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Ideia #014

Doada por Rafaella

// A Ideia

Ele viúvo, perdeu a esposa em um trágico acidente de carro e cuida de seus 7 filhos. Contrata uma babá para cuidar de seus filhos, mas não será fácil, as crianças são travessas e não aceitam a babá. Ela, terá que ser paciente e conquistar as crianças. O pai de família, acaba se apaixonando pela babá e ela por ele. Depois que as são conquistadas pela babá, elas ajudarão o pai e a babá ficarem juntos. Ideia²: Ex noiva dele, não permitirá relacionamento do ex com a babá e fará de tudo para prejudicar o casal. Ela a vilã.

Baseada na novela meu coração é teu.

Nome da história: Me apaixonei pela babá.


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Natashia Kitamura
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Nome: Rafaella

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Me Apaixonei Pela Babá

Capítulo 1

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos

   olhou para o celular enquanto o ônibus chacoalhava de um lado para o outro. Quis ter certeza de que desceria no ponto certo. Já havia utilizado o transporte público antes, só não era boa em sair dele na hora certa. Sempre estava muito cheio ou se desligava em seus devaneios, tendo de gritar para o motorista que ia descer, recebendo, às vezes, olhares feios dos outros passageiros.
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  Era nesses momentos que sentia mais saudade de seu carro, vendido há três meses pelo pai para pagar algumas dívidas que assombravam a família. Se ele não tivesse com o ego tão alto, teria sido mais cauteloso, assim como todos os outros empresários envolvidos no problema foram, saindo ilesos, enquanto Paulo tomava toda a culpa diante do juiz, tendo de arcar, sozinho, com a dívida milionária que fez junto com os demais colegas. Colegas que o deixaram no momento em que viram a oportunidade de saírem ilesos do problema.
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   soltou um riso nasal, enquanto lembrava de como todas as famílias com quem conviveu desde o nascimento, viraram as costas para ela, suas irmãs e seus pais no momento em que eles mais precisavam. As amigas inventaram desculpas para não se encontrar com ela, e a mãe chorava no quarto quando era ignorada pelas amigas que considerava mais próximas. O pai, por outro lado, tentava manter a dignidade. Demorou seis meses para que ele entendesse que já não fazia mais parte da alta sociedade de São Paulo. Que precisava dar o próprio jeito para se livrar da dívida que não era só dele. Passava o dia inteiro fora de casa, tentando arranjar trabalho ou fazer algum negócio, com base no que sabia. Mas assim como e suas irmãs mais novas, Paulo nunca soube exatamente como pedir trabalho, já que seus pais, avós e tataravós sempre foram muito bem conhecidos, dando a oportunidade de ingressar nos lugares apenas por ser indicado. Foi então que se lembrou de ter visto uma matéria que falava de como os motoristas de aplicativo ganhavam bastante. Decidiu que era isso o que faria, e assim trocou o dia pela noite, já que no escuro o “salário” era melhor pago.
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  As irmãs mais novas de , Laura e Yasmin, por outro lado, ainda estavam na fase rebelde. Acreditavam que a culpa era de todos, menos delas, e por isso não deveriam mudar seus estilos de vida. Gritaram com os pais quando tiveram de deixar a cobertura milionária, tomada pelo banco para pagar parcela da dívida, e gritaram ainda mais quando ele decidiu vender todos os carros da família, e comprar um mais barato, que usava para servir de motorista.
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  Foi neste momento de tensão entre seus familiares, que viu que não podia ficar parada esperando ser chamada para uma entrevista. A mãe estava entrando em depressão profunda, as irmãs gêmeas se recusavam a cair na real, e o pai não conseguia fazer mais do que cinco mil reais por mês em seu trabalho como motorista. Apesar de ser um valor considerado alto para muitas famílias, era quase uma mixaria quando se tinha uma dívida milionária para sanar.
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  Assim, procurou uma agência de trabalho, que a colocou para trabalhar como atendente de telemarketing, mas não deu muito certo. Ela não conseguiu suportar a pressão dos clientes e dos chefes por nem um mês. Pediu demissão e saiu em busca de outra coisa. Foi quando viu, no elevador, uma moradora pedindo sugestão de babá para seu filho, no turno da noite. Bateu na porta da moça e conversou por meia hora com ela, até combinarem de que chegaria às 18h e sairia somente quando os dois chegassem. Como não tinha hora para voltar, elas combinaram um preço por hora: 8 reais.
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  E assim foi. começou a passar mais tempo na área do playground e pedir para as crianças levarem uma cartinha aos pais. Alguns ligaram perguntando se era verdade ou trote, e outros orientaram os filhos a não se aproximar dela. Mas deu parcialmente certo. Em um mês, ela conseguiu juntar grana o suficiente para ajudar nas compras do mês e guardar um pouco para si. Via as amigas combinando viagens para o exterior ou comentando a nova bolsa da marca internacional.
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  No ônibus, aproveitou para ler as mensagens trocadas entre as ex-amigas, como se ela mesma não estivesse ali. Ninguém se deu ao trabalho de tirar ela do grupo; suspeitava que por motivo de punição. Algumas foram feitas acreditar que os pais eram inocentes e manipulados por Paulo.
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  – Hipócritas. – murmurou, saindo do aplicativo. Contudo, ao olhar para o lugar onde estava, não pode evitar pensar que, há quase um ano, ela era exatamente como todas aquelas mulheres. Fizeram faculdade juntas apenas porque fazia parte da vida e ajudava a obter mais status. Formaram-se em administração de empresas na faculdade particular mais conceituada do país, em São Paulo mesmo, e aproveitaram essa parte da juventude indo em festas, viajando e rindo das pessoas que precisavam correr atrás de um emprego para obter o que elas tinham de graça.
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  Agora, tinha 28 anos e não tinha nada. Não tinha emprego, nem dinheiro e nem amigas. A empresa do pai, vendida para um grupo do exterior, não precisou mais de seus serviços e nem de sua conexão, foi o que ouviu de sua supervisora. sabia que era porque não queriam a filha de um corrupto condenado ali. Era ruim para a imagem da empresa.
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  Avistou o ponto que precisava descer e respirou fundo. Após sair do transporte, tinha que caminhar por vinte minutos até chegar na portaria do prédio de seu novo cliente.
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  Sorriu, sentindo as coisas finalmente darem certo.
  Há uma semana, a agência de trabalho enviou uma proposta para . Um serviço de babá integral para uma família rica da zona sul. Ter de voltar para aquela região fez com que hesitasse, entretanto, ao ver o salário e benefícios oferecidos, aceitou sem nem pensar duas vezes. Decidiu manter o serviço para si mesma. Disse à família que arranjou um trabalho integral, então passaria o dia inteiro fora. Nenhum deles deu atenção para o que ela disse; todos possuíam coisas mais importantes com o que se preocupar. Paulo foi o único que abriu um sorriso e apertou a mão da filha, pois sabia que ela era a única com quem poderia contar. Sentia muito pela primogênita, por ter perdido tudo o que tinha por causa dele. Apesar de amar as três filhas incondicionalmente, Paulo e sabiam quem era a sua favorita, apenas pelo fato dela ser mais humana. Se sentiu mal por ter percebido isso somente após sua queda, mas a ajuda de e sua força servia-lhe de combustível para sair e trabalhar. Fazia tudo por sua família, mas um pouco mais pela filha que não reclamou em momento algum sobre a mudança na vida, e sim saiu para conseguir dinheiro e melhorar as condições em que se encontravam.
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  Agora, estava parada em frente à portaria, esperando os proprietários da residência liberarem sua entrada. O porteiro lhe informou que precisava de um documento, já que foi orientado a cadastrá-la no sistema de pessoas que tinham acesso liberado. Era burocrático, cheio de regras e demorado; após entrar, entendeu porquê: o condomínio parecia uma pequena cidade, com lavanderia, cinema, pequenas lojas, academia, playground coberto, serviço de manobrista e SPA. Também havia uma pequena bomboniere, onde as crianças e adolescentes entravam para comprar lanches e continuar a brincar na área de lazer do condomínio.
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  Ela foi encaminhada para a área de serviço, onde teve acesso a um elevador enorme e que, diferente dos elevadores principais, possuía um cheiro de lixo, produto químico e suor. Apertou o botão que a levaria até a cobertura. Alisou a roupa e, ao soar da campainha, deu de cara com uma mulher séria, vestida em um uniforme impecável. Esta olhou da cabeça aos pés, mas não moveu um centímetro da boca, nem dos olhos. Talvez aquilo fosse um bom sinal.
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  – Meu nome é Amélia. – ela disse, o tom de voz suave, mas exigente. – Você deve ser . Siga-me.
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  – Bom dia… – a mais nova murmurou, sentindo a voz se esvair com a personalidade autoritária da mulher. Seguiu-a para dentro da área de serviço, enorme, onde havia dois varais para pendurar as roupas, e 4 máquinas, provavelmente uma de lavar e outra de secar. Também havia enormes cestos de roupas com nomes espalhados por todos eles. No ambiente, duas portas estavam abertas, uma levava à cozinha, e a outra, a uma área menor, onde havia um par de pias e bancadas enormes, perfeitamente organizadas com lanches secos e equipamentos de cozinha. tinha certeza de que a casa possuía uma personal organizer, que fazia todo o trabalho de manter a organização e beleza dos ambientes.
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  Neste local, havia outras duas portas: uma que também conectava à cozinha, e outra para uma área menor, com uma pequena mesa quadrada, microondas e um banheiro.
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  – Esta é a área dos funcionários. Você irá trocar sua roupa todos os dias e deixar seus pertences no armário que consta seu nome – apontou para uma área, onde um enorme armário de metal dividido em 6 pequenos armários continha os nomes dos funcionários que trabalhavam ali. O de era o primeiro da fileira de baixo –, seu uniforme está lá dentro. É proibido o uso de qualquer acessório, e obrigatório prender seus cabelos em um coque simples. Maquiagem também não é permitido, caso use óculos, a armação deve ser escura e sem estampa.
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   engoliu seco. Já sabia de tudo aquilo, afinal, cresceu com babás. As profissionais precisavam manter-se o mais simples possível, para não chamarem a atenção de possíveis saqueadores que pudessem machucar os filhos de seus patrões; algumas pessoas inclusive obrigam-nas a deixar o celular guardado no armário, pois não querem arriscar vê-las se distraindo com o aparelho e perdendo as crianças de vista. , no entanto, não ouviu nada sobre o celular, então guardou-o no bolso. Olhou-se no espelho e quase soltou um riso de deboche. Como é possível uma pessoa vestida inteira de branco e acompanhada de crianças não chamar a atenção?
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  Suspirou e seguiu até a cozinha, onde Amélia aguardava terminar de se arrumar. Após conferir o prato que seria servido aos patrões, olhou para a nova funcionária dos pés à cabeça.
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  – Você já trabalhou com isso antes?
  – Como autônoma – respondeu, mas não ouviu nenhum comentário de volta.
  Amélia mostrou o apartamento triplex que era a cobertura. No andar térreo se encontravam a área dos funcionários, por onde haviam acabado de sair, a sala de estar, a social, a de inverno, a de jantar, o escritório e um pequeno bar. O andar de cima era composto por uma sala de televisão com uma pequena cozinha sem fogão. Um par de geladeiras, microondas e chaleira elétrica eram o suficiente. Haviam pratos e mesas dobráveis. Havia também outros 5 cômodos. 3 deles eram das crianças e os outros dois eram o quarto dos chefes e um de hóspedes.
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  No andar abaixo do térreo era a área da bagunça das crianças, com video games e mais video games. Havia também uma sala acústica com instrumentos como violão, guitarra, bateria e piano. Para finalizar, uma pequena, mas completa sala de academia, chuveiro e sauna.
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  – As crianças menores estão no playground, enquanto as mais velhas estão quase para chegar das aulas vespertinas. – Amélia olhou no relógio de pulso enquanto subiam de volta para o andar térreo. – Existem algumas regras que você deve seguir: não entre no escritório, nem no quarto do senhor , a não ser que seja chamada por ele; não é permitido sair com as crianças sem a companhia de Douglas, o segurança pessoal de . As alimentações devem ser feitas nos devidos horários – e entregou uma pasta para , que olhou para ela boquiaberta –, e garantir que todos os deveres de casa sejam feitos. Se você quebrar algo, o valor será descontado de seu salário. Atrasos não são tolerados e serão tratados diretamente com o senhor . Alguma pergunta?
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   balançou a cabeça, negando. Não era tão difícil. Ela havia vivido essa vida. Abriu a pasta com os horários e então deu um grito, recebendo um olhar feio da governanta:
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  – Evite gritaria. – a mulher disse.
  – Aqui tem 7 nomes. – ignorou a chamada de atenção de Amélia que, pelo contrário, ouviu muito bem o que a moça havia dito.
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  – São 7 crianças.
  – Me falaram 3.
  Amélia ergueu, pela primeira vez, as sobrancelhas, mostrando sua surpresa. Encarou a pasta nas mãos da nova funcionária e então para a garota, que a olhava boquiaberta. Se havia uma coisa que a governanta era muito boa em fazer, era em avaliar o caráter das pessoas, e havia ido com a cara da jovem, apesar dela não parecer surpresa como as demais funcionárias que passaram ali pela primeira vez, por isso achou que a garota já tivesse experiência. E era por isso, também, que soube que a moça não fingia surpresa.
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  – Fomos bastante claros quando pedimos para anunciar o cargo.
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   se movimentou rapidamente e tirou o celular do bolso, destravando-o e abrindo na caixa de e-mail para mostrar as informações da agência de emprego. Viu a expressão no rosto da supervisora se fechar em uma cara séria.
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  – Aguarde na área dos funcionários. Irei resolver isso imediatamente. – ela virou-se para se afastar, mas então voltou para e perguntou, erguendo o aparelho: – Posso?
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  – Sim, claro, fique à vontade… – a garota respondeu. O que mais poderia falar?
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  Enquanto esperava por uma solução da parte de Amélia, perguntou-se o que deveria fazer. Será que iriam dispensá-la? Talvez devesse ter dito que conseguiria lidar com 7 crianças. Abriu a pasta e olhou a informação novamente: 7 crianças. Sete. Não uma, nem duas, mas sete crianças. Quando havia tanto tempo para se produzir os filhos? Eles não ouviram falar sobre métodos contraceptivos?
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  Amélia demorou cerca de vinte minutos até aparecer na porta e pedir para acompanhá-la.
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  Ela levou a babá para o escritório do chefe. engoliu seco. Não imaginava que fosse entrar no lugar proibido tão cedo. Será que seria mesmo dispensada? O que podia falar para convencer o chefe a deixá-la ficar? Já havia se programado com o salário, conseguiria ajudar, e muito, a família, além de melhorar a poupança.
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  O escritório era pequeno, mas grande, para uma pessoa que mal passava o dia ali. Havia um pequeno lavabo do lado esquerdo da porta, e uma parede de vidro que dava para o exterior do prédio, no lado direito. Passaria tranquilamente o dia inteiro ali, observando a bela vista de São Paulo, enquanto o computador se enchia de mensagens de amigas chamando-a para sair; mas essa não era mais sua vida, e talvez nunca mais fosse.
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  O homem sentado na luxuosa poltrona atrás da única mesa do ambiente ergueu a cabeça para encará-la. apenas foi perceber que parou de respirar, quando o pulmão lhe gritou por ar. Aquele era o homem mais bonito que viu na vida. Os ombros largos, cobertos pela típica roupa de um homem da alta sociedade: camisa social e gravata. Os cabelos não eram longos, tampoucos curtos, era necessário uma moderada quantidade de gel para arrumá-lo daquela maneira, com o topete ondulado; pôde perceber que, caso crescesse mais, os fios formariam belos cachos na cor castanho-escuro. O rosto possuía traços fortes e os lábios eram carnudos. Os olhos, em um tom amendoado bonito, as sobrancelhas grossas; além disso, havia as mãos. Mãos grandes e fortes, uma segurando uma caneta, e a outra somente apoiada na mesa.
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  – , não é? – perguntou à mulher, que limpou a garganta. A voz tinha que ser condizente com a aparência, é claro. Sem tomar conta de seus pensamentos, desejou ouvir outras coisas da boca do chefe.
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  – Sim senhor. – lembrou-se de responder.
  – Amélia me falou sobre a confusão que a agência fez. Aparentemente, eles também não sabem o que pode ter acontecido.
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  “Claro.” pensou, debochada. “Eles nunca lembram das informações mais importantes.”
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  – A questão é que eu preciso de alguém para ficar de olho nos meus filhos, então tenho uma proposta para você. Gostaria de se sentar?
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   hesitou por um tempo, pois sim, queria, já que o homem a fazia ter pernas bambas. Mas sentia a presença de Amélia atrás de si e não queria sair da graça da mulher logo no primeiro dia.
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  – Não senhor, estou bem.
  – Tudo bem – largou a caneta e uniu as mãos, apoiando os cotovelos em cima da mesa. – Veja só, o que você acha de verificarmos se consegue lidar com os 7 essa semana, como um teste, e, caso dê certo, dobrarei o valor salário.
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  Era isso. Era exatamente isso o que sonhava em ouvir e, por alguns segundos, achou estar sonhando. Mas não. A verdade era que o homem realmente havia oferecido o dobro, o que levava a pensar em duas coisas:
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  Um, ele realmente precisava de uma boa funcionária e ela, de alguma maneira, conseguiu lhe provar através do pobre currículo, que estava tudo certo.
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  Dois, os filhos dele eram um bando de crianças impossíveis de se lidar, e nem o próprio queria lidar com o problema, valendo a pena pagar o dobro do valor para a santa que aguentaria sete pestes o dia inteiro.
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  – Tudo bem.
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  – Ótimo. Que tal ficar hoje por aqui e então vemos você a partir de amanhã às oito?
  – Sim senhor.
   abriu um pequeno sorriso e então a dispensou, voltando imediatamente sua atenção para a papelada em sua frente.
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  , ao se virar para Amélia, viu um pequeno sorriso no rosto da mulher. Não sabia se aquele sorriso significava que estava entrando numa fria, ou se a supervisora realmente gostava dela.
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  Fosse o que for, não foi possível pensar muito na situação, já que, assim que abriu a porta do escritório, uma bexiga preenchida com tinta vermelha explodiu bem na região de sua barriga. Imediatamente, risos foram ouvidos, acompanhados de gritos:
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  – Saaaangueeee!
  A mulher viu crianças grandes e outras bem pequenas correrem como baratas para sair da vista dela e de Amélia. olhou para trás, a fim de ver a reação do pai, mas este não deu a menor atenção para a situação, focado somente no trabalho. Atrás de si, Amélia fechou a porta e colocou as mãos nos ombros de .
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  – Venha, temos na lavanderia, vários conjuntos extras para as babás.
  – Acontece com frequência? – perguntou, ligeiramente horrorizada.
  Amélia demorou um pouco para responder, mas então, no momento em que entraram na lavanderia, sua voz soou calma e adorável:
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  – Não muito.
  Mas não foi o que achou, assim que viu a quantidade de uniformes extras que havia no armário.
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  Enquanto se trocava, suspirou, já exausta. Como cuidaria de 7 crianças?
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Capítulo 2

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos

  Ela estava certa: o homem estava desesperado para achar alguém para cuidar dos filhos E eles, com certeza, eram rascunhos do diabo.
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  Demorou cerca de uma hora e meia até ela reunir todos na sala para que pudesse se apresentar. Amélia havia explicado onde era o quarto de cada um, e passou uma pequena pasta onde continha as informações essenciais da agenda de todos; após passar os deveres de , afastou-se com mais rapidez do que a garota esperava.
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  – Bem, meu nome é , serei a nova babá de vocês! – ela tentou soar espontânea, mesmo animação sendo a última coisa que sentia ao ficar de pé na frente de 7 crianças. – Acho que hoje, como é um dia especial, que tal fazermos algo que possamos nos conhecer mais?
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  – Você troca fraldas?
   olhou para Anna, a garota mais velha. Mesmo com 14 anos, ela se vestia como uma jovem adulta. Seu irmão gêmeo, Hugo, não saía do celular para absolutamente nada, o que, por um lado, foi fácil trazê-lo para a sala e mantê-lo quieto.
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  – Sim, claro.
  – Que ótimo, porque a outra babá não trocava, o que acho um absurdo, pois o salário que vocês recebem com certeza é mais alto do que um salário mínimo, ou seja, vocês podem, sim, limpar o cocô do Caique.
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  A babá manteve-se calada, tentando processar o modo rude e grosseiro de falar da filha mais velha. Esperava, claro, um pouco mais de solidariedade dela, já que devia saber quão difícil era o cargo. Até que se lembrou de como ela era quando mais nova: apesar de não ser insuportável como Anna estava sendo, tinha duas irmãs gêmeas que eram piores do que ela.
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  – Bem, sei limpar o cocô de quem quer que precise. Mas acho que Caique já está em uma idade em que consegue usar o penico, não é Caique?
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  O menino, que mantinha-se deitado no chão ao lado de Helena, a penúltima na linha de filhos, a ignorou.
  – Quando eu estou em casa, não gosto de ser atrapalhada. Não preciso de uma babá. Você foi contratada para cuidar dos pequenos – Anna disse, o queixo erguido e o olhar sério.
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  – Eu também não preciso de babá! – Hugo, respondeu. A dupla de gêmeos que veio em seguida, Arthur e Felipe, também protestaram, dizendo que não precisavam de babás, que isso era coisa de criança pequena, algo que eles não eram.
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  – Bem, acredito então que vocês não façam muita bagunça, não é? – sorriu. – Pois gosto de trabalhar com base na confiança. Vocês podem confiar em mim para ajudá-los quando precisar, e confiarei em vocês para que não façam nada que os machuquem.
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  – Nós não precisamos da sua confiança, estamos pagando você – Anna retrucou.
   abriu a boca para responder à altura, mas era somente o primeiro dia, e a garota em questão tinha 14 anos. 14 anos muito avançados, claro, mas ainda uma criança. Já havia lidado com jovens assim. Conseguiria dar conta.
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  Pelo menos ela esperava.
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  SEIS MESES DEPOIS.

  Apesar de não ser fácil cuidar de 7 crianças, não tinha coragem de sequer pensar em desistir daquele trabalho. Recebia tanto quanto o pai – mês passado, até mais -, e agora era, junto com ele, responsável por manter a casa.
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  A mãe precisava de uma psicóloga, por isso, após o fim do primeiro mês de trabalho, perguntou se era possível adicionar enteados no plano de saúde que oferecia para seus funcionários; o homem balançou a cabeça, sem dar a devida atenção ao caso, e foi Amélia quem acabou dando a permissão. A notícia foi recebida com alívio por Paulo; nunca havia deixado a família sem seguro saúde, e o inverno estava se aproximando.
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  Com a renda melhor do que a oferta proposta pelo chefe no primeiro dia, tinha mais autoridade nas finanças da casa, começando a palpitar em questões que o pai ainda não conseguiu controlar, como as filhas mais novas.
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  – Ela não pode ficar com todo o dinheiro! – Laura, a mais velha das gêmeas, disse. Havia acabado de pedir dinheiro para o pai, para que ela e Yasmin pegassem um Uber até o shopping para encontrar com os amigos. O pai lhe negou, dizendo que já havia dado a mesada para as duas.
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  – O dinheiro é dela, Laura – Paulo respondeu, exausto. Havia sido uma noite cansativa e tinha apenas poucas horas para dormir, antes de voltar para a rua e tentar pegar o rush do almoço. – Se vocês querem mais do que recebem, devem trabalhar. Vocês duas são formadas, por que não estão procurando emprego?
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  – Emprego são para os pobres – Yasmin disse, lixando as unhas. – Pessoas como nós abrem um negócio, pai. Ou criam vídeos para o YouTube.
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  – Bem, vocês têm celulares e um computador.
  E finalizou a conversa ali. , que ouvia tudo enquanto lavava a louça na cozinha, mantinha um pequeno sorriso nos lábios. Não era de se intrometer na educação das irmãs, mas, aos 23 anos, era de se esperar que elas conseguissem fazer algo que não fosse fofocar.
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  Na residência dos , mantinha a rotina do chefe. Chegava às 9h – um mimo de Amélia, pois no último mês, duas babás da noite desistiram e teve de substituí-las –, ajudava Jussara a preparar o café da manhã e, de vez em quando, aprendia a passar roupa com a governanta. Apesar de não ser o trabalho que se imaginaria fazendo, associava como um trabalho em uma empresa. Havia o chefe, os colegas funcionários e também os clientes. Aprendia coisas importantes que levaria para a vida, e recebia um salário maior do que os profissionais da área.
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  Para uma ex-filhinha-de-papai-mimada, ela não estava tão mal assim.
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  Mas estava.
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  Quando Amélia perguntou a , doce e tranquila, se ela poderia trabalhar aos domingos e folgar aos sábados, a mais nova suspirou aliviada. Não gostava de ficar em casa, vendo o pai perder os cabelos ao ver as contas chegarem e seu dinheiro evaporar. Acreditava na inocência do homem; ele foi, sim, culpado pela fraude, mas não foi o único. Odiou o fato de entender que todos aqueles outros homens e mulheres envolvidos usaram ele para sacrificá-lo. O pai, crescido em berço de ouro, sempre teve um único defeito: querer se provar.
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  Casou-se com a mãe de a pedido dos pais. Contentou-se em ser um diretor, enquanto o pai passava a presidência da empresa para o melhor amigo. Antes de tudo acontecer, voltou de uma festa às três da manhã e acabou ouvindo uma conversa do pai ao telefone, dizendo que sabia que o pai dele fizera aquilo para que ele mesmo desse mais valor à presidência, e que pudesse dizer, ao chegar lá, que conseguiu sem a ajuda do homem.
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  Na época, ignorou. Suspirou aliviada por não ter sido pega pelo pai por voltar depois do horário combinado, e foi para o quarto dormir até tarde. Contudo, no tempo presente, vê como o pai foi ingênuo, e como continua sendo. Vê-lo ser assim é o que mais dói na filha. Ver que ele ainda acha que o pai o queria na presidência. Por um lado, perder tudo foi uma chance de recomeçar, mas Paulo precisava de um norte. Mesmo formado em economia, depende de outras pessoas para guiá-lo. Ele não seria, de fato, um bom presidente, mas se bem orientado, teria chegado lá. E agora, sendo motorista de aplicativo, viu o quanto o pai não era como os demais homens ricos da alta sociedade. Ele ria de piadas de mau gosto e fazia comentários bobos porque queria aprovação. Agora, ele busca a aprovação de sua família, a única coisa que lhe resta.
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  E faria de tudo para ajudar o pai. Seria muito hipócrita se, após enxergar tudo, ignorasse a dor do homem que lhe deu tudo o que podia.
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  – Você está desconcentrada – a voz de Amélia soou, fria, tirando do transe. – Uma camisa dessa custa uma fortuna.
  A mulher, com frequência, comentava sobre os valores das coisas da casa. Se quebrasse, o valor seria descontado do salário. O que ela não sabia, é que sabia perfeitamente o valor de cada objeto daquela casa, pois possuiu, há um ano, tudo aquilo. No entanto, tudo o que ela dizia era:
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  – Desculpe.
  – Jussara e Paloma irão te ajudar com isso durante a minha ausência.
  Amélia tiraria férias a partir de segunda-feira. estava um pouco nervosa com a saída da mulher, que ficaria dois meses inteiros fora, visitaria a família no interior do Paraná no primeiro, e a do marido no Rio de Janeiro no segundo. No entanto, para , a folga da mulher significava ter de lidar mais com os quatro mais velhos da casa.
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  – Pulso firme – a mulher disse, quando pediu uma dica de como lidar com a dupla de gêmeos. – Eles podem achar que estão no comando, mas você deve ser mais inteligente que eles. Não mencione a mãe.
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  A mãe. A incógnita para .
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  A mãe era ausente da família, isso ela sabia. Havia duas regras muito claras na família :
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  1) Nunca se atrase; e
  2) Nunca mencione a mãe.
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  O que uma mulher deve ter feito para ser excluída desta maneira da família? Traição? Golpe? Seja o que for, não gostava dela. Que mãe abandonaria os seus 7 filhos? Além disso, para uma pessoa que teve tantas crianças com um único homem – é impossível dizer que qualquer um dos 7 não é filho de -, não pode ter ficado somente por interesse.
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  Mas a quem ela queria enganar? É claro que poderia. Viu acontecer em várias famílias. Casamentos por conveniência, por interesse, por negócios. Uniões que alguns anos, ou até meses depois, eram finalizadas com um divórcio e um acordo amigável de bens.
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   passava o tempo inteiro trabalhando. Quando começou a comparecer aos domingos na residência, imaginava ver um pai vestido com roupas leves, aproveitando a companhia dos filhos. O que realmente viu foi em calça social e camisa, sentado no escritório, digitando sem parar no computador. Os filhos, por outro lado, passavam o dia no clube, na casa de outros amigos ou no shopping.
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  Ela só tinha que fazer o que mandavam. Era muito bem paga para isso e, graças a Deus, nunca havia recebido nenhuma bronca. Esforçou-se bastante para que nada de errado acontecesse, mesmo com os quatro – demônios – filhos mais velhos.
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  Mas isso era porque Amélia estava presente. Agora, a mulher estava prestes a tirar as férias que havia acumulado durante dois anos, e odiava ter de lidar com férias, por isso, a governanta foi obrigada a aceitar que precisava, sim, ficar dois meses afastada.
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  A agenda de sexta-feira da família era bem agitada. Saulo, o motorista e segurança da casa, responsável pelo transporte das crianças, chegava com elas em horários diferentes: primeiro Eric, de 9 anos, e Helena, de 7, às 13h. Caique, de 3 anos, chegava da creche às 14h30, e por fim, os quatro mais velhos, os gêmeos Anna e Hugo, e Arthur e Felipe, chegavam entre 17h45 e 18h20 após os cursos extracurriculares. Entre a chegada de Caique e o “quarteto” – como os funcionários da casa os intitularam -, ajudava Eric e Helena com a lição de casa, e distraía Caique com atividades à mão. Após a chegada do quarteto, cada um se trancava em seu próprio quarto ou saía para a casa de algum amigo. Amélia era a responsável por permitir a saída dos quatro, mas, em sua ausência, Lucas, o assistente pessoal de , ficaria em seu lugar.
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  – A dona Amélia vai pirar quando voltar – Jussara disse, enquanto terminava de deixar o jantar preparado. – O Lucas vai transformar tudo em um hospício.
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  – Por quê? – perguntou, sentindo um calafrio. Não estava gostando daquela sensação. Já não era fácil lidar com o quarteto com a presença de Amélia. O que esse tal Lucas poderia fazer de pior?
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  – Ah… você nunca viu o Lucas – Jussara olhou para Paloma, a faxineira, que ergueu as duas sobrancelhas como quem não quer nem pensar. – Ele é uma versão moleque do seu . Só sabe trabalhar e olhar ‘praquele’ tablet, lá. Se você perguntar se ele pode te dar o cartão pra comprar um carro, ele só vai dizer “aham”. E pronto.
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   fecha os olhos, pesarosa. Tudo o que não precisava, era de um cara que não desse a mínima para os assuntos da casa, mesmo estando responsável pelas questões dela.
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  – Oi , meu nome é Lucas, sou o assistente pessoal do . Se você precisar de algo, pode me chamar, tá? Ou me mandar uma mensagem. Mensagem seria melhor, às vezes estou fazendo algo para o … – e deixa o assunto no ar, olhando para o tablet, assim como Jussara disse.
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   olhou desesperada para Amélia, que tentava não expressar o descontentamento com aquele comportamento. Lucas era baixo, magro, tinha os cabelos arrumados em gel, vestia uma camisa pólo branca e calça social. No pulso, carregava um relógio duas vezes seu tamanho. Seus dedos eram absurdamente ágeis entre o tablet e o celular, mas, o resto, ele era um desastre.
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  Sem perceber que não havia terminado de se apresentar, deu as costas para os funcionários reunidos na cozinha, e saiu, atendendo a um telefonema.
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  – Não leve a mal, , ele é assim mesmo. Avoado – Saulo disse, carismático. gostava dele também. O homem, sempre que podia, ajudava com as crianças no parquinho.
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  Às 18h30, os quatro filhos mais velhos trancaram-se em seus quartos, após chegarem das atividades da tarde. Pediram lanche no quarto assim que confirmaram a ausência de Amélia, que cumpria o horário útil e, portanto, havia ido embora fazia meia hora.
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  Sobrou para preparar um lanche de acordo com o gosto de cada um, e levar em seus devidos quartos, uma bandeja com a comida.
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  – Só isso? – Hugo perguntou quando abriu a porta.
  – Daqui a pouco é o horário do jantar – ela justificou. Ele bufou e bateu a porta na cara de , que apertou os lábios, para evitar que de lá saísse algum palavrão.
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  Desceu para a sala, onde olhou para o relógio, que marcavam 19h. Onde estava a babá da noite?
  – O seu cabelo é muito bonito – Helena disse, mexendo nele sem cuidado algum. – Parece o da minha Barbie.
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  – Bem, muito obrigada, Helena. O cabelo da sua Barbie é lindo.
  – Você quer brincar comigo? – sem esperar por uma resposta, ela lhe traz outras cinco bonecas muito parecidas fisionomicamente, mas vestidas em trajes completamente diferentes. – Como você é convidada, pode escolher primeiro.
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  A mulher sorriu e brincou conforme a orientação da menina. Quando Caique disse que queria ir ao banheiro, levou ele até o local designado no banheiro e aguardou pacientemente, com a companhia de Helena, o menino fazer as necessidades.
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  – Você tem namorado, tia?
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   olhou para a garotinha. Ela não era uma criança grande, imaginava ter puxado mais a mãe, já que o pai era absurdamente alto, assim como Eric, que mesmo aos 9 anos, era muito mais alto que Helena, apenas dois anos mais nova. Inclusive, soube, imediatamente, que Eric era filho de , pois o menino era uma cópia idêntica do homem. Moreno, os cabelos grossos em um tom de castanho-escuro, mas que se exposto à luz solar, podiam chutar um castanho-médio. Helena, por outro lado, tinha os cabelos puxados para o ruivo, às vezes parecendo bronze, com algumas madeixas mais para o louro. Ela e os gêmeos Felipe e Arthur eram os que tinham olhos verdes; os demais, castanhos, como os do pai.
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  – Não tenho.
  – Que pena. Eu tenho um!
  – Cabô – Caique disse, apressando-se para se limpar, mas sem a ajuda da babá, que entendeu a necessidade do mais novo e deixou que ele fizesse o serviço sozinho.
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  – É mesmo? – abriu um pequeno sorriso e desviou, rapidamente, o olhar de Caique, para Helena. – E como ele se chama?
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  – Rafael Marques. Ele tem 7 anos como eu!
  O sorriso de se desfez. Conhecia Rafael Marques. Ele é o irmão mais novo de seu ex-namorado, Vitor Marques. Odiava aquela família, apesar de não poder julgar o menor deles, por ser criança demais. No entanto, a família Marques foi uma das envolvidas no ato corrupto que acabou com a vida dos . Vitor já havia começado 2 anos antes, traindo ela com uma intercambista alemã.
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  – Ele gosta de desenho, como eu! E também gosta de andar de bicicleta. E faz natação na mesma turma que a minha…
  Helena falou o caminho inteiro do banheiro, para a sala. deixou Caique brincar com um tablet e observou o conteúdo do filme que Eric assistia. Se estava no canal da Disney, não seria um problema, certo?
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  Olhou mais uma vez para o relógio. 19h45. Era para a babá ter chegado a quase uma hora. O horário dela começava às 19h e os odiavam atrasos.
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  – Eu vou esquentar o jantar, vocês conseguem ficar quietinhos aqui? Ou querem me fazer companhia lá?
  Eric mal respondeu. Claro que ele não trocaria uma televisão enorme por nada. Helena disse que “adoraria ajudar ”, enquanto Caique não possuía exatamente uma escolha, mas deu um jeito de fazê-lo achar que ele havia decidido ir. Deixou os dois colorindo na mesa dos funcionários e pôs-se a esquentar o jantar. Já havia feito isso dezenas de vezes, por isso, estava acostumada.
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  Quando a comida estava quase toda posta na mesa, Lucas entrou pela porta principal – ele era o único funcionário que não usava a entrada de serviço -, e foi direto para , dizer:
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  – A Clarice desistiu. Vou precisar que você fique essa noite. Na verdade, esse final de semana.
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  – O quê? – abriu a boca, indignada. Já era a segunda semana seguida que uma babá desistia. – Já fiquei no final de semana passado.
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  – Bem… – Lucas deixou a conversa morrer por alguns minutos, até terminar o que havia começado. – Obrigado! Você sabe onde deixou a chave do carro? O Saulo não está, né? Ah, lá está! Vou levar o carro pra ele. Você sabe que os finais de semana são livres para mim, não é? Esse final de semana faço um ano de namoro com meu namorado, então preferiria que você só me ligasse se for, tipo, muito urgente.
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  – Mas–
  – Obrigado! Sei que será incrível, reservei um hotel em Campos do Jordão. É o hot point do momento… Alô? – e sem nem cogitar ouvir , Lucas saiu com a chave do carro em mãos.
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  A babá olhou para Helena e Caique, que estavam tão atordoados quanto ela com todo o monólogo do homem, e suspirou:
  – Vamos jantar?
  Enquanto Lucas saía do apartamento com a chave do carro a pedido do chefe, , com a ajuda de Helena e Caique, chamaram os cinco irmãos restantes para o jantar, mas foi como se tivessem falado com a parede. Eric preferiu continuar assistindo à televisão; Anna, por outro lado, disse que ia jantar na casa da amiga que morava em um dos andares inferiores; os outros três garotos disseram que iam comer no quarto.
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  Quando ficava à noite, era obrigada a guardar toda a comida na geladeira, trancar toda a casa e deixá-la arrumada para o dia seguinte. Além disso, como as crianças não possuíam horário para dormir, era obrigada a ficar acordada até que o último deles pegasse no sono. Eric, como sempre, foi o último, às 2 da manhã.
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  – Eles me pagam bem. Me pagam muito bem. E vou ganhar hora extra. Eu poderia estar em casa ouvindo os absurdos de Laura e Yasmin, mas estou aqui, ganhando dinheiro. Vai dar tudo certo. Meu pai não será assaltado essa noite. Ficará bem. – como hábito nos momentos difíceis, repete afirmações para lembrar a si mesma do porquê aquela situação ser melhor do que qualquer outra.
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  Enquanto termina de arrumar a sala, ouve o som da porta se abrindo. Ao olhar para trás, vê parar, surpreso, com a mochila e o paletó do terno em mãos.
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  – Você não é a babá do dia?
  – A da noite desistiu.
   fechou os olhos e respirou fundo.
  – Você está batendo um recorde – murmura. vai até ele e pega o paletó, já que sabe que o chefe não gosta que seus funcionários toquem em seus objetos relacionados ao trabalho, uma dica de Saulo. – Obrigado. Todos dormiram?
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  – Anna está na casa da amiga do nono andar. Saiu às 19h. Hugo, Arthur e Felipe estão em seus quartos, mas não deixam eu abrir a porta. Parece que trancaram.
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  – Eles se trancaram? – olhou para a escada, incomodado com a informação. – Amélia não disse que você tem permissão de abrir?
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  – Ela disse que quem toma essas decisões é Lucas, mas ele disse que esse final de semana… hum…
  – Sim, sim, o namorado – balança a mão e suspira. – Bem, estou te dando a permissão para abrir a porta do quarto deles quando ficarem mais do que uma hora quietos demais. Imagino que é você quem ficará aqui durante o final de semana.
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  – Sim, senhor.
   observou o rosto cansado do patriarca. Era claro a falta de energia para dedicar aos filhos; inclusive, percebeu, nos dois meses que estava ali, que ele evitava passar muito tempo na companhia dos filhos. De manhã, quando não saía antes das crianças acordarem, passava o tempo em seu escritório, único local proibido de qualquer um entrar sem sua permissão; à noite, retornava somente após as crianças dormirem, de madrugada.
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  “Talvez ele esteja se encontrando com alguma mulher.” Ela pensa. Não é possível existir uma pessoa que trabalhe 7 dias por semana, quase ¾ do tempo.
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  – Caique e Helena dormiram no horário de sempre, às onze. Já Eric dormiu agora a pouco.
  O chefe ergueu o pulso para ver as horas em seu relógio. Fez uma careta ao ver que não era um bom horário para uma criança de 9 anos dormir.
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  – Eu estava pensando… – ele massageou o local do rosto entre os olhos. – Eu acho que está na hora de criarmos algumas regras nessa casa. Sinto que as coisas estão um pouco… fora do controle.
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  – E o senhor, hum, quer fazer isso agora?
  – O que quer dizer?
   olhou nos olhos de . O rosto perfeitamente simétrico e repleto de charme mesmo não tendo ali esforço nenhum para tal, a encarava com atenção. Ela se perguntou da onde ele tirava energia para pensar em uma hora dessas, quando passou o dia inteiro trabalhando. Mas já que ele estava interessado no que ela tinha para dizer – a primeira vez desde quando começou, e ela suspeitava ser porque era a única que estava durando no papel de cuidadora de seus filhos -, não tinha nada a perder, a não ser expor a verdadeira situação que sua família se encontrava.
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  – Amélia é a única pessoa com autoridade para mudar a rotina das crianças. Eles são… difíceis de, hum, lidar com mudanças.
  – Você não consegue controlá-los?
  “Merda”, pensa. “Agora ele acha que sou incapaz.”
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  – Helena, Eric e Caique já peguei o jeito. Consigo passar o dia inteiro com eles. Os gêmeos, por outro lado, se trancam dentro do quarto e apenas dão ordens para lhes levar comida.
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  “Quando peço para eles mostrarem as lições de casa, tacam seus cadernos em meu rosto. Está vendo este corte aqui? Foi Hugo. E este vergão aqui? Arthur.” Mas por mais que pensasse tudo isso, decidiu, pelo bem de seu emprego, não verbalizar.
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  – Dão ordens para levar comida? – ergue as sobrancelhas. – E você leva?
  A mais nova ergue os ombros, parecendo culpada. No entanto, queria mais dizer “e que alternativa tenho?”.
  – Bem – começa a falar, mas se perde em seus pensamentos por alguns segundos, antes de voltar a atenção. –, Amélia não está aqui e demorará um pouco para voltar. Lucas não tem capacidade de aprovar questões na minha casa, então você terá que fazer isso.
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  – Eu?
  – Sim. Estou te dando a permissão de pensar em maneiras de torná-los menos agressivos e mais sociáveis, desde que tudo passe antes por mim.
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  – E devo falar com o senhor quando?
   se calou. Entendeu perfeitamente a pergunta da funcionária. Nunca estava em casa. Apesar de levar trabalho para sua residência todos os dias, e passar boa parte de seu final de semana trabalhando, não era acessível à ela.
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  – Você pode me ligar em meu número pessoal. Amélia deve ter marcado o número em algum lugar para casos de emergência.
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  – Tudo bem – disse, mais animada.
  Viu o chefe se despedir com um ‘boa noite’ e subir para o andar de cima, enquanto ela terminava de arrumar a sala com um sorriso no rosto.
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  Gostava da ideia de ter o controle sobre as coisas. Não esperava que a saída de Amélia fosse lhe trazer tanta satisfação. Não seria fácil lidar com o quarteto, muito menos mudar suas rotinas e personalidades, mas ela é a irmã mais velha de Laura e Yasmin, por isso, estava preparada para qualquer malcriação que eles pudessem tentar fazer.
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  Soltou uma risadinha no caminho para o quarto do empregado.
  Eles mal podiam esperar.

Capítulo 3

Capítulo escrito por Natashia Kitamura.

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos

  O dia seguinte foi de animação para .
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  Ela se levantou às sete e encontrou Jussara, que vinha de vez em quando aos sábados para deixar uma comida extra pronta. Saulo era seu irmão, e por isso que, quando um vinha, o outro também aparecia. gostava bastante dos dois, eram carinhosos e carismáticos. Assim como Paloma, a faxineira, os dois receberam muito bem, e a tratavam como uma peça de ouro, por ser a primeira babá a durar mais do que um mês seguido.
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  – E ele disse que, contanto que eu fale com ele primeiro, posso fazer algumas mudanças no dia-a-dia das crianças! – disse, animada como os dois jamais a viram antes.
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  – Eu quero é ver você conseguir quebrar o muro que essas crianças criaram – Saulo disse, tomando um gole de seu café. – Ninguém nunca conseguiu. Nem Amélia.
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  – Bem, eu sou bastante teimosa, por isso, acho que consigo não desistir na primeira malcriação que eles fizerem para mim.
  – Há bem mais do que isso, menina – Jussara disse em frente ao fogão. Beirava aos 45, enquanto Saulo, mais novo, aos 40; ainda que a diferença na idade fosse pouca, a mulher era como a mãe do irmão e da maioria dos funcionários da casa. Ela tinha esse ar materno no modo de falar e também de agir, inesperadamente, viu na moça, uma mãe que nem sua própria mãe havia conseguido demonstrar. –, a história dessas crianças não é tão feliz assim. São crianças com… como dizem hoje, Saulo?
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  – Trauma.
  – Isso – ela voltou seu olhar para , que estava sentada na mesa dos funcionários com um pedaço de pão na chapa.
  – Por causa da mãe? – ela perguntou. Os dois assentiram. – Ainda não posso saber o que aconteceu?
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  Os irmãos se entreolharam. Saulo foi o primeiro a reagir, erguendo os ombros, como quem não se importa de dizer o maior mistério da família. Jussara, por outro lado, permaneceu calada, pensativa.
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  – Com o tempo você irá saber – ela respondeu, colocando um ponto final. – O que você pretende fazer para as crianças?
  – Bem, passei a noite em claro pensando! – a mudança no assunto não passou despercebida pela moça, mas acabou deixando de lado, pois sabia que não fazia parte de seu trabalho fofocar sobre a vida alheia. Além disso, se a mãe das crianças era um assunto tabu, então o seu dever era fingir que ele não existia. – Acredito que se eu souber mais sobre o que elas gostam, conseguirei ficar mais próxima. E a única maneira de conseguir lidar com os meninos, é conquistando a peça mais importante da casa.
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  – Anna – os dois respondem, vendo, em seguida, o sorriso de .

  – Seu pai pediu para eu mudar algumas coisas na alimentação, porque Arthur teve um mau estar no começo da semana. Eu poderia falar com você?
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   bateu na porta do quarto – aberta, devido a um pedido do pai naquela manhã para os filhos -, e viu Anna deitada de bruços em sua cama, com o tablet ligado. Ela ergueu a sobrancelha para a babá e, apesar de não demonstrar interesse nenhum no que disse, a funcionária viu em seu olhar a surpresa de estar sendo contatada para um assunto tão de adulto.
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  – Por que eu tenho que decidir uma coisa para o Arthur?
  – Devo perguntar para ele, então? A refeição irá mudar para todos, e como Arthur é inclinado a comer apenas fast food… – apontou para trás, na direção da cozinha, onde passaria a tal ordem para Jussara.
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  Anna limpou a garganta. sabia que a menina tinha visto, ali, a oportunidade de ser a dona da casa. Era o que ela sempre achava. Apesar de ter somente 14 anos, agia como se fosse muito mais velha; sabia que era um comportamento comum para as crianças atuais, mas o fato de ter as companhias mais velhas e acesso à informação privilegiada, Anna era mais difícil do que outras garotas de sua idade.
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  Seus cabelos escuros estavam presos em um coque e as sobrancelhas grossas estavam bem delineadas. viu as unhas feitas e os óculos de grau de uma marca famosa. A garota se levantou e fez um sinal para que a babá entrasse e se sentasse em uma cadeira, a única do quarto, enquanto ela apenas se acomodava em sua cama, um sinal de que ainda era uma menina.
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  – Bem, você deve ter me trazido algumas opções.
  – Claro – entregou uma folha com um cardápio que havia pesquisado na internet mais cedo –, ele pode não ser 100% nutritivo, pois não sou profissional da área, mas se você quiser, posso marcar uma consulta.
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  A adolescente balançou a mão, como se dissesse que não era necessário. Passou as folhas que havia propositalmente preenchido com vários termos mais complicados e que certamente ela não saberia o significado, para que a garota não tivesse muita facilidade em decidir um menu.
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  – A Jussara trabalha com menus mensais, para facilitar nas compras e também no pré-preparo. De segunda à quinta, é mais adequado, principalmente para o crescimento dos mais novos e no desenvolvimento dos seus irmãos, que estão praticando mais esportes, refeições bem nutritivas; às sextas para o jantar, seu pai permitiu uma refeição mais calórica, como hambúrguer, hot dog e pizzas, mas vai depender do que você decidir. Aos sábados, vocês podem almoçar fora, e na janta, pedir algo por delivery. Seu pai pediu que os domingos fossem separados para a família.
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  – Como? – Anna olhou para , o que fez a babá ouvir um “bingo!” em sua cabeça. Sabia que a garota não estava prestando atenção nenhuma nas folhas e só ouvindo o que ela dizia, para que pudesse ter um norte. Saber que o pai havia demonstrado interesse pessoal nos filhos certamente chamou a atenção da filha mais velha dos , o que fez com que tivesse certeza de que parte do comportamento abusivo da garota, devia-se à vontade de chamar a atenção do pai.
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  – Seu pai pediu que não programasse o menu para os domingos, pois vocês decidirão juntos – repetiu lentamente. Anna perdeu-se em seus próprios pensamentos, e a babá aguardou pacientemente a mais nova tirar suas próprias conclusões.
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  Saiu de seu transe e limpou a garganta, erguendo o queixo para mostrar sua superioridade, algo que não precisa, pois jamais veria a hesitação nos olhos da garota, como uma fraqueza.
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  – O que me entregou está bom. Talvez algumas mudanças nos carboidratos da, hum, noite.
  – Algo integral, talvez? – anotou em um pequeno bloco de notas que lhe havia sido dado por Saulo.
  – Isso. E suco, nada de refrigerante.
  – Tudo bem – ela continuou a anotar, mesmo sabendo que tudo aquilo seria cortado do menu sem que Anna aprovasse. – Há um problema.
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  – E qual é?
  – Seus irmãos, assim como você, não realizam a refeição na mesa. Seu pai havia dito que queria que as refeições, a partir de agora, sejam feitas na mesa de jantar, todos juntos. Você é a primeira referência que seus irmãos possuem, ouvi muito a frase “se Anna não vai, eu também não vou”.
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  A garota ficou boquiaberta olhando para a babá. Aquilo também parecia uma novidade para ela. Olhou para o lado, sem graça, e então voltou a olhar para .
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  – Comerei na mesa. Mas só durante a semana. E às sextas poderemos sair para comer com os amigos, se tiver programação. Não vou ficar em casa só porque meus irmãos não querem comer na mesa.
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  – Tudo bem.
  – É só isso? – Anna perguntou, enquanto se levantava com um pequeno sorriso no rosto.
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  – Sim, obrigada pelo tempo.
  Assim que saiu do quarto de Anna, abriu um sorriso maior. Agora, tudo o que precisava, era de mais desculpas para falar com a garota. Não seria tão difícil, seria?
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  O menu foi entregue nas mãos de .
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  Enquanto seus olhos passeavam pelo menu proposto por , junto de Jussara, a mulher gastava o tempo observando o chefe. Ele, sem dúvida, era uma beldade. O rosto parecia angular, exceto por uma pinta aqui e outra ruga – provavelmente de preocupação – ali. Pelo motivo de não estar presente no dia-a-dia de , era inevitável a sensação de estar vendo-o pela primeira vez; sua beleza sempre tirava seu fôlego. A voz, um complemento à aparência, era grave e levemente rouca.
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  – Anna quem decidiu a maior parte dos alimentos – comentou, na tentativa de parar de admirar o chefe e não ser pega babando por ele.
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  Assim como a filha, o pai ergueu as sobrancelhas, surpreso com a menção do nome de sua primogênita. Olhou para o cardápio novamente, desta vez com um pouco mais de atenção, e pôde ver os lábios carnudos do homem arquear levemente para cima, em um sinal de orgulho.
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  – Por que os domingos estão vagos?
   suspirou. Era claro que aquele detalhe não passaria em branco pelos olhos do chefe. Era um tiro no escuro, este que estava para dar. Tomar uma iniciativa dessa sem o consentimento de nenhum dos lados colocava o seu emprego em risco, mas, se havia sido lhe atribuído a importância de reaver os hábitos das crianças, ela acreditava que esse era o caminho certo.
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  – É importante que as crianças possuam pelo menos uma refeição com o pai delas. Não é uma opinião minha, é de uma profissional. – ela disse, vendo as sobrancelhas do homem arquearem. – A verdade é que fui conversar com uma psicóloga, pois Hugo está tendo companhia de amigos mais velhos e passa o dia inteiro jogando jogos violentos de armas e vandalismo; recentemente, brigou com Arthur e quase quebrou um copo de vidro no braço do irmão.
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  – Por que isso não me foi repassado?
  – Bem… – olhou para o lado, sem graça. – Aconteceu hoje. Liguei para o senhor, no número que me passou, mas não atendeu. Lucas…
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  – Ele está em outro setor essa semana. – completou a sentença de , que assentiu com a cabeça. – Mesmo assim, ele deveria ter me contactado. Foi só hoje?
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  – O ato, sim. O comportamento violento, não. Se me permite perguntar, ele, hum, já foi a um… psicólogo?
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  – Dezenas. – o homem respondeu imediatamente, sem se importar de estar abrindo a informação para uma funcionária. Fechou os olhos e largou os papéis do cardápio na mesa, enquanto levava as mãos para massagear as têmporas. – O que seu contato disse?
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  – Falta um papel dominante na vida dele. Hugo, e também Felipe e Arthur, estão em uma idade que é fundamental a limitação e o cuidado, pois acham que estão no topo de seu próprio mundo. Somente um pai ou… bem – ela hesita, lembrando-se de que não tem a permissão de mencionar a mãe –, poderia tomar a frente.
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   manteve-se calado. daria de tudo para saber o que ele estava pensando. Não devia ser fácil ser pai solteiro de 7 crianças e ainda ter um trabalho que exige sua atenção como um bebê recém-nascido.
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  – Tudo bem – por fim, ele respondeu. O celular tocou no mesmo momento. viu de quem era a chamada, e então fez uma careta. – Separarei os almoços de domingo para as crianças. – terminou de falar com , que concordou e aguardou ser dispensada, mas não foi o que aconteceu. – Só um minuto. .
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  Os olhos de se fecharam em pesar. Algo ruim estava acontecendo, podia ver. Os lábios que ela tanto admirava, cerraram-se, irritados; as mãos começaram a dedilhar em cima da mesa.
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  – Como é possível uma mulher formada em economia errar um cálculo simples de matemática? – ele perguntou, a voz tensa. – Silva, deixe-me repetir a frase que acabou de me falar: ela apenas cometeu um erro pequeno. Resultou na perda de alguns milhões, mas que pode ser revertido por você. Você acha que eu sou a porra de um deus? Alguns milhões? Você tem alguns milhões na sua conta para ressarcir o cliente? É o seu pescoço que está na reta, e não o meu. Dê a devida importância ao problema!
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  Durante cinco minutos, ouviu, calado, a pessoa do outro lado da linha falar sem parar; enquanto isso, o segundo celular que ele carregava começou a tocar.
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  – Me dê cinco. – disse para o colega, atendendo imediatamente a segunda ligação. – Senhor Costa, estou à par… Silva está verificando…
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  – ESSA MULHER MAL SABE A DIFERENÇA ENTRE MIL E MILHÃO! engoliu seco, não querendo, por nada no mundo, ser a tal funcionária que errou um cálculo. Observou os olhos de se tornarem frios e centrados, enquanto ouvia o homem da segunda ligação berrar na linha – Não. Você terá que resolver. Não confio em mais ninguém e estou preparando o discurso para demitir o incompetente do Silva. Além disso, preciso que você encontre outra pessoa. Alguém sério, que precise do emprego. Ele só pode estar brincando comigo. Ele acha que ser presidente é trepar e dar vereditos finais, porra?
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  – Não se preocupe, irei resolver tudo. – ouviu, calado, mais alguns palavrões serem berrados no telefone, enquanto o homem, presidente do banco em que trabalhava, desabafava a raiva nele. Assim que desligou, pegou o celular com o tal de Silva na linha: – Estou olhando os dados, você sabe quando foi feita a transação?
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   observou seu chefe resolver, com calma e tranquilidade, cada obstáculo que aparecia em sua frente. Centrado, ele falava com o outro no telefone, não se importando com a presença dela no local. Quando percebeu que estava fazendo hora em um lugar que não precisava, moveu-se lentamente, a fim de não chamar a atenção, na direção da porta, mas, claro, nada passava pelos olhos de .
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  – Escuta, tenho que desligar. Vou resolver daqui para frente. – ele disse para Silva, que lhe respondeu algo. – Uma dica: demita a moça. – e sem aguardar uma resposta, finalizou a ligação.
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  Ficou olhando para , que sentia o rosto queimar de vergonha por ter sido pega. Não havia dispensado-a antes de atender ao telefonema, então ela deveria manter-se parada como uma estátua. suspirou e encostou em sua própria cadeira, e encarou , mostrando, pela primeira vez, sua exaustão.
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  – Você, por acaso, não conhece alguém formado em economia que esteja procurando emprego, está?
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  É claro que ele havia falado apenas como desabafo. sabia da ironia das pessoas ricas. Sabia como elas não se importavam se o outro estava levando ou não a sério o que falava, os demais tinham a obrigação de saber quando eles estavam sendo irônicos ou verdadeiros.
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  Mas havia tido uma ideia, e não poderia simplesmente deixar a questão em branco.
  – Conheço. Ele não está trabalhando na área. Foi demitido e não consegue arranjar emprego em outro lugar.
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  – E por que ele foi demitido?
  “Porque ele foi acusado de corrupção e desvio de dinheiro.” Ela pensou.
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  – Porque ele acabou se envolvendo em uma falcatrua. Foi enganado pelos colegas, que o utilizaram de cobaia para receber a culpa e sairem ilesos.
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   ergueu as sobrancelhas.
  – E por que eu contrataria um cara que foi demitido por corrupção?
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   calou-se por um tempo, pensando em diversos argumentos. Poderia dizer que ele é um ótimo economista, e que sempre se destacou na antiga empresa, que, a propósito, era de seu próprio pai, que não o reconhecia e passou o negócio para um colega, que lhe passou a perna. Ou, quem sabe, podia criar uma história dramática em volta da situação. Mas se o chefe descobrisse, até seu próprio emprego estaria correndo risco. Por fim, decidiu apenas seguir com a verdade:
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  – Porque ele aprendeu a lição.
  – Lição?
  – Quando uma criança está aprendendo, ela vai a lugares e toca em objetos mesmo com os pais dizendo para não ir ou fazer. Assim que ela se machuca, aprende a lição e não repete o ato. Este homem aprendeu a lição.
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  – E como você pode ter certeza?
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   hesitou, antes de dizer:
  – Porque ele é meu pai.
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  Um silêncio tomou conta do ambiente. permaneceu calado, observando, mais uma vez surpreso, a funcionária.
  – Seu pai?
  Ela assentiu.
  – E o que ele faz agora?
  – É motorista. De Uber. Precisa levar dinheiro para casa. Minha mãe e minhas irmãs não trabalham.
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  Os olhos do chefe avaliaram a funcionária. Permaneceram calados, com sob o alvo dos olhos extremamente analistas de , até ele desviar a atenção para o celular, após o som de uma notificação soar.
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  – Peça para ele ir até meu escritório com o currículo na segunda de manhã. Pode ir.
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   abriu a boca, chocada, levando um segundo a mais para reagir. Limpou a garganta, que se apertava na vontade de chorar.
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  – Obrigada. – disse, singela e emocionada.

  – Tem certeza que ele não estava sendo irônico, filha? – o pai perguntava, calmo, do outro lado da linha.
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  Após sair do escritório de , correu para o quarto dos funcionários para ligar para o pai. Não voltaria a tempo para avisá-lo, e era importante que o pai usasse o domingo para se preparar e revisar o currículo que ela mesma havia preparado para ele, mas que parecia não ter sido de uso nenhum, pois nenhum dos lugares que ele enviou, retornou.
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  – Não, pai. Meu chefe não é de ironia.
  – Banco K, hein?
  – É um banco digital. Meu chefe trabalha na área de tecnologia e, pelo que entendi, um cara do setor de economia rodou.
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  Daria certo, tinha fé. O nome do pai, nos últimos meses, tornou-se insignificante para a maioria dos empresários. E os bancos digitais não eram como os bancos tradicionais; eles não conheciam a fundo a história de Paulo . Além disso, se tinha credibilidade o suficiente para receber uma ligação direta do presidente do banco, com certeza conseguiria dar uma chance para o pai dela, se acreditasse que Paulo tinha perfil para a vaga.
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  – Não sei…
  – Pai. O ‘não’ o senhor já tem. O máximo de ruim que pode acontecer, é eles dizerem “sinto muito, mas optamos por outra pessoa”. E o máximo de bom que pode acontecer, é eles darem uma chance para o senhor.
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  – E se eles souberem sobre… – Paulo não terminou a frase. Ainda era difícil e humilhante para ele lembrar do que aconteceu a pouco mais de um ano atrás. Olhou ao redor, dentro do carro que estava, e assim como várias vezes acontecia, revivia o momento em que decidiu seguir no caminho que o levou à falência. Não faria aquilo nunca mais, mas ninguém acreditava nele. Todos o achavam um tolo.
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  – Ele sabe. Eu contei. Por cima, mas ele sabe.
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  – Ele sabe? E mesmo assim aceitou falar comigo?
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  – É. Estou falando, pai, pode ser que dê certo! Meu chefe é muito justo e ele recompensa aqueles que são honestos com ele.
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  O pai não respondeu de imediato. Manteve-se calado, hesitante. Estava, é claro, animado. Aquela era a única oportunidade que recebeu, desde que saiu a nota do juiz anunciando seu veredito. No entanto, também estava inseguro. Ouviu muitas coisas ruins de pessoas desconhecidas, mas principalmente de pessoas conhecidas, que ele confiava. Perdeu a confiança em si.
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  Mas havia feito isso por ele. Sua filha abriu um caminho que ninguém mais fez. Era para ser o contrário; para ele guiá-la. Não poderia decepcioná-la. De todas as pessoas no mundo, era a única por quem Paulo correria o risco.
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  – Tudo bem. – ele disse. – Eu acho que ainda tenho o arquivo do currículo que você fez para mim. Me passe o endereço e o horário, e estarei lá.
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  – Obrigada! – sorriu, animada. – Vai dar certo, pai. Sei que vai.

  O domingo, no entanto, não deu tão certo quanto ela esperava.
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  O problema no serviço de , que havia se iniciado na noite anterior, se estendeu até a hora do almoço do dia seguinte.
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  Eram quase uma e meia da tarde, e as crianças estavam famintas. havia alimentado Caique e dado alguns petiscos para Eric e Helena, mas os mais velhos estavam já de mau humor.
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  – Cadê ele! – Hugo gritou, descendo as escadas da cobertura enfurecido. – Agora sou obrigado a passar fome por causa dele?
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  Anna, que estava terminando de assistir à TV com Eric, ergueu as sobrancelhas para o irmão gêmeo.
  – Se tivesse acordado para o café da manhã, não estaria morrendo de fome.
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  – Vai se foder! – o irmão gritou. imediatamente arregalou os olhos. Olhou para Eric, que estava compenetrado na televisão, e em seguida para Caique e Helena, que dividiam uma enorme cartolina no chão. – Você não manda em mim, é uma chata do caralho!
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  – Hugo! – a babá exclamou, chocada com o linguajar.
  – Que é? Você é só uma empregada, deve ficar calada e no seu lugar!
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  – Hugo .
  A sala, de repente, se silenciou. A voz havia sido grave e séria. Cabeças viraram na direção do corredor que levava ao único cômodo do lado norte da cobertura, o escritório de .
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  O homem estava parado, sério, os braços pendendo ao lado do corpo, enquanto encarava diretamente o seu filho mais velho.
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  Ninguém ousou dizer nada, nem Caique, o mais novo, muito menos os gêmeos que desceram correndo, como se pressentissem que algo iria acontecer. Pararam, os dois, no pé da escada, enquanto olhavam o perfil de parado encarando Hugo, que, por sua vez, não sabia se ficava surpreso, envergonhado ou com medo.
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  – Temos regras nessa casa – começou a falar –, você não acordou para o café da manhã, portanto, não deve reclamar de fome. Esse tipo de comportamento não será tolerado. Você não deve tratar a sua irmã dessa maneira, e nem . Ela não é sua empregada, é minha, e se eu não a trato com esse desrespeito, você não o fará. Está me entendendo?
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  O garoto, como qualquer adolescente rebelde e mimado, não respondeu. Resmungou algumas coisas e, por alguns segundos, quis retrucar o pai. Mas era atenção o que ele queria, e era atenção que havia conseguido, mesmo que não da maneira como desejava.
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  – Eu não ouvi. Você me entendeu?
  – Sim.
  – Ótimo. Você está de castigo. Após o almoço, teremos uma conversa em meu escritório – em seguida, olhou ao redor, certificando-se de que todos os filhos estivessem presentes. questionou-se se era hora dela sair, mas Caique estava sentado no colo dela, e não parecia querer sair tão cedo, principalmente com a expressão séria que o pai tinha no rosto. – Quero aproveitar para conversar com vocês.
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  Essa era a deixa, pensou. Começou a se levantar, com a intenção de sair do recinto, mas Caique agarrou em seu pescoço no momento em que sentiu que teria de sentar ao lado da irmã e ficar ali.
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  – Não,
  – Tudo bem, falou, enviando um olhar menos duro para a babá, que engoliu seco e manteve a posição anterior. – Sei que você anda passando por maus momentos devido à péssima educação que dei aos meus filhos. Eles acham que não presto atenção aonde vão ou o que fazem, mas vou aproveitar este momento para dizer que as coisas, a partir de agora, irão mudar.
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  As crianças, agora todas sentadas no enorme sofá que havia em frente à televisão, encaravam, receosas, o que o pai tinha para dizer.
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  – Teremos horário para os jogos de videogame que eu determinei, com base na idade de vocês. Os cartões de crédito serão devolvidos e vocês receberão um de débito, com um valor mensal de mesada. – Antes que todos os mais velhos reclamassem de ter o dinheiro cortado para um valor limitado, enviou-lhes um olhar severo, não ouvindo nem um murmúrio de qualquer um dos filhos. – Dormir fora de casa, nos amigos, somente aos finais de semana e férias, com a minha permissão. As portas dos quartos deverão permanecer abertas durante a semana, até o horário de ir embora.
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  – Mas ela nunca vai embora! – Arthur grita.
  – Então talvez tenhamos que tirar a porta do quarto de vocês. – o pai o olhou, sério, calando o filho que, dessa vez, resmungou. – Além disso, aquele que ficar de recuperação no colégio, ficará um mês sem receber a mesada e não poderá sair de casa, a não ser para a escola e as atividades extras.
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  – Pai! – o burburinho foi certo, ouviu todas as reclamações, mas não mudou a postura. Olhou para cada um e esperou todos desabafarem, para enfim olhar para os mais novos, Caique e Helena, que ainda não entendiam metade do que ele queria dizer.
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  – Somos uma família, e vamos agir como uma. Passei muito tempo negligenciando vocês todos, e por isso me arrependo. Ainda tenho tempo para reverter a situação. Infelizmente, não será nada fácil, para mim também não é. Mas o certo, é o certo.
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  Nenhum deles falou nada. Ficaram calados, em parte emburrados, parte apenas revoltados com o comportamento inesperado do pai. olhou admirada para , que observava cada um dos filhos com um brilho no olhar; viu o amor que ele sentia pelas crianças, e, assim, decidiu que faria de tudo para ajudá-los.
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  – Anna – olhou para a filha mais velha, que se remexeu, desconfortável, esperando uma má notícia –, o que você quer almoçar? Aos domingos, um de vocês escolherá o almoço, e outro, a janta. Comeremos juntos.
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  – Eu quero sorvete! – Helena foi a primeira a gritar, correndo até o pai; Caique, ao ouvir o nome do doce, imediatamente esqueceu-se de e correu junto de Helena, agarrando a perna do pai, clamando também pelo sorvete.
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  – Bem, teremos sorvete de sobremesa, mas eu me referi à comida. Temos que comer comida antes de chegar à sobremesa. – sorriu para os filhos, pegando os dois, ao mesmo tempo, no colo. Olhou para Anna, que ainda estava estática, chocada com a novidade. – Então?
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  – A-ah… hum… – a garota olhou para os lados, desesperada.
  – Anna gosta muito de comida árabe. – tomou a iniciativa, chamando a atenção da família para si. – O restaurante favorito dela é o X.
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   abriu um pequeno sorriso, agradecendo o esforço da funcionária, que olhava para uma Anna mais aliviada.
  – É, eu gosto mesmo.
  – Bem, comida árabe será.
  – E sorvete! – Caique gritou do colo do pai, que riu e concordou, antes de devolvê-lo ao chão e chamar Hugo para a tal conversa no escritório, enquanto todos esperavam o almoço chegar.
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  Enquanto Helena e Caique assistiam a um desenho na televisão, aproveitou para arrumar a mesa de jantar. Enquanto posicionava os sousplat para em seguida colocar os pratos e talheres, Anna surgiu, mas sem dizer nada. Sentou-se em um canto inutilizado da mesa e permaneceu olhando, timidamente, a babá.
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  – Você precisa de algo, Anna? Quer conferir o pedido?
  – Não, não… – ela coçou a nuca. – Você… hum… falou com meu pai?
   encarou a garota, que tinha as bochechas levemente avermelhadas.
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  – Sobre você? Não.
  – Ah…
  – Seu pai geralmente só quer saber de quem dá problema. Você nunca deu problema.
  – Tem certeza? – a garota perguntou, confusa, pois sabia do tratamento que havia dado a desde que esta entrou, e foi tão grosseira quando Hugo havia sido mais cedo.
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  – Sei o que quer dizer, mas não se preocupe. O comportamento que você teve comigo foi somente comigo; já Hugo anda bem mais agressivo com todo mundo, pode ser perigoso para ele lá fora.
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  – Você falou de Hugo para o meu pai?
  – Só da cena do copo de vidro e Arthur.
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  – Ah…  É. Bom… Ele anda meio louco.
  – Um pouco fora de si, mas sei que tudo vai se resolver logo.
   abriu um sorriso para Anna não se preocupar com nada disso e manteve-se calada. Não podia falar nada do que queria, pois continuava sendo apenas uma funcionária da casa; além disso, se Anna precisava de uma companhia de confiança, ela teria que demonstrar isso, e a melhor maneira, seria se abrindo primeiro ou pedindo ajuda.
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  – Seu cabelo é natural? – ela perguntou, acanhada. olhou para os próprios fios, presos em um rabo de cavalo simples.
  – Sim. Colorir dá muito… trabalho – respondeu a babá, trocando a palavra ‘custo’ por um similar a ‘serviço’. Anna não entenderia e não precisava saber sobre sua vida complicada. – Tonalizante?
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  – Dá para perceber?
  – Não aparenta estar danificado. Um descolorante não deixaria assim. Acredite, eu sei. – fez uma careta ao se lembrar da fase de seus 15 anos, quando todas as meninas da sala queriam ter os cabelos em um tom platinado. Que pesadelo foi deixá-lo bom novamente.
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  – Você foi cabeleireira?
  – Não. Eu só entendo dessas coisas. – ela ergue os ombros para a mais nova, que olha para as unhas. – A propósito, se você estiver aberta a sugestões, o formato amêndoa é muito melhor para suas unhas.
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  – É, não é? – ela encarou a babá, claramente mais animada. – Eu disse isso para a Karina e ela disse que não, que o quadrado era o ideal para mim.
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  – É inveja. Suas mãos são lindas e as unhas valorizarão muito mais seus dedos. O formato alonga mais.
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  Anna abriu um largo sorriso por finalmente ter ouvido alguém que concordava consigo. Karina era a líder do grupo de amigas e morava no 6º andar. O pai era dono de uma transportadora importante em São Paulo e, mesmo nenhuma das garotas sabendo exatamente o que uma transportadora fazia, a garota falava do negócio como se fosse a coisa mais importante do mundo. Tal comportamento fez dela a peça importante do grupo, o que, por seguinte, tornava suas opiniões e ordens a única coisa que importava para todas.
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  O que Anna não sabia, é que entendia perfeitamente como funcionavam esses grupinhos. Fez parte de um, e por anos permaneceu tendo suas vontades mudadas por conta de Alina, que acabou sendo a primeira pessoa a querer puni-la por ter uma família “de bandidos”, como disse no grupo. Apesar de não ter saído do grupo das amigas no Whatsapp, sabia que se tentasse, qualquer uma a adicionaria de volta. Era o preço a se pagar. não se importava mais; agora que tinha um emprego e se divertia – na maior parte do tempo – nele, não se importava em ver o grupo em festas, esbanjando riqueza, tentando ser influências digitais a partir de contato com famosos e viajando para o exterior. Era bem mais satisfatório saber que tinha seu próprio dinheiro para fazer o que quiser; e que se o pai, de repente, falisse… bem, nada mudaria.
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  – Conheço uma pessoa que faz unhas maravilhosas – ela disse, olhando para a mais nova. – Se você quiser um dia tentar, posso agendar um horário.
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  A menina não respondeu. Não bastava coragem para mudar, mas também para enfrentar a onda de críticas que receberia das pessoas que achava ser suas melhores amigas. sabia que esse tipo de mudança é difícil, principalmente para garotas de 14 anos, que precisam de suas melhores amigas ao lado. Abriu um pequeno sorriso para a chefinha, em solidariedade, porque não poderia fazer mais do que isso; além de ser apenas uma funcionária, há coisas na vida que as pessoas provavelmente aprenderão melhor se não houver ninguém fazendo por elas.
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  O interfone tocou, indicando que a comida havia chegado. Enquanto cuidava para que a mesa fosse perfeitamente posta, os integrantes da família foram se achegando e se sentando nas cadeiras disponíveis.
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   e Hugo foram os últimos. O pai estavam com um semblante sério, enquanto o filho tinha as orelhas vermelhas, como se estivesse reprimindo a raiva que tinha dentro de si. logo pensou um “oh-ou”, pois sabia que aquela reação não traria nenhum resultado. Laura e Yasmin também tinham essa reação após o pai chamar a atenção, e tudo o que elas faziam, em seguida, era provocar algo pior do que inicialmente queriam.
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  Ainda que ter refeições juntos fosse um grande passo a se dar na família, o silêncio que se seguiu não foi nada feliz. comeu calado, observando os filhos, enquanto cada um focava em seu próprio prato. , por ser responsável por alimentar Caique, sentou-se mais para trás, só observando o enterro que estava sendo aquela refeição.
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  – , esse eu não quelo.
  – É ‘quero’, Caique, e, se eu fosse você, iria querer sim. – olhou para os lados, vendo que a atenção estava toda voltada para os dois. Como não havia com o que se distrair, a família inteira observava a interação do caçula com a babá.
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  – Pu quê?
  – Você já ouviu falar no goblin? – perguntou, mais baixo, já que sabia que estava sob a avaliação do chefe. O menino balançou a cabeça, mastigando a comida que havia escolhido – Ele é um duendezinho pequeno, mas que puxa o pé das crianças que não obedecem os pais. Eu sou amiga de um, sabia?
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  Os olhos de Caique se arregalaram e encararam para o restante da família.
  – Goblins não existem – Felipe disse, em tom de sabido.
  – Você já viu um? – a babá perguntou para ele.
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  – É lenda, todo mundo sabe que isso é uma mentira para fazer as crianças comerem.
  – Bom, eu já vi um.
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  – Prove.
  A moça olhou para o garoto, que ergueu o queixo, desafiando-a. Ela olhou para os demais irmãos e acabou no chefe, que tinha um sorriso irônico nos lábios, como “você quem se meteu nessa”. ergueu os ombros e retirou o celular do bolso. Abriu a agenda de contatos e digitou um simples “Goblin”, mostrando para o menino ousado.
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  – Isso não quer dizer nada – Felipe ergueu as sobrancelhas.
  – Pode ligar.
  Sem pedir permissão, nem esperar por qualquer outra reação, Felipe pegou o celular da mão da babá e teclou em ‘ligar’. Demorou cerca de 4 toques para uma voz claramente alterada atender.
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  – Espero que tenha uma criança bem malcriada para me dar, – a voz disse.
  Caique imediatamente começou a chorar, enquanto Felipe arregalava os olhos e Eric gritava um “caramba! É verdade!”.
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  – Q-quem é? – Felipe perguntou, na tentativa de se mostrar corajoso.
  – Quem ousa ligar para o Goblin e não saber? Ah… sei quem é. Felipe . Você está na minha lista, moleque… – e uma risada malvada veio em seguida.
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  – E-eu não fiz nada! – ele gritou de volta. – Você nem é de verdade.
  – Você quer que eu faça uma visita no seu quarto? Eu aproveito e dou uma olhadinha no seu irmão gêmeo. Ele gosta de Fifa, não é? E você, de Minecraft. Eu sei que vocês escondem balas no armário vermelho, comi dois esses dias, quando fui dar uma olhada após seu irmão fazer algumas badernas. Continuem assim, eu ando muito faminto.
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  – Vocês guardam balas no armário? – Anna ri, olhando para os irmãos gêmeos que tinham os rostos vermelhos de susto e vergonha.
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  – Será que finalmente poderei conhecer alguns integrantes da família ? Tive um gostinho do seu pai quando ele era mais novo, pergunte a ele. Deixei uma lembrança no tornozelo direito dele. Que tal terem uma também?
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  Eric e Helena correram para o lado do pai, pedindo para o homem, que se mostrava surpreso e admirado com o plano de , para tirar o sapato e mostrar o tal tornozelo. De fato, ele tinha uma cicatriz que havia feito quando criança, por conta de uma brincadeira boba no sítio do tio em Minas Gerais. Pelo jeito, ninguém saberia, por um bom tempo, como era legal se divertir no meio das pedras e do mato.
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  – Tenho que ir. , só me ligue quando for para visitar as crianças. Tenho algumas visitas para fazer hoje.
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  – Até mais, Goblin – a babá cantarolou a resposta e pegou o celular que havia sido derrubado na mesa de jantar. Olhou para Caique e colocou a couve de bruxelas no garfo. – Vamos comer, Caique?
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  A criança imediatamente abocanhou a comida, assim como Helena, que antes enrolava, brincando com a própria roupa. olhou para Anna e, quando nenhum dos irmãos estava vendo, enviou-lhe uma piscadela.
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  – Como você fez isso? – perguntou, enquanto a babá lavava a louça.
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  Com o susto, quase deixou derrubar os talheres que enxaguava. Olhou para o chefe, que estava encostado na ilha de mármore da cozinha, com um meio sorriso e os braços cruzados.
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  – Saulo – ela respondeu. – Deixei isso alinhado com ele, pois sabia que um dia iria precisar. É fácil mudar a voz, com um programa, tem microfones que fazem isso com facilidade hoje em dia.
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  – Por isso ele sabia da minha cicatriz.
  – Bom… é. Não combinei com ele sobre o que iria falar, só que iria ligar. Ele foi bem legal no improviso.
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   riu, fazendo com que o admirasse mais. Se sério o homem era maravilhoso, rindo, ele era um deus. Havia um brilho a mais no olhar dele, algo que a moça não havia visto desde que entrou no trabalho.
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  – Eu acho que não pago o suficiente para você.
  – Bem, estou sempre disposta a receber um aumento. – ela sorri, vendo ele abrir ainda mais o sorriso que tinha no rosto. – Gostaria de um café?
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  – Sim, por favor – respondeu, observando a funcionária caminhar até a máquina e começar a preparar a bebida. – Como você acabou sendo babá?
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  O estômago de tremeu. Não gostava de falar sobre o que a levou a trabalhar, muito menos sobre qualquer assunto que tivesse a ver com ela. Até então, ninguém tinha tido interesse. Perguntaram sobre a composição de sua família e o que cada um fazia, mas nunca o motivo de ser babá.
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  – Pergunto porque você parece ser mais capaz do que cuidar de crianças.
  – Eu gosto – disse, erguendo os ombros e vendo, ali, a oportunidade de não responder o chefe –, começou por um hobby, na verdade, mas me dou melhor com crianças, do que adultos.
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  – Sorte a sua – ele resmunga, recebendo a xícara de café. – Sou um péssimo pai.
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  A falta de resposta lhe soou como concordância da babá, e não soube por que se sentiu tão incomodado. Nunca se importava com o que os outros achavam dele. Se isso acontecesse, jamais estaria onde estava no trabalho. Mas havia visto a interação de com sua filha Anna, e também viu a maneira como a mulher lida com seu caçula e Helena. preocupa-se com todos os filhos, mas principalmente os dois mais novos, por não terem convivido com a mãe, e a mais velha, por ter convivido demais e achar que deve ocupar o lugar dela.
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  – As férias estão chegando, e com a mudança na agenda das crianças, pode ser que você tenha que trabalhar mais. – ele disse, apenas porque não sentia vontade de voltar para o escritório e ter de trabalhar mil horas até o horário do jantar, que, novamente, era com os filhos. Dessa vez, Hugo escolheria o que comer, e ele já havia dito que queria hambúrguer.
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  – Tudo bem – ela respondeu. – Gosto de trabalhar.
   ergueu as sobrancelhas, surpreso.
  – Sua família não se importa? Seu… parceiro?
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  – Sou solteira. – ela disse, olhando para o chefe enquanto fazia o caminho de volta à pia, após deixar a cafeteira limpa, da maneira como Amélia e Jussara gostavam. – Minha renda é maior que a do meu pai, então eu ajudo muito a minha família.
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  – O que seu pai está fazendo mesmo?
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  – Ele é motorista. De Uber. Mas é muito honesto, quero dizer, só um pouco ingênuo, mas muito honesto! E inteligente! Ele é extremamente cauteloso, uma característica que surgiu por conta da ingenuidade, o que é ótimo, eu acho. Em casa dá muito certo.
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  O homem sorriu, mas não tanto. Não devia ser fácil sustentar uma família, e estava tentando garantir um emprego bom para o pai, que, por algum motivo, estava tentando sobreviver como motorista, ao invés de atuar em sua profissão. Não era, mesmo, fácil voltar ao mercado, se permaneceu fora dele por muito tempo, principalmente se era muito velho e foi envolvido em um esquema de corrupção.
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  – Você acha que um banco irá contratar um homem como seu pai?
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   não respondeu de imediato. Se fosse pensar rápido, a resposta, obviamente, seria ‘não’. Quem contrataria um condenado por corrupção? Além disso, ele ainda estava pagando as milhares de dívidas que tinha, mesmo 80% delas nem serem suas. Mas ela conhecia o pai melhor do que todos os outros que o enganaram, achavam que conhecia. Eles nunca souberam quão bom o pai é com as finanças, muito menos quão rápido ele consegue arranjar uma solução, nos momentos de mais pressão. Ele pode ser, sim, muito ingênuo com as pessoas a quem confia, mas acredita que a experiência de ser condenado possa ter mudado isso para melhor. Os defeitos que Paulo tinha, podem, sim, ter melhorado.
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  – O banco, eu não sei, mas o senhor, tenho certeza de que irá considerar.
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Capítulo 4

Capítulo escrito por Natashia Kitamura.

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos

  A segunda-feira foi de folga. Sempre que passava o final de semana na casa dos , Amélia a dispensava na segunda, para descansar. não precisou ligar para a governanta de férias, para saber. Assim que o jantar terminou e a babá colocou os mais novos para dormir, foi informada pelo chefe de que poderia tirar o dia seguinte de folga.
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  Agora, estava sem fazer nada, deitada na própria cama, enquanto as irmãs tagarelavam sobre artistas e roupas que elas não poderiam comprar.
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  – Escuta, Ju, será que você não poderia nos emprestar um dinheiro? – Yasmin perguntou.
  – Quanto, exatamente?
  – Ah, nada demais, uns mil.
   riu. Olhou para a cara das irmãs e se sentou na cama.
  – Vocês sabem que mil reais é praticamente o valor de um salário mínimo, e que paga todas as nossas contas fixas aqui de casa, não é?
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  – Por que precisaríamos saber disso? – Laura ergueu uma sobrancelha.
  – Para que eu pudesse emprestar para vocês.
  – Você é um saco! O papai é um saco! Estou cansada dessa vida de pobre! – a mais velha das gêmeas, Laura, gritou. – Vocês só querem saber de economizar! Desde criança nos ensinam as coisas que são boas, e agora querem tirar isso de nós.
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  – Bem, se você quer as melhores coisas, então trabalhe. Vocês não disseram que iam se tornar influencers?
  – Como, se não temos as coisas de última moda? – Yasmin revirou os olhos. – Parece que você já se converteu em uma pobre, né , mal sabe como as coisas realmente funcionam.
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  – Muito pelo contrário, sei muito bem como as coisas funcionam – volta a se deitar. – Não está aí – diz, ao ouvir o som de suas coisas sendo mexidas, provavelmente por Laura. – Eu não guardo dinheiro em casa. Existe banco para isso.
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  – Para te roubarem, que nem fizeram com o papai? Quem é a burra aqui?
  – Vocês sabem o que aconteceu com o papai?
  As três se calaram, observando a reação uma da outra. nunca parou para pensar se as duas quiseram entender o que levou a família àquele estado. Elas só reclamavam e agiam como crianças fúteis, mesmo tendo idade para cuidar da própria vida.
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  – Ele quis ser pilantra e não conseguiu. – Yasmin foi a primeira a dizer. – Carla disse que ele deu sorte que os pais dela e das outras famílias foram gentis em não cobrarem nada que ele lhes devia, ou a dívida seria muito maior do que já temos.
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  – E vocês perguntaram para o papai se isso é verdade?
  As duas reviraram os olhos, impacientes e cheia de certeza de que não precisavam perguntar nada aos pais; o assunto, apesar de abafado e atualmente esquecido pela maioria das pessoas, na época permaneceu na boca do povo.
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  – Vocês preferiram acreditar nas mentiras das suas amigas, do que na verdade do seu pai? Vocês duas são ridículas.
  – Ridículas? Bem, somos nós mesmas que estamos aqui, presas em um quarto que é menor do que o nosso antigo banheiro, enquanto as amigas mentirosas estão em Miami, tomando margaritas na Ocean Avenue. Com certeza somos as certas.
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  – Estar no exterior não significa que você está certa – diz. – Papai está trabalhando para conseguir pagar a comida de vocês. Para garantir que tenhamos um teto sob nossas cabeças. Mamãe está com depressão. Eu passo uma semana inteira fora para conseguir ajudar em alguma coisa, e vocês continuam agindo como duas garotinhas de 15 anos que mal sabem o que querem ser. Suas amigas podem estar vivendo na mordomia, mas sabe o que aconteceria com elas se os pais falirem? Nada. Assim como está acontecendo com vocês duas. Vocês não são nada. E não estão fazendo nada para se tornarem algo.
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  – Melhor do que ser uma empregadinha…
  – Ser empregadinha me faz, atualmente, ter mais chance de comprar uma Chanel do que vocês. Boa sorte em esperar por uma chance, madames.
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  Laura e Yasmin soltaram palavrões e tentaram ofender , que, obviamente, não ficou nem um pouco ofendida, já que sabia que a reação delas seria essa. Amava as irmãs e esperava que elas melhorassem, mas estava cansada do comportamento egoísta e mimado que elas tinham. As duas precisavam, urgente, tomar um jeito, ou não sabia como seria a vida delas no futuro.
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  Aproveitou o tempo livre para arrumar a casa. As irmãs e a mãe não sabiam como fazer, e ela havia aprendido muito bem com Paloma, que lhe deu dicas dos produtos mais baratos e também como aproveitar todos ao máximo. O banheiro, principalmente, precisava de um trato. O lixo não era trocado há anos, o que significava que o pai chegava tão cansado do trabalho, que mal tinha tempo para conferir as coisas básicas da casa; não o culpava, ele era o único que colaborava.
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  Ao terminar de cuidar do único banheiro e da cozinha, os lugares que mais tomavam tempo, passou pela sala e em seguida para o quarto, onde arrastou os móveis e trocou todas as roupas de cama dela e das irmãs. Ao chegar no quarto dos pais, respirou fundo antes de bater e entrar.
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  O cheiro estava forte, pois a mãe gastava o pouco que o pai recebia em cigarros. As gêmeas compravam para ela, em troca de ganharem um trocado extra. já havia pedido mil vezes para pararem de fazer isso, pois estavam debilitando ainda mais a saúde da mãe; obviamente, nenhuma lhe deu atenção.
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  As venezianas e cortinas estavam fechadas, e a mãe estava deitada na cama, encolhida.
  – Mãe… preciso limpar o quarto.
  – Venha depois.
  – Agora é depois – suspirou. – Passei aqui mais cedo e a senhora me falou a mesma coisa, lembra?
  Ela não lembrava. Daisy estava perdida demais em seus próprios pensamentos, para lembrar de algo que havia falado para a filha mais velha. Não conseguia entender por que estava naquela situação; as amigas haviam falado bem do plano, disseram que não havia como dar errado. E agora, todas haviam virado as costas e expulsado ela do grupo, como se fosse um vírus letal. Tentou, de todas as maneiras, falar com as amigas, pedir por ajuda, mas só recebeu olhares e rostos virados. O irmão, seu único porto seguro após a morte dos pais, disse-lhe que seria bom sair um pouco daquele grupo; meses depois, viu que ele, na verdade, não tinha intenção nenhuma de ajudá-los, apenas havia fingido preocupação para não fazer Daisy ter qualquer reação exagerada que pudesse prejudicá-lo.
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  A mulher jamais imaginaria que obedecer ao pai e ao irmão, a levaria a este estado de miséria. Ouvia as filhas falarem para lá e para cá, reclamando, dizendo que esta vida era uma merda. De fato, era mesmo. Daisy estava cansada dos pensamentos negativos que rondavam sua mente e seus arredores, seu único ponto de luz era , sua filha mais velha, que lhe falava docemente e tentava, de seu próprio jeito, ajudar a mãe. Mas Daisy ainda não estava pronta para sair daquele breu que era sua mente; havia perdido tudo, estava em luto. Será que se o pai estivesse vivo, daria um jeito? Não… ela não lhe era mais útil desde quando o pai de Paulo vendeu a empresa para um amigo. Ela não havia mais se casado com um herdeiro, e sim um incompetente. Era mais fácil ignorar a filha e prestar atenção na mais nova, que havia se casado por amor contra a vontade dos pais, mas que agora era a mais rica dos 3 irmãos. Fez o próprio negócio e, com a ajuda do marido, expandiu a marca pela maioria das capitais brasileiras; antes de morrer, ouviu o pai dizer que a filha mais nova era o orgulho dele; Daisy, por outro lado, não ouviu nada.
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  – Preciso de mais cigarros.
  – Não.
  Daisy olhou para , que abria as cortinas e janelas.
  – A senhora não vai ser uma dependente, mamãe, ou terá de ser internada. Não quero e não vou deixar a senhora chegar a esse ponto. Precisa parar enquanto consegue tomar conta de si mesma.
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  – Deixe de ser malcriada, mamãe não está…
  – Mamãe não está em suas melhores condições faz um ano e oito meses! – olhou para a mulher, magra. – Olhe-se no espelho, mãe! Está desnutrida e cansada. Precisa de cuidado extra; onde está a mulher que cantarolava o dia inteiro e vivia bem arrumada? Não estou pedindo para a senhora ser um poço de felicidade, mas passar o dia inteiro no escuro, na cama, não vai ajudar a sair dessa situação.
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  A mãe, como sempre, não respondeu. Queria dizer que não queria sair daquela situação, que estava acomodada. Mas a verdade é que queria, sim. Queria ter força para sair e caminhar. Para fazer uma salada e assistir a um filme inteiro.
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  – O que a senhora está achando da terapia? – perguntou. Fazia alguns meses que ela havia começado, mas não viu muito resultado. Achou que deveria esperar, mas nada aconteceu. Quase 5 meses depois e a mulher sequer olhava para o marido. – Que tal mudarmos?
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  Não ouviu, mais uma vez, resposta. decidiu que era hora de ir a um psiquiatra. Queria evitar os remédios, tinha medo dela ser uma dependente, mas acreditava que, dali pra frente, as coisas só iriam piorar.
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  – Quando eu marcar o médico, a senhora vai, não é mesmo? – perguntou, segurando a mão magra da mãe. – Papai irá levá-la.
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  – Não preciso do seu pai.
  – A senhora, então, pega o metrô?
  A ideia de dividir um vagão com outras pessoas desconhecidas lhe apavorava. Daisy não tinha preconceito com o transporte público, mas ele já foi cenário de muitos traumas dela. Quase foi raptada duas vezes e roubada, então, outras duas. Na época da faculdade, a mulher saía com os amigos que não eram da alta sociedade, e achava que podia ser como eles; isso fez com que acabasse prestando depoimento na polícia mais vezes do que imaginava, e pior, foi a causa das dores de cabeça do pai e da mãe.
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  – Vai ficar tudo bem, mãe. A senhora só precisa se cuidar.
  Daisy olhou para . A filha podia ver somente uma casca cansada e sem vida da mãe, mas a mulher, por dentro, admirava a filha mais que tudo. Achava que ela era uma cópia sua, mas viu, após todo esse pesadelo, que era muito mais. Não sabia da onde a filha tinha arranjado forças para se erguer e correr atrás do prejuízo com o pai; ouvia Paulo falar sobre como ela conseguiu um emprego fixo com um salário altíssimo, e que oferecia plano de saúde para todos os integrantes da família. No início, Daisy não se importou. Quando saiu pela primeira vez do quarto durante uma manhã, viu a diferença em . Ela estava limpando o banheiro com cuidado e murmurando palavras de incentivo para si; ao ver a mãe, abriu um sorriso e disse estar feliz de vê-la fora do quarto.
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  Agora, ela observava a filha dizer que tiraria as cortinas, que cheirava a cigarro, para lavá-las. Gastaria uma quantidade grande de água esse mês, mas tudo bem, pois precisava deixar o quarto dos pais o mais limpo possível. Não tinham faxineira, e Laura era alérgica a pó, o que seria terrível para ela se a casa não fosse limpa o bastante.
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  – Você não trabalha hoje? – a mãe perguntou, de repente. a olhou, surpresa, mas logo se recompôs e lhe respondeu:
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  – Ganhei o dia de folga porque trabalhei o final de semana inteiro. Meu chefe é legal.
  – Quem é? Nós o conhecemos?
  – Não, acho que deve ser um novo rico. Ele tem uma posição alta em um banco digital. Papai foi fazer uma entrevista com ele hoje.
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  – Paulo?
  – É.
  – E o que ele faria lá? Seria motorista do homem?
  Ao invés de se ver ofendida pela maneira como a mãe falava do pai, olhou para Daisy e disse, animada:
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  – Ele precisava de alguém da área de economia e eu disse que papai era formado no ramo. O senhor então disse para o papai aparecer lá hoje com o currículo. Imagina essa loucura?
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  Daisy quis sorrir, mas não pelo marido e sim pela filha. Era tão importante assim para ela que o pai voltasse a ser um funcionário? E banco? Como que algum banco contrataria uma pessoa com o passado de Paulo? Havia ainda que não sabia do desastre que aconteceu com os ?
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  Guardou os pensamentos para si, como sempre, e observou a filha levar as cortinas para a lavanderia, separada da cozinha por uma simples mureta. Ao voltar, limpou todos os móveis e retirou as roupas de dentro das gavetas para limpar a área dentro; em seguida, foi a vez do armário; por fim, varreu todo o quarto e limpou cada canto, arrastando os móveis enquanto cantarolava músicas que Daisy não conhecia. Quando o odor do quarto passou de cigarro, para produto de limpeza, trocou a roupa de cama e sorriu para a mãe:
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  – Pronto! Acabei!
  – Você se acostumou bem com a limpeza.
  – Aprendi com uma colega de trabalho. Agora não preciso de dois dias para limpar a casa inteira. Na próxima folga, limpo as janelas. A senhora conseguiu separar as roupas que não precisa mais?
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  – Ainda não.
  – Tudo bem, não teria tempo de vê-las agora, mas se a senhora puder fazer essa semana… – olhou para cima. – Acho que terei o sábado de folga.
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  – Você está gostando? – Daisy lhe perguntou. – Do trabalho?
  – Até que estou! – sorriu para a mãe. Gostou de ver o interesse dela em si; a mulher nunca foi de dar atenção para as filhas, e, quando acontecia, geralmente eram as gêmeas. – Meus colegas de trabalho são muito legais e meu chefe também, as crianças são um pouco baderneiras, mas ainda têm solução.
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  A mãe não disse nada. Abriu um pequeno sorriso e observou a filha contar sobre as 7 crianças e como ela se virou com o motorista, que também era segurança, para fazer os 7 obedecê-la. Fazia tempo que Daisy não via alguém com tanta energia. Aproveitou o momento de animação da filha mais velha, e permaneceu sentada a encarando com um sorriso no rosto.
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  O momento foi quebrado com o som da porta da casa se abrindo.
  – ! – a voz do pai era urgente, fazendo mãe e filha se assustarem. Não houve tempo para elas reagirem; quando viram, o pai estava parado na porta, com o rosto vermelho.
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  – O que foi, pai? Que auê é esse? – Yasmin perguntou, saindo do quarto.
  Mas Paulo só tinha olhos para a filha mais velha.
  – Eu consegui.
  – O quê? – perguntou, chocada. – Conseguiu? Mesmo? Mesmo!
  – Consegui! Estou contratado. Estou contratado!
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  A filha mais velha gritou e o pai gritou junto. A mãe, ainda chocada, permaneceu sentada com a mão na boca e os olhos arregalados para os dois que pulavam em sua frente.
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  – Quem contratou o senhor? Aonde? – Laura entrou no quarto, não se importando de atrapalhar a comemoração da irmã com o pai.
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  – É um banco chamado Y. Estão precisando de alguém para o setor de economia. falou sobre mim para o chefe dela, que concordou em me entrevistar. Achei que ele fosse perguntar mais sobre o trabalho, mas…
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  – Ele não perguntou sobre o trabalho? – olhou para ele, confusa.
  – Tive que fazer dois testes, acho que ele me avaliou mais na prática. Para a entrevista, só me perguntou o que eu fazia na empresa do seu avô e se eu entendia de algumas coisas. Pode ser que eu precise de fazer um curso, mas ele diz que a empresa banca.
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  – Mas isso é perguntar sobre trabalho, não é?
  – É sim, filha, estou chegando lá – o pai lhe sorriu – Ele perguntou mais sobre nossa família e como estávamos vivendo. Você disse alguma coisa para ele, ?
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  – Não muito… acho. – ela tentou se lembrar da conversa que tiveram na cozinha, quando chefe não parecia um chefe, mas sim um cara que ela conhecia. Se sentiu à vontade para falar sobre si, quando ele lhe perguntava, e ouviu mais dele do que todos os dias dos últimos 6 meses juntos.
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  – Então o chefe da contratou o senhor para trabalhar no banco? – Yasmin perguntou para o pai, que confirmou. – Ele é um novo rico?
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  – Parece que sim. Falei com alguns contatos que ainda tenho e disseram que ele é o assunto do momento. É um gênio do trabalho: todas as empresas o querem. Ele tem um salário estratosférico; por isso paga tão bem.
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  – Ele é bonito? – Laura perguntou, fazendo revirar os olhos.
  – Você acha que ele vai querer você, Laura? – Yasmin riu. – O homem pode ter qualquer mulher.
   não respondeu nada. Ela, melhor do que todos ali, sabia da realidade de . Se ele tinha tempo para namorar, ela não sabia, mas o que sabia, era que a pessoa que topasse se envolver com ele, tinha de saber que teria de levar 7 pacotinhos junto na compra.
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  Pacotinhos bem pesados.

  – !
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  A babá agachou-se para abraçar Caique, que veio correndo e desatou a falar sem parar sobre como havia sido sua segunda-feira e início da terça. Helena, ao lado, tentava puxar para brincar com suas bonecas. A mulher percebeu o quanto as crianças sentiam falta de alguém para lhes dar atenção. A primeira hora foi tomada pelos dois mais novos da família . Caique se contentava em só permanecer sentado no colo da babá, enquanto Helena desviava toda a atenção da mais velha para os bonecos.
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  Os primeiros a chegar da escola foram Eric e Anna. A irmã mais velha logo foi para o quarto tomar um banho e trocar de roupa, enquanto o mais novo teve de fazer a tarefa de casa, se quisesse assistir à TV.
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  Às seis, quando o resto dos já estava em casa, com exceção do pai, todos se encontravam na sala, seja assistindo à TV ou mexendo no celular. Anna era a única que andava de um lado para o outro, nervosa.
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  – Mas ela disse que conseguiria! – gritou ao celular. – Eu não posso ir outro dia, tenho horário para voltar e meu pai não vai deixar eu…
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  Seu rosto se tornou vermelho, enquanto os dedos apertavam o aparelho. Os irmãos desviaram a atenção para a garota que se segurava para não gritar ainda mais com a pessoa do outro lado da linha. Após cinco minutos, desligou a ligação, pegou uma almofada e gritou tudo o que conseguia.
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  – O que a Karina aprontou agora? – Hugo perguntou.
  – Você acredita que ela mudou, sem avisar ninguém, o dia da festa e agora todas temos que mudar a reserva no salão, mas o Akira não muda a reserva de última hora! Se eu não for vista lá, eu…
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  – Cara, é só um salão. Vai no Jaques.
  Foi como se Hugo tivesse perguntado se Anna era mulher. A garota olhou ultrajada para o irmão, que olhava para ela tranquilo, sem ter noção da baboseira que havia dito.
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  – O Jaques não é o Akira. O Akira é o melhor cabeleireiro da cidade. Ganhou vários prêmios e só faz o cabelo de quem é muito importante. Você não sabe o que é isso, porque você não se importa tanto com seu cabelo. Mas se você disser para a Gabriela sobre o Jaques, tenho certeza de que ela lhe dará um pé na bunda.
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   apertou os lábios, tentando não rir. Já havia sido como Anna antes, e não passou pela cabeça que estivesse soando fútil e desagradável como a garota. Manteve sua atenção no jogo com Helena, que murmurava uma música que havia aprendido no colégio.
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  – Tá, mas e agora? Você não consegue mudar e aí?
  – Não sei! – Anna levou as mãos à cabeça, desesperada. – Não sei como vou fazer. Todas elas conseguiram, não sei por que não consigo. Será que não tinha espaço o suficiente na agenda?
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  Ninguém respondeu, porque ninguém sabia que o real motivo de Anna não conseguir uma nova vaga no salão, era porque ela era uma nova rica. As pessoas faziam isso de vez em quando, para se divertir. Escolhiam uma integrante do grupo que não tinha personalidade e a humilhavam, mostrando quão menos influente ela é na sociedade em que vivem.
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  – Quer que eu faça a alteração para você? – perguntou.
  Os quatro mais velhos olharam para a babá, que a encarava com cumplicidade, ainda brincando com Helena.
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  – E o que você faria para conseguir? – Arthur perguntou em tom maldoso. – Você nem sabe quem é o Akira.
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   sorriu para o mais novo e pegou o celular. Os ombros do garoto se endireitaram com a ideia da babá ligar para o Goblin, mas a moça só olhou para a mais velha e perguntou:
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  – Qual dia e horário é melhor para você?
  A garota olhou, suspeitando que a babá fosse conseguir. Hesitou em falar um horário, mas, se a mulher estava dizendo que conseguia, então não custava nada acreditar.
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  – Sexta, às quatro.
  Era o horário nobre, como costumam chamar. O momento em que todo mundo que é importante vai ao salão, porque quem, em sã consciência, tem como estar em um salão às quatro da tarde de um dia de semana?
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  Com o celular em mãos, discou o número já existente.
  – Quem é vivo, sempre aparece – a voz melosa e aveludada soou do outro lado –, não é porque você ficou pobre, que deve deixar de vir no meu salão.
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  – Eu não tenho mais dinheiro para te bancar – ela riu.
  – Ora, mas isso é mesmo um ultraje. Volte a ficar rica logo, odeio aturar suas amigas. Ou ex?
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  – Ex, definitivamente. – disse, revirando os olhos só de pensar nas companhias de sua “outra vida”. – Escuta, que tal me fazer um favorzinho?
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  – Favor? Não sou casa de penhor, querida…
  – Mas achei que você fizesse uma caridade de vez em quando.
  – Você é in-su-por-tá-vel, sua danadinha! Tudo bem! Vou fazer dessa vez. O que foi? Tentou cortar seu cabelo sozinha? Já esqueceu as lições que te passei?
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  – Não, estou cortando meu cabelo muito bem, graças a você. Tem uma cliente sua que gostaria de remarcar um horário, mas parece que seus funcionários têm medo de algumas… crianças. – ela olhou para Anna, que olhava para a babá nervosa, quase levando o dedo à boca.
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  – Ah… sei quem são essas clientes. Elas são terríveis, mas gastam horrores aqui.
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  – É, bem. Essa cliente também pode gastar horrores, mas seus funcionários querem perdê-la para o Jun.
  – Como é que é? Quem é a ousada que quer me trocar por aquele falso? Acredita que ele tentou DE NOVO pegar a minha Jana?
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  – Ele nunca irá desistir, Akira, dê sociedade a ela, eu já disse. Além disso, não foi a cliente que quis te trocar pelo Jun, seus funcionários quem deram a ideia.
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  – Nomes! Eu quero nomes! Por que você sempre me traz essas informações privilegiadas? Desse jeito, nunca pagarei as minhas dívidas com você.
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  – Não vou te pedir dinheiro, seu bobo. Estou trabalhando. O que eu quero é que você mude a reserva de Anna para essa sexta, às seis, e atenda ela você mesmo. Exclusivo.
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  – ? Janice, querida, abra a agenda, deixe eu ver a reserva dessa . Anna, querida, Anna . Lavagem, corte e penteado?
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  – É. E o que você puder esbanjar na cara das crianças.
  – Sei, entendi. No que você está se metendo? Virou animadora de criança? abriu um sorriso. Se Akira soubesse… – Tudo bem, amor, está feito. Receberei essa Anna na sexta com champanhe.
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  – Ela é menor, sirva algo sem álcool. E obrigada.
  – Passe aqui para tomarmos um chá. Quem sabe não criamos uma fofoca de que você está rica de novo?
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   deu risada com a ideia de Akira e imaginou como as pessoas com quem se relacionava reagiriam. Seria algo imperdível, mas não podia colocar em risco a fofoca se transformar em algo ruim para sua família que ainda devia uma boa grana. Desligou após agradecer mais uma vez a gentileza de Akira. O cabeleireiro foi um grande amigo seu na época em que mais mudava a cor e o corte de cabelo. Foi graças a ele que não ficou careca, após mudar o corte tantas vezes. Além disso, ela gostava de passear em seu salão para fofocar; era um ótimo lugar para se mostrar. Não havia funcionários mais fofoqueiros do que os de Akira.
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  – Feito – ela olhou para Anna – Se quiser, você pode falar para ele, como quem não quer nada, os nomes de quem te atendeu e não mudou o seu horário. Ele não vai mais esquecer seu nome.
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  – Da onde você o conhece? – Anna perguntou, surpresa. – Ele é muito requisitado.
  – Já faz um tempo, mas não é nada demais. Ele me devia um favor, só isso.
  Ele devia bem mais que um favor, já que foi quem o apresentou a uma famosa atriz de televisão. Ela fez alguns stories com ele e o chamava para sua campanha; com o tempo, outros famosos foram o chamando, tornando-o o que é hoje. Ainda assim, tudo o que fez, foi comentar com a atriz sobre seu novo cabeleireiro.
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  Anna permaneceu encarando a babá por um tempo, até decidir que podia confiar na palavra dela. Era possível que uma pessoa como conhecesse um dos cabeleireiros mais queridos de São Paulo. Ou será que não?
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  Fosse o que fosse, ela havia conseguido mudar o horário. Tudo o que Anna precisava fazer agora, era segurar sua vontade de se gabar para as amigas, e surpreender Karina. Conseguiria fazer isso, é claro. Eram só 3 dias.
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  Enquanto isso, observava Hugo fazendo caretas ao mexer no celular. Falava com alguém e parecia não estar se dando bem na conversa. Arthur, ao perceber, se aproximou sem que o irmão mais velho percebesse, e espiou o papo:
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  – Nossa, Hugo, como você consegue ser burro! Good morning é bom dia e não boa noite!
  Imediatamente, as orelhas de Hugo ficaram vermelhas, mostrando sua vergonha por estar errando algo que seu irmão 2 anos mais novo sabia. Tentou retruca-lo, mas não conseguiu, pois além de saber que estava mesmo errado, tinha de dar atenção à pessoa com quem estava conversando que, aparentemente, era a garota de quem estava afim. Saber que era péssimo com a língua inglesa e ainda cometer um erro não era a melhor coisa para se saber.
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  – Cale a boca e me deixe em paz. Vá jogar seu joguinho – Hugo disse, mau humorado. Anna ergueu uma sobrancelha e olhou para , como se, agora, a babá fosse a solução para tudo.
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  – A garota é mais velha que ele – ela murmurou para a mais velha, que balançou a cabeça, como se estivesse interessada no assunto, mesmo não estando. – Você já deve ter ouvido falar dela, é sobrinha de um artista famoso, se chama Giselle Levy.
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   não conhecia a garota e nem a atriz, mas, obviamente, já havia ouvido falar, pelo menos na famosa. A família Levy se consagrou por possuir integrantes que se destacaram na mídia. Atriz, empresário, jogador de tênis e até advogado. Não eram, de um todo, ruins, apenas se preocupavam mais com o próprio nariz, do que com o que os demais dizem sobre eles. Não são muito ricos, mas também não são novos ricos, o que os fazem serem aceitos e chamados para a maioria das festas.
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  – Ela está no último ano do colégio, mas dá bola para ele.
  – E por quê?
  Anna ergueu os ombros, como alguém que também queria saber. Não conseguia enxergar no irmão, a mesma pessoa que as garotas da escola enxergavam. Hugo era um dos populares; brincava, sorria, passava cola e, o mais importante, era bonito.
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  – Droga! – Hugo gritou, tacando o celular no sofá, logo ao seu lado. Anna e foram as únicas que olharam para o irmão mais velho bufar e cruzar os braços, para, em menos de 10 segundos, voltar a pegar o celular para olhar a conversa.
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  Ninguém disse nada. Ao invés disso, se certificou de que os mais novos estavam bem entretidos em suas atividades, e que o segundo casal de gêmeos realizava as tarefas de casa direito. Assim, dirigiu-se para a cozinha, para ajudar Jussara com o lanche da tarde, para servir a todos assim que os deveres escolares fossem finalizados.
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  – , você sabe sobre divisão? – a voz que surgiu na cozinha foi de Felipe. O garoto tinha a apostila da escola em mãos e a olhava com esperança. A babá sorriu e chamou ele para sentar consigo na mesa da cozinha. Jussara, com um sorriso, pôs-se a ouvir as dúvidas do garoto para a colega, que pacientemente explicou como realizar a divisão, sem precisar de usar as mãos. – É muito difícil.
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  – Precisa praticar. – disse, se levantando e pegando a travessa com o lanche para levar até a sala. – É para isso que existe a lição de casa.
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  – Que chato, prefiro passar o tempo jogando futebol.
  – Ora, é importante que você saiba dividir, caso seja um jogador de futebol.
  – Pra quê? Eu só preciso chutar a bola.
  – Bem, se você ganhar dinheiro, precisará saber dividir o que tem entre as coisas que quer comprar, caso contrário, não poderá ter várias coisas, pois não terá dinheiro o suficiente para tudo.
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  – Você acha mesmo que o Neymar tem esse tipo de problema? – o garoto debochou da babá, que riu.
  – Ele teve um dia, tenho certeza.
  “E se não teve, nunca é tarde.” Ela pensou, considerando mais a própria situação, do que a do jogador. Olhou para Hugo, que continuava emburrado, mas não parava de enviar mensagens pelo celular.
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  – Venham lanchar! – ela disse, despertando o interesse da maioria dos presentes, menos os dois mais velhos. – Anna, Hugo, não querem comer?
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  A garota obrigou-se a ir, pois foi ela quem “havia planejado” o menu. O garoto, no entanto, murmurou uma resposta qualquer e ignorou a babá. decidiu não obrigá-lo a nada, mas avisou Jussara, que disse que era normal, por conta da idade. Eles comiam na hora que queriam, e não na que deviam. Separaram um pouco do lanche, para caso a fome viesse muito antes do jantar.
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  – Adivinha – Lucas, o secretário de , entrou na sala com o tablet em mãos, olhando para , que dividia sua atenção entre Helena e Caique –, preciso que você fique até as nove.
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  – O quê?
  – Não está fácil achar uma babá para a noite. – ele olhou para as crianças. O que o homem queria mesmo dizer, era “não está fácil achar uma babá que tope cuidar de 7 crianças sozinha”. – Entrevistei dez mulheres ontem, e mais três hoje. Está me tomando todo o tempo. Por que você não muda para cá de uma vez? Estou brincando, é claro. – como sempre, o moço desatou a falar sem parar, não dando chance para ou qualquer outra pessoa da casa argumentar. – Bem, disse que só chegará depois das oito, então, para garantir, preciso que você fique até as nove. Pode ser?
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   não podia responder que não. O tanto de horas extras que fez só no mês, já lhe garantia um mês a mais de férias ou, quem sabe, um salário a mais. Mas havia dado um serviço de confiança e qualidade para o pai, além de ter permitido inserir todos os familiares no seguro saúde. Não queria ser o tipo de funcionária que só queria ganhar em cima do chefe.
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  – Tudo bem.
  – Foi o que eu disse a ele. – Lucas murmurou, dando as costas e atendendo o telefonema no celular, que, para variar, não parava de tocar.
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  – Você ganha muito quando fica a mais? – Anna perguntou, de repente. olhou para a pequena chefe, surpresa com seu interesse repentino em si.
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  – Seu pai é bem justo. Ele paga o que deve pagar.
  – É por isso que ela está aqui até hoje, né, dã! – Arthur disse para a irmã, que lhe mostrou a língua.
   sorriu, percebendo o quanto alguns membros do clã a aceitavam, diferente de antes. Ficar fora do quarto fez com que eles conhecessem mais e entendessem que ela não estava ali para nada além de fazer o seu papel de cuidadora. Além disso, os mais velhos gostavam do fato dela ser diferente das outras babás, que queriam que eles fizessem tudo da maneira que elas achavam ser certo ou que acabavam gritando quando eles aprontavam.
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  Eram 19h quando foi esquentar a janta que Jussara havia deixado pronto. As crianças estavam, em sua maioria, assistindo a desenhos na televisão ou compenetrados em seus celulares. Enquanto esquentava a lasanha no forno, aproveitou para ler as mensagens que o pai havia lhe enviado, dizendo para sua família que havia feito os exames admissionais da empresa e assinado o contrato de emprego. Oficialmente, não era mais um motorista, mas sim um funcionário de carteira assinada.
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  Ela sorriu enquanto lia as mensagens animadas dele contando sobre o que fez durante o dia para o novo serviço. A contratação do pai mudou o ambiente da família; as irmãs, apesar de continuarem se preocupando só com o próprio umbigo, começaram, de vez, a gravar vídeos e fazer conteúdo para suas redes sociais. Aproveitaram o ânimo de em responder o pai, e pediram para os dois falarem delas em todos os lugares, enviando o link do primeiro post, feito há pouco, no TikTok. Elas já possuíam muitos seguidores antes, então achava que não seria problema conquistar mais. As pessoas na internet gostavam de gente bonita, e elas são muito bonitas.
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  – O que você ta fazendo? – a voz de Hugo soou próximo a ela, que pulou de susto.
  – Esquentando a janta.
  – Você estava vendo o celular.
  – É. Estava lendo umas mensagens do meu pai enquanto espero o alarme apitar.
  Ela observou o garoto, que balançou a cabeça como quem entendia. Achou que ele fosse reclamar ou ameaçar de contar para o pai que ela perdia tempo no celular durante o horário de trabalho, mas ao invés disso, olhou para o lado timidamente, provavelmente pensando em dar para trás com o que havia pretendido fazer.
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  E sabia o que ele queria fazer. Abriu um pequeno sorriso e deixou o celular de lado.
  – Na época da escola, eu tinha vários paqueras – começou a dizer e, antes que o mais novo a cortasse, dizendo que não se importava, continuou: -, tinha um, o Tiago, ele era muito bonito e muito legal. Era um ano mais novo que eu e as minhas amigas ficavam falando para eu não dar bola, porque o mais legal eram os caras da faculdade.
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  – O que caras da faculdade tem de diferente? – Hugo pergunta em tom indignado. ri.
  – Nada. Sabe qual é a diferença entre a escola e a faculdade? – ela pergunta ao garoto, que ergue os ombros. – Basicamente, você só estuda matérias relacionadas ao curso que você escolheu, pode ser que estude de noite e, durante a aula, você não precisa pedir permissão para o professor, para ir ao banheiro.
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  – Só isso?
  – Só isso. Todo mundo acha que tem que ser adulto, mas não é assim que as coisas acontecem de verdade. Você mudou o quê do ano passado para este?
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  Mais uma vez Hugo ergue os ombros, mostrando que não havia sentido diferença nenhuma.
  – Pois é. Um ano você está no último ano do colegial, no outro, no primeiro ano da faculdade. Grande coisa. Tive uma amiga que namorou um cara do colégio, estando na faculdade.
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  – E aí?
  – Durou alguns anos, até ele terminar com ela porque ele entrou na faculdade e conheceu outra garota.
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  – Que idiota.
  – Não é? – sorriu para Hugo. – Não seja esse tipo de cara. Não pega bem, você sabe, para as outras garotas.
  – Você namora? – ele perguntou, com um olhar de curiosidade que nunca havia visto antes no garoto. Ela negou com a cabeça. – Por quê?
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  – Aconteceram algumas coisas na minha vida e ele terminou comigo.
  – Do nada?
   sorriu. Na verdade, foi do nada para ela, mas não para ele. Vitor Marques havia começado a desapegar de dois anos antes do término, quando a traiu com uma intercambista alemã que estava morando na casa de uma das amigas em comum dos dois. Apesar de ter sido chamada de trouxa, Vitor foi muito bom em esconder a verdade, surgindo com ela à tona apenas depois de ter dado um pé na bunda de .
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  Foi humilhante, mas uma boa lição para ela. Um homem não se faz de beleza e dinheiro. Muito menos de uma amizade de anos. Se ela fosse se relacionar novamente, dessa vez seria com um homem de verdade, que gosta dela e não do que ela possivelmente poderia oferecer na cama e na vida financeira dele. Sentiu-se, de repente, feliz por ter tido a oportunidade de se ver livre daquele protótipo de ser humano.
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  O importante, agora, era não deixar Helena cair de amores pelo irmão mais novo de Vitor. Mas a menina não havia mais comentado sobre Rafael, o que era um ponto positivo.
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  – Você sabe inglês? – Hugo perguntou quando achou que o papo havia terminado. Ela retirou a lasanha do forno e apoiou na bancada da pia, olhando para ele. – A Giselle está terminando o curso e disse que vai para a Disney no final do ano, está treinando o inglês para quando for.
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  – E você disse que sabia?
  – Eu sei inglês. Temos aula na escola. – ele se defende. – Mas não no nível dela…
  A babá ficou calada, vendo o filho do chefe quebrar a cabeça pensando na fria que havia se metido. Ela sorriu; sentiu-se nostálgica. Queria ter, como preocupação, um paquera, ao invés de uma vida inteira para cuidar.
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  – Quer uma dica de como eu aprendi? – ao ver que tinha a atenção de Hugo, disse: – Música.
  – Música?
  – Eu ouvia a música e escrevia ela inteira. Assim eu treinava meus ouvidos, aprendia novas palavras e como pronunciá-las. Fora que era divertido!
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  Hugo arregalou os olhos, surpreso por nunca ter pensado nisso.
  – Quer outra dica? Use fones de ouvido. Fica mais fácil ouvir as palavras.
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  O garoto sorriu e saiu correndo sem agradecer a babá, que o observou ir em disparada para o quarto.
  Arregalou os olhos ao ver o chefe parado no batente da cozinha, os braços cruzados e um sorriso no rosto.
  – A-ah… – desconcertou-se. – E-eu estava para servir o jantar e…
  – Quer dizer que Hugo está gostando de uma garota mais velha? – perguntou, achando graça a reação de , mas ainda mais de vê-la ajudando o filho com seus casos amorosos.
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  – Anna quem disse.
  – Anna? – ergueu as sobrancelhas. – Ela conversou com você também?
  A babá não soube o que falar. Não podia dizer que havia feito um favor para Anna, pois era uma funcionária e, apesar de não ser o seu papel, foi mais ou menos como cuidar dela.
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  – Vai esfriar. – o chefe fez um sinal com a cabeça para a lasanha, que ainda estava fumegante na bancada da pia.
  Em um pulo, pegou a travessa e a levou para a mesa, onde começou a servir os pratos das crianças e a esfriar os de Caique e Helena.
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  – Desculpe por não ter encontrado ninguém para o turno da noite – disse, seguindo a babá para a sala de jantar. – Você anda fazendo muitas horas extras aqui.
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  – A podia morar com a gente! – Helena disse, abraçando a cintura da babá, que sorriu.
  – A tem uma casa e uma família também. – olhou para a filha mais nova, que o encarou como se não visse problema nenhum no fato dela não precisar ver mais a própria família e ficar com eles. – E ela precisa descansar, sabe?
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  – Ela descansa comigo de tarde. – a menina retruca o pai, mas logo ouve da irmã mais velha.
  – Não descansa, não. Ela só finge.
  Helena olha para como se tivesse sido traída, e a babá abre um pequeno sorriso e arruma o cabelo dela, enquanto serve mais uma garfada de lasanha para Caique.
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  – Eu descanso um pouco.
  – Viu, Anna? Você pode morar com a gente, ?
  – Mas eu fico com saudades do meu papai. – responde Helena, que arregala os olhos, surpresa com a notícia. – Você não sente saudades do seu?
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  – Sinto. O seu papai também fica muito fora?
  – De dia e de noite. – diz. – Que tal você comer mais lasanha?
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  – Não quero…
  – Xiii, será que só o Caique vai comer a sobremesa?
  – Que sobremesa? – Eric, o mais calado dos 7, ergueu a cabeça com a notícia. – É pavê?
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  – De doce de leite. – sorri e vê as crianças comerem com mais fervor.

  – Tome, para o táxi. – deixa uma nota de 100 na mesa da cozinha, enquanto termina de arrumar tudo conforme orientação de Jussara.
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  – Está tudo bem, ainda tem ônibus neste horário.
  – É perigoso – o chefe diz, sério –, pegue um táxi. Como eu vou olhar para o seu pai, sabendo que fiz a filha dele voltar às dez da noite de ônibus?
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   abriu um pequeno sorriso de agradecimento, até se lembrar que precisava, sim, agradecer o chefe, e muito.
  – Obrigada por ter dado uma chance para o meu pai. Ele está muito feliz.
   balançou a mão.
  – Ele foi muito bem no teste. Melhor até que alguns outros candidatos mais novos. Foi uma escolha sensata.
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  A mulher queria dizer mais, mas não podia encher o chefe de agradecimento, poderia incomodá-lo.
  Permaneceram calados por muito tempo. Tempo o suficiente para ela se sentir incomodada. permaneceu em pé em um canto da cozinha, observando-a guardar a comida na geladeira. Quando fez menção de dizer algo, foi interrompido por Anna, que entrou na cozinha em busca da babá:
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  – Ainda bem que você ainda tá aqui! Caique fez xixi na cama.
   riu e pediu licença para , que não disse nada, apenas abriu espaço para a babá passar e ir em direção ao quarto de Caique.
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  Assim que a mulher saiu da cozinha, Anna olhou para , que desviava seu olhar para o celular. Abriu um pequeno sorriso, pois havia ouvido a conversa do pai com .
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  E apesar de ter somente 14 anos, Anna tinha maturidade o suficiente para perceber quando o pai mostrou interesse em alguém pela primeira vez em anos.
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Capítulo 5

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 14 anos
Felipe e Arthur – 12 anos
Eric – 9 anos
Helena – 7 anos
Caique – 3 anos

  – Desculpe.
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   suspirou. Achou que teria o final de semana inteiro para ela, conforme lhe havia prometido. Mas quando Lucas chegou às 5 da tarde com uma caixa de bombom e um olhar de quem estava arrependido, ela soube imediatamente que não poderia dormir até tarde no sábado.
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  Lucas explicou que as agências de emprego haviam esgotado o número de candidatas que se encaixavam no perfil de exigências de . As poucas que foram entrevistadas, ou não se mostraram boas o suficiente para o trabalho, ou desistiram assim que ele mencionou o número de crianças na casa. Estava, como disse veemente, de mãos atadas.
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  – Você sabe que eu tenho coisas para fazer na minha casa, não sabe?
  – disse que ficará em casa esse final de semana, mas… bem, não sei se isso vai mudar em algo. – Lucas disse com os olhos em seu relógio e no tablet em mãos.
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  Não iria mudar, ela sabia. , quando em casa, ficava o tempo todo no escritório. Na quinta, quando tentou trocar Helena, a fez chorar porque não soube arrumar o cabelo da filha. teve que salvá-lo, fazendo um penteado de princesa que levou cerca de 40 minutos, para a menina desfazê-la após 5 minutos, porque os grampos a pinicavam.
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  O plano de para o final de semana, era fazer uma faxina pesada na casa e lavar as roupas, já que as gêmeas não tinham o menor interesse em aprender, a mãe ainda não estava em condições e o pai… bem, ele era pior ajudando, do que ficando parando.
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  Mas, como sempre, não queria deixar na mão. Primeiro porque ele ajuda muito a família e é muito justo com o pagamento do salário e dos extras; segundo porque ele não exige mais do que ela oferece, se é que está insatisfeito com algo; por fim, a relação entre os dois está fluindo bem; o homem tem voltado mais cedo do trabalho e mostrado mais interesse nos filhos. Passou a ensinar inglês para Hugo e jogar videogame com Felipe. Combinou com Arthur de jogar futebol no sábado, mas ninguém realmente botou fé que aconteceria.
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  Por fim, o celular de Lucas tocou, salvando-o de ter de ouvir o pedido de por pelo menos um dia de folga, para que pudesse fazer seus afazeres domésticos. A mulher viu os olhos de Jussara e Paloma, que havia acabado de terminar toda a faxina e se sentou na mesa dos funcionários para tomar o café.
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  – Por mais que você seja uma ótima pessoa, precisa ter o devido descanso – Jussara disse, entregando o bule de café para Paloma, que concordou:
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  – Quando você se diverte, ? Você não sai com as amigas?
  A mais nova do trio abriu um sorriso sem graça. Em sua agenda não havia espaço para diversão. O momento que tinha para dedicar a ela, usava para dormir ou calcular as despesas da casa. Sentia falta de passar um dia inteiro no shopping fazendo compras com as amigas, mas elas já não existiam mais em sua vida, e o dinheiro para as compras também. Precisava guardar dinheiro para comprar uma residência própria. O novo salário do pai, que devido ao cargo de analista sênior com benefícios e direito a bônus, estava conseguindo acelerar a quitação da dívida. Apesar disso, nada mudou, pois grande parte do dinheiro continuava sendo exclusivamente para a situação, e ainda colabora muito com a família.
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  Ela preferia assim, não ter tempo. Não tinha tempo para fazer as coisas que gostava, mas, olhando pelo lado positivo, também não tinha tempo para lamentar os erros do passado e o que perdeu.
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  Mudou o assunto com as duas colegas de trabalho e passou a ouvir suas programações com a família. Jussara disse que Amélia havia ligado algumas vezes, mas que recentemente as ligações diminuíram consideravelmente. Sabia quão difícil era se desapegar de um hábito, e, assim como estava sendo, Amélia era muito ligada ao trabalho. Com a confiança de que tudo estava dando certo, a mulher passou a se preocupar menos com a situação da casa.
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  Às 11 da noite, Anna e Hugo chegaram com , que havia deixado para voltar para casa no momento em que teve de buscar os filhos na festa de Karina, a amiga de Anna. nunca viu a garota estar mais feliz. Entrou cantarolando e sorriu quando viu a babá:
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  – Você-é-demais! A Karina e as meninas morreram de inveja de mim hoje no Akira! – Anna foi correndo abraçar , que arregalou os olhos, surpresa, mas logo sorriu com a alegria da garota: – Ele falou que você é uma das melhores amigas dele, e quando eu falei, sem querer, o nome dos funcionários que me atenderam, ele logo me deu um tratamento de hidratação pro meu cabelo e pras minhas amigas. Por minha causa! Na festa da Karina, todo mundo falou que eu era a cliente favorita do Akira.
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  Anna falava sem parar do sucesso que havia feito. Sabia que a menina estava feliz porque finalmente recebeu a atenção e aprovação que buscava do grupo. Hugo não tirava os olhos do celular, deixando o casaco sem nem perceber que ele estava caindo no chão.
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  – A Giselle foi na festa hoje. Ele ficou babando nela o tempo inteiro.
  – Não fiquei! – ele gritou, sem graça.
  – Hugo, seus irmãos estão dormindo. – chamou-lhe a atenção. – E está na hora de vocês também dormirem, não acha?
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  – Pai, hoje é sexta! – Anna disse, alegre. – Eu vou falar com a Amanda. A gente combinou de se encontrar no Whats às 11h30. Tchau, tchau!
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  Os dois saíram correndo escada acima, deixando com para trás.
  – Obrigado – ele disse, quando ela pegou seu casaco para deixar no chapeleiro junto com os das crianças –, o que é esse Akira que a Anna veio o caminho inteiro falando que você conseguiu para ela.
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  – Ah… – a mulher riu, sem graça. – É um cabeleireiro muito requisitado. Só troquei o horário para ela, porque ela não estava conseguindo.
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  – Você é a nova heroína dela – ele disse, desabotoando os punhos da camisa e afrouxando o nó da gravata. – Fazia um tempo que não a via tão animada.
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   abriu um pequeno sorriso e pôs-se a terminar de arrumar os casacos em ordem de saída dos integrantes da casa. , no entanto, não disse ‘boa noite’ e nem subiu para o andar dos quartos. Permaneceu parado, os braços cruzados enquanto olhava para a funcionária deixar tudo em ordem.
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  A verdade era que era uma incógnita para . Era óbvio que ele havia pesquisado mais sobre ela e seu pai, e o que descobriu foi um enorme escândalo. Paulo havia sido tolo demais e afundou, junto de seu navio, todos os integrantes de sua família. No entanto, se compadeceu da situação do homem, pois, por mais que ele merecesse receber a punição por ter tentado agir de forma desonesta, não era fácil ceder aos encantos que a riqueza e o poder ofereciam.
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  Ele sabia muito bem.
  Olhou para a foto dos filhos, sorridentes, e como eles estavam prestes a se perder devido à falta da mãe e do pai. Se não fosse pela chegada de e sua paciência para lidar com 7 crianças, sabe-se lá até onde eles iriam parar.
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  Não que ele fosse igual a Paulo. Ele nunca agiu de forma desonesta, mas foi, um pouco, egoísta com seus filhos, deixando de dar-lhes atenção para tentar seguir em frente. Olhou ao redor, não vendo um resquício da vida antes das crianças perderem a mãe. Não queria pensar nela; embrulhava-lhe o estômago e lhe causava um mal-estar.
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  Focou sua visão em , que terminava de arrumar as almofadas no sofá e se preparava para se retirar e ter o merecido descanso.
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  – Você já jantou? – ele perguntou.
  – Ah, ia fazer um lanche…
   percebeu o alívio que sentiu quando a resposta de sua pergunta foi negativa, mas decidiu deixar de lado, para o próprio bem.
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  – Vamos pedir um. Eu pago.
  – O senhor não jantou?
  – O senhor está no céu. – ele resmungou, vendo o olhar surpreso. – Desculpe, mas acho muito estranho você me tratar com tanta cordialidade, sendo que não é tão mais nova que eu.
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  – Você é meu chefe. – ela explica o óbvio e, se não fosse tão óbvio, ele sentia que poderia retrucá-la com um “e daí?”.
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  – São praticamente 11h30 da noite. Você não vai querer entrar em uma discussão com o seu chefe, que não quer ser tratado com cordialidade e está faminto, a essa hora.
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   abriu um pequeno sorriso, achando engraçado o novo comportamento de , mas estava cansada e só queria entrar no modo automático. Aceitou o lanche que ele lhe ofereceu e, enquanto esperavam chegar, permaneceram sentados na mesa da cozinha com uma lata de cerveja cada um – a mando de .
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  Anna estava no paraíso.
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  Já fazia pouco mais de quarenta minutos que ela entrou em uma ligação pelo Whatsapp com a melhor amiga, e ainda não se cansou de ouvir sobre seu sucesso devido ao tratamento VIP que Akira deu ao grupo delas mais cedo.
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  – E o que você é da ? – Akira perguntou enquanto lavava os cabelos de Anna ele mesmo.
  Apesar de se fazer com frequência, Anna não era nada burra. Sabia que aquele era um momento importante, assim como também sabia que era alguma coisa de Akira, pois o homem desatou a falar vários elogios da babá dos .
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  – Ela trabalha para o meu pai – apenas responde, não querendo dar mais detalhes. “Babá” não é uma profissão admirada como “advogado” ou “médico”, apesar da maioria das famílias que Anna via, não viver sem uma.
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  Quando Akira orientou Anna a relaxar e aproveitar a massagem que ele faria em sua cabeça, os pensamentos da garota foram direto para . Tinha de admitir que gostava da babá; ela cuidava bem dos irmãos, não mandava em todos, nem abria um escândalo devido à pressão. Nos últimos 2 anos que os 7 filhos foram deixados aos cuidados de babás, Anna nunca viu uma com tanta paciência como . Talvez fosse por isso que Helena e Caique gostassem tanto dela, e que Eric não aprontasse como antes. Além disso, a tratava como uma adulta, e não uma criança. Ela ia fazer 15 anos em alguns meses, era grande o suficiente para tomar decisões.
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  Entretanto, o que mais fez Anna abrir os olhos para , foi o pai. Viu, durante a encenação de com um amigo que interpretou o goblin, os olhos de admirando com um sorriso no rosto. Perguntou-se quando foi que ele começou a encará-la daquele jeito; sua primeira reação foi querer chamar a atenção do pai, mas em seguida, viu como lidou com Helena e Caique.
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  Decidiu que, de todas as mulheres que conheceu e pensou na hipótese de ser sua nova mãe, era a melhor opção.
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  Por isso que, quando as amigas lhe perguntaram quem era , Anna apenas respondeu que talvez ela fosse ser a nova namorada do pai. Lhe perguntaram, também, se a mãe dela estaria bem com isso, mas Anna não respondeu. Não havia pensado na mãe e, honestamente, preferia ter continuado assim.
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  BAM! BAM!
  – Anna! – Hugo sussurrou na porta, parecendo desesperado.
  A irmã gêmea revirou os olhos e disse que “já voltava” para as amigas, e foi até porta de seu quarto, destrancando para o irmão, que entrou a jato e fechou a porta atrás de si.
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  – O papai e a estão comendo juntos.
  – O quê?! – Anna arregalou os olhos para Hugo, que bateu o pé no chão, impaciente.
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  – Fiquei com sede e fui pegar uma Coca, mas vi a luz da cozinha acesa e achei que era a arrumando. Só que então ouvi a risada do papai. Os dois estão comendo um lanche juntos.
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  Anna permaneceu calada por alguns segundos, antes de sair correndo para fora do quarto e, na ponta dos pés, descer as escadas para o primeiro andar e ir em direção à cozinha, para colocar em prova o que Hugo havia dito.
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  – Você usou um sapatênis em uma festa de gala? – ria para , que comia sorrindo para a mulher. – Ninguém te passou o dresscode?
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  – Arthur tinha corrido um pouco após comer e acabou vomitando nos meus sapatos. – ele explicou. – Não tive escolha, as lojas já estavam fechadas.
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  – Que morte horrível! – não conseguia parar de rir. Imaginou , em todo seu esplendor e beleza, entrando em um salão repleto de empresários importantes, vestindo sapatênis.
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  – Sinto que até hoje as pessoas que estavam naquele dia se encontram comigo e, antes de olharem para mim, dão uma olhada nos meus pés. – ele brinca, fazendo-a rir ainda mais.
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  Anna olhou para Hugo, que ainda tinha os olhos arregalados e a boca aberta. Cutucou o ombro do irmão e fez sinal para subirem.
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  – O que diabos ‘tá acontecendo ali? – Hugo se jogou na cama da irmã, que por sua vez, sentou-se na cadeira da escrivaninha. – O papai tá rindo. Rindo.
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  Os dois permaneceram calados, cada um com seu pensamento, até Anna olhar para Hugo e lhe perguntar, séria:
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  – O que você acha de ter uma nova mãe?
  – O quê?
  A irmã suspirou, em parte, não acreditando no que estava para dizer. Mesmo assim, achava que era o seu papel como mais velha dos 7.
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  – Eu acho que o papai gosta da .
  – Bem, agora está na cara. – Hugo apontou na direção da cozinha, onde os dois permaneciam conversando como se fossem amigos. – Você acha que a gosta dele?
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  – É claro que não! Ela deve enxergar ele só como o chefe dela. – Anna revirou os olhos. – Nós só temos que dar um empurrão. O papai é bonito e não sabe se cuidar sozinho. Já a consegue dar conta de todos nós sozinha, além de deixar a casa arrumada, mesmo sem a Amélia, a Paloma e a Jussara aqui. E – ela olha séria para Hugo, que engole seco para ouvir o que mais tinha de bom. –, ela é melhor do que aquela Flávia.
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  O garoto faz som de vômito e uma careta.
  – Eu acho que pode dar certo – Anna diz.
  – Qualquer uma dá mais certo que a Flávia.
  – Mas nós temos que fazer acontecer. A não enxerga o papai como namorado e ela não pode cansar da gente também.
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  – Ela não cansaria da gente, é paga para isso.
  – Ai, Hugo, deixa de ser burro! Ela tem que gostar da gente o bastante para continuar querendo ficar com a gente sem ser paga! Papai não vai pagar ela para ser nossa babá quando eles namorarem. Além disso… – Anna se sentiu envergonhada de falar aquilo com o irmão, mas não podia deixar de pensar que talvez ele sentisse o mesmo que ela, afinal, eram gêmeos e tinham uma conexão diferente das pessoas não-gêmeas. – Quem sabe assim, o papai passe mais tempo em casa.
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  Hugo imediatamente entendeu o ponto de vista de Anna e logo se esqueceu de ter sido chamado de burro. Apesar de não ser com tanta frequência como a irmã, sentia a falta do pai, principalmente sendo o superpai que era antes. Dessa maneira, concordou com a irmã e ouviu o que ela tinha para falar.
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  O plano era simples: fazer e se apaixonarem.

  O final de semana foi atípico.
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  Primeiro, nenhuma das crianças quiseram sair para brincar no parque do condomínio, nem para ir a casa de algum amigo, como sempre acontecia.
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  Segundo, não foi trabalhar e não permaneceu trancado dentro do escritório. Pelo contrário, no sábado se lembrou que havia prometido a Arthur que jogaria futebol com ele e disse que poderiam descer antes do almoço.
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  Terceiro e mais importante de tudo, os quatro Millers mais velhos estavam tratando com a maior adoração jamais vista até pelo próprio pai.
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  – Estranho – disse, no domingo, quando os 7 saíram para tomar um sorvete.
   olhou para o chefe, enquanto limpava o rosto de Caique, que queria comer o doce em uma velocidade maior do que conseguia.
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  – O quê? – ela perguntou, preocupada de ter feito algo estranho com a criança, na frente do chefe.
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   apontou para os dois pares de gêmeos, que conversavam na mesa ao lado e tomavam seus sorvetes tranquilamente.
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  – Eles não costumam se dar bem assim.
  De fato, o homem estava certo. Será que o motivo para tanta harmonia se devia à sua presença durante o final de semana inteiro?
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  Talvez ele devesse se dedicar mais aos filhos. Agora, com a presença de Paulo na equipe, parecia que as coisas estavam fluindo melhor e havia menos carga de trabalho para . O homem, em seu maior pique, aceitava todos os trabalhos, independente da dificuldade que teria, e mostrou-se disposto a aprender sobre tudo. Até então, só trabalhou 2 dias, mas já era conhecido por todos como o homem-foguete, por realizar seus afazeres rapidamente.
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  Olhou para , um ato que vinha fazendo com mais frequência do que julgava o normal, e pensou em como a filha era tão parecida com o pai. Paulo, apesar de ser o mais velho da equipe e ter sido reconhecido por algumas pessoas por conta do escândalo que havia passado, não se deixou abalar e manteve a postura, fazendo o que havia sido contratado para fazer. , mesmo tendo sido rejeitada pelos filhos no começo, agora era uma peça-chave para todos, mas principalmente para os mais novos.
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  – Pai, nós vamos comer fora? – Eric perguntou para o homem sentado ao seu lado. olhou para o garoto, que se encontrava o encarando após pausar o jogo em seu videogame portátil.
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  – O que você quer comer?
  Antes que Eric pudesse responder, Anna foi mais rápida, olhando para o pai.
  – A pode decidir!
  O irmão mais novo olhou bravo para a mais velha, que não percebeu, diante da animação de realizar seu plano. Eric olhou para Hugo, que geralmente era contra quase todas as decisões de Anna, mas a postura e o olhar do garoto diziam que ele concordava com a irmã, o que fez Eric manter-se calado, pois contra os dois juntos não tinha a menor chance. Contudo, a situação não passou despercebida pelos olhos treinados de , que lembrou-se do restaurante favorito do filho número 5, que facilmente era esquecido por não ter um irmão gêmeo com quem confabular sapequices, nem era novo como Caique e Helena, necessitando de atenção extra.
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  – Que tal irmos no Nino Cuccina?
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  O rosto de Eric se ergueu em surpresa e felicidade. A cantina italiana era o seu pedido de toda semana, mas dificilmente atendido, porque, além de sempre ser a minoria, a família também tinha uma cozinheira que fazia receitas italianas com muito talento.
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   podia estar um pouco ultrapassado com o comportamento dos filhos, mas soube identificar a alegria de Eric, o filho com quem mais se preocupava, diante da escolha de . Soube, quase de imediato, que a escolha da funcionária teve a intenção exclusiva de fazer o filho mais silencioso dos 7, feliz. Abriu um pequeno sorriso e não deu tempo dos gêmeos Arthur e Felipe, ou até de Helena, reclamarem, preferindo um lanche ou comida japonesa.
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  – Que tal ligarmos, reservando uma mesa? – ele disse, olhando para , que pegou o celular para discar o número do local. A reserva era um tanto difícil de ser realizada, mas não quando o nome mais citado na alta sociedade estava pedindo por uma mesa com 9 lugares. raramente saía para comer com os filhos, e ter seu nome ali em um final de semana, era a propaganda perfeita para o restaurante.
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  O pai da família de 7 filhos esperava tudo: algazarra, gritaria, discussão e até uma pequena guerra de comida; mas o que viu foram 7 crianças comportadas, conversando entre si – um pouco alto, mas que criança não grita? – que se ajudaram e comeram sem dar trabalho à babá, que não teve escolha senão conversar com o chefe.
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  Hugo e Anna trocaram olhares cúmplices durante a refeição, felizes por verem o plano dar certo. Sabiam que, se nenhum dos irmãos desse trabalho para , ela e o pai engatariam em uma conversa, já que não sabia muito bem como conversar com os filhos.
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  – ! – a voz de Caique soou impaciente. A babá estava dando atenção demais ao pai, que ouvia como se passar um final de semana inteiro sem trabalhar; aparentemente, era expert em não fazer nada que não fosse divertido antes do pai falir, então ela sabia quais as melhores programações para os filhos.
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  – Mas algo didático, como um hotel fazenda, pode ser uma escolha melhor.
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  Enquanto assistia dar atenção integral a Caique, que finalmente sossegou após ver que ela não voltaria a falar com o pai, manteve-se pensativo observando a interação entre seu filho mais novo e a babá. Abriu um pequeno sorriso sem perceber, mas que foi muito bem visto pelos filhos mais velhos. Para Anna e Hugo, o pai estava, aos poucos, se apaixonando por , quando, na verdade, o homem sentia profunda admiração e gratidão pelos filhos mais novos não sentirem a falta da mãe.
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  A vida após Cássia foi um tormento. Ao mesmo tempo que se preocupava com os 7 filhos, criou um muro entre eles, pois tinha medo do que enxergaria. Sentia-se culpado por fazê-los sofrer assim, mas não tinha coragem de encará-los. Quando viu, eles se acostumaram a ficar sem sua presença, o que lhe causou um mau-estar terrível, de modo que começou a forçar-se a trabalhar sem parar, como uma maneira de esquecer de seus problemas. Apesar de ser um gênio em ascensão desde muito antes dos filhos perderem a mãe, foi após o acontecido que verdadeiramente chamou a atenção não só do presidente da empresa, como de toda a alta sociedade brasileira. Foram inúmeras ofertas para sair do banco digital onde trabalhava, todas elas lhe agregaram mais valor, tornando-se um dos profissionais de TI mais bem-quistos.
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  Até então, não havia sentido, com o trabalho, o calor que sentiu no momento em que ouviu as risadas de Helena e Caique.
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  Quando o celular tocou, mostrando uma chamada do diretor de planejamento, não quis atender. Essa era uma vontade atípica vinda dele; sempre atendia todos os telefonemas sem nem pensar; pronto para resolver os problemas que tinham. Dessa vez, no entanto, queria manter-se observando a interação da babá com os filhos, afinal, era a primeira vez, em anos, que os 7 sentavam em uma mesa de refeição com ele, sem brigarem.
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  – Já volto. – ele anunciou, apontando para o celular. assentiu com a cabeça sem se preocupar; estava acostumada com as saídas repentinas do chefe para tratar do trabalho. Por outro lado, os filhos mais velhos não estavam nada felizes em ver o pai saindo da mesa.
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  – – Anna chamou a babá, após trocar um olhar cúmplice com Hugo –, você namora?
  – Eu? – ela ergueu as sobrancelhas, surpresa.
  – A não namora! – Helena respondeu pela mulher, que olhou para a garotinha mais surpresa ainda, soltando uma risada em seguida.
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  – Você quer namorar?
  – Bem… – ela ficou pensativa. Fazia mais de um ano que não pensava em romance. Sua prioridade era outra, por isso, não tinha tempo (e nem dinheiro) para sair e encontrar um pretendente.
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  – Sabe, eu acho que você devia namorar. – Anna disse. – Sei que meus irmãos te estressam muito e vi em um site que namorar é uma boa maneira de desestressar.
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   olhou Anna um pouco surpresa. Não sabia como responder a garota, era a primeira vez que ela demonstrava interesse por sua vida pessoal, portanto, não queria afastá-la de uma vez.
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  – Eu não tenho muito tempo para namorar, Anna. Acho que nenhum homem gostaria de namorar uma mulher que não tem tempo para ele.
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  – Eu gosto de garotas que me dão atenção! – Felipe se intrometeu e Arthur concordou com seu gêmeo. sorriu para a segunda dupla de irmãos e olhou para Anna, que tinha um semblante pensativo.
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  “Será que foi a resposta errada?” Perguntou-se.
  – E você, Anna? Tem alguém em vista?
  Imediatamente os olhos da filha mais velha mudaram para uma expressão mais dengosa e suas bochechas coraram com os pensamentos.
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  – Ela gosta de um nerd da série seguinte, mas se as amigas delas souberem, vai ser alvo de bullying na escola. – Hugo disse, comendo sua sobremesa e recebendo um olhar feio da irmã. – Eu sou seu irmão gêmeo, Anna, sei quando você gosta de alguém. Mas fica de boa, não vou contar para ninguém. Não sou fofoqueiro como suas amigas.
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  A garota revirou os olhos, murmurando algo que foi inaudível para .
  – Qual o problema de se gostar de um nerd?
  – Eles são nerds, duh! – Arthur riu. – Só sabem estudar.
  – O Calvin não é tão nerd assim. – Anna tentou se defender, mas só fez os irmãos rirem ainda mais.
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  – Até o nome dele é de nerd! – Felipe caçoou, enrubescendo a irmã.
  – Pois eu acho que Anna está certa de gostar de um garoto estudioso. – comentou, como quem não quer nada. Os garotos olharam para ela, prontos para caçoar da babá, mas ela foi mais rápida com sua explicação. – Quem estuda mais, sabe mais, e lá na frente entrará em uma universidade melhor e terá um emprego melhor.
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  – Eu que não vou estudar! – Felipe disse. – Vou ser jogador de futebol!
  – E quem vai cuidar do seu dinheiro? – perguntou.
  – O papai, claro! Ele trabalha em um banco.
   riu com a resposta do garoto. Se divertia com as soluções rápidas que todos tinham, como se a vida fosse fácil. O que mais gostava em sua profissão, é que conviver com pessoas mais novas que ela, a fazia se lembrar de como era quando tinha a mesma idade. Era mais corajosa e também imatura; mesmo assim, não tinha medo do futuro, mas sim, grandes expectativas.
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  – Então ele está no colegial, Anna? – perguntou para a garota, que assentiu. – E o que você gosta nele?
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  Ao verem que a conversa entre as duas continuariam, os três irmãos desviaram a atenção para uma conversa entre eles, sobre futebol e jogos de videogame. Helena comia seu doce e Caique estava paralisado pelo desenho que havia pedido para colocar para ele assistir. Dessa maneira, Anna pode ter toda a atenção da babá para si.
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  – Ele, hum, me trata bem.
  – É mesmo? Ele conversa com você?
  A garota assentiu, extremamente sem graça. Nunca havia falado sobre Calvin com ninguém antes, pois tinha vergonha e medo de ser julgada por gostar de um nerd. , melhor que ninguém, sabia quão maus os pré-adolescentes podiam ser, não medindo as palavras antes de verbalizá-las. Contudo, não achava que Anna devesse deixar de gostar de um bom garoto apenas porque outras pessoas não o achavam adequado.
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  – Nós temos aula de educação física juntos às vezes. O professor sempre termina a aula mais cedo, então ficamos conversando enquanto o Saulo não chega.
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  – E ele tem interesse em você?
  – E-eu não sei…
   sorria para Anna com muito carinho. Adorava o amor adolescêntico. Achava que era um dos melhores, apesar de ser aquele que mais trazia corações partidos. Mesmo assim, gostava da forma inocente com que era tratado. Anna, por ser a mais velha e não ter uma mãe para orientá-la, era ainda mais imatura do que provavelmente suas amigas, o que a tornava tímida no assunto.
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  – Você deve aproveitar o máximo que puder para gostar de alguém. – disse para a garota. – Quando nos tornamos adultos, tudo fica mais difícil, e então você sente falta da época da sua idade.
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  – O que tem de mais difícil na sua idade?
  – Hum… Temos outras coisas com o que nos preocupar: contas a pagar, planejar a vida, tentar sobreviver. – ela ri. – Muitas pessoas que eu conheço já estão se casando.
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  – O que você procura em um namorado? – Anna perguntou com segundas intenções.
  – Honestidade. Confiança. Respeito. Admiração. Carinho.
  – E amor?
  – O amor vem junto de tudo isso. – sorri. – Mas nem sempre tudo isso vem junto do amor.
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  Anna manteve-se calada, tentando associar todas as palavras que disse ao amor. Ainda era muito nova para conseguir ter uma visão mais profunda, mas podia entender que a babá só queria alguém para amar e ser amada. Alguém legal, como o pai.
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  – Você quer ter filhos? – ela perguntou, receosa.
  – Ah, quero! – ri. – Como deve perceber, eu adoro crianças. Quero ter as minhas um dia, quem sabe? Mas se não tiver, tudo bem, sempre poderei continuar sendo babá. Você um dia terá filhos, não é? – ela brincou, fazendo Anna rir.
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  A garota olhou para os irmãos no momento em que o pai entrou se desculpando por ter demorado tanto. Anunciou que havia pago a conta e que poderiam ir embora. Anna observou e , um ao lado do outro. O pai sorriu para a moça quando ela fez um comentário, o que fez o mundo da filha mais velha parar.
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  O sorriso do pai era o mesmo que ele lhe dava antes; há quanto tempo ela não o via?
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  Olhou para , que continuava a falar, mantendo o sorriso de por muito tempo estampado em seu rosto. Sem perceber, Anna também sorriu.
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  Estava decidida. cuidaria, sim, de seus filhos, mas não como babá.
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Capítulo 6

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 15 anos
Felipe e Arthur – 13 anos
Eric – 10 anos
Helena – 8 anos
Caique – 4 anos

  A volta de Amélia causou um tumulto maior do que esperava.
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  Quando imaginava a governanta da residência retornando, via as crianças voltando a obedecer as regras e ter tudo acontecendo de forma mais fácil. Entretanto, não foi exatamente o que aconteceu.
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  – Você o quê?! – , junto de Paloma, Jussara e Saulo, quase gritaram da cozinha.
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  Amélia estava bebericando café no segundo dia de seu retorno e fez o anúncio de que havia decidido se aposentar. As férias havia lhe levado para o Rio Grande Sul, sua terra natal, onde sua filha, que possuía uma bela pousada em Canela, cidade turística famosa até para as pessoas do Sudeste, disse precisar da mãe para lhe ajudar como gerente. Amélia era ótima com organização e sabia lidar muito bem com clientes e funcionários, mostrando-se indispensável para a filha. O marido, por outro lado, já era aposentado, o que facilitou para a decisão da mudança.
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  – Quando a cria chama, não há o que se fazer. – Saulo suspirou, sentando-se na mesa com Amélia.
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  – Até quando você fica? – Paloma perguntou, tristonha.
  – Estou fazendo a mudança da minha casa. Vou ficar essa semana arrumando tudo e sexta o caminhão vem para levar tudo para Canela.
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  – Mas vão contratar outra pessoa para ficar em seu lugar? – perguntou, esperançosa. Amélia, no entanto, olhou para ela com um sorriso no rosto.
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  – Me parece que não precisam de uma pessoa da minha posição mais. Você consegue lidar bem com tudo, . Estou satisfeita.
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  – Mas coitada, Amélia! – Jussara disse, como sempre, em seu tom de voz alto. – A menina mal tem vida fora dessa casa. Quando que ela vai arranjar um pretendente?
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  – Se você quiser, posso te apresentar a alguns amigos, ! – Paloma dá um leve cutucão em , que ri.
  – Obrigada, mas acho que vou ficar ainda mais indisponível para namoros. Eu estava contando com seu retorno, Amélia, para poder ter uma vida. – os cinco riram.
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  – Acho impressionante como as pessoas conseguem ser tão orgulhosas hoje em dia. Aquele garoto maluco não conseguiu ninguém para o turno da noite ainda? – Jussara perguntou para ninguém em específico.
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   manteve o sorriso no rosto por educação, pois a vontade era de revirar os olhos. Lucas parece ter diminuído a frequência na procura de babás, fazendo com que continuasse trabalhando de segunda a sábado, da manhã até à noite. passou a lhe pagar o dobro de seu salário, porque era o justo, mas andava se sentindo exausta e precisava de férias. Férias que não viriam, pois ainda não havia completado um ano de trabalho.
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  O que sequer imaginava, era que Amélia sabia o motivo pela qual Lucas não encontrava ninguém para ajudá-la. havia parado de cobrar o assistente, até o funcionário se esquecer e parar de procurar; só voltava à busca quando era cobrado por . O comportamento de não passou despercebido pela governanta, que percebeu, de imediato, a mudança no rosto do chefe. Trabalhara para a família desde o nascimento de Felipe e Arthur, por isso, sabia de praticamente tudo daquela família. Os tinha no coração, e achava que permaneceria com eles até não conseguir mais sair de casa para trabalhar; somente a própria família para fazê-la se mudar.
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  – Você conseguiu lidar muito bem com eles. – Amélia falou, no meio da tarde. Disse que iria acompanhar até o playground, onde Caique e Helena passariam cerca de uma hora brincando no sol, uma orientação médica. – Todos me contaram dos seus feitos. Parabéns.
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  – Ah… – sorriu, sem graça. Não sabia lidar muito bem com elogios profissionais, então apenas se limitou a olhar para baixo timidamente.
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  – Acredito que esteja na hora de você saber sobre a realidade da família . – a mulher disse, sentada ao lado da mais nova, ambas olhando para as crianças.
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  , no entanto, olhou confusa para Amélia. O que poderia ser? Já não conhecia a realidade de todos?
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  – O nome da mãe das crianças é Cássia. – Amélia disse, séria, alguns segundos depois. – Ela faleceu há pouco mais de dois anos.
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  A boca de abriu em um perfeito O. Ela, de vez em quando, via-se curiosa para saber sobre a mãe da família; o que poderia ter acontecido, se foi um escândalo como o que aconteceu na vida da família . Contudo, de todas as hipóteses, nenhuma tinha ela como falecida.
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  – Ela gostava de trabalhar, mas devido às crianças, foi obrigada a parar. – a mulher continuou – Esse foi o motivo pela qual eu fui contratada. Cássia queria ter mais tempo livre para poder ter a chance de voltar à ativa. Sua paixão era vendas. Uma amiga, pelo que me lembro, tinha uma loja e ofereceu uma vaga para Cássia após o nascimento de Eric. Ela voltou a trabalhar e, com frequência, passava um ou dois dias da semana viajando a trabalho. Fazia pouco mais de 8 meses desde o nascimento de Caique quando ela faleceu. Foi um acidente de carro, na estrada, indo para o trabalho.
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  “A morte dela foi um choque para todos, mas principalmente para o senhor , que fechou-se em seu próprio mundo. Cássia era o sol da família; ela era o centro de tudo, e o motivo pela qual todos se davam bem. Com sua morte, cada um se separou, perdidos em seu próprio luto. Os únicos que se mantiveram os mesmos foram Helena e Caique, por serem muito pequenos.”
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  As duas permaneceram em silêncio, presas em seus próprios pensamentos. Amélia lembrava de como eram as coisas quando a patroa ainda era viva; , por outro lado, imaginava toda a dor que a família passou e ainda passa, sem a presença da mãe e esposa.
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  – Estou lhe contando porque você agora já faz parte da família. Todos evitam falar na mãe, como se ela fosse um palavrão. O senhor não gosta que mencione o nome dela e, por isso, os filhos deixaram de chamá-la.
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  O que não sabia, era que o motivo principal pela qual Amélia estava lhe contando o segredo dos , era porque a governanta percebeu, em seu retorno, a mudança de ares na família. As crianças, quando em casa, diferente de antes, permaneciam o dia inteiro na sala, seja conversando com ou fazendo seus deveres da escola. Além disso, o chefe, que quase nunca era presente na residência, voltou, antes das dez, disse o porteiro da manhã.
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  Para Amélia, era inevitável pensar que a mudança na casa se deu pela presença de . Ficou tranquila em saber que a moça conseguiu fazer o que ela jamais pode; talvez por falta de sensibilidade, ou apenas porque fosse necessário alguém mais jovem aparecer. Soube, por Jussara e Paloma, que não reclamava de ter de permanecer o dia inteiro, às vezes a semana inteira sem voltar para casa, apenas porque não havia uma pessoa que pudesse trabalhar com 7 crianças. E antes que Amélia pensasse que estava saindo dos eixos com o chefe, as duas mulheres foram em sua defesa, dizendo que a garota jamais deixou de ser profissional, o que levou a mais velha de todas a compreender que havia chego para fazer a família voltar a viver.
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  Olhou para a moça, que prestava bastante atenção em Helena e Eric, enquanto Caique lhe gritava palavras aleatórias devido à afobação; sem se estressar, nem se atrapalhar, soube dar atenção ao mais novo, ao mesmo tempo em que dizia para Eric amarrar os cadarços do tênis e observava Helena ao fundo, brincando com algumas crianças de sua própria idade.
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  Caique, mesmo com sua altura, queria ir nos mesmos lugares que as crianças mais velhas que ele; no entanto, não tinha coragem o suficiente para subir e descer sem saber que havia o respaldo de , o que fez com que a babá seguisse ao seu alcance, puxada por sua mãozinha, apenas para caso ele quisesse desistir. De longe, Amélia se perdeu em seus pensamentos, lembrando-se de como as crianças eram antes da morte de Cássia. A maior mudança, apesar dos quatro mais velhos agora surpreendentemente se darem bem e se ajudarem, foi a de Eric.
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  O garoto de 9 anos que antes era alegre, de repente se mostrou sério e calado. Eric não era de falar, pois não tinha tempo; os irmãos mais velhos sempre estavam falando algo, e os mais novos gritando por cima deles. Contudo, a diferença estava no olhar; antes, Eric observava a todos com alegria e atenção, às vezes até arriscando comentar algo. Após a perda da mãe, o garoto raramente abria a boca para falar e, mesmo com acompanhamento psicológico, não foi possível voltar à personalidade anterior.
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  Contudo, Amélia se assustou ao vê-lo perguntar para se ela desceria com os irmãos mais novos, pois queria caçar Pokémon com o amigo da escola que também morava no prédio. Quando lhe perguntou quais Pokémons ele estava procurando, o garoto imediatamente falou sem parar e mostrou, no celular, a foto de alguns.
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  Foi o suficiente para a mulher saber que as crianças, e o chefe, estavam em boas mãos. Não havia muito na ficha de e foi um tiro no escuro aceitá-la para o cargo, mas vendo todo o resultado que a jovem trouxe, sem desistir, fez com que Amélia sentisse que fez um bom trabalho, antes de deixar a família.
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  Para a surpresa dos cinco que estavam no pátio brincando e observando brincar, estava em casa às 6 da tarde. Ele andava de um lado para o outro, enquanto os meninos o encaravam sentados, como se qualquer movimento brusco fosse fazer o pai explodir; Anna, por outro lado, falava sem parar que o pai precisava fazer compras.
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  – Posso ajudar em algo, senhor ? – a voz de Amélia ressoou no ambiente, fazendo todas as cabeças virarem na direção dela e de , enquanto os dois mais novos iam de encontro ao pai para lhe dar as boas vindas em um forte abraço.
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  – Papai disse que tem um evento para ir hoje, e que é importante. – Anna respondeu. O homem, entretanto, estava com os olhos presos em seu celular, como se aguardasse uma resposta.
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  – Que tal começarmos a tomar banho? Já fizeram a lição? – olhou para os três garotos sentados, que prontamente concordaram e correram para o segundo andar do duplex, aliviados por terem uma razão de não ficar olhando o pai.
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  Ela deixou Amélia e Anna com , que não parecia prestar atenção nas soluções que as duas ofereciam. Subiu com Helena e Caique, deu-lhes banho e colocou o pijama. Lucas ainda não havia encontrado ninguém; recentemente, o homem lhe perguntou se havia problema de ela iniciar o horário de trabalho na parte da tarde, já que seria mais fácil contratar uma babá para a manhã. disse que tudo bem, claro; se pudesse ter um tempo para si, seria de grande ajuda; as gêmeas estavam começando a ter retorno, ainda que muito lento, e passavam o tempo todo bagunçando a casa, em busca do cenário perfeito. A mãe, apesar de melhor, e o pai, que não passava mais as madrugadas em claro (exceto nos finais de semana, que permanece como motorista de aplicativo), não ajudavam muito na limpeza da casa. Em dias que ficava uma semana inteira nos , ao retornar para a própria residência, quase tinha uma síncope com o estado que a casa se encontrava, mas não tinha sequer tempo de fazer uma reunião de família para alinhar os problemas.
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  – , acho que meu pai está tendo um ataque cardíaco. – Anna entrou no quarto de Caique e Helena, sentando na cama da irmã enquanto esta se isolava no canto das pelúcias, em sua própria reunião de família.
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  – Não diga isso, Anna! – a babá lhe repreendeu baixo, para não causar maus entendidos na mais nova. – Amélia não conseguiu ajudá-los?
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  – Papai não nos ouve muito. Quer dizer, ele ouve e então desouve, sabe?
  A garota estava prestes a desabafar com , quando a porta do quarto abre repentinamente e aparece, olhando fixamente para a babá.
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  – Em um nível de 0 a 10, quão ruim é aparecer em uma reunião com a presidência sem companhia?
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  Então esse é o problema, pensou.
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   jamais foi obrigado a aceitar um convite de jantar na residência do presidente da empresa. Isso porque a empresa jamais se mostrou tão dependente de um funcionário, como tem dependido de no último ano.
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  No entanto, naquela manhã, o próprio homem veio pessoalmente até sua sala no 8º andar e o convidou para um jantar às 8 da noite. não teve escolha a não ser aceitar, e estaria tudo bem, se Thales, diretor da controladoria, não tivesse aparecido 10 minutos depois do presidente sair, para perguntar quem levaria como acompanhante.
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  – E eu preciso levar? – foi a resposta que deu.
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  Thales, uma das pessoas que mais vinha conversar com durante o horário de trabalho, não respondeu de imediato. Permaneceu encarando praticamente sem expressão nenhuma, como se esperasse que o homem risse e dissesse que estava brincando. Mas não era de fazer piadas desnecessárias.
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  – Quando o presidente de uma empresa chama pessoalmente uma pessoa para jantar em sua casa, significa que ele irá apresentá-la a algumas pessoas ainda mais importantes, como, por exemplo, os maiores acionistas. – Thales se sentou em uma das duas poltronas à frente da mesa de . – Ele provavelmente quer apresentá-lo como proposta para um cargo maior.
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   não respondeu Thales. Havia ouvido falar desses jantares, apenas foi pego de surpresa. A última vez que ouviram, na empresa, o presidente chamar alguém pessoalmente para jantar, foi Leonardo, do comércio exterior. Ele agora vive na Califórnia, porque se tornou acionista em apenas 5 anos.
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  – A coisa é: para ser de um cargo maior, precisa provar que você tem aptidão para isso. E não basta ser sensacional no trabalho; você tem que ter uma vida pessoal perfeita.
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  – Vida pessoal?
  – Geralmente, as esposas participam daqueles eventos beneficentes e reuniões de mulheres que acontecem no jóquei. Amanda adora. – ele se referia à esposa, que gastava metade do tempo jogando golfe, e a outra metade organizando eventos beneficentes com as amigas. Para Thales, era perfeito, podia aproveitar alguns deles para fazer algumas movimentações e fechar alguns negócios.
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  – A questão é simples, . O senhor Costa sabe que você é viúvo. E ele sabe que já faz dois anos. Você não precisa estar casado, mas precisa estar encaminhado. Arranje uma mulher para hoje à noite, ou talvez as coisas não se encaminhem do jeito que você deseja.
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  E ele desejava, muito, uma promoção. O único cargo acima do seu era o de diretor. Acima dele, apenas a presidência – algo que não tinha o menor interesse em ser –; mas diretor era uma boa posição. Poderia lidar com algumas equipes que lhe incomodavam, e transformá-las em algo melhor; além disso, a carga de trabalho diminuiria. Mesmo que a complexidade aumentasse, prefere gastar um longo tempo em um problema e ter a satisfação de saber que foi ele quem resolveu tudo, do que lidar com vários problemas pequenos que não levam a lugar nenhum; além disso, sobra tempo para ele se especializar em novos sistemas que podem ser importantes para o banco no futuro.
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  O problema é: ele não tem uma mulher.
  – Foi o presidente quem convidou? Ou a secretária? – a voz de surgiu no meio dos pensamentos de , que olhou para a babá com as mãos em seu filho mais novo, terminando de lhe colocar meias nos pés.
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  – O presidente–
  – Nove. – ela respondeu, sem nem esperar um complemento, surpreendendo . – Ele quer apresentá-lo para pessoas importantes.
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  – E…
  – E pessoas importantes se importam com as aparências. Ninguém gasta milhões com babás, carros enormes, escolas bilíngues e roupas infantis, só porque é legal ou faz parte da obrigação de pai e mãe.
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  Os ombros de caíram. Fazia anos que não se encontrava nessa situação de ter um problema e não conseguir resolvê-lo. A última vez havia sido a morte da esposa; ele podia ter todo o dinheiro do mundo, mas nada traria a mulher de volta.
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  Caique saiu correndo para o primeiro andar do apartamento, enquanto Helena continuava a reunião familiar das pelúcias. Anna, no entanto, olhava o pai com atenção e, quando olhou para , que encarava o chefe com certa dó, teve uma brilhante ideia:
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  – A pode ir com você, papai!
  Os dois adultos imediatamente olharam para a garota com os olhos arregalados, como se ela não pudesse verbalizar uma coisa daquelas na frente de outras pessoas.
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  – Você precisa de uma mulher para a festa, e a é uma mulher.
  – Não é bem assim, Anna… – sorriu, sem graça, para a garota. Ela podia ser muito mais madura do que as garotas de 14 anos, mas não entendia a complexidade que era levar sua babá para um jantar com o presidente da própria empresa.
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  , por outro lado, manteve-se calado. Não havia pensado nisso, e talvez estivesse, sim, incomodado de estar considerando e, principalmente, por não ter pensado nisso antes da filha. Olhou para e viu uma mulher jovem e bonita. Além disso, seu passado a faz uma pessoa perfeita para lidar com as conversas que viriam, pois cresceu em um ambiente assim, diferente até dele próprio.
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  – Por que não? – perguntou, fazendo quase perder a força nas pernas e Anna abrir um enorme sorriso. – É só um jantar, algumas horas. Você consegue lidar com eles, não consegue?
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   se perguntou o que o homem poderia receber, para aceitar levar sua funcionária como acompanhante em um jantar. Tudo bem, ela tinha classe. Cresceu fazendo aulas de etiqueta e era fluente em outras duas línguas além do português. Trabalhou em uma multinacional e chegou ao cargo de pleno. Mas a etiqueta é uma aula básica para a alta sociedade, como o português; e as línguas estrangeiras são um requisito básico para quem quer trabalhar. Por fim, o cargo foi arranjado, e não conquistado.
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  O mais importante de tudo, era que ela não estava preparada para encontrar pessoas que pudessem ter ouvido falar nela ou em sua família. É claro que sempre haveria esse risco; ela era a babá de uma das famílias recentemente mais bem-quistas de São Paulo, então uma hora teria que encontrar com outras famílias, seja em eventos ou em algum compromisso das crianças.
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  Jamais imaginaria que tal compromisso não fosse das crianças, mas sim do chefe. Cheio de pessoas importantes. Como sua acompanhante.
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  – , você precisa salvar o meu pai! – Anna disse, e, claro, assim como a babá sabia lidar com todas as 7 crianças, a mais velha sabia lidar com a babá, que adorava quando era chamada pelo apelido carinhoso que o mais novo dos irmãos deu a ela.
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  Suspirou e olhou para , que a encarava sério, aguardando por uma resposta.
  – As crianças ficarão sozinhas.
  – Podemos ficar sozinhas por algumas horas! – Anna protesta, olhando feio para a babá. – Meus irmãos não são tão terríveis assim… bem, um pouco terríveis. Mas eles podem se comportar… um pouco.
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  Os dois adultos permaneceram olhando para Anna, que tentava arranjar desculpas para garantir que nenhum dos irmãos pularia da sacada, botaria fogo na cozinha, se machucasse ou causasse a expulsão da família do prédio.
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  – Tudo bem, tudo bem! – disse, vencida pelo cansaço. – Se não for atrapalhar o senhor…
   olhou para e abriu um pequeno sorriso, agradecido por ela ter cedido. Olhou, então, para a filha, que encarava os dois com um sorriso bem maior que o do pai.
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  – Chame Saulo e vá com para o Iguatemi. – ele olhou para Anna, que abriu um sorriso ainda maior. – Compre as roupas para hoje, o jantar é às 8, sairemos às 7 e meia.
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  A babá olhou para Anna, que a encarou com a expressão de quem estava tramando algo. engoliu seco. Não gostava desse olhar, principalmente em garotas de 14 anos que são mais maduras do que as demais meninas da mesma idade.
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   pegou as chaves e conferiu as horas em seu relógio de pulso: 19h25. Colocou o paletó do terno e deu uma última olhada no cabelo recém-cortado. Respirou fundo. Não tinha como dar errado, mesmo que não fosse uma das mulheres do grupo que estaria no jantar, ela ainda havia sido parte da alta sociedade a vida inteira. E ele faria o possível para desviar as conversas que pudessem levar ao escândalo de sua família. Era o mínimo que tinha de fazer para a moça.
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  Desceu as escadas para o primeiro andar do apartamento, onde Lucas falava com alguém no telefone, próximo à porta de vidro que dava para a sacada. Seus 7 filhos estavam espalhados pela sala, entre brincar com lego, pintar livros de colorir, assistir à televisão e mexer no celular.
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  E então havia , sentada extremamente arrumada para uma moça que usava roupas comuns no dia-a-dia. Vestia uma calça pantalona preta e uma camisa gola V branca com detalhes em paetê. Usava joias (ou semijoias), que traziam o verdadeiro ar da riqueza de forma moderada. abriu um pequeno sorriso, pensando na diferença entre ela e algumas jovens da mesma idade que trabalhavam no banco, e se enfeitavam de roupas, joias e maquiagem para mostrarem que tinham dinheiro.
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  – Papai! – Anna se levantou junto com os irmãos mais velhos. Lucas, ao ver a comoção, desligou a ligação. – A não está linda?
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   ficou sem graça de chamar a mulher de linda na frente dos filhos, mas abriu um pequeno sorriso e disse:
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  – Está, sim. Está ótima.
  Anna fez uma careta, pois queria que o pai tivesse dito especificamente a palavra “linda”, mas teria que se contentar com o “ótima”.
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  – Ela não usou o cartão. – Anna devolveu para o pai. – Mas eu, sim! Compramos Starbucks!
  O homem olhou confuso e preocupado para , que ergueu os braços, como quem não queria que ele se preocupasse.
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  – Eu tinha roupas em casa.
  Ela pediu a Saulo que os levassem para sua residência, pois não conseguiria comprar nada para o evento no cartão do chefe. Além disso, já tinha em mente a roupa ideal para o evento; e assim evitaria que Anna ficasse chateada caso ela não aceitasse sua sugestão de roupa, que provavelmente seria espalhafatosa demais para uma mulher de 28 anos.
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  – Senhor – Lucas deu um passo para frente e, pela primeira vez para , ela viu o moço ignorar todos os seus aparelhos e, quem sabe, os pensamentos, para dar plena atenção ao chefe -, sobre a questão da família Seixas, já está tudo certo. Liguei para o senhor Seixas e confirmei que não houve alteração nenhuma na conta, e que os investimentos continuam da maneira que ele deixou no último dia 10, rendendo. Mandei um e-mail para fechar esse problema com o resultado, com o senhor em cópia.
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  – Perfeito, obrigado Lucas. – permaneceu sério olhando para o mais jovem, que parecia ter ganho o mundo com a simples menção de “perfeito” vinda da boca do chefe. – Acredito que voltaremos antes das onze, caso contrário, enviarei uma mensagem avisando.
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  – Sem problema, ficaremos bem, não é? – Lucas olhou para as 7 crianças, que praticamente ignoraram-no.
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  Caique, por outro lado, já estava pronto para sair com o pai e a babá, exceto pelo sapato, que ainda estava guardado em seu armário.
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  – Você não pode ir, Caique. – Eric falou para o irmão que, ao ver que ninguém o contrariou, abriu o berreiro.
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  – ! – o menino correu para os braços de e abraçou suas pernas. A mulher se abaixou e deixou ser abraçada pelo menino, que não queria ser separado da babá.
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  – Olha só, Caique – começou a dizer baixo, para que o garoto fosse obrigado a parar de chorar para lhe ouvir –, o papai vai lá para a toca do Goblin, só que ele precisa de ajuda e por isso a vai junto. Só que o Goblin não gosta de crianças, e nem o papai, nem a vão conseguir proteger você. Você tem certeza de que quer ir com a gente? Ou você prefere ficar aqui com seus irmãos e o Lucas? – ela se aproximou do ouvido do mais novo, mas disse alto o suficiente para Lucas ouvir. – Ele disse que vai comprar sorvete de chocolate de sobremesa.
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  Caique olhou para Lucas com os olhos cheios de lágrimas, e recebeu um joinha do moço, fazendo com que não tivesse escolha a não ser aceitar que tinha de ficar sem a babá por um tempo.
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  – Você volta?
  – Amanhã estarei aqui.
  O menino, soluçando, voltou para o lado de Eric, que continuou assistindo à televisão, não se mexendo nem quando o pai disse para se comportarem e não dificultarem para Lucas, mas no fim, ele mandou uma piscadela para Anna, que sorriu, feliz por ver o pai confiando nela mais do que em seus outros irmãos – que eram mesmo muito criança.
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  O caminho até o carro foi de silêncio. Quando entraram no carro de , o homem esperou uma ou duas ruas para começar a falar tudo o que achava necessário para aquela noite:
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  – É um jantar de negócios, mas talvez seria melhor se eles não soubessem que…
  – Eu sou a babá.
  – É. Não deve pegar bem.
   riu.
  – Acho que pode ser pior do que ir sem acompanhante.
  – Não que eu ache isso péssimo. – se vê na obrigação de falar. – Posso sair com quem eu quiser, independente do trabalho que a pessoa tenha.
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  – Assim é a alta sociedade. Não é fácil permanecer nela.
  Ele abriu um sorriso. Não era mesmo. Essa sociedade tinha regras além das que as pessoas comuns estavam acostumadas. Coisas que poderiam ser abomináveis para as pessoas, para eles eram normais e vice-versa. não foi aceito na alta sociedade de primeira; na verdade, nunca fez questão de fazer parte dela, mas Cássia, sim. A falecida esposa sempre quis fazer parte das festas e ter várias babás para os filhos; achava que assim seria a vida perfeita. No entanto, foi somente após seu falecimento, quando entrou de corpo e alma no trabalho, que ele finalmente foi aceito, pois acabou sendo peça-chave para a empresa e alvo de aquisição de outras. Viu, quando as pessoas começaram a querer se envolver com ele, o quanto tudo era por base da conveniência; ninguém verdadeiramente queria saber se você teve um bom dia, mas estar bem contigo e ter uma relação era importante. Poder falar “? Espere aí que vou ligar pra ele e resolver” era mais importante do que sair em busca da solução e se destacar.
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  – Sei que pode ser difícil para você – disse, assim que virou a rua onde o presidente do banco morava –, talvez você conheça algumas das pessoas que estarão lá.
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   sabia. Pensou nisso a tarde inteira e provavelmente o caminho inteiro até onde estavam. Caçou em sua memória quem, da turma que ela conhecia e que poderia ser um problema reencontrar, tinha acesso à roda que provavelmente estaria naquele jantar. No fim, ela apenas suspirou e aceitou o fato.
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  – Está tudo bem. Eventualmente eu teria que encontrá-los.
  Enquanto anunciava sua chegada para a portaria, que providenciaram uma vaga para seu carro na garagem, pensou, admirado, em tudo o que passou nos últimos anos devido às escolhas de seus pais, e como chegou até ali de cabeça erguida, sem medo de enfrentar os fantasmas do passado.
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  Subiram o elevador após o andar ter sido liberado para os convidados e, ao chegarem, viram que todos já se encontravam ali, talvez por terem combinado de chegar antes.
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  – ! – Tulio, o anfitrião, abriu os braços ao ver um de seus melhores funcionários sair do elevador com sua acompanhante. – Estávamos falando agora mesmo de como resolveu a burrada que aquele Silva fez.
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   viu o chefe abrir um sorriso modesto e manter-se calado, cumprimentando aqueles que conhecia e esperar ser apresentado aos que não conhecia.
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  – Achei que viria desacompanhado, , que bom saber que encontrou alguém. – Sandra, a esposa de Tulio, disse, como uma boa anfitriã.
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  – Não sei como – Tulio disse, sorrindo para –, ele passou os últimos anos enfurnado em seu escritório. Vocês utilizaram esses aplicativos? Nossa filha mais velha surgiu com um namorado que veio daí. Até que o rapaz é bom.
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  – Caso contrário, você não o teria colocado para trabalhar no banco. – Ricardo, vice-presidente, gargalhou com as demais pessoas ali.
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  – Eu não poderia esperar o moleque se casar, nós não praticamos nepotismo.
  “Não tão diretamente.” Todos pensaram, mas mantiveram-se calados.
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   observou discretamente todos os convidados, mas sorriu com toda sua atenção para Sandra, quando esta veio lhe cumprimentar. Entrou à mulher o vaso de flores e as velas Jo Malone que havia comprado durante a tarde no shopping.
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  – Que adorável, obrigada por pensar em mim.
   viu, imediatamente, os olhos da esposa de seu chefe sorrir para . Sua companheira, de fato, sabia como lidar com aquelas pessoas. Pouca gente se lembrava da esposa de Tulio, já que ele trazia tanta presença por si só, mas a melhor maneira de chegar ao homem, era através de sua mulher, e a maneira mais fácil disso acontecer, é tendo uma ótima primeira impressão.
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  – ?
  Certo. Estava tudo sob controle. tinha certeza absoluta que encontraria com algumas pessoas de antes, mas não que seria justamente ele. Olhou em sua direção e sentiu o estômago embrulhar quando viu Vitor, seu ex-namorado, acompanhado justamente dela, Alina.
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  Se Anna tem Karina para lhe infernizar a vida, na de , essa pessoa é Alina. Filha de um dos maiores juízes da época – agora desembargador -, foi a primeira a espalhar para todos a acusação de Paulo – ainda que seu próprio pai fizesse parte da falcatrua, ninguém se importou ou pareceu se importar -, antes disso, no entanto, era uma das melhores amigas de , com quem fazia todas as viagens, nacionais e internacionais, e planejava todo o futuro juntas. Foi, inclusive, quem proibiu todas as outras garotas do grupo de deletarem , ela tinha certeza.
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  Os dois estavam um pouco atrás de Tulio, Vitor em seu melhor visual, com os cabelos bem arrumados e o terno completo, como nunca gostou de se vestir. Alina, por outro lado, vestia-se de forma parecida com , simples, mas muito rica. Nenhum dos dois pareciam confortáveis em vê-la, mas estavam surpresos com a aparição repentina da ex-melhor-amiga e ex-namorada com aquele que era a pessoa mais esperada da noite.
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  – Ah, vocês a conhecem? – Tulio perguntou, percebendo os olhares de reconhecimento dos três. observou , que mantinha-se parada, os lábios levemente curvados para cima, em uma tentativa, para ele falha, de enfrentar o casal à frente. Aquilo não podia ser boa coisa.
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  – É… – Vitor disse, sem graça. – Vagamente.
  Imbecil. pensou. Vagamente? Tudo bem. Era melhor do que dizer ‘sim’ e começar a noite com a exposição de sua família; ainda assim, incomodava ver pessoas com quem ela dividiu seus maiores segredos e intimidades a tratando como uma estranha, e pior, estarem juntos.
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  – Faz muito tempo que não nos falamos. – Alina, diferente de Vitor, se mostrou mais à vontade com a situação, mesmo tendo o choque inicial. – Como vai, ?
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  – Muito bem, e você? – a mulher lhe respondeu, o queixo erguido. Viu o olhar de diversão de Alina; ela adorava um desafio, sabia, assim como também sabia que se abaixasse a cabeça e fingisse que não se lembrava dela, a divertiria ainda mais.
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  E , apesar de ter passado por tudo que passou, tinha enraizada em si, a mania de não perder o orgulho à frente de pessoas que não mereciam.
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  – Ótima, como pode bem ver. – respondeu a ex-amiga, enlaçando o braço no de Vitor, que abriu um pequeno sorriso, mostrando-se mais à vontade, agora que parecia que estavam a dois anos atrás.
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   sabia que havia perdido aquela briga. E sabia que perderia muito mais; mas ela sabia perder. Perdeu tudo, afinal. O que ela aprendeu, entretanto, principalmente com as crianças para quem trabalha, é sempre esperar o momento certo para se ganhar.
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  E não importa quanto tempo leve, o momento sempre vem.
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Capítulo 7

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 15 anos
Felipe e Arthur – 13 anos
Eric – 10 anos
Helena – 8 anos
Caique – 4 anos

  Eles se conheciam, tinha certeza. Observou a maneira como se tornou mais calada do que quando teve o primeiro contato com Sandra. Quando o tal casal Alina e Vitor não estavam perto, ela conseguia conversar com mais leveza, sem se importar com a resposta que receberia, no entanto, Alina, principalmente, não estava disposta a dar uma folga para . sabia que havia um motivo pelo qual aquilo estava acontecendo: tem um segredo que pode abalar tanto o jantar, quanto ele, e Alina sabia muito bem dessa carta na manga.
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  – Pois eu acho que os Estados Unidos já não é mais o foco das compras, mas sim a Europa. As pessoas pensam tanto em quantidade, falando de outlets, que se esquecem da qualidade. – Alina diz, com propriedade, tendo a maioria das mulheres e homens concordando com ela. – Não acha, ?
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  Era isso. sabia que Alina estava aguardando a oportunidade perfeita para brincar com ela. Era como um gato e sua presa, brinca até se cansar e então o devora.
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  Ela olhou ao redor e toda a mesa a encarava com interesse. Não havia falado muito nas conversas em que todos estavam envolvidos, mas agora Alina a havia exposto de vez, e não tinha como fugir.
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  – Eu concordo que as pessoas pensam muito em quantidade, ao invés de qualidade. Mas não acho que a Europa seja o foco principal. Acredito que estamos falando de pessoas que podem comprar sem se preocupar com a conversão, não é? – ela ri graciosamente, fazendo alguns rirem, dizendo que era óbvio. – Comprar no Brasil é muito mais do que na Europa. Eu, pelo menos, gosto de dizer que fui no JK e comprei uma Chanel porque eu quis.
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  Imediatamente, as pessoas mais importantes, como Sandra e Andressa, as esposas do presidente e vice-presidente, riram e concordaram, o que fez com que os demais também reagissem.
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  – Se você tem dinheiro para comprar uma Chanel no Brasil, com certeza tem dinheiro para comprar sua passagem de primeira classe e ir para Paris. – Tulio falou, entre risos. – Tem razão, !
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  Alina sorriu por educação, é claro, mas sabia que ela estava aborrecida por ter sua tentativa de expô-la, frustrada. As duas trocaram um olhar sério; uma, dizendo que a guerra ainda não havia acabado, a outra, que não facilitaria.
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  Sentado ao lado de , permaneceu calado a maior parte do tempo, exceto quando o assunto era trabalho e coisas relacionadas aos patrões. Não sabia muito sobre a alta sociedade e acreditava que a melhor maneira de lidar, era observando. Contudo, viu, através de , que essas pessoas só sabiam atacar; precisava ser cuidadoso; enquanto as mulheres eram venenosas, os homens, por outro lado, usavam-nas de escudo.
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  – O que você acha, , da obsessão de pelo trabalho? – Ricardo, o vice-presidente, perguntou durante a sobremesa.
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  A mulher levou um tempo para responder. Antes, olhou para , que tentou, através do olhar, mostrar qual seria a resposta adequada; mas sabia qual era a melhor resposta a se dar.
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  – Eu o conheci assim, por isso, não me incomoda. – ela abriu um pequeno sorriso, mas não o suficiente para as pessoas confundirem a mensagem. Ela estava sendo terrivelmente honesta e tímida por expressar essa opinião. As pessoas ricas gostam desse tipo de pessoa.
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  Tulio balançou a cabeça, aprovando.
  – É importante ter alguém que entenda a importância do trabalho na vida de um homem. – ele diz. – Além disso, ter suas próprias preocupações faz com que não haja brigas dentro de casa.
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  Mesmo com todos concordando, todo mundo sabia o que Tulio realmente queria dizer. Se o casal não é fruto de um amor, então cada um pode arranjar o seu parceiro e parceira, e continuar os dois lados felizes.
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  Sandra, por outro lado, sorriu para ; um sorriso de quem havia entendido o recado da mais nova, algo que, pelo jeito, a maioria das pessoas não havia entendido. Para ela, o que a moça realmente quis dizer, era que não importa o que fizesse, contanto que continuasse fazendo o que faz de bom: ganhar dinheiro e proporcionar seu prazer.
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   soube que havia conquistado os dois lados assim que todos se levantaram para tomar um drink após a curta sobremesa – que ninguém realmente comeu. Alguns dos homens acenderam seus charutos, enquanto as mulheres preferiam o cigarro eletrônico. aproveitou o tempo para ir ao banheiro retocar a maquiagem. Ao sair, não foi uma surpresa encontrar com Alina parada com os braços cruzados.
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  – Então é assim que você vai acabar com a dívida do seu pai? Correndo atrás de novos ricos? – ela sorria, enquanto os olhos passeavam pelo corpo de . – Essas roupas não são, sei lá, de anos atrás?
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  – São. Reciclar é o novo trend, você deveria estar bem orgulhosa, está fazendo muito bom uso do meu lixo. – respondeu, vendo o sorriso presunçoso de Alina sair dos lábios.
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  – Você está muito ousada para uma puta, .
  – E você, muito confiante para um descarte, Alina.
  Ambas sabiam que aqueles adjetivos não mexeram em nada na outra. Elas já haviam lidado com ofensas maiores e tentativas ainda mais humilhantes de fazerem-nas passar vergonha. Mas uma não sabia da vida da outra, então tinham de usar o que precisavam. Alina, entretanto, tinha vantagem.
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  – O que seu namorado e as pessoas daqui vão dizer, se souberem quem você realmente é? Sua família podre ainda não saiu de São Paulo?
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  – Bem, se há espaço para a sua, com certeza há para a minha. – sorriu. – Meu pai realmente foi um tolo – ela olhou para as próprias unhas –, mas não é ele quem faz a minha vida. Como pode ver, sou muito mais inteligente que ele, ao contrário de você, pelo que vejo. Continua agarrada na aba do papai espertinho?
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  – Meu papai pode acabar com vocês de novo, se eu quiser.
  – Bem, isso teremos de ver. Ele pode ter os contatos, mas você sabe… não será fácil. – sorriu. – E você sempre pode acabar ainda mais com a vida das pessoas, assim como fez com a Renata. Seu namorado sabe que você é uma assassina, Alina?
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  O silêncio pairou por um segundo. Tempo o suficiente para as duas saberem que havia ganho aquela batalha. Alina descruzou os braços e deu um passo para frente.
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  – Não fui eu quem fiz aquilo e você sabe. Posso colocar você como cúmplice.
  – Tenho vários álibis, lembra? Vai pedir para o seu papai acabar comigo também? Ou será que ele irá abrir mão de você como fez com a sua mãe?
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  Ela estava passando dos limites. Precisava parar. Não podia simplesmente usar todas as fraquezas de Alina contra ela, logo no primeiro encontro. Sabia que ela viria mais forte na próxima vez, então precisava guardar cartas na manga, caso contrário, seria perda na certa. E ela podia aceitar a perda, mas não através das verdades que Alina lhe contaria.
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  – Tome cuidado, . Você pode ter vivido uma vida entre nós, mas não faz mais parte do meio. No fim, será exatamente como aconteceu com seu pai, você será a culpada e eu serei a vítima.
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  – Nem todos os casos dão o mesmo resultado.
  – Os casos em que eu estou envolvida, sim.
  E o pior, é que sabia que era verdade.
  Alina abriu um pequeno sorriso.
  – Não tente fazer nenhuma gracinha, querida. Ou eu posso sentir vontade de acabar com o novo trabalho do seu papai no banco.
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  Dessa vez, a mulher não soube conter a surpresa, o que deixou Alina ainda mais confiante.
  – Nós sabemos de tudo, . O seu pai conseguiu o emprego, porque a raiz assim permitiu. Se um deles decidir voltar atrás… – ela faz o sinal de morte, passando a ponta do polegar no pescoço.
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  Com um sorriso vitorioso no rosto, Alina se afastou de , fazendo o ar voltar a rodar entre o corpo. respirou fundo, contendo a vontade de gritar e chorar. Odiava Alina. Odiava o fato dela ser uma vaca e muito boa nisso. Odiava ter amado Vitor e agora ver ele com a pessoa que ela mais odeia. Odiava ter um pai fraco, mas que também tinha esse mesmo detalhe como qualidade.
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  Odiava sua vida.
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  O caminho de volta foi silencioso. estava perdida em seus próprios pensamentos, e estava respeitando o momento dela. Eram pouco mais das dez quando todos começaram a se retirar. e logo seguiram o rumo e Sandra fez questão de chamá-la para um almoço em breve, que, por educação, disse ser ótimo. Alina e Vitor não se despediram de e , o que não foi surpresa para ninguém, já que os dois casais mal se falaram durante o jantar.
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  Vitor era um dos prodígios na área de finança. Ele estava lá abaixo de Thales, o diretor da controladoria, que, por um tempo indeterminado, estava cuidando da equipe de finanças junto com . No entanto, não era papel de lidar com os funcionários; Thales era melhor na lábia. Ele, por outro lado, resolvia, de fato, todos os problemas. Vitor tentou evitar, o máximo, . Primeiro, porque não tinha o que falar com ela; a maneira como haviam terminado não foi pacífica e ele não foi o melhor cara do mundo com ela. Segundo, porque ela era a companheira de , o favorito de todos os diretores, presidente e vice-presidente, ou seja, um homem blindado com quem ninguém podia se meter. Por último, Alina. Não podia fazer nada de errado com ela, pois era a pessoa que mais estava lhe ajudando, e apesar de não ter sido legal ser visto com ela por , não havia nada que a ex pudesse fazer, para acabar com ele. Exceto ser uma vaca como muitas mulheres eram, e pedir para acabar com ele.
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  – Me desculpe por colocá-la nessa situação. – ele começou a falar, pouco tempo depois, quando já havia passado tempo o suficiente desde a saída da cobertura dos Costa.
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  – Está tudo bem. – ela sorriu. – Não sou a melhor pessoa enquanto na presença deles, mas acho que deu certo com o seu chefe, não foi?
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   abriu um sorriso. Gostava de como ela transformava as coisas complicadas em algo simples, ou simplesmente tirava o foco do problema. Ela havia salvo a vida dele de novo.
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  – Está com fome?
  – Faminta. – ela olhou para ele, suplicando por uma refeição mais adequada. – Odeio jantares de negócio.
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  – Nunca comemos. – ele concorda, virando a próxima rua à direita, quando era a esquerda que levava para a residência dos .
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  – Nunca.
   queria perguntar mais para . Ele havia recebido uma oferta? Era um jantar teste? Ela estragou algo?
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  Mas agora não era mais uma acompanhante do promissor da empresa, e sim a funcionária que cuida dos filhos do homem. Suspirou. O que tornou as coisas menos ruins com certeza foi o fato de ter sido a acompanhante justamente de . Se fosse qualquer – literalmente – pessoa daquele jantar, ela talvez já estivesse em casa, chorando e possivelmente demitida. Mas estava ali como uma aposta do presidente, e o homem raramente errava. O fato de outras empresas semanalmente entrarem em contato para saber da disponibilidade de também ajudava na decisão. Não podiam perder a pessoa mais requisitada de toda a empresa.
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  Os dois acabaram em uma lanchonete 24h e acharam graça de estarem tão bem vestidos, comendo em um lugar daqueles. Mas não havia restaurante chique aberto quase às onze da noite, mesmo sendo São Paulo. Enquanto sentados, saborearam o lanche que encheu a barriga dos dois e pediram uma sobremesa bem calórica, porque mereciam.
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  – Se eu for receber a promoção, irão me mandar tirar férias de algumas semanas, ou quem sabe um mês. – voltou a começar a conversa.
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  – Por quê? Você tem férias a vencer?
  – Isso, e o fato de ser um hábito da empresa premiar a pessoa com um descanso antes da turbulência.
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  – Achei que ser diretor diminuiria a quantidade de trabalho.
  – A quantidade, sim. Mas a pressão, não. Além disso, o começo é sempre difícil. Pode ser que você tenha que lidar com pessoas na sua equipe que não quer, mas não pode demiti-las.
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  O mundo corporativo não era fácil, mas quando se trata de posições mais altas, torna-se ainda mais difícil e burocrático. sabia que muitas pessoas preferiam receber um aumento, do que uma promoção, porque a cada escada que se sobe, o desafio se torna cada vez maior. Por sorte, ela sempre foi corajosa em realizar as tarefas que lhes eram passadas; algumas, entretanto, não era exatamente ela quem fazia. Coisas do passado.
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  Observou com bastante atenção o chefe. Em casa, ele era a máxima autoridade, enquanto que naquela noite, parecia um peão dentre vários no tabuleiro. Pode ver como ele usava do carisma e inteligência para lidar com as demais pessoas e, às vezes, seus comentários desnecessários.
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  Ainda assim era um homem jovem. Estava em dia com a sua saúde. não sabia se ele tinha amigos, pois não dedicava quase parte nenhuma de seu tempo para sociabilidades. Ela, inclusive, não sabia como era a vida fora do trabalho e da família de – não que ela precisasse saber, afinal, um funcionário não sabe de tanto da vida do chefe -, mas ele jamais, desde que ela entrou no trabalho a pouco menos de um ano, mudou sua rotina trabalho-casa-trabalho. Apenas recentemente foi possível vê-lo mais em casa, diminuindo um pouco sua carga de trabalho para dar atenção aos filhos.
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  – O que a fez querer trabalhar? Imagino que, assim como Alina, você tivesse um futuro mais ligado à uma vida socialite. – , de repente, perguntou à , que ergueu as sobrancelhas em surpresa, mas não se deixou abalar pela pergunta vinda do chefe.
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  Lembrou-se de quando se mudou para o apartamento onde a família atualmente vivia. As gêmeas desataram a falar xingamentos e reclamações sobre tudo e todos, a mãe caiu no choro e o pai parecia ter voltado de uma guerra. A barba começou a crescer, os olhos tinham olheiras enormes e os cabelos estavam mal arrumados. Haviam tido sorte de conseguirem aquele apartamento em um condomínio enorme. Devido à quantidade de residências no prédio, ele era isento de IPTU, e a família só precisava lidar com o aluguel e condomínio. Mesmo assim, não era fácil com a multa aplicada de que qualquer dinheiro que entrasse, 80% fosse desviado para a quitação das dívidas.
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  A primeira semana, com certeza, foi a pior. Tudo ainda era muito recente, ninguém queria acreditar que aquela seria a nova vida, e que não, a família não estava fazendo parte de um reality show. Demorou um tempo para o pai conseguir se achar com a profissão de motorista. se lembra exatamente do que a fez se levantar e tentar algo: a sensação de inutilidade e o nublado que enxergava em seu futuro.
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  – A vontade de se sentir útil, eu acho. – ela disse, ainda pensativa e incerta sobre a resposta. Talvez fosse mais que isso. Ou talvez fosse menos. – E de sair de casa. Com exceção do meu pai, o resto da família entrou em um tipo de luto. Na primeira semana faz parte; perder tudo, do nada, não é fácil. Mas na segunda semana a ideia tornou-se um fardo e ver que ninguém fazia nada para mudar começou a me causar um comichão.
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   abriu um sorriso. Sabia o que ela queria dizer. Lembrou-se, ele mesmo, de quando Cássia morreu e ele permaneceu três dias inteiros olhando para as crianças chorando ou perguntando pela mãe, e ele sem saber exatamente o que fazer. Amélia o ajudou em tudo e, quando ele deu por si, viu que ela sabia perfeitamente como lidar com os 7, com a ajuda dos demais funcionários. Em um ato de desespero, fugiu para o escritório às 9 da noite e permaneceu lá dois dias seguidos, com a desculpa de que o trabalho acumulado havia lhe dado problemas.
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  Os dois trocaram olhares, um pensando no outro, em como lidaram com o problema quando o mundo deles acabou. Em como o outro é forte. E o que eles fariam se estivessem no lugar do outro.
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  – Cássia, a mãe das crianças, faleceu há 3 anos em um acidente de carro. – disse, olhando uma família entrar rapidamente e os pais se enrolarem com a animação das crianças, em um horário perto da meia-noite. – Ela era o porto seguro de todos nós.
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  – Sinto muito.
  Ele balançou a mão, como quem dizia que era coisa do passado.
  Só que, na verdade, não era tão passado assim, pensou em seguida. Essa era a primeira vez que mencionava o nome da ex-mulher desde sua morte. Não havia pensado nela, nem na situação desde o ocorrido; muito pelo contrário, evitava o máximo que podia.
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  – Ela sabia lidar com 7 crianças e um trabalho. Eu não sei como, mas ela conseguia. – ele abriu um pequeno sorriso. – Mesmo que o trabalho lhe ocupasse metade da semana, ela conseguia lidar com os 7, gritando e berrando em seu ouvido.
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  – Ela devia amar muito as crianças e o trabalho.
  – É… – ele respondeu, ausente. Lembrou-se de como achava ela incrível quando, à noite, esquentava a comida preparada por Jussara e alimentava os filhos. O cansaço estava estampado nos olhos da mulher, mas ela ainda assim terminava de alimentá-los, dava-lhes banho e os colocava para dormir todos os dias. – Ela sabia conversar com eles.
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  O sorriso triste no rosto do homem incomodou . Sabia que ele estava dando seu melhor para conciliar o trabalho e as crianças, e queria que ele tivesse sucesso. Mas ele não era um homem de muitas palavras, apesar de ser bom em agir.
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  – Quando elas são crianças, você não precisa conversar. – diz, tomando sua atenção de volta para ela. – Você apenas deve mostrar interesse nas coisas que elas falam. Ontem, Caique começou a falar sobre tratores. Não sei nada sobre tratores, mas fui levando a conversa; se ele não sabia responder, mudava de assunto; se ele via que eu não estava entendendo, mudava de assunto; se perdia a paciência, mudava de assunto. – ela riu. – O segredo é ter paciência e dedicar um tempo exclusivo para cada um deles. 5 minutos é o suficiente. – ela faz o número com a mão, surpreendendo o homem. – É o tanto que eles conseguem focar sem perder o foco.
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  Os dois riram.
  – Você faz parecer fácil.
  – É fácil. Eu tenho muito mais facilidade de conversar com Caique, do que com Felipe. Não entendo nada de futebol e ele só sabe falar disso.
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  – Ele acha que será jogador de futebol. – balança a cabeça, mas para pra pensar. – Será que eu deveria colocá-lo em um clube de futebol?
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   o encarou com um sorriso no rosto. A resposta, percebeu, era óbvia. Por que ele estava gastando o tempo do menino, que claramente amava o esporte, colocando-o em outras atividades extracurriculares?
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  – Existe um bom clube para isso?
  – Existem vários. Tem um, eu acho que consigo ligar amanhã e ver se há vagas. Talvez eles deixem você levar o Felipe para fazer um teste. Eles costumam receber olheiros, então não aceitam qualquer criança.
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  – Você acha que Felipe pode virar um jogador profissional?
  – O sonho e a força de vontade, ele tem. – ela ergue os ombros e diz como se dissesse “não custa nada tentar”.
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  O homem sorriu e balançou a cabeça, mal acreditando que estaria começando a investir no futuro de um de seus filhos logo mais.
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  – E Arthur?
  – Ele não mostrou interesse em ser jogador de futebol?
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  – E o que ele gosta de fazer?
  “Aprontar.” Ela pensou, mas preferiu não verbalizar. Pensou no filho número 3, que geralmente seguia os passos do irmão mais velho, Hugo, e, como este não estava em sua melhor fase, o mais novo também se obrigava a não estar.
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  – Talvez ele precise de um tempo sozinho para decidir o que quer por si só. Vai ser bom ele se separar de Felipe e Hugo. Será um momento para ele ter mais liberdade de escolha.
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  – Hugo, no entanto…
  – É uma fase importante. – corta o chefe, que a olha com interesse. – Ele é o centro do universo e acha que sabe de absolutamente tudo o que precisa. É importante saber se comunicar; ultimamente ele anda bastante revoltado.
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  – Violento?
  – Não, só revoltado. É a fase. Dizem que dura até os 21 nos garotos.
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  – 21? – exclamou, a cabeça imediatamente fazendo as contas. Quase 7 anos.
  – É importante não associar ele e Anna. Os dois já têm o peso de serem gêmeos, é melhor que não tenham mais o peso da comparação. Além disso, Hugo tem interesse em garotas mais velhas, o que o faz tentar amadurecer mais rápido. Falando nisso, o aniversário do casal está chegando.
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  – Ah.
  “Ótimo. Ele esqueceu.” quis fechar os olhos e fazer uma careta, mas limitou-se a observar o chefe retirar o celular do bolso e levá-lo à frente dos olhos. Abriu imediatamente o calendário.
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  O aniversário de 15 anos de Anna e Hugo estava chegando, assim como o 1 ano de trabalho de . É claro que ela nem sonhava com as férias remuneradas, pois a família não acharia alguém para ficar em seu lugar tão cedo. Talvez tivesse que vender as férias. Tinha que conversar sobre isso com o chefe, mas agora não era o momento.
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  Nos meses anteriores, as crianças comemoraram durante a tarde, onde outras poucas crianças subiram para o apartamento e todos cantaram parabéns com bolo, doces e salgados preparados por Jussara. No aniversário dos gêmeos, eles só quiseram ir para um parque de diversões com os amigos, e pagou a uma agência para que eles fossem com monitores. No entanto, o aniversário de Hugo e Anna era importante pelo fato de ser a tão esperada festa de debutante da garota.
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  – Ela quer festa?
   fez-lhe uma careta e ele apertou os lábios.
  – Tem como fazer uma festa?
  – Entre ser uma festa mais ou menos e nada, acho que Anna preferirá nada.
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  – Nada? Podemos tentar reunir os amigos…
  – … quer dizer, senhor … com todo respeito. – se sentiu na obrigação de defender a garota. O homem não conseguia entender a importância de uma festa de 15 anos para uma menina. Basicamente, é quando ela deixa de ser criança e passa a ser vista como uma mulher. havia visto os convites das festas das amigas. Eram incríveis. – Você viu como foi hoje a noite. Agora, pense como é em uma versão de adolescentes.
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  – Ah. – o homem disse de novo, pensando no horror que seria ver a filha sendo humilhada pelas amigas, como Alina tentou fazer com . Mas havia crescido nesse ambiente; talvez até tenha sido como Alina. Não podia colocar Anna nessa situação. – E o que você sugere?
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  – Só há uma maneira de resolver isso a favor de Anna. – ergueu o dedo indicador, vendo o olhar compenetrado do chefe. Em seguida, ergueu o dedo do meio, fazendo o número 2. – Um: Disney. Dois: La Rosey.
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  – La Rosey?
  – É, talvez, a escola mais prestigiada do mundo. Na Suíça. Eles oferecem programas de verão que duram de 2 a 4 semanas, mas que agrega muito no currículo da criança. Eu fui aos 9, mas existe programação para crianças de até 15. Depois disso, é um outro grupo, que vai para as montanhas e o mar.
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  – Você estudou na Suíça? – perguntou, boquiaberto.
   se esqueceu com quem estava falando e limpou a garganta. Havia estudado em vários países, mas não podia colocar isso no currículo para babá, obviamente.
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  – Quase todo mundo vai. No entanto, recentemente, mais brasileiros têm ido. Como Anna não mencionou nada, acho que a turma dela não é tão… hum…
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  – Rica. – ele completou a frase dela, vendo as bochechas da babá corarem. – E mostrar que é rico vai ajudar Anna?
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  – Vai evitar um bullying desnecessário na escola. Além disso, pode ser bom para ela e Hugo viverem uma experiência e melhorarem o inglês.
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   permaneceu pensativo. Sabia que teria que mandar os filhos para estudar fora do Brasil, mas não esperava que fosse acontecer tão cedo. A alta sociedade era mesmo uma coisa de outro mundo.
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  – Tudo bem, como faço para conseguir tudo isso?
   abriu um sorriso.
  – Pode deixar comigo.

  A semana seguinte foi de emoção. Amélia deixou para se despedir de todos na segunda, dia em que iria direto para a nova residência, no Sul. A família inteira agradeceu e lhe deu um envelope com um dinheiro extra, para mostrar um pouco da gratidão que sentia pela mulher. No entanto, a despedida do chefe foi bem cedo, pois ele logo teve de sair para o trabalho. As crianças, por outro lado, se despediram de acordo com que foram voltando da escola; por fim, os colegas de trabalho se reuniram na cozinha para uma pequena festa.
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  – Não coma muito chocolate, Arthur. – Amélia chamou a atenção com os olhos vermelhos de emoção.
  – Você irá nos visitar, não é, Mé? – Anna perguntou, abraçada à mulher que fora praticamente sua mãe nos últimos 3 anos.
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  – É claro que venho. E vocês também podem vir me visitar. Mas, acima de tudo, obedeçam a e seu pai.
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  No quarto dos funcionários, Amélia deu um longo abraço em .
  – Sei que você fará um bom trabalho com as crianças. Não desista delas.
  – Eu não vou. – sorriu, o choro entalado na garganta. – Obrigada por ter me contratado.
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  A mulher balançou a mão.
  – Eu achei que você fosse sair chorando no primeiro dia.
  – Foi o que quase aconteceu, para ser sincera. – a mais nova respondeu e logo em seguida riu com a mais velha.
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  Quem levou Amélia embora foi Saulo. A segunda-feira era o dia mais tranquilo para as crianças, por isso, todas estavam cedo em casa. Jussara e Paloma cuidaram de arrumar a cozinha, enquanto ia para a sala ficar com as crianças, já que Caique e Helena tiraram o dia para brigarem por ela.
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  – Vocês dois vão brincar, eu preciso conversar com a ! – Anna chegou e se sentou ao lado da babá, no chão, ouvindo, imediatamente, o berreiro dos mais novos. – Eu dou chocolate para vocês depois, vão, vão!
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  – Anna! – exclamou para a mais velha dos 7.
  – O meu assunto é urgente, , presta atenção – a garota olhou séria para a babá, que se surpreendeu com a seriedade da garota e manteve-se calada, olhando, de vez em quando, para os demais irmãos. – Você acha que eu ficaria bem loira?
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   ficou calada, olhando sem expressão nenhuma para Anna, que aguardava por uma resposta honesta. Limpou a garganta e respirou fundo.
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  – Por que você quer pintar o cabelo?
  – Karina falou que eu ficaria linda.
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  – Karina é loira?
  – Não.
  “Exclusividade.” O pensamento veio de imediato na mente da mais velha. Ser a única morena do grupo faz a diferença nessa idade. Não pelo fato de a cor do cabelo significar algo, mas sim a ideia de ser ‘única’.
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  – Alguém já pintou o cabelo de loiro no seu grupo?
  – Hum… não.
   tentou, o máximo que pode, não demonstrar pena. Ela sabia que Anna ainda não tinha noção com quem estava lidando. Parecia ser normal, ter uma líder e obedecer às ordens. A verdade era que pessoas como Karina e até a própria , achavam normal, aos 15 anos, se aproveitar das garotas que não tinham os devidos contatos da alta sociedade.
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  Contudo, não podia se intrometer na vida de Anna, a ponto de mandá-la fazer uma coisa ou outra. A garota precisava aprender a enxergar a malícia da colega, caso contrário, seria vítima diversas vezes durante toda sua vida.
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  – E como você acha que ficará, sendo loira?
  – Eu… nunca pensei nisso. – Anna respondeu, insegura. Olhou para os fios e não se incomodou de vê-los escuros. Gostava deles assim. Apesar dos cabelos do pai serem em um tom castanho, Anna puxou os cabelos da mãe, portanto, eram praticamente pretos. – Acho que prefiro ser morena?
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   sorriu carinhosamente para a garota.
  – Eu também.
  Foi o suficiente para a mais nova. Não precisava mudar só porque Karina queria. Havia visto outras meninas fazerem e depois se arrependerem; a amiga só iria rir, se ficasse ridículo. Ela preferia não prejudicar os próprios fios, só para as outras se divertirem.
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  – O que você acha que eu falo? Se eu disser que meu pai não deixa, elas vão rir da minha cara.
  Anna não tinha muitas opções, a não ser contar a verdade e sofrer as consequências. queria poder ajudá-la, por isso, pensou na melhor forma de fazê-la entender que o que ela precisava não era de uma desculpa, mas sim, autoridade.
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  – Você gosta da amizade de Karina? – perguntou à garota.
  Como antes, Anna hesitou. Queria fazer parte do grupo, porque queria ser popular. E Karina era popular desde sempre; como ela entrou depois, não podia simplesmente roubar os holofotes da outra. Além disso, Karina tinha forte opinião e a expressava sem medo. Seus argumentos eram bons e seu olhar, forte. Ninguém ia contra ela, nem os meninos. Consequentemente, ninguém mexia com as amigas dela, e isso era um benefício. No entanto, havia sacrifícios a serem feitos, como sempre concordar com tudo o que ela falava ou queria fazer, e de jeito nenhum dividir a verdadeira opinião com ela, como gostar do Calvin, o nerd do colegial.
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  A babá soube identificar o desconforto na hora de pensar em uma resposta. Havia muita coisa em jogo para Anna: popularidade x anonimato; conforto x provocações; melhores festas x isolamento. Ser uma adolescente não é fácil.
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  – Há duas coisas que você precisa saber, Anna – disse, observando os dois mais novos perceberem que ainda não haviam recebido o chocolate prometido da irmã mais velha. – A primeira: quem é sua amiga, será sempre, independente de você ser ou não popular e loira. E a segunda…
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  – ANNA! – o berro veio, interrompendo , que sorriu para as crianças e olhou para a garota mais velha, atenta às palavras da babá.
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  – O mais importante não é ser alguém na vida dos outros, mas sim ter quem você quer na sua vida.
   aproveitou que Caique e Helena não dariam paz para Anna, até que estivessem comendo chocolate, portanto, voltou para a cozinha, para ajudar Paloma e Jussara a terminar de arrumar a bagunça que havia sido feita para a despedida de Amélia. Sabia que Anna não iria atrás dela, mas sim para o quarto pensar no que ela havia dito. E se a menina fosse esperta, entenderia perfeitamente a mensagem.
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  A babá não tinha dúvida que Anna tiraria tudo de letra.
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  Tanto , quanto acharam que, após o jantar do presidente, a mulher não precisaria agir nunca mais como acompanhante. Entretanto, foi uma surpresa quando, duas semanas depois, Tulio Costa, o próprio presidente, entrou no escritório de , fechando a porta logo atrás de si, após ele mesmo falar para Lucas que não estaria disponível pela próxima hora.
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  – Seja honesto comigo, . Você está mesmo saindo com aquela moça?
  Enquanto esperava uma conversa sobre o trabalho, foi pego de surpresa por Tulio, que se sentava em uma das duas poltronas disponíveis em frente a sua pequena mesa, no cubículo lhe dado pelo banco.
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  – Não entendi a pergunta, senhor.
  – Chegou a mim algumas informações… – Tulio disse, afrouxando um pouco o nó da gravata, mostrando um leve desconforto em falar sobre aquele assunto. – Que você contratou o pai dela, um ex-corrupto, para trabalhar aqui.
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  A imagem de Vitor e Alina tomou conta da visão interna de . Sabia que o garoto havia aberto a boca para seu superior, que também tinha interesse no cargo de diretor; contudo, diferente de , o diretor dele não estava prestes a se aposentar.
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  – O pai dela é um homem muito competente, que entrou em um cargo de acordo com seu nível de escolaridade e experiência, e tem se mostrado muito útil para a equipe e a empresa. – disse de forma tranquila, sem esboçar irritabilidade ou nervosismo, como Tulio achou que seria. O mais velho e presidente permaneceu encarando o funcionário, que não tremeu os olhos, nem mexeu as mãos em cima da mesa; muito pelo contrário, a expressão continuou calma e as mãos sequer deixaram os postos de antes do homem entrar na sala, em cima do mouse e do teclado.
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  – Ele é um ex-corrupto!
  – Ele gerou uma melhora de 3% na carteira pública nas últimas duas semanas.
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  – Qualquer um pode fazer isso!
  A falta de resposta de deixou o presidente em dúvida. Foi preciso somente um olhar para Tulio entender que não, qualquer um não podia fazer aquilo.
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  – Eu fui a última pessoa que fez isso. – disse, calando o presidente.
  A verdade é que Tulio não se importava de estarem contratando um ex-corrupto. Já haviam contratado alguns ex-presidiários e também aposentados. É da política da empresa ser uma instituição de portas abertas para todos os tipos de seres humanos. No entanto, o que mais o perturbava, era que tal informação pudesse atrapalhar os seus planos com os acionistas, que podiam ser mais cabeça fechada que ele.
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  – Você vai ter que trazê-la para o clube. – ele disse, apontando para . – O Jóquei, este sábado, às 11 horas. Vamos almoçar juntos e passar uma tarde agradável. Haverá essa reunião com grande parte dos acionistas, e essa moça precisa estar lá.
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  – Ela tem uma agenda.
  – Bem, nós dependemos dela para o seu futuro. – Tulio se levantou e voltou a arrumar a gravata, do nó que havia desfeito. Antes de sair do escritório, olhou uma última vez para e, sério, disse: – Não me faça perder tempo.
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  Ela não havia feito nada de errado, havia?
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  Em seus pensamentos, milhares de situações apareceram, todas podendo ser um motivo para ser demitida. A ideia de ser a única babá e a dificuldade de achar uma outra pessoa para dividir o turno com ela pode tê-la feito ficar segura demais em seu posto, cometendo algum erro grave.
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  Mas qual deles seria o pior?
  “Ele pode querer apenas chamar a atenção antes. Sim, essa seria a maneira correta.” Ela pensou, sentada na mesa da cozinha, em frente a , que havia a chamado para uma conversa logo após ela colocar Helena e Caique para dormir.
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  Não pode ter sido a conversa que ela teve com Anna, poderia? Ou, quem sabe, ele não gostou da ideia do presente de aniversário. Mas ele já havia fechado tudo com a agência.
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  – Desculpe.
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  “Droga.” Ela pensou, as mãos apertando uma na outra embaixo da mesa. “Droga, droga, droga! Não posso perder esse salário. O que posso falar a meu favor? Aceito uma punição? Não vou cometer mais esse tipo de erro? Mas que erro?”
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  – Eu mal sei como começar essa conversa… – ele disse, sem graça.
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  “Será que ele me pegou cochilando no começo da semana? Ou comendo no quarto dos funcionários? Ninguém me disse que eu não podia comer lá, e senti tanta fome de madrugada…”
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  – Haverá um evento no sábado.
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  “Oh? Não é uma demissão?”
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  – E eu preciso… bem. Eu preciso que você seja minha acompanhante novamente.
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  O silêncio pairou na mesa. não queria ter de encarar aquilo, mas havia muito mais em jogo do que somente o seu futuro. E se aquilo o fizesse perder a credibilidade para as outras empresas que o queriam? Ele estava pronto para, caso não fosse promovido, pedir um aumento.
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  – Achei que…
  – Eu sei. Eu também. Mas o presidente veio à minha sala hoje e… bem. Ele precisa que eu esteja neste evento de sábado. Acompanhado. Por você.
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  – Ah…
  – Sei que não é adequado. – o homem respirou fundo e bagunçou os cabelos, algo que se viu fazendo algumas vezes desde que entrou. – Mas ele foi muito claro na exigência.
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  “O que pode ter sido?” perguntou a si mesma. Sabia que uma acompanhante era só uma acompanhante; não precisava comparecer a eventos importantes sempre, como as esposas ou noivas eram obrigadas a fazer. Além disso, ela e não eram um casal oficial, portanto, não era esperado que ela fosse voltar a se encontrar com aquele grupo.
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  – Aonde…
  – No Jóquei.
  “Merda.” A babá pensou. Sabia que era no jóquei onde as reuniões mais importantes aconteciam; onde negócios eram praticamente organizados para serem fechados em seus escritórios particulares. Era como a última fase antes do chefão. Há anos, o pai comparecia com frequência a este tipo de evento, e nunca voltava bem. A mãe, por outro lado, amava, pois era o momento das mulheres falarem sobre suas atividades sociais e vida glamurosa, coisa que durante um jantar não era possível, pela simples razão da noite ser dedicada à anfitriã, ou seja, teria que falar sobre si.
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  – Eles perguntarão sobre mim. – foi franca . Se o assunto era aquele, então o papel de chefe-subordinada não era mais predominante; além da mulher saber muito mais sobre o que estavam lidando, ela também estava fazendo um favor para o homem.
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  , do outro lado da mesa, não respondeu. Sabia que, apesar de não ser um problema para ele, ser babá, não era bom para os acionistas, o presidente querer tornar diretor da equipe de tecnologia, um homem que tem um caso com a babá de seus filhos. Não em um banco digital, 100% dependente do serviço dessa área, tornando-a a mais importante da empresa.
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  – Teremos que omitir.
  – Alina estará lá. Talvez suas amigas.
   respirou fundo. Elas eram um problema. Não sabia, mas tinha uma noção de até onde as mulheres iam para derrubar uma pessoa. E era um desafio para ela, viu, no jantar, as faíscas trocadas entre as duas.
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  – Você tem algum aliado no banco? Um amigo? – perguntou de repente.
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  – Thales. Ele é diretor do setor da controladoria.
   mordeu o lábio e os olhos de imediatamente seguiram para a ação, observando atentamente os dentes brancos da mulher deixarem os lábios já carnudos, com um aspecto mais avermelhado e inchado. Limpou a garganta, sem graça.
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  – Ele estará lá então. – murmurou e, após um tempo, olhou para o celular. Quarta-feira. – Teremos que sair com eles.
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  – Como?
  – Eu preciso de uma mulher aliada. – ela explica. – Lembro-me de Amanda, sentamos próximas durante o chá e nos demos bem. Se eu a tiver como minha aliada, poderei permanecer mais próxima dela do que de Alina, e assim, quem sabe, conseguir evitar muitas perguntas. Você acha que o presidente sabe sobre mim?
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   assente, ainda admirado com o rápido raciocínio da mulher.
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  – Então a esposa também deve saber. Mas não tem como eu encontrá-la antes de sábado… Amanda terá de dar. – ela terminou de falar consigo mesma e olhou para . – O fato de Thales já ser um diretor, Amanda com certeza já passou pela situação e sabe a que pé estamos. Tentarei trazê-la para o meu lado, mas no fim, tudo irá depender de como Sandra e Andressa vão se portar.
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  As esposas do presidente e vice-presidente fariam um papel importante para , pois se ambas fossem contra estar saindo com uma mulher cuja família foi alvo de um escândalo, então ter Amanda ao seu lado não faria nenhuma diferença; não achava que a mulher fosse arriscar a relação do marido, em prol de alguém que conheceu apenas recentemente.
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  – O ideal é eles não saberem que sou uma babá.
  – Sim. Alguma ideia de como contornar isso?
  – Ninguém além de Lucas sabe quem eu sou hoje em dia. – ela diz. “Graças ao trabalho incessante com as crianças.” Pensa. – Então vou dizer que vivo dos investimentos que faço com o valor que me sobrou.
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  – E como nos conhecemos?
  – Na fila da farmácia. Estava enorme e começamos a falar sobre amenidades, até eu dizer sobre investimentos e você dizer que trabalhava em um banco.
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   abriu um sorriso de quem estava começando a se divertir.
  – E trocamos o número e passamos a nos comunicar?
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   sorriu para o chefe.
  – Nós só precisamos ser convincentes. – ela finalizou, pensando no quão inacreditável era aquela situação. Ela, criando uma fanfic com seu chefe e prestes a colocá-la em prática na frente de empresários de alto escalão.
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  No entanto, o que era verdadeiramente inacreditável e não sabia, era que sabia perfeitamente que a mulher faria um ótimo trabalho enrolando o grupo; ele, por outro lado, não tinha a mesma ousadia e frieza da mulher, receando o que pudesse acontecer.
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  E o máximo que poderia, era se esquecer de que tudo era um plano, e começar a levar a sério demais, a ideia de ter como uma acompanhante.
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Capítulo 8

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 15 anos
Felipe e Arthur – 13 anos
Eric – 10 anos
Helena – 8 anos
Caique – 4 anos

  Anna mal podia acreditar.
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  Hugo, ao seu lado, gritava sem parar, enquanto Felipe e Arthur reclamavam da injustiça de não poderem ir para a Disney como os irmãos mais velhos.
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  – É um presente de 15 anos. – explicou. – Quando vocês completarem 15, irão também, se tiverem boas notas.
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  – Mas Hugo sempre fica de recuperação em inglês! – Arthur diz, ouvindo um grito do irmão mais velho. , no entanto, limpou a garganta e disse:
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  – Se tiverem boas notas na maioria das matérias E não repetirem de ano.
  Aquilo foi o suficiente para calar o garoto indignado.
  , ao fundo, observava o momento familiar com um sorriso. Anna e Hugo correram para abraçar , que se deixou agarrar pelos gêmeos, antes de vê-los abrir o segundo presente.
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  – La Rosey?
  – É como um acampamento de verão, mas na Suíça. Será importante para vocês dois, principalmente Hugo, praticar o inglês. – olhou para o filho mais velho, que corou de vergonha. – É uma boa escola.
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  – Mas julho é inverno – Arthur menciona e leva um tapa de seu irmão gêmeo, que revira os olhos.
  – No norte do planeta, as estações são o contrário da nossa, seu burro! – Felipe exclama. – Será que eu posso trocar esse acampamento, para um de futebol?
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  – Calma, Felipe, ainda faltam 2 anos até lá. – disse, vendo Anna e Hugo tirarem uma foto dos presentes que haviam ganho.
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   permitiu que eles reunissem os amigos para ir para um parque de diversão no sábado. Saulo e Jussara concordaram em ir como responsáveis, acompanhados de seus filhos e esposos. Dessa maneira, estaria livre para ficar com ele no evento do jóquei.
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  À noite, Lucas mais uma vez ficou com as crianças, para que e fossem jantar com Thales e Amanda. Dessa vez, foram a um restaurante de reserva, para garantir que não encontrassem com ninguém que conhecesse de sua antiga vida, e que pudesse atrapalhar os planos da noite.
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  – Tramar um plano com eles não é uma opção? – perguntou a , quando viravam a esquina do restaurante.
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  – Não. Ela, que já faz parte do círculo, não pode colocar as moedas em uma aposta perigosa como essa. Eu terei que me virar sozinha; no entanto, ela pode, se quiser, me oferecer sua presença, o que já é alguma coisa.
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  , ao contrário de , não fazia ideia do que fazer com aquele jantar. Mais cedo, a babá apenas lhe disse para agir normalmente com Thales, e ela faria o necessário com Amanda. Apesar do colega de e sua esposa serem um casal, eles não gostavam de ter as coisas misturadas; a regra para casais da alta sociedade era simples: não atrapalhe os negócios do outro.
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   entendeu, assim que entrou no restaurante, que teria uma chance com Amanda. Podia ver no olhar e em seu sorriso, logo que avistaram o casal, que os dois estavam dispostos a colaborar com . Talvez Thales fosse um bom amigo para o chefe; ou talvez ele prezasse, muito, a relação com o prodígio.
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  – Estamos atrasados? – olhou no relógio, fazendo Thales rir.
  – O dia que você estiver atrasado, , significa o final do mundo. Como vai, ?
  – Bem, obrigada. – ela sorriu para o homem e cumprimentou Amanda com dois beijinhos, sentando à sua frente.
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  Respirou fundo. Havia planejado diversos assuntos para prender Amanda em uma conversa produtiva, e ao mesmo tempo íntima. O máximo que poderia acontecer, agora que ela sabia que a outra estava disposta a colaborar, era não precisar controlar a conversa.
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  – Como foi para você? – Amanda, enfim, perguntou.
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  Era óbvio para todos na mesa, que o casal amigo sabia quem era de verdade.
  Enquanto aguardavam o café, Amanda decidiu dar dois passos para frente, chamando a atenção de Thales e para a conversa.
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  – Um pesadelo, claro. – respondeu, sincera. – A primeira semana foi uma confusão enorme.
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  – Alguém manteve contato?
   abriu um pequeno sorriso e deu um gole no vinho. Amanda e Thales imediatamente entenderam a resposta. Não, ninguém manteve contato.
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  – Algumas pessoas realmente são difíceis. – Thales balançou a cabeça, desapontado. – E agora que você está saindo com ?
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  – Não acho que alguém saiba da minha vida. – respondeu. – Apesar de ser uma pessoa importante recentemente, não é o suficiente para lidar com os problemas da minha família.
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  O casal concordou imediatamente. A alta sociedade não passava pano para um escândalo como o da família , somente porque alguém requisitado entrou no círculo de relacionamento deles. é um novo rico. Ele precisa ser bem mais do que é, para fazer valer a pena trazer a família de volta para a alta sociedade.
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  – Como está o caso?
  – Há um longo caminho. – disse. – Mas é uma questão do meu pai e não minha.
  Apesar de não acreditar nestas últimas palavras, é importante saber dividir o que era de seu pai, e o que era dela. No grupo de Thales e Amanda, as pessoas prezam o individualismo. Querer pegar os problemas do pai é coisa de pessoas que possuem empatia; e empatia, para os ricos, muitas vezes significa fraqueza.
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  O casal se mostrou à vontade com e . Enquanto esperavam o carro ser entregue pelos manobristas, Amanda olhou para e, com um sorriso, lhe perguntou:
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  – Você irá ao Jóquei no sábado? Posso pedir para lhe colocarem em minha mesa. Tenho certeza que poderemos discutir mais sobre aquele evento da qual participou em Toulouse. Estava pensando em usar um tema mais mediterrâneo em meu próximo evento beneficente.
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  – Será um prazer. – sorriu, satisfeita por ter recebido o convite e não precisar chegar absurdamente cedo para pegar Amanda logo na entrada.
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  , por outro lado, observou a acompanhante conversar com a esposa do colega como se fossem amigas há anos. Thales, ao seu lado, soltou uma pequena risada e deu dois tapinhas no ombro do colega.
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  – Acho que não temos com o que nos preocupar, .
  – Eu não estava preocupado.
  Thales abriu um pequeno sorriso.
  – Pois deveria. Tulio está bastante preocupado com essa notícia da família dela.
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  O assunto fez com que virasse para Thales, a fim de ter mais privacidade na conversa que teriam.
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  – Quem começou com esse assunto?
  Thales entendeu o motivo da pergunta. Se havia alguém que não queria que subisse à diretoria, ele precisava saber. Cogitou manter-se neutro, pois gostava de ter várias cartas na manga; no entanto, era seu melhor contato e era honesto, uma relação difícil atualmente. Além disso, ele sabia que Thales era, talvez, a pessoa mais bem relacionada da empresa, conseguindo descobrir informações secretas com muita facilidade; era impossível que não soubesse quem começou a fofoca.
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  – Vitor Marques, do financeiro.
   sabia quem era. Sabia exatamente quem era. O garoto entrou por uma indicação vinda de dentro do banco, provavelmente por contato; porém, estava se mostrando útil para a empresa, satisfazendo os clientes e superiores. Não duvidava que fosse receber uma promoção nos próximos meses.
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  Mais importante que isso, sabia que Vitor estava, de alguma maneira, ligado ao passado de . O olhar de surpresa e a falta de reação quando ele a avistou no jantar na residência do presidente foi o suficiente para saber que ele não esperava vê-la. Além disso, o fato de Alina, sua acompanhante na noite, ter trocado faíscas com , fez com que o homem soubesse que a relação dos três era de extrema intimidade.
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  – Você vai fazer algo quanto a isso? – Thales perguntou, sua voz ligeiramente preocupada. O silêncio de não foi a reação que ele esperava; achava que, como em todos os outros assuntos já tratados antes, o colega fosse ignorar como se aquilo não fosse nada. Pelo jeito, significava alguma coisa.
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  – O que eu poderia fazer? – logo respondeu, aliviando Thales, que sorriu.
  – Não é? É só um moleque.
   não respondeu. Viu seu carro se aproximar e virou-se para , que conversava com Amanda sobre a França. Aproximou-se da companheira, tocando-lhe o ombro.
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  – O carro chegou.
   abriu um sorriso e se despediu de Amanda. Entrou no carro, percebendo o desconforto do chefe. Devia ter conversado sobre algo desagradável com Thales, já que estava bem até os quatro saírem do restaurante.
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  Optou por manter-se calada. Diferente da vez anterior, os dois não precisaram comer em algum lugar; haviam se alimentado bem no restaurante. Foi só quando estacionou, que decidiu conversar com .
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  – A pessoa que espalhou essa informação foi Vitor Marques.
  A mulher o encarou séria. Olhou para frente e então respirou fundo.
  – Eu já imaginava.
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  “É claro que já.” suspirou.
  – Ele é boneco da Alina. – ela disse. – Pois foi ela quem o colocou no banco. Quer dizer, o pai dela.
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   a olhou, confuso e surpreso. Alina não era funcionária no banco, pelo que ele sabia; e não parecia ter relação com qualquer pessoa no jantar.
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  – O pai dela é desembargador do estado aqui em São Paulo. Ele tem muitos contatos, pois já “ajudou” muita gente. – ela suspirou. – Ele era um dos envolvidos no escândalo da minha família, mas é um homem esperto. Foi ele quem jogou a culpa em meu pai e, por ter credibilidade com as pessoas certas, foi dado como inocente e vítima de extorsão. Alina é exatamente como o pai: agrada as pessoas corretas e está sempre coletando favores para usar nos momentos mais oportunos.
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  – Ele tem relação com Tulio?
  – Acho que não. – disse. – Mas deve ter com um dos acionistas. Existe um grupo de pessoas acima da nata, na qual chamamos de raiz. Eles podem fazer absolutamente tudo, inclusive passar pano para casos e pessoas. O pai de Alina é uma dessas pessoas.
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  – E como uma pessoa dessas acaba mal? – pergunta, fazendo sorrir.
  – Eles nunca acabam mal. – ela lhe responde. – São pessoas tão frias, que não hesitam nem em descartar pessoas da própria família. Meus avôs eram como essas pessoas; o paterno descartou meu pai assim que viu que ele era fraco demais para se manter na nata, o materno descartou minha mãe, quando meu pai faliu e minha tia se tornou uma “própria-rica”.
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  – Própria-rica?
  – Herdeiros que criam seus próprios impérios sem a ajuda dos pais.
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  – Sua família os descartou?
   ergueu os ombros. Para ela, era algo normal. Era preciso muita sabedoria e jogo de cintura para saber qual ordem seguir dos pais, e quais pessoas manter um relacionamento próximo. Era por isso que ela e Alina foram melhores amigas durante toda a vida; e era por isso que, hoje, nenhuma das duas se arrependem de terem se afastado uma da outra. Alina, com a cabeça ainda parte da alta sociedade, não sabe as dificuldades da vida comum; , por outro lado, possui desvantagem por ter seu nome vinculado a um grande escândalo.
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  – Vitor é meu ex-namorado. – ela decidiu ser sincera com . Não sabia o que esperar do sábado, mas poderia ter toda sua identidade exposta. Não queria envergonhar o chefe ou deixá-lo em uma posição mais sensível do que já estava. Ele precisava saber de tudo sobre ela, para que pudesse, ao menos, se defender. – Namoramos por 4 anos até ele me trair com Alina e, logo em seguida, meu pai cair no esquema da corrupção. Não sinto mais nada por ele senão indiferença, mas o que deve saber, é que ele é só um boneco. Boneco dos pais e de Alina. Não irá fazer mal, se ninguém o mandar fazer o mal.
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  – Você não tem vontade de se vingar dele? – perguntou. – Posso mover algumas peças…
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   negou com a cabeça.
  – É melhor ter essa carta escondida na manga. – ela diz. – É importante que você saiba que, por estar vinculado a mim, automaticamente será vinculado a meu pai; e eles podem não gostar disso.
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  – Estar vinculado a mim fará com que seu pai volte à nata?
  – Talvez. – ela ergue os ombros. – Depende das pessoas a quem você se relacionar. Mas mais importante que isso; ter você como aliado pode fazer com que as pessoas voltem a considerar meus pais no círculo de relacionamento deles, e isso é perigoso para as pessoas que fizeram parte do escândalo.
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  – Porque existem pessoas que querem derrubá-las.
  – Isso. – concordou. – A nova nata ou novos ricos que querem acabar com essa elitização vão tentar usar desse caso para expor as pessoas da raiz. É por isso que você precisa saber com o que está se envolvendo. Eles vão tentar impedir sua promoção.
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  – Porque não querem que eu suba com você ao meu lado.
   assentiu, sem graça. Não queria prejudicar o chefe, a única pessoa que acreditou nela e em seu pai. Era por isso que estava dando a ele a opção de mudar o rumo das coisas enquanto era tempo. Ele podia demiti-la, ou, quem sabe, arranjar outra pessoa para entrar em seu lugar.
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  – Bem, eles precisarão de muito mais do que impedir minha promoção, para conseguir me derrubar. – disse, desligando o carro e abrindo a porta. – Posso não ter nascido em berço de ouro, mas sou inteligente o suficiente para estar acima da maioria dos que nasceram. Não acha?
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  Foi ali, naquele exato momento, que sentiu o coração pulsar mais forte. Com sorrindo repleto de confiança e preparado para enfrentar o passado de com ela, a babá soube imediatamente.
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  Estava apaixonada.
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Capítulo 9

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 15 anos
Felipe e Arthur – 13 anos
Eric – 10 anos
Helena – 8 anos
Caique – 4 anos

  O sábado foi de correria. Logo pela manhã, cumpriu a promessa que havia feito a Akira, e compareceu em seu salão quando não havia ninguém. Conversaram sobre as últimas fofocas, onde o cabeleireiro disse que as clientes estavam ficando cada vez mais insuportáveis. A cada geração que começava a frequentar o salão, mais exigentes ficavam, a ponto de pedir que outras pessoas não fossem agendadas no mesmo horário.
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  – Alina ainda vem aqui? – perguntou. Akira revirou os olhos ao ouvir o nome da ex-amiga de .
  – Não suporto ela. Faz um ano que tenho que ir semanalmente na casa dela para arrumar seu cabelo e fazer suas unhas. Tenho pessoas mais importantes que ela, mas a bandida sempre usa a mesma desculpa.
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  – “Meu pai” – os dois disseram juntos em uma voz fina e irritante, rindo logo em seguida.
  – Entendo que você não queira aparecer mais nos mesmos lugares que ela ou as outras patinhas. Mas você pode me ligar e eu abro o salão depois do horário para você.
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  – Você sabe que não é só isso, Akira.
  – Querida, diferente das pessoas de quem você era amiga, eu conheço a palavra gratidão. Você me ajudou a chegar aonde estou, e não vou me esquecer disso jamais. Além disso, você ainda não me obrigou a ir até sua casa toda semana, então está tudo bem.
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   sorriu, feliz por saber que haviam pessoas de seu passado que ainda a queriam ao lado. Isso fez com que ela considerasse entrar em contato com outras pessoas que, como Akira, sempre foram boas para ela. Talvez nem todas a quisessem próxima de si, mas se fossem as pessoas certas, então ela podia lidar com a alta sociedade melhor do que achava.
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  Os eventos do Jóquei, aos olhos do público, era apenas algo saudável, onde os ricos se uniam para se encontrarem, conversarem e apostarem em cavalos. No entanto, para as pessoas que frequentavam os eventos, era bem mais que isso. Os encontros serviam para conferir quem estava bem e quem precisava de ajuda; as conversas envolviam negociações ou combinações de esquemas corruptos; por fim, a aposta de cavalos era feita para eliminar dívidas ou fazer com que os esportistas e treinadores conquistassem os patrocínios certos para levá-los ao campeonato mundial.
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   reconheceu alguns rostos assim que desceu do carro com . Alguns olhares se dirigiam para ela, mas mantiveram-se calados, pois o rumor de que ela estava saindo com a pessoa mais requisitada do local era de conhecimento geral. Sorriu para as pessoas que sorriam, e virava o rosto para as que olhavam-na da cabeça aos pés.
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  – Eles mal disfarçam. – sussurra em seu ouvido, fazendo com que ela sorrisse, como se ele lhe tivesse lhe feito um elogio.
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  – Farão de propósito para que eu me sinta mal de estar aqui.
  – ! – a voz de Tulio soou no local. Algumas cabeças viraram na direção do casal que entrava na área vip do jóquei, entre elas, Vitor, Alina e algumas das ex-amigas de . – Achei que não viesse mais.
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  – O senhor disse às 11. – respondeu somente, fazendo com que o homem risse alto, mais por ter sido chamado de ‘senhor’, do que pela informação correta. havia dito a que, à frente dos acionistas, era importante que ele tratasse o presidente como o presidente da empresa; intimidade apenas geraria suspeita em cima de Tulio e em seu motivo de querer trazer à diretoria. Se ele mostrasse que era um funcionário obediente na frente de todos, as pessoas o veriam como, além de bom funcionário, um homem leal. E lealdade é o que mais essas pessoas buscam na sociedade corrupta.
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  – Venha, sentem-se conosco. – Tulio disse, chamando e para perto deles. Ela sentiu o olhar da maioria os encarando; assim que seus olhos encontraram com os de Sandra, viu que precisava dar o seu melhor para conquistá-la. A mulher tinha desconfiança.
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  E era assim que as coisas aconteciam. Enquanto os homens comiam, bebiam e faziam negócio, eram as mulheres as responsáveis por realmente ler o ambiente e passar as informações para seus companheiros após o evento. Era por isso que eles aconteciam; para que as pessoas pudessem decidir se fechariam ou não o negócio.
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  Mas estava com vantagem. Alina e nenhuma de suas amigas estavam na mesa da presidência, muito menos perto dela. podia ficar um pouco mais despreocupada com ser atingida de indiretas que levassem ao escândalo.
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  – A qualidade da corrida de hoje está alta. – Sandra iniciou a conversa com . – Me parece que será difícil definir se teremos um vencedor. Você aposta, ?
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  “Há pessoas importantes demais para você querer arriscar se envolver, com o histórico que possui. Tem certeza de que vai ganhar?” É o que a esposa do presidente realmente perguntou. Andressa, esposa do vice-presidente, olhou para com uma expressão serena, que não significava nada para a mais nova do grupo. Ela estaria do lado vencedor, como sempre.
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  – Faz, de fato, tempo que não aposto. Mas sei identificar um bom cavalo. Recentemente, tenho me aventurado com investimentos e me dado bem, não acho que seja muito diferente aqui.
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  “Confio no meu taco. Além disso, sou uma pessoa com experiência e só o que muda nessa situação, são algumas pessoas.”
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  Sandra não lhe respondeu, mas pareceu ficar satisfeita com a resposta de . Passou um pedaço de papel para a jovem; o papel das apostas.
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  – Faça uma aposta.
  “Vamos ver se você é realmente boa.”
  , do outro lado da mesa, observava atento a tudo à sua volta, mas principalmente a . Não havia percebido, até então, sua vontade de protegê-la das pessoas ao redor. Era possível ver a vontade de todos que a conheciam, de expô-la ao ridículo. Mas ela fingia bem estar alheia a tudo. Tinha uma missão no momento: conquistar Sandra.
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  – Admito que ela é inteligente, . – Tulio disse ao seu lado, após beber um gole do whisky servido pelo garçom. O funcionário olhou para o presidente, que abriu um pequeno sorriso e fez menção com a cabeça para a esposa e a acompanhante.
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  O que ainda não sabia, era que Sandra era mais do que somente a esposa de Tulio. Ela era a carta na manga do presidente, que havia utilizado das habilidades da esposa para levar o banco às alturas. Enquanto todos achavam que Tulio era o verdadeiro sucesso do banco, a mente inteligente era a esposa, que havia saído do fundo do poço, como , até estar onde estava. Entretanto, a história que todos sabiam, era de que ele havia conhecido a mulher durante uma importante reunião na Califórnia, e que ela era herdeira de uma fortuna vinda dos avós, imigrantes italianos.
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  Tudo não passava de uma mentira. Sandra veio de uma cidade do sul, e conheceu Tulio no aeroporto de São Paulo, quando ela chegava para um congresso na cidade e ele partia para a reunião na Califórnia. Formada em ciências contábeis, a mulher tinha uma visão única de um banco digital, que, com acesso às pessoas certas, fez com que o marido conseguisse chegar aonde estava.
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  Foi ela quem orientou Tulio a não surtar pelo escândalo da família de . Havia ido com a cara da moça no jantar, e percebeu, com seus olhos afiados, que havia algo entre a moça e o casal subordinado de Thales. Naquela noite, soube lidar muito bem com a situação, por isso, queria ver de perto se ela manteria a classe naquele evento muito mais desafiador. Ouviu, pela secretária, que o casal havia marcado um jantar com Thales e Amanda, o que a fez subir ainda mais pontos, pois sabia que estava se preparando para aquele dia. Gostava de pessoas que não fugiam da briga, apenas porque estava em desvantagem. Ela talvez tivesse muito mais a perder do que atualmente tinha, no entanto, se ganhasse, podia até triplicar a vantagem em cima das outras pessoas, pelo simples fato de ter sido, um dia, parte deles.
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  Quando o cavalo 4 passou em primeiro lugar na linha de chegada, suspirou, aliviada, dando seu melhor para apenas mostrar que estava certa como havia dito. Sandra, por outro lado, sorriu para a jovem, dizendo que ela havia feito uma ótima escolha, e que havia sido inteligente seguir sua escolha.
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  – Eu deveria ter seguido também – disse Andressa –, você disse que fazia tempo que não apostava, . Bom trabalho.
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  A moça sorriu, agradecida. Não precisou ser mudada de mesa, como aconteceu com uma outra mulher, um pouco mais velha que ela, mas que perdeu, pelo que ficou sabendo, três rodadas seguidas.
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  A maior parte do evento passou sem nenhuma surpresa. permaneceu sentada na mesa, com a desculpa de que sempre havia alguém que lhe gostaria de trocar uma palavra. No entanto, não queria ser perseguida por Alina e suas ex-amigas. Sabia que elas poderiam armar algo que pudesse colocá-la em uma situação difícil. Viu nos olhos delas, que um pequeno deslize poderia levar à perda de tudo.
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  – Está tudo bem, ? – Sandra perguntou, após a segunda corrida ser finalizada. decidiu não apostar mais, pois não tinha condições e não havia como reutilizar o dinheiro de apostas anteriores. Esperava que ninguém a obrigasse a sair de sua zona de conforto financeira; a primeira corrida sempre era rasa, com cavaleiros e amazonas novos, prontos para conseguirem o patrocínio de qualquer um daquela área.
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  – Tudo ótimo – respondeu para a mulher, que abriu um pequeno sorriso –, estava admirando a postura das amazonas.
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  A desculpa não foi engolida por Sandra, que manteve-se calada com um pequeno sorriso no rosto. Sabia exatamente o que estava fazendo; ela mesma havia agido da mesma forma quando mais nova; havia acabado de se casar com Tulio e precisava se sair bem. Ainda que conseguisse agradar as pessoas mais importantes, não conseguia deixar de lado a preocupação com as pessoas que estavam loucas para derrubá-la.
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  Sandra sabia que tinha um passado com parte daquelas pessoas. Se compadeceu da situação, agora que havia a aceito como uma mulher inteligente e de princípios. Não podia aceitar pessoas fracas como Andressa, que, somente para agradar, concordava com tudo, mas não olhava a um dedo do próprio umbigo. estava muito mais na corda bamba do que Sandra esteve, e esta admitia que a jovem provavelmente cometeria, na vida, menos erros do que ela os fez.
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  , enquanto isso, olhava no celular se havia alguma chamada das crianças. Havia mandado, há pouco, uma mensagem para Anna, que logo respondeu com uma foto dos 7 unidos com Jussara e Saulo. Os dois colegas de pareciam perdidos no meio de tanta algazarra, mas as 7 crianças estavam alegres, e era isso o que importava. Sabia que não entraria em contato com eles, sempre que o olhava, ele estava envolvido em alguma conversa com Tulio ou um dos acionistas presentes no brunch.
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  – Você gosta de chá, ? – Sandra perguntou, após ter deixado sozinha tempo o suficiente. A mais nova olhou para ela e percebeu que haviam mais pessoas envolvidas na conversa, e que era hora de voltar a atenção ao grupo de mulheres e parar de se preocupar com as crianças.
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  – Adoro. Meu favorito é um tipo de jasmin que conheci quando fui à Inglaterra. Ela vem no formato de pérola, que se abre em contato com a água quente.
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  – Ah, é minha favorita também. – Rose, a esposa de um dos acionistas, empolgou-se com a notícia. soube, pelo sorriso de Sandra, que era ela a vítima e a causa do assunto daquela conversa. O grupo, então, desatou-se a conversar sobre os diversos chás e métodos de produção das plantas. Aquelas que não eram familiarizadas com o assunto, reagiam com perguntas, mostrando interesse, mesmo que não tivessem.
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  – Oi, .
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  A mulher olhou para a outra atrás de si. Luana Simões. Ela foi efetivada para uma das melhores amigas de Alina – mas não a melhor – e provavelmente estava ali, porque Alina não podia ser vista provocando . Isso fez com que esta ficasse tranquila, pois significava que as pessoas haviam se conscientizado da relação amigável entre ela e a esposa do presidente do banco.
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  – Como vai, Luana?
  – Bem…
  , com olhos treinados, observou Luana em questão de segundos. A roupa chique e a pele bronzeada. Os olhos amendoados preguiçosos, mas atentos. Na época em que ela fazia parte do grupo, Luana quase não falava. Às vezes, tentava dizer algo, mas era cortada por Alina; , por outro lado, nunca tentou corrigir a amiga megera, simplesmente porque era parecida; a diferença entre as duas, é que não tinha o hábito e a diversão de humilhar os outros. Tinha um pouco mais de empatia que a filha do desembargador, e por isso, era um pouco mais querida do que Alina.
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  – Ouvi dizer que você o conheceu pela internet. – Luana disse, querendo soar desinteressada enquanto retocava o batom. abriu um pequeno sorriso.
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  – Foi na fila da farmácia, na verdade. E você? Ainda está saindo com aquele gogo boy?
  As bochechas de Luana imediatamente tomaram um tom vermelho, deixando de combinar com o blush de tom terroso. Seus olhos viraram para .
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  – Foi uma noite só!
  – Ei, eu não estou te provocando. Ele era um cara legal.
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  – Você o conhecia?
  – Luana – olhou para a mulher, que ergueu as sobrancelhas –, pergunte a Alina.
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  Se afastou, deixando a mulher perdida nos próprios pensamentos. Ter mandado a mais tola de todas para provocá-la só mostrava que Alina estava perdendo o jeito com as coisas. E isso era ótimo para , que teria uma preocupação a menos na lista.
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  Caminhou em direção à mesa e, quando estava próxima de sua cadeira, ouviu um grito. Não teve tempo de desviar, muito menos de se proteger. O garçom, que havia tropeçado em algo, virou a bandeja com o balde de gelo, as taças, e a garrafa de champanhe aberta em cima da roupa de .
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  – Mil perdões! – ele exclamou, pegando a bandeja e o balde do chão, enquanto outros funcionários vinham com toalhas de guardanapo para tentarem secar a roupa de .
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  Em um breve relance de olhos, a mulher pode ver o pequeno sorriso no rosto de Alina, que estava sentada em uma mesa próxima.
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  – , querida, você está bem? – Rose, que estava mais perto da moça, perguntou.
  – Estou, sim, você está, Rose? – ela olhou para a barra da saia da mulher, que viu a própria roupa e balançou o guardanapo em que ajudava a secar a mais nova.
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  – Você foi praticamente meu escudo, querida, obrigada.
  E então, de repente, sentiu um calor em seus ombros e costas.
  – Está tudo bem? – a voz de soou próximo de si. Ele havia tirado o paletó do terno e colocado sobre os ombros de . O evento inteiro parou para olhar a cena da mulher que tomou um banho de champanhe e gelo, mas ninguém se atreveu a rir, porque as pessoas mais importantes do local estavam se mostrando preocupadas com a jovem.
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  – Você não olha para onde anda, moleque? – a voz de Tulio soou para o garçom, que estava de cabeça baixa. O gerente do estabelecimento vinha às pressas tentar amenizar a situação.
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  – Eu estou bem. Ninguém se machucou – disse para o chefe de –, foi um acidente. Ele provavelmente não esperava que houvesse um pé em sua frente. – e sorriu para o garçom, que gaguejou algumas palavras, e acabou não dizendo nada.
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   olhou para Sandra, e viu que a mulher desviava o olhar para Alina, que tirou, segundos depois, o sorriso do rosto. Ao trocar o olhar com , Sandra soube o que havia acontecido e se levantou para ir de encontro a Tulio.
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  – disse que está bem, querido. – disse, tranquila. O tom, no entanto, foi de que era para ele não extrapolar, pois havia mais na situação, do que um simples acidente do garçom. Tulio, esperto, entendeu a mensagem da esposa e fez um sinal para o garçom e o gerente se retirarem. – Acho que está bom por hoje, , não vou pedir que fique nessas condições.
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  A mais nova sorriu para a nova aliada, e olhou para , que já estava pedindo ao gerente, para que providenciasse o carro.
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  – Que tal um almoço na segunda? – Sandra perguntou para .
  – Seria ótimo, obrigada.
  A mulher abriu um sorriso e deu-lhe as costas; antes de sair, fez questão de se despedir de todas as mulheres que achava importante. O que gerou ainda mais pontos com Sandra. Antes de sair, trocou de olhar com Alina, que sorria para ela como se não fosse ela quem tivesse planejado tudo. Antes de desviar o olhar, olhou para Vitor, e, ao voltar para encarar Alina, que entendia que ela planejava algo, abriu um pequeno sorriso, como se fosse a vitoriosa de toda a situação.
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  – Você tem certeza que está bem? – perguntou, enquanto esperavam o carro. A resposta, obviamente, era não. estava péssima, com a roupa toda molhada, fedendo a champanhe, o sapato escorregando no pé, de modo que a fazia andar torto; do pescoço para cima, por sorte, tudo estava intacto.
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  – Sim. – ela respondeu com um sorriso. – Só com um pouco de frio por causa da roupa úmida.
   pensou no que poderia fazer pela mulher, mas não havia nada. Só podiam esperar pelo carro; o gerente havia dito que a conta do “casal” não seria cobrada, e que, se ela permitisse, o garçom pagaria a lavagem da roupa.
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  – Não se preocupe, ela não precisará ser lavada. – disse, dando a entender que jogaria as peças no lixo. – Não demita o jovem, foi um simples acidente.
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  Após o olhar de , o gerente se afastou, agradecendo a compreensão.
  Agora, os dois se perguntavam o porquê do manobrista demorar tanto para trazer o carro, quando não havia ninguém indo embora.
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  Quando fez menção de ir até o caixa reclamar, um carro se aproximou da entrada do clube. Mas não era o carro de .
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   observou uma mulher sair do banco do motorista, do carro esportivo. Tinha os cabelos escovados em um penteado repleto de ondas que valorizavam as luzes loiras. Usava um vestido colado ao corpo e salto alto. Os óculos de sol lhe completava o look, mostrando que era uma pessoa ligada à moda. não pode deixar de olhar para as pernas bronzeadas e bem torneadas da mulher.
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  – Oi, querido. – ela disse, em uma voz extremamente sensual.
  A mulher passou por como se ela não existisse, e, quando esta acompanhou a fashionista com os olhos, viu a mulher abraçar logo atrás de si.
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  – Sabia que encontraria você aqui hoje.
  – Flávia. – ele disse, colocando as mãos na cintura dela.
  “Ah, merda.” pensou.
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Capítulo 10

[Idade dos filhos]
Anna e Hugo
– 15 anos
Felipe e Arthur – 13 anos
Eric – 10 anos
Helena – 8 anos
Caique – 4 anos

  “Era só o que me faltava.” pensou, enquanto observava a interação da tal Flávia com .
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  O homem, com as mãos na cintura da mulher que lhe abraçava, a afastou de si.
  – O que está fazendo aqui? – ele perguntou.
  – Ora – ela colocou as mãos na cintura –, vim lhe ajudar. Ricardo me contou que hoje é um dia importante para você, pois te apresentariam formalmente aos acionistas. E você precisa de um respaldo, só isso. Além disso – ela mexeu em sua gravata -, fiquei chateada por você não ter me ligado e pedido pessoalmente.
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  – Eu não liguei, porque não preciso de você, Flávia. – ele deu um passo para o lado. – Estou de saída.
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  – O quê? – ela o olhou, boquiaberta. – Como assim, de saída? Eu acabei de chegar!
  – Bem, acho que Ricardo te passou a informação da hora errada.
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   assistiu o homem se afastar de Flávia e seguir em direção a ela.
  – Acho que ele está chegando. – disse a ela, referindo-se ao carro. saiu de seu transe e olhou na direção que o chefe olhava, vendo o carro se aproximar.
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  – Quem é ela, ?
  – Ah – ele falou, olhando para e então, com pouco interesse, para Flávia. –, é minha acompanhante.
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  – O quê?
  – Até mais, Flávia. – disse, abrindo a porta para , tentando tirá-la do frio o mais rápido possível, não dando chance desta cumprimentar Flávia.
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  – O que você quer dizer com sua acompanhante, ? Achei que você estivesse solteiro!
  – Bem – ele fechou a porta e, mesmo que em tom abafado, conseguiu escutar a conversa dos dois no lado de fora do carro –, eu não estou. Então, por favor, pare de correr atrás de mim.
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  – Nós não terminamos, ! – Flávia falou, brava. – Você teve um ataque de nervos porque me viu com o Leon outro dia, mas…
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  – Não foi um ataque de nervos, Flávia, e não foi outro dia. Você decidiu sair com outra pessoa ao mesmo tempo em que saía comigo, eu não aceitei e agora você é passado. Pare, enquanto eu peço com educação.
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   permaneceu olhando para as mãos apoiadas no colo, pois não queria dar a entender que estava provocando Flávia. Conhecia esse tipo de pessoa arrogante e dominante, que acha que é o centro do universo. , por outro lado, não parecia se importar com os sentimentos da mulher – e não deveria, afinal, se o que aconteceu foi que ela brincou com ele e o traiu, ele tinha total razão de não querer mais se envolver com ela.
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  E não quis admitir, mas gostou de saber que ele a descartou em sua frente.
  Logo, entrou no carro e mudou o ar condicionado do frio, para uma temperatura mais quente.
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  – Desculpe. – ele disse, se afastando de Flávia, que o olhava com ódio. – Você não precisava ver isso.
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  – Está tudo bem. – ela sorriu pequeno. – Você deve estar mais constrangido que eu.
  – É… – ele riu. – Estou.
  – Pelo menos a sua ex não namora sua ex-melhor amiga que atualmente está tentando acabar com você.
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   soltou uma risada enquanto fazia o contorno para a saída do clube.
  – É impressionante como você sempre consegue estar em uma situação pior do que a minha.
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   ergueu os ombros e, em tom bem humorado, disse:
  – Acho que é um novo dom meu.
   manteve o sorriso no rosto, sentindo um bem-estar que há tempos não sentia… não. Para ser honesto, ele já observava, a algum tempo, o quanto conseguia controlar seu humor, sempre sendo a causa de um sorriso ou outro em seu rosto antes usualmente fechado.
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  Olhou para a mulher sentada no banco passageiro, que se encontrava olhando a roupa e avaliando se era possível salvá-la. a assistiu suspirar, sabendo que não havia o que fazer. Teria de jogá-la fora.
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  Durante o caminho até a zona norte, onde ficava a residência dos , os dois permaneceram calados, fazendo um comentário ou outro sobre o que viam do lado de fora do carro, ou, às vezes, sobre as crianças, que ainda estavam tendo um dia de diversões no parque.
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  – Já não está na época de suas férias? – perguntou, lembrando-se do assunto que Lucas havia abordado com ele durante a semana. – Não faz um ano que você trabalha em casa?
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  – Sim – olhou para o chefe, animada pelo assunto. Há dias queria falar com sobre o assunto, mas não achava um momento perfeito. Sabia que ele não poderia deixá-la se afastar por muito tempo, afinal, as crianças, principalmente as mais novas, estavam muito apegadas a ela. No entanto, precisava de um tempo para colocar a casa em ordem e ver se animava a mãe para fazer algo diferente. Recentemente, Daisy estava saindo do quarto com mais frequência, e às vezes era vista fumando na janela da sala, ao invés do quarto. Com o trabalho de Paulo no banco, a mulher se via um pouco mais disposta a encará-lo, como se ele ainda fosse o único culpado pela desgraça da família.
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  – Sei que você merece mais do que um mês de descanso… – começou a dizer, sem graça. Não queria exigir mais do que podia; além de saber que poderia ser um problema para ele, devido às leis do trabalho, também se preocupava com o bem-estar da única pessoa além de Amélia, que conseguiu lidar com todos os Millers. – Mas é difícil dar férias por muito tempo… As crianças, principalmente Caique e Helena, eles…
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  – Eu sei. Já imaginava que não poderia tirar todos os dias. Mas, quem sabe, uma semana? – ela perguntou, esperançosa. – É o suficiente para eu conseguir fazer a contabilidade de casa e ajudar a minha mãe.
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   a olhou, ainda prestando atenção nas orientações do GPS e no trânsito. Nunca havia levado até sua casa, mas sabia, pelo currículo dela, que era em um bairro bom na zona norte de São Paulo.
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  – Sua mãe está com problema?
  – Ah – ela sorriu sem graça, empurrando o cabelo para atrás da orelha –, desde o ocorrido, ela entrou em uma depressão severa. Houve alguns problemas com a família e… – suspirou. – Bem, ela está melhor, graças à sua permissão de colocá-la como dependente no plano de saúde.
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  O homem parou o carro em uma vaga livre próxima à entrada do prédio onde morava, mas não olhou nem um momento para qualquer outro ponto que não fosse a mulher no banco passageiro. Cada vez que conversava com ela, descobria algo novo que o fazia admirá-la, ao mesmo tempo que o deixava preocupado.
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  – Quando você tem tempo para você? – ele pergunta, soltando o cinto de segurança e olhando para a moça, que o encara, surpreso.
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  – Como?
  – Você cuida da sua casa, dos seus pais, das suas irmãs, dos meus filhos… – “de mim”, ele quis completar, mas achou melhor deixar de lado. – Em que momento do dia você usa para se dedicar a você?
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  A mulher não respondeu. Pega de surpresa, viu que não havia, mesmo, um horário para si. Fazia tempo que não cortava o cabelo, e aproveitava para fazer a sobrancelha e se depilar enquanto estava dentro do banho. Era difícil no começo, mas acabou por se acostumar. As unhas eram lixadas dentro do ônibus, que por conta do horário atípico de entrada no trabalho, estava quase sempre vazio, e a base para nutrição e proteção era passada à noite, no trabalho mesmo, mas pouco antes de dormir.
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   abriu um pequeno sorriso, sem graça. Nunca, em seus quase 29 anos, parou para avaliar a própria vida e viu que 90% dela era dedicada a outra pessoa. A descoberta não lhe causou mal estar, muito pelo contrário, sentiu-se alguém melhor. Na vida de antes, não muito, mas ainda assim com certa frequência, sentia-se vazia e sem um propósito. Não sabia o que fazer da vida, e jamais cogitou dedicar-se a uma outra pessoa que não fosse ela mesma.
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  – Pode parecer loucura – ela disse, sorrindo –, mas eu gosto das coisas assim.
   não duvidou. Viu o olhar de , enquanto ela sorria, perdida em seus pensamentos, talvez avaliando qual a resposta perfeita ou, quem sabe, revivendo alguns momentos em sua cabeça.
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  O que importa é que teve essa vontade insana de beijá-la. Beijar seu sorriso e também seus olhos. Deitá-la em sua cama e fazer amor com ela, como há anos não fazia.
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  Piscou, abismado com seus pensamentos. Engoliu seco, pois não conseguia se controlar. Por sorte, conteve a si mesmo a tempo de sair de seu transe e lhe dar uma resposta simples e até humilde. Sua benevolência fez querer abraçá-la e protegê-la das pessoas que queriam derrubá-las.
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  Abriu um pequeno sorriso, pois precisava demonstrar alguma reação a ela. No entanto, dentro de si, sua cabeça começava a trabalhar sobre quais pessoas estavam envolvidas com o escândalo da família .
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  Pois elas podiam ser a raiz da alta sociedade, mas o que nenhum deles imaginavam, é que, apesar de ninguém da nata ter coragem de enfrentá-los, não ter nascido e criado nesse mundo tinha uma vantagem: a de não ter medo de perder as coisas.
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  E já havia perdido seu mundo uma vez. Sabia exatamente o que fazer para não perder de novo.
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  Na segunda-feira, anunciou, durante a janta, aos filhos, que tiraria férias por alguns dias. A reação foi imediata e esperada. Caique e Helena começaram a chorar, enquanto se agarravam ao pescoço da babá; Eric permaneceu estático, boquiaberto, enquanto processava a informação. Já os mais velhos começaram a falar um por cima do outro, cada vez mais alto, a fim de ser ouvido.
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  – Faz parte da lei. – disse, de modo que Hugo e Anna se calaram; mas o argumento não fez diferença para os outros cinco.
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  – Quem vai pentear meu cabelo antes de dormir? – Helena chorava, agarrada ao braço de , enquanto Caique balbuciava palavras desconexas devido ao choro.
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  – A não pode sair. – Eric disse, sério, controlado, mas com o desespero estampado em seus olhos.
  – Ela não vai embora para sempre, é só uma semana. – disse para o filho. De todos, não esperava que Eric fosse se incomodar na intensidade em que estava. – Vocês não acham que ela precisa de um descanso? – em seguida, o pai olhou para sua filha mais nova e disse: – Quanto ao seu cabelo, Helena, eu posso penteá-lo.
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  Não soube de certo se o aumento no choro da filha era algo positivo ou negativo. , no entanto, permaneceu calma, consolando os mais novos com carinho nas costas. Desde que entrou no trabalho, há pouco mais de um ano, essa era a primeira vez que passava mais que três dias longe delas. Era uma novidade para si também, e se não precisasse dar tanto atenção para sua própria família, não se importaria de vender todos os dias para o chefe, que com certeza aceitaria de bom grado, apenas pela conveniência de não ter de conviver sem babá durante uma semana inteira.
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  – É só uma semana, crianças. – ela sorriu. – Se sentir muito minha falta, podem me ligar.
  A ligação, contudo, veio no segundo seguinte à saída dela da residência.
  – É só para ter certeza de que você atenderia, . – Anna disse, limpando a garganta e não desligando.
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  , no celular, dentro do elevador, sorria, ouvindo o choro e a gritaria de Lucas, que havia ficado encarregado de olhar as crianças naquele dia, apenas por uma hora, pois havia uma reunião importante com a equipe no banco.
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  – , não vai dar certo! – Hugo gritava atrás. – O Caique parece que vai vomitar!
  – É o choro – disse calma, para Anna, que era a pessoa que poderia ouvi-la. –, tente fazê-lo se acalmar e estará tudo bem. Qualquer coisa, podem me ligar. Vou desligar, tudo bem?
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  Anna hesitou antes de concordar. A garota percebeu, à dura custa, que havia se acostumado com os cuidados de . Olhou, ao redor, o caos tomando conta da sala de estar da família. Eric colocou fones de ouvido para jogar no videogame portátil, enquanto os três irmãos mais velhos e Lucas se desesperavam com o ataque de choro de Caique e Helena.
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  Nunca, no último ano, a casa ficou nesse estado. A última vez que foi intenso dessa forma, foi logo após a morte da mãe; Cássia era o pilar da família, e não tê-la mais ali fez com que todos, inclusive o pai, perdessem o chão. Anna olhou ao redor, onde o caos se instalava como aquela vez. Sentiu um embrulho no estômago.
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  Não podia acontecer de novo. Ela não deixaria.
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  O primeiro dia das férias foi uma verdadeira bagunça. Com as gêmeas insistindo que precisavam do quarto que as três dividiam para gravar o conteúdo para as redes sociais, era obrigada a ficar o dia inteiro fora, sem poder fazer muito barulho com a faxina, já que toda hora uma das irmãs abria a porta para gritar com ela, ou desligar tirar o fio do aspirador de pó da tomada.
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  – Yasmin! – gritou com a irmã, que erguia a sobrancelha em um ar de superioridade, e fechava a porta do quarto. – Eu estou tentando limpar a nossa casa, já que vocês duas não fazem nada!
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  A mais velha não recebeu resposta alguma, pois as duas mais novas se achavam no direito de acreditar que aquilo não era um trabalho digno para elas.
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   suspirou, exausta, e ainda não era nem três da tarde. Ouviu a porta do quarto dos pais abrir e a mãe sair em um robe amassado.
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  – Você deveria descansar nas suas férias, . – Daisy disse. – Eu estava conversando com seu pai e talvez pudéssemos pensar em contratar uma faxineira, pelo menos uma vez a cada 15 dias.
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  – Está tudo bem, mãe. – disse. Sabia que os pais queriam ajudá-la. Mas não podiam gastar o dinheiro à toa. O apartamento não era grande, e, aos poucos, ela podia fazer a faxina. Se as irmãs ajudassem, tudo poderia ser mais fácil, mas sabia que não podia contar com elas.
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  – Ouvi dizer que você compareceu a um evento no jóquei.
  Então é isso, pensou. Daisy devia ter recebido alguma mensagem ou ligação de uma das antigas amigas, que lhe contou sobre o assunto. A filha olhou para a mãe, que a encarava com tranquilidade, esperando por uma explicação.
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  – Foi a pedido do meu chefe.
  – Eles não sabem do seu trabalho. – Daisy afirmou. assentiu e viu a cabeça da mãe concordar; pelos olhos da mulher, a filha sabia que o cérebro havia começado a trabalhar como nunca havia acontecido antes. – Não deixe que descubram.
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  – Não é como se eu pudesse esconder por muito tempo.
  Daisy tirou um cigarro do maço, mas, antes de acendê-lo, pode ver o olhar de . A filha não gostava do hábito da mulher de fumar; além de ser prejudicial para a saúde, ela odiava o odor que ficava na casa inteira. Sem dizer nada, Daisy devolveu o cigarro ao lugar de origem e se sentou no sofá para assistir a filha continuar a faxina com a vassoura, já que não tentaria uma quarta vez ligar o aspirador.
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  – Foi a Gabriela Andrade quem me falou.
   olhou para a mãe. Sabia quem era Gabriela Andrade. A mulher, esposa de um empresário pouco estimado, mas que possuía muitas posses e, por essa única razão, o casal não era completamente ignorado pelo grupo da nata, era uma nova rica que sempre quis fazer parte da alta sociedade.
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  Com frequência Gabriela entrava em contato com as mulheres mais importantes do grupo, se humilhando para tentar seu espaço entre elas.
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  Por isso, não sabia o que poderia ter incentivado a mulher, a entrar em contato com sua mãe, já que Daisy não fazia mais parte do grupo e não tinha conexão nenhuma nem com a nata, muito menos com a raiz.
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  – Ela é advogada. – Daisy disse, calmamente, no tom polido e educado como a etiqueta mandava. Cruzou as pernas e sentou-se ereta, olhando para . – Ela queria saber mais sobre o seu relacionamento com .
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  – E por quê?
  Daisy não respondeu de imediato. Deixou que a filha pensasse e chegasse à própria conclusão.
  – Eles se uniram aos novos ricos?
  – Eles são novos ricos, querida.
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  – O marido dela não é.
  Daisy abriu um pequeno sorriso, arrumando o cabelo para explicar, delicadamente, à filha, que ela até poderia estar certa, mas, neste caso, estava errada.
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  – Diga-me com quem tu andas, e eu te direi quem és. – a mãe disse.
  Então era isso, pensou. O marido apenas seguiu aos encantos da esposa e deixou-se envolver com os novos ricos. Portanto, o contato de Gabriela com Daisy deve ter sido para saber mais sobre algum podre da raiz; se , de alguma forma, conseguiu se envolver com um dos homens mais promissores e possivelmente o próximo a ser aceito pela nata, qualquer um que esteja envolvido com eles também podiam ter a chance de subir junto.
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  – Não. – disse, fechando a expressão para a mãe, que não moveu um músculo do rosto, como se reprovasse a resposta da filha mais velha. – Não vou ser uma peça nesse joguinho. Estamos indo bem. Estamos crescendo pouco a pouco.
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  Daisy suspirou e olhou para as unhas, que precisavam de cuidado urgente, mas que, naquele momento, não eram nada mais do que apenas unhas. A mulher manteve a postura, como se nunca tivesse chegado ao fundo do poço.
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  – Querida, você está mais a par da situação do que eu, mas podemos revisar, se quiser. – Daisy ergueu o dedo polegar de uma das mãos e começou a listar: – Um, o salário que seu pai ganha, apesar de ser melhor do que ele fazia quando só trabalhava como… motorista – disse, finalmente fazendo uma careta –, mal consegue pagar nossas contas. Nossa dívida ainda está na casa do milhão…
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  – Não estará mais em dois meses. Vou ajudar…
  – Você não vai nada, . – Daisy disse, séria. – Isso é coisa minha e do seu pai. Eu não vou permitir que aconteça com você e suas irmãs, o mesmo que aconteceu comigo. Você precisa ser mais fria e aprender com a sua tia.
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  – Mãe…
  – Segundo – ela continuou a lista, erguendo o dedo indicador –, existe a possibilidade de provarmos que fomos vítimas de um golpe e sermos restituídos do que tínhamos. E por fim – a matriarca da família de Paulo abriu um pequeno sorriso de vitória e um pouco de vingança –, podemos ter a nossa vida de volta, mas com uma agenda de contatos renovada, sem as pessoas tóxicas de antes.
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   permaneceu calada, enquanto ouvia a mãe falar sobre suas ex-amigas e também os familiares – todos – que a abandonou. Sabia que, se havia uma chance de Daisy se vingar de todos que a humilharam, ela agarraria a oportunidade com tudo o que tinha, e não havia quem a fizesse mudar de ideia.
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  No entanto, não sabia o que possivelmente poderia fazer com que o jogo virasse. Não queria abusar do chefe, principalmente agora que descobriu seus verdadeiros sentimentos por ele. , apesar de muito inteligente, não tinha noção do que as pessoas da raiz poderiam fazer para derrubar alguém. E ele tem 7 filhos para criar.
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  Por outro lado, olhou para a mãe. Viu, em seu olhar, um brilho que não via há mais de um ano. Daisy é uma mulher muito inteligente, mas que teve seu talento todo desperdiçado e ofuscado por um pai autoritário e uma mãe fraca. sabia que sua mãe queria provar para todos que não era a mulher fraca como havia sido a própria mãe; e, devido a seu orgulho, também queria ter a oportunidade de devolver, na mesma moeda, tudo o que lhe fizeram passar nesses dois últimos anos.
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  – O que Gabriela disse?
  – Que nossos nomes estão a toda força na boca deles. Porque você apareceu no jóquei semana passada e, aparentemente, conquistou a estima de uma das pessoas mais importantes do evento.
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  Sandra, pensou, mesmo sabendo que o que todos queriam dizer, era Tulio, o presidente do banco.
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  – E o que eles querem?
  – Primeiro, confirmar seu relacionamento com seu chefe. – Daisy descruzou as pernas e se inclinou para frente. – Você precisa fazer parecer real, filha. Eles precisam saber que vocês são um casal.
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  Não é muito difícil da minha parte, logo pensou. Inclusive, lembrou-se que a dificuldade verdadeira era não demonstrar seus sentimentos e correr o risco de ser demitida.
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  – Eu disse que vocês estão saindo faz um tempo, e que ele tem sido uma ótima pessoa para nossa família, o que não é mentira. O fato de ele ter empregado o seu pai faz parecer que o relacionamento é ainda mais forte.
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  – Eles podem dizer que é nepotismo.
  – Não seja boba – Daisy sorriu -, vocês não são oficiais, e seu pai foi empregado antes mesmo de vocês aparecerem… – a mulher olhou para – não é?
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  A mais nova assentiu. Até aí, pelo menos, era tudo verdade. , antes do pai ser admitido no banco, nunca havia feito um favor para , a não ser trabalhar triplamente para cobrir todos os horários que deveriam ser distribuídos a 2 ou 3 babás. No entanto, a raiz poderia facilmente modificar alguns palitos, só para destruir o prodígio.
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  – Não quero confirmar nada antes de conversar com o papai.
  Daisy revirou os olhos.
  – Seu pai já mostrou muito bem que não tem capacidade de tomar esse tipo de decisão, . Olha só a que nível chegamos.
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  – Bem, ele mudou. – a filha respondeu, mantendo-se fiel ao homem que jogou o próprio orgulho pro alto, para salvar a família. – Além disso, não quero que as gêmeas saibam de nada. Elas com certeza abririam a boca.
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  – Eu não sou boba, . Conheço as filhas que tenho. – Daisy olhou séria para a mais velha. – É por isso que estou vindo conversar com você, a minha única esperança. Agora, me diga… por que seu chefe está tão em alta?
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   hesitou. A mãe parecia saber muito mais do que qualquer outra pessoa da alta sociedade. Como, ela não sabia exatamente, mas estava aliviada de saber que a vitalidade havia voltado, mesmo que fosse para tentar enfrentar todo um batalhão de pessoas poderosas.
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  – Ele é um gênio do T.I. Está sendo cotado por várias empresas, principalmente bancos. A reunião no jóquei foi para apresentá-lo aos acionistas, pois parece que haverá uma reunião, ou talvez já houve, essa semana, para anunciar a promoção dele.
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  – Promoção? Para qual cargo?
  – Diretor. Ele é jovem, e chegar no cargo de direção é um grande feito para o mundo corporativo.
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  – E você entra como a parceira dele. Não há esposa?
  – Falecida.
  – Ótimo.
  – Mãe!
  – Não estou sendo otimista da mulher estar morta, , pelo amor de Deus. – Daisy a olhou impaciente. – Mas seria muito mais difícil ter uma mulher do passado dele para atrapalhar os planos.
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  – Hum… sobre isso…
  A imagem da mulher que chegou logo na saída deles do jóquei veio à mente.
  – Me parece que existe uma. Ex, quero dizer. Flávia, é o nome dela. Mas é tudo o que sei. Não deve ser da nata; talvez uma nova rica ou, quem sabe, de outro Estado. Acho que ela ainda está muito disposta a ter o senhor pra ela.
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  – Bem… vou ver o que consigo descobrir sobre ela. Seria melhor se houvesse um sobrenome, mas acho que não teremos problema. Por outro lado, você, filha, terá que fazer a sua parte e não deixá-lo escapar de suas mãos.
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   bufou, já estressada em ter que lidar com tudo isso. Permaneceu incomodada com toda a situação, e pensaria melhor sobre qual a melhor solução para o caso, e não perder a confiança de . Não queria perder o contato com ele, e nem com os filhos dele, a qual ela acabou se apegando.
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  Mas olhou para a mãe, vivaz e com vontade de viver novamente. Poderia fazer uma coisa ou outra para ela, mas só com o aval do pai, e sendo, sempre, honesta e transparente com . Queria a vida antiga de volta, mas, acima de tudo, não queria perder o homem por quem estava apaixonada.
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  No dia seguinte, decidiu que iria ao mercado fazer as compras da semana. As irmãs não cozinhavam, nem tampouco a mãe. O pai aprendeu a fazer uma coisa ou outra, mas a família sofria muito com a alimentação quando não voltava para casa. Assim, decidiu cozinhar e deixar algumas comidas congeladas para que eles comessem nos dias que ela estivesse trabalhando. As aulas de culinária na escola de etiqueta finalmente se mostraram úteis, ao contrário do que ela e suas amigas afirmaram nunca acontecer.
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  Contudo, o que não esperava, era que, ao abrir a porta, fosse envolta por um batalhão de gritos e braços rodeando partes do seu corpo sem dó. As pesadas sacolas de compras foram retiradas de suas mãos, e a porta foi fechada atrás de si.
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  – O que vocês estão fazendo aqui? – ela olhou para as 7 crianças que tomavam conta de praticamente toda a sala de televisão e de jantar. Seu rosto virou para o lado, onde pode ver Saulo arrumando as compras com a ajuda de Jussara, na cozinha. Provavelmente foram eles que pegaram as sacolas de suas mãos.
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  – Estávamos com saudades, ! – Helena disse, abraçando-a forte enquanto se sentava no sofá e pegava Caique no colo.
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  – Só faz quatro dias.
  – Quatro dias bem infernais. – Hugo disse, parecendo exausto. – Eu não sei qual a bruxaria que você faz para aguentar esses dois. – apontou para os mais novos, que pareciam felizes no colo da babá.
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  – É sério, – Felipe disse –, você precisa voltar para casa.
   sentiu um calor agradável no peito, vendo todos os 7 filhos presentes na residência de sua família, apenas porque estavam com saudades/cansados de aturar a hiperatividade dos mais novos. Olhou para os dois colegas de serviço, que abriram um sorriso fraterno para .
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  – Não houve um dia que esses 7 perguntavam se era possível te chamar. – Jussara comentou.
  – Eles sabem cansar um adulto quando querem. – Saulo suspirou, ouvindo as risadas das crianças mais velhas.
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  – Você não pode voltar para casa? – Arthur se aproximou de . – Só você consegue domar os dois – apontou para Caique e Helena, que pareciam dois anjinhos sentados junto da babá –, eles não ficaram assim nem por um segundo nos últimos dias.
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  – É, sabe que horas eles foram dormir ontem? – Felipe fez uma careta. – Meia-noite.
  – Oh – olhou para os dois, que viraram o rosto, como se não soubessem de nada do que os mais velhos estavam falando – e vocês? Como se saíram?
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  Os quatro mais velhos se entreolharam e Eric, que até então estava com sua atenção presa em seu videogame portátil, disse:
  – Anna passou o tempo inteiro gritando com todo mundo, dando ordens malucas. Hugo saiu de casa e dormiu fora os três dias, Arthur quebrou a porta do quarto em uma briga com o Felipe, que tacou o celular pela janela e o chato do síndico bateu na nossa porta hoje de manhã.
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  – Minha nossa! – Daisy olhou para os mais velhos, que coraram e viraram o rosto, como Caique e Helena haviam feito antes.
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  – Você também não foi nenhum santo, Eric! – Hugo gritou. – Você…
  – Só ficou jogando videogame! – Felipe completou o irmão.
  – É! – Hugo olhou vitorioso para Eric. – E não fez a lição de casa.
  – Tenho certeza que a sua professora vai ligar para o papai. – Arthur disse, provocando Eric, cujas maçãs do rosto logo começaram a adquirir um tom de vermelho.
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  – Seu pai…
  – Ele só ficou em casa na terça. E aí não saía do celular nunca, até o Lucas aparecer do nada e falar para ele ir para o banco. – Anna disse, emburrada.
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  – É! Ele não penteou o meu cabelo! – Helena gritou.
   suspirou. As crianças, todas juntas, começaram a falar sem parar sobre as reclamações reunidas dos quatro últimos dias. A mais velha desviou o olhar para os colegas de trabalho, que a encaravam com um sorriso carinhoso no rosto, enquanto Daisy observava, assustada, todas as crianças.
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  – Tudo bem, tudo bem! – disse, as mãos erguidas. – Eu volto! Mas primeiro, preciso cozinhar.
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  – Você cozinha? – os cinco mais velhos perguntam, uníssonos.
  – Eu não tenho a sorte de ter uma Jussara aqui em casa, então, é, eu cozinho.
  – Bem, hoje é seu dia de sorte, querida – Jussara diz –, estou aqui agora, e, pelo que estou vendo, você pretendia preparar uma refeição para uma festa.
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  – É para deixar congelado. Para eles. – apontou para a mãe, que no momento representava os outros três integrantes da família.
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  – Ah, sim. Tudo bem, entendi. Vou preparar tudo e você pode voltar com as…
  Triiiim!
  – O interfone! – Daisy disse, sentido-se aliviada por sair da algazarra que estava sua pequena sala de estar.
   olhou para as crianças, que desataram a continuar a falar. Podia entender a confusão que era para as pessoas de fora verem aquela cena, mas ela estava acostumada e conseguia entender quase que perfeitamente o que todos queriam dizer – ou o que cada um precisava dela.
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  – Boa tarde. – a voz conhecida e grave soou no ambiente.
  – Papai! – Helena pulou do colo de e foi para o do pai, que a pegou no colo enquanto era enforcado pela filha mais nova.
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  – Desculpe o incômodo. – ele olhou para Daisy, que era todo sorrisos.
  – Imagine, você é sempre bem vindo em nossa… humilde, hum, residência. – ela olhou para os lados, sem graça.
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   olhou para Daisy e lhe fez uma careta. Ela poderia ter avisado que o porteiro havia avisado da chegada de seu chefe!
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  – O que o senhor está fazendo aqui? – Anna perguntou, boquiaberta.
  – Bem, qual foi minha surpresa ao chegar em casa e não ouvir um barulho. É claro que vocês não estariam por lá. Falei com Saulo e ele informou que vocês causaram um pequeno pandemônio ontem e, por isso, convenceram os dois a trazerem vocês para cá. Mas a ainda está de férias.
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  – Não! – os sete falaram.
  – Ela concordou em voltar para casa! – Hugo disse. – Não é, ?
  – É… é. Concordei sim. – a moça sorri sem graça.
  – Vocês precisam parar com isso. – disse. – precisa descansar e vocês não estão ajudando.
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  – Ela pode descansar lá em casa! – Helena disse no colo do pai. – Você pode dormir comigo, , minha cama é graaaande!
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  – Ela tem uma cama lá, Helena. – Arthur diz, revirando os olhos.
  – Pai, a precisa voltar para casa. – Anna disse, e imediatamente mandou um olhar para os irmãos próximos de sua idade, e logo todos voltaram a falar sem parar, com calada observando, já que, na presença de , ele era a autoridade.
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  – Chega! Pelo amor de Deus, estamos na casa de outra pessoa. – ele massageou as têmporas com a mão que estava livre, e olhou para Daisy. – Perdão por toda essa algazarra, senhora . Como pode ver, não é fácil lidar sozinho contra sete, mas, de alguma forma, sua filha é uma santa.
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  – Ah – Daisy abriu a boca, encantada com o elogio –, é, realmente, um amor de mulher. Sempre foi. Muito dedicada e muito carinhosa com os outros. Se não fosse por ela, nossa família estaria em destroços hoje.
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  Ainda que Daisy estivesse exagerando e acrescentando algumas mentiras em prol da sua vontade de voltar para a alta sociedade e vingar-se de todos que lhe causaram o declínio, não evitou sentir-se feliz com o depoimento da mãe. Achou que pelo menos