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Alter Ego

Introdução – Marco zero

  As risadas divertidas das crianças ecoavam por toda a casa naquela noite de sexta-feira como sempre fora. Era fim de semana, elas queriam comemorar! brincava com sua irmã mais velha e seus outros dois irmãos, eles adoravam brincar de pega-pega dentro da casa exatamente pelo fato de haver a mobília da casa como obstáculos. A pequena se divertia mais do que nunca, ria e corria dos irmãos, sua mãe olhando-os com alegria.
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   sempre fora como qualquer criança, esperta, brincalhona… Sempre até aquele momento.
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  Aos quatorze anos nada mais era uma maravilha como quando eram todos crianças inocentes, a mãe havia adoecido e há alguns anos falecera deixando um enorme vazio na família e no coração das pequenas crianças que mal sabiam lidar com aquilo. O pai havia se tornado alcoolista e violento, descontando suas mágoas em seus filhos.
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  Allan e Mark já haviam saído da casa, estavam estudando em outra cidade; restaram apenas e sua irmã, Mary. As duas sofriam com a agressividade do pai durante as piores noites, mas sofria mais. Ela nunca fora de aceitar tais atos.
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  Numa noite chuvosa, o homem que um dia as duas chamaram de pai, chegou caindo de bêbado em casa e, como de costume, foi de encontro às irmãs para descontar sua ira. Ele pegou Mary fortemente pelo braço gritando frases incompreensíveis deixando a garota assustada. A irmã mais velha sempre fora a mais frágil e as duas eram unidas demais para que deixasse Mary sofrer sozinha. Naquela noite chuvosa resolveu intervir. Com toda a força que conseguira juntar, ela separou o pai da irmã e o empurrou para longe. Mary chorava e soluçava ainda assustada quando gritou para que ela corresse. tentou acompanhar, mas foi pega de surpresa pelo pai. Aquela foi a pior das noites. O homem bêbado a espancou, bateu na própria filha com um ódio incontrolável; quando finalmente acabou, largou-a no piso de madeira da sala e foi trancar-se em seu quarto.
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   permaneceu encolhida onde fora largada. Sentia dores em todo seu corpo, já havia passado por aquilo milhares de vezes desde que sua mãe morrera, mas nunca apanhou tanto, não de forma que machucasse daquele jeito. Ela escorou-se num dos braços tentando fazer o mínimo de movimentos bruscos, suas costelas doíam ao inflar os pulmões de ar. Ainda sentia o sangue escorrendo de algum machucado em seu rosto. Com certa dificuldade levantou-se e direcionou-se para fora da casa. Não se importava com a chuva forte que caía na rua, precisava de alguém naquele momento, precisava de alguém que pudesse fazê-la se sentir protegida.
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   atendeu a porta e por um segundo ficou sem ação. À sua frente se encontrava uma ensanguentada e dolorida.
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  - ? – murmurou abrindo mais a porta enquanto puxava a amiga para dentro da casa. – O que houve?
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  A garota não respondeu, tudo o que conseguiu fazer foi chorar. Chorou tudo o que havia segurado por anos apenas para si. Chorou de raiva, de dor, de tristeza.
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   não questionou, levou a amiga para a garagem onde geralmente os dois passavam os dias de tédio, e a fez se sentar no sofá velho, mas aconchegante, que se encontrava ali. Ele a abraçou tentando confortá-la. Doía vê-la daquela forma, doía saber que quase todas as noites ela tinha de lidar com a loucura e ira do pai; doía saber disso e não poder ajudá-la de uma forma definitiva…
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  - Tudo vai ficar bem, … – O rapaz murmurou dando um beijo na testa da menina.
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  Os dois passaram vários minutos daquela maneira, em silêncio e abraçados. sentia-se protegida ao lado do amigo, poder sentir que ele estava ali com ela trazia-lhe alívio, mas ela estava cansada de se sentir com medo, de ter de se sentir aliviada.
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  - Eu cansei, . – Ela murmurou desfazendo o abraço.
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  - As coisas vão mudar. – O rapaz encarou o olhar distante de tentando decifrá-lo.
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  - É, as coisas vão mudar. – Retrucou ela, o brilho no olhar apagando-se.
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  Naquela noite, decidiu não sentir mais medo, não se sentiria mais intimidada por nada e por ninguém. Ela não sentiria mais nada.
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Um – Princeton-Plainsboro

  Aquele nojento tinha que parar de me pressionar, detesto ser pressionada, ainda mais por um fracassado como Bob que faz qualquer coisa por uma migalha de pão. Quem ele pensava que era para me chantagear? Desliguei a droga do celular sem deixar que o inútil do meu colega de trabalho terminasse a frase que queria. Pouco me importava o que ele tinha para dizer ou reclamar, eu o tinha em minhas mãos e ele sabia disso. Mas é claro que é da natureza masculina querer parecer superior às mulheres, e é por isso que Bob Jenkins acabara de ferrar qualquer oportunidade de subir de cargo com a ajuda da minha pessoa. Eu já havia conseguido tudo o que queria com ele; Jenkins já não me servia de nada, a não ser para lamber o chão no qual piso. Já havia algum tempo que Bob vinha com suas chantagens baratas e nada elaboradas para cima de mim, eu estava cansada de ter de aturá-lo e naquela manhã de sexta ele teria uma surpresinha quando chegasse ao trabalho.
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  Liguei o rádio do carro numa estação qualquer enquanto dirigia para uma filial da empresa onde trabalhava. Minutos de paz foram míseros, logo o celular tocou novamente, um barulho irritante para meus ouvidos. Foi algo estranho o que aconteceu. A cada toque novo do aparelho que se encontrava no banco do carona, mais o som parecia irritar minha audição. Alguns segundos e a irritação passou para uma grande pressão em meus ouvidos e a dor insuportável não tardou a chegar. Freei bruscamente com o carro quando a dor se tornou ainda pior, as buzinas irritadas apenas agravando a dor. Saí do carro tonta e caí de joelhos no asfalto sem me importar com os motoristas hostis que me xingavam ou buzinavam enquanto passavam por mim. Tentei sanar a dor tapando meus ouvidos, mas a cada carro que passava por mim buzinando, mais eu sentia que meus tímpanos estavam prestes a estourar, então gritei de dor.
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  Eu ainda sentia minha cabeça latejar e meus ouvidos vibrarem pelo ocorrido. Um homem parou seu carro atrás do meu e com gentileza ajudou-me a sair do meio da rua, logo depois ligando para a emergência. Trouxeram-me ao hospital Princeton Plainsboro e depois de me submeterem a uma série de exames e me medicarem, me largaram naquela porcaria de ala de emergência numa maca que fedia a gente. Queria por todo o céu sair daquele lugar cheio de moribundos que me encaravam como se não tivessem que se preocupar com suas próprias vidas… Não conseguia entender por que eles ainda me prendiam ali. Tudo estava melhor, meus ouvidos não doíam mais; por que continuar com essa inutilidade?
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  Eu estava irritada, então resolveram ligar para meu marido. Não sei de onde diabos eles conseguiram o número de , só o que sei é que logo ele estava sentando ao meu lado na ala de emergência segurando minha mão, completamente preocupado.
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  - Estou bem, . – Murmurei. – Só quero ir embora.
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  - Eles disseram que vão te encaminhar para uma área de diagnósticos com profissionais mais competentes para seu caso. – murmurou de volta dando-me um beijo na testa.
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  Suspirei. Como eu detestava quando ele queria dar uma de esperto tentando me explicar alguma coisa que sequer ele mesmo entendia.
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  Finalmente me tiraram daquela ala irritante e por algum motivo me levaram ao andar de internação. Eu me sentia melhor, por que precisava ficar ali e em especial naquele andar?
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  - Seu caso foi passado para o Dr. Gregory House. – Uma enfermeira explicou anotando alguma coisa em minha ficha.
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  Gregory House, hein? Interessante o número de vezes que ouvi falar seu nome e o de sua maravilhosa e competente equipe. Tudo bem, talvez não fosse assim tão ruim passar mais algumas horas ali. Ao menos a cama era mais confortável que a da ala de emergência.
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  Depois de alguns longos minutos com contando sobre seu trabalho, quatro médicos vieram ao meu quarto.
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  - Olá, , certo? – O homem negro cumprimentou ao mesmo tempo em que lia minha ficha. Assenti sorrindo ao reconhecê-los.
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  - Sim, . – Sorri encarando aos outros três. O mais baixo, Taub, parecia intrigado com algum fato; o loiro de olhos claros, Chase, parecia animado; o médico que me cumprimentara primeiro, Foreman, parecia indiferente, mas mantendo o sorriso nos lábios; a única mulher do grupo, Hadley, parecia estar preocupada com outras coisas.
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  - Você teve uma arritmia cardíaca. – Chase começou explicando enquanto empurrava uma cadeira de rodas em direção à minha cama.
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  - Arritmia cardíaca? Isso não deveria se manifestar no coração? – perguntei erguendo a sobrancelha.
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  - Bem, algumas raras vezes ela se manifesta como dor no ouvido e eis por que estamos aqui, vamos fazer alguns exames. – O Dr. Robert continuou sua explicação, ainda com um sorriso de interesse nos lábios. Assenti compreendendo.
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  - Interessante, doutores Taub, Chase, Foreman e Hadley! – exclamei encarando a cada um.
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  - Acertou os quatro! – Taub se pronunciou pela primeira vez.
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  - Incrível, tantos médicos e todos tão atenciosos para cuidarem de mim. – Sorri me levantando com cuidado da cama para me sentar na cadeira de rodas que eles trouxeram.
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  - Pois é, nem precisávamos estar todos aqui. – Ouvi a doutora Hadley retrucar e então olhei para ela por alguns instantes, ela parecia não ter gostado de mim.
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  - Bom, o fato é que seu caso é muito interessante e também um desafio para nós… Estamos todos interessados. – Chase murmurou empurrando a cadeira de rodas em direção ao corredor.
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  Levaram-me a uma sala de exames onde me fizeram um eco-cardiograma e algumas coisas mais, apesar de toda a atenção, aquilo era tediante.
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  Em meia hora estava tudo pronto e então os quatro médicos e me levaram de volta ao quarto.
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  - Oi, . – Ouvi uma voz conhecida murmurar assim que entrei no quarto. Era Bob.
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  - Bob, legal da sua parte vir visitar a . – Ouvi murmurar olhando em direção ao visitante com um sorriso um tanto cordial. Ele não sabia por que Bob estava ali, não como eu.
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  - É, agora eu tenho bastante tempo livre. – Jenkins retrucou se levantando da poltrona em que estivera sentado por longos minutos esperando que eu chegasse. – Graças a você, . – Ele olhou em minha direção com rancor.
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  - Você foi o incompetente e quer colocar a culpa em mim? – perguntei.
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  - Eu fiquei sabendo da tal ligação anônima, ! – Bob exclamou com raiva apontando em minha direção.
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  - Então é isso, Jenkins? Vai cuspir no prato que comeu? – perguntei sentindo outros cinco olhares sobre mim. – Se não fosse por mim, nem aqui você estaria. – Retruquei lançando-lhe um olhar nada gentil.
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  - Ah é, agradeço por ter me botado no olho da rua. – Ele murmurou visivelmente alterado. – Mas não importa, eu só vim me despedir de você. – Ele murmurou caminhando até mim. Bob se inclinou em minha direção segurando meu rosto.
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  - O que pensa que tá fazendo?! – exclamei no mesmo instante em que puxou o homem para longe de mim.
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  - Nunca mais toque na minha esposa. – murmurou sério enquanto continuava a segurar Jenkins. Sua mão livre estava em punho, os nós dos dedos destacados.
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  - Você é um panaca, . Ela não te ama mais do que me ama. – Bob murmurou com um sorriso tonto nos lábios.
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  - Que merda é essa, Jenkins? – perguntou já alterado.
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  - Eu tive um caso com ela, espertão. – Bob sorriu ainda mais enquanto via se afastar um pouco.
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  - Escuta, é melhor você voltar outra hora. – A doutora Hadley murmurou fazendo sinal para os seguranças do andar enquanto encarava a cena, incrédula.
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  - Tudo bem, tudo bem, já estou saindo! – Jenkins exclamou erguendo os braços. – Adeusinho, . – Bob murmurou com seu sorrisinho idiota nos lábios.
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  Respirei pesadamente e logo estava ajoelhado a minha frente acariciando meu rosto.
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  - Você tá bem? – perguntou levantando meu rosto para poder encará-lo.
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  - Tô. – Funguei. – Você não acreditou no que ele disse, acreditou? Sabe que é tudo mentira, não sabe? – questionei demonstrando minha aflição.
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  - Hei, calma. É claro que não acredito, ele é só um babaca. – levantou-se e me deu um beijo na testa voltando a acariciar meu rosto.
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  - Eu te amo, … – Murmurei envolvendo a cintura dele num abraço.
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  - Também te amo, . – Ouvi ele dizer de volta.
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Dois – Descoberta

  - Olá, lembra de mim? Sou a doutora Hadley. – A moça de branco murmurou adentrando meu quarto com um sorriso estranho nos lábios.
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  - Claro que me lembro. – Respondi devolvendo-lhe o sorriso.
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  - Precisamos fazer uma ressonância para descartar qualquer ameaça de tumor no cérebro. – Ela murmurou pegando a cadeira de rodas que estava encostada num canto do quarto.
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  - Espera, tumor? – perguntou parecendo assustado.
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  - Não se preocupe, só queremos ter certeza de que está tudo bem com o cérebro dela. – A doutora Hadley sorriu tranquilizadoramente em direção a . – Vamos ? – Ela sorriu em minha direção e então eu me levantei com a ajuda de e sentei-me na cadeira de rodas. – Ela estará de volta em alguns minutos, não precisa se preocupar, senhor . – E então nós partimos para a sala de ressonância.
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  A doutora Hadley foi explicando o procedimento durante todo o caminho antes de me fazer deitar na máquina e ir para trás de uma divisão de vidro onde ficavam os controles da ressonância.
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  - Agora escute, , vou ficar fazendo perguntas e nós ficaremos conversando durante o processo, ajuda a relaxar, ok? – Ouvi a voz da médica soar pelos alto-falantes instalados na sala.
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  - Certo. – Murmurei, e então o barulho da máquina funcionando começou.
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  - Ok, que tal me dizer como conheceu . – Ouvi a voz da médica novamente.
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  - Na escola. Era meu melhor amigo. – Respondi erguendo a sobrancelha.
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  - Hum, legal. E como é a relação com sua família?
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  - Meus pais estão mortos e não tenho muito contato com meus irmãos. Todos nós trabalhamos muito. – Respondi.
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  Ficamos em silêncio por alguns instantes.
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  - Não detesta quando isso acontece? Quer dizer, quando o silêncio acaba reinando numa conversa? – Doutora Hadley murmurou num suspiro.
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  - É, é… Constrangedor… – Concordei.
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  - Me fala de alguma boa lembrança que você tem…
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  Pensei por alguns instantes…
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  - Acho que a melhor lembrança que tenho é da minha lua de mel. sempre foi um desses caras românticos e tradicionais, me carregou para dentro do nosso chalé nos Alpes. Fizemos chocolate quente e ficamos felizes com o fato de que, mesmo todos sendo contra nossa união, tudo estava dando certo…
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  Quando terminei de falar ouvi um barulho e constatei que provavelmente o alto-falante estava sendo desligado, alguém tinha entrado na sala de controles com a Drª Hadley.
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  Um minuto se passou em silêncio, eu só podia ficar encarando o branco das luzes da máquina girando ao redor de minha cabeça.
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  - Certo, , terminamos por aqui. – Hadley murmurou e logo depois já estava me ajudando a me levantar e a sentar na cadeira de rodas.
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  O Dr. Foreman estava com ela e lhe fez a gentileza de empurrar minha cadeira até chegarmos ao meu quarto onde me esperava parecendo impaciente na cadeira que puxara para ficar mais perto de mim na cama.
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  - E então? – perguntou se levantando.
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  - Está tudo certo, sem vestígios de tumor. – A doutora Hadley anunciou e eu pude ver soltar o ar em sinal de alívio.
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  - Pare de se preocupar, seu bobo! – Dei tapinhas leves em seu rosto enquanto me deitava de volta na cama.
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  - Vamos dar os resultados do exame ao Dr. House. – Foreman disse num balançar de cabeça puxando sua colega para fora do quarto de vidro em que eu estava instalada.
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  - São bons médicos… – Murmurei vendo que ainda tinha ar de preocupação no rosto.
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  - Sim, são os melhores, ao menos é o que dizem, não? – Ele olhou para mim e então sentou-se na beirada da cama ao meu lado passando um dos braços por meus ombros. – Você se sente melhor, ? – perguntou ajeitando meus cabelos. Assenti. – Acho que você está precisando de férias. – Murmurou me fazendo rir.
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  - E quem é que vai sustentar a casa? – Brinquei e ele riu.
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  Vi de relance a imagem de um homem de bengala falando algo para o Dr. Foreman do lado de fora de meu quarto, instantes depois, o mesmo homem e mais Foreman e Hadley entraram.
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  - Pode dar o fora daqui? – o homem de bengala perguntou olhando para que o encarou um tanto espantado, mas mesmo assim ele se levantou lentamente e me encarou, como se me perguntasse se devia ou não sair dali. Eu assenti sorrindo, tentando tranquilizá-lo. – Obrigado. – O homem sorriu assim que começou a caminhar para a porta. – Viu, foi o obrigado. – Ele murmurou para o Dr. Foreman que estava ao seu lado, este apenas revirou os olhos.
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  Encarei os três a minha frente e logo meu olhar acompanhou o andar do homem de blazer cinza com a bengala em minha direção.
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  - Oi, sou o Dr. House. Desde quando é psicopata? – o homem perguntou em tom casual, como se estivesse comentando o tempo ou as horas.
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  Encarei-o descrente.
  - Está brincando? – questionei encarando a todos a minha volta, esperando que alguém risse do comentário. Não aconteceu. – Tá querendo dizer que sou como Ted Bundy?
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  - A psicopatia tende a má fama, mas ser psicopata não quer dizer que você seja violenta. Você só não tem consciência, não tem emoções normais, manipula todo mundo ao seu redor, é promíscua e mente patologicamente. Algo soa familiar? – O tal Dr. House perguntou com um sorriso.
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  - Por isso tava fazendo todas aquelas perguntas? – perguntei à doutora Hadley que apenas assentiu.
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  - O que podia fazer? Você a assusta. – Dr. House murmurou. – Claro que isso é normal de se acontecer ao lado de um psicopata.
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  - Olha, eu não sei do que estão falando, só sei que estão me assustando. – Murmurei olhando a todos.
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  - Relaxa. – House murmurou com um sorrisinho nos lábios. – Temos a obrigação de manter sigilo tendo você como paciente e você tem um problema cardíaco não identificado que pode te matar a qualquer momento, então, se quiser continuar a sua “caça”, continue, mas precisamos saber da verdade.
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  Alguns instantes em silêncio para que eu pudesse raciocinar sobre tudo aquilo. Eu corria um risco de vida, ele queria me ajudar…
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  - O que querem saber? – perguntei por fim me decidindo. Era óbvio que eles sabiam, eles tinham a prova no exame de ressonância que eu havia feito, não havia como continuar mentindo e escondendo o fato, não para eles ao menos.
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  - O que seu colega falou, era verdade? – a doutora Hadley perguntou se aproximando séria. – Imagino que ele tinha razão sobre a traição e a demissão. – Ela disse num tom irritante.
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  - Olha, ele sabia bem no que estava se metendo, certo? – respondi impaciente. – Ele transava toda quinta à noite e eu ficava com os melhores trabalhos dele. Simples.
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  - E o que você ganha com o casamento? – Foi a vez do doutor Foreman questionar.
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  Suspirei. Por que mesmo eu tinha que responder todas aquelas baboseiras?
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  - O mesmo que ganho trabalhando. – Respondi como se fosse óbvio. – tem um fundo de pensão, fizeram eu assinar um acordo pré-nupcial. – Completei.
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  - Viu? Dinheiro. Até que ela não é tão esquisita assim. – House murmurou para os médicos de sua equipe.
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  - Eu não sou tão diferente dos outros quanto pensam. Todos que conheci, colegas de trabalho, irmãos, tios, vizinhos… Todos só pensam em si mesmos, são egoístas, a diferença entre mim e eles? Eu ao menos admito isso. – Rebati.
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  - Ela me lembra alguém que eu conheço… – A doutora Hadley murmurou desviando levemente seu olhar para o chefe.
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  - Não me diga! – House exclamou em desdém. – Desde quando você é assim? – perguntou o médico voltando-se novamente em minha direção.
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  - Sempre fui assim. – Desviei por um instante meu olhar para a doutora Hadley que me encarava desacreditada. – Será que agora podem tratar do meu problema? – Voltei-me novamente para o doutor House, que franziu o cenho, deu meia volta e então saiu do quarto sem dizer mais nada. Segundos mais tarde Foreman e Hadley saíam atrás do chefe.
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Três – Comentários

  O Dr. Taub e a doutora Hadley voltaram de noite para meu quarto.
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  - Viemos fazer testes para sífilis e doença de Wilson. – Taub murmurou postando-se ao meu lado da cama colocando suas luvas e Hadley foi para o meu outro lado auxiliá-lo.
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  - Espera, sífilis? – perguntou arregalando um pouco os olhos.
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  - Mesmo que o resultado dê positivo não precisa se preocupar. – Taub murmurou encarando a nós dois.
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  - É teste para sífilis! – exclamou incrédulo.
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  - Amor… – Murmurei encarando-o. se preocupava demais, era irritante!
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  - Não é mais contagioso no estágio que estiver. – O médico baixinho explicou e a expressão de apenas ficou mais incrédula.
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  - Não estou preocupado comigo! – exclamou. – Só quero que ela fique bem… – Murmurou por fim lançando-me um de seus olhares de preocupação.
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  A doutora Hadley permaneceu calada durante toda aquela conversa, apenas observando. Eu bem podia imaginar o que ela estava pensando sabendo o que ela sabia.
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  - Ela pode ter pegado quando nasceu, não significa que ela tenha te traído, caso esteja preocupado com esta hipótese. – A médica ao meu lado murmurou olhando para , mas sem antes é claro deixar de lançar-me um olhar que apenas eu percebi.
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  - Mas o que… É claro que não estou preocupado com isso! – Ah, , sempre tão ingênuo…
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  - Certo, quanto tempo vou ter que… – Não consegui terminar a frase, uma tosse repentina surgiu me interrompendo.
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  - ? – chegou perto preocupado enquanto eu não parava de tossir. – Por que a tosse? – questionou encarando os dois médicos ao meu lado.
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  - Não faço ideia. – Taub murmurou pegando o estetoscópio para me examinar.
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  - Quer que eu pegue um pouco d’água, amor? – perguntou. Bingo!
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  Balancei a cabeça sem parar de tossir e observei enquanto ele saía apressado para o corredor em busca de minha água.
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  No mesmo instante parei de tossir para encarar à doutora Remy Hadley.
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  - Me diga, doutora, você se sente ameaçada por mim? – perguntei olhando-a friamente.
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  - Claro que não! – ela exclamou arregalando os olhos.
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  - Pois devia, eu posso fazer com que cacem você até o fim do mundo, você vai perder a sua licença médica e… Eu presumo que goste do que faz, estou certa? – murmurei observando cada traço do rosto da médica.
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  Era incrível como o rosto humano podia mudar de expressão tão facilmente. Em um instante a doutora Hadley parecia extremamente confiante, no outro seus olhos esverdeados estavam arregalados em minha direção, deixando transparecer claramente o seu temor pelas minhas palavras.
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  - Não vai perder só a sua licença, você terá de arcar com o valor que eu perder com o divórcio. O salário de médica consegue pagar dezenove milhões de dólares? – perguntei, os olhos da médica demonstrando o quão desacreditada ela estava. – Acho que esses seus comentários nojentos não têm mais tanta graça pra você, não é? – Observei a expressão de Hadley mudar. Ela não podia mais me enganar, estava claro que eu a intimidava… Claro que eu a tinha nas minhas mãos. – Esse seu olhar é muito expressivo, como é sentir o que está sentindo? – questionei.
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  No mesmo instante que a conversa se encerrou, voltava com um copo e uma garrafa cheios de água, ele estendeu o copo para mim.
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  - Obrigada, meu amor. – Sorri pegando a água.
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  - Estica o braço, por favor? – Hadley se moveu ao meu lado um tanto desconfortável, mas tentando fingir que nada havia acontecido.
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  Ela tocou em meu braço firmemente, e então… E então o estalar de algo se partindo foi ouvido e aquela dor maldita que eu já havia sentindo há muito tempo surgiu. Gritei de dor e encarei meu braço direito, ele estava em um ângulo estranho, estava quebrado.
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  - Você quebrou o meu braço! – exclamei em meio à dor.
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   e os dois médicos me encararam assustados, nenhum deles tinha ideia do que havia acontecido, muito menos eu.
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  Enfermeiras vieram engessar meu braço, a dor estava bem menor agora, mas ainda assim doía.
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  - Quero falar com a diretora deste hospital. – Declarei a que me encarou com ar preocupado.
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  - , os médicos disseram que é um sintoma, falha nos rins. – Ele tentou dizer. Já comentei o quanto ele querer se mostrar o esperto me irrita?
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  - Só dê um jeito de chamá-la, sim? – retruquei bufando.
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  - Amor… – chegou mais perto de mim tocando meu braço esquerdo.
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  - Eu não quero aquela maluca cuidando de mim enquanto estou doente! – reclamei ouvindo um suspiro de .
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  Ele sempre fora pacífico, detestava ter de brigar, brigar com qualquer um; sempre achou que tudo podia ser resolvido na base da conversa. Claro que tudo poderia, quando aquela médica incompetente estivesse fora do alcance e não pudesse mais tentar estragar meus planos de vida. Se eu estava sendo má? Não, só estava fazendo de tudo para conseguir a minha parte da felicidade. Certo, talvez felicidade não seja a palavra certa, não posso sentir… Mas sei que o que vou ter é felicidade, não de espírito, mas material. E ter felicidade material é melhor do que ter nada. Se eu ia para o inferno por isso quando morresse? Eu já estive lá uma vez em vida, não voltaria tão cedo.
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Quatro – Encoberta

  - Tem certeza de que radiação é a única saída? – perguntou assim que o doutor Taub anunciou o próximo tratamento a que me submeteriam.
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  - Isso aí, o provável problema da sua esposa é linfoma, esse é o tratamento. – Taub murmurou arrumando a cama onde eu estava deitada para empurrá-la pelo corredor até a sala onde se daria o tratamento.
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  - Já descartaram todas as outras possíveis causas? – perguntou insistente.
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  - Sim… – Taub respondeu sem dar muita atenção, já me empurrando em meio ao corredor, percebi que Hadley havia ficado para trás, no quarto, perto de . Perto demais.
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  Taub e mais alguns enfermeiros me colocaram deitada numa mesa de exames e acima de mim havia um tipo de aparelho, bastante parecido com os de raio-x, deixaram-me deitada lá e logo saíram.
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  - Vou deixá-la aqui por alguns minutos, preciso ver algumas coisas com a equipe, logo estarei de volta, qualquer coisa é só apertar o botão de emergência que deixamos ao seu lado, certo? – Taub murmurou pelo alto-falante, eu apenas assenti sem vontade de uma conversa.
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  Fiquei sozinha por cerca de dez minutos. Eu podia sentir que aquela médica estúpida estava armando alguma coisa, eu podia ver em seus olhos. Uma pessoa persistente pode reconhecer a outra, uma psicopata pode reconhecer todo o resto, e eu reconhecia aquele olhar. Ela estava disposta a falar para sobre o caso com Bob, estava disposta a estragar minha vida, meus planos e meu casamento. Eu não deixaria. Não pude evitar um sorriso em meus lábios com o pensamento.
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  - Quando está assistindo “Star Wars”, para que lado você torce? – Ouvi uma voz conhecida soar no alto-falante.
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  - Doutor House, o que faz aqui? – perguntei erguendo a sobrancelha.
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  - Apenas checando o andamento de sua radioterapia. – Ouvi a voz novamente.
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  - Engraçado, me disseram que você nunca visita seus pacientes, no entanto, já me visitou duas vezes.
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  - Gosta de ser consultora administrativa? Estava pensando em trabalhar com isso… Ou talvez ser psicopata, qual dos dois dá maior lucro? – O médico usou seu tom num misto de sarcasmo e interesse.
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  - Tenho certeza que já se decidiu por um dos dois. – Respondi com um sorriso. – A doutora Hadley brincou que eu me parecia com você. – Continuei diante do silêncio de House.
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  - Tem certeza de que sabe o que significa “brincar”? – o homem questionou, talvez eu devesse rir, mas não havia graça no que ele dizia.
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  - Então nunca fez nada pensando apenas em si mesmo? Nunca foi egoísta? – O silêncio que se seguiu por um instante depois foi o bastante para eu ter certeza de que tinha sua atenção, de que eu lhe interessava; minha mente, meus pensamentos.
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  - Claro que sou egoísta… Todo mundo é. Nascemos assim. – Ele por fim me respondeu. – O resto nasce com consciência. – Concluiu.
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  - O que parece que te deixa muito animado. – Murmurei um pouco sarcasticamente.
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  - Não é lógico, é humano. – Ele rebateu.
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  - A consciência é um instinto, você sabe que é irracional. Então por que segui-la? Você entende isso, não é? Por isso vem falar comigo. – Mais uma vez o silêncio foi o bastante para entregar o que o médico estava pensando. Ele concordava. Relutava em aceitar isso, mas concordava.
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  Eu via muitas pessoas agirem de forma julgada errada para conseguirem o que queriam, não havia uma alma que pudesse ser salva ali. Por mais que houvesse consciência para guiá-los, por mais que não fizessem, eles pensavam, eles queriam, eles desejavam; e isso já é o suficiente para torná-los iguais a mim. A diferença, como já havia dito, é que eles tentam se enganar, tentam esconder o que realmente são, egoístas, eu… Simplesmente faço o que for necessário para ter o que quero, não meço esforços e tampouco finjo não querer o que almejo. Os meios não importavam, apenas os fins.
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  O silêncio reinou e então o barulho do som sendo desligado soou. Dr. Gregory House partira.
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  Eu descansava agora já de volta ao meu quarto, a doutora Hadley checava meus medicamentos, quando a porta se abriu e os passos tão conhecidos por mim adentraram o quarto.
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  - Você mentiu pra mim. – Ouvi a voz de murmurar a minha frente. – Quando disse que ia fazer um curso de paisagismo… Você nunca esteve num, certo? – Quando abri os olhos para encará-lo, ele parecia magoado. – A Dra. Hadley disse que o solo poderia estar envenenado e que você poderia ter mexido com substâncias tóxicas sem saber… – Ele murmurou.
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  - Disse isso pra ele? – questionei a médica ao meu lado.
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  - Eu só achei que… – Ela começou a dizer baixando o olhar, desviando-se dos meus olhos.
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  - O Bob disse que vocês tiveram um caso… Então era essa a desculpa? Toda quinta você e ele… – não conseguia terminar a frase e eu precisava pensar rápido. Mas é claro que Hadley tentaria fazer com que descobrisse por si mesmo a traição.
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  O que eu poderia dizer a ele? Pense, , pense!
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  - Sinto muito… – Murmurei.
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  - Deus! – exclamou passando as mãos pelos cabelos, deixando-os bagunçados.
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  - Sinto muito mas não pelo que está pensando. – Completei vendo-o voltar o olhar para mim.
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  - E então? – perguntou, seu olhar ainda tinha uma ponta de esperança. Eu podia sentir o olhar de Hadley sobre nós.
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  - , você sempre falou que eu não tinha tempo para nós, que eu parecia não ligar para o que eu tinha e isso não era verdade. Eu precisava trabalhar para provar a mim mesma que eu era capaz, que eu era útil em alguma coisa. Peguei horas extras no escritório, mas eu não queria te dizer porque sabia que você seria contra, então menti. – Disse tudo aquilo num jato de forma tão convincente que logo vi o olhar de se atenuar. – Você sequer concordava que eu estivesse trabalhando, imaginei que ficaria bravo comigo se contasse sobre as horas a mais que ficava no escritório.
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  - Se eu ligar para o escritório… – começou parecendo raivoso, mas eu sabia que ele já estava convencido.
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  - Liga! Liga pro escritório, liga para os meus clientes, liga pra quem você quiser agora mesmo, eu não me importo. – Disse. Senti o olhar da Dra. Hadley sobre mim, eu sabia bem que ela achava que eu estava me arriscando, que eu havia dado um passo em falso, mas ela não me conhecia…
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   suspirou ao me olhar nos olhos.
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  - Eu só quero que saiba da verdade. – Murmurei por fim. – Você sabe que eu te amo. – Disse quase num choramingo.
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  O tom da última frase foi crucial. Ele nunca quis me ver chorar, se eu soltasse uma nota aguda demais que indicasse que eu desabaria em pranto ele fazia qualquer coisa para evitar. Foi o bastante para convencê-lo da minha história e da minha fidelidade. se aproximou da cama, eu estendi os braços abertos e então ele me abraçou. Pude ver a doutora Hadley observar incrédula a cena. Eu apenas balancei a cabeça negativamente em sua direção. Ah, Hadley, você quebrou os ovos nos quais estava pisando.
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  Pedi para falar com a Dra. Lisa Cuddy, a diretora daquele hospital. Me levaram para a sala de radiação, dei a desculpa de que teria de fazer mais uma sessão de radioterapia a , não queria que ele ficasse sabendo de nada.
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  - Demita ela. – Fui direta no meu pedido com Cuddy.
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  - Ela não quebrou nenhuma lei de sigilo no seu caso e tinha motivos para falar sobre isso com seu marido. – A diretora do lugar respondeu séria.
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  - Diga isso ao tribunal. – Murmurei.
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  - Você não vai nos processar a não ser que queira contar a verdade ao seu marido. – Dra. Cuddy murmurou num suspiro, eu a irritava. – No entanto a Dra. Hadley ficará fora do restante deste caso…
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  - O quê? – Ouvi o tom de indignação da médica.
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  - … Para o bem dela própria, não fará mais parte do caso. – Cuddy continuou lançando um olhar reprovador em direção à Hadley.
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  - Aceito. – Murmurei. Tê-la longe de me causar problemas era melhor que nada. – Embora eu tenha certeza de que não é para o bem da Dra Hadley que está fazendo isso. Você está irritada com ela por colocar o hospital em risco, só não acha que é uma boa admitir isso na minha frente. Inteligente da sua parte. – Sorri. Cuddy saiu bufando da sala e Hadley ia fazer o mesmo instantes depois. – Doutora…? – Murmurei. Ela se voltou para mim e eu pude constatar o que pensara ter visto, seus olhos estavam marejados. – Vai chorar? – perguntei vendo seu olhar sofredor a me encarar. – Chore algumas lágrimas por mim também. – Murmurei dando-lhe uma piscadela.
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Cinco – Morrendo

  Narração em terceira pessoa

   voltara de sua suposta radioterapia e estava ao seu lado segurando em sua mão enquanto cochilava. Ele sonhava com alguma coisa quando foi acordado pelas tosses da esposa.
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  - ? O que foi? – perguntou pondo-se em pé. – Quer um pouco de água? – Ela apenas balançou a cabeça negando.
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  Num instante a tosse seca foi interrompida e passou a vomitar sangue.
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  - ! – exclamou em desespero.
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  - Me ajuda. – Foi tudo o que a moça conseguiu murmurar estranguladamente antes de desabar de volta à cama, inconsciente.
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  - Alguém me ajuda! – exclamou desesperadamente indo até a porta e logo voltando para o lado da esposa.
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  As enfermeiras logo vieram e uma delas logo bipou os médicos da equipe do Dr. House.
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  Examinaram-na com rapidez e logo constataram a falha hepática.
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  - Tem algo de errado com o fígado, o sangue está indo para o esôfago. – Foreman explicava a situação para enquanto ambos caminhavam em direção à sala de cirurgia.
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  - Por causa do linfoma? – o rapaz perguntou um tanto assustado.
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  - Não é linfoma. – O médico respondeu apressado. – Não sabemos o que é, podemos tentar estancar o vazamento, mas o fluxo de sangue é tanto que pode não funcionar. – Continuou. – Gostaria de tentar uma coisa chamada Tips, isso vai desviar o sangue do fígado. – Foreman continuou.
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  - E aí tudo fica bem?
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  - Vai proteger o fígado e o fígado livra o sangue de toxinas, é a melhor chance dela. – O médico concluiu ao chegar na porta da sala de cirurgia. – Ambos são arriscados, precisa decidir.
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   ficou sem reação por um instante.
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  - Eu sequer sei mais quem é essa mulher… – Ele murmurou mais para si mesmo do que para o médico.
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  - A decisão está nas suas mãos, . – Foi tudo o que Foreman respondeu.
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  - Ela me traiu mesmo?
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  - Isso é um assunto particular…
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  - Tudo bem, acho que não importa muito agora, importa? – questionou sorrindo sem ânimo. – Olha, faz o que achar ser melhor. – Concluiu. – Só ajuda ela. – Disse.
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  O médico assentiu e disparou para dentro da sala onde ocorreria a cirurgia de emergência de .
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  Foi uma hora de pura aflição para . O que estaria acontecendo com naquela sala? Ela estaria bem? Estaria morrendo?
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  Finalmente a operação havia sido finalizada. O fígado estava danificado, mas o que foi feito na cirurgia dera tempo para os médicos pensarem.
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   acordou apática, sua cor era amarelada, ela tinha olheiras e um ar cansado como jamais aparentara antes.
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  - Tudo vai ficar bem. – Ouviu dizer enquanto segurava sua mão. Ela não disse nada de volta, estava cansada demais para argumentar, para manter suas mentiras com palavras, apenas apertou um pouco mais a mão que lhe segurava.
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  O Dr. Taub entrou no quarto para verificar as medicações e anunciar uma visita.
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  - Sua irmã está aqui. – O médico murmurou enquanto fazia algumas anotações.
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  - O que… – ia perguntar quando viu de quem se tratava.
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  - Oi, … – Mary murmurou enquanto adentrava o local.
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  - O que faz aqui? – questionou num tom frio, não aquele que normalmente se usaria para cumprimentar um parente, ainda mais uma irmã.
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  - me ligou dizendo o que estava acontecendo… Quis vir te ver e… Saber se eu podia ajudar. – Mary murmurou baixando um pouco o olhar. – Meu sangue não é compatível com o seu…
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  Um momento de silêncio se passou. analisando a tudo com seus olhos sem brilho e uma expressão vazia.
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  - Vai embora. – Disse por fim.
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  - Mas … – Mary tentou dizer.
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  - Olha, Mary, me comove a sua preocupação, sabia? Uma preocupação de irmã mais velha… – Começou. – Mas você nunca agiu como tal, não precisa começar agora. – Terminou lançando à irmã um olhar nada amigável. Essas últimas palavras foram o bastante para fazer Mary recuar com os olhos marejados e por fim sair do cômodo sob os olhares curiosos de Taub e e o olhar gélido de .
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Epílogo – Emoções

  Meia hora se passou desde a visita de Mary à , esta última permanecia apática e tão sem ânimo quanto qualquer outro doente.
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  Ela e estavam juntos quando o Dr. House adentrou a sala acompanhado da Dra. Hadley.
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  - Ela não devia estar aqui. – se endireitou pronto para fazer algo a respeito.
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  - Como médica, mas ninguém falou algo sobre assistente de beleza. – O homem de bengala murmurou sem dar muita atenção ao marido de sua paciente. – Vejamos, dê-me aqui seu dedo. – Ele disse pegando um algodão embebido de acetona das mãos de Hadley e o apertou firmemente contra o dedão da moça.
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  Alguns segundos mais tarde House retirou o algodão da unha de com um sorrisinho de triunfo.
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  - Voilà! – exclamou deixando a mostra o que o deixara tão radiante.
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  - A unha dela… Ficou azul… – murmurou encarando a unha com espanto.
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  - Pois é. – O médico deu de ombros. – Começa a quelação. – Concluiu antes de sair do quarto.
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  - O que isso quer dizer? – questionou erguendo a sobrancelha.
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  - Sua esposa tem a doença de Wilson. – Hadley começou a explicar.
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  - O que tá acontecendo? – questionou sem muita firmeza na voz.
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  - Você vai ficar boa… O seu corpo não consegue processar o cobre e com isso ele vai se acumulando em seu corpo. Explica todos os problemas, até com o seu cérebro. – Continuou a médica.
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  - Isso vai mudar? – perguntou ainda espantado com as novidades.
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  - É provável que os neurônios já estejam afetados demais… – A Dra Hadley começou.
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  - Mas há uma chance? – quis saber.
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  - Mínima, mas sim. – Hadley disse com um pouco de dúvida. – Vou buscar o equipamento… , vem comigo, precisa assinar os papéis para dar permissão. – A médica disse já andando para fora do quarto da paciente.
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  Narração em primeira pessoa

  Algumas horas mais tarde a Dra Hadley estava de volta ao meu quarto para verificar o andamento do tratamento.
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  - Os sinais estão melhorando, é uma boa notícia! – ela exclamou sorrindo para mim e para que segurou mais forte em minha mão. – O fígado continua danificado, mas você pode entrar na lista de transplantes, vai ficar bem. – Concluiu.
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   sorriu em minha direção parecendo aliviado.
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  - Olha, talvez nós possamos tirar umas férias numa praia, alugar um chalé na montanha ou qualquer coisa assim, vamos relaxar, só nós dois e… – Ele parou de falar assim que percebeu que eu não olhava em sua direção.
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  - Você é um idiota. – Murmurei sem encará-lo.
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  - O quê?
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  - Você é um idiota! – exclamei voltando meu olhar para ele. – Quando você só suspeitava de como eu era, tudo bem, mas agora que você sabe… – Observei seu olhar incrédulo sobre mim e aquilo de alguma forma fez com que alguma coisa acontecesse dentro de mim.
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  -
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  - Vai embora, . – Retruquei virando o rosto. Eu não conseguia olhar para ele, não conseguia olhá-lo e ver o ar de decepção, de mágoa que ele tinha.
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  Ele se levantou sem dizer mais nada e saiu.
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  Senti meu coração acelerar e um aperto em meu peito me pegou de surpresa. Havia um nó invisível em minha garganta que tornava difícil respirar.
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  - Por que você faz isso? – Hadley questionou ficando ao meu lado.
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  - Porque ele é um idiota. – Resmunguei sem encará-la. Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
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  - Espera… Ele não mudou. – Ela começou a dizer e voltou sua atenção ao painel de monitoramento do meu tratamento. – Mas você mudou… O tratamento fez efeito no seu cérebro! Se você ainda fosse uma psicopata continuaria alimentando cada mentira que criou para fazer com que continuasse com você…
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  - E o que você quer? – retruquei sentindo meu rosto esquentar e meus olhos arderem ao ouvi-la mencionar o nome de .
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  - Você tá sentindo alguma coisa… O que é? – a médica perguntou como se fosse a descoberta do século.
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  Balancei a cabeça sem conseguir responder, sentindo as lágrimas finalmente escorrerem por meus olhos que ardiam.
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  Eu não sabia o que estava sentindo, só sabia que machucava, que fazia doer. Mas não era uma dor física que poderia ser curada com analgésicos ou anestesia, era uma dor interna, uma dor sentimental…
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  A Dra Hadley apenas assentiu, afagou meu braço em forma de compreensão e logo saiu do quarto me deixando a sós com meus sentimentos. Sentimentos que eu não sabia que ainda existiam dentro de mim. Era estranho depois de doze anos ter de lidar com a dor novamente. Mas era um alívio poder soltar as lágrimas que estiveram presas dentro de mim por tanto tempo.
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  Funguei e olhei para o lado encontrando meu celular na mesinha de cabeceira. Estendi a mão e o peguei. De plano de fundo havia uma foto de fazendo careta. Eu ri me lembrando daquele dia em que eu fingi me divertir num parque com ele, ao mesmo tempo em que ria senti mais lágrimas chegarem aos meus olhos. Lembrar dos momentos com ele fazia com que um buraco enorme se abrisse em meu interior, doía…
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  Alguns dias haviam se passado desde que o tratamento começou a ter efeito; eu me sentia bem melhor fisicamente, mas lidar com todos aqueles sentimentos não era nem de longe fácil. Parecia que eu havia sido jogada no mundo das emoções sem preparo algum, me abandonaram lá e me mandaram me virar. Não era mesmo fácil deixar o mundo racional para dividi-lo com o mundo emocional.
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  Eu estava encarando a janela do meu quarto que deixava a luz da tarde entrar formando reflexos no chão e na parede, era algo bonito de se ver.
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  Ouvi alguns passos conhecidos vindos da porta, mas demorei um pouco para me virar e ver quem estava ali.
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  - ? – soltei em espanto ao vê-lo parado encostado no batente da porta enquanto me observava.
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  - Oi… – Murmurou dando um leve sorrisinho. Ele não estava muito confortável em falar comigo, nem eu em falar com ele. Eu me sentia mal por tudo o que o havia feito passar.
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  - O que tá fazendo aqui? – Tentei manter a postura deixando de lado o espanto.
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   se desencostou da porta e caminhou calmamente em minha direção, observando-me atentamente. Fiquei confusa.
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  - Me disseram que você chorou. – Foi tudo o que ele disse ao chegar perto da minha cama.
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  Olhei para ele tentando entender, mas ele não me olhou de volta.
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  - , eu… – Tentei dizer.
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  - Não acredito que chorou, . – Ele disse sério ao me encarar.
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  Ele não acreditava. Não acreditava que eu finalmente podia sentir algo, achava que eu continuava a mesma miserável mentirosa com quem ele havia se casado.
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  Aquela constatação fez com que eu sentisse meu rosto queimar e meus olhos arderem novamente, e logo eu não conseguia segurar as lágrimas. Eu queria que ele acreditasse em mim, queria que ele voltasse a me ver como alguém que pode ser amado, alguém com sentimentos.
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  Comecei a chorar descontrolada de uma forma que eu nunca havia feito na vida, apenas uma vez.
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  - Ah, … – Consegui murmurar entre fungadas e soluços.
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  Ele me olhou e logo sentou-se perto de mim na cama. Limpou minhas lágrimas.
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  - Não acredito que te vi chorar depois de doze anos. – Ele sussurrou enquanto continuava a limpar as lágrimas insistentes. – Eu detesto te ver chorar, sempre quando imagino isso as lembranças daquela noite voltam a minha mente… Foi horrível te ver chorando destruída daquela maneira, . – Ele acariciou meu rosto e deu-me um sorriso.
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  - ! – exclamei abraçando-o desajeitada por conta de minha postura na cama. – Eu… Eu…
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  - Você…?
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  - Eu te amo. – Disse por fim. – E dessa vez eu sei disso porque sinto. – Disse antes de fungar e limpar outras lágrimas teimosas.
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   sorriu em minha direção de uma forma que só analisando naquele momento é que fui perceber que adorava.
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  - Eu sempre te amei. – Concluiu.
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  Eu não sabia bem o que seria de nós dois depois de tudo aquilo que havia acontecido, mas nunca antes na minha vida eu tinha percebido o quanto era bom amar.
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Fim

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