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Sem curiosidades para essa história no momento!

Enemies But We’ve Got Benefits

  O assobio de foi se tornando mais alto, mas eu ainda não consegui sair do sofá, apenas usei a almofada para tampar meu rosto, sabendo que ele iria acender as luzes sem qualquer piedade, até porque odiava ficar em ambientes muito escuros. E não demorou muito para que o barulho da chave na porta se fizesse presente, assim como o volume de sua voz, agora cantarolando qualquer melodia. Conhecia-o suficientemente para saber que muito provavelmente ele estava fazendo uma dancinha comemorativa por chegar em seu apartamento um tanto mais cedo naquele dia. A demora da fechadura sendo aberta me trouxe mais certeza a isso.
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  Ri fraco sabendo que, além desse detalhe, iria se surpreender ao entrar em casa e me ver ali, jogada em seu sofá da forma mais deplorável possível. Quando a chave tornou a fazer barulho, suspirei, segurando firme a almofada em meu rosto.
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  1, 2, 3…
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  A porta abriu.
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  — Puta que pariu! — Ele berrou e pelo vão das brechas da almofada eu pude ver a claridade.
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  Joguei a peça decorativa no chão e sorri cínica, dizendo:
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  — Olá, gatinho.
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  Vi sua mandíbula travar e ele jogou em cima da poltrona a frente de seu corpo sua mochila, tirando o boné para o mesmo destino. Seu olhar em minha direção não foi se suavizando, diferente da sua respiração assustada que voltou a funcionar normalmente.
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   estava bravo comigo invadindo o apartamento dele sem avisar, embora ele soubesse que eu sabia onde ele escondia a chave reserva para emergências. Nem um pouco inteligente, mas isso eu não discutiria com ele.
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  — O que você está fazendo aqui, Bee? — fui questionada com sua voz grossa. — Já falei para avisar quando vier me fazer visitas.
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  Apenas suspirei e repassei novamente a conversa que ele insistia em querer me convencer de que nossa amizade não permitia esse tipo de coisa.
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  Ele mesmo tinha me acostumado assim, não compreendo.
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  — É uma emergência. Não tinha sorvete na geladeira do hotel — levei meu braço para cima do rosto, cobrindo os olhos fechados. — Mas aí cheguei aqui e também não tinha, achei que você soubesse sofrer como os meros mortais.
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  — Odeio quando você fala assim, como se eu compreendesse suas maluquices de primeira. — Ele bufou e eu ouvi o barulho do assento da poltrona, como se tivesse se jogado contra ele. — O que aconteceu? — Sua pergunta demorou a sair, talvez estivesse notando todo o lugar. — Você está um trapo e deixou minha sala imunda, Bee!
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  Não respondi, apenas apontei para o celular na mesinha ao centro, móvel colocado milimetricamente ali para separar o sofá das outras duas poltronas. Mais um tempo levou e eu sabia que se esticou de seu lugar para pegar meu aparelho, em sequência ouvi apenas o estalo de sua língua no céu da boca.
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  Suspirei, repassando a mensagem novamente em minha mente.
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  — Ah… Bibi, sinto muito por isso. — disse melódico e eu logo senti sua presença ao meu lado, sentado no chão. — Era pra ele embarcar hoje, não é?
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  — Sim… — ri nasalado, abafado.
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  Um silêncio se instalou entre nós e eu tirei o braço da frente dos olhos, abrindo as pálpebras com cuidado para ir me acostumando lentamente à claridade das luzes acesas.
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  Virei o rosto para ele devagar e sorri com os lábios fechados.
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  — Não estava preparado para esse dia. Nunca pensei que você fosse sofrer por qualquer término. — Ele fez uma careta, tocando a ponta do meu nariz. — Desculpa pelo sorvete.
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  — Fica tranquilo, aquilo foi uma brincadeira. Eu não tô sofrendo tanto assim pra me matar de consumir açúcar. — Lhe tranquilizei. — Só preciso me acostumar com a ideia de que acabou, depois de tanto tempo.
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  — Você vai superar. Assim como todas as outras coisas em sua vida — sorriu pra mim e, se não fosse por seu celular vibrando incessantemente na poltrona, ele teria dito algo mais.
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  Vendo que estava ignorando fosse lá o que acontecia ou quem o chamava, arqueei a sobrancelha.
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  — Vai ignorar?
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  — Não deve ser ninguém importante. Vou tomar um banho e pedir almoço pra nós, já pensa aí o que vai querer. Italiano? — Ele se levantou, levando as mãos à cintura.
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  Assenti e curvou o tronco, beijando minha testa antes de sair. Encarei o teto, ainda um pouco perturbada, mas não tive muito tempo para focar minha atenção nos pensamentos confusos sobre como eu me sentia diante do término de meu relacionamento com Rodrick, que não era uma relação ardente em tanta paixão a ponto de me deixar sofrendo em tristeza, completamente para baixo. Na real, eu ainda não sabia exatamente qual o tipo de sentimento estava gerando; seria necessário um certo tempo para eu digerir a situação.
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  O celular dele não parou de vibrar.
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  Me levantei e peguei o aparelho, rindo desacreditada de como meu melhor amigo continuava sendo tão previsível em suas escolhas. Mesmo após anos, ele ainda usava a mesma sequência de números como senha. Logo, eu estava lendo suas mensagens, que eram inúmeras — desistindo de ficar fuçando, abri somente o grupo que não parava de chegar notificações.
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  — Safado! — resmunguei, saindo em direção ao seu quarto.
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  No grupo de seus amigos não se falava outra coisa além da noite especial no Katapins, uma boate um tanto diferente numa região completamente afastada de Seul que eu nunca tinha ido antes, vide o fato de depois da maioridade não morar mais no país.
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  Ao ler as palavras “festa”, “especial”, “idols” e “máscara” soltas pelo chat, senti meu coração acelerar, encontrando nisso um escape para aquele tédio existencial. Corri pelo corredor curto até o quarto de , abrindo a porta rapidamente e seguindo a trilha de peças caídas no chão, o que me levou até o banheiro. Não raciocinei, apenas entrei, empolgada e curiosa demais.
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  — Você tem uma festa hoje? — perguntei alto, assustando-o. Ele estava entrando no box de banho, completamente nu, mas eu não me importava; não causava absolutamente nada em mim e eu também não me importaria se ele fizesse o mesmo.
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  — Ai, merda! — Ele reclamou, se assustando e quase escorregando na água. — Bee! — tentou se cobrir, ficando de perfil pra mim, com uma parte do corpo dentro do box e a outra para fora. — Dá pra você sair? — Me implorou com os olhos arregalados.
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  — Ah, não tem nada aí que eu já não tenha visto — revirei meus olhos, saindo da porta e indo para o sanitário, me sentando nele com a tampa fechada. — Nossas mães botaram a gente pra tomar banho junto quando éramos crianças e já vi todo o seu material em outras ocasiões.
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  — Quando éramos crianças e depois quando estive bêbado, são coisas e épocas completamente diferentes.
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  — Que seja. Não to te olhando… — gesticulei para ele entrar no box, voltando a ler as mensagens no grupo, abrindo um contato. Vi a foto do mais novo do grupo e analisei, dando zoom. — Quando foi que o seu maknae ficou tão gatinho assim?
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   tentou pegar o celular da minha mão, mas eu fui mais rápida e, dado ao desespero dele para se manter coberto com uma mão, ele falhou. Respirou fundo e entrou no box, desistindo de combater a minha insistência.
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  — Fica longe do meu maknae… Você não vai desvirtuar nenhum membro desse grupo! Principalmente o mais novo — disse, me fazendo ter uma lembrança de situações passadas.
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  Ri fraco, ignorando a ignorância dele, e voltei a ler a conversa animada do grupo.
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  — Não disse que quero estar perto, só que ele ficou muito gatinho. O ponto aqui é outro, meu bem — bati no vidro, assustando ele. — Quero saber qual o traje que devo vestir para essa festa incrível que meu melhor amigo vai me levar hoje.
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  — Que melhor amigo?
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  — Você.
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  — Eu não sou seu melhor amigo. — revirou os olhos e eu quase caí na dele. — Sou seu irmão mais velho.
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  — Uma semana mais velho porque nossas mães não souberam calcular direito e você quis nascer primeiro, seu trapaceiro — apontei, fazendo uma careta.
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  — De qualquer forma, sou seu oppa.
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  — Vou te falar onde você vai enfiar esse oppa — suspirei, levantando do sanitário e abrindo o box.
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  — Bee!
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  — Foda-se — sinalizei pra ele ficar quieto. — Você vai me levar nessa festa. Eu estou de luto por um relacionamento que terminou depois de um bom tempo.
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  — Você nem gostava do Rodrick, Bee. Vivia dando mole pro Hoshi quando vinha pra cá, inclusive.
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  — Não vou entrar nessa discussão com você porque irá usar isso para mudar o assunto. Você vai me levar e ponto final, .
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  — Jamais. Você não trouxe roupa pra isso. É vestido longo, chique, coisa requintada.
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  — Eu posso usar um dos seus ternos da Merrion. Ficaria lindo aquele blazer preto, com o sutiã que estou usando hoje… — arqueei a sobrancelha, cruzando os braços, e ele me encarou com tédio. — Qual é, … Eu voltei pra Seul na intenção de ficar, você mesmo dizia que sentia minha falta, agora tô aqui e preciso superar o término com Rodrick.
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  — Sua cara nem treme. Está precisando só digerir que alguém te deu um fora.
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  — Olha, você sabe que eu nunca fui de aceitar a tristeza tão fácil assim. Mas o Rodrick sempre foi uma pessoa importante pra mim, você sabe também, melhor que ninguém, como me mudar para Nova York foi difícil e viver como imigrante naquele país é uma merda. E ele foi o único que me recebeu, o único que eu tinha lá enquanto deixei você pra trás — senti meus lábios tremerem, ficando um pouco emotiva, e respirei fundo. — Tudo bem se você não quiser me levar pra essa festa, eu fico aqui. Sozinha.
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  Me preparei para sair, deixando o celular em cima do sanitário e dando as costas para ele. Quando dei o primeiro passo, senti algo molhado em meu braço me puxar para trás, forte, chacoalhando meu corpo.
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  — Ah, que nojo! — reclamei, tentando sair do abraço encharcado de . — Você está pelado!
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  Ele gargalhou, me apertando mais.
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  — Foda-se — repetiu o mesmo tom que usei antes, ainda rindo, e eu contei com, pelo menos, meu quadril afastado dele, tendo o rosto sendo esmagado em seu peito coberto por apenas água e nada mais. — Posso terminar meu banho e me trocar para irmos atrás de uma roupa pra você?
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  — Pode — respondi abafado, contra sua pele.
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  — Obrigado, Bee. Você é a melhor. — me soltou e eu o encarei fulminante, lhe mostrando o dedo do meio.
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  — Não demore ou eu desligo a energia da casa — avisei, saindo por fim.
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🍷

  “Fora de vista para onde estou correndo agora… As luzes me cegam, me puxam para perto”
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  “Vermelho sangrento em chamas”
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  “Ela me absorve”
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  A voz de no rádio me fez divagar tão profundamente, que em questão de segundos ouvindo Ruby, eu já tinha me transportado para a letra, como se fosse o sujeito de toda aquela história. Simplesmente porque parecia certo me comparar com o que estava sendo cantado, lembrando quem eu iria encontrar naquela festa.
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  Há quem diga que eu sou extravagante.
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  Mas também há quem me julgue exagerada.
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  Não posso esquecer dos que me olham e reviram os olhos. Esses são os meus favoritos, porque no fim das contas, o julgamento pelo meu jeito fora do senso comum tradicionalista cai por terra quando minha mãe exibe o maior sorriso nas rodas com as dondocas que ela considera amigas ao falar sobre mim. Ou então quando meu pai bate no peito para dizer que sim, que sou seu maior orgulho. Simplesmente porque eu sou quem eu sou abertamente, e não me escondo em tradições ou um conservadorismo apenas por agrado.
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  E também há os que não se importam e respeitam quem eu me tornei. O é um grande exemplo, único ser possível com a capacidade de me fazer voltar para Seul e ficar para morar, trabalhar, construir minha vida e todos os bla bla bla existentes. Quando digo que meu melhor amigo barra irmão de outra mãe é manhoso e não sabe viver sem mim, tenho como provar com áudios, mensagens, vídeos e até as cartas sem noção que ele escrevia pra mim, mesmo já sendo um adulto e idol mundialmente famoso. Nós crescemos juntos e isso fez com que criássemos um laço indestrutível, ele me conhecia mais do que a si e vice-versa, então viver longe um do outro não era nada fácil.
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  Eu tinha dezessete anos quando meu pai precisou voltar para os Estados Unidos; filho de uma coreana com um americano, ele se mudou para Anyang ainda novo e lá, num final de semana de muita festa — em sua fase adulta —, conheceu minha mãe. Quando meus avós se aposentaram, por fim, voltaram para Nova York e ele ficou sozinho, sendo filho único e não tendo nenhum contato a mais com a família; minha mãe acabou sendo a única pessoa que ele tinha e, tão breve quanto a paixão que cresceu entre eles, eu vim ao mundo — inclusive, é possível ver Bee dando uns quilinhos a mais para a mamãe em seu casamento, pouco depois da cerimônia da família Kim, os pais de .
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  Sempre tive essa ponte aérea entre América e Ásia recorrente por conta dos meus avós e o trabalho do meu pai, que logo foi o responsável por fazê-lo passar mais tempo lá do que cá. Minha mãe tinha uma raiz tão forte em Anyang, que foi difícil ela se desprender, isso só aconteceu depois que eu e crescemos e ele foi para Seul, se preparar para ser um idol, coincidindo com o falecimento seguido de vovó e vovô.
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  Essa parte dramática eu gosto de pular. Eu e ele tentamos juntos, mas somente o galã passou, até porque eu não tinha vocação nenhuma para cantar, dançar já bastava. trabalhou por anos para fazer o debut como idol, enquanto eu fiquei na minha zona de conforto com apenas a dança. Porém, quando terminei o ensino regular, perto de completar dezoito anos, nossas mães já conseguiam viver uma longe da outra, então meu pai convenceu minha mãe a nos mudarmos para Nova York em definitivo. A princípio eu não queria ir, não tinha como imaginar meus dias sem o chato do meu lado, sem poder ver Hoshi — que na época era a minha maior paixão platônica —, um dos membros de seu grupo, ou ficar longe da minha vida em Seul.
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  Mas eu fui.
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  E foi bom. Iniciei um curso de dança para me formar, conheci Rodrick e tive várias chances de voltar para Seul, como promessa do meu pai para que eu não perdesse as raízes que criei no país que nasci. Sempre que eu vinha, os Kim me recebiam da mesma forma, mesmo que não estivesse por conta de sua agenda maluca com o grupo. Quando eu não podia vir e ele estava por aí no mundo, me dando a louca, eu ia atrás dele.
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  Não tenho muito o que elaborar sobre minha história com ele, somos ligados demais um ao outro para eu deixar ele ser o meloso sozinho, às vezes os meus momentos rolam também. é a pessoa mais importante da minha vida junto com meus pais.
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  O principal nessa perspectiva da “desertora” sempre foi o que ser amiga dele me proporciona e acho que, talvez — com uso de ironia —, o meu ponto fora da curva do tradicionalismo tenha sido influenciado por isso: ter um melhor amigo rico, famoso e cheio de amigos lindos, além de residir em outro país com outra cultura. Em algum momento da minha vida eu provei esse lado flamejante do desejo, da libido, e não cansei mais. Rodrick era bom, mas não chegamos a ter um relacionamento tão fechado. Como disse para : ele era alguém especial, não o amor da minha vida.
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  Acontece que eu me tornei o que todo tabu odeia: a pessoa sem tabus.
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  E isso desagradava a muita gente.
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  Se tornava até cômico que tivesse escrito uma música inspirada em mim. Pelo menos ele apreciava meu jeito e sabia respeitar quem eu era.
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  — Desce. — A voz de ecoou, me cortando do momento reflexivo.
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  Sai dos meus devaneios e, com o cenho franzido, virei o rosto para encará-lo. Ele só podia estar de brincadeira comigo.
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  — Oi? — perguntei, confusa.
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  — Desce. Você pode descer aqui. — Ele repetiu, esticando o braço na intenção de abrir a porta pra mim.
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  — Está tirando uma piada com a minha cara, ? — novamente perguntei. Agora, ao invés de confusa, eu queria usar meu cinto para prender os braços dele e fazer cócegas em seu corpo até que chorasse ( odeia isso justamente por ter cócegas demais).
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  — Eu não quero que a me veja chegando com você — endireitou o corpo no encosto do banco, ajeitando seu blazer com os botões abertos, e me encarou sereno, como se aquilo fosse completamente aceitável.
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  Tinha lido esse nome na conversa do grupo, com Hoshi mencionando a roupa e até máscara que ela usaria. Trapaceiro.
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  Contei até três e respirei fundo, fechando a porta e rindo dele. Ou melhor, gargalhei.
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  — Ah, eu não vou entrar nesse debate e muito menos dizer amém pra essa sua ideia descabida, se é o que está pensando… — gesticulei fazendo “não” com o indicador. — Então é melhor você continuar com a porra desse carro até achar uma vaga na garagem, porque eu vou descer com você. Que história mais sem noção.
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  Ele continuou me encarando, esperando que eu seguisse ao seu comando.
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  — Não adianta me olhar assim, cachorrinho pidão. Eu não vou descer aqui, . E depois a gente discute sobre você chegar a cogitar isso — insisti, cruzando os braços.
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  — Ela não sabe sobre você.
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  A resposta dele foi a pior.
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  — Certo. Seu novo interesse de foda não sabe sobre mim, você não queria que eu viesse… Qual é o próximo ponto, Kim? Tem vergonha de mim? — O bolo na minha garganta se formou e eu não virei o rosto para encará-lo. — Quer saber? Foda-se. Eu vou embora. Não devia ter voltado.
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  Fiz menção de abrir a porta e ele se jogou em cima de mim, segurando firme.
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  — Eu não tenho vergonha de você, Bee. Não seja ridícula. — suspirou. — Me expressei errado, ok?
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  — Então o que é? Uma hora você está me pedindo para voltar e na outra quer me fazer andar toda essa rua-
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  — Ela não é só um interesse de foda, Bibi.
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  Ficamos em silêncio. Analisei seu rosto por inteiro e vi seus olhos presos em mim, ainda se contorcendo para manter a porta fechada.
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  Uma das coisas que eu tinha certeza sobre era que ele podia ter se tornado o idol mais rodado do meio, mas em algum momento ele iria conhecer uma pessoa e se arriar todinho por tal. E nos olhos dele estava escrito que essa era a pessoa.
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  — Se ela é mais do que isso, por que não me contou? — mantive meu tom chateado.
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  — Porque eu queria ter certeza de que daria certo primeiro para depois contar pra todo mundo. , você é a pessoa mais importante da minha vida, eu não podia simplesmente envolver ela com você se não fosse pra rolar de verdade.
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  — Me parece uma desculpa mediana. Ainda assim, não muda o fato de você estar cada vez mais se esquivando da minha companhia nesses eventos com seus amigos. — Não soltei a mão da porta e não relaxei o corpo, ainda não estava convencida.
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   se endireitou, porém, ajeitando o blazer e apoiando os braços no volante.
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  — Toda vez que você está, saí com Hoshi no meio de tudo e some. Meu medo é você se apaixonar por ele e não dar certo. Porque o Kwon é um cara incrível, mas ele jamais te faria feliz. Não é sobre você, é sobre os outros e o que podem fazer pra te magoar.
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  Mirei o perfil dele, tentando conter o riso frouxo, mas não aguentei muito tempo.
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  Soltei a mão da porta e estapeei o braço de .
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  — Você é rídiculo, Kim! Essa foi a mentira mais tosca que você já me contou! — Enquanto eu desferia tapas em seu braço, ele tentava me segurar.
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  — Estou falando sério, Bee, mas que merda! — conseguiu segurar firme minhas mãos e, virado para minha direção, demorou um tempo até dizer: — Estamos parecendo um casal em discussão. Quanto mais tempo isso levar, mais vamos demorar para entrar. Então coloca na sua cabeça: eu não tenho vergonha de você, pelo contrário. Você é uma mulher incrível e o meu espelho pra muita coisa. Me desculpa por não saber me expressar e fazer você duvidar disso.
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  O encarei em silêncio, sem responder e deixando o clima dramatizado.
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  De certa forma, eu também não estava sendo tão verdadeira com ele sobre algumas coisas, então podia relevar e entender seu lado ao se tratar de . Se ela realmente tinha dado para aquele brilho de bocó nos olhos, era porque valia a pena; tão cético como era, devia mesmo ser uma pessoa incrível. Ele sempre teve sua fama, principalmente por fazer tudo quieto, mas eu sabia que quando se apaixonasse de verdade, ficaria um bobão desse jeito, sem saber como agir.
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  Ainda assim, iria precisar me fazer muita massagem no pé para se desculpar.
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  Há quem diga que eu sou rancorosa. E eu sou.
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  — Você sabe que eu sou confiante. Aprendi com o BTS. O lema é love yourself, não os outros — quebrei o clima trágico com meu humor e ele foi me soltando devagar. Em meio a uma gargalhada, me abraçou forte. — Mas ainda estou bem chateada, você tem um mês de massagem pela frente… Ou pode me tirar daquele hotel e levar pra morar no seu cafofo de rico.
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  — Jamais! Vou dar uma chave para a hoje. — Ele voltou a dirigir, formando um sorrisinho bobo a cada suspiro.
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  Encarei seu perfil com incredulidade.
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  — Kim ! Eu tô na sua vida desde o ventre das nossas mães e ainda tenho que usar a sua chave reserva escondida no extintor! — voltei a estapear ele.
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  — Ai! Para com isso! — Ele tentava desviar. — E pare de pegar a chave reserva também! Está escondida por uma razão.
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  — Muito inteligente da sua parte esconder sempre no mesmo lugar, bobão.
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  — Eu tenho uma pra você também, inferno! Ia dar amanhã no nosso jantar. Abre o porta luvas — parei imediatamente e fiz o que ele falou. — Nessa sacolinha da Prada.
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  — Você colocou minha chave numa sacola da Prada só pra zoar com a minha cara, seu infeliz? — bati nele com a sacola.
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  — Mas que merda, Bee! Para de me bater!
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   freou bruscamente, chamando a atenção das pessoas do lado de fora, logo na entrada da garagem. Se virou para mim com sua feição furiosa e eu fui recolhendo meu braço para trás, colocando a sacola na altura do meu peito e espiando pelos vãos laterais.
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  Tinha muito papel seda para eu poder decifrar o que era. Então resolvi abrir logo.
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  — Abre antes de tudo. Ansiosa. — Ele respirou fundo e voltou a dirigir, levando a gente para a busca implacável por uma vaga. — Olha só… veio mesmo! — murmurou, buzinando brevemente para o amigo do lado de fora, parado ao lado de um carro preto enquanto tirava o óculos de grau e vestia sua máscara. abaixou seu vidro, passando lentamente por ele e gritou: — Tá gato, vai daqui direto pra GQ Korea?
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  Meu coração gelou e eu me concentrei no que meus olhos estavam vendo, tentando excluir o lado de fora e esconder meu rosto o máximo possível.
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  Ouvi a risada melódica de e tirei o embrulho da sacola logo quando ele disse ao alento:
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  — Vou dar ré e parar do ladinho dele, só pra irritar.
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  Pela intensidade que ele freou, eu acabei derrubando o embrulho no chão. Observei pelo retrovisor externo e então estapeei .
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  — Mas que porra, de novo? O que foi dessa vez? — Ele tirou as mãos do volante e bateu em suas coxas, se assustando.
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  — Você derrubou meu presente e esse vestido não me permite curvar o corpo! Não sabe dirigir? Tirou sua licença pela deep web, infeliz?
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  — Bee, eu to realmente começando a me arrepender de dizer que te amo e sentia saudade. Eu te enfio no primeiro voo que tiver direto para Nova York. E eu te enfio sem pensar!
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  Olhei novamente para o retrovisor e suspirei, relaxando meu corpo.
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  — Pode abaixar e pegar meu presente — ordenei, cruzando os braços.
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  — Eu só posso ter chutado muito a minha mãe…
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   pegou a sacola e colocou em meu colo. Eu desisti de abrir e guardei de volta, ouvindo ele reclamar como eu era “impossível”, enquanto minha mente divagou em coisas profundas demais para eu conseguir organizar tudo num pensamento só. Quando me dei conta ele já tinha parado o carro na vaga ao lado de , reclamando também que o amigo não tinha o esperado.
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  Descemos do carro e eu demorei um tempinho para ajeitar toda a minha roupa, além de colocar a máscara que cobria somente meus olhos e uma parte da ponte do meu nariz. Igual à de por muita insistência minha — tal qual gêmeos, até porque a única coisa que nos diferenciava era termos nascido em ventres distintos.
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  Assim que o alcancei e entrelacei nossos braços, ele me encarou assustado.
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  — O que você está fazendo? — perguntou baixo, olhando para os lados.
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  — Pois agora eu vou colada em você — apertei mais seu braço. — Não conheço um terço dessa gente toda e nunca vim aqui, a ideia que eu tinha desse lugar era outra… — limpei a garganta. — Eu pensava que era uma boate e não um prédio com estrutura de Bolshoi. Isso tudo é pra guardar a identidade dos idols? — tagarelei e ele não me respondeu. — O que foi? A festa é aqui no estacionamento? Vamos, !?
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  — Bee! — Ele finalmente respondeu, manhoso e massageando as têmporas. Ainda reclamava por eu grudar nele.
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  — Problema seu. Você está de máscara, ela não vai te reconhecer — mostrei a língua, pouco me importando, e comecei a andar. — Não ouse me soltar.
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   não contrariou, caminhou em silêncio e parecendo um pouco nervoso a cada passo que dávamos no rumo até a escadaria da estrutura.
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  Quando me falavam sobre a Katapins, eu imaginava uma boate de fachada escura, num beco, toda planejada para ser introspectiva por fora, guardando seu melhor por dentro. Mas o que eu tinha diante dos meus olhos era um prédio com arquitetura mista entre um teatro chique de Roma e uma universidade coreana da década de 70. Era lindo, imponente, coisa de filme.
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  Nós seguimos até a escadaria, parando na fila para entrar. Estava cheio de pessoas famosas e, até o ponto que eu conhecia, a lista de frequentadores dali não se expandia para quem estava fora do kpop ou kdramas. O paraíso de toda fã — e um paraíso escondido; quase uma Atlantis.
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🍷

  Era óbvio que me largaria assim que encontrasse a felizarda.
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  Mas não tinha problema, eu sei me virar bem e não preciso dele.
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  Se por fora a construção era toda imponente, por dentro parecia uma multiplicação do externo em pelo menos cinco vezes. Toda a decoração casava com o tema imposto e parecia tão harmonioso, que por um instante me arrependi de ter insistido que me deixasse usar um de seus ternos — o que pareceu ser desrespeitoso. Por sorte, meu melhor amigo sabe muito bem como me contrariar às vezes e conseguiu me convencer que deveríamos encontrar um vestido de gala para acompanhar toda a paleta elegante da noite. Passei a tarde subjugando o evento e a ânsia dele em me arrumar uma cabeleireira e maquiadora de última hora, confesso, mas no fim valeu a pena total.
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  Estava diante do meu reflexo no banheiro, vendo minha máscara branca com detalhes em dourado brilhar igual ouro. Já tinha bebido um champanhe sem álcool e estava entediada, então decidi dar uma volta, parando ali, refletindo alguns porquês. De repente não pareceu fazer sentido eu estar tranquila quando, mais cedo, Rodrick me mandou uma mensagem dizendo que não iria embarcar porque não dava, não se sentia pronto e nosso relacionamento não era forte o suficiente para que ele abandonasse seu país.
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  Soava tão caótico e dramático pensar que eu não seria a escolhida de alguém com quem estive por muito tempo, que eu mal parei para refletir em quão merda era essa situação. Só pensei em sair, encher a cara — o que não seria o principal ponto a ser cumprido — e esquecer por algum momento que eu tinha levado um pé na bunda. Não deixei nenhum pensamento tomar conta de mim por muito tempo. Não fazia em nada meu estilo ficar remoendo o que aconteceu; se passou já era passado e a ideia de algo que eu não podia mais tocar, sequer tentar consertar, não me atraía. O melhor é viver o futuro, porque ele a gente molda, a gente consegue fazer diferente.
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  E era isso o que eu queria fazer.
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  Ajeitei a fenda do meu vestido, rindo fraco ao lembrar do leve ataque histérico de quando viu o quão profunda ela era — e obviamente eu brinquei com ele, dizendo que não usaria calcinha porque corria o risco de aparecer; um dos meus hobbies favoritos era deixar ele nervoso, enciumado porque cuidava de mim como se eu fosse uma criança mais nova. Segurei firme em meu celular e caminhei para a saída do banheiro tão vazio, já ouvindo a música eletrônica ecoando pelo corredor largo que dava para os W.C feminino, masculino e, surpreendentemente de forma positiva, um para quem não tivesse nenhuma identificação com ambos. Meu coração deu uma travada quando passei pelo banheiro dos homens, que tinha a porta aberta, e vi parado diante do espelho da pia, ajeitando sua máscara enquanto praguejava alguma coisa.
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  Sem corresponder aos comandos, meus pés travaram no chão, como se os saltos estivessem grudados ali com alguma cola permanente. Tudo isso porque meu corpo correspondia mais a ele do que a mim quando estávamos no mesmo ambiente. Para o meu desgosto.
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   era a minha maior mentira. Não era com Hoshi que eu ficava quando vinha para Seul e saía de repente dos lugares que estava com e seus amigos. Até foi com Hoshi algumas vezes, mas isso deixou de acontecer com a mesma frequência quando ele se enfiou em um relacionamento quase sério; depois de seu término, nada foi igual. Por mais que eu não goste de admitir, e eu tivemos um encaixe diferente.
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  Todas as mais de sete vezes que estivemos juntos, e eu acabamos cedendo apenas ao desejo, porque não tínhamos nada compatível em nossas personalidades, exceto por um ponto específico. Na primeira noite que eu saí de um lugar levemente alterada, encontrei ele no estacionamento, também no mesmo estado. Tivemos uma breve discussão sobre alguma coisa totalmente sem sentido, mas que nos levou pro banco de trás do carro dele e depois ao hotel que eu estava hospedada. culpa a sua leve embriaguez, que não se limitou apenas nesse dia e se estendeu para outras discussões encerrando com nós dois nus ou no carro dele em algum lugar perdido por Seul ou no quarto que eu estivesse hospedada.
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  Eu, por outro lado, sei que nunca estive bêbada o suficiente para não lembrar de nada, até porque meu limite com o álcool se dá em três doses de soju, nada mais. Vez ou outra eu consumo uma bebida a base de água e rum. E, já tendo um leve conhecimento de causa, eu sabia que esse era o outro ponto específico que dava para e eu sermos tidos como “parecidos”.
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  Ele podia culpar o álcool quanto quisesse, mas a verdade era só uma: sempre foi por querer, em sobriedade.
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  Ouvi um xingamento grosso dele e reparei como sua luta era com a lente em seu olho, ri fraco, lembrando que ele odiava usar e preferia mil vezes um óculos que cobrisse todo seu rosto — o deixando mais lindo e sexy, obviamente. Tomei esse intervalo como incentivo para sair dali antes de ser notada e continuei minha caminhada, erguendo a cabeça e deixando pra lá os pensamentos pecaminosos que insistiam em surgir sempre que eu via ele. Um grupo de pessoas vinha da direção contrária e eu pedi aos céus que não tivessem notado a minha figura ali, parada como uma estátua enquanto me divertia com o prazer da imagem que tinha dentro do banheiro masculino.
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  Passei por eles, mantendo a cabeça erguida, mas parei meus passos assim que ouvi meu nome.
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  — Bee? É você?
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  Reconheci imediatamente o timbre e gelei. O aroma do perfume tomando minhas narinas também serviu como alerta.
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  Hoshi, lindo, cheiroso, com aquela presença incalculável. Meu inferno sobre terra em formato de homem. Sabe quando você olha pra alguém e acha que é aquela pessoa certa, mas no fim, é como um complemento versátil para ocasiões?
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  Ele era isso pra mim. Não uma segunda opção, mas uma opção; assim como eu poderia ser para ele. Alguém que eu não resistia nas oportunidades que tinha, mas que eu sabia não ser possível existir qualquer chance de um romance. Até porque eu e ele tínhamos energias diferentes fora da cama e ele passou um bom tempo num relacionamento, enquanto eu provava de outras fontes, ou melhor, do amigo dele. Só, simplesmente, tínhamos compatibilidade até um certo ponto, que não poderia jamais alcançar a ardência de um relacionamento envolvendo amor. Nossa ardência era outra.
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  — Eu acho que deveríamos todos tirar as máscaras logo — brinquei, virando para trás. — Oi, meu bem.
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  — Jamais confundiria você com outra pessoa. — Ele envolveu a minha cintura para um cumprimento caloroso, beijando o canto dos meus lábios com certa demora. Isso me fez criar uma asa imaginária, dando a sensação de estar flutuando, sendo engatada por seu cheiro inebriante. — Devia ter me avisado que viria.
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  — Por quê? Já tem outros planos para essa noite?
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  — Mesmo que tivesse, mudo qualquer coisa por você. Mas estou falando que iria te buscar.
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  — Tentador. me falou sobre isso hoje a tarde… — omiti a verdade. — Foi tudo de última hora.
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  — Não parece. Você está deslumbrante.
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  Respirei fundo, controlando meus instintos.
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  Como um banho de água fria momentâneo, ouvi vozes. Passando pela gente, e riam de alguma piada entre eles, e ambos me reconheceram, acenando brevemente antes de entrarem no banheiro.
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  Realmente, ou a escolha da máscara foi péssima, ou todo mundo estava esperto demais.
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  — Está sozinha? já encontrou ? — Hoshi perguntou logo em sequência.
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  — Eu encontrei ela para ele — revirei os olhos, lembrando da cena. — E depois falamos sobre você trapacear… — cutuquei seu peito.
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  — Ah, eu queria que ele ficasse feliz. Ele está totalmente de quatro por essa mulher. É algo muito familiar pra mim…
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  Senti minhas bochechas arderem com o duplo sentido de sua fala, mas me refiz sobre meus próprios pés. Era um efeito muito forte em mim, embora eu não estivesse tão entregue assim. Não mais.
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  — Bom, eu necessito ir ao banheiro. Me espera aqui? Vou pro bar com você.
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  — Espero — respondi automaticamente.
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  O sorriso sugestivo de Hoshi foi como uma boa lembrança de um passado que eu poderia reviver a qualquer momento, mas não me apetecia mais. Não quando eu tinha a imagem de invadindo minha mente a cada segundo, cortando como um corte de uma foice afiada. Do jeito que ele parecia irritado, com os olhos opacos, cinzas, o vinco no cenho e vestido com um smoking estava bagunçando a ordem das coisas em minha cabeça.
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  Ele me deu as costas e foi ligeiro para o banheiro, esbarrando com alguém na risca da soleira da porta, me impedindo de ver quem era exatamente. Pelos braços que foram esticados e colocados em cada um de seus ombros, pude reconhecer as ataduras do paletó escuro. se inclinou para frente, dizendo algo no ouvido de Hoshi e eu virei de costas para a cena dos dois; era um conflito interno ridículo ter uma parte querendo cair em qualquer discussão com ele, sabendo do fim certeiro, enquanto outra queria fugir como uma garotinha indefesa.
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  Movi meus pés rapidamente e segui para o bar, totalmente cega em meu caminho. Parecia que tinha corrido uma maratona quando me apoiei no balcão, estava sem fôlego e tremendo. Me senti uma molenga e meu primeiro instinto foi pedir o item mais forte, e quando meus olhos bateram na garrafa com um selo da bandeira brasileira, o tomei como meu alvo.
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  — Eu quero uma dose dessa cachaça.
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  Pedi sem sequer dar espaço para o barman me cumprimentar com sua educação. Eu realmente parecia desesperada.
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  Quando ele colocou o pequeno copo em minha frente, respirei fundo.
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  — Pode me preparar uma água com limão e bastante gelo, por favor — pedi, soando menos desesperada agora, e virei a dose, sentindo o ardido seguir pela minha garganta.
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  O efeito que tinha em mim era desconhecido, irritantemente intenso e sem sentido.
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  Minha mãe sempre me dizia que, se não fosse Rodrick, ainda iria existir alguém na minha vida capaz de me fazer sair dos meus sentidos racionais. Eu odiava visualizar essa conversa com ela todas as vezes que via em minha frente, porque, de certa forma, ele me causava isso, essa viagem para um plano tão distante, fosse só pelo fato de existir ou quando me tocava. Essa segunda parte trazia uma dualidade sem precedentes. Dentre todos os amigos de , apenas ele era o último a ser compatível comigo em seus trejeitos e personalidade, mesmo que fosse tão diferente.
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  Pra mim, era um cara arrogante por se achar intelectual demais, escondido embaixo de uma armação de óculos cara com lente grossa e roupas elegantes. Perigoso, muito perigoso. E meu interesse dual nele só ia para a outra face quando sua boca se colava na minha e no término de tudo, cada um ia para seu canto sem satisfações ou criar qualquer laço, porque não existia o menor interesse mútuo para isso. Embora eu assumisse que se fosse para manter o casual, sendo inimigos com benefícios, não negaria e tampouco faria corpo mole, pelo que já havia provado e testado, valia a pena com .
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  Assim que meus dedos tocaram no copo gelado, eu senti uma corrente elétrica percorrer pelos meus músculos, mas continuei ignorando o arredor, vendo o mesmo homem que me atendeu, ir para . Fechei os olhos e levei o canudo para meus lábios, focada, sem tremer ou expressar qualquer variação pela presença dele.
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  Meu corpo foi relaxando conforme eu senti o contraste da temperatura fria com o gosto amargo de limão na água passar por cima da sensação quente que ainda tinha em minha garganta devido a cachaça, mas o que me fez voltar os sentidos do meu corpo para perdê-los outra vez, foi o perfume. Forte, incandescente, inebriante ao ponto de me fazer querer ficar ali para sempre. Em seguida a voz grossa e firme assinou embaixo do cheiro e eu travei.
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  — Vou querer um uísque duplo, por favor. — pediu cordialmente.
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  Quando abri meus olhos, notei que ele parecia ignorar minha presença ao seu lado. Certamente deveria ser por conta da máscara e seu jeito não muito atento por falta de questão mesmo. Ele não se esforçava pelo mínimo se não quisesse.
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  Fiquei quieta, mas não aguentei por muito tempo.
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  Quem aguentaria? Dado ao nosso histórico, eu já estava pronta para discutir sobre qualquer coisa aleatória só para terminar como sempre quando nos encontrávamos.
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  E se tem uma coisa que eu odeio, é passar despercebida. Não dizem que sou extravagante?
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  Seria essa a palavra?
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  Observei o momento exato e quando ele ia tirar o primeiro gole da bebida, pronunciei:
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  — Você realmente engana com esse rostinho, não é mesmo?
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   parou o trajeto de seu copo até a boca na altura do queixo e tilintou os dedos em volta do vidro, me fazendo prender a atenção no anel em seu mindinho direito, enquanto a outra mão ficou espalmada na superfície do balcão, com seu braço um tanto esticado. Não podia ser possível que o mundo iria girar tanto e eu cairia no mesmo charme de sempre — já estava no chão, não é mesmo?
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  Mas é como diz-se por aí: o impossível só se faz a questão de opinião. E pela minha humilde perspectiva, no meu cenário atual, eu jogaria o twister da vida pra girar, rodar, dar cambalhotas, e tudo o que fosse relativo. Porém, não antes de fazê-lo colocar a mão direita na bolinha verde e o pé esquerdo no vermelho. Um pouco de malabarismo iria preencher meu ego.
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  — A ideia de um baile de máscaras nunca foi tão subjugada assim antes. — Ele riu nasalado, soprando um arzinho pelos lábios minimamente entreabertos. — Boa noite, Bee. — E sua mão com o copo se ergueu um tanto, em forma de brinde, antes de finalizar o caminho para os lábios e ser envolto pelos tecidos tão macios que eu já tive a chance de provar.
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  Talvez eu tenha sentido alguma coisa estranha ao lembrar disso.
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  Tesão? Saudade?
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  Tanto faz. Às vezes faz bem para o moral pular algumas etapas.
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  — Não vou perguntar como foi que me reconheceu, mas vou dizer que fiquei triste. se esforçou bastante por essa máscara — fingi uma certa chateação, sugando meu líquido refrescante pelo canudo.
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  — Eu poderia dizer, mas alimentar o seu ego não é meu hobby favorito. Pelo o que eu me lembre, é algo difícil de sustentar depois — continuou olhando para a frente, sem sequer mover suas orbes para me observar de soslaio.
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  — Pra quem me odeia, você se lembra de detalhes demais sobre mim.
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  Ele não disse nada, ficou quieto e bebeu mais um pouco de seu uísque. Eu continuei medindo de cima a baixo, sentindo todo o efeito dessa análise ser repassado para meus extremos. Jamais diria que fui rejeitada pelo universo, haja visto que eu conhecia cada centímetro do corpo do homem à minha frente, ainda que fosse extremamente insuportável.
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  Por mais que as nossas experiências passadas tivessem sido banhadas nos cenários caóticos, eu ainda me lembrava de tudo. Principalmente de ter gostado da química que tínhamos — o que, levando em consideração a nossa relação nada amigável fora dessas situações, era um tanto questionável.
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  — Por que eu engano? — me perguntou de repente, botando seu copo no balcão e escorando-se nele de lado para finalmente se virar para mim; sua feição infeliz chocou em meu mais profundo íntimo.
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  Deixei meu copo de lado e me virei para ficar de frente com ele, porém sentada no banco, forçando o máximo para que minha fenda, tão profunda quanto o oceano, deixasse minha perna esquerda a mostra. Hora do vestido caro comprado por valer a pena.
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  — Vestes elegantes, cabelo bem arrumado e aparado, um sapato que reluz e… O sorrisinho de quem presume que a noite vai ser muito boa. Isso pode confundir qualquer garotinha que não te conheça…
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  — Deixa eu adivinhar: você me conhece? — Ele manteve o rosto na mesma altura, com um tom superior.
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  Sorri de lábios fechados.
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  — Eu sei o que você esconde embaixo disso tudo. Já vale — dei de ombros.
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   pareceu abaixar um pouco sua guarda e se virou para o balcão, finalizando o uísque e devolvendo o copo. Ergueu seu indicador, pedindo mais um.
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  — Devagar com a bebida, ou você pode acordar perto do rio Han outra vez — alertei sendo sarcástica. Uma das vezes que transamos, foi à beira do rio, no carro dele. — Não pega bem pra um idol essa imagem.
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  O peito dele se encheu de ar e vi seus olhos se fecharem, abrindo outra vez com a superioridade em sua feição.
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  Ele se lembrou, tenho certeza.
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  — Uma boa lembrança, não? — voltei para meu canudo, sugando a água.
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  — A cada ida para a América você volta mais presunçosa, Bee. — virou o rosto minimamente para mim.
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  — Não é ser presunçosa. É reconhecimento. Não é você que está inserido no mundinho “vamos todos ter amor próprio?”. Eu sou destemida e decidida a me amar Isso inclui elevar minha própria autoestima.
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  — Isso não tem nada a ver… Você é egocêntrica e-
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  — Tá bom, o mesmo papo de sempre. A gente sabe o fim disso, — ri fraco, negando com a cabeça.
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  — Eu não vou te levar pra casa hoje. — Ele fechou as mãos, tendo seu corpo dizendo outra coisa completamente diferente do que sua boca expeliu.
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  — Esse é o seu “eu” sóbrio dizendo — resolvi entrar na desculpa dele de sempre.
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  — O bêbado não vai aparecer por essa noite — fez um gesto, cancelando sua segunda dose de uísque. Acompanhei o retorno do barman para a prateleira, ele nos encarava com tédio e eu fiquei com pena por um momento, porque realmente deveria ser um porre ver alguém discutindo com o teimoso e sempre coerente .
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  Se não valesse mesmo a pena, eu jamais daria corda.
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  — Uau, está com medo, então? — provoquei, cruzando a perna esquerda, da fenda, em cima da outra.
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  Seus olhos me analisaram, medindo tudo o que podiam captar de cima para baixo.
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  Eu senti cada parte do meu corpo arrepiar, mas não perdi a postura.
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  — Jamais teria medo de você. — Sua resposta saiu baixa e a voz aveludada com algo mais encorpado, com certa firmeza. Como quem quer se convencer do que está dizendo.
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  — Não confio em você. — Desta vez foi em mim a superioridade; ergui meu rosto, vestindo o mesmo intenso olhar que o dele.
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  — Não estou pedindo que confie.
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  Minha perna tremeu. Meus olhos faziam um raio-x de toda a sua expressão, frustrando-se ao notar a fala de qualquer alteração e, além disso, que a máscara preta em metade de seu rosto era o que estava, de fato, me incendiando e acessando camadas de memórias não tão distantes.
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  A imagem dele mordendo o próprio lábio inferior, enquanto estava por cima de mim, segurando meus braços acima da minha cabeça, em lembrança, foi muito mais eficaz do que qualquer outra tentativa que eu poderia buscar para tirar a situação com Rodrick de minha cabeça.
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  Quem era Rodrick, afinal? Não me recordo.
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  Engoli o nada em minha garganta e apertei mais as pernas para confundir o formigamento. Rapidamente busquei meu tom provocativo de volta e o fiz se reerguer, como um guerreiro abatido que não iria desistir até o último minuto.
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  Há quem diga que eu sou muito competitiva. Perder é uma das coisas que não entram em meu vocabulário.
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  — Então faremos assim, senhor , não iremos beber nada essa noite — pensei rapidamente. — E se você não me der aquela carona no fim da noite, eu não volto mais de Nova York.
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  Ele passou a língua pelos lábios lentamente, cobrindo um leve sorriso que seria acompanhado de uma risada.
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  — Está assumindo que volta por mim? — apontou o indicador para minha direção.
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  — Jamais — desviei o olhar rapidamente. — Se isso não acontecer, você vai ter que lidar com o chorando por saudade minha. — Ele revirou os olhos. — Eu não vou ser mais o diabinho no seu ombro, melhor assim? Reconheço a minha provocação — assentiu como resposta.
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  — Tudo bem. E se eu te der a carona?
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  — Está interessado, então? — Agora o sorrisinho foi meu.
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  — Toda aposta tem dois lados, preciso saber qual é o outro — deu de ombros, levando as mãos aos bolsos.
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  — Você vai me levar pra sua casa e me dar café na cama… — Me levantei, tendo sua atenção em meu corpo. No meu estômago algo brilhou, dançou, correu uma maratona. First win! Me aproximei dele colocando meu indicador em seu peito e erguendo um pouco o rosto para encarar seus olhos; mesmo usando um salto alto, ainda não estava em sua altura exata. — Se você me levar pra sua casa hoje, , o próximo passo é me levar para jantar, como em um encontro.
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  — Você é destemida demais, Bee. — Ele respirou fundo, mas eu não rebati, apenas aguardei. — Trato feito. — Sua resposta veio acompanhada de sua mão abaixando o meu dedo. — Espero que saiba perder.
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  — Isso não é sobre ganhar ou perder. Você sabe que nas duas faces nós saímos ganhando, a diferença é que somente um lado dessa moeda gera lucro. — Me afastei, pegando o celular em cima do balcão. — Boa festa, .
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  — Eu, o seu salvador chegou. — apareceu ao meu lado, colocando três garrafas de soju em cima da mesa. Junto dele tinha e , o último evitando me olhar.
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  Hoshi estava comigo; estávamos conversando em um conglomerado de sofás em volta de uma mesa baixinha. O papo era descontraído sobre nossas últimas experiências profissionais e eu contava pra ele a sensação de poder voltar para Seul e agora não depender mais dos meus pais, com meus estudos concluídos e contratada para ser coreógrafa de um novo grupo que uma outra subsidiária da mesma companhia deles iria estrear.
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  Era um papo gostoso, divertido, até sermos interrompidos pelo sempre animado .
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  — Não tinha hora mais oportuna, não é mesmo? — Hoshi revirou os olhos, saindo do encosto lateral do sofá e se sentando ao meu lado.
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  — Essa festa está irritantemente entediante, vamos animar as coisas. — se sentou do meu outro lado. — Eu sabia que só podia ser você embaixo dessa máscara. Como vai, Bibi?
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  — Eu acho que não deveria ser um baile de máscaras se a cada meia hora alguém me reconhece — ri achando graça, até porque eu também reconheci metade deles da mesma forma. — Estou bem, Boo, e você?
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  Enquanto respondia a ele, notei que arrumava um lugar para sentar naquela roda, achando seu conforto de frente para mim, no outro lado da mesinha. Ele se sentou e abriu os botões de seu paletó, se aconchegando de forma mais largada com suas pernas abertas e os cotovelos apoiados nos joelhos para mexer em algo no seu celular.
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  Meus olhos captaram os botões que foram abertos e a gravata borboleta um pouco frouxa, e eu senti minha garganta fechar só de pensar que aquilo poderia ser seu jogo sujo comigo. Mantive minha atenção em primeiro plano na conversa com .
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  — Melhor agora que sei da sua estadia fixa. — Ele se curvou, abrindo uma das inúmeras garrafas de soju que foram colocadas ali por seus amigos também. deu um copinho pra mim e eu recebi a dose.
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  — Estadia fixa? — perguntou, acompanhando a conversa assim que se jogou ao lado de .
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  — Pois é, essa chata vai ficar em Seul pra sempre. — A voz arrastada pela língua presa de ecoou em meu ouvido e eu ergui o rosto, vendo ele chegar de mãos dadas com e arrumar um lugar pra sentar com ela do lado de e .
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  — E é por isso que estou feliz. Não vou mais ter que ouvir você reclamando de meia em meia hora “se a Bee estivesse aqui isso bla bla bla”. — deu um leve empurrão no ombro dele.
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  Ainda concentrada no melhor dos dois mundos, reparei que não movia os dedos na tela do celular, ainda sentado na mesma posição. Ele encarava o chão e o telefone estava bloqueado.
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  Quis rir, pensando que aquilo tudo realmente era seu joguinho pra me provocar, então movida por esse instinto, comecei a dar as minhas cartas. Até porque, me pareceu uma reação por saber da novidade sobre meu retorno daquela forma, no meio de todos, sem qualquer privilégio.
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  — Eu sei que vocês me amam, sem exceção — disse com um tom presunçoso. — Aliás, ninguém mais vai sentir falta de Bee. Estarei no mesmo prédio que vocês — frisei a última informação, bebendo meu segundo copo de água com limão e folhinhas de hortelã para jogar por cima do álcool.
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  — Que lastimável. — jogou as costas contra o encosto e eu lancei nele a primeira almofada que encontrei, tirando do colo de Hoshi. Ele me encarou feio, por quase ter acertado sua companhia.
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  — , talvez você encontre algumas marcas vermelhas nos braços do bonitinho aí. São minhas, ok? — anunciei, encarando o olhar feio dele pela minha brincadeira. Ela, por outro lado, parecia tímida demais para dar asas às nossas aleatoriedades.
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  , porém, ergueu o rosto. E nossos olhares se cruzaram no instante em que eu o mirei de soslaio.
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  — Eu falei! — berrou empolgado. — Vai, , passa os dólares pra cá! O que foi? — arqueou as sobrancelhas ao notar que todo mundo estava encarando ele. — Ah… — murmurou sem jeito, me olhando. — Tínhamos apostado que você e já… Sabe… Já tinham ficado…
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  Veio um silêncio no ambiente e eu continuei observando as reações do segundo plano.
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   estava com suas mãos trêmulas um pouco além do normal e seu olhar frio, semicerrado, por baixo da máscara, me deu um calafrio gostoso. Ah, memórias…
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  — Mas isso é-
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  — Tenho uma ideia! — cortou o que ia dizer para sobre sua aposta.
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  — Por que isso não me cheira a algo bom? — Hoshi resmungou, se aproximando mais de mim. — Se quiser a gente pode ir lá dançar e esquecer esse momento… A seleção de músicas ainda está boa — sussurrou no meu ouvido.
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  Mas eu não respondi, esperei o que estava por vir, até porque fiquei presa na reação corporal de com a aproximação de Hoshi. Ele jogou as costas contra o encosto do sofá, atraindo a atenção dos olhares de seus amigos, e manteve a mandíbula travada.
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  Continuei em minha postura, como se o ignorasse.
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  — Temos soju. Pessoas. E uma vontade enorme de sair do tédio… Vamos jogar “eu nunca”.
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  — Ah, pelo amor das minhas folgas! Eu deixei de ir pra Londres para isso? — reclamou. — Afinal, pra quê essa festa?
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  — E por que deveria existir um motivo pra ter uma festa dessas? — rebateu falando rápido.
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  Não deixei a discussão tomar uma proporção maior e disse cortando os dois:
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  — Eu nunca me irritei com o Boo — ergui minha mão e todo mundo me olhou. — O que? Podem beber, todos vocês.
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  — E você não vai beber? — perguntou, se fazendo presente pela primeira vez.
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  — Não, meu bem, eu amo o Boo e jamais me estressei com ele assim como você. Vocês que não sabem apreciar o jovem ancião de Jeju.
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  — Ei! — reclamou e eu lancei um beijinho no ar para ele.
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  Somente eu, e não bebemos e o próximo a dizer foi .
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  — Eu nunca me estressei com a Bee.
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  Revirei os olhos e vi estendendo o braço para pegar a garrafa e encher seu copo, acompanhando . Lhe dei um tapa no ombro, não muito forte.
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  — Mas o que é isso? — ralhei.
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  — Desculpa, Bibi, mas eu… — fez um bico, pensativo. — Às vezes você me estressa porque não atende a ligação do e aí eu tenho que aguentar ele me enchendo o saco.
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  Todo mundo riu, incluindo . Alguns fizeram comentários aleatórios e explicaram para alguma coisa.
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  — Só vou relevar porque você fez esse bico — fingi estar brava. — Sua vez, — apontei para ela.
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  Ela pareceu querer se encolher atrás do corpo enorme de e ele me fuzilava com o olhar, se irritando com minha feição impassível.
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  — Certo… Hum… — limpou a garganta e observou sua volta. — Eu nunca… Tomei soju?
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  — Impossível — disse, incrédula, e ela assentiu positivamente.
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  — não consome álcool. — explicou.
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  — É, talvez eu seja um alienígena, desculpe.
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  — Não precisa pedir desculpa, tá tudo bem. — Ele tocou o joelho dela com carinho e eu senti meu estômago embrulhar. sendo meloso é tudo o que eu menos gosto de ver, porque ele é realmente puro mel. O total oposto do que eu geralmente sou.
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  Ignorei a imagem e respirei fundo, olhando para as garrafas. A mesa estava um pouco longe e pelo aperto do vestido, não daria muito certo eu me esticar para pegar o soju. Fiquei encarando todo mundo alheio e não prestando atenção na conversa paralela entre Hoshi e , então decidi lançar mais uma carta do meu jogo, vendo que também se esticou para pegar uma garrafa.
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  Minha perna ficou mais à mostra quando me curvei lentamente, em tempo de pegar a mesma garrafa que ele, sentindo sua mão em cima da minha. Trocamos um olhar intenso, cheio de faíscas, do jeito que eu queria, e eu soltei rapidamente, voltando o corpo para trás sem muita pressa.
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  Seu olhar seguiu meu movimento, direcionado para meu decote e depois minha perna para fora pela fenda.
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  Ah, como eu adorava o que a ausência de tecido poderia causar em um alvo.
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  — Bom, minha vez agora!
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  — Não seja brega, ! — o encarou firme.
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  — Vai se foder! — A resposta grosseira acompanhou um bico e ninguém levou a sério. era adorável até mesmo bravo. — Pra essa aqui tem que beber uma dose para cada pessoa…
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  — Já até sei o que é… — Hoshi cantarolou. — Ninguém-
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  — Eu nunca peguei uma pessoa dessa brincadeira. — o cortou rapidamente.
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  Não consegui segurar e ri.
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  Foi um riso melódico.
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  Me entreguei, claro.
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  Negando com a cabeça, peguei a garrafa menos cheia, abaixo da metade, e virei. Não era o suficiente para ter duas doses, mas já valia de alguma coisa. Quando abri minhas pálpebras, vi que somente eu e bebemos e todo mundo me encarava estranho. Virei o rosto para Hoshi, vendo ele vermelho. Dali, somente meu melhor amigo sabia sobre nossos lances passados.
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  “Bando de medroso”, pensei sozinha, mirando . E para minha surpresa, ele estava com uma feição estranha, impassível demais.
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  — O que? — perguntou esganiçado, confuso. — Teve mais alguém além do ? E ele nem está brincando.
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  — Teve — ri outra vez, passando o polegar nos lábios. — Claro que teve. Mas aparentemente só eu tenho coragem.
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  — ? — perguntou. Outra confusa.
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  — Sim. Bee e ele estudaram juntos porque ela precisou entrar um ano atrasada… Ela e o quase tiveram algo. — olhou para com uma curva nos lábios. — Você foi muito esperto.
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  Realmente, Boo era muito curioso.
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  — Ainda bem que não tive, amo demais minha amiga e irmã , eles são um casal lindíssimo — olhei pra direção do bar, vendo os dois rindo de algo que o dizia. — Sis before dicks.
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  Devolvi a garrafa na mesa, de forma dramática.
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  — Quem são os outros… ou outro? — perguntou, parecendo genuinamente confuso.
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  — Não importa, eles sabem quem são.
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  — É fácil, é o Hoshi. — tentou, fazendo o próprio se engasgar com o ar. — Não brinca que eu acertei!
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  — Agora qual é o outro? Você tomou quase a quantia de quatro doses nessa garrafa — continuou. Mas que bicho curioso!
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  — Jamais direi. Esse é pra vocês ficarem pensando aí…
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  Encarei , já sabendo que depois ele iria descarregar em mim suas frustrações de não estarmos falando sobre ursinhos de pelúcia, mas ele desviou seu olhar e eu segui, vendo que sua mira passou a ser . Para minha grande surpresa, parecia furioso agora. Eu estava conseguindo ler sua feição, e talvez não fosse a única.
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  Ele estava rígido demais, ereto e com o corpo exalando tensão.
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  Bingo!
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  — Foi eu. — disse, mas não foi o suficiente para eu mirar outra direção. — A gente combinou que nunca ia contar isso pra ninguém… — tive minha atenção tomada pela fala do meu amigo e o encarei. — Me desculpa… — Ele se esticou e pegou outra dose, virando ela rapidamente.
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  — Tá bom. Não é como se isso mudasse alguma coisa mesmo. A sua língua é muito presa para render — respondi com a primeira coisa que me veio à mente e serviu para quebrar o clima.
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  — Como você é ridícula.
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  — Você parece gostar mesmo de quem é bem solto. — Sem qualquer precedência, a voz de ecoou. Grossa. Firme. Limpa.
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  — Pois é, eu tenho um padrão. — Não olhei para ele, me virei para , sorrindo divertida. — Cuidado que você pode ser o próximo.
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  — Solto como areia, senhorita Bee. — Ele brincou, piscando galante pra mim.
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  Mas o olhar fulminante de , esse eu não perdi de vista.
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  No mesmo momento, como um gongo nos salvando do que poderia se tornar aquela reação dele, uma das minhas músicas favoritas começou a tocar e eu levantei rapidamente, me virando para Hoshi.
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  — Me dá licença, essa eu tenho que ir. Vem, gatinho! — puxei a mão dele.
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  — Claro! Shinee a gente não deixa passar, jamais! — Ele respondeu, levantando-se e levando a mão para minha cintura, sendo guiado pela minha pressa.
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  Ser competitiva ainda iria me levar à loucura.
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  Eu e Hoshi tínhamos um gosto parecido, sendo responsável pela nossa aproximação. E tinha essa música de um dos membros do Shinee tocando que eu e ele sabíamos a coreografia de trás pra frente ou frente para trás, simplesmente por compartilharmos a obsessão pelo grupo. Porém, na nossa dança, alguns passos foram modificados para dançarmos mais colados, mais próximos, com uma coisa mais sensual. E eu esqueci disso, até reparar, no meio do negócio, que estávamos sendo observados.
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   era um dos pares de olhos no meio da multidão interessada, em contra reflexo o olhar dele não era de interesse, eu conseguia ver as faíscas em seus olhos centrados, quase sem piscar e com uma camada escura. O frio em minha barriga que eu geralmente sentia pelos toques de Hoshi, lá atrás, quando dançávamos, simplesmente se transferiu para o teor daquela encarada que eu recebia sem pudor, principalmente por vir dele. Justo o bom moço, que agora, pra mim, parecia estar ardendo em ciúmes por saber que não tinha sido o único naquele meio a me ter — por mais que ele sempre quisesse levar isso com indiferença.
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  Não, aquele olhar dele não era apático. Muito pelo contrário. E eu daria de tudo para poder ouvir da boca dele todos os seus pensamentos, porque, do contrário, enquanto estava ali, dançando e me divertindo, não pensei nele em nenhum momento, até enxergá-lo misturado aos demais curiosos. Sequer lembrei que estava ávida em meu jogo de sedução para ganhar dele naquela batalha. Tinha esquecido, como mágica, da presença de sua figura.
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  Agora me sentia vitoriosa demais. E isso se intensificou no meu ego quando Hoshi, me abraçando pela cintura, atrás de mim, sussurrou em minha orelha direita:
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  — Quer dizer, então, que eu perdi espaço para o tão bonzinho ?
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  Meus pelos do corpo todo se eriçaram e eu mirei os olhos do amigo dele, como um alvo certeiro, quando ouvi o nome sendo soprado em meu ouvido.
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  — Eu tentei segurar esse segredo, mas parece que ele não está se comportando hoje — brinquei, não me interessando em saber como ele tinha captado a verdade.
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  Hoshi, porém, disse mesmo assim, ao me virar rapidamente para ficar de frente com ele. Agora tocava uma música qualquer e nós não estávamos mais prestando atenção.
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  — É porque não tem como resistir a você, Bee. Com todo o respeito da palavra… Quem já provou, não supera.
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  Ri um pouco surpresa, mas nem tanto, Hoshi sempre levava o meu ego às alturas de forma genuína. Era seu jeito galanteador e sem muitas cerimônias.
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  — Eu entendo ele, me sentiria da mesma forma. E… — moveu sua cabeça para ficar de frente comigo outra vez. — Se me permite, você está muito gostosa hoje.
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  — Muito obrigada pelos elogios, Kwon — fingi um reverência e me afastei dele lentamente. — Ele ainda está olhando?
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  — Igual uma águia faminta — riu. — Sabe, agora faz sentido você se esquivar de mim…
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  — Quer mesmo começar esse papo? Em algum lugar a minha moral está doendo por ter… — mordi o lábio, me auto cortando de falar. — Dois do mesmo grupo? Existe algum “elogio” pra essa peripécia? — ri nervosa.
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  Hoshi rolou os olhos, beijando minha bochecha com carinho, enquanto seu braço rodeava minha cintura.
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  — Somos adultos, eu não tenho problema com isso. Depois, quando tudo estiver tranquilo, sem soju envolvido, se quiser podemos conversar e esclarecer… Se fizer um calendário, dá pra dividir os dias certinho — piscou pra mim, dizendo em um tom divertido, camuflado por sua falsa seriedade.
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  Ri com ele, puxando-o para um abraço e beijando seu rosto.
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  — Você é incrível.
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  — Mas o problema é você… Eu sei… — Ele fez cena. Lhe dei um tapa bem fraquinho no peitoral. A frase do clichê “o problema não é você, sou eu” foi usada propositalmente era seu momento descontraído para a conversa.
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  — Seu bobo! Eu não tô apaixonada por ele…
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  — Ah, Bee… Inimigos com benefícios às vezes pode funcionar mais do que a amizade com benefícios.
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  — Fique quieto… — revirei meus olhos e me afastei mais. — Vou pegar uma bebida antes de ir embora, me acompanha?
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  Ele negou com a cabeça, tirando o celular do bolso interno de seu smoking.
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  — Tenho planos, gatinha. — Se aproximou, beijando minha testa em definitivo. — A gente se vê, se cuida!
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  — Você também, gatinho.
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  Terminando de trocar os apelidos, eu fui para um lado e Hoshi para outro.
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  Quando me virei, não estava mais lá. Tinha sumido. O susto foi tanto, pela decepção, que eu esqueci o fato de ter arrancado as sandálias em algum momento ali na pista de dança, e andei até o bar, sentindo a irritação tomar conta de mim. Ele não tinha o menor direito de entrar naquela comigo e simplesmente decidir sumir de repente, isso era fugir do problema.
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  Assim que o barman me viu, ele já começou a preparar a minha água com os adendos já repetidos, eu sentei no banco, circulando a madeira envernizada, muito bem cuidada, com a ponta do indicador. Não estava prestando atenção ao redor quando senti a presença de um outro corpo, muito próximo, quase me cobrindo. Tão rápido quanto chegou por trás de mim, meus instintos retornaram para o primeiro plano e eu logo reconheci o cheiro do perfume.
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  Continuei com o corpo para frente e agradeci com um sorriso quando recebi minha bebida.
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  — Vai ficar aí servindo como aquecedor humano? Ainda não estou com tanto frio… — disse, notando que ele não diria nada, e também não me virei. Só continuei sentindo seu tronco quase colado em minhas costas.
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  Uma de suas mãos foi direto para a minha cintura e eu me mantive intacta, sem reações. Ainda que estivesse começando a ferver. não demorou, mas também foi sereno demais ao dizer:
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  — Você ganhou. — Sua voz aveludada ecoou como uma melodia hipnotizante, mas ainda assim me mantive quieta, sugando a água pelo canudinho na maior lentidão possível.
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  Era hora de implorar. Eu queria que ele dissesse com todas as letras.
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  — O que eu ganhei? — perguntei, usando meu melhor para provocá-lo.
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  — Você é muito cínica, Bee. — Ele riu fraco e eu senti o assopro nasalado bater em meu ombro nu. Orgulhoso demais…
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  — Não estou entendendo você. Pode ser mais específico? — virei, por fim, e encarei seus olhos sem pestanejar.
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   mordeu as bochechas internamente, pude notar pela forma como travou a mandíbula. Ainda sustentando sua pose, ele deu um passo para trás e me mediu de cima a baixo.
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  — Tudo bem, eu te ajudo. Sei que está com ciúmes do seu amigo-
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  — Eu? Com ciúmes de você? — gargalhou. — Jamais, Bee. Jamais!
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  — Então, tá. É só isso? Eu ganhei alguma coisa que você não consegue falar? — levantei, deixando o copo com o conteúdo pela metade. — Se importa de me dar licença? Preciso ir embora.
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  Ele continuou parado no lugar e eu esperei, para sair, mas não durou muito, pois minha paciência sempre foi curta como pavio em chamas. Me forcei para passar, pela lateral dele, e quando esbarrei nossos ombros, me segurou pela mão.
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  Mantive meu olhar para frente, ouvindo-o dizer:
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  — Você sabe onde está meu carro. Me espera lá, vou logo em seguida.
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  Assim que terminei de descer a escadaria da entrada principal, notei que estava descalça. Tinha entrado em tamanho estado de torpor que sequer notei a nudez dos meus lindos pés, deixando-os sofrer para andar pelos ladrilhos cheios de pedregulhos, porque não existia a menor ou mais remota chance de eu voltar todo o caminho longo feito para sair somente para encontrar meus sapatos. De maneira alguma eu perderia tempo em algo que poderia me atrasar.
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  Senti a exigência gostosa do momento na voz de , se fosse para desafiá-lo, eu não iria fazer ali, num local em que ele iria se segurar o máximo possível para não corresponder.
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  Juntei as mãos na saia do vestido para que não rasgasse a barra e comecei a pisar no asfalto flagelado, sujo, mas sem reclamar. Durante meu caminho, fui notando os arredores. A estrada principal, uma rodovia bem movimentada que entrava em Seul, guardava o pequeno e singelo portal em terra, levando para aquele local totalmente escondido, tal qual um jardim do Éden todo protegido. De um lado tinha o enorme prédio teatral, parecido com um museu e de traços modernos, do outro uma floresta, e os dois extremos eram divididos por um lago extenso. Ou seja, com tudo, contemplava-se o frio emanado pelas inúmeras árvores que não paravam de balançar.
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  O azar de quem não estivesse coberto o suficiente. O que era meu caso, mas não tão assim. Meu corpo estava ardendo demais para sentir o frio queimar minha pele.
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  Ardia tanto, que nem mesmo a cena de prensando contra uma pilastra ao lado de seu carro, no estacionamento, me fez broxar. Amaldiçoei o fato de não estar usando meus saltos finos, assim causando um barulho e avisando minha chegada, o que iria me privar de ver a cena deplorável do meu melhor amigo atacando sem pudor a mocinha em questão. Mas com certeza eu zoaria por isso em algum momento, alimentando a face adolescente de quatorze anos que ainda existia em nossa convivência.
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  Fiquei parada um pouco longe, pensando como fazer. Logo iria descer e seu carro estava ao lado do de , não tinha como entrarmos sem sermos vistos. Minha intuição me aconselhou, então, que eu pedisse por ajuda a algum ser divino. E eu atendi.
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  Minha oração foi cheia de um pedido com justificativa implícita. Deus sabia muito bem o que eu queria fazer, eu não precisava dizer em voz alta.
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  O pedido me rendeu alguma coisa, ou deve ter sido o gato passando, pois o empurrou pelo peito, sorrindo boba e parecendo meio tonta. Talvez fosse a falta de ar, porque só do tempo que eu despontei no final da escadaria até chegar na entrada do estacionamento, eles não tinham feito uma mínima pausa sequer. A bichinha deveria estar cansada com o pulmão de rapper dele.
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  Eu cansava, mas nunca desisti de acompanhar o mesmo fôlego de , por exemplo. Era gostoso beijar ele, não negarei nunca. Tive empatia por ela.
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  Quando me dei conta, estava apontando para mim e se virou rapidamente, assustado e me encarando com um vinco no cenho.
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  — Fiquem tranquilos, eu larguei meu celular em algum lugar por aí, então sem fotos pra galera ver essa pegação milionária — ergui as mãos em rendição, continuando a andar mesmo que minha saia se arrastasse. — Achei que tivessem ido embora.
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   arrumou a própria roupa em sincronia com , que se afastou da pilastra.
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  — Estávamos indo — disse, destravando seu carro. — Mas eu ia voltar pra garantir que você teria mesmo a carona do .
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  — É, ele disse que me levava… Cuidado na estrada, hein — sorri empolgada e encarei , ela estava entrando no veículo e eu mirei, no carpete, minha sacolinha da Prada. — Pode me dar essa sacolinha, por favor?
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  Os olhos dele mediram minha face por inteiro e eu escaneei o que ele queria que eu dissesse.
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  — Então você e ele… — olhou para o lado, o carro de .
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  Eu não aguentei, tive que rir e achar graça.
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  — É tão engraçado que ele tenha sempre negado e ficado no “só mais essa vez” enquanto estava em cima de mim, e agora todo mundo já sabe só pelo comportamento corporal dele com uma brincadeira… — cruzei os braços, ainda mantendo o sorriso vitorioso. — Isso é pra você ver como não tem a menor chance de alguém superar Bee, já te falei inúmeras vezes.
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  — Mas isso não me interessa. — Ele revirou os olhos, me estendendo a sacola que lhe foi dada por . — sempre foi mais introvertido, reservado, diferente de você. É estranho.
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  — Bom, seria estranho se não fosse apenas sexo, bonitão. O que não é nosso caso. Também temos limites aí… — olhei dentro da sacola, tirando o conteúdo para fora. — Eu e podemos dar certo na parte dos benefícios, mas sair da zona inimiga? Dúvido. Ele consegue ser insuportável de chato com tanto controle.
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  — Me diz isso daqui uns meses, quando você quiser uma chave da casa dele também. — riu.
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  Fingi não dar bola para a chave em um pingente com uma seleção de fotos nossas dentro de diversos relicários. Era um chaveiro lindo, depois eu encheria ele de carinho por isso em algum lapso aleatório. Por ora, eu estava indiferente porque minha cabeça vagava em outra grandiosa e deliciosa joia.
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  — Pode apostar — respondi pra ele com tédio. — Bom, você já demorou demais, vai logo. Tô sentindo que daqui a pouco ele desce e eu tenho certeza que você não vai querer conhecer a outra Bee… Ela é bem pior que a sua Bibi.
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  — Que horror. E eu preocupado esse tempo todo de você desvirtuar o caminho celeste do mais novo… — fingiu ultraje e eu me lembrei que precisava agradecer ele, principalmente por ter inventado uma mentira meio incômoda na frente de .
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  — Aliás, obrigada — fui sincera.
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  — Por? — insisti meu olhar arregalado nele, para clarear sua mente. — Ah! Por nada… Era o mínimo que poderia fazer por você, sei que faria o mesmo por mim.
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  — Eu não teria tanta certeza assim — fiz uma careta e ele também. — Mas, de verdade, obrigada. Hoje você garantiu o fim da minha noite.
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  — Que nojo, Bee! — levou as mãos ao rosto e respirou fundo. — Olha, depois você me conta tudo e etc, eu compro o sorvete. Mas por favor, me deixa ir embora sem trauma nenhum.
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  — Hum, tá me imaginando em um momento libertino com seu melhor amigo, é? Que pervertido!
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  — Tchau, Bee! Tchau!
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  Acenei para assim que ele saiu da minha frente, dando a volta para tomar o lado do motorista em seu carro. Ela foi simpática e sorriu em resposta, fechando o vidro logo que ele deu a ré para sair da vaga. Me despedi dos dois como uma boa amiga, acenando até o carro sair totalmente da minha frente.
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  Meu lado adorável, porém, não durou muito. Bastou a SUV me livrar a visão para eu ver ao longe, descendo os degraus da escadaria. Aquela caminhada confiante dele me tremeu as pernas.
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  Ele vinha a passos firmes e quanto mais perto ia ficando, melhor eu podia encarar seus olhos nublados, quase fechados por estarem tão cerrados. Em sua mão tinha meu par de sandálias e eu evitei rir, imaginando a cena dele pegando os calçados no meio da pista de dança para me trazer, sua Cinderela.
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  Um detalhe em específico me deixou mais desconcertada. usava a outra mão para afrouxar a gravata que tinha sido, outra vez, em algum momento, apertada em um laço no seu pescoço. Quando ele conseguiu se livrar desse aperto, já na entrada na garagem, desabotoou os dois primeiros botões da camisa branca, e seus passos foram se tornando mais rápidos. Minha respiração acompanhou a velocidade das suas pernas, me causando uma falta de ar, antecipando sensações. Sua aura frustrada e furiosa me deu um grande impulso para alavancar minhas expectativas para o que faríamos a partir do momento que ele me tocasse.
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  Minha boca, entretanto, começou a mover sozinha:
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  — Olha, antes de qualquer coisa, já vou deixar claro que eu não sou sua propriedade e esse lance de “pegou meu amigo” comigo não funciona… Se você for me taxar como todo mundo, pode esquecer, e esse joguinho vai acabar aqui e agora.
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  Quando terminei de falar ele já estava a milímetros de distância, trazendo sua atmosfera carregada com seu perfume amadeirado. Eu não saberia dizer o que foi que me hipnotizou primeiro: o cheiro ou os olhos tão perto dos meus.
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  A boca até entraria em contagem, mas acho que a expectativa pelo futuro estava em maior vantagem.
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  — O seu problema é que você fala demais às vezes, Bee. — Ele disse com a voz grossa. — Isso me obriga a querer te beijar pra você calar a porra da boca.
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  — Olha só, ele fala palavrão e é exigente — fui sarcástica. Um fetiche provocá-lo? Acho que sim.
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  — E você é insuportável.
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  — Você quem está me deixando falar.
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  Ele deixou minhas sandálias caírem e tomou meu rosto com as duas mãos.
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  Em silêncio, ficamos nos encarando nos olhos um do outro. Por mais que quisesse, jamais iria implorar para que cessasse logo aquela distância. Meu limite em competitividade era quase inexistente.
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  Até agora eu não tinha feito o teste da minha capacidade para aguentar. Não sabia meu fim, quando parar.
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  — É porque eu quero alimentar mais essa vontade. — Ele respondeu mais baixo, soprando o hálito fresco de menta.
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  — Então você confessa que está sobriamente com vontade de me beijar — mantive meu olhar firme.
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  — Como não é uma pergunta, não vou responder.
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  Nossos olhos continuaram se desafiando durante a batalha de se encararem como se fosse possível vermos as almas um do outro.
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  Consegui ver uma camada flamejante em , com seu controle se esvaindo. E tenho certeza que no meu ele via o mesmo fogo que subia por todo meu corpo, mas pronto para ser compartilhado no momento que ele parasse de frescura e me beijasse logo. Conseguiria levar aquilo o mais longe possível e até mesmo ir embora e me virar com minha imaginação usando dedos ou algum brinquedinho. Mas ele conseguiria deixar com que eu fizesse isso?
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  Era o que eu estava testando.
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   começou a falhar seu olhar descendo para meus lábios e sua respiração falhou junto. Eu estava quase perto do meu hêsito, me saindo melhor que Ícaro diante do sol. Só faltava mais uma faísca.
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  — Pede, , é só pedir… — incentivei. — Não vai doer. Você está quase lá.
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  — Eu não vou dizer em voz alta, Bee.
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  — Dizer o que exatamente? Não estou te acompanhando.
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  — Que inferno! Dizer que você me tira do sério e que hoje está pior do que nunca — cerrou os dentes em sua confissão.
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  — E o que você vai fazer sobre isso, ?
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  — Não sei como, onde e nem por quanto. Mas hoje eu vou te foder, Bee, como nunca antes.
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  Por dentro eu me derreti com tanta ardência.
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  — Tentadora sua ideia, mas eu não senti aquele quêzinho de compartilhamento da situação. É algo a 2, precisa de uma interatividade nesse negócio, sabe? Hoje em dia homem que não pensa no prazer da mulher não é muito bem visto… — fiz graça, obviamente, tentando me afastar e ganhar tempo para recompor meu estado de imaginação. Suas mãos que estavam no meu rosto se dividiram, a direita espalmou a base da minha coluna e a esquerda deslizou por minha nuca, por baixo do cabelo e enfiando os dedos por entre os fios. botou força ali e, puxando os fios, inclinou minha cabeça para que seus lábios encontrassem meu queixo, começando a encostar em mim nesta região.
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  Poderia descrever como o beijo mais quente, necessitado, forte, cheio de vigor, dentre outras inúmeras coisas. Mas eu não conseguiria, jamais, dizer nem mesmo para minha própria sombra ou reflexo, que aquele foi, de longe ou perto, o melhor beijo que alguém um dia pôde me dar. Não era a sua pegada, não tinha nada a ver com fosse lá o que tinha influenciado seu incômodo, tampouco com seu fôlego inabalável, absolutamente nada. Era o encaixe.
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  O maldito encaixe perfeito sem descrição.
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  — Está bom pra você assim? — se afastou lentamente, repuxando meus lábios com os seus, sem usar os dentes e mesmo assim deixando os meus pulsando.
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  Com as pernas bambas, me apoiei nos braços dele, encarando-o fuzilante. Com certeza eu deveria parecer um soldado alvejado, insistente, ainda em pé e tentando contra atacar. Abaixar a guarda não fazia muito o meu feitio.
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  — Não vou alimentar seu ego. Não até me fazer gozar, meu bem. — me afastei, virando para a porra do carro e o esperando destravar. estava parado no lugar, me encarando sem mudar em nada a sua feição. — O que foi? Eu disse que você me levaria pra sua casa hoje. Vamos.
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  Ele pegou minhas sandálias do chão e deu a volta, destravando e entrando logo depois de mim. Jogou o par no banco de trás e, colocando a chave na ignição, pediu em tom grave:
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  — Tira a calcinha.
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   deveria ter me deixado vir sem, seria tão mais interessante…
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🍷

   conseguia ser enigmático mesmo que sua expressão corporal tivesse lhe feito entregar a todos naquela noite sobre nós dois. Ele dirigia em silêncio, prestando atenção no trânsito como se eu não estivesse ali. Como se eu não estivesse à sua mercê, sem calcinha, seguindo o comando de sua exigência. Isso, inclusive, estava me deixando com comichões, porque eu jamais daria meu braço a torcer, ainda que a ansiedade trouxesse a tiracolo as sensações da antecipação.
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  Estávamos há um tempo no trânsito leviano e tranquilo da capital, no rádio tocava alguma coisa internacional, que para mim parecia uma canção latina, e ele batucava os dedos no volante, quando o meu pavio se deu por vencido. Pelo o que eu sabia, ainda nos restava alguns cinco ou sete minutos até sua casa no condomínio chique, escondido em um espécie de colina de natureza preservada, portanto, ainda tinha tempo para pensar no que fazer ou se deveria fazer. Vê-lo tão impassível assim, mudo desde que saímos da festa, estava começando a me mostrar outra figura da ambientação de nosso momento.
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  Era bem provável que ele tivesse invertido a mesa e agora fosse o ditador do passo a passo. O pior vinha para a consequência: eu lhe dei esse espaço para ditar o ritmo e o que seria feito ou não. Foi como se eu tivesse caído na minha própria cama de gato.
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  Eu mesmo sucumbi ao meu próprio redemoinho, simplesmente por não saber enxergar e aceitar que mexia comigo, talvez mais do que Rodrick e Hoshi juntos pudessem mexer. Não era sentimento, até essa página da minha vida não existia nenhum homem ou mulher, nenhuma pessoa, que pudesse carregar o título de ser minha paixão. Ter um fraco em libido pelos fulanos que eu tinha não significava que eu os amava. E eu tinha certeza absoluta que não era essa exceção à minha regra. Ele só tinha uma grande vantagem em relação aos outros: desprezar a garotinha com o famoso “daddy issues“.
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  Com tal conclusão, tendo a cabeça apoiada na janela enquanto olhava para fora, deixei escapar um riso frouxo, de uma sílaba só. Realmente era engraçado como fiquei tão atordoada pela simples existência dele, que acabei me perdendo, sentada ali ao seu lado, entregue aos seus comandos.
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  — O que é engraçado? — Ele me questionou e eu o olhei de soslaio, permanecia na mesma posição: ereto e com suas mãos no volante.
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  Passei a língua pelos lábios e pude notar que os olhos dele se moveram lentamente, acompanhando meu movimento.
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  Talvez nem tudo estivesse mesmo perdido e nossa mesa continuasse se movendo.
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  — Se eu começar a falar você vai me calar? — disse baixinho, mostrando um falso medo a ele.
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   soprou um riso fraco e se mexeu no banco, ajustando sua posição perfeita. Foi um tique nervoso.
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  — Por que está com tanta pressa? — Me perguntou, descendo lentamente sua mão direita pelo volante, alisando o couro da capa e, milimetricamente, dedilhando cada centímetro daquele material luxuoso.
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  Meus olhos seguiram, minha mente divagou e minha respiração entrecortada denunciou as inúmeras imagens que passavam em minha cabeça, como um alerta e lembrança do que aqueles dígitos macios e firmes podiam e tinham a capacidade para fazer. O toque de sua mão era uma lembrança marcante em cada centímetro de pele que eu tinha e que foi tocado por ele.
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  O arrepio me percorreu toda a espinha e eu acabei entreabrindo a boca, soltando o ar quente, à temperatura exata do meu corpo. Toda a minha camada estava exposta a ele, não tinha mais volta.
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  — Depende — iniciei, me erguendo mais no banco e deixando minhas pernas mais abertas. —, eu posso aceitar o seu tempo… Mas uma hora vou me cansar, então posso ir para casa e me virar sozinha. O que você chama de pressa, eu acredito fielmente que seja a objetividade.
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  Sua mão direita foi em direção ao meio das minhas pernas, sem me olhar, prestando atenção no caminho, pois no mesmo instante o trânsito começou a fluir. Levei um breve susto ao sentir o calor da sua pele no local sensível, mas me frustrei ao ver que ele pegou somente a calcinha que estava ali, no vão, e puxou o braço.
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  Para minha total surpresa, cheirou o tecido e segurou firme, deixando-a em cima de sua coxa marcada pelo tecido fino da calça social.
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  — Qual o seu objetivo, Bee? — tomou minha atenção para seu rosto; eu continuei encarando seu perfil, incrédula com toda a capacidade de se manter sereno, enquanto eu comecei a salivar mais que o normal. — O que você tem em mente?
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  Mas por mais hipnotizada que eu estivesse, jamais iria implorar antes de qualquer toque dele.
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  — Que no momento estou entediada — cruzei os braços, olhando para o lado oposto e observando os outros carros lá fora.
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  — Você não sabe lidar muito bem quando as coisas não saem do seu jeito, não é? — mantive meu olhar para o lado de fora, mas pude sentir o calor da palma de sua mão bem próximo do meu monte de vênus quase totalmente exposto pelo recorte da fenda do vestido. Prendi a respiração, mas não disse nada. — É incrível como todas as suas paredes são firmes e mesmo assim eu gosto de escalar elas. — Ele riu um pouco da própria analogia e eu continuei quieta, olhando para fora. — Gosto de como você é um livro aberto pra mim, de fácil leitura, Bee.
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  Sua voz estava perto demais do meu ouvido, como uma tortura. tomou o lóbulo da minha orelha com seus lábios, no mesmo instante que sua mão me cobriu onde estava. Fechei os olhos e não respondi em palavras ao seu toque, principalmente porque sua boca foi se aventurando em meu pescoço, seguindo um ritmo harmonioso com a investida da mão que me cobria.
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  — Eu posso dizer exatamente o que você quer e o que faria, mas a melhor parte é ver você colapsar em silêncio, copiosamente, dentro dessa sua redoma de cristal, porque não consegue fazer o mesmo comigo. — O sopro do seu tom ríspido me arrepiou partes do corpo que eu não imaginava existir. Droga! Me encontrava completamente entregue.
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  Abri mais as pernas, somente para, quando estava me afundando mais no banco, ter um breve deleite de seu toque em meu clitóris, porque o barulho da buzina vindo do carro de trás fez ele voltar ao seu banco, com a mesma feição e serenidade. Fechei meus olhos outra vez e desisti, por ora, de tentar raciocinar alguma coisa.
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   não daria o xeque mate sozinho. Isso eu não deixaria.
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  Ou pelo menos tentaria, porque, sendo bem honesta, por mais ridículo que pudesse parecer, meu inconsciente já estava pronto para obedecê-lo há muito tempo.
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  — E quem foi que disse que você me causa tudo isso? — tentei dizer de forma límpida. — Quer dizer que a cada vez que eu volto da América você está mais presunçoso?
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  Lentamente, como tudo que ele vinha fazendo, virou o rosto para mim, e eu me mantive ereta, acompanhando tudo de soslaio. Sua mão retornou para meu colo, mas ele parou ela um pouco antes do meio joelho, por cima do tecido do vestido.
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  “Errou, meu bem. A perna nua é a outra.”, meu inconsciente gritou.
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  Se esticou, encontrando minha orelha novamente, apenas para sussurrar:
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  — Ninguém precisa me dizer nada sobre você. A conversa que eu tenho é com seu corpo, Bee. E ele fala mais do que a sua boca.
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  Automaticamente eu mordi meu lábio inferior, virando o rosto para a direção dele, que no mesmo instante fez o retorno para encostar-se no banco. Nossos rostos quase se resvalaram e eu senti uma imensa traição de sua parte por me deixar cogitando a ação de me beijar naquela fração de segundos, foi como colocar o doce na boca de uma criança e retirar antes dela sequer poder lamber. Meu interior estava banhado em comichões, pedindo, implorando, gritando o mais alto que pudesse para que aquilo acabasse logo e nosso desejo fosse saciado.
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  Porém, o detalhe mais chocante e que me causou um leve frio na boca do estômago, foi a mão de continuar pousada em minha perna, enquanto ele usava somente a outra para dirigir, pelo privilégio de ter um carro automático e não precisar mudar a marcha pelo câmbio a cada minuto. Não era um toque tão cheio de carinho e afetuoso, mas ainda assim foi algo diferente.
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  Tentei não focar muito nisso, faltava pouco para chegarmos em sua casa. Eu só precisava ser um tanto mais paciente.
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  Os minutos e o trânsito não pareceram cooperar até faltar apenas um último semáforo e virar o carro na rua que levaria para o topo da colina, entrando pelo enorme portão ao seu carro ser liberado para entrar no condomínio luxuoso que guardava inúmeros outros idols residindo ali quando não passavam os dias em dormitórios de suas respectivas empresas. Ainda em silêncio, observei todo o arredor. Tinha ido ali apenas uma vez, mas não por ele e sim por Hoshi, que também tinha um apartamento num dos milhares de prédios da construção. Um nervoso começou a crescer em mim e eu tentei aniquilar a ideia de estar ofegante por ser uma novidade, embora quisesse acreditar que era o sentimento antecipado do que estávamos prestes a fazer — a cada segundo, quilômetro, instante e tudo o que fosse possível como unidade de medida que passava, eu estava mais perto do meu objetivo: .
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  Logo paramos em uma vaga subterrânea de um prédio bem distante da entrada, localizado um pouco mais perto do topo da colina, onde ficavam casas, e ele recolheu sua mão, para meu desgosto interno. saiu primeiro e deu a volta, vindo logo abrir a minha. O olhei de cima a baixo.
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  — Não me lembro de você ser tão cavalheiro assim — disse, vendo o volume em seu bolso, por ter guardado minha calcinha ali.
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  — Eu sempre fui cavalheiro com você, te deixar quicar no meu pau foi um ato de cavalheirismo. — Ele me respondeu dando de ombros.
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  Fiquei sem resposta, sendo pega de surpresa por seu tom indiferente.
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  Tremulei um pouco, mas me mantive na mesma posição.
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  — Preciso da minha calcinha para descer do carro — estendi a mão, movimentando os dedos em sinal que estava esperando que me devolvesse. — Não confio nesse vestido.
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  Ele negou.
  — Você consegue caminhar sem ela até o elevador. Vamos — desencostou da porta, colocando as mãos nos bolsos.
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  — Não. Eu preciso dela — insisti. — E se alguém passar e me ver sem? Essa fenda é muito profunda, . Sem chance! — movimentei os dedos novamente.
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  — Já disse que não.
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  — … — bufei. — Estou começando a perder o resto do pavio que ainda existia.
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  — Mas que você é uma bomba sempre prestes a explodir, isso eu já sei, Bee. Vamos logo.
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  Sai do carro apressada, irritada, indo com a minha mão diretamente ao seu bolso, mas ele me segurou pelo punho. Ergui o rosto para encarar seus olhos, agora nublados outra vez, contrariados, ávidos por me fazer regredir as casas que havia andado. queria estar no controle de algo desgovernado, ele só podia estar realmente muito louco.
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  Que fosse louco para me foder, então.
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  — Você é muito teimosa, Bee… — sussurrou por fim, antes de me puxar para frente, de surpresa.
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   me colocou em seus ombros, me deixando com a bunda empinada e um completo show gratuíto para o vento ou quem quer que pudesse aparecer ali e me ver tão exposta.
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  Me debati contra ele, obviamente.
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  — Me solta! Se alguém aparecer e me ver-
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  — Te ver como? Assim? — Ele me cortou e eu senti sua mão puxando o tecido da saia, exibindo mais de mim. — Não tem ninguém aqui a essa hora. E é madrugada. Relaxa.
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  Ouvi o barulho da porta fechando e em seguida o alarme foi acionado.
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  — Dá para, pelo menos, puxar a saia pra eu não ficar tão exposta assim? — pedi, ainda frustrada.
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  Sem responder, o fez.
  Em silêncio, seguimos para o elevador. Ao entrar no cubículo, ele me colocou no chão e se afastou, ficando encostado do outro lado, de frente para mim.
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  — O que deu em você hoje? — perguntei sem cerimônias, cruzando os braços depois de desamassar minha roupa.
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  — Você voltou. É isso o que deu em mim. — Sua resposta saiu afiada.
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  Sorri vitoriosa, ele estava confessando que eu lhe causava alguma coisa.
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  — Então — dei um passo à frente. — quer dizer que eu te causo tudo isso… — gesticulei com o indicador, apontando seu corpo todo. — Ficou com ciúmes de saber que eu e Hoshi já tivemos algo, não foi?
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  — Não tenho ciúmes de você, Bee.
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  Dei outro passo, ficando mais perto.
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  — Não é o que parece. A conversa com seu corpo está sendo muito esclarecedora pra mim, — estiquei a mão, tocando seu peito com o indicador. — E ele está me dizendo muitas coisas — vi seus olhos se espremerem. — O que foi? To falando demais outra vez? Talvez eu devesse ficar em silêncio, então. Assim você não se contradiz e não fica com vontade de me beijar.
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   riu e se aproximou mais, tirando a minha mão do nosso meio.
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  — O problema não é querer te beijar pra você ficar quieta, Bee.
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  — Então qual é? — sussurrei de volta, me aproximando em mais alguns milímetros.
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  — É ter que parar porque você sempre vai embora.
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  — Porque você nunca me deu motivos para não ir — dei de ombros, fingindo não ter me desconcertado. — Chances não faltaram.
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  Os olhos de desceram para os meus lábios e voltaram para cima rapidamente, e com a mesma rapidez, ele me tomou em seus braços. Minha cintura foi rodeada por seu braço direito, com uma força deliciosa sendo colocada em mim, para que nossos corpos se colarem para serem um só. Podia sentir toda sua frieza em contraste com o meu calor, embora ele estivesse colocando uma intensidade fervorosa em sua língua contra a minha. O que descreveriam como uma dança harmoniosa sobre um beijo como aquele, eu diria que era uma batalha entre duas pessoas querendo aproveitar uma a outra com muito deleite.
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  Meu desejo possuía camadas, mas todas se voltavam a ele. Isso era nítido.
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  O ar não faltava, ele parecia se multiplicar para que eu não tivesse o lastimável dever de me afastar somente para respirar. Não dava, não tinha como se concentrar em oxigênio, não com me beijando daquela forma, tirando de mim todo o tesão acumulado, levando meu inconsciente para a superfície e dando voz a ele, que tanto me pediu, implorou e gritou para ser ouvido, enquanto eu lutava incessantemente com sua voz, deixando-o no relento apagado da minha teimosia. Era como se o melhor de mim, que eu sempre me propunha a dar (de forma literal), estivesse sendo instigado por ele, como um pedido.
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  Não, um comando. Ele estava mandando em mim e em todos os meus sentidos, como se eu fosse sua marionete. E fazia isso de forma suave que, mesmo buscando o mais profundo, eu não encontrava nenhuma justificativa que me fizesse querer afastá-lo e parar com tudo aquilo. Pelo contrário, só tinha uma imagem em minha frente e não era nem um pouco parecida com parar ali e não prosseguir. Por mais nublado que seus olhos estiveram me encarando nos últimos momentos, ainda assim não conseguia observar possessividade, manipulação, nada. A verdade era que estava sendo exatamente aquilo que eu sempre alimentei que fosse comigo. Estava me devolvendo na mesma moeda toda a minha provocação, com juros, porém. Um juros altíssimo.
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  Senti a sua mão espalmada na base da minha coluna e minhas mãos estavam em seu rosto, tocando-o para sentir a realidade do que estava diante de mim. Era a necessidade de afirmar para todas as minhas consciências, até as não locais, que a partir de agora ele era meu, mesmo me tendo muito mais do que jamais tive antes. abria portas que nem mesmo eu tinha a chave e a posse se fez recíproca, não como objeto, certamente, mas de momento.
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  No curto intervalo para respirar, coisa de alguns segundos, fomos saindo do elevador. Ele não demorou a tomar minha boca com a sua outra vez e então eu senti o gelado contra as minhas costas, abrindo os olhos brevemente para saber que era a parede lateral à porta de seu apartamento.
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  — Cadê a chave? — perguntei contra seus lábios, sendo prensada ali nas investidas que estava recebendo de seu corpo.
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  — É digital.
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  — Qual a senha? — insisti, não querendo que ele afastasse de mim as suas mãos exploradoras. Dora ou Indiana Jones, que fosse, nenhum dos dois jamais bateria a exploração perfeita daqueles dedos.
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  Ele demorou, mas respondeu:
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  — É minha biometria, Bee. — Sua mão direita saiu da minha cintura primeiro e ele se afastou.
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  A decepção veio, claro.
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  Contudo, eu já estava absorta demais. Me mantive pendurada em seu pescoço, beijando sua pele, mal dando atenção para seu breve problema em concentrar a atenção para liberar nossa entrada. Minhas necessidades estavam mais urgentes.
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  Quando finalmente a porta foi aberta, retornou a me segurar pela cintura e usou uma mão para espalmar meu rosto, segurando-o para a direção de seus lábios. Outro beijo, outra dimensão encontrada. Com seu corpo contra o meu, ele me “empurrou” para dentro e fechou a porta com o pé.
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  A sequência foi um pouco caótica. Os dois com as bocas coladas, tropeçando pelo ambiente, até cair no sofá.
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  Eu estava no colo dele, com as pernas uma de cada lado, já toda descabelada. Pela primeira vez fui a responsável por parar o beijo, odiando isso, inclusive, e me afastei lentamente, puxando seu lábio com o meu, como se o sugasse. Pela posição, fiquei um pouco mais alta e manteve as mãos em minha cintura, uma de cada lado. Ao notar que ele iria investir novamente contra meu corpo, espalmei a mão em seu peito, empurrando-o contra o encosto do sofá.
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  — Ainda quer a sua calcinha? — Ele perguntou com a voz aveludada a fio. Filho duma mãe!
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  Em conjunto de sua provocação, como um grande protagonista, seu quadril, abaixo do meu, se mexeu, devagarinho, me mostrando que a sua ereção já estava começando a corresponder ao esperado.
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  A antecipação, como vinha sendo, me alertou de algo.
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  — Não se mexa — sibilei baixo, ajeitando meu cabelo solto em um coque mal feito com os próprios fios e arranquei o acessório da noite, a minha máscara. Ele fechou a boca, ficando com ela falsamente pequena, em um quase bico de reprovação. — Você pode ficar com ela se quiser… — tirei de seu bolso a minha calcinha e coloquei contra seu peito, levando os lábios para o pé de sua orelha. — Eu tenho outras. Milhares — sussurrei, começando a beijar sua pele com o mais libertino desejo.
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  Gostaria de poder lamber ele por inteiro.
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   tirou uma de suas mãos de mim, segurando o tecido minúsculo contra o próprio peito, e deitou a cabeça para trás. Ele já sabia, já me conhecia o bastante para saber como eu gostava de começar, como uma marca registrada.
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  Enquanto chupava seu pescoço, assoprava e mordiscava, tirei a máscara que ainda lhe cobria o rosto, e a joguei longe, talvez fazendo-a se encontrar com a minha no mesmo destino ao longe. Seu blazer foi a primeira peça ser removida e eu abri mais todos os outros botões, vez ou outra fazendo meu quadril magicamente rebolar em cima dele, com muita inocência — os gemidos baixinhos que deixava escapar incentivaram muito mais, mas eu ainda estava me controlando para não o deixar vivenciar tudo de uma vez só. Então, sem muita pressa, eu abri a braguilha de sua calça social, olhando em seus olhos quando liberei seu pau pelo vão da peça.
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  Eu não estava sozinha, porém.
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   não se manteve muito tempo na falha de seu descontrole e levantou comigo em seu colo, me assustando brevemente. Fui colocada em cima da tampa de seu piano branco e ele se posicionou no meio das minhas pernas, me encarando fulminante.
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  — Hoje não, querida. Hoje você não dita nada. — Ele me alertou, com a mão em minha nuca, antes de me beijar.
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  Suave como uma naja, deu a volta por cima, porque sem qualquer som ou eu sequer notar seu movimento, ele me penetrou.
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  Eu não vi quando se despiu da calça com a cueca ou como afastou o tecido da saia longa. Nada, estive hipnotizada demais naquele tempo.
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  Sequer fui tocada antes. Ele me deu a melhor surpresa antes de qualquer coisa.
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  Meu corpo envergou para trás e eu arfei com a sensação deliciosa da surpresa, me esforçando para manter o apoio dos braços jogados para trás na tampa de madeira.
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  Se antes o corpo dele estava frio, agora ardia junto com o meu.
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  — Esse era o seu objetivo, Bee? — Me perguntou, lentamente entrando em mim.
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  Não fui capaz de responder.
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  Tampouco pude racionalizar o uso indispensável de um preservativo.
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  Com ele dentro de mim, eu não conseguia pensar.
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  — Eu não tenho ciúmes de você, sabe por quê? — Outra pergunta e eu nem tinha respondido a primeira. se moveu para sair e voltar, mais lendo que uma lesma poderia ser em toda sua vida. — Está me ouvindo, Bee?
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  — E-E-Estou — gaguejei, abrindo os olhos e o encarando. — Por que você não tem ciúmes de mim? — perguntei, controlando a respiração.
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  — Porque pode passar quem for — uma estocada lenta. —, o seu corpo vai continuar pedindo por mim. — Mais uma. — Porque não conseguir me ler, Bee, instiga essa vontade em você de que eu te foda de todas as maneiras possíveis. — Conforme ia falando, ele ia me penetrando. — Te toque, te faça minha. Não sou eu, é você.
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   me soltou, sem sair de mim, apenas para rasgar o meu vestido pela fenda e me deixar nua por completo. E se eu já não estava com tesão o suficiente antes disso, agora, vendo sua mão cheia das veias salgadas pelo uso da força, me transportou para o caos.
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  — Você pode deixar que outros façam o mesmo, mas enquanto eu for o único a te fazer cair na própria cama de gato, não tem porque eu ter ciúmes.
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  A minha lubrificação natural já era abundante com os toques implícitos desde o primeiro encontro no bar, agora parecia que eu estava encharcando seu pau, deixando-o deslizar com facilidade, indo mais fundo.
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  E quando eu achei que meus gemidos e expressão corporal já tinham entregado a ele minha desistência de continuar puxando a corda de aço, somente saiu e não voltou mais.
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  O encarei aturdida, com medo de mais uma vez não ter lido ele corretamente. Ele mantinha os olhos nos meus, sem dizer nada por um tempo, até seus lábios encontrarem os meus novamente — eu não me cansaria disso, jamais. Surpreendentemente, ele disse:
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  — Eu vou te foder em cima desse piano e depois a gente continua no meu quarto, pra amanhã cedo você vestir a minha camisa quando for fazer nosso café da manhã, porque eu colocaria fogo na casa… Então vou te ver de costas e não vou resistir, vamos terminar em cima do granito da ilha da cozinha e depois eu escolho o restaurante que vou te levar jantar.
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  Só de imaginar, todo o meu corpo correspondeu com um descompasso da minha respiração.
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  — Parece um bom plano pra mim — uni o meu melhor para dizer sem trepidar.
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  — É um bom motivo pra você ficar?
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  Não evitei o sorriso automático.
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  Era isso, eu tinha ganhado, afinal, mas dentro das regras dele.
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  Joguei meus braços em volta de seu pescoço e, com toda certeza repentina, respondi:
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  — Sim.
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  — Parabéns por mais uma vitória, Bee. — me lançou uma piscadela antes de me beijar e eu rodeei seu quadril com as minhas pernas, apertando o enlace delas.
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  Segurei na gola de sua camisa, botando força em meus dedos para que ele não ousasse se afastar. Neste beijo eu joguei toda a minha raiva, meu estado caótico de ter perdido, o que estava movendo a sincronia de nossas línguas não era somente o tesão, tinha esse algo a mais da atmosfera entre nós dois que falava sozinho. Tinha vida própria. Seus toques eram sempre precisos, mas carregados dessa intensidade diferente, que eu não encontrava em mais ninguém e tornava tudo muito único.
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  Colocando força em minhas pernas, fiz com que aproximasse mais o seu quadril e isso causasse a fricção entre as nossas regiões. Eu poderia muito bem dar vazão para o lado racional e responsável que continuava me dizendo que deveria alertá-lo sobre o preservativo, mas não queria tirar minha boca do encontro com a sua. Não queria me afastar para nada, nem mesmo respirar, porque um certo sentimento de dependência começou a ser alimentado em mim. Não tinha como ser humanamente possível, mas ainda assim, talvez fosse mais necessário manter aquele grude do que respirar.
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  Deslizei minhas mãos por seu ombro, até alcançar seu membro rígido e comecei a massageá-lo na ponta, apertando suavemente e sentindo como já estava encharcado de mim. Movimentei a mão, subindo e descendo para masturba-lo, recebendo em nosso beijo as respostas automáticas daqui. Por um breve período, nos partiu ao meio e eu aproveitei para levar a mesma mão que o tocava para meus lábios, chupando meus dois dedos, o indicador e o médio, encarando-o diretamente nos olhos.
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  — A mistura do seu gosto com o meu é perfeita, você deveria provar — sorri perversa, dedilhando seus lábios inchados com a ponta dos dígitos que suguei.
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  Ele apenas sorriu, deixando um beijinho na ponta dos dois.
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  Me coloquei um pouco mais a frente, apoiando meus braços para trás, sem mirar outra direção.
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  — Vai me fazer esperar mais pelo seu xeque mate? — perguntei com a dor de estar entregando tudo a ele.
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  — Você ainda não me respondeu qual é o seu objetivo, Bee. — segurou a base de seu pau e eu senti a ponta em minha entrada, sendo pincelada.
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  Ele queria que eu implorasse. Óbvio.
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  Meu vestido havia se tornado um mero pedaço de pano, minha calcinha já não era mais um objeto de posse pessoal, meu celular estava em algum lugar de Seul. Dignidade? Talvez estivesse por aí também.
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  Só me restava abaixar a guarda.
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  — Meu objetivo é você me foder amanhã de manhã em cima daquela ilha da cozinha — disse suave, relembrando seus planos repassados a pouco. Seus olhar espremido e carregado como nuvens cinzas, insistiu para eu continuar, de forma incisiva. — Por favor — pedi em um lapso inédito.
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   entreabriu a boca, passando a língua por entre os dentes, algo bem sutil que sempre o deixava mais sexy e atraente ao extremo, e me mantendo presa nos seus olhos, ele parou de me torturar apenas com as pinceladas, por fim me penetrando com vontade, com intensidade, sem nenhuma lentidão ou cavalheirismo. Senti as minhas paredes engolindo cada centímetro que dele que foi entrando, como se fosse uma recepção para um grande visitante de categoria VIP.
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  Suas investidas não demoraram a tomar um ritmo, se tornando mais frenético conforme ia me explorando. Chegou um momento que se tornou impossível nossos lábios se encontrarem e optou por me estimular com as mãos tomando conta dos meus seios, por eu me render totalmente a sua mercê, entregue com consentimento. Mantive meus braços para trás, sustentando o corpo que chacoalhava pelos movimentos dele contra mim. De olhos fechados, guiei minha mão para o meu ventre, apalpando meu monte de vênus até o indicador encontrar o ponto sensível, apertando o clitóris e em seguida o circulando, tentando acompanhar o ritmo que recebia do outro em suas penetrações.
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  Não sabia se a casa de tinha vedação acústica, então ele estaria em apuros com vizinhos se não tivesse, pois eu não consegui conter os gemidos, chamando seu nome, falando coisas desconexas. Ele também, claro, não ficou em silêncio. Quando uma de suas mãos subiu para meu pescoço, fechando ali, sem ser forte, mas o suficiente para me prender, eu sabia o que estava por vir. E sem muito tempo de espera, ele veio; tirou seu membro de mim logo que o gozo começou a espirrar, encharcando minha coxa.
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  E chamou por meu nome, ofegante.
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  Fui boba em pensar que acabaria ali, por ora, mas logo me surpreendeu, depois de sair de mim e gozar, ele me beijou rapidinho como uma forma de iniciar a sua trilha de beijos com a boca deliciosa passando pela minha pele, distribuindo chupões e mordidas por onde bem entendia. Até chegar no alvo todo empapado de mim mesma e dele. não teve cerimônias, eu voltei a ficar com o tronco em um ângulo quase deitado, apoiada em meus cotovelos, enquanto ele se abaixou totalmente em minha frente, começando a me chupar com a mesma maestria que havia usado em seu pau para me foder antes. Ele não tinha terminado e eu nunca me senti tão grata assim, porque sua boca contra a minha boceta, tendo seus dedos ágeis em auxílio para me estimular e também penetrar foram responsáveis por me fazer liberar nele tudo o que estava preso.
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  Gozei como já era previsto desde o momento em que nos encontramos, berrando o quão prazeroso foi, não me importando com o escândalo que fiz. Que ouvissem o quão gostoso havia sido e soubessem que o vizinho era um bom fodedor. Eu não estava nem aí e meu corpo mole não iria alimentar minha mente para o racional; talvez somente quando estivesse sóbria outra vez, porque no momento me encontrava fora de órbita, como se fosse um uísque envelhecido e eu uma consumidora sem experiência.
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  Ele se ergueu e me puxou para um beijo na testa, passando o braço pela minha cintura. Seu cheiro misturado com sexo me deixou inebriada e, como ainda estava recuperando meus sentidos, encaixei o rosto na curvatura de seu pescoço.
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  — Já cansou? — perguntou, circulando os dedos nas minhas costas.
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  — Não, estou me fingindo de morta — revirei os olhos, mesmo que ele não pudesse ver. — Eu acho que ainda não foi motivo suficiente pra eu ficar… Talvez você precise de mais esforço. Não estou convencida. A ideia do piano foi boa, inclusive.
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  — Tem outros cômodos nessa casa…
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  — Deixando a ilha da cozinha por último, por mim tudo bem.
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Fim

  N/A: Olá, espero que tenha gostado. Você pode acompanhar a autora pelo instagram: instagram.com/mhobiautora

 

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