Natashia Kitamura
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(No)Breath

  2012 | 2º Colegial

  Olhei meu reflexo no espelho mais uma vez sem acreditar que estava o vestindo. Meu primeiro uniforme colegial. Não é tão bonito quanto aos uniformes orientais, mas ainda assim é um uniforme. A roupa que me fará fazer parte de um grupo de pessoas da minha idade, que irão gostar de mim ou não gostar. Há meses tinha o sonho de me unir às garotas que passavam em frente ao portão de casa com seus uniformes, combinando de se encontrarem depois do almoço para realizar algum dever. Sempre fiz meus deveres sozinha em meu quarto. Minha tutora vinha todos os dias de manhã para me ensinar uma nova matéria. Estudávamos das oito da manhã às três da tarde.
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  Por causa da minha pneumonia, o médico da família aconselhou meus pais a garantir que minha saúde não piorasse. Foi somente no final do ano passado, depois de um exame que apontou uma melhoria extraordinária que o médico disse que não correria nenhum risco estudar em alguma escola particular. Meus pais procuraram por uma escola que não fosse longe, com falta de saneamento ou com alunos que pareciam muito levados. Optaram por uma que era perto de casa, aproximadamente a uma quadra e meia. Me deram o uniforme escolar de Natal; o melhor presente que ganhei em minha vida.
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  Tirei meu uniforme, ansiosa pela próxima segunda-feira. Olhei em meu calendário que marcava apenas dois dias para o grande dia. Como costume, a enfermeira contratada para me dar os medicamentos corretamente chegou para realizarmos nossa caminhada. Faz um tempo que eu gostava das caminhadas, pois todas as vezes um garoto bonito e estiloso passava em passos largos e apressados até a minha padaria favorita para comer torradas de alho, também minhas favoritas. Dona Helo, a dona da padaria, acabou me dizendo naquele dia sobre , o garoto estiloso. Disse que ele estuda na mesma escola onde entraria e que, coincidentemente, possui a mesma idade que eu. Fiquei feliz de estar vivendo um milagre. Não acontece com várias garotas do mundo de acabar conhecendo o seu amor platônico da rua e, melhor, saber que encontrará com ele todos os dias.
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  Me senti aliviada quando o diretor me disse que não havia mais de uma sala do segundo colegial, me garantindo que estaria na mesma sala que . Quando o vi com seus cabelos descoloridos, foi como se minha admiração por ele tivesse sido renovada. Me encarava sem interesse, mas não me importei na hora. Estava tão extasiada com sua presença que somente o fato de tê-lo olhando para mim era o suficiente para me deixar sem ar.
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  Senti que a sorte estava ao meu lado quando o professor indicou o assento ao lado do dele para me acomodar. Pelo lugar privilegiado, conseguia iniciar diálogos, perguntando sobre as aulas, os professores e, às vezes, pedindo ajuda em alguma matéria. Apesar de não ser muito inteligente, era extremamente esperto. Minha felicidade foi à lua e voltou quando, nos anúncios do trabalho em grupo ele me chamava para fazer parceria consigo. Nem o sol que entrava pelas imensas janelas da sala de aula conseguia brilhar mais do que ele.
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  - Vou considerar sua falta de resposta como uma afirmação de que aceita minha parceria. – O ouvi dizer, levantando a mão para a professora e gritando nossos nomes. Estava tão surpresa no momento por ter sido convidada por ele que não consegui responde-lo. Sentia apenas meu coração fraquejar em meu peito, ao mesmo tempo em que vibrava, feliz por mim.
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  Durante o ano que se seguiu, senti como se estivesse tendo uma nova oportunidade de viver uma vida feliz. Para nós, garotas, é importante que o amor seja um fator principal em nossas vidas, e que seja sucesso!
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  Quando abri a porta de casa em um sábado em meados do outono para fazer minha caminhada matinal e encontrei parado em frente de casa encostado no poste de luz, usando óculos de sol e uma roupa bonita, era como se um príncipe estivesse me esperando. Naquele dia, menti pela primeira vez para meus pais dizendo que a enfermeira havia me acompanhado durante minha caminhada, quando na verdade, a dispensei e fui sozinha de mãos dadas com . Ele, fielmente todos os sábados, estava em frente de casa me esperando para irmos juntos. Depois, quando as aulas voltaram em Agosto, passou também a me acompanhar nas idas e voltas da escola como um verdadeiro companheiro.
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  24 de Dezembro de 2012

  Abri meus olhos e não enxerguei nada no início. Me desesperei, querendo saber aonde estava. Antes mesmo de perguntar para qualquer pessoa que estivesse próxima a mim naquele lugar desconhecido, consegui enxergar melhor o cenário, vendo próximo ao que seria meu corpo sem vida. Sem pedir permissão, as lágrimas começaram a descer em uma rápida velocidade pelo meu rosto. Seu corpo estava curvado ao meu lado, o peito subindo e descendo rapidamente pelo choro que ele também deixava sair.
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  Gritei por seu nome. Gritei para Deus. Gritei para qualquer um, mas ninguém me ouviu. Continuei sozinha. De volta, sozinha.
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  Naquela sala com as paredes creme descascando o vi chorar como nunca havia visto um homem – ou até mesmo mulher – chorar na vida. Sua mão esquerda apertava meu punho frouxo e sem vida, enquanto a outra acariciava meu rosto provavelmente gelado. Doía mais em mim vê-lo naquele estado do que o fato de nunca mais poder tocá-lo.
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  Ouvi seu choro por vários minutos até alguém anunciar que ele deveria se afastar de mim para ser colocada dentro de um caixão. , como todas as vezes quando pedi para ele se afastar antes que se machucasse, negou em me deixar. As lágrimas fazendo seu rosto inteiro brilhar e a respiração tão falha que tinha medo que ele tivesse um ataque pela falta de ar em seus pulmões.
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  Enquanto o assistia ser afastado de meu corpo, mais lágrimas frias escorriam por meu rosto. Não poderia mais tocá-lo. Não poderia mais falar com ele, sentir suas mãos quentes e grandes sobre as minhas. Sem chance de dizer que ele foi e para sempre será meu primeiro amor.
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  Tentei abraça-lo quando batia na porta da sala onde meu corpo estava sendo tratado pelos integrantes dos hospitais, clamando por mais alguns minutos comigo, mas eles já haviam trancado a porta. Eles não atenderiam o pedido de e meu corpo nunca mais sentiria o dele, porque meus pais não permitiriam que meu caixão fosse aberto durante meu sepultamento. Enquanto tentava realizar contato físico, vi que não passava de um mero fantasma. Minhas mãos nunca parariam em cima das suas. Eu nunca conseguiria consolá-lo da maneira que ele fez comigo quando recebi a notícia de que não poderia retornar à escola para assistir as aulas.
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  2013

  Meus pais nunca perguntaram ou se interessaram em saber sobre , mesmo eu o tendo mencionado diversas vezes. Até quando falei sobre um possível namoro, os dois apenas perguntaram se ele era uma boa pessoa e, quando lhes disse tudo o que ele fez para mim, confiaram em meu bom gosto e não ousaram causar intrigas, como alguns pais fazem com seus filhos.
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  Durante o que seria meu último ano escolar com , acompanhei ele em todos os lugares, como se quisesse manter nossos hábitos, mas não fazia mais nada do que nós fazíamos juntos. Não acordava cedo aos sábados e os trabalhos eram feitos individualmente. Os quatro primeiros meses foram difíceis para ele, principalmente ao ver uma nova pessoa sentada aonde me sentei no ano passado. Era difícil para mim também. Havia tantas coisas que queria fazer com ele, como viajar. Conhecer um lugar novo com a pessoa que mais amo.
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  Quando o meio do ano passou, sua dor começou a mostrar sintomas de que estava se cicatrizando. Em uma conversa solitária consigo mesmo dentro de seu quarto bagunçado e cheio de coisas azuis, o vi olhar para uma foto de nós dois, anunciando que estava na hora dele começar a viver novamente. Uma parte de mim doeu, como se estivesse me avisando que era o momento em que eu começaria a sumir de sua mente. Uma parte de mim não queria deixar o posto em seu coração, mas sempre soube que era apenas um egoísmo de minha parte.
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  No fim, concordei que também era um dever meu esquecê-lo. Uma voz em minha mente dizia que somente poderei ir para o céu se me desapegar dos sentimentos e desejos carnais. Enquanto se dedicava a sofrer por mim, decidi que também iria sofrer por ele, por isso, até que eu conseguisse me decidir com certeza que eu conseguiria praticar este desapego, eu continuaria o seguindo e me certificando que ele não parou de respirar no meio da noite.
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  Na verdade, vê-lo caído aos pedaços era pior do que o fato de saber que eu havia morrido. Eram nesses momentos que desejava mais que ele tomasse a iniciativa de me esquecer. Queria vê-lo melhor, corado, alegre e com sorrisos enormes. O estilo foi embora, porque já não tinha mais vontade de se sentir bonito. Várias vezes quis gritar para que ele me esquecesse. Para que voltasse a ser o garoto lindo que vi passar por mim há mais de um ano atrás com o boné de aba grossa e os óculos de sol. Também queria dizer que o amava como jamais amei ninguém. Durante os momentos que passamos juntos em vida, em alguns deles sentia que o amava mais que meus pais. Deveria ter tido, mas não consegui; e agora que gostaria, não posso. Tudo o que consigo fazer é sofrer a dor de vê-lo sofrer por mim.
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  2013 | Final do ano

  O vejo se aproximar com o buquê de flores brancas, simbolizando a pureza de nossos sentimentos pelo outro. Ao vê-lo tão bem arrumado, sei o que veio fazer no lugar onde meu corpo se decompõe aos poucos. Lágrimas escorrem por meu rosto quando o vejo chorar como fez no ano passado próximo ao meu corpo. Parte de mim se sente feliz em vê-lo ainda sentir as mesmas coisas que sentia por mim durante nosso tempo juntos. Tento, mais uma vez, tocar seu rosto, mas novamente minha mão atravessa sua bochecha e não consigo sentir um pingo do calor de seu corpo.
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  Sento em meu túmulo, aproveitando o que me resta de tempo próximo a si. A dor de vê-lo partir para viver uma vida sem mim é a pior dor que já presenciei em minha vida. E morte. Preferia ficar sem o ar devido à pneumonia a presenciar o que irei ver daqui alguns minutos.
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  Uma perna cruzada à frente da outra enquanto ele se apoia no túmulo de trás, sem pedir permissão para a alma que jaz ali. Vejo o buquê ser rodado várias vezes em suas mãos, como se estivesse se convencendo de que deveria depositá-lo logo em meu túmulo.
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  - … – o chamo, sem esperanças de que ele fosse me ouvir, mas, pela primeira vez, vejo-o levantar o rosto e respirar fundo. Enxuga as lágrimas com a manga do terno e as minhas automaticamente começam a cair. – Não… – murmuro. Por que mesmo não possuindo mais um corpo, ainda sinto dor?
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  Depois de arrumar o cabelo e depositar o buquê no vaso que meu pai pediu para embutir no túmulo, vejo-o tirar os óculos de sol e olhar com seus olhos vermelhos do choro para minha cova, como se ainda não acreditasse que eu estava ali, e não na minha cama na rua próxima à escola onde estudamos.
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  - Você está bem hoje? – Neguei com a cabeça, crente que ele não me ouviria de qualquer maneira. E então, ele anunciou sua ida. E sua nova esperança. Uma carreira dedicada à mim. Foi o que me salvou de não querer morrer novamente. Para o resto de sua vida, se lembraria de mim. Quando lhe perguntarem, durante as aulas, “o que deseja seguir?” Ele irá responder “Pediatria”, lembrando-se de mim e dos bons momentos que tivemos. Depois de formado, quando estiver atendendo milhares de pais e mães com seus filhos, quando lhe perguntarem “o que o levou a escolher ser pediatra?” Lá estarei eu novamente em sua mente.
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  Com um pequeno sorriso, senti minha alma começar a se esvair. O que resta de mim no mundo está se preparando para ir embora viver uma vida no que os seres humanos estipularam ser o paraíso. Será que haverá um para mim lá?
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  - Hoje, vim cumprir a promessa que fiz a você no ano passado. – Levantei meu rosto, retardando minha ida para ouvi-lo falar sobre nossa promessa. Se agachou em frente ao túmulo, de modo que seu rosto ficou próximo ao meu. – Quer ir ao baile de formatura comigo?
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  A lembrança de tê-lo prometendo que se eu estudasse biologia e passasse de ano, ele me convidaria para o baile que aconteceria daqui algumas horas. O vi abrir um sorriso sereno, como se esperasse uma resposta minha.
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  Enquanto minha alma subia até o céu, o vi com a expressão que sempre sonhei em ver neste momento que seria o mais feliz da minha vida. Antes de perder minha consciência para a eternidade onde esperarei por ele, respondi, emocionada:
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  - Sim, adoraria ir ao baile com você.
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Fim

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Lelen
Admin
8 meses atrás

AI, EU FIQUEI FELIZ, MAS TRISTE/TRISTE, MAS FELIZ, NEM SEI MAIS NADA AAAA
O negócio aconteceu em um PÁ que eu fiquei “É O QUÊ?” desacreditada.
Mas claro que vindo de Natashia, mesmo triste, ainda se dá um sorrisinho no final, né? <3

Ray Dias
4 meses atrás
  Gritei por seu nome. Gritei para Deus. Gritei para qualquer um, mas ninguém me ouviu. Continuei sozinha. De volta, sozinha." Read more »

Se eu achei que não ia chorar eu fui trouxa.

Ray Dias
4 meses atrás

que maldade

Ray Dias
4 meses atrás
  Meus pais nunca perguntaram ou se interessaram em saber sobre , mesmo eu o tendo mencionado diversas vezes. Até quando…" Read more »

Odeio os pais dela tantooooo

Ray Dias
4 meses atrás

Natashia, definitivamente eu vou ter que tomar o anseolítico antes de ler suas histórias grafadas como “Drama”, pois, mulher… o ponto de vista dela foi tão intenso e tão poético. Esse ano acompanhando ele e todos os sentimentos que ela tinha diante da dor causada a ele… poxa vida, que tistreza. 😂 Eu curti muito o modo como ela encontrou a paz que a faria seguir: ela esperava não desaparecer da mente dele. Isso é tão latente sabe… me lembrou o filme “viva a vida é uma festa”, e particularmente esse filme mexeu muito com umas crenças minhas, as quais me deparei de novo agora ao ler tua história e pensar que não deve haver nada pior a quem segue pra eternidade, do que no instante que se tem ainda a memória da Terra, temer ser esquecido e desaparecer para sempre. Esse pensamento me fez ter uma relação diferente com meu culto aos antepassados sabe? Enfim, deu pra notar que mergulhei nas duas narrativas ne? Apesar do choro de bebê sofrido, obrigada por essas fics tão sensíveis que foram “Breath” e “No breath”.


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