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Natashia Kitamura
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Temporada #016

Lose You To Love Me
Selena Gomez

Esta história não possui capas prévias (:

Sem informações no momento.

 

Lose You To Love Me

  Era um final de tarde comum. As vendas na doceria em que trabalhava haviam sido promissoras; minha chefe, a confeiteira, uma senhora muito simpática que aceitou me contratar mesmo eu não tendo nenhuma experiência, estava com um bom humor extra por conta das vendas.
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  O caminho para minha casa era sempre a mesma; eu atravessava a rua da loja, que dava para um parque onde sempre havia crianças brincando até 19h, hora em que seus pais chamavam para o jantar, e uma quadra de basquete, onde jovens sempre estavam competindo por algum prêmio bobo. Em dias tranquilos, como hoje, sempre acabava parando para assistir um pouco o jogo. Quer dizer, estava preparada para ver um jogo, então foi uma grande surpresa quando vi apenas um garoto sozinho na quadra, fazendo seus dribles e cestas sozinho. Ainda que solitário, ele parecia concentrado, como se estivesse vivendo uma competição real. Reclamava quando errava um passe – que para mim era melhor do que qualquer passe dado pelas pessoas que costumam jogar – e balançava a cabeça em afirmação quando, talvez, acertasse um passe que queria.
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  Sem perceber, me sentei no banco e assisti o jogo solitário, mas cheio de movimentos, do garoto. Enquanto ele ia de um lado para o outro sem se cansar, passei a prestar atenção em sua aparência. Os braços nus da camiseta de basquete eram praticamente puro músculo; sua pele bronzeada mostrava que ele passava mais tempo debaixo do sol, do que o recomendado pelos médicos. Seus cabelos eram escuros e os olhos… bem, não pude ver direito, mas no escuro, pareciam castanhos. Ele era alto. Do tipo, muito alto. Talvez seja por isso que jogasse basquete. O suor lhe presenteava com uma beleza inusitada. Acho que foi o olhar focado e determinado; minhas amigas sempre disseram que eu sou do tipo de garota que se apaixona pela maneira como o cara me olha… talvez elas estivessem certas.
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  Fiquei vinte minutos sentada, assistindo ele jogar. Durante todo esse tempo, parou somente uma vez para se hidratar e continuou sua rotina. Decidi, então, ir embora, já que estava tarde e eu ainda precisava passar no mercado, antes que ele fechasse. Desejei, mas só um pouquinho, que ele estivesse ali no dia seguinte.
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   E ele estava. E no outro, e no outro, e no outro também. Todos os dias chegava em torno das sete da noite e sabe-se lá quando ia embora. Um dia, no entanto, ele não foi para a quadra de basquete.
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  – Querida, pode me ajudar no balcão? Estou cuidando de alguns pedidos de encomenda. – Lora, minha chefe, pediu com um sorriso simpático. Sorri em volta e parei imediatamente de fazer o que fazia, para ir até o balcão, onde alguns clientes aguardavam pacientes serem atendidos.
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  Um a um, atendi com um sorriso no rosto e muita disposição. Apesar de ser apenas um trabalho de meio período, eu tinha muito prazer em ajudar Lora, que sempre me tratou como se fosse sua filha.
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  Meus pés travaram quando reconheci o rosto do próximo cliente. Limpei a garganta e limpei as mãos no avental de cintura. Sem perceber, levei a mão no cabelo, colocando a mecha para trás da orelha. Me arrependi no minuto em que percebi a ação. Agora ele me acharia uma tola.
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  – Em que posso ajudar? – tentei dizer no tom que usei com os clientes anteriores. Quem sabe assim ele achasse que sou normal?
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  – É minha primeira vez aqui, qual o doce mais famoso?
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  Azuis. Seus olhos eram azuis. Um azul profundo e puro. Sem sinais de verde, cinza ou amarelo, como há nos olhos de algumas pessoas com a cor diferente do castanho. Também percebi que ele era muito mais alto do que eu imaginava. Talvez chegasse perto dos 1,90m. Ou passasse um pouco.
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  – H-hum… os sabores de mirtilo e morango são os que mais saem. E vanilla.
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  Ele balançou a cabeça e observou os doces da vitrine, tirando seu próprio tempo para olhar tudo e se decidir sobre o que queria. Enquanto isso, me deliciei na sua aparência divina. Sua mandíbula era firme, dando um charme masculino em seu rosto que ninguém questionaria a beleza. Apesar de usar um moletom cinza com capuz e zíper, pude ver parte de seu colo na camiseta gola redonda que usava. Engoli seco.
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  – Os que você indicou, e esse. – ele apontou para um doce qualquer na vitrine, que peguei com cuidado.
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  – Para viagem?
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  – Sim.
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  – Mais alguma coisa?
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  Ele parou para pensar alguns segundos.
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  – Vocês têm café moccha?
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  – Temos, sim.
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  Enviou uma piscadela, mostrando que iria querer o café também e retribuí com um sorriso. Limpei a garganta ao perceber que não me mexi, e me xinguei internamente assim que fiquei de costas, para preparar seu café.
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  Depois de cinco dias desde o primeiro encontro na doceria, Lora me convenceu a ir conversar com ele na quadra. Ela acabou me pegando observando ele em um dia de pouco movimento, quando limpava as mesas mais próximas da janela. Fiquei, sem perceber, observando o garoto do basquete na quadra, jogando sozinho, como sempre.
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  – Leve um café, se ficar com vergonha, diga que eu mandei.
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  Sorri, animada por ter um motivo pela qual falar com o garoto.
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  Quando cheguei perto da quadra, limpei a garganta, respirei fundo e pensei em N maneiras de começar uma conversa.
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  – Oi! – ouvi, me fazendo pular de susto. Ele riu. – Desculpe te assustar, achei que havia acenado para mim.
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  Sua proximidade aconteceu em câmera lenta. Os cabelos molhados de suor, a pequena toalha em sua mão, que usava para passar tanto na cabeça, quanto no rosto e pescoço… ah… era a visão do paraíso.
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  – A-ah… sim! – sorri, sem graça. – Lora, da doceria, disse que assistiu você jogar esses dias e o achou muito talentoso. Mandou esse café. – estendi meus braços para entregar-lhe o café e ele, surpreso, mas com um sorriso, pegou.
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  – Obrigado. – olhou para a doceria. – Não achei que desse para ver algo de lá.
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  – Ah, dá sim, não é tão longe… – comecei a falar sem pensar, mas logo parei, limpando a garganta e sentindo meu rosto esquentar.
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  Ficamos em silêncio por um tempo, até ouvir sua risada.
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  – Meu nome é .
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  – Nicole.
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  – É um prazer te conhecer, Nicole.
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  E foi assim.
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   era jogador profissional, mas preferia treinar sozinho sempre que possível. Achava mais benéfico não ter ninguém apitando no seu ouvido; além disso, os rivais que criava em sua cabeça eram muito mais fortes do que os jogadores do seu time.
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  Assim como eu, ele estava no segundo ano da faculdade. Ganhou a bolsa de estudos para esportistas, por isso precisava se dedicar ao treino. Seu sonho era entrar na liga nacional e poder competir ao redor do mundo.
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  Eu, por outro lado, gostava da minha vida como estava. Meus pais nunca foram um bom exemplo de seres humanos; achavam que se eu quisesse algo, deveria conseguir por mim mesma. Seria uma situação normal, se eles não tivessem me dito isso ao completar 15 anos. Desde então, trabalho para pagar meus estudos. Quando entrei na faculdade, tive dificuldade de sobreviver ao primeiro semestre, mas graças a Lora, que me acolheu como sua funcionária, e à bolsa para estudantes que vivem com baixa renda, pude viver sem muitas preocupações.
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  Depois que eu e nos aproximamos, passei a ficar todos os dias assistindo ele a treinar. Alguns dias não nos falávamos, pois ele estava muito concentrado e eu precisava ir embora; outros, comíamos algo em algum lugar barato depois de acabar seu treino.
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  Até que um dia, fomos para um restaurante à beira-mar. Era bonito, mas não chique o suficiente para termos de nos arrumar como se estivéssemos indo para um baile. Em um momento entre o prato principal e a sobremesa, ele segurou minha mão por cima da mesa e entrelaçou nossos dedos.
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  Foi uma mistura de sentimentos que permaneceria por um longo tempo dentro de mim. Borboletas no estômago, a mente distorcida, como se tivesse injetado muito álcool, respiração falha, o rosto queimando e as palmas das mãos começando a suar. Seu sorriso ficou encravado em mim.
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  – Sei que é você – ele começou – seu sorriso é tudo o que quero ver na minha torcida. Quero fazer uma cesta e procurar por você. Quero causar em você, o bem que você causa em mim.
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  Foi como fogos de artifícios dentro de mim. Uma onda subiu até meu âmago e as lágrimas ameaçaram sair.
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  – Namore comigo. – ele finalizou, com um sorriso sereno e confiante, do jeito que eu adorava. Eu adorava a maneira como ele sempre parecia saber o que fazer.
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  Não consegui responder apropriadamente, mas sorri como nunca havia sorrido antes, o que foi o suficiente.
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  O primeiro ano e meio de namoro fluiu naturalmente. Nós nos aproximávamos do fim da faculdade. Eu continuava trabalhando na doceria da Lora, mas apenas nos finais de semana, já que o estágio na galeria de arte e os estudos ocupavam todo o meu tempo.
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  Quando entrei no estágio e tive que mudar o horário na doceria, fiquei preocupada, pois meu salario diminuiria. Na doceria, além de Lora ser gentil em me dar um bom salario, eu também tinha a gorjeta que muitos, principalmente os clientes de longa data, me davam. Foi quando me chamou para morar com ele. Seria fácil para nós dois, já que por conta das audições para entrar no time nacional, tinha treino durante o final de semana. Ter alguém para ajudar a cuidar da casa era perfeito para ele, que passava o dia inteiro fora, e quando voltava, estava quebrado por conta dos treinos. Por isso, eu cuidava de manter a casa limpa e organizada, já que ele pagava todas as contas. O dinheiro que recebia do trabalho e do estágio ia para uma poupança.
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  Entretanto, com a chegada do último semestre e a loucura do término do curso, o estresse causado pelas provas e apresentações finais foram tomando conta de mim e . Por ser bolsista, ele tinha de manter boas notas no curso de administração, ao mesmo tempo que tinha de fazer uma apresentação perfeita nos jogos da universidade, já que olheiros do time nacional poderiam aparecer a qualquer momento.
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  Por outro lado, eu também não estava passando por menos dificuldade. A galeria de arte dava mais trabalho do que o costume, e por meu tempo de estágio estar chegando ao fim, a pressão era ainda maior, pois eu queria muito ser efetivada e começar a poder receber comissão sob as vendas. Com elas, eu poderia ganhar até o quadruplo do meu salário, sendo possível pagar por um plano de saúde melhor, além de me oferecer a começar a pagar uma parte dos gastos da casa.
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  – Eu disse que precisava das camisetas lavadas para amanhã! – gritava na porta da cozinha, enquanto eu terminava de cozinhar.
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  – E eu disse que elas estarão lavadas! – gritei de volta. – Por que você está tão estressado e descontando em mim?
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  – É só que tudo parece fácil para você, já que não tem com o que se preocupar, uma vez que seu emprego já está—
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  – Não ouse! – me virei para ele e apontei a colher de pau com que cozinhava. – Eu estou passando por tanta pressão quanto você! Não ache que só porque não é problema seu, que será menor do que o que está passando!
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   passou a mão pelos cabelos e resmungou algo que, por sorte dele, não ouvi.
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  E então as brigas pioraram. Começaram a ficar mais intensas e frequente. Eu dava meu melhor, cuidando dele nos dias de enxaqueca, da casa e da minha vida.
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  Era quarta-feira, véspera da minha apresentação final na faculdade. Só mais um dia, e então eu estaria livre de metade dos meus problemas.
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  O jantar estava pronto antes do costume, pois queria ter o máximo de tempo possível antes de dormir, para que pudesse tempo para treinar algumas vezes a minha apresentação.
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  Antes de eu sequer parar em frente ao espelho, ouvi a porta do apartamento fechando. Fechei os olhos e respirei fundo. Nós não brigaríamos. Eu tinha outra prioridade no momento.
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  – Por que você não atende a droga do telefone? – gritou, abrindo a porta do quarto apressadamente e indo direto para seu armário. – Você esqueceu a droga da bermuda!
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  – Não esqueci. – disse, tentando manter a calma.
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   jogou sua bolsa do treino em minha direção, que bateu em mim e caiu no chão, aberta. Olhei dentro e havia uma bermuda.
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  – Eu disse que hoje jogaríamos com o uniforme roxo! – ele gritou antes que eu pudesse responder.
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  – Não disse.
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  – Agora eu sou louco? Sua sorte é que hoje não teve nenhum olheiro.
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  – Minha sorte? – me virei para ele, sentindo meu rosto queimar. – Eu, por acaso, sou sua mãe? Você tem que ter um pingo de responsabilidade e checar suas coisas antes de culpar os outros por um erro seu!
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  – Isso é o mínimo que você deveria fazer, já que não paga as contas!
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  – Eu me ofereci para pagar! Você não deixou! É por isso? Porque quer ter esse argumento mesquinho e idiota?
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   se virou para mim depois de ter jogado metade do conteúdo de seu armário para fora.
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  – Você tem que aprender a se tocar, . – sua voz saiu fria e baixa. – Arrume isso.
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  E, sem dizer mais nada, pegou sua mochila em meus pés e saiu.
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  Aquela noite, eu também saí. Fui para Lora, onde passei a noite e desabafei com ela, que me apoiou e acalmou, para que eu pudesse focar no que era importante para mim. A apresentação do dia seguinte.
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  Quando cheguei em casa depois do trabalho, já estava lá. Tirava a roupa da secadora e a dobrava cuidadosamente. Da cozinha, sentia o cheiro de algo gostoso.
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  – Desculpe. – foi a primeira coisa que ele disse. – Eu perdi a cabeça ontem por algo que ouvi do treinador e descontei em você. Foi errado. Me desculpe.
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  – Não faça de novo. – disse baixo.
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  Ele assentiu e me puxou para um abraço.
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  – Eu amo você. – sussurrou em meu ouvido. – Chegar em casa e não te encontrar… eu quase enlouqueci.
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  – Não seja exagerado.
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  – Não estou sendo. – ele se afastou de mim e segurou em meu rosto. – Tudo o que eu falei repassou pela minha cabeça. Achei que não voltaria.
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  Apertei os lábios. Pensei, por um momento, não voltar.
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  – Mas isso não vai mais acontecer. – ele respirou fundo e voltou a me abraçar, depois de me dar um rápido beijo. – Eu nunca mais vou te machucar.
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  Dois anos depois.

  O apito final definiu o final do jogo. O time de havia ganho –  de novo. Ele estava passando por uma ótima fase no time nacional e local. Fora contratado pelos dois, o que lhe rendia uma ótima vida. Nos rendia uma ótima vida.
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  Eu estava, como sempre, sentada na arquibancada, na área designada a familiares dos jogadores.
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  Minha vida estava completamente diferente do que há dois anos, quando eu e nos formamos na faculdade.
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  Antes de ser chamado para fazer parte do time nacional, conseguiu um posto de jogador principal em um dos maiores times do país, o que lhe rendeu uma atenção ainda maior, e uma mudança para outra cidade do país.
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  Na época, a galeria em que eu trabalhava estava me enrolando em contratar. O contrato de estágio estava acabando e eu corria o risco de não conseguir ser efetivada. , então, me chamou para ir com ele para a outra cidade. Foi quando pensei em quão difícil seria a nossa relação conosco em duas cidades distantes. Aceitei.
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  A nova cidade, no entanto, não possuía muitas galerias aonde eu poderia trabalhar, o que me fez tentar ir para outros ramos. Acabei na administração da biblioteca municipal, que não me pagava bem quanto o salário que eu ganharia se tivesse sido efetivada na galeria anterior. Mas tudo bem. Eu estava feliz. Estava com e a carreira dele estava deslanchando.
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  Em um ano, nossa vida mudou. virou o principal do time, chamando a atenção de uma legião de mídia e fãs. Começamos a participar de eventos importantes e, cada vez mais, estar inseridos no mundo do entretenimento. E então, há dez meses, foi convocado pelo time nacional. Quando se recebe uma honra dessa, é impossível recusar, principalmente quando ele era um dos jogadores mais valiosos da atualidade.
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  Estava feliz por ele. Por vê-lo realizar seu sonho. Por trás das câmeras, eu torcia por ele. Cuidava dele. Dava o melhor de mim para ajuda-lo no que pudesse. Apesar de ser sempre confiante, havia momentos de insegurança e tristeza, que eu conseguia lidar muito bem. No entanto, aos poucos, fui me incomodando. Em como ele era sempre o receptor, e nunca eu. Em como não havia tempo para nós dois. Em como comecei a me sentir menos, porque não recebia o mesmo valor de outras pessoas, e dele.
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  Mas eu não tinha coragem.
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  Não queria terminar com ele. Eu o amava.
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  Queria ele comigo, mas queria receber seu carinho. Não queria só dar. Queria chegar em casa e ser surpreendida por um e um jantar. Queria um dia sem que tivesse de ouvir ele falar sobre as oportunidades que as pessoas enviavam para ele.
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  Queria ouvir um “como foi seu dia?” só uma vez.
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  Enxerguei que eu estava no modo automático. Quando ele precisava, eu estava lá. Porque era aonde eu deveria estar. Aonde eu estava acostumada a estar.
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  Perdi as contas de quantos meses permaneci nesses sentimentos, sem saber o que fazer ou como começar.
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  Até que um dia, tomou a iniciativa por mim.
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  – Nos tornamos amigos. – foi a desculpa dele.
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  – Não é verdade. – respondi, sentindo meu coração doer.
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  Ele respirou fundo.
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  – Eu a respeito, . Você foi tudo para mim. É só que… meus sentimentos… – ele coçou a cabeça.
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  Não ouvi mais nada após isso. Ele falou por um bom tempo. Algo como “você não reage mais… parece que não quer estar lá de verdade”. Ele precisava de alguém que estivesse com ele porque queria. Eu quase quis rir com seus “achismos”.
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  No fim, ele disse que poderia sair do apartamento, se eu quisesse. Mas eu disse que não, que eu sairia, afinal, o lugar era dele.
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  Por sorte minha, ele não disse mais nada. Não perguntou se eu precisaria de ajuda. Nem no fim, ele se preocupou comigo, o que fez meu estômago arder em raiva. Me senti como uma piada mal contada. Mal valia a pena um riso.
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  Voltei para minha cidade anterior, onde Lora me recebeu de braços abertos. Passei a morar com ela até achar um lugar decente. O trabalho na galeria em que trabalhava havia sido ocupado pela outra estagiária. Ela ganhava bem, disseram.
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  Procurei por outros empregos em outras galerias, mas não estava na época de contratações. As empresas esperariam as festas de final de ano passar. Lora disse que eu não precisava me preocupar. Nunca agradeci tanto a Deus por ter me colocado ela em meu caminho.
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  Na noite de natal, fiz um jantar para nós duas. Parte de mim ainda sentia o vazio que havia deixado. Ele não me ligou nenhuma vez. Com as coisas que recebi, que pedi para que ele me enviasse, não havia nenhuma carta. Que tola eu era por esperar algo dele. Mas ele havia dito que éramos amigos. Amigos não mandavam cartas?
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   Me sentei em minha cama após o jantar com Lora. Ela costumava dormir mais cedo, pois gostava de acordar cedo para trabalhar nos doces. Eu ficava bem com menos horas de sono.
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  Vi algumas mensagens de amigos desejando feliz natal. Em alguma delas, perguntas sobre meu bem-estar. Estranhei, até ler a mensagem de um deles:
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  “Eu não acredito que ele fez isso com você. Saiba que estamos contigo. Estou passando perto de sua cidade na semana que vem, vamos nos encontrar e falar mal dele. – Jay”
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  O que ele havia feito comigo, eu estava para descobrir.
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  Abri o navegador e pesquisei por seu nome. Na área de notícias, a primeira coisa que vi, foi a foto dele capturada por paparazzis caminhando à noite. De mãos dadas com uma celebridade. Na notícia, “ Britto confirma relacionamento com a supermodelo…”
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  Fiquei com a tela aberta por alguns segundos. Uma vontade repentina de gargalhar me embrulhou o estômago. Meus olhos arderam.
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  – Você não esperou nem completar dois meses, seu idiota. – disse para a tela, onde um sorridente andava com a mulher de pernas maravilhosas. Eu a havia visto várias vezes antes. Será que eles…? Não. Ele não me respeitaria assim.
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  Talvez eu merecesse aquilo. Merecesse toda a dor.
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  Durante muito tempo, tive a chance de terminar e seguir em frente, ao invés de ser obrigada. Tive tempo o suficiente para pensar em maneiras de ter uma nova vida sem ele. E daí que eu o amava? O amor não me trouxe nada senão lembranças inúteis. Lembranças que me agarrei e as revivia como se fossem o meu presente.
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  Segui até a janela, onde abri e senti o vento congelante bater em meu rosto. A noite estava surpreendentemente fria, principalmente para mim, que havia acabado de sair do banho. Meu corpo estremeceu, mas não pelo frio.
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  Sorri.
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  Sorri, porque era o que eu deveria fazer por mim.
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  Sorri, porque fui presenteada com o melhor presente que poderia receber neste natal. A força de ter a vida que eu queria. A chance de ter alguém que faria por mim, igual e até mais do que eu faria por ele.
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  – Agora é de verdade. – disse, aliviada, após as diversas lágrimas escorrerem. Lágrimas de tristeza e alegria. De dor e alívio. De alguém que é humana, que errou e aprendeu com o erro. – Agora acabou de verdade.
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  Olhei para o céu e, sem querer, disse, para quem quer que estivesse ali em cima:
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  – Obrigada.
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Fim

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1 ano atrás

Meu Deus, eu to quase chorando aqui depois de ler essa maravilhosa Songfic, sendo de uma música maravilhosa que também tenho vontade de chorar. TU É MARAVILHOSA, GURIA (assim como Selenita). <3

Comentário originalmente postado em 22 de Junho de 2020


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