Ray Dias
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Everything You Wanted

  Nota de autora inicial: Olá leitoras/es ♥
Bem-vindas a mais uma fanfic minha, dessa vez, restrita porque o hot feminino precisa ser explorado! O aviso é rápido aqui! Alguns capítulos têm uma música tema do álbum “Everything You Wanted” do cantor, e portanto irão se repetir por alguns capítulos. A cada primeira vez que a música for a trilha sonora da fase dos personagens, tem um link para você abrir no youtube e escutar enquanto lê se preferir. (Eu recomendo!). Agora, vamos que Jay Park está doidinho para encrencar com você, sua poderosa!

Capítulo 1.

Faixa 1:
All I Wanna Do

  Jay dirigia calmo, concentrado na demo de sua nova música. Ainda não havia escrito a letra, mas a construção da melodia estava pronta. Passava por um bloqueio criativo ao se tratar daquele beat. Por isso, mantinha-se ouvindo a demo constantemente, numa mania habitual de entranhar as notas em sua alma, até encontrar o insight perfeito. Tamborilava os dedos no volante e olhou atencioso para o semáforo. Contou até cinco e o sinal verde o indicava a prosseguir.
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  Como se houvesse caído do céu, bem à frente de seu automóvel, a mulher foi atingida pelo carro. Ele xingou alto e desceu imediatamente. Algumas pessoas já se aproximavam, naquela cidade sempre movimentada, ao local da cena. Não faltava mais nada: um escândalo com seu nome era tudo o que ele mais desejava. A mulher, por sorte, estava bem e levantava-se rápida e sem graça.
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  — Desculpa senhor! Me desculpe! — A mulher pedia desconcertada enquanto juntava as coisas que haviam caído de sua bolsa.
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  Jay negou com a cabeça, confuso pelo que acontecia. Abaixou-se apressado para sair da visão das pessoas que tiravam fotos ao notar quem ele era e auxiliar aquela mulher louca a sair logo dali. Ele olhou para seu rosto e sorriu de canto, ela era diferente. Não era de longe metade da metade das mulheres que estava acostumado a sair, mas havia algo natural e exótico na beleza dela. Ele percorreu os olhos pelo corpo agachado à sua frente, mas não pode ver muito mais do que a fenda da saia dela permitia.
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  Entregou a ela alguns pertences e antes que ela saísse correndo, após pendurar um pacote, típico de guardar paletós, em seu braço, ele segurou a mão dela chamando-a atenção:
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  — Oh! Eu estraguei seu veículo? — ela olhava para o carro, curiosa, buscando algum amassado e mordendo os lábios com cenho franzido.
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  — Não, não… — ele não ligava ainda que tivesse amassado o que seria aquele conserto para ele? — Eu quero saber se você está bem, moça.
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  — Ah, estou! Não foi nada, desculpe novamente.
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  — Espera! — ele a segurou de novo estranhando o fato dela não o reconhecer — Deixe-me dar uma carona a você?
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  — Olha, eu vou aceitar sim, porque eu estou muito atrasada!
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  Imediatamente ela respirou fundo, aliviada e direcionou-se à porta oposta a dele. Jay estava surpreso, sorriu divertido encarando-a enquanto ele entrava em seu automóvel. Imaginou que tipo de notícia estamparia a internet pouco tempo depois: “Jay Park atropela uma mulher, a civil levantou-se e entrou no carro do rapper sem relutância. Seria uma desculpa para um novo affair?”. Ele sorriu para ela que o sorriu de volta. Ela pegou o celular e fez um telefonema; falava rápido demais e não olhava para Jay. Quando ele a olhou, prestes a perguntar onde deveria deixá-la, a mulher apenas colocou a mão à frente da face dele indicando-lhe que virasse na avenida à esquerda. E assim ela foi o guiando pelo caminho: gesticulando e falando no celular.
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  Quando a mulher o pediu que estacionasse, Jay já estava irritado. Afinal, que garota folgada! E pior do que ela ser folgada, era ele gostar dela por aquilo. Ela guardou seu celular e o olhou sorrindo:
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  — Obrigada! Você foi muito gentil, e mais uma vez me desculpe te atrapalhar deste jeito.
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  Ele sorriu e sacudiu a cabeça afirmativamente. Ele pensava: “Que mulher mais contraditória! Ela certamente deve ser o tipo que se acha o centro do mundo”. Antes que ele pudesse abrir a boca para lhe falar, ela prosseguiu:
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  — Olha, aqui é o meu estabelecimento. — e apontou a fachada do lugar para Jay — Estrearemos um show nesta noite, por isso estou tão afoita. Tome. Espero que venha e se divirta muito.
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  Ela o entregou um voucher com direito a um acompanhante e sorriu para ele.
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  — Obrigado. Eu certamente virei. — ele colocou o convite sobre o painel do carro e encarou rapidamente a fachada como se analisasse o lugar.
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  — Bem, eu já vou. Obrigada, novamente! — ela abriu a porta do carro dele e antes de fechá-la acenou e sorriu.
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  Jay sabia que ela era louca. Certamente aquela mulher era louca. E o alerta de diversão dele apitava, pois as loucas eram as que ele mais gostava. Aquela noite, ele apareceu no lugar rapidamente. Pagou sua entrada, e deu o voucher a dois companheiros que trabalhavam com ele. Mas Park não demorou. Estava realmente curioso em saber que tipo de lugar era aquele. E assim que entrou, viu que nada mais era do que uma casa de diversões. Havia um pouco de tudo ali, ele observava pelas fotografias nas paredes do lugar: algumas subcelebridades frequentavam o lugar, pessoas aparentemente ricas, muitos jovens, havia fotografias de shows de todos os tipos também. Rock, jazz, rap, pop, go-go boys, strippers. Aquele lugar era um clube do mais misto que Jay Park já havia visto. Ele estava acostumado a lugares que ofereciam diversões parecidas, mas a única coisa que o motivara a ir ali fora a curiosidade. Primeiro pelo estabelecimento, e segundo, pela dona. Quando notou que ela não estaria por lá, ele despediu-se de seus companheiros e partiu. Seu semi agente, já que Jay era autônomo suficiente em sua carreira, havia sido categórico quanto ao “evite confusões até a próxima tour” e o feito, inclusive, assinar um contrato quanto àquilo. Foram exatos vinte minutos, que ele passara ali e logo foi embora.
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  Depois de um tempo, já faltavam três meses para a turnê. Em seu flat, Jay escutava novamente sua melodia. Não conseguia letra alguma, por mais que tentasse rimas e mais rimas. E aquilo o preocupava, nunca passara por um bloqueio tão longo. Geralmente, fazer as coisas que mais lhe davam prazer destravava sua imaginação. Contudo, ele já havia tentado tudo. Inclusive algo que não fazia há muito tempo: contratar mulheres para uma noite de sexo das mais absurdas. Há algum tempo que Jay não curtia mais aquele tipo de farra. A verdade é que a sua imagem vendida não era realmente a imagem verdadeira de Jay Park. Aquilo não o incomodava, até a atual crise de identidade e de criação.
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  Seu celular tocou, o tirando daquela frustrante concentração em tentar escrever algo. E a notícia que seu agente lhe dera, era de que fechara uma apresentação para ele, em uma promoção pré-tour para divulgar seu novo álbum. Aquilo foi a gota d’água. Jay sabia que precisava imediatamente de uma fonte de inspiração. Largou o celular, papel, caneta, o notebook com o beat da música, e foi imediatamente tomar banho. Ainda que não dormisse com nenhuma mulher por livre vontade, ainda que não pagasse nenhuma mulher para dormir com ele também, e ainda que não estivesse tão a fim de voltar à sua rotina caótica. E ainda, “o ainda” mais sério de todos, que tivesse um contrato o proibindo de exposições desnecessárias… Naquela noite, faria o possível e impossível para a música sair. Aquela música, não poderia passar daquela noite!
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  No silêncio de seu flat, ele entrou no chuveiro, e não demorou muito a sair de lá com outro astral. Foi ao closet escolher uma roupa que demonstrasse autoconfiança o suficiente, queria a sensação de passar entre as pessoas e todos notarem o Jay Park. A famosa sensação de poder, que lá no fundo ele sabia ser uma tremenda vaguidão dispensável. Porém, vestiria seu personagem aquela noite. Lançou o perfume favorito, e saiu assim que o porteiro anunciou que seu motorista — o qual, ele mandou mensagem para buscá-lo antes de ir para o banho — havia chegado.
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  — Jay, para onde? — ele não gostava que as pessoas que trabalhassem com ele o tratassem formalmente.
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  Pensou um pouco, pegou o iPhone e digitou na busca um esboço de nome que permeava sua lembrança.
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  — Este. — mostrou o endereço do lugar com a fachada para o motorista.
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  E antes que desse a partida, Jay já guardava o aparelho novamente. Havia visitado o lugar dois meses antes e não voltara mais. Por uma questão muito simples: novamente a curiosidade em como estaria aquela mulher louca, Jay decidiu voltar lá.
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  O escritório, todo envolto por vidro, deixava claro para ela o movimento satisfatório no andar inferior. Ela terminava de preparar a agenda dos próximos eventos. Estava no comando da Insanity Club há cinco anos, e só agora conseguia notar a “fama” do lugar se consolidando. Sem falar, que só agora os gastos com investimento estavam retornando. Estava satisfeita de fato. Viu a luz de sua campainha visual acender, e destravou a porta automática. Logo, seu promoter entrava de olhos arregalados no local.
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  — O que houve, Pietro? — ela falou em muita preocupação por olhar para o andar de baixo e notar que tudo estava aparentemente normal.
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  — Acabamos de receber um convidado que vai movimentar muita visibilidade! A era das subcelebridades acabou!
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  Olhou para ele de maneira curiosa, mas contida. Parou o que fazia, sorriu maldosa e recostou-se em sua poltrona branca e elegantíssima. Ali ela sentia o poder que não tinha em sua vida para as demais coisas triviais.
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  — Quem?
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  — Jay Park!
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  — Quem? – perguntou novamente irônica.
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  — Como assim não conhece Jay Park, um dos principais k-idols do rapper, no momento? O cara tem uma carreira até extensa com nomes fortes na música ocidental.
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  — Hm… Leve-me até ele. Quero cumprimentá-lo em nome da casa!
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  — É… Então… Na verdade… — Pietro aproximou-se mais da mesa dela a passos delicados e com sorriso de orelha a orelha.
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  — Fala logo, criatura, o que houve?
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  — Ele solicitou vê-la, segundo ele, gostaria de cumprimentá-la.
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  — Ele quer me cumprimentar? Ele sabe quem sou?
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  — Aparentemente sim, pois se referiu à “dona do estabelecimento”.
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  — Bem… Se ele quer vir até mim, então… Pode subir com ele.
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  — Ma-ra-vi-lho-sa!
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  Pietro estava mais animado do que a própria . Antes que ele saísse, ela o chamou.
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  — O que ele bebe?
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  — Vou averiguar.
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  — Providencie que tragam até aqui. Pode ser que consigamos uma futura conversa de negócios.
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  — Não acho que é de negócios que ele quer falar. — Pietro sorriu sugestivo.
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   arregalou os olhos e olhou para seu funcionário de modo reprovativo. Algum tempo depois, a mulher estava em pé, mas apoiada em sua mesa. Havia terminado de ajeitar o conjunto branco, sinuoso, elegante e sensual em seu corpo. A luz de aviso acendeu e apertou o controle da porta. Ao abrir, Pietro surgiu à frente de Jay.
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  — Com licença, . O senhor Jay Park deseja falar com você.
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  Jay agradeceu a Pietro, que saiu imediatamente. olhou-o com certa familiaridade e andou calmamente até ele. Estendeu-lhe a mão em cumprimento.
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  — Boa noite, eu sou a . Seja bem-vindo. É um prazer tê-lo em nosso clube.
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  — O prazer é todo meu. — Jay respondeu-lhe num tom sedutor.
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  Encarava a mulher de cima a baixo, da maneira discreta que ele sabia fazer. A transparência daquela roupa havia dado o primeiro lampejo de relaxamento em seu corpo e mente.
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  — Então descobri seu nome. Aquele dia você estava tão apressada que mal nos apresentamos.
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  A mulher semicerrou os olhos o encarando, e com um esforço contido recordou-se do dia em que foi “atropelada” por ele.
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  — O rapaz da BMW!
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  — É realmente uma surpresa, que ainda hoje não soubesse quem eu era.
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  — Me desculpe, é claro que eu já ouvi falar em você! Apenas não reconhecia a sua figura.
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  — Agora que conhece… — ele sorriu de modo intimidador — Espero que não me ignore, … Seria uma perda para mim.
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  — De maneira alguma! Mas por favor, sente-se!
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  Ela caminhou até o sofá que havia em seu escritório indicando-o para se sentar. E já ia oferecer-lhe bebida, quando surgiram à porta. Ela apertou novamente o controle em sua mão, e garçom entrou trazendo bebidas. Jay sorriu agradecendo o rapaz, e igualmente. Em seguida ela sentou-se ao lado dele e educadamente brindaram.
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  — E você retornou aqui naquela noite? — ela o perguntou.
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  — Sim. Mas fiquei apenas vinte minutos.
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  — Oh… — ela ficou surpresa — Algo que o desagradou?
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  — Não te encontrei.
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  Ela bebia seu drinque quando o ouviu, olhou para ele sorrindo sugestiva, mas sem graça. E ele sorriu de volta.
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  — Creio que não desejava me ver para cobrar algum reparo do seu carro…
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  — Não mesmo! — eles riram — Apenas… Estava curioso. Sinceramente, achei você uma louca e eu tenho um fraco pelas insanas.
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  — Então veio ao lugar certo. — ela respondeu com uma sonora gargalhada.
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  Jay descobria-se mais e mais interessado em conhecê-la, era tão magnético o clima entre os dois. Ou talvez fosse o tesão acumulado de muito tempo, sobre ele.
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  — Me fale sobre seu estabelecimento! — ele deixou o copo na mesinha de centro e recostou-se aconchegante.
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  A verdade, é que Jay sabia que aquela postura largada, evidenciava seu abdômen rígido, principalmente por utilizar a camisa do mais fino algodão que havia escolhido. Dali para frente, cada gesto referenciaria a uma caçada. Cada gesto, seria proposital.
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  — Meu avô foi um cafetão e este lugar pertenceu a minha família por anos. Mas o sócio dele comprou a parte majoritária após ele ter perdido o controle dos negócios. Cinco anos atrás consegui recomprar a “casa” e reformulei a imagem dela. Hoje ela não é mais um prostíbulo, é um clube de divertimento e apresentações.
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  — Uau… Mesmo com as strippers e go-go boys, não há prostituição aqui?
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  — Não, todas apresentações artísticas. Para quebrar esse conceito de strippers, que provavelmente você adquiriu após ver nossos murais fotográficos, são apresentações de pole dance.
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  — Hm… Nos lugares que frequentei, pole dance e strip-tease eram a mesma coisa.
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  — Pois aqui, para conseguir um strip, você terá que conquistar uma mulher como todo homem comum, e se ela quiser encaminhar-se a um motel.
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  Ele sorriu, em seguida, riu e ela o acompanhou.
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  — Você é direta. Gosto.
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  — Que bom, então nos entenderemos bem… Mas e o que lhe trouxe hoje aqui? Procurava um show de strip?
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  — Não. Procurava me distrair para liberar a tensão de não conseguir compor. E também… A curiosidade em vê-la.
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   assentiu sorrindo.
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  — Anda curioso a meu respeito…
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  — E a cada momento aqui dentro, ainda mais.
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  — Que tal um jogo?
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  — Topo.
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  — Eu nem falei como era.
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  — Certo… — ele sorriu.
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  — Um jogo de perguntas. Assim, perdemos todas as curiosidades.
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  — Todas?
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  — Todas aquelas que as perguntas responderem.
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  — Topo.
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  — Quer mais bebida? — ela perguntou sorrindo.
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  — Quer me deixar bêbado?
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  — Não começamos o jogo ainda…
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  — Eu sei.
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  Havia realmente algo magnético. Cada vez mais.
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  — O que quiser beber. — por fim ele respondeu.
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   se levantou e encaminhou-se ao “barzinho” de seu escritório. Jay observava cada passo, cada gesto, e cada detalhe do corpo dela. Por que raios ela vestia tanta transparência daquele jeito? Era como se soubesse que ele viria vê-la! Ela serviu uísque para ambos, e sentou-se novamente ao lado dele. Sempre muito elegante e provocativa, mas numa provação natural. Ela não ensaiava, não premeditava aquilo ao contrário de Jay. E ele sabia disso, pois reconhecia quando uma mulher se insinuava para ele.
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  — Pode começar…
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  — Você sempre se veste assim, tão sedutora, por aqui?
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  Ela riu.
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  — Eu costumo me vestir como a ocasião pede. Gosto de ser vista lá embaixo como a dona disso tudo. Especialmente hoje, que eu não pretendia descer, me vesti com um glamour do tipo inacessível, aquele que não vai ser apreciado o tempo todo.
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  — Bem… Não deu muito certo. Eu estou aqui estragando seus planos e apreciando seu look da noite.
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  — Não há como nos preparar para o improvável, não é?
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  — É casada?
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  — Solteira.
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  — Tem filhos?
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  — Um Golden Retriever.
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  — Solteira por quê?
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  — Porque nunca me apaixono.
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  Silêncio. O sorriso de Jay saiu e deu espaço para um brilho intrigante aos seus olhos.
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  — Minha vez. Por que não consegue compor?
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  — Eu não sei. Tenho passado por fases diferentes… Acho que algumas questões estão começando a me deixar preocupado.
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  — Quais questões?
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  — Futuro, família, o meu propósito de existência.
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  — Nossa, que profundidade… Relaxe um pouco Jay Park! O que costuma fazer para superar quando surge um bloqueio criativo?
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  — Sexo.
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  — Já tentou resolver dessa vez?
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  — Várias vezes, mas este tem sido complicado… — ele suspirou pesadamente.
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  — Agora eu quero saber, . O que você faz para desestressar?
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  — Sexo. Mas sempre funciona então, não sei como ajudar você.
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  Os dois riam divertidos.
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  — Quer mais um drinque? — ele perguntou.
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  — Quer me deixar bêbada agora?
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  — Você faz sexo quando está bêbada? Por que, se isso for um problema para você, prefiro que não beba então.
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  — Foi o que veio procurar aqui comigo?
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  — Não. — ele respondeu imediatamente sentindo que ela havia ficado ofendida de alguma forma.
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  — E o que você quer de mim?
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  — Beleza, eu quero transar com você!
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  Ele disse por fim, e ambos riram.
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  — Se eu aceitasse… O que implicaria isto?
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  — Você estaria me ajudando a relaxar, para compor.
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  — Hm…
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  — A que horas você fica livre?
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  — Ao amanhecer.
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  Jay se ajeitou no sofá, e aproximou-se mais de , e ainda mais de seus lábios, e de um modo sussurrado lhe disse:
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  — Você aceita?
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  — Agora?
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  — Você falou que eu teria que conquistar uma mulher e ir para um motel… Você pode ir para um motel ou tenho que agendar outro dia?
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  — Não foi você quem conquistou. Eu te conquistei. O clube é meu, e eu faço sexo quando e onde quiser, inclusive em meu escritório.
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   retirou o copo da mão dele, e calmamente o beijou. Jay passou as mãos pela cintura dela apertando levemente. Sorriu, com um comentário que veio à sua mente.
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  — Você é mesmo maluca…
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  Ela levantou-se e, colocando-se entre as pernas dele, abaixou lentamente o véu transparente de sua saia. Jay puxou-a para mais perto e beijou o abdômen dela, brincando com alguns chupões na região. Subiu as mãos massageando os seios dela por cima dos tecidos, e sorriu com o gesto tão delicado, numa atmosfera que percebiam ser tão selvagem.
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  Numa rapidez que ela não percebeu, Jay se levantou e colou os corpos um do outro. Beijava o pescoço dela com delicadeza e fazia carinhos em suas costas. Ele mordeu o lóbulo da orelha de , e ela soltou um gemido baixo, que os deixou ainda mais excitados. Que sensação era aquela de tamanha necessidade? não estava há tanto tempo sem transar com alguém… E aquilo era extremamente estranho: o poder dos toques de Jay Park, deixando seu corpo quente, eufórico e fraco. Ela prendeu-se aos braços dele, fortes. E observava as tatuagens do corpo dele, que a faziam querer decorar cada traço.
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  — Como você se sente, baby? — ele perguntou ao ver a entrega da mulher.
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  — Estou bem… Continue!
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  Jay sentiu-se vitorioso, pois nada havia feito ainda e já estava tão entregue. Em contrapartida, mal sabia ela que o corpo dele também sofria de tremores precoces. Desejava acabar com tudo rapidamente, mas era maravilhoso deleitar-se em cada sensação lenta de seus corpos. Ele puxou o cropped dela, e em seguida retirou o top branco que delineava seus seios como numa escultura perfeita. Avistou a tatuagem abaixo da curva do seio dela, quando se sentou no sofá indicando-a que se sentasse em seu colo. Não era a única tatuagem do corpo dela, havia outras mais aparentes, mas justamente aquela pequena e delicada abaixo do seio fez com que o corpo dele puxasse-a de modo desesperado.
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  — Amanhã você poderá dizer que Jay Park ficou louco ao te ver.
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  — Não sou assim tão pretensiosa.
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  — Não soaria dessa forma… — ele reprimia os gemidos à medida que os lábios dela brincavam com seu corpo, em cada parte onde passavam, deixavam um rastro de tortura boa — Na verdade, eu me sentiria honrado em permitir as pessoas saberem que eu perdi a linha por sua causa…
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   sorriu. Não era o tipo de “sacanagem” que estava acostumada a ouvir num momento daqueles. Na verdade, nem considerou uma sacanagem. Pelo contrário, e sorriu porque se sentiu mulher. Sentiu-se desejada, venerada. Sentiu que Jay não queria apenas se satisfazer, mas também a ela. E para Jay, aquela estava sendo a transa mais atípica de sua vida! Quando é que ele diria algo daquele tipo para uma mulher, algo tão à beira de uma declaração cavalheiresca no meio de uma transa? Nunca havia feito aquilo, mal saberia explicar o êxtase na sensação de exaltá-la daquela maneira, e sentir as mãos dela o acariciando de modo tão grato por aquilo.
Aquela mulher desconhecida, intensa, intrigante, mas também, gostosa, bonita, esperta e simpática estava sendo o que Jay poderia chamar de o mais próximo de vir a ser um “sexo com sentimento”. A cabeça dele girava, e à medida que os lábios dela tocaram seu membro, já excitado demais para ser evitado, Jay ficava ainda mais eufórico com uma única frase em sua mente: “Será possível que estou me apaixonando agora, pela primeira vez, no meio de uma transa casual com uma mulher que acabei de conhecer?” O desespero era forte e ele tinha medo de onde aquilo ia parar. Queria focar no carnal e esquecer o sentimentalismo, mas talvez a carência fosse a responsável por aquela instabilidade repentina. Sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos e acariciou a nuca dela, que o olhou diretamente em seus olhos.
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   sentou-se novamente em seu colo e eles se beijaram. Jay logo separou o beijo e a colocou deitada sobre o sofá. Nunca estar em cima de uma mulher foi tão prazeroso, quanto prazerosa e bela era também a imagem da luxúria nos olhos dela.
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  As mãos ágeis de Jay retiraram a última peça de roupa que faltava no corpo de , preparou-se com a proteção necessária que retirou de sua carteira, e a partir dali os dois derreteram-se um no outro. E depois de “acabar”, havia muito mais dúvidas do que antes naquele jogo de perguntas. Eles se levantaram sorridentes, satisfeitos e começaram a se vestir. Jay puxou o corpo dela para perto do seu e a beijou, da maneira mais calma e profunda que poderia fazer. Sussurrou no ouvido dela: “vamos de novo, agora, mas em outro lugar?”, e a mulher concordou sorrindo.
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  Ela desceu as escadas do escritório para o primeiro andar, onde o movimento só fizera aumentar. Trocou palavras com Pietro, que sorriu ao ver que Jay a aguardava para sair. Os dois saíram juntos. Seguiram para o carro dele. Em seguida o motorista os levou para a casa de Jay. E ali, no flat silencioso e escuro, Jay e exploraram seus corpos com mais vontade, mais desejo e muito mais prazer.
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  Ele não conseguiu pegar no sono. Lembrava as palavras luxuriosas e as provocações que sussurrou em seu ouvido, e observava ela dormir nua ao seu lado. Aquilo tudo parecia um verdadeiro delírio. O que, afinal de contas, havia acontecido naquela noite? Como se todas as coisas voltassem ao seu devido lugar, Jay levantou-se rápido e, sorridente, puxou o papel rabiscado sobre a mesa do quarto e começou a escrever a letra. Ele sabia que a inspiração voltaria aquela noite. Mas a verdade é que não foi o sexo por si. Ou um ritual que estava habituado, ou simplesmente o relaxar. Foi ela. Foi estar nela, com ela, e todo o conjunto da obra.
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  Queria sair correndo pelo sentimento de frequência cardíaca desregulada que, mesmo após uma hora de terem transado, ainda se mostrava presente no peito dele. Aquele descompasso o deixava apavorado. E quanto mais apavorado, mais escrevia. Quanto mais escrevia, mais revivia as sensações e palavras dela ecoavam em sua mente. Já sabia como seria aquela música desde o beat — que estava pronto — até os ajustes finais já sabia que teria uma parceira para cantá-la também.
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  De manhã, ao acordar, caminhava pelo quarto observando tudo de maneira calma e silenciosa. Avistou as anotações no papel e a lia, quando Jay abriu os olhos devagar. Observava calado, a mulher quieta e curiosa sobre aquela letra. E ela sorria.
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  — Obrigado. — ele disse.
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  — Consegui te ajudar, então… — sorriu satisfeita.
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  — Você sabe cantar?
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  — Não.
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  — Que pena… Somos bons juntos.
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  — Somos… — Ela sorriu confusa, ao dizê-lo: — Você vai achar idiota, mas preciso confessar que eu nunca tinha vivido um sexo como o dessa noite… Foi como ir às nuvens e não querer voltar.
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  Ele sorriu por entender a referência que ela fazia. Havia escrito aquilo.
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  — Você não pode se afastar do clube, não é?
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  — Não, mas… Por que pergunta isso? Quer me sequestrar?
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  — Quero.
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  Ela gargalhou, mas Jay ficou calado. Ele levantou-se indo na direção dela. E ela ficou nervosa. Não sabia o motivo.
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  — Que tal um jogo? — ele perguntou.
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  — Topo.
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  — Quer ser minha stripper fixa?
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  — Como?
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  — Seja a minha inspiração insana…
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  — Eu ainda não entendi.
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  — Vem para a turnê comigo? — Jay pediu e ela abriu a boca em choque. Tudo bem que algo mais do que corpóreo aconteceu ali, mas achou um tanto “emocionado” demais aquele pedido; o rapper leu sua opinião na expressão chocada dela — Estou falando sério! Não sou maluco, mas, depois do que rolou aqui… Eu sei que se vier comigo vai ser gostoso, divertido, e claro, sem qualquer bloqueio criativo que possa atrapalhar meu desempenho!
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  — Não posso. E nem que pudesse… Nós mal nos conhecemos e você quer me levar de chaveirinho sexual por aí? — riu.
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  — Como eu faço para conquistar essa mulher e levá-la comigo?
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  — Você não a conquista. Se deixa ser conquistado.
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  — E quando eu já fui? Como faz?
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  — Fácil assim…? — Ela riu de novo — Bem… Volte da turnê e a procure, nem que tenha que atropelá-la. Se a música fizer sucesso, ela é sua.
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  Jay Park sorriu e jogou-se em sua cama novamente, deitando de bruços e suspirando fundo. Ele sabia que aquela música seria sucesso. Não demorou muito para que voltasse a se deitar com ele, rindo da própria ansiedade. A ansiedade de que a turnê acabasse logo e a música fosse o maior hit do momento; para que ela pudesse então ficar com ele por tempo indeterminado.
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  Nota de Autora: Oi amoras! Sinceramente, estou com aquele friozinho na barriga, embora não seja a primeira vez que escrevo e posto em algum lugar. Mas estreia é estreia e esta é a primeira fanfic de Jay Park que posto no site! E já vou começar te contando um segredinho nem tão secreto assim: eu amo interagir com minhas leitoras! Estou sempre de olho nos comentários, respondo todos e se bobear você ainda aparece no meu instagram! Aliás, pode visitar o insta: @escritoraraydias e se você me seguir eu vou ficar muito, muito feliz! Está cheio de coisas legais por lá! Dá uma conferidinha! Agora, falando da história… Conta aí, o que vocês acharam deste primeiro capítulo?

Capítulo 2.

Faixa 2:
Drive

  Jay pegou as chaves do carro alugado nas mãos da moça da locadora de automóveis, com um sorriso obsceno para ela. A mulher o acompanhou até o automóvel e, caminhando de forma insinuante, desejou uma boa viagem ao abrir a porta para ele. Jay piscou na direção dela e deu partida, saindo da loja e pegando a saída para a estrada. Havia chegado ao pequeno aeroporto de Phuket em algumas horas e dali por diante só a estrada que o faria chegar ao seu destino: o Secret Cliff Resort (SCR). Normalmente, os turistas compram ainda no aeroporto uma passagem de van para suas hospedagens na ilha. Mas Jay, além de evitar as aglomerações por ser famoso, queria apenas paz e tranquilidade em suas férias.
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  A ilha situada ao oeste da península da Malásia, banhada pelo mar de Andaman é considerada a maior da Tailândia. O hotel para qual Jay decidira ir estava em um local mais pacato. Afinal, o que ele buscava era um pouco de sossego. Inclusive, para compor com seu amigo Gray que chegaria dentro de alguns dias. O Secret Cliff Resort mesclava o luxo e a simplicidade tropical. Obviamente, Jay se aproveitaria da simplicidade tropical que a natureza compunha, mas ao se tratar de apartamentos, escolheu a parte luxuosa do hotel.
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  Logo que chegou e fez seu check-in, os funcionários o receberam e levaram suas bagagens aos seus aposentos. Jay tomou um banho e dormiu. Estava cansado da viagem. Mais tarde, ele foi ao restaurante jantar e aproveitou as áreas noturnas do hotel. Há muito tempo não contemplava um céu tão estrelado como aquele. Ficou ali por tanto tempo, que mal se dera conta do relógio marcando meia-noite. No caminho de retorno para seu quarto passou pelo saguão, observou uma mulher chegando para fazer check-in. Não visualizou o seu rosto, mas seu corpo o chamara atenção. Era um corpo esguio e delicado, mas que trouxe a ele uma sensação estranha. Imaginou como seria tocar aquela cintura tão próxima de si. Sacudiu a cabeça, a fim de afastar aqueles pensamentos tão tarados. Entrou no elevador rindo de si, e voltou ao quarto. Assistiu algumas programações até que o sono lhe retornasse.
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  Na manhã seguinte, Jay se espreguiçou com um sorriso de felicidade por uma noite tão tranquila e que há algum tempo não tinha. Escovou os dentes e desceu para tomar café. Observou as poucas pessoas no restaurante e imaginou que perda de tempo era dormir muito naquele lugar paradisíaco. Começou o dia com uma massagem no spa do hotel, e assim que a massagista finalizou tudo, saiu em direção à piscina. Sentou-se ali na espreguiçadeira e pediu um drinque enquanto aquecia o corpo com o sol farto da manhã.
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  Não demorou muito para que a mulher de corpo esguio surgisse na área da piscina. Ela foi até o outro lado e deixou suas coisas ali. Retirou sua saída de praia revelando o corpo sob o maiô elegante. Jay teve certeza que aquela mulher tinha algo proibido. Algo que mexia com seu instinto e liberava uma adrenalina em seu corpo que só poderia significar uma coisa: perigo. Ela entrou na água de modo calmo como se ninguém a observasse. E Jay sorria ladino, como um assassino observando a vítima. Quando o garçom surgiu trazendo o drinque de Jay, a mulher enfim o notou. Num mergulho discreto que ambos não perceberam, ela se aproximou da borda da piscina e emergiu. Jay a olhou curioso bebendo seu drinque e o garçom ajeitou sua bandeja dando atenção ao chamado dela.
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  — O que o hóspede bebe? — ela perguntou ao garçom se referindo à Jay.
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  — Tropical Blue. Uma bebida à base de água tônica, frutas cítricas e anis.
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  — Me traga uma, por favor.
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  O garçom assentiu e saiu. Jay sorriu para a mulher que o olhava, curiosa, recostada à borda.
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  — Me desculpe pela indelicadeza. Quando eu o vi, parecia saboroso.
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  Ela sorriu de um modo muito atrevido para Jay Park. E novamente a injeção de adrenalina em seu corpo alertava um perigo desconhecido.
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  — É deliciosa, sim. — ele respondeu no mesmo tom provocante abrindo um largo sorriso depois.
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  — Qual o seu nome? — ela perguntou.
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  — Jay.
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  — Jay… — ela falou como se lembrasse de algo.
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  Sussurrou o nome dele, distraída em pensamentos, encarando-o e aquilo fez com que, ele abafasse um riso frouxo.
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  — Me reconhece? — ele perguntou.
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  — Não, nunca fomos apresentados.
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  — E o seu nome, qual é?
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  — Akemi. — ela falou lentamente, como se o motivasse a se recordar daquele nome.
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  — Também não conheço nenhuma. Mas é um prazer conhecê-la agora.
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  Eles sorriram, o drinque dela se aproximava e a mulher deu impulso para sair da água. Seus gestos eram precisos e sensuais. Ela se levantou, pegou o drinque da mão do garçom e pediu também uma toalha que logo foi entregue por outro profissional. Sem ao menos perguntar ao Jay se poderia ficar ao lado dele, ela sentou-se na espreguiçadeira lateral e ali conversaram durante toda a manhã. Havia uma atmosfera sedutora, mas muito confortável entre os dois. Como dois animais selvagens que se reconhecem de um mesmo bando.
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  Jay convidou-a para almoçar com ele naquela manhã e os dois saíram da piscina para seus respectivos quartos. Ela pegou suas coisas, que havia deixado do outro lado da piscina, e acompanhou Jay no caminho para o elevador. Quando chegou ao próprio andar, ele descobriu que Akemi estava no quarto ao lado do seu. Ele poderia jurar que aquele quarto estaria ocupado por outro hóspede dentro de alguns dias. Mas certamente estava enganado. Akemi vestiu um short jeans, um body confortável com uma jaqueta masculina. Jay vestiu uma camisa branca, calça branca e uma jaqueta jeans branca. Depois que os dois, em seus respectivos quartos, haviam se arrumado, eles encontraram-se no corredor e seguiram juntos até o elevador. Jay deu passagem para Akemi entrar primeiro, e ao notar o escrito “Alaska” nas costas da jaqueta que ela vestia, ele parou imediatamente.
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  — O que foi? — ela perguntou percebendo a confusão exprimida na face dele.
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  — Sua jaqueta. Meu amigo tem igual.
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  Akemi sorriu e puxou Jay pela mão para que ele entrasse no elevador. O rapaz ainda olhava para ela tentando recordar, de algum fato que explicasse aquela sensação de perigo que ele sentia ao estar perto dela.
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  — Não é a única no mundo, não é? — ela falou sorrindo divertida.
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  — Não tenho certeza, mas acho que é sim…
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  — Oras, imagine! — falou zombeteira — Isso prova que seu amigo tem bom gosto.
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  Akemi encarava Jay e sorria, numa tentativa de despreocupa-lo quanto a si. Ela sabia que o rapaz estava incomodado com a sua presença.
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  — É… Ele tem estilo. — Jay respondeu.
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  — E você, Jay? Tem bom gosto?
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  A voz de Akemi soou sedutora e baixa, e Jay sorriu discreto. Não conseguia conter o olhar desafiador e pequenino. Ela espalmou o tórax dele ainda à espera de uma resposta e, calmamente, com um sorriso atrevido o empurrou para a parede do elevador. Jay abaixou a cabeça rindo, quando notou o jogo da mulher.
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  — Demorou muito para responder, Jay. Eu terei que descobrir sozinha…
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  Dito aquilo, Akemi invadiu a boca dele. Era precisa em seus toques e muito delicada. Jay não resistiu: puxou-a pela cintura sentindo o corpo dela próximo. Era de fato a sensação que ele imaginou quando a viu no saguão. Uma cintura tão fina e tão sinuosa que lhe fazia desejar percorrer suas mãos por todo o corpo dela. Ouviram a campainha do elevador indicando o fim daquela “viagem”, separaram-se sorrindo e saíram dali em direção ao restaurante.
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  — Akemi, no que você trabalha?
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  — Eu sou modelo. E você?
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  — Não sabe o que eu faço? — ele ria surpreso — Isso me decepciona um pouco…
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  — Você é cantor? Tem pegada de rapper.
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  — Já saiu com rappers?
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  — Você é um?
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  Eles riram e Jay mordeu os lábios, naturalmente. Ela mexia com os instintos dele.
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  — Eu sou.
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  — Eu sabia. Já saí com dois contando com você.
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  — Hm… E quem era ele?
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  — Chega de falar de mim, vamos falar de você. O que te trouxe ao SCR?
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  — A excelente hospedagem rodeada de uma natureza impecável.
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  — Ok! Pergunta malfeita… O que te trouxe à Ilha de Phuket?
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  — Tranquilidade. Estou de férias e gosto de sair da zona de agitação.
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  — Entendo…
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  — E você?
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  — Um pouco disso.
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  — Um pouco disso? Qual o motivo principal, então?
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  Akemi olhava-o pensativa numa resposta, mas o garçom chegou com seus pedidos e logo ela desviou o assunto. Ao terminarem de comer, Jay pagou a refeição e ela não contestou em momento algum. Apenas levantou-se junto a ele e subiram para seus quartos. Quando estava na porta do quarto dela, Jay disse:
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  — Entre e se arrume para sair. Vamos dar uma volta.
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  Nem ao menos aguardou ela responder. Ela ficou brava com aquilo, afinal, quem ele pensava que era para falar daquele jeito, sem nem ao menos perguntar se ela queria sair? Ela não admitiria que ele desse as cartas. Quando terminou de escovar os dentes, Jay saiu do quarto e bateu na porta dela. E ela não atendeu. Bateu novamente e ela não atendeu. Aquilo estava o irritando. Ela daria um fora nele?
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  Jay tivera a impressão de que Akemi fosse uma mulher um tanto quanto ousada e talvez pouco confiável. Apesar desta impressão que tivera, lá estava ele a esperando, mas ao notar que não atendia, virou-se para sair dali. Quando estava quase ao elevador, ela abriu a porta lhe chamando:
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  — Você não disse que iríamos sair? Aonde vai sem mim?
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  — Você não atendeu.
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  Ela caminhava tranquilamente até ele, olhando-o com desafio e certa irritação.
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  — Eu estava me arrumando.
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  Jay a encarou de cima a baixo e não havia nada diferente. Pensou exatamente que não havia nada muito arrumado para demorar tanto, mas não diria algo do tipo para não soar grosseiro. Ainda. Ele apenas sorriu de lado e concordou silencioso.
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  — Ok. Eu fiz um pouco de charme. — ela confessou rindo.
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  — É eu sei. Mas não sou o tipo de cara que corre atrás.
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  Antes que ela abrisse a boca para reclamar, ele continuou o seu caminho até o elevador e ela acompanhou.
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  — Você é bem marrentinho.
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  — E você, atrevidinha.
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  — Gosto de me atrever. Gosto da adrenalina.
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  Park focou pensamento naquela fala e naquele sorriso convencido no rosto dela. Ela empinava o nariz e andava como rainha. Sentia que o mundo girava em torno dela, era delicada e fugaz. Alguns trejeitos que o fizera se lembrar de . A mulher não saía de seus pensamentos durante a turnê, e mesmo agora, quando decidiu tirar férias e adiar certas coisas, encontrou alguém que o fazia se lembrar do beijo da outra. Quando o elevador começou a subir, ele se colocou à frente de Akemi, olhou certeiro dentro daqueles olhos, surpresos e divertidos. Com cuidado tocou o corpo dela e abraçou sua cintura. Com uma das mãos em seu rosto puxou a sua nuca e encontrou sua boca. O beijo — embora Jay estivesse sedento para fazer outras coisas com ela bem ali — era um beijo calmo. Respeitoso, afinal, ela merecia aquilo. Mas Akemi não era uma mulher de meios termos, ao que pôde-se notar, e com tanta vontade quanto ele, a mulher retirou a mão que estava em sua cintura e levou à sua bunda. Jay paralisou, não esperava aquilo e ela riu da reação do rapper. O elevador parou antes do andar em que os dois iriam descer os fazendo se ajeitar rapidamente, era outra hóspede que entrava ali, fazendo ambos sorrirem cúmplices e calados.
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  Quando chegaram ao saguão, Jay pegou a mão de Akemi, mas a mulher imediatamente soltou. Ela não o encarou, apenas agiu naturalmente. Ele não entendeu o motivo, mas também não falou nada. Continuou o caminho para fora do hotel, em direção à saída para uma trilha.
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  — Nós vamos à praia?
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  — Eu ainda não conheci, e imagino que você também não.
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  — É, não tive tempo ainda…
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  — Então, conheceremos o paraíso de Phuket juntos.
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  — Own, Jay… Isto soa muito romântico para um rapper como você.
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  — Um rapper como eu? O que sabe sobre mim para me subestimar desse jeito?
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  — Não estou subestimando, apenas… Não acho que você seja o tipo de rapper que vive um personagem.
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  — Mas eu sou.
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  — Então você é mesmo romântico?
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  — Não me olhe desse jeito, eu ainda sei como ser um cara mau.
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  Akemi mordeu os lábios sorrindo e se colocou à frente de Jay o impedindo de andar:
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  — Então me mostra! — ordenou provocante e urgente.
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  — Hey, se controla garota. Eu não tenho por que ser um cara mau com você…
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  Jay continuou andando olhando-a por seu ombro.
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  — Ainda… — ele falou depois de um tempo.
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  Ela sorriu e voltou a caminhar lentamente. Sem pressa de alcançá-lo. Passaram por aquela trilha planejada, repleta de plantas, coqueiros e arbustos tropicais e enfim chegaram à praia. Não estava muito cheia, poucas pessoas voltavam de seu passeio. Alguns hóspedes sós e um casal. Jay aproximou-se da água do mar e retirou seu chinelo — que após o almoço havia trocado — sentindo a água fria tocar seus pés. Akemi parou ao seu lado um pouco depois e também molhou os pés no mar.
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  — Você tem namorada, Jay?
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  — Não. — respondeu óbvio: — Do contrário não estaria aqui com você, não é?
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  — É… Claro… — a mulher ficou silenciosa contemplando o mar.
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  Jay encarou-a discreto e estranhou a reação dela. Então chutou água em cima dela, o que a fez sair de seus pensamentos e gritar. Os dois jogavam água um no outro, riam e corriam. Quando Jay a alcançou, em sua brincadeira de corre-corre, jogou-a na areia caindo por cima dela.
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  — Hora de ser um cara mau. — ele disse sem nem dar tempo de resposta à Akemi.
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  Ela beijou-o e deixou que Jay passeasse com as mãos por todo seu corpo. E aproveitou-se dele também. A praia de Phuket era muito procurada para turismo sexual e sabendo daquilo, Akemi não se importou em retirar a roupa de Jay Park bem ali, sob o fim de tarde naquela praia.
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  — Ei, ei, não queremos confusões por atentado ao pudor, não é? — ele sussurrou no ouvido dela, descendo beijos pelo seu pescoço.
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  — Não tem ninguém aqui e não é como se não fosse permitido. — ela respondeu.
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  — Já que quer tanto… Vamos para o meu quarto.
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  Antes que Akemi reclamasse, Jay se levantou vestindo sua camisa aberta que a garota havia tirado. E ela revirou os olhos, contrariada. Ele riu da reação dela, e ajudou ela a se levantar. No caminho de volta, Akemi caminhou à frente reclamando:
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  — Você não sabe se divertir, Jay Park!
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  Ele riu e os dois retornaram ao hotel. Em seu andar, Jay puxou Akemi para dentro de seu quarto, e a mulher ria alto. Ela era divertida e ele gostava daquilo. Retirou suas roupas e jogou-se sobre Akemi, caindo ambos na cama. A garota sorria apalpando o corpo dele, com desejo selvagem. E não esperou Jay agir para ela mesma retirar suas roupas. Girou-se sobre a cama e por cima de Jay torturou-o com suas mordidas, movimentos e frases obscenas.
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Nota de Autora: O que vocês acharam da Akemi, hein? Ela pareceu estranha, não é? E como pode, o Jay não ir atrás da Monique, hein?

Capítulo 03

Faixa 2:
Drive

  07:45 am.

  Quando acordou de manhã, nu em sua própria cama, Jay abriu os olhos, surpreso por se perceber sozinho. Ela havia ido embora? Ele riu tampando o rosto, contrariado. Aquela mulher estava o deixando cada vez mais instigado. Olhou em volta e as almofadas e lençóis espalhados no chão, denunciavam a orgia da noite anterior. Aquilo foi uma verdadeira adrenalina. Akemi era mesmo, insaciável. Ele se levantou para tomar banho, e descer ao café da manhã. Quando a camareira bateu à porta do quarto, Jay saiu enrolado na toalha. Ele abriu a porta no momento em que a funcionária passaria seu cartão magnético.
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  — Oh desculpe senhor. Bom dia. Volto para limpar em outro momento.
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  — Não, não. Por favor, eu já estou de saída. Entre.
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  A mulher estava bastante sem graça, com aquela cena, apesar do costume. Jay pegou suas roupas e foi trocar-se ao banheiro. Antes de sair do quarto, disse a camareira:
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  — Me desculpe pela bagunça.
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  — Tudo bem senhor, é o meu trabalho.
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  Sorriu para ela, sem notar a quão corada ela ficou, e desceu. No restaurante, enquanto sentava-se à mesa com todo seu café servido, o celular de Jay tocou.
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  — E aí, Jay! Está por onde?
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  — Fala Gray, estou no café da manhã. Chegou quando?
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  — Esta manhã. Já vou descer, estou só terminando de me arrumar.
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  — Até mais, então.
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  Park não esperaria Gray. Ele estava com fome demais para ser educado com o amigo, que por sua vez, invade sua casa e assalta a geladeira, sem qualquer rodeio. Quando Gray surgiu, ele se levantou o cumprimentando e os dois puseram-se a comer. Conversaram sobre a viagem, a chegada e sobre o que Jay havia feito antes que ele chegasse. Mas ele decidiu não falar nada sobre Akemi, por enquanto. Do jeito que Gray era, provavelmente iria até o quarto da garota para constrangê-la.
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  — Vamos! A primeira coisa que eu quero fazer é mergulhar no mar! — Gray disse se levantando da mesa de café.
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  E os dois caminharam pela mesma trilha, que Jay fizera no dia anterior. De modo discreto, Park observava se Akemi estava pelos locais onde passavam, mas nenhum sinal dela. No caminho para a praia, Gray estava eufórico com seus planos:
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  — Jay, eu estou com um planejamento foda de álbum para a próxima produção.
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  — Ótimo! Eu prevejo que essa estadia vai nos trazer excelentes inspirações.
  Gray o encarou sorrindo, de modo sacana.
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  — O que você anda aprontando, hein?
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  — Nada. Mas olha para este lugar! Não tem como, não ficar inspirado.
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  — Sei… Para com essa conversinha mole, e vamos para a água.
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  Gray retirou sua camisa e correu em direção ao mar. Jay o seguiu, um pouco depois de observar o perímetro da praia. Onde Akemi estaria? Será que ainda estava em seu quarto? Jay e Gray retornaram para o hotel, um pouco antes do horário do almoço. Havia próximo ao caminho da trilha, uma passagem que servia de atalho para os dormitórios. Eles deram a volta por ali, e subiram as escadas.
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  — Jay! — Gray sentou na escada e puxou o telefone para mostrá-lo algo.
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  — O que foi?
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  Jay sentou ao lado do amigo, e olhou para o celular dele.
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  — É ela. A garota que eu te falei.
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  — Ela… É a sua nova namorada?
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  Jay não podia acreditar na foto que estava vendo.
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  — Akemi. Uma gata, não é? — Gray dizia orgulhoso — Ela já está aqui. Não se viram?
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  — Vi. Vi sim…
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  Jay não conseguia formular palavras, ou disfarçar sua surpresa. Ele sabia que havia algo errado naquela mulher. Deveria ter seguido aquela voz dentro de si que gritava “perigo”, toda vez que a mulher surgia. A maldita adrenalina estava lá, o alertando daquilo.
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  — Ei, ei, para de babar na minha garota, cara!
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  Gray brincou, e Jay ao ouvir aquilo fechou os olhos, irritado consigo. Se havia algo que ele tinha feito era babar na garota do amigo. Literalmente. Gray começava a desconfiar da reação dele, então Jay sorriu para o amigo dizendo:
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  — É… Eu a vi chegando, e ontem ela estava na piscina.
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  — Ela sabia que você estava aqui, eu contei. Falei para ela te procurar e se apresentar. Ela não falou contigo?
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  — Não… — Jay começava a se irritar com Akemi.
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  — Ela é tímida. Mas bem! Vamos subir, logo mais no almoço eu apresento vocês. Ela está dormindo.
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  — Deve estar cansada de ontem.
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  — Ah com certeza, Akemi não para um minuto. Ela é bem agitada.
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  Gray subiu as escadas dando as costas ao amigo e Jay, o seguiu calado. Quando viu Gray entrando no quarto onde Akemi estava hospedada, ali pertinho do seu, novamente se lembrou do momento que desconfiou da garota entrando ali. E em seguida da jaqueta. Jay entrou em seu quarto batendo a porta:
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  — Filha da mãe! Era a jaqueta dele! Aishhh!!!
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  Jay puxou os próprios cabelos e entrou no banho. Precisava pensar no que faria, agora que sabia que a mulher com quem havia transado na noite passada era a namorada de seu melhor amigo.
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  Ele não conseguia ficar no quarto. Precisava agir como se nada tivesse acontecido, precisava esquecer aquele deslize. Mas não seria capaz de suportar muito, afinal, Gray era como um irmão para ele. Park precisava pensar em como sairia daquela situação, sem perder o amigo e sem mentir. Desceu para área da piscina, e ficou ali tomando sol e bebendo. Gray mandou uma mensagem, avisando que o encontraria lá. E Jay torcia para que Akemi não viesse, mas infelizmente ela veio. Gray os apresentou. O sorriso descarado da mulher, falsa, agindo como se nunca o tivesse conhecido… Jay literalmente queria sair de perto dela. Ele foi frio e sério com Akemi. E Gray percebeu naquele momento, e não falou nada.
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  Quando ela entrou na água, os dois ficaram sentados nas espreguiçadeiras, lado a lado conversando e bebendo. Gray observava a namorada e sorria. Jay, por baixo de seus óculos encarava a cena ridícula, de Akemi. Sentia ódio dela, não por enganá-lo, mas por trair o melhor amigo dele. Gray não era o tipo de cara canalha que merecia aquilo. Akemi alternava seus olhares do namorado, para Jay Park, nos momentos em que Gray se distraía conversando e mal percebia os sorrisos atrevidos da mulher para Jay.
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  — Gray, eu tenho que resolver uns assuntos da empresa. A gente se vê no almoço.
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  — Qual é cara, você está de férias!
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  Jay riu batendo na mão do amigo:
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  — É eu sei, mas é um assunto que eu tenho que resolver ainda…
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  — Me avisa quando estiver indo ao restaurante.
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  Ele assentiu e saiu dali sem olhar para Akemi. A mulher saía da piscina e se encaminhava até o namorado. Ela olhava para Jay, curiosa, e sentando no colo de Gray perguntou onde o amigo dele estava indo. Jay não viu a cena, mas sentia repulsa de estar no mesmo ambiente que ela. Assim que chegou em seu quarto foi até a janela que dava para a área da piscina e viu o amigo e a namorada, aos beijos. Aquilo o irritou ainda mais, pois, embora sentisse nojo de Akemi, ele ainda desejava o corpo dela. Não sabia se odiava mais a si, ou a mulher. Decidiu que não almoçaria com o amigo, ou então, não suportaria aquela situação.
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  Pegou seu carro e decidiu dar uma volta pela região. Enquanto dirigia, Jay recordou-se do fim de tarde do dia anterior. Após terem saído da praia para o quarto, e terem transado pela primeira vez, Akemi disse que queria sair pela região e conhecer a noite de Phuket. Na mesma hora, Jay levou-a para passear. Ele dirigiu com ela ao seu lado, por toda a região. Ela bebeu em todos os lugares onde foram e no caminho de volta para o hotel, a mulher fez com que Jay a masturbasse enquanto dirigia. E só de lembrar daquilo, o sangue dele já fervia de ódio e excitação. Chegaram ao hotel naquela noite, e Akemi retornou com Jay para o quarto dele, onde transaram até sentirem-se cansados o suficiente para dormir, sem notar. Jay não queria que ela ficasse ali com ele, naquele estado, tão bêbada, e tentou cuidar dela. Mas tudo o que ele fazia para ajudar, a mulher instigava ao sexo. Foi uma noite sórdida, divertida e prazerosa. O ódio profundo por ter ficado com uma mulher que não devia, e por ter gostado o fizeram novamente se lembrar do caso rápido com . Se ele fugiu do reencontro com ela, mesmo quando estava com a mulher nos pensamentos e apenas por isso, que infeliz destino era aquele de ficar com uma mulher tão inesquecível de novo, e pior: namorada do melhor amigo.
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  Jay acelerou o carro e não retornou ao hotel, a tempo de almoçar. Pelo contrário, ele foi conhecer outros lugares, espairecer e quando voltava ao hotel mantinha o pensamento de resolver aquela confusão.
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  Akemi e Gray almoçaram juntos. E embora, Gray estivesse preocupado pelo desaparecimento repentino de Jay, Akemi convenceu o namorado de que o melhor amigo dele estava apenas resolvendo seus problemas com a empresa, como havia dito. Gray ainda estava com uma pulga atrás da orelha. Jay estava estranho desde a hora da piscina. Na verdade, Gray acreditava que o melhor amigo não havia gostado de sua namorada, uma vez que a tratou de forma tão atípica ao que Jay Park era.
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  Depois de algumas horas, Akemi e Gray estavam namorando na varanda do quarto, ele beijava o pescoço de Akemi abraçado a ela. A mulher amava o namorado, mas não sabia explicar o que sentiu ao ver Jay naquela piscina. Primeiro ela o achou um homem lindo e sexy, e depois, pouco a pouco o conhecendo sentiu-se curiosa. Ele era o tipo que atrai sem fazer esforço. E Akemi sabia que a traição era culpa dela. Foi ela quem se aproximou, já sabendo quem ele era. Foi ela que iniciou o jogo de sedução, às escuras para ele. E o fato de Jay Park estar com raiva dela, e evitando-a, só deixava mais claro que ele era um homem com alguma integridade. Porque ela já sabia desde a fala de Jay na praia que, se ele soubesse que Akemi era comprometida com o seu melhor amigo, ele não chegaria nem perto. E ainda, ousava dizer que, se ele soubesse que ela era comprometida — independentemente de quem fosse — ele também respeitaria.
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  Lembrou-se das pequenas coisas, que em um dia e uma noite Jay pôde mostrá-la: ele realmente não era um personagem rapper, que muito se diferenciava do seu “eu” real. Akemi se lembrou do “pseudo-romantismo” dele, do modo como ele tocou o corpo dela sempre aguardando o consentimento para explorá-la, a maneira como o sexo dele era voraz e a fazia sentir-se uma mulher diferente de qualquer outra. Akemi se arrependia, mas o mais triste era que não se arrependia da traição, e sim de ter pintado para Jay, o personagem de uma mulher que ela não era. Akemi foi vulgar o tempo todo, e sabia disso. Ela foi atrevida e perigosa, e isso seria algo normal, se ela não fosse comprometida. O fato de ter um namorado, e ele ser o melhor amigo de Jay tornava aquilo tudo imperdoável. Na verdade, o que ela não conseguia perdoar em si, era a falta de lealdade em ser sincera com Gray e contar tudo. Sentia que era dever dela. Arrependia-se de ter se entregado a um desejo tão carnal, e se arrependia de não se arrepender do que sentia. Queria mais, queria muito mais de Jay Park. Mas era a boca de Gray que a beijava agora, e ele também não merecia nada daquilo. Ela foi desperta destes pensamentos quando Gray girou-a de frente para si.
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  — O que foi, amor? Está tão distante.
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  — Só estou pensando aqui que… Não mereço você, Gray.
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  — Do que está falando? — ele segurou o rosto dela entre suas mãos delicadamente — É claro que merece. Eu, quem não mereço você…
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  — Gray… Estamos juntos há tão pouco tempo, não é? Mas por que não me apresentou logo ao Jay?
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  — O que o Jay, tem a ver com isso? — aquela pulga atrás da orelha de Gray começava a coçar.
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  — Nada, eu só acho que ele não gostou muito de mim…
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  Akemi desconversou e sorriu falsamente, abanando o ar.
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  — Também estou estranhando a reação dele. Mas acho que no fim não tem nada a ver com você. Por que não se apresentou a ele, como eu disse para fazer assim que chegasse aqui?
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  — Não me senti confortável para isso.
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  — Entendo… — Gray abraçou a mulher carinhosamente. — Será por isso que ele ficou chateado?
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  — Pode ser… — respondeu Akemi, com voz arrependida.
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  — Eu vou falar com ele, meu amor. Não se preocupe.
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  Gray beijou-a calmo. Ela o abraçou forte, imaginando que logo não teria mais aquele abraço. E aproveitou enquanto pôde.
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Nota de Autora: Vocês pensaram que poderia ser possível um desfecho deste entre Jay, Akemi e Gray? Pois se não, podem se preparar, as coisas só tendem a piorar! Mas espero que seja de um jeito que vocês vão gostem!

Capítulo 4.

Faixa 2:
Drive

  Ao anoitecer, Akemi estava deitada na cama observando Gray andar de um lado a outro telefonando para Jay. Ele ainda não havia aparecido e nem atendido ao celular.
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  — Vou atrás dele amor.
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  — Vai atrás onde, Gray! Pelo amor de Deus, espera! O Jay vai aparecer. — ela sentou na cama, estava nervosa em ver Gray preocupado daquele jeito.
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  — E se tiver acontecido alguma coisa?
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  — Para! Não! Não aconteceu nada. — Akemi o encarou, assustada.
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  — Desculpa, desculpa amor. Não queria te assustar. Você tem razão… Eu vou lá embaixo ver se têm notícias dele no saguão.
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  — Não demore.
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  Gray desceu, e Akemi ficou preocupada o aguardando. Ela caminhou até a sacada do quarto e foi quando viu Jay Park surgir atravessando a área da piscina. Certamente, ele estava vindo da direção do estacionamento. Se tranquilizou, pois, com certeza agora Gray o encontraria. Voltou a deitar-se na cama, e mexia em seu celular, quando a porta do quarto se abriu revelando Gray com uma expressão nada boa.
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  — Encontrou com ele?
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  — Não. Ninguém sabe nada. — Gray deixou o celular no criado mudo e pousou as mãos na cintura, ainda contrariado.
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  — Gray, ele chegou. O vi atravessando a piscina. Deve ter ido jantar.
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  — Graças a Deus, eu vou lá sa…
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  — Você não vai a lugar algum! — Akemi levantou-se irritada o interrompendo: — Ficou o dia todo atrás de Jay Park! Mal ficamos juntos! E tem mais: Jay deve estar cansado, com fome. Depois você fala com ele.
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  Ela deu as costas para Gray, sacudindo os cabelos nervosamente. O namorado sorriu pelo ciúme da garota. Mal sabia ele que o sentimento dela não era de ciúme, mas de medo. Ele se aproximou calmo da namorada, admirando a camisola semitransparente dela. Abraçou Akemi por trás, a surpreendendo com a mão dentro de sua calcinha.
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  — Huh… Gray… — ela sussurrou.
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  — Não está sentindo falta disso?
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  — Estou. Muita.
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  Akemi respondia aos toques de Gray, entregando-se mole nos braços dele. Ele beijou o pescoço dela, e suas mãos provocavam os sentidos sexuais de Akemi. Ela não conseguia esquecer o passeio com Jay Park no carro, onde ele estimulava-a como o seu namorado estava fazendo ali. Não era Gray causando aquela sensação de prazer no corpo de Akemi. Era Jay, dentro de sua imaginação. Ela sentia-se tão suja, por não conseguir se apartar de Jay Park. Sentia-se uma canalha por usar Gray daquela forma. Mas também amava o namorado. E infelizmente sabia, que seria impossível ter os dois. Começava a achar também, que mesmo se escolhesse um deles, não teria nenhum.
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23:55 pm.

  Gray observava Akemi dormir tranquila em sua cama. Ele tomou um banho e vestiu-se para encontrar Jay Park. Havia recebido resposta às inúmeras mensagens e ligações que havia feito para ele mais cedo:
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Boss: “Hey Gray, desculpe mano, eu fiquei sem sinal e não pude te responder. Está tudo bem? Parece preocupado. Eu vou pro casino, te encontro lá?”.
Seong Hwa: “Tranquilo. Já desço”.

  Jay leu a mensagem curta, e já imaginava que algo havia sido descoberto. Respirou fundo e bufou em seguida. Não deixaria que uma mulher destruísse não apenas a amizade entre eles, como também o vínculo de trabalho. Jay era “chefe” de Gray há algum bom tempo, e sabia que pelo contrato, Gray não poderia romper sem uma multa alta. Aquilo não seria vantajoso a ninguém. E era obrigação de Jay, mais do que por ser o chefe, mas por ser o errado da história, evitar qualquer problema maior. Ele estava apoiado no balcão do bar remexendo seu uísque, e a garçonete surgiu à sua frente:
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  — Deseja outra dose, senhor?
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  Quando Jay olhou para ela a reconheceu, e sorriu. A mulher ruborizou.
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  — Você, não é a camareira que arrumou meu quarto outro dia?
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  — Sim senhor, eu tenho dois empregos aqui. Posso lhe servir outra dose?
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  — Por favor.
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  Ele entregou o copo a ela, e observava atento àquela mulher singela.
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  — Aqui está. Deseja mais alguma coisa? — ela perguntou simpática.
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  — Qual o seu nome? — ao ouvir a pergunta, o sorriso dela diminuiu e ela ruborizou novamente.
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  — Liu.
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  — Liu… — ele sorriu repetindo — Sabe que servir em um bar não combina com você?
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  — Fazemos o que podemos, não é mesmo?
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  — O que você gostaria de fazer?
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  — Gosto do que faço.
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  — Então sempre foi seu sonho, ser camareira e garçonete de um casino? — Jay perguntou curioso, e simpático.
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  — Não… — a mulher olhou para os lados a fim de notar se não precisavam de seu serviço — Meu sonho é ser dançarina profissional.
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  — Legal! Você dança?
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  — Sim, eu faço parte de uma companhia pequena em Bangkok. Ensaiamos duas vezes por semana. É cansativo, mas não é nenhum esforço.
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  — Quando é o próximo ensaio?
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  — Depois de amanhã.
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  — Eu poderia assistir?
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  — Claro!
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  Liu sorriu e pegando seu bloco de pedidos, anotou o endereço e horário do ensaio. Entregou ao Jay e pediu licença, saindo em seguida para atender outros clientes.
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  — Descolou um telefone? — Gray perguntou sorrindo ao chegar e sentar-se ao lado do amigo.
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  — Não, um endereço, na verdade.
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  — Uooow! Ela é bonita! — Gray observava a atendente afastada deles.
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  — É sim. Mas não é o que está pensando.
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  Jay sorriu para Gray que se fez desacreditado. Ele chamou outro garçom e pediu sua bebida.
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  — E então Jay, o que rolou?
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  — Eu quem pergunto, você parecia preocupado pela mensagem. — Jay queria averiguar sobre exatamente, o que estavam falando.
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  — E não era para estar? Saiu antes do almoço e desapareceu. Não deu mais notícias…
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  — Ah… Eu falei que ia resolver um problema da produtora.
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  — Mesmo assim, estou te achando estranho desde que cheguei. Akemi está preocupada também.
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  — Onde ela está?
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  — Dormindo. Tivemos um início de noite cansativo, se é que me entende… — Gray riu enquanto bebia seu uísque.
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  — Só estou preocupado com uns problemas.
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  — Sabe que se precisar conversar, eu estou aqui para isso. Uwa, Jay! Somos amigos!
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  — É, eu estou ligado. Mas eu já vou resolver isso. Então, relaxa aí, brow.
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  — Relaxa você. São suas férias! Não esquenta a cabeça!
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  — Akemi está preocupada pelo quê?
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  — Ela acha que você não gostou dela.
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  — Deve ser por que ela sabe que não é garota para você.
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  Gray olhou surpreso para Jay. O amigo o olhou de volta, tão sério quanto.
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  — Por que está dizendo isso, Jay?
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  — Só acho que não combinam.
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  — Você mal a conhece.
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  — Talvez eu conheça o tipo. Já saí com muitas mulheres, e ela me passa a sensação das piores.
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  — Jay. Ela é minha namorada. Não sei o que te faz pensar assim, mas as suas experiências ruins com outras não têm nada a ver com Akemi. Do jeito que você fala parece até que está chamando a minha garota de vadia.
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  — Não quis ofender e nem te chatear, Gray. Desculpe. Mas não gostei mesmo de saber que ela é sua namorada.
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  — Por quê? Você a conhecia por acaso?
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  — Não. Não conhecia.
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  Jay não estava mentindo. De fato, não conhecia. Não sabia nada dela antes. E quando descobriu quem Akemi era, soube menos ainda, depois.
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  — Vamos jogar, e esquece esta cisma com a Akemi. Quero que vocês se deem bem. — Gray deixou o copo sobre o balcão e falou sincero segurando o ombro de Jay, saindo para os jogos do salão.
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  Jay entregou o copo para Liu, que havia recolhido o copo do amigo. Ela observou o semblante preocupado de Jay, e segurou a mão dele, de modo discreto, e dizendo:
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  — Talvez você devesse evitar protegê-lo. Para assim, garantir que tudo fique bem entre vocês.
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  Jay encarou Liu, curioso. O que ela saberia? Não importava na verdade. Ele apenas sorriu e beijou a mão da moça em agradecimento, em seguida piscou para ela e saiu.
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  Os dois ficaram no Casino até às três da manhã. Gray, mais bêbado do que Jay. Ele não conseguia beber a ponto de perder o juízo. Principalmente por medo de beber demais e falar demais. Mas o melhor amigo estava realmente curtindo aquelas férias, e não mediu limites. Jay o carregou de volta ao seu quarto, e quando abriu a porta, Gray acordou Akemi com suas risadas altas.
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  — O que houve? — ela perguntou se levantando rápida, sem dar-se conta que estava só de lingerie.
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  — Akemi! Cubra-se. Jay está aqui! — Gray falou lento e confuso.
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  — Não se preocupe Gray, eu quero distância da sua namorada. — Jay falou a encarando firme.
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  — O que você fez para ele, hein, Akemi!!!?? — Gray gritou para ela.
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  — Por que o deixou beber assim? — Akemi tentava descontar em Jay.
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  — Ele sabe o que faz. Não tem mais criança aqui. Todos nós sabemos o que fazemos. — ele rebateu.
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  Jay colocou Gray deitado na cama.
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  — Cuide dele. — ordenou para Akemi e saiu.
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  Quando o amigo saiu pela porta, Gray puxou Akemi para si e começou a beijar e acariciar a namorada, mas ela não queria. Falou para Gray parar e ele não gostou da reação dela. Levantou-se e apontando o dedo na cara dela, disse:
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  — Jay estava certo sobre você!
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  — Do que está falando? — ela perguntou confusa.
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  Ele saiu do quarto batendo a porta. Jay havia acabado de se deitar em sua cama, quando ouviu alguém bater em sua porta. Se fosse Akemi, ele iria falar as verdades entaladas. Mas ao abrir, Gray empurrou-o entrando e se jogando em sua cama.
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  — Gray! Está fazendo o que aqui, cara? — Jay o encarou com tédio.
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  — Akemi não quer foder comigo.
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  — Nem eu. Agora volta para o seu quarto.
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  — Vai você para lá!
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  Gray estava com o rosto abafado pelo travesseiro, mas Jay conseguiu entender exatamente o que ele disse. E se preocupou:
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  — Por que eu iria para lá? — ele perguntou, mas o amigo não respondeu. — Gray…? Gray?
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  Quando Jay se aproximou, ele já estava dormindo. Ele mexeu em seu próprio rosto, contrariado e saiu em direção ao quarto do amigo. Akemi o atendeu e Jay entrou.
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  — Vai para o meu quarto, seu namorado tomou posse da minha cama e eu vou dormir aqui.
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  — Por que é, que eu deveria ir dormir no seu quarto?
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  Jay encarou a mulher, que se mostrava tão irritada quanto ele.
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  — Porque eu já falei que vou dormir aqui. Não vou dividir a cama com o Gray, odeio dormir com ele. Gray é espaçoso.
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  Jay mantinha a voz entediada, a fim de esconder o estresse pela situação, mas infelizmente, ele estava sem camisa o que fez Akemi percorrer o olhar pelo corpo dele, esquecendo-se da raiva que sentia. Aquilo significava mais estresse à caminho, não bastando a bebedeira em que se encontrava, pressentiu a malícia do olhar dela.
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  — E por que eu deveria dormir lá, se você está aqui? — ela se aproximou lenta.
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  Jay segurou as mãos dela, que se aproximavam para tocá-lo:
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  — Porque o seu lugar é ao lado do seu namorado.
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  — Jay…
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  — Vai.
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  — Jay, espera…
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  — Você não percebe o quanto eu te enojo? Ele é meu melhor amigo e você sabia!
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  — Jay, eu sei, mas eu não sei explicar por que eu fiz…
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  — Sai da minha frente. Eu sou capaz de esquecer que você é mulher, e fazer uma besteira.
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  Akemi, assustada o olhou. Aquele não era o Jay Park que ela conheceu dias antes.
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  — Pega o cartão da minha porta, e deixa o do quarto aqui. — ele estendeu o cartão pra ela, a encarando firmemente.
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  — A gente tem que conversar…
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  — ANDA LOGO! SOME DAQUI!
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  Ele gritou a assustando, e a mulher pegou o cartão da mão dele se afastando aos poucos. Puxou o robe que estava em uma cadeira, vestindo-o. Saiu para o outro quarto, com lágrimas de ódio e culpa em seu rosto. Ela sabia que Jay era culpado em não contar nada para Gray, logo que soube quem ela era e apenas jogar a responsabilidade nas costas dela. Mas ela também sabia que ele foi enganado por ela, assim como Gray. E que a primeira pessoa a ser franca, pelo amor e respeito da relação deveria ser ela. Não culpava Jay pela raiva que ele sentia dela.
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  Jay não conseguia dormir. O sono só retornou às cinco e meia da manhã, onde finalmente conseguiu adormecer. Quando ouviu um barulho na porta do quarto, aos poucos despertou. Ouviu alguém abrir a porta e entrar. Olhou em direção ao barulho e viu Liu arrastando seu carrinho de limpeza.
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  — Ei! Bom dia, me desculpe. — ela estava confusa.
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  — Tudo bem… Bom dia. Quantas horas?
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  — São nove horas, senhor.
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  — Me chame de Jay. — ele sentou na cama bagunçando os cabelos.
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  — Eu posso voltar depois. Achei que o quarto estava vazio, o casal acabou de descer.
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  — Longa história Liu. Eu vou escovar os dentes, você, pode fazer seu trabalho, eu não vou atrapalhar.
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  — Claro.
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  A mulher iniciou a arrumação do cômodo e logo, Jay retornou confuso e ainda com cara de sono.
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  — Algum problema?
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  — Esse não é meu quarto.
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  — Não, senhor. É o quarto ao lado.
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  — Você tem como abrir para mim? Minha chave está com o Gray, suponho.
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  Liu começou a rir discreta e assentiu. Ela pediu ao Jay para acompanhá-la e abriu a porta do quarto dele. Quando se virou tomou um susto, Jay estava perto demais. Mas ele nem mesmo reparou. Apenas entrou, deixando-a sem graça à porta. A mulher retornou ao quarto de Gray, para continuar seu trabalho.
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  Jay observou seu quarto, e abriu a sacada. O perfume de Akemi estava ali, ou talvez fosse coisa da sua cabeça. Foi imediatamente, em direção ao banheiro e após ter tomado seu banho e se arrumado, Jay puxou a mala dentro do closet e a abriu. A camareira bateu à porta.
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  — Entre!
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  — Com licença, eu só vim entregar o cartão magnético do outro quarto. O senhor esqueceu.
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  — Ah, sim, obrigado. — Jay caminhou até ela pegando o cartão.
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  Liu sorriu e já ia empurrando o carrinho, quando Jay a perguntou:
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  — Pode arrumar meu quarto agora?
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  — Não se preocupe, assim que o senhor sair eu arrumo.
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  — É que… Eu… Tudo bem, obrigada.
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  — Se o senhor faz questão que seja imediatamente, eu posso arrumar.
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  Ela o olhou, curiosa, e Jay apenas sorriu entrando. Liu entrou em seguida puxando o carrinho e começando a organizar. Percebeu a mala sobre a cama, mas não falou nada. Jay arrumava suas coisas dentro da mala, e vez ou outra observava Liu arrumando tudo.
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  — Não desista do seu sonho Liu. — ele falou fechando a mala.
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  — Obrigada, senhor.
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  — Me chame de Jay.
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  — Certo… Jay. Espero que as coisas estejam bem entre você e seu amigo.
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  — Como sabia?
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  — Nós observamos muitas coisas, quando trabalhamos em hotéis. Os funcionários sabem que aquela mulher e você… — Liu não terminou a frase, apenas deixou subtendida.
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  — Parabéns pela discrição. Eu mesmo, quase falei a verdade para ele ontem.
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  — Se foi só um erro, esquece o que aconteceu. Seu amigo vai ficar bem, uma hora ele vai perceber que ela pode não ser o que ele pensa. Também não quero julgar ninguém, não é como se a culpa fosse só dela… Só estou falando que… A vida se encarrega de tudo. — ao sentir que falou mais do que deveria, a mulher abaixou a cabeça timidamente.
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  — Obrigada Liu.
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  Ela sorriu e Jay sorriu de volta. Ele pegou o celular em seu bolso discando para o amigo.
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  — Bom dia. — Akemi atendeu.
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  — Cadê o Gray?
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  — Está se servindo.
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  — Peça a ele, por favor, para me encontrar no quarto dele.
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  — Por quê?
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  — Não é da sua conta. Só faça o que eu pedi.
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  Jay desligou e Liu continuava seu trabalho sem demonstrar atenção ao que Jay fazia. Ele pegou sua mala e sua mochila, e antes de sair do quarto, se aproximou de Liu. Ela voltou sua atenção a ele, apertando a mão dele em cumprimento.
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  — Obrigada por tudo Liu. — ele agradeceu e beijou a mão dela.
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  — Não há o que agradecer… — ela sorriu ruborizada afastando o olhar ao dele.
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  — Não desiste, huh? — ele falou sorrindo se referindo ao sonho dela.
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  Ela assentiu e logo Jay saiu do quarto. Entrou no quarto do amigo, aguardando-o. Akemi se preocupou com o quê Jay teria a falar e assim que Gray sentou-se à mesa, ela deu uma desculpa, de que precisava ir buscar algo no quarto. Gray, mal percebera o furo dela, já que estavam com o cartão não de seu quarto, mas o de Jay, até observar Akemi saindo do restaurante, e seu celular denunciar uma mensagem de Jay:
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  Boss: “E aí Gray? Estou te esperando, no seu quarto. Não demore, cara”.
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  Na mesma hora, Gray estranhou aquilo. Ele comeu rapidamente, um pouco do que havia se servido e saiu em direção ao seu quarto. Jay estava sentado na poltrona do quarto, quando Akemi bateu na porta.
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  — Cadê ele? — Jay perguntou ao atender e ver que não era Gray.
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  — Já vem. O que você vai falar?
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  Jay deixou a porta do quarto aberta, e caminhou de volta à poltrona. Akemi o seguiu, ela estava nervosa. Tinha medo do que Jay Park iria fazer, e rodeou a poltrona onde ele estava sentado, passando levemente a mão pelo ombro dele. Jay encarou-a assim que ela se sentou ao seu lado. Ele não acreditava na quão dissimulada Akemi era.
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  — Está com medo? Sabe que é sua obrigação falar a verdade, não é?
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  — Eu não posso. Não quero magoá-lo.
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  — Você já fez isso, sua… — Jay parou de falar, antes que fosse injusto.
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  — Não me ofenda! Eu errei sim, mas você também.
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  — Ah faça-me o favor!
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  — Você poderia ter contado!
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  — Não é minha obrigação. Eu estou tentando manter a minha amizade com ele, e na verdade, estou pouco me fodendo para o que vai ser de você! Estou fazendo o que acho certo, para não magoar ele ainda mais. Minha vontade realmente é falar tudo para ele! Mas talvez, a sua chance de reparar o seu erro com ele, seja sendo sincera. E sendo mulher o suficiente para assumir o que fez, afinal quem agiu de má fé não fui eu!
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  Akemi encarou Jay com raiva, e segurava um choro embargado. Jay bufou sarcástico, ao vê-la tão culpada ao ponto de não ter argumentos. Ele levantou-se e perguntou, nervoso:
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  — Cadê o Gray? Você não o avisou que eu estava o esperando?
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  Na mesma hora, Gray surgiu à porta do quarto.
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  — O que está acontecendo?
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  — Amor… — Akemi se virou surpresa: — Eu vim entregar o cartão do quarto do Jay para ele.
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  Ela ergueu o cartão do bolso, e Jay revirou os olhos, irônico.
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  — Que malas são essas, Jay?
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  — Eu tenho que ir embora. Aqueles problemas que eu falei, eu preciso voltar para resolver. Infelizmente vou interromper minhas férias.
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  — Qual é, Jay! Com certeza deve ter um monte de pessoas na produtora para resolver isso!
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  — Gray, relaxa, eu tenho mesmo que ir.
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  — E as músicas que íamos preparar?
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  — Como você disse, são férias. Então, pelo menos você aproveite-as. — Jay falou rindo.
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  Gray olhou para as malas. Para Jay arrumado. Para Akemi.
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  — Como arrumou suas malas, se a chave do seu quarto estava com Akemi?
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  A mulher não encarou o namorado, ele estava às suas costas e ela discretamente olhou para Jay, que não a olhava.
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  — Liu. A garçonete de ontem à noite, é camareira aqui também e ela abriu para mim, quando veio limpar seu quarto.
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  — Ah sim… A gatinha que te deu o endereço… — Gray sorria, mas ainda estava desconfiado.
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  — E ele ligou pedindo o cartão, para fazer o check-out. Era para você entregar, mas imaginei que ele estava com pressa e eu mesma trouxe.
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  Akemi disse sorrindo ao namorado, e se levantou entregando o cartão para Jay. Os dois trocaram olhares, que infelizmente, Gray percebeu.
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  — Gray! Vou nessa, mano. — Jay abraçou o amigo que o retribuiu, e antes de sair do quarto ele disse para Akemi: — Vê se não faz o meu amigo de otário, e seja sempre sincera com ele, Akemi. Porque, eu não ligo a mínima para o que possa te acontecer, mas se mexer com o Gray, vai se ver comigo.
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  Disse e saiu puxando suas malas. Gray encarava o chão, com as mãos na cintura, o cenho franzido e os lábios presos entre os dentes. Akemi percebeu que Jay Park se livrara da responsabilidade, e acabara de complicar para ela.
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  — Seu amigo me odeia, é oficial. — zombou sem rir.
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  — Por que mentiu para mim, Akemi? — Gray perguntou sem encará-la.
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  — O quê? Do que está falando, Gray?
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  — Você disse que precisava pegar algo no quarto, mas na verdade você trazia o cartão para o Jay. Por que não falou a verdade?
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  — Eu só queria adiantar o tempo dele, certamente ele passaria no restaurante para falar com você.
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  — Eu não sou otário, Akemi! Eu sei que você fez alguma coisa!
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  — Eu fiz? Seu amigo me ofende, e eu que fiz algo?
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  — Conheço o Jay suficientemente para saber que alguma coisa está errada aqui. Então, me espera aqui, quietinha. E a gente se resolve depois.
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  — Gray! Gray! — Akemi gritava o chamando, assim que o viu sair pelo corredor em direção ao elevador.
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  Ela bagunçou os próprios cabelos, preocupada. Jay estava no saguão fechando suas contas, quando Gray surgiu correndo. Ele parou ao seu lado, assim que o amigo terminara de assinar os papéis do hotel.
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  — Gray?
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  — O que ela fez? O que vocês dois fizeram, para você fugir de mim desde que eu cheguei, Jay?
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  Jay fugia porque sabia que Gray o conhecia bem demais para ele conseguir esconder algo dele. E achou que se nada nunca tivesse acontecido na cabeça de Gray, tudo ficaria bem.
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  — Eu fiz merda. E estou caindo fora, por que…
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  — Jay, qual é? Você não mente, e a gente sabe disso.
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  — É obrigação dela, em te falar e minha obrigação tentar manter tudo bem entre nós.
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  — Mano, eu te conheço a muito mais tempo do que conheço a Akemi. Convivo com você há anos. E sei que para você não gostar dela desse jeito, tem algo errado. Desde que eu cheguei eu notei que… Ela tinha feito algo para você.
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  — Não foi para mim. Foi para você. E foi comigo. Ela não me contou quem era.
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  Gray o encarou surpreso, e abaixou a cabeça bufando.
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  — Aquela…! — Gray não tinha palavras, nem xingamentos.
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  Jay segurou o braço de Gray, o fazendo encará-lo.
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  — Não pira. Controle-se. Não faz nada errado, e não pega pesado. Eu não sei qual é a dela, mas ela deve ter uma explicação para tudo. Eu só não quero ouvir. Fui feito de babaca, e não vou aceitar o que ela fez contigo. Mas ela deve ter uma razão para não ter contado.
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  Gray assentiu e abraçou o amigo. Jay saiu em direção ao estacionamento. E Gray retornou ao quarto. Akemi estava de costas, observando da sacada, a paisagem da praia logo após a área da piscina.
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  — Então você chega aqui, não se apresenta ao meu melhor amigo porque se sente desconfortável para dizer quem é, mas transa com ele? — Gray perguntou encarando a mulher de costas.
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  Ele sentou-se na poltrona do quarto esperando, a resposta.
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  — Eu não sei o que me deu, mas eu me senti atraída por ele.
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  Akemi respondeu ainda de costas e logo virou-se. Os olhos marejados e os braços cruzados demonstrando uma postura rígida, embora por dentro a culpa estivesse a corroendo como ferrugem.
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  — Me senti atraída, e ainda me sinto. Estou remoendo a culpa todos os dias, mas eu sabia que não seria possível dar corda à uma aventura, principalmente com o seu melhor amigo. Por isso, achei que se não falasse nada, não magoaria você, não prejudicaria a amizade de vocês e não te perderia.
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  — Moral da história: você não me ama, tem tesão no meu melhor amigo e ainda acha que ninguém saiu magoado ou prejudicado.
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  — Gray… Me perdoa?
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  — Eu te perdoo, Akemi. Porque não é do meu feitio ficar guardando ódio, mesmo com o belo par de galhadas que você colocou em mim, não é? Mas sabe o quão baixa você foi quando decidiu, por puro egoísmo, não me contar nada?
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  — Não foi egoísmo. Você não saberia.
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  — Mas o Jay sabe! E a culpa que ele sente? E até quando isso duraria, com o idiota aqui tentando aproximar o melhor amigo da namorada, sem saber que ela já tinha ficado bem próxima dele? Aliás, imagino a quão próxima não ficou, para Jay sair daqui com um ódio tão grande de você.
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  Gray se levantou se aproximando dela, bruscamente. Ele segurou o rosto dela, e a mulher se assustou. Lembrou-se de Jay falando-o para ter calma e não fazer uma merda, e soltou o rosto dela suspirando fundo e deixando as lágrimas caírem.
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  — Eu não quero nem render assunto, porque eu sou capaz de te machucar Akemi. E isso é errado. E eu não sou um homem das cavernas, um criminoso. Então, só junte todas as suas coisas e vai embora.
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  Gray saiu do quarto e deixou Akemi ali, chorando culpada e arrependida. No fundo, ela saberia que perderia os dois.
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  Ao sair do hotel, e pegar o avião de volta à Bangkok, para finalmente pegar seu voo final, Jay decidiu passar no endereço onde Liu dissera que treinava. O lugar estava fechado. Era um galpão velho e antigo, pintado de azul, e mal pintado. Ele observou dois homens se aproximando, e trocou poucas palavras com eles. Em seguida se despediu e foi embora. Voltaria a Phuket um dia, quando esquecesse Akemi, e o estresse daqueles dias.
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  Após algumas semanas, Gray fez o seu check out, e antes de deixar o hotel pegou a carta em sua mochila. Ele sorriu ao se lembrar da missão dada.
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Dias antes…

  — E aí, Jay! Como passou as férias?
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  — Seattle é sempre um bom destino. E você? Quando vai embora de Phuket?
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  — Dentro de alguns dias, mas nunca esquecerei Phuket. O melhor lugar para se recuperar de um chifre. Você deveria ter ficado! Cada nativa, que eu iria te apresentar…
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  Jay gargalhou do outro lado da linha…
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  — Vejo que superou… Eu fico feliz que esteja bem, e que nós estejamos bem.
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  — É, eu também…. Superar não é bem a palavra.., Mas e aí, por que me ligou?
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  — Vai chegar uma correspondência a você, e quero que entregue junto com o endereço da empresa no dia que você for embora, se for possível, para uma pessoa.
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  — O que você está aprontando?
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  — É o seguinte…
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  Gray sorriu caminhando até o setor dos funcionários do hotel, como haviam lhe informado na recepção. Falou com o responsável local, e dentro de alguns minutos a moça surgiu correndo no corredor. Gray observou pelo vidro, de dentro da sala, a face preocupada dela encarando-o enquanto corria para entrar. A mulher pensava o que havia acontecido para um hóspede a chamar na sala da direção?
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  — Liu, o senhor deseja lhe entregar algo.
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  Ao ouvir o gerente de seu setor, a mulher olhou ainda preocupada e assustada, para Gray. Ele levantou-se e esticou o envelope para ela.
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  — O que é isso, senhor? — ela perguntou.
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  — Eu não sei, só me pediram para entregar. E também… — Gray pegou um pequeno papel, com o endereço da empresa anotado, e seu cartão pessoal: — Esteja nesse local, na data pedida. Aqui também estão meus contatos pessoais. Me procure quando chegar lá. E se tiver alguma dúvida pode me procurar também.
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  A mulher encarou os papéis e o cartão em sua mão. Gray despediu-se do gerente e de Liu, e saiu de volta ao estacionamento, onde o chofer o aguardava para sair.
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Nota de Autora: Este capítulo foi longo não é? Me desculpem por isso. Mas afinal, me conta aí nos comentários! Quem achou que a treta terminaria desse jeito? Devo alertá-las, que até o seu reencontro com o boy, ele ainda vai dar algumas voltinhas perdido por aí, mas logo mais estará contigo! Não sem turbulência, claro!

Capítulo 05

  Faixa 2: Drive

  Senhorita Liu Thompson,

  A Above Ordinary Music Group (AOMG) tem a satisfação de convidá-la para um teste de elenco, a ocorrer no dia 27 de abril de 2017 no horário de 09:30 am. (nove horas e trinta minutos) na sede da empresa, em Seul.
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  Recomendamos que chegue com uma hora de antecedência ao local para realização de sua inscrição de participante. A falta de inscrição caracteriza eliminação do (a) candidato (a).
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  É necessário o uso de traje específico para o teste de dança. O (a) candidato (a) que necessitar de acomodação prévia à data do teste, deverá entrar em contato o mais rápido possível.
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  Quaisquer outras dúvidas, também podem ser sanadas através de nossas redes sociais e/ou e-mail.
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  Aguardamos a senhorita no teste, e boa sorte!
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Local: Ch’ongdam-Dong, 2038, Seul, Coréia do Sul. AOMG Entertainment.
Data: 27/04/2017
Horário: 09:30 am
Contatos
Mídias Sociais: @aomgofficial
E-mail: info@aomgofficial.com
www.aomgofficial.com

Fundador: Jay Park
Co-fundador: Simon Dominic

Assinatura CEO: Jay Park

  Liu relia aquela carta sem acreditar. Já havia se passado um mês e meio da estadia de Jay Park no Secret Cliff Resort, e do dia em que Liu recebera aquela carta pela mão do amigo dele. Ela custava acreditar, porque aquilo era sorte demais! Soube pelos amigos da Cia. de dança, que Jay apareceu por lá e fez perguntas breves sobre ela. Ficou pensando se, por acaso, ele já arquitetava aquilo quando conversou com os amigos dela ou, se fora apenas o acaso que o fez lembrar-se da dançarina e lhe oferecer uma oportunidade. Sabia que ele não fazia aquilo para comprar o silêncio dela, sobre o que acontecera entre ele e aquela mulher, pois, ela soube que a mulher partira um pouco depois dele.
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   O fato era que, lá estava Liu no avião. A caminho da cidade onde aconteceria o teste, e encarando o cartão entregue por Gray no momento de sua despedida. Não necessitou de muita ajuda dele, até então. Mas ponderava em telefonar a ele avisando que havia chegado à cidade. Contudo faltava um tempo para o avião pousar e ela ainda não sabia se deveria realmente telefonar, afinal, não dizia nada na carta. Jay apenas a convidou para um teste e Gray ofereceu ajuda, se necessário.
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   A aeromoça trouxe um carrinho e lhe ofereceu uma bebida, e entre o aperto do rapaz que dormia ao seu lado massacrando-a na janela, ela recusou educadamente.
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   Liu adormeceu no avião, assim que seu corpo encontrou uma posição confortável, devido ao desconforto da classe econômica. Acordou com a turbulência do pouso e os avisos de segurança da aeromoça. Quando o rapaz ao seu lado saiu do avião, Liu agradeceu mentalmente. Esperou as pessoas saírem afoitas da aeronave, e quando o fluxo de passageiros diminuía ela levantou-se pegando sua bagagem de mão e descendo as escadinhas estreitas do avião.
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   Pés em solo e mãos ao alto num longo espreguiçar. Deu alguns pulinhos e fez um breve alongamento sorrindo. As pessoas a olhavam de modo estranho. Mas Liu não se importou. Apressou-se a pegar as bagagens e quando saiu da área de pouso adentrando, finalmente, ao aeroporto, ela seguiu o protocolo de recém-chegados de viagem: procurou o banheiro para sua higiene matinal, e uma lanchonete para comer.
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   Saindo dali pegou um táxi até o local que sua amiga lhe havia passado um endereço: um albergue baratinho no centro de Ch’ongdam-Dong. Enquanto o motorista seguia o caminho, ela puxou seu telefone e decidiu telefonar, ao amigo de Jay.
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  — Alô? — disse a voz sonolenta de Gray, ao outro lado.
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  — Bom dia. Eu falo com o senhor Seong-Hwa?
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  — Sim. Qual o assunto? — Gray estranhou a ligação formal àquela hora da manhã.
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  — Eu sou a camareira do Secret Cliff Resort, Liu Thompson. O senhor me entregou uma carta antes de ir embora e o seu cartão. Disse que eu podia ligar, e, bem… Desculpe-me o telefonar tão cedo. Eu só queria avisar que estou na cidade, e achei que seria prudente avisá-lo.
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  — Ah… Sim… Tudo bem. Não era necessário telefonar apenas para avisar que chegou, ao menos que esteja precisando de alguma ajuda. Está tudo bem?
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  — Oh não, senhor! Está tudo bem, eu realmente acabei de chegar. Desculpe-me por incomodar.
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  — Não precisa se desculpar. Você está onde?
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  — A caminho de um albergue.
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  — Albergue? Vai se hospedar em um albergue de Ch’ongdam-Dong? Conhece a cidade?
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  — Não senhor, mas não se preocupe. Eu me viro.
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  — Por que não pediu hospedagem pela empresa? Você foi informada que tinha este direito?
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  — Havia algo na carta, mas eu realmente tive ajuda de alguns amigos. Tem algum grave problema em me hospedar em um albergue?
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  — Bom… Isto é relativo. Enfim, você quer se hospedar em minha casa? Com todo respeito, é claro. Não me entenda mal.
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  — Obrigada pela atenção, senhor, mas está tudo bem. Eu só queria mesmo, avisá-lo.
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  — Certo. Até mais, então. Se precisar de algo, pode me telefonar.
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  Liu agradeceu e desligou a chamada. Observava atenta aos lugares por onde passava e assim que o taxista estacionou em frente ao local pedido, ela analisou com atenção. Gray havia a preocupado. A fachada do lugar era agradável e os arredores também. Ela poderia utilizar o desconto de funcionária e se hospedar em uma das redes do Resort mais próximas ou parceiras, contudo, Liu economizava para outros objetivos. Por isso, trabalhava com tanto esmero. Se tinha a oportunidade de gastar pouco, ela o faria. O taxista entregou as malas, pegou seu dinheiro e despediu-se simpático. Liu observou mais uma vez a fachada e os arredores antes de entrar. Na recepção, um rapaz novo — julgava ser adolescente — anotava algumas informações em um papel e assim que percebeu Liu, deu-lhe atenção.
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  — Bom dia senhora. Posso ajudar?
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  — Bom dia. Eu tenho uma reserva aqui em nome de Liu Thompson.
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  — Um momento.
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  O rapaz folheou o livro de reservas do albergue na data atual e no dia anterior.
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  — Me desculpe, quando foi feita a reserva?
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  — Há um mês. — Liu não gostou do tom duvidoso do rapaz.
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  — A senhora confirmou as reservas? — ele perguntava enquanto folheava calmamente o livro.
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  — Não. Na verdade, uma amiga ficou de confirmar para mim.
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  — É, me desculpe, mas há aqui uma nota de cancelamento da sua reserva datada de semana passada.
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  — Espere um instante, por favor? — Liu pediu e o rapaz consentiu educado.
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  Ela se afastou para falar com Naichi, sua amiga, mas a ligação não completava. Havia avisado a amiga para não se esquecer de ligar confirmando, mas não a culpava. A culpa na verdade, era sua.
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  — Bem, eu realmente não consigo falar com a pessoa que precisava… Mas eu posso dar entrada em outra reserva?
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  — O problema é justamente este senhora: não temos vagas. Se houvesse um quarto, o cancelamento não seria um problema. Mas o distrito está cheio e somos o único albergue que oferece um bom serviço e barato, na região… Se a senhora quiser, posso indicar outros lugares, mas não são apropriados para uma moça sozinha…
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  Liu colocou as mãos ao rosto, contrariada. O rapaz, mesmo sem resposta, anotou endereço e contato dos estabelecimentos que julgava ser menos perigoso para ela. Entregou o papel, num sincero pedido de desculpa. Liu após ler o que estava escrito, saiu em direção à porta e fez a única coisa que poderia: telefonou ao Gray.
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  — Olá. Está tudo bem?
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  — Senhor Gray, novamente desculpe incomodá-lo! Por favor, me desculpe! Houve um problema no albergue onde me hospedaria, e minha reserva foi cancelada. O senhor poderia me indicar algum lugar na cidade? O rapaz da recepção disse que não é seguro ir a outro albergue.
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  Gray ouvia a tudo atentamente, e sorria da voz envergonhada e meiga da moça. Ele deu um risinho baixo e discreto e pegou as chaves de seu carro.
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  — Em que endereço você está?
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  — Na rua Emerald DLX 129.
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  — Estou indo para aí.
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  — Senhor Gray, não, por favor! Não é necessário se incomodar. Eu só preciso de uma boa indicação e…
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  — Relaxe Liu. — Gray interrompeu-a com uma risada simpática — Me aguarde, eu não demoro.
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  Desligou a chamada e Liu sorriu. Apesar de se sentir desconfortável em importuná-lo, sentia-se melhor em saber que ele estava disposto a ajudá-la. Ela retornou para a recepção e perguntou se poderia aguardá-lo ali. O rapaz permitiu, e muito gentil lhe serviu um chá.
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  Gray, realmente não demorou a chegar. Assim que colocou as malas de Liu em seu carro, e abriu a porta para ela entrar, ele agradeceu ao rapaz do albergue.
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  — Muito obrigada, senhor Gray.
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  Ele sorriu divertido e falou para ela:
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  — Vamos combinar duas coisas: por favor, não peça mais desculpas. Eu realmente me dispus a ajudar você, então, não sinta vergonha por isso. E por favor, me chame de Gray.
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  — Tudo bem… Gray. — ela falou tímida sorrindo.
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  — Você ficará em minha casa até o teste e depois podemos olhar um hotel pela empresa.
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  — Ah, não se incomode. Eu gostaria de economizar, mas como não foi possível eu posso me hospedar pelo desconto de funcionária do Resort.
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  — Entendo, mas mesmo assim… O hotel parceiro mais próximo fica há uns 60 quilômetros de onde você precisa estar.
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  Liu assentiu com um suspiro desanimado, e sorriu em seguida:
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  — Certo… Estou vendo que não tenho outra opção. Eu vou ter que incomodá-lo mais um pouco.
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  — Não é incômodo algum.
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  Depois do breve diálogo, Gray ligou o aparelho de som do carro e cantarolou pelo percurso. Embora não tivessem assunto, Liu observava-o sorridente. Ela achou divertido assisti-lo recitar o rap ao som da música.
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  — Gosta? — ele perguntou a ela apontando ao aparelho de som.
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  — Sim. Mas não sei cantar. Meu lance é com o corpo.
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  Gray sorriu sugestivo com a fala dela, de um modo discreto. Não queria soar rude com a mulher. Eles continuaram o percurso com conversas amenas, e quando Liu chegou em frente ao condomínio de Gray ela ficou espantada. Esperava algo luxuoso, uma mansão suntuosa ou um condomínio digno de filme, não pelo fato dele hospedá-la, mas porque ele era um cantor de k-rap famoso! E, no entanto, aquele condomínio estava facilmente dentro dos sonhos de Liu como meta a ser atingida. Ela, uma dançarina/camareira/bargirl.
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  Gray dirigiu até o estacionamento, se identificou na câmera ali e a trincheira foi aberta. Estacionou em sua vaga, os dois saíram do carro após pegarem a bagagem e se encaminharam para um elevador que havia ali, e saíram direto no andar dele.
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  — Pode entrar Liu, sinta-se à vontade. — ele falou dando passagem à mulher tímida.
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  Ela entrou observando cada detalhe, de maneira discreta. Gray levou a mala dela em direção às escadas, que estava um cômodo à frente de onde eles estavam em pé. Certo. Estava pasme por Gray morar em um condomínio de padrões “medianos” se fosse analisar o poder financeiro dele, e não imaginou que ele moraria na cobertura. E era uma bela cobertura.
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  No salão grande onde estava, havia um sofá roxo num estilo antigo, acompanhado de mesinhas laterais e elegante lustre no teto. Uma mesa de centro em mármore, poltronas frente ao sofá, e quadros de arte e na parede em frente ao sofá, um vidro aplicado nela, protegia todas as fotografias de Gray, amigos e alguns trabalhos.
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  Liu caminhou para o mesmo local em que Gray havia ido, era outra sala, menor e mais aconchegante. Nesta sala, um sofá em “L” preto, com uma estante preta à sua frente, onde os eletrônicos estavam. Lateral ao cantinho onde estava o sofá, e depois da porta onde ela acabara de sair, estava a escada que indicava os dormitórios. Gray descia as escadas sorrindo para ela.
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  — Já conheceu tudo por aqui?
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  — Não, não.
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  — Venha, vou te mostrar. — ele falou simpático entrando no corredor à frente da garota.
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  Eles caminharam pelo corredor, que não era longo, até uma cozinha mediana. Moderna, bem mobiliada com bom aproveitamento dos espaços e com uma tradicional mesa de jantar na copa, que era dividida num estilo “cozinha americana”.
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  Subiram o andar das escadas, onde ficavam dois quartos com suíte, o banheiro social, a lavanderia e noutro canto, uma escada que os levava à cobertura. Na cobertura, um pequeno espaço de lazer, com algumas mesas de jogos e poltronas numa área coberta, e na área descoberta espreguiçadeiras e uma mesa para relaxarem ao Sol.
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  — Uma casa modesta, mas tem o que preciso. — ele disse ao lado dela escorado à mureta da cobertura.
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  — Confesso que achei simples. O tipo de casa que seria um padrão de conquista para uma pessoa como eu.
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  — Ficou surpresa por eu não ter uma “mansão”? — ele falou com voz engraçada.
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  — Foi mal, mas não é o estilo rapper de ser, não é?
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  Os dois riram concordando.
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  — Tem razão. Mas minhas ostentações são os carros. Jay é mais ligado nisso de ter casas luxuosas e etc. Eu como não tenho garagem suficiente, deixo os meus investimentos nas casas dele.
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  — Então você tem um pouco do estilo rapper. — ela falou fingindo uma careta desapontada.
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  — Não gosta de rapper? — Gray perguntou divertido como se estivesse ofendido.
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  — Gosto sim. Meus melhores amigos são.
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  — E você não canta nada? Nem arrisca umas rimas?
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  — É como eu disse antes, meu lance é mais corporal… Quando me ver dançando, vai saber que estou falando a verdade.
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  Eles riram animados.
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  — Bem! Aguardarei ansioso este momento! Agora, vamos tomar café da manhã?
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  Liu assentiu o acompanhando e antes de encontrar Gray na cozinha, ela tomou um banho e conheceu o quarto onde ficaria aquela noite. Nem se preocupou em desfazer as malas.
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  Naquele dia, Gray tinha alguns afazeres na empresa e por isso levou Liu até lá com ele, para que ela já soubesse o endereço e conhecesse um pouco mais da cidade. Eles retornaram para casa, e se conheciam melhor. Ela notou que Gray era um cara legal, e comum como qualquer outro. E sentia-se à vontade perto dele, pois Gray a fazia sentir como se eles fossem amigos de crew.
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  À noite, Gray quis levá-la para conhecer a cidade com mais calma, sem correr o risco de assédio por fã, ou paparazzi, e principalmente, pelo pouco movimento na cidade. Caminhavam, tranquilos em uma ciclovia. Gray parou em um carrinho ambulante e comprou dois mochis. Entregou um à garota que estava escorada na grade da ciclovia observando o lago que passava ali por baixo.
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  — Obrigada. — ela pegou o espetinho.
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  — Então, o resort simplesmente te liberou para o teste? — Gray perguntou, retornando ao assunto que estavam tendo.
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  — O resort, não. Eu consegui que meu supervisor aceitasse a troca de turnos com uma amiga. E ela está no meu lugar até eu voltar. Mas ela vai receber por esses dias no meu lugar.
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  — Entendo. E como vai ser, se você passar no teste?
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  — Bem, aí… Eu terei uma escolha a fazer.
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  — Sabe que este trabalho do teste é temporário, não é?
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  — Sei. Mas alguém me disse para não desistir dos meus sonhos e talvez, seja esta a oportunidade que eu esperava. Se for, eu tenho uma grana guardada… Enfim, Gray… O dia de amanhã, só amanhã saberemos.
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  — Verdade. Mas se você está confiante, então tudo dará certo.
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  — Foi assim que você conseguiu realizar o sonho de ser rapper?
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  — Como assim?
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  — Confiante?
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  — Ah! Sim! Claro! Se você não acreditar em você, não vai adiantar nada.
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  — É o que eu penso! — ela fez uma expressão confiante, e fechou os punhos demonstrando força.
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  Gray sorriu com aquilo. Liu era uma garota divertida, e não sabia o que Jay havia tido com ela no hotel, mas começava a compreender o motivo dele dá-la uma chance de conquistar seu sonho.
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  — E o seu namorado vai ficar em Bangkok ou virá embora?
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  — Quando eu disse que tinha um namorado? — ela arqueou a sobrancelha divertida.
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  — Não disse.
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  Gray sorriu depois de encará-la em silêncio alguns minutos. Ela apenas concordou e não falou nada. Liu sabia que Gray estava “jogando verde”, e não responderia. E ao perceber que ela não ia responder, Gray ajeitou sua jaqueta, e apoiou-se de lado na grade onde estavam. Observou ela como se dissesse “e aí, não vai responder?”. E ela sorriu como se respondesse que não.
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  — Se não disse, não tem. — ele constatou.
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  — Vamos embora! — ela riu da resolução rápida dele, e batendo no ombro dele saiu dali retornando para o caminho de onde vieram.
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  — Espera Liu! — ele falou logo atrás dela, e a menina rindo continuou a caminhar: — Que tipo de cara você prefere? Os atletas? Loiros? Morenos? Artistas? Rappers?
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  Gray perguntava divertido fazendo-a gargalhar, e quando ela falou que não precisava respondê-lo, ele esbarrou no ombro dela e disse:
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  — Difícil você, hein?
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Nota de Autora: Já sabem o que esperar de Liu e Gray? Quem shippa? Conta tudo no comentário! ♥

Capítulo 6

  Faixa 3: Me Like Yuh

  O despertador de Liu tocara e ela levantou-se ansiosa e confiante. “Vai dar certo!”, ela mentalizava enquanto se arrumava para sair. Ao descer as escadas, encontrou Gray na cozinha preparando seu café da manhã.
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  — Bom dia.
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  — Bom dia, Liu! O que quer comer?
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  — Qualquer coisa!
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  — Então pode fazer seu café da manhã, você está em casa.
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  Ele olhou risonho para ela. A mulher ainda se mantinha um pouco tímida, mas depois de terem conversado tanto no dia anterior, já se sentiam um pouco amigos.
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  — Que horas é o teste?
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  — Às nove e meia, mas preciso estar lá às oito.
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  — Eu te levo!
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  — Não. Não, não mesmo. Muito obrigada, mas eu me viro.
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  — Já falei que não é incômodo algum.
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  — Você tem algo a fazer lá? — ela perguntou curiosa.
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  — Não.
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  — Então, obrigada, eu vou sozinha.
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  — Aish… Teimosa.
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  Após terminarem de comer, Liu desceu de seu quarto com a bolsa contendo a roupa para o teste, e sua mala de viagem. Gray lavava a louça, e se assustando com o barulho foi até a escada.
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  — Aonde vai com essa mala?
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  — Embora.
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  — Ok. Eu fiz alguma coisa?
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  — Não, não! Imagine! Apenas, não vou incomodar mais. Assim que o teste acabar eu vou procurar um hotel.
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  Gray revirou os olhos e se aproximou de Liu tirando a mala das mãos dela, e com uma de suas mãos ensaboada, ele deu um peteleco na testa dela sujando-a. Ela limpou e o olhou contrariada. Gray deixou a mala dela em um canto.
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  — Vá fazer seu teste, e volte para cá. Estarei em casa o dia todo. Depois procuraremos algum lugar, se você quiser.
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  — Mas eu pretendia olhar pela própria empresa. Se eu passar, claro…
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  — Vai passar. Mas mesmo assim venha para cá. Não tem por que ficar carregando essa mala pesada no meio do seu teste. Eu vou ligar para a empresa, e procurar saber as condições de hospedagem.
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  — Ok, Gray. Muito obrigada por tudo isso. — ela falou sorrindo.
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  — Tudo pela garota do meu amigo. — ele respondeu brincando.
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  — Como é?
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  Gray olhou-a sem graça. Pelo visto ele estava interpretando as coisas de forma errada. Quando abriu a boca para responder, Liu abanou as mãos de modo a “deixar para lá”. Olhando o relógio ela acenou saindo apressada do apartamento, Gray desejou boa sorte enquanto a via entrar no elevador.
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  Ela não havia notado a portaria, pois, nem ao menos passara por lá. Era uma recepção modesta, mas com um quê de elegância. Entrou no carro que havia chamado por um aplicativo, e que acabava de estacionar à medida que ela saía da portaria. Entrou rápida e seguiu.
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  A AOMG era uma empresa média, não era uma multinacional, mas já havia ganhado espaço e a tendência seria aumentar. Liu fez o dever de casa direitinho, e por isso, não aguardava um prédio alto, espelhado ou coisas do tipo. Uma fachada modesta, uma recepção elegante e ampla, com uma funcionária simpática era exatamente o que ela esperava. Foi bem recebida e encaminhada à sala de inscrição.
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  Conforme indicava a carta, ela estava lá no horário e com os documentos adequados para a inscrição. Depois de se inscrever para o teste foi dirigida à uma sala de espera. Ali, dois funcionários explicaram o que seria o teste, o tempo estimado de duração para a seleção e outras informações do tipo. Perguntaram quem conhecia a empresa, e recolheram os currículos de cada uma. Apresentaram um breve histórico da empresa e depois saíram.
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  Na sala onde os testes aconteceriam, os mesmos funcionários levaram os documentos recolhidos: currículos e fichas de inscrição para o diretor do teste, o coreógrafo e o CEO da empresa, que seriam os avaliadores das candidatas.
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  Após breve pré-seleção daqueles documentos, iniciaram as chamadas. Uma a uma, as candidatas eram indicadas à troca de roupa no camarim preparado quando foi solicitado o momento. A primeira menina entrou, e as outras já se vestiam em ordem de chamada, a fim de agilizar o processo. Os testes levavam mais ou menos vinte e cinco minutos cada.
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  Liu observava o pessoal que entrava, mas não via quem saía. Parecia serem encaminhadas para outro espaço. Ela só conseguiu entrar para o seu teste, às onze horas da manhã. Até que, não esperou tanto quanto achou que aconteceria.
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  Na sala de dança, o piso em linóleo soava como nuvem sob os pés dela. Era aquele o seu ambiente. E estava feliz de estar ali. Caminhou ao centro do piso, e os homens liam brevemente seus documentos, a fim de verificar se a documentação dela estava entre as pré-selecionadas, como as mais atrativas ou não. E estava. Jay se recordou de quem ela era assim que leu seu nome. E olhou na direção da mulher, que não mantinha contato visual direto com ele, e sorriu.
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  — Liu. Bom dia, tudo bem? — ele perguntou.
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  — Bom dia a todos. Estou bem, obrigada. — ela respondeu.
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  — Eu sou Jay Park, estes são: o nosso diretor August Frogs ou Niga, e o coreógrafo, Joon. Já explicaram a você como vai funcionar, mas eu vou repetir. Três músicas serão tocadas, uma por vez, e para cada uma delas, nós esperamos uma resposta espontânea de sua coreografia. Depois, o nosso coreógrafo Joon fará algumas perguntas e pedidos específicos. Entendido?
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  Liu assentiu que sim para ele.
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  — Podemos começar então?
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  — Claro. — ela respondeu em um largo e simpático sorriso.
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  A primeira música começou a tocar, e Liu fechou os olhos. Ela começou a mexer a cabeça no ritmo dos primeiros beats. Era um ritmo marcado, e num compasso contínuo. E ela conhecia aquela música. “Hby” de SKOLOR tocava e Liu começou a sorrir conforme movimentava o corpo. Ela se lembrou de quando dançava aquela música com seu amigo, de brincadeira, nos intervalos da companhia, de forma divertida. E sentia-se como se estivesse lá. Não era um beat que pedia passos muito elaborados, e por isso ela manteve os passos divertidos, soltos, e gingando bem com seus rebolados. Fez dois movimentos mais atrativos, quando colocou as mãos no chão, em uma bananeira e agitou a pernas no ar. Depois saltou e se ergueu rapidamente e rebolou num estilo “largado” até o chão, fazendo poses de rapper. Ela não prestava atenção nos avaliadores. Apenas sorria e brincava com as caras e bocas, na direção deles, como se aquele rap fosse dela. Jay sorriu discreto e anotou algo na ficha dela. Repassou para o coreógrafo que se mantinha atento a ela. Quando a música acabou, ele anotou sua nota, no mesmo espaço que Jay havia escrito e passou a ficha para o diretor. Liu retornou ao centro da sala, e aguardou a nova música começar.
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  “Bullshit” de G-Dragon, começou a tocar com seus beats fortes, bem marcados e acelerados e Liu lançou seu street dance mais específico. Ela conseguia ser técnica e sedutora nos movimentos. E repetiu passos de uma apresentação que já havia feito com aquela música. A música interrompeu novamente, dessa vez, em menos tempo que a outra e enquanto os avaliadores faziam suas anotações, Liu já se preparava para a próxima que entraria. Se ela estava certa, seria uma música que eles esperariam um pouco mais de sensualidade dela. “Iffy” de Sik-K com Jay Park, era uma das favoritas dela. E ela sorriu novamente, já de costas para eles. Ela começou seus movimentos mais insinuantes. Jogou o cabelo, rebolou, e no refrão, mandou um twerk lento.
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  — Iffy, iffy yah, yah… — Jay sussurrava cantarolando.
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  E prestava muita atenção nos quadris da mulher. Ela continuava dançando olhando os avaliadores, mas não os percebendo. Liu movimentava-se como se estivesse fora de órbita. Num mundo próprio de dança. E Joon gostou muito do que ela apresentou naquela dança, tinha ousadia, sensualidade, mas ela mesclava com o divertido do street. Foi pontual: ela conseguiu ser agressiva nos momentos certos, nas músicas certas e Joon não precisava falar muito. Sentiu que sua garota era ela.
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  A música parou aos poucos, e Liu finalizou muito bem. Ela agradeceu e sorriu para os avaliadores, que já haviam feitos suas anotações. E era o momento de Joon falar:
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  — Liu, primeiramente eu quero dizer que em minha concepção seu teste foi muito bom. Eu pude notar que você tem domínio do street dance, e do jazz. Aqui em sua ficha diz que você fez parte de uma crew, e atualmente dança numa companhia de jazz de Bangkok… Tem algumas apresentações legais… Bem! As minhas únicas perguntas são: por que você está numa companhia de jazz? Por que você veio fazer o nosso teste? E se você tem certeza que é isso o que você quer, visto que, somos uma produtora de k-rap, k-hip-hop
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  — Bom, primeiramente agradeço aos elogios e à oportunidade. E respondendo suas questões… A dança é um sonho pelo qual eu batalho há algum tempo. E mais do que um sonho, ela é como eu me expresso, como eu sou. Não é diferente para mim se eu vou dançar um estilo ou outro. Na verdade, eu tenho competência suficiente para dançar o que me mandarem, e sou estudiosa de estilos justamente para ter esta competência. Eu não vou ser hipócrita, na verdade, a Companhia Lótus foi a oportunidade que eu tive, no momento. Depois que a crew onde treinava foi desfeita, eu procurei outros grupos, mas eu não tive condições de estudar nos melhores colégios de dança então… A Companhia foi a oportunidade que eu tive. Ela surgiu de um grupo de dançarinos, e amantes da dança que sem investimento buscaram fazer o que amavam. E eu me encaixei muito bem ali, como uma verdadeira família. Então, mais do que ser uma Companhia voltada ao jazz, somos uma companhia de dançarinos. E o jazz não nos limita. Como pode ver na minha ficha, eu pude disputar pelo nome Lótus em eventos de street. Estou aqui porque desejo mais, eu tenho um sonho e, se a AOMG não for o lugar onde eu vou realizá-lo será um degrau para chegar nele, com certeza. E eu tenho certeza absoluta de que estar aqui, é o que eu quero.
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  — Certo… E se você passar no teste, como fica a Companhia?
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  — Também estou aqui por eles, então, se eu passar a Companhia estará a postos de aplaudir. E de braços abertos. Ela sempre terá os braços abertos, se eu precisar voltar um dia. Mas sinceramente… — Liu sorriu sem graça, e falou confiante: — Estão todos torcendo para que eu passe aqui.
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  Os avaliadores sorriram também e entreolharam-se curiosos.
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  — Com certeza estão. Liu, muito obrigada pelo seu teste. Por favor, aguarde naquela porta à esquerda. Obrigada, e boa sorte. — Niga, o diretor falou para ela.
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  Liu saiu pela porta indicada, e haviam poucas garotas ali. Todas conversavam e receberam bem a moça que acabara de chegar. As dançarinas se mostravam ansiosas pelo resultado, e Liu estava quieta e concentrada no seu teste. Tentava recordar-se das expressões nos rostos dos avaliadores e, principalmente, no rosto de Jay.
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  Liu sentia-se um pouco constrangida perto do Park, e isso desde o hotel. Não sabia ao certo se por saber da trágica situação dele no hotel, ou pela maneira como a presença dele era intimidadora. Na verdade, o constrangimento devia-se à sua timidez, pois, o Jay se mostrou muito simpático com ela e nada intimidador. Mas aquele era um tipo de reação muito comum entre as mulheres. Talvez fossem os olhos pequenos, ou o sorriso cafajeste, que lhe conferiam um ar predador. Era habitual que Jay seduzisse por onde chegasse. Liu sacudiu a cabeça na tentativa de parar de pensar no que aconteceu.
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  — Ei! Moça! — as dançarinas olhavam para ela, parecendo que a chamavam há algum tempo.
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  — Sim?
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  — Como foi o seu teste?
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  — Ah, eu acho que bem.
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  — Viram? Parece que todas aqui, fomos bem. — uma delas disse constatando.
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  Liu não deu importância, ela só se preocupava com o resultado dela. Não se importava se todas ali haviam passado, ou uma só. E não era por egoísmo, era por ansiedade. Havia esperado tanto por uma oportunidade como aquela, que imaginar que não conseguiria o trabalho era uma hipótese depressiva. Sim, desta forma, intensa.
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  Uma pessoa surgiu na sala pedindo-as para que prosseguissem de volta ao salão de teste. Elas seguiram o homem, e os três avaliadores as aguardavam na mesma bancada anterior. As mulheres ficaram enfileiradas de frente para eles.
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  — Senhoritas, vocês passaram no processo seletivo. Parabéns à todas. Aguardamos vocês amanhã às oito horas da manhã, para os ensaios oficiais da coreografia com o nosso coreógrafo, Joon. — Niga afirmou a elas.
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  — Sejam pontuais. Não admito atrasos. Temos um cronograma que será apresentado a vocês amanhã, então, não atrasem. Principalmente a… — Joon leu o papel em sua mão, com a ficha em busca do nome: — Liu! Você, especificamente não se atrase.
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  — Fique tranquilo, senhor Joon.
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  — Dispenso o senhor, e isso serve para todas.
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  As meninas se entreolharam e assentiram para Joon. Liu direcionou um olhar discreto para Jay, mas ele não a olhava.
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  — Vocês passem no primeiro andar agora, por favor, e preencham os documentos para o RH.
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  Assim que o diretor Niga, deu as últimas instruções os três se levantaram, e as dançarinas seguiram para o primeiro andar da empresa. Liu estava saindo da sala do RH no momento em que Jay passou por ela no corredor. Ela olhou para os lados a fim de ver se alguém também estava ali, e ao notar-se a só com ele, seguiu atrás dele. Ela não sabia se deveria agradecê-lo, ou fingir que ele nada tinha feito.
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  Decidiu não falar nada, não lhe parecia que era certo. Estava caminhando atrás de Jay, quando viu que ele seguia o mesmo caminho que ela: o elevador. Ele entrou primeiro, e logo ela entrou também. Olhou para ele, de modo tímido e corou. Novamente sentiu aquele rubor, que não sabia decifrar a razão, em seu rosto. Ela viu que o andar do térreo já havia sido apertado, então olhou para frente suspirando fundo, numa tentativa de fingir que não era ele ao lado dela. Jay que mexia em seu celular, na hora que escutou o suspiro dela parece ter percebido que havia mais alguém, ele olhou de lado, de modo sedutor e natural. E ao vê-la ficou naquela posição: a cabeça um pouco de lado, os olhos pequenos e curiosos, um sorriso ladino e a sobrancelha arqueada, as mãos paradas no que fazia. Guardou o celular em seu bolso e ajeitou a postura. Olhou para frente também.
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  — Parabéns.
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  Ele disse, e Liu imediatamente o olhou. De um modo assustado e tão diretamente em seus olhos, que novamente sentiu o rubor. Sorriu sem graça e abaixou a cabeça sorrindo.
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  — Obrigada. — ela disse calma, e decidiu falar mais: — Eu realmente preciso e quero te agradecer por isso, mas não sabia se era certo.
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  — Do que está falando?
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  Ele perguntou e a mulher não entendia se ele fingia não saber ou se ela deveria fingir que não havia motivos para agradecer.
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  — O convite… — arriscou mencionar tímida.
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  — Sim, sim, eu entendi. Mas porque não seria correto agradecer?
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  Eles se olhavam curiosos, e Liu desviou novamente o olhar para um ponto na roupa dele. Não conseguia manter uma conversa encarando-o diretamente.
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  — Eu não sei… Má impressão?
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  — Ninguém tem nada a ver com as nossas vidas, e não deixe de falar comigo ou qualquer outra pessoa de cargo superior aqui, por causa de pensamentos assim, Liu.
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  O fato de ele saber o nome dela não deveria espantá-la, afinal, acabara de fazer um teste na presença dele, mas mesmo assim, ouvi-lo o dizer mexia com ela. A porta do elevador abriu e antes de sair ele lhe falou:
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  — Parabéns, e obrigada por não desistir do seu sonho.
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  — Eu que agradeço.
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  Ela sorriu grata, e Jay acenou saindo. Ela saiu logo em seguida, e novamente olhou para ver se ninguém havia notado Jay Park acenando-lhe. Entendia a postura dele, mas para uma funcionária de hotel onde a discrição é tão exigida, havia dificuldade de rompê-la. Muitas vezes não podia dirigir-se a um cliente do hotel, nem mesmo ao superior em qualquer lugar. Aquilo de “ninguém tem nada a ver com nossas vidas” era um tanto quanto, liberdade demais num ambiente profissional.
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  Respirou fundo, aliviada, assim que pisou a calçada da empresa. Olhou para o céu ensolarado e seu estômago roncou no exato momento em que seu celular tocava. Ela procurava o celular em sua bolsa, ainda parada na calçada, quando o carro de Jay Park saía do estacionamento. Ele viu-a de relance, sorriu e seguiu seu caminho.
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  — Senhor Gray? — ela atendeu ao telefone surpresa.
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  — Aishh!!! O que combinamos?
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  — Desculpe, Gray.
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  — Para de se desculpar também, por favor… — ele suspirou cansado do outro lado.
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  — Ok. Ligue de novo.
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  Ela disse sorrindo e desligou. Gray não entendeu nada, e sorriu discando novamente.
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  — E aí, brow? — ela atendeu.
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  — Isso foi péssimo. — ele ria alto do outro lado da linha: — Mas ainda foi melhor do que antes. Já saiu do teste?
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  — Já sim, e não tenho boas notícias sobre o hotel.
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  — É, eu também tenho notícias. Estou quase chegando aí. Decidi não fazer comida hoje, porque estou com preguiça. Vamos almoçar fora.
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  — Eu não sei se devemos.
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  — E por quê?
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  — Bem…
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  — Liu. — ele a interrompeu: — Eu já entendi que você é difícil, e fica calma que eu não estou dando em cima de você. Não é que eu não queira, mas é realmente um almoço entre amigos.
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  — Não é nada disso, Gray. Mas tudo bem, eu estou na entrada da empresa.
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  Liu riu baixo e logo ele desligou. Aguardava-o chegar, e haviam se passado oito minutos desde que ele ligara quando algumas dançarinas que foram selecionadas com ela, passaram por Liu.
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  — Ei, Liu! Aguardando seu namorado? — uma delas perguntou.
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  Liu abriu a boca para responder e ouviu uma buzina à sua frente. Arregalou os olhos e tratou-se de se apressar antes que Gray tentasse sair do carro.
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  — Ah não, é só um amigo. Que já chegou… — ela respondeu as meninas apontando o carro e acenou se despedindo.
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  — Nos vemos amanhã, então. Boa sorte para nós!
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  — Sim, sim! Até amanhã!
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  Ela desceu os degraus rapidamente, e quando viu a porta de Gray abrir, ela correu para entrar antes que ele saísse. O rapaz a observou sentando ao seu lado, assustado, com uma perna para fora do carro.
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  — Estamos em fuga?
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  — Só não queria que elas me vissem contigo.
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  — Por que? Eu sou um fugitivo da lei?
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  Gray ajeitava-se novamente ao volante, ainda assustado.
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  — Não, mas você não trabalha aqui?
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  — Olha Liu, não precisa se preocupar com o que podem dizer de você na AOMG. Na verdade, não acredito que vão se meter em sua vida. As novatas, talvez, mas… Que se dane. Ninguém tem nada a ver com nossas vidas.
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  Ela sorriu com a coincidência naquela frase. E Gray deu a partida.
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  — É a segunda vez que me falam isso hoje.
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  — Ah é? Por quê?
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  — É que… O senhor Park estava no mesmo elevador que eu, e me reconheceu. Mas eu não quis falar diretamente com ele, porque ele é né… O dono de tudo e responsável por eu estar aqui. Ele me disse a mesma frase.
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  Gray sorriu. Ele sabia que Jay havia dito aquilo. Assim que Liu iniciou o seu teste, Jay enviou uma mensagem à Gray dizendo: “a garota do hotel veio”. E a partir dali os dois conversaram sobre a apresentação dela. E o momento no elevador, Jay também compartilhou com o melhor amigo.
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  — Olha, tecnicamente o maior responsável por você estar aqui, sou eu. — Gray respondeu à fala anterior dela.
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  — Como assim?
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  — Eu que entreguei a carta. Se eu não tivesse feito o que Jay pediu, você não saberia…
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  — É verdade… — Liu sorriu para Gray: — Obrigada Gray.
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  — De nada. Passou no teste?
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  Ele já sabia da resposta, mas queria vê-la reagindo àquela notícia.
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  — Eu te falei que meu lance é corporal, não falei?
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  — Aishhh… Como é convencida esta garota!
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  — Quase uma rapper.
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  Ela lançou a ele um sorriso convencido e Gray riu concordando.
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  — Parabéns pelo trabalho. — ele disse.
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  — Obrigada. — Liu analisou a situação um minuto, silenciosa: — Gray… Por que o senhor Park te pediu para fazer aquilo?
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  — Primeiramente, esquece o “senhor”. Tira isso da sua vida, sério. Você não está mais dentro do hotel, então, seja mais leve. Seja você.
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  Liu sorriu sem graça e concordou.
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  — E Jay não gosta de ser chamado assim, apesar da pose de “todo-poderoso”. E depois… Por que está tão interessada em saber?
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  Liu corou. Não esperava que fosse ser interpretada de uma forma errada.
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  — Não é que eu esteja tão interessada, mas eu acho estranho ele dar uma oportunidade assim para uma estranha. Se ele ainda tivesse visto alguma apresentação minha… Mas… Ele é de fazer esse tipo de coisa?
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  — Está muito interessada no Jay… — Gray brincou.
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  — Ai, nossa, não precisa responder. Não é nada disso!
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  — Não fica brava! Eu só não aceito você ser difícil comigo, e não ser com ele. Afinal, o que rolou entre vocês lá em Phuket?
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  — Como assim? Do que está falando?
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  — Vocês não saíram?
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  — Não! — Liu deu um grito, assustando Gray e se desculpando depois:
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  — De onde tirou essa ideia?
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  — Então, me desculpe Liu, mas eu também não sei. Achei que Jay e você haviam…
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  — Não! — ela falou interrompendo ao Gray.
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  Ele sorriu confuso e curioso pela reação dela. Ela ficou pensativa. Se nem mesmo Gray sabia a razão… E pior, se Gray achava que ele teria feito aquilo por outros interesses, o que ela pensaria? Gray pigarreou chamando a atenção da moça, e Liu o pegou observando-a com um sorriso divertido.
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  — O que foi?
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  — Se você não está saindo com o meu melhor amigo, então…
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  — Gray, você não pode estar falando sério, não é?
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  — Eu não vou insistir, mas se você quiser dar uma colorida na amizade que está iniciando entre nós, eu não vou me importar.
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  — Céus! Exatamente: iniciando. Controle-se!
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  Eles saíram do carro que já havia sido estacionado.
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  — Isso não foi um não.
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  — E nem um sim.
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  Ela caminhava à frente de Gray e mexia nos cabelos em aparente desconforto. Os dois entraram no restaurante, sentaram-se em uma das mesas mais afastadas — por vontade dela — e conversaram sobre a estadia de Liu enquanto aguardavam o almoço.
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  — Olha só Liu, eu telefonei à AOMG um pouco depois que você saiu de casa e fui informado que não havia mais disponibilidade de hospedagem. Disseram algo sobre ter sido necessário avisar ao receber o informativo. Eu não quis usar de influência, pelo menos até falar com você.
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  — Fez bem Gray, obrigada pela ajuda, mais uma vez. Mas no RH me disseram o mesmo, e eu optei por procurar outro lugar mesmo. Se não for incomodar mais, eu gostaria de após o almoço procurar outro hotel e aí se você puder me ajudar…
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  — Bom, eu acho que você deveria considerar a minha casa. Eu acho que a convivência enquanto você estiver aqui, ou pelo menos até você se estabilizar, não vai ser negativa para nenhum de nós. Eu não estou sempre em casa, e nem você vai estar. E mesmo que esteja, não é como se fosse incomodar. Eu moro sozinho mesmo…
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  — Gray, muito obrigada, mas…
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  Ele a interrompeu com um dedo na boca dela, antes que ela terminasse e continuou falando:
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  — Eu brinco de dar em cima de você e tal, mas eu sei respeitar uma dama, e pode ficar tranquila quanto a isso. Eu realmente não sou louco de chamar você para se hospedar lá, se não soubesse lidar com a situação. E depois, me preocupa outra questão: você disse que junta dinheiro há algum tempo para alguma coisa, que acredito ser importante, então economizar é importante para você. E tendo em vista que passou no teste, há um contrato com a AOMG pelo menos por um tempo. Então, seu trabalho no resort não vai te aguardar, não é?
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  — Realmente, eu vou ter que pedir demissão de lá. E economizar é importante, mas me hospedar de graça também não era um plano inicial. Cobre-me ao menos algum valor.
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  — Pode me pagar em beijos.
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  — Gray!
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  Ele começou a rir e o almoço chegou. Os dois aguardaram o garçom lhes servir, e Gray perguntou-a:
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  — Tem alguma objeção em ficar lá em casa?
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  — Fale um valor.
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  — Me ajuda com a organização da casa.
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  — Sério? Você nem mesmo suja as suas roupas. — ela falou óbvia apontando para ele.
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  — Ok, então… Que tal se você for responsável pelos cardápios enquanto estiver lá? Eu realmente não gosto de cozinhar.
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  — Tudo bem, mas ainda assim é pouco Gray. Eu não posso aceitar me hospedar sem fazer nada.
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  — Como uma futura ex-camareira você deveria saber que, hóspedes não trabalham.
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  — Não, eles pagam por isso.
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  — Ok, mulher teimosa… Você pode arrumar os quartos, cuidar das roupas, a limpeza da casa, e…
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  — Meus serviços de camareira? É isso o que você está pedindo em troca, ou está achando que vou ser sua esposa submissa?
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  Gray quase engasgou com a comida e olhou para ela de maneira divertida, Liu não acreditava no que estava ouvindo.
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  — Se eu optar pela esposa submissa o que mais vem no pacote?
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  — Um divórcio.
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  — Liu, pague-me como quiser, apenas, aceite minha ajuda. Eu não estou fazendo isso só por você.
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  — Como assim?
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  — Deixe de ser desconfiada. — ele sorriu analisando-a: — E coma.
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  — Eu vou te pagar em dinheiro. A mesma quantia que pagaria no albergue. Não vou ser sua camareira, mas não serei folgada também, porque afinal, não temos uma camareira.
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  — Uma diarista vai lá, uma vez por semana para limpar. Então, temos sim.
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  Ele continuou comendo, e Liu o observou de modo confuso. Ele realmente queria que ela trabalhasse de graça para ele? Ela concluiu dizendo:
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  — E principalmente: nunca mais peça a uma mulher que lave, passe ou cozinhe para você. Principalmente se este não for o ganha pão dela.
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  Ele assentiu, um pouco vergonhado pela maneira como ela o interpretou, se desculpou e os dois almoçaram.
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Nota de Autora: Eu não sei vocês, mas eu adoro este casal de amigos que está nascendo. E aí, o que acharam do capítulo? Conta no comentário!

Capítulo 7

Faixa 3: Me Like Yuh

  Liu terminava de servir seu café quando Gray surgiu na cozinha arrumado para sair. Ele observou a mesa posta e sorriu. Juntou as mãos e abaixou o tronco num pedido de agradecimento. Liu revirou os olhos e arqueou uma sobrancelha como se não soubesse que aquilo era o mínimo que ele esperava dela. Não havia aceitado a barganha de Gray, mas para ela era necessário ajudar. Não pelos gastos, afinal, ele tinha grana, mas pela sua própria educação.
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  Comeram juntos e Liu começou a manhã morrendo de rir. Gray tivera um sonho estranho e ele contava para ela como foi, e fazia caras e bocas engraçadas sentindo repulsa do sonho com alienígenas que sugavam o cérebro dele. Depois, ela levou à louça até a pia, mas Gray a impediu de lavar.
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  — Deixa comigo.
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  Ele retirou o detergente das mãos dela, e olhava profundamente sorrindo-a. Liu ficou sem graça com aquela proximidade, e sentiu a pele arrepiar com as mãos frias de Gray sobre as suas. Ela entregou a ele as coisas e saiu. Antes de sair pela porta do corredor observou o rapaz que lavava a louça, de costas para ela. Aquilo foi estranho.
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  Ela pegou sua bolsa e desceu. Gray estava na porta de casa aguardando ela. Liu agradeceu, ao passar por ele, e se despediu. Ele segurou o punho dela fazendo ela o olhar.
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  — Vai aonde? — perguntou confuso.
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  — Para a produtora.
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  — Então por que está se despedindo? Eu também estou indo trabalhar.
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  Ele constatou rindo e fechando a única porta daquele andar: a de sua casa.
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  — Ah… E nós vamos juntos?
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  — Algum problema com isso? Ainda é sobre o que as pessoas vão falar?
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  — Não há problema nisso. Só achei que não sei…. Não é errado chegarmos juntos?
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  — Bem, se quiser pegar um ônibus…. Acho desnecessário se vamos para o mesmo lugar. Mas se preferir eu deixo você um quarteirão antes e você pode terminar de chegar a pé, já que não quer ser vista ao meu lado.
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  — Não é que não quero, eu só não sei se é certo.
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  — Nós estamos fazendo algo errado?
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  — Não.
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  — Então Liu? Do que você tem medo?
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  Gray entrou no carro confuso e Liu pensava sobre aquilo. Ela entrou no carro, silenciosa, e Gray deu partida. Ele esperou por uma resposta que não veio, e após alguns minutos dirigindo ao som de sua própria música, com a mulher ao seu lado calada, ele resolveu perguntar de novo. Ou melhor, supor.
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  — Já sei! Não quer que o Jay pense que estamos juntos. É isso?
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  — Claro que não é isso. Eu não tenho nada a ver com ele. Eu só não estou habituada a ficar andando com colegas de profissão por aí. Principalmente se estou dormindo com um deles.
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  — Olha… A gente não está dormindo juntos, mas sabe que se quiser o meu quarto é perto do seu, né?
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  Liu encarou-o entediada e ele riu.
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  — Liu! Ninguém tem nada a ver com o fato de você se hospedar na minha casa, ou eu te dar uma carona, por favor, fique tranquila. Se eu não estou preocupado, por que você deveria estar?
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  — Porque para você sair com uma dançarina da empresa não seria um escândalo, já comigo é o contrário. Não quero que pensem que obtive vantagens nesse trabalho.
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  — Entendi.
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  Gray olhou para ela compreensivo e pôs a mão no ombro dela. Liu se assustou com aquilo, e Gray não percebera.
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  — Fique tranquila, não vamos causar essa impressão. Haja naturalmente, como eu disse antes, a AOMG não vai perder tempo com fofocas sobre seus profissionais.
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  Liu decidiu acreditar no que Gray dizia. Gray estacionou em sua vaga habitual no estacionamento da empresa, e saiu do carro sendo seguido por Liu. Entraram juntos e despediram-se com um aceno. Ele compreendia a necessidade de ser discreto com ela, por vontade dela.
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  Liu chegou no horário, pontualmente. Joon cumprimentou Liu e outras duas dançarinas que chegaram junto com ela. Indicou às meninas que aguardassem as demais chegarem, e quanto à Liu, chamou-a para perto de si.
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  — Bom dia Liu. Tudo bem?
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  — Bom dia, tudo sim e com você?
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  — Ótimo. Eu preciso conversar com você sobre seus ensaios. Sua coreografia é diferente das outras moças. Enquanto a maioria dançará em grupo, Melanie e Heiki dançarão em dupla, e você dançará sozinha em destaque. Sua participação no trabalho será maior. Quero que você seja mais sensual do que foi no seu teste, e sua coreografia será mais sedutora. Tudo bem?
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  — Claro. Sem problemas. Posso começar o alongamento?
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  — Pode sim. Guarde este papel — ele entregou a ela uma planilha: — São os seus horários de ensaio.
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  — Tudo bem, obrigada.
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  Liu se distanciou de Joon, e foi até um canto da sala de dança, deixou sua bolsa ao chão e se preparou para alongar. As meninas que iam chegando a observaram trabalhando antes, e estranharam. Logo, Joon estava reunido com todas elas e passando-lhes as orientações. Elas alongaram enquanto Joon passou a coreografia dele para Liu.
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  Ela não sabia o que pensar, a coreografia era sensual demais, e pelo que ele havia dito ela seria dançada em par, mas a garota não fazia ideia ainda de como aquilo funcionaria. Ela apenas seguiu os passos de Joon, e estudava silenciosamente como ela faria aquela dança parecer menos erótica do que estava sendo. Liu era contra a objetificação da mulher e as colegas dela, Melanie e Heiki, tinham uma coreografia em dupla ainda mais vulgar. Não era momento de falar nada, então Liu calou-se.
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  Por quatro semanas ela ensaiava a coreografia, e mudava coisa ou outra que percebia ser possível, sem parecer que estava confrontando Joon. Quando o coreógrafo foi analisar a coreografia inteira, de cada dançarina, no dia do teste pré-gravação ele percebeu as mudanças de Liu. Perguntou para a garota por que ela mudara a coreografia, e as explicações foram bem aceitas. Ele deixou a coreografia daquele jeito, e parabenizou Liu, pois, segundo ele: “— Está muito sensual e nada vulgar. Não imaginei que seria possível para o que faremos, mas consigo visualizar você e Jay num quadro muito melhor”.
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  A garota sorriu agradecida, e prendeu a respiração. Sentou-se para assistir as colegas demonstrarem a coreografia toda pronta, mas não conseguia se concentrar. Jay Park. Ela iria dançar daquele jeito com ele! E por mais que não fosse nada demais, e já estivesse há um mês sem falar com ele, tendo-o visto poucas vezes pelos corredores da empresa, ela ainda sentia aquele rubor sem sentido. Quando foram dispensadas, com os horários das gravações em mãos, ela saiu apressada da sala de ensaio. Foi ao vestiário se trocar, e saiu pelo corredor, desatenta a tudo. Chamou o elevador e quando a porta se abriu, Liu deu de cara com Gray e Jay. Eles olharam-na e sorriram. Ela entrou, os cumprimentando tímida.
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  — O que houve Liu? Parece que viu fantasma.
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  Gray perguntou fazendo a garota virar-se de frente para ele e o amigo. Jay estranhou a maneira informal como ele falou com a moça.
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  — Tive um dia exaustivo de treino, só isso.
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  — Ah tá! — Gray riu irônico: — E toda aquela história de que o “seu lance é corporal”?
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  Liu estava sem graça e olhou feio para Gray. Ele olhou confuso para ela, e depois olhou para Jay. Riu sarcástico. Havia se esquecido de que ela não queria que as pessoas soubessem que estava na casa dele por uns tempos. Jay parecia não entender nada, e buscava nos olhos de Gray uma resposta. Gray então notou, que o amigo, o qual vinha falando a ele que só ouvia elogios sobre Liu naquelas semanas, estava também curioso e um pouco ressentido por não conhecer aquela intimidade de Gray com a moça. A fim de dar um ponto final naquilo, pelo menos perante o Jay, Gray perguntou a ela:
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  — Seu ensaio de hoje acabou?
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  — Sim. — ela respondia contrariada.
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  Liu sabia que se usasse um tom mais formal, Gray a desmentiria ali mesmo e a coisa poderia causar impressão pior.
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  — Ótimo, então vamos para casa. Também estou indo.
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  A garota arregalou os olhos, e Jay que olhava para frente arqueou sua sobrancelha e encarou o amigo:
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  — Espera… Vocês estão juntos?
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  Liu sentia uma tremenda falta de ar, olhava os botões do elevador que nunca chegavam e pensava numa resposta, mas não sabia se deveria falar diretamente ao Park. Não sabia se a pergunta foi direcionada a ela, e muito menos sabia o motivo para tanto receio e constrangimento com ele. Gray não esperou a mulher responder.
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  — Que nada! Ela é difícil. Mas eu ainda tenho esperanças. — brincou ele sacana.
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  — Deixa de ser idiota Gray. — ela respondeu nervosa com a cara fechada.
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  Jay Park ainda encarava o amigo em busca de explicações.
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  — Ofereci hospedagem à Liu quando viesse para o teste. E no fim, tudo deu errado nos planos dela, e ela acabou precisando realmente da minha ajuda.
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  O elevador indicou o térreo e a mulher se despediu de Jay cordialmente, sentindo-se sufocada e saiu. Gray riu discreto abaixando a cabeça e tocou o ombro de Jay se despedindo. Os dois saíram ao mesmo tempo, e Jay segurou o braço de Gray o impedindo de prosseguir. Ele o encarava confuso ainda, e Gray olhava para Jay, surpreso por aquela atitude.
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  — Por que não me contou que ela estava em sua casa?
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  Gray entortou a boca de modo despretensioso, e com olhos ainda surpresos respondeu:
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  — Faz alguma diferença?
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  Jay não respondeu.
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  — Eu deveria avisá-lo? — Gray perguntou ainda tentando compreender aquela reação.
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  Jay continuou sem responder analisando o amigo. Soltou o braço dele e sorriu aliviando o clima e respondeu:
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  — Não, só estranhei você não comentar. Achei que estivessem juntos e eu… Não soubesse.
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  — Relaxa Jay, eu nunca mais vou cometer o erro de não te avisar se eu estiver com alguma garota. Você vai ser o primeiro a receber nome e foto.
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  Gray sorriu brincalhão fazendo menção ao que acontecera antes entre eles. Jay sentiu-se incomodado. Ele realmente achou que vinha comentando para Gray sobre aquela garota, e que o amigo escondia que estavam juntos. Não que ele falasse qualquer coisa importante, mas o próprio Gray havia-o perguntando há duas semanas porque Jay não falava das outras dançarinas.
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Flashback

  — Liu foi uma boa aposta. Joon me disse que todos ficarão loucos nas gravações!
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  — Hm… E as outras?
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  — Que outras? — Jay olhou-o confuso deixando o copo sobre a mesa.
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  — Jay… Será possível que Liu é tão excelente dançarina assim, a ponto de vocês não comentarem nada sobre as outras meninas?
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  — Realmente eu não me lembro de Joon me falar qualquer coisa sobre o desempenho delas. — ele concluiu confiante.
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  — Ou talvez, você só esteja interessado em saber o que acontece com Liu. Ela é algum tipo de preferida, ou algo mais? — Gray perguntou sacana e curioso.
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  — Não tenho preferências nas minhas equipes de trabalho e você sabe disso.
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  — Mas tem com as mulheres… Bem, num outro momento a gente fala mais sobre a Liu. Eu tenho que ir para casa agora.
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  — Por que a pressa tem alguém te esperando?
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  — Digamos que sim…
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Fim do Flashback

  Ao se dar conta daquela memória, Jay percebeu que Gray poderia tê-lo contado. Mas por quê? Ele não tinha o dever de fazer isso, e Jay estava incomodado. E não faria diferença, mas Jay continuava incomodado.
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  Naquela noite, Liu saiu de seu quarto e foi até a sala de televisão assistir a um dorama quando Gray saiu do banho e sentou-se ao lado dela. Ele levantou-se em silêncio, a mulher estava focada no que assistia, e foi até a cozinha. Trouxe duas latas de cerveja e amendoins. Entregou uma lata a ela, que pegou agradecendo e deu um longo gole. Ele a observava, curioso.
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  — Você parece nervosa.
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  — Ansiosa. As gravações vão começar semana que vem.
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  — E isso é ruim?
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  — Estou pensando sobre isso, então, não sei.
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  Gray riu e pegou o controle da televisão mudando de canal. Liu o olhou de forma confusa e ofendida.
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  — O quê? Você disse que estava pensando. Estava assistindo aquilo?
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  — Claro que estava! E se eu perder o beijo do casal por sua causa, eu vou te bater.
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  Gray retornou ao canal, não sem antes zombar ao pé do ouvido dela:
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  — Você pode ter um beijo de casal ao vivo, muito mais intenso e emocionante do que apenas assistir.
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  Ela o empurrou para longe e o garoto ria.
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  — Para com isso! Eu já falei que você não tem chance.
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  — Não é o que parece. Todo mundo já perguntou algo sobre nós. Até o Jay hoje ficou confuso.
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  — Isso é porque você é invasivo e não sabe disfarçar!
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  — Qual é Liu! Fazemos um bom par, e todos percebem isso. — ele riu indiferente.
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  — Você não tem chance.
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  — E o Jay? — ele olhou para ela com muita atenção e um sorriso ladino.
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  Novamente o rubor, e Liu engasgou, mas soube disfarçar. Olhou fingida para ele:
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  — O que o CEO tem a ver com essa conversa?
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  — Qual é, Liu? Ele só fala de você, e te garantiu uma vaga no teste assim que saiu daquele resort… O que vocês fizeram?
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  — Ele fala muito de mim?
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  — Fala, e você fica envergonhada perto dele sempre. E está toda curiosa para saber o que ele disse.
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  — Claro que não! Estou preocupada, afinal ele é CEO da AOMG e como você disse, me deu uma chance de…
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  — Aaaaah! Liu!! — Gray interrompeu-a impaciente, e risonho: — Fala logo, o que vocês fizeram naquele hotel?
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  — Eu já disse que não aconteceu nada. Ele foi ao bar um dia, e conversamos e eu contei que era dançarina e foi só.
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  — Eu não acredito.
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  — Que diferença faria se tivéssemos algum tipo de contato maior?
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  — Muita.
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  — Por quê?
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  Gray olhou-a profundamente, bebeu sua cerveja e deixando a lata sobre a mesa se levantou e disse:
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  — Porque talvez, eu esteja mesmo pensando em conquistar você.
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  Ele disse e saiu do cômodo, deixando Liu envergonhada e perplexa no sofá. Quando Gray subiu as escadas, Liu se jogou deitada no sofá tampando o rosto com as mãos.
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Nota de Autora: Então quer dizer que Gray está realmente pensando em investir na Liu? Ora, o que será que isso vai dar? Já sabe, né? Deixa um comentário!

Capítulo 8

Faixa 3: Me Like Yuh

09:00 am. Dia seguinte.

  A campainha tocou e Liu saiu da cozinha para atender. Ela estava vestida com sua roupa de dança e um copo de água em mãos. Abriu a porta da casa e deu de cara com Jay.
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  — Bom dia. — ele disse simpático.
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  — Bom dia. Ah… Entre.
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  Ela deu passagem a ele e, antes de fechar a porta, respirou fundo. Ele entrou notando o silêncio.
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  — Gray não está? — perguntou confuso.
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  — Não. Quando eu acordei, já havia saído. Vocês combinaram algo?
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  — Ele só me disse para vir, que precisava falar comigo.
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  — Então ele deve estar chegando, não é?
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  Jay assentiu sorrindo e os dois ficaram se olhando sem graça.
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  — Estava ensaiando? — ele perguntou olhando-a de cima a baixo.
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  — É! Eu estava à toa, então…
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  Liu sorriu e olhou ao chão, não conseguia manter contato visual com Jay.
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  — Posso ver?
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  — Como?
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  — Bem… Tenho ouvido Joon falar tanto dessa coreografia, que realmente estou ansioso para ver como ficou.
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  Liu soltou a respiração que havia prendido ao ouvi-lo. Sorriu nervosa e assentiu que sim com a cabeça, e silenciosamente deu as costas e saiu andando até o aparelho de som. Jay seguiu-a e sentou-se no sofá. Ela virou de uma só vez a água de seu copo e respirou fundo. Fechou os olhos e soltou a música.
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  Jay percebeu que ela estava nervosa e pigarreou nervoso também.
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  Liu mentalizava calma, afinal, não era a primeira vez que dançaria na frente dele. Mas o que não conseguia esquecer é que dançaria para ele, com ele e daquele jeito. Jay estava atento a cada movimento dela, e conforme ela dançava ele relaxava. Escorou as costas no sofá e mordeu o lábio ao notar os movimentos do corpo de Liu. Quando chegou à parte mais crítica da coreografia, Liu apenas pausou a música.
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  — Não vamos estragar toda a surpresa… — ela falou tímida, arrancando Jay de seus pensamentos.
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  — Claro! Só me deixou mais curioso…
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  Ele olhava para ela com aqueles olhos de predador, e a garota fugia ao olhar dele. Jay levantou-se rapidamente ficando de frente a ela, e deu uma singela observada no rosto e corpo da mulher próxima a si. Sorriu e foi até a cozinha abrindo a geladeira. Ele não era de muitas folgas na casa de Gray, mas precisava sair de perto e pegar qualquer coisa gelada para beber.
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  Liu pegou um lenço em seu quarto e cobriu o quadril com o lenço amarrado. Estava de colam de dança e meias-calças. Ao retornar à sala, Jay estava na sala de estar. Sentado no sofá roxo sofisticado e de pernas cruzadas. Ela ia perguntar se ele desejava algo, mas Jay puxou assunto mais rápido:
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  — Fico feliz que não desistiu de vir. Tenho recebido muitos elogios de você.
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  — Eu não seria louca de deixar uma oportunidade como essa passar.
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  — E está gostando da empresa, da equipe?
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  — É tudo maravilhoso. E me deixa muito feliz, que Joon aceitou algumas sugestões minhas, embora eu tenha acabado de chegar.
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  — Claro… É tranquilo lidar com ele.
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  Ela concordou com Park, sorrindo.
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  — Liu… Por que você está hospedada aqui, mesmo?
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  — Houve um engano com a confirmação do albergue onde eu ficaria, e perdi a reserva. E não tinham outras opções mais baratas e seguras… A empresa também já não tinha como disponibilizar hospedagem. Gray insistiu em ajudar, e eu decidi pagá-lo a quantia que eu pagaria no hotel.
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  — E você está gostando de ficar aqui, com ele?
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  — Nos tornamos mais próximos, e Gray é divertido. Ele é bem diferente do que eu imaginava lá no resort.
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  — É, é… Ele é bem maluco. Lá no resort… — Jay pensava nas palavras enquanto ela observava-o curiosa: — Depois que eu fui embora, você e ele se conheceram?
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  — Como assim?
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  — Ele falou alguma coisa sobre…
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  — A traição?
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  Jay ficou incomodado com aquela palavra, mas Liu agia naturalmente.
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  — É.
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  — Não. Depois que você foi embora ele saiu com várias garotas, e aproveitou as férias dele, eu suponho. Não sei bem, porque, só fui ter contato mesmo quando ele me entregou a sua carta.
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  — Então vocês não se falaram?
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  Liu sorriu contrariada, e perguntou ao Jay:
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  — Por que vocês dois ficam me perguntando o que fizemos no hotel?
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  Jay não esperava uma pergunta como aquela, a mulher estava sempre cheia de dedos. Mas a julgar pela abertura de sua frase e o tom de sua voz, talvez, ele tivesse a ofendido.
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  — Desculpe! É que você fica tão preocupada com o que as pessoas da empresa podem comentar, e está morando aqui um tempo, mantiveram segredo… Eu achei que vocês pudessem…
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  — Estar juntos. — ela concluiu insatisfeita.
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  — É. Estão?
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  — O que o Gray disse?
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  — Que você é difícil e mais alguma coisa sobre não estarem.
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  — Pois é.
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  — Ele fica te perguntando o que fizemos no hotel? Tem mais alguém falando algo do tipo?
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  — Não. Não tem ninguém. Só o Gray, que faz isso para me irritar.
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  O telefone de Jay tocou antes que ele falasse algo. E ele atendeu apressado.
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  — Sim? Bem, por mim tanto faz. Não tenho restrição alguma, deixo para vocês fazerem a melhor escolha. Estou ocupado agora, por favor, resolvam isso.
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  Ele desligou a chamada e guardou o telefone.
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  — Era da empresa. Sobre a escolha da modelo que vai representar o novo single no comercial da televisão…
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  — Imagino que a música vai ser um sucesso em todas as plataformas!
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  Jay sorriu agradecido para ela.
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  — Certamente, você vai fazer parte disso tudo.
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  E ela sorriu tímida. Jay prestava atenção ao sorriso dela, e sentia uma falsa fragilidade naquela mulher. Algo natural, e não forçado. Como se ela mesma, não fosse capaz de distinguir a própria força e fraqueza. Pôs em sua mente, que ele, o inabalável “senhor confiança” poderia ensinar muita coisa para ela. Inclusive a se descobrir.
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  — Você disse que ele te irrita quando pergunta sobre nós no resort. Por quê?
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  — Por que…
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  A porta da sala abriu e Gray adentrou assustando-os. Ele olhou para os dois que conversavam sentados ao sofá, e sorriu.
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  — Atrapalho algo? — falou de modo sugestivo.
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  — Por que me pede para vir aqui, se nem em casa estava?
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  — Porque eu sabia que haveria alguém para receber você!
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  Ele falou óbvio caminhando até Liu e puxando-a pela mão, ergueu a garota de pé, e a abraçou apertado.
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  — Bom dia Liu…
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Ela retribuiu o cumprimento, confusa e assustada. Não eram daquilo e nem entendia o que Gray estava fazendo.
  — Essa roupinha logo cedo? Não me diga que você dançou para o Jay, mas não dançou para mim?
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  Ela soltou-se do abraço, que era necessário confessar: um dos mais confortantes que já recebera, e segurou Gray pelos ombros encarando-o:
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  — Você está bêbado? Não tem vergonha? São apenas nove horas da manhã!
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  — Se eu ficar bêbado você dança para mim?
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  — Aish! Cala a boca Gray! — ela deu um tapa no braço dele e se distanciou, olhou para Jay e disse: — Bem, com licença Jay. Eu vou deixá-los conversando.
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  — Pode ficar aqui, se quiser. — Gray respondeu sem entender a saída dela.
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  — Eu vou tomar um banho.
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  — Ah! Então me espere querida! Eu acabei de voltar da corrida matinal, podemos tomar um banho juntos de hidromassagem! Jay, você espera aqui, não é?
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  Gray falava fazendo graça e parou de rir quando sentiu uma almofada sendo jogada nele. Liu saiu constrangida dali, e subiu as escadas apressada. Gray foi à cozinha pegar água e ao voltar se jogou na poltrona em frente ao amigo. Jay olhava-o de modo diferente. Nem bravo e nem tranquilo. Mas sim, como alguém que perdeu um episódio de um fato importante, e não entendesse o que acontecia.
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  — E aí Jay, que cara é essa? — Gray perguntou após perceber o amigo confuso.
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  — Você está a fim dela?
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  — Eu já disse que você será o primeiro…
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  — É, é! Eu entendi isso! — Jay cortou o amigo por se envergonhar ainda de ter ficado com a namorada dele: — É só que… Você fica jogando piadas e indiretas para a garota…
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  — Não é que eu esteja a fim, ou não. Mas se Liu me der uma chance é claro que eu fico com ela. Ela é fantástica. Mas não estou interessado assim… Como você.
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  — Do que está falando, seu idiota?
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  — Jay, Jay… Você já saiu daquele resort com essa garota na cabeça! E fez o que podia para revê-la, e agora, desde que ela chegou você só sabe falar nela.
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  — E mesmo assim você me escondeu que ela estava aqui, com você!
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  Gray sentiu o ar um pouco mais tenso entre eles e bebeu o restante de sua água, mais sério.
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  — Eu não escondi nada. Eu só não comentei. Te perguntei todo tempo qual era a sua com ela. E me diga: por que eu tinha a obrigação de falar que estava ajudando a moça?
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  — Justamente porque eu só falo nela, desde que ela chegou.
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  — Então, você confessa que…
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  — Eu não sei! Não quero misturar as coisas e ser precipitado.
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  Gray suspirou pesadamente e revirou os olhos perguntando:
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  — Jay! Conta logo o que rolou entre vocês. Se estivesse apenas interessado em ajudá-la, não estaria assim. Você já saiu de Phuket com essa mulher na cabeça! — Gray falava apontando a escada, na direção onde Liu havia seguido.
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  — Não aconteceu nada. Ela só me aconselhou quando eu estava confuso com toda a situação entre Akemi e nós. Mas foi só. Eu queria retribuir de alguma forma as palavras dela…
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  — Só isso?
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  — Quando ela chegou aqui não tinha tanta coisa na minha cabeça, mas depois do teste… Depois de vê-la dançar, eu não vou mentir que fiquei curioso. Ela sempre tão tímida, frágil, quando dança… — Jay ofegou forte — E tem o Joon me passando o feedback dos ensaios dela… Sei lá! Eu fui criando uma personagem na minha cabeça, mas hoje… — Jay fez uma pausa — Deixa para lá.
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  — Uow, uow! Não! Agora fala hoje o quê?
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  — Ela estava ensaiando quando eu cheguei e pedi para assistir um pouco e… Tive vontade de agarrá-la na mesma hora Gray! Foi inexplicável, mas eu me lembrava dela vestida de camareira, e depois bar girl e depois…
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  — Ok Jay, entendi! Uow! Sei como é… Eu a vejo de pijama às vezes e me pergunto como eu consigo me controlar, porque ela é um mulherão, mas toda frágil… Toda meiga e tímida, mas aí de repente ela tem as respostas na ponta da língua e…
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  — Gray! Qual é?
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  Jay não gostou de ouvi-lo dizer aquelas coisas de Liu.
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  — Está com ciúmes, senhor Jay Park?
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  — Você não está ajudando.
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  — Então vou ajudar. Por mais que digam que não rolou nada, eu não sei se acredito. Tem certa química entre vocês. E… Realmente achei que atrapalhava algo quando cheguei.
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  — Não exatamente.
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  — Ok. Mas se acalme. Ela também sente alguma coisa. Fica toda cheia raivinha e sem graça quando pergunto de vocês. E sabe Jay… Você terá um tempo ao lado dela nesse trabalho, então, aproveite a chance pra se aproximar. Não faça como fez com a .
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  — Uow! Você está demais hoje, hein? Precisava lembrar ela?
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  — Há quanto tempo voltou da turnê e não foi vê-la? All I Wanna Do, realmente foi um sucesso e você não foi ao menos agradecê-la! Aigoo… Como é mulherengo este Jay Park.
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  — Mulherengo, eu? Até onde sei, quem foi que mandou Akemi embora e saiu com todas as garotas que pôde?
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  — Ei! Eu podia fazer isso! Afinal, a minha namorada havia dormido com o meu melhor amigo. E o orgulho de um homem, onde fica?
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  — Como você é machista, Gray! — Liu surgiu na sala de estar vestida para sair.
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  — Aonde vai?
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  — Melanie e Heiki me chamaram para almoçar.
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  — Ah… Achei que fôssemos almoçar juntos, os três! — Gray disse chateado apontando para Jay, Liu e ela.
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  — Que tal se Melanie e Heiki vierem almoçar com a gente? — Jay perguntou.
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  — Desculpe Jay, mas você é o chefe e a última coisa que eu quero é….
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  — As pessoas falando que você obteve alguma vantagem. — Jay e Gray responderam juntos.
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  Gray se levantou com as mãos na cintura e rosto preocupado:
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  — E onde será este almoço? Eu levo você!
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  — Não! — Jay falou rápido e urgente, atraindo os olhares surpresos dos dois — Vai tomar um banho Gray, se arruma para almoçarmos. Eu levo a Liu e volto.
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  Antes que qualquer um deles contestasse, Jay já estava saindo pela porta principal do apartamento. Liu olhou confusa para Gray, que abanou as mãos sorrindo sacana para ela ir.
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  — Gray…
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  — Ah não! Não me peça nada agora, você me rejeitou. Vá com o Jay. — subiu as escadas e gritou para ela, antes que os dois sumissem de vista: — E aproveite, Liu!
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  Dentro do carro de Jay, Liu sentia-se extremamente desconfortável. Não queria ser vista com ele. Será que ele não havia entendido?
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  — Você estava me respondendo uma pergunta quando Gray nos interrompeu.
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  — Verdade… Importa-se de perguntar novamente?
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  Jay parou o carro. Liu não entendeu e observou o local. Ele havia parado antes do restaurante, para que eles não fossem vistos, assim como ela queria. Ela sorriu sem graça, e agradeceu. Jay soltou as mãos do volante e encarou Liu, de modo ladino, com uma postura safada. A natural postura Jay Park.
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  — Eu queria saber por que te irrita quando Gray menciona um caso entre nós?
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  — Bem, porque você me deixou uma carta com uma chance de participar da empresa, e nós vamos trabalhar juntos e mal nos conhecemos. Então fica parecendo que eu…
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  — Já falei para esquecer o que as coisas possam parecer. Nem tudo o que parece é, e você não deve passar a sua vida tentando provar o que não fez às pessoas.
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  Jay se aproximou um pouco de Liu, umedeceu os lábios e os mordeu. A mulher repetiu o gesto sem encará-lo.
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  — Liu. Se eu não tivesse feito o que fiz, você acha que teríamos nos encontrado de novo?
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  — Foi por isso que você fez o que fez?
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  — Não… Não acho que posso dizer que foi por isso. Eu realmente queria te dar uma oportunidade e agradecer pelas suas palavras no resort… Mas eu também não posso dizer que não tinha esperanças de revê-la.
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  — Então você queria me rever?
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  — Sim… — Jay olhava intensamente para ela.
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  — Então, se queria… Eu acho que mesmo não me dando a oportunidade de vir, você daria um jeito de voltar a Phuket e me achar.
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  — E o que fazemos agora? Que estamos aqui… — Jay se aproximou aos poucos inebriando Liu: — E podemos aproveitar que estamos nos vendo, e trabalhando juntos…
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  Liu se afastou como se despertasse. Pigarreou, com Jay ainda próximo a ela, e concluiu:
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  — Agora, eu desço aqui, pois, tenho um almoço. E você tem que sair com Gray… E… E… Segunda-feira começa as nossas gravações.
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  Jay concordou em um aceno de cabeça incrédulo, e Liu saiu. Ela andou apressada sem nem olhar para trás, abanando-se com a própria blusa. E Jay, se arrependeu de ter tentado aquele avanço. Fora precipitado. O que será que ficou parecendo? Será que ela o interpretaria de modo equivocado? Por hora, o que deveria fazer era voltar à casa de Gray. Durante todo o fim de semana, Liu estava ansiosa e nervosa com as gravações de segunda-feira. Depois do momento no carro de Jay, ela não sabia como deveria reagir. Como deveria o interpretar. E julgando por Gray não ter dito nada, Jay não deve ter contado do quase beijo.
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  Nota de Autora: Eita-lá-lá! Parece que agora temos os melhores amigos envolvidos pela mesma mulher de novo! E será que mesmo com Gray lembrando-o de Monique, Jay irá atrás da nossa pp? E Akemi, onde será que aquela mulher se meteu? Espero seus comentários!

Capítulo 9

Faixa 4:
‘You Know (Feat. Okasian)’

  Na segunda pela manhã, Gray dirigiu com Liu em seu carro até o endereço onde seriam as gravações: uma das mansões de Jay. Ao chegarem lá, uma confusão de equipes de filmagem, maquiadores, figurinistas, as dançarinas, e outras pessoas. Jay viu Gray e Liu entrando juntos, e mal teve tempo de falar com ela. Joon imediatamente foi arrastando Liu para as maquiadoras, cabelereiros e figurinistas.
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  — E aí Jay, vamos que vamos! Me Like Yuh vai ser mais um MV de sucesso, man!
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  — Tenho certeza…
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  Jay não tirava os olhos de Liu e Gray percebeu:
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  — E você está bem ansioso para ver a Liu em cena, não é?
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  — Eu quase a beijei, Gray.
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  Jay disse sem pensar e Gray o olhou curioso, assimilando o que ouvira.
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  — No sábado? Quando levou ela para o almoço?
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  — Sim.
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  — E aí?
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  — Ela não quis. Saiu fora.
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  — Eu a entendo, Jay. Imagina só, ela vai contracenar diretamente com você… A menina vem lá de Phuket, do nada. Passa numa peneira onde havia candidatas das melhores escolas de dança…
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  — É eu sei. Mas eu não sei o que fazer Gray. Eu devo me desculpar? Será que ela me entendeu errado? E outra! Ela passou por méritos dela.
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  Enquanto Gray pensava numa resposta, uma mulher surgia acompanhada de assessores. As equipes presentes prestaram atenção nela, e quando voltaram seus afazeres Jay não acreditava em quem era.
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  — O que ela faz aqui? — Gray perguntou insatisfeito.
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  — Não faço ideia.
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  Niga a recebeu e a acompanhou até Jay. Mas assim, que Gray percebeu a aproximação dela, ele saiu de perto. Caminhou até Liu. A mulher observava atenta, aquele reencontro e apertou, solidária, o ombro de Gray ao seu lado, logo que ele se apoiou na penteadeira onde ela estava sendo arrumada.
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  — Jay, esta é Akemi. A modelo selecionada para a campanha publicitária.
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  Jay chamou Niga em um canto para falar-lhe:
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  — Por que, num mundo de modelos, vocês selecionaram logo esta mulher?
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  — Quando telefonei você informou que não tinha nenhuma restrição.
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  — Akemi… — Jay sacudia a cabeça, incrédulo.
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  — Quer que eu a dispense e rompa o contrato?
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  — Não. Agora eu sofro as consequências… E romper o contrato trará mais prejuízos. Deixa que eu falo com ela.
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  Jay foi ao encontro de Akemi novamente. Gray e Liu observavam a cena. Ele extremamente irritado, e ela ansiosa. Havia um sentimento a mais, no coração de Liu. Uma angústia diferente. Gray fez menção de se levantar, mas Liu foi mais rápida e levantou-se se pondo na frente dele.
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  — Calma! Não faça besteiras! — disse Liu para Gray.
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  — Então trabalharemos juntos, Jay! — Akemi falou para Jay no local onde estavam distantes de Gray e Liu.
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  — Não. Você vai trabalhar na campanha da minha música. Eu e você não teremos nenhum tipo de contato. Você fará as fotos aqui nos cenários, e depois eu não quero ver nem mesmo o vulto da sua silhueta.
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  — Uow Jay. Onde está seu profissionalismo?
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  — Niga! Encaminhe a senhorita Akemi, por favor. — Jay chamou o diretor, e antes que ele se aproximasse mais, Akemi falou:
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  — Jay. Não há impedimentos para nós. Por isso eu o procurei. Eu estou solteira, você também… — ela se aproximou passando a mão no rosto dele.
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  — Saia! — Jay retirou as mãos dela do rosto dele, e deixou-a na companhia de Niga.
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  Gray estava do outro lado da sala, a ponto de dar um soco em alguém. Liu ficou absurdamente assustada pela reação de Gray. Ela tocou as costas dele, numa tentativa de acalmá-lo. Jay observou aquela cena um pouco depois. Os dois tão próximos e Liu consolando Gray. Afagando as costas e ombros dele. E quando Jay pensou em caminhar até eles, os dois saíram para um lugar menos movimentado. Akemi já tinha visto Gray ali, e notado a presença de Liu com ele. Ela seguiu os dois.
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  — Gray, por favor, se acalma! Olha só! Você… Você não precisa estar aqui. Por que não vai para casa? Eu te ligo quando tudo acabar… Ou melhor… Eu pego carona com alguém.
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  — Liu, não! Eu não vou sair daqui por causa daquela vadia! Eu só… Eu fico tão irritado por não ter… ARGH! Que cara de pau a dela, em aparecer aqui e ainda seduzi-lo na frente de todos!
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  — Gray? — Akemi surgiu no corredor onde estavam: — Vejo que ainda não pode superar o que houve, e me perdoar.
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  — Você é uma grande cara de pau, não é, Akemi? O que é? Apaixonou-se pelo Jay numa transa de uma noite?
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  Liu segurou a mão de Gray, a fim de passá-lo um pouco de calma antes que ele pulasse no pescoço de Akemi.
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  — Quem é essa?
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  — Liu. A dançarina principal do MV. — Gray disse segurando a mão dela de volta, na mesma tentativa de protegê-la.
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  — Eu a conheço de algum lugar…
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  — Eu fui camareira do resort em Phuket.
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  — Uma camareira? Dançarina?
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  — Qual o problema Akemi?
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  — Foi você, não é Gray? Mal me deu um pé na bunda e já saiu trazendo a primeira que encontrou!
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  Akemi ficou furiosa de ver Liu ao lado de Gray.
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  — Não fale assim de Liu! Ela é uma mulher muito melhor do que você!
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  — Gray, deixe-a falar, vamos embora… — Liu dizia preocupada ao Gray.
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  Jay surgiu onde os três estavam, mas não interrompeu.
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  — Melhor do que eu, em quê?
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  — Ela tem dignidade! Coisa que você não tem, sua vadia! Você me traiu com o meu melhor amigo!
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  — Qual é Gray? Todo mundo erra! Vai me crucificar até quando? Você já até partiu para outra! — ela disse apontando Liu, e voltou à palavra a mulher: — E você Liu, cuidado! O Gray vai se cansar de você e te substituir no primeiro erro que você cometer, assim como fez comigo!
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  Gray perdia cada vez mais a paciência. Soltou a mão de Liu e avançou alguns passos até Akemi, falando de maneira rude:
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  — EU TE SUBSTITUÍ? Você é louca? Você enganou a mim, enganou ao Jay e ainda tem a cara de pau de aparecer aqui e dizer que eu te substituí, no primeiro erro? Como se fosse um errinho simples, não é, Akemi?
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  — Gray! Chega! Vamos voltar para o salão, temos responsabilidades e não vai adiantar discutir! — Liu falou pondo-se em frente a ele.
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  — Akemi, nunca mais apareça na minha frente. Sua golpista! É isso que você é, uma mercenária, uma interesseira!
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  — Eu sou mercenária, interesseira? Eu? Uma modelo de carreira feita? Acho que está confundindo, Gray! A sua namoradinha camareira que agora está pagando de dançarina tem muito mais cara de ser a golpista aqui!
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  — Você! Cala a boca! — Liu perdeu a paciência com Akemi: — Não me ofenda! Eu exijo respeito, porque eu não estou faltando com o respeito a você! Presta atenção garota! Para de brigar com uma mulher por causa de homem! Principalmente agora que você é tão culpada disso tudo quanto ao Jay Park! Então para de bancar a sonsa, e principalmente de descontar sua raiva em quem não tem nada a ver com a sua sujeira!
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  Era vez de Gray segurar Liu. Ele tinha passado os braços em volta do tronco de Liu, colocando-se ao lado dela para segurá-la. Já havia descontado sua raiva, e precisava se controlar. Akemi ofendera Liu e por mais que a vontade dele fosse humilhar ao máximo que pudesse Akemi, ele sabia ser errado. E sabia que precisaria manter o controle por Liu. Akemi ficou estática depois que Liu falou tudo aquilo, olhou com raiva para Liu. Analisou a mulher que estava maquiada, e vestida com um hobby devido à preparação para a gravação, de cima à baixo. E depois de encarar Liu, perguntou diretamente ao Gray:
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  — O que a santinha da sua namoradinha tem de especial?
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  — Eu não sou… — Liu foi interrompida por Gray.
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  Ele não a deixou explicar que não era santa, e muito menos namorada de Gray. Beijou Liu ali mesmo. Puxou a amiga contra o seu corpo, e iniciou um beijo eufórico que aos poucos foi ganhando um compasso bom. Liu foi pega de surpresa, aceitou o beijo, e não sabia se deveria romper. Entendeu que Gray fez aquilo para se vingar de Akemi. Jay estava ao fim do corredor e odiou a cena. Ele também entendeu a estratégia de Gray. Na verdade, esperava que fosse aquilo realmente. Quando Gray se separou de Liu, Akemi não os olhava.
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  — Gray… — Liu parou de falar antes que prejudicasse a postura do amigo perante a ex.
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  — Tudo bem Liu, Akemi pode e deve saber que somos um casal.
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  — Ainda por cima é segredo? — Akemi perguntou sarcástica.
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  Jay estava confuso com aquela pergunta. Ele não entendeu o que acontecia ali. Gray mentira para ele ou para Akemi?
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  — Caráter! — Gray se aproximou de Akemi sussurrando bem perto do rosto dela: — É o que a Liu tem que você não tem, Akemi. Caráter!
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  — Liu! — Jay chamou-a fazendo os três perceberem sua presença ali: — Vamos começar a gravação, por favor, retome seu lugar.
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  Liu assentiu envergonhada. Quanto tempo ele estava ali? Ela soltou-se da mão de Gray e passou por Jay encarando-o constrangida. Ele olhou para ela de um modo chateado, mas nem mesmo sabia se devia se chatear por aquilo. E muito menos compreendia aquela nuvem de ciúme que pairava em sua cabeça.
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  Jay encarou Akemi com ódio, e olhou indiferente para Gray e saiu seguindo Liu. Gray saiu em seguida, deixando Akemi só. Jay já no salão de preparação ouviu Joon e Niga reclamando com Liu, sobre o sumiço e atraso. Todos olharam na direção deles, como se perguntassem onde estavam. Atrás surgiram Gray e Akemi. As dançarinas olhavam curiosas para Liu. Jay se aproximou de Liu e falou discreto para ela:
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  — Você está bem?
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  — Olha a reação deles, estão todos olhando torto para nós agora.
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  — Não se preocupe com isso! Ninguém vai falar nada que não deva.
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  — De você, que é Jay Park. O dono disso aqui.
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  Liu falou um pouco chateada e irritada.
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  — Não fui eu que te beijei e declarei ser o seu namorado.
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  Jay respondeu no mesmo tom.
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  — Nós não somos.
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  Liu respondeu e logo a figurinista estava ao seu lado puxando-a para a troca de roupa. Niga chamou Jay para o primeiro cômodo da mansão onde seriam gravados os primeiros blocos de cena. Ele suspirou fundo e seguiu. Gray sentou-se na ala dos convidados e Akemi foi direcionada à preparação para tirarem as fotos assim que terminassem o primeiro bloco.
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Gravações: Dia 1 — Bloco 1

  Jay estava com a cabeça um pouco pesada. Lidar com o surgimento de Akemi havia sido uma desagradável surpresa, mas pior foi ver Gray beijar Liu. Ele não compreendia o que havia acontecido para ele ter aquele tipo de sentimento por aquela mulher. Eles não haviam vivido nada de especial, mas como o próprio Seong-Hwa dissera, havia uma química entre eles. E Jay sentia-se péssimo por não ter sido ele a beijar Liu. A cabeça pesada contribuiu para o ar indiferente que Niga tanto pedia para ele atuar, em sua cena. A cena filmada, era a inicial com sua entrada de costas, passando em um corredor para um salão. Após a entrada dele, um corte fora feito. Niga explicou que a introdução do MV seria composta por uma montagem de cenas iniciais de Jay em cada cenário que seria gravado. Logo após filmar Jay entrando, era vez de filmar a entrada das dançarinas Melanie e Heiki. As meninas vestidas com biquínis, e com uma capa alaranjada com a frase tema da AOMG. Após a filmagem delas, outro corte. E iniciara-se a coreografia solo de Jay. Ele no salão verde, vazio, cantando e dançando sozinho. Todas as cenas filmadas ali com Jay foram feitas naquele momento. Niga pausou a gravação e recompôs o planejamento:
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  — Jay! Faremos uma mudança! Eu filmaria todas as cenas solo suas, e depois voltaria filmando as cenas onde as dançarinas entram. Mas é melhor que eliminemos as gravações não pelos componentes, mas pelos cenários. Alguma objeção?
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  — Não, por mim ok.
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  — Ótimo! Então, Liu! Prepare-se! Você entra agora, faremos uma segunda tomada dessa cena com Jay, Melanie e Heiki.
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  — Niga! A cena de Melanie e Heiki ficou boa! Não precisa refazer. — disse um dos auxiliares de direção.
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  — Tudo bem, então, figurino: façam a primeira troca de roupa das meninas! Todos em seus lugares…
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  Logo, Melanie e Heiki foram direcionadas à troca de roupa: vestiriam o maiô preto. Liu, já alongava. Estava pronta. E Jay retornou para refazer a cena da entrada. Em seguida, Melanie e Heiki entraram no cômodo onde Jay atuava para filmar uma cena onde as meninas ficariam em pé, em cima de uma mesa de mármore. Jay retorna ao cenário, grava as cenas onde aparecerá sozinho naquele cenário, e depois Liu entra junto com ele.
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  Ela vinha andando sensual na direção de Jay. Caminhou até a lareira falsa e rebolou atrás dele, enquanto ele cantava e encenava de costas para ela. Depois Jay ficou de frente para Liu na lareira e a mulher continuou sua dança sensual. Àquela altura, Jay não conseguia mais ser indiferente. Ele tentava seduzi-la com sua voz e marra. Recordava-se da mulher dançando na sala da casa de Gray. Quando Liu abaixou-se na lareira rebolando requebrado e Jay deveria ficar olhando-a, a vontade dele era tocar o corpo dela e conduzir os movimentos de Liu. Mas mesmo quando a mulher se colocou colada ao corpo dele, em sua frente e descia rebolando, ele não podia tocá-la. Aquela dança entre eles compunha um “pega-pega” coerente e permissivo. Onde Jay ficaria seguindo Liu como sua sombra, por aquele espaço, mantendo certa distância. Jay estava pensando se Joon havia tentado contracenar com Liu, além de apenas assisti-la, para inventar um absurdo de coreografia onde não poderia tocar a dançarina.
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  Outra pausa fora feita. Niga dispensou Jay e Liu para que Melanie e Heiki fizessem suas filmagens naquele salão de mármore. Enquanto as dançarinas filmavam a cena com as armas e com os movimentos sensuais, Liu foi até Gray. Ela viu o amigo sentado disperso, e Jay foi atrás deles. Ele gostaria de saber o que realmente acontecia.
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  — Gray, esquece o que aconteceu… — ela falou acariciando o cabelo dele.
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  Jay observou aquilo e olhou à sua volta pensando se deveria mesmo se aproximar. Ajeitou sua roupa e foi.
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  — Liu, eu estou com ódio de Akemi! E cara… Desculpa pelo que fiz você passar… Todo mundo olhou pra você daquele jeito que você estava evitando.
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  — Não foi sua culpa Gray. Foi minha. Fui eu quem saiu de um corredor junto com ela. — Jay aproximara-se dizendo.
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  — Mas eu também vacilei. Desculpa ter te beijado e inventado aquela história na frente da Akemi. — Gray pegou a mão de Liu beijando-a e a mulher sorriu com aquilo.
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  — Ei, não peça desculpa pelo beijo. Foi bom.
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  — Gostou? — Gray sorria sacana: — Estamos aqui para o que precisar. Também oferecemos outros serviços…
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  — Peça desculpa por não me pedi-lo. — Liu ralhou pela ousadia de Gray.
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  — Se eu pedisse estragaria o disfarce. E você não me beijaria também! Tenho tentado ser educado desde que você chegou…
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  Os dois riram, mas Jay não estava bem com aquela conversa.
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  — Então casal? — ele perguntou irritadiço: — Agora que Akemi sabe em quanto tempo os rumores vão se espalhar?
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  — Ela não fará isso. Eu exigi que ela não fizesse logo que vocês saíram. — Gray falou.
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  — E você vai confiar nela?
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  — Jay, qual a probabilidade desse rumor ganhar força? Todos estão desconfiando de você e da Liu.
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  — Mas Akemi vai declarar o que viu.
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  — Ela não vai.
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  — Ei! — Liu se intrometeu fazendo os dois pararem de discutir: — Que se exploda! Agora não adianta. Se espalharem boatos com qualquer um dos dois, nós três vamos desmentir.
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  — Liu, se souberem que você mora com Gray, as coisas não poderão ser desmentidas.
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  — Assim como quando a gravação vazar né, Jay? Ou acha que ninguém vai acreditar que Liu e você estão em um novo affair graças às gravações?
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  — Vocês dois querem parar?! Estão me deixando preocupada!
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  Assim que Liu bronqueou discretamente com eles, a figurinista chamou Jay e ela para a troca de figurino.
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Gravações: Dia 1 — Bloco 2

  — Quimono?
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  Jay perguntou confuso à figurinista ao vestir aquilo, e ficou ainda mais curioso quando viu Liu vestida com um maiô vermelho sobre um colete de plumas preto. Liu já sabia como seriam as cenas próximas e estava extremamente nervosa com aquilo. Foi ali que ela parou a dança na sala da casa de Gray.
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  Ela já estava no corredor, em frente à porta do próximo cenário aguardando Jay. Ele chegou até ela e Niga deu algumas instruções. As filmagens retomaram e ela dando a mão ao Jay puxava-o para dentro do cômodo. Jay sentia que