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Sem curiosidades para essa história no momento!

I HATE EVERYBODY

“I’m my own biggest enemy. Yeah, all my empathy’s a disaster. Feelin’ somethin’ like a scaly thing wrapped too tightly ‘round my own master. My friends are gettin’ bored of me, sayin’ I fell in love with a stranger. I don’t know what they all think of me. But in reality, I don’t even remember anything but thinkin’ you’re the one, and I can force a future like it’s nothing.”

  As luzes das baladas sempre foram algo que me incomodaram muito. Me faziam ficar tonta e com vontade de ir embora. No caso, eu sabia muito bem que não era só isso que estava me fazendo ter vontade de ir embora no momento, mas eu já já chego lá.
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  Olhei algumas pessoas ao nosso redor e achei todo mundo meio patético. As pessoas se arrumavam com suas melhores roupas, faziam uma maquiagem espetacular e saíam em busca de preencher um vazio que nada preenchia, com bebidas, drogas, mulheres, homens. Beijos vazios e superficiais, pessoas que provavelmente não se veriam nunca mais. Um porre para esquecer da vida vazia que se tinha durante a semana, para fugir de algo que não tinha saída. Todas as vezes em que eu era arrastada para as baladas, eu começava a pensar nisso.
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  O quão vazios nós somos? O quão necessitados sempre de atenção externa somos? Os likes no Instagram, o conteúdo que eu posto é legal? Eu sou bonita o suficiente? Meu corpo é bom o suficiente? Eu sou querido o suficiente por todos que me cercam? As que não me cercam, me desejam por perto? O quão sedentos por aprovação nós somos? E eu me incluo em boa parte desses questionamentos.
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  Mas o vazio que eu sentia não seria preenchido pelas fotos que eu postava no Instagram, ou pelo álcool descendo pela minha garganta, ou pela aceitação de terceiros quaisquer, pouco me importa o que os outros vão achar do meu corpo, das minhas roupas, eu só me importava com o que uma única pessoa poderia pensar disso tudo…
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  - Amiga? – me chamou, tirando-me dos meus devaneios momentâneos. – Por favor, vamos beber e dançar, hum? Só hoje! Você precisa voltar ao mundo real!
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  - Eu já vivo tempo o suficiente no mundo real, ! E você sabe muito bem que odeio esse lugar!
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  - Esse lugar e todos os outros que te levo! Amiga, você nem o conhece direito, o que sabe sobre ele de verdade?
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  Aquela pergunta havia sido como um soco no estômago. O que eu sabia sobre ele de verdade? Me peguei pensando…
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  - Viu? Você pelo menos já pensou em como se aproximar dele?
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  - Temos uma viagem a trabalho, não se lembra? Daqui há um mês mais ou menos! Vai ser minha grande oportunidade.
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  - Amiga – se aproximou de mim, sentando-se ao meu lado na mesa -, a gente não sabe nada desse cara! As redes sociais dele… – Ela pegou meu celular que estava aberto no perfil dele. – Não tem nada! Claro, tem algumas fotos que ele posta sobre essas aventuras que ele gosta de fazer, tem fotos de alguns rolês que ele dá… Mas no Facebook por exemplo, não tem nada falando se ele tem namorada, se é solteiro… Vocês só conversam sobre trabalho! Você sabe muito sobre a vida profissional dele e ele sobre a sua, e outra, amiga, ele é meio que seu chefe né? O que complica ainda mais as coisas, eu acho que você… – Eu a interrompi.
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  - Não quero saber! – Coloquei as mãos sobre os ouvidos como uma criancinha. – Vocês não entendem nada! E se não entendem, me deixem sonhar em paz! Eu já faço o que vocês pedem, todo final de semana a gente vem para esses lugares horríveis, então, por favor, me deixem em paz com esse assunto!
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   e se olharam e deram de ombros.
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  - Tudo bem! Vamos dançar, , daqui a pouco a gente volta aqui e arrasta ela!
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  Assim que se levantou depositando um beijo no topo de minha cabeça, voltei a olhar suas fotos em seu perfil do Instagram. Na maioria das fotos ele estava sempre acompanhado da mesma turma de pessoas, ou então com pessoas da faculdade dele. A voz de voltou a ecoar na minha mente: “o que sabe sobre ele de verdade?”
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  Eu sabia seu nome completo, sua idade, a profissão que exercia, a faculdade (curso) que fazia (e onde estudava, até conhecia alguns de seus colegas de classe que fizeram ensino médio no mesmo colégio que o meu, de e ), sabia seus hobbies (pelo menos os que ele postava), sabia como gostava de se vestir para trabalhar e como gostava de se vestir para sair… Sabia que ele era bem tímido e calado, o que dificultava ainda mais as coisas para mim… sabia que ele fazia aniversário exatamente dois dias depois de mim (tínhamos a mesma idade), portanto também sabia seu signo, sabia que ele era um ótimo profissional e todos na empresa o amavam…
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  Balancei a cabeça me sentindo uma idiota por não conseguir controlar meu coração. Era a terceira vez que isso acontecia comigo, me apaixonava por alguém que eu nunca havia beijado, tocado…
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  Fui até o bar para pegar uma cerveja e tentar distrair meu pensamento de como eu gostaria que ele estivesse aqui, ou que eu estivesse com ele agora, onde quer que ele estivesse. Ainda me sentia meio idiota e boba, e por isso queria a cerveja.
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  Antes que eu pudesse encostar no balcão, fui surpreendida por uma “parede” de músculos me impedindo.
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“So I just hate everybody! Well, then why can’t I go home without somebody? And really, I could fall in love with anybody who don’t want me, so I just keep sayin’ I hate everybody. But maybe I, maybe I don’t. “

  Quando direcionei meu olhar para cima, vi o belo rapaz me olhando com um sorriso tímido… Me lembrei de na hora. Droga!
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  - Oi! Posso saber seu nome? – Desviei o olhar do dele enquanto sentia uma de suas mãos em minha cintura.
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  Agora eu estava impaciente. Odiava aquilo.
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  - ! – respondi secamente enquanto tentava me desvencilhar de suas mãos fortes.
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  Pensei em mais uma vez e acabei fechando meus olhos. Como seria a sensação de ter as mãos dele apertando a minha cintura?
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  - Me chamo Charles! Prazer!
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  Abri meus olhos assim que ouvi a voz do tal Charles invadir meus ouvidos, me provocando um leve arrepio, mas não de excitação e sim me trazendo de volta à realidade. Definitivamente, odiava aquilo. Gostar de homens definitivamente só podia ser um castigo divino… E eu odiava contato físico com qualquer pessoa que eu não conhecesse o suficiente. Odiava pessoas que achavam que tinha intimidade o suficiente comigo para me tocar… Mas gostaria que o fizesse mesmo não tendo nenhuma intimidade comigo. Ele havia quebrado todos os meus paradigmas e eu mal o conhecia… Mas eu ainda odiava todo mundo.
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  - Sabe, eu tava olhando você desde lá da fila! Não conseguia tirar os olhos de você!
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  Eu revirei os olhos com gosto. Tudo aquilo me irritava. Desvencilhei meu olhar para o meu tão desejado bar e vi e me olhando. Elas faziam vários gestos e expressões me incentivando. Revirei os olhos novamente, na direção delas.
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  Por que diabos eu tinha que ficar com alguém na balada? Por que diabos eu tinha que conhecer gente nova? Transar sem compromisso? Qual a graça dessas coisas todas?
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  Eu sentia que precisava respeitar o que estava sentindo, que precisava respeitar a vibe que estava encarando naquele momento… Eu não tinha cabeça pra conhecer gente nova, para ir nessas boates, bares e etc… Eu nunca queria estar nesses lugares, estava sempre odiando tudo e todo mundo… Menos . Era com que eu queria estar, em todos os momentos…
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  - Charles, eu agradeço! – Coloquei minhas mãos sobre as dele, que estavam quentes, imaginei outra vez. – Mas não estou a fim!
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  Por sorte, ele me soltou e assentiu com a cabeça.
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  - Imaginei que uma mulher como você tivesse namorado! É por isso, não é?
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  Revirei meus olhos mais uma vez, enquanto e faziam expressões de frustração, me fazendo odiar ainda mais aquele lugar e aquelas pessoas.
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  - Não, não é por isso! Sou uma mulher livre, só não estou a fim de ficar com ninguém hoje! Simples!
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  - Então, será que posso pegar o seu número? A gente pode se conhecer melhor – ele se aproximou de novo e eu senti seu cheiro, lembrei-me outra vez de – e marcar alguma coisa depois, o que acha?
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  Depositei delicadamente minhas mãos sobre os quadris dele, e e vibraram.
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  - Obrigada! Mas não estou, de fato, interessada, Charles! Olhe só quantas mulheres nessa boate! Inclusive tenho duas amigas maravilhosas, solteiras e bem doidas! Elas estão ali no bar, que era onde eu pretendia chegar antes de você me atacar! Vamos lá conhecê-las, que tal?
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  Ele gargalhou e pensei em … nunca tinha o visto ou ouvido gargalhar…
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  - Você tá louca para se livrar de mim não é? – Eu assenti e ele riu outra vez. – Tudo bem! Eu entendi! Mas você é linda, não se esqueça disso!
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  Charles depositou um beijo em minha mão direita e por um segundo eu imaginei que ele poderia ser um cara legal. Mas ele não era , então eu ainda odiava todo mundo e especialmente aquela boate.
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“I know I’ve got a tendency to exaggerate what I’m seein’ and I know that it’s unfair of me to make a memory out of a feelin’, it’s ’cause I notice every single thing. That’s ever happening in the moment, and I don’t know why it’s consumin’ me, because honestly, all I know is infatuation’s observation with a ’cause. But none of it is love, so while I’m waitin’ for it I’ll hate everybody.”

  Finalmente consegui chegar até o bar e, é claro, as meninas me encheram o saco. Era assim toda vez.
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  - ! O menino era o maior gostosinho! Ah não!
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  - Eu tentei arrumar ele para uma de vocês, mas ele não quis! – Dei de ombros. – Por favor, moço, uma cerveja preta!
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  - Cada boy que chega em você e você dispensa por causa do bocó do , uma fadinha morre! – gargalhou com o comentário de e eu também.
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  - Não fale assim dele! – Eu a repreendi tomando um gole da minha cerveja.
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  - É, , nós não temos certeza se ele é de fato um bocó, afinal de contas não sabemos quase nada dele, se esqueceu!
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  - Não, sabemos sim! Sabemos que ele é lindo, que ele dá o sangue pelo trabalho!
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  - Que ele de fato veste a camisa da empresa, e isso é admirável! – completou.
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  - Ah, ! E sabemos que a pele dele é tão bem cuidada, mas tão bem cuidada que parece que ele nunca teve uma acne na vida!
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  - Ai, e os olhos castanhos dele são tão profundos, quando ele me olha parece que vou me afundar neles! 
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  - Amiga, e quando ele vai lá no prédio visitar a gente? O cheiro dele é tão maravilhoso!
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  - Chega! – Eu interrompi. – Vocês me magoam assim! – Fitei as duas nos olhos, e nós três gargalhamos. – Já deu esse argumento de vocês de que eu sei pouca coisa ou quase nada dele! O que eu sei foi o suficiente para despertar esse sentimento em mim e pronto!
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  As duas reviraram os olhos e me abraçou, passando um de seus braços em volta do meu pescoço.
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  - Amiga, de verdade? É muito difícil de entender esse sentimento! Você se sentir atraída por ele, ok! Mas essa paixão avassaladora, você há de convir que é difícil de entender! Você perdeu o pouco interesse que você já tinha por todas as outras coisas do mundo!
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  - É, ! Você só fala de trabalho, você só sabe contar os dias para a visita dele no seu prédio, e quando essa visita acontece você fica semanas relembrando os acontecimentos, falando disso…
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  - Vocês querem dizer que estou parecendo obcecada pelo ? Talvez eu esteja um pouco!
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  Aquela afirmação pareceu assustar nós três que ficamos em silêncio. Tomei mais um gole da minha cerveja, de olhos fechados e me assustei, cuspindo a cerveja para fora da boca com o tapa de no meu braço.
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  - Você não vai acreditar!
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  - É, amiga, nem eu tô acreditando!
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  Abri meus olhos, virando-me para o balcão e pegando um guardanapo, afinal de contas eu precisava limpar a lambança que eu havia feito com a cerveja na minha blusa branca. Droga, aquilo ficaria horrível!
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  - Mas que porra é essa? Espero que seja algo muito importante, porque eu fiz uma lambança na minha blusa!
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  - O , amiga! – A voz de ecoou por meus ouvidos me paralisando.
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  O ? Naquela boate? Eu não sabia que ele frequentava boates, achei que ele só frequentava festas universitárias (pelo menos era o que parecia pelas postagens do mesmo). Eu olhei para as minhas amigas.
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  - Aonde?
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  - Ai meu Deus, amiga, ele viu a gente e tá te olhando. Olha para frente! – sorriu em direção oposta à minha.
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  Meu coração palpitava dentro do peito, ora batia descompassadamente rápido e ora parecia que tinha parado de bater do nada, meu estômago havia embrulhado e eu sentia o gosto da cerveja querer voltar.
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  Direcionei meu olhar para frente e encontrei me olhando. Ele parecia querer ter certeza de que era eu mesmo.
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  - Acena, , pelo amor de Deus! – cochichou em meu ouvido.
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  Eu parecia um robô, estava meio fora da órbita, mas consegui seguir a “ordem” de . Acenei para ele, que rapidamente acenou de volta, com o sorriso tímido de sempre no rosto. Senti que eu poderia desmaiar a qualquer momento então segurei o braço de .
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  Fiquei esperando algo mais, é claro, um sorriso mais largo ou melhor, que ele viesse até mim. Mas não, ele começou a interagir com os amigos, que me parecem todos uns babacas.
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  Eu já estava escorada no balcão do bar mesmo e minha cerveja já estava no fim, pedi outra ao barman.
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  - Você não vai lá falar com ele, ?
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  - Não, ! Tá maluca?
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  - Maluca tá você de perder uma chance dessas! – ela me respondeu enquanto ficava na ponta dos pés para fazer seu pedido ao barman.
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  - Amiga, pelo amor de Deus! Sei que você detesta esses tipos de coisa, de ficar com qualquer um em boate, de coisas casuais e etc, e tenho certeza que não era nada disso que você planejava com relação a vocês dois, mas ! Você acha que vai ter outra chance dessas?
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  - Vou! Vamos viajar juntos, esqueceram?
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  As duas reviraram os olhos e eu bebi enquanto fitava rindo com os amigos e uma amiga. Ou seria a namorada? Ficante? Aquilo me perturbou. Lembrei-me de nosso último encontro, para ajustarmos os últimos detalhes da viagem.
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  Flashback:

  Ele chegou no prédio na hora marcada como sempre, ele era incrivelmente pontual e eu amava isso, pois também era e detestava quem não fosse – por sorte fui ter duas melhores amigas que não são nem um pouco pontuais -, a camisa social muito bem passada como sempre, a daquele dia era azul clara – ele só usava os tons azuis e cinzas nas camisas sociais – estava lindo, e meu coração já deu indícios da paixão que eu sentia batendo rápido. Meu cérebro mandou que eu levantasse para assim recebê-lo, pois eu sabia que ele tinha vindo para falar comigo, mas achei melhor esperar que ele se aproximasse da minha mesa. Ele cumprimentou a minha chefe, e eles engataram uma conversa animada, os dois se davam bem e eu já tinha reparado.
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  Tentei voltar a me concentrar no trabalho, mas era simplesmente impossível. Comecei a tamborilar os dedos pela mesa devido a ansiedade que tomava conta do meu corpo e fingi que prestava atenção em alguma coisa na tela do computador. O cheiro dele sempre chegava primeiro, anunciando que ele estava a caminho. Me ajeitei na cadeira “despretensiosamente” enquanto sentia o cheiro bom dele invadir minhas narinas.
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  Minha chefe estava junto, então, por mais que ela soubesse dos meus sentimentos por ele – todos os meus poucos colegas de trabalho sabiam, na verdade eu não sei como o não sabia, pois eu infelizmente dava muito na cara – eu precisava manter meu profissionalismo e agir como se ele realmente fosse apenas o meu RF (sigla para responsável financeiro, resumindo, ele era a ponte entre eu e os clientes para quem eu prestava serviço, uma espécie de chefe, era ele quem me “defendia” desses clientes, ou melhor, ele defendia os meus resultados, portanto eu estava sempre em contato com ele, além da minha chefe mesmo).
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  , meu amor? – minha chefe chamou.
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  – Oi, meu bem! – Me levantei delicadamente da cadeira, fingindo que não estava para ter um colapso.
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  – O tá aqui para vocês comprarem as passagens, escolherem o hotel e essas coisas! Tudo bem para você?
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  – Se estiver ocupada, eu vejo com a Paty mesmo e depois a gente te passa! Não quero te atrapalhar!
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  Virei a cabeça finalmente o encarando cara a cara. Senti falta de ar e achei que não ia conseguir responder. Fitei sua boca e, sincronizados, os dois passamos a língua pela boca.
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  – Não! – Eu cuspi rapidamente e ele arregalou levemente os olhos. – Podemos ver! Sem problemas! Bom, por mim, sem problemas.
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  Me recompus e fitei Paty que segurava a vontade rir – quis matá-la – a fitei esperando que ela desse um ok ou algo do gênero.
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  – Por que vocês não se sentam na minha mesa? Lá é maior e mais confortável, eu tenho uma reunião agorinha, vou tomar um café e já entro na reunião. Assim vocês dois ficam mais à vontade, que tal, ?
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  Nós dois nos olhamos rapidamente e eu sempre tinha a impressão de que ele ficava sem jeito quando estávamos juntos. Especialmente se estivéssemos só os dois. E eu não sabia se isso era bom ou ruim.
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  – Podemos, ? – Ele sempre me chamava de até eu corrigi-lo e dizer que era para ele me chamar de . – Digo, !
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  Eu sorri com ele mesmo se corrigindo, e então eu assenti.
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  – Podemos, ! – Ele sorriu timidamente e corou, e eu senti que tinha perdido tudo.
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  – Me chame de então! – ele falou enquanto caminhávamos rumo a mesa da Paty.
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   puxou a cadeira para que eu me sentasse, e eu morri por dentro, e logo após ele se sentou, tirando a mochila das costas e colocando-a no chão. As nossas cadeiras “se bateram” quando fomos nos ajeitar e acabamos encostando um pedaço dos nossos braços um no outro, e eu engoli seco.
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  – Fiquem à vontade, meus queridos! A propósito, vendo vocês dois assim, pertinho, sabia que fazem um belo casal?
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  Eu senti minhas bochechas queimarem e a sorte da Paty é que eu precisava daquele emprego, senão eu a mataria.
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  Ouvi soltar uma risada e olhei para ele, ele estava incrivelmente perto de mim. Acho que o mais perto que já estivemos um do outro, e ele estava vermelho. Sorri sem mostrar os dentes porque ele ficava ainda mais lindo vermelho.
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  Paty me olhou e eu a fuzilei com os olhos, até que ela saiu e nos deixou “sozinhos”.
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  Nos olhamos novamente e, mais uma vez sincronizados, nossas mãos foram juntas em direção ao mouse do computador, a dele em cima da minha, por um breve momento.
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  – Desculpe – eu disse -, pode mexer! É melhor você, porque você entende melhor dessas coisas e sabe todos os processos para a empresa aprovar as compras, e etc.
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  Ele assentiu passando novamente a língua pelos lábios, me torturando.
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  – Vamos começar pelo mais caro, as passagens de avião! E nesse caso nós temos outra despesa! O aeroporto que vamos fica a 1 hora da cidade então vamos precisar de um transporte para chegarmos de fato nela! Eu estava pensando sobre irmos ou não de ônibus, mas me lembrei que uma vez você comentou numa reunião com os meninos, enquanto a reunião não começava, que você enjoa de ônibus…
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  Eu arregalei levemente os olhos. Como ele se lembrava daquilo? Nem eu me lembrava desse momento. Então ele prestava atenção nas minhas conversas?
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  – É verdade! Passo muito mal! Mesmo tomando remédio!
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  Nos fitamos nos olhos por alguns instantes, até que ele, menos corajoso do que eu, desviou o olhar para o computador.
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  – Se fôssemos de ônibus, nós gastaríamos trinta reais, nós dois, com as passagens do ônibus que sai de lá do aeroporto mesmo. Mas, neste caso, vamos alugar um carro! Eu dirijo até a cidade.
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  – Eu não quero incomodar, ! – falei sincera. – Podemos ir de ônibus! Eu tomo remédio, levo várias sacolinhas plásticas, você só não pode ficar com vergonha da sua companheira de viagem vomitando sem parar!
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  Ele riu.
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  – Não se preocupa com isso! A empresa não vai se importar de pagar o aluguel do carro! Eu não quero que você passe mal e chegue nos clientes mal… Vomitar é horrível, imagina durante uma hora de viagem! Não se preocupe, eu faço questão.
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  Eu assenti, enquanto sentia meu coração ficar quentinho.
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  Fim do flashback.

  Pisquei meus olhos algumas vezes pois eles estavam secos e senti que minha garganta também estava, então tomei um gole da cerveja enquanto mirava com os amigos. Eu estaria mentindo se dissesse que não estava morrendo por dentro para me aproximar dele. vestia uma blusa branca como a minha com uma jaqueta de couro preta, bem diferente de como eu estava acostumada a vê-lo no trabalho, a não ser pelo jeans escuro de sempre.
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   e estavam entretidas cada uma com algum carinha qualquer, e agora eu estava sozinha e com ódio da situação toda. Mas ainda assim não conseguia tirar os olhos dele. Bebi mais da minha cerveja, e mais e mais até que ela acabou. Virei-me para trás para poder pedir mais uma cerveja ao barman, mas ele estava ocupado, o que me fez bufar.
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  - Suas amigas estão te deixando sozinha?
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“If I could make you love me, maybe you could make me love me. And if I can’t make you love me, then I’ll just hate everybody.”

  Meu coração parou de bater por cerca de 8 segundos, eu juro. A voz dele invadiu suavemente meus ouvidos enquanto eu sentia uma de suas mãos em meu ombro. Aquilo era real ou eu estava delirando? Era só a minha vontade de que aquilo fosse real ou estava de fato acontecendo? Minha cabeça girou e o barman nos olhou.
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  Eu pigarreei e pedi com certa dificuldade a minha cerveja preta e ouvi ele pedir uma caipirinha com abacaxi. O barman assentiu e pediu um momento.
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  Eu respirei fundo e finalmente consegui dizer alguma coisa.
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  - Já estou acostumada! Isso sempre acontece! – Dei de ombros.
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  O barman nos entregou nossas bebidas e voltamos a nos olhar. Eu pude perceber que ele parecia estar um pouco vermelho, como se estivesse sem jeito, como sempre que estávamos só os dois juntos. Mordi meu lábio antes de tomar um gole da minha cerveja que, a propósito, estava geladíssima, e o vi desviar o olhar para baixo enquanto tomava um gole de sua caipirinha. Tive vontade de me jogar em seus braços e beijá-lo até que ficássemos sem ar.
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  - Se você quiser se juntar a mim e aos meninos…. – Voltamos a nos olhar.
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  Fiquei alguns segundos fora de orbita, perdida no castanho dos olhos dele.
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  - Imagina! Sua namorada pode achar ruim! – Mordi o lábio enquanto esperava a resposta que mais queria naquela noite.
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  Ele sorriu sem mostrar os lábios, voltando a desviar o olhar do meu.
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  - Tenho certeza que ela não vai se importar! Eu até acho que ela já foi embora, ela disse que não ia ficar muito.
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   desviou o olhar do meu e direcionou aos amigos, procurando pela namorada. Achei estranho ele ter dito que ela já havia ido embora… Mas mais do que estranho, senti adagas penetrarem meu coração e estômago. Todas as minhas “chances” haviam ido pelo ralo de uma vez por todas. Ele então tinha uma namorada. Minha noite havia acabado ali.
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  - E você não vai mandar uma mensagem para ela? – Eu tomei mais um gole da cerveja enquanto ele fazia o mesmo com a caipirinha.
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  - Ela deve me mandar quando chegar em casa! – Ele deu de ombros.
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  Eu arqueei minha sobrancelha, achando toda aquela situação um tanto quanto estranha, bizarra até, ou eu era muito antiquada e os namoros haviam evoluído muito…
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  Creio que percebeu, pois deu uma risada nasalada e, enquanto eu tomava outro longo gole da cerveja, complementou:
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  - Nosso relacionamento é aberto! Há anos! Namoramos, mas ela não me deve nada além de respeito, e eu a mesma coisa…
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  Pela segunda vez na noite eu cuspi novamente a cerveja fazendo uma lambança no chão e na minha blusa, outra vez. Que ódio!
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   se assustou, mas acabou pegando alguns guardanapos e começando assim a limpar a bagunça que havia ficado a minha blusa. Sua mão repousou em minha cintura, delicadamente e eu comecei a sentir minha respiração ficar descompassada. Agora sim eu tinha certeza que nós de fato nunca havíamos ficado tão perto assim um do outro, pois quando sua cabeça se ergueu, nossos olhos estavam dentro um do outro e eu sentia sua respiração em meu rosto.
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  Minha cabeça girava e eu sentia que eram muitas informações para assimilar ao mesmo tempo. O bar começou a ficar muito lotado, as pessoas faziam com que nós dois ficássemos espremidos e ainda mais perto um do outro. Eu comecei a sentir minha claustrofobia dar sinais leves então eu apertei a mão de que ainda repousava na minha cintura, esperando que ele entendesse que aquilo era um pedido de socorro, algo como “me tira daqui, por favor”.
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  Por isso eu odiava aqueles lugares e todas aquelas pessoas, impacientes e bêbadas, espremendo, empurrando, derrubando bebida, jogando fumaça de cigarro em outras pessoas. Eu queria sair correndo dali, mas eu não tinha ar em meus pulmões, e eu também queria gritar o mais alto o possível para que me tirasse dali e me levasse para qualquer outro lugar onde eu pudesse pensar com clareza e beijá-lo, eu definitivamente queria beijá-lo.
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  Como se lesse parte dos meus pensamentos ele segurou uma de minhas mãos e me tirou finalmente de lá.
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  Assim que ele abriu as portas da parte externa da boate (mais conhecida como fumódromo), eu respirei tão fundo que achei que desmaiaria. Fechei meus olhos sentindo o vento frio bater em meu rosto. Eu ainda estava um pouco confusa.
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  Abri os olhos rapidamente ao me lembrar de e . Peguei meu celular na bolsa e tinha pelo menos umas 20 mensagens no grupo que nós três tínhamos no WhatsApp.
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  Eu ainda estava confusa para assimilar tudo o que havia sido dito no aplicativo então eu liguei para uma delas, que também não sabia exatamente qual.
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  - Tá tudo bem? – questionou finalmente ficando em frente a mim. – Eu assenti.
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  - Vou tentar achar minhas amigas, vou dizer a elas que estou indo pra casa!
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  - Eu te levo! – As palavras dele me pegaram de surpresa enquanto respondia um “Alô” meio bêbado do outro lado da linha.
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  Eu fiquei muda. Muita coisa para assimilar, muita coisa!
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  - ? – me chamou.
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  - Amiga, estou indo para casa! Avise a ! Amanhã conversamos! Vocês estão a salvo?
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  - Amiga, quem vai te levar, como assim? Você não estava com o ? De repente vocês sumiram…
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  - Um amigo do trabalho vai me levar em casa! – Esperava que ela não estivesse tão bêbada ao ponto de não entender o que eu estava querendo dizer.
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  - Uau! Você vai ganhar uma carona do seu crush! do céu, não me decepciona, beija esse homem no caminho! – Pude ouvir berrar algumas coisas incompreensíveis no fundo.
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  Revirei os olhos e vi sorrir, divertido, da situação.
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  - Me mandem mensagem quando estiverem indo para casa! Tchau!
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  - , você já sabe – desliguei.
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  - Elas estão bem?
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  - Com certeza sim! Eu não quero te dar trabalho, moro perto daqui, a uns dois quarteirões, um aplicativo é bem tranquilo pra mim.
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  - Não vou deixar você ir sozinha com um desconhecido para casa, mesmo que more aqui na esquina! Vamos?
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  Já dentro do carro, senti meu estômago ainda embrulhado e pedi a Deus para não vomitar no carro de .
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  - Aconteceu alguma coisa? – Nos olhamos enquanto eu terminava de arrumar o cinto.
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  O carro dele tinha um cheiro doce, feminino, então senti vontade de vomitar outra vez. Eu ainda estava confusa para cacete.
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  - Eu sou claustrofóbica, então quando me vejo cercada por muitas pessoas, eu tenho crises e estava começando a ter uma!
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  - E por que frequenta essas casas então?
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  Quando eu ia responder ele me interrompeu.
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  - Me desculpe, estou sendo invasivo, não tenho nada a ver com sua vida e com suas escolhas! – Ele balançou negativamente a cabeça enquanto dava partida no carro.
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  - Não! É uma pergunta pertinente! E além do mais, sabemos tão pouco um do outro. – Me atrevi. – Eu venho pelas meninas! Se não elas não me deixam em paz e minha vida vira um inferno a semana toda, prefiro evitar a fadiga! – Soltei uma risada.
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  - Que amigas! É perceptível que você odeia esses lugares! Também não gosto muito! Me sinto muito observado.
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  - Você é bem na sua, né? Um tanto quanto misterioso, calado…
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  Ele riu.
  - Pra onde vamos? Qual seu endereço? Faz assim, coloca aí no meu celular já, que o GPS vai guiando a gente, acho mais fácil.
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  Assim que o celular dele foi desbloqueado, uma notificação pulou na tela, uma chamada. Nos olhamos e ele me pediu licença para atender.
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  - Oi, Mi! – Ele pausou para ouvi-la. – Certo, sem problemas! Eu vou levar uma amiga em casa e vou voltar pro meu apartamento, agradeço o convite, mas estou cansado hoje! Amanhã a gente se vê! Beijos.
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  Eu engoli seco, provavelmente Mi, era namorada. Me senti estúpida.
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  - Eu não quero te atrapalhar, se quiser pode aceitar o convite da sua namorada, é sério, eu moro bem perto!
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  - Eu vou te levar, ! Que coisa! Tem medo de mim?
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  Voltamos a nos encarar e a minha boca ficava cada vez mais seca. Eu queria beijá-lo, mas que droga!
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  - Tem? – ele voltou a questionar.
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  Eu balancei a cabeça em negativa, e engoli em seco.
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  - Claro que eu não tenho medo de você! Eu deveria?
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  Ele quebrou o clima, gargalhando. Hoje eu estava sendo presenteada com muitas coisas. Ouvi-lo gargalhar poderia salvar vidas! Eu fechei meus olhos, sorrindo, e me ajeitei no banco. me entregou o celular e eu coloquei meu endereço para que o GPS nos guiasse.
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  - Acho que estou meio ultrapassada, esse negócio de relacionamento aberto, para mim, era só ficção. Todos falam sobre, mas nunca tinha visto ninguém que de fato vivenciasse isso. – Me atrevi novamente a me aprofundar melhor.
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  Ele suspirou pesadamente e eu me arrependi de ter perguntado. Provavelmente ele havia achado ruim.
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  - É até comum! Claro que não tanto quanto o relacionamento monogâmico, que é o que a sociedade prega como comum, correto e etc. Mas existem muitos casais que vivem um relacionamento não monogâmico. A maioria dos nossos amigos é assim.
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  Eu disse que eram uns babacas!
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  - Caramba! Estou muito antiquada mesmo. – Eu balancei a cabeça.
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  - Talvez você apenas reflete o que a sociedade prega, é o que você tá acostumada a ter, a lidar, você foi ensinada que relacionamentos têm de ser monogâmicos. E também, relacionamentos abertos exigem muita maturidade e muita evolução de pensamentos e conceitos, e é totalmente compreensível que nem todo mundo tenha esse desprendimento. Somos muito egoístas, muito apegados ao outro, achamos que tudo é nosso e não deve ser – paramos no semáforo e ele me olhou e fez aspas com as mãos – “dividido”, é claro que esse não é o termo certo, mas acho que você entendeu o que eu quis dizer.
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  Eu assenti enquanto prestava atenção de fato em tudo o que era dito. Mas ainda estava confusa e muito chocada. Jamais poderia imaginar que ele, todo tímido, calado, misterioso, parecia um cara supertradicional, conservador até, era “evoluído” emocionalmente ao ponto de ter um relacionamento aberto. Minha cabeça provavelmente doeria com tamanha confusão.
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  Finalizamos os últimos minutos do trajeto em silêncio. Eu simplesmente não sabia mais o que falar sobre aquele assunto ou sobre qualquer outro. Mas eu ainda queria beijá-lo…
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  Quando chegamos na porta do meu prédio, eu desafivelei o cinto e, bom, eu resolvi, claro, convidá-lo para entrar. 90% porque de fato eu queria que ele entrasse e 10% apenas por educação!
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  - Imagina, já está tarde! Você deve tá querendo descansar! Outro dia, quem sabe?
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  Eu sorri enquanto colocava uma mecha do meu cabelo para trás.
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  - Ah, daqui uma semana a gente se vê no aeroporto! Tá tudo certo para nossa viagem, né?
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  “Nossa viagem”, eu juro que quase suspirei quando ele disse o pronome “nossa”.
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  - Está sim, pode ficar tranquilo! Tô superansiosa e morrendo de medo dos meus resultados não agradarem!
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  - Pode ficar tranquila, seus resultados não estão ruins! Conhecendo o Breno como conheço, ele vai reclamar de alguma coisinha aqui e outra ali, como sempre, mas isso é o perfil dele, não é necessariamente o seu trabalho, entende?
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  Eu assenti.
  - Vamos ver, não é? – Foi a vez de ele assentir.
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  Nossos olhares se cruzaram, e ele abaixou o olhar, ficando vermelho. Eu simplesmente não sabia como me despedir. Com um aceno? Com um aperto de mão – que era como nós sempre nos cumprimentávamos no trabalho? Com um beijo na bochecha?
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  Acho que ele também não sabia direito, então nos aproximamos, os rostos estavam próximos e, sincronizados, fomos na mesma direção e nossas bocas acabaram se encontrando levemente, e eu senti minhas pernas (não só as pernas) formigarem.
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  Nos separamos bruscamente, os dois assustados.
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  - Opa! – quebrou o silêncio. – Me desculpe!
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  - Não, imagine! Eu que te peço desculpas!
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  Ele estava vermelho e levou a mão até a parte de trás da cabeça para coçá-la.
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  - Bom, muito obrigada pela carona! Até semana que vem, então!
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   não disse nada e apenas aproximou novamente o rosto do meu. Senti que poderia perder o pouco de sanidade que ainda me restava. O que ele estava fazendo?
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  - Acho que vou aceitar o seu convite para entrar e aproveitar para ir no banheiro, estou apertado! Ainda tá de pé?
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  Meu coração desacelerou, e eu levei um balde de água fria.
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  - Claro! Vamos!
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  Assim que adentramos meu apartamento, ele parecia estar ainda mais tímido e retraído, e eu também estava. Eu ainda sentia um calor dentro do meu peito.
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  Mostrei para ele onde ficava o banheiro e aproveitei para beber um copo de água gelada, enquanto tentava botar meus pensamentos em ordem e nem vi quando pigarreou para mostrar que já estava de volta.
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  - Você quer um copo d’água? Se quiser também posso fazer um café, ou um chá!
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  - Não, não se preocupa! Eu agradeço! Você mora aqui sozinha?
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  - Moro! Meus pais não são daqui! Eu vim fazer faculdade, me estabilizei e fiquei. Eles são muito acostumados com a cidade deles e quiseram ficar lá!
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  - Os meus também! Mas eu moro com a minha irmã também!
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  - Achei que morasse com sua namorada!
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  Ele abaixou o olhar, balançou a cabeça.
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  - Ela vai bastante para lá e eu também vou bastante pra casa dela. A nossa convivência é bem saudável.
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  Eu assenti, sentindo a inveja tomar conta de todo o meu ser. Que Deus possa me perdoar por esse sentimento, mas eu daria tudo pra estar no lugar dela. Ou talvez não. Eu estaria disposta a dividir com outras mulheres, quiçá homens?
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  - Bom eu já vou! Já tomei muito seu tempo. Obrigado por me deixar usar seu banheiro.
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  Eu caminhei com ele atrás de mim até a porta, desejando que eu fosse corajosa o suficiente para beijá-lo e fazê-lo ficar pelo menos aquela noite, como se não quisesse que ele ficasse todas outras.
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  - Imagina! Obrigada você por ter me dado a carona, mais uma vez!
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  Abri a porta e atravessou pela mesma, ficando em frente a mim mais uma vez. Ficamos em silêncio apenas encarando um ao outro.
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  - Bom então! É isso! Até mais!
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  - ! – eu chamei, ele se virou. – Espera, é…
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  - Sim? – Ele passou a língua pelos lábios. – Pode falar… – Ele ficou vermelho e eu fechei meus olhos.
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  - Olha, eu sou completamente apaixonada por você! – Soltei a respiração que havia prendido. – Por favor, não se assuste nem saia correndo! Olha, eu sei que isso é ridículo e que nem parece ser real, não é? Como assim, apaixonada por um estranho? A gente mal se conhecesse, a gente… – Eu pausei –
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Everybody. Well then why can’t I go home without somebody? And really, I could fall in love with anybody who don’t want me. So I just keep sayin’ I hate everybody. But maybe I, maybe I don’t.

  - ! – ele me chamou, fazendo com que eu abrisse os meus olhos e encarasse os dele.
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  Ele abaixou a cabeça, respirou profundamente e eu quis bater a porta na cara dele e sumir.
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  - Eu não quero magoar você! A gente tem uma relação de trabalho muito próxima, não quero que se envolva comigo a ponto de prejudicar o que temos profissionalmente.
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  - Claro! Eu entendo! Eu sei separar o pessoal do profissional e nada disso vai impactar no meu trabalho, e muito menos na nossa relação profissional. Eu só senti que precisava te falar isso, para não acabar explodindo. Boa noite! E me desculpe.
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  Eu estava prestes a concretizar meu plano e quando estava fechando a porta do apartamento, ele a parou com o pé.
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  - Espera! Eu também preciso te falar uma coisa!
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  Eu arregalei levemente meus olhos e voltei a abrir a porta. Adentrei meu apartamento esperando que ele fizesse o mesmo e ouvi a porta bater. Preferi me manter virada de costas, a coragem havia ido embora e agora eu estava morrendo de vergonha e sentindo meu peito ficar pequeno, apertado.
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  - Olha, eu sou péssimo com essas coisas! Não sei expressar meus sentimentos, tenho muita dificuldade! Eu sempre sofri muito com a minha timidez e achei que quanto mais velho eu ficasse, menos tímido e melhor eu lidaria com os meus sentimentos, mas isso ainda não aconteceu! Você pode me olhar, por favor? Para que eu não me sinta um pateta?
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  Inflei meu peito e me virei, surpresa ao ver o quão perto ele estava de mim. Vermelho como um pimentão.
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  - Eu não sou apaixonado por você! O meu cérebro ainda não funciona assim, eu preciso de muito mais para sentir isso! E eu não gosto de me sentir preso a nada, a ninguém! Por isso optei por um relacionamento aberto. Para não me sentir preso, para não me sentir amarrado a alguém! Não espere um romance ou final feliz! Não crie expectativas de algo maior, eu já tenho a minha vida! Eu já tenho outra pessoa e não escondi de você. – Ele segurou minha cintura com as duas mãos. – Mas eu não posso mentir que não me sinto atraído por você! E eu sinceramente nem sei direito como reagir a isso! Mas eu não quero te magoar.
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  Eu não sabia se estava preparada para o que poderia vir a seguir e todas as suas consequências, mas de uma coisa eu sabia: eu não poderia perder aquela chance.
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  - Se o mundo acabasse agora, eu não sairia daqui. Então me beija e não me solta. Não fala nada e me beija.
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  - Você tem certeza? E se depois – ele pausou quando eu entrelacei meus braços em volta do seu pescoço.
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  Os lábios dele se chocaram contra os meus, com certa urgência. E eu parecia estar no céu, delirando ou algo do gênero.
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  Suas mãos apertaram a minha cintura enquanto o beijo era aprofundado, e eu definitivamente não queria que aquilo acabasse nunca. Caímos no sofá, com o corpo pesado e quente dele sobre o meu e minhas mãos apressadas logo tiraram sua jaqueta. Nós sabíamos o que viria a seguir. E como dizem por aí: um pouco de amor é melhor que nenhum.
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Fim

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Lelen
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7 meses atrás

Gente, não sei o que diabos rolou, mas enquanto eu lia a história, ao invés de ver o Hobi, tava vendo o secretário (?) de Business Proposal (e eu nem assisti o negócio, HELP), mas enfim, tava vendo esse moço AOPSNAOPSNOP
Achei bacana a ideia de ele ter relacionamento aberto que funciona e ainda é saudável HAHAHAH Será se a Suri consegue lidar com isso? (particularmente, eu acho que eu lidaria maomenos bem? sou ciumenta não e sou a favor da liberdade kkkkk)


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