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Girls’ Generation

21. Um gole de realidade

“Do you ever feel
Feel so paper thin
Like a house of cards
One blow from caving in?”
– Firework / Katy Perry

   

  Aquele baile já havia terminado para mim no momento em que minha ficha caiu do que eu tinha feito. Havia revelado a todos que era a Allison Sollary e da pior forma possível. Ela era minha amiga. Senti um aperto estranho no peito, talvez meus dois lados estivessem entrando em conflito novamente, afinal até aquele momento estava deixando a razão comandar. Voltei meu olhar para todas as pessoas se divertindo na pista de dança como se nada tivesse acontecido. Me afastei da janela e segui em direção ao hall novamente, precisava saber o que tinha acontecido com ela.
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  — Ei… Mal acabou de se vingar e já está arrependida? — questionou , ao me parar no meio do caminho. — Logo agora que eu estava gostando da sua versão malvada.
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  — Primeiro, eu não me vinguei de ninguém — argumentei, repetindo isso para mim mesma mais umas quatro vezes, bufando de leve. — Segundo, não te interessa o que eu vou ou não fazer.
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  — Olha só como ela está agressiva. — Sua voz soou num misto de ironia e sarcasmo que começou a me irritar um pouco. — Está assim pelas mentiras da sua amiga ou é desespero por saber que agora meu primo terá o caminho livre para ficar com ela?
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  Eu não conseguia entender o propósito de suas palavras, se não o conhecesse bem diria que ele está com ciúmes de mim.
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  — Por favor, … Minha vida não gira em torno do e pouco me importa com quem ele vai transar agora, essa parte não me fere mais e olha só quem fala… — Eu bufei ainda mais revoltada com a sua insinuação. — Durante todo esse tempo você sempre jogou seu charme para mesmo sendo rejeitado todas as vezes… Eu realmente não sei o que todo mundo vê nela e quer saber, pouco me importa agora.
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  Eu me movi para me afastar dele, porém fui barrada novamente, quando ele se colocou novamente em minha frente.
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  — Ao contrário do meu primo, eu não tenho compromisso com ninguém, não beijava uma pensando na outra. — Ele manteve o olhar inexpressivo para mim, mesmo sabendo que suas palavras poderiam me machucar, ele as disse sem a menor empatia. — Mas se quer sabe, com alguém como você, nem mesmo a roubaria a minha atenção.
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  Sua voz tinha uma entonação incomum e me deixava sem argumentos. Seus picos de honestidade e cavalheirismo me deixavam sem chão, o que devastava parte da minha sanidade mental. Em segundos, nosso celular apitou, uma mensagem da G’G.
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  “Flagrada, nossa mistery Queen sendo resgatada por um cavaleiro misterioso sob o céu chuvoso de Upper East Side. Parece que nosso best friend chegou meio tarde e sua Cinderela passará a noite sendo amparada por outro.
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xoxo.”

  Meus olhos ficaram fixos olhando a foto que mostrava sendo carregada no colo por um homem. E como dizia na descrição, não era o . O que fez um sorriso disfarçado aparecer em meu rosto, não que eu desejasse o sofrimento dele, talvez só um pouco. Afinal, eu não sou perfeita e, infelizmente, as influências de e Britany instigavam em mim um lado que eu não conhecia.
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  — Parece que me preocupei à toa… — sussurrei ao desligar a tela do celular, mantendo minha postura firme.
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  Estava convicta comigo que não me deixaria mais parecer fraca diante das pessoas, não seria mais aquela que se escondia com medo de não ser aceita por sua timidez. Já havia sido muito magoada pelas pessoas que eu amava, não repetiria meu erro novamente. continuou me olhando como se me analisasse.
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  — Agora já sabe o que aconteceu com eles, se era isso que queria. — Ele virou seu olhar para a porta, fazendo-me acompanhar. — Olha, parece que meu primo realmente perdeu a viagem.
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  — Pare de instigar assuntos que não me dizem mais respeito, eu e somos apenas amigos agora e não desejo mais ser outra coisa além disso. — Voltei meu olhar para , segura de minhas palavras e sentimentos por seu primo. — Aproveite o restante da festa, esta noite já terminou para mim.
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  Eu dei o primeiro passo para me retirar.
  — Não vai nem ficar para a coroação? — provocou ele com suas ironias.
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  — Eu nunca quis a coroa — respondi convicta. — Este ano Upper East Side não terá uma rainha.
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  Me afastei dele e segui para a porta de saída. 
  Liguei para Alfred para que me buscasse. Não demorou muito e meu fiel mordomo, com um guarda-chuva, surgiu pronto para me levar para casa. Desta vez o caminho pareceu mais longo e vazio, talvez pelo silêncio que pairava dentro do carro, ou pela nostalgia das lembranças do ensino médio que, de forma impertinente, tentavam consumir meus pensamentos. Foi difícil controlar as imagens de e eu dentro daquele carro em risos e brincadeiras sobre sermos a realeza da cidade, os muitos segredos que trocamos ali e sonhos que compartilhamos.
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  — Por que ao mesmo tempo que acho ter feito o certo, eu me sinto tão arrependida? — sussurrei para mim, segurando as lágrimas no canto dos olhos.
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  Entrando em casa, percebi que meu pai estava em seu escritório. Deixei minha bolsa de mão em cima da mesa ao lado da porta e dei dois passos em direção à escada. Ao perceber minha chegada precoce, ele saiu pela porta e me olhou com carinho.
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  — Querida, o que faz em casa essa hora? — perguntou. — Esta é uma noite especial para você e sua amiga, deveria estar se divertindo no baile.
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  — Pai — disse sentindo minha garganta arder um pouco, um grito preso.
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  Confesso que estava segurando minhas emoções o máximo que podia. Porém, olhar para o rosto do meu pai me desmontava por completo.
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  — Querida — ele veio até mim e já me abraçou com ternura.
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  Papai me conhecia muito bem e sabia com clareza todas as tonalidades da minha voz. Eu desabei em seus braços e chorei. Não lutaria mais contra as lágrimas de tristeza, raiva e frustração que continuavam me afogando internamente. Ficamos minutos ali em silêncio. Ele não perguntaria pois era um cavalheiro com relação a espaço. E eu não estava pronta para falar sobre o assunto. 
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  A noite se passou e não consegui dormir direito. Muitos pensamentos em minha mente e ainda a preocupação com a universidade. Minha decisão pela Le Cordon Bleu não mudaria, e agora meu foco seria o curso de gastronomia. Apesar de ouvir da maioria das pessoas que eu não sabia fritar um ovo. Na manhã seguinte, acordei cedo e saí de casa inicialmente sem rumo, eu precisava caminhar um pouco para esquecer o desastre que foi o baile de formatura.
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  — Nada como um dia após o outro… — disse a mim mesma, suspirando fraco. — Quem falou isso é um mentiroso, me sinto pior do que ontem.
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  O barulho de uma moto na rua me despertou a atenção e logo eu percebi que minhas pernas haviam me levado ao restaurante de . Voltei meu olhar para a placa, o letreiro escrito em letra caligrafada, estava apagado.
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  — Por que eu vim aqui? — perguntei a mim mesma, confusa pela situação.
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  — Eu já ia perguntar a mesma coisa. — A voz do melhor chefe de cozinha de Manhattan soou atrás de mim, me dando um susto.
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  — Ah. — Eu coloquei a mão no coração, tentando agir com naturalidade. — .
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  — Está tudo bem? — perguntou ele, demonstrando o olhar preocupado.
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  — Claro. — Forcei um sorriso, que pareceu não funcionar. — Que não.
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  Senti meus olhos lacrimejarem, eu jamais seria forte e audaciosa como minha… Ela ainda era minha amiga?
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  — O que aconteceu? — indagou ele, mantendo o olhar fixo em mim.
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  — Aconteceu que… Eu sou uma garota má — confessei em um desabafo. — Eu fiz uma coisa cruel com a minha melhor amiga por estar com raiva dela… E agora, me sinto mal por isso.
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  — Está arrependida? — perguntou ele.
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  — Uma parte sim, a outra está lutando contra… — Eu limpei a primeira lágrima que insistiu em cair. — Mas não importa, eu já entendi que sou uma péssima amiga, há vários meios para se resolver um problema e eu…
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  — Pare de se martirizar… — Sua voz manteve a serenidade. — Sabe, ninguém é perfeito, nem sua amiga, nem você, nem eu… A vida é como uma receita de bolo, cheia de erros e acertos, aprendemos com os erros e nos alegramos com os acertos…
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  — Me ensina a olhar o mundo com seus olhos. — Brinquei um pouco, era a primeira vez que me sentia bem de verdade após o baile.
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  — Um segredo de cozinheiro… Cozinhar é a melhor terapia que possuímos. — Ele estendeu a mão.
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  — Mas você disse que não é recomendável cozinhar estando triste — questionei.
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  — Não é recomendável, mas quem disse que é proibido? — Ele insistiu, misteriosamente com um sorriso de canto. — Não é todo mundo que tem o privilégio de entrar na minha cozinha, você sabe.
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  Eu assenti com um sorriso espontâneo e segurei em sua mão, sendo guiada por ele até o interior do edifício. A cozinha estava toda limpa e à sua espera para mais um dia de trabalho e diversão, segundo suas palavras. Colocamos o avental e higienizamos as mãos. Se da minha primeira vez aprendi sobre as sobremesas, hoje eu veria o chefe Tenebrae em prática comandando sua cozinha, com os preparativos para o almoço. Um misto de adrenalina, precisão e algumas risadas por parte dos cozinheiros que se inspiraram com a minha presença ali e contaram algumas histórias vividas no pouco tempo que o restaurante tinha aberto. Todos demonstrando gratidão pelo sucesso que o Moonlight vinha fazendo.
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  — Então? O que achou? — perguntou ele, ao entrarmos em seu escritório.
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  — Incrível, é tão mágico como as coisas funcionam e como você conduz tudo — respondi entrando atrás dele, sentindo meus olhos brilharem. — Sempre que eu ia em restaurantes com meus pais, nunca me interessei em saber como era o processo dentro da cozinha, e depois daquela animação e passar aquela tarde aqui e hoje… Não tenho palavras para descrever o que vivi.
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  — Como eu disse, a cozinha é nossa terapia. — Ele manteve um sorriso disfarçado no rosto ao encostar em sua mesa de trabalho, colocando as mãos nos bolsos da calça. — Quem diria que você estava triste horas atrás?
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  — Tem razão — concordei rindo de leve, durante aquele tempo eu realmente havia me esquecido dos meus problemas. — Muito obrigada, por hoje.
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  — Eu que agradeço por inconscientemente ter vindo aqui. — Seu olhar pareceu reflexivo, então se desviou para a porta.
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  — … — uma funcionária adentrou o escritório com alguns papeis nas mãos, a princípio ela ficou estática por minha presença. — Me desculpe, não sabia que estava ocupado.
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  — Não estou. Algum problema, Allison? — perguntou ele, com tranquilidade.
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  Allison?! Esse nome tem se tornado um pesadelo para mim. E curiosamente ela me parecia familiar.
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  — Não, é que… — ela olhou para mim, então olhou para ele. — Podemos falar depois, se quiser.
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  — Não por mim, eu preciso ir agora, passei o dia fora e já anoiteceu… — voltei minha atenção a . — Mais uma vez, obrigada por tudo.
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  — Sempre que precisar, tem um amigo no Moonlight e acesso à minha cozinha. — Ele piscou de leve, sorrindo mais abertamente.
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  O que me deixou impressionada com o seu sorriso e olhar. 
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  Passar aquelas horas do dia na companhia do meu novo amigo havia me dado outra perspectiva de vida e me motivado a enfrentar de cabeça erguida cada uma das consequências por minhas escolhas, sendo elas boas ou não. 
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  Foi incrível e único.
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  — Bom dia, Vidal. — Olhei meu reflexo no espelho assim que acordei na manhã seguinte. — Hoje um novo ciclo se inicia e novamente você está sozinha.
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  — Engano seu, senhorita Vidal — disse Alfred ao entrar com minha bandeja de café da manhã.
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  — Bom dia, Alfred. — Eu o olhei. — Mas detesto lhe informar que não irá para Paris comigo, o que me leva a acreditar que estarei sim sozinha.
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  — Somente após o verão — retrucou ele, colocando a bandeja em cima da cama.
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  — Eu decidi passar o verão em Paris — devolvi a realidade dura e cruel. — Agradeço o carinho, Alfred, mas preciso ficar este tempo sozinha para amadurecer um pouco.
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  — Fico orgulhoso por isso, senhorita Vidal. — Ele sorriu com graça.
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  — Após o café, me ajude a preparar minha mala, vou levar pouca coisa, pois quero renovar meu guarda-roupa — anunciei me aproximando da cama. — Cidade nova, vida nova, novas perspectivas.
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  — Isso lhe fará muito bem. — Ele manteve seu olhar sereno e gentil. — Antes que me esqueça, a senhora Clair Donson lhe convidou para o chá da tarde.
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  — Hum… Ela é uma senhora muito gentil, mande uma mensagem dizendo que aceitarei o convite.
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  — Como quiser.
  Eu não tinha superado cem por cento tudo o que vivi no baile, e chorar nos braços do meu pai havia sido reconfortante e um alívio para mim. Entretanto, o ponto chave para que eu mantivesse a motivação para dias melhores, foi passar o dia ao lado de . Quem diria que eu ficaria próxima de um antigo colega de classe do meu irmão que certamente teria sido um amigo próximo se não houvessem perdido o contato. 
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  Após o café, entrei no closet e comecei a olhar para todas aquelas roupas. Pedi a Alfred que trouxesse algumas caixas e sacolas, estava decidida a reformar aquele lugar, doando algumas coisas que não usava mais.
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  — Alfred, se lembra o nome daquela associação que a madrinha sempre doa roupas que sobram das suas coleções? — perguntei ao olhar para um vestido de renda que não usava desde a quinta série.
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  — Waldorf New Station — respondeu ele.
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  — Ah sim, havia me esquecido que pertencia à família Waldorf — comentei me recordando do fato. — Envie estas caixas fechadas para a associação e quanto às sacolas, são para suas sobrinhas.
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  — Agradeço, senhorita . — Ele assentiu com gratidão. — Elas vão ficar felizes.
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  — Eu vou tomar uma ducha e caminhar um pouco, a manhã está tão linda para ficar em casa — comentei me sentindo animada para aquele dia.
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  — Voltará para o almoço?
  — Ainda não sei. — E olhei para a janela, vendo o dia iluminado. — Sabe se minha mãe voltou de Los Angeles?
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  — Não, senhorita, e vosso pai já está a caminho das terras britânicas — respondeu prontamente.
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  — Pensei que ele fosse adiar por alguns dias e ir comigo, mas sem problema, quando for para Paris, faço uma parada em Londres primeiro. — Analisei minha escala improvisada.
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  — O senhor Vidal vai ficar feliz com a surpresa — assegurou ele.
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  Alfred se afastou, pegou as caixas que eu tinha separado e se retirou. Segui com meu planejamento e me joguei no chuveiro, o toque da água sobre minha pele fazia-me relaxar um pouco. Até meus pensamentos que fervilhavam em minha mente se acalmaram. Minutos de paz que foram interrompidos por uma mensagem de ao meu celular.
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  “Dormiu bem, Dream Princess? Sabia que muitas pessoas sonharam com você? Posso dizer que eu fui uma delas.”
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  Por mais que eu tentasse, não conseguia definir o que estava sentindo ao ler aquilo, apenas que meu corpo fraquejou ao me lembrar do seu beijo. Fechei os olhos me concentrando, pensando se deveria ou não responder aquela mensagem, então, ajeitei um pouco a toalha ainda enrolada no meu corpo e digitei seu número para fazer uma chamada.
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  — Bella — disse ele ao atender.
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  — Posso entender suas insinuações? — perguntei.
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  — Não são insinuações… É uma verdade, só não acredita porque não quer — retrucou ele.
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  — Você não tem outras ambições na vida não? — o questionei, ao caminhar até a cama e me sentar.
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  — Não… Minha única ambição tem sido você… — Dava para sentir a malícia escorrendo em sua voz. — Mesmo não sendo uma mulher completa… Mas, podemos resolver isso.
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  Senti meu corpo arrepiar com o comentário final. Muito provocativo por sinal.
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  — Eu não vou cometer suicídio social com você. — Garanti a ele, colocando firmeza em minha entonação. 
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  — Saiba que muitas mulheres se matariam por isso — retrucou com ar de orgulho.
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  — Eu não sou muitas mulheres. — Respirei fundo, tentando não entrar em surto.
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  — É o que me faz ficar ainda mais atraído. — O tom sedutor de sempre. — O que tenho que fazer para que acredite em mim?
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  — Não faça nada… E continue vivendo a sua vida de libertino — disse colocando um ponto final na conversa.
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  Encerrei a ligação antes que ele pudesse argumentar algo. Já tinha prometido a mim mesma que teria aquele tempo sozinha para encontrar meu ponto de equilíbrio. Então guardei o celular na bolsa e voltei ao closet para me vestir. Sim, o restante do dia foi favorável e mais agradável ainda quando cheguei para o chá com a senhora Donson. Misteriosamente, Charlie iria nos acompanhar. Será que ele sabia que eu estava… Definitivamente solteira?
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  — Sua mãe me parece mais saudável agora — comentei enquanto caminhávamos pelo jardim.
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  — Sim, ficamos apreensivos com sua doença por algum tempo, mas o pior já passou — assentiu ele.
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  — Estou feliz por ela estar melhor, sua mãe sempre foi muito gentil comigo. — Sorri de leve.
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  — Ela gosta muito de você — afirmou ele.
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  — Eu também gosto muito dela — comentei.
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  — E o que sente por mim? — Ele tocou em minha mão, me fazendo olhá-lo.
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  Ele me fez ficar de frente para ele e permaneceu me olhando com serenidade.
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  — Charlie — sussurrei sem saber o que fazer.
  A quem eu queria enganar com minha pose de mulher forte, se por dentro eu ainda era uma garota tímida que tinha medo de ser rejeitada pelas pessoas? Senti meu corpo estremecer um pouco, ainda era surreal para mim os sentimentos de Charlie, sempre foi, desde o início. A forma como ele me olhava até mesmo quando minha amiga… ex-amiga, seja como for, mesmo quando estava perto. Ao contrário de , Charlie sempre teve olhos somente para mim. 
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  Mas o que eu estou pensando? Pela manhã eu estava morrendo internamente com a voz de ao telefone e agora estava cogitando algo com Charlie. Não é o momento para um novo relacionamento. Eu precisava definir meus sentimentos e equilibrar minhas emoções antes de qualquer coisa.
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  — Eu sei que você e não estão mais juntos oficialmente — afirmou novamente. — E pelo que percebi, não irão voltar.
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  — Sim, nós terminamos, mas…
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  — , desde o dia em que te beijei não consigo pensar em outra coisa. — Ele deu um passo para mais perto. — Sinto meu corpo arrepiar só de estar perto de você.
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  Suas palavras eram mais do que eu esperava ouvir. E de fato não desejava ouvir naquele momento. Bem lentamente, ele foi se aproximando de mim mais e mais até que me beijou, doce e ao mesmo tempo desesperado, que me fez consentir inicialmente, porém me arrependendo depois.
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  — Me desculpe, Charlie… — Me retraí um pouco, me afastando dele. — Têm sido dias bem complexos em minha vida, acabei de sair de um relacionamento conturbado e não consigo…
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  Ele me interrompeu, agora com um beijo mais suave e sutil. Desta vez, senti uma brisa passar por meu corpo e minhas pernas bambearem. Eu também não havia me esquecido do seu beijo, apesar de não ter me marcado tanto quanto eu gostaria. Se fosse para escolher de forma racional, claro que Charlie teria inúmeras vantagens sobre E por qual motivo estou pensando nisso?
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  — Só quero que saiba que posso esperar o tempo que precisar — disse ele com segurança.
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  — Obrigada por entender. — Sorri de leve.
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  Charlie me levou de volta para casa, onde os próximos dias passei sozinha organizando minhas coisas para Paris. Sem notícias de em qualquer lugar, até a G’G estava dizendo que a nova destronada parecia ter virado fumaça após o acontecimento. O que me deixava um pouco desconfiada de . Ele parecia calmo demais com todos os comentários e questionamentos, afinal, ele era o portador dos segredos da ex-queen
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  Será que ele sabia de mais alguma coisa? 
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  Era de fato algo a se pensar.
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  — Matt?! — disse surpresa ao descer as escadas e vê-lo no centro da sala como se me esperasse.
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  — Bom dia, . — Sua voz estava estranha.
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  — Veio se despedir de mim? — perguntei inocente. — Embarco amanhã à noite a caminho de Paris.
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  — Não foi para isso que vim. — Seu tom estava áspero.
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  — Então a que se deve sua visita? — Fiquei curiosa.
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  — O que você fez com a ?
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  — Ah não. Sério? Outra pessoa para defendê-la e me jogar na fogueira como se eu fosse uma bruxa? — Por essa eu não esperava. Não do meu irmão.
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  — Ela era sua amiga, e se a fez algo ou omitiu é somente problema dela — retrucou ele, com rispidez. — Todos nós temos segredos na vida e motivos para escondê-los, olha a nossa família, .
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  — Você quer nos comparar? A conviveu com a gente e mentindo todos os dias sem nenhum remorso, mesmo sabendo que podia nos considerar sua família — rebati. — Matt, ela me usou para chegar ao topo e você está defendendo como se eu fosse a vilã.
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  — Você tem mesmo andado muito com a Britany, nem percebe mais a entonação das suas palavras. — Ele parecia mesmo muito chateado comigo, o que me deixava ainda pior com relação a esse assunto.
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  Minha decepção com sua reação se misturou ao meu lado raivoso e irritado de minha amiga, me fazendo falar sem medir minhas palavras.
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  — Ah, é claro que você vai defender ela, já que foi o privilegiado da lista — disse me referindo às muitas noites que ambos passaram juntos. — É muito óbvio, sacrificar sua irmã e salvar a garota com quem dormiu.
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  — Meça suas palavras, , minha relação com a não tem nada a ver com a realidade. — Ele se alterou mais. — Você foi desleal com ela, essa é a questão. 
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  — Ah, desleal. — Eu ri de nervoso. — Então ela não foi desleal comigo ao ser bancada pelo meu namorado e não dizer nada? Ou mentir e fingir que está tudo bem? Eu realmente não acredito que está brigando comigo por causa dela.
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  Eu senti minha voz alterar um pouco, reprimindo uma lágrima no canto do olho.
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  — Pelo menos ela não fez como você, que a expôs ao ridículo. — Era visível seu tom de decepção.
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  — E não foi isso que ela fez com a Collins? — O lembrei. — Quando você planta algo, você colhe também.
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  — E o que você tem plantado, ?  — Seu olhar baixou. — Não a reconheço mais, minha irmã não é assim, vingativa.
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  Eu permaneci em silêncio enquanto ele se afastava, seguindo para a cozinha.
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  — Ah… — Matt me olhou. — A Collins não era amiga dela, você era.
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  A verdade às vezes dói, e aquela foi como uma adaga em meu coração. Saí de casa correndo sem direção, não queria ficar ali, e só conseguia sentir a vontade de desaparecer. Todas as motivações que havia reunido naqueles poucos dias estavam escorrendo pelo ralo, e quando me dei conta, estava sentada no banco de um bar bebendo alguma coisa que não sabia, misturado as minhas lágrimas. 
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  — Quando me disse, não acreditei, mas vendo agora. — Uma voz conhecida parou ao meu lado. — Agradeço pela ligação, Juan.
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  — Não há o que agradecer, senhor Village. — Ouvi o segundo homem se afastando.
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  Mantive meu olhar no copo, eu sempre tive um fraco para bebidas e aquela era a minha quarta… Quinta? Ou seria sexta dose? Eu não me lembro bem.
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  — Por que será que eu estava contando os dias para ver essa cena? — brincou , ao se sentar no banco ao lado. — Não que eu esteja interessado em sua derrota, mas é bem inusitado ver você aqui.
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  — Se veio para rir de mim, vá em frente, — eu o olhei, forçando a minha visão a não ficar embaçada —, ria o quanto quiser.
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  — Não — disse ele num tom sério que me surpreendeu. — Eu vim para te levar para casa.
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  — Não quero ir para casa. — Só naquele momento eu senti que minha voz estava estranha.
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  Talvez tenha bebido demais. Sim, consideravelmente eu tinha bebido demais. 
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  — Vou te levar para o Royal, então. — Ele pegou em meu braço para me ajudar e me apoiar em pé.
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  Porém eu me soltei dele, o empurrando e tomei o último gole que tinha no copo. 
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  — Me deixa, eu quero ficar aqui e beber até esquecer que existo — disse num tom revoltado.
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  — Se fizer isso, entrará em coma alcoólico. — Sua voz permanecia suave.
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  — Você não é minha mãe. — Olhei para o barman. — Outra dose, mais forte.
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  — Se servir mais alguma bebida para esta dama, vai desejar nunca ter trabalhado aqui antes — ameaçou ele, o homem.
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  — Sai daqui, — eu o empurrei novamente. — Me deixa.
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  — Infelizmente para você, não. — Ele me pegou no colo. — Hoje, eu serei sua consciência.
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  — Me solta! — disse em tom elevado, me debatendo um pouco para me soltar, por fim, sem sucesso. 
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  Ele continuou seguindo para fora do bar e me colocou em seu carro, estacionado pouco mais à frente, seu cavalheirismo até mesmo o fez encaixar o cinto de segurança. Foi neste momento que minha cabeça rodou e parecia que todo aquele álcool estava em ritmo acelerado dentro de mim. me levou para sua suíte no hotel, o melhor quarto que poderia me oferecer, em suas modestas palavras. 
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  Utilizando da lógica: Eu não poderia ficar sozinha naquele estado. 
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  — Nossa, mamãe, seu quarto é lindo — brinquei ao olhá-lo ligando para a recepção.
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  Me afastei um pouco e encontrei o frigobar, dentro tinha algumas bebidas que não me importei de pegar. Abri uma e, aproveitando sua distração momentânea, comecei a tomar até que ele a pegou de mim.
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  — Não a trouxe aqui para isso — disse ele, colocando a garrafa em cima da mesa.
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  — E me trouxe para que? — Me aproximei dele. — Por que não bebemos os dois?
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  Sugeri com um sorriso sapeca.
  — Você está fora de si — disse ele, se afastando, seguindo em direção à cama. — Te aconselho a tomar um banho quente, vou preparar a cama e você vai dormir logo em seguida.
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  — Não — fui até ele e o empurrei.
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  Assim que caiu na cama, me joguei em cima dele e fiquei olhando-o com malícia. Olhos fixos um no outro, respirações sincronizadas, coração acelerado e um desejo reprimido emanando dele, eu conseguia sentir bem o quanto se esforçava para manter-se racional aos meus movimentos.
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  — Por que não se rende? — Eu aproximei meu corpo mais do dele, sentindo sua respiração ofegar um pouco e seu corpo arrepiar. — Não era isso que queria? Vidal pode ser sua, aqui e agora.
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  Pequena .
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  S.O.S. 2.0
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  Alguém segura essa garota. Parece que a briga com o irmãozinho Matt foi a gota que faltava para nossa dream princess perder o controle e nem mesmo o dia mágico com nosso chefe conseguiu superar. Será que nosso sedutor, ou melhor, a consciência Village vai conseguir resistir à tentação ou sucumbirá ao desejo Vidal?
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

22. Lord Village

All the girls don’t matter
In your presence can’t do what you do
There’s a million girls around but
I don’t see noone but you
– One In A Million / Ne-yo

   

  Encostado no beiral da janela olhando os carros passando pela rua, logo minha atenção se voltou para a dama em minha cama. Soltei um suspiro fraco, vendo-a se mover entre os cobertores, relutante para finalmente abrir os olhos. era delicada e meiga, alguém que merecia receber atenção e carinho adequadamente, algo que talvez não tenha recebido muito bem do meu primo. 
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  Uma garota no corpo de uma mulher… 
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  E que corpo, sendo honesto com meus instintos…
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  Difícil de tocar e mais ainda recusar…
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  — Hum… — ela resmungou um pouco, parecia finalmente estar acordando, então, ao erguer seu corpo e enquanto esfregava os olhos, começou a assimilar onde estava. — AAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
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  Confesso… Não imaginava que uma mulher poderia gritar tanto ao me ver. Bem, não daquela forma, não em tom de susto e pavor, mas isso de fato aconteceu. Mantive meu olhar sereno para ela e sorri de canto, tentei não ser sarcástico, porém sempre é mais forte do que eu. Imaginei o que poderia estar passando pela sua cabeça, levando em conta o que havia ocorrido na noite anterior. 
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  Bem… O que quase ocorreu.
  — Não precisa se apavorar — anunciei —, não aconteceu nada.
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  — O quê?! — Seu olhar estava desacreditado. — Eu te conheço Village, não confio em você.
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  — Não se preocupe, , apesar de parecer, e da sua mente estar pensando coisas absurdas de mim, eu volto a assegurar que não aconteceu nada. — Retirei a mão direita do bolso e apontei para a cadeira. — Suas roupas estão dobradas ali, chegaram há pouco tempo da lavanderia, você está vestindo uma roupa feminina fornecida pelo hotel, você deve estar com dor de cabeça pela ressaca, não deveria ter bebido tanto ontem.
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  — Hum… — Ela se encolheu na cama. — O que eu fiz ontem?
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  — Nada que valha a pena se lembrar — assegurei, obviamente mentindo.
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  — Eu fiz algo vergonhoso? — indagou ela, com um olhar de criança arrependida.
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  — Não. — Sorri de canto, mentindo mais uma vez. — A única coisa que importa é que continua sendo a garota mais pura e casta que conheço.
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  — Poderia ter acontecido. — Seu olhar inocente estava ali, algo que fazia meu corpo arrepiar. — Village sozinho com uma mulher no quarto…
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  — Não sou este monstro… — Ri baixo, imaginando de forma obscura o que poderia ter acontecido em outro tipo de situação com ela sóbria e consentindo meus desejos maliciosos. — Jamais me aproveitaria de uma situação dessas, tenho meus princípios, , só me envolvo com uma mulher com ela estando sóbria e de pleno acordo.
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  Seu olhar suavizou um pouco e, se enrolando mais nas cobertas, manteve a atenção em mim.
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  — Então, o que aconteceu?
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  Sorri de canto… Tinha a cena dos acontecimentos viva em minha memória.
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Algumas horas antes…

  — Então?! — insistiu em cima de mim. — Não quer tirar a minha roupa?
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  — Te olhando assim, você está um misto de criança e femme fatale. — Sorri de canto e virei meu corpo a derrubando na cama, então desta vez eu é que fiquei por cima dela, controlando meus impulsos. — Entretanto, por mais que eu me sinta atraído por você, não vai acontecer nada, . Você merece muito mais que uma noite embriagada.
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  — — ela sussurrou.
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  — Quem sabe um dia, terei a minha chance. — Pisquei de leve, me afastando dela.
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  Não foi fácil, e certamente a imagem dela por cima de mim iria me assombrar pelas próximas noites, contudo, era o correto a se fazer. E a deixando deitada na cama, caminhei até a porta e abri para minha funcionária que já aguardava do lado de fora.
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  — Agradeço por vir tão prontamente, Isla — disse deixando-a entrar.
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  — Estou sempre pronta para servir, senhor. — Ela entrou no quarto. — Quais as ordens?
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  — Trouxe as roupas? — perguntei.
  — Sim. — Ela ergueu a sacola.
  — Ajude a senhorita Vidal, ela precisa de um banho, roupas limpas e uma xícara de chá preto, assim pode amenizar o efeito da bebida — ordenei.
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  — Mais alguma coisa, senhor? — perguntou ela, atenta.
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  — Sabe se meu primo ainda está aqui?
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  — Sim senhor, em sua cobertura — assentiu ela.
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  — Acompanhado?
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  — Não, senhor.
  Eu respirei fundo, agora estava me sentindo o responsável da família. Gostaria de saber quando foi que isso aconteceu. Antes ou depois de eu ambicionar por um sonho que não quer ser meu. Deixei aos cuidados de Isla e segui para a cobertura do meu primo, tinha que me certificar se ele também estava mal emocionalmente ou não. 
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  Sem pedir licença, digitei a senha da porta e entrei. Foi perturbador ver sua suíte parcialmente destruída e desorganizada, para alguém tão perfeccionista quanto o queridinho da família.
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  — ?! — disse em voz mais elevada para que me ouvisse.
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  — ?! — Logo ele surgiu saindo do banheiro, enrolado na toalha. — O que faz aqui?
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  — Não foi para ver seu corpo bem definido — brinquei com meu jeito de ser.
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  — Ha… Ha… Muito engraçado. — Ele caminhou até a mesa de refeições e pegou o celular, parecia checar suas mensagens. — Como entrou aqui?
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  — Minha senha abre todas as portas — disse me gabando dos privilégios de presidente.
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  — E não sabe o significado de privacidade? — retrucou ele, não se importando com meu sarcasmo.
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  Eu ri de leve.
  — Como está? — indaguei, voltando ao assunto de minha presença.
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  — Bem, na medida do possível — ele suspirou fraco. — Não saber onde ela está tem me consumido por dentro.
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  — É por isso que não foi para Stanford ainda — presumi o óbvio.
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  — Não posso esperá-la para sempre, — admitiu ele, num tom de desabafo. — Por mais que eu queira, acho que é hora de seguir em frente por completo.
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  Nunca fomos melhores amigos, mesmo sendo primos. Claro que meu passado libertino de doces e travessuras tinha seu papel nisso. sempre foi o filho modelo, aluno modelo, namorado modelo… Era o que me deixava irritado e me fazia não ligar para os bons modos, tínhamos amigos em comum, entretanto, a companhia feminina sempre me interessou mais. E com uma drástica diferença em nossos estilos de vida, a afinidade seria cada vez menor.
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  — Vai desistir da ? — indaguei.
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  — Eu não vou desistir de mim, da minha felicidade, e não posso depender da rainha dos mistérios para ser feliz — concluiu ele, com seriedade e firmeza. — Vou para Califórnia amanhã de manhã… Se tiver que ser a , o futuro me dirá.
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  — Me surpreendeu agora — confessei.
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  — Você é quem me surpreendeu — retrucou ele.
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  — Por quê? — indaguei confuso.
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  — Saiu no blog da G’G, você e a juntos… Então ela resolveu ficar com você? — Por uma leve fração de segundos, senti a amargura em sua voz.
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  — está passando por um momento em que precisa de apoio dos amigos — expliquei plausivelmente — e não ser deixada de lado.
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  — Eu já dei tudo o que podia para ela, mas no final, não foi o bastante. — me olhou chateado. — Para ser honesto, nossos caminhos nunca se cruzaram, sempre foram paralelos… Eu realmente tentei amá-la como deveria, mas não foi forte o bastante.
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  Senti uma frustração vinda dele, pareceu verdadeiro no que disse.
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  — Bem, desejo-lhe uma boa viagem e bons recomeço — disse a ele.
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  — Cuide bem da por mim. — Assentiu ele.
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  — Não precisa nem pedir — afirmei.
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  Me afastei dele e retornei ao meu quarto. 
  Isla estava lá à minha espera. já se encontrava deitada em minha cama dormindo como se nada tivesse acontecido. Meu coração acelerou um pouco ao olhar um sorriso disfarçado formado no canto de seu rosto. 
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  Estava mesmo me apaixonando pela dream princess? Era loucura achar isso, mas era real. 
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Atualmente…

  — Você bebeu muito, , foi só isso que aconteceu. — Não iria entrar em detalhes desagradáveis com ela.
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  — Acho que preciso ir para casa — disse ela, ainda desnorteada. — Meu voo para Paris é no final da tarde.
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  — Vou deixá-la à vontade.
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  Eu tinha outros assuntos para tratar, assuntos esses que envolviam saber o paradeiro da mistery queen. Saí do hotel e segui com meu carro até o edifício que ficava no escritório do meu pai. Eu não gostava dos seus súbitos momentos de pai cordial e educado, e por trás de todo gesto bondoso tinha um favor a ser concedido.
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  — Me chamou? — disse ao entrar em sua sala.
  — , que bom que veio. — Ele permaneceu sentado em sua cadeira presidencial. — Como sabe, nossa luta para o controle total dos Hoteis Royal começou, com a mudança de curso do , seu tio fica com um a menos em seu time. 
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  — Eu sei.
  — Mas quero saber se Daisy realmente está do nosso lado — seu olhar sério era o mesmo, sempre me analisando.
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  — Sim, Daisy é nossa aliada, não se preocupe, temos sete a nosso favor na diretoria — assegurei firme.
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  — Ainda tenho minhas preocupações, principalmente por seu tio estar furioso — ele riu com ironia. — Eu estou saindo de cena para que você, meu filho, assuma os negócios em meu lugar, espero não ser decepcionado.
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  — Não vai, senhor. — Respirei fundo.
  Sabia das minhas responsabilidades e que agora eu teria que me mostrar o homem de negócios melhor que meu pai.
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  — E quanto ao pedido que lhe fiz? Conseguiu encontrá-la? — perguntou ele, com olhar de interesse.
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  — Vou saber em algumas horas — assegurei. — Não se preocupe, farei o que puder para cumprir o nosso acordo.
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  Eu sabia que ficar no lugar do meu pai, à frente da empresa, não me sairia de graça e agora tinha uma missão para cumprir. Assim que saí do seu escritório, liguei para meus contatos e finalmente obtive a localização da pessoa que tanto procurava. Segui para o Moonlight, o tal restaurante recém-inaugurado que pertencia ao Tenebrae mais novo. Algo inimaginável, mas ele tinha a resposta que eu tanto procurava. 
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  Um lugar bem decorado e interessante ao meu ver. Reconheci alguns rostos assim que passei do hall da recepção para o espaço de espera. No salão havia bastante pessoas, o que significava o sucesso que nosso novo chef estava fazendo. Logo que a recepcionista transmitiu meu desejo de conversar com o chef a sós, fiquei mais alguns minutos esperando até que me conduziram ao escritório dele.
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  — Estou curioso para saber que assunto um Village tem a tratar comigo — disse o homem ao entrar.
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  Me lembrava vagamente do seu ar misterioso na White Party. De jaleco branco e olhar sério, parecia não querer perder tempo.
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  — É um prazer vê-lo novamente, chef Tenebrae — disse o chamando pelo sobrenome.
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  — O que quer comigo? — Direto e preciso.
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  Gosto disso.
  — Não quero com você, estou interessado na pessoa que está hospedada em seu apartamento. — Direto e preciso. — Preciso falar com ela.
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  — Se você sabe, por que veio diretamente a mim? — indagou.
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  — Não posso invadir a casa de um homem — brinquei num tom irônico. — Para ser honesto, tinha minhas desconfianças, mas queria me certificar que realmente ela está com você.
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  Ele continuou em silêncio me olhando.
  — Agradeço por me confirmar — sorri de canto.
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  — Village, se é só isso que tem a dizer, meu restaurante está cheio e preciso atender meus clientes. — Ele se mostrou impaciente.
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  Talvez não tivesse acostumado com este jogo. Se misturar a elite de Manhattan não é fácil.
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  — Não vou tomar mais do seu tempo, só quero comunicar que irei fazer uma visita a sua hóspede — assegurei.
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  — Não me importo.
  — E nem se ela não estiver mais em casa quando retornar? — instiguei.
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  — Já disse, não me importo — ele se virou para sair. — Só espero que não a deixe desconfortável.
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  — Suas palavras são de preocupação — ri baixo. — Posso perguntar algo?
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  — Você irá embora depois?
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  — Prometo que sim — ergui a mão em sinal de juramento.
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  — Então pergunte.
  — Como conheceu ela? — Estava curioso.
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  — A conheci na noite em que a salvei. — Ele se afastou e saiu.
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  — Curioso — sussurrei.
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  Comecei a imaginar que tinha muito mais por trás disso. 
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  As coisas continuam loucas em Upper East Side e nossa segue desaparecida. Será mesmo o que eu estou pensando e este encantador Tenebrae a está abrigando? Mistério sempre foi o meu forte, e agora estou curiosa até mesmo para saber o motivo de querer saber como o chef conheceu sua hóspede. E o que dizer do ex-libertino Village que tem descoberto seus sentimentos mais profundos e se tornado cada dia um lord em nossas vidas.
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

23. Cry in the Rain

Eu nunca deixarei você ver
Como o meu coração partido está me machucando
Eu tenho meu orgulho e sei como esconder
Toda a minha tristeza e sofrimento
Eu vou chorar na chuva.
– Crying In The Rain / A-Ha

  

Noite do baile de formatura…

  Eu não tinha forças nem mesmo para me mover e sair dali. Com a chuva escorrendo pelo meu corpo, as lágrimas sem pedir licença rolavam junto pelo meu rosto. Meu coração machucado e meu orgulho ferido. Eu sabia que aquela cena toda não tinha saído da , quem havia orquestrado era a Collins. Mesmo triste, não culpava minha amiga, eu realmente tinha mentido para ela, mas por ora, a deixaria acreditar que eu era realmente a Allison Sollary
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  — Não deixarei que fique na chuva — uma voz firme soou, e logo alguém se colocou ao meu lado.
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  Ergui minha face para ver a quem pertencia. Seu olhar profundo para mim, fez meu corpo estremecer, talvez pelo frio trazido pela chuva ou não… Ele estava com o guarda-chuva nas mãos, nos cobrindo por instante, então me entregou. Assim que segurei o objeto, ele me pegou em seu colo sem se importar por eu estar totalmente molhada, me levou até seu carro e me colocou no banco da frente, com o cuidado de encaixar o cinto de segurança. Estava tão paralisada com tudo que tinha acontecido, que somente o permiti cuidar de mim sem contestar nada. 
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  Mesmo sendo uma menina má e mentirosa, um anjo tinha me salvado da forte correnteza da vida que queria me afogar. Se era minha segunda chance eu não sabia, mas deixaria ele cuidar de mim. Assim que ele ligou o motor do carro, voltei meu olhar para a janela e vi de longe. 
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  Será que ele sabia o que tinha acontecido comigo?
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  Seguimos pelas ruas de Manhattan, até chegar a um edifício residencial simples e modesto. Após desligar o carro no estacionamento do prédio, ele novamente veio até mim. Abrindo a porta do carro, me pegou no colo novamente. Se eu tinha forças para andar? Não sabia. Mas estar em seus braços me fazia sentir tão segura que não queria sair dali. 
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  A porta do seu apartamento se abriu. Me deparei com um lugar arrumado e confortável à primeira vista. Poucos móveis, estilo industrial e bastante contemporâneo também. O anjo me levou até o quarto no segundo andar. Pelo que entendi, ele morava na cobertura. Pois tinha uma porta que dava para o terraço.
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  — Aqui está segura — disse ele, com sua voz séria ao me colocar sentada na poltrona ao lado da janela. — Tem toalhas limpas no banheiro, pode pegar uma roupa minha… — ele apontou para a direção correta, indicando o caminho. — Precisa se trocar, se continuar molhada pode ficar doente.
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  Seu olhar sereno fazia meu corpo estremecer novamente. Aquelas ordens de pai preocupado me deixava ainda mais impressionada.
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  — Obrigada — foi a única palavra que consegui dizer.
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  — Vou preparar um chá para te manter aquecida — disse ele, se afastando.
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  Eu não sabia quem ele era, mas sabia que estar ali era a melhor coisa que tinha me acontecido em anos. Respirei fundo e me levantei. Senti uma leve dor em meu tornozelo, meu tropeço na escadaria tinha sido sério. Caminhei lentamente até seu guarda-roupa e abri, encontrando a mesma organização da casa ali dentro. Algo que me constrangeu um pouco. 
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  Olhei por um tempo, tentando conhecer aquele homem através do seu estilo. Tinha alguns jalecos de cozinheiro dependurado, me chamando atenção. Abri uma das gavetas e, curiosamente, encontrei roupas femininas. Será de alguma namorada? Me deixei ficar triste pela indagação, mas logo voltei a mim e peguei uma blusa de moletom dele. Fui ao banheiro e tomei um banho quente. A parte ruim é que teria que me contentar com minha lingerie meio molhada. Fiquei somente com a calcinha e coloquei a roupa dele em meu corpo. Após ficar longos minutos encarando meu reflexo no espelho, saí do quarto. 
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  O rapaz misterioso estava encostado na bancada da cozinha, com uma xícara ao lado que parecia me esperar. Seu olhar atento a mim, me deixava ainda mais curiosa sobre ele.
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  — Tentei não demorar muito no banho — disse num tom baixo. — Não quero abusar da hospitalidade.
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  — Fique à vontade. — Ele se manteve sério.
  Observei de leve que ele também havia trocado seu terno molhado, por uma t-shirt preta básica e uma calça de moletom cinza.
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  — É para mim? — perguntei me referindo à xícara.
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  — Sim. — Ele pegou a xícara e me entregou. — Cuidado ao tomar, está quente — advertiu.
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  — Obrigada — disse ao pegar.
  Dei alguns passos até o sofá e me sentei. Senti uma leve dor no tornozelo, mas reprimi. Não estava em condições de abusar ainda mais de minha hospedagem.
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  — Seu tornozelo — observou ele. — Eu a vi caindo, está machucado?
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  — Sim — assenti —, mas vai ficar bom logo.
  — Não quer ir ao médico?
  — Não. — Tomei o primeiro gole. — Se eu puder, gostaria de ficar inativa aqui por um tempo.
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  — Fique o tempo que precisar — disse ele.
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  — Obrigada — sussurrei.
  Voltei meu olhar para à televisão que estava desligada. Minha mente tão cansada estava lutando para me manter acordada a tempo de terminar o chá. Nem mesmo me atentei que ele me conhecia, mas eu mesma nem sabia seu nome. Eu poderia ter aproveitado para perguntar, e levando em consideração os homens que conhecia, todo aquele mistério por trás do meu anjo salvador era tão atraente. Minhas pálpebras ficaram mais pesadas após o último gole e me fizeram adormecer sentada no sofá. 
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  Foi uma noite tranquila de sono, como não tinha há anos. E pela manhã, acordei me esticando na cama. Cama?! Abri meus olhos de imediato e me vi deitada na cama dele, no quarto dele. De fato, meu anjo era mesmo um cordial cavalheiro que tinha me cedido seu conforto. Me espreguicei e levantei da cama, voltei meu olhar para um bilhete deixado por ele na mesa de canto. 
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  — Espero que tenha tido uma noite tranquila, deixei o café servido, fui para meu restaurante — sussurrei lendo, admirei um pouco por sua letra ser tão bonita. — Então ele tem um restaurante, está explicado aquela roupa de cozinheiro.
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  Entrei no banheiro e lavei o rosto. Fiquei um tempo olhando meu reflexo no espelho. Quem diria que há dois dias eu estava cem por cento confiante do sucesso que seria meu baile de formatura. Quem diria que tudo terminaria daquela forma. Só tinha uma coisa a fazer, seguir em frente. Mesmo não sabendo como, eu tinha que seguir em frente. De repente, um som estranho vindo do andar de baixo despertou-me dos meus pensamentos. Saí do banheiro e ouvi uma voz masculina, a pessoa estava subindo as escadas. 
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  — ? Está em casa? — Ouvi o homem dizer, parecia uma voz meio conhecida —
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  Ele parou ao subir o último degrau e me ver. Seu olhar foi discretamente do meu rosto até os pés. Certamente reconhecendo as roupas do dono da casa em meu corpo.
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  — Você não é o — disse ele, num tom de brincadeira, com o olhar curioso como se me reconhecesse. — Você é a aluna do Constance… , não é?
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  — Sim, e você é o Victor Tenebrae, o representante de Yale. — Confirmei me lembrando dele também.
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  — Então se lembra de mim. — Ele sorriu de canto, mantendo seu olhar curioso, certamente se perguntando o motivo da minha presença ali. — Eu posso entender o que faz no apartamento do meu irmão, ?
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  — Seu irmão?!
  Então seu nome completo era Tenebrae. Suspirei fraco. 
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  Que mundo pequeno, não?!
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  — Sim. O que faz aqui? — insistiu ele.
  — Ah… Bem, é uma longa história — disse, um pouco sem graça.
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  História essa que tive o prazer de contar sentada na mesa do café. Victor fez questão de me acompanhar, demonstrando atenção a cada palavra que eu dizia. Para minha surpresa ele não sabia sobre o site da G’G. Quem não conhecia ela?! Todas as fofocas de Manhattan eram reveladas por ela. Mas enfim, ao entrar em seu site e passar as postagens, ele viu a minha foto sendo resgatada por seu irmão.
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  — Eu lamento que algo assim tenha te acontecido — disse ele, ao desligar a tela do celular e guardar no bolso da calça.
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  — Algo assim mancharia meu currículo em Yale? — perguntei de imediato.
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  — Hum… Não sei dizer. Talvez não, já que sua carta de recomendações foi muito bem escrita pela diretora Queller — respondeu ele prontamente. — Ainda está interessada nessa universidade?
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  — Sim, com certeza. — Sorri de leve. — Mas, por que nessa universidade, como se não pertencesse a ela?
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  — Infelizmente tenho que lhe informar que não sou mais o representante de Yale — comentou ele.
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  — Por quê? — indaguei curiosa.
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  — Assuntos de família — respondeu ele, sem detalhes.
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  Se para ele era um encerramento, para mim Yale seria mais do que nunca meu passaporte para um novo começo. Seria complicado deixar aquela pessoa para trás. Talvez eu devesse pensar mais sobre o assunto, afinal essa universidade nunca foi exatamente meu sonho. 
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  — Vai ficar aqui por mais tempo? — perguntou Victor.
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  — Até minha carta de Yale chegar, talvez — respondi. — Por quê?
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  — Estou admirado por meu irmão tê-la abrigado, ele não é muito sociável. — Ele riu baixo. — Principalmente com quem ele não conhece.
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  — Percebi — comentei.
  Do pouco que observei, se mostrou um homem silencioso. Tinha um charme nisso que me chamava a atenção. Passei mais algum tempo conversando com Victor até chegar pouco tempo depois de anoitecer. Pensei que ele demoraria mais em seu restaurante em um dia de movimento. Fiquei um tanto quanto intrigada por voltar tão cedo.
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  — Victor, o que faz aqui? — perguntou ele ao ver seu irmão com uma toalha na mão enxugando os pratos.
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  — Vim conversar com meu irmão, mas acabei encontrando outra pessoa em seu lugar. — O olhar de Victor para mim, seguido de um sorriso malicioso que foi notado por seu irmão.
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  — Você abriu a porta para ele? — Traços de aspereza na voz saíram dele.
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  — Não — Victor se colocou em minha frente. — Esqueceu que eu tenho a cópia da chave?
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   manteve seu olhar em mim. Eu não tinha culpa da presença do seu irmão. E não iria tratá-lo com indiferença só por não ser a minha casa.
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  — Eu… Vou deixar vocês a sós — disse um tom baixo, me movendo com certa dificuldade até a escada.
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  Não entraria no meio de um relacionamento visivelmente conturbado entre irmãos. E que irmãos… Fiquei no quarto de olhando o movimento da rua pela janela. Foram minutos em completo silêncio até que meu anfitrião entrou pela porta.
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  — Me desculpe por agir daquela forma — disse ele, num tom mais brando agora.
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  — A casa é sua. — Tentei não me importar com seus bons modos diante do irmão.
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  Mas era novidade saber que ele tinha um lado assim.
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  — Não gosto muito de receber visitas do Victor — confessou. — Mesmo sendo meu irmão, temos pensamentos diferentes…
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  — Então por que ele tem a chave daqui? — Interrompi, o confrontando com a realidade.
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  — Comprei esse apartamento dele e me esqueci de trocar a fechadura — respondeu.
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  — Hum…
  — Sei que não quer sair daqui, mas posso te levar a um lugar? — perguntou ele, mudando de assunto.
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  — Eu serei vista por alguém? — perguntei com receio.
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  — Te asseguro que não. — Seu tom sincero me convenceu.
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  — Então tudo bem. — Sorri de leve para ele.
  , mesmo com seu rompante, ainda me passava segurança. Foi um tanto surpreendente quando eu desci do carro dele e reconheci o lugar para onde tinha me levado. Aquela clínica tão amigável de todos os dias. Se estávamos ali, então significava que sabia sobre meu verdadeiro segredo.
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  — Dra. Charlot? — disse quase estática.
  — Oi, querida. — Ela sorriu e me abraçou com carinho. — Que bom que aceitou vir. Obrigada por trazê-la, querido.
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  Querido? Pensei comigo, tentando não ficar estática.
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  — Não foi nada demais, mãe — respondeu .
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  Mãe?! Eu a olhei mais surpresa ainda.
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  — Ele é seu filho? — perguntei em quase sussurro.
  — Sim — explicou ela, se sentando na cadeira. — é o presente que a vida me deu.
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  — Então… Foi por isso que ele apareceu na escadaria? — Olhei para ele, tentando decifrar sua presença naquela noite.
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  — Sim, foi por um pedido meu e que bom que ele foi. — Ela sorriu com a mesma doçura de sempre. — Assim pode te ajudar.
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   se afastou de nós para atender uma ligação.
  — Mas por que pediu para ele ir? — Me aproximei mais dela.
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  — Pedi a para ir ao seu baile e tirar umas fotos para mostrar àquela pessoa — disse ela. — Hum… Eu estou no meu intervalo, que tal irmos à lanchonete?
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  Assenti sem problema e segui com ela. Sentamos em uma mesa e começamos a conversar.
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  — Fiquei surpresa quando me disse que você tinha passado a noite no apartamento dele. Ele é um estranho para você — comentou ela.
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  — Se todos os estranhos fossem respeitosos e cavalheiros como seu filho, o mundo seria bem melhor — admiti, soltando um suspiro cansado. — Mas confesso que estava tão paralisada ontem que nem mesmo raciocinei direito, só queria desaparecer.
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  — E conseguiu — ela riu baixo. — Todos estão se perguntando para onde você foi, quem é o seu cavaleiro salvador.
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  — Queria que se esquecessem de mim por um tempo — confessei.
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  — , você marcou a todos com sua presença forte, não tenho certeza que vão te esquecer assim. — Errada ela não estava.
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  — Ainda assim, não sei se eu quero voltar. — Soou como um desabafo. — Tenho pensado em recomeçar longe de todo esse alvoroço que Upper East Side nos proporciona.
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  — Vai mesmo para Yale? — perguntou ela.
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  — Estou pensando… Ao mesmo tempo que quero ir, também sinto que não posso me afastar daqui, daquela pessoa. — Admiti.
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  — E já pensou em uma segunda opinião?
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  — A essa altura do ano letivo, não conseguiria nada melhor que a Universidade de NY — respondi. — É pública, não vou precisar depender de ninguém e poderei morar no dormitório, posso tentar um estágio ou algo assim no segundo semestre. E não seria uma má ideia fazer um bazar com as roupas que não uso mais.
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  — A cada dia fico mais admirada com sua força — elogiou ela.
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  — Às vezes, eu também — confessei.
  Ficamos mais algum tempo conversando. 
  Não demoramos muito, pois tinha que acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. Só de lembrar que ele era filho de uma mulher maravilhosa com a dra. Charlot, me deixava ainda mais curiosa. Eu não o conhecia, mas ele sabia quem eu era, sabia sobre minha vida. Nunca imaginei que a dra. Charlot pudesse ter filhos já mais velhos. Que ela era divorciada eu já sabia, mas com filhos não. 
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  Os dias seguiram, comigo em sua casa e vendo meu anfitrião somente em seu retorno à noite. Ou melhor, eu não o via, pois quando ele retornava, eu já estava adormecida no sofá à sua espera. E misteriosamente, eu sempre acordava na cama no dia seguinte, o que me deixava ainda mais fascinada.
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  — — disse ao descer as escadas de manhã e o ver encostado na bancada da cozinha com as mãos no bolso da calça.
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  Sério e sereno como sempre. Fazendo meu corpo estremecer apenas com o olhar.
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  — Bom dia — disse ele.
  — Bom dia — respondi. — Não vai trabalhar hoje?
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  — Vou. — Ele respirou fundo. — Só esperei que acordasse para dizer que não precisa me esperar chegar.
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  — Me desculpe, me levar para cama todas as noites deve ser muito… — eu tentei me colocar no lugar dele. — Estou sendo inconveniente.
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  — Apenas não me espere — disse ele com suavidade na voz. — Tenho tido dias intensos no restaurante, por isso estou chegando tarde.
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  — Não precisa se explicar — disse meio sem graça.
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  — Eu preciso ir agora. — Ele sorriu de canto, discretamente.
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  Então se retirou. 
  Tomei meu café da manhã normalmente como todos os dias. Mesmo tentando desviar das notícias do site de fofocas ou de qualquer outra coisa. Era mais forte do que eu. Sentia uma imensa vontade de ligar para e perguntar como estava sua vida em Stanford e quem era a tal California Girl que a G’G tanto mencionava ser a nova dona de sua atenção. Entretanto, eu precisava entender o que faria com a minha vida, focar na direção que seguiria agora que estava completamente sozinha. 
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  Segui meu dia à espera do funcionário de que levaria meu almoço. Pouco antes do final da tarde, recebi uma visita inimaginável.
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  — ?! — disse ao abrir a porta. — O que faz aqui?!
  — Olá mistery queen. — Ele sorriu debochadamente. — Não vai me convidar para entrar?
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  — Não sou mais uma rainha. — Abri mais a porta, para que ele entrasse.
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  — Eu não acho — disse ele, com sua voz suave.
  — Como me achou aqui? — perguntei, fechando a porta e voltando meu olhar para ele.
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  — Tenho amigos que têm amigos, que me conseguem informações — explicou do seu jeito de ser.
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  — O que quer aqui? — Fui direto ao ponto, sem paciência para seus jogos.
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  — Vim buscá-la e te levar para casa. — Ele devolveu sem rodeios.
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  — Não tenho casa, — retruquei. — E estou muito bem aqui.
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  — É claro que você tem uma casa — insistiu ele — A minha.
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  — O quê? — Ri da cara dele.
  Porém, assim que começou a contar o que estava acontecendo e o motivo dele estar ali. Meu riso desapareceu e mais uma vez senti o mundo caindo sobre mim. Minha mãe, que havia me abandonado, estava de volta em Manhattan. Pior, estava casada com o pai do . Pior ainda, ela queria que eu morasse com eles.
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  — Espera, deixa eu ver se entendi — respirei fundo. — Minha mãe e seu pai, com direito a meia irmã mais nova?!
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  — Isso mesmo. — Seu olhar estava tão sereno que não tinha como ser mentira.
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  — Minha mãe?! Penny Allen??
  — , como acha que descobri todos os seus segredos? — Ele riu com ironia. — Nós dois sabemos que você não é a Allison. Sua mãe está viva e casada com meu pai, isso é um fato.
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  — Mas o que você disse a Collins? — retruquei.
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  — A Collins interpretou errado — explicou ele, aparentemente cansado de toda onda de segredos. — Mas ela não importa agora, o que importa é que estou aqui para te levar para casa.
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  — E se eu não quiser? — retruquei.
  — Aí, eu é que estarei em uma má situação — disse ele, colocando as mãos nos bolsos da calça, um tanto pensativo. — E eu a terei que persuadir. Se é que me entende.
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  — ?! — Era difícil de acreditar naquilo.
  — , sendo sincero, eu fiz um acordo com meu pai — confessou. — E você vir morar conosco faz parte desse acordo. 
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  — Não sei se conseguiria, nem mesmo sei se tenho forças para encarar minha mãe. Sinto que o mundo caiu sobre mim. — Eu fui honesta com ele, estava mesmo cansada de tudo aquilo.
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  — Você terá, eu estarei ao seu lado. — Ele estendeu sua mão. — Estamos no mesmo barco, minha cara.
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  — Você acha?
  — Meu pai com a sua mãe. — Ele sorriu de canto. — O único jeito de sobreviver a isso, é nos unirmos. 
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  Assenti, mesmo insegura e segurei em sua mão. Eu já estava totalmente desabada e pior não poderia ficar. No caminho em direção à minha nova realidade inesperada, nós começamos a conversar um pouco sobre assuntos aleatórios e as histórias do lado homem de negócios dele.
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  — Um presente não pode ser reivindicado, não é mesmo? — Ele riu ao contar sobre sua ferrari quase ser confiscada pelo pai.
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  — De fato — concordei rindo.
  — Então vendi meu carro e comprei o Vitrola — contou ele.
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  — Você vendeu seu carro para comprar um bar? — O olhei impressionada.
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  — Vendi meu carro para realizar um sonho — corrigiu ele e explicou. — Reerguer o Vitrola neste um ano que ganhei de férias foi um dos acordos do meu pai para que eu provasse meu valor para os negócios.
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  — Quem te viu e quem te vê, Village. — Boquiaberta eu estava.
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  O libertino havia amadurecido mais do que imaginava.
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  — Uma hora temos que crescer, não é mesmo? Não dá pra continuar a vida como adolescentes vivendo apenas de festas — admitiu ele.
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  — Eu não vivia apenas de festas, apesar de organizar muitas — brinquei.
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  Ele me olhou sério, então riu um pouco.
  — Uma rainha não pode negar diversão aos seus súditos — brinquei.
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  — Nisso, tenho que concordar. — Ele sorriu de canto.
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  Nunca imaginei tal situação, mas daquele dia em diante, eu e seríamos parceiros de sobrevivência.
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  Mais um segredo revelado seguido de novidades em Upper East Side.
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  Nossa querida mamãe retornou como a senhora Village e quer se reencontrar com a filha abandonada. Será que nosso querido vai mesmo conseguir assegurar a presença de na mansão da família perfeita? E o que dizer do Tenebrae, , o anjo salvador que já está despertando o interesse da nossa mistery sempre queen.
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

24. California Girl

“I know a place
Where the grass is really greener
Warm, wet and wild
There must be something in the water.”
– California Girls / Katy Perry

  

  Assim que se retirou da minha suíte, voltei para o closet e coloquei uma calça de moletom, permanecendo sem camisa. Por mais que tentasse, não conseguia tirar da minha mente a imagem de sendo levada por um estranho, isso se realmente era um estranho e não alguém que faz parte do lado oculto de sua vida. Me espreguicei um pouco e joguei meu corpo sobre a cama, tinha que me concentrar na nova rotina que teria em Stanford, afinal, curso de medicina era um dos mais sanguinários quando o assunto era sugar a sanidade mental dos alunos.
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  Permaneci olhando para o teto por um tempo, e não conseguia controlar meus pensamentos numa chuva de imagens de tudo o que tinha acontecido nos últimos meses. Desde a viagem para Havana eu seguia me sentido estranho, como se todo o tempo as pessoas estivessem decidindo minha vida por mim. Meu namoro com partiu de , dois semestres de administração em Harvard jogados fora partiu do meu pai. É complicado quando se para e percebe que seus dias estão mal direcionados.
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  — Preciso parar de pensar em você, , urgentemente — sussurrei para mim mesmo, fechando os olhos tentando esvaziar a minha mente.
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  Meus pensamentos haviam paralisado na cena da escada mais uma vez, não quero ficar doente por causa de alguém. Decidi passar as últimas horas em Manhattan totalmente off-line de todas as redes sociais e com o celular desligado. Assim como minha amiga, aquele seria o meu momento de desaparecer de toda essa loucura de Upper East Side. A noite passou com rapidez, assim como o tempo de voo até a Califórnia, fui recebido no aeroporto por meu amigo de fraternidade, Dean.
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  — Olha só quem finalmente chegou — disse ele, com um sorriso bobo no rosto e um olhar orgulhoso. — Nosso novo doutor, destruidor de corações.
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  — Não estou aqui para destruir o coração de ninguém — assegurei a ele, ajeitando a alça da mala de mão no ombro. — Com sorte, apenas conseguir boas notas.
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  — Ah, , você está solteiro agora, precisamos aproveitar seu novo status — brincou ele, me ajudando a carregar uma das malas.
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  — Pare de pensar em farras, agora terei um relacionamento sério com o estetoscópio — brinquei de volta, já imaginando o que me aguardava no primeiro semestre letivo.
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  — Eu ainda não entendo o que você viu em medicina, é o curso mais complexo que existe — comentou ele, me indicando o caminho até a saída do aeroporto.
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  — E você faz o que? Engenharia? Seus números não são complexos, não? — Eu ri da careta dele, o seguindo.
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  — Mil vezes meus algoritmos que um bisturi — afirmou ele, com convicção. — E viva a tecnologia.
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  Eu continuei rindo. 
  Continuamos até chegar em seu carro em frente ao aeroporto no qual ele me levou até minha nova morada, ao leste da praia de Poplar na cidade de Half Moon Bay, a exatamente 32 minutos da universidade. E não, eu não queria morar tão perto assim de Stanford, menos ainda em meio a agitação do centro comercial próximo ao campus. Queria privacidade, tranquilidade e paz para meu recomeço.
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  — Está entregue — disse Dean, ao estacionar o carro em frente a uma singela casa com estrutura de madeira e vidro. — Tem certeza que ficará bem?
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  — E por que não ficaria? — Eu olhei para meu amigo, retirando o cinto de segurança.
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  — Você está bem longe do campus e só trouxe duas malas — explicou ele.
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  — Te asseguro que a casa está bem abastecida — garanti a ele. — Trouxe nada além do necessário e ficarei bem assim.
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  — Se você diz. — Ele assentiu, me observando descer do carro. — Ah, antes que me esqueça, vai ter uma festa das fraternidades hoje à noite, um boas-vindas aos calouros do próximo semestre.
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  Enquanto ele falava, aproveitei para tirar minha mala do banco de trás, então o encarei novamente.
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  — Deixa eu adivinhar, você quer que eu vá? — constatei, ao debruçar na janela do carro.
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  — Não preciso nem dizer que seu nome está na lista vip — reforçou ele, com um olhar de intimação. — Tire um cochilo e te vejo mais tarde.
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  Eu assenti, fazendo um sinal de continência e me afastei rindo, indo em direção à casa. Já fazia um tempo que eu não visitava aquele lugar, minhas memórias de infância na praia de Poplar foram boas por um tempo, até que só restou saudades dentro de mim, da época mais feliz da minha vida. 
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  Ao passar pela porta, sorri de canto percebendo todo o ambiente milimetricamente organizado para minha chegada, desde as flores no vaso ao lado da escada, até as almofadas em tons de verde pastel no sofá da sala. Refrescante e aconchegante, que me remetia à primavera. 
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  — Margo sempre pensando em cada detalhe — sussurrei, ao deixar as malas ao lado do sofá e seguir até a cozinha.
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  Senti meu estômago reclamar de início. Nem me lembrava qual havia sido minha última refeição. Abrindo a porta do microondas, lá estava uma refeição pronta me esperando, um spaghetti ao sugo bem caprichado. Não me contive em saborear a refeição, sentado na varanda do quarto principal que dava vista para o mar. Deixando a louça suja no bojo da pia após entrar novamente em casa, retornei para o quarto agora levando minhas malas junto.
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  Abri a primeira mala e comecei a ajustar as roupas no closet, não demorou muito tempo até que meu celular tocou, havia até esquecido que tinha ligado o aparelho no caminho do aeroporto para casa. Olhei para o visor, uma chamada de Daisy, estava me perguntando quando ela ligaria para saber se já cheguei aqui.
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  — Não estou surpreso da ligação — disse, num tom sério porém tranquilo, ao atender.
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  — Olá, irmãozinho, já chegou? — disse ela, no seu habitual estilo receptivo. — Você esteve incomunicável nas últimas horas, fiquei preocupada.
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  — Estou bem, Daisy, e já cheguei aqui — confirmei a ela, dando alguns passos para dentro do quarto.
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  — Tem certeza que vai mesmo ficar nesta casa velha? Já disse que meu apartamento no centro está à sua disposição — assegurou ela, ainda desaprovando minha decisão.
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  — Não quero outro lugar a não ser este, já disse que agora sou eu quem toma as decisões da minha vida, mas agradeço pela ajuda — reforcei minha decisão. — Além do mais, esta casa não está velha, a reformei há poucos meses e me sinto bem melhor aqui.
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  — Quanto apego — comentou ela, bufando em seguida —, mas já que insiste.
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  — Esta casa foi da minha mãe, mais respeito — pedi com mais seriedade na voz.
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  — Me desculpe se soou ofensivo — disse ela. — O que importa é estar aí.
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  — Sei que não está me ajudando só por bondade — comentei me aproximando da janela e olhando o mar.
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  — Meu querido, o mundo gira em torno de interesses próprios — confessou ela, com uma risada rápida. — Todo mundo sabe disso.
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  — O que mais o meu tio quer? — perguntei, já entendendo o motivo da ligação.
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  — Não é nada com o seu tio, fique tranquilo, é mais um favor para sua irmã — revelou ela.
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  — Que favor? — indaguei.
  — Quero que me acompanhe em um jantar — pediu ela, agora com uma voz mais melosa.
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  — Com que propósito? — perguntei.
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  — Só não quero ir sozinha e você está na Califórnia — explicou. — Por favor, sei que agora vai ficar comprometido com Stanford, mas…
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  — Tudo bem, me diga quando e onde, vou com você — assenti, não tendo paciência para suas insistências caso eu recusasse.
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  — Vou te mandar o endereço e horário, será daqui dois dias. — Ela pareceu contente com minha aceitação.
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  Assim que encerrei a ligação, coloquei o celular no silencioso e o joguei em cima da cama, retornando para o closet. Meu lado organizado me faria passar as próximas horas desfazendo as malas e ajeitando minhas roupas nas prateleiras. Quanto mais organizava, mais os pensamentos reflexivos iam surgindo, principalmente aqueles referentes à minha nova condição financeira. Ter ganhado a bolsa de estudos foi um presente dos céus, não teria preocupações com mensalidades, entretanto, os custos com livros, instrumentos da área, dentre outros, seriam por minha conta, além dos meus gastos pessoais. 
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  A vida adulta me foi apresentada sem pedir licença e de forma violenta, o que me remeteu ao dia em que adentrou em minha vida com seu universo de mistérios. Sua realidade difícil e de como foi forte e corajosa por enfrentar os obstáculos que o mundo lhe apresentou. Se ela conseguiu, era bem possível que eu também conseguiria. Fiquei tão concentrado que nem mesmo me dei conta do passar da hora, minha atenção foi despertada pela insistente ligação de Dean, com suas mais de seis chamadas. 
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  — Dean? — disse ao atender a chamada.
  — Finalmente — disse ele —, achei que tivesse desistido da nossa noite de liberdade.
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  — Eu sei que você não me deixaria em casa hoje. — Ri de leve, ao caminhar de volta para o closet.
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  — Que bom que sabe disso. — Ele soltou uma gargalhada. — Se apronte que eu passo aí em vinte minutos.
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  Eu assenti em risos e me aproximei da arara das camisas, passando o olho superficialmente para escolher a que mais me chamasse a atenção. Tomei uma ducha rápida e vesti a roupa, não demorou muito para que Dean buzinasse do lado de fora, pouco depois que terminei de me vestir. Seu Mustang vermelho era bem chamativo, assim como seu jeito despojado. Ao chegarmos em frente a outra casa à beira mar, o lugar já se encontrava bem movimentado, mais do que imaginei para final de semestre. Em Harvard, todos os alunos desaparecem nas férias e só retornam no primeiro dia do semestre letivo, mas em Stanford certamente era tudo diferente graças à vida praiana agraciada pelo litoral do país.
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  — Aqui está, finalmente chegaram! — Um veterano veio nos recepcionar, assim que entramos na casa.
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  O lugar era visivelmente maior do que onde eu estava, três níveis de estruturas de container, com um terraço certamente privativo para a suíte master. Muito espaço e trabalho de iluminação natural com a presença das largas portas e janelas de vidro, uma arquitetura que nem parecia uma residência na praia. Na varanda da parte leste, era visível da sala a Jacuzzi com direito a vista para o mar. De causar inveja em qualquer universitário de Stanford.
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  — Agradecemos pelo convite — disse a ele, observando as pessoas à nossa volta com discrição. — Você deve ser o Jacob Nolan.
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  — O próprio, e que bom que veio, seu nome tem sido o assunto do próximo semestre letivo. — Ele soltou uma risada rápida. — A casa não é minha, mas a festa sim, então fiquem à vontade e aproveitem a noite.
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  — Não só a noite, como também as próximas semanas de férias — completou Dean, animado com o anfitrião.
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  O homem se afastou de nós e seguiu para outro grupo de garotas que também chegava à festa. Voltei meu olhar para Dean que já se remexia discretamente ao som da música que tocava.
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  — Tô sentindo que essa noite vai ser um arraso — comentou ele, olhando uma garota passar por nós.
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  — O que ele quis dizer com o meu nome sendo o assunto da universidade? — perguntei ao meu amigo, intrigado com a revelação.
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  — Ah, você sabe, os hotéis da sua família são bem famosos na Califórnia, então todos conhecem seu sobrenome, deve ser por isso — disse ele, com sua atenção em outro lugar. — Fica tranquilo e vamos curtir, a noite é uma criança.
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  Eu voltei meu olhar para o outro lado e por um vislumbre de tempo, pensei ter reconhecido um rosto em meio às pessoas que dançavam na pista improvisada ao centro da sala. Esticando um pouco mais meu corpo, para encontrar o melhor ângulo, finalmente meus olhos se fixaram no rosto que tanto procurava.
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  — É ela… — sussurrei, sentindo minhas pupilas dilatarem.
  Seu olhar veio de encontro ao meu, e parecia me reconhecer também. O que ela estava fazendo aqui? Me devia respostas. Eu aproveitei a distração do meu amigo e me impulsionei para ir até ela, porém, a mesma deu as costas e começou a adentrar mais a casa como se estivesse fugindo de algo ou alguém. Não me dei por vencido e o que inicialmente era um encontro casual por coincidência, se transformou numa perseguição sutil e persistente de minha parte. Mesmo sendo ampla de conceito aberto, o lugar cheio de pessoas dificultou minha locomoção, que por alguns instantes me senti perdido, o que de fato constatei ao chegar no terraço.
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  — Te achei — sussurrei, ao vê-la debruçada no guarda-corpo de vidro, aparentemente observando o mar.
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  — Achei que nunca conseguiria chegar até aqui — comentou ela, num tom baixo.
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  Pude notar seu sorriso de canto.
  — Quem é você? — perguntei, me aproximando.
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  — E isso importa? — Ela manteve sua atenção onde estava.
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  — Considerando o bilhete que deixou pela manhã, sim, importa muito — continuei a me aproximar, mantendo o tom sério para ela. — O que levou de mim?
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  — Ainda não descobriu? — Finalmente ela voltou seu olhar para mim.
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  — Acho que terá que ser bem mais clara e direta — retruquei, a encarando.
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  Senti meu corpo arrepiar com aquele olhar intenso que emanava dela. O que me atraiu desde o início. Ela girou o corpo para se manter totalmente de frente para mim.
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  — Por que escolheu medicina em Stanford? — indagou ela, era notório sua surpresa em me ver ali. — Todos sabem que Harvard é bem melhor.
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  — Se me responder, eu te respondo — disse com mais serenidade no olhar.
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  — Hum… — ela sorriu de canto. — Pode me chamar de garota da Califórnia.
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  Antes mesmo que eu pudesse reagir, ela deu impulso e iniciou um beijo doce, envolvente e cheio de malícia. Era notório que eu não conseguiria obter as respostas do meu jeito, então apenas me deixei ser guiado pelo seu jogo de sedução que certamente renderia a noite toda naquele terraço. E quem ligava para a casa cheia no andar de baixo, era certo que estar ali sob as estrelas, era estritamente proibido para os convidados.
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  Sorte a minha.
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  A vida adulta não tem sido fácil não é mesmo, meu querido ? Ser independente tem seu lado da liberdade e ao mesmo tempo a realidade dos boletos. Mas estando de volta ao lar de sua infância, certamente nosso famoso Bellorum terá as mais inusitadas experiências acadêmicas. Pelos menos, no que depender de nossa misteriosa California Girl.
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

25. In Paris

That’s all we really want some fun
When the working day is done
Oh girls they wanna have fun
– Girls Just Wanna Have Fun / Cyndi Lauper

  

  Eu ainda estava com minha mente cheia de pensamentos inoportunos. Sentada na poltrona do avião com destino a Paris sem saber o que minha nova realidade me guardava. Não conseguia deixar de pensar em e como ele tinha cuidado de mim durante todo esse tempo de crise. Não imaginava que aquele charmoso libertino tinha esse lado protetor que me fazia sentir segurança em um único abraço. Acho que foi isso, foi a partir daquele abraço que ele me deu quando descobri a traição da minha mãe. A partir daí que nossa amizade começou a estreitar, fazendo meu coração acelerar a todo momento perto dele. Senti meu coração pulsar mais forte, com o surgimento de alguns flashes de memória da noite em seu quarto do hotel. Ainda não acreditava que tinha feito aquilo, sentia uma vergonha descomunal mesmo agindo com discrição e naturalidade. 
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  As horas se passaram e finalmente realizei meu desembarque em Paris, Le Cordon Bleu me aguardava para o início de um sonho a ser realizado. Gastronomia foi minha escolha final, porém estava visando a área de confeitaria. Até chegar no meu objetivo final, sabia que teria um longo caminho pela frente.
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  — Bonjour, mademoiselle — disse o representante da universidade assim que desembarquei.
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  — Bonjour — o cumprimentei. — Agradeço por vir me buscar.
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  — Para mim é um prazer — disse o rapaz. — Pode me chamar de Dylan.
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  Sorri de leve para ele e o observei pegar minhas malas. Seguimos até o carro e fomos para o dormitório onde eu ficaria. Era um quarto comum em um prédio modesto; paredes claras, uma cama de casal, closet e banheiro privativo. Assim que Dylan terminou de passar as orientações sobre as aulas e meu quadro de horários, se retirou para buscar outra aluna estrangeira. Deixei minhas malas ao lado da porta e peguei meu celular. 
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  Havia várias mensagens da G’G atualizando os últimos acontecimentos em Manhattan. Agora que eu estava longe, ainda não sabia se continuaria seguindo as novidades detalhadas por ela, mas no fundo, eu sentia uma certa preocupação pela falta de notícias de .
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  “Flagrado nosso futuro doutor Bellorum se divertindo em noite de calouros de Stanford. Acho que alguém sabe mesmo aproveitar o momento de solteiro.”
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  “Flagrado aos beijos com uma California Girl, nosso príncipe Bellorum tem chegado com tudo no litoral do país…”
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  “Flagrado…”
  “Flagrado…”
  “Flagrado…”

  Parecia que ela só tinha notícias as quais não me interessava. No fundo, Matt tinha razão e por mais que eu estivesse zangada com , era minha melhor amiga, e talvez eu tenha agido extremamente errado com ela. Eu odiava me sentir assim, culpada. 
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  — No que eu me tornei? — perguntei a mim mesma ao ver a foto de na escadaria debaixo da chuva.
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  Respirei fundo e voltei meu olhar para as malas, caminhei até elas e troquei minha roupa, colocando algo mais leve para aproveitar o frescor do verão. Minha ideia? Aproveitar minha primeira noite em Paris, visitando algum lugar interessante. Afinal, certamente meus próximos dias sozinha em Paris não seriam tão animados assim, menos ainda as noites. Eu estava para iniciar uma graduação da qual não sabia nada sobre a não ser o que pesquisei nos últimos meses, sem contar que meu contato com a cozinha era somente como espectadora do Alfred.
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  Poderia muito bem dizer que conhecia Paris como a palma da minha mão, foram muitas férias na cidade sem contar com as viagens repentinas em família. Era a minha cidade do coração a qual sempre tive como uma segunda casa. Caminhando sem direção pelas ruas, apenas me permiti contemplar a arquitetura que fazia dela a cidade luz.
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  — Interessante — disse uma voz vinda de trás de mim, após o longo silêncio que me encontrava em um dos corredores de uma galeria que me interessou a fachada eclética. 
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  — Hum?! — Olhei para trás e vi um homem com seu olhar fixo no mesmo quadro que eu, com as mãos no bolso e o rosto sereno. — Falou comigo?
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  — Me desculpe. — O homem sorriu, ao me olhar. — Estava te observando desde o momento em que entrou na galeria, e continua a observar o mesmo quadro há mais de trinta minutos. Me deixou curioso para descobrir o motivo.
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  — Bem, eu gosto deste pintor — expliquei voltando meu olhar para o quadro. — É um amigo da minha família, só estou impressionada por ele ter voltado a pintar.
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  — Eu conheço este artista também — comentou o homem.
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  — Sério? — Eu o olhei novamente, impressionada.
  Pelo pouco que eu me lembrava de Franklin Vern, ele odiava socializar e sua lista de amizades era bem seleta. 
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  — Sim — ele esticou a mão. — Prazer, Dimitri.
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  Olhar profundo e de impacto, parecia ter saído das páginas dos livros de Jane Austen.
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  — Prazer — apertei sua mão — .
  — O que faz aqui em Paris? — perguntou ele.
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  — Como sabe que não sou daqui? — retruquei a pergunta.
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  — Seu sotaque americano — ele riu, deixando transparecer a covinha que se formava em sua bochecha. — É muito forte.
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  — Sério? Meu francês está enferrujado mesmo, tem um tempo que não venho a Paris — confessei.
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  — Deixe-me adivinhar — ele me olhou mais profundo. — É de New York?
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  — Sim, Manhattan — respondi.
  — Está a passeio? 
  — Não exatamente. — Sorri de leve, meio envergonhada pelos olhares dele.
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  Dimitri se mostrou um lorde francês muito gentil e comunicativo. Conversamos um pouco sobre os outros quadros que estavam sendo expostos naquela galeria. O que me fez descobri que o lugar pertencia a sua família, e era gerenciado por seu irmão mais velho. O que nos levou a uma breve parada para tomar um delicioso cappuccino na cafeteria do lugar.
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  — Passamos todo esse tempo falando sobre quadros e pintores, mas a senhorita não me contou o que faz aqui em Paris — comentou ele, ao dar o primeiro gole em seu expresso.
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  — Não costumo dizer tudo no primeiro encontro — brinquei, meio envergonhada por seus olhares.
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  Não acreditando na naturalidade das palavras que saíram de mim.
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  — Hum… Então terei que pedir seu telefone e te convidar para outro café — disse ele, com um sorriso de canto discreto.
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  Não sei como explicar. Mas todo francês tem um charme. Seja no olhar ou na voz, Dimitri não estava na lista de exceções e conseguiu muito bem atrair minha atenção para seu olhar. 
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  — Meu telefone?! Hum… — Eu ri de leve, era surreal esse tipo de situação acontecendo comigo. — Que tal outro encontro casual e inesperado aqui na galeria?
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  — Gosta mesmo de arte — observou ele.
  — Digamos que sim, apesar dos livros me chamarem mais atenção — confessei.
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  — E que tipo de livros a senhorita americana gosta? — perguntou ele, num tom curioso.
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  — Romances épicos da era vitoriana — respondi.
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  Nós rimos da minha resposta. Foi inesperado aquilo.
  — O que foi? Não era o que imaginava ouvir?
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  — Bem, por um breve segundo pensei que diria Nicholas Sparks, seu olhar é de quem gosta de romance, mas não imaginava algo como Jane Austen ou Os Bridgertons.
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  — Eu amo os livros da Jane Austen e já li toda a saga de Lady Whistledown — confirmei sutilmente sua dedução. — Mas estou surpresa por sua leitura sobre mim. Tenho mesmo esse olhar?
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  — Sim. Seu olhar me faz lembrar de Sonhos de uma noite de verão, de Shakespeare. — Assegurou ele.
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  — Esse livro não é um romance, mas uma comédia — retruquei.
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  — Talvez somente pela parte do sonho — explicou ele.
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  Sonho. Uma característica que me foi dada no passado. Algo do qual eu queria sutilmente me livrar. Meu breve devaneio foi despertado pelo toque do celular dele. Algo que o fez se retirar antes do tempo previsto. Apesar da inesperada companhia, mais uma vez estava sozinha. Ou melhor, não tão sozinha assim, pois uma mensagem de surgiu em meu celular. Me perguntando se eu estava bem, como tinha sido minha viagem. Fiquei me perguntando se eu deveria responder.
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  “como foi sua viagem? poderia ter  ido com você.”

“foi muito boa, obrigada.”

  “só isso?”

, estou entrando no meu quarto agora e vou dormir. 
não deveria estar fazendo outra coisa?”

  “não deveria falar a palavra quarto. 
  Agora estou pensando coisas impróprias.”

“seu pervertido”

  “kkkkkk… bons sonhos.”

  Segurei o riso, mordiscando o lábio inferior. 
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  O mesmo de sempre. Deixei o celular em cima da cama e fui tomar um banho. Demorei um pouco para me deitar, pois havia molhado meu cabelo por acidente. Estava frio e não queria pegar um resfriado. Na manhã seguinte, cheguei um pouco atrasada em meu primeiro dia de aula. Além de acordar atrasada, me perdi no caminho para o prédio principal da Cordon Bleu
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  — Me desculpe — disse ao professor, assim que entrei na sala.
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  Meu corpo paralisou de leve ao olhar para ele, era Dimitri: O francês da galeria.
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  — Como hoje é o primeiro dia, deixarei passar, mas preso pela pontualidade dos alunos, senhorita Vidal. — Seu olhar estava sério, parecia tão estático quanto o meu.
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  E agindo assim, como se não me conhecesse, deixava tudo mais estranho.
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  — Não irei me atrasar. — Ainda estática, me afastei da porta e sentei na primeira cadeira que vi pela frente.
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  Claro que ele passou o restante da aula entre explicar os princípios básicos da gastronomia francesa e do mundo, e sempre desviar seu olhar de mim. No final da aula, após sair da sala, Dimitri me parou no corredor. Com discrição e atento aos alunos que circulavam pelo lugar.
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  — — iniciou ele —, me desculpe se fui um pouco rude com você.
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  — Não há o que se preocupar, você agiu da forma correta, é o professor. E eu a aluna atrasada — brinquei, era compreensível. — Estou mesmo surpresa por você ser meu professor. 
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  — Digo o mesmo. — Ele sorriu. — Acho que aquele encontro inesperado não será somente na galeria agora.
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  — Inacreditável, não é — dei um sorriso leve, pouco tímido.
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  O acompanhei até uma cafeteria perto da universidade. Segundo ele, é um lugar bastante frequentado pelos alunos e professores. Dimitri era uma boa companhia em momentos aleatórios da minha semana, e confesso que relutei bastante para me concentrar em suas aulas. Ele sempre estava me enviando mensagens com dicas para que eu conseguisse me sair bem nas outras disciplinas. Contudo, a pequena e colorida amizade que estávamos construindo não minimizava nem um pouco minha saudade de casa. O que era amenizada pelas mensagens de encorajamento de Alfred, que sempre demonstrava estar com saudades de sua princesinha. Além das muitas mensagens de duplo sentido de , que se mostrava estranhamente mais interessado em mim. Conseguia até mesmo trocar algumas mensagens com , quando seu tempo não estava sendo consumido por seu restaurante. E raramente com Charlie, após a notícia de um noivado arranjado pelo pai com uma viscondessa da Noruega, ele já tinha um ar de lord vitoriano mesmo, se de fato entrasse para a nobreza, eu não me assustaria.
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  No calendário já marcava cinco meses em Paris, me sentia sobrecarregada psicologicamente na maior parte do tempo, apesar da sutileza do outono. Não era a melhor aluna como no Constance, nem sabia se tinha o dom para cozinhar. Eu me sobressaia na teoria, mas quando a prática chegava, era um pesadelo. Sobreviver à competição entre os alunos estava sendo cada vez mais complicado e nem mesmo os conselhos de me ajudavam. 
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  Principalmente quando se é próxima do professor mais cobiçado da universidade.
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  — Eu realmente fiquei surpreso por aceitar meu convite para o jantar — comentou Dimitri.
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  — Acho que depois de cinco meses e alguns beijos roubados, você conquistou minha confiança — brinquei o fazendo rir.
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  Eu ainda não sabia lidar com a ousadia dele.
  — Sinto-me aliviado por isso. — Ele sorriu de leve.
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  Dimitri tinha me levado ao restaurante da sua família, que era, até o momento, comandado por seu pai, um dos mais elogiados chefs de cozinha de Paris. O lugar de cinco estrelas, tinha as instalações em uma rua nobre do centro da cidade, a comida muito saborosa e suas histórias de criança ainda mais divertidas. Para minha surpresa, o lugar tinha sido fechado para nós dois, o que eu achei muito lisonjeiro. Em um certo momento, Dimitri segurou em minha mão e me levou até a cozinha, que estava vazia. A cada retrato pendurado na parede de acesso ao escritório do chef, uma história para contar, e percebi que aquele lugar era bem mais que só sua herança de família, era parte de sua história. 
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  O que o fez seguir o caminho da gastronomia.
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  — Me sinto tão inútil agora — sussurrei. — Você tem todas essas memórias guardadas deste lugar e eu, o que tenho? Um desenho da Pixar sobre um rato que cozinha.
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  Assim como , ele tinha uma história com a gastronomia. Mas eu… Nem mesmo meus momentos com Alfred nas madrugadas do cookie conseguiam ser tão profundos assim. E talvez eu já estivesse sentindo a pressão do que era ser uma universitária.
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  — Não diga assim — ele segurou em minha mão, me puxando para mais perto. — Cada um tem o seu caminho, tem a sua história, e você está construindo a sua.
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  Dimitri foi se aproximando suavemente de mim. Eu já imaginava o que iria acontecer e não me movi, estava me sentindo tão carente pela situação. Longe de toda a loucura de NY, eu realmente só queria recomeçar em Paris, e mesmo ele sendo meu professor, seria interessante me envolver de forma mais séria com um lord francês totalmente diferente do estilo Boys in Manhattan. 
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  Seus lábios quentes tocaram os meus, com um beijo doce e leve. Como nos clássicos de Jane Austen, porém na versão O Conde de Monte Cristo. Ele se afastou um pouco de mim, mantendo sua face ainda próxima. Parecia pensar se me beijaria de novo ou não, ou talvez estivesse retomando o fôlego. Porém, seu celular tocou novamente, o fazendo sair da cozinha para atender.
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  — Vidal — disse um homem, ao entrar na cozinha.
  — Hum?! — Eu virei para ele. — Eu te conheço?!
  — Não se lembra de mim? — indagou ele.
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  Talvez. Eu me lembrava vagamente. Sim. Eu me lembrava. Era o homem no escritório do papai com a minha mãe. Me lembrava muito bem daquela tatuagem em seu braço.
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  — O que está fazendo aqui?! — perguntei.
  — Então se lembra de mim — disse ele, parecia não estar surpreso ao me ver ali.
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  — Sim. Me lembro, você é o amante da minha mãe — disse em alto e bom tom.
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  — Então é assim que ela deixou que eu parecesse para você? — Seu olhar estava triste. — Apenas um amante?
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  Meus pais estavam definitivamente divorciados. Eu realmente pensei que minha mãe tinha seguido com esse homem.
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  — É isso que você é, não é?
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  — Se você considera. — A amargura tomou conta da sua voz. — Sua mãe não teve coragem de descer do pedestal durante todos esses anos, mas saiba que seu pai não foi o único traído e enganado por ela.
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  — Ah, sim, e você é tão vítima quanto meu pai? — retruquei, tentando controlar o sarcasmo na minha entonação de raiva.
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  — A sua mãe me fez juras de amor, ela disse que havia se divorciado do marido quando eu descobri que estavam fazendo uma festa de aniversário de casamento. — Ele também pareceu controlar sua mágoa da situação. — E acredite, se eu soubesse das suas mentiras, jamais teria levado adiante este romance.
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  — Ela é a filha da tal Mary de Manhattan? — disse Dimitri ao aparecer atrás de mim, num tom desacreditado. — Paul?!
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  E sim, estava tão surpreso quanto eu.
  — Oi, Dimitri — o homem me olhou novamente. — Acho que já conhece o meu irmão mais novo.
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  E quando menos esperamos, o mundo desaba ainda mais sobre nós. Senti minhas forças falharem um pouco. Um tanto quanto perdida e sem chão talvez. Eu me afastei deles e segui correndo em direção à saída.
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  — Espera, . — Dimitri veio atrás de mim e segurou em minha mão me fazendo parar. 
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  — Me solta! — gritei com ele o empurrando. — Você…
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  — Eu não sabia — o olhar dele era de sinceridade.
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  Mas não conseguia.
  — Eu juro que não sabia que você é filha da Mary, a mulher com quem meu irmão… Eu juro que não sabia — repetiu ele.
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  — Não importa agora, eu só quero sair daqui. — Me afastei mais. — Você, ele… Só quero me afastar de tudo isso.
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  Não sabia o que dizer e nem como reagir. Quando achei que tudo ia ficar bem, que minha vida estava tendo um recomeço regado à aventuras e romances, vem a minha mãe e faz tudo acabar mal. 
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  Direta ou indiretamente. 
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  Os dias seguiram comigo em off. Faltei a todas as aulas e não queria ter forças para encarar Dimitri, mesmo com todas as suas insistentes ligações e muitas mensagens. Nunca imaginei que me sentiria tão sozinha na minha vida como naqueles dias de outono, nem mesmo o charme de Paris foi o suficiente para me fazer esquecer o peso que era ser filha de Mary Vidal. Foi quando recebi a visita inesperada de Matt. Seguido de mais problemas.
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  — O que faz aqui em Paris? — perguntei assim que o vi no hall de entrada do prédio onde ficava meu dormitório.
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  — , temos que conversar. — Seu olhar preocupado me assustou um pouco.
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  — O que você quer desta vez, me repreender ainda mais por ter sido uma garota mimada e desleal? — Minha voz soou num tom amargo de chateação.
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  — — ele se aproximou de mim e me abraçou forte, certamente sentindo que algo não estava bem comigo.
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  — Matt… — Eu desabei em seus braços, começando a chorar.
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  — O que aconteceu? — perguntou ele, afagando meus cabelos. — Seu melhor irmão está aqui agora.
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  — Você é o único que eu tenho — sussurrei, em meio às lágrimas.
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  Ele riu de leve, me fazendo rir junto.
  — O que aconteceu? Conta pra mim — perguntou ele ao se afastar um pouco.
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  — Nada, está tudo bem, eu só quero voltar pra casa — pedi a ele, enxugando minhas lágrimas. — Não quero mais ficar em Paris.
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  — Tudo bem. — Ele manteve a serenidade no olhar. — Vou te levar para casa, mas…
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  — Mas?! — O olhei atentamente.
  — Preciso te contar uma coisa — disse ele.
  — O que houve? Está me deixando nervosa — disse.
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  — Nosso pai sofreu um acidente após voltar de Londres, ele está no hospital de Manhattan, não é nada sério, mas… Não queria te contar pelo telefone — informou ele, abaixando o olhar.
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  Meu coração parou e voltou ao mesmo tempo. Agora mesmo que eu seguiria de volta para casa, queria vê-lo, ficar como ele naquele momento. Dizer que sabia de todos os segredos obscuros da nossa família, mas que estava tudo bem, eu estava ao seu lado para sempre o apoiando como ele sempre me apoiou. 
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  Seguimos para meu dormitório, onde eu organizei minhas roupas nas malas e segui para o aeroporto com meu irmão. Ao desembarcar em Manhattan, nem mesmo passei em casa, fomos direto ao hospital para vê-lo. Minha mãe estava na sala de espera. Passei por ela e fui em direção ao médico, queria saber a real situação do meu pai. Felizmente estava mesmo estável, e consegui a autorização para entrar no quarto e vê-lo. Ele estava acordado, para minha sorte.
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  — Pai — disse ao me aproximar da cama.
  — Querida — ele sorriu ao me olhar. — O que faz aqui? Devia estar em Paris.
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  — Vim ver como estava — respondi. — Não conseguiria ficar em Paris com o senhor aqui no hospital.
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  — Minha pequena, não deveria se preocupar, estou bem melhor agora — seu olhar estava triste, por mais que forçasse o sorriso.
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  — O que houve, pai?
  — Nada, querida.
  — O que você faz aqui?! — disse minha mãe ao entrar no quarto.
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  — Vim ver o meu pai — respondi. — Afinal, ele sofreu um acidente há duas semanas e somente agora estou sabendo, graças ao Matt.
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  — , este não é o lugar para isso — disse Matt ao tocar em meu ombro para que me acalmasse.
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  — Como não? — O olhei indignada. — Não é porque estão divorciados agora que eu deixei de ser a filha de vocês, ou acharam mesmo que poderia esconder isso de mim também, só por estar em Paris.
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  — … — A voz do meu pai ficou mais baixa, então ele segurou em minha mão. — Não diga essas palavras, minha filha.
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  — Do que está falando, ? — disse minha mãe, mantendo sua pose superior. — De onde tirou a ideia de divórcio entre eu e seu pai?
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  — Do seu amante, Paul — expliquei. — Ele me disse de forma bem clara e, parabéns mamãe, você conseguiu enganar todo mundo com sua pose de boa samaritana…
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  — … — sussurrou meu pai, para que eu me calasse.
  Porém, minha raiva estava tão incubada que eu só desejava extravasar de uma vez.
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  — A esposa perfeita e sem defeitos, a mãe do ano…. — Meu tom irônico ia crescendo cada vez mais.
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  — Eu não sou a sua mãe! — gritou ela, me fazendo parar.
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  — O quê?! — Matt a olhou confuso e surpreso.
  — A princesinha do papai sempre quis saber o motivo de eu nunca lhe dar o amor de uma mãe, o motivo de eu querer controlar sua vida, está aí seu motivo — continuou ela, num tom ainda mais amargo que o meu, parecia querer explodir os segredos da família que tanto a sobrecarregavam. — O marido perfeito não é tão perfeito assim, o casamento do ano não passa de conveniência e você, minha doce , é apenas a filha da criada com o patrão, agora viva com esta realidade.
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  Assim que terminou, ela apenas pegou sua bolsa e se retirou do quarto, com o ar de ter retirado um peso das costas. Com ardor na garganta eu estava, um grito preso e a sensação de ter sido enganada a minha vida toda. Voltei meu olhar para meu pai, que confirmou tudo com seu silêncio, ele sabia da traição de sua ex-esposa, que não se igualava a dele, por tê-la persuadido financeiramente a criar a sua filha com outra mulher. Não era apenas conveniência, mas o casamento deles parecia mais uma troca de favores que me enojava.
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  As lágrimas invadiram minha face, então saí daquele quarto correndo, mais uma vez desnorteada pelas ruas de Manhattan. Quanto mais eu pensava na verdade revelada, mais eu me sentia inútil. Quem eu era de verdade? A filha bastarda da empregada, que nem mesmo sabia quem era. Parei de repente, sem perceber onde minhas pernas me levaram, olhei para o lado e vi a placa do hotel Royal. 
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  Como eu havia chegado ali de forma inconsciente? 
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  Suspirei fraco e peguei meu celular. Meus pais haviam mentido para mim e escondido a verdade. Eu não tinha minha melhor amiga ao meu lado, por minha culpa, e Matt certamente estava tão perplexo quanto eu. Não queria incomodar , ele já tinha seus problemas com o pai. Me distanciei completamente de e, estando em Stanford, jamais poderia me ajudar, se é que um dia eu fui mesmo próxima dele. Só vinha uma pessoa em minha mente, quem eu menos esperava, porém, mais precisava.
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  — — sussurrei assim que seu celular apitou para deixar a mensagem. — Por favor, quando ouvir essa mensagem…
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  Em lágrimas comecei a dizer tudo o que estava acontecendo comigo. Quanto mais eu falava, mais eu sentia meu coração doer. Assim que eu terminei e desliguei o celular, senti uma mão segurar em meu braço e virar meu corpo. Em segundos, fui abraçada da forma mais aconchegante possível. A mesma sensação de segurança e proteção veio sobre mim, o que me fez chorar ainda mais.
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  — Eu estou aqui. — A voz de era como a calmaria em meio à tempestade de emoções que estava sentindo.
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  E fiquei longos minutos em seus braços chorando, com ele acariciando meus cabelos, até que finalmente consegui me acalmar.
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  — Como você chegou aqui tão rápido?! — perguntei ao me afastar dele e o olhar.
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  — Este hotel é da minha família — respondeu ele, com seu jeito típico. — Esqueci meu celular na suíte, estava voltando para pegar quando te vi — explicou ele, agora com mais seriedade. — Você falou meu nome e fiquei curioso.
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  — Você ouviu tudo? — perguntei inocente.
  — Sim. — Seu olhar estava sereno para mim.
  — Sinto que meu mundo desabou depois do baile de formatura — confessei, soltando um suspiro cansado. — Pensei que tudo ficaria melhor em Paris, mas até mesmo lá tenho tido dificuldade para conseguir seguir em frente.
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  — Quem diria que seu professor Dimitri… — um tom irônico saiu dele — É irmão do amante da sua mãe, que bom que ele te beijou antes de você saber.
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  Eu senti uma ponta de ciúmes vindo dele no comentário final.
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  — Como sabe sobre isso? Eu não disse na ligação — indaguei, intrigada.
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  — Tenho amigos que conhecem amigos — ele colocou as mãos no bolso. — E presumo que foi desconfortável saber sobre isso.
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  — Não imagina o quanto. — Mais uma lágrima caiu, me fazendo limpar rapidamente.
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  — — disse uma voz feminina vindo em nossa direção, eu a reconhecia. — Você disse que não iria demorar, irmãozinho.
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  Irmãozinho?
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  — Oi, — me virei para ela, que parecia bem e plena.
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  Mesmo destronada, seu ar de majestade continuava ali. Era o que eu mais admirava nela.
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  — ?! — Seu olhar ficou preocupado. — O que aconteceu?
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  — Nada — me afastei um pouco. — , eu não quero te incomodar, vejo que está ocupado.
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  — Não estou, pra você não — ele olhou para . — Você vai ter que comparecer àquele jantar sozinha.
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  Ela assentiu como se concordasse que eu precisava mais de sua atenção que ela. me pegou pela mão e me levou até seu carro. Seguimos para o aeroporto onde embarcamos no jatinho particular da sua família. 
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  Eu não sabia para onde ele estava me levando, mas queria que fosse para longe dos meus problemas.
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  “Família Vidal, seus segredos têm segredos… 
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  Quem diria que nossa delicada passaria por um turbilhão de emoções em pouco tempo. Parece que nem mesmo a vida em Paris deixou as coisas fáceis para nossa eterna Dream Princess. O que dizer do nosso professor e lorde francês? Que pena, já estava começando a gostar dele, afinal, todo homem com dotes culinários é sempre bem-vindo. Mas enfim… Será que lorde Village conseguirá confortar aquele despedaçado coração? 
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G. 

26. Village Family

Queria que todas minhas fraquezas pudessem ser escondidas
Eu plantei uma flor que não pode florescer
Em um sonho que não pode se tornar real
Eu estou tão cansado desse
Amor falso.
– Fake Love / BTS

  

  Mais complicado que imaginar como meu irmão, é saber que minha mãe estava bem de vida. Ainda me lembrava do dia em que ela nos deixou sem o menor remorso, após as finanças da nossa família chegarem à falência total, e foi o momento mais destruidor da minha vida. Fato que não deixou nem mesmo eu me abalar pela minha queda na escadaria. Apesar de continuar sentindo meu tornozelo doer, não deixei transparecer para . Antes de sair da casa de , deixei um bilhete agradecendo sua hospitalidade. Ao passar pela porta da mansão dos Village e olhar para o rosto da mulher que me abandonou. Senti um frio na espinha.
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  Como mãe, ela nunca me amou de verdade.
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  — — sussurrou ela ao vir me abraçar como se nada tivesse acontecido em nosso passado —, não acredito que esteja mesmo aqui.
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  Ela parecia a mãe do ano ao reencontrar sua filha, com direito a lágrimas falsas no canto dos olhos. Se eu não tivesse vivido a história pessoalmente, diria que aquilo era a volta de uma filha que estudava em um colégio interno, pronta para ser recebida pela mãe e lhe contar todas as novidades e planos para o futuro acadêmico em uma universidade da Ivy League. Ou algo do tipo.
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  — Minha filha, não sabe o quanto esperei por isso — continuou ela, mantendo o olhar emocionado de me causar náuseas —, o quanto sonhei em te ver novamente.
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  — Pois eu não — fui seca e sincera, me afastando dela. — Me desculpe, mas apesar de estar surpresa com tudo isso, só estou aqui porque o me pediu. Não ache que vou te tratar como a mãe do ano.
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  — Eu entendo que esteja chateada comigo — seu olhar demonstrou estar envergonhada. — É claro que você precisa do seu tempo para assimilar tudo e vou respeitar.
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  Chateada? Tempo? Eu olhei para , que segurava suas expressões faciais com um autocontrole inacreditável, porque obviamente sua vontade era de rir de tudo aquilo.
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  — Onde é meu quarto? — Apenas ignorei as palavras dela para não iniciar uma discussão.
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  — Vem, eu te mostro — ele seguiu na frente e o acompanhei.
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  Olhei para trás de relance e vi o senhor Village indo consolá-la. seguiu rindo na minha frente, como se se deliciasse com aquele momento e agora podendo reagir a ele. Subimos as escadas e seguimos pelo corredor, muito requinte e ostentação, o que lembrava muito arquitetura vitoriana misturada ao neoclássico. Tinha que admitir, meu quarto era como de uma rainha, igual aos muitos que via nos seriados de época, entretanto menos poluído visualmente. Confortável, luxuoso e muito bem decorado, definitivamente melhor do que a mansão Vidal. Me lembrava vagamente do quarto que uma vez tive quando criança.
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  Talvez, fosse uma estratégia dela para me deixar confortável.
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  — O que achou? Foi sua própria mãe que escolheu cada detalhe — disse ele, ao ficar encostado na porta.
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  — Imaginei — respirei fundo olhando em minha volta primeiro até finalmente voltar minha atenção para ele. — E devo reforçar que não vai ser fácil ficar aqui, só de vê-la me fez reviver mentalmente tudo que passei na minha infância.
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  — Lamento — disse ele soltando um suspiro, parecia reflexivo. — Você passou por muitas coisas até aqui.
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  — Sim — eu me sentei na cama. — Mas vamos mudar de assunto. Você me disse que estava com a . E eu vi as postagens da G’G.
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  Lancei um olhar repreensivo para ele.
  — O que fez com minha amiga? — indaguei a ele, abstraindo meus problemas e me preocupando com ela.
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  — Ainda considera ela sua amiga? — Ele riu de canto, parecia surpreso e orgulhoso disso.
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  — Claro que sim. Só estamos em um desentendimento passageiro. — Garanti ao cruzar as pernas mantendo o olhar sério para ele.
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  — Se você diz. — Ele colocou as mãos nos bolsos da calça, mantendo o olhar sereno.
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  — , me responde — insisti curiosa pelo que estava acontecendo em minha pequena ausência. — Ela estava bêbada, não estava?
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  — Sim, e não aconteceu nada — garantiu ele, senti traços de honestidade que me impressionaram. — Estamos falando da , também a considero uma amiga.
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  — E é por isso que estou perguntando — me expliquei, o avaliando com o olhar.
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  — Olha, ela estava num mau dia — explicou ele, lembrando-se do ocorrido. — Não deveria ter bebido, mas o fez, eu a deixei em segurança para não se machucar.
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  Ficamos um tempo em silêncio e eu não conseguia deixar de ligar os pontos.
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  — Hum… — eu voltei a olhá-lo. — E foi antes ou depois do baile que você se apaixonou por ela?
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  — Me apaixonar? — Desconversou. — Engano seu.
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  — , olha pra mim — insisti.
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  Ele me olhou mantendo a tranquilidade. Mesmo disfarçando, consegui notar lá no fundo uma pontinha de brilho.
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  — Você gosta dela — afirmei novamente.
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  — Se eu realmente gostasse, seria tão óbvio assim? — retrucou.
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  — Você está em negação — soltei uma gargalhada maldosa. — Village, você está apaixonado, não sei se fico estática com isso ou preocupada com a .
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  — Ainda com pensamentos ruins sobre mim? — Ele se fez de ofendido. — Fere meu coração, ainda mais agora que somos uma família.
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  — Se você fizer minha amiga sofrer… — o ameacei, me levantando da cama, atenta a ele.
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  — Fique tranquila, irmãzinha — ele suspirou fraco. — Não me vejo na lista de possibilidades da , principalmente pelo meu currículo.
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  — Algumas garotas se sentem atraídas por libertinos regenerados — brinquei de leve, dando alguns passos até a varanda do quarto.
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  O dia estava bonito, assim como o frescor que adentrava o quarto.
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  — merece um cavalheiro a estilo senhor Darcy — brincou ele, com um tom amargo. — No meu caso, nem mesmo sei se consigo chegar à altura de um Anthony Bridgerton.
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  — Talvez eu me arrependa do que vou dizer, mas… Você conseguiu superar todos os cavalheiros dos livros que ela lê — confessei a ele, já me arrependendo. — Acredite nisso, e agora que está mesmo tudo encerrado entre ela e o … A vida é feita de possibilidades.
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  — Quem é você e o que fez com a Mistery Queen? — brincou ele.
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  — Eu não sei — ri de leve, mantendo o olhar na rua.
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  — Agora que o caminho está livre, vai dar uma chance a ele? — perguntou se referindo ao primo.
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  — Não sei — me senti pensativa sobre isso. — Acho que mesmo que não existisse … Eu não sei se consigo me ver com ele, somos amigos tão próximos que… — desabafei sobre aquela incógnita da minha vida. — Não quero que isso se estrague.
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  — Acho que de certa forma eu te entendo agora — ele riu baixo, se aproximando aos poucos de mim. — Isso se chama se tornar adulto?
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  — Isso o que? — Eu o olhei.
  — Não saber o que quer da vida e não ser verdadeiro com o que sente — explicou ele.
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  — Está falando da — presumi. — Você sempre conseguiu fazer tudo o que queria…
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  — Desta vez, acho que não — confessou ele, com o olhar triste. — O fato é que nossa delicada está em Paris a essa altura, recomeçando sua vida na gastronomia, tendo a oportunidade de conhecer alguém melhor…
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  — Do que está falando? — Fiquei confusa.
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  — Não é somente porque ela está longe daqui que eu não teria informações sobre ela. — esticou seu celular para mim e me mostrou uma foto da em uma cafeteria com um homem. — Descobri que ele é seu professor na faculdade, chef Dimitri, sua família possui um restaurante de culinária tradicional, cinco estrelas.
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  — Ficha completa — segurei o riso. — Por acaso você está pagando alguém para vigiá-la?
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  — Não — ele me olhou meio ofendido. — Minha prima Daisy estava a negócios na cidade e a viu… Você sabe que eu sempre conheço pessoas que conhecem pessoas.
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  — Sei — concordei arqueando a sobrancelha direita.
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  Voltei meu olhar para a rua, pensativa. Minha amiga estava enfrentando novos desafios sozinha, assim como eu. Será que ela estava se sentindo tão solitária também?
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  — Espero que um dia seu rancor passe e ela possa me perdoar — disse esperançosa.
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  — E você? Não ficou com raiva dela? — indagou ele.
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  — Na hora sim, mas agora já passou — garanti, com o coração aliviado. — Talvez eu merecesse, talvez não, agora só quero levar minha vida da melhor forma possível.
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  — Somos dois, irmãzinha — concordou ele sobre seu desejo de tranquilidade e paz.
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  Quem diria que eu me tornaria amiga de Village de verdade.
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  Quem diria que ele iria se apaixonar de verdade por uma garota.
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  Quem diria que enfrentaria sozinha uma nova vida em Paris.
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  Quem diria que enfrentaria o pai e escolheria traçar seu próprio futuro.
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  Quem diria que o Matt se apaixonaria por uma mulher mais velha e ficaria noivo em um curto espaço de tempo.
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  Estávamos crescendo e mudando de uma forma complicada de acompanhar. Amadurecendo ou não. Essa era nossa nova realidade de vida, nosso grupo de amigos separados e nossos caminhos bagunçados. Passei a primeira noite na nova casa em claro, pensando em tudo que estava acontecendo comigo. A volta da minha mãe, minha mudança definitiva de Yale para a Universidade de NY, minha amizade abalada com .
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  Era muita coisa para uma pessoa só aguentar.
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  — — sussurrei seu nome aleatoriamente, após acordar de um pesadelo.
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  Estava se tornando constante aquilo. Eu o considerava meu anjo da guarda e meus pensamentos sempre me levavam a noite que ele me resgatou. O cavaleiro de terno e guarda-chuva, que me levou em seus braços até a carruagem branca e cuidou de mim com tanto zelo. Além de tudo, era filho da dra. Charlot, o que torna tudo uma coincidência espantosa.
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  Os meses foram passando, lento e desgastante.
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  Minha nova e complicada realidade estava exigindo uma cansativa adaptação de rotina entre as visitas constantes à clínica, a grade horária do meu curso de Design de Produto na Universidade de NY e meu estágio na revista Elle. Eu havia conseguido aqui por uma ajudinha de , ele conhecia pessoas que conheciam pessoas, no mais, eu precisava ter minha independência financeira e ocupar ainda mais meus horários após as aulas. Já tinha completado cinco meses que estava morando na mansão Village e durante esse tempo tive muitos altos e baixos, com várias brigas com minha mãe. Todas elas sempre me levavam a sair de casa.
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  E onde era mesmo meu refúgio?
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  — ?! — me olhou surpreso ao me ver no hall de entrada do seu prédio.
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  — Oi — disse me encolhendo, estava com frio e minhas roupas todas molhadas pela chuva, basicamente como no dia em que nossas vidas se cruzaram.
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  A chuva e o frio não importam muito, o fato é que mais uma vez eu estava me sentindo sozinha e desamparada.
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  — Posso… — antes mesmo que terminasse a frase.
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  Ele veio até mim e me abraçou.
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  Senti o conforto dos seus braços e confesso que meu desejo era me aproximar mais dele. Conhecê-lo mais, sermos mais próximos ainda, e não ter somente a doutora como algo que nos aproximava. era mesmo um gentleman que eu buscava há muito tempo. Em toda a minha vida só tinha tido a oportunidade de ter um relacionamento sério, porém, abri mão dele por causa da Allison. Cheguei a considerar o Matt, mas temi que colocasse minha amizade com em risco. Mas agora, meu coração acelerava toda vez que estava diante dos meus olhos. O mais louco é que quanto mais eu tentava me aproximar dele, mais seu irmão Victor se aproximava de mim.
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  O que me deixava maluca.
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  Chegando em seu apartamento, novamente ele me ofereceu suas roupas para vestir. Após um banho quente, voltei para sala e fiquei sentada no sofá o observando cozinhar. O cardápio? Risoto de frango com cogumelos para comermos e o cheiro estava bom, assim como o sabor. Cada vez que eu me refugiava em seu apartamento, se mostrava um formidável chef de cozinha.
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  — O que achou da comida? — perguntou ele ao puxar uma banqueta e se sentar de frente para mim.
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  — Saborosa como sempre — sorri de leve, não queria encará-lo, era a quinta vez em menos de um mês que eu me refugiava em seu apartamento. — Você tem mesmo o dom para as panelas.
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  Brinquei de leve, disfarçando minha tristeza.
  — Brigou com a sua mãe, não foi? — perguntou ele.
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  — Já virou rotina, sempre que brigo com ela venho para cá — o olhei envergonhada. — Me desculpe, não queria incomodar tanto, mas…
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  — Não diga isso — ele segurou em minha mão e sorriu, aquele sorriso que me fazia acreditar que tudo ficaria bem. — Sei como é, também tenho minhas brigas com meu pai.
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  — Ainda não acredito que seja filho da dra. Charlot e do senhor Tenebrae — comentei. — Você é irmão do Victor.
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  — Irmãos por parte de pai e digamos que eu não sou o Tenebrae que mais chama atenção — ele riu. — Talvez por não ter seguido a carreira da família na arquitetura.
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  Você chamou a minha. Pensei comigo.
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  — Hum… Acredite, você está muito bem na gastronomia — afirmei.
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  — Também acho — seu olhar era tão fofo. — E saiba que estou feliz em poder ser um refúgio para você.
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  Eu não me contive em tomar impulso e beijá-lo de leve. Desta vez não me controlaria, mostraria a ele naquele curto espaço de tempo de insanidade o quanto eu o desejava. Talvez muita loucura de minha parte, que poderia lhe assustar. Mas eu estava me apaixonando por ele e julgando pela receptividade do beijo… O que será que ele sentia por mim? Seu toque e a intensidade com que propôs nos instantes seguintes, fez meu corpo arrepiar.
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  — — ele sussurrou, ao manter seus lábios bem próximos aos meus, dava para sentir sua respiração.
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  — Me desculpe — sussurrei de volta, mantendo os olhos fechados desejando por mais.
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  — Acho melhor ir dormir — sugeriu ele ao se afastar e em seguida retirar os pratos.
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  Assenti sem me opor, respirando fundo para me recompor.
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  Não era exatamente a reação que eu desejava dele, e quem sabe um vislumbre da resposta que eu buscava. Ele não gostava de mim, poderia haver uma pequena atração física e o fato de ser atencioso, era por causa da mãe.
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  Três dias passaram comigo no meu refúgio. Eu trocava algumas mensagens com , sempre o importunando para saber como estava lidando com o curso de medicina e, claro, sobre sua amizade colorida com a tal garota da Califórnia que nunca dizia o nome. Vê-lo feliz e tão empolgado com uma garota me deixava feliz também, afinal, ele é meu melhor amigo.
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  Ao final da tarde, me mandou uma mensagem dizendo que teríamos um jantar que eu não poderia faltar. A Village Family seria convidada especial em uma recepção na casa da família Tenebrae, ou seja, era o sinal de que meus dias no refúgio acabariam ali. Contudo, sendo um jantar nos Tenebrae, certamente estaria presente ou, pelo menos, era o que eu desejava.
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  Marquei de encontrar meu irmãozinho no hotel Royal, assim não chegaria sozinha e nem atrasada.
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  — Não acredito que estou voltando de novo para lá — disse a ele, ao ajeitar a bolsa em meu ombro. — A culpa é sua.
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  Estava com o casaco apoiado no braço esquerdo, já sentindo uma brisa gélida passar por mim.
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  — Temos um acordo, maninha — riu remexendo os bolsos. — Droga, esqueci meu celular.
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  — Vá buscar rápido.
  Fiquei esperando por ele em frente ao carro que nos levaria para casa. Quando avistei um rosto conhecido em frente ao hotel. Rosto esse que fez parar e desviar sua direção. Me afastei do carro, curiosa para saber o que estava acontecendo, mas agiria naturalmente, então esperei um tempo, até ir na direção deles.
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  — — disse ao me aproximar. — Você disse que não iria demorar, irmãozinho.
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  Irmãozinho? Só depois que eu disse que percebi. Certamente não sabia sobre isso.
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  — Oi, — ela virou para mim, seu olhar triste.
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  — . — Não me contive em me preocupar. — O que aconteceu?
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  — Nada — ela se afastou um pouco. — , eu não quero te incomodar, vejo que está ocupado.
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  Disse se referindo a mim.
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  — Não estou, pra você não — ele olhou para mim. — Você vai ter que comparecer àquele jantar sozinha.
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  Assenti sem nenhuma dúvida.
   precisava mais dele do que eu naquele momento, então me afastei deles e voltei para o carro. Estava curiosa para conhecer o pai do , ver como era sua relação com ambos os filhos. Mas o que a noite me aguardava não era nada disso. Assim que cheguei na mansão Tenebrae, na área residencial de Manhattan, fui recebida pela governanta da casa. Para minha surpresa, Victor estava mais a frente, como se à minha espera e no centro da sala, minha mãe e seu marido, Phil Village, conversavam com o, certamente, senhor Tenebrae. Cada um com sua taça de vinho na mão.
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  Meu coração acelerou um pouco assim que Victor se aproximou de mim.
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  — Estou feliz que tenha mesmo vindo — disse ele ao sorrir.
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  — Bem, não pude recusar o convite, tenho dívidas com meu novo irmão — sorri de volta, brincando com o comentário. — E confesso que estava curiosa para conhecer seu pai.
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  — Não é o pai do ano — disse ele, de forma serena.
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  — Mas aposto que você é o filho do ano — brinquei novamente, lhe arrancando mais risos discretos.
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  — Digamos que o papel do primogênito é comandar os negócios da família com zelo e dedicação — afirmou ele.
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  Olhei a minha volta discretamente.
  — Procurando meu irmão? — perguntou ele.
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  — O quê? — O olhei.
  — Não precisa disfarçar, já percebi seu interesse por ele — confessou num tom frustrado. — O que me deixa triste.
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  — Victor… — sussurrei.
  — Sabe… — Ele respirou fundo. — Eu invejo meu irmão por isso.
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  — Pelo quê?
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  — Estar entre as duas Sollary.
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  — Do que está falando? — indaguei.
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  Eu não tinha entendido.
  Até que ele apontou discretamente com a taça em sua mão para que eu olhasse para frente. Meu coração parou ao ver entrando na sala, lado a lado com ela: a verdadeira Allison Sollary. A dona do nome que me perseguia e meu pesadelo nos últimos anos.
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  A pessoa que eu jamais imaginaria ver viva e diante de mim.
  — Allison — disse em voz alta, reunindo dentro de mim o resto de forças que eu ainda mantinha.
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  — Oi, irmãzinha — ela sorriu para mim, se mantendo ao lado de .
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  A irmã que eu pensava estar morta, estava ali, mais viva do que nunca, com as bochechas rosadas, um sorriso no rosto e a pele corada. Senti uma tontura repentina, seguido de paralisia. Nem sabia como reagir a tudo aquilo. Desviei meu olhar para , que se mantinha sério e com o olhar baixo.
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  — Gostou da surpresa, querida? — disse minha mãe ao se aproximar de nós. — Agora somos uma família completa.
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  Eu não conseguia…
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  Não conseguia manter a postura daquela vez. Me afastei delas e saí correndo dali. Eu definitivamente não aguentava mais aquela montanha russa emocional de acontecimentos em que minha vida se resumia. Senti uma mão me segurar e me puxar, no meio da rua.
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  — ! — Era Victor, com a voz aveludada e o olhar compreensivo. — Você está bem?
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  — O que você acha? — Segurei as lágrimas, num tom rude.
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  Mas logo me controlei, ele não tinha nada a ver com aquilo.
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  — Me desculpe. Você não tem nada a ver com isso — disse tentando me afastar um pouco. — É problema de família.
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  — Não acha que eu sei? — Ele segurou em minha mão. — Allison é sua irmã que achava estar morta. Ela nos contou isso há um tempo, quando sua mãe nos apresentou a ela.
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  — Então você sabia, assim como o ?! — concluí, me sentindo enganada por ambos.
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  — Sabia que ela tinha uma irmã, mas não sabia que era você, não até hoje — ele parecia sincero. — E certamente meu irmão também não sabia deste detalhe.
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  — Eu vou embora — me afastei mais uma vez.
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  — Para a casa do senhor Village ou para casa do ? — Ele me olhou curioso, parecia chateado por eu não me deixar ser amparada por ele.
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  — Eu vou para longe de tudo isso — respirei fundo, certa de minhas palavras.
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  — Você não acha que deveria dar o troco nelas? — Instigou ele.
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  — O troco? — O olhei.
  — Você é Sollary, se tornou a jovem mais influente de Manhattan sem precisar de nenhuma delas. Quem é a Allison perto de você? — Reforçou ele, como se me chamasse à realidade.
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  — Por que está me motivando? — indaguei.
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  — Porque gosto de apostar na garota certa — ele se aproximou de mim e me beijou de surpresa.
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  Maluco imaginar que eu iniciei a semana beijando um Tenebrae e finalizei sendo beijada pelo outro?! Sim, é bem maluco. E eu deveria dar uma chance ao Victor? Minha mente estava entrando em colapso de uma forma louca, porém, não me deixaria envolver, não podia. Após o beijo, apenas o permiti que me levasse ao Hotel Royal, pois a suíte de seria meu novo refúgio temporário. Não tinha tempo para me deixar abalar, por isso, passei a noite pensando em como seria meu retorno à elite de Manhattan, sem precisar da falsa família perfeita. E minha oportunidade estava no brunch que a Construtora Tenebrae realizaria no domingo. Uma vantajosa comemoração pelo seu aniversário de sua fundação.
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  Talvez, eu fosse a acompanhante do cobiçado primogênito.
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  Na manhã seguinte, fui servida com o café da manhã na suíte e uma visita surpresa de acompanhamento.
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  — ?! — disse ao vê-lo entrar atrás do garçom. — O que faz aqui?
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  — Este hotel também é da minha família — disse ele ao entrar e me abraçar de surpresa. — A quanto tempo.
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  — Eu me referia sobre estar em Manhattan — expliquei ao observá-lo adentrar mais e me olhar com tranquilidade.
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  Eu ainda estava meio em choque.
  — Estava com saudade de você, então… Vim te ver — disse ele, com sua suavidade no olhar. — Não posso visitar uma velha amiga? Ainda sou seu amigo, não sou?
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  — Ainda pergunta? — Ri de leve e caminhei até a mesa. — Também estava com saudade, me acompanha no café?
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  — Claro que sim — ele se aproximou da mesa e puxou uma cadeira para se sentar, mantendo o olhar fixo em mim como sempre. — Você realmente não muda.
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  — Do que está falando? — desconversei, fazendo a desentendida.
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  — Você sabe, sempre atraindo minha atenção sem esforço — explicou ele. — Como tem ido as coisas?
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  — Uma loucura — soltei um suspiro fraco. — Minha vida virou de ponta cabeça tão intensamente, que… Tem sido um surto a cada dia.
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  — me contou — afirmou ele ao observar o garçom terminar de servir a mesa e se retirar. — Me contou toda a história, sem muitos detalhes, é claro.
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  — Me desculpe por não ter te contado eu mesma — disse a ele, chateada por manter sigilo a ele.
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  — Está tudo bem, o que importa é saber que estou aqui por você. Somos amigos e não vamos deixar de ser — ele sorriu de canto.
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  — Obrigada — sorri de volta.
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  — Louco imaginar que meu tio tenha se casado com sua mãe — confessou ele indo se servir de uma xícara de café.
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  — Acho que sou sua prima agora — brinquei o fazendo rir.
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  — Que bom que isso não mudou seu senso de humor — comentou rindo mais um pouco. — E a Allison… Está mesmo viva?
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  — Sim… Acho que é por isso que estava mais silencioso sobre o tal jantar — respondi indo despejar o suco na taça. — Quando ele te contou?
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  — Há duas semanas — respondeu. — Me pediu para não dizer nada a você e eu concordei, no fundo queria que desabafasse comigo, mas… Acho que encontrou outro refúgio, um melhor do que eu.
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  — , eu…
  — Não diga nada, a gente nunca daria certo e sempre teríamos medo de atrapalhar nossa amizade — ele manteve o sorriso singelo e o olhar empático.
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  — E quando vou conhecer a garota da Califórnia? — indaguei, curiosa.
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  — Em breve, talvez — brincou ele.
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  — ?! — O repreendi brincando.
  — Como tem sido na NY University? — Pegou um brioche e mordiscou.
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  — Cansativo e desgastante, junta o físico e o metal, sinto que vou desabar a qualquer hora — confessei a ele minha vulnerabilidade. — Mas estou conseguindo seguir bem. Design de Produto abriu meus horizontes de uma forma inexplicável.
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  — E vai deixar a moda? — Seu olhar ficou admirado.
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  — Claro que não, pretendo fazer uma pós em moda futuramente, porém a carreira de estilista talvez tenha sido descartada — afirmei.
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  — E pretende trabalhar com o que? — perguntou curioso.
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  — Estampas — respondi prontamente.
  — Vivendo e mudando de caminho — brincou ele, sobre os acontecimentos de nossas vidas no último ano.
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  — Eu o verei no brunch da Construtora Tenebrae? — perguntei.
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  — Claro, quero muito conhecer o tal cozinheiro que te roubou de mim — brincou novamente.
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  — Apenas aceito se me trouxer a californiana para ser avaliada por mim — retruquei em riso.
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  Estava com saudades de nossos momentos divertidos e refrescantes. Entretanto, minha ansiedade para aquele brunch estava à flor da pele e parecia que os dias seguintes não passariam rapidamente. Até que domingo pela manhã, Victor me buscou pontualmente. Minha pernas tentaram fraquejar um pouco. Mas mantive a postura assim que passamos pela porta do salão. Todos os olhares vieram em nossa direção.
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  Eu, ao lado do Victor Tenebrae para mostrar a todos que Upper East Side ainda tinha uma rainha, e a coroa jamais havia saído da minha cabeça.
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  “Com esta entrada triunfal de nossa Mistery Queen, vemos que uma verdadeira rainha nunca perde a majestade. Mesmo com a mais surpreendente revelação proporcionada pela mamãe Village. E finalmente conhecemos a verdadeira Allison Sollary que, até o momento, estava morta para nossa querida e enganada . Será que o refúgio de vossa majestade nos braços do nosso Tenebrae está ameaçado? A julgar pela intensidade dos seus beijos… Porém, um outro Tenebrae está se mostrando ainda mais cavalheiro. Arquiteto ou cozinheiro? Que os jogos comecem!
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

27. Into The New World

Não espere por um milagre especial
Há uma longa estrada em nossa frente
Com um futuro desconhecido, não irei mudar
Não posso desistir.
– Into The New World / Girls’ Generation

  

  Metade dos rostos eram conhecidos das muitas recepções que acompanhei a família Vidal, desde a elite de empresários da cidade até políticos influentes do país. Ter o governador e sua esposa, não foi tão impressionante quanto ver o embaixador e sua filha aos risos em uma conversa descontraída com Allison. O que me fez pensar na lista de contatos que certamente ela possuía com seu título de advogada da família. Será que ela sabia de muitos segredos daquele mundo em que parecia tão confortável? Eu não poderia nem mesmo lhe recriminar, foi graças a um segredo que estabeleci minha coroa no Constance. E por falar na destronada, Collins também estava presente, acompanhada do filho de um vereador republicano, será que assim como o papai Tenebrae, ela estava ambicionando a política?
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  — Não me importo — sussurrei ao respirar fundo e manter o sorriso superior no rosto.
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  — O que disse? — Victor me olhou confuso.
  — Nada, só meus altos pensamentos — assegurei a ele.
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  — Está arrependida? — indagou ele.
  — De ter vindo? Ou de ter vindo com você? — retruquei.
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  — Os dois. — Ele voltou seu olhar, seguindo direto para minha irmã. — Vai conseguir encarar a todos?
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  — Estou aqui, não estou? — Voltei meu olhar para frente. — Sem segredos e com a cara limpa.
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  — E um padrasto de dois bilhões de dólares. — Brincou ele, me fazendo rir.
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  Olhei ao meu redor discretamente, a pessoa que eu mais procurava não estava ali até o momento. Apesar da minha parcial raiva misturada ao ciúme por uma amizade anterior a mim. Caminhei por entre os convidados por alguns minutos de braços dados com o primogênito herdeiro, despertando curiosidades em alguns e muitos cochichos à nossa volta. Victor fez questão de me apresentar ao reitor da Columbia University, segundo ele, era inaceitável uma aluna como eu estar em uma universidade que não pertence a Ivy League. Eu não pediria nenhum favor ao papai Village, mas deixaria um novo e influente amigo me ajudar a seu modo.
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  — Devo dizer que tenho me impressionado muito com seus artigos e ilustrações para o blog Millennials, não sou muito de ler revistas online femininas, mas tenho filhas adolescentes que se interessam por assuntos de adulto — brincou o homem ao ajeitar os óculos no rosto.
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  Já tinha ouvido falar vagamente sobre ele, reitor Leonard Macel, conhecido nos boatos entre alunos por romances escondidos com alunas de intercâmbio anônimas. Eu não era estrangeira e tinha uma certa notoriedade na elite, sendo caído ou não em uma escadaria, ninguém conseguiria apagar minha história e influência assim facilmente. Não quando temos a G’G para manter a menção do meu nome em alta e várias outras mídias curiosas para saber quem de fato é a Mistery Queen.
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  — Me sinto lisonjeada pelo reitor ter conhecimento dos meus artigos — comentei, demonstrando surpresa.
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  — Eu vou deixá-los por um instante, como anfitrião, preciso cumprimentar outros convidados. — Victor piscou discretamente para mim e sorriu de canto, para se afastar em seguida.
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  Segundos de silêncio até que Macel pegou outra taça de champanhe da bandeja do garçom que passava e voltou a atenção para mim.
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  — Se não me engano, recebi recentemente uma carta de recomendações da diretora Queller, a seu respeito, a senhorita não estava estagiando na revista Elle? — indagou ele, com o olhar avaliativo.
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  — Ainda estou, alguns alunos bolsistas costumam ter dois empregos — expliquei a ele. — Alguns pelas contas e outros para provar seu valor e independência ao mundo.
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  — Em qual grupo se encaixa? — perguntou, mantendo o olhar fixo em mim.
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  — Segredo — disse a ele, arrancando uma risada rápida e discreta dele.
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  Mais alguns minutos de conversa com sua introdução ao curso de design de produto da instituição, para que meu olhar finalmente encontrasse a pessoa que parcialmente desejava ver. Uma rápida aceleração interna, e um respiro fundo para voltar a mente ao eixo. Doloroso admitir, mas ele ficava lindo naquele terno azul marinho. Aproveitei um momento de distração do reitor e me afastei dele, seguindo para a mesa de petiscos, a melhor parte daquelas recepções.
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  — Irmãzinha. — O som da voz de Allison, me embrulhou o estômago inicialmente. — Não imaginei que viesse.
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  — Está preocupada que eu desfoque seu brilho? — A olhei com seriedade.
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  — Vai fazer uma cena aqui também?! — Ela sorriu de canto e tomou um gole do restante do líquido em sua taça. — Pode ter se saído bem no meio dos adolescentes, mas isso aqui é coisa de adulto.
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  — Está assim por medo de eu me destacar mais que a favorita da mamãe? — retruquei. — Não precisei dela pra estar aqui.
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  — Ah sim, você acabou usando a mãe de outra pessoa. — Seu tom arrogante estava ali.
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  — Você é desprezível, sempre foi, desde criança. — Tentei controlar minha raiva, e dei um passo para me retirar.
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  — Bem-vinda ao lar, irmãzinha. — Ela riu baixo com sarcasmo.
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  Eu não podia me alterar como fazia quando criança, não podia demonstrar fraqueza, se estava ali, tinha que jogar o jogo deles e com as mesmas cartas e estratégias. Estar na elite tinha seu lado brutal e não deixaria Allison me abalar. Antes mesmo que eu pudesse me mover, ela foi a primeira a se retirar seguindo diretamente para meu ponto fraco, fazendo meu sangue ferver de raiva.
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  — Controle seu olhar — sussurrei a mim mesma, assim que meus olhos cruzaram os de .
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  Claro que Allison percebeu e usou o momento para me provocar. Por mais que eu quisesse, ainda estava abalada pelo fato dela estar viva, ainda estava abalada por aparentemente perder minha melhor amiga, ainda estava abalada por todo o fardo que minha vida me exigia carregar. Involuntariamente, acabei me retirando do brunch seguindo pela escadaria interna do prédio até o terraço. Talvez precisasse de um pouco de ar e silêncio.
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  Parada de frente para o horizonte com as mãos apoiadas no guarda-corpo e um grito preso na garganta.
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  — . — A voz de soou atrás de mim, me despertando dos meus devaneios.
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  — O que faz aqui? — perguntei, permanecendo de costas para ele.
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  — É a empresa da minha família — respondeu ele com naturalidade.
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  — Não foi isso que eu perguntei. — Finalmente me voltei para ele demonstrando minha raiva e frustração. — Se cansou da conversa com a sua amiguinha?
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  — Não vai mesmo me dar a chance de falar antes de tirar conclusões precipitadas? — indagou ele, com nítidos traços de chateação. — Ah, não, prefere continuar usando meu irmão para voltar ao topo.
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  E foi neste ponto que tudo desabou internamente, me fazendo externar meu pensamentos sinceros sobre a nova realidade da minha vida, iniciando uma calorosa discussão que renderia o rompimento de algo que nem mesmo tinha chances de começar.
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  Acordei sentindo uma leveza em meu corpo.
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  Fazia tempos que não dormia tão bem assim e, ainda sonolenta, me espreguicei na cama até o momento em que me perguntei como havia chegado nela na noite anterior. Me lembrava vagamente dos meus dias pelos pontos turísticos daquela cidade, que estava acompanhada de um bom e confortável amigo, entretanto, não me lembrava muito da noite anterior. Então meus olhos se abriram e novamente me deparei com perto da janela da suíte do hotel Royal, olhando os carros, ainda mais sério e reflexivo que da primeira vez. O que me deixou com uma ansiedade razoável de início.
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  Respirei fundo imaginando que como da última vez não tinha acontecido nada, afinal, tinha descoberto o lado cavalheiro acolhedor do libertino mais fofo que conhecia. E se não tinha acontecido nada estranho até o nosso quinto dia em Las Vegas… Estávamos nos divertindo muito como amigos, sem problemas, sem preocupações, sem nossas famílias problemáticas.
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  Graças a ele, eu havia me esquecido dos meus dramas pessoais.
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  — Hum. — Me remexi um pouco mais, para lhe mostrar que havia acordado, até encostar em um papel, que estava em cima da cama.
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  Ergui meu corpo de leve e o peguei, começando a ler.
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  — O quê?! — Fiquei estática com as palavras naquele singelo documento, sentindo meu corpo gelar no mesmo instante. — O quê?
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   voltou seu olhar para mim. Parecia mais preocupado e assustado que eu.
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  — O que nós fizemos ontem? — perguntei ao finalmente perceber que eu estava seminua, já me enrolando mais no lençol e me levantei enquanto mostrava-lhe o documento. — Village, o que fizemos ontem?
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  — Estou tentando descobrir — disse ele, mantendo o tom baixo e firme, com traços de seriedade, nada comparado ao seu estilo largado e sedutor de sempre. — Não tenho todas as respostas, ainda não.
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  — Como assim? Aqui diz que estamos… — Dei uma pausa para processar a informação. — Diz que estamos casados, , desde ontem à tarde.
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  Não era possível aquilo. Não podia.
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  — Este documento é real?! — perguntei.
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  — Sim, já mandei conferir — respondeu, permanecendo com o olhar sereno.
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  — Aqui é Vegas. Quem se casa de verdade em Vegas? — Eu me sentei novamente na cama, desnorteada. — Como eu pude me casar com você? E olha como estou? Imagina o que aconteceu depois?
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  — Ei. — Ele me olhou indignado. — É tão ruim assim se casar comigo? Ter sua primeira vez com alguém como eu? Ah, sim, sou um libertino e nem um pouco confiável.
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  — Você não entende. — Eu me levantei meio revoltada com sua reação. — Eu sonhei tanto com esse momento, com minha primeira noite… E acabou sendo em Vegas, com você.
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  — Lamento que não tenha sido a noite dos seus sonhos. — Ele pareceu controlar seu tom de voz. — Sei que eu não estava em sua lista de prioridades e, acredite, se eu pudesse voltar no tempo, não fazia novamente.
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  Eu já não sabia o que imaginar.
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  E mais uma vez minha vida estava em plena reviravolta. Com a memória relutante em recordar os momentos da noite anterior, a última coisa que tinha conhecimento era do convite no café da manhã para um jantar beneficente. Eu não queria ir inicialmente, estava cansada pelo passeio que demos no parque na tarde anterior, e meu plano seria seguir o dia assistindo filmes clássicos de época. Até que, à tarde, me convenceu a sair para tomar um sorvete. E foi minha lembrança do dia anterior.
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  Foi necessário menos de uma hora para que finalmente as respostas chegassem. Segundo nossas fontes, mais do que precisas e confiáveis, e eu, após desistir do momento refrescante de sorvete, entramos em uma competição de casal por impulso, e acabamos bebendo mais do que deveria. Então, segundo o funcionário, invadimos um casamento real que estava sendo realizado e pedimos para nos casar também. Quanto mais ele contava, mais eu tampava minha cara de vergonha, em choque por cada palavra, e o pior é que tinha até filmagens das câmeras do hotel para confirmar.
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  — Agradeço pelo esclarecimento — disse ele à Lily, a gerente, assim que retornamos ao quarto de hotel.
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  As cenas das câmeras permaneceram latentes em minha mente, principalmente as imagens de nossos beijos ardentes no elevador. Vergonhoso. E curiosamente, eu havia colocado as roupas dele, pois foi a primeira coisa que encontrei em sua suíte, me deixando ainda mais perplexa comigo mesma.
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  — É um prazer, senhor Village. — Ela curvou sua cabeça de leve e se retirou.
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  — Não consigo acreditar. — Me encolhi um pouco ao sentar na cama. — Eu preciso ir para casa.
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  — Meu jatinho está a seu dispor — disse ele com tranquilidade.
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  — Como pode estar assim? Tão sereno. — Aquilo me indignava.
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  — Não posso voltar no tempo, então. — Ele veio até mim. — Só lamento por você achar que isso é tão ruim assim.
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  — Sempre ouvi da que ficar com você era suicídio social — expliquei. — Principalmente para mim que não preciso de relacionamentos para me promover.
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  — E o que você acha? — Ele chegou bem perto.
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  Senti meu coração acelerar um pouco.
  — Isso tudo me deixou… — Me afastei dele. — , a cada dia acontece uma coisa louca na minha vida, eu ainda não sei como reagir.
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  — Devo presumir que se fosse outra pessoa, não estaria assim. Charlie Donson, talvez, ou meu primo; seu professor francês, por mais insano que possa parecer… — Ele colocou as mãos nos bolsos da calça, mesmo com o olhar triste, mantinha serenidade na voz. — Qualquer cavalheiro seria melhor do que o libertino… Eu é que lamento por meus sentimentos.
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  — Do que está falando? — O olhei ainda mais confusa.
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  — Nada. — Ele se voltou em direção a porta. — Vou mandar que preparem seu retorno para Manhattan.
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  — Não vai voltar comigo? — perguntei.
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  — Tenho negócios do hotel para tratar.
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  Assenti sem contestar mais.
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  Era estranho. Eu deveria pedir a anulação ou o divórcio, entretanto, parcialmente não estava tão incomodada com aquilo. Bem. Com a mente cheia de problemas para resolver, estar casada com parecia o menor de todos. Já era hora de voltar para casa e enfrentar o que vier pela frente, porém antes, precisava desabafar com alguém, e só vinha uma pessoa na minha mente.
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  — Alô?! ?! — disse ao atender.
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  — . Bandeira branca, preciso de uma amiga — disse assim que o jatinho aterrissou em NY. — Preciso da minha melhor amiga.
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  — O que aconteceu? Onde você está? — perguntou ela. — não me disse nada e Matt está preocupado com você. Seu pai já ganhou alta.
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  — Podemos nos encontrar?
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  — Claro, amiga — disse ela. — Acho que, como você, também preciso desabafar.
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  — No apartamento do Matt?
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  — Te encontro lá em vinte minutos. — Assentiu ela.
  Segui para o endereço e cheguei primeiro. Fiquei esperando até que chegasse.
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  — ?! — disse assim que ela abriu a porta.
  — ?! — Ela entrou e fechou a porta. — , o que houve?
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  — ! — Eu fui até ela e desabei de chorar em seus braços.
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  — , calma. — Ela retribuiu o abraço. — Me diz o que houve?!
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  — Tudo, primeiro por ter feito aquilo com você. Sinto que minha vida tem desabado depois disso.
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  — Fique tranquila, , eu já esqueci daquilo e eu também peço desculpas por ter mentido para você — disse ela. — Mas quero que saiba que sempre te considerei minha amiga de verdade.
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  — Eu também.
  Nós nos abraçamos de novo. Aquele abraço de irmã que sempre me fazia sentir que as coisas iriam se ajustar e tudo daria certo no final. era mesmo uma boa amiga, minha melhor amiga de toda a vida.
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  — Agora me conta, o que está acontecendo? — indagou ela, ao me puxar para nos sentarmos no sofá.
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  — A universidade em Paris foi horrível, vivo em guerra todos os dias, tirando o professor que me beijou e tivemos uma amizade colorida, que no final acabei descobrindo ser irmão do Paul, amante da minha mãe; e pior, não sou filha dela, mas sim de um caso do meu pai com sabe lá quem. Matt brigou comigo pelo que te fiz, pensei que poderia me apoiar no e acabei fazendo besteira, agora estamos casados e foi em Vegas. — Despejei tudo de forma desalinhada para ela. — Quem se casa de verdade em Vegas? E foi consumado…
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  — Calma. — Ela pareceu desnorteada com o turbilhão de notícias. — Quanta coisa, vamos por partes e com calma.
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  Respirei fundo e comecei a contar para ela tudo que tinha acontecido desde o baile de formatura até ali. O término definitivo com , passando pelo fato de ter dado um meio fora em Charlie, até chegar à briga com Matt e a noite em que bebi parando pela primeira vez na suíte de . Contei sobre Paris e de como conheci Dimitri e depois da fatídica descoberta dele ser ligado ao Paul e dos muitos beijos que ele me deu antes da revelação. O descobrimento de ser uma bastarda e a briga no hospital, que resultou na minha ida a Vegas, no dia em que nos vimos em frente ao hotel. Finalmente finalizando com meu casamento com e a consumação da noite de núpcias.
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  — Uau — disse ela assim que terminei. — Chocante.
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  — ?! — A repreendi.
  — Desculpa, é que… Depois de todas essas coisas acontecendo, só consigo focar no fato de… Te ver como a senhora Village, é loucura — comentou ela, embasbacada. — Pior, imaginar que minha doce não é mais virgem.
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  — Sério? Não precisa focar nessa parte. — Me encolhi no sofá envergonhada.
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  — Ok, não vou focar nisso, mas… — Ela respirou fundo. — , quem se casa de verdade em Vegas?!
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  — Aparentemente eu. — A olhei.
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  — E como o reagiu após descobrirem?
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  — Normal, como se fosse normal.
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  — Ele realmente gosta de você — afirmou ela.
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  — O quê? O ? Vê-lo como um amigo, ok, mas… Não acredito que ele seja alguém aberto a se apaixonar de verdade. — Expus minha opinião sobre.
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  — Acho que meus preconceitos por ele se transferiram para você. — Ela suspirou fraco. — Tenho descoberto um lado do que não imaginava que existia, mas acho que você poderia dar uma chance a ele.
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  — Quem é você? O que fez com a ?
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  — Acredite, sou eu sim.
  Nós rimos, após um longo silêncio e olhares assustados.
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  — Só que… O que aconteceu comigo nos últimos meses me mostrou que posso confiar no — confessou ela.
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  — Amiga, você disse que também tinha que desabafar. Sua vez de falar — disse ao segurar sua mão.
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  — Tem certeza? Também vivi um turbilhão de coisas. — Ela riu.
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  — Bandeira branca, estamos em paz agora e sempre seremos melhores amigas — assegurei a abraçando de novo. — Vou entender até se você disser que vai investir no .
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  — Quanto a isso, fica despreocupada. — Ela soltou uma gargalhada boba. — Não consigo me ver tendo algo com o . E ele sabe disso.
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  — Bem, agora ele tem vivido suas aventuras de verão com a California Girl — brinquei. — Andei lendo sobre isso na GG.
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  — De certa forma, fico feliz que ele tenha encontrado sua garota ideal que o faz esquecer até mesmo de mim — brincou ela.
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  — Isso me surpreende — admiti. — Agora me conta, qual foi o seu desastre?
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  Assim que começou a contar tudo que tinha lhe acontecido desde o dia do baile, eu fiquei cada vez mais chocada e indignada comigo mesma por ter feito aquilo com ela. finalmente me contou a história de sua vida, com a mãe tendo a abandonado quando criança, de como sofreu com seu pai e sua irmã mais velha doente, relatando a verdade sobre Allison Sollary e o fato dela ter aparecido, após anos com a irmã achando que ela tinha morrido. O ápice foi saber que sua mãe era madrasta do , e minha amiga estar morando com eles na mansão da família perfeita com direito a meia-irmã caçula. Entretanto, a parte que mais me intrigou foi do seu cavaleiro de guarda-chuva, ser o , meu best friend e mentor da gastronomia.
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  E fiquei feliz quando mencionou seu retorno triunfal para a elite ao lado do outro Tenebrae, o tal Victor. Seus olhos brilhavam por um momento e parecia que minha amiga estava feliz por termos aquela conversa.
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  Tanto quanto eu…
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  — E quando foi que você se apaixonou por ele? — perguntei curiosa.
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  — Por quem? — Ela pareceu confusa.
  — Pelo , óbvio. Foi no momento em que ele te pegou no colo, ou no dia seguinte com o café da manhã? — perguntei brincando.
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  — Ele mentiu pra mim. — Ela desconversou.
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  — Não muda o fato de estar apaixonada — insisti. — Não é como se ele fosse o Matt, que você inventou inúmeros motivos para se afastar.
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  — Não sei, . Nós brigamos no brunch da família dele e não gosto de lembrar. — Ela suspirou. — Mas sempre que me aproximo dele, meu coração vibra.
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  — Seu olhar está triste. O que afirma ainda mais seus sentimentos — comentei.
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  — Descobrir que ele sabia da existência da Allison e que estava viva — ela desviou seu olhar para o chão — e que ambos são relativamente próximos, me deixou em pedaços.
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  — Essa sua irmã não está ajudando. — Cruzei os braços.
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  — disse que pensava que eu era diferente. — Ela respirou fundo. — Mas porque fui como convidada do seu irmão, me mostrei a garota ambiciosa que minha irmã sempre falou com ele que eu era.
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  — Usou o outro Tenebrae para voltar ao trono. — Deduzi sabiamente. — Como fez com o James Bale… Bem, não tem como te defender disso.
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  — Sim, mas com o consentimento do Victor, que se mostrou interessado em mim — explicou ela, a situação. — Para ser honesta, foi ele mesmo quem me deu a ideia.
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  — E o que rolou? — A olhei com atenção.
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  — Victor me beijou e viu — afirmou.
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  — Tá explicado — disse.
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  — Mas eu estou bem, já levei tanta pancada da vida que isso não me afeta — afirmou ela.
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  Mas afetava sim, conseguia ver no seu olhar.
  — O que vai fazer agora?
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  — Vou continuar meus estudos e seguir em frente — assegurou. — E você?
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  — Pensei em me transferir para a Columbia University — contei.
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  — Adeus Paris?
  — Manhattan é meu lar. E sabendo quem realmente é Dimitri, não conseguiria me aproximar mais dele, menos ainda tê-lo como meu professor — confessei o óbvio. — Quero distância desse assunto.
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  — Olha, ele não tem culpa do irmão ser o amante da sua mãe, pelo que me disse, ele nem sabia ao certo quem era e ficou tão surpreso quanto você por ser sua mãe — argumentou ela, com o olhar sugestivo. — Seria surpreendente você emplacar um romance com ele.
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  — Ai, , por favor, já tenho complicações o suficiente na minha vida, ainda mais agora, preciso pensar no que farei com minha atual situação social… Casada ou divorciada?
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  — E não tem como anular… — Ela me olhou atentamente, parecia cheia de curiosidade. — Afinal, vocês consumaram.
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  — Não me lembra disso. — Senti meu rosto corar de vergonha.
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  — E disse que não iria focar nisso, mas… Estou morrendo de curiosidade, como foi? Sua primeira vez? — perguntou ela, como olhar instigante. — Você se lembra dos detalhes?
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  — Não sei dizer. — Me encolhi um pouco. — Me lembro de algumas coisas, vem flashes na minha mente, mas…
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  — Está com medo? De ter gostado? — indagou ela. — Sempre ouvi ótimos comentários sobre as noites de aventuras do com as mulheres mais velhas com quem se divertia.
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  — Eu não sei mesmo o que pensar sobre isso — admiti.
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  — Posso te dar um conselho?
  — Talvez.
  — Dê uma chance, você pode se surpreender. — Ela sorriu.
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  — Então digo o mesmo com relação a , não o deixe para a Allison. — Sorri de volta.
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  — Quem diria que nossa vida seria essa loucura depois do colegial — comentou ela.
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  — Quem diria que crescer fosse tão doloroso assim.
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  Era bom nossa amizade estar de volta à ativa.
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  Confesso que estava mesmo sentindo falta das loucuras e dos conselhos de . Minha amiga tinha uma vida mais complexa que a minha, contudo, isso não mudava o fato de eu também ter vivido uma mentira em minha família. Eu não tinha certeza do que faria, entretanto, pensaria em seu conselho, pois também consumia uma boa parte dos meus pensamentos.
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  Seu abraço era como um refúgio para mim, então talvez eu sentisse algo por ele e no fundo não quisesse admitir.
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  Será que eu deveria voltar a Vegas?
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  Com bandeira branca e abrindo seus corações, nossa dupla de amigas finalmente voltaram às boas e fizeram as pazes com direito a festa do pijama privada. Claro que uma amizade verdadeira jamais seria destruída por vinganças e mentiras, cada uma com seu pedido de desculpas e desabafos. Será que irão conseguir superar as loucuras da fase adulta e finalmente terem um momento de tranquilidade? O que dizer dos romances da vida que vem fazendo ambas terem que refletir sobre suas escolhas. Será que nossa Dream Princess vai finalmente ceder e dar uma chance ao seu de repente “marido”? O que dizer sobre esse casamento em Vegas?! Acho que já vi essa história antes.
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

28. Doutor Bellorum

“Ain’t no other
That can sweep you up like a robber
Straight up, I got ya
Makin’ you fall like that.”
– Butter / BTS

  

  O semestre letivo ainda não tinha iniciado para mim, mas isso não significava que eu não poderia acompanhar as aulas dos veteranos, graças ao meu currículo e os contatos de aluno VIP que possuía. Uma curiosidade? O hospital universitário de Stanford havia se tornado pequeno para uma certa garota da Califórnia, ainda mais agora que ela seria a monitora dos calouros de medicina, e eu estava nesta lista.
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  Confesso que inicialmente achei que o desafio de ir contra a autoridade do meu pai fosse pesado demais para suportar, mas agora, olhando-a dormir com tanta serenidade, algo dentro de mim me faz ter paz. Uma paz que há muito tempo não sentia, além do mais, como é bom estar em casa.
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  — Hum… — Ela se remexeu na cama mais uma vez, finalmente estava acordando de verdade.
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  Era interessante vê-la dormir e raro, já que na maioria das vezes eu adormeço primeiro e sou abandonado no meio da noite pela cinderela misteriosa. Seu rosto suave e um sorriso singelo que me fascinava, fazia meu coração bater mais forte a ponto de me hipnotizar em alguns momentos. Me pergunto, onde essa garota esteve todo esse tempo longe dos meus braços?
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  — Bom dia — sussurrei ao levar a xícara em minha mão à boca, engolindo o restante do café já morno.
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  — Eu dormi aqui — sussurrou ela, após erguer seu corpo e passar alguns segundos tentando entender onde estava.
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  — Sim — confirmei, segurando o riso, com o olhar fixo em suas expressões.
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  — O que você fez comigo? — Ela voltou seu olhar desconfiado para mim.
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  — Eu? — Me fiz de desentendido, e realmente não entendi suas palavras.
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  — Eu não deveria ter dormido aqui. — Ela se levantou às pressas da cama, olhando para o chão a fim de encontrar suas peças de roupa.
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  — É tão ruim assim acordar comigo? — Deixei a xícara na mesa de canto ao lado da janela e dei alguns passos até ela, parando-a e voltando sua atenção para mim. — Tem medo que alguém saiba que está saindo com um calouro?
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  — Você não é qualquer calouro. — Ela manteve o olhar sereno para mim, disfarçando o arrepiar de seu corpo ao meu toque em sua cintura.
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  — Quer marcar território então? — Eu sorri de forma presunçosa. — Ainda não me disse quem é você e como sabia que eu viria para Stanford.
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  — Já disse que não sabia, apenas presumi. — Ela riu baixo. — Eu tenho mesmo que ir.
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  — Sua fraternidade tem toque de recolher? — indaguei. — Hoje é sábado…
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  — E o que tem? — Ela ajeitou o lençol que envolvia seu corpo, arqueando a sobrancelha direita. — Ainda somos universitários e sou uma veterana ocupada.
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  — E o que pretende fazer a esta hora da manhã? Aulas extras no laboratório? — Lancei um olhar sugestivo para ela.
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  — Pervertido. — Ela cruzou os braços, com o olhar sério.
  — O que eu falei de errado? Foi você quem reclamou que demorei em Manhattan, dizendo que eu lhe devia muitas horas do meu final de semana para lhe compensar a espera — brinquei, segurando o riso. — Estava com medo que eu não voltasse?
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  — Por favor, não se ache a última bolacha do pacote — retrucou ela, dando um passo para se afastar. — Não vai conseguir me fazer ciúmes mencionando a mistery queen.
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  — Foi você quem a mencionou… — Eu dei outro passo para mais perto. — Além do mais, seu olhar já me diz tudo.
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  — Diz o que?! — indagou ela.
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  — O que você deseja de mim — respondi prontamente.
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  — E o que seria?
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  — Minha total atenção — afirmei ao beijá-la, antes mesmo que pudesse negar o óbvio. 
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  Manhattan era um assunto trivial entre nós e, por mais que minha californiana mantivesse sua postura desinteressada, eu sabia que lá no fundo ela tinha uma ponta de ciúmes de , principalmente por ser minha melhor amiga. Entretanto, não deixaria os bobos detalhes da minha vida fora de Stanford atrapalhar o que estávamos construindo naquela casa de praia. Não era somente um lugar de boas lembranças do passado, pois estava criando outras melhores em meu presente. 
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  Melhores e infinitamente intensas no que depender da minha convidada, o calor do seu corpo, a malícia dos seus beijos e seus sussurros provocantes. Para mim, a única coisa que importava era ela em meus braços e nenhuma fuga misteriosa em plena madrugada. Quem liga para as aulas de anatomia na segunda de manhã, eu poderia explorar todo o seu corpo sem sair daquele quarto. E de fato foi o que aconteceu na maior parte do nosso prolongado final de semana.
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  — … — sussurrei ao atender o telefone, ainda sonolento.
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  — Está ocupado? Ou terei que marcar horário para me consultar com meu melhor amigo? — A voz dela tinha traços de frustração e rispidez.
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  — Bem… Eu tenho uma vida fora de Manhattan agora. — Olhei para o lado e contemplei a garota da Califórnia adormecida.
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   ficou em silêncio do outro lado da linha, o que me fez respirar fundo e me levantar da cama, seguindo para a porta. Não iria embalar nenhum monólogo dela no quarto, não queria acordar minha veterana, ao mesmo tempo que não desligaria na cara de uma amiga, principalmente sendo essa amiga.
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  — Diga, brigou com o cozinheiro? — perguntei curioso, num tom irônico.
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  Eu não tinha nenhuma raiva da escolha que fez. Talvez lá no fundo eu também não quisesse colocar nossa amizade em risco por um relacionamento que pudesse acabar mal. E mesmo que houvesse alguma atração física por ela no início, agora meus olhos estavam voltados para outra pessoa que sem esforço roubou meus pensamentos para ela. Como pode eu me atrair por mulheres tão misteriosas?
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  — Sim. — Rápido, seguido de outra pausa que pareciam de lágrimas. — Pela primeira vez não sei o que fazer.
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  — O que aconteceu? — indaguei para saber a história toda, caminhando até a janela e olhando para fora.
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  O céu estava nublado, o que era estranho para meados da primavera. Porém, o mar visivelmente agitado não havia afugentado alguns visitantes que passeavam pela orla. E a brisa seguia refrescante como deveria ser, o que me fez aproveitar para me debruçar no peitoril da janela e ouvi-la com mais atenção.
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  — Depois da sua vinda em Manhattan, achei que ficaria para o brunch… Senti falta do meu melhor amigo lá… — ela respirou fundo, então continuou. — Bom, foi lá que aconteceu, foi após uma sutil desavença com a Allison, tive que suportar insinuações sobre… achou mesmo que eu usaria o irmão para subir novamente ao trono.
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  — Você usou o James, a mim e o , de certa forma. — Eu não queria dizer, mas acabou soando com naturalidade.
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  — Eu sei o que fiz para me estabelecer na elite, mas isso foi antes… — argumentou ela, entre as pausas de suspiros profundos. — Nossa amizade nunca foi uma mentira, sempre fomos sinceros um com o outro.
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  — E tem sido sincera com ele? — reforcei ao respirar fundo, já sabendo onde aquilo terminaria. — Ainda que aparentemente ele saiba sobre tudo, , você sempre será uma caixinha de segredos… É um fato.
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  — Está tentando me aconselhar? Ou consolar? — perguntou ela, diretamente.
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  — Talvez um pouco dos dois, como muitas vezes você me aconselhou — respondi confiante. — Conhecendo como te conheço, certamente não deu a ele a chance de dar a sua versão.
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  — E isso importa? Ele sabia que a Allison estava viva, sabia que era minha irmã e ambos parecem extremamente íntimos ao meu ver. — Ela parecia mesmo se esforçar para criar argumentos que lhe favoreciam. — E isso me deixa em fúria.
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  — Está com ciúmes dele e isso não lhe deixa raciocinar. — Lhe chamei a razão, a rainha que não gostava de ser contrariada. — , acho que precisa reavaliar seus pensamentos e refletir mais sobre seus próximos passos… Se gosta mesmo dele, não fuja desta vez.
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  — Você é o melhor amigo do mundo — afirmou ela, sem mais argumentos.
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  — Eu sei… — me virei para encostar no peitoril da janela, e deparei com a veterana de braços cruzados, vestida com uma camisa minha, me observando. — Eu te amo, , mas tenho que desligar agora.
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  Disse em alto e bom som, para provocar a mulher à minha frente.
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  — Ela acordou? — perguntou , já imaginando.
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  — Sim — assenti.
  — Quando vou conhecê-la? — indagou minha amiga.
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  — Em breve — afirmei, já encerrando a ligação.
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  Uns minutos de silêncio até ela se mover, passando por mim, seguiu até a cozinha. O que me deixou confuso inicialmente e um tanto intrigado com seus momentos precisos, a segui inicialmente em silêncio, atento aos seus pequenos passos pelo ambiente.
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  — Não vai dizer nada? — indaguei, me encostando na parede, observando-a.
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  — Dizer o que? — Ela parou de vasculhar a geladeira e me olhou. — Está com fome?
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  — Não quer saber o que eu falava com ela? — instiguei.
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  — Das poucas vezes que ela te ligou foi para desabafar… Deve ser interessante te ter como amigo. — Ela fechou a porta da geladeira e me olhou com atenção e certa malícia. — Mas já conheço este seu lado, então prefiro te imaginar de outra forma.
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  — E de que forma você prefere? — Eu me aproximei dela com sagacidade e a envolvi em meus braços.
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  — Você sabe. — Ela piscou de leve, me fazendo arrepiar os pelos do corpo.
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  — Como você conhece meu lado amigo? — indaguei curioso por suas palavras.
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  — Eu não deveria ter dito isso. — Ela se afastou de mim e voltou a abrir a geladeira.
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  — Mais um de seus mistérios? — insisti.
  — A culpa não é minha se você se sente atraído por mulheres assim — brincou ela, rindo baixo ao retirar algumas coisas de dentro da geladeira e colocá-las na bancada.
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  — O que não quer me dizer? — Eu me coloquei ao seu lado, fazendo-a olhar para mim de imediato. — Deveria me lembrar de algo?
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  — Talvez… — ela manteve seu olhar em mim.
  — O que levou do meu apartamento quando estava em Harvard? — Apoiei minhas mãos em sua cintura, trazendo-a para mais perto. — Não deixarei que fuja desta vez.
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  — Apenas peguei de volta o que era meu… — respondeu ela com tranquilidade, erguendo sua mão e evidenciando a correntinha em seu pescoço, para mostrar o pingente.
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  Meus olhos permaneceram fixos no objeto por um tempo, com minha mente vasculhando as memórias de infância até voltar a pessoa que jamais imaginei ver novamente. A pequena garotinha de sorriso enigmático e fascínio pelos livros de medicina de seus pais, que deteve toda a minha atenção e pensamentos no curto espaço de tempo em que vivi naquela casa em minha infância com minha mãe. Foi no período turbulento em que meus pais estavam se divorciando e minha guarda indefinida.
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  — Grimaldi. — Finalmente sussurrei seu nome, subindo meu olhar até seus olhos hipnotizantes.
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  — Achei que realmente tivesse se esquecido de mim. — Assentiu ela, com um sorriso escondido no canto do rosto. — Depois de anos em Manhattan.
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  — Como me achou em Harvard? — indaguei, tentando reagir ao choque inicial.
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  — Não precisei me esforçar, estava em um evento entre as universidades e te vi com um amigo no campus… Você é Bellorum, difícil não reconhecer — respondeu ela, como sendo a coisa mais natural do mundo. — No final, a medicina me guiou até você.
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  — Acho que foi o contrário, estou aqui não estou?! — Eu ri baixo. — Você era tão apaixonada pelo bisturi dos seus pais que acabou me influenciando, de forma inconsciente minha vida se voltou para medicina.
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  Ela riu alto, então me roubou um selinho rápido.
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  — Você cresceu — comentei, deixando soar de forma positiva. — Da última vez que a vi, usava óculos.
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  — Isso foi há anos, então vou levar como um elogio. — Ela mordiscou seus lábios inferiores. — Mas fiquei chateada de não ter me reconhecido naquele bar.
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  — Me desculpe por não ter boa memória fotográfica — brinquei de leve, trazendo-a para mais perto. — Mas acredite, eu nunca te esqueci.
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  — Mas não percebeu que o pingente havia sumido — reclamou ela. — Fiquei um pouco frustrada por isso.
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  — Em minha defesa, ele estava muito bem guardado — disse prontamente, acariciando seu rosto. — Como poderia imaginar que a dona surgiria para pegar de volta.
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  — Hum… — ela sorriu de canto. — Não tem importância agora… 
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  Sim, pois a única coisa que nos importava era este inesperado reencontro após mais de oito anos sem nenhum tipo de contato. Meu amor de infância retornou a minha vida, e desta vez não deixaria que minha família nos afastasse novamente. A envolveria em meus braços para nunca mais soltar.
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  — Eu te amo… — sussurrou ela, antes de eu lhe tomar o fôlego com um beijo intenso, que instigaria o restante de nossa noite de desejo e malícia.
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  E quando pensamos que não há mais nada para se descobrir, eis que o passado bate à porta e o caminho de duas crianças se cruzam anos depois para retomar de onde pararam. O que dizer de nossa Califórnia Girl que nos surpreendeu com esta revelação, mostrando que não é apenas uma veterana atraente, e sim a verdadeira dona do coração de nosso príncipe, Bellorum.
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E quem sou eu?
Esse segredo eu não conto para ninguém!
– Xoxo, G’G.

29. Stronger

But now I’m
  Stronger than yesterday
  Now it’s nothing but my way
  My loneliness ain’t killing me no more
  I’m, I’m stronger
  Than I ever thought that I could be, baby.
  - Stronger / Britney Spears

  

  Eu e passamos a tarde conversando.
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  Nunca imaginei na minha vida que aconselharia uma mulher a dar uma chance ao , o libertino mais sedutor que eu já conheci. E pior?! A mulher em questão era minha melhor amiga. Contudo, lá estava eu relatando a toda a ajuda que meu irmãozinho me deu nesse tempo, e de como ele tem se mostrado solidário à turbulência que se encontrava minha vida. Decidimos dormir no apartamento naquela noite e relembrar nossas festas do pijama, regado a pizza e chocolate. Nos divertimos à beça, principalmente com os filmes melosos que escolhia para vermos, com gosto de nostalgia e depressão. Ao final da noite, eu e fizemos um juramento de resolvermos nossos problemas o mais rápido possível, além de nunca mais brigarmos novamente.
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  — Eu juro resolver todos os meus conflitos sentimentais e lutar pela minha felicidade — dissemos em coro, com nossos dedos mindinho cruzados — e que sempre serei sua melhor amiga até a morte!
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  — Prometo levar isso a sério desta vez — assegurei me sentando novamente no sofá.
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  — Hum… Você sempre quebra os juramentos, exceto na questão da amizade. — riu de mim e se sentou ao meu lado, logo pegou seu celular e abriu no blog da G’G. — Olha só.
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  Ela mostrou a última postagem para mim.
  — Parece que alguém sabe da nossa noite das garotas — comentou ela.
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  — Bandeira branca a postos e muita fofoca em dia, ao que tudo indica, as amigas mais amadas e invejadas de Upper East Side cessaram fogo para desfrutar de uma tradicional noite do pijama. — Li em voz alta a citação que acompanhava minha foto e da entrando nesse prédio. — Já havia me esquecido dessa parte de voltar à elite.
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  Soltei um suspiro.
  — Além das loucuras que foram os últimos meses, como foi ficar alguns dias no anonimato? — perguntou ela com um olhar curioso.
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  — Apesar de sempre ter um post da GG indagando onde seria meu refúgio real, não foi tão ruim assim, mas confesso que senti falta disso.
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  — Nós duas sabemos que você nasceu com essa coroa na cabeça — afirmou ela, com razão. — Querendo ou não, você também pertence à elite, nasceu entre nós.
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  Disso eu não discordaria.
  — Ainda assim, foi bom o que aconteceu, não aparecer — admiti, me lembrando dos meus dias em um certo apartamento. — Há males que vêm para o bem.
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  — Está falando de um anfitrião cozinheiro? — indagou ela com o olhar curioso. — Quem diria que meu conselheiro na cozinha se tornaria seu affair anjo da guarda.
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  — Eu é que estou chocada por ter tanta intimidade assim com ele. — Cruzei os braços, meio chateada.
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  — Não me olhe assim, ele é um velho conhecido do Matt que tem me ajudado muito com minha escolha pela gastronomia — comentou ela, ao voltar o olhar na tela do celular.
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  Eu tentei abstrair meu lado ciumento para não estragar o restante de nossa noite, que seria embalada por mais fofocas como diria nossa G’G.
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  Os dias passaram e, quinta pela manhã, resolvi encarar de frente meu passado. Eu e Allison merecíamos uma conversa definitiva, sem fugas, sem mentiras e sem nossa mãe manipulando tudo. Segui de táxi até o prédio do seu escritório, a primogênita favorita havia se formado em direito na mesma universidade em que cursou gastronomia, Princeton. E algo que me parecia, a advogada da família e orgulho da mamãe, era uma profissional bem requisitada em seu meio profissional. Respirei fundo ao descer do carro e, reunindo minhas forças, segui para porta de entrada do prédio, nem mesmo precisei me anunciar à recepcionista, pois meu olhar ao se voltar para a direção do elevador, observei o mesmo se abrir revelando e ela dentro.
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  Era nítido a surpresa em seu olhar para mim.
  — ? — sussurrou ele mantendo o olhar fixo em mim.
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  — O que faz aqui? — perguntou ela, no seu habitual tom arrogante.
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  Após nossa pequena briga no brunch da construtora, ignorei totalmente a presença de Allison na mansão e recusei as chamadas de . Até mesmo da clínica me ausentei para não cruzar com ele nos corredores. E confesso que aquele olhar intenso para mim era como um ímã que me confundia a mente e estremecia o corpo.
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  — Estou aqui para falar com você, Allison. — Voltei meu olhar para ela, mantendo a seriedade.
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  — Agora você quer conversar? — Ela olhou para , depois para mim. — O que aconteceu para agir com tanta cordialidade e educação?
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  — É um assunto familiar. — Voltei meu olhar para ele, como uma indireta.
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  Vê-lo ao lado dela, e, sabendo de sua proximidade, me dava um misto de raiva e ciúme nunca sentidos antes. Por fim, ele percebeu minha irritação sutil e discreta, dando um passo para se afastar.
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  — Já estou de saída, obrigado pela ajuda, Allison — disse ele, ao voltar-se para ela e olhando para mim. — Boa tarde.
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  — Depois me diga se deu certo, — disse ela, forçando uma demonstração de intimidade ao chamá-lo pelo apelido.
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   deu um sorriso fechado, seu olhar aparentemente frustrado pela frieza de minha parte. Assim que ele desapareceu do nosso campo de visão, Allison gesticulou para que eu a seguisse e me conduziu para o jardim de inverno do prédio. Segundo ela, o melhor espaço para termos qualquer tipo de conversa, privacidade regada a conforto e frescor, apenas para os condôminos de alto padrão como ela. E sim, ela fez questão de enfatizar seu prestígio em meio à elite de advogados da cidade.
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  Seguimos para o jardim.
  — Estamos aqui, irmãzinha. — Ela sorriu meio irônica, ao se sentar em uma das poltronas, mantendo o celular na mão.
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  — Não vim para brigar com você, se foi o que imaginou — me pronunciei ao me sentar na poltrona de frente para ela, mantendo minha postura firme diante da sua arrogância.
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  Ela elevou o braço esquerdo para conferir as horas no relógio em seu pulso, então me olhou novamente.
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  — E o que você quer falar comigo? — indagou, razoavelmente impaciente. — Não disponho de muito tempo, sou uma mulher ocupada.
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  — Inicialmente, queria entender como conseguiu fingir estar morta todo esse tempo, mas te olhando agora e me lembrando de como sempre foi e continua sendo, desisti. — Minha voz soou cansada e num tom baixo. — Quando achei que tinha morrido, eu realmente me senti culpada… Já que havia ficado doente por minha causa, mas é claro que nossa mãe jamais deixaria a filha favorita para trás, vivendo à própria sorte.
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  — Então o ponto central é o fato de estar chateada por não ter sido escolhida para ficar com a mamãe? — Supôs ela, erroneamente.
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  — Pelo contrário, apesar de tudo o que passei para sobreviver e não desejar isso a ninguém — respondi respirando fundo para manter a classe, ponderei a entonação de minha voz —, estou feliz por ter passado, provou que eu não era a garotinha fraca e medíocre como sempre me chamou. Não precisei de nenhuma das duas para conseguir chegar onde estou…
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  — Ah sim, a rainha de Manhattan. — Ela soltou uma gargalhada. — Fico pensando como conseguiu isso… Certamente deve ter treinado muito sua habilidade de manipulação e claro, puxar o tapete das pessoas.
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  Allison desviou seu olhar para o lado, segurando um pouco mais seu riso.
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  — Uma amizade por interesse, alguns homens aos seus pés, cartões de crédito sem limites… E claro, uma influencer fofoqueira para te ajudar na ascensão ao trono — continuou ela, agora num tom amargo.
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  — Está falando tão rispidamente assim porque deseja estar no meu lugar? — indaguei, agora sorrindo de canto com prepotência. — Você nunca conseguiria chegar onde cheguei se tivesse ficado no meu lugar.
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  Mantive o tom pacífico, o olhar empoderado com o ar de vitória pairando entre nós duas. Neste momento, meu celular tocou, era uma ligação da dra. Charlot dizendo que tempos nebulosos tinham chegado lá na clínica. Aproveitei a situação para mostrar à Allison a parte que ela não sabia da história, a parte que nossa mãe nunca havia lhe contado sobre o fato de nossa família ter chegado à ruína. Liguei para também, minha amiga precisava descobrir a última parte do meu segredo.
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  Inicialmente ela se opôs a ir, porém, bastou eu lhe mostrar uma simples imagem para que toda a sua pose de filha do ano desfalecer como a neve no verão. Ela não sabia de toda a verdade, apenas o que nossa mãe achou que lhe convinha.
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  — Então… — Allison sussurrou ao ver aquela pessoa pelo vidro da porta. — Não foi a única vítima de mentiras aqui…
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  — Parece que não… — disse ao girar a maçaneta, respirando fundo e abrir a porta. — Por que não entra?
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  Ela assentiu e deu alguns passos entrando no quarto, o lugar estava todo quebrado mais uma vez, para mim era uma rotina, porém para ela uma revelação delicada que a deixou perplexa.
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  — Pai — sussurrou ela, ao se aproximar dele, ajoelhando ao seu lado, segurando o olhar emotivo.
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  — Allison. — Ele a reconheceu de imediato, vi as lágrimas se juntarem em seus olhos, juntamente com o brilho. — , é a Allison.
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  — Sim, pai. — Segurei minhas emoções.
  Metade de mim ainda tinha raiva por, mesmo tendo-o abandonado, ela ainda ser sua filha preferida, a planejada e esperada. Quanto a mim, a que nasceu sem nenhuma motivação e desejo, fui a pessoa que ficou ao seu lado todo aquele tempo cuidando para que não se machucasse ainda mais.
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  — Ela voltou, como o senhor disse — sussurrei, perplexa.
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  Sim. A pessoa que me dava tanta preocupação e, mesmo por um curto espaço de tempo e sanidade, um pouco de amor, era ele, principalmente quando se esquecida da Allison. Após minha mãe nos abandonar à própria sorte, falido, em depressão e com outras doenças físicas, além das duas filhas para criar, nosso pai tentou ser forte até que Allison também ficou doente, e tudo foi ficando ainda mais difícil quando achamos que ela tinha morrido. Ou melhor, quando eu achei que ela tinha morrido e curiosamente, começo a pensar que de alguma forma ele sabia que ela estava viva. Talvez por algum acordo oculto com minha mãe para salvar a vida de Allison ou algo do tipo.
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  O fato é que meu pai tinha alguns transtornos de bipolaridade que se agravaram com todo o sofrimento que passamos, misturado à depressão, sua mente foi ficando ainda mais atordoada até que ele precisou ser internado por causa dos seus ataques de agressividade de tempos em tempos. Aproveitei o momento para deixar Allison com ele, ambos precisavam daquele tempo para colocar a conversa em dia e meu pai matar a saudade da primogênita.
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  Precisavam de um tempo a sós.
  — — disse ao se aproximar e me abraçar. — Não imaginava que esse fosse o motivo dos seus desaparecimentos.
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  — Sim. — Soltei um suspiro cansado. — Bem-vinda ao meu mundo oculto.
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  — Como consegue suportar tudo isso? — perguntou ela.
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  — Da mesma forma que está suportando as verdades da sua família — expliquei soltando um suspiro fraco. — Não posso deixá-lo, mesmo que eu não seja a filha favorita.
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  — E por isso não foi para Yale — constatou ela.
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  — Sim e não… Yale sempre foi o sonho da Allison e, curiosamente, ela cursou em Princeton — respondi. — Eu achava que ir para lá era uma coisa a se fazer em sua memória.
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  — Mas agora sabe que ela está viva — concluiu.
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  — Mesmo se não tivesse, eu entendi que Manhattan é meu lar e não posso deixar meu pai sozinho — voltei meu olhar para a dra. Charlot —, mesmo tendo pessoas tão maravilhosas cuidando dele.
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  — E como vai ficar tudo? Ele vai ficar bem? — perguntou minha amiga.
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  — Já tive dias piores. — Voltei meu olhar para o vidro, os observando no quarto. — Com certeza ficará bem melhor do que antes, agora que Allison está de volta.
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  — Sua mãe sabe dele? — Ela me olhou, curiosa.
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  — Provavelmente, já contou a ela — respondi.
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  — Hum… No final, sempre sabe de tudo sobre todos — comentou, reflexiva.
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  — Acredite, ele tem sido um bom amigo para mim, ou melhor, irmão. — Voltei meu olhar para ela com um sorriso malicioso.
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  — Não me olhe assim. — Ela se encolheu um pouco. — Já prometi que vou resolver todos os meus problemas.
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  — Não disse nada.
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  — Mas pensou.
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  Nós rimos.
  — Sinto falta da época que as provas de literatura eram nossas maiores preocupações — brincou ela.
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  — Eu também. — Suspirei fraco.
  — Estou pensando em ir para Vegas, só não sei quando.
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  — Quanto antes resolver, melhor — aconselhei.
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  — Espero não me arrepender, seja lá qual for minha decisão. — Ela suspirou.
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  Eu a abracei forte. Ela precisava de mais coragem que eu.
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  Passei o restante do dia na clínica. Mesmo com minhas diferenças com Allison, declaramos uma trégua pelo nosso pai. Já à noite, ao voltar para casa, fui parada no meio do caminho por um rosto inesperado.
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  É o que eu sempre digo: Uma verdadeira amizade jamais acaba. E me parece que nosso grupo de amigos aos poucos está se juntando novamente. E, apesar de algumas verdades estarem sendo reveladas… A elite de Manhattan sempre terá aquele segredinho guardado na gaveta ou escondido debaixo do carpete, prontos para serem descobertos por mim.  
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E quem sou eu?
  Esse segredo eu não conto para ninguém!
  - Xoxo, G’G.

30. The End?

Conte-me seu desejo.
Conte-me esse pequeno sonho que você tem dentro de você
Desenhe a pessoa ideal que você tem dentro da sua cabeça
E então olhe para mim, eu sou sua.
– Genie / Girls’ Generation

  

  Eu ainda estava estática com toda a história que havia me contado sobre o passado de sua família. E pensar que recentemente eu achava minha vida um caos e minha família repleta de hipocrisias e mentiras, entretanto, sempre dá para piorar. E meu pós briga familiar seguia delicado, traumático e silencioso, principalmente após minha decisão de sair de casa, e passar meus dias de adaptação a nossa realidade no apartamento do Matt. Felizmente, tinha meu irmão para me dar apoio e abrigo político, já que minha decisão final acadêmica resultou na transferência de Paris para o Donatelli Culinary Art Institute, o melhor de todo o país. Bastou apenas uma carta indicação direta do meu amigo cozinheiro, após nossa empolgante descoberta sobre minha aptidão para a área de confeitaria.
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  — Toc, toc… — disse ao bater na porta de acesso dos funcionários da cozinha.
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  Como de costume, já estava concentrado na lista de cardápio do dia, certamente já avaliando o cronograma de atividades diárias de seu restaurante. Sexta-feira era o dia de maior movimento e lá estava eu, pronta para acompanhar a rotina de Franklin, o confeiteiro chef responsável pelas sobremesas famosas do restaurante.
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  — . — Ele voltou sua atenção para mim, pouco surpreso em me ver. — O que faz aqui?
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  — Hum… Você esqueceu do nosso combinado? — Tombei a cabeça estranhando sua falha de memória.
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  — Ah, me desculpe, fiquei tão distraído com os problemas do restaurante que me esqueci. — Ele sorriu meio sem graça. — Frank ainda não chegou, para ser honesto, está um pouco cedo para os cozinheiros chegarem.
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  — Eu sei. — Ri de leve, me aproximando dele atenta às folhas em cima da bancada. — E já imaginava que estivesse aqui na cozinha dos sonhos.
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  — Como já te disse, essa cozinha é minha segunda casa — afirmou ele, soltando um suspiro fraco.
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  — Mas você não parece animado para cozinhar hoje… E não é por problemas jurídicos com o restaurante — analisei seu olhar baixo e triste. — Eu te vi na clínica… me contou que a dra. Charlot é sua mãe, sobre como ela tem ajudado muito com… Tudo.
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  — Sim. — Assentiu ele, voltando o olhar para as folhas. — Mas não quero falar disso, não quero estragar o jantar.
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  — Não precisa me responder se não quiser, mas… Você gosta da ? — indaguei curiosa.
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  Desejava a felicidade da minha amiga.
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  E se ele gostasse da Allison, tudo iria pelo ralo.
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  — O que você acha? — Ele me olhou de volta, com uma ponta de brilho nos olhos extremamente significativa ao meu ver.
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  — Que se pensar nela hoje à noite, será o melhor jantar de todos. — Joguei minha suposição no ar, arrancando um sorriso disfarçado dele, em meio àquele semblante sereno e sutil.
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  Mais uma vez, me diverti muito acompanhando toda a movimentação daquela cozinha, porém, sempre focada na bancada das sobremesas. A parte positiva da experiência, é que pude ver toda a prática antes da teoria, assim, mesmo diante das situações difíceis, não iria desistir com facilidades diante dos desafios. E mesmo estando nas primeiras semanas de aula de uma graduação que levaria quatro anos de dedicação da minha vida, já projetava em minha mente, no futuro, uma possível abertura da minha própria pâtisserie ou boutique de tortas e biscoitos.
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  As semanas que seguiram, tentei ao máximo manter minha mente ocupada de pensamentos inoportunos, sempre me desviando das postagens da G’G, também. E quanto mais dias passavam, mais pareciam estranhos, vazios e monótonos, me fazendo sentir solidão em meio às pessoas que me cercavam. Como se algo estivesse faltando em minha vida, faltando em Manhattan. E esse algo tinha nome e sobrenome: Village. Desde o nosso casamento ele não havia retornado a Manhattan, por uma decisão repentina mudou-se para Vegas e sob a aprovação de seu pai e todo o corpo de acionistas, tornou-se o responsável geral pelos hotéis Royal da região.
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  — Hum… — Olhei para o celular, assim que retornei do closet.
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  O céu curiosamente estava nublado naquela manhã, com um toque de brisa gelada, mesmo não havendo rumores de chuva na previsão do tempo do dia anterior. Mantive o olhar na tela acesa, a última mensagem que tinha recebido de foi no dia seguinte ao nosso casamento, perguntando se eu estava bem. Fico me perguntando como a G’G conseguiu descobrir sobre o matrimônio, e só de lembrar como todos ficaram surpresos e ao mesmo tempo estáticos com a notícia. Nem sei como Matt lidou da forma mais pacífica e tranquila de todas, talvez por suas muitas experiências com as mulheres mais velhas de Harvard, seu olhar para relacionamentos entre pessoas de personalidades divergentes tenha se expandido. Me afastei da janela e caminhei até a cama, me sentei na beirada e fiquei olhando as postagens recentes do blog da G’G.
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  Ela é a única que teria informações do sedutor Village.
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  “Já está a caminho de Vegas?”

  Logo a mensagem de invadiu a tela do meu celular.

 

  “Não me pressiona.”
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  ?!”

 

 

  “Ainda estou pensando sobre meus próximos passos”
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  “então desistiu de ser uma mulher casada?”
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  “não sei dizer.
  não acha que sou muito jovem para estar casada?”
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  “não…
  e já quero os herdeiros para ser a tia babona
  kkkkkkkk”
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  Revirei os olhos.

 

  “e você? já foi se refugiar no apartamento do ?
  a G’G te flagrou pegando carona em uma moto misteriosa outro dia”
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  “foi apenas uma carona”
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  “sei.
  e foi com ele?”
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  “…”

 

  Eu ri de leve e deixei o celular em cima da mesa de cabeceira, me espreguiçando um pouco em direção ao banheiro, talvez um banho de espumas e algumas experiências de confeiteira na cozinha do apartamento pudessem me distrair um pouco. As horas foram passando comigo forçando uma concentração impossível na cozinha, pois meus pensamentos seguiam mais fortes do que poderia imaginar, tanto que nem mesmo me toquei que havia trocado o pote de açúcar refinado pelo de sal. O pior erro de um confeiteiro e já estava na terceira tentativa de uma simples massa de cookie que havia aprendido com Franklin; e foi neste momento que entendi o óbvio. A imagem do olhar de fazia meu coração acelerar automaticamente, uma brisa, um arrepio no corpo, mesmo não sabendo ao certo como definir, eu tinha que me decidir de uma vez por todas.
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  — Droga… — sussurrei para mim mesma ao soltar um suspiro fundo. — Pare de se enganar, … Você o ama.
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  Retirei o avental, o deixando em cima da bancada e corri até o quarto, peguei minha bolsa e conferi meus documentos dentro da carteira e retornei à sala. Chaves nas mãos e a única coisa que faltava era a coragem para continuar em direção à minha escolha. Nem mesmo liguei para roupas e malas, nada que pudesse me fazer pensar ou refletir, se demorasse mais um pouco, correria o risco de perder a coragem que demorou para encontrar e desistir no meio do caminho. Então, segui de táxi até o aeroporto e por sorte ainda tinha um lugar no avião que seguia para Vegas, o lugar em que precisava estar naquele momento.
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  E por qual motivo, um voo de quarenta minutos parece durar uma eternidade? E foi esta a sensação até que finalmente o avião aterrissou e pude pegar outro táxi até meu destino final.
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  — Senhora Village — disse Lilly ao me cumprimentar na recepção do Hotel Royal, com o olhar visivelmente surpreso.
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  Senhora Village? Fiquei estática por um tempo, tentando absorver aquelas palavras.
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  — Boa noite, Lilly — disse, respirando fundo e tentando lidar com o pronome: senhora.
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  — Veio ao encontro do senhor Village? — perguntou ela, atenta à minha resposta. — A senhora possui um motorista à sua disposição para qualquer ocasião, poderia ter nos ligado assim que chegou.
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  — Bem eu… — Respirei fundo me recompondo. — Digamos que minha vinda à Vegas não estava no planejamento, porém, aqui estou e… O senhor Village? Onde posso encontrá-lo?
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  — Ele está em uma reunião no momento — disse ela, prontamente. — Mas posso acompanhá-la até sua suíte.
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  Ela apontou para o elevador que espantosamente abria as portas no mesmo instante.
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  — Agradeço. — Assenti de imediato seguindo em frente.
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  Lilly era uma mulher bonita, discreta e, nas palavras de , muito eficiente. Sendo considerada a melhor gerente de um hotel Royal, ficando atrás apenas da Isla de Manhattan. Não consegui evitar pensar sobre todos os segredos que ambas gerentes sabiam sobre a família ou o próprio . Seu passado era recheado de escândalos e aventuras sexuais das quais, a maioria, elas certamente ajudaram a encobrir. E este era o passado que eu deveria me esforçar para não me importar, apenas deixá-lo distante da nossa realidade atual. Permaneci em silêncio no caminho, ainda reflexiva mesmo desejando fazer algumas perguntas à ela, principalmente sobre a conduta de durante todas essas semanas distante de todos.
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  Entretanto, minha coragem não chegava a este nível.
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  — Quando eu preciso da minha gerente, tenho que buscá-la em minha suíte? O que faz aqui, Lilly? — entrou no quarto com alguns papéis nas mãos, concentrado em sua funcionária.
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  — O senhor tem visita — disse ela com tranquilidade, apontando discretamente para mim.
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  — ?! — Ele me olhou surpreso, pareceu engolir seco.
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  Talvez por nunca esperar me ver ali. E de certa forma, considerando minha timidez e todo meu histórico sentimental, a do colegial jamais estaria ali. Mas também, olhando pelo ângulo correto da situação, certamente ela também nunca teria se embebedado com o libertino da turma e se casado de verdade em Vegas.
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  — Vou deixá-los à sós. — Ela pegou os papéis da mão dele. — Deixe que resolverei isso para o senhor.
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   assentiu para ela com o olhar, então o voltou para mim, permanecemos em silêncio até que Lilly se retirou do quarto, fechando a porta. O olhar confuso e curioso de para mim era nítido, o que me deixava um pouco mais nervosa e ansiosa por estar ali.
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  — Em que posso te ajudar? — Contudo, seu rosto permaneceu inexpressivo, com as mãos nos bolsos da calça.
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  — Acha que vim aqui só para te pedir uma ajuda? — perguntei admirada com sua reação inicial, dando alguns passos até ele.
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  — Não é somente para isso que eu sirvo? Um ombro amigo? — O tom áspero e o olhar avaliativo, nem mesmo parecia o amor que me apoiou nos momentos difíceis.
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  — Hum… — Mantive meu olhar firme, tentando lidar com minhas confusões internas diante daqueles olhos frustrados.
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  Ele ainda estava chateado comigo, em níveis desconhecidos, contudo, eu também estava em surtos internos com meus sentimentos, tentando entender o que realmente queria.
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  — , se veio aqui para pedir o divórcio…
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  Eu o interrompi com um beijo de surpresa, uma ação que nem mesmo eu esperava ter. E sua reação foi retribuir o beijo de imediato sendo o mais intenso possível, enquanto trazia meu corpo para mais perto ainda.
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  — Existem advogados que cuidam disso — disse ele, após o beijo, dando um riso sarcástico. — Tenho ótimos advogados, posso te indicar um.
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  — Não acho que queira se livrar assim de mim tão fácil… — Neste momento, ele me interrompeu com outro beijo.
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  Estranho e ao mesmo tempo acolhedor. Surreal admitir que estava com saudades daquele Village sedutor e provocante, que me fazia esquecer o mundo ao meu redor. E por algumas horas, foi exatamente isso que aconteceu, tudo que existia do outro lado da porta desapareceu e apenas nos concentramos um no outro, da forma mais intensa e apaixonada que existia. A noite tornou-se madrugada e quem se importava se ele teria outras reuniões na agenda, a manhã seguinte seria quinta-feira e nem mesmo os artigos sobre nutricionismo na confeitaria me fariam perder o foco no homem que acariciava meu corpo de uma forma tão dedicada. Não precisou de muito para perceber o quão profundo era seu desejo por mim, que ia além da saudade que eu carregava daqueles braços fortes e calorosos.
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  — … — quebrei o leve silêncio que pairou pelo quarto, erguendo de leve meu corpo para olhá-lo.
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  — Sim? — Ele abriu os olhos, os direcionando para mim com suavidade, um sorriso discreto surgiu no canto de seu rosto.
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  Aquele sorriso nebuloso que me estremecia, me deixando com receio de conhecer seus pensamentos maliciosos e obscuros.
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  — Por que não podemos conversar como pessoas normais? — indaguei tentando não encará-lo, sem sucesso.
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  — E nós somos pessoas normais? — Ele ergueu seu corpo e me puxou para perto, segurando em minha cintura, deixando a malícia transparecer um pouco mais em seu sorriso.
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  O que me fez encolher um pouco, mantendo a seriedade em meus olhos.
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  — Somos o senhor e a senhora Village. — Ele se aproximou mais e encostou seus lábios em meu pescoço, em seguida manteve nossos rostos mais próximos. — Jamais será algo a ser considerado normal, você sabe quem eu sou.
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  — . — Eu toquei de leve meu dedo indicador em seus lábios, me afastando um pouco e puxando o lençol para me cobrir.
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  Ainda existia a parte tímida em mim. Aquela era minha segunda vez oficialmente. Não estava acostumada com o fato de ser casada, menos ainda tudo o que incluía no pacote de intimidade de um casal. Já para ele, certamente era mais do que natural estar na cama com uma mulher.
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  — Hmmm… — Ele se afastou de mim com um olhar frustrado, então se levantou e caminhou até o closet. — Não deveria apertar o play se não quer jogar.
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  — Então isso — eu mantive a atenção nele, um pouco chateada por sua forma de agir — é somente um jogo para você?
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  Ele retornou para o quarto com uma toalha na cintura e um sorriso de canto, seguiu em silêncio até a pequena adega de sua suíte. tinha muitos lados, mesmo sendo um perfeito cavalheiro e curiosamente romântico, seu olhar de predador como nos tempos de libertino estava ali. E internamente eu seguia num misto de medo e curiosidade em saber como seria minha vida casada com um homem como ele.
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  — Este sou eu… Nunca menti sobre quem sou. — Ele tomou um gole do Bourbon que despejou no copo — Sou Village.
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  Meu coração acelerou com aquele olhar, que senti até meu corpo aquecer.
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  — Que seja então. — Eu me levantei da cama e me aproximei novamente dele e o beijei mais uma vez com intensidade que da primeira vez.
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  — Senhora Village… — me lançou um sorriso malicioso. — Isso é um game over?
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  — Como poderia ser, se estamos apenas no começo? — Sorri de volta.
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  Se a vida estava me propondo um amor intenso e nem um pouco ortodoxo, talvez devesse mergulhar de cabeça e deixar fluir. Cem por cento sóbrios e certos do que queríamos, e com níveis extremos de malícia e desejo por parte de meu marido. Era o início da nossa tão aguardada lua de mel, e aquele hotel ficaria pequeno demais para nós dois.
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  Principalmente pelas carícias de que afastava toda a minha timidez.
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  — Posso entender desde quando você tem uma moto? — disse ao ser passada por .
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  — É uma longa história. — Ele riu, esticando o capacete para mim. — Que tal uma volta?
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  — E para onde vai me levar? — indaguei pegando o capacete dele.
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  — Pra longe dos problemas — respondeu ele, com um sorriso bobo.
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  Eu precisava mesmo me afastar dos problemas, então assenti sem pensar duas vezes. Ele pilotou livremente pelas ruas, o que me ajudou a ter nuances de sensações de liberdade, até que finalmente chegamos em uma Starbucks, e finalmente entendi o propósito de nosso passeio.
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  — Não quero que ache que te enganei — disse ele, com o olhar inocente —, mas achei legal você conhecê-la, já que estamos na cidade.
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  — Não precisa se desculpar, para ser honesta, preciso mesmo de uma boa noite de conversa com meu melhor amigo e a namorada dele — brinquei, fazendo-o rir. — E estava curiosa pela garota do passado.
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  — Vem… — Ele pegou em minha mão e me levou até a mesa em que a california girl estava sentada. — , quero que conheça uma pessoa.
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  — Oi — disse, ao soltar a mão dele e esticar para ela. — Prazer, eu sou a .
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  — Prazer, . — A garota apertou a minha mão com confiança e olhou para ele. — Não me disse que seria um encontro a três.
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  — Ah, fique tranquila que não será um triângulo amoroso, eu aqui estou mais pra castiçal — brinquei, ao me sentar na cadeira de frente para ela.
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  — Queria que se conhecessem antes de voltarmos para Stanford — explicou ele, se sentando ao lado dela. — é minha melhor amiga.
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  — Acredite quando ele diz, apenas amiga — reforcei, para que ficasse claro para ela que jamais haveria alguma disputa entre nós.
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  — Eu sei, nas poucas semanas que estamos juntos, me contou muitas coisas sobre ele e você, de como se tornaram amigos — comentou ela, com o olhar despreocupado, parecia ser mais confiante do que imaginei.
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  — Queria dizer o mesmo, mas ele não me contou nada sobre você e a amizade do passado. — Voltei meu olhar para ele. — Quero muito ouvir.
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  — A história é longa. — Ele desconversou.
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  — Que legal, pois estou com tempo e sem sono — brinquei rindo.
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  — Eu vou adorar contar a você — disse , demonstrando empolgação.
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  Alguns dias passaram.

  Fui pega de surpresa ao ver a foto de no aeroporto, estampada na postagem recente de G’G. Parece que minha amiga tinha seguido meu conselho, e acho que já estava na hora de eu seguir o dela também. Logo à noite, fui para o prédio onde morava, coincidentemente o céu nublado e chuvoso, assim como quando o conheci. Um frio na barriga passou por mim, pensando se deveria mesmo estar ali, e mesmo com as roupas superficialmente molhadas, não me importava com o frio ao esperar até que ele retornasse do restaurante.
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  — …? — perguntou ele, com o olhar surpreso em me ver.
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  Notei sua atenção ao observar minha roupa molhada.
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  — Não quero ter outra discussão com você, . — Mantive a seriedade no olhar.
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  — Não deveria estar aqui — sussurrou ele ao passar por mim, para seguir em direção ao elevador.
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  — Espera… — Segurei em seu braço. — Só queria…
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  — Saber se minha casa ainda é um refúgio para vossa majestade? — perguntou ele, tentando completar minha frase.
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  — Só quero conversar. — Tentei ser o mais honesta possível naquelas poucas palavras.
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  Senti um frio na barriga, pois seu olhar firme fazia meu corpo estremecer. Após ele assentir e comentar das minhas roupas, subimos para seu apartamento. Assim que entramos, ele apontou para a escada dizendo silenciosamente para que eu me trocasse, logo que entendi o recado, e enquanto ele se dirigiu até a cozinha para preparar algo quente para mim, segui para o andar de cima.
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   era como um lorde britânico, e seu gosto para chá era bastante apurado.
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  — Aqui — disse ele, me entregando uma xícara, assim que terminei de descer as escadas.
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