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Fe Camilo
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Quiz #005
// O Tema
Encanto tem a finalidade de proporcionar um bem, enquanto a maldição pode estar associada à magia negra para causar uma punição. Qual das duas situações seu personagem estará vinculado?
// O Resultado
Maldição


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Esta história não possui capas prévias (:

Heres Lunae

PRÓLOGO

“Deusa da lua e da magia, mostre-me a resposta.
Deusa dos mistérios, revela-me todos os destinos”.

  A lua brilhava ardentemente no céu, refletindo sobre o enorme lago que atravessava a clareira. Ao redor do lago, diversas mulheres vestidas em branco cantarolavam em uníssono, seus cabelos soltos dançando com o vento enquanto uma energia etéra dominava o local e seus corpos dançantes. Uma a uma elas começaram a retirar o robe que vestiam, deixando-o cair aos seus pés e caminhando para dentro do lago sem se preocupar com a nudez a que estavam expostas. Quando todas formaram um círculo dentro do lago, retiraram as rosas brancas que decoravam seus cabelos e lançaram em meio ao círculo, movimentando suas mãos em sincronia, a água se movimentando em um belo ritmo, levando as flores a se encontrarem e formarem um belo buquê. No grupo haviam apenas onze mulheres, mas suas vozes ecoavam de tal maneira que quem tivesse a oportunidade de ouvi-las pensaria que muitas outras se escondiam ao redor, o som ecoando por toda a clareira enquanto levantavam suas mãos aos céus, movimentando-se em sincronia na água. De repente, a luz da lua pareceu brilhar diretamente sobre elas, emanando fortemente sobre a água, evidenciando a árvore desenhada em seus pulsos, as quais pareciam exalar um calor radiante. As vozes passaram a representar diferentes sons em uma cacofonia que estranhamente se entrosavam e harmonizavam com perfeição, o buquê de pétalas brilhou fortemente, a ponto de cegar quem o estivesse olhando, mas as mulheres todas mantinham seus olhos fechados parecendo guiadas por uma energia que vinha de dentro de seus corpos. A luz ofuscante das pétalas deu lugar a uma faísca e ali – sobre a água – uma pequena tocha se inflamou no mesmo instante em que todas abriam seus olhos e a música que cantavam voltava a ser uma só. Uma das mulheres quebrou a formação do círculo se dirigindo até o centro onde a tocha queimava magicamente sobre as pétalas e passou seu dedo médio sobre o espinho de uma das flores, causando um furo em sua pele, o sangue quente pingando suavemente e entrando em contato com a tocha, parecendo fazê-la incendiar ainda mais forte. A mulher então voltou para o círculo enquanto cada uma de suas companheiras repetia o mesmo feito. Ao fim da última jorrada de sangue sobre o fogaréu, ele se apagou instantaneamente, assim como o coro de vozes, revelando rosas vermelhas como o sangue flutuando sobre o lago. Cada mulher pegou uma rosa novamente e todas levaram as flores a altura de seus lábios, amassando as pétalas e bebendo o liquido que escorria com sofreguidão. Por fim, elas entoaram em uníssono uma última frase:
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“Dea lunae et magicae ostende mihi responsum.
Mysteriorum dea, omnia mihi fata ostende”.

3 de abril de 1318

  Angélique manteve os olhos fechados e a respiração cerrada com a cabeça sob a água. Havia muito tempo que estava no banho e temia que a qualquer momento os criados bateriam na porta de sua alcôva para questionar se ela se sentia bem. Ela se sentia bem? Não tinha certeza. Era o dia do seu casamento, e por mais que Frederick, seu marido, lhe causasse borboletas no estômago, sua intuição lhe trazia a sensação de que estava prestes a iniciar um caminho árduo e sem volta. Sem conseguir segurar a respiração por mais tempo, sentou-se na banheira em com um respiro sôfrego, mas mantendo seus olhos fechados. Sentiu algo estranho e viscoso passar por suas pernas e em seguida por seu estômago e abriu seus olhos assustada, paralisando ao ver a serpente que parecia encará-la diretamente nos olhos. Engoliu em seco ao observar a serpente passar por seus seios e se enrolar por volta de seu braço esquerdo, parecendo dançar em círculos até alcançar a árvore desenhada em seu pulso, parando ali por alguns segundos antes de picá-la inesperadamente. Angeliqué soltou um grito estrangulado, fazendo com que as criadas que aguardavam do outro lado da porta adentrassem o recinto apressadamente em seu socorro.
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  - Princesa! O que se passou? – perguntou Vivien se aproximando dela com uma toalha de algodão, preocupação evidente em seus olhos.
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  Angélique voltou a olhar para seu pulso, notando o sangue escorrendo, embora não houvesse qualquer sinal da cobra que a picara.
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  - Princesa! Devo chamar pelo medico real? – questionou se apressando em colocar um pano sofre a ferida.
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  - Não há necessidade. – Angélique respondeu decisivamente, pressionando o pano sofre a ferida, e se apressando em levantar-se da banheira cuja água assumia um tom avermelhado.
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  - Mas princesa… – insistiu Vivien.
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  - Eu já disse que não há necessidade. – replicou irritada, percebendo que seu tom diferente do usual causou estranheza na criada que estava acostumada com a doçura de sua voz. – Me desculpe, Vivien, só estou um pouco nervosa por conta da cerimônia. – se explicou rapidamente, notando o sorriso aliviado da criada à sua frente.
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  - Isso é completamente natural, princesa, mas não há com o que se preocupar, todos os preparativos foram feitos cuidadosamente, e vossa majestade está ansioso por vê-la.
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  Angélique respondeu apenas com um sorriso leve, se certificando de esconder as emoções contraditórias que se apossavam de seu coração, cobrindo-se com uma toalha e deixando o pano que cobria seu pulso cair no chão, percebendo que o sangue estancara.
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  - Podemos trazer seu vestido, princesa? – questionou Vivien, parecendo mais animada do que a própria noiva.
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  - Por favor, isso seria ótimo. – autorizou Angélique, seu olhar divagando novamente para o que ocorrera minutos antes. Sentindo um arrepio percorrer cada pedaço de seu corpo, lembrou-se das palavras da grande sacerdotisa de seu templo “elas servem como passagem para o spiritus regnum*”.
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*spiritus regnum é latim para reino do espírito.

  15 de outubro de 1321

  - Não toleraremos mais nenhum ato diabólico em nosso território sagrado! Qualquer pessoa ou organização que realize qualquer ato considerado pagão pela igreja pagará com a própria vida por manchar nosso solo com ações que vão contra o desejo de Deus. – sua majestada, Rei Frederick, vociferou a plenos pulmões, recebendo o apoio entusiasmado de todos que se encontravam no enorme salão de festas. – Hoje celebramos mais uma vitória contra os demônios que tentam contaminar nossas terras, mas amanhã é um novo dia para continuar em nossa caça pelos adoradores do diabo. Que a festa comece!
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  O Rei levantou sua taça em saudação aos cavaleiros que bravamente perseguiam os que chamavam de “adoradores do diabo” enquanto todos no salão o seguiam em vivas e risos, brindando pela vitória conquistada. A Rainha Angélique, ao lado do rei, cumpriu seu papel esperado, levantando a sua taça e brindando com seu esposo, um sorriso delicado cuidadosamente postado em seu rosto, seu coração – no entanto – sofria silenciosamente por mais uma perda de seus irmãos e irmãs. Após a permissão do Rei, a celebração iniciou de fato e a cacofonia de vozes no recinto dominou o ambiente.
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  - E então, minha bela esposa, está orgulhosa de nossos esforços? – questionou vossa majestade, aproximando-se de seu ouvido e depositando um beijo em seu pescoço, exposto pelo coque alto que havia feito.
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  - Sim, meu querido, não poderia estar mais orgulhosa. – mentiu, forçando seus lábios a alargarem o sorriso um pouco mais, sua mão direita inconscientemente tocando o pulso esquerdo por sobre a luva que escondia um dos símbolos mais perigosos do reino.
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  O Rei, assim como todos os seus vassalos presentes, comeram e beberam alegremente noite afora, e algumas horas depois Frederick segurava a mão de sua esposa consigo, a levando para longe das vozes e olhares de seu povo. Após mais de um mês distante do castelo, em sua busca determinada pelos pagães que insistiam em destruir sua reputação e a de seu reino, o Rei só pensava em deitar-se com sua esposa e aproveitar cada minuto que tinham juntos antes de mais uma expedição.
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  Evidentemente embriagado, o Rei fazia declarações incoerentes à sua esposa, a qual devidamente e calculadamente sóbria, aproveitava para interrogá-lo sutilmente, tirando vantagem do único momento em que podia receber qualquer informação, por mais ínfima que fosse, que pudesse salvar seus irmãos e irmãs.
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  - E quando pretendem partir em uma nova expedição? – perguntou tentando desvencilhar-se dos beijos molhados e insistentes de seu esposo em sua clavícula.
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  - Em duas luas. – respondeu diretamente, continuando sua tentativa de dessamarrar o corssete que ela utilizava.
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  - Já há um destino certo? – continuou, se virando para dificultar um pouco mais a tarefa de seu esposo em retirar suas roupas.
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  - Sim, encontramos dois grupos de traidores ao norte, perto da província de Sielha e de Trievi. – afirmou com um sorriso vitorioso ao conseguir finalmente jogar o corssete apertado há alguns metros de distância.
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  Angélique pôde finalmente relaxar nos braços de seu marido assim que recebeu a informação que tanto procurava. A primeira coisa que faria pela manhã seria enviar mensagem para os Sectatores, sabendo que eles teriam tempo para se esconder antes que fosse tarde demais. Quando os lábios de Frederick encontraram os seus, a rainha sentiu um aperto em seu coração e conteve um suspiro de tristeza por ter de trair seu amado marido.
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07 de fevereiro de 1322

  O Reino de Aragão, sob a determinação constante e implacável do Rei Frederick, logo se viu praticamente livre de todas as práticas consideradas heréticas. Ainda haviam batalhas e julgamentos constantes para subjugar todos os domínios do reinado de maneira a fazer com que o cristianismo fosse a única religião seguida. Apesar dos esforços da Rainha Angélique para manter protegidos aqueles que permaneciam fiéis à Deusa Hécate, seus esforços foram praticamente em vão, sendo ela excluída de todas as decisões militares e recebendo informações parciais e escassas por parte de seu esposo. Com um peso no coração ela se sentia cada dia mais resignada à seguir os ideais do reino, embora uma voz em sua mente a mantinha lúcida e forte o suficiente para seguir em fiel à sua fé.
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  Caminhou silenciosamente por entre os corredores até chegar à sala de reuniões de seu marido, adentrando com cuidado para não fazer nenhum alarde e chamar atenção dos guardas que rondavam durante a noite. Angélique não sabia exatamente o que procurava, mas percebera a mudança no marido, a preocupação que se escondia em seus olhos azuis quando se juntara a ela mais cedo. Ele não quis falar do assunto, mas a rainha sabia que tinha alguma relação com o grupo de cavaleiros que chegaram da última expedição mais cedo, e imaginava que poderia encontrar algum registro em seu escritório.
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  Procurou rapidamente pelos armários e gavetas, assim como sobre a sua mesa e a pequena mesa de centro repleta de papeis, porém não encontrava nada que lhe desse qualquer indício do que havia ocorrido. Estava prestes a sair dali com receio de demorar demais e ser pega, quando seu olhar caiu sobre o quadro dos antigos rei e rainha, pais de Frederick, e ela se lembrou que o item decorativo escondia um cofre. Apressadamente retirou o quadro da parede, digitando o mesmo código que seu esposo utilizava no cofre em seu aposento, onde guardavam as jóias de família. Ouviu o clique do cofre se abrindo e mexeu com cuidado nos papeis dispostos ali dentro, batendo o olho em um pergaminho antigo que não parecia pertencer ao local. Angélique abriu o pedaço de papel cuidadosamente e leu com atenção o que ali havia:
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  ”Quando a luz daqueles que acreditam ser os únicos capazes de exercer a verdade e o solo for inundado com o sangue dos seguidores, eis que uma criança surgirá, e essa criança será a própria Deusa, pronta para reinar sobre os mortais e guiá-los no caminho da lua. A criança surgirá no dia de Samhain, cum luna et sol concurrunt*.”
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* quando a lua e o sol se encontrarem.

  Angélique arfou em surpresa, sentindo seu coração palpitar mais forte, e como se o pergaminho queimasse seus dedos o colou novamente em seu devido lugar, fechando o cofre e ajustando o quadro exatamente como estava antes de voltar para o conforto de seu quarto e os braços de seu esposo adormecido.
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  Naquela noite, Angélique sonhou repetidamente com uma serpente que a perseguia onde quer que fosse por mais que corresse. Por fim, se viu no mesmo lago em que estivera há muitos anos atrás, cercada de suas irmãs ao performar o ritual em busca das bençãos da Deusa, porém em seu sonho, ao invés de espetar seu dedo no espinho de uma rosa, seu dedo foi picado por uma serpente que surgia de dentro do lago, o sangue jorrando de forma anormal e tangendo todo o lago de vermelho.
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  20 de Agosto de 1322

  Frederick beijou a barriga de sua esposa, protuberante o suficiente por sobre o vestido. Angélique afagou seus cabelos, tentando acalmá-lo, embora soubesse que não havia nada que pudesse fazer para levar paz ao coração de seu esposo. Após a profecia que havia sido encontrada por cavaleiros alguns meses atrás, o Rei entrara em um frenesi alucinado, dizimando vilas inteiras e caçando mulheres que apresentassem qualquer sinal de heresia aos seus olhos. Ao descobrir que teriam um filho, seus atos se tornaram ainda mais desvairados, o medo de perder tudo que conquistara, além da capacidade de cuidar dos que amava o atormentava noite e dia. Frederick se despediu de sua esposa com um beijo, seguindo para os julgamentos que haveriam na província de Tucsia dali a três dias.
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  Angélique observou enquanto o marido se afastava e sentiu o coração arder. Adentrou seus aposentos pedindo para que ninguém a incomodasse até o horário do almoço e se trancou em sua alcova, determinada a testar uma teoria que a amedrontava toda vez que se lembrava dos sonhos recorrentes que tinha todas as noites.
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  Retirou a luva que cobria da sua mão até seu cotovelo e analisou a árvore desenhada em seu pulso, a qual havia sido desenhada em um tom preto como grafite, agora se mostrava quase completamente branca. Desde que descobrira sua gravidez, logo depois de ter lido a profecia escondida pelo marido, Angélique notara que a cada novo mês a cor mudava, o branco cobrindo a tatuagem aos poucos. Com um suspiro resignado, a rainha pegou um pequeno cristal vermelho que escondia dentro de uma de suas meias ao fundo da gaveta e colocou sobre a escrivaninha. Em seguida, buscou a tigela que usava no banho e despejou um pouco de água sobre a mesma, colocando o cristal dentro da tigela e acendendo uma pequena vela ao seu lado. Fechou os olhos e respirou fundo, cantarolando repetidamente tão baixo como em um sussurro:
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“Dea lunae et magicae ostende mihi responsum.
Mysteriorum dea, omnia mihi fata ostende”.

  Alguns minutos depois sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem, assim como uma energia estranha dominar seu corpo, abriu os olhos imediatamente observando em choque o pequeno cristal flutuar por sobre a tigela, a cor vermelha aos poucos se transfigurando para um branco tão luminoso quanto a lua. Arfando em surpresa, Angélique conteve o grito que quase soltou ao sentir uma dor aguda em seu pulso esquerdo, ao olha-lo viu a árvore desenhada apresentar um brilho tão intenso quanto o do cristal flutuante à sua frente. Sem que pudesse conter, lágrimas escorreram por sua face em profusão, uma parte de si emocionada por saber que carregava dentro de si um ser totalmente especial, ao mesmo tempo que a outra parte se encarregava de se preocupar com a reação de seu esposo quando soubesse, e como poderia proteger sua filha.
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  31 de outubro de 1322

  Angélique sentiu mais uma contração forte em seu ventre e não pôde conter o grito de dor, o suor frio escorrendo por sua testa.
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  - Vão. Procurem por sua majestade … ah … e informem que estou prestes a ter nosso filho. – ordenou com dificuldade, se preocupando em manter a respiração estável por entre as contrações.
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  As criadas atenderam seu pedido imediatamente, exceto por Vivien – sua fiel criada e amiga – que segurou sua mão com firmeza a ajudando a se levantar da cama, a barriga enorme parecendo prestes a explodir.
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  - Tem certeza disso, majestade? – questionou a criada, um olhar apreensivo dominando seu rosto.
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  - Sim, precisamos ser rápidas, Vivien. Ah…. não temos muito tempo. – disse decidida, tentando acompanhar os passos rápidos da criada que a levou por entre os corredores do castelo apressadamente. Vivien seguiu pela escadaria utilizada pelos criados, certamente o caminho mais longo e difícil para uma mulher prestes a parir, mas também o mais seguro.
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  Conseguiram chegar na saída do castelo que dava para a floresta de Greenich e Vivien a ajudou a adentrar a carruagem que as aguardava antes de sentar ao seu lado, pedindo para que o carroceiro desse a partida. A viagem foi turbulenta, e a cada vez que a carruagem passava por sobre uma pedra, as mulheres dentro da mesma pulavam com o impacto e Angélique gritava de dor, mas permaneceu firme em seu propósito, sabendo que esse era o único jeito de salvar sua filha.
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  No céu, seguindo exatamente o previsto pela profecia, a lua e o sol se encontravam em um eclipse raro que não era visto há décadas. Angéliquei sabia que não tinham muito tempo, o rei já deveria ter notado seu sumiço e todos os cavaleiros do castelo deveriam estar à sua procura. Assim que se aproximavam do lugar combinado com os Sectatores, a carruagem passou por uma pedra maior do que podia aguentar e uma das rodas se soltou, levando o veículo a bater em uma árvore na estreita estrada de ferro em meio à floresta. Angélique desceu da carruagem sabendo que não havia muito mais tempo, pegou a mão de Vivien e caminhou o mais rápido que conseguia, lutando contra a dor lancinante em seu corpo.
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  As duas caminharam por alguns minutos até se encontrarem em uma clareira em meio à floresta. Angélique deitou-se imediatamente, notando o carroceiro atrás das duas, parecendo perdido sobre o que fazer.
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  - Guten, ah…por favor… solte um dos cavalos da carruagem e se prepare … se prepare…. ah … para continuar a viagem somente à cavalo.
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  - Sim, majestade. – o carroceiro correu para o lugar de onde haviam saído enquanto Vivien ajoelhou-se ao seu lado.
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  - Vivien, ela…ela está vindo. Eu… eu preciso de sua ajuda.
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  Vivien se posicionou rapidamente por entre as pernas de Angélique, levantando seu vestido e a acompanhando em seu parto, ajudando-a a manter a calma e respirar enquanto a incentivava a empurrar a criança com o máximo de força que conseguia. O céu sobre elas escurecia cada vez mais a cada segundo, engolindo as estrelas e fazendo desaparecer toda a superfície do reino, enquanto a árvore no pulso de Angélique brilhava como nunca, parecendo enviar uma pulsão de força e energia para seu corpo, permitindo que ela desse um último empurrão, ouvindo o choro esganiçado da linda criança que saía de seu útero.
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  - Majestade…ela é linda. – Vivien pegou a bebe no colo e colocou nos braços de Angélique, pegando a pequena navalha que levava no bolso de seu avental e cortando o cordão umbilical. Notaram a figura de Guten se aproximando com um cavalo segurado firmemente nas rédeas.
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  - Linda, minha pequena. – Angélique deu um beijo suave e terno na testa da criança antes de pronunciar com todo o amor em seu coração. – .
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  Vivien caiu em lágrimas ao observar a bela cena à sua frente, mas logo arregalou os olhos em surpresa ao ver que Angélique oferecia a criança à ela.
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  - Vivien, eu preciso que você e Guten leven ela daqui. – uma lágrima teimosa escapou dos olhos de Angélique, mas ela seguiu decidida – eu não consigo viajar no estado em que estou e logo os cavaleiros do rei nos encontrarão. Leve ela para os Sectatores, eles saberão o que fazer, eles poderão protegê-la.
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  A criada se debulhou em lágrimas enquanto pegava a menina em seus braços, e abraçando sua grande amiga uma última vez, subiu no cavalo com a ajuda de Guten, se distanciando em meio à escuridão.
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  Angélique caiu em um sono profundo, mas em seus sonhos, pela primeira vez em meses, sonhou com um destino melhor, um no qual sua pequena podia viver livre e feliz.
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Fim

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