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Girls’ Generation

My Comeback

“Se ainda não começou por estar com medo,
Então pare de reclamar! (GG)
Se hesitar, todas as oportunidades passarão por você,
Pois então abra seu coração e mostre-se!”
– The Boys / Girl’s Generation

  “Mais um dia comum em Upper East Side, correria, hora do rush, compras, luxo, moda e um pouco de tédio social. Bem, não por muito tempo, no que depender de mim, apesar de Dan Humphrey ter simbolicamente matado nossa existência, Gossip Girl deixou uma simples página de um blog que pode ser hackeado, para uma sociedade impenetrável agora e eu sou a herdeira de Manhattan. Para os íntimos, podem me chamar de G’G, estou aqui e pronta para acabar com seu tédio!
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  E começamos pelo reinado atual em Constance Billard School of Girls e em St. Jude’s School for Boys. Nossas realezas? Britany Collins e James Bale, o casal mais quente do momento. Andei revisando as mensagens de minhas informantes VIPs nessas últimas férias de verão e descobri para o próximo ano letivo a chegada de uma nova aluna de passado enigmático que promete acabar com a soberana Collins, será que Bale vai permitir isso?
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  E o nome dela? Sollary, uma desconhecida e misteriosa bolsista que logo no primeiro dia de aula fez amizade com a garota mais rica do Constance, a tímida e apagada Vidal. O que dizer dessa amizade, por interesse? Será que se tornará verdadeira? É o que vamos descobrir!”
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

1. Welcome Upper East Side

“New York,
Concrete jungle where dreams are made of,
There’s nothing you can’t do,
Now you’re in New York,
These streets will make you feel brand new,
Big lights will inspire you,
Let’s hear it for New York, New York, New York.”
– Empire State Of Mind / Jay Z (feat. Alicia Keys)

  

  — Senhorita . — Disse Alfred ao se aproximar de minha cama.
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  — Estou acordada. — Eu até poderia rolar para o canto e cobrir minha face, mas resolvi levantar me espreguiçando. — Não consegui dormir direito, estou ansiosa pelo ensino médio.
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  — A senhorita tanto esperou que acabou chegando. — Ele sorriu para mim e abriu as cortinas com cautela para meus olhos irem se acostumando com a claridade. — Animada para rever os amigos?
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  — Amigos? — Eu dei uma risada fraca ao me levantar. — Você sabe que não tenho amigos, não seria agora que teria.
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  — High School é mágica, tenho certeza que terá boas novidades este ano. — Ele permaneceu parado ao lado da porta me olhando com carinho, Alfred era o melhor mordomo do mundo, me tratava como uma filha mais ainda que meus pais.
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  — Torça por mim. — Eu sorri de leve e me dirigi para o banheiro.
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  Ainda não estava acostumada com aquela mansão ao norte de Upper East Side, mesmo minha mãe mantendo o mesmo estilo simples e clássico na arquitetura do lugar, e seus móveis assinados por grandes designers e arquitetos que pareciam valer mais que eu para ela. Sem dúvidas, preferia mais nosso apartamento em frente o Central Park; não pela vista, mas porque dois andares acima do nosso, se localizava a cobertura onde Bellorum morava com seu primo e mais dois amigos, dentre eles, meu irmão mais velho Matt. Eu era apaixonada por ele desde o dia em que o vi na sétima série, mas é claro que ele, o vice capitão do time de lacrosse e aluno destaque da Jude’s, não olharia para uma garota tímida e desajeitada como eu.
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  Alfred preparou uma banheira de espumas para mim, nada como um banho relaxante para afastar minha ansiedade, certamente eu não teria nenhuma surpresa, continuaria sendo a herdeira milionária e solitária do Constance que ninguém se aproximava. Meu único desejo era ter uma amiga de verdade, não me preocupava com holofotes, não possuía o mesmo carisma que minha mãe, a socialite mais respeitada de Manhattan. Coloquei meu uniforme do Constance que me aguardava no closet, ajeitei minha bolsa no ombro direito e saí do quarto mexendo em meus cabelos; desci as escadas rapidamente, não teria tempo para o café e nem conseguiria tomar. Alfred me levou na Mercedes preta do papai, aquele carro conseguia chamar mais a atenção do que eu. Logo que desci do veículo me encolhi um pouco, os olhares vinham para minha direção, mas não eram para mim e sim para o carro. Me afastei mais que depressa e caminhei diretamente para a sala onde seria o primeiro horário, abri meu livro do Nicholas Sparks que comecei a ler no final das férias de verão e me concentrei em minha leitura.
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  Minutos depois o sinal tocou, olhei para frente e uma garota entrou na sala, seu rosto era desconhecido, certamente tinha se mudado para aquele ano letivo, seu uniforme não parecia ter sido feito sob medida, será que ela era bolsista?
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  “Início das aulas e a tímida perde sua chance de ser o centro dos olhares para o carro do seu querido pai, como sobreviver a isso? Vamos aguardar pelo melhor até o intervalo, pois o primeiro encontro das amigas tende a ser interessante.”
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  - Xoxo, G’G.


  

  Era um mundo diferente do meu e uma oportunidade única de uma vida melhor, eu estava em uma nova jornada em que não teria mais segunda chance. Finalmente depois de dois anos de estudos extras diários e horas de leitura na biblioteca pública de NY, eu havia conseguido minha bolsa de estudos na desejada Constance Billard School of Girls. Assim que cheguei em frente ao edifício, analisei cada rosto de cada aluno, teria que reconhecer quem era a rainha do Constance de imediato. E lá estava ela, abraçada ao capitão do time de lacrosse da Jude’s, James Bale; eu já tinha lido sobre ele uma vez, porém, ela era um tanto reservada quanto às informações sobre sua vida, ruiva de olhos castanhos e estatura média, Britany Collins era meu alvo deste ano.
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  Tentei deixar meu olhar fixo nela por um momento, porém meus olhos se desviaram para um garoto que estava ao lado de James. Ele tinha estilo atraente para se vestir, olhar distraído e sorriso de canto meio bobo, imaginei que fosse o futuro capitão do time, já que James estava no último ano a passos da formatura. Naquele momento eu estava traçando minha meta, teria aquele ano para fixar minha presença e herdar a coroa; no final do ano, seria a rainha do Constance e entraria para a cobiçada elite de Upper East Side. Levantei minha face, ajeitei minha postura e comecei a dar meus passos rumo ao topo. Ao passar por eles percebi os olhares vindo para mim, confesso que meu modo de andar era como de uma modelo em ascensão. Demorei um pouco nos corredores, me sentia meio perdida, foi neste momento que ouvi uma aluna falando sobre a aula que eu teria no primeiro horário; eu a segui disfarçadamente até a sala onde seria, demorei um pouco para entrar, pois estava com minha atenção voltada para Britany e seu grupo de amigas, elas tinham o rosto que ressalta falsidade, será que este mundo era assim?
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  Respirei fundo e me concentrei. Era aquilo que eu queria, era aquele mundo que eu desejava pertencer, então era aquele mundo que eu pertenceria. Assim que entrei na sala voltei meu rosto para o fundo dela, meus olhos encontraram os de uma garota que estava com um livro de romance nas mãos, eu a reconhecia de alguma coluna social, mas não me lembrava de qual. Dei alguns passos até a carteira mais próxima e me sentei, tentei manter minha concentração na aula de álgebra, mas não conseguia parar de sentir algo estranho com relação à garota, eu queria muito saber de onde eu tinha visto ela. Foi no momento em que a professora Charlie chamou seu nome, que a reconheci. Vidal, a filha caçula de um multimilionário dono da maior transportadora de NY e da maior e mais conceituada socialite de Manhattan, a garota mais rica e menos social da Constance, a amiga perfeita para mim.
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  Eu passei todo o tempo me sentindo incomodada, aquela garota estranha não parava de me olhar, será que ela gostava de garotas? No intervalo me sentei no canto das escadas, todo o centro já havia sido tomado pela rainha e sua nobreza, me encolhi um pouco e fiquei perdida com meu olhar em .
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  — Vidal?! — disse uma voz feminina ao se aproximar de mim, parando ao meu lado.
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  — Hum? — Eu desviei meu olhar para o lado e era ela, a garota estranha. — Eu? — respondi sentindo um certo medo naquele momento.
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  — Seu nome é Vidal. — Disse ela em afirmação.
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  — Sim. — A olhei com receio.
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  — Posso me sentar ao seu lado? — Ela se sentou antes mesmo de eu responder.
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  — Fique à vontade.
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  Tentei permanecer em silêncio todo o tempo, porém ela sempre puxava assunto; parecia uma garota simpática e solitária como eu, ela era a primeira pessoa que se aproximava de mim em todos aqueles anos de estudos. E isso estava me deixando ainda mais animada e intrigada. Alfred tinha razão, aquele ano seria mágico e eu havia encontrado uma possível amiga. Seu nome? Sollary. Ao final da aula, eu a convidei para passar em minha casa; na escadaria do Constance aconteceu o momento mais imprevisível da minha vida, fomos paradas por ele, o dono dos meus olhares.
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  — Hello, girls. — Disse ele dando um sorriso de canto exercendo todo o seu charme.
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  — Hello. — deu um sorriso audacioso, enquanto eu me mantive paralisada sem saber como reagir àquele momento. Ela agia com naturalidade como se conhecesse ele de muito tempo. — Conhece minha amiga ? — Ela me olhou como se tivesse percebido meu estado de timidez ao extremo.
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  — Sim. Oi, . — Ele sorriu. — Bem, eu e meus amigos estamos organizando uma festa surpresa para os veteranos no final do mês e seria legal se fossem. — Ele fixou seu olhar ainda mais em .
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  — Aguarde, quem sabe nos encontra lá. — Ela deu um sorriso audacioso e segurando de leve em meu braço. — Vamos, .
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  Minhas pernas obedeceram a ela e a acompanharam, mas minha mente havia ficado paralisada, ainda mais nos olhares de para ela, seria bom demais se a aproximação dele fosse por minha causa, mas não. E nesse quesito, eu admito, tinha uma presença forte e sabia chamar atenção sem muito esforço.
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  Alfred chegou pontualmente na hora em que combinamos, quando chegamos em casa, vi os olhos de brilharem automaticamente. Para uma bolsista, certamente nunca havia entrado em uma mansão como a dos meus pais. Deixamos nossas coisas na sala de estudos e a levei para meu quarto, era engraçado ver ela admirada com tudo aquilo que para mim era normal.
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  “Convidada para a festa dos veteranos e uma visita na mansão dos Vidal no mesmo dia. A novata em seu primeiro dia conseguiu marcar presença, será que a tímida vai conseguir acompanhar o ritmo da nova amiga?”
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

2. Assim começa uma amizade

Não se prenda em uma forte aparência 
Algumas vezes 
Você pode mostrar o seu rosto suave 
Que você tanto esconde.” 
– Girls / Girls’ Generation

  –  

  Eu estava admirada com a mansão onde ela morava, seria um sonho morar naquele lugar, mas manteria meus pés no chão e meu foco para o futuro. Fiquei para o jantar após a insistência da senhora Mary Vidal, porém saí logo após o jantar;  insistiu para que Alfred me levasse em casa, mas consegui que ele me deixasse na Estação Central, não queria que descobrissem onde eu morava. Minha vida não era tão interessante assim, mas a partir daquele momento ela seria;  era legal e eu estava decidida a ser a melhor amiga que ela poderia ter. Os dias se passaram e a cada intervalo entre as aulas,  se aproximava mais de nós duas para puxar assunto. Eu já havia percebido que ele estava interessado em mim, mas comecei a cogitar a ideia de não dar esperanças, afinal os olhares de  para ele confirmavam seus sentimentos reprimidos. Será que aquele seria meu primeiro sacrifício para minha conquista final?
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  — Não sei como ainda consigo entender álgebra, não vou usar isso no futuro. — Fechei o caderno não querendo nem um pouco estudar mais. — Não vou precisar disso para entrar em Yale ou na Parsons, meu curso é pura arte.
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  — Existem garotas que vão utilizar isso. —  riu. — Por exemplo a Claire, ela vai fazer engenharia.
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  Eu olhei para  como se quisesse dizer: E eu com isso? 
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  — Olá garotas. —  se aproximou do sofá onde estávamos. — Senti a falta da presença de vocês agora no intervalo.
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  — Estávamos estudando. — Respondi levantando o caderno. — Álgebra. 
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  — Nossa, que tristeza. — Ele sorriu de canto. — Hoje vai ter treino de lacrosse, vocês podem ir?
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  — Ah — eu olhei para , ela não conseguia dizer nada quando ele estava perto e isso me irritava às vezes. — Claro que vamos. 
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  — Legal. — Ele sorriu satisfeito pela minha resposta, então olhou para  — Está tudo bem com você?
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  — Hum. — Ela assentiu de leve com a face dando um sorriso tímido.
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  No fundo, eu sabia que estava nervosa pela aproximação dele.
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  — Ok. — Ele sorriu de canto. — Vejo vocês no treino.
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  Antes de sair, ele piscou de leve para mim e eu agi naturalmente, ainda estava em dúvida se investia no herdeiro dos Cassinos Royal ou não. Olhei para  e vi uma certa tristeza vindo dela, respirei fundo; se eu quisesse ser a Rainha do Constance eu precisava de uma amiga à minha altura e teria que ajudar  no seu upgrade social.
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  Fomos ao treino como prometido e a cada gol marcado por , ele sorria para nossa direção; foi divertido ver o treino dos meninos e mais divertido ainda os comentários de todos por estarmos lá. Me afastei um pouco de  que estava toda encolhida sentada na arquibancada olhando para a direção das líderes de torcida, e caminhei em direção aos membros do time. Ignorei de início alguns olhares disfarçados de James Bale para mim e tranquilamente me posicionei ao lado de  que estava sentado com a toalha cobrindo sua cabeça.
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  — Se jogar como jogou hoje até o final do ano, com certeza será o novo capitão do time de lacrosse da Jude’s. — Comentei sentando ao lado dele. 
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  — Você acha? — Ele retirou a toalha da cabeça e me olhou com serenidade.
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  — Sim, se é isso que você quer, está indo bem. — Confirmei minha opinião. — Tenho certeza que será o melhor.
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  — Não diga isso alto, James tem um orgulho enorme. — Ele riu de leve e desviou seu olhar para a grama a nossa frente. — Mas quanto ao que eu quero, existe algumas coisas na lista e uma delas estou em dúvida se vou realmente conseguir.
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  — E qual seria essa conquista improvável? — perguntei curiosa.
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  — Você não imagina? — Ele desviou seu olhar para mim, estava suave.
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  — Talvez eu não queira imaginar. — Eu ri de leve e por um instante meu olhar se desviou dele para  que já estava conversando com Matt. — Mas todos temos algo para conquistar. 
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  — E o que você quer conquistar? — Desta vez seu olhar estava curioso.
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  — Algo bem provável. — Eu sorri imaginando a coroa de Queen Collins na minha cabeça. 
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  — Vocês dois vão ficar aqui? — perguntou James ao se aproximar de nós. — Estamos combinando de ir para a casa da Judy. Os pais dela estão de férias em Bahamas, casa liberada com festa na piscina. 
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  — Hoje foi somente um jogo treino e teremos festas? — perguntei ainda desacreditada daquele pequeno motivo para uma festa, me levantando. 
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  — E desde quando os reis devem ter um motivo para dar festas? — Queen Collins se colocou ao lado de James com um olhar superior para mim, segurando suave no braço dele. — Apesar de serem para poucas pessoas, somente a elite.
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  Senti aquelas palavras como uma indireta, ela não gostava mesmo de mim e fazia questão de demonstrar com seus olhares, minha salvação foi a aproximação de Matt e .
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  — Majestades, se não querem perder a festa, melhor irem agora. — Brincou Matt desviando seu olhar deles para mim.
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  — Já estávamos indo. — Respondeu Queen Collins. 
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  — E você não vem? — James o perguntou. — Acho que nosso amigo aqui está meio desanimado também, não queria ficar em desvantagem na festa. — Brincou ele desviando seu olhar para Collins. 
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  — Espero que a indireta não seja para mim. — Ela riu do namorado.
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  — Preciso levar estas garotas para casa. — Explicou Matt mantendo seu olhar em mim. 
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  — Não seja por isso. —  se levantou da cadeira. — Eu levo elas.
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  — Tem certeza? — Matt o olhou. 
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  — Não precisa se preocupar conosco. — Me aproximei de e segurei de leve no braço dela. — Não somos indefesas. 
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  — Eu levo vocês. —  sorriu de canto e pegando sua mochila retirou as chaves do seu carro do bolso.
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  — Já que insiste. — Eu sorri e olhei para minha amiga, seria mais uma oportunidade para ela ficar perto dele.
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  No final do mês eu e  combinamos de nos arrumar juntas para a festa dos veteranos que estava rolando na casa dos pais da Queen Collins; foi divertido ver aqueles jovens se divertindo na pista de dança, a elite colegial de Upper East Side em uma festa privada. Eu estava mais feliz por  do que por mim, aquela era sua primeira festa da alta sociedade sem seus pais e com seu nome no topo da lista, uma realização e tanta da minha parte. No ápice da festa,  me pediu para ajudar a procurar seu irmão para nos levar de volta, eu iria dormir na casa dela pela primeira vez naquela noite. Combinamos de ela ficar procurando nos quartos do segundo andar e eu no primeiro andar; após entrar na cozinha e não o encontrar, entrei em uma pequena porta à direita da janela e desci as escadas do porão. E como a sorte sempre sorri para mim, atirei no que vi e acertei no que não vi; comecei a ouvir algumas vozes vindas do fundo bem ao fundo do lugar, andei cautelosamente e em silêncio me escondendo atrás de um grande armário de madeira maciça; lá estava ela, Queen Collins em posições quentes com  Village, o sedutor primo de .
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  Aquela era uma cena e tanta, eu não perderia a oportunidade de aproveitar, já estava com meu celular em mãos.
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  “Flagrada por , a Queen Collins está em maus lençóis, será que encontramos nossa nova majestade?”
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– Xoxo, G’G


  – 

  Eu e  estávamos no grupo da nobreza, eu ainda não acreditava em tudo aquilo; depois da festa dos veteranos, começamos a nos sentar no centro da escadaria juntamente com Britany e suas amigas. Ainda era um tanto inacreditável para mim estar entre as mais populares do Constance e ter meu nome mencionado no blog da G’G, não sabia como  tinha se tornado a aprendiz da Queen Collins, mas estava curtindo cada momento.
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  — Acho que por hoje está tudo finalizado. —  fechou o livro de literatura. — Se eu ler mais alguma coisa sobre Shakespeare vou acabar tendo pesadelos com Romeu e Julieta.
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  Ela fez uma careta.
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  — Romeu e Julieta é um clássico da literatura. 
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  — Me desculpa, mas não tenho paciência para esse tipo de romance, . — Ela me olhou com uma cara de nojo que me fez rir. — Se fosse para escolher, seria Sonhos de uma noite de verão. 
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  — Ok, vou respeitar sua preferência pela era Vitoriana.
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  — Dorian Gray agradece. — Ela piscou de leve sorrindo. 
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  — Hum, não sabia que tínhamos visitas em casa. — Matt entrou de repente na sala de estudos.
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  — Essa deixou de ser sua casa há tempos, Matt. — Eu ri brincando com ele. 
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  — Ha..ha.. O que estavam fazendo? — perguntou ele, se sentando ao lado de .
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  — Estávamos garantindo nossa ficha acadêmica. — Respondi. 
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  — Em outras palavras, estudando. —  o olhou. — E você?
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  — Eu estava no treino com o time. — Ele se virou para ela. — E o  não parava de falar sobre você, acho que tem alguém interessado. 
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  — Não sei se ele faz meu estilo e existe outra pessoa mais adequada para ele —  olhou para mim de relance como se quisesse dizer que eu era essa pessoa e depois desviou seu olhar para o livro e suspirou fraco. — Acho que tenho que ir agora. 
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  — Não. — Eu disse fazendo cara de triste. — Dorme aqui hoje, temos que adiantar nosso artigo para a semana literária.
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  — Semana literária? —  respirou fundo se jogando no ombro de Matt, que ria de nós duas. 
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  Os meses já haviam se passado, consegui que  participasse da ceia do Dia de Ação de Graças que minha mãe promoveu, todos do nosso grupo de amizades foi, inclusive .
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  — Sua mãe sabe como dar festas, . — Comentou Queen Collins no meio de todos os jovens da elite convidados.
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  — Ela tem muita experiência nisso. — Me encolhi um pouco. 
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  — , para com isso. —  me puxou para o canto do jardim. — Relaxa e se solta um pouco, esta é sua casa, tente não deixar essa sua timidez atrapalhar sua vida. 
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  — Não consigo, , sou um desastre. — Eu a olhei meio triste. 
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  — Não, você só precisa deixar seu lado gentil e simpático aparecer, tenho certeza que todos vão gostar, somos populares agora. — Ela sorriu. 
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  — Obrigada, amiga. — Eu a abracei. — Você é a melhor amiga do mundo.
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  — Eu sei. — Ela piscou de leve para mim. 
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  — Desculpe atrapalhar o romance de vocês, garotas. —  se aproximou de nós com um sorriso que me deixou paralisada como sempre. — Mas posso pegar a  emprestada? 
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  — Claro. — Eu assenti meio frustrada. 
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  Apesar de ver  conversando com  quase toda a noite, foi divertido ver a casa cheia de pessoas estilosas, finalmente as pessoas sabiam meu nome e quem eu era, eu havia sido notada por todos naquela noite, exceto por quem eu queria. 
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  — Está olhando demais e agindo de menos. — Disse Queen Collins sinuosamente ao se aproximar de mim.
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  — Do que está falando? — Eu olhei sem entender. 
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  — Do seu olhar fixo em . Pessoas como eu observam isso. — Explicou ela. 
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  — Ah, acho que está enganada, não estava olhando para eles. — Me virei de costas para onde eles estavam. — Estava observando todos ao meu redor. 
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  — Seu olhar tímido não me convence. — Retrucou. — Vai deixar ele para sua amiga, se é que ela é realmente sua amiga? 
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  — Collins, a escolha não é minha e esta sua pergunta é um tanto íntima. — Olhei para o lado. — é minha melhor amiga e já me disse que não quer nada com ele. 
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  — Não é o que eu acho. — Ela riu um pouco. — Você não conhece sua amiga e acho que não deveria deixar que ambos fiquem tão próximos. 
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  — Garotas, porque estão aqui no canto com uma festa tão deslumbrante? — perguntou  ao se aproximar de nós.
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  — Estávamos conversando. — Britany o olhou com certa malícia. — Coisas de garotas. 
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  — Falavam sobre garotos então. — Ele riu brincando.
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  — Presunçoso, você. — Retrucou ela. 
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  — Só disse a verdade.
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  — Eu vou… — Não precisava de desculpas para me distanciar deles; para eles parecia que eu não estava lá mesmo.
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  Passei todo o inverno longe da minha melhor amiga, ela havia viajado para algum lugar que não lembro o nome; era estranho, mas até aquele momento eu não sabia de nada sobre a vida de . Sua amizade era o bastante, mas às vezes me pegava pensando como seria a família dela. Trocamos mensagens no Natal e ela disse que assim que as aulas retornassem, ela seria a nova Queen do Constance. Minha curiosidade sobre como  se tornaria a nova Queen se estendeu por todo o recesso escolar, afinal, Britany ainda estava no poder e só sairia de lá após a formatura que seria duas semanas antes das férias de verão, ou  enlouqueceu ou se esqueceu deste detalhe, ou planejava alguma coisa.
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  — Senhorita?! — disse Alfred ao aparecer na porta do meu quarto.
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  — Sim? — Eu o olhei. 
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  — Carta da senhorita 
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  — Ah. — Dei um pulo da cama deixando meu livro na escrivaninha e peguei a carta. — Estava esperando por isso, aquela ingrata me abandonou no Natal e ainda nem tem um celular para dar sinal de vida. 
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  — Talvez esteja com a família. — Disse ele me olhando.
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  — Hum. — Eu abri a carta demonstrando cansaço. — Odeio quando aparentemente está certo.
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  Sim, ela tinha uma família, eu acho; todos temos famílias, mas queria que ela estivesse aqui, minha melhor amiga estava se tornando minha irmã, a irmã que sempre quis ter.
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  “As amigas estão mais unidas do que nunca. . Será que a história vai se repetir assim como as divas B e S? E o que dizer desse Dia de Ações de Graça na casa da família Vidal?  já demonstrou seu interesse por . Ansiosos pelo fim do inverno? Não se preocupem, as coisas só tendem a esquentar! ”
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E quem sou eu? 
Esse segredo eu não conto para ninguém! 
– Xoxo, G’G.

3. Falling

“With the taste of your lips I’m on a ride
You’re toxic, I’m slippin’ under (toxic!)
With the taste of your poison, I’m in paradise
I’m addicted to you
Don’t you know that you’re toxic?”
– Toxic / Britney Spears

  

  A pausa para as comemorações do final do ano havia acabado, estava feliz por isso, o Natal não era meu feriado favorito do ano. Nada como voltar à minha rotina diária de luxo e glamour no Constance para me motivar ainda mais. Entretanto, havia uma pedra no meu caminho, Queen Collins. Eu estava obstinada a tirá-la do jogo e tomar posse do tabuleiro de xadrez, e esta modesta festa de aniversário de Bale seria meu xeque-mate.
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  Primeiro fim de semana após a volta às aulas, estava na casa de nos arrumando juntas para festa, seria uma quase festa de despedida já que Bale estava de malas prontas para a Universidade de Oxford.
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  — Estou ansiosa por esta noite. — Disse colocando seu vestido no corpo. — Nossa primeira festa após o recesso.
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  — Vejo que está mais animada do que eu. — Sorri de canto de forma debochada.
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  Minha adorada nem esperava o que rolaria naquela festa.
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  — Um pouco, passei todo o inverno na casa de campo dos meus avós. — Ela parou ao meu lado para se olhar no espelho. — E você, como passou o inverno?
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  — Eu? — Fiquei um pouco surpresa pela pergunta e sem saber como responder, eu não havia passado o final do ano em um lugar legal como ela. — Tenho certeza que não me diverti tanto como você.
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  — Eu não acho que divertir seja a palavra adequada quando se trata dos meus avós. — Ela riu terminando de retocar o batom. — Então, como estamos, amiga?
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  — Tenho certeza que hoje a noite promete. — Eu olhei para o reflexo dela. — Você ficou mais linda com essa maquiagem; quanto mais suave, mais sua beleza é aflorada.
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  — Sim. — Ela sorriu com os olhos brilhando. — Me sinto mais animada ainda.
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  — Isso é bom, quem sabe essa noite perde de vez sua timidez — retoquei meu rímel e sorri para o espelho, aquela seria a noite da minha ascensão — e conquista seu príncipe encantado.
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  Ela tossiu de leve, pelo nervosismo, me fazendo rir de imediato. Nós descemos juntas as escadas de sua casa para esperar os cavalheiros. Minutos depois, Matt chegou acompanhado por em seu Porsche branco, pontualmente na hora combinada para nos buscar. trajava uma roupa um pouco despojada, mas não desvalorizada, percebi alguns olhares espontâneos e automáticos dele para , certamente impressionado com a transformação da garota tímida em uma mulher notável. Mas claro, com uma fada madrinha como eu, não esperava menos. Meu plano de transformar minha amiga em uma dream princess popular e sociável estava em andamento, ainda mais com aquele look singelo que o vestido tubinho amarelo deixava nela, com suas belas pernas à mostra. Eu havia colocado um vestido que valorizava o decote, que a senhora Mary tinha me dado de presente no Natal, era o primeiro vestido de grife que eu usava. Primeiro de muitos.
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  Logo que chegamos ao apartamento de Bale, o lugar já se encontrava bem movimentado pela elite colegial convidada, um DJ para animar a festa e todos na pista de dança.
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  — Oh, você está aqui. — Disse ao entrar na cozinha, depois de um longo tempo na pista de dança, e ver Matt sentado na banqueta em frente à bancada de refeições.
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  — É, um pouco escondido. — Ele deu um sorriso fraco. — Não estou animado para festas hoje, mas se não viesse Bale me mataria.
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  — O que houve? — Caminhei até ele meio devagar. — Brigou com a namorada?
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  — Ha… Ha… — Ele me olhou. — Se eu tivesse, mas…
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  — Mas? — Me sentei ao seu lado com um olhar insistente.
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  — Não é nada relacionado a mulheres. — Ele riu de leve. — É algo familiar.
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  — Quando diz familiar…? — Estava meio receosa.
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  — . — Ele suspirou fraco. — Vocês são amigas…
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  — Melhores amigas. — Corrigi ele.
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  — Sim. — Ele concordou em risos, mas depois ficou sério. — Devo me preocupar com minha irmã e esse triângulo entre vocês três?
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  — Eu poderia até fingir que não sei do que está falando — sibilei um pouco movendo meu olhar para o lado. — Mas só posso te confirmar que não existe triângulo.
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  — Todo mundo sabe que gosta do , desde a quinta série, ele se faz de desentendido por minha causa, eu acho — ele suspirou fraco. — Minha irmã já está grandinha demais pra eu proibir algum garoto de chegar perto dela, mas agora temos você…
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  — Eu?! — Sorri tranquilamente. — Não tem eu… é meu amigo, só isso que sentimos um pelo outro, amizade.
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  — Fale por você. — Retrucou ele. — Mesmo não sendo o irmão do ano, não quero ver sofrendo em meio a um triângulo maluco e perder um amigo ao mesmo tempo.
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  — Acredite, estou falando por todos. — Me levantei respirando fundo. — nunca esteve em minha lista de possibilidades, além do mais, desde que conheci percebi a paixonite que ela tem por ele.
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  — Devo mesmo acreditar? — Ele me olhou desconfiado.
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  — Claro. — Eu me aproximei um pouco mais dele com um sorriso malicioso no canto e o beijei de surpresa, intenso e doce, o fazendo retribuir com facilidade. — Tenho certeza que hoje os olhares do nosso amigo irão mudar de direção.
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  Dando um passo para trás, voltei meu olhar discretamente para a geladeira, vendo pelo reflexo nela a sombra de se afastando. Uma piscada para ele, que o deixou sem reação, saí segura de minhas palavras da cozinha e voltei para a agitação. Me encostei de leve na parede ao lado de uma das pilastras de ornamentação e fiquei observando um pouco as pessoas que se divertiam na pista de dança improvisada no meio da sala. Não conseguia desviar meu olhar que permanecia fixo em uma pessoa, a futura ex-rainha Collins.
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  — Olha a garota mais sexy da festa. — Disse ao se aproximar de mim com um copo de whisky Bourbon na mão direita.
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  — Descarto suas investidas baratas, . — Eu o olhei séria. — Você já sabe que não tem chances comigo.
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  — É somente um elogio, se não sabe diferenciar — ele colocou a mão esquerda em minha cintura e aproximou seu corpo do meu. — Já que você está de joguinhos com os meus amigos, bem que poderia fazer comigo também.
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  — Deixa de ser desagradável, , não estou de joguinhos com ninguém e nem que você fosse o último homem da Terra ficaria com você.
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  — Eu sei o que você quer — ele aproximou seus lábios do meu ouvido.
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  — O que eu quero?
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  — Ser a nova queen. — Sussurrou ele.
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  — Algum problema aqui? — disse ao se aproximar de nós.
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  — Não — eu me afastei de e segurei na mão de . — Pelo contrário, você foi a solução.
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  Eu o puxei comigo pelo apartamento até chegarmos na varanda que ficava ao lado da cozinha, estava sério, certamente pensando se eu também tinha algo com seu primo, não por sua fama com as garotas, mas porque ele havia me visto com Matt na cozinha. O Bellorum se encostou no beiral e ficou olhando para a rua, eu me aproximei com suavidade e me coloquei ao seu lado.
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  — Acho que teremos que acertar as coisas entre nós — eu engoli seco, ainda estava pensando o que eu iria falar com ele.
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  Por mais que tivesse dado toda a certeza para Matt, ainda me sentia indecisa com relação às minhas próximas jogadas. Estava improvisando naquela hora.
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  — Do que está falando?
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  — De todas as vezes que tentou me beijar e que me convidou para sair.
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  — Vai me dar um fora definitivo? — Ele me olhou sério, havia frustração naquele olhar.
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  — — respirei fundo —, não acho que eu seja a garota ideal para você, não sinto o mesmo.
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  — Não estou na sua lista de possibilidades? — Ele desviou o olhar para o teto, sua voz estava amarga.
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  — Então você ouviu. — Eu respirei fundo, sabia que ele tinha ouvido.
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  — Em alto e bom som. — Respondeu voltando o olhar para mim.
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  — Agora está ouvindo minhas conversas? — Coloquei a mão na cintura, demonstrando certa indignação.
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  — Não foi proposital, estava indo pegar mais uma garrafa de Gin… Mas isso não vem ao caso.
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  — O que não vem ao caso é… — antes mesmo de terminar a frase, ele me beijou com intensidade envolvendo seus braços em minha cintura; pega de surpresa eu retribui no início, mas voltei ao meu foco inicial e o afastei rapidamente de mim. — O que você fez?
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  — O que eu queria desde o minuto que te vi — respondeu ele.
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  — . — sussurrei ao desviar meu olhar para o vidro que estava atrás dele e ver o reflexo de na porta. — Eu não sou a garota ideal para você, me desculpa.
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  Eu tinha que ir atrás da minha amiga que saiu correndo, senão o meu plano iria ralo abaixo. Não deveria ter deixado ele me beijar daquela forma, estava desnorteada demais em minhas decisões, mas tinha que desfazer todo o mal-entendido, então procurei por ela até que a encontrei no banheiro do quarto de Bale, estava chorando.
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  — — disse ao entrar.
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  — Sai daqui, quero ficar sozinha. — Ela estava sentada no vaso com um lencinho nas mãos.
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  — O que você viu — eu fechei a porta — não vai mais se repetir.
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  — Não me deve explicações. — Ela me olhou. — Eu já sabia que um dia aconteceria, os olhares dele para você, eu jamais teria chances, não posso competir com alguém como você, .
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  — E não vai, porque eu jamais cogitei a ideia de ter algo com ele. — Segurei suas mãos e sorri para ela. — , você é linda e delicada, é a garota ideal para ele, tenho certeza que até o final desta festa vai perceber isso, nem que para isso eu tenha que colocar em um outdoor.
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  — — ela me abraçou forte.
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  — — eu retribuí o abraço, no fundo, estava mesmo fazendo o certo.
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  — Obrigada! — sussurrou ela.
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  — Somos amigas. — Sussurrei de volta. — Melhores amiga.
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  Estava tudo acertado entre mim e . Tinha minha amiga de volta, feliz e pronta para conquistar o garoto que ela gostava há tempos. Então quando chegamos na sala senti que era a hora da minha jogada; eu estava na lista de possíveis sucessoras de Britany, mas não iria arriscar perder a coroa, entraria com classe para este reinado e todos os olhares seria somente para mim.
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  “Diante de um gesto nobre para uma amiga, será que realmente tem as intenções corretas para deixar o caminho livre para ? Estou curiosa para saber o que acontecerá no final desta noite. E a festa está começando a ser incendiada pela novata misteriosa.”
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– Xoxo, G’G


  

  Eu estava mais confiante depois das palavras de , eu confiava nela. Enquanto foi para a pista de dança acompanhada por Matt, eu me sentei no sofá olhando todos. Ainda tinha aquele meu lado tímido que não me deixava ser extrovertida como minha amiga, eu a invejei um pouco, ela dançava tão divinamente. Foi quando se sentou ao meu lado, jogando seu corpo para trás apoiando sua cabeça nas costas do sofá e fechou os olhos.
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  — Noite tediosa? — perguntei, não acreditava que estava tomando a iniciativa, mas sim, estava e se eu queria conquistar ele, teria que lutar contra minha timidez agora.
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  — Um pouco. — Ele respirou fundo.
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  — Talvez você não tenha encontrado a companhia certa para esta noite.
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  — Sim, tenho olhado para a garota errada talvez. — abriu os olhos e me olhou. — Você gosta de dançar?
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  — Para dizer a verdade, eu não sei dançar. — Eu ri de leve me encolhendo.
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  — Hum, posso te ensinar então — ele se levantou do sofá e estendeu a mão.
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  — Ah, não, acho melhor não passar essa vergonha comigo. — Eu me encolhi um pouco.
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  — Podemos ficar em um cantinho, assim ninguém nos verá — ele sorriu de canto e pegou minha mão me puxando.
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  Fomos para o canto da sala perto da janela e ele começou a dar alguns passos me pedindo para acompanhar; em um certo momento ficamos nos olhando, um frio passou pela minha barriga. Lutei arduamente contra minha timidez, respirando fundo a cada sorriso dele. Desviei meu olhar por um momento em direção à mesa do Dj e vi entregando um CD para o homem. Será que era alguma música especial para Bale? Eu havia visto uma vez de muitos sorrisos e conversas com Bale no Brunch que o hotel Village ofereceu há alguns dias; Queen Collins não tinha comparecido naquele evento, estava hospitalizada por intoxicação alimentar. Eu sabia que queria ser a rainha do Constance, mas temia que com isso ela conquistasse inimigos também. pegou minha mão, me fazendo voltar minha atenção para ele, senti meu corpo se arrepiar na mesma hora em que ele foi se aproximando lentamente. Minhas pernas bambearam um pouco. Senti sua mão em minha cintura e logo fechei meus olhos, aquele momento era o que eu mais esperava na vida. Logo seus lábios tocaram os meus, acelerando o meu coração.
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  Minutos depois, a música parou, Bale pegou na mão de Britany levando-a para o centro da pista, ele começou a fazer um discurso apaixonado, dizendo que finalmente ambos seriam felizes juntos. Neste momento, um vídeo começou a ser projetado na parede atrás deles, as fotos de ambos juntos invadiram a tela, porém, a sexta foto fez todos ficarem chocados com o que viam. A imagem se tratava de Britany e Carl Fox, um amigo de infância de Bale, se pegando no vestiário masculino. James Bale permaneceu paralisado por um tempo e voltando a si, se lançou contra Carl, socando sua cara. Eu me encolhi no susto, se afastou de mim e juntamente com Matt se uniram para afastar a fúria Bale de Carl, afinal poderia acontecer uma tragédia se eles não intervissem. Virei minha atenção para e vi um olhar concentrado vindo dela, como se estivesse apreciando toda aquela cena. Agora eu entendia por que ela havia entregado o CD para o DJ.
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  — Me solta! — gritou Bale em fúria, tentando jogar seu corpo contra Carl. — Eu vou acabar com você, éramos amigos.
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  — Calma, James. — Disse Matt ainda o segurando. — Você está muito alterado, pode fazer uma loucura.
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  — Loucura? Eu vou acabar com esse desgraçado.
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  — Não vale a pena. — Disse .
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  — Vai acabar comigo? — Carl se levantou do chão com um sorriso sínico no rosto, sua boca sangrava um pouco. — A culpa não é minha pela namorada que tem.
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  — Seu filho da… — James se soltou por alguns instantes e socou ele de novo.
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  Matt e o seguraram novamente e o arrastaram para o quarto; Carl se levantou do chão e saiu rindo do apartamento enquanto todos cochichavam entre si olhando para Britany. Ela ainda permanecia em estado de choque, com seus olhos cheios de lágrimas e sendo amparada por suas amigas. Me afastei um pouco e fui em direção ao quarto, bati na porta alguma vezes, precisava saber se estava tudo bem.
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  — , o que faz aqui? — perguntou ao sair e fechar a porta.
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  — Eu precisava saber se estava tudo bem, se James se acalmou. — Respondi meio receosa.
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  — Ainda não, mas Matt está conversando com ele — explicou se encostando na parede. — A fúria reina ali dentro. Enfim, não vamos deixar ele fazer nada que o prejudique.
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  — Que bom que ele tem vocês dois — me encolhi um pouco. — Fiquei assustada com aquelas fotos, a Britany parecia tão apaixonada por ele, nunca imaginei que pudesse fazer isso.
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  — Quem vê cara não vê coração. — Disse ele espontaneamente rindo um pouco. — Mais de uma vez eu vi e ela conversando de forma íntima, fiquei intrigado com aquilo.
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  — Você acha que os dois tiveram…
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  — Não sei — ele suspirou fraco. — Mas não vou dizer isso ao Bale, é meu primo e não quero piorar a noite.
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  — Entendo — respirei fundo e desviei meu olhar para o lado. — James viaja amanhã para a universidade, fico triste que seja nesse clima.
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  — Olhando pelo lado positivo, ele vai se afastar daqui e quem sabe esquecer tudo isso.
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  — Esquecer acho difícil — eu olhei de relance para trás. — Eu vou voltar, preciso saber se está tudo bem lá na sala.
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  Aos poucos que fui me aproximando da sala, o som das vozes ia surgindo e logo reconheci uma delas.
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  — Queen Collins. — Disse em voz alta chamando a atenção de todos. — Bem, me parece que seu reinado foi construído em cima de traições e mentiras.
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  — Foi você, sua cobra! — ela gritou a olhando com raiva.
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  — Eu? — a olhou com certo deboche. — Desculpa, mas não foi eu quem traiu o namorado.
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  — Não pode acusar os outros sem provas — eu me aproximei de , olhando sério para Britany.
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  — Foi ela. — Britany olhou para todos ao seu redor segurando os risos e entre mais cochichos. — Todos vocês irão ver quem é a verdadeira . — Ela se virou ainda amparada por suas amigas.
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  — Ah, Collins — a chamou e assim que ela olhou, retirou da bolsa de mão um envelope branco. — Você fala tanto em verdades, aqui está mais uma na sua vida, o teste de gravidez que caiu da sua bolsa hoje mais cedo, agora só falta descobrir quem é o pai.
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  Todos fizeram o som de espanto, inclusive eu. jogou o envelope no chão e passou por Britany, indo em direção à saída; eu não ficaria mais ali com aquele clima forte, então segui . Quando cheguei do lado de fora, ela já estava pegando o elevador, corri e entrei. Por mais que devesse, não ficaria em silêncio naquele momento, não era a primeira vez que demonstrava que queria a ruína de Britany.
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  — Foi você, não foi? — perguntei de forma séria.
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  — Esta pergunta foi pelo que ouviu?
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  — Não — eu me virei para ela e, apertando o botão, parei o elevador. — Eu vi você entregando o CD para o DJ e não é a primeira vez que você lança um segredo da Britany no meio de todos, diga a verdade para mim pelo menos.
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  Ela permaneceu em silêncio me olhando, seu silêncio continha verdades.
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  — Já entendi. Quem cala consente.
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  — , me desculpe, mas a vadia da situação não sou eu, se ela ficava se esfregando com outros pelos cantos tendo um namorado, a culpa não é minha.
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  “Presas no elevador com clima de tensão. Será que as estruturas da amizade de e foram abaladas ou vai entender os motivos da amiga? Este ano está realmente animado com a chegada de alunos novos, em especial a misteriosa , que em poucos meses gravou seu nome na lista vip e seu rosto na memória de todos. Será que é a confirmação de uma nova Queen em Upper East Side? Isso é o que vamos descobrir!”
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém! – Xoxo, G’G.

4. Rise

“Girls’ Generation
Vamos dançar
Acerte a batida e leve ela a uma linha rápida.”
– Dancing Queen / Girls’ Generation

  

  Eu confiava em e não iria mais julgar ela por ter revelado o segredo de Britany para todos, a forma como fez não foi certa, mas a errada da história era a própria Britany. A semana de provas estava se aproximando e com a saída de Britany do Constance para o Texas, o colégio não tinha mais uma representante das alunas, ou pelo menos era o que as amigas de Britany achavam. Foi quando se ofereceu para a diretora Queller para ocupar o cargo que era da Britany, não foi difícil convencer, pois era uma aluna muito elogiada pelos professores e suas notas eram as melhores junto comigo.
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  Enfim, com essa conquista da minha amiga, eu não iria mais descansar, afinal, seria a vice representante e comandaria toda a elite colegial junto com ela. Logo após o final da aula, a diretora Queller nos chamou até sua sala, ela estava preocupada com o rendimento das alunas sob a pressão das provas, seria a responsável por animar todas e não deixar que ninguém desviasse o foco. Seria um pouco complicado ganhar a simpatia de todos que um dia gostaram da Queen Collins, mas estava disposta a conquistá-los.
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   — Festa do pijama? — eu perguntei meio confusa.
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  — Sim, tenho que encontrar uma forma de ganhar a simpatia de todos para fixar a coroa na cabeça, estou me sentindo uma regente prestes a perder tudo em um piscar de olhos.
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  — , você é a melhor para estar à frente representando todas as alunas, tenho certeza que jamais teríamos uma rainha melhor, até mesmo a G’G já te nomeou a Future Mistery Queen.
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  — Por isso mesmo, toda rainha tem seu baile de coroação e nada como uma festa do pijama para acabar com todos as minhas inseguranças, e também as garotas ficarão mais relaxadas para as últimas provas sem saírem do foco.
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  — Legal. — Eu a olhei surpresa. — Só fiquei chocada com a parte do você insegura.
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  — Não se preocupe, já passou, só durou cinco segundos. — Ela riu de leve.
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  — Que bom que te deixaram dormir aqui hoje.
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  — Ah, sim — ela fechou o caderno e colocou na mesa de centro. — Às vezes tirar um A+ tem suas vantagens.
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  — Sim. 
  Eu fechei meu livro de leve e ri baixo, ainda não tinha me acostumado com a história que ela tinha me contado sobre sua família ter morrido e morar em um orfanato. Pelo menos estava mais aliviada em saber que seu pedido de emancipação estava em andamento e ela poderia ter a maioridade antecipada. Eu queria fazer uma surpresa para ela e convidá-la a morar com minha família, eu já considerava ela como irmã e meus pais haviam gostado da minha ideia. Meus pais e principalmente o Matt.
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  No dia seguinte, na hora do intervalo, me pediu para pegar o nome de todas as alunas do último ano para fazer os convites. Fui à secretaria tranquilamente na hora do intervalo e peguei a lista com a secretária da diretora Queller; ao passar pelo corredor, vi de relance pela janela ela conversando com . Senti um pouco de insegurança, mas confiava em minha amiga, respirei fundo e minutos antes de me afastar da janela, me viu. 
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  Eu não iria fazer cena. Não tinha nenhum relacionamento com e sabia que ele não deixaria de se sentir atraído por ela assim tão rapidamente. Voltei ao meu foco e parei em frente à uma sala do primeiro ano, as meninas que estavam dentro me olharam surpresas e curiosas, elas já sabiam que eu era a vice representante e como a G’G me nomeava, a Dream Princess do Constance.
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  Eu olhei para as garotas e entrei na sala; naquele momento cheguei a me sentir tão superior que me chocou internamente. Será que era assim que se sentia? Segurei o riso e caminhei até a carteira no fundo da sala, onde uma menina estava escrevendo em seu caderno. 
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  — Você que é a garota do lettering? — perguntei.
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  — Sim. — Ela me olhou meio tímida. — O que eu fiz?
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  — Vai fazer — entreguei a lista para ela. — Preciso que faça convites para uma festa do pijama que acontecerá na sexta à noite, as convidadas estão nesta lista e a festa será em minha casa.
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  — Ah, claro. — Ela pegou a lista e anotou o que eu tinha dito.
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  — Se fizer tudo direito, talvez eu a convide também. — Eu me virei e saí em direção à porta da sala. 
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  Quando cheguei na escadaria encontrei com algumas meninas que com muitos sorrisos me cumprimentaram. Eu ainda não estava acostumada a ser reconhecida e ter a atenção das pessoas mesmo longe de , mas achava aquilo muito legal e engraçado às vezes. Ao me virar, trombei com uma pessoa. 
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  — Me desculpe. — Disse o garoto, a voz era de .
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  — Oh, você — eu o olhei meio retraída e surpresa. — O que faz aqui? Não deveria estar na aula?
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  — Sim, estamos tendo um treino agora e eu não estou inspirado hoje.
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  — Hum. — Eu segurei o riso ainda desacreditada das palavras dele. — E resolveu se inspirar no Constance?
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  — Não, resolvi me inspirar em você.
[wpdiscuz-feedback id="cg38mwwuq1" question="Comente!" opened="0"]  — O quê? — Eu o olhei mais surpresa ainda.
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  — Nos vemos hoje à noite? — Ele sorriu de leve.
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  — Você está me convidando para um…
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  — Te pego às sete. — Ele se aproximou de mim para me dar um beijo.
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  — Hum. — Disse uma voz feminina ao lado, estragando o clima. — Me desculpe, mas a realeza deve dar bom exemplo.
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  — Oi, . — Ele se virou para ela. — Você tem prazer em fazer isso comigo?
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  — Eu não fiz nada — ela sorriu cinicamente. — Mas estará linda pontualmente às sete, porém agora temos aula de arte moderna.
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  — Verdade — eu ri de leve. 
  Ela pegou em meu braço me arrastando com ela.
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   piscou de leve para mim e se virou em direção à saída. Eu estava com receio da professora nos repreender pelo atraso, mas sempre tinha inúmeras explicações de boa aluna e representante na sua mente brilhante que nos deixava entrar a hora que quiséssemos na sala. Logo no final da aula, minha mãe me ligou e eu contei sobre a festa do pijama, nem terminei de falar e ela já começou a planejar a festa por nós; coloquei o celular no viva voz, e eu passamos o caminho rindo com as loucuras da mamãe e, antes de irmos para casa, passamos no ateliê de moda da minha madrinha Louise Fabri
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  — Oh, meninas. — Ela nos abraçou com alegria. — Estou feliz por terem vindo, sua mãe me disse que estão planejando uma festa do pijama.
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  — Como? Tão rápido? — Eu ri sem entender.
  — Em Manhattan tudo acontece rápido. — Ela caminhou até sua mesa de trabalho. — E você, , como vão os desenhos? Estou curiosa para ver mais.
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  — Andei um tanto cheia de tarefas escolares, mas irei separar um tempo para praticar meus traços.
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  — Isso é bom, a prática leva à perfeição, é o que eu sempre falo com .
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  — Não existe prática, existe talento e isso eu não tenho — eu dei de ombros rindo baixo. — Mas a senhora tem de sobra e precisamos arrasar na nossa festa do pijama.
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  — Vieram ao lugar certo. — Ela caminhou até uma arara de roupas que tinha perto do cavalete ao lado da escada. — Vejamos, dois pijamas e dois vestidos.
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  — Não sabia que desenhava pijamas. — olhou curiosa e caminhou até a arara também.
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  — Estou querendo lançar uma coleção só de peças íntimas para noite.
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  Tanto eu como minha amiga nos divertimos muito enquanto provamos as peças que Louise nos passava. também falou sobre meu encontro com para esta noite, causando assim mais provas de looks de minha parte; parecia que ela estava mais empolgada que eu por aquela noite. Nós saímos do ateliê entre risos e muitas sacolas, pois tínhamos ganhado roupas além do que precisávamos; pouco antes de entrarmos no carro, eu ouvi uma pessoa chamar . Ela desconversou e disse que era coisa da minha cabeça, porém eu percebi que ela tinha ficado um pouco assustada e temerosa com aquilo.
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  Assim que chegamos em casa, me fez cair na banheira cheia de espuma para deixar minha pele ainda mais lisa e macia, confesso que demorei mais do que costumava demorar me arrumando. Com a ajuda dela, o look que tinha escolhido havia me deixado mais segura. chegou pontualmente às sete, me desejou sorte antes de eu sair do quarto.
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  Um frio na barriga, o coração disparado e minhas pernas tremendo, assim estava eu ao descer o último degrau da escada, vendo-o na porta me esperando. Demoramos um pouco para chegarmos no restaurante onde ele havia reservado para nós. A vista panorâmica proporcionada da cidade era linda e o fundo sonoro tranquilo e aconchegante, um ótimo clima para casais. 
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  — Espero que goste dessa noite. — Disse ele sendo servido pelo garçom.
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  — Tenho certeza que irei, mesmo se não gostar da parte gastronômica, a vista proporcionada pelo design do lugar já valeria a noite. — Assegurei a ele.
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  — Hum. — Ele me olhou meio decepcionado com minha resposta.
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  — O que houve? — perguntei confusa.
  — Você não disse nada sobre a companhia — reclamou ele.
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  — Não teria companhia melhor para esta noite. — Abri um largo sorriso para ele. 
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  Em retorno, ele me olhou com um toque de intensidade. Tanto que senti um arrepio no corpo. Aquela noite estava sendo um lindo sonho e não queria acordar. Eu pedi que ele escolhesse o cardápio para nós dois, percebi uma pequena preocupação de sua parte em errar na escolha, mas no final, um cardápio italiano seria o mais romântico possível e acho que essa era a sua intenção. O jantar estava bom e a cada olhar de para mim me fazia ficar ainda mais tímida e desajeitada, porém, eu estava determinada a não deixar que este meu lado atrapalhasse, iria superar minha timidez, conviver com ela, mas não deixar que ela me atrapalhasse.
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  Após sairmos do restaurante me levou em casa, estava um pouco tarde e as luzes apagadas; como um cavalheiro, ele saiu do carro para abrir a porta para mim.
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   — Obrigada — disse ao sair do carro. — E obrigada pelo jantar.
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  — Que bom que gostou. — Ele se aproximou de mim lentamente.
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  Tanto que conseguia até mesmo sentir seu perfume amadeirado. Com suavidade, seu rosto foi se aproximando lentamente de mim, até que seus lábios tocaram os meus em um beijou doce e intenso.
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  “A ascensão das amigas está em andamento. Estava mesmo apostando que a rainha regente seria , nossa Mistery Queen. Mas toda realeza tem sua princesa e está desenvolvendo este papel muito bem, logo agora que perdeu sua timidez e conquistou o olhar do novo capitão do time de lacrosse da Jude’s. Nos corredores da escola estão dizendo que seria um sonho de namorada, por que não chamá-la de Dream Princess?”
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– Xoxo, G’G


  

  Estava feliz por ter levado meu incentivo a sério e convidado para jantar. Eu apostava muito naquela relação dos dois, apesar de ainda sentir uma forte atração por ele. realmente era sua garota ideal e eu tinha outro foco em minha vida. Como minha amiga não chegaria cedo, voltei para o lugar que me abrigava todas as noites, não era um palácio, menos ainda um modesto apartamento de frente ao Central Park, mas era o que meu escasso dinheiro pagava.
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  Eu estava preocupada com a festa do pijama que seria na sexta, para meu alívio seria na casa de , mas isso não me deixava nem um pouco mais segura. Eu odiava meus momentos de pessimismo, contudo, ao respirar fundo, sempre voltava a ser otimista e focada no sucesso. Me sentei perto da janela e com meu sketchbook e um lápis na mão, comecei a seguir o conselho de Louise, a prática leva à perfeição. 
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  — Mais um dia se foi, e ao final dele voltei para este lugar. — Sussurrei para mim mesma. — Quando vou abandonar de vez essa realidade?
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  Olhei de leve para aquele velho celular que nunca usava, estava ao lado na escrivaninha, me perdi um pouco em meus pensamentos até que o celular tocou. Era uma mensagem anônima. Respirei fundo e peguei o aparelho; apesar de não aparecer o remetente, eu sabia muito bem de quem era aquela mensagem.
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  “Boa noite, querida, durma bem.”
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  Suspirei fraco ao ler. Apaguei a mensagem e voltei minha atenção ao sketchbook. Minha noite foi em claro, desenhando e praticando. Logo pela manhã recebi uma carta, no início não entendi a que se referia, mas depois vi que era o que eu mais desejava naquele momento, mais até que ser a rainha do Constance. Eu estava mais feliz do que nunca, uma realização tinha acontecido em minha vida e iria compartilhar a notícia com a minha melhor e única amiga.
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  Cheguei um pouco antes do almoço na casa de , para minha surpresa, sua mãe estava em casa, afinal seu carro estava estacionado na frente da mansão. Estranhei um pouco já que a senhora Mary havia comentado que viajaria nos próximos dias. Alfred me atendeu e já foi avisando que ainda estava dormindo; ele já estava acostumado com minhas visitas diárias à casa dos Vidal, principalmente durante a semana. Assim que entrei e fui direto para o quarto de , ao entrar ela estava dormindo, fui logo abrindo as cortinas e deixando o sol entrar. 
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  — , acorda. — Disse me jogando na cama dela.
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  — Ai, não, me deixa dormir mais um pouco, não temos aula hoje. — Reclamou ela, se encolhendo mais na cama.
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  — ! — Eu a sacudi. — Tenho uma novidade que quero compartilhar com você, além de saber o que aconteceu no encontro de ontem, acorda logo.
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  — O que foi? — Ela descobriu a cabeça e me olhou.
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  — Nossa, você está com a cara de derrotada, amiga.
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  — Sério, me acordou para dizer isso? Não é novidade.
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  — — eu ri de leve. — Adivinha o que chegou para mim ontem à tarde.
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  — Não sei. — Sua cara estava desanimadora.
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  — Não faz ideia?
  — Não.
  — Minha carta de emancipação — eu sorri.
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  — Não brinca. — Ela levantou seu corpo. — Sério? O orfanato deixou você ter sua maioridade?
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  — Sim, agora eu respondo por mim. — Fiz uma pose, erguendo o papel em minha mão.
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  — Que bom, amiga. — Ela me abraçou forte. — Estou muito feliz por você.
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   Eu sorri de leve ao ver a sinceridade no olhar dela. Agora eu era independente e não iria precisar fingir ou inventar nada sobre meu passado ou minha família para ninguém. A única coisa que sabiam sobre mim era que eu vivia em um orfanato, e essa história já era o suficiente para todos. se levantou da cama e foi para o closet se trocar enquanto me contava o que tinha rolado no seu encontro com . Eu me sentei na poltrona que ficava ao lado da estante de livros para ouvir com mais atenção.
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   — Vejo que a mocinha já se levantou. — Disse a dona da casa, adentrando a suíte da filha.
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  — Bom dia, senhora Mary — eu sorri de leve a olhando.
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  — Eu percebi que você chegou um pouco mais animada hoje, posso saber o motivo?
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  — Ah, sim, minha carta de emancipação chegou ontem.
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  — Oh, querida, parabéns! — Ela me abraçou. — Que bom que agora pode viver com mais liberdade, uma garota tão especial e audaciosa como você, fico triste por ter vivido tanto tempo naquele orfanato.
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  — Não escolhemos nossas famílias, senhora Mary.
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  — Ah, mas no nosso caso esta família escolheu você. — Ela sorriu. — e eu temos conversado muito sobre isso e eu queria te convidar para morar aqui conosco, seria tão bom para todos.
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  — Sério? — Por essa eu não esperava, realmente.
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  — Sim, você já é como uma filha para mim.
  — Nem sei como agradecer, já sinto que é a irmã que nunca tive.
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  — Você também é a irmã que eu nunca tive. — saiu do closet vestindo um vestido floral com alguns detalhes em renda.
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  — Está linda, querida. — Senhora Mary a olhou com surpresa. — Estou achando promissor o modo como está se vestindo agora.
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  — Agradeça à brincou. — Ela que me fez olhar para os vestidos que me deu de Paris.
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  — E por falar em vestidos, acho que precisamos de um banho de lojas para . — Ela me olhou animada. — Vida nova, família nova, casa nova, por que não roupas novas?
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  — Mamãe está certa.
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  — Uau, nem sei o que dizer. — Eu estava surpresa com aquilo e muito animada para a tarde de compras. — Mas aceito. 
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  Eu estava no início da vida que eu sempre quis para mim e sempre mereci, mas nunca tive. Não iria mais olhar para o passado, estava focada no meu futuro, eu estudava na melhor escola de Manhattan, agora iria morar na casa da minha melhor amiga e seria a rainha do Constance. Tudo estava se encaixando perfeitamente na minha vida e aproveitaria todas as oportunidades que se levantavam sem medo.
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  Ao final da tarde, jantamos no restaurante de uma amiga da senhora Mary. A palavra luxo ainda era pouco para descrever aquele lugar; era tão inspirador ver como a senhora Mary se relacionava com as pessoas, todos que a conhecem e disputavam a atenção dela, até mesmo . O senhor John, pai da minha amiga, chegou bem na hora que estavam nos servindo a sobremesa. Ele nos acompanhou pedindo um café; era legal me sentir parte da família deles, e a senhora Mary era tão simpática e gentil comigo que realmente parecia que eu era sua filha. 
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  — Os meses estão passando muito rápido. — Disse senhora Mary. — Temos que começar a pensar no baile de debutante de vocês.
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  — Vocês? — Eu a olhei sem entender.
  — Sim, . — me olhou. — Teremos nossa festa juntas.
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  — Sério? — Eu olhei para a senhora Mary ainda não acreditando.
  — Claro, e será o melhor baile que Manhattan já viu, minhas duas princesas. — Ela sorriu.
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  — Estou com medo, quando a senhora se empolga assim com uma festa. — me olhou segurando o riso.
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  Voltamos para casa e tivemos uma surpresa. Matt estava na sala conversando com Alfred; achei estranho, pois ele não costumava passar nem mesmo os finais de semana em casa. 
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  — Algum motivo para sua visita? — perguntou senhora Mary ao abraçar o filho.
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  — Sim, estou sem grana.
  — Por que não estou surpreso? — Senhor John riu de leve. — Vamos ao escritório.
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  — Esse menino — senhora Mary me olhou. — Querida, espero que tenha uma confortável noite.
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  — Obrigada, senhora Mary.
  — Ah, só Mary. — Ela sorriu. — Vamos, Alfred, tenho um almoço de domingo para planejar. — Ela sorriu e antes de sair da sala: — Ah, , temos que planejar a festa do pijama ainda hoje.
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  — Não se preocupe, Mary, depois que me mostrar onde ficarei, desço para planejarmos isso.
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  — Que bom, agora que é a nova representante do Constance você precisa saber como funciona o planejamento dessas festas.
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  — Vou adorar ser sua aprendiz nessa questão. — Eu sorri demonstrando gratidão.
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  — Estou tão feliz que agora você não vai precisar ir embora todas as noites. — Disse .
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  — Eu também. — Nós nos abraçamos.
    me levou para o quarto que estava preparado para mim. Era tão amplo e espaçoso quanto o dela, meus olhos brilharam um pouco na hora. me ajudou a organizar todas as roupas que tínhamos comprado no closet, entre risos e brincadeiras, conversamos muito sobre a noite dela com seu futuro namorado. 
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  — Você precisa continuar agindo naturalmente, não se preocupe, .
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  — Sempre sinto um frio na barriga quando ele me abraça. — Ela se encolheu de vergonha e olhou para a arara de vestidos.
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  — Imagino, seus olhos estão até brilhando. — Eu ri de leve. — Você gosta dele há muito tempo, não é?
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  — Desde a sexta série, quando ele entrou para o time e virou amigo do Matt — ela pegou um cabide e ficou olhando para o nada.
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  — Devo presumir que você está viajando no passado? — Eu ri mais um pouco enquanto olhava para ela.
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  — Desculpa, amiga — ela me olhou —, mas não consigo resistir.
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  — Seu lado romântico é tão fofo, que pena que eu não tenho muito isso.
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  — É porque ainda não encontrou a pessoa certa, . — Explicou ela.
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   estava certa. Eu realmente nunca tinha gostado de verdade de alguém até aquele momento e não me importava muito com isso. Na realidade de vida que eu tinha antes do Constance, não. Mas eu tinha outros planos na minha vida que não incluía romances a parte, mas poderia ter diversão. A deixei com seus pensamentos em no seu closet e desci as escadas indo até a cozinha, precisava de um copo de água antes de me jogar na cama. 
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  — Nós gostamos mesmo de nos encontrar em cozinhas — brinquei ao entrar e ver Matt encostado na bancada com um copo de suco na mão.
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  — Poderíamos fazer bem mais que só nos encontrar. — Ele riu de leve com um olhar malicioso.
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  — Você tem andado demais com o . — Aquelas palavras me lembravam aquele pervertido.
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  — Não seria o contrário? — Seu olhar malicioso ainda permanecia.
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  — Matt?! — Estava surpresa com aquilo. — Não acredito, então você tem um lado obscuro escondido por trás desses lindos olhos de bom moço?
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  — Então você acha meus olhos lindos? — Ele se aproximou de mim. — Me conte mais sobre isso.
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  — Não se aproxime de mim com esse sorriso conquistador — eu coloquei de leve minha mão no tórax dele o mantendo um pouco distante de mim. — Gostaria de saber por que meus amigos tentam sempre ter algo comigo.
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  — Você já se olhou no espelho? — Ele sorriu.
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  — Só por isso? — O olhei desanimada por aquele comentário.
  — Não somente por isso, mas garotas como você são únicas e difíceis de encontrar, são o que chamamos de desafio, aquele enigma que ambicionamos desvendar a qualquer custo.
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  — Essas amizades coloridas. — Eu ri de leve. — Será que eu deveria te arrumar uma namorada também? Assim seu olhar se desviaria.
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  — Que tal você ser a namorada? — retrucou ele pegando minha mão e me puxando para mais perto, envolvendo seus braços em minha cintura.
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  Isso deu a oportunidade para um beijo roubado no meio da cozinha sem a menor preocupação e cheio de malícia, intensidade e desejo.
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  Manhã de sexta-feira.

  Eu e a senhora Mary passamos todo o café discutindo o planejamento da festa do pijama, por esse motivo e eu chegamos na metade da segunda aula no Constance. já tinha entregado os convites no dia anterior para as garotas que seriam convidadas, no intervalo eu deixei minha amiga conversando com a diretora Queller sobre a festa e fui até a Jude’s para conversar com .
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  Ele estava sentado no sofá no fundo da biblioteca com a cabeça encostada para trás e seus olhos fechados, me aproximei tranquilamente e sentei ao seu lado.
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   — Você acordou bem hoje? — o olhei.
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  — O que você acha? — Ele levantou a cabeça e abriu os olhos.
  — Que está desanimado. — Eu tombei um pouco para o lado dele me aninhando de leve no seu braço, encostando minha cabeça em seu ombro. — Posso entender o porquê?
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  — Como você consegue fazer isso? — Ele suspirou fraco. — Em pouco tempo descobriu meu ponto fraco.
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  — Do que está falando? Não sabia que você tem ponto fraco. — Eu ri de leve, sabia sim do que ele falava, ainda se sentia atraído por mim e mesmo que fosse por um sorriso, ele faria qualquer coisa que eu pedisse.
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  — Você é meu ponto fraco. — Ele começou a acariciar meus cabelos.
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  — E como foi a noite com a ? — perguntei curiosa, já sabia a versão dela, mas estava curiosa pela versão dele.
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  — Foi realmente como disse que seria.
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  — Hum, eu disse que te conhecia. — Ri de leve. — Você é gentil, educado, cavalheiro, tem um olhar de protetor e não existe uma garota ideal que não seja , ela é delicada, bonita, inteligente e sensível.
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  — Em outras palavras…
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  — Ela se encaixa perfeitamente em você! — Eu levantei minha cabeça e o olhei.
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  — E você?
  — Acredite, sou totalmente o contrário dela, vai por mim, esse sentimento que temos um pelo outro não é o que você acha que é, eu jamais seria sua garota ideal.
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  — Se você diz… — ele se virou para o lado e pegou uma caixa pequena. — Para você.
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  — O que é? — Eu desembrulhei e abri a caixa, era um iphone 13 Pro. — Oh, my God.
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  — Acho que uma rainha merece o melhor, e vamos combinar que você não ter um celular decente em pleno século XXI é estranho.
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  — Nem sei o que dizer, e como vou explicar isso a ? Aos pais dela?
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  — Diga que ganhou de um admirador. — Ele sorriu de canto.
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  — Seu bobo — eu respirei fundo e guardei a caixa dentro da minha mochila transversal. — Hum, voltando à noite de ontem.
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  — O que tem?
  — Acho que seria legal se pedisse em namoro no nosso baile de debutantes, já que ela é romântica.
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  — Seria um momento propício para um pedido de compromisso. — Concluiu ele.
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  — Viu, está começando a entender na prática como é conquistar sua garota ideal. — Eu encostei minhas costas no sofá e olhei para o teto. — Queria ter sido uma mosquinha para ver como foi a noite de vocês.
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  — Esquece a noite de ontem, é restrita somente para quem estava presente.
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  — Hum, seu chato. — Suspirei fraco. — Você vai ter que comprar um anel sabia?
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  — Outro detalhe de namoro que eu não sei? — Ele me olhou rindo.
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  — Para que essa de usar anel é a coisa mais tradicional que existe. — Ri de leve e olhei para cara dele. — E não precisa ficar assustado, é só um namoro, vocês não estão noivando e não será um casamento.
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  — Bem, segundo você ela é minha garota ideal, significa que um dia me casarei com ela. — Observou ele.
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  — Uau, eu não tinha pensado até esse ponto — sibilei um pouco raciocinando sobre isso. — Vou querer ser a madrinha.
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  — Será a madrinha mais sexy da festa. — Brincou ele.
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  — Para. — Bati de leve no ombro dele. — Seria o dia da , então ela seria o destaque da festa.
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  — E você conseguiria mesmo não chamar a atenção?
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  — Falando assim até parece que faço de propósito. — Eu respirei fundo. — Mas você não faz ideia do potencial da minha amiga, só é tímida, mas quando se mostra se torna uma garota irresistível.
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  — Falou a profissional em arrancar suspiros de homens indefesos.
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  — Indefeso? — Eu ri alto. — Estou falando sério.
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  — Eu também, mas obrigado por sua ajuda e pelas dicas de namoro — ele sorriu de leve me olhando nos olhos.
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  “Entre estudos e provas de final do trimestre, sempre temos um momento para o lazer, mesmo que seja fugindo das aulas e relaxando na biblioteca. e parecem ser almas gêmeas, porém ela não é a sua garota ideal, será que essa relação de amizade também é algo manipulado por ela? Pelo sim, pelo não, nossa rainha regente só tem olhos para coroa em sua cabeça. Estou ansiosa pelos comentários desta festa do pijama.”
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém! – Xoxo, G’G.

5. New Queen

“Who run the world?
Girls!”
– Run The World (Girls) / Beyoncé

  

  As convidadas para a festa do pijama começaram a chegar às sete da noite em ponto. Eu a estávamos no meu quarto nos arrumando, o look da noite seriam os vestidos de cetim que minha madrinha tinha nos presenteado, feitos sob medida para a ocasião.
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  — Ficaram perfeitos em nós. — Comentou ao olhar novamente para seu reflexo no espelho, suas expressões suaves, seu olhar confiante me transmitia confiança também.
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  — Concordo, minha madrinha é maravilhosa com seus looks de última hora. — Alisei novamente os detalhes de renda prateada, do meu vestido rosa em tom pastel. — Ela nunca erra na modelagem.
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  — Não é à toa que a marca dela é muito prestigiada. — me olhou curiosa. — Louise já te contou onde será o desfile da sua nova coleção?
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  — Ainda não, mas tenho certeza que não será menos do que foi ano passado. — Respondi certa de minhas palavras.
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  — Eu me lembro vagamente de ter lido alguns artigos sobre — comentou. — Mas não lembro onde.
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  — Ilhas Cayman. — Respondi. — Eu aposto que este ano será em Dubai.
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  — Acho Dubai muito óbvio para ela. — riu. — Louise é muito ousada, eu apostaria em Bahamas ou algo exótico como Madagascar.
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  Alfred deu dois toques na porta do quarto e abriu. Estava ali para informar que nossas convidadas haviam chegado e estavam nos esperando no salão de jogos, onde faríamos nossa festa do pijama. Ao chegarmos, vimos que todas estavam admiradas com o tamanho e a organização do evento, além de uma certa animação e euforia de algumas. Foi um alívio ver a aceitação de todas por eu e sermos as representantes e componentes da nova dinastia da realeza do Constance.
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  — Parabéns, amiga, está sendo um sucesso — eu disse ao me aproximar de . — Elas estão impressionadas com tudo.
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  — Acho que tudo isso se deve à sua mãe, Mary é diva.
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  — Sim — eu concordei rindo. — Ela é a melhor quando se trata de festas e recepções.
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  — Oi, meninas, obrigada por me deixarem vir. — A garota do lettering se aproximou com um pouco de vergonha. — A festa está linda.
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  — Ah, você fez um bom trabalho, merecia vir.
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  — Quem é ela? — a olhou.
  — A garota que fez os convites, com aquela letra que você gostou. — Expliquei.
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  — Ah, bom trabalho, qual o seu nome? — perguntou demonstrando curiosidade.
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  — É Camille, a seu dispor — ela sorriu meio sem jeito.
  — Hum, divirta-se então, Camille, espero poder sempre contar com você para estas ocasiões. — sorriu e me olhou de relance.
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  — Claro, sempre que quiser, eu admiro muito vocês duas. — Ela parecia mais tímida ainda, me lembrava dos meus tempos antes de conhecer minha melhor amiga.
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  — Legal — eu sorri e olhei para . — Então, , acho que está na hora do seu discurso.
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  — Verdade. — Ela foi até o meio da sala e olhou para Alfred assentindo que desligasse a música. — Girls, gostaria de dizer que tanto eu como estamos felizes por propor a vocês uma noite de diversão e alegria antes da semana de provas, apesar de todas estarmos preocupadas com as notas, esta noite vamos relaxar e aproveitar o momento.
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   era sempre impecável nas palavras e naquele momento estava mostrando de fato que era a nova rainha do Constance, ninguém estaria à sua altura. A festa do pijama foi um sucesso, todas as garotas se divertiram. Um momento de descontração total, tanto que algumas fotos até foram postadas no blog da G’G.
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  — Sua casa tem uma decoração muito bonita, . — Elogiou Camille ao se aproximar de mim com uma taça de sorvete de chocolate na mão. — Um estilo único.
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  — Obrigada, são os gostos da minha mãe combinados às tendências da feira de Milão — eu ri de leve e a olhei. — Você conhece sobre o assunto?
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  — Um pouco, minha mãe é designer de interiores, então cresci no meio das revistas de decoração dela — explicou rindo um pouco de suas próprias palavras.
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  — Acho que sei o que é isso. — Eu ri junto me lembrando da minha mãe. — Minha mãe também tem algumas revistas de moda.
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  — Ela guarda por muito tempo? — perguntou curiosa. — Porque a minha nunca joga nenhuma fora, tem um quarto só para as revistas dela que parece mais uma biblioteca de decoração.
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  — Oh, minha mãe não é assim. — Eu ri. — Quando chega o final do ano ela escolhe a melhor e guarda, assim ela tem uma revista de cada ano para acompanhar os avanços da moda na sociedade.
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  — Uau, bem lógico isso, pelo menos não fica guardando muita coisa em casa, mas o que ela faz com as outras revistas?
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  — Ela doa para a Universidade Parsons que é de moda. — Olhei para taça dela e fiquei pensando se deveria me jogar no sorvete também. — Acho que vou te acompanhar e pegar uma taça para mim.
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  — Ah, isso está muito bom.
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  — Estou percebendo — eu ri me afastando dela e me aproximei de Alfred que estava ao lado da mesa de doces.
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  — Senhorita. — Ele me olhou atentamente. — E como está a festa? Do jeito que programaram?
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  — Ah, acho que sim — ri de leve não sabendo o que responder. — Não participei muito do planejamento e essa festa não é assim minha.
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  — A senhorita é vice representante, então a festa também é sua. — Retrucou ele com um sorriso simples e reconfortante. — Então, deseja algo para comer?
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  — Estava olhando para esse sorvete e me parece uma boa escolha para hoje — sorri de volta para ele.
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  — Então, um sorvete de chocolate com muita calda de morango e chantilly — disse ele preparando minha taça de forma caprichada.
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  — Você sempre sabe minhas preferências para comida — brinquei o observando colocar muito chantilly na taça.
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  Nossa noite demorou um pouco para acabar, as meninas pareciam muito animadas com a playlist que escolheu para a ocasião.
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  O tão falado almoço de domingo havia chegado e minha mãe tinha convidado o governador, sua esposa e seu filho. Uma novidade? Meu irmão, Matt, apareceu, me deixando surpresa. Confesso que a princípio foi estranho vê-lo com uma amizade colorida com minha melhor amiga. Eu nunca entendia os olhares dos dois, mas sempre terminava em risos disfarçados e alguns amassos às escondidas em algum cômodo remoto da casa.
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  Uma novidade foi o olhar do filho do governador para mim, até percebeu, o que ocasionou em algumas brincadeiras de sua parte à noite, dizendo que iria contar a .
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  — Hum, o que dizer do filho do governador que não tirava os olhos de você? — comentou se sentando em minha cama.
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  — O Charlie é um gentleman. — Desconversei um pouco indo até o espelho e olhando como estava meu cabelo.
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  — Só isso? — Ela riu. — Para, , ele passou a tarde inteira te olhando e sempre tentando se aproximar de você.
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  — Que bom que você não se afastou de mim, acho que se eu ficasse sozinha com ele iria surtar — respirei aliviada. — Não estou acostumada com olhares para mim, principalmente masculinos com segundas intenções.
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  — Se tinha segundas intenções não sei, mas sei que você seria uma boba em não dar chance se caso não existisse o .
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  — As coisas para você parecem ser tão práticas.
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  — É porque sou mais racional, . — Ela riu. — E você mais emotiva, simples assim.
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  — É — concordei com ela. — Sentimentos são mais complexos que a lógica.
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  — Meninas?! — Minha mãe apareceu à porta batendo de leve. — Ainda acordadas? E nem se trocaram.
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  — Estávamos conversando, mãe. — Olhei para ela ao explicar. — Mas logo vamos dormir.
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  — Boa noite para ambas e durmam bem. — Disse ela com um sorriso de satisfação que sempre dava após um evento bem-sucedido.
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  — Boa noite. — Dissemos juntas.
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  A semana de provas enfim chegou.
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  Me concentrei o máximo possível para manter minhas notas altas e meu currículo escolar impecável como sempre. Era cansativo toda aquela rotina pesada. Outro ponto, como representantes tínhamos que nos responsabilizar por todos os eventos que aconteciam na escola. se mantinha à frente de toda organização e realizava tudo de forma dedicada, com perfeição e minha ajuda. Arrancamos muitos elogios do corpo docente tanto do Constance como da Jude’s.
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  Quarta-feira, após o final da aula, Alfred nos levou para o ateliê da minha madrinha. Seria nossa primeira prova para os vestidos do baile de debutante. parecia mais nervosa do que eu.
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  — Não se preocupem, meninas, vocês vão ficar mais lindas do que já são. — Monet, o aprendiz de Louise, disse animado segurando seu bloco de notas e sua fita métrica nas mãos. — Se isso é possível.
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  — Concordo. — Louise nos olhou tombando a cabeça para a direita. — Mas acho que uma pessoa andou emagrecendo aqui… você tem se alimentado?
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  — Sim. — Ela se olhou. — Normalmente.
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  — Normalmente? — Eu a encarei. — Essa garota come para três pessoas.
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  — Mentira — ela riu. — Mas confesso que a semana de provas me deixou um pouco estressada.
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  — Imagino, sempre que Louise está a dias de algum desfile, ela engorda. — Monet se aproximou de mim e remediu minha cintura e a largura do meu pulso.
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  — Precisava falar isso? — Louise o olhou meio chateada. — Eu sempre como muito doce quando estou nervosa e acabo criando aquelas calorias a mais.
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  — Comer doces é vida — riu de leve.
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  — Ah, concordo plenamente. — Monet anotou minhas medidas novamente entre risos.
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  Enquanto ficávamos entre provas e anotações de medidas, eu e nos divertimos entre as araras de roupas que estavam no ateliê. Voltamos para casa super cansadas e bem na hora do jantar. Mamãe já havia mandado servir tudo quando chegamos, foi um cardápio indiano especial para celebrar o fechamento de uma parceria muito importante para a empresa do papai. Descobri que havia conseguido com uma pequena ajuda do governador.
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  Após o jantar, eu e decidimos ver um filme na sala de TV. O problema veio quando eu sugeri um filme de comédia romântica e ela queria ver algo com mais ação. Acabamos optando por Harry Potter, afinal era um dos poucos clássicos literários que tínhamos em comum.
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  — Estou um pouco ansiosa para nosso baile de debutantes. — Comentei antes de entrar no meu quarto. — Mas estou feliz que minha festa seja em conjunto com você.
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  — Eu nunca imaginei que teria uma festa — confessou ela. Senti a sinceridade nos seus olhos, em instantes ela desviou o olhar para a porta. — Mas também estou muito empolgada por isso.
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  — Acho que está na hora de dormirmos. — Eu abri a porta. — Boa noite, .
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  — Boa noite, . — sorriu de leve e entrou no seu quarto primeiro.
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  Assim que fechei a porta, meu celular que estava no bolso da minha calça tocou. Retirei e vi que era uma mensagem de , eu sorri ao ler, era um pedido para que a última dança da noite do baile fosse dele.
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  Estou admirada. Como uma mensagem pode despertar o mais profundo sorriso de uma garota? Acho que temos um novo casal se tornando cada vez mais visível. Curiosidades a parte, será que teremos um futuro em que eu seja convidada para ser a madrinha do casamento? Bem, enquanto isso vou continuar me preparando para as próximas festas da elite de Upper East Side.
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– Xoxo, G’G


  
  Manhã de sábado.

  Acordei um pouco antes de todos e saí sem que percebessem, tinha que voltar ao lugar onde morava, precisava pegar algumas coisas que tinha deixado para trás. Na caixa de correspondência havia uma carta, eu a retirei e vi o remetente; minha vontade era de amassar ou rasgar na mesma hora, mas a guardei bem no fundo da minha bolsa.
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  Andei um pouco pelas ruas sem direção determinada, quando me deparei, estava próximo ao Brooklyn, eu ri um pouco daquela situação. Antes de atravessar a rua, avistei uma pessoa indesejável. Me virei imediatamente, não queria que me reconhecesse, era alguém do meu passado que não me fazia falta. Saí o mais rápido que pude dali e voltei para o centro de Manhattan de metrô, descendo na Estação Central. Antes de voltar para casa dos Vidal, fui até o apartamento dos rapazes em frente ao Central Park; para minha surpresa, que abriu a porta. Eu entrei um pouco surpresa por ele estar ali e parei no meio da sala. Olhei a minha volta visivelmente impressionada com a organização do lugar, aquela era a primeira vez que eu entrava na cobertura deles.
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   fechou a porta e caminhou atrás de mim, ele estava com um copo de whisky na mão direita, ficou me olhando de baixo para cima.
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  — A que se deve a honra da sua visita, majestade? — perguntou ele, se sentando no braço do sofá.
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  — Vim porque o Matt me mandou inúmeras mensagens, ele disse que todos estavam atrás de mim, então — eu o olhei, cruzando os braços.
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  — Ah, claro. — Ele riu com ar irônico. — Quem foi que desapareceu antes do amanhecer?
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  — Não desapareci, mas este assunto não vem ao caso. — Caminhei até a parede de vidro que compunha a fachada. — Então vou esperar até que ele chegue.
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  — Hum. — se aproximou de mim, eu conseguia ver seus movimentos pelo reflexo do vidro. — Enquanto isso, posso te fazer companhia — ele segurou de leve em minha cintura.
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  — Não acho que possa ser a companhia certa para mim — eu me virei de leve e o olhei.
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  — Não acha que toda rainha precisa de um rei? — Ele se aproximou ainda mais.
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  — , você ainda acha que vou ter algo com você? Com a fama que tem? — Não me contive em rir de leve.
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  — Meu dinheiro compra qualquer comentário sobre mim — ele sorriu de canto e se aproximou ainda mais tentando me beijar.
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  — Mas — eu toquei de leve nos seus lábios — seu dinheiro não me compra.
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  — Só porque meu sobrenome não é Bellorum?
  — Menos ainda, nem mesmo o conseguiu algo comigo — argumentei.
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  — Porque ele se contenta somente com a sua atenção, já eu, quero bem mais.
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  — Que tal você querer se desgrudar dela? — sugeriu ao descer as escadas.
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  — Olha só quem está em casa. — Eu me virei para ele, me afastando de . — Sempre chegando nas melhores horas.
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  — E estragando minha diversão — tomou o último gole do whisky e colocou o copo em cima da mesa de centro caminhando em direção à porta. — Vou para um lugar mais inspirador que aqui com vocês.
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  — Acho melhor se afastar do volante — advertiu .
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  — Claro, mamãe, tenho motorista particular para isso. — Ele saiu rindo.
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  Eu respirei fundo e mantive meu olhar para a vista que a fachada do prédio proporcionava. continuava me observando, todos os momentos que ficávamos sozinhos isso sempre acontecia. Nossos minutos de silêncio pareciam horas de conversa.
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  — Ainda não entendo como ele pode ser seu primo — comentei segurando o riso.
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  — Nossos pais são bem diferentes, acredite. — Ele riu de leve. — Mas acho que ele só faz isso como um meio de extravasar.
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  — Posso entender o motivo? — Estava mesmo confusa sobre isso.
  — Meu tio é uma pessoa mal-humorada, falando de forma suave. — Explicou ele respirando fundo. — Há muita coisa sobre nós que não sabe.
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  — É por isso que existem as conversas entre amigos — mostrei a solução lógica e bastante óbvia. — Mas se tratando do , não acho que quero conhecer.
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  — Você realmente tem desconfianças dele. — riu balançando um pouco a cabeça.
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  — Acho que sou a primeira garota que deu um fora nele — sorri de leve. — Mas não vamos falar do seu primo, você é o lado legal da família e é isso que importa.
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  — Tudo bem, então… Podemos começar por onde estava? — perguntou ele.
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  — Você também? — Eu o olhei. — Tenho assuntos privados que não precisam ser comentados.
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  — Sei, e aquela parte de amigos conversando para se conhecer? — insistiu ele.
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  — Nem todos os segredos devem ser contados aos amigos mais íntimos. — Retruquei rindo dele. — Além do mais, não é tudo que sei sobre você também.
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  — Podemos resolver isso, que tal uma festa do pijama à dois? Dizem que muitos segredos são revelados em festas do pijama. — Brincou ele com um sorriso malicioso.
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  — Sem chance. — Eu ri. — Guarde essa sua fantasia para outra pessoa.
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  — Ah, você é muito má. — Ele suspirou fraco. — E o que veio fazer aqui?
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  Ele cruzou os braços, sua face estava séria.
  — Pensei que o Matt estivesse aqui, mas acho que não vou esperar por ele.
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  — Pode ficar, está com medo de eu tentar algo? — Ele sorriu com malícia dando alguns passos em minha direção.
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  — Nem nos seus pensamentos mais obscuros. — Eu ri de leve e olhei novamente para a direção do Central Park. — A vista é tão linda.
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  — Por que só as garotas que prestam atenção nessas coisas? — perguntou ele parando ao meu lado.
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  — Não só garotas. Mas em geral, com tanta tecnologia, as pessoas se esquecem do lado natural da vida.
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  — Falou a filósofa — ele riu. — Posso te fazer uma pergunta?
  — Pode, a resposta é que eu não vou garantir. — Eu o olhei curiosa.
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  — Quem é Allison Sollary?
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  Eu senti um calafrio no mesmo instante. Meu corpo congelou e minha mente parou, não sabia que resposta daria. Mas não poderia mentir, pois de alguma forma sabia quando eu mentia sobre algo, ele não tinha se convencido pela minha história sobre meus pais mortos, mas não tocava no assunto. No instante que me decidi em responder a verdade para ele, Matt entrou. Respirei aliviada e me voltei para ele sorrindo disfarçadamente.
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  — Matt — disfarcei mais um pouco. — Estava mesmo te esperando.
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  — Acho que a espera se deve ao seu sumiço repentino, estou certo? — Matt jogou sua mochila no sofá. — As pessoas estão loucas lá em casa.
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  — Eu esqueci de deixar um bilhete avisando — expliquei meio superficialmente. — Mas o que importa é que estou bem.
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  — Bem até demais. — Comentou indo até o sofá e se jogando nele.
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  — Senti a ironia — comentei de leve desviando meu olhar para Matt. — Então vai me levar para casa?
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  — Você quer ir agora? — perguntou ele.
  — Acho que sim, mas se quiser fazer outra coisa antes…?
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  — Posso levar um duplo sentido nessa frase? — perguntou Matt com um sorriso malicioso.
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  — Até eu levei um duplo sentido aí. — se levantou dando um suspiro fraco. — Eu não vou ficar aqui de castiçal de vocês.
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  — Não há nada para acontecer que te faça um castiçal — retruquei de imediato.
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  Parecia mesmo que ele estava com uma pontinha de ciúmes. O que deixava nossa amizade mais descontraída.
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  — Estou sentindo um pouquinho de veneno escorrendo das suas palavras, . — Matt riu da sua brincadeira. — Devo ficar preocupado?
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  — Vocês dois me cansam com toda essa idiotice. — Eu cruzei os braços e olhei para Matt de forma séria, me fazendo a indignada. — Acho melhor irmos para casa, deve estar mais do que desesperada nesse momento.
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  Como sua família já estava preocupada com meu breve sumiço, Matt me levou sem mais brincadeiras ou insinuações. Assim eu chegaria a tempo para o jantar. No fundo, eu estava torcendo para que se esquecesse daquela sua pergunta sem propósito. Quando chegamos, bolei uma explicação convincente sobre onde eu estava, de certo não disse a verdade, mas eles acreditaram facilmente, mentir não era o problema. Fornecer uma falsa verdade, que fazia sentido nas histórias que eu havia contado a eles sobre mim é que era o ponto chave.
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  — Ficamos preocupados com você. — sentou ainda chateada na poltrona de leitura do quarto dela.
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  — Desculpa, de verdade, . — Eu me sentei na cama dela a olhando. — Mas eu realmente tinha que resolver isso e foi de última hora, mas o que importa é que estou aqui.
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  — Então, segunda nós vamos à última prova antes dos acabamentos finais dos vestidos. — Ela pegou o livro que estava ao seu lado e o abriu na página onde estava o marcador.
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  — Temos mesmo que ir? — perguntei desanimada.
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  — Sim, a madrinha disse que é importante, nosso baile será daqui uma semana, não pode ter nenhuma medida errada. — Explicou ela.
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  — É que ela já mudou a modelagem desses vestidos quatro vezes, a cada dia que vamos lá ela muda algo, estou com medo, será que todo estilista é assim? — Aquilo me deixava em surto interno.
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  — Não sei, acho que é só uma dificuldade em controlar a criatividade. — Explicou .
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  Nós rimos um pouco. Eu me levantei me espreguiçando e me despedi dela, estava um pouco cansada e queria aproveitar que ainda estava cedo para desenhar um pouco. Quando cheguei ao meu quarto retirei meu celular da bolsa e coloquei em cima da escrivaninha e fui para o banheiro. Após um banho relaxante, coloquei um conjunto de moletom que havia ganhado de Matt de presente. Ao sair do closet olhei para a escrivaninha e meu celular estava tocando. Ao atender tive que respirar fundo, era uma ligação de emergência que me preocupava, eu tinha que me ausentar da minha vida de rainha e voltar por alguns dias para meu passado de tristeza e frustração.
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  Era triste ainda ter que olhar para trás.
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  Mas tinha um pedaço de mim nesse passado que precisava que eu não o abandonasse. Esperei até que todos dormissem e silenciosamente saí, fiquei com receio de Alfred me ver, afinal ele sempre dormia um pouco mais tarde, mas fui cautelosa o bastante para não fazer nenhum barulho. Eu precisava de um pouco de equilíbrio mental e paz interior para enfrentar o que me aguardava. Aquela ligação havia acelerado meu coração e me deixado nervosa e em pânico. Então, fui primeiro ao lugar que mais me deixava tranquila e me fazia me sentir livre de todos os problemas e preocupações.
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  A Ilha da Liberdade era o lugar que continha a Estátua que representava o que eu mais queria na minha vida naquele momento: liberdade.
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  Faltando uma semana para sua entrada oficial para sociedade, nossa Mistery Queen recebe uma ligação de impacto que a faz desaparecer novamente. Minhas seguidoras não param de me enviar fotos da nossa nova rainha sentada aos pés da Estátua da Liberdade. Será que ela já está sentindo o peso da coroa?
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

6. My Sweet 16th

 “Não espere por um milagre,
Existe uma difícil estrada em nossa frente,
Com obstáculos e um futuro que não pode ser sabido,
Mesmo assim eu não vou mudar, eu não posso desistir.”
– Into The New World / Girls’ Generation

  

  O dia do nosso baile de debutantes havia chegado e já se contava uma semana que havia sumido do sinal de qualquer satélite da Terra. Eu estava preocupada com ela e mais ainda, se ela não aparecesse, eu definitivamente ficaria maluca. Minha mãe queria dar queixa na polícia, mas havia deixado uma carta dizendo que tinha que viajar de última hora, mas que voltaria no dia do baile. Esta carta já era justificativa suficiente para eles não aceitarem como um caso de desaparecimento.
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  Mesmo com um tratamento intensivo e um dia cheio de regalias no spa mais luxuoso da cidade, eu não conseguia relaxar e me divertir, só pensava na minha amiga. Foi quando recebi uma mensagem dela no celular. Me veio uma vontade imensa de xingá-la na mesma hora, entretanto, sua mensagem me tranquilizou de imediato e pude aproveitar mais o meu dia.
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  — Estou tão nervosa e ansiosa — disse ao entrar na limusine junto com Alfred.
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  — A senhorita precisa se acalmar um pouco. — Ele me olhou com carinho. — Respire fundo.
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  — Acho que isso não vai funcionar. — Mesmo relutante, obedeci. — Estou assim por causa da , o que será que aconteceu com ela!?
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  — Ela sabe que esta data é importante para vocês duas, não se preocupe, senhorita , apenas relaxe e deixe que sua noite seja memorável.
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  — Obrigada por suas palavras, Alfred, você sempre sabe como me acalmar.
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  Como o planejado, eu me arrumei no ateliê da minha madrinha Louise. Cabeleireiro, maquiador, tudo para que eu ficasse ainda mais linda no meu dia. O baile seria realizado no salão do hotel The Plaza, só para convidados vip nas palavras modestas da minha mãe. Senti um frio na barriga quando parei em frente à porta que entraria para o salão, fechei os olhos por alguns instantes e respirei fundo, quando abri novamente e olhei para o lado, meu pai já estava à minha espera.
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  — Estou aqui, querida. — Ele sorriu de leve e posicionou seu braço para que eu me apoiasse nele.
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  — Obrigada, pai. — Eu sorri de volta e apoiei de leve minha mão em cima da mão dele.
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  Assim que a porta se abriu nós entramos, do outro lado da sala a porta também se abriu. Para o meu choque e alívio, lá estava minha amiga entrando junto com Matt. A noite estava completa e eu sentia que nosso baile seria memorável. Assim que nos aproximamos, me pediu desculpas em um sussurro, eu assenti com um sorriso, estava feliz demais para questionar seu desaparecimento repentino naquela ocasião.
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  Algumas pessoas vieram nos cumprimentar, eram amigos da alta sociedade dos meus pais que a minha mãe insistia nos apresentar, principalmente para . Levei em consideração o fato dela não conhecer nem vinte por cento das pessoas que estavam ali, então fiquei tranquila com isso. Afinal, meu pai estava tão orgulhoso de mim que a atenção da minha mãe para os outros já era bem relevante.
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  — Feliz dia, amiga — disse me abraçando.
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  — Feliz dia, . — Eu retribuí o abraço sorrindo. — Senti um alívio quando te vi.
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  — Eu imagino, mas não deixaria de vir ao nosso baile, ainda mais porque fazemos aniversário no mesmo mês — garantiu ela.
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  — Eu acho admirável a troca de amores entre vocês duas, mas como fazem para ficarem assim mais lindas do que já são? — disse ao se aproximar de nós.
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  — Agradecemos o elogio, . — sorriu e o olhou como se estivesse mandando algum recado para ele. — Bem, eu acho que sua mãe está me chamando, .
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  — Ok. — Assim que ela se afastou de nós, eu olhei para ele meio curiosa. — O que foi aquele olhar de vocês? Eu juro que sempre quis entender, parece até que estão conversando por telepatia.
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  Eu ri de leve para quebrar um pouco o clima de pressão.
  — Acredite ou não, eu também sempre quis entender isso, mas quanto ao nosso olhar — ele respirou fundo e segurou minha mão — só irá saber após a valsa.
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  — Como assim? — Eu o olhei meio decepcionada. — Por favor, diga agora.
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  — Vou te deixar ainda mais curiosa. — Ele sorriu de leve, seu sorriso me deixava com o coração um pouco acelerado.
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  — Com licença — a cerimonialista se aproximou de nós —, mas preciso da nossa princesa por alguns minutos.
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  Eu me afastei dele rindo um pouco da cara triste que fez, a mulher iria nos preparar para o momento da valsa. Eu e ficamos paradas no meio do salão, inicialmente o papai dançaria comigo e o Matt com ela. Depois da primeira valsa eles trocariam e eu dançaria com o Matt e com o papai. Assim que a segunda valsa terminou se aproximou de para dançar com ela e veio dançar comigo.
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  Algo que me deu uma insegurança repentina.
  — Decepcionada por ser eu primeiro? — perguntou ao tocar de leve em minha cintura, me conduzindo pelo salão naquela dança.
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  — Não. — Sorri de leve para ele. — O que o leva a pensar isso?
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  — Seu olhar para o meu primo — respondeu com segurança. — Pode disfarçar, mas está aí, seu ciúme.
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  — Por que teria ciúmes deles? — Me fiz de indiferente. — é minha melhor amiga.
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  — Se pensa assim. — Ele deu um sorriso de canto presunçoso.
  Após alguns passos, eles nos rodopiavam até que sem perceber eu acabei parando na frente de , olhei para o lado e estava na frente de , seu sorriso condenava que aquela brincadeira de giros era coisa da cabeça dela.
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  — Então agora vai me contar? — perguntei.
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  — Ainda nem dançamos. — Ele sorriu de canto e começou a me guiar.
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  Aos poucos outros casais foram se juntando à valsa, em pouco tempo me guiou propositalmente para a lateral, até que saímos da pista de dança. Corremos entre os corredores do hotel até o elevador, ele me levou até o jardim na cobertura.
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  — Uau. — Eu olhei em minha volta, nunca havia visto a cidade daquele ponto, tão alto.
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  — Então, não quer saber?
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  — Sim, pretende falar agora?
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  — Hum. — Ele segurou de leve em minha mão e sorriu. — Quero te fazer um pedido.
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  — Pedido? — Meu coração acelerou um pouco, senti minhas pernas bambas.
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  — Você quer ser minha garota ideal? — Ele se aproximou ainda mais de mim e me beijou com suavidade.
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  Fiquei um pouco em choque, mas retribuí o beijo assim que ele envolveu seus braços em minha cintura. Um momento que, confesso, nunca imaginei acontecer de verdade, apenas em meus sonhos mais secretos. Quando voltamos para o salão, me pegou pelo braço e me arrastou para longe das pessoas, estava mesmo curiosa para saber o que tinha acontecido.
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  — Pode ir contando tudo — ela me disse com um olhar animado.
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  — Descobri o motivo do olhar de vocês. — Levantei minha mão direita mostrando o anel que tinha me dado.
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  — Oh, my God! — Ela não estava surpresa, mas parecia empolgada pela notícia. — Que lindo, estou feliz por você, .
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  Ela me abraçou com carinho.
  — Obrigada. — Retribuí o abraço com mais empolgação ainda. — Esse dia realmente está sendo memorável.
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  — Para nós duas. — Ela sorriu de leve.
  — Está falando do Matt? — perguntei ansiosa, queria mesmo que os dois avançassem.
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  — Bem, eu e o Matt somos somente amigos.
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  — Acha que não percebi essa amizade colorida de vocês? — Eu ri de leve e desviei o olhar para meu irmão que estava conversando com um amigo. — Eu sei dos beijos quentes que trocam na cozinha no meio da noite.
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  — Ei. — Ela se fez um pouco de ofendida. — Isso só aconteceu uma vez.
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  — Uma vez? — A olhei de novo fazendo aquela cara de quem não acredita.
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  — Ok, eu confesso que foram três ou quatro, e a última o Alfred chegou bem na hora.
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  — Ele me contou. — Nós rimos juntas e eu suspirei um pouco. — Seria legal se entrasse de vez para minha família.
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  — Não vamos nos precipitar, . — Ela não parecia muito empolgada com minha ideia, mas ainda tinha esperanças.
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  No final aconteceu o que eu desejava e o baile realmente foi memorável.
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  Os próximos dias que se seguiram foram de muitos comentários sobre a notícia do nosso namoro. segurou um pouco sua curiosidade, mas sempre me lançava o assunto quando estávamos sozinhas. Enfim, havia chegado o dia do último jogo do campeonato entre as escolas; como a namorada do capitão do time, eu estava na primeira fileira torcendo por ele, o jogo se prolongou um pouco, mas no final o time da Jude’s venceu. Como o esperado, ofereceu uma festa de vitória na cobertura deles, desta vez eu me arrisquei um pouco na pista de dança junto com .
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  Uma novidade: a súbita aproximação de Matt em uma garota nova de intercâmbio do Canadá. O que me deixou perplexa.
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  — Me enchendo de orgulho, . — se aproximou de mim. — Você dança muito bem.
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  — Acho que te observei o bastante para isso. — Eu ri e ela também.
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  — Estou feliz que toda aquela sua timidez tenha ficado no passado.
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  — Eu ainda tenho ela, só que agora consigo controlar e não o contrário — expliquei.
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  — Ladies, trouxe algo para vocês — disse ao se aproximar com dois copos.
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  — Vindo de você, tenho minhas suspeitas. — o olhou.
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  — , ele só está sendo gentil. — Eu peguei o copo e tomei um pouco. — Olha, até que tem um gosto bom e eu ainda estou viva. — Brinquei fazendo eles rirem.
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  — Vou dar este voto de confiança. — Ela pegou o copo ainda rindo.
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  — Hum, poderia me dar bem mais que isso. — Ele olhou para ela com certa malícia.
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  Eu ri de leve e me afastei deles indo em direção a , ele estava me olhando com um sorriso leve e fofo.
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  — Parabéns, capitão. — Eu sorri de volta para ele.
  — Obrigado. — Ele segurou de leve em minha cintura. — Estava sentindo um peso nas minhas costas, James era o melhor do time e eu não queria decepcionar.
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  — Fez seu trabalho direitinho.
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  — É porque eu tinha uma inspiração para vencer — disse ele, pousando suas mãos na minha cintura.
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  — É, e qual?
  — O beijo da vitória. — Ele me beijou com um pouco mais de intensidade e me abraçou de leve, me fazendo aninhar em seu abraço. — Acho que vou vencer mais vezes.
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  — Acho bom, porque eu gostei muito do beijo da vitória — admiti.
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  Rimos de leve e ficamos por um tempo afastados de todos, até que, de longe, nos chamou para a pista de dança improvisada no meio da sala. A festa durou a noite toda, até que Matt nos levou para casa ao amanhecer. Meus pais ainda estavam dormindo quando chegamos; eu e tentamos não fazer muito barulho, mas Alfred já estava na cozinha e nos ouviu chegar.
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  — Eu acho que poderíamos ter voltado antes — comentei ao entrarmos porta a dentro retirando os sapatos. — Nunca fiquei até tão tarde numa festa.
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  — , se fôssemos embora cedo não teria graça — retrucou ela um pouco tonta pela quantidade de bebida que tomou. — Uau, minha cabeça está rodando.
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  — Isso se chama início de ressaca. — Eu ri dela se apoiando no corrimão da escada.
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  — Não diga, e o que vem depois? — me perguntou meio irônica na entonação da voz.
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  — Vai saber.
  — Senhoritas. — Alfred apareceu na porta com uma toalha na mão.
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  — Chegamos agora, não nos recrimine — disse a ele que estava segurando o riso.
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  — O café está quase servido, irão esperar? — perguntou.
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  — Não, obrigada — respondeu de imediato. — Não tenho equilíbrio físico e mental para tomar café agora.
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  — Acho que vou dormir primeiro também. — Eu sorri de leve. — Mas obrigada, Alfred.
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  — Tenham um bom descanso — disse ele rindo de leve.
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  Mais tarde, após acordarmos, desfrutamos de um pequeno brunch ao ar livre no jardim, sugestão da minha mãe para apreciarmos o início da primavera.
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  — O jardim definitivamente fica mais lindo na primavera — disse ao olhar para o canteiro de margaridas.
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  — Ah, eu gosto das folhas caindo no outono, da grama coberta de neve no inverno. — esperou Alfred derramar um pouco de suco em seu copo, sorriu em agradecimento e em seguida tomou um gole.
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  — Acho que cada estação do ano tem seu glamour. — Eu provei um pedaço da torta de maçã que ele tinha me servido.
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  — Matt também está no ano da sua formatura, ele já falou que curso vai fazer? — ela me perguntou enquanto escolhia o que iria comer.
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  — Não sei, pelo menos comigo ele não falou nada até agora. — Eu ri de leve. — Mas pelo papai ele faria administração ou logística, assim ficaria à frente da empresa.
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  — E sua mãe? O que ela acha?
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  — Quando o assunto é o Matt, ela não opina muito. — Olhei para Alfred enquanto ele servia meu chocolate quente e sorri em agradecimento. — Mas para mim já percebi que ela queria que eu seguisse alguma carreira na moda, assim como ela e a madrinha.
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  — Mas você não gosta? — Ela me olhou de uma forma meio engraçada e depois seguiu seu olhar para Alfred que estava seguindo para a mansão.
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  — Não é que eu não goste, eu adoro a moda, aprendi muita coisa com minha mãe e a madrinha, mas não acho que eu tenha um dom para ser estilista ou uma socialite crítica da moda.
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  — Tem várias outras áreas que compõem o mundo da moda, existem jornalistas, publicitários, modelos, fotógrafos, produtores, editores de revistas.
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  — , eu nunca soube usar a moda a meu favor, quando me conheceu como era mesmo meu jeito de vestir?
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  — Tudo bem, já entendi, mas você não descobriu nada que te atraia?
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  — Hum, quando eu era mais nova, às vezes eu ficava olhando o Alfred na cozinha quando ele inventava de preparar algo para eu comer quando ficava sozinha.
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  — Hum. — Ela me olhou surpresa. — O nome disso é gastronomia e você pode pesquisar sobre, vai que se interessa, ainda temos tempo para decidir.
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  — Eu nem vou perguntar o que você tem em mente, já vi seus desenhos e tenho certeza que será a próxima aprendiz da Louise.
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  — Seria bom trabalhar com ela. — sorriu.
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  “Já estou sentindo saudades do inverno, mas com este sol da primavera logo me lembro que ainda temos muitos meses pela frente. Quanto ao baile, ninguém percebeu, mas eu estava lá e a noite foi sim memorável. Finalmente nosso capitão conquistou sua Dream Princess e o campeonato do ano, JB deve estar orgulhoso do seu sucessor. E por falar em orgulho, estou curiosa pelo baile de primavera que Mistery Queen está planejando. Soube que contaremos com a presença do próprio James Bale. Eu já garanti meu lugar vip para acompanhar esta noite! E você?”
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 – Xoxo, G’G


  

  Apesar dos altos e baixos que sempre me acompanhavam, eu estava feliz por tudo que estava acontecendo na minha vida naqueles últimos dias. Na maior parte da minha triste infância eu nunca conseguia me ver tendo um baile de debutantes como tive. Nem mesmo imaginava que teria uma amiga que mais parecia irmã. não era mais somente uma peça do meu objetivo de ser a rainha e me destacar, mas me deu uma família que sempre quis ter.
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  Estávamos nos meses finais do ano letivo e uma notícia havia chegado para Matt. Uma carta de aceitação de Harvard para a área de Administração. Em celebração à conquista, a senhora Mary promoveu um jantar especial, o cardápio desta vez seria indiano. Eu e fizemos alguns comentários engraçados sobre ele entrar em alguma fraternidade, Matt entrou na brincadeira dizendo que fundaria a sua própria.
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  — Toc, toc — eu disse parando na porta do quarto de Matt.
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  — Entra. — Ele estava no banheiro.
  — Eu incomodo? — perguntei me encostando na porta.
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  — Não. — Saiu do banheiro enrolado na toalha. — O que você quer?
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  — Só estava curiosa para saber se você vai ficar para a formatura ou vai embora antes como o Bale.
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  — Não tenho interesse no baile de formatura. — Ele deu alguns passos em minha direção com um sorriso meio malicioso. — Mas a que se deve sua curiosidade?
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  — Nada. — Eu sorri meio sem jeito com a aproximação dele. — O que está tentando fazer?
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  — Está com medo de ser seduzida? — Ele sorriu de canto.
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  — Não, mas se fosse o caso, porque iria me seduzir agora que está indo embora?
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  — Hum. — Ele sorriu de canto e me deu um beijo intenso e malicioso.
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  — Matt, eu… — no interrompeu, nós olhamos para ela paralisada.
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  — O que foi, ? — ele perguntou tranquilamente como se nada tivesse acontecido.
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  — Eu, ia te pedir alguma coisa, mas eu… — ela me olhou. — Eu vou para o meu quarto.
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  Eu e Matt rimos de leve após a saída de , havia sido engraçado a maneira como ela reagiu. Apesar dela sempre me perguntar se eu não tinha interesse em seu irmão, seria interessante fazer parte da família Vidal oficialmente. Entretanto, aquela seria a última noite do Matt em Manhattan e mesmo que durar depois, aproveitamos o clima e o momento. Ele fechou a porta do seu quarto para que ninguém mais entrasse sem permissão. Eu senti um frio de leve na barriga, aquela seria minha primeira vez, mas estava feliz por ser com alguém tão especial quanto ele, Matt e eu tínhamos afinidades e gostos em comum. Assim como , ele sabia ler meus pensamentos com perfeição.
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  Seu beijo era suave, porém suas carícias maliciosas, faziam meu corpo se arrepiar.
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  — Está arrependida? — perguntou ele me olhando de forma séria.
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  — Não. — Eu sorri de leve e desviei meu olhar para janela. — Só estou pensando em algumas coisas aleatórias.
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  — Como? — Ele ergueu seu corpo permanecendo encostado nos travesseiros.
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  — Festas de formatura, baile de primavera, provas finais e bolsas de estudos em Yale. — Respondi superficialmente, apesar de não serem meus pensamentos reais.
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  — Então não vai seguir o conselho da minha mãe e ir para a Parsons?
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  — Ainda não sei. — Respirei fundo. — Apesar de ser uma das melhores de moda no mundo, Yale tem um peso grande quanto ao seu nome e reputação, enfim, tenho tempo para me decidir.
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  — Isso é bom, quando se pode decidir e não tem ninguém que insiste em decidir por você.
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  — E decidiram por você? — Eu o olhei surpresa por aquele quase desabafo.
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  — Tecnicamente sim, mas não tão evidente. — Sua forma de responder ainda parecia enigmática para mim.
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  — Está falando da empresa do seu pai. — Não sabia se era uma conclusão ou pergunta, mas certamente era seu motivo para escolher estudar em Harvard.
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  — O que mais seria? — Ele riu de leve. — Você consegue ver à frente de uma empresa?
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  — De jeito nenhum. — Eu ri junto com ele. — é muito delicada e fofa, não acho que se daria bem no mundo dos negócios, ela não iria conseguir demitir ou falar mais alto com alguém caso precisasse.
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  — Não quero que a empresa da minha família acabe caindo em mãos erradas, foi muito difícil para meu avô conseguir manter ela depois da crise de 29.
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  — Acho que consigo entender seu sentimento. — Inclinei um pouco meu corpo, deitando minha cabeça no ombro dele. — Espero que não se arrependa por sua escolha.
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  — Acho que não, pelo menos eu também espero não me arrepender.
[wpdiscuz-feedback id="5jdj0cag70" question="Comente!" opened="0"]  — Hum. — Eu fechei meus olhos sentindo ele acariciar meus cabelos. — Você vai me fazer dormir deste jeito.
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  — É a intenção. — Ele riu baixo. — Vai sentir minha falta, não vai?
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  — Tanto quanto da nossa amizade colorida de todos os dias — respondi daquela forma minha de não me envolver emocionalmente com ninguém.
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  — Então seremos somente isso? Amigos? — sussurrou em um suspiro fraco e meio frustrado.
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  — Melhor assim. — Respirei fundo me aninhando um pouco mais em seus braços. — Você está indo para a universidade e eu tenho todo o ensino médio pela frente.
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  Não queria mesmo me envolver com ele.
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  Entretanto, era um fato que depois de , Matt era o homem com maiores chances para me atrair e conquistar. Porém, eu já tinha fechado meu coração e não iria abrir para ninguém. Eu tinha muitas lembranças ruins no meu passado que se referem a sentimentos como o amor. Realmente evitava aquilo em minha vida de lógicas. Despertei do meu rápido cochilo pouco antes do amanhecer e Matt parecia estar em sono profundo, me levantei silenciosamente e voltei para meu quarto. Quando acendi a luz do abajur e me virei, levei um susto de imediato, era sentada na poltrona ao lado da janela.
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  — O que você está fazendo aqui? — eu sussurrei.
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  — Estava te esperando, fiquei curiosa para saber que hora sairia do quarto de Matt — explicou ela.
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  — Não acredito, e você não dormiu até agora? Eu já volto. — Fui até o banheiro e tomei uma ducha rápida, vesti meu pijama e voltei para o quarto. — Vai mesmo querer saber?
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  — Claro. — Ela se jogou em minha cama e deitou se cobrindo.
  — Ele disse que queria fazer algo que eu jamais esquecesse. — Me deitei ao lado dela me cobrindo e me virei para ela. — Como não teve oportunidade no baile de debutantes porque o não me deixava em paz.
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  — Então, você vai ser minha cunhada? — Ela sorriu de leve ao me olhar.
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  — Não, o Matt está de malas prontas para a universidade e eu sou só uma colegial ainda. — Dei esta desculpa para ela ficar um pouco mais conformada.
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  — Ai, que triste. — Me olhou meio frustrada, mas logo seu olhar mudou para um mais curioso. — E como foi?
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  — Minha primeira vez… — eu sorri de leve. — Ele foi tão carinhoso e um rei.
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  — Para uma rainha, ainda tenho esperanças que vocês fiquem juntos, imagina nós duas cunhadas.
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  — Quem sabe em um futuro distante. — Eu ri junto com ela.
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  Olhando a empolgação da minha amiga, aquela ideia não era tão ruim assim.
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  Eu já me considerava da sua família de alguma forma, porém eu tinha outros objetivos em minha vida que não encaixava distrações como momentos de romance ou algo do tipo. Na manhã seguinte Matt embarcou; eu e passamos a manhã na biblioteca, ela estava me ajudando a planejar o baile de primavera.
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  O último baile do nosso ano letivo.
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  Eu queria que tudo saísse impecável pois iria confirmar meu reinado no Constance para os próximos anos. E ninguém ficaria no meu caminho, principalmente as velhas amigas de Britany Collins. Minha cabeça estava fervendo de dor e ainda tinha um detalhe que colocaria todos os meus problemas no lugar: dinheiro. A diretora Queller não aceitou financiar o baile pelo alto orçamento proposto. Eu não iria pedir para a senhora Mary, ela já havia me ajudado muito aquele ano com minhas festas repentinas. Matt era sempre meu plano B para este tipo de problema, mas estava longe demais para me ajudar. Então, eu só tinha uma pessoa em mente.
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  — E já escolheu o tema para esta última festa? — perguntou meio curiosa.
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  — Pensei em tantas coisas, mas nada me agradou até o momento — respondi guardando minha agenda pessoal na bolsa.
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  — Nada mesmo? — Ela me olhou surpresa. — Nossa, você sempre tem alguma coisa em mente.
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  — Tem acontecido tanta coisa em pouco tempo que minha criatividade não está seguindo o fluxo. — Brinquei rindo um pouco.
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  — Hum, e o que pretende fazer?
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  — Acho que vou escolher o tema menos tedioso, acho que vamos de Alice no país das maravilhas.
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  — E você será a Alice? — perguntou ela inocente.
  — Claro que não, não gosto de ser tão óbvia. — Eu ri de leve. — Já me decidi, eu serei a Rainha de Copas e você nossa doce Rainha Branca, o que acha?
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  — Não acredito. — Ela riu de leve. — Por que essa sua escolha?
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  — Ah, eu sempre quis dizer: Cortem-lhe a cabeça. — Ri um pouco.
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  — Sua mercenária. — riu ainda mais comigo.
  — Vou precisar ficar aqui depois da aula — disse a ela me recuperando das gargalhadas.
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  — O que vai fazer?
  — Preciso complementar a verba para o baile; a diretora Queller se nega a aceitar meu grande orçamento, então terei uma breve e inspiradora conversa com o diretor da Jude’s argumentando a importância desse baile para os alunos de ambas as escolas.
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  — Seu olhar otimista já me convenceu. — Brincou ela. — Então vou sozinha para casa hoje.
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  — Alfred é uma ótima companhia — retruquei o drama dela.
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  — Eu sei, mas é que tem assuntos femininos que não posso conversar com ele.
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  — Temos muito tempo para conversar em casa. — Sorri de leve pegando meu celular para checar minha caixa de mensagens.
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  Após o final da aula, acompanhei até a entrada do Constance e assim que Alfred arrancou o carro, peguei um táxi em seguida e desci no Central Park. Entrei no prédio onde ficava o apartamento dos garotos. Curiosamente, Matt tinha me dado a chave dele para que eu guardasse, então não precisei tocar a campainha. Quando entrei percebi que estava um pouco desorganizado, e tinha algumas peças de roupas espalhadas pela escada. Subi silenciosamente, uma das portas estava aberta, abri de leve e vi uma garota deitada na cama dormindo. Olhei para a direção do banheiro e ouvi o barulho do chuveiro, foi quando senti uma mão em minha cintura.
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  — Veio se juntar a nós? — perguntou .
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  — Nem nos seus pensamentos mais pecaminosos. — Eu me afastei dele. — Onde está o ?
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  — Como sempre, joga ele para a amiga, mas não consegue ficar longe. — Ele deu um sorriso sarcástico.
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  — Somos amigos, mas acho que você não entenderia este tipo de relacionamento entre um homem e uma mulher.
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  — Então a garotinha já é uma mulher?! — Ele se aproximou mais de mim.
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  — Você sabe o que eu quis dizer.
  — Vocês realmente precisam parar de me forçar a presenciar essas cenas — disse ao subir as escadas.
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  — Você é que adora cortar o nosso clima. — o olhou sério.
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  — Nunca existiu clima entre nós, . — Eu me afastei dele e olhei para . — Preciso de um favor seu.
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  — Posso te convidar para um café? — Ele estendeu sua mão.
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  — Não tomo muito café, mas acho que qualquer lugar está se tornando mais saudável visualmente que esse apartamento. — Eu apontei de leve para uma peça íntima que estava no corrimão da escada.
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  — Vocês realmente não sabem o que é diversão. — se virou e entrou em seu quarto.
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  — Deixe-me adivinhar, o Matt era o dono e agora que foi embora vocês estão se divertindo mais. — Olhei meio desconfiada para .
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  — Vocês não — ele desviou seu olhar para a escada e começou a descer —, você sabe que eu sou somente da . — E parando na metade da escada. — E seu se me quisesse.
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  — Ainda brinca com isso. — Respirei fundo e desci as escadas.
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  Ele me levou ao Starbucks Coffee.
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  Sentamos ao fundo um pouco longe das vidraças, eu fiquei um tempo em silêncio, estava juntando as palavras certas e a coragem. pediu um expresso duplo para ele e um cappuccino de chocolate para mim, assim que a atendente nos serviu, tomei coragem para falar. Mas ele era um tanto mais rápido que eu.
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  — Curiosamente, eu acho que sei o que você está tomando coragem para me pedir. — Ele riu de leve. — Não é fácil ser a rainha.
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  — Mas também não é impossível, apesar de não nascer em berço de ouro, este sempre foi meu destino.
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  — E eu, como seu súdito, estou aqui para lhe servir. — Ele sorriu de canto e retirou a carteira do bolso, me entregando um cartão.
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  — O que é isso? — Peguei ainda não acreditando.
  — A solução dos seus problemas.
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  — Não acredito que está me dando seu cartão.
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  — Não era isso que queria? — Ele tomou um gole do seu expresso.
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  — Era, mas não posso aceitar. — Eu coloquei o cartão na mesa. — Você está namorando a e isso pode parecer estranho.
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  — E alguém precisa saber?
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  — Alguém, ? — O olhei sério.
  — Se perguntar, diga que o nosso diretor patrocinou, não acho que vão perder tempo com como você consegue dinheiro para isso. — Ele empurrou o cartão para perto de mim. — Me deixe fazer pelo menos isso por você, como amigo.
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  — Ok. — Peguei o cartão e guardei na bolsa. — Prometo te devolver quando isso acabar.
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  — Apenas me devolva quando não precisar mais. — Ele piscou de leve com o olho direito.
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  Eu segurei o riso e tomei meu cappuccino. Mesmo percebendo que ainda tinha atração por mim, havia confirmado que ele precisava de uma garota com quem tivesse um sentimento além de só atração. Eu certamente não era essa garota! Mas construímos uma amizade sólida e especial, além de um sentimento de cumplicidade inexplicável.
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  — Este ano foi James e Matt, ano que vem é você. — Eu o olhei tranquilamente, ainda não tínhamos conversado sobre o futuro acadêmico dele. — Já sabe para qual universidade irá?
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  — É um tanto óbvio. — Ele deu um suspiro fraco desviando o olhar.
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  — Hum, pela sua reação não está satisfeito com o seu brilhante futuro à frente dos Hotéis Royal — insinuei tentando fazer ele desabafar de vez. — Pode dizer o que está te incomodando.
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  — Não que esteja me incomodando, mas é que eu não sei se realmente sou quem precisa estar à frente dos negócios da família — explicou ele meio sem saber como expressar.
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  — Você me disse uma vez que tanto seu pai como seu tio administram tudo juntos, Bellorum e Village juntos na diretoria e tudo mais. — Eu olhei para minha xícara que já estava pela metade. — Então eles não pensam na possibilidade do ficar à frente?
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  — Está falando como se eu não quisesse isso.
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  — Seu olhar já me diz isso. — Suavizei meu olhar e sorri de leve. — E posso afirmar que te conheço muito bem para concluir desta forma.
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  — Odeio admitir, mas sim, você realmente me conhece. — Ele riu de leve. — De um jeito inacreditável.
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  — E o que pretende fazer? — Peguei de leve na mão dele. — Vai ceder à pressão?
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  — não é a pessoa mais responsável que conheço — explicou ele, como uma desculpa para sua decisão.
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  — Você é a segunda pessoa que segue este caminho por falta de escolha, mas acho que pelo menos você tem escolha. — Respirei fundo.
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  — Está falando do Matt? — Ele me olhou de forma séria, sua pergunta parecia mais uma afirmação.
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  — Assim como você, ele teoricamente não tem escolha, quem veria à frente de uma empresa? Além do mais, ela nunca se imaginou lá também.
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  — Verdade. — Ele desviou seu olhar para a vidraça. — Você realmente entrou para a família.
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  — Que família? — perguntei sem entender.
  — Dos Vidal, mora com eles, você e o Matt…
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  — Hum — eu segurei o riso — acho que entendi, mas eu não entrei para família.
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  — O que quer dizer com isso?
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  — Esses seus olhos de amigo ciumento não combinam com você — ri um pouco e o olhei tranquilamente —, e realmente não tenho vocação para romances.
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  — Às vezes eu sinto que você age como se estivesse querendo afastar quem gosta de você. — Ele parecia convicto em suas palavras e assim como eu o conhecia, ele também me conhecia. — Só não sei se é por causa daquela pessoa.
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  — Que pessoa?
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  — Allison Sollary.
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  Desviei meu olhar e permaneci em silêncio. Acreditava realmente que ele tinha esquecido esse terrível nome; permanecemos assim até terminarmos nosso café, um olhando o reflexo do outro na vidraça e ambos em silêncio.
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  Os dias que seguiram foram para os preparativos finais do meu evento, após oferecer com insistência, um lugar reservado para o baile: o terraço do hotel de sua família. Era um espaço amplo e muito bem decorado, onde o hotel cedia para recepções especiais e vips. A vista seria panorâmica de toda a cidade, ao ar livre e cheio de luxo.
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  — Eu não disse que seria interessante a vista proporcionada? — perguntou ao se aproximar de mim, ficando de costas para a paisagem e encostando-se no guarda-corpo de vidro.
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  — É, desta vez você acertou. — Virei meu olhar para ele, como sempre estava com um copo de Bourbon na mão. — Não cansa não?
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  — Não me canso do que?
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  — De beber — expliquei voltando meu olhar para a vista.
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  — O que tem contra meu Bourbon? É o melhor whisky do mundo — reclamou ele.
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  — Não tenho nada contra.
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  — Devo esperar alguma surpresa da nossa Mistery Queen para este baile?
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  — Eu até que poderia aproveitar meu look e mandar meus súditos cortar sua cabeça — brinquei rindo.
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  — Assim eu viraria um cavaleiro sem cabeça — retrucou ele rindo junto. — Mas essa é outra história.
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  — Muito bem colocado. — Eu olhei para ele. — Você me parece um pouco mais comportado hoje, o que aconteceu?
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  — Está com saudades do meu lado sedutor?
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  — Não, mas estou te achando um pouco mais sério hoje.
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  — Ando descobrindo algumas coisas que não gostaria, mas não importa. — Ele suspirou fraco desviando seu olhar para o copo.
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  — É tão ruim assim?
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  — Quando se vive uma vida achando que é filho único — ele se afastou um pouco se espreguiçando —, mas estou me acostumando. Se fosse você o que faria?
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  — Não sei.
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  Ele saiu rindo, o de sempre tinha retornado. Era estranho pensar que ele tinha algum irmão. Segundo o que sempre ouvi dizer, o pai dele sempre ficou tanto tempo concentrado no trabalho que arruinou o casamento levando ao divórcio. Agora essa enigmática revelação dele me deixava um pouco curiosa e pensativa.
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  — Amiga, estou impressionada. — se aproximou de mim olhando a decoração. — Está tudo lindo, perfeito, se minha mãe visse isso, certamente se sentiria orgulhosa, como eu.
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  — Obrigada, . — Sorri de leve. — Confesso que fiquei um pouco ansiosa porque é a primeira festa que faço sem a ajuda da sua mãe.
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  — Aprendeu muito bem com ela, última festa do nosso ano letivo e a que vai selar de vez a coroa na sua cabeça.
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  — Sim, agora ninguém mais vai duvidar que sou a Mistery Queen do Constance.
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  — Senhoritas — se aproximou de nós —, vim roubar minha namorada por alguns minutos, posso, majestade?
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  — Ela é toda sua. — Eu ri de leve.
   sorriu meio envergonhada, mas seguiu para a pista de dança. Era bonito ver os dois juntos, eles se completavam de uma forma suave e espontânea. Um garçom passou por mim e peguei uma taça de champanhe. Fiquei olhando a todos se divertindo por um momento, estava tudo saindo como o planejado. Não somente no baile como também na minha vida. Meu celular vibrou dentro da bolsa e peguei, era uma mensagem da G’G para todos sobre minha festa. Me senti realizada por ela falar tanto sobre mim no seu site. De alguma forma seus comentários sobre mim me ajudavam a fixar meu nome entre a elite de Upper East Side.
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  Logo notei um rosto parcialmente familiar e ao mesmo tempo novo, um rapaz de jeans rasgado e all star que visivelmente não parecia estar na minha lista de convidados. A primeiro momento diria que ele era um bom observador e invisível aos olhos dos outros, mas ali estava eu com minha atenção totalmente voltada para aquele estranho. Por uma fração de tempo seu olhar veio de encontro ao meu de uma forma tão intensa e inesperada que fez meu coração acelerar sem explicação. Nunca havia me pegado tão paralisada com algo assim.
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  — Então, majestade, me concede essa dança? — perguntou uma voz vindo de trás de mim, me trazendo para a realidade.
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  — Depende — eu respondi em um breve sussurro, ao me recompor e me virei com um sorriso no rosto, era James Bale; como prometido estava na cidade para o baile de primavera. — Com prazer, majestade!
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  Ainda considerado o rei eterno e mais influente agora que cursava em Oxford, ele me guiou até a pista de dança. Muitos olhares vieram em nossa direção assim como os comentários no blog da G’G começaram a ser disparados. Se alguns poucos nutriam esperanças que Britany Collins retornasse, estavam enganados. A partir daquela noite, eu reinaria plenamente sem direito a golpes de estado. E para fechar com chave de ouro aquela noite, algo nada inesperado para mim, Bale me beijou na frente de todos, decretando assim o início do meu longo reinado.
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  “Agora é oficial: está no topo da lista vip da elite de Upper East Side. Quem diria que a misteriosa órfã subiria tão rapidamente assim os degraus para ser a rainha do Constance. Ao final deste ano letivo não somente , mas conseguiu acompanhar os passos da amiga e se tornou a princesa perfeita para o capitão do time mais cobiçado da Jude’s, Bellorum. Parece que sonhos podem se realizar em Manhattan, porém existem alguns pesadelos do passado que quero descobrir nessas férias de verão. Assim como quem é o tal intruso misterioso que despertou algo interno em nossa nova rainha.”
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

7. Havana

“Havana, ooh na na (ayy, ayy)
Half of my heart is in Havana, ooh na na (ayy, ayy)
He took me back to East Atlanta, oh na na na
Oh, but my heart is in Havana
My heart is in Havana
Havana, ooh na na”
– Havana / Camila Cabello (feat. Young Thug)

  

  Faltava duas semanas para as férias de verão e eu já estava ansiosa, finalmente havia aceitado meu convite para viajar comigo. Havia tantas possibilidades de roteiro em minha mente que não conseguia me decidir. Paris era uma boa opção já que minha amiga nunca havia ido para a Europa, porém Bahamas era o destino sugerido pelo . Tantas outras cidades apareceram e nossa escolha foi ficando cada vez mais complicada.
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  — Então, já decidiu nosso destino? — disse pulando em minha cama e me olhando curiosa.
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  — Não… — Fiz cara de tristeza, desviando meu olhar para a agenda que estava em minha mão. — Hum… Que tal você decidir? Já que é a sua primeira viagem…
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  — Bem… — Ela se remexeu na cama e ficou um tempo olhando para o teto. — É, realmente são muitas possibilidades…
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  — Vamos para Havana — sugeriu Matt aparecendo de surpresa na porta do quarto, de braços cruzados.
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  — Matt — o olhei e sorri —, quando chegou?!
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  — Não tem muito tempo. — Ele desviou seu olhar para minha amiga. — Oi, , que olhar é esse.
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  — Nada, só me impressiona você querer levar uma pessoa que ama o capitalismo para um país socialista. — Ela ergueu seu corpo. — O que as aulas de economia e sociologia estão fazendo com você?
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  — Seria um belo contraste — ele riu alto —, o que acha?!
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  — Estávamos pensando em algo mais europeu — expliquei a ele.
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  — Eu topo o desafio. — manteve seu olhar fixo nele.
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  — Mal posso esperar para ver isso — sussurrei segurando o riso.
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  Nosso destino estava traçado e Matt se ofereceu para elaborar o roteiro da viagem, segundo ele, depois poderíamos esticar em Bahamas, que é perto, e visitar o recém-inaugurado resort Royale, que pertencia à família de . E mesmo que não fosse uma viagem de casal propriamente dita, eu estava mantendo minhas esperanças de ter minha amiga como cunhada oficialmente.
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  Se e Matt se acertassem, seria a realização do ano para mim. Tudo já estava acertado e calculado por meu irmão, nosso refúgio em Havana seria na casa de um dos membros de uma fraternidade de Harvard que tinha oferecido a Matt. Enquanto a viagem não vinha, meu irmão naquela noite nos convidou para visitar o pub de um velho amigo, que tinha sido reformado recentemente. Eu recusei de início, meu corpo estava estranho. Talvez pela ligeira mudança de tempo, estava me convalescendo de um resfriado ainda, decidi ficar em casa e contemplar a beleza e frescor da brisa noturna.
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  Contudo, lhes desejei uma noite cheia de diversão. O que de fato pelo olhar de minha amiga, não iria faltar.
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  — Que tédio — sussurrei ao olhar a hora novamente pelo celular.
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  Aquela já era a quarta vez em um curto espaço de tempo. Até que recebi uma mensagem de Camille perguntando se poderia confirmar os convites vip para nossa festa do pijama de férias. Algo que havia saído totalmente da minha cabeça. Trocamos algumas mensagens para ajustar os detalhes finais. Adormeci em algum momento da noite e logo pela manhã acordei antes mesmo do despertador tocar, por curiosidade, saí do meu quarto e segui até o de , o encontrando vazio e arrumado.
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  Ela havia dormido fora e provavelmente com o Matt.
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  — Sete horas da manhã… — Disse assim que ela entrou eu seu quarto, em total despreocupação.
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  Estava curiosa demais para saber o que tinha rolado em sua noite de diversão, que resolvi ficar até sua chegada.
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  — O que faz aqui em meu quarto? — perguntou ela confusa por me ver lá.
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  — Estava te esperando — respondi.
  — Para?
  — Primeiro para saber como foi sua noite, segundo, temos uma festa do pijama.
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  — Cancela — disse jogando a bolsa em cima da cama.
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  — Qual das duas?
  — As duas. — Ela caminhou em direção ao closet, com a voz estranha.
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  Não sabia identificar se tinha traços de embriaguez ou sono mesmo.
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  — Ah não… — A segui e fiquei parada na porta. — Não podemos cancelar a festa.
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  — Por que não? — Ela me olhou. — É somente uma festa, .
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  — Você sempre diz que uma festa do pijama nunca é somente uma festa? — argumentei utilizando suas próprias regras. — Estamos caminhando para o último ano do colegial, precisamos de uma festa para aquecer as férias.
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  — Eu não poderei comparecer à festa, mas se você quiser continuar… — explicou ela, sem detalhar o motivo de sua falta de interesse. — Será bom para você ser a anfitriã sozinha.
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  — Aconteceu alguma coisa? Com você e o Matt? Por isso não quer mais a festa? Seu olhar está estranho, você parece cansada, saiu daqui tão animada ontem. — Insisti, ela estava mesmo estranha.
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  — Não é nada, só tenho outro compromisso. — Deu as costas e pegou a toalha. — Vou tomar um banho.
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  — Por acaso esse outro compromisso é com o Matt? — Sorri esperançosa.
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  — Ai, , por favor, já disse para não criar mais expectativas sobre isso, não tem nada a ver com o Matt. — Ela entrou no banheiro fechando a porta, parecia ter ficado irritada com minhas especulações.
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  Confesso que um leve desânimo bateu em mim, o que me fez pensar em cancelar mesmo a festa do pijama. Seria indelicado com as convidadas, só porque não queria mais participar. Então, eu faria sim aquela festa, e seria tão bem elaborada quanto as que minha amiga organiza. Liguei para Camille e pedi para que viesse a minha casa, eu tinha um dia de trabalho pela frente e faria com perfeição.
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  — Aqui estão os convites, agora só falta entregar — disse ela me entregando o envelope.
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  — Pode passar diretamente para o entregador que contratamos — informei ao checar a capa dos convites.
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  — Será aberto somente para dez alunas mesmo? — Sua voz parecia confusa.
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  — Sim, estas são as melhores alunas do Constance, o que significa que entrarão nas melhores universidades, serão pessoas influentes no futuro — expliquei. — Pelo menos essa é a lógica da , fortalecer os laços hoje com as pessoas que serão relevantes amanhã.
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  Soltei um suspiro longo e cansado, quanto mais eu convivia com minha amiga, mais eu descobria traços que ela possuía semelhantes aos da minha mãe. A maioria eu não gostava nem um pouco.
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  Dois dias passaram. havia dado mais um de seus sumiços malucos e sem explicações plausíveis. Era óbvio que minha curiosidade só aumentava, afinal ela era uma caixinha de surpresas maluca. Mas já tinha me dado ao luxo de acostumar com isso e não me preocupar mais.
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  — O que faz aqui a essa hora? — perguntou Matt ao me ver parada em frente à janela da sala do seu apartamento.
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  — Vim tomar café da manhã com meu irmão. — Me virei para ele com um sorriso delicado. — Não posso mais? Ou esperava outra visita?
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  — É claro que pode. — Ele abriu um largo sorriso e pegou suas chaves que estavam na mesa de centro. — Onde deseja tomar o café?
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  — Starbucks já está bom. — Não demonstrei muita motivação.
  Havia passado a noite naquela festa do pijama tediosa com mais dez garotas e assuntos que pareciam uma tortura. Todas falavam dos seus futuros acadêmicos brilhantes e detalhadamente planejados. Enquanto eu mantinha minha indecisão em segredo. Mais um ponto que eu admirava em , ela sempre sabia o que queria.
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  Quanto a mim, tinha milhões de pensamentos indecisos e nenhuma certeza de fato. Chegando à cafeteria, sentamos em uma mesa mais centralizada que dava ampla vista para todo o lugar. Não demorou muito até que meu irmão reconheceu um rapaz, que se mantinha na mesa dos fundos, encarando uma xícara do que parecia ser um cappuccino.
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  — Tenebrae — disse ele, ao se aproximar —, a quanto tempo, o que faz em Manhattan?
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  — Recomeçando — disse o rapaz, voz baixa, mas pude ler em seus lábios claramente. — E você? Não estava em Harvard?
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  — Ainda estou — contou meu irmão, sua voz eu conseguia ouvir, mesmo sendo branda. — Soube que saiu de casa e recusou a vaga em Yale.
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  — Não tenho vocação para exatas, principalmente engenharia — respondeu ele —, mas não acho que deva se preocupar comigo quando tem uma garota à sua espera.
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  — Aquela bela garota é minha irmã, acho que não se lembra dela — comentou Matt.
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  — De fato, não me lembro. — O rapaz continuou sério, ao lançar seu olhar enigmático sobre mim, então o voltando à xícara.
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  Senti estranheza, mas me solidarizei, ele tinha um olhar triste e distante.
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  — Me desculpe, — disse meu irmão ao se sentar novamente na cadeira à minha frente. — Sempre que venho a Manhattan agora é como se não visse as pessoas há mil anos…
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  Brincou ele rindo um pouco.
  — Tudo bem. — Assenti.
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  — Entretanto, já tem mesmo muito tempo que não vejo o .
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  — ? Aquele seu amigo do curso das aulas de esgrima? — perguntei de forma espontânea sem dar muita atenção à história.
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  — Não, aquele era o Gustav — explicou Matt. — é do ensino fundamental, ficou pouco tempo na minha turma e logo mudou de escola por causa do divórcio dos pais.
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  — Ah… — Voltei meu olhar para a atendente que se aproximava de nossa mesa.
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  — Mas parece que o bom filho a casa torna. — Ele riu novamente comentando. — Manhattan possui um ímã oculto que sempre nos traz de volta a ela.
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  Após os pedidos, me mantive alheia às movimentações da cafeteria, por alguns instantes até me perdi em meus pensamentos. Intrigando o meu irmão.
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  — Está meio distante hoje — comentou Matt assim que fomos servidos.
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  — Hum — eu o olhei — desculpa, minha mente não está mesmo aqui.
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  — Não me diga que é pelo desaparecimento de ?! Não é a primeira vez dela.
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  — Não é por isso. sempre chega na hora exata, então não me importo mais com seus sumiços. — Desviei o olhar para a vidraça, olhando os carros passando na rua.
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  — O que anda circulando aí dentro então? — insistiu ele.
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  — Recepcionei uma festa do pijama ontem, somente para as garotas influentes do Constance — contei superficialmente.
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  — E não deveria estar feliz? Você está ficando independente. — Brincou ele num tom debochado.
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  — Não achei graça. — Cruzei os braços o olhando séria. — Nunca tive ambição de ser popular, receber pessoas em casa, dar festas, ser socialite como a mamãe.
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  — O que foi então?
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  — Nosso assunto principal foi o futuro acadêmico. — Senti uma certa frustração sair disfarçadamente no meu tom de voz.
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  — Ainda está indecisa?! — Senti ele se movendo para pegar a xícara de café.
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  — Sim. — Soltei um suspiro, voltando meu olhar para ele. — Não quero seguir os passos da mamãe.
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  — Nossa mãe se formou na Parsons, agora ela quer que você estude em Yale. — Ele segurou o riso. — Teoricamente, não está seguindo ela.
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  — Matt… Não é a mesma coisa, além do mais sabe do que estou falando.
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  — E o que você quer fazer? — Ele me olhou com intensidade.
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  — Esse é o problema, eu não sei o que quero fazer.
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  — Não consegue pensar em nada?
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  — Não, isso me deixou ainda mais frustrada ontem. — Voltei meu olhar para a rua. — Estamos falando do meu futuro e nem sei o caminho a seguir.
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  — Acho que você precisa relaxar e aproveitar mais, logo vai iniciar o último ano do colegial, ainda tem muito tempo para descobrir. — Ele segurou em minha mão e sorriu, piscando de leve. — Agora pare de criar rugas à toa, você é muito linda para ter isso.
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  — Obrigada — sorri de leve para ele —, você é o melhor irmão do mundo.
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  — Sou o único que você tem! — Ele soltou minha mão se espreguiçando. — E como anda o namoro?
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  — Não queria falar sobre isso. — Voltei meu olhar para a xícara de cappuccino, mordendo o lábio inferior.
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  — Brigaram de novo?
  — Não, felizmente agora estamos bem.
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  — Está preocupada com nossa viagem de férias? — Ele segurou o riso. — Está com medo de ficar sozinha com ele?
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  — Eu não quero mesmo falar sobre esse tipo de assunto com você, Matt. — Fiz uma careta.
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  — Tudo bem. — Ele riu.
  — E não ria. — Eu ri junto.
  Era bom passar aquele tempo com ele. Desde a infância nossos laços de irmãos sempre se intensificavam quando o casamento dos nossos pais estava ameaçado. Sempre tive meu irmão como um ponto de apoio, o que me deixou meio abalada quando saiu de casa para morar sozinho. Logo recebemos uma ligação de nossa mãe no celular de Matt, nossa família havia sido convidada para um jantar na casa do governador. Eu não estava interessada em voltar para casa, então aproveitei a boa vontade do meu irmão. O arrastei pelas lojas da Times Square, precisava de um vestido novo para ocasião.
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  — Vamos entrar em mais quantas lojas? — reclamou ele assim que chegamos em frente à loja da Chanel.
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  — Eu juro que é a última. — O olhei fazendo cara de piedade.
  — Mulheres, não sei como conseguem provar quatrocentas roupas e não levar nenhuma. — Ele cruzou os braços.
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  — Querido irmão, eu sou uma exceção à regra — admiti. — Aposto que se a estivesse aqui, já estaria carregando umas dez sacolas.
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  — Sério? — Ele soltou uma gargalhada. — Essa eu queria ver.
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  — Minha amiga é uma consumista nata. — Ri de leve. — Mas realmente esta é a última, uma dica que aprendi com minha amiga, quando não sabemos o que vestir, a Chanel nos ajuda a não errar.
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  — Ela é cheia das dicas. — Matt soltou um riso fraco.
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  — Você também teve alguma dica dela?
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  — Não, mas conheço outras pessoas que sim. — Se espreguiçou. — Vamos, você ainda precisa comprar seu vestido.
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  Assim como também precisava descobrir os inúmeros segredos que giravam em torno da minha amiga. Respirei fundo e mudei totalmente o foco dos meus pensamentos. Logo que entrei na loja, a consultora se aproximou de mim, começamos a conversar sobre os possíveis looks que poderiam perfeitamente se encaixar naquela ocasião. Um bom tempo depois, finalmente estava saindo da loja satisfeita com meu vestido de seda azul marinho, estampado com flores de lótus.
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  — Clair, vejo que está mais bem-disposta hoje — disse minha mãe ao abraçar a senhora Donson.
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  — Sim, estou me sentindo bem melhor, agradeço seu apoio, minha amiga. — Ela retribuiu o abraço.
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  Seria uma cena linda de duas amigas. Se não fosse o fato da minha mãe não ser amiga de ninguém. A verdade é que a senhora Mary Vidal só enxergava seu status na elite de Manhattan; se você era notável financeiramente, com certeza estaria na lista de contatos dela. Minha mãe, mas verdades sejam ditas. Voltei meu olhar para o lado e logo vi uma cena sincera: meu pai e o governador rindo de uma piada que ele acabava de contar. Aquela sim, certamente poderia ser considerada uma amizade de verdade.
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  — ? ? — Ouvi a voz de minha mãe me chamar a realidade.
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  — Hum. — Voltei meu olhar para ela, que sinalizava com sua expressão facial, que eu estava sendo deselegante com nossa anfitriã.
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  — Boa noite, senhora Donson. — Sorri de leve e a abracei.
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  — Querida, pode me chamar de Clair, como sua mãe. — Ela retribuiu o abraço e me olhou com ternura. — Está a cada dia mais bonita.
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  — Obrigada. — Voltei meu olhar para Charlie que descia a escada.
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  Ele estava muito charmoso com seu terno vermelho bordô, Dolce & Gabbana. Pelo que me lembro das revistas de moda de minha madrinha, parecia da coleção atual. Algo que lhe caía muito bem, afinal ele era um cavalheiro como os lordes dos muitos romances vitorianos que eu lia.
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  — Que bom que veio — disse ele ao se aproximar de mim.
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  — Sua mãe é um encanto de mulher, jamais recusaria um convite dela — murmurei com um tom gracioso, mantendo a suavidade na voz.
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  Me sentia confortável perto dele.
  — Isso me deixa feliz… — ele começou a rir.
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  — O que foi? — perguntei ajeitando meu cabelo. — Tem algo de errado em mim?
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  — Não, claro que não. — Ele me olhou com serenidade. — Você é linda.
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  — Então… O que é? — indaguei.
  — Para ser sincero, estava pensando que não deveria ter dito que veio por minha mãe. — Ele sorriu de canto.
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  — E por que não? — perguntei curiosa.
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  — Mostrou-me seu ponto fraco, pois agora sempre que eu quiser te ver, pedirei a ela para te convidar em meu lugar. — Ele intensificou mais seu olhar, o que me deixou um pouco envergonhada.
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  Sim. Charlie era o primeiro homem que demonstrava interesse por mim, sem a menor discrição. O que me deixava ainda mais impressionada, é que mesmo em momentos que estava ao meu lado, seu olhar era somente em minha direção.
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  Algo que jamais imaginei vivenciar.
  — Então me lembrarei disso da próxima vez que for convidada para vir aqui — brinquei um pouco, suavizando a profundidade daquele momento.
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  — Por favor — pediu ele, rindo baixo, parecia não conseguir desviar os olhos de mim. — Como vão os preparativos para as férias de verão?
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  — Caminhando, estamos com planos de ir para Havana — contei a ele, disfarçando meu nervosismo interno e pegando uma taça de suco que foi servida pelo mordomo.
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  — É um belo lugar para se visitar no verão — comentou ele.
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  — Já esteve lá? — O olhei curiosa.
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  — Ah sim, já visitei a cidade umas quatro ou cinco vezes, cada ida uma descoberta a mais — contou ele. — Entretanto, nunca com a companhia certa.
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  — Ah… — eu tomei um gole do suco, tinha pedras de gelo que mantinha em boa temperatura.
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  Eu tentei agir naturalmente o restante da noite. Minha distração foram as muitas histórias que a senhora Donson me contou de quando o filho era pequeno e bastante travesso. Tudo parecia controlado e sereno, quando ficamos eu e Charlie sozinhos na biblioteca de sua casa. Inicialmente a intenção era que ele me mostrasse sua coleção de livros clássicos da literatura inglesa. Uma raridade, pois alguns dos títulos eram originais da primeira edição publicada.
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  — O que achou? — perguntou ele.
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  — Confesso que tenho um fraco por literatura britânica — disse ao pegar um dos livros —, principalmente os romances que nos ambicionam a não desistir do amor.
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  Charlie permaneceu em silêncio, apenas me observando com atenção, o que me deixou ainda mais nervosa e ansiosa por não saber como me comportar perto dele. Meu coração estava um pouco acelerado.
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  — Posso levar este emprestado? — perguntei, dando continuidade ao assunto, para quebrar o silêncio.
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  — Claro, assim terei mais um motivo para sua visita — brincou ele, aproximando-se de mim.
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  — Charlie… Não sei se é do seu conhecimento, mas… — eu precisava que ele entendesse minha situação amorosa.
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  — Você tem um namorado — completou ele.
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  — Sim. — Assenti, sentido um breve alívio.
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  — Eu sei disso, apenas lamento que não seja eu — disse ele, se aproximando mais —, porque se fosse, não a deixaria ir a um jantar sozinha.
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  Foi em um piscar de olhos… Que o inesperado aconteceu sem que eu pudesse reagir, apenas consenti o que não deveria.
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  Ansiosos para as férias de verão? Nossa Dream Princess sim! Apesar de todos os sumiços de , nada lhe tirou a vontade de comandar uma festa do pijama solo. Parece que nossa tímida garotinha está crescendo e ficando mais independente.  Porém, a parte que me interessa mais é este olhar arrebatador de Charlie. Para quem nunca era vista entre a elite, se tornou o foco para alguém. Será que o namoro com o crush da infância, vai durar até o baile de formatura do próximo ano letivo?
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– Xoxo, G’G


  

  — Fiquei sabendo de um certo jantar na casa do governador — disse à , sentada na sua cama, assim que entrou no seu quarto.
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  Um bom dia diferente para meu retorno.
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  — ?! — Ela me olhou surpresa e assustada ao mesmo tempo. — Você voltou.
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  — E por que não voltaria? Nossa viagem é amanhã. — Ri baixo dela. — Então, pode ir me contando.
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  — Como se você me contasse as coisas. — Ela deu de ombro.
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  — Hum… Desde quando minha amiga é assim tão vingativa? — Me levantei cruzando os braços, ela não era assim.
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  — Desculpa. — veio em minha direção e me abraçou.
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  — O que houve? — Retribuí o abraço já me preocupando. — Brigaram novamente?
  — Não, antes fosse isso. — Ela respirou fundo e me olhou como se fosse um daqueles bandidos com culpa no cartório.
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  — , o que aconteceu? — Permaneci séria e preocupada.
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  — É que… Olha a culpa não foi minha tá legal… Aconteceu de repente, que nem eu sei exatamente o que aconteceu direito. — Ela se afastou de mim, começando a falar coisas sem sentido, se defendendo de uma forma exagerada.
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  Parecia ainda mais atordoada e confusa a cada palavra.
  — Ei, para… Você está dizendo coisa com coisa. — Segurei em sua mão e a sentei na cama, me sentando ao seu lado. — Agora fala devagar. Tudo bem?
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  — Tudo bem. — Assentiu ela.
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  — Ok, então, o que aconteceu? — perguntei novamente.
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  — O Charlie me beijou. — Não foi exatamente devagar, mas me deixou chocada. E um pouco estática por alguns segundos para absorver a informação.
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  — O quê?!
  — Eu não vou repetir. — Ela se levantou desesperada. — Já está sendo um surto interno para mim me lembrar disso a cada minuto.
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  — Oh my God. — Me levantei também ainda raciocinando tudo aquilo. — Ok, era óbvio o interesse dele por você, mas e você?
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  — O que tem eu? — Ela me olhou assustada.
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  — O que sentiu?
  — Como assim o que senti? , eu tenho um namorado que, modéstia à parte, foi difícil conseguir a atenção e o amor dele. — Ela cruzou os braços me olhando com indignação. — Eu não posso sair sentindo coisas quando outra pessoa me beija, ou melhor, Charlie nem deveria ter feito isso, eu estou em pânico com isso e passei todos esses dias sem minha melhor amiga para me ajudar a superar.
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  — Calma, , não é o fim do mundo. — Eu segurei o riso, sem sucesso.
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  Queria poder ajudá-la melhor.
  — Não é o fim do mundo? Você está se ouvindo? Eu tenho um namorado, imagina o que pode acontecer se ele souber? — argumentou ela.
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  — Ele não vai saber porque você não vai contar. — Segurei em sua mão e a olhei firme. — Afinal, foi só um beijo que você não esperava e nem sentiu nada, não é?
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  — É… — sussurrou ela, desviando o olhar.
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  — Ou você sentiu algo?! — repeti a pergunta. — ?
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  — Ai, MiIla, não me confunda mais. — Ela se afastou de mim.
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  — Eu estou te confundindo? Você já está assim. — A olhei um pouco desconfiada — Por acaso…
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  — Não comece com suas suposições. — caminhou até a porta do quarto e abriu. — Poderia, por favor, me deixar sozinha?
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  — Tudo bem. — Resolvi não insistir.
  Assim que saí de seu quarto, segui até a cozinha para pegar um pouco de água. Em minha cabeça, muitos pensamentos sobre o tal beijo do filho do governador. Felizmente minha doce e tímida amiga tem se tornado uma mulher que sabe se destacar e chamar atenção, ainda que não queira.
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  — Olha só, quem é vivo sempre aparece — disse Matt, que estava encostado na bancada da pia.
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  — Boa noite, Matt. — Passei por ele indo até a geladeira. — Não deveria estar em outro lugar?
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  — Hum… Outro lugar?
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  — Seu apartamento. — Peguei a garrafinha de água e fechei a geladeira, voltando meu olhar para ele. — Onde mais estava pensando?
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  — Não sei. — Ele pigarreou. — E você onde estava?
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  — Sabe que não vou responder. — Ri de leve abrindo a garrafinha.
  — Desapareceu assim por causa dela? — Ele me olhou sério.
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  — Dela quem?
  — Allison Sollary. — Seu olhar se intensificou, nunca havia visto Matt com aquela expressão facial gélida.
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  — De onde tirou esse nome? — perguntei tentando não reagir de forma estranha, mas já sentindo um certo frio na barriga.
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  — me contou, ele disse que você afasta todo mundo por causa dela. — Explicou ele, como se analisasse minhas expressões. — Então, é verdade?
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  Eu odiava quando alguém fazia isso comigo.
  — Então, não tem nada, que viagem louca. — Desconversei. — De onde tiraram isso de Allison Sollary, por favor.
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  — Vou fingir que acredito que não tem nada a ver com ela.
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  — Mas eu não tenho — tentei não alterar minha voz, sem sucesso, parei e respirei fundo. — Esqueça isso, por favor.
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  — Já esqueci, como tudo que me pede. — Ele desviou o olhar. — Já conversou com a ?
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  — Sim, por quê? — Não entendia a pergunta.
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  — Ela te contou?
  — Contou o quê? — indaguei.
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  Será que tinha mais alguma novidade estranha?
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  — Charlie, o filho do governador, beijou ela — respondeu tranquilamente.
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  — Como soube?
  — Eu vi — contou. — A porta estava entreaberta.
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  — Você contou para alguém? Para o ? — Senti um leve frio na barriga.
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  — Não — respondeu.
  — Ufa. — Respirei aliviada. — está surtando com isso. Por favor, finja que não viu nada e não conte à que sabe, senão ela fica mais louca com essa história.
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  — Não se preocupe, sou bom em guardar segredos. — Ele suspirou fraco. — Além do mais, esse assunto não é meu, ela quem deve resolver.
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  — Você é um bom irmão. — Sorri para ele. — Hum…
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  — O quê? — Ele me olhou desconfiado.
  — Agora estou curiosa com uma coisa.
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  — Com o quê? — perguntou ele.
  — Qual é o seu assunto. — Não me contive em sorrir para ele.
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  — Sabe que é você. — Ele foi se aproximando de mim. — Querer te desvendar me deixa louco, sabia?
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  — Não, mas gostei.
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  — Você se diverte sendo má com todo mundo. — Ele segurou em minha cintura.
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  — Não sou má com todo mundo. — Envolvi meus braços em seu pescoço, fazendo um olhar de criança abandonada.
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  — Você é má com quem gosta de você. — Mesmo com o tom amargo, Matt manteve seu olhar intenso.
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  A noite entre nós dois poderia ser longa se eu não estivesse preocupada com uma coisa. Como deixaria meu passado problemático e embarcaria numa viagem de férias para Havana? Quanto mais eu pensava sobre isso, mais me sentia desestabilizada. Talvez fosse confortável somente passar a noite sentada no chão da sala de cinema, com a cabeça apoiada no ombro de Matt. Foi o que aconteceu. Naquela noite, só precisava de um ombro amigo para descansar. Apesar de nossa amizade mais que colorida ter falado mais alto no meio da noite.
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  — Animada?!! — me olhou com seus olhos brilhando, assim que descemos do carro.
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  — Claro que estou, é nossa primeira viagem juntas — admiti forçando uma empolgação, contudo, internamente estava me sentindo emocionalmente acabada.
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  Não era surpresa que ofereceria o jatinho da família para o transporte rápido. Nosso desembarque no aeroporto internacional José Martí, foi tranquilo. Nos hospedamos na casa do veterano de Matt com vista para o mar e a dispensa cheia de comida. Estava animada para ver meu guia turístico particular em ação. E aparentemente, ele estava animado para levar a ruas estranhas daquela cidade.
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  Após o descanso do primeiro dia, na manhã seguinte começamos com uma volta pelo centro comercial. Claro que não deixaria meu lado consumista morrer desidratado naquele país. O capitalismo corria loucamente em minhas veias, principalmente quando vimos uma loja de roupas das artesãs locais. Apesar de não ter a visibilidade das grandes marcas europeias, a qualidade daqueles tecidos e das linhas eram incríveis.
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  — Pensei que estivesse cansada demais para querer sair à noite. — Matt, que se apoiava na sacada da janela, cruzou os braços dando um sorriso largo.
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  — Estamos de férias, estou me proibindo ficar cansada — disse ao terminar de secar os cabelos com a toalha. — Quero aproveitar cada segundo como se fosse o último.
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  — Então vamos aproveitar. — Ele retirou o celular do bolso. — Vou dizer ao para nos encontrar em frente à praia com a .
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  — Para onde nos levará?
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  — Surpresa. — Ele piscou de leve.
  Eu sorri animada. Matt era bom em fazer surpresas. Desta vez, ele não seria diferente. Vi em a cara de choque quando chegamos em frente ao restaurante que mais parecia uma discoteca, pelo menos do lado externo. Uma parte de mim estava correta, quando chegamos na parte interna, vi várias pessoas dançando na pista de dança que havia no centro do lugar. Estava curiosa pelo que poderia acontecer naquela noite.
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  — Matt, meu amigo, se a elite de Upper East Side visse esse lugar…
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  — Eles não precisam saber que conhecemos lugares assim. — Ele sorriu de canto e piscou.
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  — Parece que não sou a única com segredos. — Soltei uma risada rápido, desviando o olhar para que parecia assustada com todo aquele movimento. — Será que ela sobrevive?
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  — Claro que sim, trouxe vocês aqui porque a comida é boa e todos são divertidos — explicou ele. — E as mulheres são bonitas.
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  — Hum… Falou como o — comentei brincando.
[wpdiscuz-feedback id="8faap9rhrh" question="Comente!" opened="0"]  — Só disse a verdade — retrucou ele, com o olhar malicioso. — Tem uma bem ao meu lado.
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  Não me contive em rir de leve.
  — Matt — disse uma mulher de vestido amarelo ao chegar animada já o abraçando —, você veio mesmo.
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  — Eu disse que viria nessas férias. — Ele sorriu para ela. — Deixa eu te apresentar uma amiga, essa é a . , essa é Nancy.
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  — Como vai. — A mulher sorriu para mim já me abraçando. — Seja bem-vinda.
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  — Obrigada, Nancy. — Desviei meu olhar para Matt, que segurava o riso.
  — Esta é , minha irmã e , seu namorado e meu amigo.
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  — Sejam bem-vindos também.
  Assim que se aproximaram de nós, a mulher os abraçou como se fossem íntimos.
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  — A noite está inspiradora hoje — comentou Nancy.
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  — Estamos percebendo, todos bem animados — concordou .
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  — É sempre assim aqui. — Ela olhou para trás, parecia estar sendo chamada por alguém. — Estão me chamando, espero que se divirtam.
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  Ela se afastou.
  — Que cara é essa? Se não te conhecesse, acharia que está com ciúmes — brincou Matt ao se aproximar um pouco mais de mim.
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  — Ciúmes? — Ri. — Não exagere, só fiquei um pouco em choque com a recepção calorosa da sua amiga.
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  — Impressionante como você não dá o braço a torcer. — Ele riu. — Aposto que se te desafiasse a dançar comigo aceitaria só para não perder a pose, apesar de não saber.
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  — Quem disse que não sei dançar? — O olhei de forma segura e intimidadora, com a mão na cintura. — Agora sou eu quem te desafia a uma rodada. Você conseguiria me acompanhar?
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  — Não diga me diga…. — Ele riu. — Está falando sério?
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  — Foi você quem deu a ideia.
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  Só daquela vez, só naquele momento, eu me permitiria resgatar um pequeno e relevante pedaço do meu fatídico passado. Uma pequena parte de mim que poderia surpreender ele e talvez deixá-lo ainda mais intrigado, não me importava muito com isso. Porém, desta vez, o que aconteceria em Havana, ficaria em Havana.
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  — Você não cansa de me surpreender. — Matt manteve sua mão em minha cintura após o término da música.
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  — Nunca mais duvide de mim. — Sorri de forma presunçosa, voltando meu olhar para o lado. — Me parece que sua amiguinha não gostou da minha performance.
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  — Disfarce esse sorriso de vitória. — Ele me olhou sério. — Sabe que me tem a qualquer hora que quiser.
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  — Estraga prazeres. — Me afastei um pouco dele. — Por que você e o sempre voltam nesse assunto?
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  — Por que você sempre foge? — Ele respirou fundo se afastando de mim, seguindo em direção a saída.
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  Olhei de relance para a mesa, e estavam conversando com um casal da terceira idade que parecia estar contando histórias sobre o restaurante. Voltei meu olhar para frente e fui atrás de Matt. Chegando na rua, ele já estava subindo na moto que tinha alugado.
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  — Matt, espera — disse correndo até ele. — Me desculpa, é minha primeira viagem com vocês, não quero estragar isso com assuntos sobre minha vida.
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  — Sobe, quero te levar a um lugar. — Ele ligou a moto.
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  Assenti subindo na garupa. Segurei firme em sua cintura. Após algumas voltas em alta velocidade que me faziam sentir livre, ele estacionou perto de um mirante que dava vista para a praia. Uma paisagem inspiradora. Permanecemos em silêncio todo aquele tempo, sentados na moto olhando as ondas do mar. Por mais que Matt não me entendesse por completo, ele sempre arrumava uma forma de me fazer sentir bem.
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  Ainda que ele se sinta mal por isso.
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  Estavam sendo as melhores férias da minha vida, pensei que realmente tudo ocorreria bem. Mas a calmaria sempre vem antes da tempestade. Meu doloroso passado pedia por minha atenção, sempre nas horas mais emocionantes e relaxantes da minha nova vida aquilo acontecia e tinha de despertar do meu sonho de realeza.
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  Como eu diria para eles que teria de voltar a Manhattan?!
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  Da mesma forma de sempre. Sem explicações e com um sorriso disfarçado de que está tudo bem. Mesmo não sendo fácil para mim, era preciso.
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  Eu deixaria de uma vez por todas, o meu coração em Havana.
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  Que Mistery Queen é uma caixinha de enigmas, todos sabem. Mas desta vez foi de surpreender até quem não a conhecia. Será que um dia conseguiremos resolver este mistério de codinome ?! Uma coisa eu sei: assim como na canção, alguém deixou seu coração em Havana e não foi somente nossa Queen…
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

8. Last Year of School

“But I see your true colors,
Shining through,
I see your true colors”
– True Colors / Cyndi Lauper

  

  Foi divertido passar parte das férias de verão em Havana
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  Principalmente pelas muitas paisagens bonitas e pessoas divertidas que conheci; muitas histórias e risadas para aliviar o estresse que o último ano do colegial me traria. Apesar do contratempo de , que sempre deixava todos confusos, nos divertimos o pouco tempo que ela ficou conosco. Mas claro que não fomos os únicos a desfrutar das maravilhas das férias de verão. Segundo o blog da G’G, foi se divertir em Monte Carlo, acho que estava revoltado por não ter aceitado seu convite de passar as férias em Malibu com ele. Mas era um tanto óbvio que minha amiga não aceitaria o convite, ainda mais com seus antecedentes.
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  Enfim, guardarei boas lembranças deste momento em que estivemos juntos, foram as melhores férias de verão da minha vida. Risos, alegrias e festas, até a parte em que ficava sozinha com . Eu ainda não me sentia preparada para avançarmos como ele queria e talvez eu nunca esteja cem por cento. Ao longo desses dois anos de namoro tínhamos terminado e voltado várias vezes, sempre com os conselhos de em ambos os lados, para reatarmos.
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  — Bom dia, . — entrou no meu quarto esbanjando alegria. — Animada para nosso último ano?
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  — Um pouco. — Caminhei até meu closet para escolher qual bolsa usaria naquele dia.
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  — Estou sentindo um tom de desânimo em você. — Ela me seguiu e ficou parada na porta me olhando. — O que aconteceu, ? Não me diga que é outra D.R com o ?
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  — Não. — Eu peguei uma bolsa Prada azul anil para combinar com minha presilha de cabelo de safira azul. — Só o futuro acadêmico que me tira o sono, mesmo com Matt dizendo para não me preocupar, acho que não consigo deixar de pensar nisso.
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  Ela ficou em silêncio me observando, como se não estivesse prestando atenção no que havia dito.
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  — ? Você me ouviu? — Eu a olhei intrigada.
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  Ela assentiu rapidamente com a cabeça, mordendo o lábio inferior.
  — Fico feliz que tenha seguido meu conselho — disse ela, mudando totalmente de assunto.
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  — Qual deles? — perguntei, não entendendo, afinal, haviam sido tantos conselhos desde que nos conhecemos.
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  — De usar as presilhas como uma marca registrada da Dream Princess — explicou.
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  — Ah, sim, eu comecei a usar e agora parece que elas fazem parte de mim. — Eu me olhei de leve no espelho e sorri para meu reflexo.
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  — Hum, voltando a sua indecisão, sua mãe falou mais alguma coisa sobre Milão?
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  — Não, mas quando voltarmos a falar sobre isso terei que dar uma resposta e não acho que será o que ela quer ouvir — respondi a ela, segura de minha decisão.
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  — Somente escolha um caminho que no futuro te trará alegria, e não porque seus pais querem. — Mais um de seus conselhos infalíveis.
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  — O problema é sempre a minha mãe, meu pai me apoia em tudo — expliquei.
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  — Eu, assim como várias outras pessoas, também te apoio. — Ela sorriu de leve. — Temos o Matt, o , o Charlie, a Camille e acho que até podemos incluir o nessa lista.
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  Nós rimos um pouco, então suavizei meu rosto para finalmente não me preocupar mais com esse assunto.
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  — Mas e você, já se decidiu se quer ir mesmo para Yale ou vai optar pela Parsons? — perguntei a ela.
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  — Não. — Ela desviou o olhar para o celular em sua mão, parecia esperar por alguma mensagem. — Estou quase na mesma que você. Yale é o meu sonho desde criança, mas sua mãe me influenciou a olhar para Parsons por ser considerada a segunda melhor escola de moda do mundo.
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  — Como sempre, minha mãe adora decidir por nós — comentei.
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  — Não só ela, mas a Louise se formou na Parsons e fez a pós-graduação em Paris — acrescentou . — O fato é que não sei se estou preparada para deixar Manhattan.
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  — Estamos realmente no mesmo barco da indecisão. — Concluí.
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  Eu a olhei com empatia e de repente nos abraçamos. Havia mais do que somente uma amizade em nós, havia cumplicidade também; era a irmã que sempre quis ter. E naquele momento, me senti mais forte para enfrentar os argumentos da minha mãe.
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  Devo admitir que aquele ano seria um pouco mais monótono para mim, já que e haviam se formado antes das férias de verão. O meu namorado, a essa altura do dia, já estava iniciando seu curso de administração, também em Harvard; já seu primo, nosso libertino favorito, resolveu não olhar para o futuro acadêmico e inacreditavelmente conseguiu fazer seu pai aceitar, com os planos de ficar um ano vivendo sem preocupações.
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  Um ano sabático. Quem me dera.
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  Contudo, eu iria me ocupar muito com o novo projeto de : encontrar uma sucessora para ela e outra para mim no Constance. E quanto a isso, eu já tinha um nome em mente; Camille era dois anos mais nova e eu já estava preparando-a para me substituir inconscientemente. Já minha amiga tinha dúvidas quanto sua sucessora.
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  — Não posso mais demorar, tenho que me decidir ainda essa semana, preciso encontrar uma aprendiz que seja perfeita para ficar no meu lugar — disse ao sentar na escadaria com seu pote de iogurte na mão.
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  Seu olhar para os carros passando tinha traços de frustração. Era um fato que nenhuma garota parecia ser boa o bastante para ela. Algo que me preocupava.
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  — Calma, estamos no início das aulas, o outono mal começou. — Eu olhei para frente e Camille estava vindo em nossa direção.
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  — Me desculpem o atraso — disse ela, já se sentando no degrau abaixo do meu —, eu estava conferindo a lista das novas alunas transferidas.
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  — Alguma promissora? — perguntou , não demonstrando tanto interesse.
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  — Eu vi um sobrenome muito conhecido aqui no Constance — anunciou. — Acho que pode te interessar.
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  — Qual? — Eu a olhei curiosa para minha amiga.
  — Humphrey, o nome dela é Rosalie. — Respondeu Camille.
  — Humphrey, interessante. Seja quem for, ela já é da nobreza só por ter esse sobrenome, se eu gostar dela, acho que terei a aprendiz que tanto procuro. — Anunciou minha amiga, deixando soar um tom de interesse.
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  — Me parece que sua busca finalmente acabou, . — Eu ri de leve abrindo meu livro na página onde estava o marcador.
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  — , pensei que tivesse terminado de ler este livro — comentou Camille.
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  — E terminei, estou lendo novamente, preciso de algo que me inspire na minha decisão final para a universidade. — Expliquei.
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  — E vocês já escolheram? — Camille nos olhou curiosa. — Em breve teremos a semana da Ivy League.
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  — Nem ouse comentar sobre essa semana, ainda não estou preparada para isso — comentei soltando um suspiro fraco, mantendo o olhar nas páginas do livro.
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  — Me desculpe — disse ela, quase em sussurro.
  — Não seja tão dramática, , digamos que nós ainda estamos analisando as propostas. — riu de leve, mas certamente também aflita por dentro. — Mas acho que você deveria escolher antecipadamente, Camille, só uma dica.
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  — Estou inclinada a seguir os passos da minha mãe e ir para a Brown — respondeu ela de forma segura. — A ideia de fazer jornalismo ou design e seguir carreiras em editoriais de decoração vem me conquistando.
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  Ela sim parecia determinada ao que queria.
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  — Que legal — soltei outro suspiro fraco —, até você já tem uma direção.
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  — Acho que você deveria ficar calma quanto a isso, . — Camille sorriu com graciosidade. — Acho que quanto mais preocupada ficar, menos vai conseguir se decidir.
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  — Concordo plenamente — disse , ao dar um gole em sua garrafinha de água saborizada. — Bem, eu vou indo na frente.
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  — Não vai assistir as próximas aulas? — perguntei confusa.
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  — Não. Preciso resolver algumas coisas, volto antes do jantar. — Ela se afastou tranquilamente, claro que não falaria com exatidão para onde iria.
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  Algumas semanas se passaram…

  Ironicamente, mesmo com conselhos de todos, comecei a ter leves problemas para dormir devido à minha indecisão quanto ao meu curso. Eu não queria deixar minha mãe decepcionada, mas também não queria me decepcionar com a minha escolha. Foi em meus ataques de insônia que comecei a perceber as constantes saídas de minha amiga em dias alternados. Ela sempre dava um espaço de uma ou duas horas depois de todos irem dormir, saía em silêncio de seu quarto e corria até o portão da frente, sempre com um táxi a sua espera. Ela passava toda a noite fora e voltava pouco antes do amanhecer. Tinha receios de perguntar, afinal ela tinha sua liberdade de ir e vir, era emancipada e poderia parecer que a estava vigiando.
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  Sexta à noite, recebi uma mensagem de dizendo que estava na cidade e queria me ver. Eu escolhi um vestido mais casual, deixando o destaque para minha presilha de esmeralda, peguei minha bolsa de mão da Chanel e calcei a sapatilha da Prada que ganhei da madrinha, edição limitada da nova coleção.
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  — Boa noite — disse ao me aproximar da mesa onde ele estava sentado.
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  Um encontro com meu namorado no recém-inaugurado Moonlight Manhattan Restaurant, eu já tinha curiosidades sobre o lugar. Foram muitos os comentários que recebeu pela bela arquitetura e o conceito trabalho no design como um todo. Agora sim eu entendia as palavras “Menos é Mais” de Mies Van Der Rohe. Isso sem comentar dos muitos elogios ao chef do restaurante pelo sabor incomparável a comida.
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  — . — Ele se levantou e arrastou a cadeira para que eu me sentasse. — Que bom que você veio.
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  — Tive que pensar duas vezes, já que a última vez que nos vimos não foi tão confortável assim. — Eu me sentei desviando meu olhar para a entrada do restaurante.
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  — Sei que te devo muitas desculpas. — Ele se sentou.
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  — Me diga uma novidade — eu sussurrei de leve, evitando olhá-lo.
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  — Não quero voltar para Harvard com esse desentendimento entre nós. — Ele pegou em minha mão, o que me forçou a encará-lo.
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  Seu olhar estava sereno e visivelmente arrependido.
  — E o que você quer, ? — Me mantive séria. — Nunca vai entender que não estou preparada.
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  — Por que não deixamos esse assunto? Prometo que não vou mais te pressionar. — Ele me olhou nos olhos, parecia sincero.
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  Nós desviamos nosso olhar para o garçom que se aproximou e nos serviu o vinho que já tinha sinalizado. Fizemos nosso pedido e iniciamos nosso jantar pacificamente.
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  — O que achou da escolha? — perguntou sobre o cardápio.
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  — Exatamente como imaginei, tenho ouvido muitos elogios a respeito desse lugar, estava mesmo querendo vir aqui — respondi, olhando com mais atenção para os pendentes sobre as mesas. — É um lugar muito bonito, tem toques de luxo, mas ao mesmo tempo uma simplicidade de um ambiente acolhedor.
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  — Hum… — ele manteve sua atenção em mim.
  — Nunca imaginei que alguém pudesse harmonizar a modernidade associada ao minimalismo com o estilo industrial em um lugar só e ainda transmitir uma sensação acolhedora — continuei minha percepção sobre a decoração do lugar, quando me silenciei e percebi ele apenas me observando. — O que foi?!
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  — Nada, é que está descrevendo o lugar com tanta propriedade no assunto que me deixou impressionado — comentou ele, sorrindo de leve.
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  — Não me olhe assim, se entendo o mínimo de interiores a culpa é da Camille que não resiste em descrever os detalhes de cada lugar que nós vamos juntas. — Expliquei a ele. — Não é como se arquitetura ou design fosse minha vocação, é um assunto interessante, mas não me desperta nenhuma paixão.
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  — E está tudo bem, quanto ao futuro? — perguntou ele. — Já se decidiu?
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  — Ainda não e tenho mantido serenidade quanto a isso, não quero me precipitar, ainda tenho todo esse ano pela frente. — Contei a ele. — Posso me decidir com calma.
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  — Fico feliz por você e torcendo que escolha algo que tenha em Harvard. — Brincou ele.
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  — Você me deseja em Harvard?! — Por aquilo eu não esperava.
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  — Você desejaria ir? — retrucou ele a pergunta.
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  — Como está sendo lá? — indaguei curiosa.
  — Parte estressante, como imaginei, e parte divertida, pelo Matt. — Ele riu. — Seu irmão me ajuda a lidar com as pressões acadêmicas.
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  — Matt sempre foi o anjo da guarda de todo mundo — comentei.
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  Ele me contou mais algumas coisas sobre a fraternidade a qual tinha se juntado em Harvard, curiosamente não era a mesma que Matt pertencia. O que achei triste. Após o jantar ele me convenceu a dar uma volta e caminhar um pouco pela 5ª avenida, depois de alguns minutos em silêncio, começamos a falar naturalmente sobre nossos anos de namoro. Tudo o que vivemos e aprendemos um do outro.
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  — . — Ele segurou em minha mão me fazendo parar e o olhar. — Eu fui um idiota e não quero mais ser… Seu jeito delicado e meigo fez com que eu me apaixonasse por você e…
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  Ele foi se inclinando cada vez mais, seguindo seus lábios até os meus.
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  — … — eu sussurrei de leve e fechei meus olhos, no mesmo instante senti os lábios dele nos meus.
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  Meu coração sempre acelerava quando nos beijávamos, era um fato, não importava a situação ou meu grau de raiva dele. era o garoto que eu sempre imaginei namorando e, no futuro, se casando comigo. Talvez fosse loucura da minha parte basear todo o meu futuro sentimental em um amor de infância. Eu não deveria ter dúvidas dos meus sentimentos por ele, entretanto, por muitas vezes eu me pegava pensando no beijo de Charlie e logo me sentia culpada por ter consentido de forma tão fácil.
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  Insegura ou não, reatamos nosso relacionamento naquela noite. Lá no fundo, eu precisava dar só mais uma chance para finalmente descobrir o que realmente sentia por atualmente. Se era mesmo amor ou apenas um relacionamento de comodismo devido a todo o esforço que fiz para conquistá-lo.
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  Quando cheguei em casa, estava na sala de televisão vendo um filme. Entrei silenciosamente e me joguei ao lado dela.
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  — Então, o que está assistindo? — perguntei num tom baixo.
  — O diabo veste Prada. — Ela manteve seu olhar fixo na TV, com um brilho incomum. — Melhor filme sobre moda não existe.
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  — Interessante, hum… — eu fiquei olhando para a televisão enquanto pensava no assunto. — Você me deu uma boa ideia, .
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  Me remexi no sofá e a olhei.
  — Eu dei? — Ela pausou o filme e meu olhou, confusa.
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  — Sim, acho que vou começar a ver filmes de diversas profissões, quem sabe assim eu encontre aquela que mais de atrai. — Expliquei a ela minha ideia.
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  Nada mal. Pensei comigo.
  — Faz sentido esse pensamento. — Ela demonstrou ficar pensativa. — E como foi a noite? O jantar?
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  — Voltamos — respondi breve e objetivamente. — Ele disse que não vai mais me pressionar sobre avançarmos na relação.
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  — Ainda tem medo da primeira vez? — perguntou ela.
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  — Eu fantasio tanto este momento que não me vejo preparada para ele — confessei à minha amiga. Suspirei.
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  — Pelo seu jeito, delicada e meiga. Princesas são assim, . — Ela sorriu. — E merecem ter a melhor noite da vida!
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   estava certa, eu definitivamente era uma princesa. Sempre havia sido tratada como uma, tanto pelos meus pais, como por Matt e Alfred. Minha realidade.
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  Seguimos a noite com alguns comentários aleatórios entre os dois filmes que escolhemos para ver antes de dormir. Na manhã seguinte, Camille nos apresentou a novata Humphrey. começou a chamá-la de Rose, assim teria mais estilo quando se tornasse rainha do Constance, como representante das alunas, em seu lugar. Passamos o intervalo na escadaria como de costume. Rose havia contado sobre como era chato a vida pacata no sul do Kansas; e de como estava animada por viver em Manhattan agora.
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  Ao final da aula, eu as convidei para passarem na minha casa, ficamos horas conversando na biblioteca enquanto desfrutamos do chá com biscoitos preparado por Alfred. Faltava alguns meses, mas até mesmo assuntos como o baile de formatura surgiu.
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  E chegamos ao início de mais um ano letivo, já estou sentindo falta das fotos e informações que recebi das últimas férias. O verão foi quente para uns e solitário para outros. Estou curiosa para saber como será o outono, muitos estão preocupados com seu futuro acadêmico, mas já adianto que não abandonarei vocês e sempre estarei aqui.
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– Xoxo, G’G


  

  Eu e combinamos de não ir à aula na quarta-feira para fazer compras. Rodamos todas as lojas importantes da Times Square, era o nosso dia do consumo e estávamos empolgadas a gastar o máximo possível. Nos atrapalhamos um pouco com as sacolas, mas o que importava era nos divertir naquele momento.
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  Quando chegamos próximo à estação central, pegou o celular e ligou para Alfred ir nos buscar. Eu fiquei olhando os carros que passavam na rua, despreocupada e serena, quando de repente ouço uma voz gritar o nome que me assombrava.
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  — Allison!
  Meu corpo congelou no mesmo instante.
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  Olhei para e vi que ainda estava distraída falando ao telefone. Comecei a pensar como poderia agir naturalmente naquela situação. desligou o celular e se aproximou de mim, ela me olhou até que desviou seu olhar para trás, e novamente a pessoa gritou.
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  — Que estranho, tem uma pessoa olhando para nossa direção e gritando, quem é Allison? — perguntou .
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  — Não sei. — Eu respirei fundo e olhei discretamente, reconhecia aquele rosto de algum lugar, mas não queria me lembrar. — Vamos embora, .
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  Eu a puxei com certa dificuldade por causa das sacolas que estavam em nossas mãos. Em poucos minutos Alfred mandou uma mensagem dizendo onde estava com o carro estacionado. Mesmo insistindo em me perguntar se eu conhecia a pessoa que gritava repetidamente aquele nome, eu me esquivava ainda mais. Suas perguntas pararam quando finalmente chegamos em casa e nos deparamos com uma visita inesperada.
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   estava na sala com um copo de whisky na mão olhando um quadro que tinha na parede, seu pai se encontrava a portas fechadas no escritório conversando com o senhor John. E parecia que homens de negócios estavam em uma conversa séria em benefícios mútuos para o futuro. Já a senhora Mary estava na cozinha escolhendo o menu do jantar, afinal, qualquer reunião ou celebração, por mais simples que fosse, já bastava para ela se empolgar com os preparativos.
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  , com sua boa educação, se aproximou dele para cumprimentá-lo. Aproveitei a deixa para passar direto e subir as escadas até meu quarto, depois do que tinha acontecido perto da estação, estava sem forças e paciência para as insinuações do Village libertino.
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  — Sabe, sempre me imaginei entrando no seu quarto — comentou ao aparecer de repente na porta. — Claro que de uma forma mais excitante.
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  — Você deveria mudar o foco da sua vida, , viver um pouco mais. — Brinquei sobre a obsessão dele em me conquistar.
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  — É divertido esse processo que conquista. — Ele tomou o último gole do whisky e colocou o copo em cima da mesa que havia ao lado da porta.
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  — Só é divertida quando sabemos que temos alguma chance — retruquei.
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  — E eu não tenho? — Ele veio em minha direção.
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  — Quer que eu seja honesta ou prefere manter a amizade? — Sorri debochadamente. — Se é que temos uma.
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  Queria rir, mas me contive.
  — Ah, Mistery Queen, assim eu apaixono de vez. — Ele sorriu de canto, um olhar malicioso que me dava medo. — Ainda mais agora que acabei de descobrir coisas interessantes sobre você.
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  — Sobre mim? — Eu ri, disfarçando minha preocupação naquela afirmação dele. — As pessoas já sabem tudo o que deveriam sobre mim.
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  — Hum, como o nome do orfanato onde morava? — Ele me olhou, parecia que sua insinuação tinha fundamentos. — Ou aonde vai todas as madrugadas?
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  Meu corpo congelou no mesmo instante.
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  O passado que me rondava passou em minha mente como um filme. Não era meu fôlego final de vida, mas parecia que meu mundo iria desabar diante dos meus olhos. O olhar de mudou, sua face ficou mais séria e rígida por alguns minutos, até que ele foi se aproximando ainda mais de mim. Eu não conseguia me mover, meu corpo ainda paralisado e minha mente como se tivesse dado perda total.
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  Ele sabia de algo sobre mim, algo que eu não queria que ninguém soubesse.
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  — Eu sei quem é Allison Sollary — ele sussurrou em meu ouvido. — Te espero na mesa de jantar. — Finalizou ao piscar de leve para mim antes de sair do quarto, o que me deixou estática por alguns instantes.
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  — ? — disse ao entrar. — ? Está tudo bem?
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  — Sim — sussurrei de leve, demorou alguns minutos para voltar ao normal e perceber que estava me perguntando o que eu vestiria para aquele jantar.
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  — Tem certeza que está bem, amiga? — Ela me olhou, em sua face uma preocupação com minha ausência de reação.
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  — Sim. — Eu respirei fundo e o olhei disfarçando meu estado de choque com um sorriso. — Hum, eu ainda não decidi o que vou usar, mas você pode colocar aquele vestido branco floral do Dolce & Gabbana que compramos hoje.
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  — Gostei da sugestão, te vejo lá embaixo então. — Ela sorriu de leve e saiu do meu quarto.
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  Fechei a porta trancando-a e me joguei na cama.
  Meu desejo era que o teto caísse sobre mim e me livrasse de descer e olhar novamente para aquele libertino. Tomei uma ducha fria para relaxar meu corpo, esfriar minha cabeça. Entrei no closet já decidida no meu look, não queria nada muito formal então optei por um macacão preto da Versace. Nada como um preto básico para encarar as realidades da vida.
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  Desci as escadas tranquilamente, coloquei um sorriso falso no rosto e torci para que tudo desse certo para mim naquela noite. me perguntou novamente se eu estava bem, assenti de leve com a face e desviei meu olhar para . Como sempre ele estava atento aos meus movimentos. Eu não sabia até que ponto da história ele sabia, mas estava com medo de que usasse aquilo para me forçar a ficar com ele. tinha cara de cavalheiro, mas já havia ouvido histórias de chantagens feitas por ele a algumas funcionárias dos hotéis da sua família. Se era verdade ou não, não sabia e preferia continuar assim.
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  — Apesar do falso sorriso, você ainda está com o olhar de quem viu um fantasma — disse ele ao se aproximar de mim.
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  — Você não desiste, não é? — Eu o olhei, me segurava para continuar a ser educada com ele.
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  — Só estou te ajudando a mostrar que não está nervosa. — A suavidade em sua voz era de impressionar.
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  — Não estou nervosa. — Tentei demonstrar segurança.
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  — Repita isso para você mesma mais umas cinco vezes e talvez seu sorriso se torne mais convincente. — Ele piscou de leve e caminhou em direção ao seu pai.
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  Respirei fundo, seguindo seu conselho de forma espontânea, dizendo mentalmente para mim mesma que estava tudo bem.
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  — Posso saber o que está acontecendo entre vocês dois? — perguntou ao se aproximar de mim.
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  — Brincadeiras à parte, continua a tentar me seduzir. — Contei a ela, suavizando a situação. — É divertido.
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  Na verdade, seria cômico se não fosse trágico. Pensei comigo.
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  — Ele realmente não superou o fato de nunca ter olhado para ele. — riu de leve.
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  — Ele é interessante e bonito, confesso, além de ser rico e muito sedutor, mas tem que ser muito mais que isso para me impressionar. — Expliquei a ela.
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  — Estou me perguntando agora qual foi a qualidade do Matt que te chamou a atenção — comentou ela.
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  — Acredite ou não, a mais inusitada de todas. — Eu a olhei.
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  — Qual?
  — Ele é seu irmão. — Eu sorri de canto com um toque de malícia nos lábios, brincando com o fato. — Houve um momento em minha vida que eu realmente quis ser sua cunhada… Além de que, o Matt é um encanto de homem.
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  — Somos duas, eu também queria que fosse minha cunhada. — Ela sorriu de leve. — Fico chateada quando me lembro que Matt arrumou uma namorada em Harvard.
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  Certamente, aquela namorada era resultado das nossas férias em Havana.
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  Mas era melhor assim, melhor não me envolver com ele. Senão, poderia machuca-lo ainda mais e acabar me machucando também.
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  Após degustarmos do cardápio mediterrâneo escolhido pela senhora Mary, eu fui para o jardim. Precisava de ar puro para respirar e restaurar meu equilíbrio após tantos olhares do herdeiro Village para mim. Externamente transmitia uma surreal tranquilidade e serenidade, porém internamente meu corpo congelado e meu coração acelerado.
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  Controlar todo aquele sentimento de insegurança e medo estava sendo um pouco pesado demais para mim naquele momento.
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  — Tentando achar o equilíbrio novamente? — disse aquela voz sinuosa, cujo o dono era .
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  — Graças a você — retruquei, permanecendo séria.
  — Interessante. Olhando para você agora, depois do que descobri, deveria se orgulhar de tudo que conquistou e da mulher atraente que se tornou — continuou ele. — Te admiro pela força que tem, é inteligente, confiante e esperta.
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  — O que você realmente quer? Com tantos elogios. — Era óbvio minha desconfiança.
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  — Você sabe a resposta. — Ele sorriu de canto.
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  — E você sabe a minha. — Eu dei alguns passos em direção à porta e ao passar por ele, me segurou pelo braço e, rodando meu corpo, me beijou a força.
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  Eu o empurrei e bati em sua cara.
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  — Nunca mais me toque sem que eu permita — disse num tom firme e rude.
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  — Queen Sollary — ele riu —, não vou desistir.
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  Eu me virei e saí correndo.
  Não poderia entrar na mansão naquele estado psicológico abalado em que me encontrava, contornei o jardim e saí em direção à rua. Corri por um longo tempo em lágrimas, sem direção e sem esperança. Quando me dei conta, estava parada em frente ao lugar que originava todas as tristezas e frustrações da minha vida.
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  O lugar onde eu poderia chorar sem ser vista e ser consolada sem precisar pedir refúgio.
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  O lugar do meu passado.
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  Não é fácil guardar um segredo por muito tempo e parece que nosso sedutor descobriu algo bem interessante sobre o passado de Mistery Queen. Estou curiosa para descobrir também. A começar por esse nome que está roubando a atenção de todos. Quem será essa pessoa chamada Allison Sollary? Que comecem as teorias!
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

9. The Secret

“Todo mundo tem um segredo guardado.
Mas eles conseguem mantê-lo?”
– Secret / Maroon 5

  

  Eu não entendi o sumiço repentino de .
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  Mandei várias mensagens para seu celular, até descobrir que estava em cima da escrivaninha do seu quarto. Tentei disfarçar minha preocupação e até dei uma leve desculpa para todos da ausência dela. Felizmente, aceitaram sem problemas, exceto , que para mim era o causador daquilo tudo. O que me deixou ainda mais curiosa para saber os motivos que a levaram a sumir do nada. Não que eu já não estivesse acostumada, mas os desaparecimentos rotineiros de minha amiga sempre vinham acompanhados de um bilhete explicativo.
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  As horas se passaram e pouco antes de dormir, recebi uma mensagem de Charlie, algo inesperado, pois desde aquele beijo não falamos no assunto, sempre com uma fuga de minha parte. Não que eu o visse com frequência, já que agora, estudando em Oxford, o filho do governador raramente aparecia em Manhattan, apenas nas datas mais do que especiais e principalmente com alguma menção da minha presença. O que me fez descobrir que a senhora Clair era ainda mais manipuladora que minha mãe, me usando indiretamente para trazer o filho para casa nos feriados importantes.
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  Boa noite, Dream Princess!

  E por mais que ele estivesse a um oceano e alguns fusos horários de distância, suas mensagens no whatsapp eram pontuais, todas as noites. Era confuso para mim e ao mesmo tempo complicado, não tinha definido meus sentimentos por ele, mas havia dado abertura para uma amizade. Nossos assuntos eram tão diversificados que me distraía por horas seguidas.
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Boa noite, sir Donson.

  Brinquei. Seu cavalheirismo o fazia mesmo parecer um lorde britânico do século XIX, assim como senhor Darcy.

  Como foi o dia de vossa alteza?

Cansativo como sempre,
Tivemos visitas para o jantar

  Seu namorado?

Não, ele está em Harvard agora

  E? Se fosse eu, teria ficado na Columbia,
  só para não te perder de vista

  O sorriso no meu rosto veio de forma espontânea, até que percebi e fiquei um pouco mais séria, cheia de vergonha. Me sentei na poltrona ao lado da janela e digitei mais um pouco. Não estava com sono suficiente para dar boa noite ao meu amigo.
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E como foi sua prova?

  Qual delas? Kkkkkkk
  Foram tantas essa semana

Filosofia moderna

  Ah, não sei,
  acho que não fui tão bem quanto gostaria

Sinto muito

  Tudo bem, pelo menos acho que terei nota para passar

Está mesmo planejando seguir carreira na política

  Sim
  Não se entra em uma graduação de
  Ciências políticas em Oxford para ser apenas um assessor

Estou conversando com o futuro senador da américa?

  Desta vez eu ri.

  Apenas se você for a primeira dama.

  Agora meu coração acelerou um pouco e nem mesmo tive equilíbrio para responder. Deixei o celular em cima da mesa de cabeceira e me deitei. Talvez fosse loucura manter amizade com Charlie sabendo dos seus sentimentos por mim. Não queria magoá-lo, menos ainda me sentir confusa com relação ao meu namoro com . Mas no final, estava fazendo o mesmo que minha amiga fazia com meu irmão.
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  Uma noite de sono e, ao amanhecer, fui acordada com uma deliciosa bandeja de café da manhã preparada por Alfred, me espreguicei um pouco e o agradeci com um sorriso.
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  — Alfred, você viu a agora de manhã? — perguntei pegando um morango que estava no prato.
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  — Não, fui até o quarto dela e estava vazio e arrumado, como se não tivesse dormido lá — respondeu ele indo abrir as cortinas da janela.
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  — Então ela não voltou para casa — concluí.
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  — Ela havia saído? — Alfred me olhou sem entender.
  — Hum?! — Eu desviei meu olhar e permaneci em silêncio.
  Alfred logo saiu do quarto. Mesmo pensativa, terminei de tomar meu café e deixei a bandeja em cima da cama. Segui para o banheiro e tomei um banho revigorante, me vesti rapidamente com o uniforme do Constance, não estava com ânimo para demorar tanto na maquiagem. Mais um dia de estudos estava se iniciando e assim que cheguei ao colégio, Camille já estava na escadaria me esperando, com minha encomenda na mão.
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  — Bom dia, Princess, aqui está — disse ela me entregando a pequena sacola de papel azul com a logo de uma marca.
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  — Tem certeza que está tudo aqui? — disse pegando a sacola e abrindo para ver o que tinha dentro.
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  — Sim, eu achei melhor não gravar em um pen drive pois seriam muitos, e como não tem tanta opção na Netflix, preferi baixar eu mesma cada filme e então gravei tudo em um HD externo — explicou ela, com o olhar de dever cumprido. — Todos os filmes que falam de diversas profissões estão aí, espero que te ajude na sua escolha.
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  — Eu também, não estou animada para estes tradicionais testes de aptidão. — Fechei a sacola e segui em direção a porta de entrada. — Bom trabalho, espero que continue eficiente assim no próximo ano em que eu não estiver aqui.
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  — Não se preocupe, Princess, não vou te decepcionar. — Ela sorriu de forma gentil. — Hum, onde está nossa Queen?
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  — Acredite, eu não sei, não a vejo desde ontem à noite — respondi tranquilamente. — Mas ela já é emancipada há muito tempo e sabe o que faz da vida.
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  Por tantas vezes que desaparecia periodicamente, eu ainda mantinha um lado curioso em saber para onde ela ia, mas tinha outros assuntos para me preocupar do que as atitudes da minha amiga. Passaram os horários e logo no intervalo fui até a diretoria. Nossa querida diretora desejava conversar com uma das representantes e como eu era a única presente até o momento.
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  — Bom dia, senhora Queller — disse ao entrar em sua sala e me posicionar em frente à sua mesa.
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  — Bom dia, senhorita Vidal. — Ela continuou com sua atenção voltada para uma pasta que estava aberta com vários papéis, depois de alguns instantes ela levantou sua face e me olhou. — Como bem sabemos, este ano é o último seu e da senhorita Sollary, além do baile de formatura que todo ano festejamos, este ano vocês irão organizar e participar do Ivy Week. A senhorita sabe o quanto é importante para o futuro acadêmico uma boa apresentação?!
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  — Sim. — Engoli seco respirando fundo.
  — Muito bem, espero que já tenha se decidido, andei ouvindo alguns comentários sobre você não conseguir saber qual o curso, devo me preocupar com isso?
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  — Não senhora, são comentários inoportunos que espalham pelos corredores. — Disfarcei um sorriso de leve. — Estou bem decidida do que quero. — E de dedos cruzados para que ela não me perguntasse o que eu queria.
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  — Fico mais aliviada, você é uma das melhores alunas e ficaria decepcionada se não fosse aceita por uma indecisão. — Ela suspirou como se estivesse aliviada. — Estava a um passo de marcar uma reunião com seus pais.
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  — Não — eu disse tentando controlar a entonação em minha voz. — Bem, não se preocupe, a Ivy Week deste ano será a melhor de todas e tudo sairá com perfeição, os melhores irão para as melhores