Natashia Kitamura
Visite o Perfil

Status

Loading

Avalie

Este texto foi revisado
Encontrou algum erro? Clique aqui

Esta história não possui capas prévias (:

Sem informações no momento.

Insane 2

Parte do Projeto Songfics – 10ª Temporada // Música: What You Wanted, por OneRepublic

  “Senhores passageiros, por gentileza, solicito que retornem suas poltronas na posição vertical e apertem seus cintos. Começaremos a realizar o pouso.”

  Depois de um final de semana repleto de pessoas bêbadas e o cheiro da sexualidade atraindo a todos aqueles que não gostavam das regras da sociedade, coloquei meus óculos de sol ao sair do jato da empresa . Ao fundo, na área pública do aeroporto, paparazzi e jornalistas se amontoavam como arroz japonês para tirarem as melhores fotos dos herdeiros que mais chamavam a atenção da população ao redor do mundo. Me arrependi de não ter colocado minha echarpe assim que senti o vento congelante do inverno americano dar um tapa em minha cara e me esforcei bastante em não deixar transparecer para as fotos que ainda hoje seriam vendidas para os sites e revistas de notícias de celebridades.
0
Comente!x

  À frente, via os pilotos conversando com respeitosamente, enquanto ela sorria e os cumprimentava antes de seguir para a área de desembarque, onde a calefação fazia bem o seu trabalho de nos aquecer. Enquanto meus músculos relaxavam com o contato ao ar quente, abria um sorriso para aqueles que aguardavam nossa chegada, alinhados e devidamente uniformizados. Antes de perder de vista, apressei meus passos, passando por Burke e Ashton sem dar-lhes atenção e passei até a área VIP, onde nossos motoristas nos aguardavam para nos acompanhar até nossos carros. Por uma sorte que veio de não sei da onde, olhava para os lados, como se procurasse o rosto conhecido de seu motorista que não estava ali.
0
Comente!x

  - Perdida? – puxei assunto antes que ele aparecesse ou ela resolvesse telefonar para questionar onde ele estava. Virou-se para mim, surpresa, e relaxou ao ver que era eu. Abriu um pequeno sorriso e então a bolsa, de onde retirou o celular e começou a procurar o número de seu motorista na agenda. – Parece que ele não está aqui.
0
Comente!x

  - Quero saber por quê. – balançou o aparelho em minha frente, me calando. Dei minha mala para meu motorista e pedi para que fosse na frente preparar o carro, ação que ele obedeceu imediatamente. Voltei a olhar para , que olhava para cima, provavelmente um ato que demonstrava sua impaciência em ter de esperar ser atendida. No fim, a caixa postal soou, fazendo-a desligar o aparelho brutamente. Seus ombros subiram e desceram rapidamente com o suspiro que deu ao tentar mais uma vez e receber a mesma caixa postal como resposta.
0
Comente!x

  - Quer uma carona? – pergunto, ainda com as mãos no bolso. Olhou para mim com o celular no ouvido e o afastou assim que ouviu a voz automática da caixa postal. Sem escolhas e esperando que seu celular vibrasse em três segundos, desistiu ao ver que não teria retorno e, por não ter dormido como eu, deveria estar tão cansada quanto, já que resolveu ir embora antes de todos os jatos serem encaminhados ao hangar. Empurrou sua mala de carrinho em minha direção e devolveu o celular dentro da bolsa, seguindo meus passos até o estacionamento, onde meu motorista aguardava pacientemente do lado de fora para abrir a porta. – Vamos levar a senhorita primeiro. – anunciei, recebendo uma leve reverência como resposta.
0
Comente!x

  - 59th street – a ouvi informar, entrando no carro logo atrás de mim. Assim que Michael fechou a porta, encostei minha cabeça no banco, em partes, feliz por estar de volta a Nova York, sem todas as pessoas chamando meu nome para falar sobre assuntos em vão. Enquanto respirava, aliviado por estar de volta à minha cidade natal, ligava para sua secretária, pedindo para cancelar com o motorista e dar-lhe uma advertência. Sorri ao vê-la parecer uma mulher fria com sua funcionária. É sempre bom ver as mulheres tentando ter um espaço maior no meio de tantos empresários homens. Cruzou suas pernas cobertas pela calça social e passou a observar a estrada.
0
Comente!x

  Solto um riso ao vê-la não me dar atenção. É uma verdade o fato dela estar me ignorando. Isso acontecia desde nosso beijo durante a madrugada.
0
Comente!x

  Flashback

  Seus olhos se abriram somente depois de cinco segundos do término do beijo. Mesmo estando contra a luz, tenho certeza de que enxergava muito bem meus olhos e o sorriso em meus lábios. Não sabia se deveria se inclinar e me dar outro beijo, ou se fizesse, eu me afastaria, já que deixara claro que aquilo era somente um bônus, não um convite para transarmos.
0
Comente!x

  Não sei quantos minutos ficamos nos encarando, mas me senti vitorioso ao vê-la desviar o olhar para se levantar e sair do quarto. Durante o resto da festa, a observei fugir de mim e ser paquerada descaradamente por outros caras, que receberam, obviamente, um “não” como resposta. Estava gostando do fato de estar em sua mente, mesmo que seja manuseado pela raiva. Ao contrário dela, tive uma boa noite com Linda Blackwood, a modelo canadense com quem sempre fico quando não tenho vontade de ficar com mais ninguém.
0
Comente!x

  Fim do flashback

  - Você irá me ignorar até quando? – pergunto, depois de alguns minutos calados. Virei meu rosto para ela, mas a vi continuar fazendo seu trabalho em fingir que não estou ali. Os braços agora cruzados, como as pernas, mostravam uma mensagem corporal de que ela não responderia nada do que eu lhe perguntasse. – Se eu te atacar, continuará calada dessa maneira? – entre um riso e outro, fiz a pergunta, ainda não recebendo resposta. Dessa maneira, decidi partir para uma brincadeira, escorregando minha mão direita até sua coxa.
0
Comente!x

  - Pare. – foi o que ela disse em uma voz fria e nervosa. Mantive o sorriso em meu rosto e a mão estacionada em sua coxa; quando fiz menção em mexê-la mais para cima, sua mão veio voando em meu braço. – Eu disse, pare. – olhou para mim, sua voz um pouco mais agressiva.
0
Comente!x

  - Ah, então assim você responde. Muito bem. Devo lembra-la de que não tenho culpa alguma sobre os problemas de sua vida e a falta da presença de seu motorista. – voltei à minha posição anterior, arrumando meu blazer, que havia sido amassado pela minha brincadeira. – Não sei por qual razão você está me ignorando, mas acho que deveria ter um pouco de consideração por alguém que está cuidando de você.
0
Comente!x

  Ouvi sua risada e abri um sorriso, satisfeito por saber que estava prestando atenção em mim. Observei as placas verdes e azuis indicando o caminho para várias cidades que vinham antes de Manhattan; ainda havia uma hora até chegarmos ao prédio onde ela mora.
0
Comente!x

  - Você continua exatamente como quando estávamos na universidade. – ela comentou, me encarando.
0
Comente!x

  - Atraente?
0
Comente!x

  - Imbecil. – respondeu, me fazendo dar uma alta gargalhada.
0
Comente!x

  - Imbecil… – falei. – É, já me chamaram bastante assim. – concordei, me lembrando de todas as mulheres com quem terminei e que me chamaram de nomes até piores do que um simples ‘imbecil’. – Quer dizer que você sabe sobre mim. – observei, olhando para ela.
0
Comente!x

  - Assim como você sabe sobre mim. – retrucou. Fiz um barulho com a boca, vendo-a levantar uma sobrancelha.
0
Comente!x

  - Eu sei muito mais sobre você, do que você sobre mim. Você sabe com quantas pessoas eu já transei? – perguntei, vendo seus olhos se revirarem. – Pois eu sei com quantos você já transou.
0
Comente!x

  - Duvido muito. – os braços voltaram a se cruzar, seu corpo agora se movimentando em direção a mim, me mostrando estar centrada em nossa conversa. Abri um pequeno sorriso e chamei por Michael.
0
Comente!x

  - Coloque os fones. – ordenei, vendo-o tirar uma mão da direção para abrir o porta-luvas, de onde tirou um headphone, conectando no painel do carro e ligando alto o suficiente para eu e conseguirmos ouvir quais músicas estavam tocando na rádio. Voltei meu olhar para ela, que se mexeu, perturbada por eu estar tão seguro. Eu estou seguro. Sem conseguir evitar dar o meu sorriso maroto, disse: – Vinte e três, apesar de me recusar em considerar sua noite com Adam Brown uma transa. – balancei a cabeça. – Vamos lá, foi só um boquete, não foi?
0
Comente!x

   estava boquiaberta. Os olhos arregalados e o corpo tenso. Talvez meu comentário sobre Adam tenha sido exagerado, apesar de demonstrar exatamente minha opinião. e Adam tiveram um caso no Insane do ano passado. Disseram tê-los visto atrás das pedras no final da praia onde ficava o casarão; apesar de Adam insistir em dizer que os dois transaram, fontes diziam que, na verdade, se recusou a abrir as pernas para ele, considerando somente em fazer um pequeno trabalho para que ele lhe deixasse em paz. Mesmo que a repercussão não tenha sido de um efeito grande, já que a sensação da temporada foi Jackline e Hendal entrarem em um ménage com Paul na sacada, o fato de estar envolvida em um boquete era grande o suficiente para ninguém se esquecer tão cedo.
0
Comente!x

  - Eu não fiz… Isso… Em ninguém. – seu tom era de nojo.
0
Comente!x

  - Ah… Então vocês realmente transaram. – cruzei os braços e fiz uma cara de nojo, já que Adam não era o cara mais bonito para ficar com uma mulher como .
0
Comente!x

  - Eu não transei com Brown– Você não tem nada o que ficar me perseguindo, isso é repugnante! – sua voz saiu estridente, o rosto vermelho pelo meu acerto.
0
Comente!x

  - , não sou eu quem te persegue, são as pessoas. – apontei para fora, vendo-a se encostar no banco, ciente de que eu estava certo. – Você pode não fazer uma lista com nomes de pessoas com quem transou, mas elas, de fato, colocam o seu nome no topo da lista delas. – finjo estar escrevendo em um papel, mostrando que ela era ingênua demais em achar que suas relações sexuais estariam a salvo no quarto de hotel ou praias particulares.
0
Comente!x

  Saber que ela era uma pessoa pública definitivamente a deixou ainda mais nervosa. Suas bochechas não perdiam a cor vermelha e os lábios eram apertados de tempo em tempo.
0
Comente!x

  - Então é assim que as coisas funcionam. – ela murmurou, tempo depois, chamando minha atenção. Olhava para a imagem de Brooklin afora. – Vocês criam listas com quem transam para se gabarem para as outras pessoas. – solta uma risada. – Esta é realmente uma sociedade patética.
0
Comente!x

  Pensei no que ela falou. Sua voz de nojo sobre a sociedade em que vive me fez entender que, na verdade, o problema dela era com as pessoas ao seu redor. Fechei os olhos ao virar a cabeça em direção à janela ao meu lado, nervoso por ter atrapalhado meus próprios planos em tê-la interessada em mim.
0
Comente!x

  - Pare na altura da um quarteirão antes à beirada da Central, Michael. – falei depois de algum tempo, pedindo para ele retirar os headphones.
0
Comente!x

  - O que você está fazendo? – a voz de soou ao meu lado. – Eu moro…
0
Comente!x

  - Eu sei onde mora. Só há algo que eu quero que veja antes. – falei, esperando por uma objeção que não veio. Vinte minutos depois, o carro parava ao lado da calçada que dava para o Central Park. saiu depois de me ver saindo. O ar branco gelado saiu de sua boca e as mãos rapidamente procuraram pelos bolsos do casaco. – Deixe a mala dela no prédio e em seguida leve a minha para casa. Pegarei um táxi. – anunciei antes de fechar a porta atrás de . Sua expressão de incredulidade não foi o suficiente para me fazer desistir do meu plano.
0
Comente!x

  Caminhamos em direção à entrada do parque. Mesmo sendo ricos, muitas pessoas não nos reconheciam facilitando a entrada afundo no parque. Durante cinco longos minutos me mantive calado andando ao lado de , que seguia meus passos. Depois dos primeiros minutos, chegamos rapidamente a um ponto onde turistas e cidadãos nova iorquinos paravam para fotos e descanso. Reconheci ao fundo, meu segurança e o de em lados opostos, trabalhando juntos em nossa segurança.
0
Comente!x

  - Sente aqui. – apontei para um banco seco, mas gelado. olhou para o local e então para mim, confusa. – Apenas se sente e fique me esperando. – ordenei, me afastando.
0
Comente!x

  Segui até o quiosque de lanches de bebidas, pedindo por dois chocolates quentes médios. Demorou dez minutos até receber as bebidas; voltei para onde obediente me esperava e dei um dos copos de isopor fumegante.
0
Comente!x

  - É chocolate. – informei ao vê-la olhar para o conteúdo. Sabendo o que era, suas mãos saíram dos bolsos e amoleceram ao sentir o copo quente entre elas. Vi pela primeira vez desde a formatura há anos, seu sorriso natural. Aproximou o copo do nariz, onde sentiu o cheiro adocicado e então tomou um gole. Me sentei ao seu lado, bebendo do meu chocolate enquanto observava as pessoas passando sem se importarem conosco.
0
Comente!x

  - O que quer me mostrar? – ouço logo em seguida.
0
Comente!x

  - Isso. – apontei ao redor, vendo-a me encarar ainda mais confusa do que antes.
0
Comente!x

  - Isso o quê?
0
Comente!x

  - As pessoas ao seu redor. A sociedade ao seu redor. – falei, mostrando que prestei atenção no que havia dito dentro do carro.
0
Comente!x

  A expressão surpresa de poderia significar meu comportamento ou minha compreensão em seus problemas; para mim, o que importava era estar derrubando o muro que ela criara ao seu redor para eu entrar. Com quase vinte e nove anos, ela não pode dizer que sou imaturo a ponto de não entender murmúrios revoltados de uma pessoa com problemas.
0
Comente!x

  - Eu não sei com quem você está tendo problemas ou quem são as pessoas que estão te rodeando para você estar se sentindo fora do grupo. – me inclinei para apoiar meus braços nas pernas e passei a observar as pessoas passando. – Quero lembrá-la que essa sociedade elitista que temos que viver não é a realidade que nos cerca de verdade. – apontei ao redor. – Essa é a nossa realidade. Por muito tempo você tem convivendo com pessoas que não são reais com você, sei como é, cresci junto com você, se lembra? Recebemos a mesma base. – repeti o que a ouvi dizer para mim durante a madrugada. – A diferença é que você está se focando somente no seu mundo. E há muito mais além dele.
0
Comente!x

   soltou um riso nasal e tomou mais um gole de seu chocolate, observando atentamente a todos que passavam por nós. Ficamos calados até ela se levantar e eu acompanha-la até a entrada de seu prédio; durante todo o caminho não trocamos um olhar ou uma palavra. Foi somente na entrada, quando o empregado abriu a porta de vidro para entrar que ela disse:
0
Comente!x

  - Obrigada pela carona e pelo chocolate. – e sem dizer mais nada, entrou.
0
Comente!x

  Enquanto esperava por um táxi, me perguntei se aquela foi a despedida correta. Se as coisas fossem como foram até agora, eu apenas encontraria com ela em alguns eventos no ano e então no Insane do ano seguinte.
0
Comente!x

  Toda segunda-feira posterior ao final de semana da Insane é uma péssima segunda-feira. O corpo ainda está no clima latino e tudo o que eu quero é uma praia como a da ilha onde eu possa ficar somente com meu calção bebendo algum coquetel com bastante álcool.
0
Comente!x

  Massageava minhas têmporas quando Adelaine, uma de minhas secretárias entrou em minha sala depois de pedir permissão e informou que havia uma entrega para mim. Levantei minha cabeça para ver em suas mãos, uma cesta com caixas de chocolate, que depois vi serem próprios para chocolates quentes. Abri um pequeno sorriso e dispensei Adelaine, procurando por um cartão; encontrei-o preso entre uma caixa e outra, com os dizeres:
0
Comente!x

  “Espero que saiba fazer um bom chocolate, pois são os meus favoritos. .”
0
Comente!x

  Sorri, soltando uma gargalhada enquanto encostava em minha poltrona de couro, rodando-a para o lado, onde havia a vista para Nova Iorque. Dei um soco no ar, celebrando o resultado de meu esforço. Primeira fase vencida.
0
Comente!x

  Tentei não correr ao ouvir a campainha tocar na sexta-feira à noite. Esperei três dias para ligar para e não demonstrar empolgação ao ter recebido a cesta com os chocolates. Chamei-a para jantar em casa no dia seguinte; pedi para meu restaurante favorito enviar alguns pratos, serviço que faziam somente para clientes VIPs. Quando deram nove horas, tudo estava pronto para ser servido – por mim, sem a ajuda de empregados.
0
Comente!x

   estava enrolada em um sobretudo bege e possuía um cachecol grosso cobrindo-lhe não só o pescoço e as orelhas, como a boca e o nariz também. Levantou a mão mostrando a caixa com o nome da melhor doceria da cidade.
0
Comente!x

  - Perfeito. – falei, pegando a caixa e dando um passo para o lado, permitindo sua entrada.
0
Comente!x

  - Hum… – ouvi dizer. – Bellemuniere? – olhou para mim, que abri um sorriso.
0
Comente!x

  - Quase. – respondi, pegando seu casaco e o cachecol, pendurando-os no chapeleiro. Seguimos até a sala de jantar, onde a mesa estava posta para duas pessoas e o vinho já aberto e servido nas taças. – Então você gosta de alcaparras. – falei, pegando uma das taças e entregando a ela, que em seguida me acompanhou até a cozinha:
0
Comente!x

  - É meu ingrediente favorito para carnes brancas e vermelhas. – ela concordou, bebericando um gole do vinho. – Muito bom. – elogiou minha escolha. Perfeito. Estava tudo perfeito. Agachei em frente ao forno para observar a carne que terminava de cozer.
0
Comente!x

  - Ahhh, então é carne vermelha. – ela disse, agachada ao meu lado. Sorri. – Você quem fez?
0
Comente!x

  - Você quer a verdade ou prefere se iludir com uma boa mentira? – voltei a me levantar, vendo-a me imitar.
0
Comente!x

  - Chega de ilusões. – ela levantou uma mão. Soltei uma risada e peguei o panfleto do meu restaurante favorito na bancada. – Não sabia que eles faziam entregas particulares.
0
Comente!x

  - Somente para clientes VIPs. – enviei uma piscadela, vendo seu sorriso antes de beber mais do vinho.
0
Comente!x

  - Devo ser mais frequente lá, então. Eu gosto muito deste prato. – virou-se de costas, olhando ao redor. – Para um solteiro, você até que é bem organizado.
0
Comente!x

  - A mulher que inventou o protótipo de que homens são bagunceiros queria acabar com nossa boa imagem. – falei, encostando eu mesmo na bancada, cruzando os braços. virou seu rosto, onde vi seu sorriso e então voltou a caminhar, saindo da cozinha. Preparei o timer do forno para que parasse em quinze minutos e me apressei a seguir até a sala, onde a vi olhando para o quadro em minha parede.
0
Comente!x

  - Você não possui fotos? – apontou para a estante decorada somente por um vaso de orquídea. – Com sua família, amigos?
0
Comente!x

  - Amigos? – perguntei em tom de riso.
0
Comente!x

  - Você me entendeu. – ela olhou para mim com um sorriso. – Achei que fosse do tipo de cara que gosta de aparecer nas fotos.
0
Comente!x

  Ela deveria estar se referindo às viagens que sempre faço com nossa turma. Eu geralmente faço parte da grande maioria das fotos que marcam os momentos da viagem.
0
Comente!x

  - Não sou eu quem saio nas fotos, eles apenas gostam de me ter nelas. – levantei os ombros, pegando minha taça na mesa e tomando um gole do meu vinho. – Eu não sabia que você gostava de ver fotos dos outros.
0
Comente!x

  - É bom para pairar a mente. – respondeu rapidamente. – E para tentar entender como vocês conseguem ser tão felizes vivendo uma vida tão difícil.
0
Comente!x

  - O que te faz pensar que nossa vida é difícil? A sociedade falsa? – brinquei, vendo-a abrir um pequeno sorriso. – Talvez sejamos felizes com nossa vida.
0
Comente!x

  - Talvez… – ela concordou.
0
Comente!x

  - O que te faz mais triste que nós? – deposito a taça na mesa de jantar montada pela empregada e caminhei silenciosamente até parar ao seu lado. Os nós de seus dedos estavam quase brancos por apertar o braço; ao tocá-los, olhou para a ação, em seguida levantando o rosto para mim. – Por que é tão infeliz, se tem tudo o que precisa para ser feliz?
0
Comente!x

  Seus lábios apertaram um contra o outro. Podia ver palavras passando por sua cabeça, como se quisesse arranjar um meio de esclarecer minhas dúvidas. é uma mulher rica, com uma carreira de sucesso. Possui todo o dinheiro disponível para sustentar seus desejos, tem todos os contatos para conseguir tudo o que quiser. O que mais ela iria querer?
0
Comente!x

  - Quando somos ricos demais, fingimos ou simplesmente não enxergamos a coisa mais importante de nossas vidas. – sua voz saiu baixo. – Eu apenas faço parte do grupo que enxerga. – olhou para mim.
0
Comente!x

  Em seus olhos, não vi muita coisa. Me lembrei sobre que o Kylie disse para mim quando nos encontramos na academia e entrei no assunto sobre :
0
Comente!x

  - Ela é diferente de todos nós. Se preocupa demais com o que as pessoas pensam dela, por isso sofre.
0
Comente!x

  Pisquei duas vezes ao vê-la balançar a mão em minha frente. Sorriu ao apontar para um lugar atrás de mim:
0
Comente!x

  - O forno tocou.
0
Comente!x

  Até chegarmos na sobremesa, o jantar tinha um ar superficial. Conversas que não eram de interesse comum, em alguns momentos, monólogos da minha parte, outros da parte dela. Enquanto falava sobre a administração dos negócios de jatos, minha mente estava desligada, focando somente em seus movimentos e tentando ali desvendar algo que todo mundo já não soubesse sobre ela. Devo ter ficado muito calado, pois algum tempo depois, parou de falar e riu sem graça, depositando os talheres em um único lado no prato, indicando que estava satisfeita.
0
Comente!x

  - É um tanto monótono mesmo.
0
Comente!x

  - Hum? – pisquei, saindo de meus pensamentos. Vi abrir um pequeno sorriso, compreensível por eu não estar prestando a menor atenção no que havia dito até então. Limpou a sujeira invisível com o guardanapo de pano e o depositou ao lado do prato. – Desculpe.
0
Comente!x

  - Tudo bem. – ela respondeu, encostando em sua cadeira. – O que você quer saber?
0
Comente!x

  - Como?
0
Comente!x

  - Eu vi, . – explicou. – Seus olhos tentando desvendar os meus.
0
Comente!x

  Foi minha vez de rir sem graça. Balancei a cabeça e beberiquei um gole do vinho, fingindo sentir seu gosto enquanto brincava com o líquido em minha boca para ganhar tempo e pensar em uma resposta:
0
Comente!x

  - Por que está entediada? – a mesma pergunta que fiz quando estávamos em meu quarto no Insane surgiu à tona.
0
Comente!x

   pareceu saber que seria aquela a pergunta que lhe viria. Cruzou os braços e passou a pensar. De vez em quando, olhava para mim, como se estivesse se convencendo de que não havia problema dizer para mim.
0
Comente!x

  - O que me garante que você não irá dizer a todos sobre meus problemas depois de hoje?
0
Comente!x

  - Você terá que confiar em mim. – falei, seguro. Uma qualidade minha, demonstrar segurança quando a ansiedade toma conta, aos poucos, de todo meu corpo. ficou me encarando por mais alguns momentos, até respirar fundo e dizer:
0
Comente!x

  - Eu não sou filha legítima dos . – ao ver que eu não iria falar por estar obviamente chocado com a informação, continuou a explicar: – Para simplificar, eu e outra criança fomos trocadas na maternidade. A garota descobriu antes de mim e resolveu aparecer com provas, mas meu nome já está na mídia e no testamento oficial; trocar causaria uma imensa polêmica para meus pais, já que em vinte e oito anos eles sequer desconfiaram sobre a possibilidade de eu não ser filha deles.
0
Comente!x

  Não pude deixar de ficar surpreso. Um caso desses seria um enorme escândalo para o mundo empresarial. Os estão em posse de uma grande fortuna e ter uma filha ilegítima como herdeira seria de tal rebuliço que chegaria a ser um baque negativo para a empresa, cortando negócios com parcerias importantes e outros mais. Olhei para os olhos de e agora eles pareciam outro. Saber sobre seu problema deixava tudo mais claro para mim.
0
Comente!x

  - E o que você irá fazer?
0
Comente!x

  - O que mais? Tenho de devolver o lugar de direito da garota. – ela balançou o vinho em movimento circular dentro da taça. – Ela tem provas, se não for da maneira correta, as coisas poderão ser piores para a empresa.
0
Comente!x

  - Você não entendeu minha pergunta. – empurrei o prato para frente, de modo que pudesse apoiar meus braços na mesa. – O que você irá fazer?
0
Comente!x

  Ela levantou os ombros. Depositou a taça na mesa:
0
Comente!x

  - Tenho uma poupança rica. Posso ficar sem trabalhar a vida inteira com ela. Quando decidi que faria assim, quis sair para conhecer o mundo. Agora, tudo o que eu quero é sair de Nova Iorque e ficar longe de todo mundo.
0
Comente!x

  - Alguém mais sabe?
0
Comente!x

  - Não. Nem irá. – olhou séria para mim. Suspirou e se levantou, retirando seus pratos e a taça, levando-os para a cozinha.
0
Comente!x

  Me mantive sentado pensando enquanto a ouvia abrir a torneira para lavar a louça. Saber o mistério de mudava tudo. Achava ser um problema psicológico, que pudesse ser curado, mas o problema era de um nível muito maior que esse. Eu não poderia me intrometer. Mexi na taça depositada na mesa, vazia. Olhei em direção à cozinha, mas não me importei do tempo estar passando enquanto pensava sozinho à mesa. Quando me interessei em desvendar , não imagina a história que havia por detrás de todo o mistério; achei que encontraria uma companheira que compartilhasse da mesma sensação de falsidade que havia em nosso meio, mas tudo o que descobri foi que a razão dela estar se fechando contra a sociedade é porque ela não pertence de verdade a ela. Parte de mim sente um tanto de inveja por poder sair tão facilmente dessa bagunça, a outra parte não deseja que ela vá.
0
Comente!x

  Em um impulso, me levantei e fui até a cozinha, vendo-a com as luvas de borracha lavando a assadeira que usei para aquecer a carne. Não olhou para mim quando entrei, nem fez menção de se desvencilhar de meus braços quando a abracei forte. Fiquei alguns minutos sentido o cheiro de seu perfume, fechei os olhos, como se fosse uma criança abraçando seu urso de pelúcia.
0
Comente!x

  - Você quer sair desse meio? – sussurrei. – Mesmo?
0
Comente!x

  Não houve retorno. Senti suas mãos tremerem dentro das luvas de borracha. Vê-la tão vulnerável sabendo sobre o que ela estava passando me fazia querer, por um milésimo de segundo, acabar com a vida daqueles que estavam fazendo-a sofrer. Os pais biológicos não gostariam de conhecê-la? Os não faziam questão de ficar com ela? Ninguém a queria?
0
Comente!x

  Em um impulso, sem pensar em mais nada, fechei meus olhos e disse:
0
Comente!x

  - Case comigo.
0
Comente!x

  Seu rosto virou para me encarar, os olhos arregalados com a surpresa de ter sido desprevenida. Não percebi que tipo de olhar lhe retribuí, mas seja o que for, acalmou seu corpo, de modo que vi seus ombros caírem, relaxados. Abriu um pequeno sorriso.
0
Comente!x

  - Não haja compulsivamente apenas por conveniência.
0
Comente!x

  - Não digo por conveniência, mas a compulsão na maioria das vezes nos ajuda a tomar a decisão correta quando estamos em dúvida. – soltou uma pequena risada e disse:
0
Comente!x

  - Já te falaram que você é louco?
0
Comente!x

  - Quem você acha que criou a Insane? – disse, com um sorriso maroto antes de ser pego de surpresa por seus lábios.
0
Comente!x

Fim

  Nota: Pronto, segunda parte online! 😀
0
Comente!x

  Estou muito triste com a notícia da quebra de contrato da Universal com o McFLY ): Estava me iludindo com a vinda do McBusted e a possibilidade de ouvi-los cantando No Worries juntos como antigamente T.T
0
Comente!x

  Entre no meu grupo do Facebook!

 

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

You cannot copy content of this page

0
Would love your thoughts, please comment.x