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Continuum

1. Begins

  Essa é a intrigante história da Continuum.
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  Uma sociedade criada por cinco grandes amigos no ano de 1927, entre a vida boêmia e artística que a cidade de Paris fornecia. A jornalista francesa Louise Tenebrae, o militar russo Victor Bellorum, a cientista britânica Dorothy Baker, o médico espanhol Georgie Sollary e o comerciante americano Charlie Dominos. Inicialmente Continuum era a forma que eles se nomeavam, dizendo que a amizade deles seria contínua e se estenderia para as gerações de suas famílias.
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  O que começou como um apelido de um grupo de amigos, se tornou uma sociedade em que interesses políticos, econômicos e sociais foram introduzidos. Onde cada família começou a ter seu ponto de influência e se destacar financeiramente ao longo dos anos. Porém, nem tudo são flores e, em um certo momento, algumas rivalidades começaram a aparecer entre as gerações posteriores.
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– x –

Outono de 2017
  – Hostel Fletcher

  Considerada um grande polo tecnológico, Seattle é a maior cidade do estado de Washington. Lugar onde algumas famílias estabeleceram moradia. Esse é o caso dos Fletcher, com sua matriarca, Beth, que lutou na vida para criar sua filha Lise, após perder o marido em um tiroteio. Seu ganha pão era o hostel que tinha montado com o seguro de vida do falecido marido, que recebera após ficar viúva. E com muito esforço e algumas ajudas de sua irmã Marie, ergueu seu negócio e seguiu em frente com sua vida. Agora, além de Lise, também dividia suas preocupações com a sobrinha , uma bailarina recém-formada no curso de dança da Universidade de NY.
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  A pontualidade de Beth era algo notório entre as pessoas que a conheciam, e todos os dias ela se dava ao trabalho de preparar uma farta mesa de café da manhã para os hóspedes do Hostel Fletcher. O barulho de sua velha chaleira soava pelo lugar, algo que anunciava a  que já era hora de se levantar. A garota que dividia o quarto com a prima no último andar do pequeno prédio, se levantou ainda sonolenta após desligar o despertador do celular e trocou a roupa colocando o trivial conjunto de moletom cinza. Ao sair do quarto, seguiu para a cozinha para ajudar sua tia, seus passos lentos como uma tartaruga e seu senso de direção descoordenado, quase tropeçando nos móveis.
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  Foi em um momento de devaneio tentando se lembrar do sonho que tivera noite passada, que a campainha tocou e o grito de sua tia pedindo que abrisse a porta a despertou.  se espreguiçou e caminhou até a porta, ao abrir, ela levantou seus olhos lentamente e os fixou no homem diante dela. Seu coração pulsou um pouco mais forte, fazendo-a estranhar. Puxando mais forte o ar para seus pulmões, sorriu de leve.
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  — Bom dia senhor, posso ajudar? — disse ela mantendo a suavidade na voz.
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  — Bom dia. — O rapaz sorriu de canto e olhou para a tela do celular, checando o endereço. — Soube que aqui é um hostel, vocês têm quartos vagos?
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  — Sim, temos. — Assentiu .
  — , quem está aí? — Beth perguntou ao entrar na sala, seguindo até a porta.
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  A jovem se virou para respondê-la, porém não houve necessidade.
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  — Bom dia, senhor, posso ajudá-lo? — Beth olhou o homem com firmeza, então virou o rosto para a sobrinha. — , termine de colocar a mesa do café para mim.
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  A garota assentiu em silêncio e foi para a cozinha. Na porta, o rapaz guardou o celular no bolso e continuo sua indagação com Beth.
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  — Bom dia, senhora, eu estou procurando um lugar para ficar e descobri que aqui é um hostel. Estou certo?
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  — Sim, entre para que eu possa fazer seu registro. — A mulher abriu a porta um pouco mais para que o jovem entrasse.
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  — Obrigado, senhora! — O rapaz entrou, colocando as mãos no bolso.
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  Sendo um bom observador, o jovem viu que na sala tinha várias pinturas e grafites em uma das paredes. Em outra parede, prateleiras de livros. Era um espaço de convivência bem decorado e aconchegante. Uma TV Smart, um sofá azul marinho e poltronas espalhadas. Não demorou muito para que ela preenchesse o cadastro no sistema, pelo tablet.
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  — Seu nome, por favor? — perguntou Beth.
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  —  Dominos — respondeu de forma tranquila ainda atento aos detalhes do lugar.
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  — Dominos? — A senhora o olhou com surpresa. — Você é da família Dominos?
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  — Conhece minha família? — O rapaz devolveu a pergunta.
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  — Conheço sobre a Continuum. — A mulher respirou fundo. — Não quero me preocupar com sua estadia aqui.
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  — Não se preocupe, senhora, já não tenho mais ligações com minha família — assegurou o recém-chegado. — Só preciso de um lugar para dormir.
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  — Tudo bem, vou confiar. — Beth voltou o olhar para o tablet em sua mão. — Prefere quarto individual ou compartilhado?
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  — Individual, por favor — respondeu.
  — Parece que deu sorte, tenho um quarto vago — anunciou Beth com o olhar fixo no aparelho em sua mão. — Sua diária sai a 210 dólares, incluindo o café da manhã como cortesia.
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  — Sem problema. —  Assentiu já abrindo sua carteira e pegando o dinheiro. — Aqui estão os primeiros sete dias.
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  — A chave, você ficará no quarto 7. — Pegando o dinheiro, Beth lhe entregou a chave para finalizar o cadastro. — Obrigada, se precisar de alguma coisa é só me chamar, sou Beth Fletcher.
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  — Eu que agradeço por me deixar ficar. — Pegando a chave, ele se afastou da senhora e, ajeitando a mochila no ombro, subiu as escadas para procurar o seu quarto.
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  Na cozinha, completamente distraída em seus pensamentos,  só pensava na imagem do rapaz que atendeu. Algo lhe dizia que ela já o tinha visto em algum lugar, e não era somente pela beleza dele que tinha esta sensação. Entre pensamentos e suspiros, um dos hóspedes entrou na cozinha de repente e a assustou.
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  — Ai! Que susto! — reclamou  colocando a mão direita em seu coração. — Você é mesmo muito malvado, .
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  — Malvado? Jamais, só gosto de te assustar. — Ele riu dela e se sentou na cadeira.
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  — Bom apetite — disse a moça o observando atacar a mesa de bolos.
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  — Você já viu o novo hóspede? —  disse com um sorriso cínico.
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  — O atendi na porta. Por quê? —  o olhou curiosa.
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  — Hum, eu vi sua tia atendendo ele. —  continuou saboreando a fatia do bolo de laranja que pegou. —  Dominos, acho que foi esse o nome.
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  — Um Dominos? Aqui?
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  — Conhece esse sobrenome? — O rapaz a olhou intrigado.
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  — Assim como conheço o seu, Baker. — A garota cruzou os braços.
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  — Sempre achei que os Dominos não saíam do seu castelo em Chicago — comentou  pensativo.
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  — Você saiu do seu em Manhattan — retrucou .
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  — Ah, eu não nasci para ser um robô nas mãos da minha mãe — reclamou ele voltando o olhar para . — Posso afirmar que estou muito mais feliz aqui.
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  — E vai continuar aí tomando café? Não está atrasado para o seu curso?
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  — Nossa, é mesmo! — Ele se levantou rapidamente. — Tinha me esquecido disso.
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  — Você é um péssimo aluno. —  riu dele.
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  — Eu juro que um dia provo a você que consigo ser pontual em alguma coisa. — O rapaz se levantou e pegou a mochila que tinha jogado no chão.
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   saiu pela porta dos fundos, já retirando do bolso as chaves da sua moto. Chegando à rua, cruzou com a tutora, a cansada Dra.  Sollary, que chegava após um plantão de 36 horas na área de emergência do Seattle Sollary Hospital. Foi uma troca de olhares rápida, porém significativa, já que  tinha um interesse amoroso na mulher, porém sempre rejeitado.
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   era uma médica dedicada que vivia com o pensamento em seus pacientes, fazia qualquer coisa para dobrar seus plantões e não ser afastada pelo diretor-chefe da ala cirúrgica. Os cabelos presos em um rabo de cavalo, as roupas nas cores cinza e bege, o jaleco braço e all star preto eram sua marca registrada.
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  Enquanto  montou em sua moto e deu partida em direção a seu curso,  entrou no Hostel e seguiu em direção a seu quarto. A única coisa que desejava no momento era tirar um cochilo e renovar as energias.
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  Na cozinha, Beth observava os outros hóspedes se alimentando. Por um instante, ela reparou que sua filha Lise ainda não tinha saído do quarto para o café, e certamente ainda estava a dormir. Logo, pediu à sobrinha para ir chamar a prima, pois se fosse ela, Lise seria arrastada da cama.  assentiu rindo da cara de sua tia e saiu da cozinha, ao chegar no corredor, ela ouviu o telefone tocar na sala.
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  — Hostel Fletcher, quem fala? — disse  ao atender o telefone.
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  — Oi, , aqui é o Alfred Molina, sua tia está?
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  — Ah, é o senhor Molina. Minha tia está sim, um momento.
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  — Obrigado.
  — Disponha! —  retirou o telefone do ouvido e se virando para a cozinha ela gritou: — Tia, o Sr. Molina está no telefone, quer falar com a senhora!
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  A voz de Beth, da cozinha, ecoa na sala, agradecendo e dizendo que já iria atendê-lo.
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  — Senhor, minha tia pediu para esperar uns dois minutos — informou a garota.
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  — Tudo bem, eu espero. Obrigado mais uma vez — ele respondeu.
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  — Sem problema.
  Deixando o telefone em cima da escrivaninha,  subiu as escadas e seguiu até o quarto. Ao passar pelo estreito corredor do seu andar, ela esbarrou no hóspede novo.
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  — Me desculpe, hoje eu estou um desastre — a moça se desculpou meio vergonhosa.
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  — Eu é que devo desculpas, estava distraído. — O rapaz estava com a cabeça abaixada, levantando seu olhar, fixou nos olhos da mulher à sua frente. — Você tem um nome?
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  — , e você, tem um nome? — Ela segurou o riso, afinal, aquela era uma forma estranha de se apresentar a alguém.
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  — Prazer, . — O rapaz sorriu de canto. — Eu sou o .
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  — Você não é daqui — comentou ela tentando não demonstrar muita curiosidade. — Não se parece com um nativo de Seattle.
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  — Bem observado, não sou, minha família é de Chicago. Me mudei recentemente.
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  — Interessante — disse ela. — Eu sou de Cliron, uma pequena cidade que fica em Oregon.
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  — E se mudou para uma cidade mais movimentada?
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  — Sim, Beth é minha tia, eu precisava de um pouco de independência — explicou de forma evasiva. — E você? Se mudou por algum motivo especial?
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  — Problemas de família — respondeu subjetivamente.
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  — Esses são os piores. — Vendo que  não parava de olhar para ela, com muita timidez, perguntou: — O que foi? Tem alguma coisa estranha em mim?
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  — Nada, só achei seu sorriso bonito — respondeu o rapaz.
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  — Obrigada. — Ela se encolheu mais um pouco tímida.
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  — Me desculpe, , mas tenho que ir, espero vê-la em breve. —  voltou seu olhar para o relógio. — Até mais.
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  — Até. — Ela ficou parada observando-o se afastar.
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  Seu coração estava um pouco acelerado.  se sentia encantada com a conversa tida com o Dominos misterioso.
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  Lindo, charmoso, sorriso radiante, que olhar… ah! Minha prima!
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  Foi neste momento que ela se lembrou da prima que ainda estava dormindo. Correu até o quarto, entrou pela porta, abriu as cortinas e enfim começou a chamá-la.
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  — Lise? Lise? Acorda, já amanheceu.
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  — Oh não, já está na hora? — A outra se virou para o canto cobrindo mais a cabeça. — Não quero trabalhar hoje.
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  — Se não se levantar tia Beth vem te arrastar dessa cama.
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  — Minha mãe é uma estraga prazeres. — A garota na cama bufou se encolhendo mais.
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  — Você não viu o hóspede novo — comentou .
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  — Oi? — Lise descobriu a cabeça de imediato e olhou a prima. — Ele é bonito?
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  — Sim. — A outra abriu um largo sorriso.
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  — Que pecado. — Sua prima mordeu o lábio inferior.
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  — Levanta e vai trabalhar — aconselhou  rindo.
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  — Preciso de um banho primeiro. — Lise se levantou espreguiçando e juntou as coisas para levar para o banheiro.
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  — Boa sorte.
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   se aproximou de sua cama e pegou o celular que tinha deixado na mesa de cabeceira. Ela estava tão ansiosa para receber a mensagem do estúdio de dança que não conseguia pensar em voltar à cozinha para tomar o café da manhã. O sonho de  de ser dançarina profissional tinha sido interrompido pela falta de apoio de sua mãe adotiva, Marie. Ter se formado na faculdade de Artes Cênicas, no curso de dança, havia sido sua maior conquista, porém não tinha conseguido trabalho na área em New York, mesmo que tenha sido muito elogiada por seu talento. Ela achava que tudo aquilo era obra de sua mãe a boicotando, e por isso se afastou dela e foi morar em Seattle com a tia.
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   queria liberdade e independência.
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– Dominos House

  Final da tarde e  se mantinha pensativo em seu escritório. Sua mente fervilhava informações após o breve encontro que tivera com o senhor Han. Ele se preocupava com sua família desde antes de serem atacados em 2012, e ainda sentia a perda de alguns entes queridos.
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  Por mais que brigasse com o irmão mais novo, , ele também se preocupava com sua segurança, por isso  Dominos era cauteloso em suas ações, se mostrava frio e calculista diante de todos, apesar de seu charme natural e olhar intenso.
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  — Senhor Dominos — disse  ao entrar no escritório —, sua reunião com Annia Baker em Manhattan já está marcada para sexta-feira.
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  — Muito bem… Estou curioso para saber o que a nova presidente dos Laboratórios Baker quer comigo — comentou  ao se levantar de sua cadeira e olhar para a recém-chegada.
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  — Conhecendo o senhor, acho que está curioso para saber quem é ela — comentou a mulher ponderadamente.
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   conhecia muito bem seu chefe, já estava servindo a família Dominos há seis anos, tinha sido treinada especificamente para isso. Apesar de ter muitas responsabilidades, a maior delas era garantir a segurança de  Dominos. Era curioso isso, e muitos a subestimavam quando a viam ao lado dele. De assistente a segurança pessoal, ela era seu braço direito e consciência nas horas vagas.
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  — Allison Baker sempre foi uma mulher sagaz e estrategista, quero saber se a pessoa que ocupa seu lugar agora é tão boa quanto — assegurou  ao se aproximar de sua adega particular e pegar uma garrafa de vinho.
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  — Está preocupado? Se ela vai se aliar aos Tenebrae? — indagou  observando seu chefe e analisando suas expressões.
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  — A família Baker sempre foi aliada a eles, quero mostrar a ela que Lionel Tenebrae é e sempre foi um homem desleal, que não merece estar no controle da Continuum. —  tinha seu plano vivo e queria mais que tudo destronar a família que arruinou a sua. — Já temos o apoio dos Bellorum,  está encarregado da herdeira Sollary, acho que Annia Baker não será um problema.
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  — Se o senhor diz.
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  Justiça ou vingança,  sabia as intenções de  Dominos. Sabia de todos os seus segredos, fraquezas e medos e em contrapartida, ela era o ponto forte de , onde ele encontrava apoio para se manter firme e proteger sua família. Mesmo não sendo fácil e mesmo ela sendo ainda muito jovem, encarava de frente a responsabilidade que tinha com ele.
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  — Vejo que está usando a katana que lhe dei de presente. —  desviou seu olhar para a espada na bainha da calça da mulher.
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  — Ela é um pouco mais leve que a outra, preciso me adaptar ao novo peso, assim conseguirei utilizá-la com precisão — comentou ela.
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  — Você gostou?
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  — Sim senhor. — Assentiu.
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  Ele a olhou mais um pouco.  tinha muitas inquietações quando o assunto era sua assistente/segurança. Uma mulher reservada e silenciosa, apelidada por sua família de “funcionária do ano”, mas só ele sabia quantas vezes ela tinha salvo sua vida, mesmo antes de compor sua lista de empregados. Ele jamais esqueceria o dia em que a conheceu, e em gratidão, a levou para a casa de Donna Fletcher.
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  — Continue monitorando os passos de  Baker, ele ainda é o herdeiro legítimo — ordenou .
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  — Não se preocupe,  se hospedou no mesmo lugar que ele em Seattle — respondeu se mantendo atenta aos passos dele.
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  — Devo presumir que foi influência sua? — Ele despejou um pouco do vinho na taça e sentiu o aroma.
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  — Sim, mandei o endereço de um hostel para ele. — Assentiu a moça.
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  — Sua forma de agir me admira a cada dia. — tomou um gole e manteve o olhar enigmático para sua assistente.
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  — É o meu trabalho, pensar como o senhor — disse ela não se importando com o elogio disfarçado dele. — E manter o equilíbrio.
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   sorriu de canto. Sim, ele admirava a competência se sua assistente. Sabia que podia contar com ela em qualquer situação.
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“You can call me monster.”
– Monster / EXO

2. Amizade

– Algum lugar do Texas…

  Dentre as muitas atividades de , ser a pessoa que acompanhava os acordos comerciais mais complexos e não deixar que fossem atrapalhados era um deles. Incrível para todos é como ela conseguia dar conta de tudo e ainda garantir a segurança de . Claro que o chefe da família Dominos sabia se defender muito bem em uma boa briga, mas a função de  era bem mais do que isso. E se fosse preciso sujar suas mãos para garantir o sucesso dele, ela o faria.
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  Segundo as nomenclaturas criadas pela Continuum Miller era denominada como uma Sliter, por ser o braço direito de . Educada e reservada, essas eram as definições da mulher. Olhar atento, cabelos sempre presos, voz suave e baixa, porém firme, sempre trajava terno feminino de cor azul marinho combinado com uma bota preta.
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  Numa calorosa manhã de sexta-feira, ela desembarcou no aeroporto privativo da cidade de Austin, seguiu em um carro alugado até uma fazenda ao sul da cidade, seu objetivo era finalizar o fechamento de contrato de exclusividade com 3 produtores locais. Entretanto, ao contrário do que se esperava, o clima não estava muito bom, pois um dos produtores se recusava a aceitar a quantia oferecida por .
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  — Receio que este equívoco de sua parte terá que acabar neste instante — alertou  ao se colocar em frente ao homem, seu olhar se mantinha sereno como sempre.
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  — Me desculpe, moça, mas não vou concordar com isso, minha fazenda vale mais do que Dominos está oferecendo, todos sabem que minhas terras são as mais férteis do Texas. — O homem que aparentava ter 40 anos se levantou do sofá em que estava sentado, olhando a mulher com arrogância. — Ninguém irá me obrigar.
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  Ao falar isso, cinco homens armados entraram na sala.  os observou de relance e voltou a fixar seu olhar no produtor problemático.
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  — Bem, acho melhor o senhor não fazer isso. — Ela voltou seu olhar para os outros 2 produtores. — Foi um prazer negociar com os senhores, podem ir, o dinheiro será depositado em 24 horas, como combinado.
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  Ambos os homens agradeceram e saíram mais que depressa da sala, afinal, eles sabiam quem era ela e do que ela era capaz.  continuou:
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  — Bem, o senhor não me deixa outra escolha. — Miller pegou seu celular e ligou para seu chefe. — Senhor Dominos.
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  — , espero boas notícias.
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  — Dois contratos já foram assinados, porém o terceiro se recusa a aceitar a oferta.
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  — Imagino que esteja rodeada de capangas.
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  — Sim senhor — confirmou o óbvio.
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  — Divirta-se e me traga esse contrato assinado.
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  — Sim senhor.
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  Após desligar o celular,  sorriu maliciosamente. Ela retirou o contrato daquele homem da pasta que levava consigo e o deixou juntamente com uma caneta na mesa de centro.
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  — Espero que este contrato esteja assinado assim que eu terminar. — A suavidade em sua voz contradizia a intensidade em seu olhar.
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  Assim que terminou de pronunciar aquelas palavras,  se esquivou do soco de um dos homens que estava atrás dela; pegando o braço do mesmo, o torceu com força, e pegando sua arma, atirou no segundo homem logo atrás. Assim, o terceiro homem atirou em sua direção e, virando seu corpo, a bala acertou o pescoço do primeiro homem.  jogou o corpo do homem no chão e vendo a movimentação do quinto capanga em sua direção, pegou uma faca que estava escondida em sua bota. Instantaneamente atirou-a acertando no coração de seu algoz, com a arma ainda em sua mão, atirou no terceiro homem. O quarto homem que estava com uma foice lançou o objeto contra ela. A sliter se abaixou rapidamente girando com sua perna direita reta, consequentemente derrubando o homem. Ao se levantar, atirou nele com a arma que estava em suas mãos.
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   respirou fundo e voltando seu olhar para a arma em suas mãos, percebeu que felizmente não havia retirado suas luvas. Jogando o objeto no chão, voltou o olhar sereno para o produtor.
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  — Então… Temos um acordo agora? — disse ela de forma séria.
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  O produtor, que estava agachado ao chão, trêmulo de tanto medo, esticou o braço com o contrato em suas mãos.
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  — Aqui está — disse entregando os papéis à mulher.
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  — Agradeço pela atenção — disse ela ao pegar o contrato. — Foi um prazer fazer negócio com o senhor, em 24 horas seu dinheiro será transferido.
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  Miller guardou o terceiro contrato na pasta juntamente com os outros dois. Olhando de relance para os corpos dos homens no chão, deu um sorriso de canto e se retirou do lugar.
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– Hostel Fletcher

  Enquanto isso, na sala de seu hostel, Beth encerrava a ligação que tinha feito à sua irmã, Marie. Mesmo apoiando a fase independente de sua sobrinha, Beth, às escondidas, continuava notificando sua irmã sobre os passos da filha adotiva. Foi neste momento que Paul, o namorado de Lise, chegou.
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  — Bom dia, tia Beth! — disse ele em sua forma brincalhona, ao adentrar pela porta da frente, já se sentando no sofá.
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  A mulher sorriu para ele em cumprimento e voltou-se ao telefone, fazendo uma nova ligação.
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  — Beth? Algum problema? — perguntou a voz ao atender. — Não é de me ligar pela manhã.
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  — Bom dia, Alfred — disse. — Conseguiu o que pedi?
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  — Sabe que não é tão fácil assim conseguir informações de uma família de alto nível da Continuum. — Se explicou ele devido à demora com o pedido.
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  — Isso é urgente.
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  — Não se preocupe, tenho certeza que meus contatos vão conseguir a informação que pede.
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  — Anotou direito?
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  — Sim.
  — Assim espero.
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  — Então…
  — Então o quê?
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  — Preciso conversar com você.
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  — Fale. — Beth voltou seu olhar para Paul, que fingia não prestar atenção na ligação.
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  — Pelo telefone não, vamos nos encontrar no Café au Lait daqui quinze minutos.
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  — Infelizmente não posso, vou até Cliron, mas terça à noite acho que estarei disponível.
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  — Um jantar, estou gostando da ideia!
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  — Não comece com esses pensamentos, Molina.
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  — A qual deles você está se referindo? — com uma voz ousada ele perguntou.
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  — Você sabe do que estou falando — respondeu seriamente.
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  — Sei?
  — Nos vemos terça à noite. — Finalizou ela com a voz áspera.
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  — Até, vou te esperar com o maior prazer.
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  — Até mais, Molina. — A mulher desligou o telefone e manteve o olhar atento ao jovem no seu sofá. — Então, Paul, o que te traz aqui tão cedo?
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  — O seu café, tia Beth.
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  — O meu café? Sei. — Ela disfarçou o olhar de desconfiança. — Está trabalhando?
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  — Agora estou lutando como analista de sistemas, mas quero mesmo é ser um empreendedor — admitiu o jovem empolgado.
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  — Nossa, e a que se deve a mudança? — Beth colocou a mão na cintura, admirada.
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  — Eu acabei percebendo que computação ainda não é pra mim, então serei dono do meu próprio negócio.
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  — Tem todo o meu apoio. — Ela sorriu para ele. — Não vai comer agora?
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  — Não, tia, vou esperar a , gosto de zoar a cara dela no café. — O rapaz soltou uma gargalhada.
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  — É demais pra minha cabeça, bom café pra você.
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  — Valeu, tia Beth! — Paul agradeceu ainda em risos.
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  Beth seguiu para a cozinha, pegou alguns biscoitos da forma, colocou-os em um saquinho e saiu, indo em direção à banca de jornal.
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  No quarto,  se encontrava pensativa quando saiu dele e andou pelo corredor com sua mente aérea. Desceu as escadas lentamente até que chegou à sala e se deparou com Paul sentado ao sofá, mexendo no seu smartphone.
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  — Paul? O que faz aqui? — perguntou ela.
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  — Bom dia, flor do dia, acordou quando? — Ele bloqueou a tela e guardou o celular no bolso da calça.
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  — Não tem muito tempo, e você? — perguntou a moça.
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  — Já tem uns vinte minutos, vim correndo para não perder o café da tia Beth — respondeu ele ao se levantar do sofá.
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  — Hum…
  — Não devia estar trabalhando?
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  — Estou de folga hoje. — O rapaz fez uma cara de quem estava aprontando e riu. — E aí, quais as novidades?
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  — Temos um Dominos como hóspede — respondeu .
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  — Um Dominos? Dominos? A família Dominos? Da Continuum?
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  — Essa mesmo. — Assentiu ela. — Nem sei como tia Beth deixou, ela vive dizendo para ficarmos longe das famílias da Continuum.
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  Paul começou a rir, até que se lembrou do passado que sua amiga havia lhe contado, sobre seu envolvimento com um membro de uma família da Continuum, então seu sorriso deu lugar ao olhar preocupado.
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  — Entendeu agora?
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  — Ah, mas não é como se você fosse se apaixonar por ele, né? — Ele soltou uma risada fraca. — Não é, ?
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  — Claro que não — ela desconversou.
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  Mas já se contava duas semanas desde a chegada de , e sim, ela, em vários momentos do dia, se pegava pensando nele e curiosa para conhecê-lo mais. Era loucura dizer, mas  de certa forma se sentia atraída a tudo que envolvia a Continuum, principalmente jovens bonitos de famílias classe A da sociedade.
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   e Paul iniciaram uma interessante conversa sobre teorias malucas que sempre criavam a respeito da Continuum. Neste tempo, Lise, com seu moderno e ao mesmo tempo humilhante uniforme de recepcionista, com direito a blusa branca com um babado roxo e uma calça social roxa com listras brancas, desceu as escadas e interagiu com ambos.
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  — Deixa eu adivinhar o assunto — ela olhou para ambos —, novo hóspede, Dominos e Continuum.
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  — Somos tão óbvios assim? — perguntou  à prima.
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  — É o assunto do momento em toda a cidade, foi a mesma coisa quando o Baker se mudou para cá — explicou ela. — Daqui a pouco cai no esquecimento, até outra família dar a louca de vir residir em Seattle.
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  — Isso é verdade. — Paul riu. — Mas pelo menos o  é gente boa, já esse Dominos, não sabemos.
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  — Ele é educado — defendeu .
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  —  também era — relembrou Lise sobre o antigo namorado da prima. — E era um Bellorum.
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  — Ouvi dizer que os Bellorum são os mais frios e arrogantes — comentou Paul.
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  — São todos militares, o que queria? — Lise cruzou os braços. — , não se esqueça o quão conturbado foi seu relacionamento com o Bellorum, imagine que pode ser pior sendo um Dominos.
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  —Ai, gente, vocês falam como se eu fosse um ímã que atrai Continuum. — Ela se sentiu ofendida.
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  — Só falo para sua proteção, essas famílias são perigosas — alertou a prima.
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  — Eu sei, me lembro bem de como o pai de  reagiu quando descobriu nosso namoro. —  suspirou fraco ao ser invadida por suas lembranças negativas.
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  Por isso nosso namoro era escondido. Pensou ela.
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  Lise se despediu deles e seguiu para seu trabalho. Os amigos aproveitaram a deixa e foram para a cozinha, onde  serviu o café para ambos. Em meio às xícaras, os biscoitos de milho, o bolo de morango com cobertura de coco, o suco de laranja e o leite, eles continuaram conversando.
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  — Você viu a tia Beth quando chegou? — perguntou .
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  — Ah, sim, ela estava ao telefone. Depois disso, foi pra cozinha e saiu.
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  — E disse pra onde?
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  — Não. — Paul tomou um gole de sua bebida. — Sabe de uma coisa, eu acho que o senhor Molina está apaixonado por ela.
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  — Eu tenho certeza. —  soltou uma gargalhada.
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  — Pois é. — Ambos riram do comentário.
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  — E como vai o namoro com a Lise?
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  — Vai indo, ela é meio convencida às vezes, mas dá pra aguentar. Eu amo sua prima.
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  — Até hoje fico chocada com a forma insistente que a conquistou. — Ao falar ela leva a xícara à boca.
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  — E ela sempre dizendo que não queria namorar alguém tão chato como eu. — Paul deu um suspiro. — Desde quando sou chato?
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  — Reservo-me o direito de permanecer em silêncio para não perder o amigo — disse segurando o riso, porém, ambos soltaram gargalhadas.
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– Seattle Sollary Hospital

  Na sala de descanso dos residentes,  tirava mais um de seus cochilos, era a única forma que encontrava para se manter de pé e superar o mau-humor da residente chefe, senhorita Lins. A madrugada passada não tinha sido muito boa devido a um acidente causado por um carro desgovernado, a ala de emergência se tornou um caos. Felizmente, era aquele tipo de caos que a Sollary dedicada gostava, sentir a adrenalina a cem por hora enquanto segurava um bisturi. Mais que um legado da sua família, ser médica era realmente seu caminho a seguir.
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  — Sollary — chamou Kim ao se aproximar do beliche e balançar seu ombro. — Sollary?
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  — Hum? — Ela abriu um pouco os olhos e se virou para quem a chamava. — O que você quer?
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  — A megera Lins está à sua procura.
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  — O que ela quer? — perguntou a moça erguendo seu corpo e se espreguiçando como podia.
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  — Seus relatórios do plantão desta madrugada — explicou o rapaz.
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  — Hum… — Ela bufou de leve e se levantou da cama.
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  Ao se aproximar da mesa de estudos, pegou os relatórios que passou duas horas preenchendo e revisando a mando da megera, e seguiu para a enfermaria. Lins só tinha aquele cargo por ser muito próxima do atual diretor do hospital, nomeado logo após o pai de anunciar a aposentadoria dele. Sendo filha única, aquilo a tornava a herdeira primária Sollary, já que seus primos só poderiam herdar algo se ela não existisse. Por isso,  tinha uma pressão grande em suas costas, e a responsabilidade de se tornar a melhor cirurgiã que aquele hospital já teve.
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  — Me procurando, dra. Lins? — disse ela ponderando a voz ao se aproximar de sua superiora.
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  — Claro. — A mulher deu um sorriso falso. — Terminou os relatórios?
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  — Sim. — Assentiu.
  — Muito bem, pode ir para casa, já completou suas horas — ordenou a mulher.
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  — Como assim? Ainda faltam três horas, eu contei.
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  — Não faltam, seu horário foi reduzido mais uma vez — explicou a mulher. — E com a emergência do acidente, você ficou muito tempo em cirurgias.
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  — Mas…
  — Ordens do seu tio — disse a superior.
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   engoliu seco àquela afronta. Claro que tinha dedo do seu tio, aquele velho que sempre almejava sabotar a sobrinha para ficar com seu lugar totalmente.
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  A jovem residente se retirou e foi até o vestiário, onde trocou de roupa e pegou sua bolsa no armário. Mesmo contrariada, não podia fazer nada a não ser ir para casa. Bem na porta de saída ela avistou um rosto conhecido.  se encontrava encostado em sua moto, de braços cruzados e em uma pose que só vemos em revistas.
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  — O que faz aqui, Baker? — perguntou ela.
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  — Vim te buscar — respondeu o rapaz.
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  — E como sabia que eu sairia daqui agora? — A moça cruzou os braços, intrigada.
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  — Não sabia, estava contando que sairia daqui três horas — explicou com tranquilidade.
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  — E ficaria aqui me esperando por três horas? — indagou ela.
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  — Sim.
  — Você não tem mais nada para fazer, não?
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  — Ficar perto de você é mais interessante. — Ele deu um sorriso bobo.
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  — Você é realmente um imaturo mesmo. — bufou e se afastou.
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  — Espera — ele segurou em sua mão —, me deixa te levar.
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  — Quantas vezes vou ter que dizer que está perdendo seu tempo? Não vou te dar nem meia chance, Baker. — Sollary o olhou com firmeza.
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  — Você odeia tanto a minha família assim? — perguntou ele.
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  — As pessoas que conheci dela não me deram boa impressão — revelou.
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  — E acha que se uma é assim, todos são? — retrucou o rapaz.
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  — Você ainda não me provou o contrário, e agir feito um adolescente sem responsabilidade não ajuda. — continuou firme.
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  — E o que tenho que fazer para você se apaixonar por mim?
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  — Primeiro, pare de achar que vou me apaixonar por você, pois isso nunca vai acontecer; e segundo, se eu ver que é realmente um homem responsável, posso pensar em te dar o benefício de ser meu amigo. — A mulher se soltou dele.
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  — O que a megera te fez? — perguntou .
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  — O quê? — perguntou confusa.
  — Toda vez que ela te deixa furiosa você desconta em mim — explicou ele segurando o riso. — Vou ser sincero, esse lance de me fazer seu saco de pancadas só me deixa mais apaixonado ainda.
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  — Viu, é uma criança. — A cirurgiã se virou.
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  — Sou um homem apaixonado. — a segurou novamente. — Me deixa te divertir um pouco.
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  — Você não desiste mesmo, não é, Baker?
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  — Jamais, Sollary. — Ele sorriu de canto e esticou o segundo capacete para a mulher. — Vamos?
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   suspirou um pouco e, sem pensar muito, pegou o capacete e subiu na garupa o colocando. Se ela analisasse muito a ideia, certamente não faria aquilo. Talvez por ter tido um breve romance com um Dominos em seus tempos de faculdade em Harvard, uma aversão às famílias da Continuum tinha se criado dentro dela. E Baker pertencia a uma, motivo de sua resistência.
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  Mas lá no fundo ela até o achava charmoso e atraente.
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“Eu já abri o meu coração para você há muito tempo
Você é tudo para mim, esse é o meu jeito de confirmar
Eu deveria ser cuidadoso e me amar mais,
Desse jeito eu nunca irei me machucar.”

– My Answer / EXO

3. Família

– Algum lugar de Seattle

  Baker já tinha sacado com pouco tempo os pontos fracos de , porém não os usava para conquistá-la. Entretanto, se havia uma coisa que ele amava fazer era irritar a garota com seu jeito despojado de ser. Quanto mais  acelerava a moto, mais  se agarrava nele, e essa era sua intenção maliciosa desde o início. Era triste ter que se contentar com esses pequenos detalhes dessa desastrosa relação que ambos tinham, mas aquele Baker era persistente e muito sagaz.
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  — Reduza a velocidade! —  gritou se agarrando mais à jaqueta dele.
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  — Pare de ser tão certinha e curta a brisa da noite — devolveu despreocupadamente.
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  — Eu não estou brincando, Baker, quando eu descer dessa moto, eu te mato! — gritou novamente.
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  — Deve ser sexy morrer pelas suas mãos, sendo médica, como pretende me matar? — brincou o rapaz rindo um pouco. — Meu último desejo é um beijo.
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  — BAKER! — bateu nele com fúria.
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  Logo  fez a moto cambalear, deixando  ainda mais raivosa. Assim que ele parou a moto em frente o Au Lait Coffee, ela desceu rapidamente retirando o capacete.
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  — Você é louco, Baker? — O olhou, surtando.
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  — Por você, sim. — O rapaz desligou a moto e sorriu de canto. — Por que se irrita tão fácil?
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  — Você me irrita. — Ela bufou.
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  — Relaxe, Sollary, e me deixe diverti-la. — Baker a segurou pela mão com um sorriso bobo no rosto e a puxou para dentro da cafeteria.
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   estava cansada demais para relutar à insistência dele e se deixou ser guiada. Ao entrar, escolheram logo uma mesa bem ao lado da vidraça, onde poderiam contemplar a beleza da avenida principal da cidade e suas luzes noturnas.
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  — Boa noite, o que o casal vai pedir hoje? — perguntou Mary ao se aproximar para anotar os pedidos.
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  — Não somos um casal — protestou .
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  — Eu vou querer um expresso duplo, para ela, cappuccino e um pedaço da torta de morango com chantilly — respondeu tranquilamente não se importando com as palavras da moça que o acompanhava.
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  — Como sabe que vou querer isso? — disse ela impressionada.
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  — Sei tudo sobre você. — Ele piscou de leve e voltou a olhar para a atendente, que anotava tudo.
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   fitou os olhos no rapaz tentando entender como  continuava agindo daquela forma com ela. Aparentemente, as pessoas os viam como um casal que vivia a base do amor e ódio, o que tornava tudo mais divertido para ele.
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  Ambos permaneceram em silêncio até que seus pedidos vieram e a moça se retirou.  cortou um pedaço de sua torta e levou à boca, aquela era mesmo sua torta favorita. Era intrigante que  tivesse gravado tão rapidamente seus gostos.
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  De um mero paciente que ela ajudou no resgate, após sofrer um acidente de moto, o homem otimista se tornou seu colega de Hostel e, no linguajar da tia Beth, um pretendente de alto nível. Era de se esperar que  se apaixonasse por sua médica cirurgiã residente, que cuidou dele com tanta dedicação enquanto se manteve internado no Seattle Sollary Hospital, porém, entre tantos cuidados dela, foi através de um singelo sorriso espontâneo, direcionado a outra pessoa, que o coração do ousado Baker pulsou mais forte.
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  — Está me olhando demais, Baker — comentou . — O que está tramando?
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  — Às vezes me ofende o mal juízo que faz de mim. — O rapaz fez um olhar manhoso e ao mesmo tempo indignado.
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  — Como está a cicatriz nas costas? Ainda dói? — perguntou ela.
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  — A receita que me conseguiu ajudou. — reclinou até encostar no encosto da cadeira, mantendo seu olhar na moça. — Obrigado, mesmo depois da alta, ainda cuida de mim.
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  — Só estou me prevenindo e mantendo você longe do meu local de trabalho. — manteve o olhar na torta. — Como uma pessoa pode deixar o legado da família e viver como um nômade? Não consigo entender você. — Ela levantou seu olhar a ele.
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  — Não consegue entender o fato de eu não querer viver às sombras do nome da minha família? — Resumiu.
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  — Você vive da sua fortuna — retrucou a médica. — Se quer bancar o filho rebelde, deveria viver a independência total.
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  — Acha que não sou capaz de sobreviver sem o dinheiro da minha família? — Baker cruzou os braços, deixando seu olhar transparecer curiosidade.
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  — Honestamente, sim — respondeu ela. — Eu vejo você como aquele projeto de bad boy mimado que usa o dinheiro dos pais para pagar a gasolina da Mercedes e o silêncio dos policiais corruptos.
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  — Estou curioso para saber qual Dominos você namorou para ter tanto preconceito assim. —  se viu ainda mais curioso pelas palavras amargas dela. — Foi o popular da elite, ? O caçula ? Ele está hospedado no nosso hostel. Hum… Foi o Nigel? Não… Pelo seu olhar, só pode ser o Victor.
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  — Você parece conhecer bem essa família — retrucou , mantendo a resposta para si.
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  — Não tanto quanto você. — O rapaz sorriu de canto. — Pelo menos é o que me parece.
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  — Você acha mesmo que me conhece, mas não… — Ela tomou o último gole do cappuccino e se levantou. — Você não sabe de nada, Baker.
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   segurou em sua mão assim que ela tomou impulso para sair de lá.
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  — Me conte então. — Seu olhar estava firme, ele desejava lhe passar confiança.
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  — Prove que merece saber. — Ela se soltou dele. — Obrigada pelo café.
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   ajeitou a bolsa no ombro e seguiu para a saída. Seu único pensamento era chegar no hostel, se trancar em seu quarto e finalmente descansar.  permaneceu estático, se manteve sentado na cadeira pensativo no que havia acontecido. Em minutos, sua atenção se voltou para a porta. Observou a entrada de  no lugar, sendo seguido por outro rosto Dominos conhecido.
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  O caçula dos Dominos era acompanhado por seu primo Nigel. Ambos se sentaram em uma mesa aos fundos para iniciar sua conversa reservada.
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  — Então, como está tudo? — perguntou  com ar meio preocupado. — Há dias não tenho notícias da Jass.
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  — As coisas estão meio complicadas. — Nigel respirou fundo.
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  — O que  fez desta vez?
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  — Não sei se seu irmão está agindo com prudência, soube que ele fez novas aquisições de terras no Texas. — Chegando próximo ao ouvido de . — E sabemos que aquele estado pertence a Continuum, ele quer enfrentar os Tenebrae.
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  —  sempre viveu contra as regras, mas não achei que chegaria a tanto. — suspirou fraco, conhecia seu irmão muito bem. — Não entendo sua obsessão pelos Tenebrae.
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  — Quem entende? — Nigel voltou seu olhar para a atendente que os servia.
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  — Infelizmente não posso voltar, não sem antes conquistar a confiança da Sollary.
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  — Entendo. — Nigel voltou seu olhar para o primo. — E como vão as coisas?
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  —  Sollary é uma mulher forte e independente, trabalha como cirurgiã residente no hospital da família — contou . — Ainda não sei como me aproximar,  disse que eu deveria ser sutil, mas nós dois sabemos como ele é sutil com as mulheres.
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  — Levando-as para cama. — Completou Nigel.
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  Eles riram.
  — Mas me mantenha informado, por favor — pediu .
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  — Sem problemas. — Nigel sorriu de leve. — Além de primos, somos amigos e nos preocupamos com nossa família.
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– Dominos House, Chicago

  Chicago era a cidade movimentada em que a família Dominos residia. Sua mansão se localizava um pouco mais afastada do centro comercial. Uma propriedade invejável até mesmo pelos políticos da cidade. Os dois andares que contemplavam o imóvel seguiam um estilo arquitetônico moderno com toques clássicos; suítes extremamente confortáveis, salas de estar e TV, sala de jantar, a ampla cozinha de design industrial e o majestoso escritório em que  sentia o prazer de receber seus amigos.
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  Atrás do “palacete”, perto da entrada da cozinha, ficava a adega onde se guardavam os vinhos mais preciosos, agraciados por sua pequena vinícola na Itália administrada por Victor Dominos. Ao lado era o quarto de , parecido com um loft, a cama ficava perto da janela que dava vista para a mansão, ao lado uma poltrona e a porta do banheiro, perto da porta de saída um jogo de mesa com duas cadeiras de madeira Siciliana, ao lado uma pia de mármore, um cooktop e uma mini geladeira.
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  No porão se encontrava o dormitório dos seguranças que guardavam a propriedade, todos chefiados por Dosan. Do outro lado dos fundos da mansão, havia um jardim cultivado pela tia Dominos, com orquidário e diversas flores do campo. E ao lado um pequeno espaço em que  usava para treinar.
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  Como mencionado antes,  pertencia aos Dominos como filho legítimo, o terceiro na linha de comando. Seu jeito tranquilo e pacífico não se comparava ao de , que às vezes era taxado como um tirano por sua irmã mais nova, o que de tudo não era ruim, pois para ser um chefe de “Família Continuum”, ele precisava ser forte, rígido e perspicaz. Era com muita preocupação que o chefe Dominos garantia a segurança de suas irmãs, Genevieve e Jasmim, sua tia Sophie, sua prima Bella, seus primos Victor e Nigel e a recém-chegada Liana.
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  Naquela tarde, em sua espaçosa sala de TV, decorada com sofás pretos e luxuosos com detalhes vermelhos, mesa de centro de vidro e obras de arte espalhadas pelas paredes,  se mantinha de pé perto da janela observando o jardim de inverno da lateral direita da casa.
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  — Alguma movimentação da Continuum? — perguntou ao se voltar para seu empregado.
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  — Ainda não, meu senhor — respondeu o homem.
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  — O que será que estão tramando? — sussurrou o líder refletindo de leve.
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  — Algo o preocupa?
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  — Tudo me preocupa, principalmente a segurança da minha família. —  suspirou fraco e voltou o olhar para a janela. —  já retornou?
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  — Ainda não, senhor, mas o avião está a caminho.
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  — E quanto à segurança da empresa? Como estão os transportes?
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  — Sendo monitorados, senhor, não deixaremos que nos roubem novamente — assegurou Dosan.
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  — Assim espero. Tenho a maior transportadora do país, se nossos clientes não sentirem segurança em nosso trabalho, será o responsável por isso.
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  O homem engoliu seco. Não era fácil ser um funcionário daquela família.
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  — Mantenha os seguranças em alerta, quero minha família em segurança.
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  — Sim senhor.
  Neste instante, a caçula Jasmim adentrou o recinto de forma alegre e saltitante.
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  — Boa noite, senhores! — disse ela num tom irônico.
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  — Senhorita. — Dosan cumprimenta levemente com a cabeça.
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  — Espero não estar atrapalhando! — pergunta ela desviando o olhar para o irmão.
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  — De jeito nenhum, irmãzinha. —  sorriu de canto.
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  — Que bom, estava mesmo querendo ver minha série na Netflix, é tão ruim aquela tela minúscula do notebook. — A garota pegou o controle, ligou a televisão com tranquilidade e deitou no sofá de forma despojada.
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  — Pode se retirar, Dosan — disse .
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  — Sim senhor, com sua licença. — Assentiu o homem indo em direção à porta.
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  — Tchauzinho, Dosan — murmurou Jasmim com ar de deboche. — Eu gosto dele, sabia? Que pena que nunca será o funcionário do ano, já que existe a .
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  — Não diga.
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  — É sério, .
  — Acredito.
  — Isso é cinismo?
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  — Como pode pensar isso de mim, Jass?
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  — Até agora não estou pensando nada. — Ela soltou uma gargalhada.
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  — Como vai a escola? Não é por ser uma Dominos que não tem que mostrar resultados — disse ele num tom mais sério. — O colegial é uma fase importante da vida.
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  — Virou o papai agora? — Jasmim se indignou um pouco. — Ainda tenho 16 anos, que resultado quer que eu mostre?
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  — Seu boletim com notas altas no final do semestre. — O mais velho colocou as mãos no bolso da calça, mantendo o olhar sereno. — E não matando aula todos os dias. Acha que com esse currículo acadêmico vai entrar em uma Ivy League?
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  — E se eu não quiser ir para faculdade? — retrucou a garota olhando para o irmão.
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  — E pretende viver de quê?
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  — Nossa família é rica — brincou ela rindo do olhar do irmão. — Eu ainda não sei o que quero, mas não gosto da ideia da faculdade.
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  — Não me lembro de ter sido assim na sua idade. — Ele suspirou fraco. — Tenha juízo.
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  — Aonde você quer chegar, , com esse diálogo de pai? Você é somente meu irmão mais velho. — Jass cruzou os braço. — Não precisa ficar me repreendendo.
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  — Sabe, de uma adolescente como você, eu realmente não queria ser irmão, mas sangue é sangue — respondeu ele. — E particularmente, eu quero chegar ao topo, ao contrário de você que se contenta com o mínimo.
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  — Topo do quê? Da cadeia alimentar? — ela perguntou com deboche.
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  — Você sabe o que eu quis dizer.
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  — Conta outro sonho porque esse já é velho e todo mundo conhece.
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  Ele respirou fundo e manteve a calma. Lá no fundo só queria jogar a mais rebelde da família em um colégio interno, entretanto, havia prometido à sua mãe que cuidaria de todos sem exceção e os manteria por perto.
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– Hostel Fletcher

  Na varanda da pensão,  se mantinha sentada na cadeira de balanço, observando as pessoas passando pela rua. Nudy se aproximou dela assim que a viu enquanto passava.
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  — Sonhando, ? — disse a amiga.
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  — Oi Nudy! Sim, estou um pouco.
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  — Com quem?! — A outra começou a ficar curiosa.
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  — Não é quem, mas o quê. — abriu um largo sorriso.
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  — Hum… E o que seria?
  — Consegui passar na entrevista e passei como professora substituta na Escola de Arte da cidade — explicou ela.
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  — Sério? Vai dar aulas na Escola de Artes Moonlight? — O olhar de Nudy ficou animado. — Posso ter esperanças de aprender a dançar agora?
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  — Claro. —  riu de leve. — Bem, serei somente substituta e auxiliar, mas já é um começo. Foi o melhor que consegui sem a intervenção da minha mãe.
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  — E como estão as coisas com ela?
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  — Bem mal, ela não aceita meu amor pela dança e sempre que pode tenta me sabotar — confessou  com um suspiro de cansaço. — Mas desta vez ela não conseguiu e meu contrato já está assinado.
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  — Que legal.
  — Claro que vou trabalhar lá só meio período e vou continuar na livraria do senhor Fox, preciso juntar uma grana — comentou.
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  — Nem fale em juntar uma grana, é tão complicado viver de aluguel. — A outra jovem bufou. — Cada mês os donos do apartamento querem aumentar o valor.
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  — Que horror. —  fez uma careta.
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  — Mas é verdade… Bem, eu preciso ir, até mais. — Ambas se despediram e  entrou em casa.
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  Com a saída de tia Beth, o jantar era por sua conta. Após deixar tudo pronto na cozinha,  se recolheu em seu quarto e ficou um tempo dedilhando notas aleatórias no seu violão, quando Lise chegou.
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  — Oi priminha — disse animada ao entrar. — Hum… Há quanto tempo você não toca? A que se deve isso?
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  — Ah, nada, só me senti entediada, e não tem tanto tempo assim, não, eu toquei no último aniversário da tia Beth — se explicou.
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  — Ah.
  — E como foi no trabalho?
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  — Cansativo como sempre. Preciso seguir a linha de pensamento do meu namorado e mudar de ramo profissional — reclamou Lise ao se sentar na cama e tirar os sapatos. — Não aguento mais.
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  — Força, prima.
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  Vendo a porta entreaberta, Paul entrou no quarto.
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  — E aí, ! Oi, amor! — Disse dando um beijo em Lise.
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  — Não sabe bater, não? — reclamou. — Eu poderia estar me trocando.
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  — Já vi tudo que era pra ver aí — brincou o rapaz.
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  — Seu pervertido abusado, e se a  estivesse se trocando?
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  — Ela não deixaria a porta semiaberta como você — retrucou Paul.
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   soltou uma gargalhada.
  — Você dois são uma comédia. Veio jantar, Paul? —  perguntou.
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  — Vim. E então, o que me contam de novo?
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  — Quero mudar de profissão também — disse Lise.
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  — Isso não é novidade, é uma confirmação do que venho te falando há anos — murmurou o rapaz.
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  — Eu vou descer para aquecer o jantar, juízo vocês dois. —  se levantou e desceu em direção à cozinha.
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  Chegando, foi até a geladeira, pois havia deixado duas travessas de lasanha de batata preparadas, pegando as mesmas, as colocou no forno para aquecer. “Espero que a tia Beth goste” pensou ela. Saindo da cozinha, pegou um livro na estante da sala para ler e, distraída, se sentou no sofá. Não demorou muito até que  chegou apático em seus devaneios.
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  — ? Tudo bem? — perguntou preocupada com o amigo.
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  — Boa noite pra você também — respondeu ele indo se sentar ao seu lado.
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  — Que cara depressiva. O que houve? — insistiu a moça.
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  — O amor houve, e ele é tão maléfico. — O tom da voz do rapaz baixou um pouco. analisou as expressões faciais do amigo.
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  — Seu olhar tem um nome:  Sollary — constatou ela.
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  — Aquela mulher um dia vai me deixar louco ou me matar — brincou rindo baixo. — Mas eu juro que estou apaixonado de verdade.
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  — Consigo ver nos seus olhos quando fala dela, sempre brilham — confirmou a amiga.
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  — Só ela que não vê, mas não me darei por vencido. — Ele soltou um sorriso revigorante. —  Sollary ainda será a senhora Baker, pode apostar.
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  — Eu aposto em você. —  o encorajou.
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  — Boa noite, crianças! — cumprimentou tia Beth ao entrar pela porta da frente, cheia de sacolas nas mãos.
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  — Oi, tia! — disse  se levantando do sofá. — Deixa que eu te ajudo.
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  — Tia Beth, não somos mais crianças. —  riu.
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  — Pra mim vocês sempre serão crianças, principalmente o Baker — brincou a mulher.
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  — É por isso que eu te adotei como minha tia. — riu. — Quer que eu coloque onde?
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  — Vamos levar para a cozinha — respondeu a tia. — Hum, que cheiro é esse?
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  — Cheiro do jantar que eu fiz — respondeu .
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  — Se o sabor estiver tão bom quanto o cheiro, te contrato — brincou ela, fazendo-os rir.
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  — Espero que a senhora goste.
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  — Se você cozinha como a Marie, eu vou adorar.
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   também ajudou com as compras. Eles ficaram conversando um pouco mais na cozinha. Após o jantar, todos foram para seus quartos.  chegou pela madrugada, bem na hora em que  acordou no susto com seu pager tocando. A jovem residente se levantou correndo e trocou de roupa o mais rápido possível, era sinal de um plantão de urgência no hospital. Assim que desceu as escadas, acabou por trombar em , deixando seu estetoscópio cair.
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  — Aqui, deixou isso cair — disse ele pegando o objeto.
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  — Obrigada, . — respirou fundo pegando o instrumento da mão do recém-chegado.
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  — Ainda se lembra de mim? — O rapaz ansiava por uma abertura para se aproximar da moça.
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  — Como poderia esquecer um Dominos — respondeu ela voltando seu olhar para a nova mensagem em seu pager. — Droga.
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  — O que foi? — perguntou ele.
  — Chamada cancelada, enviaram pra pessoa errada — explicou Sollary. — Odeio quando isso acontece.
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  — Deve ser complicado essa vida de médico.
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  — É cansativo — corrigiu ela. — O que você quer aqui?
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  — Por que a pergunta?
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  — Porque eu conheço sua família,  não dá um passo sem antes calcular os ganhos e as perdas — retrucou ela. — Então…
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  — Acha que estou aqui por uma jogada financeira do meu irmão?
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  — Ele declarou guerra à Continuum — afirmou .
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  — Ele declarou guerra aos Tenebrae, é diferente — corrigiu .
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  — E quem está no comando da Continuum? — A residente cruzou os braços. — , não deveriam entrar numa batalha a qual não sabem se vão vencer.
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  — Sua família tem fortes laços com os Tenebrae… Tem medo de algo acontecer? — observou o rapaz.
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  — Não, só não quero que mais inocentes se machuquem — disse ela.
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  — Os Tenebrae não são inocentes.
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  — Isso é o que o seu irmão diz — contestou .
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  — Bem, pode me dar o benefício de provar as palavras de . —  sorriu de canto. — Te aconselho a desligar esse aparelho e ir descansar.
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  — Não precisa aconselhar, é exatamente isso que farei. — Sollary se virou de costas para subir as escadas.
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  — Espero que não esteja com raiva da família toda — disse . — , ainda te considero uma amiga.
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  — Eu sei, Dominos. — A garota sorriu discretamente e continuou a subir os degraus.
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   se virou para a cozinha e seguiu para lá, sentia sede. Foi quando se deparou com  e um copo de água em sua mão.
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  — Boa noite, . — Sorriu para ela.
  — Boa noite. — A moça sussurrou. — Eu não estava ouvindo…
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  — Não se preocupe, não vou achar que estava nos espionando — assegurou ele.
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  — Você conhece a dra. ?
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  — Sim, desde criança — respondeu olhando para a moça a sua frente serenamente.
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  — Hum…
  — Vai tomar essa água?
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  — Não. — Ela esticou o copo para ele.
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  — Obrigado. — Ele pegou o copo e o tomou em uma golada. — Boa noite.
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  — Boa noite.
   havia sim, ouvido toda a conversa e ficado intrigada. Sua curiosidade em saber o quão próximos eram  e a dra. , e quem era o tal  de quem eles falaram.
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Apresentações podem ser boas ou ruins, isso é algo que acontece
Às vezes é bom apenas parar pra relaxar e descansar.
– Mr. Simple / Super Junior

4. Dominos – Pt. 1

– Hostel Fletcher

  Manhã de terça-feira,  acordou pouco depois do café. Se surpreendeu quando viu que a prima já tinha saído para o trabalho. Trocou de roupa colocando um jeans rasgado no joelho, t-shirt azul marinho e um all star branco. Descendo direto para a cozinha, pegou um pedaço do bolo de maracujá que encontrou no forno e comeu acompanhado de uma xícara de leite frio.
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  — ? — Tia Beth entrou pela porta dos fundos que dava para o quintal.
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  — Sim, tia. —  voltou seu olhar para a mulher, vendo que segurava algumas sacolas. — Está vindo de onde?
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  — Do supermercado — respondeu colocando as sacolas em cima da bancada da pia. — Estava curiosa para te perguntar, quando começam suas aulas, senhorita auxiliar?
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  — Sexta à noite — respondeu a jovem.
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  — Vai dar aulas à noite? — Tia Beth colocou a mão na cintura com um olhar preocupado. — Não é perigoso?
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  — Seattle não é tão perigosa assim — retrucou. — Por enquanto, vou substituir nas aulas de sexta à noite e sábado pela manhã.
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  — Eles sabem que trabalha na livraria do Fox?
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  — Claro que sabem, tia. — Ela riu. — Eu me candidatei para dar aulas à noite e nos fins de semana.
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  — Entendi. — A tia cruzou os braços.
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  — O que foi tia? Aconteceu alguma coisa? — murmurou com medo de ter feito algo errado e levar uma bronca.
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  — Sua mãe me mandou mensagem, soube que conseguiu a vaga na escola de Artes — revelou.
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  — Quem contou a ela?
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  — Eu não sei, mas fique tranquila, conversamos e ela disse que não irá interferir — garantiu a mais velha.
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  — Isso é novidade. —  tentou não ser irônica. — Minha mãe adora me sabotar.
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  — Não diga isso.
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  — Sabe que não minto. — A moça se levantou da cadeira. — Preciso pegar alguns documentos e levar na escola, volto mais tarde.
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  — Vá em paz — aconselhou a tia.
  No momento em que  passou pela sala,  entrou pela porta com alguns folhetos na mão esquerda, digitando algo no celular com a outra. O rapaz estava tão concentrado que acabou esbarrando na amiga.
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  — Nunca te vi tão concentrado quanto agora. —  sorriu de leve o olhando impressionada. — O que são esses papéis?
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  — Possibilidades para o futuro.
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  — E eu posso entender quais possibilidades são essas?
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  — Ofertas de emprego.
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  — O quê?  Baker vai trabalhar?
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  — Eu te amo, mas nada de ironia. — Sua voz transpareceu o cansaço que sentia.
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   passou pela amiga para subir as escadas primeiro.  seguiu para seu quarto e, juntando seus documentos na bolsa, saiu em direção ao Uber que tinha chamado pelo aplicativo.
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  Em seu quarto,  jogou os papéis em sua mão na mesa de cabeceira e jogou seu corpo sobre a cama, sua cabeça se encontrava pesada e dolorida por ter acordado cedo, porém, seus esforços em conseguir algo longe das influências de sua família, resultou em um estágio no estúdio de fotografia que pertencia a Escola de Artes Moonlight. Além de aluno, agora ele iria exercer o aprendizado e ganhar dinheiro com isso.
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  Mal fechou os olhos e seu celular tocou.  ergueu a mão e olhou a mensagem de Annia, a filha adotiva que controlava toda sua fortuna agora. Era um convite para um baile de máscaras que promovia em comemoração ao aniversário das Indústrias Baker. Ele ergueu seu corpo de leve rindo daquilo. Já tinha deixado claro que não queria se envolver com os negócios da família, contudo, começou a ficar pensativo sobre a possibilidade de ir com uma acompanhante.
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  — Baile de máscaras? — sussurrou. — O que anda aprontando, Annia?
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  Enquanto observava sua sobrinha sair, tia Beth aproveitou a deixa para se ausentar do hostel, pois tinha um encontro marcado com Molina. Por ter ido de carro, não demorou muito para chegar restaurante Marquese. Logo na recepção, encontrou Lise com seu uniforme cafona e sorriso forçado de sempre:
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  — Lise.
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  — Oi mãe, quer dizer, boa tarde, senhora, deseja uma mesa ou algum cliente está à vossa espera?
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  — Menina metida. — Beth colocou a mão na cintura olhando a filha.
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  — Esse é meu trabalho, mãe — sussurrou Lise segurando o riso.
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  — O Molina já chegou?
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  — Arrasando corações, hein, mãe? — A garota brincou e tia Beth olhou-a seriamente. — Desculpe-me, senhora, ele já está à vossa espera.
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  — Obrigada.
  Lise ficou observando a mãe se afastar com um sorriso malicioso no rosto. Tanto ela quanto  torciam para aquele shipp ser real e dar certo. Beth se dirigiu à mesa na qual Molina a esperava.
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  — Demorei um pouco, mas o que importa é que cheguei — disse ao sentar na cadeira.
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  — Que bom que está aqui. Quer pedir nosso almoço agora? — sugeriu o homem.
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  — Se não for muito incômodo.
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  — Claro que não, além do mais, sua companhia é sempre agradável — disse chamando o garçom.
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  — Não começa, Molina.
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  — Boa noite, o que desejam? — disse o jovem se posicionando frente a eles.
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  — Pode escolher, Beth!
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  — Talharim ao molho branco com ervas finas e vinho do porto.
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  — E para o senhor?
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  — O mesmo que ela.
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  — Com sua licença, senhor.
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  — Você não acha que prato italiano é muito romântico para um almoço de negócios? — O homem sorriu docemente.
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  — Vou fingir que não ouvi e vamos direto ao ponto, o que houve desta vez? — perguntou Beth.
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  Molina esperou até que o garçom os servisse de vinho e se afastasse.
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  — Tenho duas notícias, uma boa e uma má. — Ele ergueu a taça de vinho. — Que tal um brinde?
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  — Deixa de rodeios, Molina!
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  — Ok. — Ele sorriu de canto. — A boa é que descobri coisas interessantes sobre esse hóspede que me falou pelo telefone e a má é que você não vai gostar do que vai ler.
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  — Que rapidez, pensei que iria demorar muito.
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  — Meus contatos na Continuum são eficientes, além do mais, Dominos é um sobrenome muito conhecido.
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  — Pode me dar a pasta — disse Beth respirando bem fundo.
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  — Tem certeza?
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  — Sim — confirmou ela. — Assim como fiz com o Baker, não posso deixar que alguém se hospede em meu hostel sem saber a fundo sobre a família a que pertence. Já ouvi muitas coisas sobre os Dominos.
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  Após ela falar, Molina abriu sua maleta, retirou de dentro uma pasta preta e a entregou. Assim Beth começou a ler. Neste mesmo tempo,  adentrou no restaurante Marquese acompanhada de seu pai. Ela já imaginava que a visita dele não era por uma simples saudade, tinha outras intenções por trás, e não demorou muito para que descobrisse quais, pois foi ao sentarem à mesa que Gregori Sollary iniciou o assunto, direto ao ponto.
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  — Todos estão comentando sobre um Dominos em Seattle, isso deixou a Continuum em alerta, ainda mais depois que compraram fazendas no Texas — disse ele.
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  — Por que eu ainda fico na esperança de ser outro assunto além da Continuum, pai? — Seu olhar de indignação para ele era visível.
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  — Era para os Sollary estarem no controle da Continuum.
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  — Mas não estamos e isso nem me interessa. — A jovem médica cruzou os braços. — Este é o único assunto que tens a tratar comigo?
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  — Minha filha, não me olhe assim, tudo o que faço é pensando em vosso futuro. — O homem se explicou.
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  Entretanto,  não conseguia encontrar sinceridade nos olhos de seu pai.
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  — Comentários sobre estar se relacionando com um Baker também chegaram aos meus ouvidos — continuou ele —, espero que desta vez faça um bom casamento, já que não conseguiu ir até o final com o Dominos.
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   respirou fundo, desviando seu olhar irritado para o lado.
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  — Não há nada entre eu e o Baker — afirmou ela com segurança. — E seja lá quem for seu informante, é bem melhor perguntar diretamente à sua filha, não acha?
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  — Querida, não se irrite. — Gregori voltou seu olhar para o lado, observando a mesa em que se assentava Beth e Molina. Logo reconheceu o rosto da Fletcher, tentando se lembrar de onde a tinha visto.
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  — O que está olhando? — perguntou  intrigada, movendo o olhar para o lado. — Beth.
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  — Você a conhece? A mulher de vestido amarelo com aquele senhor? — perguntou ele.
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  — Sim, ela é a dona do hostel onde eu moro. —  voltou seu olhar para o pai. — Por quê?
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  — Ela possui um rosto conhecido. — Gregori voltou a olhar para filha. — Enfim, querida, espero que continue seu bom desempenho no hospital e que passe na segunda prova com honrarias, como foi na prova dos internos.
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  — Não se preocupe, pai, não vou desapontá-lo nem desonrar o sobrenome Sollary — prometeu ela.
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  Ambos foram servidos pelo garçom e continuaram a conversar sobre o bom desempenho da rede de hospitais espalhadas pelo país que pertencia à sua família.
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– Dominos House, Chicago

  No escritório da mansão dos Dominos,  se mantinha parado frente à janela que existia entre as duas estantes, na parede da lateral, aguardando o enfim retorno de sua fiel Sliter. Em sua mente, pensamentos estratégicos se misturavam ao rosto da mulher que o intrigava profundamente.
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  — Boa noite, senhor Dominos — disse  ao entrar no escritório, o despertando.
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  — Finalmente — disse ele num tom sereno se virando e a olhando.
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  — Perdoe-me pelo atraso, senhor. — A sliter deu alguns passos até ele e entregou lhe uma pasta preta. — Aqui estão os três contratos do Texas.
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  — A culpa não foi sua. —  pegou a pasta e a abriu em cima da mesa, pegando os papeis começou a folhear. — O que importa é que está resolvido.
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  Fechando a pasta ele caminhou até o quadro que estava na parede atrás de sua mesa de trabalho, e o retirando, apareceu um cofre atrás. Digitando a senha, ele abriu, guardou os documentos e o fechou colocando o quadro em cima novamente.
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  — Fico feliz quando meus planos dão certo.
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  — Bem, senhor, agora a produção do setor alimentício irá multiplicar.
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  — Sim…. Mas ainda me preocupa a parte do transporte. — O homem suspirou fraco.
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  — Se o senhor quiser, posso fiscalizar pessoalmente.
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  — Não. —  se sentou em sua confortável cadeira. — Você está encarregada de tantas outras coisas, eu já pensei em alguém para fazer isso.
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  — E quem seria? — perguntou a mulher indo servi-lo com o vinho Reserva Especial da Família Dominos.
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  — Dominic Lins. —  degustou-se do vinho e continuou. — Ele vem demonstrando muita lealdade trabalhando na vinícola com meu primo.
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  — O senhor confiará nele? —  o olhou sem entender essa decisão.
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  — Só existe uma pessoa em quem confio — Dominos se levantou e deu o último gole no vinho —, você sabe muito bem quem é.
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  Ele se colocou a centímetros de distância diante de sua assistente, mantendo uma pitada de intensidade naquele olhar sereno.
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  — Precisa de algo mais, senhor? — perguntou ela, se mantendo firme diante dos movimentos do chefe.
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  — Você fez uma longa viagem, descanse um pouco, . —  controlou a frustração pela reação fria dela, mas não desistiria.
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   fez uma breve reverência com a cabeça e saiu do escritório.  caminhou até a janela e sorriu de forma espontânea. Não importava o que acontecesse ou quem ele contratasse, ambos sabiam que a única pessoa em quem  confiava até a morte era realmente .
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  No porão da mansão dos Dominos, além do dormitório dos seguranças, havia também uma pequena sala de treinos, para que mantivessem a boa forma, lugar este que  frequentava todos os dias ao final da noite para praticar alguns movimentos de luta. As horas se passaram e no final da noite, a destemida Sliter se mantinha em frente a um saco de areia aos fundos do lugar, socando-o continuamente, descarregando o máximo de energia possível. Sua adrenalina se mantinha acelerada, coordenada com a concentração impecável.
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  — Não consigo entender como consegue treinar tanto — disse parando a poucos passos atrás dela. — Lembro-me de mandá-la descansar.
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  — Senhor Dominos — se virou para o chefe e fez uma breve reverência —, desculpe-me, precisava descarregar minhas energias. Deseja algo?
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  — Você sabe de todos os meus desejos. — Ele colocou as mãos nos bolsos da calça. — Estava sem sono, andei pela casa e ouvi comentários que estava aqui.
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  — Ouviu comentários? — Ela voltou seu olhar para uma das câmeras instaladas ali. — Tem certeza, senhor Dominos?
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  Ele acompanhou seu olhar com um sorriso de canto discreto.
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  — Em que posso ajudar, senhor? — insistiu ao voltar seu olhar para o homem.
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   voltou a seriedade ao seu rosto e foi até o interruptor:
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  — Vamos ver… — Tocou no botão.
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  , entendendo as intenções de , pegou sua espada que estava no chão ao seu lado e se movimentou em direção ao centro da sala já levantando a lâmina. De repente a luz se apagou, deixando o lugar inteiramente no escuro, sendo contemplado somente com a pouca luz da lua que entrava pela janela basculante da parede leste.  se concentrou de imediato e sentiu um vulto passar à sua direita, ao se movimentar para sua esquerda sentiu a lâmina de sua espada corta alguma coisa.
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  — Senhor? — disse ela, ao ouvir risos vindos dos fundos do lugar.
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   lançou outro golpe no ar, desta vez a lâmina de sua espada se encontrou com outra.
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  — Se concentre — disse forçando sua espada a encostar-se ao corpo da sliter.
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  Apesar de ela ser extremamente hábil, o manejo de uma espada era uma das maiores qualidades dele.  era reservado quanto ao seu nível de força e habilidades com armas, não gostava de demonstrar em público, a menos que fosse em ocasiões especiais. Entretanto, pelo menos uma vez por mês ele reservava uma noite para testar o nível de habilidade em combate de . Isso fazia com que a dedicação dela em seus treinos solitários fosse ainda maior.
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  E naquela noite, a destemida  estava treinando com seu senhor. Eram breves minutos de muito esforço, cada investida de  com seus rápidos golpes e silenciosos movimentos eram considerados preciosos para ela. Nos instantes finais,  se desviou de um dos golpes dele e, ao tentar prendê-lo entre a lâmina de sua espada e a parede, segurou fortemente em sua mão direita e girou, encaixando as costas de  em seu tórax, com a mão esquerda prendendo a lâmina de sua espada no pescoço dela e com a direita segurando firme seu pulso.
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  — Pense… O que faria para conseguir se soltar? — disse ele, próximo ao seu ouvido, deixando sua voz aveludada e envolvente. — Me vença.
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  Em um piscar de olhos as luzes se acenderam. Era Clair que se mantinha estática próximo a porta com as mãos na alavanca de energia, olhando ambos.
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   soltou e, afastando-se, jogou a espada no chão.
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  — Continue treinando, ainda sou o único que pode te vencer. — Ele deu de costas e seguiu em direção à porta.
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  — Sim senhor — respondeu ela de forma fria como se estivesse decepcionada por terem sido interrompidos.
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  Após a saída de Dominos, Clair caminhou em direção à  e começou a ajudá-la a recolher as espadas que estavam pelo chão:
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  — Você sempre treina sozinha, nunca a vi aqui com o senhor Dominos — comentou ela com receio de ser repreendida.
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  — Ele só estava testando meu nível. —  soltou um suspiro cansado.
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  Agora sim estava sentindo o peso e as dores musculares chegarem em seu corpo.
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  — O senhor Dominos disse que ainda era o único que podia te vencer, por que ele a quer mais forte que ele? — A moça parecia curiosa em saber mais sobre a relação de que a Sliter tinha com o chefe da família.
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  — Não é questão de força, mas sim de domínio. O senhor  me considera sua consciência — respondeu com tranquilidade.
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  — Por que um homem com tanto poder precisaria de outra pessoa para ser sua consciência?
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  — Porque na maioria das vezes o poder cega as pessoas. —  finalizou colocando a última espada na caixa que ficava embaixo da janela e saiu.
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  Não era mesmo questão de força, pois  sabia de todos os pontos fracos de . Ela poderia vencê-lo a qualquer momento, mas gostava da sensação que sentia sempre que perdia para ele, não pela derrota, mas por ver a motivação do Dominos em querer perder para ela.
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Ela está me deixando louco,
Por que o meu coração está acelerado?

– Monster / EXO

5. Dominos – Pt. 2

– Algum lugar de Seattle

  Noite de sexta-feira, em seu primeiro dia como professora substituta,  se mantinha ansiosa e ao mesmo tempo temerosa. Por tanto tempo ela tinha sonhado em trabalhar com a dança que não conseguia acreditar que estava acontecendo agora. Felizmente estava mais do que esperançosa com essa oportunidade, já que sua tia lhe garantia a não interferência de sua mãe adotiva¹.
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  Sua primeira turma de alunos era composta de damas e cavalheiros da terceira idade que estavam ali para aprender bolero. Logo um estilo de dança em que não tinha se especializado na universidade, porém seus poucos conhecimentos sobre o assunto ainda poderiam lhe ajudar naquela tarefa.
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  — Boa noite, alunos, vamos começar a aula com um pouco de aquecimento, nos alongando — se pronunciou ela diante dos oito alunos. — E depois gostaria que me dissessem o nível de evolução de vocês com o professor Juan.
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  Os alunos assentiram e começaram a se alongar.  voltou seu olhar para a porta da sala e avistou a diretora da escola a observando em seu primeiro dia.
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  Próximo dali, em Seattle Sollary Hospital,  iniciava mais um plantão de sua residência. A conversa com seu pai na terça não lhe saía da cabeça, principalmente a parte em que afirmara que o rosto de tia Beth lhe era familiar.
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  Parada diante do seu armário no vestiário, ela retirou o celular do bolso e, abrindo a lista de contatos, olhou para o número de , era loucura os pensamentos que vinham em sua mente, contudo, já sabia que se futuramente tivesse que escolher um lado, mesmo com ressentimentos do passado, sua escolha não seria outra.
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  — Dominos — sussurrou ela ao apertar o botão para iniciar a chamada. Ela respirou fundo, enquanto o aparelho iniciava a ligação.
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  — Sollary — disse a voz de  ao atender. — Sabia que ligaria.
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  — Só porque me viu com meu pai? — indagou ela.
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  — Não — ele riu —, é porque eu te conheço, e seu olhar para mim hoje pela manhã te condenou.
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  — E você conhece meus olhares, Dominos? — Ela soltou uma risada rápida.
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  — Eu senti a curiosidade exalando de você.
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  — Dominos agindo como tal — observou .
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  — Mas me diga, o que deseja com essa ligação? Agora sou eu que estou curioso.
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  — Te convidar para um jantar — respondeu ela.
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  — Dra. Sollary? É mesmo você? — O rapaz riu.
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  — Sei que está em Seattle por minha causa. Aceita ou não?
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  — E o seu plantão?
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  — Nesses casos, ainda sou a filha do dono, futura herdeira — argumentou ela.
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  — Cinco minutos — disse ele.
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  — Já estarei na frente do hospital. — Ela encerrou a ligação.
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  Guardando o celular no bolso, retirou o estetoscópio do pescoço e abrindo seu armário, retirou a bolsa e o jogou dentro. Em segundos seu celular vibrou, era uma mensagem de  perguntando como estava seu retorno ao plantão de emergência. Mesmo querendo ignorar aquela mensagem, um sorriso discreto e espontâneo surgiu em seu rosto.  não dava o braço a torcer, mas no fundo as investidas dele eram como um escape divertido para sua realidade sob pressão. Ela guardou o celular dentro da bolsa e seguiu para a enfermaria onde certamente Lins estava de conversa.
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  — Não estarei no plantão hoje. —  foi direta e precisa.
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  — Como assim, acabou de chegar e já vai deixar seu posto? O que pensa que está fazendo? — Lins, com sua arrogância, a questionou, achando que seria como das outras vezes. — Só porque seu pai a visitou acha que pode começar a fazer suas próprias regras?
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  — Eu não acho, eu tenho certeza, sou a dona deste hospital, uma Sollary. —  a confrontou. — E quando eu digo que não vou trabalhar hoje, basta apenas você acatar como uma boa funcionária. Entendeu? — lançou lhe um olhar ameaçador, fazendo Lins engolir seco e se recolher ao seu lugar, diante de todos os funcionários e poucos pacientes que estavam no local. — Que bom que entendeu — finalizou  diante do silêncio da residente chefe.
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  A jovem doutora virou as costas para sair dali. Hill, sua amiga de residência, a seguiu toda empolgada pela cena que tinha presenciado.
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  — Amiga, o que aconteceu? — perguntou ela. — Você acabou de destronar a Lins.
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  — A visita do meu pai me fez lembrar quem eu sou e a qual família pertenço. — A moça apertou o botão do elevador com segurança e olhou para a amiga. — E hoje eu acordei uma Sollary, não somente a residente .
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  — Estou amando seu lado Sollary. — Os olhos de Hill brilharam.
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  — Trabalhe bem e observe tudo o que acontecer na minha ausência — pediu ela.
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  — Pode deixar, futura chefa — brincou.
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   entrou no elevador assim que a porta se abriu e seguiu para a porta de entrada do hospital. Como combinado,  já aguardava de pé, próximo ao seu carro.
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  — Aprecio muito a pontualidade dos Dominos — comentou ela ao parar diante do rapaz.
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  — Aprecio muito a beleza das mulheres Sollary — elogiou ele, dando um sorriso de canto. — Vamos?
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  — Vamos. — Ela sorriu de volta, ponderando o comentário sobre o elogio dele.
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   já tinha se acostumado com essa característica de um nobre cavalheiro que os homens da família Dominos tinha, sempre charmosos, misteriosos e sedutores. Era de se esperar que seu primeiro amor tinha vindo daquela família e que, mesmo seu coração quebrado por isso, jamais deixaria o lado negativo do passado interferir na amizade que construiu com alguns membros. 
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   abriu a porta do carro para ela e assim que deu partida, seguiram para o Latona Pub. Após se acomodarem em uma mesa discreta aos fundos,  foi direta ao assunto que a fez ligar para ele.
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  — Como sabe, meu pai me visitou recentemente e disse que era para os Sollary estarem a frente da Continuum — iniciou ela com o seu tom sério habitual. — O que você sabe sobre isso? Minha família culpa os Dominos, mas não acredito que seja culpa de vocês… Você disse que os Tenebrae não são confiáveis.
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  — Eu posso até dizer o que penso, mas… Você acreditaria? — retrucou ele.
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  — Se estou aqui é porque quero ouvir de você — assegurou Sollary.
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  — Não tenho provas ainda, mas existe uma breve desconfiança que o ataque que minha família sofreu há anos atrás foi orquestrado pelos Tenebrae. — foi direto. — E foi nessa época que aconteceu a reunião do conselho que definiria a nova família no poder que substituiria os Baker, seria a sua e teriam nosso consentimento, mas…
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  — Mas?
  — Sofremos perdas e vocês também, no final, quem se beneficiou com tudo foram os Tenebrae — completou o rapaz. — E os Dominos quase foram banidos de algo que ajudamos a criar.
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  — Me recordo vagamente disso — concordou ela. — Os Bellorum foram a seu favor.
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  — Eles sempre foram nossos aliados, assim como vocês — finalizou .
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  — E como pretendem destronar os Tenebrae? — Uma pergunta direta e precisa.
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  — Isolar para conquistar — respondeu ele. — Estratégia do , apesar de ter muitas famílias como aliados, a palavra final sempre será dos fundadores.
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  — Bellorum, Baker, Sollary, Dominos e Tenebrae — a mulher disse o nome das famílias.
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  — Isso mesmo — confirmou.
   deu um sorriso presunçoso.
  — E claro que destronando eles, os Dominos seriam os novos no poder — constatou ela o óbvio.
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  — Somos nós que estaremos na linha de frente, não acha justo?
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  — Eu nunca quis o poder mesmo, mas se sou a herdeira, terei que escolher um lado em breve — observou.
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  — Deve fazer isso agora, pois  não vai dar trégua, ele sempre termina o que começa e comprar fazendas no Texas é somente uma de muitas jogadas dele — assegurou  conhecendo bem o irmão. — Mas pense bem, porque se nos escolher, terá que redobrar o cuidado, haverá retaliações.
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  — Já existem membros da minha família que não aceitam minha existência, da minha segurança cuido eu. — O olhar de  demonstrava segurança.
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  — Você e um certo Baker — brincou ele.
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  — Não comece você também — pediu ela.
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  — Achei que não fosse mais se envolver com um Continuum. —  riu. — Mas parece que estamos sempre predestinados a gostar de alguém que pertença a essa sociedade.
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  — E está gostando de alguém? — perguntou ela curiosa.
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  — Talvez esteja interessado… Mas isso é outro assunto. — O olhar do rapaz ficou mais sereno.
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  — Não posso descobrir nenhum segredo oculto do Dominos?
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  — Esse não. — Ele suspirou fraco.
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  O encontro de ambos não fora um jantar de fato, mas aproveitaram o momento de descontração ali para compartilharem alguns acontecimentos interessantes do tempo em que não se viram.  relatou sobre sua residência após os anos de estudo em Harvard, já ele contara sobre sua interessante escolha pela gastronomia e seus planos de montar o próprio restaurante em Seattle em breve.
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  Ao final da noite, pouco depois de todos se recolherem em seus quartos,  chegou sozinho na pensão, pois  havia retornado ao hospital. Ele não se preocupou com o silêncio instalado no lugar e seguiu direto para o seu quarto.
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  Algumas horas se passaram e, na alta madrugada,  se levantou com sede e vendo sua garrafinha de água vazia, se levantou da cama para tomar água. Passando pelo corredor, ouvi um barulho quando passou em frente ao quarto de . A porta permanecia somente encostada, ela ouviu novamente outro barulho e não se conteve em abrir uma fresta para espiar o hóspede Dominos.
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  Deitado em sua cama,  parecia estar em profundo sono, porém nada tranquilo. Estaria ele tendo um pesadelo? Foi o que ela pensou ao vê-lo rolar pela cama que rangia um pouco. Daí o barulho. Em um piscar de olhos, ele acordou assustado retirando uma arma debaixo do travesseiro e apontando para frente. O homem se mostrava ofegante e atordoado.
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   paralisou por um segundo com a cena, seus olhos não conseguiam deixar de focar na arma nas mãos do hóspede. Tentando se mover para sair de lá tropeçou em um vaso de planta que havia ao lado da porta, consequentemente caindo, ela colocou as duas mãos na boca tentando não gritar pelo susto e dor de ter arranhado o calcanhar com os cacos do vaso. , ao ouvir de relance o barulho vindo de fora do quarto, se levantou da cama para ver o que era.
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  A movimentação dele do lado de dentro fez com que  se levantasse no surto de desespero e corresse para seu quarto. A jovem bailarina passou o restante da madrugada em claro, com a cena do rapaz acordando se repetindo em sua mente como se fosse um filme de suspense com psicopatas sendo reprisado várias vezes.
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  Ao início da manhã, pouco antes de sair de seu quarto,  limpou o ferimento no tornozelo, já não sabia que desculpa dar a sua tia caso reparasse que estava mancando, e isso veio logo que chegou a cozinha.
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  — , por que está mancando? — perguntou a tia olhando desconfiada para a sobrinha.
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  — Nada, só tropecei e caí — respondeu.
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  — Foi na sua aula?
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  — Não me lembro, tia.
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  — Não se lembra de onde caiu?
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  — Sim. — A jovem se manteve o mais silenciosa possível.
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  Não sabia se seria seguro contar algo a tia. Sabia que não deveria se aproximar de um Dominos por serem perigosos, mas se eram, por que motivo sua tia permitia a estadia de um em seu hostel?
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  Assim que terminou seu café, retornou para o quarto. Assim que se colocou diante da escada, seu coração acelerou novamente ao ficar frente a frente com  que descia o último degrau. Foi uma troca intensa de olhares.  tentando imaginar quem de fato era aquele homem e sua família e , que ao observá-la mancando vindo da cozinha, imaginou a causa do barulho madrugada passada.
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  Ela se preparava para dizer algo a ele, porém a presença repentina de Paul ao entrar pela porta da frente desviou-lhes a atenção um do outro.
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  — ! Você não dá aulas pela manhã? O que faz aqui? — perguntou o amigo.
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  — Paul! — Ela respirou mais aliviada. — Eu estava indo me arrumar.
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   aproveitou a deixa para seguir em direção à saída.  se despediu do amigo e continuou seu percurso em direção ao seu quarto, onde trocou de roupa e pegou a mochila. Sábado pela manhã era a vez da sua turma de pequenos prodígios de bailarinas clássicas. As alunas mais fofas que  poderia ter.
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– Dominos House, Chicago

  Novamente na sala de treinamentos,  seguia sua rotina pela manhã de sábado, aproveitando o momento após o café para gastar suas energias com seus golpes em um dos sacos de areia. Ela sabia que abaixar a guarda não significava somente decepcionar , mas também significava quebrar uma promessa feita a ele. E cada vez que estava ali sozinha, seu foco nos treinos dividia espaço com os pensamentos do passado, da época em que treinava na academia da anciã dos Sliter, Donna Fletcher.
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  — Calma, assim vai acabar colocando este lugar abaixo — implicou Dosan ao entrar na sala de treinos, atrapalhando a mulher em sua concentração.
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  — O que você quer? — Ela parou de socar o saco de areia e o olhou de forma séria.
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  A pergunta partiu dela, mas o que  queria mesmo fazer era socar a cara daquele homem por tê-la interrompido.
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  — Nada, eu vi uma movimentação e…
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  — Já pode ir embora — disse ela num tom seco o interrompendo.
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  — Você é durona, adoro mulheres duronas — falou, e depois, num tom malicioso: — Dão um ar de quentes.
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  Não dando atenção ao que o homem dissera,  voltou ao seu treino. Pegando uma espada começou a lançar golpes no ar. Dosan não desistiu, pegou outra espada e cruzou lâminas com ela:
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  — Se você ganhar, eu vou embora, se eu ganhar, você sai comigo — propôs ele.
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  — Se eu ganhar, eu te mato, se você ganhar, eu me mato. Que tal assim? — retrucou ela.
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  — Está com medo? A destemida  Miller tem medo de perder para mim? — provocou num tom presunçoso.
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  — Foi você quem pediu. —  partiu com tudo para cima do homem.
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  Sua posição sempre de ataque, nunca de defesa, a postura perfeita e muita agilidade a ajudaram a desarmar Dosan rapidamente e jogando sua espada longe, ela decidiu brincar um pouco e lutar mano a mano. Demorou um pouco, pois Dosan era bem forte e astuto, mas quando ela terminou, ele estava estirado no chão com um corte no lábio inferior sangrando, causado pelo anel que ela mantinha em seu dedo para estas ocasiões:
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  — Agora deveria ser a hora em que eu te mato — disse ela com sarcasmo —, mas o senhor  não está aqui para me autorizar.
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  Ela respirou fundo retomando o fôlego e colocando as espadas de volta no lugar, saiu em direção ao seu quarto, deixando o homem ainda caído no chão. O que eles não sabiam é que  os estava observando através das câmeras com áudio instaladas na sala de treino. O sorriso discreto em seu rosto só demonstrava o quanto ele a admirava e intensamente a desejava para si.
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  Logo o celular de  tocou, atraindo sua atenção. Ao atender, se surpreendeu ao ouvir uma voz há muito silenciosa em sua vida.
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  — Dominos — disse  do outro lado da linha.
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  — Esperava por essa ligação. — Sua voz suave mantinha a segurança e firmeza que o caracterizava.
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  — Podemos conversar formalmente? — perguntou ela sendo direta.
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  — Está disposta a vir até Chicago? Ou eu vou até Seattle? — indagou ele.
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  — Prefiro um lugar neutro — respondeu .
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  — Restaurante Mon’Blanc em Los Angeles — sugeriu o rapaz.
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  — Quarta, às sete da noite. — Assentiu ela definindo o horário.
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  — Estarei lá a sua espera — confirmou ele.
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  Antes que  pudesse continuar,  encerrou a ligação com precisão, deixando-o ainda mais curioso. Será que seu irmão caçula tinha cumprido a missão de conseguir a aliança da dra. Sollary? O sorriso de satisfação não se conteve em aparecer rapidamente em seu rosto. Ele pegou novamente seu celular e mandou uma mensagem à sua sliter. Não demorou muito até que ela saiu de seu banho revigorante e visualizasse a mensagem.  seguiu diretamente para o escritório.
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  — Perdoe-me a demora — disse ela ao entrar.
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  — Já disse que não deve se preocupar com isso. — voltou seu olhar para a tela do computador. — Eu sabia que estava treinando.
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  — Deseja algo, senhor? — perguntou ela.
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  — Confirme a reserva no Mon’Blanc para quarta à noite — ordenou ele.
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  — A senhorita Sollary fez contato? — A destemida segurança já presumia o motivo.
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  — Sim — confirmou.
  — Farei isso, senhor. Algo mais?
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  — Se apronte, temos uma reunião com a diretoria da Dominos Company — completou ele. — Por mais que eu queira a Continuum, não posso me descuidar do meu próprio patrimônio.
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  — Sim, senhor.
   analisou as expressões de sua assistente, vendo uma faísca de curiosidade.
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  — Diga o que pensa — incentivou ele.
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  — Com este encontro com a Sollary,  retornará para casa? — indagou a mulher.
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  — Não sei, os sonhos do meu irmão não são tão compatíveis com o meu, menos ainda se interessa pela empresa da família. — bufou um pouco. — Seria mais fácil com  ao meu lado.
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  — Compreendo, senhor.
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  — Entretanto, eu tenho você, já é o bastante para mim. — Ele sorriu de canto com malícia.
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  A jovem se manteve séria externamente, mas confiante por dentro. Logo se retirou para cumprir os pedidos de seu chefe.
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– Algum lugar de Seattle

  Ao final da aula com suas alunas de ballet clássico,  se despediu delas e dispensou a turma, então, voltando para sua mesa nos fundos da sala, ficou mexendo em sua agenda para verificar a adição de mais duas aulas. Uma na quarta e outra na quinta. Um tempo depois, ao conferir se tinha colocado tudo dentro da mochila, ela sentiu a presença de alguém. Olhou para a porta.
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  —  — disse surpresa ao ver o hóspede Dominos.
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  Encostado no marco da porta de braços cruzados a olhando serenamente, parecia estar ali há um tempo e, de certa forma, estava mesmo.
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  — Boa noite — disse ele mantendo o tom baixo.
  — Boa noite — cumprimentou ela. — Deseja algo?
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  — Você. — Direto e objetivo.
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  — Como? — Ela sentiu um frio na barriga por suas palavras.
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  — Digo, quero conversar com você. — Foi mais explicativo para que ela não interpretasse errado.
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  — Claro. Algo em especial?
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  — Como está seu tornozelo? — Mais uma vez direto, ele adentrou o lugar.
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  — Por que a pergunta?
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  — Não é óbvio? — retrucou, desviando seu olhar para o tornozelo dela. — Me pergunto como conseguiu dar aulas.
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  — Não é da sua conta. — Ela se afastou um pouco.
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  — Está com medo de mim? Pelo que viu? — manteve o olhar fixo na bailarina.
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  — Já ouvi muitas coisas a respeito da sua família, não são boas pessoas — respondeu ela.
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  — Então é isso que dizem a nosso respeito? — O rapaz deu mais alguns passos para perto de . — Eu tenho por mim que para saber sobre uma pessoa, deveria perguntar diretamente a ela, e não construir dados baseados em opiniões de terceiros.
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  — E o que me garante que dirá apenas a verdade? A palavra de alguém da Continuum não vale para mim — assegurou a moça.
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  — Bem, então caberá a você escolher se acredita ou não em mim. — O jovem Dominos manteve a suavidade na voz.
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  — Surpreenda-me com sua versão dos fatos. — A garota cruzou os braços mantendo seu olhar relativamente firme para ele, porém, por dentro temendo que algo ruim pudesse acontecer a ela.
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  — Por onde quer que eu comece? — perguntou ele.
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  — Por que mantém uma arma debaixo do travesseiro? — Precisa em sua indagação.
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  — Se sabe sobre minha família, também deve saber que anos atrás sofremos um ataque — iniciou ele. — Mais da metade da minha família morreu, depois disso, aumentamos nosso nível de precaução.
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  — Minha tia sabe sobre a arma?
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  — Não, ninguém sabe, só você agora — respondeu.
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  — Eu lamento por sua família. — A voz de ficou mais baixa que o normal. — Não sabia sobre isso.
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  — Se quiser pode confirmar com sua tia, tenho certeza que ela sabe sobre — garantiu. — Viu, como não é bom saber por terceiros? As pessoas contam o que querem contar.
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  — Você também pode resolver me contar apenas o que lhe convier — retrucou a bailarina.
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  — Sim, posso, mas lhe garanto que sempre será a verdade dos fatos. — Seu olhar sincero atingiu ela, fazendo-a repensar um pouco.
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  — Por que foram atacados?
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  — Não posso dizer.
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  — Pelo menos é sincero — comentou a moça, dando um sorriso envergonhado.
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  Ele sorriu de volta.
  — Quer perguntar mais alguma coisa? — estava ansioso para saber o que ela pensava agora sobre ele.
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  — Não sei o que perguntar. — riu envergonhada. — Minha mente está uma confusão agora.
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  — Então podemos recomeçar comigo me apresentando novamente e te convidando para um café. O que acha?
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  — Interessante. — Ela abriu um largo sorriso.
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  — Prazer, meu nome é  Dominos, você aceita tomar um café comigo? — perguntou ele estendendo a mão direita.
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  — Prazer, sou Fletcher e aceito se for um cappuccino de chocolate — brincou ela ao segurar a mão estendida.
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  — Perfeito.
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   não se conteve em sorrir de forma doce para a moça. Ambos deixaram o prédio da escola juntos e seguiram no carro dele até o Au Lait Coffee.  tentava não transparecer sua curiosidade espontânea sobre o rapaz, e  mantinha a tranquilidade no olhar apenas admirando a simplicidade e doçura da moça. Seria o início de uma possível amizade?
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  Talvez ambos desejassem subjetivamente por isso.
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  Uma desconhecida Fletcher e um marcado Dominos.
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Olá, olá
Eu trouxe a coragem
Olá, olá
Eu quero falar com você por um instante
Olá, olá
Eu posso estar um pouco apressado
Quem sabe? Nós podemos…

– Hello / SHINee

6. Pesquisa de Campo

– Algum lugar de Seattle

  Segunda pela manhã, acordou pontualmente e sem demoras seguiu para a livraria. Fox, o dono, era extremamente criterioso com relação a pontualidade de seus funcionários. Ela deixou a bolsa em seu armário no vestiário dos funcionários e guardou o celular no bolso da calça. Assim que iniciou seu expediente, não demorou muito até que alguns turistas da cidade adentraram o lugar. Como Princia já atendia uma cliente perto da sessão de autobiografia, se locomoveu até os turista e se apresentou.
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  — Boa dia, posso ajudá-los? — disse ela abrindo um sorriso simples porém natural.
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  — Fomos indicados a esta livraria, nos disseram que tinham uma sessão especial sobre as famílias de uma tal sociedade chamada Continuum. — disse uma garota que aparentava ter sua idade.
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  — Sim, temos alguns exemplares de edição limitada, porém somente o dono da livraria pode autorizar a venda. — explicou ela. — Mediante a apresentação dos documentos de sua família.
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  — Uau, foi como a mamãe disse, não é qualquer um que pode saber sobre eles. — respondeu a outra menina que usava óculos.
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  — Posso perguntar o porquê estão interessados nas famílias da Continuum? — perguntou curiosa.
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  Aquela situação era a primeira que lhe acontecia em dois anos trabalhando na livraria.
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  — Bem… — o rapaz de olhos azuis olhou para os lados, olhando se ninguém os observava. — Nossa família fez o pedido para ser aliar a eles, estamos curiosos para saber quem são.
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   não os culpava, pois também possuía uma enorme curiosidade. A jovem lhes entregou o cartão de visitas do senhor Fox e agradeceu pela visita. As horas foram passando, após o almoço permaneceu sozinha na livraria, pois Princia tinha uma consulta ao dentista naquele dia, aproveitando que o dia nublado mantinha o fluxo nas ruas parado e sem possíveis clientes. Para passar mais rápido o tempo, ela senta na banqueta atrás do balcão de atendimento e pega seu livro do momento, A Seleção, para continuar a leitura iniciada no domingo à noite.
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  — Vamos ver quais surpresas você me reserva, Maxon. — sussurrou ela ao abrir o livro.
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  Sua leitura permaneceu silenciosa e atenta. Foi um piscar de olhos que ela olhou pra frente e lá estava ele, :
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  — Você? — disse ela sussurrando novamente. — Como… Como entrou aqui?
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  — Pela porta. — ele riu dela, não entendia a pergunta.
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  — Eu não ouvi o barulho da porta. — explicou ela.
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  — Ah. — ele finalmente entendeu a indagação dela. — Bem, acho que estava bastante concentrada em sua leitura.
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  — Veio comprar algum livro em especial?
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  — Talvez. — ele sorriu de canto mantendo seu olhar fixo nela, analisando suas expressões.
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  — Tem algum em especial que deseja?
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  — Quais livros de gastronomia me indicaria?
  — Gastronomia? — por essa ela não esperava.
  — Por que a surpresa?
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  — Não…. — ela quase gaguejou. — Não é nada, venha, vou lhe mostrar alguns que possa te interessar.
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  Ele a seguiu pelas gôndolas de livros, até que chegaram na sessão desejada. , como uma vendedora experiente, mostrou os melhores títulos que pudessem interessar ele. Forçando-se agir da forma mais profissional possível, mesmo com o olhar intenso de para ela.
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  — E é isso, agradeço pela preferência, senhor, espero que possa aproveitar bem seus livros novos. — disse ela assim que lhe devolveu seu cartão de crédito.
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  — Eu que agradeço por ter sido atendido por você. — ele sorriu de canto.
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   voltou seu olhar para a tela do computador, e digitou algumas coisas.
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  — Para! — ela disse ficando com vergonha, ou olhá-lo novamente.
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  — O que eu fiz?
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  — Você fica aí me olhando, estou ficando nervosa. — explicou ela.
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  — Se quiser, eu posso fazer outra coisa além de olhar. — ele sorri de forma maliciosa.
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  — O quê? — se encolheu sentindo o coração acelerar.
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   tinha mesmo um ar de sedução que a deixava desnorteada.
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  — Me referia a ler o livro. — ele segurou o riso.
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   sabia que sua forma subjetiva e enigmática que tratá-la, poderia deixar envolvida por ele. E se divertia muito com a ideia de criar uma inicial amizade com alguém tão distante do seu mundo cheio de intrigas e vinganças que a Continuum trazia. Estar perto de o fazia se sentir uma pessoa comum, e isso o deixava ainda mais fascinado por ela. O clima estava formado, e tomou impulso para iniciar sua investida, entretanto, a entrada de na livraria foi como um balde de gelo nos planos do Dominos.
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  — . — disse virando seu olhar para , mantendo a face séria.
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  Ele não gostava da presença de um Dominos em Seattle, menos ainda que ele se aproximasse das pessoas que gostava.
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  — . — sorriu para o amigo. — Infelizmente seu livro encomendado ainda não chegou.
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  — Vocês recebem encomendas de livros? — voltou seu olhar para .
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  — Sim, recebemos, mas dependendo do título, demora um pouco, os especiais que possuem edições limitadas só mediante pedido direto ao senhor Fox, o dono da livraria. — respondeu prontamente.
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  — Estou curioso para saber quais títulos especiais que precisam disso tudo. — comentou .
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  — Títulos publicados pela Continuum. — respondeu ao se aproximar deles, num tom firme. — Que pena, estava tão curioso para ler sobre Os segredos da família Dominos. — continuou revelando o título do livro que encomendara.
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   segurou o riso, mas manteve um sorriso de deboche, sabendo que aquilo era uma provocação. observou ambos, sem entender o motivo da aspereza na voz do amigo.
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  — Se quer saber sobre minha família, posso lhe contar. — virou o olhar para ele, demonstrando segurança. — Não temos nada a esconder.
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  — Tem certeza? — confrontou ele.
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  — Agradeço pelos livros, . — sorri de leve para a garota e se retirou.
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  Lá no fundo ele sabia que não podia arrumar confusão com Baker. Não por si mesmo, mas para proteger as ações de seu irmão. No mais, o Dominos sabia que para o Baker agir daquela forma, só tinha uma razão: Sollary.
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  — O que aquele cara veio fazer aqui? — perguntou a amiga.
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  — O mesmo que você, comprar livros. — respondeu de forma inocente, mas intrigada por dentro.
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  — Hum… Tem certeza que minha reserva não chegou?
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  — Tenho, Baker apressado. — ela riu da careta que ele fez. — E você? Como está indo no estúdio de fotografia?
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  — Melhor do que imaginava. — ele sorriu e piscou para a amiga. — Sinto que encontrei minha vocação.
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  — Tirando fotos ao vento. — brincou ela.
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  — Ei, pare de ser estraga prazeres, bons fotógrafos ganham bem, sabia? E não me importo em ser rico, tenho o suficiente para me manter já está bom.
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  — Fala o herdeiro de uma família Continuum. — cruzou os braços. — Sério? Esse discurso não cola comigo, e certamente não vai colar com a .
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  — , só de pensar nela já tenho dores de cabeça. — comentou ele.
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  — Até ontem você era apaixonado por ela. — retrucou não entendendo as palavras do amigo.
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  — Ainda sou, mas não vou me arrastar atrás dela, vou viver a minha vida agora. — explicou.
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  — Mudança de estratégia?
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  — Qual é a coisa que uma mulher mais odeia nesse mundo? — perguntou ele.
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  — Não sei, homem irresponsável? — brincou ela rindo dele.
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  — Ser ignorada. — afirmou ele.
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  — Hum… Sollary não gosta de ser ignorada?
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  — Descobri o ponto fraco dela. — ele sorriu de canto. — E vou trabalhar isso a meu favor.
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  — Que maldoso. — riu. — Mas espero que dê certo, e se não der… Tenho vários telefones de alunas da Escola de Artes que me pediram para te entregar.
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   deu uma piscada de leve para ela e se despediu saindo da livraria. Seguindo mais adiante, ele viu perto de um carro. Baker poderia deixar passar, mas a genética de sua família era afrontosa.
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  — Dominos. — gritou seguindo até .
  — Baker. — deixou sua cara de deboche transparecer. — Resolveu aprender sobre minha família direto da fonte?
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  — Serei direto com você. — não deu importância a provocação alheia. — O que você quer com a ?
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  — Está com ciúmes? — cruzou os braços e escorou o corpo no carro. — Que interessante.
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  — Não, não estou com ciúmes. Eu a conheço a e sei que ela consegue se defender muito bem, principalmente da sua família, sei que não pode machucá-la. — respondeu confiante no que dizia. — Mas é como uma irmã mais nova para mim, então se você fizer algum mal a ela, se prepare, não me importo que seja um Dominos, eu sou um Baker e não tenho medo de entrar numa briga.
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  — Bom saber, Baker, porque nós Dominos sempre iniciamos uma briga com a certeza da vitória.
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  — Não é o que a história diz. — retrucou com seriedade.
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  — Então é por isso que quer aquele livro? — manteve seu olhar desafiador.
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  — Está avisado. — finalizou e se virou para sair de lá.
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  Desde o início Baker e Dominos tinham suas rivalidades subjetivas, contudo, mantinham a cordialidade que sustentava a Continuum como uma sociedade próspera a todas as famílias fundadoras. Porém, não ligava para isso, e nem se importava em confrontar para proteger a amiga de alguém que considerava perigoso.
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  – Dominos House, Chicago

  Tarde de terça-feira, aguardava sua prima Bella para uma conversa informal em seu escritório. Sentado em sua cadeira, com os braços apoiados na mesa de trabalho e ela de pé em sua frente, sob a presença de , que observava tudo que acontecia:
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  — Me chamou, imperador? — brincou Bella ao entrar de forma sinuosa e lenta, seu caminhar se igualava a de modelos de manequim.
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  — Sim. — a olhou sem dar muita importância para a brincadeira e tomou o último gole do vinho que o servira. — Tenho uma missão para você.
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  — Missão? — Bella sentou se sofá o olhando, tentando imaginar o que poderia ser. — A quem devo seduzir desta vez? — brincou novamente.
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  — Ninguém. — ele sorriu de forma enigmática. — Acho que se lembra da noite em que fomos atacados.
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  — E quem se esqueceria daquele terror, pelo menos nos beneficiou de algum modo, não é? — disse olhando sua volta. — Nossa família nunca foi tão lucrativa em outras gestões.
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  — Seus comentários são sempre plausíveis.
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  — Mas o que tem a ver minha missão com o ataque que sofremos?
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  — Pesquisa de campo — se levantou da cadeira e andou até a janela —, todos temos inimigos e nossos inimigos também devem ter outros além de nós.
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  — Planeja algo para o futuro? — ela cruzou as pernas o olhando maliciosamente. — Uma visita, talvez.
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   a olhou respondendo com um sorriso espontâneo e se levantando, pegou um pacote cor de mostarda e esticou para ela:
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  — O que é? — perguntou Bella se levantando e pegando o pacote.
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  — Tudo que precisa para sua pesquisa de campo. — respondeu ele. — Seu contato é Benjamin Bellorum, ele vai te ajudar em sua viagem.
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  — Benjamin Bellorum. — sussurrou ela.
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  — Não me decepcione, Bella. — reforçou ele a importância de sua missão. — Você parte em dois dias e seja discreta quanto ao meu pedido.
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  — Não se preocupe, imperador. — ela deu uma risada rápida. — O que eu não faço por você, priminho.
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  Bella saiu do escritório, seguindo diretamente para seu quarto. Precisava se preparar para sua viagem e traçar suas rotas iniciais. Apesar de muito curiosa para conhecer o tal Benjamin Bellorum, se sentia ainda mais intrigada em pesquisar mais sobre os Tenebrae. A família que seu primo tanto queria destruir. A mulher colocou o pacote que recebera do primo dentro da Louis Vuitton que tanto usava. Ao sentar na cama, respirou fundo pensando no que faria primeiro. Foi neste momento que Mary, a bondosa esposa de seu irmão Nigel, entrou em seu quarto em busca de um conselho.
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  — Bella, que malas são essas? — comentou Mary assim que viu duas malas nos pés da cama da amiga. — Vai viajar?
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  — Pesquisa de campo, não tenho um destino certo. E para falar a verdade, estou com um pressentimento de que vou me divertir muito. — Bella sorriu e se levantou parando em frente. — Você não pode nem sonhar em dizer para alguém, mas foi a pedido de .
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  — Tinha que ser. — Mary suspirou fraco. — Você vai quando?
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  — Em dois dias, e desta vez terei até um acompanhante. — Bella piscou de leve com certa malícia no rosto.
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  — Tenha muito cuidado nessa viagem, não posso ficar sem minha melhor amiga. — Mary fez cara de choro.
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  — Sua boba. — Bella colocou a mão na barriga de Mary. — E quando vai fazer o exame?
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  — Era sobre isso que queria conversar. — Mary lançou um olhar cansado e se sentou na cama ao seu lado. — Já fizemos tantas tentativas que falharam, estou com medo de ficar frustrada novamente.
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  — Mary, não perca a esperança. — Bella a olhou sério. — Faça o teste, depois vou querer saber do resultado.
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  — Tudo bem. — Mary sorriu de forma delicada.
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  — E já adianto que serei a madrinha.
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  Ambas riram e Mary ajudou Bella a separar roupas e ajeitar tudo escolhido nas duas malas.
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   continuou em seu escritório, moveu-se até a janela se colocando ao lado de sua sliter leal. Mantendo o olhar do lado de fora, porém atento a ela:
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  — Inimigo do meu inimigo é meu amigo. — sussurrou ela de forma coerente sobre a próxima jogada dele.
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  — Bispo na E4. — comentou ele dando um sorriso presunçoso, como se toda a sua estratégia se referisse a um jogo de xadrez.
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  Se Bella era o bispo, a torre e o rei, nos sentimentos mais profundos dele, era sua rainha, a peça mais importante daquele jogo.
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  — Senhor. — se pronunciou.
  — Diga. — a olhou como se estivesse despertando de um pensamento profundo. — Alguma preocupação?
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  — Agora que resolveu a missão da senhorita Bella, o que faremos com os carregamentos roubados no México? Nosso cliente enviou um e-mail se dizendo decepcionado com a confiabilidade de nossa subsidiária de transportes.
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  — Mais essa dor de cabeça. — fechou seus punhos respirando fundo.
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  A cada dia um novo problema. A cada passo que dava para destronar os Tenebrae, mais um problema de boicote e retaliação surgia contra sua família.
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  — Posso resolver este assunto, senhor. — disse de forma firme demonstrando segurança.
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  — Você ficará aqui, ao meu lado. — ele voltou seu rosto para ela, que o olhava atentamente. — Não posso deixá-la longe de mim, não agora.
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  — Sei que sou sua consciência, mas Dominos não precisa de mim para se sentir seguro, é o único que pode me vencer, lembra? — ela argumentou.
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  — Não digo por minha segurança. — seu olhar deixou escapar uma ponta de carinho.
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  Toda vez que colocava-se bem próximo de sua segurança, seu corpo ficava em estado de alerta. O que mais desejava era conseguir uma rendição por parte dela.
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  – Algum lugar de Seattle

  Quarta à noite na Escola de Artes, se despedia de sua turma de debutantes que na qual ensinava-lhes valsa. Assim que todas saíram, a jovem bailarina conferiu as horas no celular. Está cedo para voltar para o hostel! Pensou consigo. Voltando seu olhar para o violão que uma das alunas esqueceu, retirou o objeto da capa e sentando no não, começou a dedilhar um pouco.
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  — Você toca bem. — comentou ao aparecer da porta. — Onde aprendeu?
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  — . — parou de dedilhar e o olhou. — Você por aqui.
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  — Pois é, fiquei curioso para saber como são suas aulas noturnas. — respondeu ele entrando e se aproximando dela. — Não me respondeu.
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  — O quê?
  — Onde aprendeu a tocar violão?
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  — Com um amigo de infância, eu o ensinava a dançar e ele me ensinava a tocar. — respondeu ela.
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  — Parece mais filme de romance adolescente, não acha? — comentou ele segurando o riso indo se sentar ao seu lado no chão.
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  — Você me pegou, é a sinopse de um filme. — brincou ela, fazendo-o rir. — Eu sempre gostei de música, porém a dança me atrai mais. Mas não me impediu de aprender a tocar algo. Por quê?
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  — Nada, foi bonito vê-la tocar.
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  — Está aqui a quanto tempo me observando?
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  — Tempo suficiente. — ele voltou a fazer o olhar intenso que deixava desnorteada.
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  — Você sabe dançar? — perguntou ela desviando o olhar dele e colocando o violão no chão encostado na parede.
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  — Eu? Dançar? — ele ri baixo.
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  — Sim, dançar. — ela se levantou e estendeu a mão para ele. — Então?
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  — Não tenho as suas habilidades. — ele segurou em sua mão e se levantou.
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  — Eu te guio. — disse ela com firmeza.
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  — Mas sem música? — questionou ele.
  — Não seja por isso. — ela pega o celular e conecta o fone de ouvido, colocando um plug na orelha e dando outro para ele.
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  Após escolher a música e dar o play, colocou uma das mãos dele em sua cintura e segurando na outra começou a dançar suavemente com ele. Após alguns movimentos ele tropeçou em sua própria perna, fazendo ambos cair. E ali estava ela em cima dele e seus olhos encontrados. não se conteve em aproveitar o clima criado propositalmente e erguendo seu corpo, a beijou com suavidade e doçura. retribuiu o beijo de imediato, sentindo as mãos dele envolver sua cintura, a jovem deixou sua mente livre de pensamentos negativos sobre ele ser de uma família da Continuum. Ela apenas desejava se aproximar e conhecer mais .
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  — Acho melhor levantarmos. — sussurrou ela após o beijo.
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  — Tem certeza? — perguntou ele com um tom de malícia.
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  — Sim. — ela deu uma risada e se levantou. — Devo imaginar que sua queda foi proposital? Senhor Dominos?
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  — Isso é ruim? Senhorita Fletcher?
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  A resposta de veio com um sorriso espontâneo, que foi preenchido por outro beijo ainda mais intenso de .
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  – Bogotá, Colômbia
  Naquela mesma noite…

  No Centro de Treinamento Sliter intitulado Dragonis’, ao sul da capital Colombiana, em um dos numerosos quartos instalados no subsolo, sentado em sua cama estava Bellorum, o caçula da família de sorriso nebuloso que parece estar sempre escondendo algo. Sua atenção estava no jornal CNews, lendo uma matéria sobre a aquisição das fazendas no Texas pela família Dominos.
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  O homem fitou o olhar na foto de e . Já havia alguns anos que não os via pessoalmente. Sua família, por ser aliada, mantinha contato frequente com eles. Seu pai foi um grande amigo do pai de . O que levava ele e seu irmão Vincent a ser próximo dos irmãos Dominos. Sua leitura permanecia silenciosa quando bateram na porta:
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  — Entre. — consentiu ele.
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  A pessoa do outro lado girou a maçaneta calmamente e abriu a porta, mantendo somente uma fresta:
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  — O chefe mandou arrumar as coisas. — disse uma voz feminina. — Seus sonhos se tornaram reais, você foi transferido para Seattle.
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  Um sorriso emblemático apareceu no rosto do rapaz. Só havia uma pessoa em Seattle que o interessava: Fletcher.
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A minha mãe me diz todos os dias
Para ter cuidado com os homens
Porque o amor é como brincar com fogo
Minha mãe pode estar certa
Porque quando vejo você, meu coração fica quente
Porque ao invés de medo, minha atração fica maior?

– Playing With Fire / Blackpink

7. Encontros

– Hostel Fletcher

  Ainda na quarta-feira, após o almoço…

  Quem pertencia a Continuum, sabia que nada era coincidência e o que as famílias mais gostavam de promover eram encontros casuais. E neste instante, se preparava para um. Para ganhar tempo, seguiria para Los Angeles no jatinho particular da família, disponibilizado pelo hospital. Levaria apenas quarenta minutos para chegar ao seu destino. Após alguns dias sem vê-lo, a jovem médica residente se surpreendeu ao esbarrar em na porta da frente do Hostel.
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  — Baker? — disse ela contendo a surpresa em vê-lo. — Ainda vive?
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  Ele disfarçou um sorriso de canto, sabia que não seria fácil ela dar o braço a torcer.
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  — Não entendi a ironia. — disse ele se fazendo o inocente.
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  — Não é ironia. — segurou o riso. — Só surpresa por não te ver por alguns dias.
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  — Sentiu minha falta? — perguntou ele com um olhar esperançoso.
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  — Não, pelo contrário, senti alívio. — respondeu ela com serenidade.
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  — Ai. — ele colocou a mão na altura do coração. — Por que você gosta de me machucar assim?
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  — O masoquista aqui é você. — ela soltou uma gargalhada maldosa. — Bem, já estava de saída.
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  — E para onde vai? — ele olhou para a mala de mão dela, um tanto curioso. — Vai viajar?
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  — E eu lhe devo explicações? — ela cruzou os braços deixando a alça da mala encaixada em sua mão direita.
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  — Não que me deva explicações, mas…
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  — Mas?
  — Queria lhe fazer um convite, mas já que está sem tempo… — ele deu de costas para seguir para a escada.
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  — Eu ainda estou aqui.
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  O vislumbre de um sorriso apontou no rosto de , contudo se manteve sério e virou-se para ela.
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  — Fui convidado para um baile de máscaras, aniversário das Indústrias Baker, como herdeiro, minha presença é fundamental, mas não pretendo ir sozinho. — explicou ele subjetivamente.
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  — E está me convidando para ir com você? — concluiu ela facilmente.
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  — Bem, meus laboratórios e seus hospitais possuem uma parceria sólida de anos, seria muito bom a herdeira Sollary comparecer ao baile. — seu argumento era bastante válido.
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  O que a levou a considerar a ideia.
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  — Deixe o convite em meu quarto, talvez seja mesmo uma boa ideia a presença da herdeira Sollary. — disse ela ponderadamente.
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  Aquela era sua sutil forma de aceitar o convite, não de forma clara e precisa, como ele esperava. Mas para um bom entendedor, meia palavra basta. Poderia ser algo pequeno, mas percebeu o vacilo de ao querer saber sobre o convite. Se seria assim que ele a conquistaria, não teria problemas. E no final, o baile de máscaras que Annia promovia lhe seria bem útil.
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  — Quando retornar, saberá mais, e com relação ao convite, este ficará comigo. — ele sorriu de canto para ela e se virou novamente seguindo para a escada.
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   por um breve instante se viu sem reação e totalmente confusa pela forma desinteressada que a tratou. Havia algo errado com ele e ela queria muito saber. Entretanto, seu tempo estava contado e precisava seguir para o aeroporto particular da cidade. A jovem médica seguiu de Uber até lá, e como programado, em quarenta minutos o jatinho da sua família aterrissou em Los Angeles.
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   se hospedou temporariamente no Village Hotel, no qual era gerenciado pelo herdeiro Lance. A mulher o conhecia de vista, nas muitas festas promovidas pela Continuum. Se lembrava da entrada da família Village, uma recomendação feita por parte dos Dominos, pois eram seus aliados e grandes amigos. Logo na recepção do hotel, foi recebida por Lance. O cavalheiro fez questão de acompanhá-la até seu quarto pessoalmente e lhe reservar um carro para levá-la ao restaurante na hora desejada.
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  Assim que o homem se ausentou e ela se viu sozinha, retirou o celular do bolso e olhou para a mensagem que vosso pai lhe enviara. Gregori Sollary havia sido informado sobre a viagem da filha, e preocupado com as intenções por trás disso, tratou-se de averiguar a situação.
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  — Pai? — disse ela assim que ele atendeu a sua ligação.
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  — Querida, o que faz em Los Angeles? — ele foi direto.
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  — Não é uma viagem de férias, se quer saber. — ela deixou escapar um tom irônico.
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  — Acaso está pensando em se aliar aos Dominos? — perguntou ele demonstrando já desaprovação. — Sabe o que esta família nos fez.
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  — Eu não sei de nada, pai, e é por isso que estou aqui, se o senhor confia cegamente nos Tenebrae, fique à vontade, mas se ainda me quer como sua herdeira, não ouse a impor suas vontades a mim, eu escolho a quem serei aliada e não o senhor.
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  Ela foi mais do que direta e assertiva em suas palavras. Não dando espaço para mais questionamentos do pai, desligou o celular e o jogou dentro da bolsa. deu alguns passos até a sacada do quarto, voltou seu olhar para o céu que apresentava as nuances do pôr do sol. Seu lado sistemático a levou a chegar horas antes do combinado, o que geraria um tempo de espera.
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  Assim que no relógio marcou quinze minutos para sete, pegou sua bolsa e desceu para o hall do hotel. Seu carro já a aguardava e sem mais delongas, seguiu para o restaurante Mon’ Blanc. Ao chegar, a recepcionista a guiou até a mesa reservada por , que a aguardava serenamente. A médica observou discretamente ao seu redor, reconhecendo entre as pessoas sentadas nas banquetas do bar. Claro que a Sliter não deixaria o seu chefe seguir viagem sozinho, ainda mais com rumores de retaliação por parte de seus inimigos.
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  — . — disse ela ao se colocar diante da mesa.
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  — Boa noite, Sollary. — a voz aveludada dele soou com leveza.
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  O olhar dele se manteve o mesmo, porém um sorriso de canto malicioso surgiu em seu rosto. Logo, como um cavalheiro, ele se levantou e puxou a cadeira para que ela se sentasse. agradeceu com o olhar e se sentou. Era difícil não se lembrar dos tempos em que convivia com a família Dominos e passava as férias de verão na fazenda que eles possuíam próximo a cidade de Cliron.
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  — Estou aqui, e agora? — iniciou ela.
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  — Vamos jantar como amigos. — sugeriu ele. — O que tenho para lhe contar, não deve ser dito aqui.
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  — Então marcou no Mon’ Blanc como um pretexto? — observou ela.
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  — Tenho contatos no hotel Village, me parece que seu pai sabe sobre sua viagem até Los Angeles. — ele voltou seu olhar para o garçom e fez o sinal para servi-los.
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  — Sim, avisaram meu pai. — afirmou ela. — Já fez o pedido sem mim? Não é de um cavalheiro fazer isso.
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  — Quando o cavalheiro conhece todos os gostos da bela dama a vossa frente. — o olhar intenso de era o mesmo de que se lembrava bem.
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  Ela assentiu com o olhar seu argumento. Sabia que em uma discussão contra ele, era complicado de se encontrar argumentos melhores, mas de fato o Dominos estava completamente certo. Cresceram juntos e ainda tinha Genevieve como sua melhor amiga de sempre, o que ajudava ainda mais.
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  — Vamos ao jantar então. — consentiu ela observando a aproximação do garçom.
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  Salada de broto de feijão, legumes e batatas gratinadas de entrada, risoto de queijo acompanhado de filé de frango à parmegiana de prato principal e torta holandesa de sobremesa. Exatamente o cardápio em memória dos tempos passados, no qual quem preparava era Sophie, a tia compreensível dele. Após o jantar, a convidou para caminhar pela praia de Malibu, assim poderia ter a conversa sob a companhia da lua. assentiu. Ele pagou a conta e seguiram de carro até o próximo destino. se manteve como motorista e na praia os seguiu a uma certa distância.
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  — Estamos aqui, . — parou após um tempo ambos caminhando em silêncio. — Podemos ser diretos e precisos agora?
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  — Claro, só planejava lhe dar o prazer de reviver os velhos tempos. — explicou ele.
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  — Não creio que seja uma boa ideia, há momentos do passado que não foram positivos. — destacou ela.
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  — Ainda tem mágoas de mim? — ele deu um passo para mais perto dela. — Como disse antes, lamento não poder lhe dar os sentimentos sinceros que mereça, mas mesmo não estando mais juntos, mantenho meu carinho por você.
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  — Eu sei, , e a melhor coisa que fez foi ser honesto comigo, mesmo que tenha doído. E é óbvio que seu coração já possui uma dona. — voltou seu olhar para que os observava ao longe. — A forma com que olha para ela, jamais olharia para mim ou qualquer outra mulher.
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  — Sollary…
  — Não se preocupe, já estou vacinada. — se manteve firme em sua postura. — Meu coração segue em paz e blindado contra homens da Continuum.
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  — Não é o que me contou.
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  — Aquele linguarudo.
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  Ambos riram.
  — Vamos tratar de negócios agora. — anunciou ela. — Conte-me sua história.
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  — Bem. — sorriu de canto. — Nossa noite será longa, pois essa história é grande.
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  — Tenho todo o tempo a seu dispor. — disse ela.
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  — Sollary, não diga isso a um homem como eu. — brincou ele abrindo mais seu sorriso malicioso.
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  — Pare de sorrir assim, não vou me apaixonar por você novamente, Dominos. — ela deu de ombros e voltou a caminhar. — Comece do início.
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   assentiu e voltou a caminhar juntamente com ele. No fundo sabia que ainda poderia guardar rancor dele, contudo, ele jamais a enganaria quanto ao que sente. O Dominos era cavalheiro demais para fazer uma bela dama se iludir por ele.
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  – Dominos House, Chicago

  Dizem que quando o gato sai, os ratos fazem a festa…
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  E isso estava acontecendo de alguma forma na mansão Dominos. Com a ausência de , as mulheres da casa de juntaram para divertir-se em uma noite das garotas regada a vinhos, chocolate e fofocas. Algo bom considerando o fato de Bella estar a algumas horas de iniciar sua missão. Um pouco de distração não lhe seria mal.
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  Genevieve e Jasmine se adiantaram indo para sala de TV, a fim de escolher o filme da rodada. Claro que elas não veriam nada, mas já se acostumaram a fazer isso.
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  — Espera Jass, você não pode escolher isso. — protestou Genevieve fazendo careta e tentando pegar o controle da mão da irmã. — Você sabe que eu odeio filmes de suspense.
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  — Ai Geny, eu que não quero ver esses filmes melosos que você vê. — a adolescente fez outra careta de volta para ela.
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  — Hoje é minha vez de escolher. — disse Bella ao entrar acompanhada de sua cunhada Mary. — E vamos de ação, quero maratona de Matrix.
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  — Esse eu vejo. — concordou Geny. — Apesar de não gostar tanto de filmes de ação.
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  — Nem é pelo filme, é pelo ator. — brincou Mary segurando o riso.
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  — Por isso que esse eu vejo. — confirmou Genevieve, fazendo-as rir.
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  Bella colocou as garrafas que segurava em cima da mesa de centro, já Mary colocou as bandeja de frios e a caixa de bombons ao lado.
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  — Então vamos de Matrix. — Jass tratou de deitar no chão sobre algumas almofadas.
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  — Então, vamos começar por qual fofoca? — perguntou Geny abaixando um pouco o volume.
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  — Bella estava comentando comigo sobre Lance Vigillare ontem à noite. — respondeu Mary ao se sentar no sofá, já voltando a rir.
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  — O que tem o Lance? — Jass perguntou ainda mais curiosa pelo assunto.
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  — Piadas internas a parte, rolam boatos de que ele estaria à procura de uma companheira que seja de uma família Continuum. — respondeu Bella encostando-se à parede com um sorriso presunçoso. — Me desculpe Jass, mas você é nossa demais para se candidatar, já Genevieve…
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  — Se Jasmim sonhar em namorar, mata ela e o pretendente. — comentou Geny. — Já eu, não estou interessada em romances agora.
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  — é um chato e não tem nada a ver com minha vida. — Jass pegou uma das almofadas e jogou na irmã. — Ele acha que manda em mim só porque é o mais velho.
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  A caçula da casa se mostrou chateada ao emburrar a cara.
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  — Ai Jass, só lamentamos. — brincou Bella segurando o riso da prima. — Apesar de que pro nenhum homem é bom o bastante para as irmãs dele.
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  — O jeito que cuida de vocês, nem parece ser este tirano que é. — comentou Mary.
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  — Privilégio de irmãs, talvez. — murmurou Bella se lembrando de como a trata de forma autoritária.
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  — Mas não seria nada mal se Geny formalizasse algo com ele. — Sophie adentrou a sala mostrando sua opinião ao assunto. — Afinal, teríamos um acordo mais sólido entre as famílias, pelo que sei eles são nossos aliados.
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  — Eu estou ouvindo o falando? — interrompeu Jass ao olhar boquiaberta para a tia.
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  — Desta vez tenho que concordar com ela, tia. — Genevieve a olhou. — De onde tirou isso?
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  — Vai me dizer que você não tem uma queda por ele desde que o viu? — retrucou Sophie olhando a sobrinha.
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  — Sim, confesso que ele é atraente, mas jamais transformarei minha vida pessoal em negócios de , menos ainda envolvendo a Continuum. — retrucou Genevieve.
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  — E nem vai. — Bella se afastou da parede e começou a caminhar até o sofá. — Lance não tem interesses em Dominos. — ao completar ela se sentou. — Pelo que ouvi dizer, seu foco é em famílias de segunda escala, nós somos a realeza, não é qualquer um que se casará com realeza.
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  — Você fala como se não tivesse tido um romance com ele, não é? — comentou Mary.
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  Todas a olharam boquiabertas.
  — Mary? Tinha que contar isso? — Bella se fez a indignada.
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  — Não a recrimine, minha filha. — Sophie riu de leve. — Todas nós sabemos o tamanho de sua lista de conquistas.
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  — Ela só não ganha do . — brincou Jass fazendo todas rirem.
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  Aquilo era um fato. , sem muito esforços, conquistava mulheres por onde passava, porém sempre se mantinha honesto e sincero com elas e consigo mesmo quanto aos seus sentimentos e anseios.
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– Algum lugar de Seattle

   e permaneceram mais algum tempo na sala de dança. Ela havia puxado o rapaz para mais alguns passos pelo espaço. Até que ele a puxou para perto da janela, onde ficaram bem próximos olhando as estrelas.
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  — Tenho saudades de fazer isso. — comentou aleatoriamente, após interromper o silêncio de ambos.
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  — Isso o quê? — perguntou ela.
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  — Observar o céu à noite, já tem um tempo que não faço isso.
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  — Sério? — ela se admirou. — Quando eu morava em Cliron, nos meus tempos de ensino médio, sempre escapava com meu amigo em corridas noturnas.
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  — Mais uma vez esse amigo…. — ele se mostrou intrigado. — Tem certeza que não ele não foi seu namorado no passado?
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  Ela soltou uma risada rápida.
  — Não. — ela continuou rindo. — Cedric é um amigo maravilhoso que sempre me ajudou muito, e no mais, ele tinha namorada na época.
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  — Não me convenceu. — cruzou os braços.
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  — E sério. — riu da cara dele. — Cedric namorava uma menina chamada Taylor, mas em segredo vivia me contando sobre um amor de infância dele.
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  — E o tal amor de infância tinha nome?
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  — Claro, era… Ai, está na ponta da língua…. — vasculhou suas lembranças de muitas conversas que teve com o amigo, desviando seu olhar para o cé novamente. — Annia, acho que o nome dela era Annia mesmo.
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  — Annia…. — conhecia esse nome.
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  Contudo, seria muita coincidência esta mesma Annia ser a Annia que ele conhecia, a nova chefe dos Baker.
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  — Interessante. — observou ele. — E esse seu amigo dança atualmente como você?
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  — Não. — riu. — Ele era péssimo, sempre errava a sincronia, Cedric definitivamente não nasceu para dançar.
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  — Hum…
  — Da última vez que conversamos, após ele sair de casa, sua vida estava meio caótica em New York, devia a pessoas perigosas. — explicou a garota demonstrando preocupação pelo amigo. — Já tem um tempo que não nos falamos.
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  Ela voltou seu olhar para ele, que a observava com um sorriso escondido.
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  — O que foi? — perguntou ela.
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  — Nada, só gosto de te olhar. — disse ele. — Seu olhar singelo me encanta.
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  — … Eu juro que não esperava por essa noite, menos ainda que mais uma pessoa da Continuum se interessaria por mim. — iniciou ela.
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  — Mais uma pessoa? — indagou ele.
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  — Meu primeiro namorado era da Continuum, foi assim que conheci sua sociedade. — explicou ela.
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  — E não terminou bem?
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  — Não muito, o pai dele era temperamental. — respondeu ela escolhendo bem as palavras.
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  — Era um Tenebrae?
  — Não. — ela riu baixo. — Era um Bellorum.
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  — Quem Bellorum?
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   conhecia todos os membros daquela família, cresceram com alguns deles e tinha amizade com outros, assim como seu irmão.
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  — Preciso mesmo dizer? — ela cruzou os braços. — Não é como se você fosse meu namorado.
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  Cortou ela, de forma espontânea.
  — Não precisa dizer se não quiser, como disse, não sou seu namorado. — ele tocou em sua cintura e a trouxe para mais perto. — Ainda não.
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  — Que garoto mais ousado. — ela envolveu seus braços no pescoço dele. — Quem disse que quero ter um namorado?
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  — Posso ser seu amante então. — brincou ele.
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  Ambos riram da sua sugestão.
  — Bellorum. — disse ela com precisão, se lembrando do dia em que terminara com o ex.
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  — Não seria surpresa se eu dissesse que o conheço, seria?
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  — Você é um Continuum. — respondeu ela.
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  — Por que terminaram? — indagou curioso.
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  — Naquele tempo, eu ainda era dependente da minha mãe e ele do pai dele, nosso namoro foi anos em segredo e quando descobriram, foi complicado. — explicou ela. — Achamos melhor terminar.
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  — Que bom que terminaram então. — abriu um largo sorriso.
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  Antes mesmo que ela pudesse reagir ao seu comentário, a envolveu ainda mais lhe beijando com certa intensidade.
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  A semana se passou…

  Sexta pela manhã, ainda com sono se levantou lentamente da cama, porém ao pisar no chão ela escorregou no seu próprio chinelo e caiu de cara, fazendo barulho.
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  — Ai. — resmungou ela. — Não acredito que nisso, belo jeito de acordar, .
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  Após se trocar, saiu do quarto indo diretamente para a cozinha. Parou na porta e passou um tempo observando sua tia concentrada ajeitando mais alguns pedaços de bolo na mesa do café. Aparentemente, mais hóspedes haviam se instalado no hostel.
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  — Bom dia, tia Beth! — sorrindo a jovem caminhou até a geladeira pega a garrafa de água.
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  — Bom dia minha pequena, dormiu bem? — Beth retribuindo o sorriso, continuou a ajustar os pedaços de bolo no refratário de vidro.
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  — Sim, não, talvez. — respondeu já despejando um pouco da água em um copo de vidro. — Depende do ponto de vista de quem vê, logo que fui levantar da cama caí de cara no chão.
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  — Uau! — sua tia a olhou assustada. — Como conseguiu fazer isso?
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  — Então. — ela soltou um suspiro fraco, se sentando na cadeira. — Escorreguei no meu próprio chinelo.
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  Beth se mostrou boquiaberta tentando imaginar a cena.
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  — ! — disse uma voz masculina ao entrar na cozinha.
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  O homem não demonstrou surpresa ao vê-la.
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  — ? — a garota voltou seu olhar para o dono da voz, logo se admirou por vê-lo ali. — O que faz aqui?
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  — Fui transferido para Seattle. — respondeu ele, abrindo um sorriso simples e discreto para ela, como se estivesse mesmo feliz ao vê-la. — Algo me dizia que te encontraria aqui.
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  — E quando chegou? — perguntou ela se sentindo meio desnorteada.
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  — Há alguns minutos. — respondeu sua tia.
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  Beth sabia muito bem do passado da sobrinha com o Bellorum. No fundo ela temia que se envolvesse novamente com alguém da Continuum, e por mais que quisesse impedir, ela já notara as investidas de nos últimos dias e de como pareciam mais próximos. já era adulta e independente, então Beth tinha consciência de que não podia agir como a irmã Marie, proibindo a sobrinha de se aproximar das pessoas. No mais, ela só podia observar e aconselhar sempre que a oportunidade aparecesse.
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  — Bem-vindo a cidade. — disse ela sentindo a voz abaixar.
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  — Obrigado. — sentiu uma certa frieza vindo da garota, ele imaginava algo bem mais receptivo de sua parte.
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  — Eu preciso ir, a livraria me aguarda. — se levantou da cadeira. — Até a noite, tia, e foi bom te ver de novo, .
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  Ela passou por ele e seguiu de volta para seu quarto, onde deixara a mochila.
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  Noite passada havia compartilhado seus pensamentos sobre para . Sobre não ter tido notícias do rapaz desde a época que entrou para a universidade. Sobre sua mãe nunca permitir sua aproximação.
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Agora eu não posso voltar atrás,
Isto é claramente um vício perigoso,
Tão ruim, ninguém pode pará-la.

– Overdose / EXO

8. Inesperado

– Hostel Fletcher

  Mesmo intrigado com a frieza da jovem bailarina, se manteve silencioso durante todo o café, nem percebendo que Beth também se ausentara da cozinha. Suas memórias do passado te impediam de concentrar no alimento em sua mão, e sentado na cadeira permaneceu por longos minutos com os olhos fixados no pedaço de bolo. Ele e haviam terminado seu relacionamento escondido na adolescência de forma indefinida, e sabemos que algo mal resolvido sempre causa dores futuras. Era o que indiretamente ele sentia dentro de si.
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  — Ora, ora… Quem encontro aqui. — disse ao adentrar a cozinha com seu jaleco apoiado no braço direito e a bolsa pendurada no ombro esquerdo.
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  O comentário dela o despertou de seu devaneio momentâneo. Os olhos de arregalaram ao ver o rosto conhecido em sua frente.
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  — Sollary? — ele deu um sorriso discreto. — O que faz aqui?
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  — Eu que pergunto, o que um Bellorum faz em Seattle? — ela cruzou os braços fazendo uma pose superior, depois desfez e puxou uma cadeira para sentar perto dele. — Desde quando está na cidade?
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  — Cheguei hoje pela manhã, fui transferido recentemente para a Delegacia Leste. — respondeu ele com tranquilidade.
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  — Você está trabalhando em Capitol Hill e resolveu se instalar aqui? — ela o olhou curiosa.
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  — Este hostel foi muito bem recomendado. — explicou.
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  — Sei muito bem o quão recomendado ele foi. — ela segurou o riso e se virou para as fatias de bolo cortadas em cima da mesa.
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   sabia entrelinhas sobre o namoro do passado de , foi um assunto parcialmente comentado entre as famílias da Continuum. A jovem médica reteve mais comentários sobre o assunto e se levantando, deixou o jaleco e a bolsa no encosto da cadeira, então seguiu para o lavabo para lavar suas mãos. Ao retornar, já finalizara seu café.
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  — Não me fará companhia? — perguntou ela. — Pelos velhos tempos?
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  — Tenho certeza que teremos outras oportunidades. — se explicou ele ao se levantar da cadeira. — Agora, tenho que me apresentar ao meu novo posto.
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  — Policial?
  — Detetive. — corrigiu.
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  — Uau, subimos de cargo. — ela deu um sorriso. — Meus parabéns, seu pai deve estar orgulhoso, e o seu avô então… General Bellorum deve estar comemorando sua evolução.
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  — Há tempos que não falo com eles, então não me importa o que pensam sobre isso. — ele se manteve sério. — Foi bom rever um rosto amigo.
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  — Digo o mesmo.
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  Ele se afastou e se retirou. Enquanto isso, se sentou novamente na cadeira e iniciou seu café da manhã. Sempre que seus plantões encerravam no turno da manhã, a jovem fazia questão de tomar o café do hostel. O gosto que sentia a cada gole, sua saudade de casa era saciada com precisão de uma forma inexplicável. Entretanto, desta vez não dispondo de muito tempo para saborear a primeira refeição do dia, seu celular tocou. A ligação de seu paciente admirador a deslocaria para o outro lado da cidade. Aparentemente, Baker havia caído prejudicando a cicatrização de seu machucado no joelho.
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  — Posso entender como conseguiu essa proeza? — perguntou ao chegar no estúdio de fotografia, se deparando com ele jogado no chão com a barra de ferro que ele possuía em sua perna levemente exposta. — Deveriam tê-lo levado às pressas para o hospital e não ligado para mim.
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  Sollary não sabia se o olhava preocupada pelo ocorrido ou raivosa por sua atitude imatura de não seguir o protocolo correto.
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  — Eu sabia que seu plantão havia terminado e eu queria ser atendido por você. — explicou ele ao dar um sorriso de canto.
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  — Eu deveria arrancar sua perna só de raiva, você ainda mantém exposto, pode contrair bactérias. — ela se ajoelhou ao seu lado avaliando o estrago, retirou sua toalha da necessaire da bolsa e envolveu a fratura exposta. — Como você caiu a ponto de causar isso?
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  — É uma história longa, mas em minha defesa, eu não fiz de propósito. — disse olhando-a com carinho ao sentir seu cuidado.
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  — Vou ligar para o hospital e pedir para a dra. Torres esperar nossa chegada, e chamar uma ambulância que era o que deveria ter feito. — ela tentou ponderar sua voz, porém o tom de rispidez era notório à distância.
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  Não demorou muito até que o resgate chegou e levou ambos para o Sollary Seattle Hospital. Como esperado, a cirurgiã ortopedista dra. Torres aguardava em seu posto e com a sala de cirurgia pronta. Como das outras vezes, acompanhou todo o procedimento como auxiliar em conjunto com sua amiga Hill, mesmo contra a vontade da residente chefe Lins.
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  — Bom trabalh,o paciente. — disse a dra. Torres assim que a anestesia passou e executou todos os procedimentos para conferir os sinais vitais de . — Foi um pouco mais demorado que o previsto, porém antecipamos aquela cirurgia marcada e aproveitamos a deixa para retirar a barra e colocar os três pinos.
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  — Me desculpe, dra. Torres, prometo não fazer mais travessuras. — disse ele mantendo seu olhar em .
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  — Vou deixá-los, a dra. Sollary terminará de preencher seu prontuário. — Torres olhou para a residente. — Depois, te quero longe desse jaleco por pelo menos 24 horas.
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  O tom de ordem fez estremecer. Por ser sua madrinha e amiga de infância de sua mãe, Torres era a única em que a determinada Sollary respeitava e obedecia naquele hospital.
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  — Sim senhora. — assentiu ela permanecendo com seu olhar no prontuário.
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  Após a saída de Torres do quarto, o silêncio deu ar de se estabelecer no ambiente. Porém os muitos pensamentos que Baker mantinha em sua mente, se colocaram em alta voz.
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  — Por que participou da cirurgia? — perguntou ele.
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  — Você é meu paciente, não é óbvio? — respondeu com outra pergunta, o olhando com seriedade.
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  — Você não volta depois que sai de um plantão por nenhum outro paciente. — ele deu um sorriso malicioso.
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  — Tire esse sorriso do rosto, a culpa foi sua de ter ligado para mim, como cheguei primeiro no local, me senti responsável por você. De novo. — ela voltou seu olhar para o prontuário terminando de preenchê-lo.
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  — Vai ficar aqui comigo? — perguntou ele propositalmente.
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  — O que acha?
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  — Eu já estou bem, e você não pode ficar com o jaleco. — respondeu ele.
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  — Não seja por isso. — ela terminou de escrever e colocou o prontuário na mesa aos pés da maca dele, então retirando o jaleco do corpo o dobrou e colocou embaixo da bolsa que deixara na poltrona para acompanhantes. — A partir de agora sou sua acompanhante.
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  Ela voltou o olhar sério e autoritário para ele. Aquela era uma das mais fortes características de Sollary, ela não admitia que outras pessoas interferissem em suas decisões, sua personalidade forte a instigava a querer sempre ter o controle de todas as situações. E era essa intensidade que a jovem residente passava que atraía ainda mais , deixando-o mais apaixonada com o passar do tempo.
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– Portland, Oregon

  Dominos não gostava de se ausentar de sua residência, não somente por sua preocupação com a segurança das mulheres de sua casa, como também por ser um homem caseiro. Este, dentre tantos outros aspectos de sua característica pessoal, era somente reconhecido por amigos muito íntimos. Entretanto, quando os negócios de sua família precisam de sua atenção dobrada, não media esforços para resolver com precisão e rapidez.
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  Naquela manhã, sua visita à filial da Dominos Company na cidade de Portland tinha um motivo. Sua conversa se mantinha com o responsável Dominic Lins, sob a companhia de sua sliter. Lins era um homem interesseiro e presunçoso, e isso todos já sabiam com clareza. Entretanto, o que ansiava descobrir era seus reais interesses por atrás da impecável demonstração de lealdade e o jeito nada humilde.
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  — Creio que agora todos os pontos estão alinhados e deixo em sua responsabilidade averiguar todos os roubos que a transportadora sofreu e encontrar os culpados, seja quem for. — completou com seu tom forte de ordenança.
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  — Não se preocupe, senhor. — respondeu. — Eu só estava mesmo esperando sua autorização para tratar deste assunto com mais afinco.
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  — Assim espero. — deu alguns passos ao se levantar de sua cadeira presidencial — Não costumo a dar segunda chance a funcionário incompetente.
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   se colocou ao lado de sua sliter, voltando seu corpo para a parede de vidro que compunham a fachada do prédio, olhando os carros de locomovendo pela rua.
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  — Algo mais, senhor Dominos? — perguntou Dominic, mantendo seu olhar atento em .
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  — , acompanhe-o até sua sala e pegue os relatórios mensais, quero analisá-los antes de partirmos. — ordenou ele, mantendo sua posição.
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  — Sim, senhor. — assentiu .
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  O olhar que a sliter lançou para Lins o fez entender o recado e já se deslocar para a porta do escritório da presidência. Se retirando, seguiu Dominic até o andar de baixo, entrando em sua sala, o homem não poupou a oportunidade de iniciar seus comentários.
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  — Então , com é passar vinte e quatro horas do dia ao lado do senhor Dominos, você não tem vida social? — perguntou Dominic.
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  — Por que a pergunta? — ela continuou com a seriedade no olhar e na voz, observando os movimentos dele até sua mesa.
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  — Curiosidade, uma mulher tão bonita e tão…. — continuou ele.
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  — Acho melhor guardar seus comentários para você, e com relação à sua curiosidade, várias pessoas já morreram por causa dela. — manteve o olhar firme esticando a mão para pegar a pasta. — Os relatórios.
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  — Como queira. — assentiu Dominic ao entregar as pastas para ela.
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  O ambicioso Lins já tinha ouvido comentários sobre a firme e silenciosa postura de Miller. Era rotineiro casos de interesses por parte de homens da Continuum na segurança pessoal de . Talvez por seu nível extremo de lealdade, ou por sua beleza sutil, ou mesmo pelas habilidades em combate que possuía. O certo é que despertava interesse e oculta atração por onde passava.
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  Precisamente ao pegar as pastas, ela se retirou voltando ao escritório da presidência.
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  — Senhor . — disse ela ao entrar.
  — para você. — ele se virou para ela, e sorriu de canto.
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  — Os relatórios. — ela ergueu a mão mostrando as pastas.
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  — Teremos um longo dia, e à noite…. — ele deu alguns passos até ela, parando em sua frente mantendo o sorriso nos lábios. — Jantar a dois.
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  — O jantar entre o senhor e Rose Tenebrae? — disse em tom de pergunta, porém afirmando do compromisso dele.
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   lançou um olhar decepcionado. Certamente por esquecer de tal evento.
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  — Imaginei que se esqueceria. — comentou ela segurando o riso.
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  — Não há como cancelar? — indagou ele, esperançoso talvez.
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  — Um Dominos jamais cancela uma reunião, principalmente quando há damas envolvidas. — relembrou ela um lema que vosso pai costumava mencionar.
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  — Odeio essa frase. — comentou.
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  — É seu dever, precisamos saber o que ela quer. — reforçou a necessidade do encontro.
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   se aproximou ainda mais e tocou em sua face.
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  — Odeio quando faz o papel da minha consciência. — ele a acariciou, sua vontade era de tocar seus lábios com os dele.
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  — Estou aqui para isso, senhor. — ela se manteve firme.
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  — , já disse. — corrigiu ele.
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  — , precisa ir a este jantar. — disse novamente com as palavras adequadas. — Precisa descobrir os próximos passos dos Tenebrae, e não se preocupe, não sairei do seu lado.
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  O Dominos sentiu seu coração pulsar ainda mais forte por ela, que mantinha a segurança no olhar. O que transmitia a ele força e coragem.
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– Algum lugar de Seattle

  Logo à tarde, estava na livraria catalogando os livros novos que tinham chegado. Concentrada no seu trabalho, foi seguindo em completo silêncio. Pouco antes do entardecer, seu olhar de forma involuntária se voltou para frente. Deixando-a surpresa ao se deparar com a presença de encostado na porta de entrada a observando.
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  — Oi. — ele disse abrindo um sorriso fofo e gentil para ela.
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  — Boa tarde, senhor cliente. — ela não se conteve em sorrir de volta, tentando manter o profissionalismo. — O que faz aqui?
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  — Estou à procura de mais livros gastronômicos. — respondeu entrando mais pela loja até chegar no balcão de atendimento em que ela estava.
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  — Hum… Chegaram alguns esta manhã e estou catalogando, algo me dizia que eu deveria separar para um certo alguém. — comentou ela.
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  — E você separou?
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  — Sim.
  Eles deram risadas rápidas, mantendo a suavidade nos olhares um para o outro.
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  — E eu posso comprar? — ele manteve seu olhar nos movimentos que ela fazia com relação ao computador.
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  — Sim, vou registrar a venda agora. — respondeu demonstrando a eficiência no trabalho.
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  — Depois da livraria vai direto para a escola? — perguntou ele.
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  — Sim, hoje tenho a classe da terceira idade que ensino bolero. — explicou ela. — Não acredito que se esqueceu.
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  — Só queria ter certeza que decorei sua agenda de aulas. — brincou ele. — Estou pensando em entrar na sua turma de hip-hop na quinta à noite.
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  — , não acredito na sua aptidão para o gênero. — admitiu ela com sinceridade.
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  — Sabe, é só um pretexto para te ver. — ele riu, fazendo-a rir também.
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  — Eu agradeço e me sinto lisonjeada, além do mais, quanto mais alunos, mais eu recebo. — assegurou ela.
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  — Que mercenária. — brincou se mostrando indignado.
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  Eles soltaram algumas gargalhadas.
  — Vou finalizar sua compra, nos vemos mais tarde? — indagou ela.
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  — Combinado, te pego após a aula. — confirmou ele.
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  Ela sorriu de leve e terminou de registrar a venda. Desta vez realizou a compra de mais três livros, o que deixou ainda mais curiosa pelo interesse do rapaz sobre o assunto. As horas se passaram e encerrou seu expediente, após se despedir de Princia, pegou sua mochila e correu para a escola de dança. Os alunos já a aguardavam realizando o aquecimento inicial com alongamentos, assim que trocou sua roupa no vestiário dos funcionários, entrou na sala e iniciou a aula.
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  O tempo foi passando, até o momento em que dispensou a turma e lhes desejou bom final de semana. Não demorou muito para que aparecesse na porta dando dois toques chamando sua atenção, que estava no celular.
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  — Terminou cedo hoje. — disse ele.
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  — Sim, um dos alunos não estava passando bem, ficamos preocupados e chamamos sua família. — explicou ela.
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  — Algo grave? — ele caminhou em sua direção.
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  — Ele esqueceu de tomar os remédios para pressão. — respondeu ela observando sua aproximação.
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  — Tenho algo para te contar. — iniciou ele ao tocar na cintura dela e envolvê-la em seus braços.
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  — Sobre você ou sobre sua família? — tentou controlar o olhar curioso, porém sem sucesso.
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  Já estava virando uma rotina, a cada dia lhe contar algo sobre sua vida ou sobre os Dominos, principalmente como conseguiram se reerguer após o ataque sofrido.
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  — Sobre mim, é uma novidade. — respondeu ele.
  — Que novidade?
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  — Os livros que ando comprando não são somente para te ver, mas tem fundamento profissional. — explicou ele.
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  — E que fundamento seria esse?
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  — Tenho planos de abrir um restaurante para mim, aqui em Seattle. — disse.
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  — Um restaurante? — por essa ela não esperava. — Uau, e quem seria o chef?
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  — Está olhando para ele.
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  — O quê? — se viu boquiaberta pela revelação. — Você cozinha?
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  — Sim. — abriu um sorriso modesto. — Sou formado na Le Cordon Bleu, a melhor faculdade de gastronomia do mundo, e este é um dos motivos de brigas entre eu e meu irmão.
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  — Só porque você gosta de cozinhar?
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  A pergunta dela o fez rir.
  — Não, ele se sente contrariado pelo fato de eu não querer gerenciar os negócios da família ao seu lado. — explicou. — Mas, no fundo, meu sonho é outro, e não está ligado a Dominos Company.
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  — Do jeito que você fala sobre seu irmão, não acha que ele vai querer atrapalhar? — indagou ela não se contendo em ficar preocupada.
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  — Não, é capaz de tudo, exceto atrapalhar alguém de sua própria família, o máximo que pode acontecer é ele querer usar isso a seu favor. — continuou seguro em suas palavras.
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  — Como?
  — Não sei, mas se tratando dele, tem sempre um jeito. — riu de leve. — Mas não quero me preocupar com isso agora.
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  — Fico feliz que esteja empenhado a realizar seu sonho. — ela sorriu de volta.
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  — Quero te mostrar uma coisa, podemos ir?
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  — O que quer me mostrar?
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  — Surpresa. — ele se afastou dela e a pegando pela mão, manteve o olhar de carinho.
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   pegou sua mochila e se deixou ser guiada até a moto do rapaz. Seguiram pelas ruas até chegar ao seu destino. Ao descerem da moto, se deparou com um pequeno imóvel, aparentemente caindo aos pedaços. Era localizado na entrada norte da cidade, próximo à rodovia principal. A fachada de madeira tinha traços de cupim, a porta de entrada rangia ao abrir, as janelas alguns vidros quebrados e muitas teias de aranha competindo espaço pelo lugar.
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  — Uau. — disse ela ao olhar em sua volta, sentindo o cheiro de mofo do ambiente. — Eu sei que você não é um psicopata e não vai me matar em um lugar assim, então posso entender o que fazemos aqui?
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  Ele soltou uma gargalhada antes de responder.
  — Antes de vir para Seattle, pesquisei alguns imóveis abandonados, este estava a lista de possibilidades, acabei de comprá-lo hoje pela manhã. — explicou ele.
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  — E vai construir seu restaurante aqui? — era óbvia sua dedução.
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  — Sim, fiz uma pesquisa de mercado e descobri que esta parte da cidade carece de empreendimentos assim.
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  — Legal, após uma boa reforma talvez fique bonito e chamativo. — comentou ela.
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  — Talvez? Está desdenhando do meu restaurante? — ele se sentiu ofendido.
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  — Não, mas é que não adianta ser bonito se a comida não for boa. — argumentou ela.
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  — Você gostaria de me provar? — perguntou ele de forma sinuosa ao tocar a cintura dela novamente.
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  — Você realmente gosta de duplo sentido, né? — ela riu. — Talvez se rolasse um jantar…
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  — Vou continuar mantendo o duplo sentido. — ele se aproximou mais e a beijou com intensidade.
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   retribuiu o beijo, sentindo seu coração acelerar.
  — Você precisa parar de me beijar assim, toda vez que te der vontade. — disse ela tocando em seu tórax o afastando um pouco.
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  — Não foi vontade minha, seu olhar que pediu. — retrucou ele.
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   bem que queria contra argumentar, mas ele estava certo.
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  E tomando impulso, desta vez o beijo partiu da delicada bailarina.
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Conte-me seu sonho,
  Conte-me os pequenos desejos em seu coração.

  – Genie / Girls’ Generation

9. Bellorum

– Hostel Fletcher

  Enfim sábado chegou e com ele também a chuva. Algo não tão surpreendente já que Seattle era conhecida por chover muito naquela época do ano. Como todas as manhãs, acordou e assim que trocou de roupa, seguiu para cozinha. Ao passar pela sala, viu conversando com uma mulher desconhecida para ela. A jovem bailarina passou direto para cozinha sem se dar a chance de importar com a cena.
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  — Bom dia, bailarina. — disse que já estava sentado na cadeira tomando seu café. — Dormiu bem?
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  — Sim, e você acredita que sonhei com seu restaurante? — ela soltou uma risada baixa e se sentou na cadeira ao lado.
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  — Será que é um bom sinal? — supôs ele.
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  — Tomara, e você ainda me vede um jantar de degustação.
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  — Depois da reforma farei com o maior prazer. — ele sorriu. — Vai dar aulas hoje?
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  — Não, por causa da chuva, recebi uma mensagem da escola cancelando. Minhas aprendizes de bailarina podem pegar resfriado com esse tempo. — explicou ela.
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Nas ruas de Seattle…

  Beth já se aproximava do Departamento de Polícia da cidade. Ao entrar no prédio, seguiu para o posto de atendimento, no qual uma policial atendente sorriu e lhe cumprimentou.
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  — O capitão Holt já chegou? — perguntou ela mantendo a seriedade e frieza no olhar.
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  — Sim senhora, mas está em reunião… — respondeu a moça já tentando explicá-la a falta de tempo do capitão.
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  Porém Beth nem a deixou a policial terminar e fora entrando na sala que pertencia ao homem.
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  — Não me interessa se está ocupado ou não, eu vou direto ao assunto, o que ele está fazendo aqui? — com seriedade e indignação Beth perguntou parando em frente a ele.
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  — Beth! Como entrou aqui? Ele quem? — surpreso e espantado em vê-la fez com a mão um sinal que dava a entender como um convite para se sentar e assim ela o fez, se sentou na cadeira em frente a ele.
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  — Bellorum, hospedado no meu hostel, refrescou a memória? — com o estresse a flor da pele e já sem paciência disse alterando o tom de voz. — Nós combinamos que manteríamos qualquer pessoa da Continuum afastada da minha sobrinha, eu já tenho um Dominos e um Baker lá, não queria um Bellorum também.
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  — Calma, Beth… — com suavidade ele tentou tranquilizá-la.
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  — Calma nada, o que está havendo nesta cidade? Eu até aceito uma Sollary, pois a cidade pertence a eles, mas e o resto?
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  — Sabe que o fato de estar aqui vai além do meu poder. — respondeu com a voz baixa, porém firme. — Os Bellorum mandam até no Pentágono, que dirá na DP de Seattle, lamento não poder ajudar, mas até mesmo a transferência de foi uma surpresa para mim.
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  — Se não pode fazer nada… — ela se levantou da cadeira contrariada.
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  — Beth, espera. — chamou-a se levantando da poltrona.
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  — O quê? — parando ela olhou pra trás em direção a ele.
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  — Eu descobri.
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  — Sobre? — olhou interessada levantando uma das sobrancelhas.
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  — A herdeira bastarda que sua mãe ajudou a esconder. — revelou ele. — Sei quem é e onde ela está.
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  — Se assegure que ninguém saiba sobre isso. — alertou Beth. — Sabe que minha mãe odeia traidores.
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  — Não se preocupe, não contarei a ninguém.
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  Logo ao final da tarde…
  A chuva já havia dado uma trégua e preciso ir a livraria para resolver alguns assuntos do carregamento que tinha chegado antes do prazo previsto. Princia estava fora da cidade, e o sr. Fox hospitalizado por intoxicação alimentar. Sendo assim, ela seria a responsável pela livraria naquele dia.
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  — . — a voz de soou da porta do estabelecimento.
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  — . — praticamente sussurrando ela levou o olhar para ele.
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  — Pra mim não está sendo uma surpresa você aqui, já faz muito tempo desde que… te vi pela última vez. — afirmou olhando-a fixamente.
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  — Muito tempo. — sem demonstrar felicidade em vê-lo concordou desviando seu olhar para os livros em sua frente.
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  — Eu estava passando e te vi aqui dentro. — vendo que ela não se interessou em vê-lo, puxou assunto.
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  — Trabalho aqui. — explicou ela.
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  — Isso me lembra o passado. — ele deu um riso meio irônico entrando mais na livraria.. — Nossos encontros na biblioteca.
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  — Você disse bem, passado, algo que não volta nunca mais. — ela se afastou do balcão seguindo para uma fileira de livros infantis. — Vai querer algum livro em especial?
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  — Você me indicaria algum? — ele sorriu levemente esperando a resposta certa.
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  — Me desculpe, mas não, não conheço os eu gosto. — respondeu ao se virar para ele, se deparando com bem próximo a ela.
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  — Olhe para o espelho e irá vê-lo. — fixou seu olhar nela.
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   tentava imaginar o que estaria se passando em seu pensamento, eles ficaram por um momento se olhando. A intensidade que fluía dele, fazia o corpo de estremecer um pouco. Talvez o sentimento do passado não tenha sido esquecido assim tão facilmente pela garota. Um clima totalmente oportuno para , entretanto, quebrado pela presença repentina de .
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  — ? — perguntou , vendo-os se afastarem e direcionando seu olhar para tentando intimidá-lo. — Algum problema?
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  — Não, eu estava olhando os livros. — riu cinicamente ao perceber uma ponta de ciúmes saindo de . — Depois volto pra pegar.
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  Ainda rindo ele andou até a porta e saiu.
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  — Tudo bem, ? — olhou pra ela fixamente, indo até a garota.
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  — Sim, tudo. — ela sorriu tentando tranquilizá-lo.
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  — Eu não gosto dele. — disse cruzando os braços, a garota percebeu o olhar emburrado de .
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  Algo que a fez rir.
  — Não acredito que está com ciúmes. — ela seguiu até ele. — Nem somos namorados.
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  — Porque você não me quer. — retrucou ele.
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  — Esquece e tudo relacionado a isso. — ela lhe deu um selinho.
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  — Você não vai me comprar com esse selinho. — disse ele.
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  — Hum…
  Ela sorriu de leve e lhe deu um beijo mais doce e intenso, fazendo-o retribuir com facilidade envolvendo seus braços na cintura dela.
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  — Podemos ir ou o Sr. Fox ainda precisa de você?
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  — Nem era para estar trabalhando hoje, podemos ir sim. — ela se afastou dele indo até o balcão, desligou o computador, pegou sua bolsa, andou até ele. — Vamos, senhor!
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  — Com maior prazer. — olhou-a com um sorriso cativante, segurou em sua mão.
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  Após saírem da livraria, sugeriu que fossem para o bosque. Já fazia tempos que ela queria respirar ar puro. E assim foram eles, andaram por alguns minutos entre as altas árvores e escorregadias pedras, quando parou.
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  — O que foi? — perguntou temendo que houvesse algo errado.
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  — Fomos amigos há muito tempo atrás. — disse ele.
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  — De quem está falando? — olhou para ele confusa sobre o assunto iniciado.
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  — Bellorum. — de forma calma, porém firme, respondeu. — Nossas famílias são amigas desde sempre, crescemos juntos até o seu pai se mudar para Cliron.
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  — Eu imaginava que o conhecia pelas famílias serem da Continuum, mas não que tivessem uma amizade. — confessou ela.
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   se aproximou dela e segurou em sua cintura.
  — Mesmo ele sendo meu amigo e vocês tendo um passado, não vou desistir de você. — ele se manteve séria. — Confesso que não gosto da forma que ele te olha.
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  — Eu agradeço por não desistir de mim. — ela sorriu de forma meiga.
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  — Estamos aqui no bosque como queria, o que faremos agora? — perguntou ele.
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  — Dançar! — ela continuou sorrindo. — Quero dançar com você.
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  — Se insiste na minha habilidade de dança, não irei recusar. — brincou ela fazendo-a rir.
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– Hotel Village, Boston

  Mesmo com a repentina notícia que a Tenebrae não poderia lhe encontrar na noite anterior, ainda não havia retornado para casa. Sua viagem de negócios tinha se estendido além do que imaginava. Naquela tarde, permanecia sentado na melhor mesa do restaurante do Hotel esperando sua velha amiga Isla, enquanto isso, estava esperando no bar, observando atentamente a movimentação do lugar.
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  — Te fiz esperar muito? — disse Isla ao se aproximar.
  — Mulheres como você valem a espera. — se levantou dando um sorriso leve e puxou a cadeira para que ela se sentasse.
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  — Agradeço o elogio. — Isla sorriu de volta se sentando e colocando sua bolsa em cima da mesa.
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  — Estou surpreso por estar aqui na América. — se sentou e pegou a garrafa de Chateou 1980 que estava em cima da mesa, despejando um pouco na taça para ela.
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  — Vim visitar uma amiga que se casou recentemente. — Isla esperou ser servida por ele e logo pegou sua taça. — Mas o que me traz aqui além da nossa amizade, Dominos? — ela tomou um gole e o olhou sinuosamente sabendo que pedidos seriam feitos.
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  — Iniciei meu plano, Isla Fallin, preciso agora do nome que te pedi. — explicou ele.
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  — Tem certeza? — ela tomou um gole do vinho e pousou o copo sobre a mesa. — , não tem tanto tempo que você conseguiu reerguer sua família das cinzas e tomar o controle da empresa.
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  — Isla, você disse que me ajudaria.
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  — Não foi fácil, todo segredo tem segredos. — ela respirou fundo. — Mas não acho que está pronto pra saber.
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  — O que sabe sobre mim? — manteve seu tom de voz baixo e firme a olhando tranquilamente.
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  — Sei que somos amigos desde antes de sua família ser atacada, sinceramente, não vou deixar que sua sede de vingança atrapalhe sua vida.
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  — Tenho meus motivos, quero saber.
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  — , isso não vai trazer sua mãe de volta. — insistiu ela. — Menos ainda seu pai, olho por olho, dente por dente não vai melhor as coisas.
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  — Quero saber quem é a herdeira bastarda dos Tenebrae. — se levantou e bateu a mão direita na mesa com tanta força que a mesma desmontou. — Eu quero saber agora.
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  Todos no restaurante voltaram sua atenção para eles, olhou de longe e se levantou permanecendo onde estavam, mas focada nos olhos de fúria de . A sliter sabia que se precisasse, teria que usar de forma para acalmar seu senhor.
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  — Como queira. — Isla que ainda estava sentada, se levantou. — Mas saiba que ela está sendo protegida por Donna Fletcher.
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  Se aproximando dele, sussurrou em seu ouvido para que somente ele soubesse o nome. Isla pegou sua bolsa e saiu. Assim se aproximou, analisando o olhar dele para ela.
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  — Senhor Dominos, está tudo bem? — perguntou ela preocupada.
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  — Agora está. — respirou fundo. — Pague a conta, te espero no carro.
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  — . — ela segurou em seu braço o parando. — O que ela disse?
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  — O que eu queria ouvir, antes de irmos para Manhattan ver Annia, quero que investigue a jovem bailarina que meu irmão anda cortejando. — ordenou ele.
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  — Qual o motivo para isso? — indagou.
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  — Logo saberá. — ele se soltou dela e seguiu para saída.
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  Pela primeira vez tinha sentido certo receio pela situação. Estava preocupada com a tal descoberta de . Ela havia feito a leitura dos lábios de Isla, Donna Fletcher seria a resposta para seus questionamentos. Mais um motivo para visitar a velha amiga que a treinou desde infância para servir a família Dominos.
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 – Sollary Seattle Hospital

   e estavam conversando no refeitório, pareciam mesmo um casal visto de longe. Ela ainda estava suspensa de suas atividades como residente. Porém nada a impedia de continuar ali como acompanhante do machucado Baker. Sentados em um canto ao lado da janela que dava para o jardim principal, um jornal especial estava sobre a mesa, o foco da conversa era outro. deu uma garfada na torta de maçã e comeu, percebendo o olhar fixo de para ela.
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  — Até hoje não me acostumei com essas coisas da Continuum. — ele voltou seu olhar para o jornal da sociedade. — Me parece que os Tenebrae estão se movimentando.
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  — deve estar com fúria total. — ela segurou o riso pegando a xícara de café levando a boca.
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  — Pensei que isso não chegaria até mim, mas Annia quer conversar comigo após o baile de máscaras da empresa. — comentou ele.
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  — Não está pensando em ir, está? — o olhou boquiaberta.
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  — Claro, eu preciso ir, mesmo não me importando, é a empresa da minha família, se atinge eles, me atinge também. — ele foi cauteloso em suas palavras.
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  — Eu vou com você, precisa continuar fazendo a fisioterapia e não pode se forçar muito. — alegou ela sua decisão.
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  — Eu já contava com sua companhia, já havia lhe convidado.
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  — Mas eu não confirmei antes. — ela deu de ombros.
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  — Dra. Sollary. — ele sorriu de canto. — Estou grato por cuidar de mim.
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  — Tire esse sorriso do rosto, você é apenas um paciente. — ela se manteve séria.
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  — Um paciente com benefícios. — ele se ergueu rapidamente tomando impulso, então lhe roubou um selinho. — Eu amo esses benefícios.
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  — Abusado. — ela deu um tapa em seu ombro. — Faça isso de novo e corto sua língua.
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  — Suas ameaças me deixam mais apaixonado. — ele riu.
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  Era irresistível suas brincadeiras e já estava se habituando a isso. A forma em que investia nela e deixava exposto seus sentimentos se medo de ser rejeitado. Sua persistência havia despertado admiração da jovem residente. Admiração essa que não seria confessada tão cedo.
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– Departamento de Polícia, Seattle

  Assim que soube da presença do Bellorum no distrito, o capitão Holt convocou para uma conversa bem séria. Sua preocupação pela visita de Beth Fletcher o havia deixado em alerta principalmente pelos segredos que descobrirá envolvendo famílias da Continuum.