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Natashia Kitamura
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Temporada #002

All About That Bass
Meghan Trainor

Esta história não possui capas prévias (:

Sem informações no momento.

Como Eu Sou

  Era como se eu estivesse de volta no colegial.
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  Baile dos formandos de 2006. Todo mundo estava animado, afinal, aquele final de semana era para ser nosso, dos alunos formandos de 2006. O plano, para todas as salas do terceiro ano, era sair do baile após seu término, lá pelas 4 da manhã, e seguir para a Breeze, uma balada no quarteirão ao lado. Depois, partiríamos para nossas casas apenas para trocar de roupa e pegar as malas, já que os ônibus alugados pelo pai de Marilia estaria em frente ao colégio para nossa última viagem juntos.
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  Para a maioria dos alunos, foi uma viagem inesquecível e com muito gosto de quero mais.
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  Para mim, foi um pesadelo.
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  Flashback 2006.

  - , você não quer mesmo usar esse biquíni, não é? – Tamires disse, me encarando da cabeça aos pés.
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  O que ela queria dizer? É claro que eu queria usar o biquíni. Eu o comprei justamente para a ocasião! Havia emagrecido 5 quilos nos últimos seis meses para usá-lo.
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  - Por quê? – perguntei. – Está com algum defeito?
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  - Não… – ela trocou um breve olhar com Rafaela, que ergueu as mãos e se retirou do quarto. – Bem, ela parece um pouco pequena no seu corpo.
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  Eu sabia que não era verdade, mas mesmo assim corei. Senti vergonha, sim. Havia experimentado aquelas peças incontáveis vezes em casa, para ter a certeza de que não pagaria nenhum mico. A parte da calcinha não era um fio dental como o dela, e o de cima certamente não era no estilo “cortininha”. Ele era comportado e minha prima havia dito que valorizou bastante o meu bumbum.
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  - Não acho que parece pequena. – arrisquei dizer, emburrada.
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  - Olha, eu só estou fazendo o meu papel de amiga. – Tamires cruzou os braços. – Se você quer usar, então usa, ué! – e saiu do quarto que eu e ela dividíamos com Rafaela e Leticia.
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  Sozinha, mordi o lábio, tendo toda a segurança que reuni nos últimos meses escoado ralo abaixo com seu comentário. Caminhei até a frente do espelho e não vi a garota com curvas bonitas que minha mãe e minha prima disseram ver. Vi uma garota com pneus enormes e excesso de gordura caindo para todos os lados.
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  Eu não tinha escolha. Só havia comprado biquíni.
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  Saí com uma camiseta e um short jeans para a praia.
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  Enquanto Rafaela, Leticia e Tamires, magras de ruim, desfilavam com seus microbiquínis à beira-mar, eu fiquei sentada guardando as bolsas debaixo do guarda-sol. Com roupa.
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  Fim do flashback.

  Esse foi apenas um dos vários momentos em que me senti terrível por estar acima do peso. Não era minha culpa. Pelo menos não totalmente.
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  Minha mãe era dona de um restaurante muito bom na cidade e passava todo seu tempo livre testando novas receitas. Mesmo sendo alimentos saudáveis, eu sempre tive uma fome maior do que o comum – que mais tarde foi diagnosticado por uma nutricionista por ansiedade –, mas o que realmente atrapalhava minha vida, era meu hábito de comer fora de hora e baboseiras, como bolachas e Ruffles.
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  Poderia dizer que o pós-adolescência foi diferente, mas não foi. Eu não me sentia tão impotente quando mencionavam meu peso ou encaravam meu corpo como se não fosse normal estar acima do peso. Eu havia decidido que deveria me aceitar da maneira que eu era. Com o tempo, conquistei uma segurança inabalável que ditava jamais me machucar com o que as pessoas pensavam de mim. Havia dias que eu me sentia linda, outros que me sentia feia, como qualquer mulher.
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  Entretanto, eu sabia que toda essa segurança um dia seria colocada em teste. Seria um dia em que eu me sentiria nervosa por estar sendo avaliada, como o exame médico ao entrar em uma academia ou o check-up que é necessário fazer anualmente depois dos 40 anos.
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  Hoje era o dia. 11 anos depois.
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  - Você está linda, . Linda. – disse à pessoa que refletia no meu espelho. Ela abre um sorriso, como eu, mostrando que, independente dos comentários que fosse ouvir, eu continuaria sendo a mulher segura e feliz. – E que se dane as magricelas. Eu poderia ser magra também. Se quisesse de verdade.
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  Ainda assim, parada dentro do meu carro em uma vaga próxima à entrada do hotel onde o evento havia sido marcado – e já estava acontecendo a uma hora –, perco um pouco do tempo relembrando momentos da formatura de colegial, em 2006, e garanto a mim mesma que aquela insegurança causada na época não retornaria. Porque eu não estou somente linda. Eu sou linda.
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  Foi Gabriela, uma das garotas mais populares do nosso ano, quem marcou o evento. Diz ela que seu namorado era amigo de um dos sócios do hotel, mas todo mundo sabia que não era verdade, afinal, ela namorava o Augusto Silva, o garoto que era um ano mais velho que nós e causou um rebuliço no início do baile porque havia vindo de jeans. Mesmo parecendo patético, aposto que ele não se sentiu nada assim; pelo menos não tanto quanto eu.
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  O evento foi marcado pelo Facebook. Ela chamou a todos que tinha como amigo em sua conta – praticamente todo mundo importante da época e agora – e estes chamaram os demais. Eu era uma das demais. Foi Leticia quem me convidou. Ela se formou em odontologia e tinha um consultório no melhor prédio comercial da cidade; um todo espelhado e com uma vista fantástica, tudo porque seu pai era dono da construtora que subiu o edifício. É por isso que ela estava na lista de amigos de Gabriela. Porque mesmo que antes ela não fosse tão fantástica assim, agora ela era.
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  Vejo meu reflexo revirar os olhos ao pensar quão interesseiros as pessoas podem ser. Na verdade, aquilo meio que me deixa enojada. Talvez porque eu nunca fizesse parte desse meio. Ou talvez porque eu seja comum demais para imaginar como é ter uma vida que todo mundo inveja.
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  Decido acabar logo com tudo e vou em direção à entrada do hotel depois de me garantir que o carro estava trancado mesmo. Um hábito adquirido por conta de uma mãe paranoica. “Sempre confira se o carro realmente trancou. Não queremos voltar do compromisso e não ver o carro onde deixamos.” Mães.
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  - Oi. – digo para um casal de funcionários vestidos de preto que estavam conferindo o nome dos que chegavam na lista de presença. – Sou .
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  - com ? – a mulher perguntou.
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  Se eu tivesse 17 anos, enviaria um olhar feio à ela. Naquela época, achava um absurdo as pessoas não saberem como escrever meu sobrenome; depois que me formei, vi que todo mundo tinha tinha dificuldade em escrever o sobrenome e que eu era a retardada que achava o contrário.
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  - Não, com mesmo. – respondi, dando uma olhada no ambiente dentro do salão.
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  - Olha elaaaaaa! – ouvi a voz estridente de Rafaela lá de dentro.
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  Abri um sorriso sincero, pois Rafa, apesar de às vezes ser uma vadia, sempre foi uma das poucas amigas que se esforçou em não perder contato comigo. Sobre vadia, não é que ela seja vadia comigo. Ela só tem inveja demais e não consegue manter sua boca fechada por muito tempo para segurar sua opinião. Sua saliva contém muito veneno. Fora isso, ela é bastante eficiente e se preocupa muito com os amigos. Como faço parte dessa categoria, pelo menos uma vez por mês saímos para tomar um café e colocar o papo em dia.
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  - Você está ma-ra-vi-lho-saaaa! – veio até a porta me dar um abraço. – Vamos! Está todo mundo aqui, acredita? To-do mun-do!
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  - Espere um pouco, Rafa, ela precisa confirmar…
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  - Aqui, querida, aqui. – Rafaela apontou para o meu nome no papel para a mulher, que abriu um sorriso sem graça e me permitiu entrar. – Caramba, como as pessoas podem não saber como soletrar seu sobrenome?
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  Rafa não mudou muito desde o colegial. Parecia até que ela encorpou, mas manteve a mesma linha de raciocínio, com um toque mediano de amadurecimento. Passou muito tempo fazendo intercâmbio em vários lugares do mundo, até finalmente decidir se formar em uma faculdade de terceira no Brasil e herdar o negócio da sua mãe, uma boutique bem conceituada da cidade.
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  - Não existem muitas Spazzis no mundo. – ergo os ombros.
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  - Vem, você está na minha mesa. Guardei um lugar para você porque só sobrava ele e nós não queremos Tamires conosco. – ela cochichou bem perto de meu ouvido, para que só eu mesma ouvisse.
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  Do nosso quarteto, Tamires foi a única que se afastou. Ou foi expulsa. Eu nunca soube muito bem, porque era peça extra do grupo – aquela que servia para os trabalhos e provas –, mas um dia, há 6 anos, Rafa e Leti me chamaram em um jantar que achei que fosse ser um reencontro depois da terceira vez que Rafa voltou de um intercâmbio. Me surpreendi quando vi somente as duas sentadas na mesa do restaurante e fui informada que Tamires não compareceria mais.
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  - Drogas. Dá pra acreditar? – Leticia disse, estupefata. – Se ela quer usar, tudo bem, todo mundo usa ou tem curiosidade, mas namorar um traficante, e pior! Se tornar como eles?
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  - Não podemos nos relacionar com ela mais. – Rafaela concordou. – E se eles vierem atrás de nós por causa dela?
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  - O fato de nós sermos melhores amigas…
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  - Ex melhores amigas. – Rafa me corrigiu. Apontei para ela, desinteressada.
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  - O fato de nós sermos ex-melhores amigas já não é o suficiente para eles virem atrás de nós?
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  Vi Leticia e Rafaela se entreolharem, mas não quiseram discutir sobre o assunto. A questão era que Tamires estava fora e eu era “finalmente” a ponta do triângulo que nunca foi um quadrado.
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  - Vocês precisam parar com essa baboseira. – digo, caminhando até a mesa enquanto via algumas pessoas que jamais imaginaria ter estudado junto, se não estivesse ali. O evento era proibido para acompanhantes, então era óbvio que todos os presentes foram formandos do terceiro ano em 2006. – Deixem ela pra lá.
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  - Exatamente o que eu disse à Leticia, mas você a conhece. – Rafa disse e logo anunciou minha chegada na mesa de 6 lugares. – Vejam só quem está aqui!
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  - Caramba, ! – Leonardo disse, sentado do lado oposto em que eu me colocava. – Você mudou muito!
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  - Espero que pra melhor. – disse, sorrindo.
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  - Ah, sim! Muito melhor! – ele riu. – Você está respondendo com um sorriso. Já é bem melhor. – rimos juntos.
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  Leonardo foi um garoto de outra sala que entrou no penúltimo ano, mas que se enturmou tão rápido que parecia mais um integrante do grupo do que eu. Na época ele tinha o estilo skatista que estava na moda, o cabelo um pouco mais comprido com a franja jogada para o lado, dando charme nos seus olhos amendoados. Toda garota das salas do nosso ano teve uma queda por ele. Inclusive eu. Mas é claro que ele nunca soube. Pelo menos eu espero.
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  Agora ele tinha os cabelos cortados curtos, mas a franja, apesar de bem menor, ainda fazia parte do seu visual. Ele estava mais alto e encorpado. Usava uma camisa azul escura que realçava seus ombros largos. Pessoalmente, eu sabia que poderia ter uma queda novamente por ele.
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  Mas Leticia havia chego primeiro. E ela estava claramente interessada em relembrar os velhos tempos, já que os dois namoraram por 6 meses no último ano, mas terminaram assim que Leonardo passou na federal no Sul. Nenhum dos dois queriam um relacionamento de longa distância.
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  Só que agora nós somos adultos. Nós não nos importamos com a distância, se o(a) pretendente realmente valer a pena.
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  Bruno era melhor amigo de Leonardo e estava sentado ao lado dele. Fala sério, ele sim mudou muito. Bruno estudou no nosso colégio desde pequeno, por isso, conhecia praticamente todo mundo. Ele fazia parte do grupo de Denis e Gustavo, os populares da sala de nós dois, mas se afastou depois que se identificou muito mais com Leonardo. A conexão dos dois foi tamanha, que até hoje são melhores amigos. Acho isso bem legal, para ser sincera. É diferente uma amizade normal como a que tenho com as meninas, e uma amizade leal como a dos dois.
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  Só que Bruno sempre foi um galinha. O point dele era debaixo da escada do segundo para o terceiro andar que separava o ginásio do colegial, ou a praça do Buxixo, onde todo mundo que não podia entrar em baladas, mas usufruía das mesmas coisas que os maiores de idade, ficavam às sextas e sábados. Seus cabelos louros eram sempre curtos e bagunçados para cima, como se tivesse tomado um choque. Ele não tinha somente o estilo skatista, ele era skatista, e isso lhe atraía um número ainda maior de garotas. Ele quem tirou o BV da Rafaela, mas ela não entra nunca no assunto.
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  Agora ele está formado em engenharia e trabalha em uma das indústrias que tem aqui na cidade. Uma vida bem normal. O que o difere da época da escola, é que ele está sério e muito acima do peso.
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  E aí é que está. Quando você já é gordo(a), as pessoas não se importam em te ver mais ou menos cheio(a). Você já é assim e pronto. Agora, quando você era magro e galinha como Bruno, tornar-se gordo significa que você não está mais magro.
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  É. É bem ridículo.
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  - Ouvi dizer que você virou chef de cozinha, . – Leonardo voltou a puxar assunto, já que Rafaela havia se afastado de novo para cumprimentar alguém, Letícia estava mandando uma mensagem para alguém, provavelmente um paciente, e Bruno estava antissocial demais para iniciar um diálogo.
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  - Nah, só estou cuidando dos negócios da família. – disse. – Porque dá bastante dinheiro. – concluí, vendo-o rir.
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  - Eu gosto do restaurante da sua mãe. É a melhor cozinheira da cidade.
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  - É mesmo. Mas não me pergunte se sei cozinhar.
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  - Por quê? Você não sabe?
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  - Em uma escala de 0 a 10, sou -5.
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  - Ah, qual é! – ele encostou em sua cadeira. – Você tem o sangue da dona Angélica correndo em suas veias.
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  - É, mas o que vale é o sangue do seu Otávio. E seu Otávio só sabe digitar o número do fast food.
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  - É por isso que está solteira? – ele abriu um sorriso divertido que, se não fosse o simpático Leonardo, eu jamais interpretaria como uma brincadeira.
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  - É por isso que eu estou solteira. – concordo com ele. Olho para a cadeira que estava sobrando entre eu e Bruno. Para ser sincera, me senti um pouco incomodada por estar sentada sozinha de um lado da mesa, enquanto Leti, Leo e Bruno estavam do outro e podiam conversar entre si sem precisarem gritar para competir com o som do local. – Quem é o dono da última cadeira? Rafa havia me dito que a mesa estava completa.
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  - É do . – Letícia abriu um pequeno sorriso, que para Leo e Bruno poderia significar N coisas, mas que para mim era uma só “você-está-ferrada”.
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  Eu, na minha tão tediosa adolescência, gostei somente de um garoto. Gostei de verdade, quero dizer. E esse garoto foi .
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  Ele entrou quando estávamos no primeiro ano do ginásio. Veio do Sul e tinha todas as características que um sulista tem. Loiro com os olhos azuis e tão branco que toda vez que seu nome era mencionado para chamar a atenção, seu rosto ficava laranja, a ponto da professora de matemática apelida-lo de “abóbora”. Ele sempre pertenceu à turma dos nerds, mesmo não tendo muitas notas boas. Isso porque ele se identificava com o assunto dos excluídos, que gostavam de bandas de rock e HQ. Garotas era um mundo à parte, diferente do grupo de Denis e Gustavo, que tinham garotas em suas vidas como tinham mães e irmãs, e avós, e tias…
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  Eu nunca costumei gostar de garotos bonitos. Na verdade, eu nem cogitava que ele era “bonito” até todas as meninas dizerem que ele era. Tamires já havia mencionado que eu tinha dedo podre com relação à aparência dos garotos, mas eu nunca fui de me apaixonar por rostos. Eu me apaixonava por sorrisos e caráteres. era fofo. Engraçado, tímido e fofo. Sorria para mim quando me pegava o encarando e me chamava para ser seu par na quadrilha da festa junina. Por sua causa, eu nunca soube o que era ser a última escolhida.
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  Ou seja, bom caráter.
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  Passei todo o ginásio e colegial amando ele secretamente. Achei que ele fosse gostar das magrinhas. Ninguém nunca havia ouvido falar em uma garota que ele era interessado, até o primeiro ano do colegial. Em uma brincadeira de Verdade ou Desafio, ele disse que gostava de mim. Eu não estava por perto, mas quando Rafaela me arrastou até ele para que repetisse a resposta da pergunta que Magda havia feito, ele disse que gostava de mim.
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  Simples assim.
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  Na maior naturalidade.
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  Na minha frente.
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  Naquele dia, me senti uma garota de verdade. Até então, ninguém tinha dito que gostava de mim, muito menos para todo mundo.
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  O problema era que quando dois polos positivos ou negativos se unem, eles não grudam. era tímido. Eu era tímida.
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  A confissão foi o máximo que tivemos de “história”.
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  Ou melhor.
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  Quase.
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  No dia da formatura, Leti me convenceu de me declarar para ele, porque eu não poderia simplesmente terminar o colégio sem ter perdido meu BV, nem muito menos ficar com , que ainda dizia gostar de mim (mas ele nunca mais mencionou em público).
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  Eu demorei horas para reunir a coragem e, quando achei o momento perfeito para dizer, que foi quando o vi caminhar até o banheiro sozinho, meu sonho de viver um romance na adolescência foi pro saco, já que ele não havia ido no banheiro de verdade, mas sim ficar com Samara. Tamires disse mais tarde que alguém disse à ela, que eles haviam combinado esse rolo havia semanas.
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  Tudo o que pensei, então, foi: “Gosta de mim uma ova!”
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  E foi aí que parei de me apaixonar, porque demorei três anos para esquecê-lo. Três anos que me fizeram decidir que eu era linda, sim, e que se fosse para eu viver um romance, o homem que se apaixonasse por mim como sou, apareceria na minha vida e me tomaria para ele. Até lá, eu iria me dedicar à mim e ao meu trabalho, porque todo mundo quer ser rico. Ou pelo menos, menos pobre.
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  Mas agora ele estava aqui. E eu não o via desde aquela época. Ele estava solteiro? Casado? Namorando?
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  - Ele teve que atender a um telefonema. – Bruno finalmente se pronunciou e apontou para trás. Ele não poderia ficar calado a festa inteira, afinal.
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  - Legal. Ouvi dizer que ele se formou em arquitetura. – olhei para Bruno, porque Leo já havia entrado em uma conversa privada com Leti.
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  - É. Ele tem o próprio escritório. Lá nos Lírios.
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  O bairro dos Lírios é o bairro mais nobre da cidade. É lá onde fica os melhores consultórios, clínicas, escritórios e boutiques. Eu nunca havia visto por lá, quando ia visitar Rafaela.
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  “Que bom?” Penso.
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  - E você? Já chegou à gerência?
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  - Já. – ele respondeu, corrigindo sua postura na cadeira. – Me chamaram para a área de consultoria, mas é pacata demais para um engenheiro. Eu gosto da parte de produção. – sorriu pela primeira vez, mostrando que eu estava no caminho certo.
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  - Você sempre foi bom com a prática. – digo, não me importando com a ambiguidade da minha afirmação, porque eu queria dizer nos dois sentidos. Que ele era bom na prática de pegar as garotas quando mais novo, e também era melhor na parte prática dos estudos, do que na teoria. – Eu conheço o Pietro, sabe? Acho que ele é da sua área, pois me disse que você está concorrendo a um prêmio. Parabéns.
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  - Ah, é. Ele é legal. Bastante inteligente. – elogiou, mas eu sabia que era só porque ele o elogiou para mim primeiro. – É só funcionário do ano. Nada demais.
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  Nada demais?
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  Na maioria dos lugares que eu conheço, funcionário do ano é o prêmio ápice da pessoa e um sinal de que ela não seria demitida, mas sim ganharia um aumento ou promoção.
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  - É bom quando se faz o que gosta. – sorrio.
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  - Também é bom cumprimentar as outras pessoas da festa, ao invés de se isolar aqui no canto, ! – ouço a voz de Tamires atrás de mim e preparo meu sorriso para encará-la. – Quanto tempo! – abre seus braços para me dar um abraço, quando me levanto para cumprimentá-la.
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  - É mesmo. – sorri. – Você sabe que eu me perco nos assuntos e esqueço de fazer…
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  - As obrigações, eu sei. Vivemos juntas por muito tempo. – ela disse, sorridente. – E então, o que me conta de novidade? Arranjou um cara rico para namorar?
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  - Não tanto quanto você, acho. – respondo.
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  Tamires ri e me dá um tapinha no braço, como quem diz que eu tinha toda a razão, ela estava com alguém melhor que o meu alguém.
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  - Você não quer me acompanhar até a minha mesa? Estou com uma cadeira sobrando e Rafaela não para de rondar. Acho que ela quer se sentar lá, mas não lhe darei esse gostinho. Você viu como ela engordou?
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  - Mas está mais magra do que eu. – tentei elogiar Rafa com fatos óbvios, mas Tamires não se envergonha por coisas assim.
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  - Por favor! – riu. – Você é tão engraçada! Sinto falta de você.
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  - É mesmo? – mostro interesse e ela pareceu pescar.
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  - É claro! Você sempre foi a mais genial do grupo. Não sei como ainda anda com as duas. Você emagreceu tanto! – ela se afastou para me olhar melhor.
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  - Na verdade, não, Tamires, eu não emagreci nada.
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  - Então talvez seja porque os outros engordaram? – ela diz, pensativa.
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  Quando nós éramos adolescentes, ser idiota assim era normal. As pessoas falavam baboseiras e tudo bem, mas não agora. Agora ela já havia amadurecido. Já havia passado por experiências que deveria tê-la encaminhado a um caminho menos fútil. Ainda assim, tudo o que ela se preocupava em observar, era se as pessoas estavam mais magras ou mais gordas do que antes.
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  - Até que enfim, . – Bruno disse, um pouco mau humorado.
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  Eu e Tamires olhamos para ele, e então para a direção que ele olhava.
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  - ? – Tamires perguntou em meu lugar, deixando-me para trás e pondo-se à frente. – ? Não pode ser.
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  - Sorte minha que eu trouxe minha identidade. – ele respondeu, simpático.
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  Cerca de 90% das pessoas mudam em 11 anos. Dessas 90, 70% cedem às pressões e problemas da vida, alimentando-se pior, fazendo menos exercícios e tornando-se mais sedentária. 15% melhoram por qualquer razão que seja – romance, social, sucesso na carreira, etc. – e os 5% restantes melhoram muito.
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   faz parte do 1% dentro desses 5%. Ele não melhorou somente muito. Não que ele fosse ruim na época do colégio. A questão é que ele não parece nada o de antes.
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   Seus cabelos estavam brilhantes por conta do gel, sua altura era bem mais alta do que eu me lembro e o corpo parecia até estar mais em forma, ao contrário do garoto magricela que era. Sua pele, por incrível que pareça, não era mais tão branca assim. Pelo menos não branca o suficiente para manter o apelido de “abóbora” da professora de matemática.
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  Caramba, ele estava muito bonito. Um galã. Um modelo. Um Deus grego. O Leonardo DiCaprio quando novo.
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  Eu não ouvia direito o que ele falava com Tamires. Estava absorta em sua aparência, descrente de que uma pessoa que eu já achava incrível, fosse se tornar ainda mais fantástica.
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  “Você o esqueceu, sua boba.” Pensei comigo mesma, tirando-me do meu transe.
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  - Desculpe atrapalhar, mas ainda não cumprimentou a Lori, que chegou há pouco. Você se lembra de ? – Letícia repentinamente entrou na conversa dos dois e me puxou para perto dela, colocando Tamires ainda mais longe dele.
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  Seus olhos me encararam e me senti, pela primeira vez em anos, intimidada.
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  Para ser sincera, ele havia sido a última pessoa que me fez sentir assim, mas não é possível que o coração tenha se lembrado de como ele batia por quando eu estava no colégio. Que eu saiba, corações não têm memória, e o cérebro não costuma colaborar muito com ele.
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  - Como poderia esquecer? Tudo bem, ?
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  Eu queria que ele tivesse me chamado pelo primeiro nome. Como as meninas fazem. Que maldito, esse hábito dos garotos da nossa época em chamar as pessoas pelo sobrenome. Nossos pais não passam meses decidindo nossos nomes, para no final eles serem esquecidos e colocados atrás dos sobrenomes, já definido antes mesmo de você ser planejado a nascer.
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  - Tudo. – é o que consigo responder. Ótimo, , bela demonstração de amadurecimento. 11 anos depois uma ova, né!
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  - Enfim! Eu estava dizendo a sobre uma reforma que queria fazer na casa dos meus pais, já que desde a morte do meu pai há um ano e meio, não pude encontrar algum profissional decente para elaborar um projeto interessante. – Tamires voltou ao seu posto, colocando-se ao lado de , que demorou alguns minutos para desviar seus olhos de mim e responder aos comentários que Tamires fazia incessantemente, para que ninguém tivesse a oportunidade de chamar sua atenção.
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  Leo voltou ao seu papel de amigo do Bruno enquanto Letícia me puxava em direção ao banheiro. No caminho, cumprimentei as pessoas que ia reconhecendo e outras que me reconheciam, mas nada demais, porque eu nunca fui amiga de ninguém. Só A fonte, como disse Gustavo uma vez.
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  Ao me ver sendo puxada para uma área mais privada que o banheiro feminino, Rafaela rapidamente se uniu à nós duas, mostrando-se abestalhada quando soube que Tamires fez de a sua próxima vítima.
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  - Ah, fala sério, ela nunca nem olhou pra um fio de cabelo dele! – Rafaela disse, as mãos na cintura. A encarei com mais atenção e pude ver a opinião de Tamires sobre ela ter engordado. Mas me pareceu um engordar positivo, já que ela está bem mais bonita. Virou-se para mim e disse decidida: – , você não me faça o favor de perder para aquela traficante!
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  - Nós não estamos competindo por , meninas. – olhei para o lado e aceitei a taça de vinho branco que um garçom servia. – O que aconteceu foi há anos. Por sinal, vários anos! Além disso, ela está namorando.
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  - E desde quando namorando para Tamires significa ser fiel? – Rafaela disse. – Ela vai agarrar o mais poderoso e se sair bem na vida, esse é o plano da megera!
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  - Olha, eu não me importo com a vida da Tamires. O que ela faz ou deixa de fazer não é da nossa conta, sabe? Ela pode ser a maior biscate, mas no final, quem vai decidir se termina a noite na cama com ela ou não é ele!
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  - É por isso que você tem de tomar uma atitude, Lori. – Letícia disse, chamando a atenção. – Olha, eu sei que você está super segura de si e confia no seu taco. Mas não vai adiantar de nada ter um taco, se você não possui um campeonato para participar. A Tamires acha que é fácil para todo mundo se manter esbelto, mas ninguém teve N namorados ricos para nos manter, como ela teve.
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  - É. – Rafaela concordou. – Você pode ter razão em querer deixa-la para lá. Mas é de você que estamos falando. Você nunca teve nem um paquera, . Precisa começar a investir em romance ou chegará aos 40 sem saber o que é ouvir “eu te amo”.
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  Mordi o lábio e olhei na direção de e Tamires. Isso era verdade. Eu não havia investido em romance, afinal, a promessa era cuidar de mim, não da minha vida amorosa. Achei que se eu tirasse o foco da esperança de chamar a atenção de alguém, essa pessoa chegaria repentinamente na minha vida já interessada.
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  Só que 8 anos se passaram desde a minha decisão e eu continuo solteira.
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  - Vamos para a pista de dança. Como nos velhos tempos. – Rafa disse, puxando minha mão. Tentei me soltar dela, mas recebi o seu olhar. – Se você quer vencê-la, deve fazer algo que é melhor que ela.
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  - E todo mundo sabe que você tem muito mais gingado do que ela. – Leti falou atrás de mim.
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  - Não, não sabem. – disse, nervosa. Não queria dançar no meio de todo mundo, principalmente porque nós não estávamos em uma boate. Estávamos em uma reunião da turma do colégio. A pista era apenas algo simbólico. Ou pelo menos deveria ser.
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  - Pois deviam! – Rafa gritou quando chegamos mais perto da caixa de som, onde era quase impossível ouvir sem gritar até acabar com as cordas vocais.
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  E então aconteceu exatamente o que acontece em festas particulares. Todo mundo está louco para cair na pista de dança, mas até que algum retardado o faça, ninguém toma a iniciativa, e por esse motivo, não demorou muito mais que uma música para a pista estar lotada e todos estarem muito mais à vontade para requebrar e lembrar que, independente de estarmos ou não fazendo movimentos da moda, éramos todos da mesma geração.
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  Eu sempre amei dançar. Um dia, no treino de dança para uma competição do colégio, o dançarino profissional que havia sido contratado pelo grupo para criar a coreografia me colocou na turma principal e disse que eu tinha muita elasticidade. Muito mais do que muitas meninas magras – e por isso, Jessica Ombreé me odeia; fui colocada à frente dela, tapando seu brilho. Depois disso, não tive mais vergonha de dançar, pois se um profissional disse que eu tinha gingado, na minha cabeça, ninguém mais poderia dizer que eu era horrível dançando.
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  Passamos cerca de duas horas na pista. Foi questão de minutos para eu esquecer que estava ali para me mostrar a – algo que eu deveria ter feito na adolescência e não me sentir infantil por estar pensando na possibilidade de suceder – e provar para Tamires que eu era melhor que ela em alguma coisa; que tinha minha própria maneira de ser sexy e não precisava manter o número da calça no 38 para isso.
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  No fim, não sei se deu certo, pois eu, Leti e Rafa nos focamos demais em relembrar os velhos tempos e nos divertir com as músicas de nossa época. Entre risos, brincadeiras e muito álcool, saímos do meio da bagunça comigo tendo em mente que nunca havia me divertido tanto até então.
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  - Meu Deus! Precisamos fazer isso mais vezes! – Letícia disse. – Será que existe baladas como o “Kanguru”, direcionadas à nossa geração? – arfando, pegou uma taça de água e se jogou na cadeira ao lado de Leonardo, que continuava na mesa com Bruno, mas mostravam sinais de que haviam dado uma passadinha na pista.
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  - Não sei, mas deveriam contratá-las como animadoras oficial. – Leo comentou, esticando seu braço para pegar mais uma taça de água para Leti.
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  - Eu não negaria! – Rafaela riu, abanando-se.
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  - Nem eu! – ri. – Preciso ir ao banheiro, já volto!
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  Enquanto saía para ver se conseguia salvar meu rosto vermelho do calor de mostrar menos suor, ouvi Bruno comentar com Rafaela, que riu após ouvir o que ele dizia:
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  - Então quer dizer que as mulheres adultas não vai mais ao banheiro juntas?
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  Não pude evitar rir enquanto caminhava em direção ao toillete. No caminho, as pessoas falavam e riam mais alto. Quem era casado ou tinha filhos já havia sumido, provavelmente ido embora para a vida real. Ainda que metade da turma tivesse se despedido de todos, ainda havia bastante pessoas, algumas desconhecidas. Talvez Gabriela tivesse liberado a entrada dos enteados, já que a redução no número poderia fazer diferença para o resto; e as festas de Gabriela nunca flopavam antes das 4 da manhã.
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  Apertei os passos quando vi a placa do banheiro feminino. Não deveria estar muito cheio ainda, já que a maioria estava na pista dançando ou bebendo. Eu só precisava checar as condições do meu rosto, uma vez que meu suor se mostra só de eu pensar em me mexer. Depois de horas na pista, eu deveria estar em estado de calamidade.
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  Seria legal se conseguisse chegar ao destino final, já que, bem próximo à porta, Tamires e estavam prestes a se beijar.
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  - Ah! – murmurei, sem pensar. olhou para o lado e pude ver Tamires encarar o teto, impaciente. Diferente das vezes que a vi com homens quando éramos mais novas, dessa vez era ela quem o prensava contra a parede. – Desculpe, só preciso…
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  - Não, não tem problema. – limpou a garganta. – Não íamos fazer nada, não é? – perguntou para Tamires sem olhar para ela.
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  Tamires cruzou os braços e se afastou de , olhando feio para mim.
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  - Nós estávamos no meio de algo, , será que mesmo depois de 11 anos você não consegue encontrar o seu lugar?
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  - Como? – perguntei, estática. – Eu estou indo ao banheiro, Tamires, um lugar público.
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  - Não me venha com desculpas. – ela se aproximou. – Eu vi você remexendo esse quadril enorme como se fosse uma cadela no cio. Ter massa maior na bunda não significa que você seja gostosa, amiga.
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  Apertei meus lábios, ciente de que meu estado não estava nas melhores condições. Eu havia dançado muito, bebido muito, pulado muito. Muito mais do que pulei, bebi e dancei quando era adolescente. Por sorte, a bebida estava me deixando corajosa, pois tão rápido quanto Tamires soltou suas ofensas, eu a retruquei com as minhas:
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  - Escuta aqui, sua raquítica! Eu estou farta de você jogar na cara das pessoas sobre o corpo delas. Será que mesmo depois de 11 anos você não consegue enxergar o quão ridícula é? – me aproximei dela assim que a vi arregalar os olhos com o susto, afinal, ela não esperava que essa aqui fosse ter a coragem de responde-la dessa maneira. – Eu estou acima do peso, sim, e daí? Você paga minhas contas para querer cuidar tanto da minha vida? Eu gosto do meu corpo. Sou feliz por não precisar calcular a quantidade de carboidrato que como diariamente. Amo saber que posso comer tudo, a qualquer momento. Então por que você não pega esse seu corpinho de tábua e sai da minha frente porque esse corpo grande aqui não ocupa o mesmo espaço que vadias?
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  E assim, quando vi, já tinha dito tudo.
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   Ouvi palmas e assobios atrás de mim. Não havia percebido que a maior parte da festa estava prestando atenção na nossa troca de elogios. Como uma geração que ama uma briga, não demorou muito para todo mundo começar a soltar suas opiniões sobre Tamires, algo que nem eu, muito menos ela, esperávamos.
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  Eu não queria receber os créditos por ter ofendido alguém. Nunca me senti bem por ver os outros se ofenderem, quanto mais eu fazer o papel da ofensiva. Senti meu rosto queimar mais do que nunca e desisti de ir ao banheiro, dando as costas para Tamires, ainda sem reação, e , que não demonstrava alegria, tampouco indignação por ter presenciado a cena.
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  “Que mico!” Era tudo o que eu pensava enquanto pegava minha bolsa na mesa e dava um rápido “tchau” para aqueles que estavam lá. Não ouvi o que tinham para dizer, porque pareciam não estarem cientes do que havia acontecido – graças a Deus. Saí correndo do local sem pegar a lembrança que Gabriela havia mandado preparar para todos os convidados e em passos largos, tentei deixar o hotel.
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  Tentei, repito.
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  - Espera, ! – a voz de soou ao mesmo tempo que sua mão agarrou meu antebraço. – Você está bem?
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  - Estou, estou. Até mais, … – tentei me soltar dele, olhando para o chão, mas ele não me soltou. Não me deixou ir embora.
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  - Escuta – ele começou. Arrisquei encará-lo, mas ele olhava para os lados, checando se havia alguém para ouvir o que queria dizer. –, me dê um minuto. – disse, puxando-me junto consigo para um aposento do hotel.
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  - Nós não deveríamos vir aqui. – olhei ao redor, bem escuro. – Se alguém do hotel nos pegar…
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  - Não irá acontecer nada. – ele disse, acendendo as luzes externas do salão mediano que parecia ser o local do café da manhã. Uma das paredes era de vidro e onde as luzes haviam ascendido, o que nos permitiu nos sentar lá e aproveitar a iluminação externa para nos encarar – mesmo eu não querendo encará-lo de jeito nenhum.
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  - Olha, eu preciso ir.
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  - Um minuto. – ele repetiu o tempo e eu o encarei. Ele me olhava com aqueles olhos azuis que, por um instante, me levaram de volta para o momento em que eu estava sentada na carteira afastada da dele, bem atrás, e ele, quando se virava para conversar com alguém, cruzava seus olhos nos meus e sorria. – Eu estou tentando falar com você a noite inteira, mas não deu muito certo.
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  - Sua companhia era bem insistente.
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  - Bem insistente. – ele concordou com a cabeça, me fazendo rir. – Eu e Tamires…
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  - Olha – ergui minha mão para ele. –, somos adultos, . E não temos relação nenhuma, então você não precisa se explicar…
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  - Mas eu quero explicar. – ele me cortou, segurando minhas mãos, de modo que surpreendentemente, calei minha boca. – Se eu não explicar, você tirará suas próprias conclusões, que sei que não serão nada favoráveis para mim.
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  - O que irá influenciar…
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  - Caramba, , você realmente não mudou nada. – ele se afastou, soltando minhas mãos e me olhando com descrença.
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  Fui pega de surpresa. Ele era a primeira pessoa que dizia que eu não havia mudado. As outras diziam sempre que eu estava mais bonita ou mais madura, mais segura ou mais magra. Nunca “a mesma coisa”. Foram 11 anos, afinal.
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  - Espero que não mudar seja uma coisa boa, apesar de eu preferir a mim mesma agora, mais do que antes. – quebrei o silêncio, mas não colaborou.
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  Seus olhos permaneceram encarando os meus. Era como se ele procurasse por uma informação, mas não encontrava o que precisava. Analisava e analisava, e analisava ainda mais. Mesmo assim, não dizia nada.
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  - Seu um minuto acabou. – disse. – Estou feliz que esteja bem. Podemos combinar de tomar um café para colocar o papo em dia. – me levantei. – Assim não teremos nenhuma companhia insistente para cortar a nossa conversa.
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  Assim que ousei dar um passo para longe da cadeira – e dele – sua mão segurou a minha e me puxou de volta para o lugar, onde sentei de forma brusca e exclamei um grito de susto e dor.
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  - O que foi? – o encarei, tentando, ao máximo, mostrar meu nervosismo por não estar sendo liberada. – Você quer ficar quanto tempo mais calado?
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  - Você se lembra da aula de artes no primeiro colegial? – ele perguntou.
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  Não pude responder de imediato. Era claro que eu me lembrava. Como poderia esquecer? Foi a primeira e única vez que uma pessoa disse que tinha interesse em mim.
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  Tentei encarar , mas mesmo com a iluminação externa, encontrava dificuldade em enxergar o que eu queria. O garoto de antes. Agora ele estava adulto demais. Maduro demais. Responsável demais. Ousado demais.
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  - O que tem? – perguntei-lhe de volta.
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  - Desde aquela época, nada mudou.
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  Era claro que ele deveria estar brincando. Não podia ser verdade, pois não fazia sentido. Como, em qualquer circunstância, pode nada ter mudado em 13 anos?
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  - Impossível. – disse.
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  - Eu também acharia, se não fosse a pessoa que não esqueceu você.
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  Abri a boca e fechei dezenas de vezes. Literalmente, dezenas. Pisquei mais forte, respirei fundo, olhei ao redor em busca de provas que comprovassem que era uma brincadeira de mau gosto. Mas ninguém apareceu e os olhos azuis permaneceram me encarando.
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  - Você ficou com Samara Cardoso no baile de formatura. – acusei.
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  - Como você…
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  - Eu vi.
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  - Foi uma aposta. Eu havia perdido.
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  - Besteira.
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  - A culpa, na verdade, foi sua. – ele disse, quando ameacei me levantar.
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  - Como?
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  - Se você tivesse me dito que também gostava de mim, mesmo que fosse por outra pessoa ou até por uma simples carta, eu teria ganho e poderia ter beijado você no baile.
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  - Quê? Você apostou que eu me declararia? – perguntei, chocada. – Que… porcaria de…
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  - Infantilidade. – ele disse, calmo, como sempre.
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  - Sim!
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  - Eu tinha 17 anos, , podia ser muitas coisas, menos adulto. – se levantou ao ver que eu já estava de pé e poderia sair correndo a qualquer momento. Não que fosse adiantar, já que ele poderia me alcançar com facilidade antes mesmo de eu atravessar a porta para o saguão. – Mas você sabe como os garotos são naquela idade. Imaturos e com sede de mostrar que é o melhor.
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  - Tudo bem. Mesmo que tenha sido assim. Você se declarou no primeiro colegial.
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  - E mesmo com dois anos para se declarar, nem um sinal de fumaça aconteceu. – vi suas mãos mergulharem no bolso da calça social e me fazer sentir patética. Patética por descobrir que, durante todo o tempo que me vi apaixonada por ele, bastava que eu lhe dissesse, ou escrevesse, meus sentimentos e então teria tido um romance na adolescência.
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  - Você não tentou mais nada…
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  - É claro que isso fazia parte da aposta. Você pode perguntar a Leonardo e Bruno, eles apostaram em você. – fez um movimento com a cabeça, apontando na direção da onde a festa acontecia.
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  - Todo mundo sabia?
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  - Todos os garotos sabiam.
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  - Ainda assim, não faz sentido você dizer que nada mudou. – arrumei meu vestido em um ato de nervosismo. – Foram anos.
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  - Muitos anos. – ele concordou. – Achei que seria mais fácil passar anos longe de você, do que os dois esperando com expectativa por um contato seu.
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  - Você não concorda que não dá para entender?
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  - Como eu sobrevivi?
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  - Como você manteve esse sentimento? Ele com certeza é apenas uma lembrança do passado, . Nós não nos falamos a 11 anos.
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  - Bem, não exatamente. – ele disse. – Eu peço comida no restaurante da sua mãe toda terça e sexta, e pelo que eu saiba, é você quem atende o telefone.
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  Abri a boca, em choque. Eu queria gritar um “ah, fala sério!”, mas nem um “ah…” estava saindo de mim. Vi dar um passo para frente, as mãos ainda comportadas em seus bolsos.
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  - Depois que nos formamos, voltei para o sul fazer a faculdade que meu avô queria. Não sou muito fã de Direito, mas foi o acordo que fiz com meus pais. Formar em Direito e poder voltar para cá viver o resto da minha vida.
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  “Eu poderia usar o tempo para te superar, pensei. Achar uma pessoa nova. Focar no trabalho. Viajar. Descobrir coisas novas. E não sei se você sabe, mas não importa quantas oportunidades surjam em sua frente, se elas não forem melhor do que você tinha, não irão superar nada.”
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  “Saí com dezenas garotas. Loiras, morenas, ruivas, mulatas, asiáticas, negras e até estrangeiras. Cariocas, mineiras, baianas, paulistas… foram várias. E não estou exagerando quando digo várias.”
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   abaixou levemente seu tronco, porque queria que seu rosto ficasse na altura da minha, ou melhor, seus olhos na altura dos meus. Não vi seus lábios se mexendo enquanto falava, porque estava perdida demais naquelas orbes azuis.
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  - Mas nenhuma delas era você.
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  “Nenhuma delas mostrava interesse nos assuntos que eu tinha interesse e, quando mostravam, não sabiam o suficiente para manter um diálogo por mais de 10 minutos.”
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  “Nenhuma delas respeitavam o meu silêncio ou minha timidez.”
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  “Nenhuma delas achou ofensivo eu ter o apelido de “abóbora” na escola.”
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  “Nenhuma delas me ligava quando eu faltava em uma aula para saber se eu estava doente ou vagabundeando.” Nós rimos.
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  - Mas o mais importante: nenhuma delas me encaravam com a mesma admiração que você me encarava. O tipo de olhar que faz qualquer garoto ou homem sentir que é um homem na vida de uma mulher. Que faz você querer ser o mundo de alguém.
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  Arregalei meus olhos.
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  Não podia ser.
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  Era um absurdo.
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  Como, em sã consciência, neste mundo real que é caótico, pode ter como razão principal de seus sentimentos por mim, a mesma razão que eu tinha sobre meus sentimentos por ele.
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  Foi aí que eu vi por que ele não havia me esquecido.
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  Eu também não esqueci.
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  Ou meu coração quem escondeu a parceria negra com minha mente e, unidos, guardaram em um local muito bem escondido em alguma parte do meu cérebro, a sensação de ser interessante para alguém.
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  - Eu achei que você fosse se interessar por alguém mais…
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  - Social?
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  - Bonita.
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   riu.
  - Você sempre foi bonita. Sempre foi linda.
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  - Tá bom. – ri em descrença.
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  - Ora, para mim, você sempre foi a garota mais estonteante do nosso colégio. Hoje, confirmo que você é a mulher mais estonteante do Brasil e possivelmente alguns lugares do mundo.
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  Soltei uma gargalhada com seu comentário.
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  - Alguns lugares do mundo?
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  - Bem, eu não fiquei com várias mulheres de um mesmo país estrangeiro. Foram só algumas. – ergueu os ombros, como se fosse normal ficar com N mulheres. – Eu concordei em fazer essa festa aqui…
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  - Oi? – o cortei, calando-o. – Você o quê?
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   suspirou e finalmente tirou sua mão esquerda do bolso, levando-o à cabeça, onde bagunçou os cabelos modelados pelo gel.
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  - O irmão de Gabriela foi meu veterano na faculdade. Ele me ligou há alguns meses para saber se eu podia quebrar um galho para ela. Como eu devia uma, aceitei.
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  - Sem ofensas, mas não é isso o que eu quero saber. – disse, surpreendendo-o.
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  - Não?
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  - Não. Eu quero saber que papo é esse de você permitir fazer a festa aqui. Você trabalha aqui?
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   me encarou com um sorriso de ironia enquanto pensava em uma resposta.
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  - Você é mesmo espetacular. Ao invés de querer saber sobre minhas relações, quer saber se trabalho aqui. – riu consigo mesmo, por um motivo que só ele entendia. – É claro que eu trabalho aqui, , eu sou o dono daqui.
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  - OI? – gritei, vendo-o erguer os ombros, como se não fosse nada demais.
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  - Grand . – ele disse, sereno, o nome do hotel.
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  - Ah, cala a boca! – exclamei, tirando risadas dele. – É mentira!
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  - Era do meu avô. Fazia parte do acordo.
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  - Mas você é advogado!
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  - E administrador. – ele completou. – Quando voltei, fiz um curso de administração para tomar conta daqui. É melhor do que ficar na sede lá no Sul. Muito perto da família.
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  É óbvio que não falei mais nada. Eu estava abismada com a ideia de que era o dono do lugar. Dono.Dono!
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  - Podemos voltar ao papo de nós dois?
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  - Você está me dizendo que é rico e está apaixonado por mim?
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  - Você está mesmo pensando em aplicar o golpe do baú em mim? – vi um sorriso malicioso se formar. – Pareço mais atraente assim?
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  - Eu gostava do garoto de antes. Sinceramente, fora sua aparência, sua profissão é a única coisa que me chama a atenção.
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  - E onde está a garota toda romântica?
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  - Cresceu e viu que sem dinheiro não dá para ser feliz. Não dá nem para ter saúde direito! – exclamei, ouvindo mais de sua risada. Eu mesma estava me divertindo em dizer tanta besteiras realistas. – Mas você pode tentar me chamar para um jantar e fazer mais declarações para valer pelos anos que se passaram.
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  - Desculpe, mas acho que quem deveria ter se declarado era você. Eu fiz a minha declaração a 13 anos atrás.
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  - E você quer mesmo que eu a considere? Mesmo depois de ter visto você beijar Samara no baile de formatura e descoberto que você dormiu com meio mundo?
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  - Para sua informação, eu não dormi com meio mundo. Eu beijei meio mundo. Apesar dessa sua personalidade segura ser bastante interessante, quero deixar explícito que gostaria muito de ver a garota que vi pela última vez há 11 anos.
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  - Ora, essa sou eu agora. Você deve rever seus conceitos.
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   sorriu um sorriso diferente. Um sorriso de alegria e de confiança. De fato, não era igual o sorriso tímido e carinhoso que ele me dava na época do colégio, mas definitivamente não era um sorriso menos melhor que aquele.
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  - Essa é a sem o . – ele murmurou, o que descobri estar bem próximo a mim. Por conta da péssima visibilidade pela falta de iluminação, não era fácil ter noção da distância das coisas, ou dele. – A com o é do jeito que o a deixou. Carinhosa e fantástica.
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  Abri um sorriso, sentindo as famosas borboletas no estômago dançarem dentro de mim. Eu podia ser madura. Podia ser mais gorda ou mais feia do que antes. Podia achar que havia mudado da água para o vinho.
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  Mas enquanto me dissesse que eu era a mesma por quem ele se apaixonou há 11 anos, eu não me importaria em voltar a ser a garota isolada e com vergonha de enfrentar os outros. Mesmo sendo daquela maneira, eu seria feliz em saber que existe uma pessoa no meu mundo que me ama como eu sou. Imperfeitamente perfeita para ele.
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Fim

  Nota: Faz um tempo que eu não escrevo uma songfic! Me diverti bastante.
  Essa música foi um desafio para mim, porque não sabia direito qual gênero abordar. Acabei me empolgando demais e quase a tornei uma longfic! Sorte que deu para atender ao número máximo de páginas e deixar um final fofo (:

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Liv
Liv
1 ano atrás

Ahhh, Nat! Que fic maravilhosa! Eu gostei de cada detalhe, ainda mais deles dois. Que graça! <3

Comentário originalmente postado em 18 de Dezembro de 2016

effystanfield
effystanfield
1 ano atrás

Aaaaaaaaah, socorro, Nat, que história fofa! Entendo bem a dificuldade que você teve, pois fazia tempo que eu queria escrever uma história baseada nessa música, mas não conseguia decidir como abordar e por isso indiquei no songfic, mas você soube muito bem como fazer uma história super fofa, como sempre hahaha! 

Comentário originalmente postado em 19 de Dezembro de 2016


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