Ilane CS
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Sem curiosidades para essa história no momento!

Dopa(mine)

Prólogo

(POV )

  — Tem que haver outra saída. — murmurei entre dentes repetidamente, enquanto o fundo da xícara encontrava o pires com força, quase rachando a louça.
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  — Você pode quebrar todas as porcelanas do escritório, , isso não muda os fatos. — me avisou com calma. Com a sua irritante calma. — A O’Brien Group está colapsando, a nossa única chance é deixar que a companhia dos japoneses absorva a nossa.
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  — E pra isso eu tenho que me casar com esse tal de Hakuna Matata?
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  — Arata. O nome dele é Arata. — meu irmão corrigiu. — Vamos, , não pense nisso como um casamento, pense como um contrato. Os acionistas da nossa empresa precisam ser da família, é uma exigência burocrática. — bateu nos papéis em cima da mesa. — É uma transação financeira, deixe o romantismo de lado.
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  — Fácil pra você falar. — recostei na cadeira da minha sala. — Você se casou por amor.
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  — Isso ainda pode acontecer com você. — ergueu uma sobrancelha e abriu um sorriso. — Não estamos propondo que você case com algum velho caquético, o rapaz é o mais velho de três irmãos, mas ainda é jovem, bonito, bem-sucedido…
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   se pausou quando me viu fechar o semblante e fuzilar ele com o olhar. A ideia era absurda desde a concepção até os argumentos que ele listava para me convencer. Em que século estávamos, afinal? Depois de dedicar toda a vida me preparando para assumir meu lugar nos negócios, para provar o meu valor e a minha capacidade, eu tinha que aceitar um casamento arranjado como solução para a falência iminente? Era inconcebível, mas era ainda mais inconcebível pensar em fechar as portas da empresa fundada pelos meus bisavós, o legado da nossa família.
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  Arfei para o contrato em cima do tampo de mármore, amaldiçoando todas as letras e cláusulas redigidas ali. No entanto, minha resistência e meu empenho em contornar os artigos mostraram-se inúteis: foram semanas me debruçando sobre o texto, buscando ajuda com meus colegas advogados, procurando uma brecha, uma contradição, um furo que fosse… Mas a peça era sólida e irrevogável, a O’Brien Group era uma companhia estritamente familiar e não podia, sob hipótese alguma, aceitar acionistas fora do sobrenome.
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  — Como isso beneficia a eles, afinal? — coloquei a franja para trás, suspirando. — Eles não podem ter concordado em investir numa empresa a ponto de quebrar sem que haja vantagens para eles.
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  — Expansão, irmã. Uma empresa consagrada como a nossa… — sacudiu a caneta banhada a ouro no ar. — Ainda temos nosso nome, ainda somos uma vitrine. É a entrada dos japoneses no mercado americano.
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  — Mais do que isso, é a entrada de um japonês na minha…
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  — ! — ele gritou, apavorado.
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  — Na minha vida, . Credo.
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  Meu irmão balançou a cabeça, rindo do meu infortúnio, como era o privilégio do mais velho sempre que o caçula estava metido em problemas. Problemas que não foram causados por mim, mas que, pelo visto, eu teria que resolver. Não era justo que logo na minha geração e de tivéssemos que arcar com o misterioso rombo fiscal que colocava em perigo a nossa permanência no mercado e, consequentemente, o meu futuro. Para receber o investimento que os Arata pretendiam fazer e valorizar nossas ações em baixa, eu teria que casar com um representante da empresa deles, a gigante metalúrgica Three Swords.
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  Estalei a língua, afundando na cadeira e considerando soltar um grito sem sentido para aliviar toda aquela pressão que foi jogada sobre os meus ombros. O destino inteiro da minha família dependia de mim e daquela decisão, era um fardo pesado demais.
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  — Ei. — levantou-se e deu a volta na mesa, apoiando-se nela, de frente para mim. — Você sabe que pode dizer não, né?
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  — E jogar a última pá de terra na O’Brien Group? — neguei com  a cabeça. — Você mesmo disse que é a única opção.
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  — E é. Mas tem outra coisa que eu não disse.
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  — Do que você está falando? — dei um pulo no lugar. — Não vai me dizer que o cara é tipo um Christian Grey e vocês vão me casar com um tarado?
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   fez um gesto para que eu parasse de falar, acompanhado de uma cara de nojo.
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  — Não vai haver intimidade entre vocês a não ser que os dois queiram, vamos colocar isso no contrato de casamento. O que me lembra que você vai precisar de um bom advogado.
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  — Kim . — pensei automaticamente no meu amigo e colega de curso. — Confio nele para me deixar bem amparada.
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  — Confia nele também para um plano de contingência? — baixou a voz, voltando a falar na tal parte que ele ainda não tinha me contado.
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  — Plano? Que plano?
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  — Assim você me ofende, irmã. — ele voltou a se sentar e a cadeira reclinou com o movimento. — Acha mesmo que eu ia colocar a minha caçulinha nessa emboscada sem uma rota de fuga?
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  — Acho.
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  — Ingrata.
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   mexeu na sua pasta de couro e tirou um arquivo cheio de gráficos e dados numéricos. Eram projeções financeiras para um ano, um esboço otimista de como poderíamos nos recuperar em tempo recorde, às custas de muito trabalho em parceria com a Three Swords. Os números de eram ousados, mas possíveis. Bem possíveis.
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  — Um ano, . — ele levantou o indicador. — Só precisamos de um ano. Vocês casam, a companhia dele injeta capital na nossa e, quando nos recuperarmos em um ano…
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  — Eu peço o divórcio. — concluí e confirmou com a cabeça.
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  Um ano era tempo suficiente para a O’Brien Group fazer bom proveito do investimento recebido, os cálculos sólidos de não deixavam dúvidas. Também era tempo suficiente para que os Arata se estabelecessem e consolidassem seu domínio metalúrgico no país. Todo mundo sairia ganhando, no final das contas. Eu perderia um pouco mais que todo mundo, é claro, mas eu poderia aguentar um ano brincando de casinha.
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  — O Batata está sabendo disso? — perguntei.
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  — A-ra-ta. — insistiu. — E não, ele não está sabendo. Está entre nós dois e, logo mais, o .
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  — Vamos manter assim até que a O’Brien Group esteja totalmente a salvo. Não quero que meu maridinho se indisponha comigo e atrapalhe os negócios.
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  — Então você aceita?
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  — Sim. — suspirei, pensando no duplo sentido da frase. — Eu aceito.
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Capítulo 1: El Diablo

(POV )

  A reunião extraoficial com o advogado dispensava todas as formalidades corporativas e burocráticas com as quais eu lidava o tempo todo. Kim foi meu colega de faculdade e Laura Chevalier, sua namorada desde então, acabou se tornando uma grande amiga, um elo que nos fez trocar uma sala de escritório cinza por um delicioso jantar no apartamento dos dois.
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  — Não é tão ruim, . — coçou o queixo enquanto Laura colocava o café na mesa. — A proposta é clara, vocês vão morar juntos, mas em quartos separados. Aqui diz que você vai se mudar para a casa dele, você concordou com isso?
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  — Ele tem uma puta casa em Greenwich Village. A Sarah Jessica Parker e o Tom Cruise moram lá, é claro que eu concordei.
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  — Ok, boa vizinhança. — assobiou. — Aqui também diz que vocês não terão obrigações conjugais um com o outro. E por obrigações conjugais eu quero dizer…
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  — Eu sei o que você quer dizer. — interrompi, me servindo. — Consumar o casamento.
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  — É isso que preocupa você, ? — Laura perguntou, sentando-se ao lado do namorado. — Que ele tente algo sem a sua permissão?
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  — Se ele tentar, eu corto o negócio dele fora.
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  — Não precisa castrar o japonês. — fechou as pernas quando juntei os dedos  imitando uma tesoura. — Um casamento é, antes de tudo, um contrato. Os atos sexuais precisam ser consentidos por ambas as partes, é implícito.
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  — Então deixe explícito. — dei o primeiro gole no café e estalei a língua.
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  — Já está. Há uma cláusula irrevogável. — ele abriu a cópia cheia das suas anotações no notebook e virou a tela para mim. — Se o tocar em você sem que você queira, o contrato está desfeito e ele perde o posto na O’Brien Group e também na Three Swords. 
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  — Jura? — aceitei um dos biscoitinhos que Laura empurrou na minha direção, examinando o texto. — Eu não tinha chegado nessa parte.
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  — Sendo assim, eu preciso avisar que o mesmo vale pra você. — abriu a boca e Laura colocou um biscoito nela. — Nada de partir pra cima do rapaz.
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  — Essa não. Será que eu vou conseguir me controlar? —  ironizei, achando a cena dos dois nojenta e fofa ao mesmo tempo.
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  —  Quem sabe? — Laura insinuou. — Ele pode ser irresistível, você já viu ele?
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  —  Não e nem quero. Vou ter muito tempo para olhar para a cara do meu maridinho quando casarmos. — cruzei os braços, assistindo Laura alimentar o filhote gigante. — Fala sério, Laura, ele tem dois metros e quase trinta anos, ele sabe comer sozinho.
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  — Homens são bebês grandes, amiga. — ela fez um carinho no cabelo de , que balançou a cabeça concordando e fazendo um bico. — Você vai descobrir isso quando se apaixonar por um.
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  Revirei os olhos, rindo do casal. Toda a história do casamento, do contrato e do divórcio iminente estava acontecendo rápido demais. Eu ainda não tinha tido tempo sequer de ficar triste por não estar apaixonada pelo meu futuro marido. Não que eu me considerasse uma pessoa ultrarromântica, do tipo que coloca biscoitinhos na boca do namorado, mas a fala de Laura despertou um incômodo aqui dentro, um receio que eu me obriguei a ignorar. Nunca imaginei que eu me casaria, mas eu tinha certeza de que, quando acontecesse, seria por amor.
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  — Vai acontecer, . — Laura apoiou o próprio rosto nos dedos tatuados, como se lesse a minha mente. — O me contou sobre os cálculos do . Isso vai acabar logo e você vai ter todo tempo do mundo para conhecer alguém que ame.
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  — Por que você não assumiu os negócios da Chevalier Industries, hein, Laura? — apertei a mão que ela me estendeu na tentativa de me confortar. — Se você estivesse à frente da empresa da sua família, eu me casaria com você para salvar a minha.
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  — É ruim, hein! — reclamou e puxou sutilmente a cadeira da namorada para mais perto dele.
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  — Meu avô está solteiro. — Laura deu de ombros. — Se ele estiver interessado em investir, eu marco um encontro com vocês dois.
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  Demos uma risada uníssona e meu peito carregado ficou mais leve. Apesar do pouco tempo que tive para processar os últimos eventos, decidi encarar tudo aquilo como uma solução para os problemas da O’Brien e não como uma sentença para mim. Ficamos até mais tarde acertando o contrato e entramos em contato com , o mediador entre nós e os Arata. O jantar de noivado (que nada mais era que uma ocasião para que eu conhecesse a cara do antes de me mudar com ele) ficou marcado para o dia seguinte.
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  — Já que você está oficialmente noiva… — Laura levantou-se e me puxou pela mão. — Vamos escolher um belo vestido.
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  — Não vai ter um belo vestido, Laura. — ela continuou me puxando casa a dentro. — Vamos assinar lá no escritório mesmo.
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  — Eu não tô falando do seu casamento, tô falando da sua despedida de solteira. — chegamos ao corredor e ficou pelo caminho, entrando no escritório.
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  — E desde quando vai ter uma? — seguimos para o quarto deles.
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  — Desde agora, eu acabei de decidir. — Laura me arrastou até o closet dela, me deixando de frente para uma fila de vestidos expostos. — Escolhe o mais curto que eu tiver.
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  — E você escolhe o mais comprido que tiver, hein, Laura! — berrou do outro cômodo e foi encoberto pelos gritinhos de empolgação de Laura quando me viu colocar um tubinho vermelho na frente do corpo.
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  — Excelente escolha. — Laura aprovou e pegou o celular, mandando áudios para as amigas e chamando-as para a minha, quem diria, despedida de solteira.
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  — Serviu, mas… — me olhei no espelho depois de trocar minha calça de alfaiataria e minha blusa canelada pelo vestido ali mesmo. — Tá marcando a minha calcinha.
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  — Então vai sem. — Laura piscou e o celular dela começou a explodir de mensagens respondendo ao convite.
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  Ela era a amiga certa para uma boa noitada. Antes de ser gentilmente amarrada pelo namorado, Laura Chevalier tinha, digamos, uma reputação na Saint Peter, a universidade em que estudamos. Ela sempre foi a garota popular de quem todos queriam se aproximar, frequentava as melhores festas e ficava com os caras mais bonitos. Preocupado com o ritmo intenso das farras da neta, o avô dela, milionário dono da Chevalier Industries, resolveu contratar um segurança particular para ficar de olho na baladeira. Necessitado de um emprego que ajudasse a cobrir as despesas de intercambista, Kim aceitou a vaga. E o resto da história se desenrolou de um modo previsível, mas não menos bonito: os dois se apaixonaram.
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  Balancei a cabeça e puxei a calcinha por baixo do vestido, escondendo-a na minha bolsa. Não era hora de amolecer com a história de amor bem sucedida, tampouco de me lamentar pela minha situação. Era hora de sair com a Laura e as amigas dela para algum clube noturno de Manhattan e cometer uns erros por lá.
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  — Satisfeita? — dei uma voltinha para Laura, exibindo o vestido, enquanto ela se enfiava também em um outro, preto e aberto nas costas.
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  — Vou ficar ainda mais se você me prometer que vai se divertir hoje. — ela pediu ajuda com o zíper. — Essa noite, você não tem esse peso todo que está carregando, você só tem que dançar, curtir e-
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  — E achar uma bunda pra eu amassar. — fui até a penteadeira dela e escolhi um batom da mesma cor do vestido.
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  — Esse é o espírito. — ela gargalhou, surpresa e satisfeita, e voltou ao celular para mandar mais um áudio. — Deni, amiga, onde que é aquele clube cheio de tailandês sem camisa?
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  — Ei, Laura! — voltou a gritar do escritório. — Nem pensar!
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  — É brincadeira, amor. — Laura riu. — Eu quis dizer onde que é a igreja…
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  Acabou que o pequeno escândalo que deu antes de sairmos foi em vão, porque o tal clube de tailandeses pelados estava fechado para uma reforma e mudamos a programação para um bar ali perto, com bastante música, bastante bebida e bastante gente. As amigas da Laura eram maravilhosas e, apesar de ter acabado de conhecê-las, elas me ajudaram a me soltar e aproveitar a noite. Depois de muita dança e dos primeiros shots, caminhei até a ilha do bar e assobiei para chamar a atenção do bartender:
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  — Um El Diablo, por favor! — chamei o atendente na outra ponta da ilha, que entendeu meu pedido apesar do barulho da música e das pessoas. Era um daqueles bares cheios de malabarismos e ele preparou o drink com muita firula, deslizando o copo pelo balcão depois de pronto.
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  Minha boca estava seca e eu me preparei para apanhar a bebida lançada, mas a trajetória foi interrompida por uma mão masculina que a interceptou no meio do caminho, tomando-a num movimento rápido e preciso, sem derramar nenhuma gota.
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  — Ei! — empurrei algumas pessoas e fui até o intrometido. — Com licença, mas esse drink aí é meu!
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  O rapaz nem se deu ao trabalho de me olhar, apenas deu um gole na minha bebida e apoiou um dos cotovelos no balcão, fazendo um gesto para o bartender.
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  — Outro El Diablo pra esquentadinha aqui. — ele solicitou, entediado. — Na minha conta.
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  — Esquentadinha é a senhora sua mãe. — rebati. — E eu não preciso que você me pague nada!
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  O estranho entornou a tequila num longo gole e a camisa dobrada nas mangas revelou uma tatuagem discreta de flecha no antebraço. O rosto, virado de perfil, carregava um nariz grande demais, olhos inchados e bem escuros, e uma boca pequena e rosada, acompanhada de uma marca de barba feita recentemente. Ele olhava para tudo com cara de nada, balançando os três brincos de pino da orelha esquerda a cada vez que arqueava o pescoço, e já parecia estar se divertindo com a minha irritação, esboçando um sorriso de canto.
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  — Você quer o drink ou não quer? — ele continuou sem me olhar.
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  — Não de você. — ensaiei sair de perto, impaciente com a falta de contato visual, a mesma que me fez dar meia-volta. — Ah, é muito rude falar com as pessoas sem olhar na cara delas, sabia? Não custa nada ser educado. — disparei.
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  — Também não custa nada ser um otário. — ele me olhou pela primeira vez, de cima a baixo. — Mas é muito mais divertido.
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  Exalei um ar quente, fumaçando de raiva, um tanto pela audácia do abusado e um tanto pelo fato de não conseguir sair de perto dele. Alguma coisa me prendia ali, na atmosfera hipnotizante que ele criou com a voz grave, com o perfume instigante e com o mistério da tatuagem, que eu me perguntava internamente se era a única. Havia notas de ironia carregando os poucos gestos que ele se dignava a fazer, era de um marasmo irritante, uma indiferença quase charmosa. Enfim, o mau-humor que só funcionava em homens muito bonitos feito ele.
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  — Aceita o drink, é meu pedido de desculpas. — ele deliberadamente desviou o olhar. — Além do mais, vai relaxar você.
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  — Eu não estou tensa. — respondi, tensa.
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  — Seus ombros e seu tom de voz dizem o contrário. — ele continuava examinando o fundo do copo como se tivesse ouro dentro.
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  — Você mal me olhava há dez segundos e de repente começou a analisar minha linguagem corporal? — ergui uma sobrancelha.
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  — Na verdade, eu estou olhando você desde que você entrou. — ele umedeceu os lábios e me encarou, intimidador.
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  Dessa vez, fui eu quem tive que desviar.
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  — Sua abordagem não é lá das melhores. — alfinetei.
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  — É mais eficiente do que você imagina. — senti o olhar dele insistindo e queimando. — Eu te irritei, isso me torna memorável e diferente dos outros três caras que já deram em cima de você. De um jeito ou de outro, você vai ficar pensando em mim.
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  — Agora você sabe o que eu penso? — procurei me recompor.
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  — Aposto que sim.
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  Tomei o copo da mão dele, derrotada. Ele era um cretino, mas eu não podia negar que, das opções que tinham me aparecido até então, ele era a mais deliciosa. E a flecha pairando solitária no braço enorme estava me enlouquecendo de curiosidade. Digitei uma mensagem rápida para Laura e virei o que sobrou da tequila antes que desse tempo de me arrepender.
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  — Quer me tirar daqui? — chamei com as intenções mais erradas possíveis.
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Capítulo 2: Lembrança sem nome

(POV: )

  Levantei da cama procurando pelo vestido que eu precisava devolver para Laura.
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  Levar numa boa lavanderia e devolver para a Laura. Do jeito que ele estava, cheirando à bebida e a motel, não havia a menor condição.
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  Olhei para o ladrão de El Diablo e ele parecia estar dormindo, mais sentado do que deitado e com os braços cruzados sobre o peito. Julguei que ele tinha adormecido contra a vontade, afinal de contas, ele estava num quarto com uma desconhecida: deveria estar com medo de que eu roubasse a carteira dele ou coisa parecida.
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  Ri sozinha, me vestindo bem devagar. Ele tinha trabalhado tão bem que, sinceramente, era eu quem estava considerando deixar 500 dólares em cima da cômoda como pagamento pelo serviço.
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  Resisti ao impulso e não calcei os sapatos para evitar que os saltos fizessem barulho. Peguei minha bolsa, deixando o local sorrateiramente, mas, dois passos depois, o silêncio foi quebrado por uma voz grave que me fez dar um pulo no lugar.
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  — Você vai mesmo embora sem nem perguntar como eu me chamo?
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  — Vou. — respondi sem me virar, o coração acelerado pelo susto. — Eu não pretendo lembrar de você. Você vai ser um borrão na minha memória.
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  Um borrão bonito e gostoso pra caralho.
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  — Você é tão má. — ele riu abafado. — Eu sei que eu vou me lembrar de você.
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  — Mesmo sem saber meu nome? — me virei, enfim.
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  — Eu sei o seu gosto. — ele lambeu os lábios, ainda de olhos fechados. — Isso é melhor ainda.
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  — Aproveite o que ficou na sua boca, então. — aconselhei. — Você foi o último erro que eu cometi, senhor sem nome.
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  — Espero que você erre outras vezes.
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  Ele se pôs de pé e eu aproveitei a bela vista, morena e numa cueca boxer apertada para as pernas muito torneadas e o bumbum muito bonitinho. Avançou pacientemente, se deixando admirar com um sorriso convencido, e me puxou pela cintura sem quebrar o contato visual.
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  Meu coração errou algumas batidas ali.
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  Recebi um beijo de despedida que eu não pedi, mas que também não estava disposta a recusar. Uma língua nervosa pediu passagem, ainda salgada do meu sexo, e invadiu minha boca sem educação, movida por instinto.
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  Cedi. Sabe Deus quando eu beijaria alguém assim de novo.
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  — Adeus, lembrança sem nome. — ele sussurrou, ofegante, e eu saí do quarto, tonta, antes que eu cedesse mais alguma coisa.
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👰🏻‍♀️⚔️

  Entrei no primeiro táxi que vi com uma dor de cabeça infernal e a parte interna das coxas dolorida depois de ter cavalgado a noite toda, tal qual o Rocinante de Dom Quixote. Minha coxa tremeu com o pensamento.
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  Foi uma despedida e tanto…
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  Larguei minhas bolsa de canto assim que cheguei ao meu apartamento, cega pela sequência de coisas que eu precisava: um bom banho, um bom cochilo e uma boa dose de esquecimento. A minha aventura sexual não combinava com a personalidade de noiva pura e singela que eu precisava assumir para o evento de logo mais, mas algumas horas de sono seriam suficientes para recuperar meu corpo moído de prazer — o que me lembrava que eu podia desmarcar o spa que eu tinha agendado. A foda me deixou com um viço incrível na pele, resultado do melhor tratamento de skincare que existia: gozar várias vezes seguidas.
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  Um detalhe que eu precisava acertar com meu futuro marido, aliás. Um ano inteiro me virando com um vibrador seria um suplício, tínhamos que ter um consenso desair para brincar no parquinho de outras pessoas de vez em quando. No entanto, não era assunto para a primeiríssima vez em que eu o veria. Agora que o contrato estava pronto e havia sido aprovado por ambas as partes, eu tinha certeza que aquele jantar serviria apenas para trivialidades nas quais eu não estava nem um pouco interessada: livro predileto, viagem dos sonhos, o que gosta de fazer nas horas vagas… Fingir fluidez ao conhecer o tal seria um gasto desnecessário de energia, uma vez que nós dois sabíamos que, independente de como fosse aquele primeiro encontro, nossos destinos já estavam traçados.
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  Por um bando de executivos que não fazia ideia daquele arranjo. Meus pais, e meu tio Morgan compunham a diretoria da O’Brien Group e eram os únicos que sabiam do teatro, além dos Arata, é claro. Minha mãe, inclusive, foi quem decidiu todos os detalhes do jantar, desde a música até os pratos que seriam servidos, tudo idealizado para outras pessoas acreditarem na encenação.
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  Era o meu “noivado”, entre muitas aspas. Meu “noivado” e eu não queria escolher absolutamente nada, nem mesmo o noivo.
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  Era nisso que eu estava pensando quando, mais tarde, eu me olhei no espelho e me vi dentro do lindo vestido marfim que eu estava usando. O caimento perfeito e o ajuste dos deuses me fez lamentar profundamente o fato de ter que desperdiçá-lo com alguém que eu não fazia ideia de quem era.
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  Ajeitei a alça fina que teimava em cair do meu ombro, puxando mais alguns fios do coque baixo. A limusine chegou, já ocupada por e sua esposa, e nos dirigimos ao Salão Cottillon do Pierre Hotel, local escolhido pelos anfitriões, a diretoria da O’Brien Group. Conseguir reservar aquele espaço tão ostensivo e disputado de um dia para o outro era uma prova da nossa influência, desejada pelos Arata a ponto de sujeitarem seu primogênito ao casamento arranjado. Depois de apertar algumas mãos, cochichou no meu ouvido que meu noivo já estava no local, elogiando a pontualidade impecável dos nossos convidados:
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  — Arata pai e Arata filho já estão aqui. — ele apontou uma cabeça grisalha e uma nuca ao lado dela. Meu noivo estava de costas e o rosto dele ainda era um mistério para mim, porque quando ele se virou, outra face bloqueou minha visão.
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  — . — meu tio Morgan sequer esboçou um sorriso. Ele não sorria muito desde que tinha enviuvado da irmã do meu pai, minha tia Agnes, que se foi prematuramente, deixando um buraco nas nossas vidas.
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  — Tio Morgan. — rebati tão seca quanto.
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  O velho rangeu os dentes, amargurado e ranzinza. Todos diziam que tio Morgan demandava muita paciência, já que ele não tinha o menor tato com as pessoas, defeito que atribuíam à viuvez precoce, mas a verdade era que eu o evitava ao máximo por ele conseguir me desestabilizar com seus comentários indevidos. Mesmo que fossem motivados pelo luto, as falas do tio Morgan não deixavam de doer, assim como o olhar de reprovação dele em mim.
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  — Isso tudo é um grande erro. — ele resmungou. — E esse vestido, ? Não acha que está inadequado?
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  — Ela está linda. — a voz branda do meu pai veio em minha defesa e ele me escoltou pelo braço. — Não seja tão insuportável, Morgan, estamos numa ocasião festiva.
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  — Ocasião festiva, Arthur? — Morgan disse com escárnio. — Você chama de ocasião festiva oferecer sua filha feito uma…
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  — Morgan. — meu pai cortou. — Você não deveria estar aqui, mas já que está, eu sugiro que cale a boca ou saia.
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  A tensão usual estabeleceu-se e um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente. A relação do meu pai com tio Morgan sempre foi ruidosa e desconfortável, especialmente porque eles discordavam 90% das vezes quanto aos assuntos da O’Brien Group e quanto a todo o resto, inclusive àquela solução do casamento arranjado. O comportamento grosseiro e opositivo diminuía cada vez mais o prestígio de Morgan também entre os demais acionistas e o cargo dele já estava se tornando meramente figurativo, embora, por causa da memória da tia Agnes, ele ainda desfrutasse de uma certa influência e direito de voto.
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  Pelo menos por enquanto. O meu casamento com um investidor massivo como Arata me colocaria numa posição privilegiada no conselho e minhas decisões teriam mais peso que as do meu tio Morgan, podendo até mesmo custar a cadeira dele. Talvez por isso ele estivesse sendo especialmente desagradável comigo naquela noite. Talvez por isso ele tivesse sido o único contra aquela solução. E talvez por isso meu pai, que sempre mantinha um tom muito cortês ao se dirigir a qualquer pessoa, tivesse proposto tão indelicadamente que ele fosse embora.
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  — Que seja, Arthur. — Morgan virou o uísque que estava segurando e fez uma careta. — Argh. Isso está um horror. Lembre-se de servir bebidas melhores no seu casamentinho de faz de conta, .
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  — Não se preocupe, tio. — papai e eu começamos a andar. — Você não será convidado.
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  Meu pai riu cúmplice, comedido, e minha mãe se aproximou de nós, trazida pelo seu faro certeiro:
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  — Por que sempre que eu deixo vocês sozinhos eu pego os dois com esses risinhos de quem aprontou? — ela perguntou com as mãos na cintura.
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  — Ah, minha amada Donna, você nos conhece tão bem. — meu pai tentou desarmá-la, abraçando-a. — Era apenas o Morgan e sua aspereza usual, nada que mereça nossa atenção. Vamos cumprimentar nossos convidados?
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  Mamãe me lançou um olhar rápido, o típico e poderoso raio-x materno, escaneando até a minha alma. Por diversas vezes no curto entretempo dos preparativos daquele “noivado”, Donna Jane O’Brien e seu instinto superprotetor me cercaram, certificando-se de que eu não estava sendo coagida a fazer algo que eu não queria. Eu sabia que ela estava pronta para sair correndo comigo no colo se eu sinalizasse qualquer hesitação que fosse, mas o sinal não veio. Em vez disso, balancei a cabeça sutilmente e o aceno positivo arrancou dela um sorriso que me carregou de confiança e me impeliu a andar na direção de , também acompanhado dos pais.
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  — Senhores. — meu pai nos anunciou formalmente. — E senhora.
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   foi o primeiro a se virar, pálido. O sorriso que ele ensaiou sumiu por um breve instante, dando lugar a um outro, mais honesto, no entanto, incrédulo daquela imprevisibilidade. Ele mordeu sutilmente o lábio inferior enquanto arrumava o abotoador do terno, meneando a cabeça em resposta àquela peça que o universo pregou em nós dois, e levou uma fração de segundo até ele me encarar com os olhos imensos e ferozes, o que me causou um terremoto interno.
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  Eram os mesmos olhos intensos que tinham me devorado na noite anterior. E, naquele momento, eu me sentia prestes a ser engolida outra vez.
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  Era ele. Indubitavelmente, era ele.
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  A minha lembrança sem nome.
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  O meu último erro.
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  — Senhor e senhora O’Brien. — estendeu a mão. — Senhorita.
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  Me movi no automático, atraída pela mão que pedia pela minha. Foi como se tivessem apagado as luzes, um blackout total na minha cabeça e no meu corpo quando ele me tocou. Um toque respeitoso, distinto, quase burocrático dessa vez. Um toque engessado vindo de uma mão gelada e de uma pele desbotada pelo susto da coincidência.
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  Mas os olhos inchados… os olhos me prometiam fogo, e aquilo me enlouquecia.
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  O que aconteceu ao nosso redor dali em diante foi como um buraco de minhoca na minha mente, as vozes atravessavam meus ouvidos, mas nada do que era dito fixava-se por muito tempo na minha cabeça confusa. Eu só conseguia me concentrar no fato de que a minha pele ainda estava em contato com a de , que fez questão de inclinar-se sensivelmente e me deixar um beijo casto no dorso da mão, demorando os lábios ali.
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  — Arata. — o olhar dele ficou vidrado em mim e minha mão congelou na dele.
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  — O’Brien. — me apresentei finalmente.
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  Ao contrário de mim, se refez mais rápido e logo a situação parecia diverti-lo em vez de atordoá-lo. Eu, por outro lado, tardei a me recompor. Não conseguia entender como era possível que, de todos os caras em Manhattan, eu tivesse ido parar na cama justamente com ele. Chegava a ser cômico o fato de eu me despedir da minha vida de solteira dormindo exatamente com o meu futuro marido, e era essa piada de mau gosto a razão para o sorriso malicioso persistir na boca de .
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  Uma boca muito bonita, por sinal. Era engraçado como os atributos dele normalmente não funcionariam juntos: olhos muito grandes, nariz muito redondo e uma boca muito carnuda, mas pequena. Características que não ficariam bem se colocadas numa mesma cara, mas, na dele, ornavam perfeitamente. Some-se ao belo rosto um trapézio imenso que o paletó mal conseguia cobrir e músculos demais para a altura mediana. Ele quase deu errado, mas tudo ali estava absolutamente, completamente certo.
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  — Que bom que finalmente se conheceram! — meu pai exclamou, me chamando à realidade.
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  — Mais do que você imagina. — soltou baixinho, certo de que apenas eu ouviria. — Senhor O’Brien, é um prazer conhecer sua bela esposa e filha. — ele curvou-se, oriental demais. — Por favor, permita que a senhorita me acompanhe numa dança.
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  — Ansioso para ficar a sós com a minha garotinha, rapaz? — papai observou, risonho. — Não se engane com o rostinho bonito, ela é uma desastrada e pode acabar pisando nos seus pés.
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  — Aposto que seria como o pouso de uma borboleta, senhor. — flertou.
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  — Galanteador, que adorável. — minha mãe sussurrou, me incentivando.
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  Aceitei o convite, oferecendo minha mão mais uma vez para ser guiada pelo príncipe encantado que ele estava fingindo ser. me conduziu pelo salão com seu passo elegante, sem pressa, afinal, o mundo podia esperar por ele. Eu tinha pequenos espasmos e precisava respirar fundo para contê-los, muita coisa pulsava ao mesmo tempo dentro de mim, mas a irritação pelo cinismo dele estava vencendo a luta de sentimentos por enquanto.
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  Até ele colocar a mão na minha cintura. Ali foi ele quem venceu.
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  — Estou bem visível ou ainda sou um borrão do qual você não pretende se lembrar? — ele me trouxe para mais perto.
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  Prendi o ar nos pulmões ao passo que a mão dele se espalhava pela base das minhas costas, perfeitamente à vontade, como alguém que já sabia todas as curvas de uma rota porque já andou por ela. não esperou pela resposta e começou a me balançar no ritmo da música, entrelaçando os dedos nos meus, cheio de cerimônias.
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  — Quanto floreio para dançar com alguém que você já viu pelada. — zombei.
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  — Pelo menos já sabemos que um aspecto desse casamento vai funcionar muito bem. — ele sugeriu e eu pus uma mão no peito dele, detendo-o e afastando-o discretamente. — Era brincadeira, . Eu li o contrato, ok? Eu não vou fazer absolutamente nada a não ser que você peça.
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  — O que faz você pensar que eu vou pedir por isso? — perguntei, ultrajada.
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  — Você pediu ontem à noite. — mais um sorriso vaidoso. — E agora que você sabe meu nome, mal posso esperar para ouvir você gemendo ele.
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  Me preparei para detê-lo novamente, mas ele me segurou mais firmemente e me forçou a dar um giro, rindo da minha resistência.
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  — Olha, não precisamos tornar isso mais difícil do que já é. — ele aproximou um pouco mais o rosto dele do meu, quase colando nossos perfis. A boca dele estava agora à altura do meu ouvido e ele modulou a voz para um tom mais baixo. E mais perigoso. — Meu pai tem grandes planos para a nossa expansão e eu quero ajudar minha família tanto quanto você quer ajudar a sua.
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  — O que você está sugerindo, então? — fui direto ao ponto, ignorando o arrepio que a manobra dele me causou.
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  — Que trabalhemos juntos em prol dos nossos negócios. — ele arriscou um rodopio, girando junto comigo. — Eu respeito o seu espaço, você respeita o meu e fazemos o papel de casal feliz nos jantares corporativos. Não há razão para não sermos agradáveis um com o outro. — ele deu de ombros. — Podemos fazer uma boa parceria.
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  Respirei aliviada pela primeira vez desde que tinha colocado os pés naquele salão. Ao menos a nossa química não estava apenas no sexo e deixou bem claro que estávamos na mesma página. A mutualidade das nossas intenções relaxou minha musculatura rígida e a dança ficou mais leve, assim como eu.
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  — Uma boa parceria. — repeti. — Isso é tudo que eu quero, .
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  — Jura? Então eu não preciso me ajoelhar, comprar flores ou um diamante do tamanho do seu punho?
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  — Eu odeio espetáculos, pode pular toda a palhaçada cafona de pedido. E diamante é a pedra mais brega que existe. — rolei os olhos. — Você só precisa aparecer no dia do casamento civil e deixar de ser tão irritante.
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  — E como eu vou me divertir? — ele provocou. — Irritar você vai ser minha única fonte de prazer, . — me olhou de cima a baixo. — Isso é, até você acabar com essa greve de sexo aí…
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  — Quando eu me mudar com você, fale comigo o mínimo possível, ok?
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  — Como quiser. Você sabe o que dizem. — ele me roubou outro beijo na mão. — “Esposa feliz, vida feliz.”
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  — Não sou sua esposa ainda. — o lembrei.
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   abriu outro sorriso vagaroso e confiante.
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  — Você vai ser em breve.
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Capítulo 3: Reforma indesejada

(POV: )

  Uma furadeira insistente e irritante foi o meu despertador naquela manhã. A reforma do futuro quarto da minha doce noivinha começou em tempo recorde, no dia seguinte ao que nos conhecemos.
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  Os negócios iam mal. Os O’Brien tinham pressa.
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  Mas a pressa deles era boa para nós da Three Swords. Estávamos ansiosos por aquela fusão, já que o mercado americano era muito restrito no nosso segmento, muito imperialista, muito fechado, muito preconceituoso, muito… estadunidense. Empresas estrangeiras não tinham o mesmo prestígio nem as mesmas oportunidades de crescimento que as nacionais e os Arata tentaram, por anos, expandir nosso domínio para esse lado do globo. Meu pai me preparou, fazendo questão de que eu estudasse e vivesse em Nova York, no entanto, nem toda a preparação do mundo comprava a cartela de clientes fiéis e poderosos da O’Brien Group.
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  Por isso a solução do casamento.
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  Por isso eu estava engolindo aquela reforma indesejada junto com uma aspirina, sem água, no seco.
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  Por isso eu estava reformando também meu futuro inteiro.
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  O barulho me obrigou a levantar da cama antes das oito e antecipar todo o meu dia. Minha velha companheira insônia e seus sintomas que eu conhecia tão bem haviam piorado significativamente desde que eu tive que lidar com a carga emocional de um casamento repentino. Tudo estava mudando demais em tempo de menos: minha casa, minha rotina, minha vida…
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  Tudo saindo do singular e indo para o plural. Tudo deixando de ser meu e se tornando nosso.
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  Casamento era isso, certo?
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  Ou, pelo menos, foi o que me ensinaram. Era de se esperar que eu seguisse o exemplo que tive em casa, já que o casamento dos meus pais, feliz e duradouro, aconteceu por conveniência. A verdade é que esse é um arranjo muito comum quando se tem muito dinheiro e quanto se é asiático, então, quando me propuseram usar o matrimônio como moeda de troca, eu não me espantei. O que não significava, entretanto, que eu não estivesse nervoso pra caralho.
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  E o motivo do nervosismo? Digamos que, sendo um cara de 26 anos bonito e milionário, ter uma esposa não estava na minha lista de prioridades.
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  Apesar de aquela união ter fins meramente corporativos, no final do dia, era o que eu teria: uma esposa. Uma mulher para cuidar, amar e respeitar até que a morte nos separe. Uma mulher cujos sinais de sua presença já se faziam tangíveis (e audíveis) na casa em que, até ontem, eu morava sozinho. ia se mudar logo e, como ela não ia dormir comigo, estava transformando meu antigo quarto de hóspedes, praticamente demolindo-o e construindo outro no lugar. Exigiu inspeção imobiliária, dedetização, o inferno e o diabo a quatro, e enquanto a princesa se ocupava em escolher papéis de parede e artigos de decoração, eu tinha que ficar com o ruído insuportável da quebradeira no meu ouvido.
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  — Você é um frouxo, Arata. — falei para mim mesmo no espelho, ao cuspir a espuma da pasta de dente. — Nem casou e já está deixando ela mandar em tudo.
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  A furadeira cessou e deu lugar a marteladas, que foram ficando mais longe conforme eu ligava o chuveiro no máximo e abafava o som da reforma num banho. A água estupidamente gelada golpeou minhas costas e me lembrou dos arranhões que eu ganhei na transa e que ainda não tinham sarado. Deixei escapar um único nome, o da culpada pelos rasgões, como uma maldição lançada sobre mim mesmo:
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  — Ah, O’Brien! — ri, ensandecido.
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  Havia muitos meios de se driblar a tensão, mas ser um homem reduzia as opções a praticamente uma só. O cérebro masculino tinha suas vantagens, a hombridade era cômoda e fácil, até. A frase “eles só pensam naquilo” talvez fosse a mais verdadeira sobre nós porque, no meio de todo aquele estresse pré-nupcial e de uma obra em andamento, a resposta do meu corpo foi acelerar meu pulso e mandar sangue para baixo, dando sinais de vida e rigidez entre as minhas pernas. Tudo por causa de uma simples ardência como gatilho. Tudo por causa de uma simples lembrança. Tudo por causa dela.
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  Sim. A mera visão da O’Brien embaixo da minha pele, gemendo com a boca entreaberta, me enchia de tesão e de saudade.
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  A parte da saudade me surpreendia, na verdade. A princípio, eu achava que depois da foda ela seria esquecível, contabilizada como mais uma conquista de bar, ou, nas palavras dela, “o último erro que eu cometi”.
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  Mas eu não a esqueci.
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  Tampouco achei que ela fosse um erro.
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  As interações que tivemos foram poucas, mas marcantes o suficiente. Eu já a admirava só pelo fato de ela assumir a responsabilidade de salvar a empresa da família sem titubear; descobrir quem ela realmente era só adicionou uma nova camada de fascínio à situação. A palavra era essa, fascínio. Eu estava fascinado pela . Não a conhecia muito, mas, do pouco que eu conhecia, eu gostava. Ela tinha fibra, vontade, gana. Nas duas vezes em que nos encontramos, deixou bem claro o que queria e quem era. Mostrou a que veio, me usou como quis, e fez questão de que eu soubesse disso quando saiu sem me dizer o nome, quando me deixou com as costas marcadas e a cueca manchada de batom num quarto de luxo.
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  É claro que uma única noite era pouco para aprendê-la de fato. Ela ainda era um mistério a ser desvendado, um lugar secreto onde eu fui parar vendado, de mãos atadas e sem saber como. era uma estranha que me concedeu o maior ato de intimidade quando me permitiu desfrutar do corpo dela — do maravilhoso corpo dela —, e todas as sensações daquele sexo ficaram impressas na minha memória e na minha pele viciada. Eu não parava de pensar no som da respiração entrecortada, nem na cara de prazer, a mais linda que eu já tinha visto. Eu não parava de pensar em como ela preferia ir por cima, porque a perna dela tremeu mais quando ela gozou assim…
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  E eu não parava de pensar em tê-la de novo. Mas, obviamente, ela teria que consentir.
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  Ela teria que querer.
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  Ela teria que me pedir.
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  E foi com esse cenário mental que eu diminuí a água, decidido a me aliviar sozinho.
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  Vesti uma das minhas melhores camisas sociais pensando em qual perfume usar, quando o toque do meu celular ecoou pelo quarto. Era uma ligação de um número que eu não tinha registrado ainda, mas a voz do outro lado da linha era inconfundível. Tinha um tom de irritação que eu adorava ouvir.
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  E era em quem eu estava pensando no chuveiro minutos atrás…
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  — ? perguntou assim que atendi.
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  — Uau. — pus a ligação no viva-voz para terminar de me aprontar. — Quanta frieza pra falar com o seu futuro marido. Precisamos de um apelido carinhoso, baby.
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  — Bom dia pra você também, docinho. — ela disparou, sarcástica.
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  — Docinho. — repeti. — Eu gostei. Agora tenta mais uma vez, sem a ironia.
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  — Você já saiu de casa? me ignorou.
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  — Ainda não. — analisei meus vidros de perfume enquanto falava. — Por quê?
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  — Estava pensando em passar aí antes do trabalho para ver como vai a reforma.
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  — Ah, docinho, se você está com saudades de mim, não precisa ficar inventando desculpas. — me decidi, enfim, por um musk amadeirado. — É só aparecer.
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  O suspiro de impaciência que ela soltou me arrancou um sorriso triunfante. Deu pra sentir os olhos dela rolando.
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  — Eu posso ir ou não?
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  — É claro que pode, essa casa também vai ser sua. — borrifei o perfume nos pulsos. — Mas venha no personagem. Kira está aqui.
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  — Kira?
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  — Ficou com ciúmes? — sorri outra vez.
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  — Da sua babá? Essa é boa.
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  — Kira não é minha babá, ela é minha diarista barra cozinheira. E ela só vem aqui duas vezes na semana.
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  — Babá. — ela insistiu.
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  — Como você sabe sobre a babá? — sacudi a cabeça. — Sobre a Kira?
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  — Eu fiz meu dever de casa. Se vamos brincar de marido e mulher, esse é o tipo de coisa que eu preciso saber, não acha?
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  — Andou me estudando? — arrumei os brincos. — Que esposa dedicada!
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  — Guarda o açúcar pra quando estivermos na frente da Kira, por favor. A propósito, como eu faço pra ela ir com a minha cara? Preciso que ela goste de mim.
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  — Me cubra de amor e elogios. Kira sempre quis me ver casado com uma mulher que cuide de mim tão bem como ela.
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  — Ou seja, uma babá.
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  — O que o meu docinho gosta de comer no café da manhã, hm? — foi a minha vez de mudar de assunto. — Kira com certeza vai me perguntar.
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  — Não sabe as preferências da própria noiva na cozinha? desdenhou.
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  — Eu só sei as preferências dela na cama. Ela gosta de-
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  — Geleia de morango. — cortou. — Eu gosto de geleia de morango.
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  — Interessante. Pra eu passar em você ou pra você passar em mim? — minha imaginação voou depressa.
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  — Pro café da manhã, idiota. — ela pronunciou tudo com um ranço que me arrancou uma risada silenciosa. — E um suco de laranja.
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  — Idiota? O que aconteceu com o docinho?
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  — Troca o suco por um café bem forte, por favor. O dia mal começou e você já está me dando dor de cabeça.
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  — Você também, graças à sua reforma. — deixei o quarto e passei pelo corredor, o barulho aumentando a cada passo que eu dava. — Está ouvindo a trilha sonora?
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  — Vai acabar logo. É só todo mundo me obedecer.
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  Lá estava, a mandona que me deixava tão fascinado.
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  Eu não via a hora de amansar aquela fera.
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  — Como quiser, senhora Arata. — desci as escadas. — Sua entrada já está liberada lá na portaria. Vem logo, eu estou faminto.
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   desligou com um “ok, tchau” e eu aproveitei para salvar o contato dela como “docinho”: um belo toque para enriquecer a farsa do nosso relacionamento.
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  Ou mais um item para a lista de coisas que irritavam a dona do apelido. Essa opção, obviamente, era a que mais me satisfazia.
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  Segui o cheiro delicioso de café e massa de bolo e encontrei a doce senhora que, há anos, era responsável por mim. Kira cuidava da minha alimentação, das minhas roupas e até da minha saúde, testando todas as receitas possíveis de chás calmantes para me ajudar a dormir, coisa que eu não fazia muito bem desde que tinha saído do Japão, há um bom tempo.
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  Eu sabia exatamente quando a insônia tinha começado. Eu tinha 18 anos e fui mandado para um país estranho, longe dos meus irmãos, dos meus pais e dos meus velhos amigos. Os novos que eu tentava fazer não duravam muito, porque ser herdeiro de um império como a Three Swords me distanciava das pessoas “normais” e atraía aquelas interessadas apenas no meu dinheiro. Depois de alguns meses tentando qualquer tipo de conexão verdadeira, eu me deparei com o triste fato de que eu estava condenado a ser sozinho.
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  Mas eu me acostumei bem rápido com isso. Eu só precisava me anestesiar com algumas doses rasas e momentâneas de dopamina.
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  As mulheres com quem eu ficava e os caras com quem eu andava nas baladas eram só um paliativo, uma medida superficial para sedar um terrível caso de solidão extrema. Quando a farra acabava e quando a mulher que eu trouxe da festa ia embora, quem continuava comigo era a insônia, me lembrando que meu coração estava mais seco a cada dia.
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  Mais que isso, meu coração estava calado. O que não era exatamente uma coisa ruim agora que eu estava prestes a me casar numa decisão puramente racional, com alguém por quem eu não estava apaixonado.
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  Pelo menos não ainda.
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  A ideia de paixão para a nossa cultura era bem diferente da concepção ocidental, que tinha a paixão como algo avassalador, fatal, instantâneo. Nós pensávamos diferente. Meus avós uma vez me explicaram que os ocidentais se casam “com o fogo alto”, ou seja, no auge da paixão, com o relacionamento em chamas, fervendo da empolgação máxima. O problema é que o fogo alto se consome muito mais rápido e logo se apaga, baixando até se extinguir e virar uma fumaça morna.
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  E todos sabem que “morno” é uma sentença de morte para um casamento.
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  Por isso, nós, orientais, casamos “com o fogo baixo”. No nosso entendimento, é preciso acender o fogo, aumentá-lo dia após dia e, principalmente, mantê-lo. Alimentando a fonte do jeito certo, cultivando atitudes e observando detalhes, o amor construído e forjado no calor contínuo durará para sempre.
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  Bom, tudo isso segundo os meus avós. Eu não fazia ideia de como era amar alguém. Eu nunca tinha tentado de verdade.
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  O amor era uma entrega mais assustadora que a solidão.
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  — Me lembre de agradecer à sua noiva por essa adorável reforma no quarto de hóspedes. — Kira me despertou e começou a me servir como de costume: reclamando. — Agora, além de você, eu tenho uma fila de trabalhadores para alimentar. Pintor, marceneiro, decorador, pintor… que tanta gente é essa?
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  — Você disse pintor duas vezes. — aceitei o café. — Gostou dele, foi?
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  — Cala a boca e começa a comer. — ela colocou as frutas e o iogurte que eu gostava na mesa. — Meu ponto é: pra que ela precisa arrumar um quarto que ela nem vai usar? Ela vai dormir com você!
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  Engasguei com o gole. Com exceção de nós mesmos e nossos familiares mais próximos, ninguém fazia ideia de que o meu casamento com a era arranjado. Acontece que a falência iminente da O’Brien Group ainda era um segredo de estado, uma informação confidencial que deveria ser mantida assim a todo custo. Se os acionistas descobrissem que a Three Swords investiu numa empresa afundando, lá se ia o prestígio deles e a nossa credibilidade. Era preciso manter as aparências, fazer os outros acreditarem que o nosso casamento era motivado pelo nosso fogo altíssimo, e não pelo interesse mútuo nos negócios.
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  — Ela tem muita coisa. — contornei. — Roupa, bolsa, sapato… Vai ter que usar o quarto de hóspedes como closet.
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  Kira deu de ombros, acreditando na desculpa.
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  — Você vai ficar só no café? — ela olhou meu prato vazio. — Com aquele tanto de peso que você levanta na academia? Tá querendo morrer?
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  — Eu vou esperar a , ela vem tomar café comigo.
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  Cruzei os braços, prevendo a virada dramática de Kira. Ela fungou alto, emocionada, e sequer tentou disfarçar a cara de choro.
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  — Sabe, depois de tantos anos vendo você comer sozinho, é uma alegria finalmente colocar outro lugar à mesa. — a confissão dela foi tão genuína que eu quase me senti mal por estar envolvendo-a naquilo tudo.
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  — Então você não está arrasada por me perder para outra mulher?
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  — Eu estou surpresa que você tenha conseguido uma mulher, já que eu nunca vi nenhuma aqui!
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  Kira tinha razão, nenhuma das minhas “namoradas” tinha conseguido a proeza de ser apresentada a ela, ou de dividir um momento tão íntimo como um café da manhã, a primeira refeição do dia. Era uma escolha consciente. Não queria ninguém tocando na solidão com a qual eu estava tão acostumado.
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  Acomodado, na verdade. Estar sozinho era familiar e seguro.
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  Mas O’Brien estava chegando para me tirar da minha zona de conforto.
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  —Temos geleia de morango, Kira? — perguntei enquanto ela posicionava as louças. — É a favorita da minha noiva.
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  — “Noiva”. — Kira bufou. — Não sei que noivado é esse que ainda não teve nem anel nem pedido.
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  Tive outra pequena indigestão e o café quase voltou mais uma vez. tinha sido bem enfática quanto a odiar diamantes e a ideia de um pedido cafona e espalhafatoso, mas fazê-lo era uma parte importante da trama. Assim como a Kira, outras pessoas iam nos perguntar sobre esse momento, iam querer ouvir a história, iam pedir para ver a aliança…
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  Se as pessoas queriam um show, então eu daria isso a elas. E à minha doce novinha, que detestaria cada segundo.
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  Ri sozinho enquanto voltava à xícara, sentindo um gosto doce no sentido literal e figurado. Deixar O’Brien irritada era a cereja no topo do bolo.
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  — Você acabou de me dar uma ótima ideia, Kira…
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  A campainha tocou e impediu que Kira, curiosa e intrometida, fizesse um interrogatório sobre o meu plano. Em vez disso, ela se apressou em abrir a porta para , que se apresentou toda confeitada e polvilhada de açúcar. Eu ainda não tinha visto esse lado extremamente simpático dela, tudo o que ela tinha para mim era sarcasmo e uma certa raiva inofensiva.
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  Ao que parecia, eu a deixava à flor da pele. E eu achava aquilo muito divertido.
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  — Bom dia, docinho. — levantei para recebê-la com um abraço e um beijo no rosto que ela teve que aceitar porque Kira estava olhando. — Dormiu bem? Sonhou comigo? — segurei ela pelo queixo.
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  — Sempre, docinho. — ela fechou os olhos e formou um círculo perfeito com a boca antes de dar um espirro.
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  Pequenininho e fofo. Fofíssimo.
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  — Oh, querida, está resfriada? — Kira lamentou, já preocupada feito uma mãe com a moça que acabara de conhecer.
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  — Não, tudo bem. — espirrou mais uma vez. — É só alergia.
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  Kira recomendou um de seus famosos chás cura-tudo e se enfiou na cozinha para prepará-lo. Assim que ela sumiu de vista, me empurrou e coçou o nariz.
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  — Você tá usando Tom Ford?
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  — Só pra você. — confirmei, assistindo a pontinha do nariz dela ficar vermelha.
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  — Eu tenho alergia a esse perfume. — ela revelou. — Joga fora ou você vai ficar viúvo antes do casamento.
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  — Adoro quando você manda em mim. — provoquei.
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  — Falando em mandar, se importa de me acompanhar até o quarto?
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  — Se você quiser, eu dispenso a Kira e nós fazemos aqui mesmo.
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  — A obra, . — respirou fundo, estressada. — Eu quero ver a obra.
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  — Os operários estão no intervalo. — observei a movimentação do lado de fora da casa, nos fundos. — Mas você pode inspecionar tudo e gritar com eles depois. Por aqui, por favor. — indiquei o caminho e subimos.
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   entrou no quarto analisando todos os detalhes com um rigor quase militar. Testou as luzes (ela mandou trocar as frias por quentes), avaliou a pintura já seca e sem cheiro forte e, depois de muito procurar do que reclamar, finalmente achou, apontando uma bucha de parafuso na parede.
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  — Aqui. — ela indicou. — Eles furaram no lugar errado. Eu disse mil vezes que quero o espelho do outro lado.
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  — Tenho certeza de que deve ter uma explicação para isso. — disse da porta.
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  — Tem, eles são homens. — alternou o olhar entre a parede “certa” e as ferramentas no meio do quarto vazio. — Eu dei muitas ordens e homens não entendem mais de uma coisa ao mesmo tempo.
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  — Ainda assim, eu acho que… — parei de falar quando decidiu pegar um martelo e um prego, entrando também no quarto atrás dela. — Ei! Larga isso, você pode se machucar.
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  — Não se preocupe, docinho. — a voz dela ecoou e ela caminhou até a parede com os utensílios. — Eu sei usar isso, só quero marcar o lugar certo.
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  — , esses caras são profissionais, se eles não furaram onde você pediu deve ser porque-
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  A primeira martelada encobriu meu protesto, mas não se deu por satisfeita. Continuou enterrando o prego na parede até atingir um cano, que estourou e começou a derramar água.
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  — Porque existe um bom motivo. — completei, vitorioso.
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   soltou um pequeno grito, incrédula e enfurecida. A água era corrente, o que fazia com que ela escapasse numa velocidade e quantidade bem grandes mesmo para um furo tão pequeno, e eu me deliciei assistindo minha noiva se desesperar para conter o acidente.
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  — Para de rir, vem me ajudar! — ela tentava, sem sucesso, tapar o buraco com as mãozinhas pequenas e delicadas.
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  — É pra parar de rir ou pra te ajudar? É que eu sou homem, não entendo mais de uma coisa ao mesmo tempo.
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  — ! — ela resmungou, já com a camisa de seda encharcada.
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  — Sempre molhada e pedindo por mim.
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  — Você é impossível. — o jato esguichou bem na altura do rosto dela, deixando-a ainda mais zangada. — Inlidável.
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  — Acho que essa palavra não existe. — me aproximei, rindo.
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  — Acabei de inventar. — uma mecha de cabelo molhada grudou na testa dela. — Significa impossível de lidar. Vou colocar num dicionário como sinônimo para “”.
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  — Você bem que mereceu esse banho, sabia? — afastei o cabelo dela dos olhos, colocando-o atrás da orelha. — Mas aguenta aí que o seu maridinho vai te ajudar.
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  Comecei a desabotoar a blusa de baixo para cima e tentou ficar alheia à abertura que expôs meu peito e abdômen, mas quando eu me livrei totalmente da peça, despindo os braços da manga comprida, ela falhou em segurar um suspiro e errou o ritmo da respiração.
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  Pelo visto eu não era o único com saudade.
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  — É sério isso? — ela acompanhou meu movimento.
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  — Desculpa, você prefere deixar seu quarto virar uma piscina? — amassei a camisa contra o vazamento.
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   não respondeu, somente recuou um passo, colocando-se atrás de mim enquanto eu segurava a água. De todas as ações que eu esperava que ela tomasse naquele momento, ela escolheu uma para a qual eu não estava preparado.
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  Sem aviso, ela deslizou os dedos finos pela base das minhas costas, subindo até o meu trapézio e me provocando um arrepio. Tremi com o toque, reconhecendo e gostando dele, e uma gostosa sensação de vertigem começou a tomar conta de mim.
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  — O que houve com as suas costas? — ela contornou os arranhões cicatrizando.
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  — Você. — ri nasalado. — Não se lembra?
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  — É. Eu não pretendia lembrar. — ela parou o carinho e meu corpo achou ruim.
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  — Você é tão romântica! — zombei. — Agora vai lá fora, avisa a Kira e fecha o registro. Vai.
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  — Não usa esse tom comigo! — me deu um tapa no mesmo lugar que ela tinha acabado de alisar.
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  — Calma, nervosinha. Esfria essa cabeça. — soltei uma parte do tecido e deixei outro jato de água esguichar nela.
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   deu um pulo e esfregou o rosto bem devagar, decidindo como reagiria à brincadeira: relevando ou deixando o demônio sair.
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  Era hi-lá-rio vê-la possessa.
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  — Nós não vamos sobreviver a isso. — ela sentenciou.
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  — Ah, vamos sim, a água não vai alagar tudo. — sorri. — E se acontecer, eu sei nadar.
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   saiu batendo os pés e eu soltei uma sonora gargalhada. Ela tinha cometido o erro de se revelar cedo demais, eu já sabia direitinho como enlouquecê-la. Talvez eu tivesse um talento natural para tirá-la dos eixos e aquilo me dava cólicas de riso.
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  Levou poucos minutos para e Kira fecharem o registro e eu poder soltar a parede, contemplando o quarto semi-inundado. Antes que eu conseguisse pensar em como enxugariam aquilo tudo, reapareceu na porta com uma cara de cachorrinho arrependido e abandonado na chuva.
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  Meus lábios se torceram e explodiram em mais um ataque de riso quando a vi.
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  — Eu te odeio. — ela puxou a toalha que trazia no ombro.
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  — Obrigado. A propósito, você está linda. — dei meu sorriso mais galanteador.
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   revirou os olhos e arqueou o pescoço, enxugando algumas gotinhas acumuladas no colo. Era um gesto irresistível, e um decote mais irresistível ainda.
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  — Por que não tira uma foto? — ela percebeu meu estado hipnótico e me jogou a toalha. — Vai durar mais tempo.
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  Sequei as mãos e meti uma delas no bolso da calça, procurando meu celular.
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  — Não se atreva! — ela me repreendeu.
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  — Desculpa. — pisquei, esfregando o peito sob o olhar atento. — É que eu já estou ficando acostumado a obedecer você.
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Continua

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Lelen
Admin
26 dias atrás

Amo essas histórias de casamento por contrato HEHHEHE
E quem não deve ser esse rapaz do bar, não é mesmo?
Amei ter uma fic com o Mackenyu, fazia um tempo que tava querendo ler uma, agora tenho ❤
Esperando a att 😍

Comentário originalmente postado em 21 de Junho de 2024

Betiza
Betiza
26 dias atrás

UAAAAAAAAAAR, ILANE DO CÉU! EU DEI UM GRITOOOOOOO! graças a deus você voltou a escrever, eu amo tanto tanto tanto a sua escrita, juro por Deus! To louca no próximo capítulo já

Comentário originalmente postado em 25 de Junho de 2024

Lelen
Admin
26 dias atrás

Esse Mackenyu tá que tá HAHAHA
E obviamente nenhum dos dois vai deixar fácil pra se ajudar, né?
Vai ser meio enemies to lovers? Curto (passo raiva? passo, mas curto kkkk)
Tô só imaginando no que essa história toda vai dar também EHEHEHEH

Bets
21 dias atrás
  — Eu sei o seu gosto. — ele lambeu os lábios, ainda de olhos fechados. — Isso é melhor ainda." Read more »

Ele é muito bandindinhooooo

Bets
21 dias atrás

AI SOCORROOOOOOOOOOO, eu quero mais, preciso de mais, eu já to muito rendida nesses dois, Ilaneeeeeeee, vc me paga


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