja como uma oportunidade de mostrar o seu valor. – disse, tentando incentivar a moça, mas esta estava centrada demais na chance que havia perdido de trabalhar com o solteiro mais cobiçado da prefeitura.
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  Enquanto ouvia Margot falar sem parar das coisas que havia feito e que resultaram positivamente para o superior, juntava suas coisas, sentindo-se como se tivesse sido mandada para a solitária.
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  “Talvez a solitária fosse melhor.” Ela concluiu quando chegou ao segundo andar exatamente às 15h.
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  – Hum… boa tarde… – murmurou ao secretário de , a quem havia visto mais cedo na cafeteria.
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  – Ah! – ele se surpreendeu com a mulher parada à sua frente. – Senhorita , certo? É, o senador pediu que ficasse aqui. – apontou para a mesa próxima dele, ainda mais próxima da porta que provavelmente era do escritório do homem.
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  – Aqui? – ela apontou para a mesma mesa que o jovem. Ele a olhou como se ela fosse louca. – Quero dizer… achei que meu trabalho envolveria apenas a parte de recursos humanos e tesouraria…
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  – Sim, exatamente. – ele citou, voltando os olhos para o computador como se não fosse esquisito um funcionário que não fosse o assistente ficar próximo do chefe.
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  – Certo. – ela sorriu sem graça e andou a passos lentos para o local. Olhou ao redor e teve a infeliz visão do escritório do homem.
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  A porta estava propositalmente aberta e, lá dentro, estava sentado em sua cadeira falando ao telefone. Parecia relaxado; movia a mão livre, enquanto a outra pousava no braço de sua cadeira. Quando o olhar dele cruzou com o de , a mulher soube imediatamente que ele havia a colocado ali de propósito. Viu, nos olhos do homem, a diversão em tê-la exatamente no lugar em que ela menos queria.
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  O trabalho era, como ela imaginava, simples. Havia alguns erros administrativos que ela precisou corrigir com a equipe, e, por estar sentada longe deles, precisava a todo momento se levantar e se dirigir a eles, ou depender do telefone. Além disso, precisava ficar sorrindo para toda pessoa que entrava na sala de ou aguentar o político se levantar para falar com o assistente, não se importando de atrapalhar o trabalho dela.
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  – Se quiser que eu vá… – o assistente se ofereceu, quando viu no olhar de , o incômodo ao ver apoiar-se na mesa dela. O político ergueu a mão e disse:
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  – Eu preciso esticar as pernas.
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  , como a boa profissional que era, respirou fundo e contou até dez mentalmente, criando um mantra para a paciência que estava testando.
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  No entanto, nada foi pior do que a hora da saída.
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  – Oi , você gostaria de ir a um happy hour conosco? Como você é nova na equipe, pensamos em chamar todos para um jantarzinho. – Judie, uma das integrantes da equipe administrativa, se aproximou no final do expediente à mesa de . Apesar do olhar carismático, sabia com qual intenção estava sendo chamada para a reunião.
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  Todos queriam saber qual a relação dela com , que a tratou com um calor a mais do que os demais funcionários que chegaram dos demais andares.
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  – Ah…
  – Sinto muito, Garner. – a voz de surgiu repentinamente. – não poderá sair com vocês hoje. Tenho um serviço de última hora para ela.
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  – Ah, que pena. E que tal você se juntar a nós, senador? – a moça perguntou, visivelmente mais animada.
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  – Que chefe seria eu de dar trabalho para um funcionário e ir embora? – ele riu. – Tenho uma ligação com a Califórnia em sete minutos. – disse, olhando em seu relógio. – Mas leve George e o faça pagar a conta. – enviou uma piscadela à moça, que voltou quase saltitante para sua mesa.
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  Antes de se virar para voltar à própria sala, falou com o assistente e lhe disse que tinha permissão de pagar a conta no cartão corporativo. Ao olhar para , que ainda o encarava boquiaberta, ele lhe sussurrou:
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  – De nada.
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  O ato, ao invés de deixá-la aliviada, a deixou lívida de raiva, pois mostrou que o homem sabia exatamente as fofocas que rolariam dentro do ambiente de trabalho, e que havia feito de propósito para ela lidar com todo o drama.
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   odiava .
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Capítulo 6

  – Você está com uma cara péssima.
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   olhou para o lado, pensando se aquilo era um déjà vu, pois tinha certeza de que já tinha ouvido isso antes.
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  – Não quer me contar o que aconteceu?
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  Stephanie costuma ser uma mulher egoísta, que gosta de pensar em si antes de qualquer outra pessoa. No entanto, esporadicamente se mostra preocupada com a melhor amiga, a única pessoa a quem ela moveria mais que um dedo para ver feliz.
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  A escassez de ajuda à amiga também se devia ao motivo de a própria nunca demonstrar ou até mesmo precisar de auxílio exterior. Desde pequena, sempre esteve sozinha, contando com a ajuda de si mesma, já que os pais estavam sempre ocupados com suas vidas de pessoas empresárias e ricas, e os irmãos mais a machucavam do que se mostravam companheiros.
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  Era por isso que as duas se davam bem. Porque enquanto uma gostava de só pensar em si, a outra preferia pensar no outro. O combo era perfeito.
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  Contudo, havia dias em que Stephanie chegava na residência em que as duas dividiam, e via os ombros caídos e a expressão cansada de . Era comum a amiga ser quieta ou estar pensativa, o que não era comum, era vê-la exausta, já que nunca fazia mais do que suportava – e havia poucas coisas no mundo que ela não suportava.
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  – Sua família? – ela arriscou perguntar.
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  A família era um item na lista de poucas coisas no mundo que não suportava. Mesmo Stephanie invejando a amiga por ter nascido em berço de ouro e tendo tudo o que ela poderia querer, viu, com seus próprios olhos, como funcionava a família e como esta tratava a caçula.
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  – Está tudo bem. Só tive um dia cheio.
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  A amiga suspirou. Era assim que desconversava. Ela colocava um ponto final sem mesmo iniciar uma conversa. Mesmo se tentasse mais uma vez, a amiga voltaria a dizer que estava tudo bem.
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  Havia apenas uma pessoa que poderia tirar algo da amiga, e ela provavelmente estava ocupada demais com seu consultório e suas consultas em um lugar não muito longe dali.
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  – Que tal chamar os meninos para jantar?
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  – Não. – ouviu de imediato, uma reação até forte para quem estava desanimada até 2 segundos atrás.
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  – Uau. Clarke finalmente fez algo que a aborreceu?
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   continuou olhando para o molho branco que espalhava em cima da massa que colocaria para gratinar. Não estava – muito – aborrecida com Ashton. Havia sim uma questão para ser resolvida com ele – e precisava resolver logo -, mas acima disso, não queria ter de ver . Já havia lidado com ele a tarde inteira; ter de ver sua cara convencida e suas brincadeiras sem graça durante o jantar, para ela, era demais.
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  – O que ele fez? Posso usar isso de arma contra ele?
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  – Não é nada. Só houve uma falha na nossa comunicação. – disse, entediada, polvilhando o queijo ralado por cima do molho branco. – Tem alguma massagista disponível para amanhã? Acho que gostaria de marcar uma massagem relaxante após o serviço.
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  Stephanie imediatamente colocou-se em sua postura de trabalho, os ombros retos, o peito empinado e o sorriso no rosto.
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  – Amiga, sempre há horário para você. Que tal às 19h? Dá tempo de você sair do trabalho e vir para a clínica tranquilamente.
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  – Perfeito. – sorriu, vendo a amiga se afastar para pegar o notebook da clínica, provavelmente para encaixá-la na agenda de alguma massagista.
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  Ter trazido Ashton à tona a fez lembrar das questões que precisavam ser discutidas entre eles. Passariam o natal juntos? E o ano novo? O namorado sabia que ela jamais se importaria de dar a desculpa aos pais de que não poderiam passar os feriados juntos. Inclusive, contava com isso.
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  Mas por que Ashton não contou a ela? Por que ela teve que saber durante uma conversa entre ele e seu melhor amigo?
  Massageou as têmporas e respirou fundo. Eram muitos problemas.
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  Sua atenção foi desviada para o celular que tocou ao lado da pia. Ao ver o nome da mãe no visor, decidiu que aquele dia estava sendo um dos piores do ano.
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  – Oi, mãe.
  – , você ainda não me confirmou se Ashton participará do nosso evento beneficente no final de semana.
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  A jovem fechou os olhos para reunir a pouca paciência que lhe restava e olhou para o céu escuro.
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  – É porque ele ainda não sabe dizer se poderá ir.
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  – Bem, eu preciso dessa confirmação até amanhã. Senão terei de marcá-lo como ausente. Há pessoas querendo entrar na lista, você sabe como esta é uma noite importante para nossa família, deveria estar dando um pouco mais de atenção. Espero que, pelo menos, já tenha definido seu vestido. Não quero saber de pessoas com roupa repetida nas fotos. Falei com Mira essa manhã e ela disse que você ainda não havia retornado as ligações dela. Você sabe quão difícil é garantir uma roupa dela?
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  – Talvez eu não vá com uma roupa da Mira, mãe.
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  – Talvez… ! Não ouse vir com um vestido de marca qualquer! É um evento beneficente! As pessoas olharão para absolutamente tudo em nós! Você não pode estragar tudo, só porque decidiu ser uma garota rebelde de novo! Ligue para Mira agora e marque um fitting com ela até quinta. Eu não acredito que você ainda precise que sua mãe resolva as coisas para você, pelo amor de Deus, !
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  E sem perguntar se a filha estava bem ou até mesmo se despedir, Anne desligou a ligação, deixando à beira de enlouquecer.
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  – Mais uma coisa… só mais uma coisa, e eu acho que piro. – ela murmurou para si mesma, após controlar seus nervos e colocar o celular na pia ao invés de jogá-lo. Tinha autocontrole. Conseguia ser uma pessoa controlada.
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  Colocou a massa no forno e o alarme para despertar na hora que estivesse pronto. Quis deixar o celular de lado e olhar um pouco a noite. Em dias difíceis, somente a natureza conseguia acalmá-la; e a única natureza que havia ali perto naquela hora, além das plantas projetadas do apartamento, era a noite fria do fim de outono.
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  Pense em coisas positivas. Ela pensou, respirando fundo.
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  Pegou o celular e entrou no aplicativo do Pinterest, o único lugar em que ela gastava horas vendo fotos de decoração matrimonial. Quando começa a ver as imagens, percebe que gasta a maior parte do tempo pensando se faria igual ou o que mudaria e pelo quê. Vê-se mais leve e se divertindo, até as imagens darem espaço à ligação de Ashton.
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  – Oi, amor! – ela disse, sentindo um pequeno calor no peito.
  – Ouvi dizer que haverá uma massa gratinada no jantar.
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   abriu um pequeno sorriso. Stephanie deveria ter avisado-o sobre o péssimo humor em que ela estava, e dado uma ajudinha.
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  – Você vem?
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  Ding dong.
   – Logo mais estarei aí.
  Logo mais?
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  Ao olhar para trás, ouviu o alarme do forno indicar que a massa estava pronta. No entanto, o som foi associado a uma sirene emergencial. Nada de bom acontece quando uma sirene dessa toca.
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   soube que seu dia tinha, sim, como ficar pior, quando teve a visão de em sua sala de estar.
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  – Mas se você declarar, não é mais vantajoso? – Stephanie perguntou a Ashton.
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  A conversa estava fluida, mas somente entre os dois. estava calada desde o começo do jantar, quando decidiu que seria uma companhia melhor se não abrisse a boca. Estava mau humorada e a razão do mau humor, sentado à sua diagonal. Nem Ashton, ao seu lado, nem Stephanie, à sua frente, pareciam perceber que somente os dois mantinham a conversação acontecendo.
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  , por outro lado, fazia um comentário aqui ou ali, de acordo com que lhe era pedido a opinião ou quando prestava a atenção na conversa. Estava gastando o tempo que tinha observando . Perguntou-se diversas vezes por que adquirira esse hábito. Começou no dia em que se conheceram, em uma das festas políticas que aconteciam, e que os partidos usavam para mostrar as opções de políticos que tinham para as próximas eleições; era de praxe levar a família e mostrar que eles eram candidatos fortes.
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  Bernard levou, é claro, a esposa, pais e irmãs mais novas. já havia ouvido falar sobre todos eles e imaginava que todos fossem exatamente como realmente eram: exceto . Ela não era arrogante, estúpida ou mesquinha. Seu silêncio a fazia ser muito mais inteligente do que 98% das pessoas no local, e ninguém parecia se importar com ela, principalmente quando a mulher se separava de sua família para ter um momento de paz.
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  Desde então tem gasto seu tempo observando a mulher que, apesar de nascida em uma família egoísta e repleta de interesses, tem um orgulho diferente de seus familiares.
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  – Que tal um filme? – ouviu ao seu lado, tirando-o de seus pensamentos.
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   olhou para o lado e viu a atenção de Stephanie voltada para ele. Percebeu, então, que Ashton e haviam entrado em uma conversa entre eles, e era por isso que Allen sentiu-se inclinada a criar um assunto com ele.
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  – Por que não? – ele sorriu.
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  Os dois casais então tomaram seu rumo. Enquanto e Ashton cuidavam de tirar a mesa, Stephanie e seguiam para a sala de televisão.
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  Na cozinha, deixava as coisas organizadas enquanto Ashton trazia as coisas da mesa. Apesar de terem uma funcionária doméstica, a mulher achava que se não tirasse a mesa após a refeição, a casa ficaria cheirando a comida no dia seguinte, por isso, deixava tudo na cozinha e os alimentos na geladeira.
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  Diferente das vezes anteriores, Ashton não tentou puxar assunto, e nem . Havia algo entre os dois e ambos conseguiam sentir a tensão. Terminaram de deixar tudo pronto para a funcionária no dia seguinte e caminharam silenciosamente até o quarto de .
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  – Sua mãe me ligou hoje.
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  A notícia desviou a atenção de do que estava fazendo para postergar o início de uma conversa. Queria saber como introduzir a questão sobre a qual queria falar, mas não esperava que ele fosse iniciar a conversa justo com essa informação; também não esperava que a mãe fosse ser tão intrometida a ponto de ligar para ele.
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  – Parece que temos um jantar no sábado? – ele perguntou, usando o tom de quem achava graça. Mas sabia que Ashton não achava nada engraçado. Odiava fazer papel de idiota na frente dos pais dela, e isso sempre acontecia quando ela decidia esconder algo dele.
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  – Eu estava buscando uma razão…
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  – Para não ir? – ele completou a frase, calando-a. – Você acha que conseguiria pular o baile beneficente que seus pais dão anualmente, e que praticamente todas as pessoas que importam para sua família vão?
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  Ela não precisava ter se sentido ofendida, mas foi exatamente o que aconteceu. Odiava quando Ashton, como método de defesa e até vingança, fazia uso do sarcasmo. Sabia que não estava certa e iria se desculpar, mas não ajudava em nada ele agir daquela forma apenas porque seu orgulho havia sido um pouco ferido.
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  Assim, ao invés de se desculpar, manteve-se calada. Ashton sempre entendia seu silêncio. Tudo o que ela precisava fazer, era esperar que ele se acalmasse e então os dois poderiam conversar de igual para igual, afinal, ela também tinha questões que a estavam incomodando e que certamente não era sua culpa.
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  – Confirmei minha presença. – ele disse. – Mas seria melhor se eu soubesse de você as programações que terei de participar com a sua família.
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  – Eu sei. – ela disse, tentando seu melhor se mostrar arrependida. – Me desculpe, eu apenas posterguei porque… bem, não importa. Obrigada por ter lidado com… ela.
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  O incômodo estava tão aparente, que até mesmo o homem pareceu se sentir compadecido da situação que a namorada se encontrava. dificilmente fazia algo de errado, então sempre que acontecia, ele tendia a perdoá-la com a mesma facilidade que ela pedia desculpas.
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  Foi abraçá-la, mas sentiu o corpo tenso da mulher. Estranhou; sempre amou ser abraçada. Ele, inclusive, sempre usou essa arma para acalmá-la quando fazia algo de errado.
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  – Aconteceu algo?
  – Quais são seus planos para os feriados?
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  Uma das qualidades de Ashton, era que ele nunca foi uma pessoa lerda. Sempre captou as mensagens que colegas da faculdade ou paqueras lhe passavam. Sabia, também, quando havia um tom diferente na voz de , que sempre dirigia a ele com muito carinho.
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  – Bem, meu irmão me ligou falando sobre os planos de pedir a namorada em casamento, e praticamente implorou para que eu estivesse lá. Acabei cedendo.
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  – E quando ele ligou?
   também não era burra. A demora na resposta mostrou que fazia tempo o suficiente para ele contar a ela e os dois começassem a se programar.
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  – E o natal?
  Mais uma vez, ficou sem resposta.
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  – É muito injusto você se aborrecer comigo por não ter contado sobre um evento que não quero ir, e você deixar de me contar que passará o natal e o ano novo longe.
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  –
  – Pois, pelo que entendi, o fato de você não ter me contado significa que não quer que eu vá junto.
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  Ela o encarou e esperou que ele prontamente negasse, como seria o certo. Contudo, Ashton permaneceu calado, o que, agora sim, a deixou furiosa.
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  – Você vai ter a decência de me falar o motivo?
  – Decência? – ele a encarou, sério. – Não há nada indecente na situação, . Eu só achei que…
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  – Que o quê, Ashton?
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  O homem não respondeu. não soube o que pensar, porque não sabia o que havia feito de errado para ele excluí-la de um momento tão importante na vida dele. Não tinham um relacionamento curto, eram mais de 7 anos juntos. Além disso, agora que havia parado para pensar, não deveria estar aborrecida por Ashton não ter nem mencionado casamento para ela? Os dois não deveriam estar pensando em dar um passo a mais na relação?
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  Por que estava dando tudo errado?
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  – Você vai querer resolver isso agora? – ele perguntou. o olhou, descrente e sentindo-se traída. Ele era a única pessoa de sua vida que verdadeiramente se preocupava com ela, mas, aparentemente, o tato já estava começando a dar sinal de falhas.
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  Não conseguia acreditar que ele estava tentando ir embora.
  Mas se ficasse, o que aconteceria de melhor? Ela ouviria alguma verdade dolorosa?
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  – Não, mas teremos que resolver isso logo. – ela respondeu, vendo-o assentir e hesitar antes de ir até a porta e sair.
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   o acompanhou, apenas guiada pela curiosidade de ver como ele iria embora. Primeiro, vestiu o casaco sobretudo que o protegeria do frio; em seguida, pegou sua pasta de trabalho. Caminhou até a porta e olhou para a namorada, séria, a mais de 5 passos largos dele. Ela nunca ficava mais que 3 passos longe dele.
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  – Boa noite – ele disse, fazendo menção de ir até ela e então desistindo, saindo sem olhar para trás.
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  O choro entalado imediatamente surgiu, como se tivesse um radar anti-namorado. Não poderia mostrar para ele que havia se aborrecido tanto quanto se aborreceu.
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  Caminhou até a área externa da cobertura, onde duas chaise longs estavam estrategicamente posicionadas de frente para uma das melhores vistas de Manhattan. Sentou-se e abraçou as pernas, deixando que as lágrimas escorressem.
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  Quando não havia mais nenhuma lágrima para sair, a consciência foi lhe voltando à mente, deixando-a ainda mais aborrecida. Ele não devia fazer isso com ela. O que ela fez de errado? Por que ele a estava excluindo?
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  Sem nenhuma resposta para suas perguntas, sentiu as costas serem aquecidas por uma manta. Olhou para o lado, onde permanecia em pé olhando para a vista.
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  – É assim que se pega pneumonia. – ele somente disse.
  – Não estou de bom humor, .
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  O senador não lhe respondeu. Não precisava saber do motivo que a deixara assim. Havia ouvido. Apesar de estar na sala de televisão basicamente sozinho, já que Stephanie tinha um dom de cair no sono em 10 minutos de filme, o casal havia falado tão alto que era como se ele estivesse presente no quarto de .
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  – Se você não quiser trabalhar comigo, posso resolver em um instante.
  – Não estou chorando por causa de você.
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   abriu um pequeno sorriso.
  – Seria mais fácil para mim se estivesse. Sei muito bem como lidar com as mulheres a quem machuco.
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   respirou fundo.
  Mas ao invés de sair, se sentou na chaise long ao lado do dela e lhe perguntou:
  – Por que me odeia?
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  A pergunta, apesar de vinda repentinamente, a pegou de surpresa porque nunca imaginaria que ele fosse fazê-la de forma tão direta, em um momento tão inoportuno.
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  – Você não está realmente me fazendo uma pergunta pessoal em um momento em que tudo o que menos preciso, é falar sobre meu desgosto sobre você.
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  – Estou. – ele abriu um sorriso. – Estou sim. Por quê?
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  Mais uma vez o ar entrou e saiu dos pulmões de em uma velocidade que marcava o aborrecimento.
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  – Por isso. – ela apontou para ele. – Exatamente por isso. Você não sabe quando parar! Não sabe quando ficar calado, nem quando deixar de agir. Você se intromete e vem com comentários supérfluos como se fosse a pessoa mais carismática do mundo.
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  – Mas não sou.
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  – Você já me viu rir de algum dos comentários? – ela perguntou grosseiramente. Fechou os olhos e engoliu um bolor que se formou na garganta. – Odeio como você vem conversar comigo como se eu fosse uma integrante à parte da minha família, mas sempre usa esse mesmo tema para me provocar!
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  Após terminar de falar, permaneceu calado olhando para com calma. Esta, por outro lado, logo se arrependeu de ter perdido a cabeça. Apesar de só ter dito suas verdades, aprendeu na etiqueta que essa era a coisa mais abominável a se fazer.
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  Enterrou a cabeça entre as pernas e sentiu o choro voltar à garganta. No entanto, dessa vez, parecia haver mais alívio do que dor. Era a primeira vez que ela havia extravasado daquela maneira, e apesar de ter sido uma das piores experiências que tivera, não era, nem de longe, a que lhe pior causou mal estar. Muito pelo contrário. Estava bem. Havia se esquecido um pouco de Ashton.
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  Virou a cabeça para , mas apenas um pouco, já que não queria mostrar um rosto muito inchado pelas lágrimas. No entanto, quando encontrou o rosto do homem, não viu surpresa, aborrecimento ou indignação. Ele parecia tranquilo e até um pouco feliz, afinal, seu plano havia dado certo. colocou para fora sua frustração; e mesmo que não tivesse sido pelo motivo real de suas lágrimas, ainda assim a faria se sentir melhor.
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  – Preciso ir. – ele disse olhando para o relógio em seu pulso. – Até amanhã, . Não pense que aceitarei atrasos. – e usando o mesmo sorriso que uma pessoa que não tivesse presenciado a ira de alguém usaria, ele lhe enviou uma piscadela e foi embora.
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  , contudo, permaneceu encolhida na área externa, mas não mais aborrecida ou magoada. Estava confusa. Não esperava ver o homem cuidar dela de sua própria maneira, uma maneira efetiva e que, talvez, tivesse mudado um pouco o conceito que ela havia criado sobre ele em sua cabeça.
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Capítulo 7

   pensou que a manhã seguinte fosse ser um martírio.
  Por isso foi uma surpresa quando chegou em sua mesa e viu uma pilha de trabalho para realizar.
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  – Espero que não se importe – disse George, o secretário de , na mesa ao lado. Ele, diferente das outras pessoas, não se importava em ter tido uma mesa nova acrescentada ao lado da sua a pedido do chefe. perguntou a si mesma se ele não se preocupava em aquilo significar que sua posição estava em risco, mas viu que não. George focava em seus afazeres e não gastava tempo fofocando com o resto da equipe ou criando especulações ao invés de completar seus deveres – O senador gostaria que tudo isso fosse revisado para aprovação até às 16h.
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  Qualquer pessoa iria resmungar ou reclamar do trabalho e do chefe, afinal, não estava à frente de cinco pastas de trabalho, mas cerca de cinco caixas.
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  Contudo, viu-se aliviada por ter com o que ocupar a mente. Ainda era terça-feira e devia ter alguns dias antes de voltar a falar com Ashton. Não queria ter tempo livre para ficar pensando no assunto.
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  – Tudo bem. – respondeu ao moço, que logo desviou sua atenção de volta para o próprio computador.
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  Ela sempre foi boa com cálculos. Mesmo odiando números, sempre foi boa em lidar com eles. Na escola, era alvo de piada e inveja, porque não fazia muito esforço para tirar uma boa nota. Foi por isso que o pai a mandou para a prefeitura; porque quando uma pessoa era boa em resolver números, também era boa em alterá-los de forma a parecerem convincentes.
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  Não que mudasse os números de documentos importantes relacionados às empresas . Era apenas mais fácil ganhar credibilidade com um bom serviço e, no momento certo, omitir algum resultado negativo para as empresas do pai ou esquecer-se de declarar algo “pouco importante”.
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  Mas, por algum motivo, era uma pessoa tão boa de cálculo quanto ela, e por isso não foi uma surpresa quando, ao abrir a primeira caixa, o sobrenome estivesse estampado na capa da primeira pasta.
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  Ele está me testando. Ela concluiu.
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  Afinal, que maneira melhor de se saber da índole dela, senão a fazendo revisar o trabalho que ela mesma fez propositalmente nos últimos cinco anos?
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   olhou na direção do escritório de . O senador não apareceria durante a manhã na prefeitura, pois tinha outros trabalhos a fazer, como visitar cidades vizinhas e conferir se a reforma do prédio de seu escritório estava em dia.
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  Ótimo. Ela pensou. Tinha tempo para raciocinar em cima de todos aqueles números e criar um bom argumento para justificá-los. Conseguiria fazer isso, era expert em criar soluções para problemas de última hora. Olhou para o relógio. Ainda eram 9h. Tinha tempo o suficiente até às 16h.
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  – Você não acha arrogante demais de em não se envolver com as pessoas da equipe?
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  “E lá vamos nós…” fechou os olhos. A cada 10 vezes que ela ia ao banheiro, duas a três vezes ouvia outras mulheres falando sobre si.
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  Não que ela fosse carismática e pudesse ganhar o prêmio de miss simpatia, mas o que custava não falarem dela?
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  – Ela sempre foi assim. Deve ser o sangue azul.
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  “Ou a timidez” o assunto pensou dentro de sua cabine. Se queriam tanto falar com ela, por que não a chamavam para almoçar? Ou, quem sabe, passavam em sua mesa para jogar conversa fora? Margot fazia isso o tempo todo e eram amigas. Não, não amigas. Mas boas colegas.
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  – Como é bom ter pais que bancam tudo, né? Por que mesmo ela trabalha aqui ao invés de estar na empresa da família?
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  A outra moça soltou uma risada.
  – Bode expiatório. Eles precisam de alguém para fazer todo o trabalho sujo.
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  – Nossa… ela é mesmo muito mais vigarista do que a cara sem graça que tem.
  – E você já viu o namorado dela?
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  Antes que pudesse falar algo de Ashton, apertou o botão de descarga, assustando as duas mulheres, que mais do que rápido saíram do banheiro, a fim de não serem pegas pela pessoa que estava dentro do box. Mal elas sabiam que era o próprio assunto que escutava as maldades.
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   suspirou e saiu do box ao perceber que estava sozinha no banheiro. As pessoas não tinham mesmo o que fazer.
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  Odiava vir para o trabalho.
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  Lavou as mãos e olhou para o próprio reflexo no espelho. Seu rosto era tão sem graça assim? Não era de chamar a atenção, como Stephanie, mas também não era uma completa desleixada. Tinha seus hábitos de saúde e beleza, e apesar de sempre achar que falta algo, não faz ideia do que seja.
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  Saiu do banheiro pensativa e não prestou atenção no caminho, acabando por trombar com alguém e quase caindo, se o reflexo da outra pessoa não fosse tão bom.
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  – Opa, ! – a voz de soou.
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  Em um simples piscar de olhos, se viu sendo segurada pelo senador, que passou o braço por trás de sua cintura, aproximando-se mais do que ela jamais permitiria. limpou a garganta e, em um pulo, foi para longe do político, que abriu um meio sorriso de quem se divertia com o desconforto do outro.
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  – Eu não mordo.
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  A mulher suspirou e encarou o homem a quem mostrou toda sua fraqueza na noite anterior. No caminho de casa para o trabalho, havia se dado ao trabalho de sentir vergonha de encará-lo após ter mostrado um lado que ela não havia mostrado a ninguém. No entanto, precisava manter a pose profissional e, acima de tudo, mostrar ao homem que ela não era fraca como todo mundo achava.
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  Por isso, limpou a garganta e voltou à pose de trabalho, o que não passou despercebido pelos olhos de águia do senador. O homem perguntou a si mesmo, durante os momentos livres que aconteceram pela manhã, como a moça estaria. Nunca a havia visto daquela maneira, e apesar de saber que qualquer pessoa humana que guarda muito as coisas dentro de si, eventualmente corria o risco de explodir, não imaginava assistir tão destruída como estava. O que Ashton estava fazendo?
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  – Revisei os arquivos que solicitou. Não houve muito o que alterar. Gostaria que eu deixe todos eles em seu escritório?
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  – Sim. Irei conferir e aprovar tudo durante o final do dia. – ele disse, vendo-a assentir e então se afastar, não dando chance para ele fazer qualquer outra coisa.
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  É verdade que ele havia propositalmente enviado trabalho para , a fim de verificar a idoneidade dela com o trabalho. Sabia, também, que ela quem havia criado a maioria daqueles documentos, e esperava que tivesse alguma reação para cima dele. A mulher não era nada burra, logo perceberia as intenções dele.
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  E era exatamente isso o que queria. Ele queria que ela se sentisse ameaçada para saber como a mulher lidaria com a pressão. Pelo jeito, não parecia nada conturbada, nem com ter sido posta em uma posição de aprovação, nem com o que havia acontecido na noite anterior.
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   abriu um pequeno sorriso e colocou as mãos nos bolsos. Olhou para cima e fechou os olhos. Precisava parar de gostar tanto de desafios. Apesar de nunca ter acontecido, sabia que eles poderiam levá-lo a um caminho que ele não queria chegar.
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  Olhou para o celular e discou o número da pessoa que poderia resolver os seus problemas.
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  – Senhor , já são sete da noite. – George bateu levemente na porta e colocou a cabeça para dentro da sala do senador, que ergueu a cabeça dos papéis que havia revisado durante a manhã e à tarde.
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  – Quero terminar isso. Pode ir, George, obrigado.
  – Boa noite, senador. – o jovem disse.
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   olhou pela porta de vidro a mesa vazia de . Ela deveria ter saído dentro do horário, uma hora antes. Voltou os olhos para os papéis que ela havia revisado.
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  Uma coisa que ele havia aprendido sobre as pessoas, era que elas, quando postas em uma posição de vítima, instintivamente agiam com impulsividade, onde geralmente mostravam quem realmente eram ou cometiam erros que poderia prejudicá-los. Por isso, era expert em colocar as pessoas em situações desconfortáveis. Gostava de escolher as pessoas que, mesmo sob pressão, eram racionais e dificilmente seguiam o caminho do erro e do desespero.
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  Quando pediu para revisar aqueles arquivos, esperava que ela mudasse alguns números ou, quem sabe, até os ignorasse. São os dois lados da moeda e qualquer um diria muito sobre sua personalidade. Além disso, dentre todos os arquivos, haviam alguns poucos mais importantes do que qualquer outro; ela deveria saber quais eram e esperava ver, neles, alguma mudança que o fizesse pegá-la no flagra. Apesar de não ter nada contra e até admirá-la, ela ainda era uma , e a família é famosa por ser politicamente correta em todas as áreas da vida, ao mesmo tempo em que mantém um grande número de seguidores não tão politicamente corretos como eles.
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  Contudo, , além de ter identificado erros que poderiam levar as empresas a um questionamento, justificou todas as alterações com provas cabíveis.
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  Eram quase dez da noite quando encostou-se em sua cadeira com um sorriso no rosto. Jogou o documento dentro da caixa e a fechou. Essa era a primeira vez que uma pessoa o fazia desistir.
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  Olhou o visor do celular, onde o contato que havia ligado mais cedo retornava a ligação. Suspirou e atendeu, sabendo que estava, provavelmente, dando um passo além do que suas pernas poderiam aguentar.
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  – Uau, amiga! – ouviu a voz de Stephanie quando esta chegou do trabalho.
  A sala estava repleta de vasos e flores espalhadas por todo o canto.
  – Inspirada?
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  – Entediada. – respondeu, cortando o caule de uma rosa, e colocando-a no vaso com água que estava quase pronto. – O jantar está no forno.
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  Stephanie foi caminhando nas pontas dos pés, desviando de ramos e mais ramos de flores. A sala não era pequena, portanto, não fazia ideia de quantas bancas de flores havia passado para conseguir aquela quantidade.
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  – O que aconteceu? – ela perguntou a caminho da cozinha, depois de ter deixado suas coisas no quarto e trocado de roupa para o pijama. – Sempre que você exageradamente se dedica a algo, é porque quer fugir de algum problema.
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  A amiga fingiu não ouvir. Se Stephanie sabia que ela queria fugir de um assunto, então não deveria estar querendo trazê-lo à tona. Ouviu o suspiro da outra, que foi até a cozinha fazer o próprio prato. Mas sabia que não acabaria por aí. Stephanie conseguia ser extremamente inconveniente quando queria.
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  – Seus pais fizeram algo? Bernard?
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  – Quando eles não fazem algo? – ela disse suavemente, dando um espaço maior entre ela e o vaso que havia terminado, conferindo se estava bom daquela maneira ou se precisava mudar alguma coisa. Como sempre, estava perfeito. Levantou-se e colocou o vaso bem ao lado da entrada.
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  – Então quem foi? Megan? Ela te ligou de novo?
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  – Ligou – olhou para cima, para se lembrar do sermão que a irmã mais velha havia lhe dado, simplesmente por ela não ter pego o vestido no tempo que a mãe pediu. Como resultado, a irmã havia lhe mandado ela mesma um vestido para a mais nova, exigindo que ao menos se desse ao trabalho de ir bem arrumada.
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  – Ela é um pé no saco, não é? O que foi dessa vez? Você esqueceu de vestir Chanel durante a semana de novo?
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   abriu um pequeno sorriso. Adorava o humor ácido que Stephanie sempre dirigia aos seus familiares. Especialmente a Megan. As duas nunca se deram bem; enquanto a irmã sempre diz que anda com Stephanie de birra, como se quisesse provocar a própria família, a amiga apenas se esforçava em irritar Megan o máximo que podia.
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  – Bem, vou mudar o assunto. Você não precisa ouvir sua irmã e sobre ela no mesmo dia. – Stephanie arranjou um espaço na mesa ocupada por buquês e mais buquês de flores, e disse: – Eu e não estamos mais juntos.
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  Aquilo, de fato, havia chamado a atenção de . Mais até do que ela gostaria de admitir. Esforçou-se em não virar o rosto e tampouco mostrar qualquer sinal de curiosidade.
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  – E vocês chegaram a estar?
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  – Ah – Stephanie soltou uma risadinha –, não exatamente. Nós aproveitávamos a companhia um do outro, você sabe.
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  – Hum…
  – Mas agora acabou de vez. Ele acabou, quero dizer.
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  – Ele? – sem pensar e sem permissão, a cabeça de virou na direção de Stephanie. – Ele terminou com você?
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  Stephanie riu.
  – Não é? Você sempre tem as reações certas, amiga. – deu uma mordida na comida e se levantou para pegar uma taça de vinho, trazendo outra para . – Não é como se eu não esperasse… é por isso que estou assim, bem. Ele já estava um tanto… morno.
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  – Ah.
  Stephanie usava da palavra “morno” para descrever homens que já não ofereciam nenhum benefício a ela. E a benefícios, sempre tem a ver com clientes potenciais e atividades sexuais.
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  – Ou talvez eu ache isso porque conheci um cara novo.
  – Quem?
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  – Brandon. Ele é dono de uma agência imobiliária de luxo em Los Angeles.
  – Los Angeles? – ergueu uma sobrancelha e bebeu um gole do vinho. – Que conveniente.
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  Stephanie limitou-se a apenas sorrir e beber mais de seu vinho. Em seguida, mexeu os ombros e suspirou.
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  – Tenho clientes de lá. Só acho que, até o final do ano, posso estar com uma quantidade maior e, quem sabe, abrir uma filial…
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  – E como você faria com a sede?
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  – Bem, é claro que tudo irá depender de como serão as coisas, mas você sabe, tenho Mary lá e ela é ótima. Se me aguenta, é boa o suficiente para aguentar qualquer outra pessoa.
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  – Espero que tenha aumentado o salário dela.
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  – Melhor que isso! – sorriu. – Estou dando uma porcentagem para cada boa cliente que ela trás. E caso essa se torne VIP, a comissão é ainda maior. Foi um bom incentivo. Ela está fazendo um trabalho melhor do que .
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  – não precisa trazer clientes para você, Ste. Ele não é seu funcionário.
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  A morena revirou os olhos, como se aquilo não fosse importante. Todos os seus relacionamentos se baseavam nos contatos que o homem tinha. Mesmo que o sexo não fosse bom, se houvessem pessoas importantes ao redor dele, então tudo o que Stephanie tinha de fazer – e fazia muito bem – era fingir um orgasmo.
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  – De qualquer maneira, estou falando sobre eu e , só para o caso de seu namorado vir com perguntas desnecessárias. Sei que era ótimo sairmos juntos os quatro, mas você sabe como eu sou, não é?
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  – Sim, uma vadia.
  Stephanie soltou uma gargalhada.
  – Saúde à vadiagem.
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   abriu um sorriso e bebeu um gole do vinho com a amiga. Não queria pensar na hipótese de solteiro. Não importava para ela, pois além da obrigatoriedade de trabalhar para ele nos próximos meses, não tinha nada a ver com a vida do senador. E nem queria.
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  Os pensamentos se desviaram então para Ashton. Ela olhou para o próprio celular, cujo visor da tela estava escurecido pela falta de atividade. Desde domingo, Ashton não havia mandado nenhuma mensagem. Nem flores. Nada.
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  Talvez o relacionamento deles também estivesse “morno”. Os dois mal se viam, e quando acontecia, apenas se dedicava a mimar Ashton. Apesar dele se esforçar em retribuir, ela via o interesse dele em olhar para o celular e conferir se estava tudo certo em seu consultório. Mesmo aos domingos. Mesmo aos feriados. Mesmo durante a madrugada.
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  Suspirou, entristecida. Havia fugido o dia todo de pensamentos racionais e assertivos. Não queria chegar ao inevitável. Não queria fazer com Ashton o que havia acabado de fazer com Stephanie.
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  Principalmente porque sabia que, ao contrário do senador e da melhor amiga, ela mesma não ficaria bem. Perderia sua única alegria.
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  Mas estava realmente feliz?
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Capítulo 8

  Esperou pacientemente que a chamasse até seu escritório no dia seguinte, e a questionasse sobre as revisões que havia feito nos documentos por ordem dele. No entanto, até meio-dia, permaneceu em uma reunião atrás da outra e, toda vez que passava pela mesa de , pedia para ela realizar um novo trabalho. Aparentemente, haviam muitas empresas lhe dando trabalho, e ele queria garantir que os números estivessem corretos.
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  Durante todo aquele dia e os três seguintes, passou em meio a contratos, receitas federais e cálculos. Basicamente, era o mesmo trabalho que fazia como funcionária da prefeitura, mas exigia sempre uma descrição detalhada, o que tomava mais de seu tempo e exigia uma revisão antes da entrega. Não era porque ela receava ser pega pelo homem, mas porque não queria levantar suspeitas de que estava fazendo algo pelo pai.
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  Com toda a correria, sábado chegou em um piscar de olhos.
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   olhou para o celular em sua penteadeira, enquanto ela fazia o ritual dos cuidados da pele. Ashton não havia entrado em contato. Ele sequer havia confirmado um horário com ela.
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  Talvez não venha. Pensou, passando a água termal e finalizando a hidratação.
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  Deveria ela, então, ligar para ele? Ou seria melhor que os dois não se falassem? No entanto, o que sua família diria? O que aconteceria se ela chegasse sozinha em um evento em que toda sua família estaria em casal? Conseguiria aguentar toda a pressão sozinha? Com a companhia de Ashton, eles apenas se esforçavam em parecer perfeitos.
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  Suspirou, exausta. Odiava pensar tanto.
  Passou todo o dia entre leitura de livros, conferindo todos os vasos de flores que havia decorado no começo da semana, e preparando receitas que salvou em seu Instagram.
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  Às cinco, se dirigiu para o salão de beleza reservado por ela. Se não fosse assim, teria de encontrar com a mãe e a irmã no salão que costumam ir. se esforçou em achar um local que a agradasse e fizessem um bom serviço de cabelo e maquiagem, para que pudesse se livrar das duas.
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  No entanto, quando estava prestes a terminar a maquiagem, seu celular tocou informando que havia chego uma nova mensagem.
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  Passarei para te pegar às oito. Ashton.
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  Ashton. Sem um “beijos” ou “te amo”. Apenas Ashton. O estômago de embrulhou ao pensar no que tudo aquilo significava. Ela não era de ficar inventando mil e uma coisas para justificar algo de errado, mas, naquela ocasião, não conseguiu evitar. A falta de uma despedida significava algo, não é? Um namorado amoroso deixar de dizer que a ama ou de deixar um cumprimento só poderia significar que as coisas estavam piores do que ela imaginava, não é?
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  – Está pronta, . – a maquiadora disse.
  – Obrigada. – ela sorriu para a moça, que enviou-lhe uma piscadela e se afastou com o carrinho de maquiagem.
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   tomou seu tempo para acertar a conta e pedir um táxi para levá-la para casa. Tinha uma hora para se trocar e estar pronta para Ashton. Sua mãe já lhe mandava mensagens para informá-la o horário que ela deveria estar no local. , como sempre, não respondeu. Deixou que a mulher mandasse dezenas de mensagens e fosse deixada no vácuo. Já havia confirmado, pela manhã, que estaria no evento e que não agiria com rebeldia – como se ela sequer fizesse isso.
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  O vestido de veludo preto era de um modelo sereia com os ombros à mostra. Os cabelos de estavam presos em um rabo baixo; penteado fino e delicado. Colocou um ponto de luz como colar e brincos dourados longos que pudessem contrastar com sua pele. Colocou uma sandália de tira e se olhou no espelho. Estava, como sempre, bem arrumada. A maquiagem era leve e ao mesmo tempo marcante. Os pais odiavam quando as filhas usavam maquiagem pesada e que tirasse a imagem de uma família fina.
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  Às oito em ponto o interfone tocou, informando a que Ashton estava à espera dela.
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  Suspirou quando levou o interfone de volta à base, e também quando entrou no elevador, digitando o código de segurança para que ninguém chegasse ao apartamento. Suspirou antes da porta do elevador abrir e uma última vez antes de abrirem a porta para ela sair.
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  O estômago embrulhou ao ver Ashton encostado no próprio carro vestido no smoking que os dois compraram juntos no ano anterior. Os cabelos louro escuros dele estavam seguros pelo gel e uma das mãos no bolso, enquanto a outra segurava o celular, na qual tinha a total atenção dele.
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  – Oi – ela disse, vendo-o erguer a cabeça e se desencostar do carro.
  – Oi – Ashton respondeu, abrindo a porta do passageiro para ela entrar.
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  Enquanto ele se despedia do funcionário e contornava o carro para entrar em seu posto de motorista, se pôs a observar todos os sinais.
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  Não houve nenhum “tudo bem?”, muito menos um “você está linda”.
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  O embrulho do estômago subiu até sua garganta e ela segurou o choro. Poderia estar se precipitando. Ele devia estar somente distraído e acabou não comentando nada. Tudo voltaria ao normal assim que ele entrar no carro e fazer algum comentário leviano.
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  Pela primeira vez em toda sua vida, não foi o flash das câmeras fotográficas que cegava seus olhos, mas a dor de estar sendo deixada para trás.
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  – Vocês podem se encaminhar para o hall principal – a secretária da mãe de disse, caminhando um pouco à frente dos dois. imediatamente tirou o sorriso do rosto, sentindo, como nunca, o seu toque ao antebraço de Ashton.
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  Ele parecia normal. Sorria nos momentos que deveria, cumprimentava quem reconhecia e se mostrava atento a tudo ao redor.
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  Contudo, até poucos minutos antes, ele era apenas um homem dirigindo silenciosamente o carro. Não houve nenhum comentário, nenhuma pergunta, nenhuma vontade de discutir com ela sobre qualquer coisa. Durante todo o caminho, os dois vieram em completo silêncio.
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  E aquilo matou algo dentro de . Uma parte importante.
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  – Eu disse sete horas. – Anne, mãe de , disse à filha assim que o casal chegou aonde o resto da família recebia os convidados.
  – Não pude.
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  E com somente essa resposta, soube, através dos olhos da mãe, que ouviria por dias sobre sua irresponsabilidade e a negligência que ela tinha com sua própria família. O pai, por outro lado, mal havia percebido sua presença. Dificilmente ele demonstrava qualquer emoção que não fosse por seu filho favorito: a própria empresa.
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  Bernard estava com a esposa conversando com dois casais, e Megan tinha o braço entrelaçado ao do marido, que ria de algo que acabara de falar. sabia que a presença dela e de Ashton não acrescentaria muito mais do que qualquer um dos irmãos e seus parceiros, mas Anne sempre achava que não ter a família completa significava uma fraqueza à qual a sociedade buscava explorar. E de acordo com Eric , o líder da família, eles não possuíam fraqueza nenhuma.
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  O evento beneficente era conduzido por pessoas contratadas por Anne. Tudo o que a família tinha de fazer, era ciceronear muito bem todos os convidados, para que houvesse boas doações. O evento era nada mais do que uma desculpa para o orçamento de todos aqueles que precisavam de um motivo para justificar gastos fora da lei. Anne e Eric contavam com isso; dessa maneira, os cidadãos comuns veriam aquela atitude dos como algo nobre e, quem sabe, nas próximas eleições, Bernard tivesse mais chance de ser eleito.
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  – Sua família pode ser abominável, – Stephanie disse ao lado dela em um canto do enorme salão que acomodava as milhares de pessoas presentes –, mas é inegável que eles sabem dar uma boa festa.
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   se limitou a trocar a taça de champanhe vazia, por uma nova cheia. A solução que havia achado para sua noite seria tentar, ao máximo, manter-se embriagada, mas não de uma maneira escandalosa. Precisava estar sóbria para manter as conversas e cumprir com seu papel de integrante da família .
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  Próximo à meia-noite, as pessoas começaram a se retirar. À uma, viu Ashton conversando com em um canto e decidiu se aproximar. Dentre todas as pessoas com quem o namorado podia estar, esta era a única companhia que a fazia ter coragem de se intrometer e começar a pior parte do dia: conversar.
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  – Boa noite, senador.
  – . – a olhou com um pequeno sorriso.
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  – Se importa se eu roubar Ashton?
  – Um pouco? – o homem brincou, mas não respondeu. – Fique à vontade, .
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  Ela abriu um pequeno sorriso e passou o braço pelo de Ashton, que foi obrigado a acompanhá-la até um corredor mais vazio. Ela o puxou até uma pequena sala vazia. Ninguém chegaria até ali aquela hora; a maioria havia ido embora, e a minoria que ficou não demoraria muito para deixarem o local, além disso, estavam embriagados demais para não fazer barulho e chamar a atenção dos dois.
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  – Está tudo bem? – ele perguntou, olhando para ela com certa preocupação.
  – Não, não está.
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  – O que fizeram? – Ashton desviou o olhar para um ponto atrás de , onde a festa ainda acontecia.
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  – O que você fez, você quer dizer?
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  O homem imediatamente voltou sua atenção para a namorada. O corpo enrijeceu e os olhos tornaram-se mais escuros.
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  – Você quer conversar aqui?
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  – Você pretendia conversar hoje? Pois, aparentemente, não houve nenhum interesse durante a semana.
  –
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  – O que, Ashton? – ela disse o nome do homem em um tom mais forte, mostrando que estava incomodada com o fato dele a chamá-la por seu nome inteiro, ao invés do apelido que carinhosamente sempre usava. – O que está acontecendo?
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  – Acho que é você quem precisa…
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  – Não, Ashton. Acho que há mais do que uma birra minha acontecendo entre nós. – ela disse, séria. – Quando você pretendia me contar sobre o noivado de seu irmão? – ela aguardou uma resposta, mas não teve uma. – Quando pretendia dizer que passaríamos o feriado de final de ano separados?
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  – Eu disse que foi uma decisão repentina…
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  – Ashton! – ela disse mais alto, mas se segurou ao se lembrar de onde estavam. – Por favor, eu só peço que você não aja como se eu fosse idiota! Você comentou na semana passada. Final de semana passado! De lá para cá, houve 5 dias separando. Por que não me contou? Você não quer realmente que eu vá, não é? Eu entenderia se você me dissesse que preferia ir sozinho. Eu entenderia se houvesse uma comunicação. Mas não, você…
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  Pacientemente, Ashton permaneceu calado ouvindo a explosão de . Não parecia apressado em se explicar, tampouco arrependido de ter causado todo o mal estar entre os dois. Quando a mulher se calou por não possuir mais motivos à qual reclamar, ele abriu a boca:
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  – Eu gostaria que nós estivéssemos em um lugar mais apropriado para ter essa conversa. Não imaginava que você passaria os cinco dias remoendo tudo dentro de você, . – sua voz continuava tranquila, como se estivesse conversando com um paciente. – Minha intenção nunca foi magoá-la, mas de um tempo para cá não ando com cabeça para pensar em outra coisa que não seja o trabalho.
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  A vontade era de responder um “eu percebi”, mas sabia que estaria sendo arrogante demais. Ashton havia lhe explicado que passariam mais tempo separados, quando decidiu abrir a própria clínica. O que ela não esperava, era que ele fosse se afastar por completo dela, deixando em suas mãos a responsabilidade de levar o relacionamento.
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  – Eu não deveria ter arrastado tudo até aqui. Deveria ter resolvido isso lá atrás. – ele disse, olhando para os lados e então de volta para . – Você merece o melhor…
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  – Não faça isso. – ela murmurou, tentando, em vão, controlar a raiva que tomava conta de seu estômago. – Não me elogie, se vai se contradizer logo em seguida. Eu não sou tão fraca quanto você pensa.
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  – Eu não… – Ashton começou a falar, mas, aparentemente, ele mal tinha força para entrar em uma discussão com ela, o que a deixou, além de nervosa, magoada. Estavam prestes a acabar com um relacionamento que, para , seria para sempre. E tudo o que ela sentia dele, era a vontade de acabar com tudo e voltar para o conforto de sua casa. – , eu não posso mais me dedicar a esse relacionamento como você quer. Sei que você nunca me colocou em uma situação de escolha, mas eu sinto a necessidade de escolher.
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  – E você escolhe o seu trabalho.
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  A ausência de uma resposta negativa doeu muito mais do que ela imaginava. Em seus momentos mais loucos, chegou a imaginar ele a trocando por uma outra médica ou enfermeira, quando ele passava dias dentro do hospital durante o internato. Imaginou tendo uma secretária que o roubaria de si. Imaginou diversas coisas. E dentre todas elas, nunca houve uma opção em que o trabalho exigiria dele por completo, fazendo-o escolher deixar sua namorada de anos.
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  – O que fez você decidir? – ela perguntou baixo, esforçando-se em olhar para Ashton. Queria analisar cada traço do rosto dele, ver se havia alguma mentira; se ele criou essa desculpa para justificar um outro romance. Mas Ashton jamais faria isso. Por mais que ela quisesse vê-lo sendo um homem infiel, com centenas de defeitos, Ashton apenas era verdadeiro e sincero.
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  E ainda assim ela estava sofrendo como nunca havia sofrido até então.
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  – Acho que… acho que a ligação do meu irmão. – ele coçou a nuca. – Quando ele falou sobre a namorada e como ela queria se casar… Você nunca disse, mas também nunca mostrou desinteresse em casamentos. Eu… – Ashton ergueu os olhos para . – Eu não quero me casar, .
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  Foi como se o ar parasse e não houvesse mais nada em que sustentar a falta dele. O corpo se tornou pesado e o cenário à volta dos dois tornou-se um grande borrado. Ashton nunca havia pensado em se casar com ela; as poucas vezes que falaram sobre o assunto, foi como se ele tivesse ouvido alguma besteira e esquecido no segundo seguinte.
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  De repente, se sentiu tola. Passou anos pensando em como seria a vida casada com o homem; como ele a libertaria de ter o sobrenome e, talvez, enfrentasse seus pais para deixá-la em paz. Imaginou-se indo para Chicago todo ano para visitar a família Clarke e, quem sabe, num futuro, mudaria-se de Manhattan e teria uma qualidade de vida muito maior do que a que tinha naquela ilha.
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  Como posso ser tão burra? Ela pensou.
  “Ela não faz nada sem a ajuda dos pais.”
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  “Está mais próxima dos 30 e nunca mudou.”
  “Ela mal sorri, deve ser uma pessoa bem infeliz.”
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  “… arrogante, é o que ela é. Só conseguiu um bom emprego porque o sobrenome ajudou.”
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  “Lhe falta personalidade… Que bom que ela é filha dos , pois se não fosse, não teria absolutamente nada do que tem hoje.”
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  “Sorte dela que é rica, pois se não fosse, imagino como conseguiria disfarçar a feiura…”
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  Comentário atrás de comentário, a mente de foi se enchendo de comentários ditos por pessoas que não a conheciam, mas que aparentavam saber muito sobre ela. Em todos esses momentos, encontrou apoio e suporte em Ashton, que dizia-lhe que ela não era nada daquilo.
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  Agora, com a ida dele, tudo voltava à tona.
  – Você está bem? – ele perguntou, tocando em seu braço.
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  Mas ela se afastou dele.
  – Não estou bem. Mas vou ficar. – ela olhou para o lado. – Eu sempre fico.
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  Ashton não disse nada. Ele sabia o trajeto que levava para chegar no “ficar bem”. Ela apenas vivia. Tentou dizer algo, mas percebeu que nada mais entraria pelos ouvidos da, agora, ex-namorada.
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  – Vamos, eu vou te levar para casa.
  – Não, obrigada. – ela encheu o pulmão de ar e reuniu todo o orgulho que lhe restava.
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  –
  – Ashton. – ela disse, olhando para ele. – Pare de querer bancar o bom samaritano e perceba que não quero ficar na sua presença. Eu não preciso que você me leve para casa.
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  – Sei que você está chateada…
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  – Chateada? – ela olhou para ele, incrédula. – Estou furiosa! Vim conversar com você, pois não houve nenhuma iniciativa sua. Esperava resolver essa questão para que pudéssemos seguir em frente, e tudo o que recebo é praticamente um término com a desculpa “não é você, sou eu”. Desculpe se não quero falar sobre isso agora, Ashton.
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  O homem suspirou, mas não deu nenhum passo para longe dela. Observou a mulher calmamente, enquanto ela tentava lidar com os próprios pensamentos, sentimentos e emoções que se embaralhavam dentro de si. Lembranças, humilhação, dor, solidão… o que ela faria agora? Qual é o próximo passo a se dar após um término? O que as pessoas diriam?
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  – Me desculpe. – ele diz baixo. – Desculpe ter demorado…
   respirou fundo ao fechar os olhos. Por que ele ainda tentava?
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  – Vá… – ela começou a dizer, mas respirou fundo. Tinha que manter a classe. As aulas de etiqueta não foram pagas em vão. Elas foram pagas para que pudesse lidar com situações como aquela com muita classe. – Eu ficarei bem. Vá embora, por favor.
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  Ashton permaneceu por alguns minutos parado, esperando qualquer outra reação de , mas nada veio. A mulher parecia estar se acalmando; o peito já não subia tanto e o vermelho do pescoço diminuía. No entanto, ele sabia, melhor do que qualquer outra pessoa no mundo, que estava se destruindo por dentro. E diferente das demais vezes, hoje ele não podia fazer nada para mudar aquilo. Tudo o que falasse a levaria ainda para mais dentro de seu buraco negro.
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  – Se você… – ele pensou em pedir para ela ligar para ele caso pedisse ajuda, mas seria humilhação demais para , ele sabia. Mesmo que houvesse carinho em suas palavras, elas seriam recebidas como facas no coração. – Tchau, .
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  A saída de Ashton tornou tudo ainda mais difícil. Diferente das outras vezes que se separaram, dessa vez ela não tinha a certeza de que voltariam a se encontrar. Que ele iria recebê-la com um abraço ou um buquê de flores.
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  O frio se instalou no local.
  As pernas de mostraram fraqueza. Precisavam descansar, mas ela não podia. O corpo parecia querer estremecer, mas ela ainda estava no evento da família. Precisava parecer forte como sempre. Apenas seria criticada por aparecer destruída.
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  – Aonde você foi?
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  – Toillete. – ela respondeu a mãe e lhe enviou um olhar sério. A mais velha não disse nada, mas soube que se pudesse, ouviria que não é educado gastar um longo tempo dentro do banheiro. – Onde estão Bernard e Megan?
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  – Foram embora. Disse que podiam ir. Você faria o resto, já que decidiu, por si só, chegar atrasada. – ela abriu um sorriso para um casal que se despedia. – Eu e seu pai partiremos em cinco minutos. Resolva o que precisar ser resolvido.
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  Sem dizer mais nada, Anne caminhou até Eric, que entendeu o recado de que era hora de irem. O casal foi até , e, com um falso sorriso no rosto, o homem disse à filha:
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  – Ouvi dizer que você está trabalhando sob a supervisão de .
  – Sim.
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  – Por que não soube?
   apertou os lábios.
  – Desculpe.
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  – Eu espero mais de você, . – ele disse, frio, apesar da expressão calorosa. – Ele pediu algo?
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  – Eu já resolvi.
  – Tudo?
  – Tudo.
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  O homem ergueu o queixo e olhou nos olhos da filha. Então, deu dois tapinhas carinhosos no rosto da moça, que entendeu o recado:
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  Não esqueça a quem você realmente deve ser leal.
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   olhou ao redor e abriu um sorriso de quem estava feliz por ter recebido a atenção do pai.
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  Com educação e etiqueta, se despediu de todos os convidados e garantiu que tudo fosse resolvido com a maior agilidade possível.
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  Eram quase 4 da manhã quando ela saiu pela porta principal, após a organizadora do evento garantir que estava tudo certo e que nada mais estava sob o alcance de .
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  Sozinha, ela desceu as escadas e olhou para o céu escuro. Aquele havia sido o pior dia de sua vida. E houveram vários. Desde o dia em que foi obrigada a tomar uma injeção, o dia em que teve seu sonho de ser uma cerimonialista encerrado e quando foi humilhada pelas ex-colegas de escola. Dentre todos aqueles horríveis momentos, este dia havia sido o pior.
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  Ao perceber que estava sozinha, sem ninguém ao redor que a conhecesse, o corpo imediatamente deu a permissão de estremecer com a vontade de chorar.
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  Quando fez menção de se sentar ao pé da enorme escada e sentir a maior tristeza e humilhação de toda sua vida, um casaco surgiu em seus ombros, aquecendo-a da noite fria.
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  Ao olhar para o lado, permanecia em pé com as mãos nos bolsos. Olhava para um ponto que não fosse , mas sua atenção inteira estava na mulher.
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  – O que…
  – Estou faminto, e você? – ele perguntou, impedindo-a de pensar qualquer coisa.
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   levou as mãos à frente da barriga e lembrou-se de que não havia comido nada desde a hora do almoço.
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  – Que tal um lanche bem gorduroso? – ele sorriu. permaneceu parada, sem reação, não entendendo nada. – Ótimo. Vamos.
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  E sem dizer mais nada, a mão de foi até a lombar de , encaminhando-a até o carro que estava estacionado à frente da escadaria do salão. Ele a ajudou a entrar no lado passageiro e então encaminhou-se para o lado do motorista.
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  – O que você está fazendo? – ela perguntou assim que ele colocou o cinto de segurança.
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   olhou para e abriu um sorriso maroto, antes de tirar a marcha do P e passar para o D.
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  – Eu estou prestes a te mostrar algo que você nunca teve, .
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   pôs-se a pensar. Haviam poucas coisas que ela não tinha, e nada era interessante o suficiente para fazê-lo estar empolgado às quatro da manhã.
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  – E o que é?
  O homem riu e, após abaixar o teto do carro, pouco antes de acelerar para longe do lugar que se tornou parte do pior pesadelo de , disse:
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  – Liberdade.
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Capítulo 9

  Cabelos ao vento. Mãos para fora e o som tão alto que ela só pensava se conseguiria escutar algo depois.
  Mas não importava, porque, naquele momento, havia coisas mais importantes do que sua audição.
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  – Onde é esse lugar? – ela gritou para , tentando se livrar dos fios de cabelo que haviam se soltado do penteado.
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  – O quê?
  – Aonde estamos indo? – ela repetiu a pergunta.
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  – Comer.
  – !
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  – Confie em mim, , e aproveite sua liberdade. – e aumentou mais o volume do som.
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   olhou para a paisagem. Haviam saído de Manhattan fazia uma hora e meia e estavam quase que no meio de lugar nenhum. No entanto, aquilo não parecia preocupá-la. Não queria pensar em nada, e lhe deu a oportunidade perfeita para aproveitar o momento e não cair na amargura da realidade que estava para viver nos próximos dias, meses e anos.
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  Os dois viram o dia amanhecer na estrada. Um nascer do sol bonito, com a paisagem do oceano atlântico ao fundo. De seu apartamento conseguia ver uma parte do mar, mas muito mais da natureza do Central Park. Ver a vastidão do oceano lhe trazia esperança de que haviam muitas coisas novas e boas para acontecer. Ela só precisava ter paciência.
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  Eram quase 6h30 da manhã quando entrou em um terreno, após terem passado por diversas mansões.
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  – Hamptons? Você quer mostrar o significado de liberdade em Hamptons? – ela abriu a boca, olhando incrédula para , que sorriu.
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  Ele sabia que ela tinha casa nos Hamptons. Os , inclusive, quem tinha. Uma mansão incrível que havia sido capa da melhor revista de arquitetura e design dos Estados Unidos.
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   poderia ter imaginado mil e uma maneiras de sentir a liberdade, mas definitivamente jamais consideraria ir para as gaiolas de ouro de Manhattan. O Hamptons tinha como maior característica, possuir vilas com mansões luxuosas onde os milionários do lado leste dos Estados Unidos mantinham residência. Com um ar campestre, mas uma praia direto para o oceano atlântico, o local possuía um ar de riqueza e serenidade. Tudo o que os ricos mais gostam de mostrar que tem.
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   abriu um sorriso para ela enquanto fechava a porta do passageiro para impedir qualquer intenção dela voltar para dentro do carro.
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  – Não dá para se libertar de um problema fugindo dele, . – ele olhou para trás. – É muito melhor quando você encontra sua liberdade bem embaixo do nariz deles. Venha, estou faminto.
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  A mansão que entraram era esplendorosa. Um hall inteiro de mármore branco e veias escuras, estátuas que custam uma fortuna e uma decoração minimalista e impecável. Os dois passaram pela sala de estar, de inverno, de visita e um escritório, até chegarem a uma sala de jantar com uma mesa de 22 lugares. Para a surpresa de , a mesa estava toda coberta de comida de café da manhã.
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  – Comida gordurosa? – ela ergueu uma sobrancelha, vendo pães, frios, frutas e bolos espalhados.
  – Calma, . – ele puxou uma cadeira para ela se sentar. – Seu final de semana acabou de começar.
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   ousou, por um momento, pensar no motivo que levou o cara a quem mais desgostava – que não pertencia à sua família –, a agir daquela maneira com ela. Por que ele a levaria até os Hamptons? Por que a estava ajudando?
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  Sua barriga roncou enquanto se perdia em tais pensamentos. Olhou sem graça para o homem que se sentou ao seu lado; se ele ouviu o som, disfarçou muito bem, porém serviu a ela de suco de laranja e colocou um pão doce em seu prato.
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  – Pensei em parar no meio do caminho para comermos algo mais gorduroso, mas lembrei que a Rita, governanta dessa residência, tem o hábito de exagerar um pouco na mesa de café.
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  – Um pouco? – ela disse, após engolir a primeira bocada de pão. – , isso é comida para uma família de 30 pessoas.
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  – 22. – ele disse, bebendo um gole de café. – Então, o que achou? – apontou para os alimentos ao redor dos dois.
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  – Eu acho que estou em um paraíso. – ela sorriu. – Nunca vi uma mesa tão farta de comida tão boa. É sua casa?
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  – Aqui? – ele inclinou-se para frente e então riu. – Não, de um amigo.
  – Que…
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  – Ora, ora, ora… – uma voz cortou no momento em que ela perguntaria ao senador a quem a casa pertencia. – Veja só quem resolveu dar as honras.
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  Um homem beirando seus 40 anos surgiu acompanhado de um grupo de 6 pessoas. Todos estavam vestindo roupas confortáveis de ginástica, mostrando que estavam fazendo algum tipo de exercício matinal. se mostrou surpresa com a chegada do grupo, que se acomodou perto dos dois.
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  Sabia quem era Brian Moisé. O homem havia encontrado seu lugar ao sol quando se casou com uma mulher mais velha, que o apresentou a todas as pessoas mais importantes da alta sociedade americana. Como arquiteto, trabalhou na estrutura da maioria das casas do Hamptons e de vários bairros de Los Angeles. Atualmente, viúvo, passou a dedicar toda sua atenção à nova esposa – as más línguas dizem que ele a mantinha como amante ao mesmo tempo em que acompanhava a agora falecida esposa. A mulher, Adele, sentada a seu lado, era jovem e vivaz, havia a conhecido pelo círculo social, mas ela ainda estava se estabelecendo, então ninguém verdadeiramente a conhece; a própria apenas reconheceu a mulher porque possui uma memória extraordinária.
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  Enquanto mais pessoas se aproximavam dos dois, olhava cada vez mais sugestivamente para , que fingia muito bem não enxergar.
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  – Achei que não viria mais, . – um dos convidados de Moisé disse na mesa de café da manhã. – Pelo jeito, decidiram de última hora.
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  Apesar de ninguém ter demonstrado incômodo, todos perceberam que e ainda estavam trajando da roupa de gala da noite anterior. Ela corou, sem graça, mas o senador riu.
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  – Na verdade, eu a raptei. – e enviou uma piscadela para os amigos, que riram. – Inclusive, ela precisa de uma troca de roupa, Adele, se não se importar.
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  – Ora, é claro que não! – a esposa do anfitrião disse, se levantando. – Irei providenciar e deixar no quarto de vocês.
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  – Vo… cês? – olhou para , que abriu um sorriso maroto para Brian.
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  – Ah! É culpa minha, . – o homem imediatamente ergueu a mão. – O senador deixou claro na noite anterior que precisava de dois quartos separados, mas tivemos outra visita inesperada, então tivemos que usar o quarto que estava disponível. Peço desculpas por esse inconveniente.
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  – Oh, não. – sorriu para o dono da mansão. – Acredito que eu mesma vim como intrusa. Não poderia exigir algo de vocês.
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  – Está pago com esse café da manhã. – completou. – Estávamos famintos.
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  – Sinto muito por não ter comparecido ao evento de sua família, . – uma das mulheres próximas a si disse. – Combinamos esse encontro há meses, mas enviei um cheque para doação pela minha secretária.
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  – Obrigada por se importar com a ação solidária, McCanley.
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  – Bom – se levantou, fazendo menção de mexer na cadeira de para que ela também se levantasse –, se não se importam, iremos dormir. Sei que acordaram cedo para as atividades, mas não podemos ignorar que estamos acordados há quase 24 horas.
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  Todos imediatamente começaram a falar simpaticamente que os dois se sentissem livres para irem descansar. se afastou com um sorriso e olhou para assim que saíram da vista de todos.
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  – O que isso quer dizer?
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  – Você precisa de novos amigos, só isso. – ele ergueu os ombros, mostrando o caminho até o segundo andar. – Aproveite o descanso.
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  – Descanso? – ela sentiu as pernas doerem por conta do salto. Mal via a hora de tirá-los. – Tenho que estar em casa hoje. Amanhã eu trabalho, lembra? Meu chefe não gosta de atrasos.
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   soltou uma risada, como se tivesse ouvido uma piada, e seguiu para uma das diversas portas do corredor. Funcionários entravam e saíam deles em seus uniformes, fazendo a limpeza do local para os convidados.
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  – Venham após às 5 da tarde, por favor. – disse para um deles antes de fechar a porta atrás de si.
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  O quarto era enorme. Com uma cama dossel em um dos lados e espaço o suficiente para fecharem outro quarto dentro dele, havia um canto repleto de armários que poderiam servir de closet para os convidados que permanecessem por mais tempo. A única porta além da de entrada levava a um banheiro feito inteiramente de mármore. Os dois cômodos apresentavam uma vista para o mar; apesar de ter uma pequena vista de sua cobertura, não via o mar em seu formato natural, com ondas e areia. Sentiu uma vontade inexplicável de colocar os pés descalços e caminhar por horas.
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  No entanto, o corpo gritava por um banho e uma cama. Olhou ao redor, vendo que nenhuma outra cama havia sido preparado para os dois.
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  – Não se preocupe, dormirei no chão.
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  Ela sabia que fazia parte da etiqueta aceitar a gentileza do cavalheiro, mas se ela estava ali para se libertar de tudo o que lhe sufocava, então a etiqueta que se dane.
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  – Eu posso dormir no chão.
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  – Sei que sim. O problema é que não posso me permitir de dormir na cama sabendo que minha convidada está no chão. – ele colocou as mãos no bolso. – Assim, teremos três opções: primeira – ele ergue um dedo. – Você dorme na cama e eu no chão. Segunda opção: dormimos os dois no chão. E por fim, a minha favorita: dormimos os dois na cama.
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   olhou para ele incrédula. Achou que estava sendo bom demais para o homem não invadir sua zona de conforto como sempre fazia. Fechou os olhos, sentindo-os doer pela falta de sono.
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  – Faça o que quiser… – murmurou, exausta demais para pensar e começou a fazer o caminho para o banheiro. Havia visto um roupão, poderia usá-lo até Adele enviar algumas roupas para ela usar durante o dia.
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  – Ótimo! Dormiremos os dois na cama. – respondeu alegre.
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  – Não! – ela se virou para ele imediatamente, vendo-o começar a mexer nos travesseiros. – Não vamos dividir uma cama!
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  O homem riu e então jogou o travesseiro que começou a mexer no chão, junto com o edredom.
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  – Satisfeita?
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  Os ombros de sentiram um pouco da tensão sumir. A garganta fez um som estranho e então ela se virou para entrar no banheiro logo.
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  Por sorte, decidiu não ceder à tentação de usar a banheira. A probabilidade de dormir e , assustado, invadir o banheiro para saber se ela estava viva era grande, então preferiu deixar para aproveitar da própria banheira mais tarde.
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  Ao sair do banho vestindo o roupão e com a higiene bucal limpa por conta dos apetrechos para visitas que todo bom anfitrião oferece para seus convidados, voltou para o quarto. já estava deitado em uma parte do chão do quarto – insignificante, se olhasse o tamanho do cômodo.
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  – Adele enviou algumas roupas. Elas estão no armário – apontou para o móvel, enquanto se levantava. – Vou tomar um banho.
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  As roupas, por sorte, não eram nada chamativas. mesma nunca gostou de usar muitas cores e Adele pareceu compreender da essência dela, como uma boa designer de interiores. Assim, enviou pijamas e roupas com cores neutras.
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  Quando saiu do banho – enrolou o bastante para que se trocasse tranquilamente – a encontrou desmaiada na cama, entre edredons e travesseiros. Ela deveria estar absolutamente exausta, pois não se fez de rogada.
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  Aquele conforto e a rapidez com que caiu no sono o deixou satisfeito por saber que ela estava à vontade o suficiente para adormecer sem preocupações, no mesmo quarto de um homem a quem, até há pouco, parecia odiar.
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  Ele permaneceu a observando por um curto tempo, até desviar o olhar para a janela, onde decidiu fechar as cortinas blackout para que tivessem um sono mais tranquilo. Contudo, o que lhe chamou a atenção quando pegou o controle remoto para cumprir com o que havia decidido foi que, no vidro da janela viu o próprio reflexo.
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  Em seu rosto estava um sorriso que ele nunca havia visto.
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  E aquilo, por si só, o incomodou muito.
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Capítulo 10

  – Não posso ficar. – disse, 8 horas depois, quando andava apressada atrás de .
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  Os dois haviam acabado de acordar e depois de se arrumarem, desceram para buscar mais alimentos. No entanto, no caminho para o primeiro andar, o senador apenas a informou que eles passariam os próximos dias nos Hamptons com os amigos. As férias atrasadas de haviam sido aprovadas de última hora e ele permaneceria afastado da prefeitura para cumprir suas tarefas como senador. Apesar de não parecer, sua presença ali era de extrema importância para sua carreira política. As pessoas ali presentes eram empresários e políticos aliados importantes para ele e seu partido. Fazia parte da profissão, manter uma boa relação com pessoas cujo apoio poderia incentivar cidadãos comuns a votar.
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  – Ora, não vejo um motivo para você voltar. Estamos com um projeto interessante de libertação, não é? – ele disse, parecendo estar brincando com ela.
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  – Senador, eu gostaria que me levasse mais a sério. – parou, fazendo-o olhar para trás. – Não sou sua secretária e as pessoas no trabalho podem falar. Não pedi férias…
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  – Acredite quando digo que eu também não pedi suas férias.
  – O quê?
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  – Foi seu irmão. – disse, as mãos nos bolsos da bermuda de linho que havia, junto de todas suas outras roupas, sido levadas por seu assistente pessoal. – Pelo jeito, você não ficou sabendo. Suas férias estão programadas há meses, .
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  Não podia ser. não falou com Bernard em momento nenhum nos últimos meses. E mesmo da última vez, quando teve uma conversa frustrada com o irmão, nenhum assunto girou sequer perto das férias trabalhistas dela.
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  – Você, por acaso, já tirou algumas férias de verdade, ? – olhou para ela sério. engoliu seco. Sabia o que acontecia. Seu irmão, a mandado do pai deles, fazia com que tirasse suas férias dentro do sistema, no entanto, ela nunca deixou de ir para a prefeitura. O irmão fazia a propaganda de bom exemplo da família . Apesar de querer vender as férias para a prefeitura, , como uma boa cidadã que ama o que faz, decidiu por conta própria continuar trabalhando e não gozar verdadeiramente de suas férias.
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  – E-eu… É claro…
  – É claro. – ele disse e olhou na direção do mar. – Bem, se quiser, leve isso como parte do trabalho.
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  E sem esperar por mais de , voltou a caminhar na direção da praia, onde grande parte do grupo estavam espalhados pela faixa de areia, sendo servidos pela natureza e também pelos funcionários de Moisé.
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  As roupas de chegariam somente no dia seguinte, portanto, durante todo o domingo ela permaneceu se virando com as roupas que Adele havia lhe emprestado.
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  – Você está o quê? – Stephanie perguntou, surpresa e chocada. – Com quem?
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  – Por favor, não torne isso mais difícil pra mim, Ste. – disse, exausta, após ter dificilmente conseguido um carregador para seu celular. disse que emprestaria o dele a ela, mas deu a desculpa do término dele com a melhor amiga, para não ligar pelo número dele.
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  No entanto, não havia como esconder de Allen que estava nos Hamptons com o seu ex-affair. Grande parte das pessoas que estavam ali eram clientes de Stephanie, então não demoraria muito para que a melhor amiga soubesse das férias de . Seria melhor se soubesse pela própria.
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  – Quem mais está aí?
  – Eu já disse, o senador
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  – – Stephanie a cortou –, sei que você sempre foi romântica e sentimental, e por isso registra esse mesmo olhar nas outras pessoas. Mas você deve sempre lembrar que sou eu, Stephanie. Eu não estou me importando em nada de você estar acompanhando nos negócios dele. Mas admito que tenho que saber mais sobre essa palhaçada que Clarke fez com você. Devo aprontar algo para ele hoje? Você não pode ser a única sofrendo na história, amiga, eu não aceito.
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   sorriu com a força que a amiga lhe transmitia. Talvez ela encontrasse a saída que via em Ashton, em outras pessoas, e assim não demoraria muito para sair do luto de seu relacionamento perfeito ter terminado.
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  – Obrigada, mas prefiro superar sozinha. Gostaria de estar aí para falar com você, mas de acordo com o senador, eu fui raptada. Foi muita gentileza dele ter me emprestado seu carregador para que eu pudesse ter, pelo menos, a chance de me mostrar mais decente em minhas próprias roupas para todo esse tanto de gente que nunca falei direito na vida.
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  – E esse tanto de gente se preocupa com o visual?
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  – Eu estou fazendo a sua propaganda, Stephanie. Sou eu, pelo amor de Deus. – revirou os olhos e ouviu a amiga suspirar aliviada do outro lado da linha. – Eu só preciso que você pegue algumas roupas para mim e outras coisas mais, e mande para o endereço que eu te mandar por mensagem.
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  – Você está usando as roupas do ? Seria sexy demais, amiga.
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  – Cale a boca. – riu e olhou para o lado. Seria péssimo se alguém fosse curioso para saber o motivo que levou a caçula dos , que tem fama de ser sem graça e séria, rindo de algo. – Não sei quando eu volto.
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  – Essa é a definição de ser raptada, amiga. – Stephanie disse, movendo-se para o quarto da amiga. – Ele a leva para onde quiser e apenas a devolve quando achar melhor. Espero que ele saiba que você me tem ao seu lado, e consigo fazer picadinho dele em dois segundos. Inclusive, que bom que você está saindo com . Tenho mais acesso a ele do que tinha com Clarke, então caso você se sinta incomodada com ele, pode ter certeza de que transformarei a vida dele em um pandemônio.
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  – Eu não estou saindo com ele, Stephanie! – se irritou com a amiga, ouvindo-a rir. – Eu acabei de terminar um relacionamento que era importante para mim. Estou falando sério. Pare com isso, e não faça nada com Ashton!
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  – Ainda?
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   hesitou, com vontade de repetir o “ainda” da amiga, que, pelo jeito, tinha esperança de ouvi-la pedir para ela acabar com o ex. sabia que Allen tinha uma tara em fazer os homens sofrer. Por isso conquista diversas amigas, porque ela passa a imagem de que gosta de protegê-las, quando, na verdade, ela gosta mesmo é de fazer os homens sofrer.
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  – Não, Stephanie. – disse, séria. – Te mandarei a lista por mensagem. Obrigada.
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  No entanto, não pareceu nada agradecida quando a mala chegou no dia seguinte.
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  Eram nove da manhã quando um funcionário trouxe a mala de carrinho para dentro do quarto. estava tomando banho, então aproveitou para colocar suas roupas em um dos armários vazios que havia no quarto.
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  Assim que abriu a peça, a primeira coisa que visualizou foram suas lingeries mais sexies. Olhou rapidamente na direção do banheiro e sentiu as bochechas corarem. Ainda bem que ainda estava no banho. Mal conseguia imaginar como poderia reagir se ele estivesse vendo tudo.
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  Na velocidade da luz, guardou todas as lingeries em uma gaveta. Em seguida, passou para os vestidos. Teria que pedir para os funcionários da lavanderia passar algumas de suas roupas, mas a maioria ela conseguia se virar bem.
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  Quando estava para fechar a mala após ter organizado tudo o que havia pedido para ser enviado, vários pacotes pequenos caíram na cama e no chão, fazendo com que ela tivesse de pegar tudo. Não se lembrava de ter pedido para Stephanie mandar para ela algo daquele tamanho.
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  Ao abaixar-se para começar a pegar as do chão, viu, imediatamente, que se tratavam de camisinhas.
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  – Ora, ora, . Você aderiu rapidamente à ideia de se libertar.
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  Sentiu seu rosto arder com vergonha. Olhou para trás em um impulso não controlado e deu de cara com arrumado e os cabelos úmidos. Ele olhava para o objeto nas mãos da mulher e mantinha o sorriso mais malicioso e lascivo possível.
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  – N-não pedi que me mandasse isso! Stephanie quem…
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  – Você não precisa me explicar, . – começou a ajudá-la a reunir as camisinhas, o que a deixou ainda mais desconcertada. – Sei, mais que todos, da necessidade humana em… copular.
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  Sem paciência, ela deixou as camisinhas onde estavam e se afastou em um pulo do senador.
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  – Eu estou brincando. – ele disse.
  – Eu não gosto desse tipo de brincadeira.
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  – Me desculpe.
  Simples assim.
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   olhou para , que havia tirado o sorriso maroto da cara e agora mantinha a seriedade necessária para que ela compreendesse que ele não estava mais no modo brincadeira. Estava falando sério.
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  Aquilo, de alguma forma, era diferente para ela. Ashton, apesar de raramente cometer erros como esse, no começo fazia brincadeiras de mau gosto, mas demorava dias para se desculpar. Com o tempo ele foi aprendendo a lidar melhor com e passou a não cometer mais enganos bobos como esse.
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  – Espero que não tenha trazido trabalho para cá. – ele mudou de assunto, colocando as camisinhas dentro da mala de e fechando o objeto logo em seguida.
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  – Eu não tenho trabalho pendente para trazer.
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   abriu um sorriso enquanto guardava a mala de em um dos armários.
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  – É claro que não.
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  Os dois desceram para o andar térreo, onde os casais e amigos solteiros socializavam entre drinques e petiscos. Mesmo sendo manhã, alguns haviam virado a noite e outros apenas curtiam a folga, não se importando com o horário do dia.
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   se afastou de após deixá-la na companhia de uma das convidadas. Seu nome era Jane e, pelo que o senador disse quando a apresentou, ela era a responsável por organizar todos os eventos para ele.
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  – Como você entrou nessa área, Jane? – perguntou, com interesse.
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  Jane se mostrou uma mulher simpática. Veio de Utah para Manhattan por conta de um namorado, mas, após o término, o trabalho lhe garantia um sustento bom o suficiente para ela permanecer morando no condado de Manhattan. Ela explicou como conseguiu seus clientes e a maneira como trabalhava. mostrou-se genuinamente interessada, como nunca havia sido antes.
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  – Você já organizou algum evento?
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  – Sozinha? Não… – ela sorriu sem graça. – Nós sempre precisamos contratar um bom organizador, principalmente para os eventos sociais. São… bem, não sou eu quem tomo as decisões.
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  – É mesmo? Ouvi dizer que você tem muito bom gosto para decoração.
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  Quem poderia ter dito aquilo? Alguma pessoa próxima? Ela era uma das pacientes de Stephanie? Foi ?
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  – Bem, tenho um hobby de decorar e também produzir arranjos de flores.
  – Que interessante! – Jane sorriu. – Você já pensou em trabalhar nessa área?
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  Sim. Ela pensou imediatamente. Sim, é tudo o que eu sempre quis. Diga isso, ela cobrou a si mesma. Desde que desistiu da ideia, nunca mais teve acesso a alguma pessoa da profissão, portanto, se esqueceu dos detalhes que a fazia amar tanto essa área. A adrenalina que se tem ao se deparar com imprevistos e a animação de resolver tudo da mais perfeita forma… amava aquilo.
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  Contudo, infelizmente, para a maioria das pessoas, é impossível trabalhar com o sonho.
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  – Não. – ela respondeu.
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  – Pois deveria. Observei a maneira como se vestiu com roupas que não eram suas. Você poderia se tornar uma Adele mais jovem, mas decidiu manter sua essência. As roupas pareciam ser suas. Eu gostei bastante.
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   abriu um pequeno sorriso. Não podia mostrar, mas havia recebido aquela observação com muito bom humor e gratidão. Ninguém a observava dessa maneira, positivamente. As pessoas apenas costumavam olhar para ela e ver a filha privilegiada de um dos homens mais poderosos do país, cujos irmãos eram pessoas tão influentes e poderosas quanto os pais.
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  – Vou deixar meu cartão com você. – Jane disse, tirando da bolsa de mão que levava, um pequeno cartão de visita com seu nome e contato. – Você pode usá-lo para me contatar se quiser trabalhar com isso, ou se estiver planejando algum evento.
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  As mãos de quase tremeram quando ela tocou no pedaço de papel. Aquilo era uma porta de entrada para um mundo que ela sempre imaginou estar. Tentou não desviar muito a atenção de Jane, mas seus olhos, quando a mulher foi chamada por uma outra para planejar um novo evento, não saíram do cartão de visita.
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  – Jane, na minha opinião, é uma das melhores profissionais da área na costa leste do país. – se sentou ao lado de cerca de meia hora depois que Jane se afastou.
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  – Já ouvi falar dela.
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  O homem abriu um pequeno sorriso e então desviou sua atenção para o mar. Estava prestes a abordar mais sobre o assunto, quando um dos funcionários da residência o chamou, informando que havia uma ligação para ele. Era George, seu assistente, provavelmente para questioná-lo sobre o próximo passo de algum trabalho que havia recebido do chefe.
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  No momento em que foi deixada na própria companhia, decidiu que aproveitaria aquele momento para pensar em algumas coisas. A imagem do mar e todo o seu esplendor a inspirava. Acendia-lhe uma pequena fagulha de vontade de enfrentar todo o mundo; parecia que, independente do que acontecesse, as águas salgadas estariam ali para aconchegá-la. Apesar de mortal, o mar lhe passava o conforto que uma mãe deveria passar a seu filho pequeno.
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  Dessa forma, pôs-se a caminhar pela faixa de areia.
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  O sol não estava perto de se pôr, mas já não estava tão forte quanto ao ápice do dia. Fazia tempo que não saía para caminhar e realmente aproveitar o que a natureza lhe oferecia. A correria do dia-a-dia e as preocupações que atormentaram sua mente na última semana a cegaram. Percebeu, então, que era segunda-feira e ainda não havia chorado pelo término de seu relacionamento.
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  Lembrou-se da expressão abatida de Ashton. Em seus olhos, ela viu que não havia arrependimento em terminar a relação que havia entre os dois, mas ele tampouco estava feliz. Aliviado, talvez.
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  O peito doeu ao pensar que, de alguma forma, ela era um peso na vida da pessoa que mais amou. Queria poder odiá-lo. Ou ser um pouco mais egoísta, como Stephanie. Os homens que findaram a relação com ela puderam sentir um pouco do veneno que ela guardava para determinadas ocasiões; Stephanie jamais se deixara abater por homens. Eles, como ela sempre dizia, eram meros objetos de sucesso. Apesar de não concordar com essa frase, agora, no fundo do poço, desejava ser um pouco mais como a amiga.
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  Deixou-se sentar na areia quando uma brisa lhe convenceu a sentar e aproveitar a vista. Queria mais dias como este estava sendo, em que ela se sentia liberta de toda a pressão familiar e não havia insatisfação com sua vida profissional. Agora que não havia mais a alegria do relacionamento amoroso, não conseguia enxergar o que poderia fazer para ter um pouquinho de cor em seu cotidiano acinzentado.
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  O que Ashton lhe diria? O que Stephanie faria?
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  Percebeu, de repente, que estava colocando partes importantes de sua vida nas mãos de outras pessoas. Lembrou-se da frase de Deepak Chopra que havia lido em um de seus livros há alguns anos: “Agarrar-se a qualquer coisa é como prender a respiração. Você vai sufocar. A única maneira de obter algo no universo físico é abandonando-o.” Na época, associou a mensagem à ideia de que deveria abrir mão de seu sonho, se quisesse viver em paz com sua família.
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  O problema é que sua família nunca havia lhe dito que haveria paz se seguisse as palavras deles. E assim, ela permaneceu vivendo em um caos interno, apoiando-se no namorado que buscava construir a própria vida, e na amiga que também tinha suas próprias ambições.
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   abraçou as pernas junto ao peito e apoiou a cabeça nos joelhos dobrados. O que um breve momento de paz e reflexão havia feito consigo? E o pior, agora que sabia do que realmente precisava abrir a mão para ser um pouco mais feliz, como faria para sair dessa situação?
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  Ergueu os olhos para o mar, em busca de respostas. No fundo, ela sabia que um dia chegaria o momento em que tivesse que se impor à frente de toda a família. Só esperava fazer isso casada com Ashton e independente de todos eles. Agora não havia mais o homem para abrir os braços e consolá-la.
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  Mas ela precisava de consolo?
  Ela precisava tanto de uma pessoa para protegê-la?
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  Não conseguiria ela resolver, sozinha, os próprios problemas? Era esse o significado de liberdade, não era?
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  Suspirou. Era muito mais fácil projetar e planejar do que realizar. Sua família era poderosa demais, e ela nunca aprendeu a lidar sozinha, por mais que tivesse tentado durante a maior parte de sua vida. Percebeu, só agora, que todas as tentativas foram em vão. Estava exatamente no lugar onde eles queriam que ela estivesse. Infeliz.
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  – – a voz do senador soou atrás de si. Ela virou o rosto para ele e, pela expressão que o homem carregava no rosto, não parecia ser coisa boa –, houve uma mudança de planos…
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   não disse nada. Aprendeu, com a etiqueta, que manter-se calada era a melhor coisa quando o assunto iniciava-se em uma mudança de planos. Ela não tinha plano nenhum que não fosse permanecer ali socializando com pessoas que nunca havia mantido mais que 10 minutos de conversa antes. O que poderia ser pior, a ponto da expressão do senador não ser…
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  Ah. Foi tudo o que ela conseguiu pensar. As notícias correm rápido.
  Suspirou e se ergueu.
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  – Se você quiser…
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  – Estou bem. – ela disse, o cortando, voltando à sua postura anterior, a de sempre, de uma mulher fria e que parece não se importar com nada, nem ninguém.
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   limitou-se a caminhar atrás dela, calado. Observou quando ela entrou na mansão e, educadamente, disse que tomaria um banho antes de sair. Os convidados sorriram e permaneceram na sala. Ninguém poderia sair sem ela, de qualquer maneira, pois onde estavam a ir, a presença de era imprescindível.
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  – Quem convidou? Bernard? – ela perguntou para antes de subir as escadas.
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  O homem ficou calado. logo compreendeu. Se Bernard tivesse o convidado, ele poderia recusar o convite, assim como todos os outros ali. Mas era Eric quem havia pessoalmente enviado seu secretário até a residência para convidar todos os presentes a um jantar informal em sua residência.
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   não mostrou nenhuma reação. Deu as costas ao senador e subiu as escadas. Ao perceber que estava fora da vista de todos, contudo, apertou os lábios. Não queria enfrentar sua família tão cedo.
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  Mas Eric nunca dava a oportunidade de problemas se concretizarem. Não importa se era sua empresa ou sua filha mais nova. Ele não deixava nada passar.
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Capítulo 11

  – Sejam bem-vindos. – o sorriso de Eric era cativante.
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  Foi dessa exata maneira que ele conquistou todos os seus aliados e derrubou os inimigos que apareceram durante toda sua vida. Apesar de Bernard não ter o mesmo carisma que o pai, Megan, a segunda filha, era tão boa quanto e por isso merecia sempre o posto bem ao lado do líder da família . , por outro lado, era sempre a última da fila.
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  – Peço desculpa por tê-los convidados tão de última hora. Soube recentemente da reunião e mostrou interesse em suas novas amizades – o pai sorriu para a filha mais nova como se fosse um pai carinhoso e presente; como se tivesse orgulho da moça.
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  Aqueles que ainda não conheciam bem , ou que era facilmente manipulado olharam para como se ela tivesse sido, até então, um bode expiatório. A moça sabia que, na cabeça de todos os que estavam hospedados na mansão de Moisé, passava-se as conversas que tiveram com a mulher, para saber se estavam em maus lençóis, mal sabendo que nada disse ao pai.
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  – Foi muita gentileza sua, disse, em posse de um pequeno sorriso, o mesmo que usava para cumprimentar aliados e inimigos em eventos políticos. – Não sei quanto mais aguentaria ver os mesmos rostos – riu, mostrando que estava fazendo um comentário somente para descontrair a tensão que Eric trazia só com sua presença.
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  – Bernard precisa aprender melhor com você sobre como tratar funcionários. – Megan observou, maliciosamente, ao senador. – Nunca passaria por sua cabeça levar um subordinado para passear por uma semana nos Hamptons.
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  – Bem, ele pode observar mais então. – respondeu no mesmo tom à mulher. – Não posso ficar contando todos os meus dotes para um concorrente, não é? Pode diminuir a diferença de votos que temos.
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   e os demais convidados observaram os olhos de brilharem ao retrucar Megan. Eric parecia alheio à mensagem subliminar do senador, já que, no momento seguinte, ofereceu-se para mostrar a propriedade para aqueles que quisessem, enquanto um chá seria servido na sala norte.
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  – Por que você não me acompanha, ? – Megan disse, com um pequeno sorriso. – Como anfitriã, você pode conferir alguns pormenores de última hora.
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  A mais nova manteve-se calada e teve vontade de abrir um buraco ali mesmo para se esconder. Contudo, com um simples pedido de licença, afastou-se do grupo sobre os olhos de todos, e caminhou na direção conhecida da cozinha com a irmã logo atrás de si.
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  – Eu não sei o que se passa na sua cabeça. – a mais velha começou a falar assim que o som da conversa entre o grupo se tornou escassa. – Mas você deve ter adquirido uma boa dose de coragem para agir sem o consentimento do papai.
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  – Estou aqui a trabalho.
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  – Está? Que funcionária eficiente você é… – Megan sarcasticamente disse, mudando a rota da caminhada das duas para o escritório dela. – Então me conte, que tipo de trabalho fez? Manual? Oral?
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  – Megan! – exclamou, estupefata com a baixa suposição da irmã. – Você está sendo…
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  – Realista? Veja só, , se você quer dormir com , não me importo em nada, desde que isso traga algum benefício para a família. Não vou negar de que ele é um político mais promissor e com maior chance de chegar a uma presidência no futuro, ao contrário do idiota do Bernard. Mas você receber um pé na bunda de um cara que já havia pisado no nome antes…
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  – Eu não estou me envolvendo com o senador ! – ela exclamou, o rosto vermelho com a ideia. Não queria dizer que, até a pouco, praticamente odiava o homem. Era infantil demais e não queria munir Megan de mais argumentos. – Como disse, estou fazendo o meu trabalho.
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  – Viajando para os Hamptons? , você é burra ou o quê?
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  A caçula permaneceu calada. Odiava a irmã. Odiava como elas não tinham a conexão que todo mundo que tem um irmão ou irmã, tem. Desde pequenas, as duas nunca se deram bem. Nunca se envolveram e nunca sequer demonstraram afeto à outra. O papel de irmã mais velha que Megan fielmente seguia, era a de sempre criticar por seus erros, como se fosse ela a responsável pela educação da mais nova, ao invés da mãe.
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  O rosto oval com a expressão maléfica no rosto era uma característica comum de Megan. A irmã mais velha vivia com um sorriso carismático no rosto, porque, se permanecesse séria, não conquistaria ninguém. Os cabelos louros da mãe francesa contrastavam com os olhos escuros vindos do pai. Ela e Bernard eram quase idênticos, enquanto , com os cabelos escuros de Eric e os olhos claros de Anne, apenas se destacava por não ser igual aos dois anteriores.
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  – Você sabe que grande parte das pessoas viram Ashton em nosso evento no sábado, não é? E que há paparazzis por todo lugar aqui.
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  – Eu já disse que eu não…
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  – Não importa o que você diz. – Megan cortou a irmã. Sua expressão agora era dura e séria como sempre era quando se relacionava à moça. – As pessoas falam, . E elas vão interpretar o que quiser quando você sair em um tablóide de fofocas podre na internet. Pelo amor de Deus, você tem quase 28 anos, devia estar noiva daquele médico, ao invés de saindo com o político que tirou a oportunidade de nossa família crescer.
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  – Cale a boca. – disse, séria.
  – Como?
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  – Você ouviu, Megan. – ela disse, sustentando o olhar da irmã. – Estou cansada. Cansada de você. Cansada do seu papo de “família”. Você não faz mais parte dessa família no momento em que se casou.
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  – Continuo sendo uma , . Uma muito melhor que você.
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  – E quem foi que disse que quero ser uma ? Estou cansada de ser tratada como cachorro dessa família.
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  – Cachorro? – Megan riu. – , você precisa crescer…
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  – E você precisa esquecer que tem uma irmã. Contrate uma funcionária para gastar suas frustrações sexuais, Megan. – a mais nova diz, fazendo a outra fechar a cara. – É, eu sei das sua vida, tanto quanto você sabe da minha. Como você mesma disse, as pessoas falam. A diferença entre eu e você, é que não me importo com você, tanto quanto você parece se importar comigo.
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  – Tome cuidado…
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  – Com o quê? – ela olhou ao redor. – Seu marido, por acaso, está aqui para descobrir que você mantém amantes para se satisfazer? Veja bem, mana abriu um pequeno sorriso –, eu não importo se você está abrindo as pernas para meio mundo, desde que me deixe em paz.
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  – Uma semana trabalhando com lhe deu coragem suficiente para produzir o seu veneno, … – Megan sorriu. – Talvez você possa permanecer trabalhando com ele. Não. Continue seu plano. Durma com ele, faça-o se apaixo…
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  – Megan. – a outra a cortou. – Vou falar uma só vez: eu não estou saindo com o senador . O que você vai fazer com essa informação, não me importa. O que eu vou exigir, é que pare de achar que pode mandar em mim. Não vou mais tolerar que você fique mandando em mim como manda em seus funcionários. Se quer que eu faça trabalho para você, me pague.
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  Ela se virou para a porta e se voltou para a irmã.
  – Sou uma profissional muito cara, Megan. E estou pronta para processar qualquer superior que abuse da própria autoridade sobre mim.
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  Afastou-se apressadamente da sala da irmã, com a raiva borbulhando dentro de seu estômago. Saiu apressadamente da mansão, caminhando a passos apressados, chegando a correr em direção à praia. Nos momentos de desespero, sempre que estava em Hamptons, se dirigia ao farol renovado pelos . Se encaminhou até o local não pensando em nada.
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  Contudo, ao se deparar com a vista do mar infinito e a baía extensa da região, deu a si mesma a oportunidade de respirar fundo e pensar. Talvez Megan estivesse certa. Talvez o trabalho com a tivesse feito criar seu próprio veneno para usar com quem a ameaçasse. Mas como ela poderia usar a seu favor? Deveria saber. Nasceu no meio dessa selva de arrogância e orgulho; deveria agir como todos eles, então por que não conseguia?
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  Suspirou, exausta. Estava cansada. Primeiro, Ashton decidiu deixá-la fora de seus planos, depois de quase 10 anos com ela. Agora, sua família decidiu se rebelar e usá-la de frente de batalha. Para ajudar, parecia querer se aproximar dela para sabe-se lá qual plano ele tinha em mente. Colocá-la contra a família dela era uma boa estratégia, mas ele não precisava de muito.
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  – Droga – ela murmurou baixo, e o alívio que sentiu com uma simples palavra verbalizada a deu coragem para falar mais alto -, droga! Droga, droga, droga!
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  Gritou alto, pois sabia que ninguém a ouviria. O farol era afastado e alto demais; além disso, mesmo que ouvissem, ninguém se importava com uma louca gritando. A ideia de estar sendo ignorada como sempre gostou a incentivou a gritar ainda mais, até o peito doer.
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  Virou-se bruscamente e tomou um susto quando bateu em um corpo. Se não fosse por mãos firmes a segurarem, estaria caída no chão.
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   olhou para o rosto do dono do corpo que invadiu seu momento íntimo com a raiva. Antes mesmo de chegar aos olhos do senador , sabia que era ele. O homem, que antes estava sempre presente nas horas erradas, agora se via disponível toda vez que ela se encontrava em um momento de fraqueza.
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  Olhou nos olhos do homem e não soube dizer se estava desconcertada, irritada ou aliviada por vê-lo ali. Poderia ser outra pessoa. Ou poderia muito bem não ser ninguém. Se havia uma palavra que não parecia conhecer, era limite. Ele invadia a zona de conforto de qualquer um sem pedir permissão; ao mesmo tempo que cuidava das pessoas antes que elas desabassem.
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  – Achei que precisaria de um ombro para chorar – ele ergueu uma sobrancelha, ao mesmo tempo que os cantos de sua boca curvaram-se para cima. – Mas parece que me precipitei.
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  , que ainda respirava forte após o surto, procurou dentro de si a vergonha que costumava sentir ao se ver exposta. Contudo, o único sentimento presente era alívio.
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  Aproveitou a desatenção que o senador lhe deu ao desviar o olhar para o mar, e passou a observá-lo com mais atenção. Se a vergonha não estava ali, então significava que estava à vontade.
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  Mas… por quê?
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  Por que sentia-se acomodada à presença dele, mesmo nos momentos mais difíceis? Durante todo seu relacionamento com Ashton, o homem parecia compreender quando estava em seu limite, e se afastava, a fim de lhe dar espaço e respeitando sua zona de conforto. , por outro lado, não devia saber do significado de zona de conforto, pois ultrapassava o limite sempre que via oportunidade. Não fazia sentido ver-se relaxada e sentindo-se mais leve, quando havia uma pessoa – alguém que ela, até a pouco, não suportava – ao seu lado, provocando-a e não fingindo que ela não gritou como uma louca ou chorou como uma maluca.
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  – Eu… – ela disse, a voz apresentando leve rouquidão após a sessão de gritos. – Não preciso da sua ajuda.
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   a olhou com surpresa. Cruzou os braços para trás e olhou com interesse para .
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  – Não me lembro de ter oferecido ajuda a você, .
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  O rosto de esquentou como há tempos não acontecia. Ela havia entendido tudo errado. não estava sendo uma boa companhia, só estava, talvez, se certificando que uma louca não fosse se jogar do alto de um farol com ele presente. Isso lhe traria problemas políticos, principalmente considerando filha de quem ela era, e irmã de um rival.
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  – B-bem… – ela começou a dizer, mas percebeu que não havia o que falar. Os dois não eram de conversar sobre assuntos triviais e, apesar de saberem um pouco sobre o outro, não eram íntimos o suficiente para mudar de assunto.
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  Assim, só restou à moça dar as costas ao chefe e sair do farol. Quanto mais rápido se afastasse daquele constrangimento, mais rápido poderia pensar em uma desculpa para ir embora dali.
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  Quando estava perto da mansão, decidiu olhar para trás porque não sentiu a presença de por perto. E sua intuição se mostrou correta. O homem não a seguiu; preferiu permanecer observando o mar de cima.
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  O plano, então, era ela conseguir entrar na residência pela porta dos fundos e subir para o segundo andar pela escada de serviço.
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  Atravessou o jardim perfeitamente podado e observou, ao fundo, a equipe de veraneio da família tratando os convidados como se fossem clientes VIP de um hotel 6 estrelas. Ela bufou e passou por trás de alguns arbustos para evitar ser vista.
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  – Senhorita . – uma voz soou atrás de si, fazendo-a dar um salto com o susto. Olhou na direção da voz e viu que se tratava de Fiona, a governanta da família. A caçula dos costumava chamá-la de Mulher-De-Lata, pois a mulher, desde quando se deu por gente, andava e agia como se fosse um robô. Respeitava as regras impostas por Eric e Anne, e seguia-as sem sair da linha. – O senhor Eric deseja vê-la em seu quarto.
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  A moça suspirou. Não havia tido tempo de pensar sobre o que conversar com o pai. Ele, é claro, também não perderia a oportunidade. O homem conseguiu chegar aonde estava e construir todo seu império devido à sua atitude pontual. Para Eric, a palavra ‘chance’ era atribuída de forma política; dita com um sorriso no rosto, mas nunca cumprida.
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  Ao entrar no quarto, viu o pai de olho na festa que acontecia na área da piscina. Os convidados estavam muito mais à vontade sem a presença do anfitrião principal. Megan e seu marido – principalmente o marido – sabiam como entreter aquelas pessoas.
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  – Eu me pergunto – Eric começou a falar, as mãos cruzadas para trás, como estava mais cedo. – O que pode ter acontecido para um hábito ter sido quebrado?
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  Como sempre, a resposta não veio, pois ele não havia dado nenhum sinal de que era a hora da filha falar. A voz suave de Eric tornava tudo ainda mais tortuoso. É mais fácil lidar com uma pessoa que expressa sua raiva, do que com uma fria e calculista.
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  – Sua irmã me contou coisas interessantes. – Eric olhou por alguns segundos para , e então voltou o olhar para fora. – Uma delas é que você tem seu próprio plano. Gostaria que compartilhasse dele comigo.
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  – Eu não sei do que Megan está falando.
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  – Ora, – a voz suave veio repleta de paciência, como um animal prestes a matar sua presa. – é conhecido por sua perspicácia. A personalidade carismática existe por conta de seu papel na vida das pessoas; Bernard deveria aprender com ele a não soar tão… falso. Lembro-me de ter sido claro quando pedi que me mantivesse à par de toda a situação; qual surpresa a minha quando descubro que você está de férias com o próprio .
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  A mulher respirou forte. Se o pai sabia de todas aquelas fofocas, devia pesquisá-las à fundo; era o que queria dizer a ele. Mas manteve-se calada, porque o sinal de permissão para falar ainda não havia chego.
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  – O que você faz no trabalho?
  – Reviso.
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  O silêncio de Eric apontava que precisava usar muito mais do que uma palavra para satisfazer a curiosidade do pai.
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  – Ele me passa contratos e propostas que chegam todos os dias para revisar; separo as que são mais apropriadas para serem aprovadas por ele.
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  – E ele aprovou alguma?
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  – A maioria… ele, hum, envia para aprovação do senado e… – sua voz sumiu com o simples movimento de mão que Eric fez.
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  – – o homem se virou para olhar a filha –, você sabe por que está na prefeitura?
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  A mulher engoliu seco. Sabia, é claro. Ela era somente mais uma peça do tabuleiro de Eric, que espalhava as pessoas mais próximas de seu círculo pessoal pelos locais que acreditava gerar informações valiosas para seu império chamado de negócio.
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  – Para evitar que escândalos se tornem públicos.
  O homem balançou a mão para que ela continuasse:
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  – Para que o nome de nossa família não esteja na boca das outras pessoas.
  – E?
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  – E… para reunir informações que podem ser de boa valia para a família.
  Eric olhou pela janela novamente.
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  – Aquelas pessoas… – ele falou. – Agem de acordo com o que nós, , esperamos que elas ajam. Se fizermos um movimento diferente do comum, elas darão um jeito de se adaptarem à novidade porque não são boas o suficiente para criar seu próprio movimento. Esse é o tipo de pessoa que não se pode confiar.
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  Ele olhou para a filha, um brilho poderoso nos olhos de quem tinha o controle sobre tudo e sabia muito bem disso.
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  – Se unir a qualquer uma delas só trará decadência.
  – Não estou unida com nenhuma delas.
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  – Me refiro também a .
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  O silêncio foi o suficiente para Eric tirar a conclusão que quisesse. Obviamente, a que prevaleceu foi a que ele achava ser a verdade.
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  – Você tem feito o seu serviço muito bem, . Não vou interferir em seus relacionamentos afetivos, desde que eles não atrapalhem a nossa família. – O homem olhou para a filha mais nova e apoiou a mão no ombro dela, dando um leve apertão. – Aproveite suas férias. Espero um relatório sobre as atividades que passa diariamente a você. Ademais… – sua mão deixou o ombro da mulher – Se precisar compartilhar algo comigo, sabe como me encontrar.
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  Sem dar um sorriso ou oferecer uma palavra de conforto à sua caçula, o homem deixou o quarto de . Ela foi até a janela onde ele havia permanecido parado à frente até então e quis quebrar o objeto. Podia ter gritado com Megan mais cedo e se posicionado diante da irmã, mas à frente do pai continuava a mesma peça de seu jogo.
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  Observou as pessoas espalhadas pelo jardim. Todas conversavam como se não houvesse problema a ser resolvido ou que não estivessem na casa do rival de um grande amigo deles. Mas se até mesmo estava ali, por que os outros deveriam se preocupar? Aparências deveriam ser mantidas e, assim como Eric mencionou há pouco, ninguém era bom o suficiente para ir contra as regras que as pessoas mais poderosas impunham.
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  Como poderia ela, então, ir contra?
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Capítulo 12

  Eric se mostrou um melhor anfitrião do que qualquer um ali jamais esperaria. Fez com que cada um dos convidados se divertissem e se sentissem à vontade como se a mansão fosse sua própria casa. Megan e o marido seguiram a onda do patriarca e agiram diferente do que as colunas de fofocas e as pessoas que espalharam a conversa nos salões de beleza ou jantares de negócio diziam.
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  – Um grande homem, o seu pai. – ouviu de um dos convidados que estava hospedado na residência de Moisé.
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  Ela se limitou a abrir um pequeno sorriso, mas se manteve calada porque acreditava que, se não fosse para dizer coisas boas, então o melhor era permanecer de boca fechada.
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  Por terem sido bem entretidos durante o dia, todos entraram em um silencioso consenso de que a noite seria aproveitada com seus devidos parceiros e parceiras. Dessa forma, quando o relógio soou às dez da noite, não havia pessoas presentes no andar térreo da mansão de Moisé, o que acabou sendo muito conveniente para , que decidiu aproveitar o momento para caminhar na praia.
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  Acabou encontrando um momento de paz e, associando o sentimento ao local exato onde estava em pé, sentou-se ali mesmo, na areia, para tentar aproveitar o máximo daquela raridade. Aquele era o momento para pensar em sua vida. Pensar no que o pai havia dito, no que queria para seu futuro e também sobre Ashton. Não havia tido tempo para sofrer a dor do término, mas agora, com o coração batendo mais devagar após uma tempestade, será que o fim do relacionamento foi realmente horrível?
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  Sentiu a brisa passar por seu corpo, fazendo seus cabelos de fios claros esvoaçarem como cortinas. Lembrou-se da época da faculdade, quando a excitação de uma vida misteriosa pairava por todo seu corpo, passeando pela corrente sanguínea e fixando em seus ossos. Queria sentir aquilo de novo. Noites frescas como essa a lembrava das vezes que era arrastada por Stephanie para festas. Apesar de estar sozinha sempre, não se sentiu, em momento algum, solitária. Muito pelo contrário; adorava observar as pessoas ao redor. Achava que conseguia enxergá-las melhor quando era uma observadora, do que se estivesse conversando com elas.
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  – O que você queria, ? – ela perguntou a si mesma, dobrando as pernas e as abraçando, enquanto trazia os joelhos para perto do rosto.
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  A resposta veio com mais rapidez e foi compreendida com mais facilidade do que ela imaginava. queria liberdade. Liberdade de viver a vida que ela queria. Isso significava ir contra tudo o que seus pais a ensinaram. Significava até perdê-los.
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  Era nesse momento em que ela desistia de tudo. A ideia de perder sua família, por pior que ela parecesse ser, era doloroso demais. amava todos eles. Odiava a maneira como eles eram ambiciosos e até inescrupulosos, mas amava-os daquela maneira; nenhum deles nunca foi de outro jeito. Seria mais fácil deixá-los para trás se tivessem sido; poderia usar desse argumento para se afastar. Mas não. Mesmo tratando-a como uma peça, a mulher havia desenvolvido o amor por eles. E por isso, sempre que chegava à fase de deixá-los, ela voltava atrás. Porque não queria perdê-los.
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  Mas veja só onde ela se encontrava. Infeliz, sozinha, sem expectativas de um futuro. O tanto que seus familiares tinham ambição, não tinha nada. Era como se tudo isso tivesse sido sugado dela.
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  – Você precisa aprender a fazer as coisas por si, . – de leve, deu alguns tapinhas em seu rosto, como forma de ajuda para acordá-la dessa narcotização. Suspirou e soltou um leve gemido: – Mas… como?
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  O vento soprou em silêncio, como se não quisesse atrapalhá-la em seu momento mais íntimo.
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  – Um bom começo é parar de pensar nos outros.
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  O susto com a presença inesperada – será? – de atrás de si não foi muito maior do que a solução que ele havia sugerido.
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  Ele se aproximou dela e colocou um casaco em seus ombros. não havia percebido que a brisa havia se tornado um vento consistente, e que o frescor havia sido substituído por um leve frio. Ela viu que, em menos de uma hora, uma tempestade estaria tomando conta daquela parte dos Hamptons.
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  – É mais fácil falar do que fazer.
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  – É verdade. – ele se sentou ao lado dela sem se preocupar em sujar a calça com a areia semi úmida. – Mas não fazer nunca levou ninguém a lugar algum. E a meta é chegar em algum lugar, não é?
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  Os dois permaneceram calados. Ele, respeitando o momento dela; ela, ponderando sobre o que ele havia dito.
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  – O que você gostaria de fazer? – ele enfim perguntou. – Uma coisa que acha insignificante, mas que você tem curiosidade.
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  – Não tenho nada que queira fazer de insignificante. – ela o olhou ofendida, como se ele quisesse brincar com ela.
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   balançou a cabeça.
  – O que você fazia em seu tempo livre quando estava na universidade?
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   pôs-se a pensar. Geralmente era arrastada por Stephanie para festas ou encontros duplos que só a amiga e seu companheiro saíam bem. Não falaria isso para , é claro, pois, sem saber o motivo, não queria passar a imagem de uma mulher que não havia tido sucesso também nos encontros.
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  – Eu pegava o carro do meu irmão e ia comer fast food.
  – Fast food? – o homem ergueu os olhos, um pequeno sorriso de divertimento surgindo no canto dos lábios.
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  – É, tipo Shake Shack.
  – Você é do tipo que gosta de fast food?
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  – Não sou uma viciada… ah, quem eu quero enganar? Adoro comida gordurosa. Poderia comê-los todo dia, se não fizesse tão mal e se as lojas de grife não fizessem roupas de pronta entrega para mulheres que vestem até o número 3.
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  – Você não me parece ser o tipo de mulher que liga em vestir um número 4.
  – Eu não ligo – ela disse –, mas minha família…
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   ergueu a mão.
  – Eu entendi. – e então, sem dizer mais nada, se levantou. – Vamos.
  – Aonde?
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  Ele abriu um pequeno sorriso.
  – Aonde mais? Comer fast food.
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  – É sério? – ela perguntou, descrente, mas já se levantando, o coração pulsando um batimento mais rápido por minuto. Não se lembrava quando foi a última vez que parou para comer um hambúrguer que não fosse artesanal.
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  – É sério. – respondeu.
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  E ele estava mesmo falando sério, pois meia hora depois, os dois estavam dentro do carro dele, parados em uma fila do Wendy’s, esperando sua vez de serem atendidos.
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   murmurava opções de lanches que queria comer, mas precisava se decidir logo, pois estavam a só um carro de distância da cabine de pedidos. aguardava pacientemente enquanto olhava para o painel iluminado na lateral, mostrando as opções de lanches.
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  Quando o carro andou e a vez deles chegou, simplesmente travou.
  – E-eu…
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  – Boa noite – disse à atendente, que arregalou os olhos ao reconhecê-los. – Queremos um de cada.
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  – Como? – a moça perguntou, certa de que não havia entendido.
  – Gostaria de um lanche de cada. Com os devidos acompanhamentos.
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  – Bebida?
  – Duas Cocas grandes, por favor.
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  – … – tentou falar, mas ele a ignorou.
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  Quando a atendente confirmou o pedido e os direcionou para a cabine seguinte para que pudessem acertar a conta, olhou para e abriu um sorriso.
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  – Você parecia muito incerta sobre o que queria. Achei melhor ajudá-la.
  – Pedindo o menu inteiro?
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  – Não inteiro – ele manteve o sorriso no canto da boca –, pedi que não incluíssem as sopas e saladas. Não são gordurosas o suficiente.
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  Ao invés de se mostrar estarrecida com a situação, achou graça e manteve-se calada. Se fosse pensar como sempre foi, pediria para devolver tudo e pedir somente um lanche, mas a ideia era fazer exatamente o oposto. Era libertá-la das regras impostas pela sociedade maluca em que viviam.
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  Dessa forma, os dois acabaram parados em um estacionamento público, saboreando as dezenas de lanches que haviam comprado.
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  – Hum… – ela suspirou de prazer. – Acho que é a melhor coisa que comi em anos.
  – Tome, coloque ketchup. – ele ofereceu a ela e sorriu quando viu os olhos da mulher brilhar.
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  Permaneceram calados, saboreando a comida e ouvindo a rádio. observava comer como uma criança; esta, por outro lado, tinha sua atenção inteira ao saco de papel que ainda continha lanches intactos.
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  – Está faltando…
  – Doce? – ele a completou, vendo-a abrir um sorriso. – Sei de um lugar que vende os melhores donuts da madrugada.
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  – Donuts? – os olhos dela brilharam ainda mais. – Com recheio?
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  O homem riu e deu partida no carro, ao mesmo tempo que continuou segurando seu lanche comido.
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   não achou que comeria daquele jeito nunca na vida. Inclinou um pouco mais sua cadeira e olhou ao redor. Uma rua vazia devido ao horário, iluminada pela lanchonete onde pedia os donuts que ela havia escolhido – pensou o caminho inteiro em alguns sabores, pois não iria arriscar fazer o homem mais uma vez pedir o menu inteiro.
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  Abriu o espelho para ver a situação em que estava e se surpreendeu com a que viu no reflexo. Os ombros estavam relaxados e o sorriso parecia permanente no rosto. Ela tocou nas próprias bochechas, como se quisesse confirmar que era si mesma ali. Desviou o olhar quando viu que sim e enxergou voltando, correndo com a caixa de donuts escondida dentro da jaqueta.
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  – A chuva pareceu piorar. – ele disse, tirando o excesso de água da chuva.
  – Você não precisava ter ido lá.
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   enviou-lhe um olhar enquanto terminava de se enxugar.
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  – Não ache que estou fazendo isso só por você. – ele pegou a caixa que havia depositado no espaço entre os dois, próximo ao câmbio, e disse – Esses donuts são os melhores da América.
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   não conseguiu evitar uma risada.
  – É? Então vamos ver. – e se inclinou para frente para pegar um.
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  Mais uma vez os dois mergulharam em um silêncio que foi preenchido pelo som de comida sendo mastigada, chuva e rádio.
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  – Precisamos voltar para a mansão. – olhou no relógio, onde marcavam quase 1 da manhã. Sem perceber, os dois haviam percorrido um belo caminho para conseguirem comer toda a gordura que queriam.
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  – Precisamos?
  A mulher olhou para o senador, que tinha um pequeno sorriso no rosto.
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  –
  – Eu prefiro que me chame pelo meu nome. – ele a cortou. – Meu sobrenome está na boca daqueles que trabalham comigo.
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  – Eu trabalho com você.
  – Estamos de férias.
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   ergueu uma sobrancelha.
  – Estamos? Achei que eu estava de férias.
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  Não era à toa que seu pai havia movido todas aquelas pessoas para sua mansão. Uma coisa era ter sua filha recebendo férias obrigatórias, quando nunca havia acontecido. Outra, era tudo isso acontecer no mesmo momento em que decide tirar suas primeiras férias desde que entrou para a política.
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  – O lado bom de ser seu próprio chefe, é que você pode tirar férias quando quer.
  – Você é um funcionário do governo.
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  – Que nunca tirou férias ou folga. – ele virou um pouco o corpo na direção dela. – Políticos também precisam descansar, não acha?
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   não respondeu. Como ser humano, ela sabia que era direito dele. não era como outros políticos, que se aproveitavam do trabalho de pessoas abaixo deles; mas ele representava o povo e precisava cuidar de todos. Haviam pessoas que não tinham como ter férias.
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  – Sei o que está pensando. – ele disse. – Não se preocupe, não saí de férias definitivas. Só não precisarei comparecer todos os dias no escritório.
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  – Eu não pensei nada. – ela disse, dando mais uma mordida no donut com recheio de frutas vermelhas, o seu favorito. – Você pode fazer o que quiser.
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  Os olhos de mostraram humor, ou, quem sabe, quisesse falar algo que a boca não diria.
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  Ao invés disso, ele estendeu o braço e, com o polegar, limpou um traço de geléia que havia no canto da boca de . O toque trouxe junto uma descarga elétrica no corpo da mulher, que entrou em pane com o ato.
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   não disse nada, mas também não desviou os olhos de . Permaneceu calado, esperando por uma reação, fosse ela boa ou ruim.
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  Mas nada veio.
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   não soube como reagir, porque não conseguia entender se aquilo foi bom ou ruim para si. Seu coração batia como uma música eletrônica e sua mente havia sido bloqueada pela memória do toque de um dedo dele em uma pequena parte de seu rosto.
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  Também não se moveu quando viu o corpo de se inclinar para frente, mas suas pupilas com certeza aumentaram de tamanho. Quando o rosto do homem se aproximou o suficiente para ela sentir o calor dele antes de se tocarem, em um piscar, se afastou.
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  Clique.
  Ela olhou para baixo, onde o cinto de segurança a protegeria de vários acidentes, menos o que ela imaginava que poderia ter acontecido ali.
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  Engoliu no seco o pedaço de donut que estava dentro de sua boca e, com as mãos levemente trêmulas, pegou o copo de Coca-Cola para dar um grande gole que quase a fez engasgar.
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  – Praia ou montanha?
  – Como?
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  – Você prefere praia ou montanha?
  – Eu… eu gosto de cidade. – ela murmurou.
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   deu uma pequena risada.
  – Você poderia ser um pouco menos nova-iorquina, . – e deu partida no carro.
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  Se ela estivesse em sã consciência, poderia ter respondido o homem. Mas após achá-lo que ele iria beijá-la, não queria – e nem conseguiria – dirigir qualquer palavra que fizesse sentido. Organizou a bagunça que havia feito do seu lado do carro, enquanto dirigia tranquilamente pelas ruas vazias de Nova Iorque. O Estado não era tão bonito quanto outros, como a Califórnia ou a Flórida, mas tinha suas características próprias, que eram famosas o suficiente para trazer milhões de turistas por ano.
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   quase engasgou com sua Coca quando, quase duas horas depois, viu o destino que a estava levando.
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  – Estamos no aeroporto.
  – Estamos.
  – Você precisa buscar alguém?
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   tirou o cinto e apertou o botão para destravar o cinto dela. Ergueu o olhar para e sorriu.
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  – Não.
  – Então… – sem dizer mais nada, o homem saiu de seu lado e foi até o lado oposto do carro, abrindo a porta de . – O que estamos fazendo aqui?
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  – O que todas as demais pessoas vem fazer.
  – Eu… ! – ela quase gritou quando sentiu o puxão dele.
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  Os passos de eram muito maiores do que os de ; e ele propositalmente andou de forma mais apressada, para que ela não tivesse tempo de questioná-lo, pois precisava prestar atenção no caminho, se não quisesse cair.
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  Enfim chegaram à área de check-in, onde encontrou com George.
  – Obrigado por ter vindo a essa hora, George. – disse com um sorriso. – Deu tudo certo?
  – Sim senhor – ele ergueu uma pequena pasta. – O voo sai em uma hora.
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  – Voo? – olhou para . – Você vai viajar?
   entregou a chave do carro para George.
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  – Tem alguns lanches lá, caso esteja com fome. O que não comer, pode se livrar de tudo. Envie o carro para uma limpeza completa.
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  – Sim senhor. Precisa de algo mais?
  – Tente não me ligar? Se eu quiser saber de algo, ligarei para você.
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  – Boas férias, senador. – o homem sorriu para ele e , e então se afastou, indo embora com o transporte dos dois.
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  – E-espere! – ela falou mais alto para George, que ignorou com precisão o chamado. – O que diabos está acontecendo?
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  – Vamos viajar. – ele ergueu a pasta com um pequeno sorriso e pegou as duas malas de bordo que estavam aos pés dos dois. – Venha, vamos entrar.
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  – O-o quê? Você está louco? – ela tentou largar a mão dele, mas era mais forte.
  – Eu iria preferir que você não agisse como se eu estivesse te raptando.
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  – Você está me raptando.
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  – Ora, você poderia ver isso com outros olhos. – ele respondeu, achando divertido. – Você não quer fazer mais coisas por si mesma, ?
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  – Isso não deveria ser uma iniciativa minha?
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  – Quantos anos mais você teria que esperar, até tomar uma iniciativa para cuidar de si? Se a resposta não for “agora”, então eu sugiro que venha comigo.
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   soltou a mão de , que teve o impulso de se mexer para longe dele. Se corresse, daria para pegar George e voltar para Manhattan. Mas o homem havia tocado em seu ponto fraco. E ele não estava errado. A vontade dela de sair de sua própria prisão passaria, e não demoraria algumas horas até que ela voltasse a agir como a que o pai desejava.
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  – Para onde vai esse voo? – ela tentou olhar para as passagens, mas elas estavam dentro da pasta que carregava.
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  – Se você vir comigo, deve saber que algumas coisas são melhores se você aproveitá-las no momento em que acontece. Confie em mim. Você não vai acabar machucada ou morta, mas com certeza voltará uma nova pessoa.
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   respirou fundo e mordeu o lábio. Era aquilo. Aquilo era o que esperava de Ashton. Aquilo era o que esperava de si mesma. Poderia permanecer parada ali e tacar milhares de pedras imaginárias em si, por não ter feito o mínimo para que vivesse feliz. Não esperava que fosse a pessoa a ajudá-la, mas ele era alguém. Alguém disposto a fazê-la chegar mais próxima de seu sonho.
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  Segurou na mão do homem e respirou fundo.
  – Não me faça me arrepender.
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   abriu um pequeno sorriso e entregou a mala de bordo que pertencia a ela.
  – Você não vai.
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Capítulo 13

   quase teve um surto de riso quando, na área de embarque do voo, viu na tela do destino, o nome Paris.
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   havia pedido para George passar na cobertura de Stephanie, com quem havia falado enquanto esperava o lanche dos dois serem preparados no Wendy’s, para ela providenciar algumas roupas e o passaporte de .
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  “Quebre o coração dela e eu quebro você.”
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  Foi a mensagem que ele recebeu quando confirmou que estava tudo certo com o documento de .
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  Abriu um pequeno sorriso e olhou a mulher ao lado soltar murmúrios de inconformidade. Era comum para as pessoas ricas fazerem viagens de última hora, mas não era nada comum para . Ela nunca foi de agir com impulso; um hábito colocado por Eric, para que ela não saísse da linha, como aconteceu com seus filhos mais velhos.
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   sabia muito mais da família do que imaginava. Se possível, sabia de mais podres da família do que a própria caçula. Bernard, ao contrário do que a maioria achava, casou-se por pura conveniência. Ele engravidou a filha de um colega da oposição e, por se tratar de uma oposição, foi obrigado por Eric a se casar com ela. A situação veio em boa hora; o jovem precisava de uma causa para se aproximar mais do povo, e todo mundo gosta quando um homem cumpre com suas responsabilidades.
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  Megan, a filha do meio, mantém vários relacionamentos abertos com homens tão importantes quanto o marido, pois, de acordo com a maioria das pessoas próximas a ele, o homem não cuidava nada da saúde e tinha uma alta probabilidade de sofrer um infarto a qualquer momento. O fato de Megan não estar nem aí para os hábitos pouco saudáveis do marido fazia com que soubesse, com certeza, que ela queria mais – e logo – mudar seu status para como o de viúva.
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  Além disso, a esposa de Eric estava com um enorme problema com o marido, após ter desviado uma fortuna da doação que deveria ser feita logo depois de um evento beneficente programado pela família. O valor deu como doado, mas o receptor nunca chegou a receber o valor integral; a empresa , no entanto, abriu vagas sociais destinadas a um certo grupo de pessoas, coincidentemente associadas à organização que deveria ter recebido o valor desviado.
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  – Parece que faz anos que não saio do país. – disse, com certa empolgação na voz.
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   permaneceu calado, a expressão tranquila, mas desperto enquanto observava a filha de um rival. Eric era o homem mais ambicioso e inteligente que ele havia conhecido em toda sua carreira. No início, acreditava piamente que poderia aprender, e muito, com o homem. Contudo, ele se mostrou muito mais corrupto do que aqueles que eram de verdade. Isso fez com que optasse por um caminho mais longo, porém mais seguro e limpo, conquistando as pessoas certas. Filiou-se ao partido oposto de e não teve medo algum quando se viu competindo com o filho mais velho.
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  Enquanto dormia, trabalhou. Era verdade que estava de férias, mas o trabalho de um servidor público nunca acabava. E ele não tinha intenção de colocar seus assuntos à frente do povo. Olhou para a mulher adormecida e arrumou a coberta em seu corpo, cobrindo-a inclusive com sua própria coberta, já que o ar, durante o descanso, se tornava mais gelado.
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  Tirou um cochilo que foi o suficiente para descansar. Quando despertou, o café da manhã estava para ser servido e ele se via embrulhado pela coberta que havia cedido para antes. A mulher estava com os fones de ouvido e prestando atenção em um filme na tela à sua frente.
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  Ele abriu um pequeno sorriso e decidiu se mover e aceitar o café da manhã. Havia cerca de 40 minutos para ele comer, se arrumar e esperar o pouso do avião.
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   – Dormiu bem? – ela perguntou a ele. – O piloto disse que pousaremos às 9 da manhã.
   – É um bom horário.
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   – Você não vai me dizer para onde vamos?
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   sorriu.
   – Se eu disser, perderei a graça de ver você boquiaberta.
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   soltou uma pequena risada, algo que ele pensou que poderia se acostumar facilmente.
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  O InterContinental de Paris é um daqueles hotéis que ninguém pensa como primeira opção, mas que é impossível não desejar se hospedar nele, uma vez que se encontra na frente do prédio. O monumento, localizado em uma área nobre da cidade da luz, possui absolutamente tudo o que alguém precisaria para passar as férias: quartos luxuosos e modernos, serviço impecável, SPA, restaurantes incríveis e localização próxima das lojas mais famosas do mundo.
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   geralmente ficava em um hotel à frente do Jardin des Tuileries, onde gostava de apreciar a vista, mas não podia negar que, se aquele hotel era como visualmente ele prometia, então talvez ela mudasse de estadia nas próximas vezes que voltasse à cidade.
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  – Você gostaria de sair e explorar? – disse, enquanto subiam para o apartamento que ele havia reservado. O espaço era como um pequeno apartamento de duas suítes e um cômodo comum. Este era um dos poucos hotéis de Paris a oferecer esse tipo de serviço em tão pouco tempo de programação. A cidade não tinha uma época mais cheia; eles eram cheios todos os dias do ano.
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  – Eu adoraria. – sorriu.
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  Após tomarem um banho e se arrumarem, os dois saíram a pé para explorar os arredores do bairro em que estavam hospedados. parou em praticamente todas as bancas de flores que via; seu amor pelas flores e o significado que elas tinham fez com que, no final do dia, voltasse carregando dois buquês enormes para enfeitar e perfumar a área comum do apartamento em que os dois estavam.
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   No lobby, pediu dois vasos e uma tesoura para poder colocar em prática, os arranjos que havia imaginado. Era assim que em que ela dividia com Stephanie acaba repleto de arranjos de flores; porque, ao passar por uma banca, imaginava um buquê de noiva ou o arranjo que a noiva ou os convidados de um evento viriam ao chegar no local.
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  – Eu iria perguntar se você está cansada para jantar, mas, pelo que vejo, você tem disposição para uma refeição. – disse, ao sair de seu quarto de banho tomado e pego ainda com as roupas da rua, sentada na enorme mesa de jantar que havia no apartamento, mas que estava tomada por flores. Um dos vasos de cristal oferecido pelo hotel já estava enfeitado com uma combinação de flores, e o outro parecia estar pela metade. – O que você gostaria?
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  – Carboidrato – respondeu, apesar de muito concentrada em seu trabalho.
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   não a atrapalhou mais. Silenciosamente, fez o pedido de refeição para que os dois comessem no quarto e pegou o próprio notebook, colocando o trabalho em dia. Sempre havia o que fazer quando ele decidisse sentar para trabalhar, não importa quantas horas do dia dedicasse a ele. Por isso já não se cobrava mais em ter que trabalhar ou terminar logo – o trabalho não tinha fim e ninguém o cobraria menos, mesmo que trabalhasse todas as 24 horas do dia.
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  Ao sentir o aroma da comida, o estômago roncou, fazendo com que ele erguesse os olhos a tempo de ver retirando o cloche para ver a massa ao pesto que ele havia pedido.
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  – Nossa… – ela murmurou, fazendo com que abrisse um sorriso e se levantasse, deixando o notebook de lado. – Isso é uma obcenidade. – ela pegou um croissant da cesta de pães e deu uma mordida. – A França é muito abençoada com a culinária.
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  – Tudo partiu daqui, afinal. – disse, antes olhando para a mesa de jantar limpa e dois vasos bem decorados. – Uau.
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  – O que achou? – perguntou, o tom de voz cauteloso. Geralmente, quando fazia essa pergunta para Ashton ou Stephanie, os dois apenas respondiam automaticamente que ela tinha jeito com a coisa, e que deveria abrir uma floricultura.
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  – Você realmente tem jeito para decoração – ele disse, não percebendo o sorriso da mulher murchar. manteve um pequeno sorriso no rosto, mas voltou sua atenção, aos poucos, para os pratos de comida. – Não sabia que lírios combinariam tão bem com girassóis.
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   voltou seu olhar para o homem, que parecia ter toda sua atenção no vaso de flor mais perto dele. Ela voltou a se aproximar para observar as expressões que ele fazia, e sentiu algo diferente ao perceber que ele realmente prestava atenção em cada flor. Os olhos do homem iam e vinham, flor em flor, como se aquilo fosse uma obra de arte. E de fato era. Era a arte que ela fez pensando em uma ocasião; um chá de bebê ao ar livre, organizado durante o verão.
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  – O tom do lírio ajudou… – ela disse de forma tímida.
  – E essas margaridas… não achei que fosse ver um arranjo tão refinado com elas.
  – Os lavandins sempre dão sofisticação, além de um aroma delicioso.
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  , com um sorriso sereno, olhou para , pronto para fazer algum comentário. Contudo, não esperava que ela estivesse tão próxima, a ponto de seus braços quase se tocarem.
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  Os olhos de estavam no arranjo que ela e haviam acabado de comentar. Um sorriso de alegria estampava seu rosto e o olhar brilhava tanto que duvidou que alguma vez na vida ela tivesse carregado aquela expressão.
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  Ao sentir a falta de comentários do senador, olhou para o lado, esperando por mais alguma observação, mas não esperava encontrar-se tão perto de , muito menos inclinada para perto dele. Tinha certeza que fora ela quem se moveu até lá, já que o homem não havia dado nenhum passo para perto da comida, antes de terminar de admirar o trabalho que ela havia feito. Assim, no susto, ela resolveu se afastar de forma estabanada, enroscando a si mesma com a cadeira que estava atrás, de forma que não houve jeito senão tropeçar.
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  Por ter uma boa reação, envolveu a cintura de com seu braço e evitou que ela caísse de bunda no chão, ou pior, batesse a cabeça na quina da mesa. Por outro lado, o estrago que a aproximação dos dois causou dentro de cada um não era possível de ser expressado.
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   não lembrava de os olhos de serem tão escuros. Até então, achava que era de um tom azul comum. Além disso, sabia que o homem gostava de se exercitar, mas o peitoral que lhe serviu de apoio para se segurar parecia mais um muro de aço; puro músculo. Engoliu seco ao ter pensamentos impróprios com o corpo de .
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  O homem, por outro lado, manteve o contato com os olhos de . Estava achando divertido ver o lado mais tranquilo, animado e menos arisco da mulher; todavia, essa nova mulher que ela estava se mostrando tornou-se perigosamente atraente, da maneira que ele sabia que seria. Sem deixar que a mente criasse mais qualidades sobre ela, inclinou-se para frente, puxando-a com o braço que a segurava, até suas respirações se misturarem.
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  – Eu irei beijá-la – ele anunciou, causando um tremor no estômago de –, se você não quiser, agora é a hora de se afastar.
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  Ele esperou por um breve momento – alguns segundos –, antes de cobrir a boca dela com a sua.
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  Ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Estava beijando o único homem que, até uma semana atrás, tinha certeza de que jamais se envolveria em vida. Para tornar a situação ainda mais absurda, estava gostando de ser beijada por , que logo eliminou qualquer espaço que havia entre os dois, puxando-a com o braço livre para perto de si. As mãos de subiram pelo peitoral até chegarem à nuca de , onde ela o enlaçou e inclinou-se para mais perto, a fim de aprofundar um beijo que já estava em seu ápice.
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  Os tremores que ela sentiu por todo o corpo, como se ondas de corrente elétrica passasse na velocidade da luz, ela nunca imaginou poder sentir. Ashton nunca, em nenhum momento do relacionamento dos dois, a fez sentir esse calor que estava lhe proporcionando. Talvez fosse o fato de ele saber dos lugares certos de se pegar em uma mulher, já que a lista de mulheres que passaram pelas mãos de não era pequena. Contudo, naquele momento, tudo pareceu certo para . Ela não imaginava que queria ser tocada daquele jeito, desejada daquela maneira.
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  – Você precisa comer – ele disse, entre os beijos.
  – Não estou com fome.
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   sorriu e, segurando na cintura de , a ergueu e a sentou na mesa de jantar.
  – Podemos fazer isso depois de comer.
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  – Eu já comi – ela disse, querendo que ele parasse de falar e continuasse a beijando.
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  – Uma mordida de croissant não pode ser considerada um jantar, .
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  E então a razão tomou conta da cabeça da mulher. Ela separou seus lábios de e tentou ler o que estava escrito nos olhos dele, mas não conseguia enxergar nada senão seus pensamentos negativos. “Ele está brincando com você.”; “Agora que conseguiu o que quer, ele acha que pode ter poder sobre você.”
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   – Tudo bem. – ela disse, sentindo as bochechas queimarem. Suas mãos empurraram em uma tentativa de fazê-lo se afastar, mas ele não moveu um músculo. – Para comer, eu preciso ir até a comida.
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  Uma das principais características de , é que ele era um ótimo observador. Assim, quando a voz irritadiça de soou no ar, ele imediatamente captou a mensagem.
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  – Ei – ele segurou o queixo dela para fazê-la olhar para ele –, não estou querendo terminar isso aqui. Só acho que você precisa comer, já que passamos a tarde inteira debaixo do sol e só tomamos uma garrafa de água.
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  Ela assentiu, mas percebeu que não havia ajudado em nada tentar se expressar.
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  – O que está pensando?
  – Nada.
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  –
  – Não é nada. – ela tentou empurrá-lo novamente. – Vamos comer.
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  – Expressar-se é uma boa maneira de mudar, . – ele disse em tom sereno. – Se você não falar o que a aborreceu, eu não vou saber o que melhorar.
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  Ela se lembrou, então, do porquê odiava ele. Essa maneira de ele sempre fazê-la se sentir uma criança. Apesar de ter quase 30 anos, sua mente trabalhava no mesmo ritmo de uma adolescente de 19.
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  – Nem sempre tudo é da maneira que você quer, . – ela o empurrou, desta vez obtendo sucesso em empurrá-lo para poder descer da mesa.
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   observou se afastar dele e se sentar próximo de uma das mesas onde o jantar havia sido colocado. Já que a mesa de jantar estava ocupada com flores, tudo o que restou foi comer na pequena mesa de centro.
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  Enquanto a mulher se dedicava a dar toda sua atenção à comida, pois estava muito envergonhada para encarar o senador, este permaneceu parado encarando .
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  – Você não quer fingir que nada aconteceu, não é? – ele perguntou, vendo os ombros dela tensionarem com a pergunta. – … – se aproximou e acabou sentando-se à frente dela, para poder encará-la nos olhos. – Eu não estou a rejeitando.
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  Ela continuou a não encará-lo. havia sido um homem de muita valia nos últimos dias. Mesmo que da sua própria maneira, ele a colocou em um caminho que ela precisava para si, algo que nem mesmo Ashton havia feito por ela em todos os anos de relacionamento que tiveram. Contudo, não podia mais se apegar a ninguém. Estava ali para descobrir como caminhar seu próprio caminho, não precisava de um homem para tirar o seu foco ou servir de apoio.
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  – Eu não preciso disso. – ela murmurou, mexendo na massa sem intenção nenhuma de comer. Apesar da barriga estar vazia, a fome não se fazia presente. – Não preciso me envolver com ninguém. Agora não é o momento.
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   entendeu que ela não estava o rejeitando como fazia parecer. Ela estava confusa, e por isso decidiu não pressioná-la. Havia tomado um passo errado ao beijá-la, mas não pode conter a vontade que estava sendo suprimida a algum tempo.
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  Ele a queria, mas não estava disposto a se abrir para uma mulher que ainda não estava preparada para recebê-lo. Ainda.
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Capítulo 14

  A viagem para Paris abriu os olhos de para muitas coisas. Primeiro, que havia muito mais no mundo do que a sociedade sufocante de Nova Iorque; segundo, que ela continuava muito boa com suas observações; terceiro, seu sonho permanecia ali, escondido em um canto escuro e esquecido dela, mas que foi facilmente trazido à tona quando a levou em diversos eventos e a apresentou a dezenas de pessoas envolvidas na organização.
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  – A maneira como nós fazemos é diferente dos americanos – Charlotte, uma mulher de quase 60 anos, conhecida de e responsável por uma das melhores empresas de organização de eventos – se não a melhor de Paris, dizia para em um jantar de gala –, nós temos mais requinte e bom gosto.
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  – Sem sombra de dúvida. – sorriu.
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  Uma característica daqueles que eram donos de seus próprios narizes, era que, para conseguir algo deles, era preciso mais do que palavras bonitas e um bom ouvido; para conseguir informações de fornecedores e como começar a carreira, fez comentários pertinentes e observações importantes sobre os eventos que, mais tarde, Charlotte a convidou para comparecer.
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  – Perda de talento – ela disse a , na última noite dos dois em Paris –, ela não deveria estar envolvida com a política, mas sim tornando a política mais majestosa.
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   fingiu não ter ouvido, mas gostou do que havia presenciado. Ficou curiosa para saber o que poderia ter respondido, mas contentou-se em guardar para si o elogio da mulher. Ali, longe de sua família e das correntes que a prendiam, ela se sentia dona de si e liberta para fazer o quisesse e ser quem quisesse ser.
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  Seu único problema, no entanto, era sua relação com . Mesmo depois do vexame que ela passou quando os dois se beijaram, o homem parecia tratá-la da mesma maneira de sempre, a provocando, ao mesmo tempo que auxiliando-a em tudo o que lhe era possível.
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  Por várias vezes se viu confusa com as ações do senador. Por um lado, ele a fazia sentir palpitações que há muito tempo não acontecia com ela; por outro, não ultrapassava a linha que ela havia riscado entre eles. Sempre que chegavam ao apartamento do hotel, ele esperava que ela tomasse a iniciativa de se isolar em seu quarto ou passar parte da noite conversando com ele enquanto bebericavam uma taça de vinho cada.
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  – Você… – ela começou a falar na última noite dos dois em Paris; haviam passado da segunda taça, o que gerou mais coragem para falar o que precisava com ; – Você poderia me passar o telefone de Jane?
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  – É claro – pegou o próprio celular e encaminhou o número da famosa organizadora de eventos de Nova Iorque para . – Você precisa que eu marque com ela?
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  – Não, você já fez o suficiente, obrigada. – ela olhou para o celular e engoliu seco ao ver o contato da mulher. – Daqui pra frente, eu sigo sozi…
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  – Você não precisa seguir sozinha, .
  Ela ergueu os olhos surpresa para o homem.
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  – Não sei o que você poderia ajudar…
  – Não estou falando só sobre isso. – ele completou as taças de vinho dos dois.
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  A mulher ficou olhando para o líquido bordô em sua taça. estava fazendo o que Ashton nunca fez durante o relacionamento dos dois: impulsionou ela para frente e a segurou quando necessário, tudo no momento certo. estava, de fato, querendo caminhar rápido demais em um caminho desconhecido; sentia-se poderosa e dona de si, mas provavelmente as coisas mudariam quando voltasse para Nova Iorque. Ter de encarar seu pai e sua família seria muito mais do que tudo o que ela havia imaginado antes. Todas as suas ilusões terminavam com eles aceitando deixá-la seguir seu próprio caminho; aparentemente, ela perdeu tempo demais pensando no que poderia ser, quando a família não deu sinal nenhum de que permitiria seguir outro caminho senão aquele criado por eles.
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  – Por que está fazendo isso? – ela perguntou, finalmente, ao voltar sua atenção para o senador.
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  Nada justificava tudo o que o homem estava fazendo por ela. Até algumas semanas antes, ela tinha certeza de que a função de vida de era atormentá-la. Revirava os olhos só de ouvir seu nome e evitava estar no mesmo ambiente que ele.
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  Contudo, não só estava junto dele a mais de uma semana, como cogitou – e tentou – ir para a cama com ele. Precisava de uma explicação para tudo, ou correria o risco de se enganar mais uma vez.
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  O homem permaneceu calado, observando a própria taça, até decidir que era hora de falar. encarou por um bom tempo antes de começar a falar:
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  – Eu gosto de você.
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  A percepção de que nada justificava as ações do senador se foi pelo ralo. sentiu as bochechas corarem e juraria para quem fosse que era um efeito retardado do vinho. Permaneceu quieta, pois não iria correr o risco de fazê-lo mudar de ideia quanto ao falar sobre a afirmação que tirou parte do seu ar.
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  – A primeira vez que nos encontramos foi em uma festa pré-partidária. – ele começou a falar. – Você estava em um canto tentando fugir de seus pais, e eu era, é claro parte do centro das atenções junto com seu irmão.
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  “Não me leve a mal, mas quando se tem uma família como a sua no mesmo ambiente, é normal que você crie um sexto sentido aguçado.”
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  – Minha família pode ser um tanto… intimidante.
   abriu um pequeno sorriso de ironia.
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  – Quando você se torna alvo da sua família, ela se torna pouco mais do que intimidante, . – ele brincou, fazendo-a rir. – Me aproximei de você, porque achei que seria bom começar a ter um contato com os pela pessoa menos interessante deles.
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  – Menos interessante? – ela ergueu a sobrancelha, vendo-o sorrir, ciente de que a provocação havia afetado-a.
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  – Para os outros. – ele disse. – Você vivia escondida pelos cantos dos lugares, tentando fugir de todo mundo que lia o seu sobrenome tatuado em sua testa; para mim era muito interessante observar como você tinha a habilidade de desviar do caminho das pessoas, só para não precisar entrar em uma conversa com elas.
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   sorriu e bebeu um gole de seu vinho. Era um dom dela, se esgueirar pelos lugares em busca de um canto seguro, porque seria pior se fosse pega por um dos seguidores de seu pai.
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  – Quando cutuquei você e consegui sua atenção, a única coisa que fez foi bufar e olhar ao redor em busca de uma saída de emergência.
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  – Eu com certeza não bufei.
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  – Ora, é a sua palavra contra a minha. – ele sorriu, vendo-a abrir a boca. – Você foi a única pessoa naquele dia que mostrou-se descontente em me ver.
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  – Desculpe não ter amaciado o seu ego, senador.
   riu.
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  – Eu adorei.
  – O quê?
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  – Adorei. – disse, como se fosse simples assim. – Achei divertido ver uma pessoa com coragem de ser quem era, no meio de tantos personagens. Sem perceber, me vi procurando você nas festas e eventos, apenas para saber qual comportamento você demonstraria em seguida.
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  “Quando se gasta muito tempo observando uma pessoa, acaba se descobrindo muito mais do que imagina. Aos poucos você foi se tornando o alvo dos meus pensamentos.”
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  – Mas eu era namorada do seu melhor amigo.
  – Bem, eu nunca dei em cima de você durante o seu relacionamento, não é? – ele sorriu.
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  Ela ficou sem fala. Por mais que não gostasse de , ele, de fato, nunca foi mal educado com ela, muito menos desrespeitoso com o melhor amigo.
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  – Ashton sabe.
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   arregalou os olhos e o encarou.
  – O quê?
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  – Sobre meus sentimentos.
  – Como?
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   suspirou e olhou ao redor. Havia sido descuidado. O hábito de olhar para de onde quer que estivesse não passou despercebido por Ashton, que logo foi conversar com ele.
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  – Ashton sabia o tempo todo e continuou permitindo que nos encontrássemos?
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   não poderia se sentir mais idiota. O próprio namorado já havia demonstrado desinteresse no relacionamento deles muito antes de terminar. Há quanto tempo ela havia perdido tempo, enquanto ele empurrava a relação com a barriga?
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  – No dia em que vocês terminaram – disse, ao terminar de beber o vinho de sua taça –, Ashton me ligou.
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  FLASHBACK

  – Eu tenho mais o que fazer do que atender a seus lamentos, Ashton. – atendeu ao telefonema do melhor amigo com um sorriso no rosto.
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  Ashton, contudo, não parecia nada disposto a continuar a brincadeira.
  – Cuide de .
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   desfez do sorriso e olhou ao redor. O evento dos estava em pleno ápice e ele estava rodeado demais das pessoas, para poder ter aquela conversa. Pediu licença para os colegas e correu para um canto isolado.
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  – O que você fez?
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  – O que eu deveria ter feito. – o amigo suspirou. – Ela irá entrar no automático. Você deve ir socorrê-la.
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   não respondeu. É claro que iria socorrê-la; era, inclusive, o que vinha fazendo nas últimas semanas, mas não falou nada para Ashton porque não gostava de se intrometer na vida dos outros; além disso, era seu melhor amigo e sabia o que fazia.
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  Não esperava, contudo, que o próprio fosse terminar com caçula no meio do evento dos pais dela, onde todos iriam avançar sem dó para cima, apenas para conseguir uma fração de atenção do patriarca.
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  – Aonde você está?
  – Vou para Chicago. Tenho que resolver algumas coisas por lá.
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  – Uau. Você é um canalha.
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  – Eu sei. Estou sendo um covarde. – o amigo suspirou. – Mas será melhor para ela se eu sumir um pouco do mapa.
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  – Não é você quem precisa sumir, Ashton.
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  – Eu sei. É por isso que estou te ligando, . Você sabe do que ela precisa. Sempre soube, não é?
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  O senador não respondeu. Ele sabia, porque, ao contrário do amigo, gastou grande parte do seu tempo observando e sua família; o fato de conviver com as pessoas que ela tanto abominava também ajudava.
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  – Obrigado, cara. – ouviu a voz de Ashton.
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  Desligou sem se despedir. Os dois tinham essa intimidade. Olhou ao redor e decidiu voltar para a festa. Não adiantaria de nada correr atrás de agora; pegá-la em um momento de tristeza era tudo o que ele não queria; precisava esperar que ela abrisse uma brecha para se aproximar.
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  Enquanto aguardava a fila de pessoas a se despedir dos anfitriões, viu chegando com toda a etiqueta exigida e conversando com os pais. viu o alívio nos olhos dela quando os dois deixaram o evento sob os sorrisos e olhares de todos presentes. Enquanto isso, ela se virou para o lado oposto, colocou um sorriso no rosto e fez o melhor papel de anfitriã, resolvendo tudo aquilo que era necessário até que tudo terminasse.
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  FIM DO FLASHBACK

  – Ele ligou para você vir me ajudar?
  – Você pode interpretar assim. – disse.
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   não esperava que Ashton fosse jogá-la direto nos braços do melhor amigo. Descobrir esse lado dele a fez se sentir menos mal do que estava; no fim, foi melhor que tivessem terminado. , por outro lado, era um novo problema a ser resolvido.
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  – Você não está me ajudando por causa do meu pai, não é?
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  O homem sorriu.
  – Eu não sou mesquinho como você acha, . – abriu a última garrafa e encheu mais uma taça. – Estou avisando, esse é meu limite – apontou para o objeto cheio de vinho. –, você se surpreenderia com o número de pessoas que não estão nem aí para a sua família.
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  – Mas todo mundo tem medo do meu pai.
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  – Todo mundo ao redor de vocês tem medo do seu pai. – ele bebeu um gole e respirou fundo. – , seu pai está morrendo de medo de você estar comigo.