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Continuum

31. A residente e o mecânico

Oficina Baker, Seattle

  Dizem que sorte no amor é um sinal de azar nos negócios. Mas essa não era a realidade de . Com a inauguração de sua oficina, um sonho estava sendo realizado em sua vida. E de bônus, algo que ele jamais imaginou viver quando projetou sua meta de mecânico amador, um romance com a Sollary.
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  — Parabéns, Baker. — se aproximou de com um sorriso no rosto, deixando seu olhar mais suave.
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   percebeu uma ponta de orgulho vindo dela. A residente que a dois anos atrás o achava o homem mais irresponsável do mundo, agora estava a um passo do altar com ele. Ela voltou seu olhar para uma peça de motor na bancada em sua frente.
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  — Pensei que não viria. — comentou ele ao segurar sua mão e entrelaçar seus dedos.
  — As coisas estavam tranquilas no hospital. — explicou ela, voltando o olhar para a mão de ambos unidas. — Me parece que sua inauguração foi um sucesso.
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  — Não teve champanhe, algo que Annia criticaria, mas estava animada. — ele riu de leve. — Nosso público feminino gostou.
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  O olhar de ficou mais sério, o que o fez rir de imediato.
  — Já disse, nada de ciúmes. — brincou ele, dando um selinho de surpresa nela.
  — E você, nada de macacão aberto. — avisou ela, fechando um pouco mais o zíper do macacão dele. — Esse corpo tem uma dona que não compartilha com ninguém.
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  — Sou todo seu. — assegurou ele rindo mais um pouco. — Ah, minha irmã me ligou dizendo que vai voltar esse final de semana, quer dar um jantar de noivado em nossa casa.
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  — Annia… — suspirou fraco. — Ela me mandou uma mensagem de voz, estava tão empolgada que fiquei com medo.
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  — Imagino. — ele tocou na cintura da residente, a puxando para mais perto.
  — Sua irmã sabe que tradicionalmente é a família da noiva que cuida dos preparativos? — indagou .
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  — Provavelmente, mas receio que isso não seja um impedimento para ela. — riu.
  — Eu não sei o que é pior, Annia ou minha tia Joseline. — ela fechou os olhos e respirou fundo para não entrar em surto precoce.
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   aproveitou a deixa e a beijou com doçura e intensidade. retribuiu de leve, sentindo seu coração acelerado. Em segundos, um barulho soou do lado de fora do escritório dele, no galpão, o que a fez se afastar no susto e com certa vergonha.
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  — Seus funcionários. — disse ela.
  — Não se preocupe, eles não vão nos incomodar. — ele sorriu de forma maliciosa. — O que acha da gente…
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  — Ir para casa? — ela o interrompeu, segurando o riso. — Eu pra minha e você pra sua, adorei a ideia.
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  — Eu ia sugerir estrearmos essa sala. — ele sorriu de canto, e ela soltou uma gargalhada se afastando dele.
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  — Vamos logo, estou cansada. — ela pegou sua bolsa e ajeitou no ombro.
  — Assim? Pelo menos me diga que não está insegura por causa dessa aliança. — ele segurou em sua cintura, parando-a de frente para ele. — Eu te conheço, você está um pouco distante esses dias.
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  — Impressão sua. — ela desviou o olhar dele.
  — Sollary. — insistiu.
  — Tudo vai continuar como está após o casamento? — perguntou ela.
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  — Tirando o fato de dormir todos os dias na mesma cama que você, tenho certeza que será melhor. — assegurou ele, aproximando-a mais. — O que te incomoda?
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  — Os homens costumam perder o interesse quando conseguem o que quer. — alegou ela, a raiz da sua insegurança.
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  — Acredite, vou estar eternamente interessado em fazê-la se apaixonar por mim todos os dias após nosso casamento. — ele se aproximou mais para sussurrar em seu ouvido. — Eu te amo, Sollary.
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  Ele a beijou novamente com mais intensidade. Porém, antes que as coisas pudessem ficar mais quente entre ambos, o celular de tocou. Era seu pai confirmando o jantar de apresentação do noivo para ele. A residente riu da cara de tristeza que Baker fez e, se dirigindo para a porta, continuou a falar com o pai.
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  Na manhã seguinte, seguiu cedo para o hospital. Haveria inspeção de rotina da vigilância sanitária. Ela, como herdeira, foi convidada pelo seu tio e diretor para acompanhar todo o processo. Como sempre, a parte burocrática era o que lhe tirava toda a alegria da sua residência.
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  — Eu não aguentava mais. — disse ela ao se jogar em uma maca que estava vaga na enfermaria.
  — O que aconteceu? — Hill a olhou confusa, enquanto tentava não derrubar os prontuários em sua mão.
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  — Inspeção de rotina. — explicou a Sollary, fechando os olhos. — Parecia não ter fim as perguntas daquele senhor, mais um indicativo que essa coisa de ser a chefe não é pra mim.
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  — Você é a herdeira, uma hora terá que mandar. — Hill estava certa.
  — Troco tudo isso por seis horas fazendo uma cirurgia cardiovascular. — admitiu ela.
  Hill soltou uma gargalhada.
  — Bem filha do seu pai, amante do bisturi. — ela olhou para os prontuários em sua mão. — Estou curiosa para saber como será depois que se casar.
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  — Nem me fale sobre isso. — ergueu seu corpo. — Quase tive um pesadelo depois que anunciei para minha família.
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  — Como reagiram? — perguntou Hill, colocando os prontuários aos pés da maca.
  — Alguns surpresos, outros desacreditando e meu pai um misto de choque e euforia. — explicou a residente. — é um Baker, então eu acho que foi um ponto positivo.
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  — Imagino. — a amiga riu.
  — Onde está indo com tudo isso? — apontou para as pastas.
  — Estou levando ao nono andar. — respondeu.
  — Por que está levando ao administrativo? — ficou intrigada.
  — A partir de agora todos os prontuários serão encaminhados para conferência e arquivamento do setor administrativo, após a alta hospitalar do paciente. — explicou Hill.
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  — Quem deu o anúncio? — não sabia nada sobre aquilo.
  E o tio também não lhe informou naquela manhã.
  — Nossa residente chefe nos disse no plantão de madrugada. — contou.
  — Eu te ajudo então. — se levantou da maca. — Parece pesado.
  — Só um pouquinho. — ela Hill. — Seria legal se modernizassem tudo e os prontuários fossem em tablets, quem nem no Chicago Med.
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  — Adoraria, mas meu tio não confia em tecnologia, ele diz que algo que pode ser tão facilmente manipulado e hackeado pelo homem, não é confiável para a saúde humana. — contou ao ajudar a amiga em sua tarefa. — E os papéis sempre terão o seu valor.
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  — Documentos também podem ser alterados. — Hill segui pelo corredor sendo acompanhada por ela.
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  — Fique à vontade para argumentar com ele. — riu.
  Logo à noite, no restaurante Constance, e se encontraram com o atual chefe da família Sollary. O olhar de Gregori para o casal transmitia uma confiança discreta ao Baker, que finalmente teve a oportunidade de conhecê-lo. Sentada ao seu lado, se ajeitou na cadeira, deixando seu rosto mais suave, mesmo com o olhar curioso para o pai.
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  — Boa noite, senhor Sollary. — disse , em cumprimento ao sogro. — Prazer em conhecê-lo.
  — O prazer é meu. — Gregori apertou a mão do rapaz, voltando o olhar para a residente. — Confesso que estava curioso para conhecer o homem que conquistou minha filha, ainda mais sendo de uma família fundadora da Continuum.
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  — Acredite, não foi fácil. — disse , olhando-a também. — Passei dois anos lutando até que ela me deu uma oportunidade.
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  — Imagino, é como a mãe dela, difícil de conquistar a confiança, mas depois que conquista… — Gregori sorriu de forma saudosa, como se lembrasse da falecida esposa.
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  — Vocês estão me deixando envergonhada. — reclamou ela, mantendo-se séria.
  — Só estamos sendo sinceros, querida. — seu pai a olhou com carinho, então se voltou para Baker. — Serei sincero, não sou muito dessa ideia de casal moderno, então estou me perguntando se você vai fazer o pedido para mim também.
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   soltou uma gargalhada modesta e olhou para , que pareceu ser pego de surpresa.
  — Bem, como um cavalheiro, tenho muito respeito pelas tradições e… — o mecânico começou a se pronunciar.
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  — Pai, por favor… Vai me deixar ainda mais vergonhosa. — disse , interrompendo seu noivo.
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  — Querida. — seu pai a olhou um pouco frustrado. — Você é minha filha única, tenho sonhado com este momento há anos.
  — Para mim é um privilégio fazer isso. — alegou , voltando a atenção para o sogro. — Senhor Gregori Sollary, me concede a honra de me casar com sua filha?
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   se segurou na cadeira, sentindo o coração acelerado com o olhar fofo e apaixonado de seu noivo. Sentimentos novos que vivia graças a persistência de que em nenhum momento desistiu de conquistar seu coração. Imaginar que viveria uma cena assim em sua vida era quase surreal, mas ali estava ela.
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  — Contanto que faça minha filha feliz e seja sempre fiel a ela, tem toda a minha benção, Baker. — Gregori sorriu ao olhar a filha.
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  Após a pronúncia do chefe Sollary, finalmente eles fizeram o pedido ao garçom. Ao longo das conversas pelo jantar, Gregori demonstrou ainda mais sua curiosidade pela forma em que o casal se conheceu. Saber que sua filha havia salvado da vida do Baker lhe fez se sentir orgulhoso por ela, e ainda mais satisfeito em relatar a história a Allison Baker futuramente. O que mais lhe impressionou, foi saber que não se interessa pelos assuntos das Indústrias Baker, deixando toda a direção nas mãos de sua irmã mais velha.
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  A volta pra casa foi em risos de , comentando sobre os olhares admirados do pai dela. Era realmente inusitado ver alguém abrindo mão de sua herança para seguir um sonho simples de ser mecânico e ter uma oficina. Mas quem poderia julgar um sonho, já que havia passado a maior parte da sua vida no Sollary Hospital ansiosa para finalmente exercer a profissão como residente. Assim que chegaram em frente a porta de seus apartamentos, ele segurou em sua mão, a puxando para mais perto.
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  — Não queria dormir sozinho hoje. — disse ele, com um olhar chateado.
  — Sabe que preciso estudar, tem uma cirurgia complicada amanhã. — explicou ela. — Te vejo no almoço se tudo der certo?
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  — Sempre. — assentiu ele.
   lhe deu um selinho rápido e afastou-se abrindo a sua porta.
  — Boa noite, Baker. — ela o olhou.
  — Boa noite, Sollary. — ele sorriu de canto.

  Os dias passaram e finalmente o momento que mais temia chegou. A família Sollary se reuniu em um jantar de noivado promovido por Annia, na casa da família Baker em Manhattan. Até mesmo a matriarca Allison compareceu sendo acompanhada por sua irmã Irina, a tia excêntrica.
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  — Tio Gustav que iria se divertir com esse evento. — brincou Mayah ao rir do olhar vergonhoso da prima.
  — Annia Baker sabe mesmo promover uma recepção. — elogiou Rafaelli. — Sua cunhada é muito bonita.
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  — Ela é casada. — disse de imediato. — Com aquele cavalheiro de terno vermelho bordo.
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  — Hummmm… Muito bem casada. — comentou Mayah.
  — E super possessiva. — apareceu de repente, abraçando por trás e beijando de leve seu pescoço. — Se eu contasse o que minha irmã fez para ficar com Cedric, não acreditariam.
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  — Da Annia eu não duvido de mais nada. — comentou . — Ela é amiga da e da .
  — Quem são essas? — perguntou Rafaelli curioso.
  — É sério que está perguntando isso? — Mayah o olhou admirada.
  — Me desculpe, querida prima, se eu passei algum tempo fora de sintonia. — o tom suave de ironia soou dele. — Minha vida não gira em torno do noticiário da Continuum.
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  O que fez Mayah reagir com ela careta para ele.
  — e são duas amigas que ela fez no orfanato em que foi adotada. — explicou . — Orfanato Miral, não é?
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  Ela se moveu de leve e olhou para o noivo.
  — Sim. — assentiu .
  — Orfanato Miral, tipo aquele da lenda da herdeira Tenebrae? — perguntou Mayah.
  — O próprio. — respondeu .
  — Nossa essa lenda urbana ainda respira na Continuum? — Rafaelli riu. — Me lembro do meu pai falando sobre isso quando eu era criança.
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  — Como o tio Gustav sabia sobre isso, se o assunto só explodiu agora? — o olhou intrigada.
  — Foi o meu pai quem fez o parto da herdeira. Sua especialização era obstetrícia, não se lembra? — respondeu Rafaelli certo de suas palavras. — Ele vivia falando que foi uma dívida que pagou para o Godric Tenebrae e, com a ajuda do Isador Dominos, conseguiu salvar a vida delas.
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  — Delas? — ficou confuso.
  — Sim, da mãe e da filha. — esclareceu o Sollary militar. — Estou em choque que seja mesmo real a existência dela. Para mim sempre foi uma história maluca que meu pai contava pra eu e o Victor nos sentirmos orgulhosos dele.
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  — Verdade seja dita, o tio Gustav não estava muito bem da cabeça nos últimos anos por causa do Alzheimer. — comentou Mayah. — Mas não duvido que seja real essa história.
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  — Rafaelli, você por acaso teria algum documento do seu pai daquela época? — perguntou .
  — Eu não, mas o Victor ficou com todas as anotações e o diário do nosso pai. — respondeu ele. — Acho que posso pedir a ele. Você acha que tenha algo do caso lá?
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  — Pode ser que tenha. — olhou para seu noivo — No que está pensando?
  — Dependendo das anotações do seu tio, podemos saber quem é a herdeira sem precisar de um exame. — explicou . — Eu já sei que não é a Annia, mas temos outras três opções.
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  — Eu não acredito que seja a , ela é uma sliter. — tinha suas dúvidas quanto aos fatos apresentados. — Mas a … Ela é uma Fletcher. Donna é a sua avó e única viva que sabe quem é a herdeira.
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  — Uma bela forma de deixar a herdeira protegida é deixando-a o mais próximo possível. — completou pensativo. — Eu também acredito que seja a , mas precisamos ter certeza disso.
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  Tudo ficou um pouco silencioso entre o grupo de jovens das famílias.
  — Vamos mudar de assunto e comentar o olhar do tio Gregori enquanto conversa com a mãe do noivo. — comentou Rafaelli, fazendo todos voltarem os olhares para eles.
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  — Sendo sincera, estou mais preocupada com aquelas duas ali. — disse , voltando o olhar para sua cunhada que conversava de forma empolgada com sua tia. — Tenho medo do que elas são capazes, tia Joseline não sabe a hora de parar.
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   riu baixo.
  — E você ainda ri. — se mostrou indignada. — Eu jamais imaginaria que sua irmã tivesse esse lado, ela se tornou um monstro.
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  — Dizem que o casamento muda as pessoas. — brincou e levou um tapa da noiva. — Ai.
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  — Ai de você se mudar. — avisou ela.
  — Para melhor, minha querida. — ele lhe roubou um beijo, fazendo os primos dela rirem de ambos.
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  Este era um marco na Continuum; duas famílias fundadoras sendo ligadas não apenas pelos negócios em comum, mas também por dois herdeiros apaixonados.
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  O que deixava a lealdade entre ambas ainda mais forte.
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Épocas quentes, quando você abriu meus olhos
Toda a minha vida, eu só preciso de você
E eu preciso reconhecer,
Que mesmo se você disser que não me quer ou me fizer sofrer
Você vai ser a única pessoa pra mim.

– Hot times / SM The Ballad

32. Irmãos à obra

Dominos House, Chicago

  Nada como um dia após o outro. Esse era o lema da atual matriarca da família, Sophie Dominos. Uma frase motivacional que sempre utilizava com seus sobrinhos, quando percebia ambos sobrecarregados com suas emoções reprimidas. Tarde de sexta-feira, a única coisa que e sua amargura projetavam, era passar um tempo sozinho na adega da casa. Que mais uma vez enfrentou a fúria de um Dominos.
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  — Olha só, não sou o único que acha que esse lugar precisa de reformas. — brincou com seu tom irônico.
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  O chefe da família permaneceu parado na porta olhando o lugar. Em sua mente a lembrança do dia da demissão de sua sliter foi nítida e clara. O que o fez sentir um frio passar por seu corpo, deixando-o parcialmente angustiado. O gosto amargo da distância deu o ar da graça, e adentrando mais, ele fechou a porta.
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  — O que aconteceu? Não me diga que ela morreu. — continuou o mais velho.
  — Não… — , que estava deitado no chão, ergueu o corpo e o olhou. — Eu que me matei para ela.
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   apenas riu de leve, a passos silenciosos até o irmão e sentou ao seu lado. Não conseguia acreditar nas palavras dele, menos ainda no que fizera.
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  — Você terminou com ela? — o chefe Dominos franziu o cenho, tentando entender as ações do irmão.
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  — Será melhor assim. — alegou , seguro de sua decisão. — A Continuum achou ela porque me aproximei, não quero colocá-la em risco novamente.
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  — Ah irmão, pela primeira vez eu não concordo com o que fez, não acha que ela estaria mais segura perto de você? — ele manteve o olhar fixo no caçula. — A vida dela está em risco desde que nasceu, não faz tanta diferença assim, abrir mão dela para protegê-la… Não acho que tenha sido prudente.
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  — E se fosse o contrário? — o olhou.
  — Eu morreria pela . — admitiu sem ao menos pensar em suas palavras para pronunciá-las. — Mas ao contrário da sua bailarina, está longe por outro motivo.
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  — Qual? — indagou o caçula que até o momento não sabia muito da história.
  — Mentir para mim. — respondeu com precisão.
  — Eu não vou voltar a trás. — voltou o olhar para frente.
  — E o que pretende fazer agora? — indagou .
  — Voltarei a Seattle, farei a inauguração do meu restaurante e seguir em frente. — respondeu ele, seus planos. — Claro que, no meio disso, pretendo descobrir onde Andrei Tenebrae se esconde.
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  — Entra na fila. — brincou o Dominos primogênito. — Quero encontrá-lo tanto quanto todos os outros e tenho um aliado para isso.
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  — Quem? — o olhou.
  — Aaron Tenebrae, o irmão gêmeo dele. — respondeu.
  Ambos soltaram um suspiro e inclinou novamente seu corpo, deitando no chão. Manteve o olhar fixo no teto, enquanto tudo silenciava novamente. Em sua mente um turbilhão de pensamentos e arrependimentos. Ao mesmo tempo que desejava voltar a Los Angeles e mudar suas palavras a , ele temia por sua aproximação lhe prejudicar ainda mais. Assim como o irmão mais velho, ele só desejava não ser um Dominos por um dia, assim poderia pensar com mais liberdade sobre sua vida.
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  — Quando foi que se tornou tão difícil ser a gente? — perguntou .
  — Quando a ganância de alguns prevaleceu diante da amizade. — respondeu , num tom baixo relembrando do passado. — A ganância de um Tenebrae que se espalhou pela Continuum, mas logo será sua queda.
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  O chefe Dominos se referia ao Lionel, que ao roubar do irmão o controle de sua família, também usurpou o direito de dirigir a sociedade no lugar da família Dominos. A fagulha que faltava para explodir toda a discórdia entre as famílias e ameaças aos herdeiros. Adicionando a peça Andrei Tenebrae que aprendeu com o tio adotivo a ser ambiciono, tudo passou a ser ainda mais perigoso para todos.
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  — Você não vai mesmo contar? — insistiu , sobre o segredo de Miller.
  — Lembrar o assunto me faz reviver a dor de quando descobri. — confessou o Dominos chefe.
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  — Foi tão grave assim? — ele voltou o olhar para o irmão.
  — Como você se sentiria se depois de anos convivendo com a , descobrisse que ela tem um marido e duas filhas? — o olhou com frieza e amargura.
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  — A o quê? — ergueu seu corpo embasbacado com a revelação dele. — Isso é brincadeira.
  — Tenho cara de quem está brincando? — o tom sério dele fez o irmão engolir seco.
  — Isso é uma loucura, a sempre esteve ao seu lado , não faz sentido. — argumentou ele.
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  — Eu sei o que eu vi, a imagem de uma família perfeita e uma filha com saudades da mãe. — seu olhar ficou um pouco mais triste e raivoso. — Sem contar com o marido de olhar apaixonado, que me fez sentir vontade de socá-lo até a morte.
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  — Nunca imaginei algo assim vindo dela. — comentou ainda perplexo. — Estou mais chocado por sua reação pacífica.
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  — Não iria matar ele na frente da filha. — alegou o Dominos, rindo de leve.
  — Tem fundamento. — o outro riu junto — Então esse é o motivo real do afastamento dela.
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  — Sim…. — respirou fundo e também inclinou o corpo para se deitar no chão. — Mas confesso que realmente continuo confuso com tudo isso.
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  — Por quê? — o olhou.
  — Na festa da companhia ela disse para continuar e ir além do seu segredo, para ir até o final. — ele manteve o olhar no teto pensativo. — O que significa que…
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  — , seus segredos tem segredos. — completou o caçula. — Se existe mais verdade nisso, então deve ir até o final, irmão.
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  — Eu sei… — soltou um suspiro fraco e ergueu o corpo novamente, permanecendo sentado. — Só preciso ter coragem para enfrentar o que vou encontrar.
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  — Acha que ela não seja leal a você? — supôs ele.
  — Sempre que me pergunto isso, a imagem dela levando tiros no meu lugar surgem a minha mente. — as emoções de chegaram fortes naquele momento, sendo obrigado a reprimi-las. — Eu consigo ver no seu olhar que ela me ama, é por isso que nada se encaixa.
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  — Então definitivamente deve ir até o final. — aconselhou .
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  Antes de retornar a Seattle, passou mais alguns dias com sua família. Por mais que não tivesse interesse em administrar a empresa da família ao lado do irmão, ele precisava aprender a administrar seu próprio restaurante. O que o levou a passar uma semana inteira tendo pequenas aulas com o chefe Dominos sobre finanças, investimentos e contabilidade. Algo necessário a se ter conhecimento, mesmo contratando profissionais da área para se encarregar disso. Afinal de contas, estar somente na cozinha fazendo saborosos pratos era a metade do sucesso de um dono e chefe de cozinha, de um restaurante.
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  Tarde de domingo, horas antes do seu embarque, convidou o irmão para lhe acompanhar em uma caminhada ao pôr-do-sol no Millennium Park. Para relembrar os velhos tempos de liberdade e despreocupação com a vida adulta. Ambos em momentos tristes ou simples comemorações, sempre matavam aula para caminhar por horas sem direção naquele parque. Era a caminhada da reflexão ou da apreciação da natureza.
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  — Me aguarde em sua inauguração e reserve uma mesa para nossa família. — disse , após se voltarem para a saída do lugar.
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  — Claro que a mesa de vocês foi a primeira que reservei. — assegurou ele. — Se você não fosse, tenho certeza que nossas irmãs compareceriam.
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  — Quem você acha que sou para não lhe prestigiar? — ele se mostrou ofendido.
  — Não sei, você é uma caixinha de surpresas. — riu.
  — Quanta ofensa. — resmungou ele, voltando o olhar para frente.
  Logo por acaso avistou um rosto conhecido. Ele se viu intrigado por aqui e irritado também. Por qual motivo aquela pessoa que tanto odiava estaria fazendo ali em sua cidade. Sua atenção toda se voltou para essas indagações, enquanto manteve o foco na pessoa que adentrava uma cafeteria próxima.
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  — ? Está me ouvindo? — a voz de o despertou do inusitado transe. — Está tudo bem? Parece que viu algo errado.
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  — Sim, está sim, você aceita um café? — sugeriu o chefe Dominos, com a intenção de se aproximar do local onde a pessoa entrou.
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  — Bem, agora que disse, comecei a sentir uma necessidade forte de me alimentar. — aceitou o caçula. — Tem aquela cafeteria que costumávamos ir quando éramos mais novos.
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  — Eu tenho outro lugar em mente. — ele deu o primeiro passo seguindo para a cafeteria em questão.
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   não entendeu a princípio, porém seguiu o irmão. Coffee Kim era uma cafeteria de estilo coreano recém inaugurada na cidade. Talvez seja por isso que não tinha conhecimento sobre o local. E nem mesmo imaginava o que encontraria lá, ao entrar no estabelecimento. Seu corpo gelou e ao mesmo tempo ardeu de raiva ao se deparar com a cena de Fisher, a pessoa que avistou na rua, sentado em uma mesa na companhia de sua ex-sliter Miller.
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  — , não olha agora, mas… Uma pessoa conhecida acabou de entrar. — disse Fisher para a mulher, que manteve o olhar sereno para ele.
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  — Coincidências acontecem. — disse ela, dando um sorriso de canto. — Fique tranquilo, não vai fazer nada, haja com naturalidade.
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  — Você realmente confia muito nele. — alegou o homem.
  — Não imagina o quanto. — assegurou ela. — Mas vamos ao que interessa. Por que me chamou aqui?
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  — As crianças estão com saudade da mãe delas. — respondeu ele, seu olhar ficou triste.
  — Tem sido dias complicados para mim, mas… Acho que está na hora de mudar de endereço. — respondeu ela, subjetivamente.
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  Ambos controlaram seus olhares e mantiveram silêncio assim que os irmãos Dominos passaram por sua mesa, que estava mais centralizada no espaço. Somente depois que sentou de frente para a mesa deles, que direcionou seu olhar para ele e depois voltou para Fisher.
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  — Você tem certeza? — indagou Fisher.
  — Vocês não estão mais seguros em Lawrence, se até mesmo uma Tenebrae sabe onde estão, não quero que a existência das meninas e a sua chegue ao conhecimento de quem não deve. — explicou ela, com mais clareza.
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  — Então acha que o tal Andrei Tenebrae pode descobrir sobre nós? — Fisher se remexeu na cadeira um tanto preocupado. — , as meninas…
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  — Não vou deixar que ninguém se aproxime delas, eu prometo. — numa ação espontânea, segurou as mãos de Fisher, mantendo um olhar seguro para ele. — Elas são nossas pequenas pedras preciosas.
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  — Obrigado por não nos deixar. — o olhar de Fisher ficou mais emocionado para ela, o que a fez sentir um conforto no coração. — Tem sido dias difíceis para nós também, elas perguntam pela mãe e eu não posso dizer a verdade.
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  — Traga elas para Chicago, é a única forma de eu garantir a segurança de vocês. — pediu ela, sem medo das consequências daquela mudança de planos. — Prometo que não vou ficar mais longe de vocês, agora mais do que nunca preciso estar perto.
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  Miller sentiu uma pontada de tristeza seguido de angústia.
  Ela sabia que, de todos os segredos de sua vida, sua família era o que mais lhe deixava apreensiva e vulnerável. Por um breve momento ela se lembrou do nascimento da primogênita Jullie e de como o olhar doce da pequena lhe fez ter esperança e força para seguir adiante com tudo. Pela primeira vez em meses o coração duro de se encheu de emoção, fazendo uma singela lágrima escorrer em seu rosto. Fisher ergueu a mão e tocou em seu rosto com suavidade para limpar.
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  O clima estava calmo e sereno, até que uma ação repentina e furiosa de o fez agarrar Fisher pelo colarinho e socar sua cara, o derrubando no chão. A ação fora tão rápida que nem mesmo conseguiu ter alguma reação imediata. Somente depois que sua mente absorveu o ocorrido, que ela se levantou da cadeira e se colocou entre ambos, impedindo o Dominos de avançar novamente em Fisher.
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  — O que pensa que está fazendo, Dominos?! — ela manteve um tom baixo, entretanto sério.
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  — Saia da minha frente. — ordenou ele, com os olhos fervilhando raiva.
  — Não. — retrucou ela, com o olhar firme.
  — , vamos embora. — aconselhou , ao tentar segurar o irmão.
  — Eu não saio daqui até fazer o que desejo. — ele se manteve imóvel, encarando ela.
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  — Quando vai aprender a controlar seus impulsos? E pensar antes de agir? — o confrontou confiante por fora, mas por dentro trêmula e temerosa. — Ele não é o seu inimigo e para chegar em Fisher, terá que passar por mim.
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  — Então é isso? Vai defendê-lo é óbvio, é o seu marido. — cuspiu as palavras em sua cara. — Você é realmente uma farsa.
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  Fisher ainda caído no chão olhou para aquela cena confuso e atordoado. Não conseguia entender o motivo de tanta raiva que o Dominos possuía dele.
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  — Vamos , eu estou bem. — o homem se levantou e segurou no braço dela.
  — Não toque nela. — segurou a mão dele para afastar da sliter.
  — Não toque nele. — interferiu novamente, num tom mais rude. — Seu problema é comigo, e pelo que vejo, não levou minhas palavras em consideração.
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  — O que mais você quer que eu descubra, se tudo o que precisava ver, já vi hoje? — alegou o Dominos. — Não vou deixar que me enlouqueça.
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  — A verdade liberta não enlouquece ninguém. — ela deu um passo para se afastar e olhou para o irmão caçula. — está sobre a proteção da Darko, espero que esteja em paz com a sua decisão, pois foi o gatilho para ela se declarar abertamente como herdeira no futuro.
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  — O quê? — se mostrou surpreso.
  — Leia os jornais. — Miller se afastou na companhia de Fisher, seguindo para a saída.
  Novamente a misteriosa sliter deixou no ar seus mistérios e indagações. E não somente o chefe Dominos havia permanecido intrigado, como também o caçula.
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Essa melodia triste se assemelha a você
Ela me faz chorar eh eh
Seu aroma é um doce crime
Eu te odeio muito, mas ainda amo você.

– Stay / BlackPink

33. Valentine’s Day – Pt. 1

Sollary Hospital, Seattle

  E lá estava Sollary em mais um plantão no hospital da família. A noite havia sido turbulenta graças a um incêndio acidental em um evento beneficente que acontecia no prédio da Associação dos Comerciantes. A residente havia sido realocada na equipe de trauma, um pedido do pai que não se conformava por ela ter escolhido a cardiocirurgia como especialização definitiva. Algo que havia lhe deixado irritada.
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  — La… la… la… la… — Hill entrou no vestiário cantarolando e notou que estava deitada no banco. — Amiga?!
  — Hum. — a residente resmungou, permanecendo com os olhos fechados.
  — O que faz aqui? Achei que já tinha ido para casa. — comentou ela, olhando o relógio no pulso. — São seis da manhã.
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  — Eu sei. — continuou imóvel. — Eu só precisava de um lugar silencioso e a sala de descanso estava ocupada.
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  — Por que não foi para casa? — Hill se aproximou do seu escaninho e começou a trocar de roupa, não se importando com a presença dela.
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  — Eu queria cochilar um pouco, não vou voltar agora, consegui uma cirurgia com o doutor Voith. — explicou a Sollary.
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  — Você vai fazer uma cardio agora de manhã? Mas a Lins disse que você não estava nesse setor, e não me lembro de nenhum cirurgião com esse nome aqui. — Hill a olhou surpresa.
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  — Não vai ser aqui, vai ser no Seattle West Medical Center. — respondeu a residente, abrindo os olhos e erguendo seu corpo. — Um ex professor meu vai estar lá e me convidou para auxiliá-lo.
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  — E você via? — a garota ficou boquiaberta.
  — Claro. — assentiu . — Primeiro porque ele é o melhor em cirurgia cardio, e segundo, se não posso treinar na minha especialização aqui, procuro em outro hospital.
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  — Seu pai vai te matar. — comentou a amiga.
  — Não me importo, desde que me mate após as minhas seis horas de cirurgia. — piscou de leve para a amiga e se levantou. — Você, amanhã?
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  — Não, minha cara. — disse Hill. — A Lins me escalou para ficar na clínica até a próxima semana.
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  — Boa sorte. — disse fazendo uma careta estranha. — Eu vou para minha cirurgia.
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  Sollary pegou sua bolsa e o jaleco com empolgação e seguiu para o elevador. Ela já tinha cumprido com suas responsabilidades ali, então em seu tempo livre, poderia utilizá-lo da melhor forma possível. Ao chegar no Seattle West Medical Center, foi logo recebida pelo cirurgião chefe, doutor Yang.
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  — É um prazer para nós termos uma Sollary nos auxiliando hoje. — disse o homem com um olhar orgulhoso. — Espero que nossas instalações estejam a altura.
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  — Por favor, eu é que agradeço o convite do doutor Voith. — disse mantendo a humildade. — E falando nele, onde está?
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  — Já está aguardando a senhorita na sala de preparo. — respondeu Yang. — Me acompanhe.
  — Sim, claro. — assentiu o seguindo pelos corredores.
  Discretamente a residente analisou todo o lugar com seus olhares precisos. O hospital concorrente era tão moderno e com tecnologia de ponta quanto o seu, o que a impressionou de imediato. Chegando na sala de preparo, passou por todos os procedimentos de esterilização para entrar na sala de cirurgia. Visivelmente o doutor Voith estava mais animado do que ela por sua presença ali. A cirurgia começou e a residente aproveitou cada minuto das seis horas dentro da sala para tirar dúvidas e viver o momento. Pôde ter as honras de fechar o paciente e se sentiu com sorte por não ter tido nenhuma complicação.
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  Infelizmente não iria acompanhar o pós-operatório, mas já se dava por satisfeita ao viver aquela experiência. Após trocar de roupa novamente, o doutor Voith lhe convidou para um café.
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  — Ando curioso com uma coisa… — comentou Voith após serem servidos pelo atendente. — Me encontrei recentemente com o professor Parker e ele havia mencionado sobre sua inclinação para a neurocirurgia, quando foi que mudou para a cardio?
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  — Bem… — foi pega de surpresa e talvez nem tivesse uma resposta pronta para dar a ele. — A história é longa, confesso que sempre me interessei pela neuro por causa do meu pai, é a especialização dele. E confesso que ambas me chamavam atenção, o que não me deixava escolher com cem por cento de certeza, mas depois que auxiliei na minha primeira cardio, senti que havia encontrado meu lugar.
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  — Acho que te entendo um pouco, a primeira vez que segurei um coração pulsando em minha mão, senti como segurasse a vida. — contou o homem com os olhos brilhando. — Mas e o seu pai? O conhecendo bem, como conheço… Não aceitou bem, não é?
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  — Não, me proibiu de entrar numa cirurgia cardio no Sollary Hospital. — ela tomou o primeiro gole. — Me colocou no trauma como um tipo de “punição” eu acho.
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  Voith riu um pouco, conhecia muito bem o pai da garota.
  — E o que pretende fazer? Vai deixar a cardio e voltar para a neuro? — perguntou ele.
  — Não sei, estou voltando a ficar confusa novamente. — ela riu baixo e voltou o olhar para o lado.
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  Observou uma mulher com uma criança nos braços, se aproximando do balcão de atendimento. Por um leve momento fitou o olhar na criança e sentiu uma sensação estranha, o olhar da pequena lhe remetia alguém, que ela não conseguia se lembrar no momento. Voltando o olhar para o doutor, continuou conversando mais um pouco com ele até que se despediram. Sollary seguiu para casa, ela pensou em passar na oficina, porém seu corpo cansado demais só desejava relaxar e se desligar de tudo.
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  E foi o que fez quando entrou no seu apartamento. Apenas trancou a porta, retirou sua roupa e se jogou na banheira de espumas para finalmente ter seu momento de descanso. Após minutos ali, ela colocou o pijama e se deitou na cama, com o notebook ao lado para desfrutar a maratona do momento, da série House. Porém, antes mesmo que pudesse chegar no final do primeiro episódio, suas pálpebras pesadas demais a fez se render ao sono.
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  — Hum… — ela resmungou, após um longo tempo de sono, sentindo a presença de alguém ao seu lado.
  Seu corpo estava aninhado a outro, o que a fez abrir os olhos, tentando absorver a situação. Se remexendo, viu o olhar de para ela, com um sorriso singelo.
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  — O que faz aqui? — perguntou ela em sussurro.
  — Não consegui dormir. — respondeu ele. — Eu te acordei?
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  — Não. — ela sorriu de leve. — Como foi seu dia?
  — Cansativo e perturbador. — ele soltou um suspiro cansado.
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  — Por quê? — ela esfregou a mão nos olhos e ergueu um pouco seu corpo. — O que aconteceu?
  — Nossa madrinha de casamento me ligou. — contou ele, se aconchegando mais no travesseiro.
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  — Qual delas? — o olhar de ficou temeroso.
  — Annia. — respondeu.
  Até mesmo estava achando muito para sua irmã a forma como conduzia a notícia do noivado dos dois. Talvez pelas coisas estarem estáveis na empresa e Annia não ter nada para lhe distrair, que lhe faça esquecer o irmão. Mas o fato é que Baker tinha passado toda a tarde pensando sobre o futuro dele com , e não queria que ninguém interferisse na vida de ambos. Seu desejo de não ter sua vida envolvida diretamente com a Continuum era real e ativo. O que significava que um casamento discreto e simples só seria possível sem a interferência de ambas as famílias.
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  — O que ela queria? — perguntou .
  — Falar com minha noiva. — ele respirou fundo.
  — Annia ligou para você, querendo falar comigo? — a residente se viu confusa. — Não seria mais lógico ligar para mim?
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  — Seu celular estava desligado. — pontuou ele.
  — Ah, eu estava em uma cirurgia. — ela desviou o olhar para a aliança em seu dedo, pensando no peso que aquilo estava se tornando. — Me desculpe, por…
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  — Nem ouse terminar. — ele a interrompeu. — Está tudo bem e eu já tive uma ideia.
  — Qual? — ela o olhou.
  — Terá que confiar em mim. — ele sorriu de canto.
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   arqueou a sobrancelha direita, intrigada com suas palavras. Na manhã seguinte, a residente fora sequestrada por seu noivo que numa viagem inesperada, seguiram de Seattle para outra cidade. Uma ideia maluca e ao mesmo tempo genial na concepção dela. Algo que somente teria a ousadia de pensar e executar sem o menor problema.
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  — Você é louco, não é? — comentou ela, rindo de tudo aquilo.
  — Por você? Com certeza! — garantiu ele. — Eu prometi que não te deixaria desconfortável, não prometi?
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  — Sim. — confirmou ela. — Eu só não esperava por isso.
  Ela olhou mais uma vez ao seu redor, o jardim da pequena igreja estava tão lindo e iluminado naquele final de tarde, que a residente apenas sentiu-se aquecida por dentro. Jamais imaginou se casar em um lugar assim, sem a presença de seus familiares, mas estava se divertindo com a ideia e com o fato de serem apenas os dois ali. E claro alguns desconhecidos de testemunha.
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  — Quem em sã consciência se casa de verdade em Vegas? — questionou , rindo de leve. — Principalmente nesta data, você sabe que dia é hoje, Baker?
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  — Claro que sei, dia dos namorados. — ele a segurou pela mão e sorriu de canto. — O dia em que me tornarei para sempre seu.
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  A Sollary sentiu seu corpo arrepiar de leve. sabia muito bem ser intenso quando queria. Com o coração acelerado, os noivos em fuga se aproximaram do altar improvisado e a cerimônia deu início. Com os olhos brilhando apenas saboreava o momento sentindo o olhar de Baker voltado totalmente para ela.
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  — Senhor Baker, é de livre e espontânea vontade que deseja se casar com a senhorita Sollary? — perguntou o juiz de paz.
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  — Sim. — disse ele, piscando com malícia para ela.
  — Senhorita Sollary, é de livre e espontânea vontade que deseja se casar com o senhor Baker? — agora o juiz perguntou para ela.
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  — Hum… — fez um charme inicial, mas assim que o sorriso saiu em seu rosto, confirmou o que estava em seu coração. — Sim.
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  — Pelos poderes do estado concedidos a mim, eu vos declaro casados. — disse o homem, finalizando a cerimônia. — Pode beijar a noiva.
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  Não demorou segundo até que os lábios de encontrassem os de . Um beijo longo e doce que marcava uma nova etapa naquele relacionamento, que demorou para acontecer, mas finalmente era real e sólido.
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  — Eu te amo. — se declarou.
  — Idem. — disse ela, com seu jeito de ser. — Agora não tem mais volta, não vai mais se livrar de mim.
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  — Sou eu quem deveria dizer isso. — ele riu, envolvendo-a em seus braços pela cintura. — Não vai mais fugir de mim, Sollary.
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  — Eu não quero fugir de você, Baker.
  Outro beijo foi iniciado entre o casal, que resolveu passar mais algum tempo naquele belo e inspirador jardim. Como Baker havia pensado em cada detalhe, a noite prosseguiu com um jantar à luz de velas no terraço do Village Hotel Cassino. O menu agraciado com um cardápio italiano, regado a romance e muitos olhares apaixonados do noivo.
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  — Você realmente não deixou nada passar, não é? — comentou , ao limpar de leve o canto de sua boca com o guardanapo.
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  Após alguns petiscos de entrada, ter um canelone de espinafre aos quatro queijos de prato principal a deixou boquiaberta. Até mesmo o vinho Le Blanc Rosé, deixava mais envolvente o momento.
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  — Consegui te impressionar? — perguntou ele, com um sorriso bobo.
  — Você sempre me impressiona, desde a primeira vez. — afirmou ela.
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  — Isso é bom. — manteve um brilho no olhar.
  Por dentro, Baker estava em êxtase total. Havia valido a pena perseverar e não desistir de ter a oportunidade de conquistar a mulher mais maravilhosa que conhecia. De uma admiração pela, na época, interna que o salvou, seus sentimentos foram crescendo e amadurecendo até que se transformaram em amor e amizade. Ele sabia que podia contar com ela, assim como se colocava como seu ombro amigo e suporte.
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  — Nossa família vai surtar com a gente. — ela soltou uma risada boba. — Mas esta tem sido a melhor noite da minha vida.
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  — Nossa noite ainda não terminou. — avisou ele. — Mas, quanto a nossa família, todos sabem o quão discretos desejamos ser.
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  — Hum… Mas eu não possuo ninguém para ficar em meu lugar, como você tem a Annia. — questionou ela. — Ainda assim, sempre serei vista por todos.
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  — Esse fardo não precisa carregar sozinha. — segurou em sua mão, entrelaçando seus dedos. — Sabe que pode contar comigo, eu não tenho habilidades com um bisturi, mas…
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  — Eu sei. — ela sorriu de leve. — Não imagina o quanto sou grata por isso… Por não ter desistido de… Você sabe.
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  — Acredite, valeu a pena esperar por você… E foi divertido. — ele se levantou da mesa e a induziu a se levantar também. — Me concede essa dança?
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  — Não sou muito boa com danças. — alegou ela.
  — Prometo conduzi-la da melhor forma possível. — assegurou ele.
   assentiu com um frio na barriga.
   a guiou para mais afastado da mesa, e ao som dos músicos que tinha no local, uma cortesia do hotel, ele começou a se mover com leveza. Seu olhar fixo em sua agora esposa, Baker apenas a fez dar pequenos passos se aninhando a ele, para lhe transmitir segurança. A mistura de alegria e descoberta passou pela residente, afinal, a única vez que dançou com alguém que não fosse da sua família ou um Dominos, foi na formatura do ensino médio. O pior é que a jovem teve o leve azar de pisar no pé do garoto durante toda a música.
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  — Isso não é um sonho, não é? — sussurrou ela.
  — Se for, não a deixarei acordar. — sussurrou ele de volta.
  Sob a luz da lua, mesmo com o frio do final do inverno. Ambos se sentiam aquecidos internamente. Um calor que foi aumentando gradativamente quando o casal finalmente chegou em sua suíte vip. Com o coração acelerado, só conseguia sentir a necessidade de retribuir da forma mais singela e doce o amor que Baker lhe oferecia.
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  Seus beijos e carinhos sendo cada vez mais intensos a deixava um tanto surpresa e desnorteada ao mesmo tempo. Como se seu agora esposo estivesse se segurando todo aquele tempo. De fato, suas palavras de se entregar totalmente a ela agora faziam sentido. E mesmo que a residente tenha ficado assustada inicialmente, aos poucos seus sentidos e sua entrega já estavam no mesmo ritmo proposto por ele.
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  — Baker pensativo? — comentou ela, ao notá-lo silencioso demais. — Alguma coisa que o preocupa?
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  — Só estava ouvindo seu coração bater. — respondeu ele, aninhando mais o corpo dela ao seu. — Por quê?
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  — Nada… — ela riu baixo. — Esqueci de te dar feliz dia dos namorados…
  — Bem… Digamos que para um primeiro dia dos namorados começamos bem…
  Ele riu também e respirou fundo.
  — Em um curto espaço de tempo, estou eu aqui casada com você. — ela se remexeu na cama e o olhou. — Como conseguiu fazer isso?
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  — Com o meu charme. — respondeu ele, de forma presunçosa e fofa.
  — Seu bobo. — ela manteve o olhar sério.
  — Parece que alguém aqui perdeu uma aposta e está preocupada. — ele sorriu de canto com malícia.
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  — Quem disse que estou preocupada. — ela se afastou um pouco.
  Porém ele a puxou para mais perto.
  — O que você quer? — perguntou ela.
  — Não preciso de mais nada… — assegurou ele. — Você é tudo que eu queria.
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   se inclinou sobre ela e iniciou mais um de seus beijos intensos e ardentes. Não seria apenas aquela noite, mas Baker havia reservado toda aquela semana para eles, como uma lua de mel nada improvisada. Pelo contrário, cheia de detalhes milimetricamente planejados por ele.
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Eu não soube logo de início
Como comecei a te amar
Eu ainda não conheço meu coração
Mas mesmo assim, mesmo assim eu te amo.

– Standy By Me / Boys Over Flowers OST (SHINee)

34. Valentine’s Day – Pt. 2

Instalações Darko, Rússia

  Em um ponto escondido de Ergaki, uma cordilheira nas montanhas Sayan Ocidentais ao sul da Sibéria, na Rússia, estava a maior instalação Darko existente. Matriz e mais completo centro de treinamento da agência. Lá estavam Fletcher e Bellorum, descendo pelo elevador até o subsolo, onde se concentravam as instalações. Como tudo era novidade para a bailarina, seu olhar impressionado e curioso estava atento a cada detalhe do lugar.
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  — Impressionada? — perguntou .
  — Você não imagina o quanto. — assentiu ela, rindo de leve. — Quando me contou sobre a Darko, eu juro que imaginei esse lugar de uma forma totalmente diferente do que é, e não tinha nada de subsolo no meio.
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  — Essa região é bem fria nessa época, consegue sentir que aqui dentro está numa temperatura agradável? — comentou ele.
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  — Sim. — ela continuou o acompanhando, enquanto seguiam pelo corredor dos dormitórios.
  — Foi projetada para nos transmitir conforto, segurança, estabilidade e não ser encontrada pelo inimigo. — brincou ele com a última parte.
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  — Hum… Virou KGB agora. — ela riu, brincando de volta.
  — A Darko presta serviços para muitos países e pessoas específicas em particular, o que nos deixa obter informações valiosas que podem ser desejadas por outras agências. — explicou ele.
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  — A Darko pertence a Continuum? — indagou ela, tentando entender melhor.
  — Não, prestamos serviços a Continuum, mas a Darko é uma agência criada pela minha família em conjunto com a família Baker. — respondeu ele com mais clareza.
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  — A família do . — concluiu ela.
  — Sim.
   soltou um suspiro fraco.
  — Soube que ele está noivo da Sollary; tenho saudades dele, nos tornamos bons amigos. — comentou ela, num sentimento de nostalgia ao se lembrar de suas risadas com o amigo.
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  — Imagino que sinta falta de Seattle. — comentou ele, ao parar em frente a um quarto.
  — Sim, por mais que lá tenha sido minha válvula de escape das pressões da minha mãe, eu aprendi a gostar da minha vida pacata de professora da dança. — assentiu sem dúvidas do que sentia — Agradeço por dizer a elas que estou bem.
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  — Confesso que me impressionou a forma em que sua mãe me atendeu ao telefone. — digitou uma senha na fechadura eletrônica e abriu a porta. — Aqui está seu quarto, podemos configurar uma nova senha se quiser.
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  — Ah não, pode ser esta que digitou, parece ser fácil de lembrar. — disse ela, entrando após ele.
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  O quarto ao mesmo tempo que era simples, transmitia aconchego e segurança. se afastou do rapaz e adentrou um pouco mais observando cada detalhe, desde os móveis em sua maioria de metal, até as roupas que estavam no armário próximo a cama. Não eram dela, mas notou que tinham o seu tamanho. Logo mais adiante, na mesa de cabeceira, um porta-retratos lhe chamou a atenção, uma foto de anos atrás do seu grupo de amigos em uma viagem que fizeram a Malibu. também estava naquela imagem, visivelmente com o olhar para ela.
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  — Eu me lembro desse dia. — comentou ela, mantendo o olhar na imagem. — Me lembro dessa viagem…
  — Se eu pudesse, teria feito tudo diferente depois… — ele deu alguns passos se aproximando. — Foi a melhor época da minha vida.
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   o olhou e pode perceber traços de amargura e tristeza no olhar de Bellorum. Deixando o porta-retratos no lugar, manteve sua atenção nele.
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  — Este quarto era seu? — perguntou.
  — Sim. — ele confirmou, apenas pedi que colocassem algumas roupas para você aqui.
  — Depois que terminou comigo, você veio morar aqui? — continuou ela.
  — Sim. — mais uma vez assentiu. — Quer mesmo falar do passado, ?
  — Acho que não. — ela riu de leve. — Por quanto tempo vou ficar aqui?
  — Annia aconselhou por duas semanas, até conseguirmos marcar a reunião dos herdeiros. — respondeu ele. — Eu farei isso pessoalmente, como o futuro diretor da Darko.
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  — Devo considerar que sua agência tem alguma influência na Continuum? — ela começou a refletir um pouco.
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  — Como uma família de militares, somos responsáveis por manter o cumprimento das leis da Continuum. — explicou ele.
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  — A Continuum tem leis? — por essa não esperava.
  — Claro, não somos uma sociedade sem regras, e são elas que não deixaram uma guerra estourar ainda. — suspirou fraco. — Vou deixá-la descansar um pouco, aquela porta é o seu banheiro privado, tem toalhas limpas nos armário.
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  — Obrigada. — ela sorriu de leve.
  — Está com fome? — perguntou ele.
  — Bem… Depois de algumas horas de voo, acho que sim. — ela riu.
  — Assim que descansar, venha até o refeitório. — disse ele.
   assentiu e permaneceu o observando se afastar. A bailarina tinha muita coisa para aprender sobre a Continuum e tudo que rodeava esse universo. Mas uma coisa de cada vez, afinal, a Darko era sua nova descoberta e ela queria explorar aquele lugar ao máximo que conseguiria. Após um banho quente e colocar um conjunto de moletom que encontrou no armário, se deitou na cama, permanecendo com o corpo reclinado por um tempo.
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  Estar ali, mais próxima de , era como voltar ao passado. Inegável que seu coração quebrado por , estava lutando para não confundir as coisas. agora era um amigo do qual poderia se apoiar, mas o olhar ainda apaixonado dele para ela a deixava desnorteada.
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  — Preciso manter a minha mente em ordem. — sussurrou ela para si mesma. — , pare de pensar besteiras… é quem você ama, não é?
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  Ela fechou os olhos e suspirou fraco. Inevitavelmente o término com o Dominos veio em sua memória, assim como o dia em que o Bellorum a deixou. Dois relacionamentos quebrados por causa da Continuum, duas vezes que seu coração chorou com um rompimento. A dor era a mesma e conhecida, apenas a intensidade que havia ficado maior.
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  Erguendo seu corpo a bailarina levantou da cama para ir ao refeitório, assim que abriu a porta, foi surpreendida com a figura de uma mulher com uma bandeja de lanche nas mãos. não reconheceu aquele rosto, mas claramente o olhar da mulher era familiar para ela.
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  — Fletcher — disse a desconhecida.
  — Sim, e você? — perguntou.
  — Nissah Petrov. — se apresentou com o olhar confiante. — Posso entrar? Lhe trouxe seu jantar.
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  — Claro. — sorriu e abriu mais a porta.
  Nissah entrou e se aproximou da mesa de refeições colocando a bandeja em cima. A mulher por já ser familiarizada com o lugar, não se importou em observar o quarto em que a bailarina havia sido instalada. Para a agente da Darko, ver novamente uma criança do orfanato Miral era relembrar aquele tempo com clareza.
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  — Eu ouvi um pouco sobre a sua história, Nissah. — se pronunciou após fechar a porta e se aproximar da mesa e se sentar na cadeira, convidando-a para fazer o mesmo.
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  — Também me falaram sobre a sua. — a agente se sentou de frente para ela, olhando-a com curiosidade. — Só tem meses que fui salva por um agente da Darko, não conheço muito sobre a Continuum, mas minha vida correu risco por causa desse mundo… Por eu ter sido uma órfã do Miral.
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  — Posso lhe dizer o mesmo. — concordou , mantendo o olhar nela. — Este não era o seu nome, não é?
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  — Não, antes de ser resgatada da morte, eu era conhecida como Natasha Ivanov. — respondeu Nissah, se lembrando vagamente do seu antigo rosto. — O homem que me adotou prestava serviços para a máfia russa, de alguma forma isso me deixou exposta e Andrei Tenebrae soube do meu passado, de onde fui adotada.
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  Somente Petrov sabia o quanto tinha sofrido na noite em que fora deixada quase sem vida na floresta Chernyayevsky na cidade de Perm, ao leste da parte europeia da Rússia. Sua recuperação lenta e dolorosa, foi acompanhada de perto pela médica/cientista Irina Baker, que fez o seu melhor para reconstruir o rosto deformado da garota, assim como parte do seu corpo quebrado de tanto ser espancada. Nissah Petrov não era mais uma pessoa comum, partes de metal e tecnologia compunham seu corpo agora, o que ajudava em sua função como agente alpha da Darko.
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  — Eu lamento pelo que aconteceu com você. — disse , num tom mais baixo. — Parece que todas nós do orfanato Miral viramos alvo dele.
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  — A herdeira Tenebrae é o seu alvo, nosso erro foi estar no lugar errado na época errada. — Nissah via aquela situação como uma espécie de azar, porém sua sede de vingança não a deixava baixar a guarda.
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  — Quem da Darko te resgatou? — perguntou curiosa.
  — Capitão Nikolai Bellorum. — respondeu ela.
  — Acho que me lembro vagamente desse nome. — afirmou , vasculhando sua memória. — Ele é primo do ?
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  — Sim. — assentiu Nissah, olhando curiosa para a garota. — Não vai comer?
  — Ah sim, é que são tantas informações e histórias, que ficou ainda mais impressionada. — riu ao se levantar e ir até o banheiro para lavar as mãos.
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  Ao voltar, desfrutou um pouco mais da companhia de Nissah em saboreou o lanche preparado para ela. Ver novamente outra criança do orfanato Miral tinha deixado a bailarina empolgada de alguma forma. Triste por ter a confirmação vinda de Nissah que as outras duas crianças tinha sido eliminadas por Andrei, mas feliz por que a agente havia tido uma segunda chance de vida.
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  — Eu acho que me lembro de você, de tê-la visto em Seattle no ano passado. — comentou .
  — Sim, eu estive na cidade com Nikolai, conseguimos um informante que poderia nos levar a Andrei, mas… Ocorreram alguns contratempos.
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  Contratempos chamado fúria Petrov.
  — Ahh… Entendo. — voltou o olhar para o copo de suco em sua frente. — Nissah, eu vou passar alguns dias aqui na Darko, posso te pedir uma coisa?
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  — Se estiver ao meu alcance. — a agente a olhou.
  — Você treinaria comigo? — pediu ela. — Recentemente aprendi algumas técnicas de defesa pessoal e preciso praticar.
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  — Claro, acho que não teria nenhum problema. — Nissah se manteve com o rosto sereno, havia se simpatizado com a ingênua garota em sua frente.
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  Uma noite de sono agradável e logo pela manhã ao acordar, se deparou com um olhar amigo de para ela. Sentiu-se estranhamente bem por aquela surpresa e com um sorriso suave no rosto, se espreguiçou um pouco.
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  — Bom dia, flor do dia. — disse ele, se mantendo encostado na porta de braços cruzados.
  — A que se deve a honra de ser acordada pelo diretor da Darko? — brincou ela.
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  — Ainda não sou o diretor. — corrigiu ele. — Sou um agente em treinamento.
  — Você é o herdeiro. — argumentou a bailarina.
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  — Que tal um café? — disse ele, mudando o assunto.
  — Preciso de cinco minutos para trocar de roupa. — ela se levantou da cama, e colocou a mão na cintura, esperando-o se retirar.
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  — Hum… — não se conteve em olhá-la de cima para baixo, focando um pouco em suas pernas.
  Um tanto sugestivo para ele, que controlou os pensamentos maliciosos e abriu a porta saindo em seguida. riu de leve, pois a cena a fez lembrar de um ensaio com seu grupo de dança da escola, que acabou acompanhando. No final, resultou na escapada de ambos para a biblioteca, para beijos secretos em meio aos livros.
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  — Estou pronta. — disse ela, vestindo outro conjunto de moletom agora preto.
  — O que deseja para o café? — perguntou ele.
  — Posso escolher? — ela ficou surpresa. — Achei que aqui fosse daqueles lugares em que a refeição é pré definida e balanceada.
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  — Digamos que para você, eu abro uma exceção. — brincou ele.
  — E ainda diz que é só um agente em treinamento. — ela riu baixo. — Daqui a pouco vou achar que estamos em um acampamento de férias.
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   riu juntamente com ela e pegando sua mão, a conduziu pelo lugar. Foi um breve tour mostrando as partes mais importantes das instalações. Até que chegamos a cozinha e o masterchef Bellorum, colocou um avental para preparar o café da manhã. estava mesmo admirada com todas as novidades sobre a vida dele, após alguns anos sem notícias.
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  Atenta aos seus movimentos, um breve silêncio se instalou na cozinha.
  — Confesso que te ver assim me deixa ainda mais impressionada. — disse , se sentando na baqueta e debruçando sobre a bancada, enquanto o observava.
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  — Não entendo o porquê? — ele riu, mantendo a atenção nas panquecas que preparava. — Eu sempre cozinhei e você sabe disso.
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  — Que eu me lembre, você só sabia fazer espaguete com almôndegas. — alegou ela em sua defesa. — Desde quando sabe fazer panquecas? E um jantar completo? Isso é realmente novidade para mim.
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  — Minha avó sempre dizia que conquistou meu avô pelo estômago. — ele desligou a trempe e colocou o prato de panquecas em sua frente. — Então eu pensei, será que consigo reconquistá-la assim também?
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  O olhar de ficou mais intenso para ela, o que a fez sentir seu corpo arrepiar. não sabia como reagir a isso, e ao tentar fazer algo quase se desequilibrou da banqueta.
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  — Não pensei muito no que eu falei. — disse ele, de forma mais descontraída. — Leve como uma brincadeira, eu apenas passei um bom tempo como agente disfarçado em uma cozinha de restaurante.
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   puxou outra banqueta e se sentou de frente para ela.
  — Bom apetite. — disse ele.
  A bailarina continuou em silêncio, com um leve sorriso começou a comer. O sabor da panqueca estava tão gostoso que a levou até um natal em que sua avó Donna passou com ela e a família na cidade de Cliron. Aquele foi um ano feliz e motivador em que tinha finalmente se decidido pelo curso de dança para seu futuro acadêmico. Logo o olhar dela notou que a atenção de estava em sua direção.
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  — O que foi? — perguntou ela.
  — Você está pensativa… Seu olhos brilharam um pouco. — comentou ele.
  — Tive um pensamento feliz… — explicou ela. — E suas panquecas conseguiram superar as da tia Beth.
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  — Sério? — ele ficou embasbacado. — Por essa eu não esperava.
  — Só não conte isso a ela, senão, serei deserdada. — brincou.
  Ambos riram.
  — Que pensamento teve? — perguntou ele.
  — Do natal que me decidi pelo curso de dança. — contou.
  — Foi nosso último natal juntos. — comentou ele, soou com frustração.
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  — Foi um dos melhores da minha vida. — ela sorriu de leve. — Obrigado pelo café da manhã, tem um gosto de nostalgia, mas me deixa feliz.
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   sorriu de canto e voltou a olhar para seu prato. Após o café, ambos conversaram mais um pouco, até que ele precisou se ausentar por algumas horas. Pouco antes do final da tarde, se cansou dos livros da biblioteca e resolveu caminhar um pouco pelo lugar. Foi quando achou a sala de treinamentos, que justo naquele momento estava ocupada. Ela considerou algo positivo, pois pode observar um pouco os agentes que estavam lá. Um deles era Nissah e o outro o tal capitão Nikolai Bellorum.
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  — Incrível. — sussurrou a bailarina ao ver a mulher se movendo de forma habilidosa, enquanto desviava dos golpes do capitão.
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  Quanto mais descobria como as crianças que um dia estiveram com ela no orfanato Miral, cresceram e se tornaram fortes mulheres, mais ela desejava ser como elas. Proteger a si mesma e mostrar a todos que não era tão indefesa quanto achavam.
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  — Quer treinar um pouco? — perguntou Nissah ao vê-la observando.
  — Ah não, acho melhor não. — disse um pouco assustada pela abordagem dela.
  — Te espero lá em cima. — disse Nikolai para sua agente, seguindo para a saída. — Bem-vinda a Darko, senhorita Fletcher.
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  — Obrigada, capitão Bellorum. — disse ela, mantendo a formalidade proposta.
  Ambos continuaram em silêncio até o homem desaparecer em seu campo de visão.
  — Eu adoraria ficar e treinar com você mas… Tenho um trabalho para executar. — disse Nissah ao se aproximar das prateleiras de instrumentos. — Mas posso te sugerir começar pelo básico.
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  — Básico? — adentrou mais o lugar, se aproximando dela.
  — Sim. — Nissah pegou um par de luvas de boxe e entregou a ela — A melhor forma de aumentar sua força e resistência é com isso.
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  — Sério? — pegou as luvas com receio.
  — E uma dica: eu sempre penso no meu maior inimigo quando começo a socar os sacos de areia. — sugeriu Nissah. — Ajuda a me manter motivada.
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   assentiu e agradeceu pela ajuda. Assim que a agente se retirou, ela colocou as luvas e se colocou em frente a um dos sacos de areia que tinha pendurado por uma correndo ao teto.
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  — Um inimigo… — ela respirou fundo. — Andrei Tenebrae.
  O primeiro soco saiu e ela sentiu o impacto de sua mão seguido de dor. Não estava acostumada com aquilo, mas queria fazê-lo parte de sua vida agora. Mais um tempo ali até que se sentiu cansada, a bailarina parou por um momento e apenas ficou encarando o saco de areia. Retomando seu fôlego.
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  — Você está tentando esgotar suas energias ou treinar? — a voz de soou atrás dela, deixando-a imóvel.
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  — Oi… — ela se virou para ele e sorriu com singeleza. — Desde de quando está me observando?
  — Não tem muito tempo, mas… Foi divertido, te ouvir xingar o Andrei. — ele riu.
  — A Nissah me disse que pensar em nosso inimigo quando estamos fazendo isso ajuda a motivar. — explicou ela.
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  — Boa motivação. — ele deu mais alguns passos até chegar nela. — Posso participar?
   assentiu o observando. Logo se colocou atrás dela, tocando em seus braços e a posicionando da forma correta.
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  — Quando estamos em combate, temos que ter estabilidade e equilíbrio, deixando seu corpo assim, você consegue manter sua força e atacar. — continuou ele, falando mais próximo ao ouvi dela.
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  Fletcher que até o momento estava atenta a ele, assentiu voltando seu rosto para frente.
  — Ataque. — disse ele.
  Logo a bailarina fez o primeiro movimento socando o saco de areia. se afastou um pouco dando espaço a ela e ficando de frente para a garota, segurou o objeto para dar mais precisão a ela. Aos poucos foi se sentindo mais relaxada e descontraída, até que finalmente se cansou por completa e afastou-se do saco de areia.
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  — Agora estou cansada. — afirmou ela.
  — Consigo perceber isso. — ele sorriu e se aproximou dela. — Como foi o seu dia? Me desculpe por tê-la deixado sozinha.
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  — Ah, fique tranquilo, eu descobri um sofá bem confortável na biblioteca e acabei tendo uma tarde de leitura. — contou ela, com um suspiro fraco.
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  — Tenho te proporcionado alguns momentos de nostalgia com o passado? — indagou ele.
  — Um pouco. — ela manteve o olhar baixo, relutante em encará-lo.
  Internamente estava se sentindo mais confortável pela aproximação de , o que a deixava assustada consigo mesma. E o fato de saber que ele ainda tinha sentimentos por ela, deixava tudo ainda mais confuso em sua mente.
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  — Mas estou feliz por isso. — sua voz ficou mais baixa.
  — … — tocou em seu rosto, fazendo-a olhá-lo.
  — Sim? — a bailarina se sentiu ansiosa naquele momento, com o corpo trêmulo e a respiração descoordenada.
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  Ele deu um passo para mais perto. estava mesmo se segurando, não queria forçar nada e sabia que ela ainda tinha sentimentos por seu amigo. Mas tê-la ali diante dele, na situação em que se encontravam, o deixava ainda mais instável. Em uma impulso involuntário, fechou seus olhos, fazendo-o se lembrar de quando namoravam. Era um convite para o próximo passo ser dele.
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  Com o coração acelerado e ignorando todos os prós e contras, se inclinou um pouco mais e permitiu que seus lábios tocassem os dela. Algo que desejava fazer a tanto tempo, estava acontecendo. Sentia a suavidade vindo dela e sua doçura, era como um momento de rendição para o Bellorum. O corpo de sentiu um breve arrepio assim que ele tocou em sua cintura a puxando para mais perto. Ela não sabia o motivo de ter fechado os olhos e talvez quisesse ter aquele momento para entender o que realmente ainda sentia por ele.
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  O fato é que ambos precisavam definir de uma vez por todas o que sentiam. Se esta história teria uma vírgula ou um ponto final.
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  — Me desculpe… — sussurrou ele, mantendo seus rostos próximos.
  Conseguiam sentir a respiração um do outro. Ele não estava arrependido pelo beijo, mas de alguma forma se sentia culpado.
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  — Não precisa se desculpar, eu permiti. — disse ela, não entendendo sua reação.
  — Você está confusa neste momento, … Pelo término do seu namoro com o e, não quero me aproveitar disso para ter você de volta. — o argumento de era válido, deixando-a pensativa e admirada.
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  — Eu… — ela tentou dizer algo, mas lhe faltaram as palavras.
  — Que tal aproveitarmos o restante do dia mantendo a nostalgia. — sugeriu ele, mudando o rumo do assunto. — Já olhou a data de hoje?
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  — Hum… Já e não quero falar sobre isso. — ela cruzou os braços, não queria se deixar ficar triste.
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  — Não pode ignorar o dia dos namorados. — brincou ele.
  — Você acabou de me beijar e quer ignorar isso. — retrucou ela, com um olhar debochada.
  — Não misture as coisas. — ele sorriu de canto.
   jamais iria ignorar aquele momento, apenas não queria se aproveitar do momento de sensibilidade em que vivia.
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  — Amigos também celebram o dia dos namorados. — ele segurou a mão dela e a puxou para saírem da sala de treinamento.
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  — Não sabia disso. — ela riu de leve, se deixando ser guiada.
  — Não que eu esteja te propondo uma amizade colorida… O que de fato é tentador. — ele a olhou com certa intensidade.
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  Fazendo o coração dela acelerar.
  — Seu bobo. — desviou o olhar, respirando fundo e rindo mais.
  Alguns minutos se passaram com a parada de ambos em seus quartos para tomarem um banho quente e trocar de roupa. deu dois toques na porta do quarto dela, e a levou até a biblioteca. Havia uma porta discreta bem ao fundo do lugar que dava para uma sala multimídia. Ambos se despojaram em um sofá retrátil confortável e convidativo. Visivelmente havia pensado bastante naquela sugestão, já que o lugar parecia preparado para recebê-los com uma mesa de guloseimas ao lado e um extenso cobertor para envolvê-los.
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  — Não foi uma ideia improvisada, não é? — perguntou , se aconchegando nas almofadas.
  — Não. — ele sorriu de leve, se colocando ao seu lado no sofá. — Passei a noite planejando isso, achei que seria legal fazermos nossa sessão cinema como nos velhos tempos.
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  — Que inspirador… — ela sorriu um pouco.
  — Mas nada de romance que te faça chorar. — protestou ele.
  — Não comece com suas condições. — reclamou ela. — E não pretendo ver romances hoje, que tal uma maratona de Harry Potter?
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  — Melhor sugestão não há. — ele voltou o olhar para a imensa tela em sua frente. — Vamos de maratona HP.
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   sentiu seu coração leve e feliz. Apesar das turbulências dos últimos dias e da tristeza de um coração partido, ali aninhada propositalmente nos braços de , a bailarina se sentia em paz e segurança. Jamais imaginaria algo assim acontecendo, entretanto ali estavam os dois se divertindo em um dia que não se aplicava ao relacionamento que tinham atualmente.
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  — Obrigado. — sussurrou ela.
  — Pelo quê? — perguntou ele.
  — Por ainda assim, querer ser meu amigo. — explicou ela, se aninhando mais a ele. — Você é muito importante para mim… Não consigo imaginar o quanto pode ser difícil para você estar aqui comigo, mas…
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   se mexeu um pouco e a olhou. Ele sabia que poderia sair machucado dessa história, mas queria demonstrar a ela que estaria sempre ao seu lado. Com sua mente em branco se esquecendo dos problemas que existiam do lado de fora daquela sala, ele foi se aproximando dela mais e mais…
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   sentiu seu coração se aquecer com o toque dos lábios dele.
  Era certo que estava fazendo? E quanto aos seus sentimentos por ?
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  Ela não sabia, mais precisava descobrir se realmente era apenas um bom amigo em sua vida.
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Mesmo se parecer que você está prestes a cair de um penhasco,
Eu definitivamente não vou soltar a sua mão,
Indestrutível…
Porque eu vou proteger você até o fim.

– Indestructible / Girl’s Generation

35. Valentine’s Day – pt. 3

Dominos House, Chicago

  Dia dos namorados… Uma data feliz para uns e frustrante para outros. Para Dominos, era mais um dia qualquer da semana que tentava não se importar com a comemoração que carregava junto. Em seu quarto, o chefe da família olhava sua imagem refletida no espelho, ajustando com tranquilidade a gravata em seu pescoço.
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  — ? — Genevieve deu dois toques na porta do quarto e olhou o irmão bem trajado. — Vai a algum encontro?
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  — Preciso de um encontro para me vestir bem? — ele olhou para o reflexo da irmã, arqueando a sobrancelha direita.
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  — Não, mas é que hoje é dia dos namorados e geralmente quando as pessoas saem nesse dia são para ir a encontros. — explicou ela, intrigada.
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  Ele soltou um suspiro cansado e se virou para ela, mantendo a serenidade no rosto. Então olhou para o relógio em seu pulso.
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  — Não está atrasada, Genevieve? — perguntou ele.
  — Não, o Lance está na frente me esperando. — respondeu ela, e brincando. — Depois quero que me conte tudo sobre seu encontro.
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  — Não vou a um encontro. — disse novamente, demonstrando irritação pela insistência dela.
  Genevieve soltou uma gargalhada maldosa e saiu pelo corredor. Ele respirou fundo e colocando sua carteira no bolso, seguiu para o quarto do irmão. A porta estava entreaberta o que o levou a aproveitar para entrar. estava exatamente saindo do banho naquele momento, com a toalha enrolada na cintura e algumas gotículas de vapor pelo corpo.
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  — Aonde vai tão arrumado? — perguntou o caçula.
  — Jantar. — respondeu tranquilamente.
  — Com quem? — franziu a testa curioso.
  — Vocês… Eu não posso desejar a minha própria companhia? — questionou , já irritado.
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  — Claro que pode, mas hoje é uma data comemorativa e… — ele soltou um suspiro fraco. — Esquece, sua situação é pior do que a minha.
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  O caçula voltou o olhar para o celular jogado na cama. Havia passado todo o dia com seus anseios em ligar para , saber como ela estava, mas lhe faltou coragem para encará-la após o término. revirou os olhos e riu baixo da besteira que o irmão tinha feito.
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  — Se não quiser continuar nessa depressão aí, pode vir comigo, minhas pernas não são atraentes, mas posso te ajudar a distrair. — brincou ele, arrancando uma risada rápida do irmão.
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  — Agradeço , mas não estou com ânimo para sair daqui e não quero estragar sua noite. — recusou ele.
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  — Não vou insistir, mas qualquer coisa, meu celular estará ligado. — deu um passo para sair. — Sabe que pode contar comigo.
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  — Obrigado, irmão.
   ficou o observando se retirar e então se aproximou do closet para colocar sua roupa. O Dominos caçula já se encontrava amargurado demais para tentar se distrair, apenas se deitou na cama e continuou a encarar o celular. Quando achou que estava tudo silencioso em sua vida, sua irmã mais nova Jass entrou em seu quarto e o arrastou para a sala de televisão. Uma maratona de Harry Potter o aguardava sem a menor chance de recusa.
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  Já entrou no carro principal da família e pediu ao motorista para seguir em frente. Seu destino? La Belle, um restaurante francês muito sofisticado, indicado por sua amiga Isla Fallin. Sua reserva tinha sido feita com uma semana de antecedência, um tanto inusitada, pois ele pagara para fechar todo o lugar e apenas ele seria o cliente da noite. Sendo recebido pela recepcionista, foi guiado até a melhor mesa do lugar que ficava exatamente ao centro. Som ambiente, iluminação relaxante, mobiliário confortável e atendimento impecável.
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  Tudo que ele mais precisava naquele dia que desejava não se lembrar da pessoa de sobrenome Miller.
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  — Deseja fazer o pedido agora, senhor Dominos? — perguntou o garçom, ao servir o vinho Reserva Mont’ Blanc, uma das safras mais vendidas pela vinícola de sua família.
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  — Sim, por favor, vou querer esta sopa especial de entrada e um Ratatouille de prato principal. — respondeu ele, ao folhear o cardápio.
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  — E para sobremesa? — continuou o garçom, anotando o pedido.
  — Aceito sugestões. — disse o Dominos.
  — Petit Gateau, senhor, esta é nossa melhor recomendação para esta noite. — disse o homem.
   assentiu com a face e voltou o olhar para frente. Todo o salão das mesas era contemplado por um telhado de vidro, o que garantia a máxima experiência dos clientes no espaço, com a vista para o céu estrelado. Os olhos dele se voltaram para cima, mesmo sendo inverno, a noite estava branda e o céu sem traços de neve, algumas estrelas para agraciar a noite. Não demorou muito até que o garçom voltou com a entrada e o serviu. O funcionário achou estranho o homem ter fechado o lugar apenas para ele, afinal, aquela era a noite dos namorados e a lógica seria estar acompanhado. Entretanto, havia apenas um segurança de guarda na área do bar, observando seu chefe.
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  — Tenha um bom apetite, senhor Dominos. — disse o garçom, se retirando.
  O que fora planejado como uma noite tranquila e pacífica, se reverteu assim que sentiu uma movimentação ao seu redor. Ele levantou seu olhar, vendo um grupo de sliters que renderam os funcionários do restaurante, entrando de forma silenciosa. O Dominos por sua vez não se importou inicialmente e continuou mantendo a tranquilidade, saboreando sua sopa. Dosan, o segurança que o acompanhara se aproximou da mesa, em alerta e se posicionando para atacar caso precise.
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  — Senhor Dominos? — disse Dosan, vendo a aproximação dos sliters.
  — Sabe, Dosan, eu estava começando a me descontrair com o jantar, me falaram tão bem sobre a comida deste lugar. — Ele soltou um suspiro frustrado e irritado. — Odeio quando atrapalham meus planos.
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   se levantou da mesa e pegando o lenço em seu bolso, enrolou em sua mão direita. Já tinha tempos que o Dominos não encarava um combate direto e aquilo era a deixa para descarregar toda a sua raiva acumulada.
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  — Fique onde está, Dosan, este assunto é meu. — disse o Dominos seguindo para o primeiro homem.
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   socou o primeiro e foi em direção ao segundo. Uma sensação de adrenalina pura tomou conta dele, que fora atacado por mais três homens ao mesmo tempo. Tendo que se desviar de um e bater no outro. Todos armados, porém com a sede de usar as próprias mãos para derrubá-lo. No susto, Dosan teve que entrar no confronto para não deixá-lo em desvantagem. Quanto mais ambos lutavam, mais homens iam entrando pelo lugar, o que foi um gatilho para os funcionários saírem em fuga temendo o pior.
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  Em um dado momento, o Dominos foi acertado na cabeça pelo inimigo, desabando sobre o chão. Cercado por quatro sliters, dois deles o pegou pelos braços levantando seu corpo, um homem magrelo fechou os punhos e socou o rosto de , depois seu estômago. Em segundos o chefe começou a rir alto e debochadamente da cara deles, algo que chamou até a atenção de Dosan que estava sob a mira de uma arma.
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  — É só isso que sabem fazer? — sentiu o gosto de sangue em sua boca, havia um pequeno corte no canto dela.
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  Então, tomando impulso, o Dominos chutou o sliter magrelo e se soltando dos outros socou o primeiro o derrubando. O segundo jogou seu corpo contra o dele, o derrubando no chão e mais um confronto se iniciou. O lugar parecia tomado de sliters com o propósito de exterminá-lo ou pelo menos deixá-lo sem alguns pedaços.
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  Foi quando o som alto de um tiro foi dado e de imediato o telhado de vidro começou a trincar se quebrando em partes. Uma pessoa caiu bem ao centro do lugar em cima de uma mesa. A silhueta de uma mulher, com um casaco preto e botas, no impacto seu corpo se ajoelhou para que ela retomasse o fôlego. Com isso, a atenção de todos se voltou para ela, que manteve a face abaixada, sendo escondida por seus cabelos.
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  — Tire ele daqui. — a voz que soou era de e a ordem direta para Dosan.
  O olhar de permaneceu fixo na mulher, ele sabia que era ela antes mesmo que pronunciasse algum som. E aquela voz fez seu corpo estremecer e o coração acelerar com facilidade. Ele estava com raiva, mas de alguma forma feliz por ela estar ali.
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  — Não precisamos da sua ajuda. — disse se sobressaindo do sliter que o tinha derrubado e se levantando.
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  — Agora, Dosan. — ela levantou sua face, ignorando totalmente o que ele havia dito.
  Seu olhar para Dosan só significava uma coisa: Faça o que eu digo ou terá consequências. E é claro que o segurança do Dominos não iria pagar para ver, entre obedecer a Miller ou seu chefe, ele certamente escolheria a sliter. sacou sua arma e o próximo tiro foi dado no sliter que se moveu para atacar . O caos enfim se instaurou por definitivo, quando Dosan sem o menor remorso, acatou a ordem dela. O Dominos, mesmo contrariado, não insistiu em ficar assim que o primeiro tiro do lado inimigo foi dado, agora era guerra de sangue e neste jogo a sliter tinha a melhor chance.
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  Ao passar pela saída dos fundos, pode ver com precisão as habilidades de Miller mais uma vez. A forma com que se desviava dos tiros e de como abatia o inimigo com destreza. Quando finalmente saiu do restaurante, o Dominos olhou para trás e conseguiu ver através dos vultos pela vidraça, a sombra de uma pessoa derrubando outras uma a uma. Não havia nenhuma dúvida para ele que aquela era a sua , mais uma vez mostrando a lealdade que jurou desde o início.
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  Assim que chegou em casa, sua tia Sophie assustou-se com seu estado e mais ainda com a história relatada pelo sobrinho. Que, cansado demais pela noite turbulenta, não entrou mais em detalhes e seguiu para seu quarto. Os trinta minutos debaixo de uma ducha quente não foram capazes de relaxar seu corpo e menos ainda o fazer pensar menos em . Sua preocupação com ela era ainda maior que das outras vezes.
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  — Por que ela apareceu? — sussurrou ele, após sair do banheiro e caminhar até a varanda do quarto.
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  Olhando pelas cortinas da porta da varanda, avistou uma moto sendo estacionada no portão da frente da casa. Assim que o piloto retirou o capacete, o rosto de Miller se revelou, foi notório um corte bem acima de sua sobrancelha. Mas a preocupação da jovem não estava nela e sim no dono daquela casa. Dosan que já movimentava os outros seguranças do lugar, se aproximou do portão principal para falar com ela.
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  — Relatório. — disse sem rodeios.
  — Está tudo sob controle aqui, mandei que reforçassem a guarda e já enviei mais alguns seguranças para os membros que não estão em casa. — garantiu ele.
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  — Muito bem, fique sobreaviso e me reporte tudo o que acontecer. — ordenou ela.
  — Tudo bem, para quem não é mais uma funcionária, você ainda gosta de dar ordens. — brincou ele. — Você sabe mesmo o significado de demissão?
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  Ela o olhou atravessado, o que o fez engolir seco.
  — Faça o seu trabalho e me mantenha informada. — concluiu ela, sem cara de muitos amigos. — Se não me obedecer, sabe o que te acontece.
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  — Calma, eu só estava brincando. — disse o homem.
  Apesar de ser bem mais nova que ele, a sliter transmitia um ar de segurança que faziam pessoas como Dosan, temê-la ou respeitá-la. Dado as ordens, Miller voltou a colocar seu capacete e deu partida na moto. Sua direção ao leste da cidade a levou para um prédio antigo em uma rua escondida, no qual havia alugado um loft para ficar. Não que ela não tivesse condições para algo melhor, mas a sliter só queria ser o mais discreta e invisível possível em Chicago.
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  — Céus… Quando essa noite vai acabar? — perguntou para si ao entrar no loft e jogar o capacete no sofá.
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  A primeira coisa que fez foi retirar as armas da cintura e colocá-la em cima da mesa do espaço da cozinha. Se alongando um pouco, retirou o casaco e as botas, antes de entrar no banheiro ela já estava apenas de lingerie e já sentindo as dores musculares após o sangue esfriar. Nem mesmo o resgate de havia deixado ela tão atemorizada. Talvez por ser a vida de em risco, talvez por ela estar distante dele agora, talvez por todos os segredos que ela carregava. O peso que estava sentindo em suas costas lhe deixava um pouco inquieta e instável internamente.
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  Alguns minutos relaxando na velha banheira vitoriana, e a sliter tomou uma ducha para retirar as espumas do corpo. Ao se cobrir com o roupão de banho, ela voltou para o quarto e se deparou com o visor do celular aceso. Pegando o aparelho, notou que recebera algumas mensagens de Dosan.
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  — O chefe saiu sozinho com o carro. — sussurrou ela, ao ler a mensagem. — Que estranho. Para onde ele iria?
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  Dois segundos depois o barulho de batidas em sua porta soou. sentiu seu corpo gelar. Algo lhe dizia que ela já sabia quem era. Mas como ele tinha chegado até ali? Se movendo até lá, ela abriu a porta ficando cara a cara com .
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  — Posso entrar antes que me arrependa? — perguntou ele.
  — Dominos… — antes que pudesse terminar a frase, ela foi interrompida pelos movimentos audaciosos dele.
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   deu um passo para dentro do loft, e no impulso do momento, a beijou de surpresa. O choque inicial legou a mente de à paralisia, mas aos poucos seu corpo foi se rendendo às investidas dele. Quando se deu conta, a sliter já havia envolvido seus braços no pescoço dele, enquanto o mesmo lhe segurava pela cintura.
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  — O que está fazendo aqui? — perguntou ela, respirando fundo para retomar o fôlego.
  Mesmo com o corpo estremecido inclinado a render-se a qualquer momento, ela precisava manter a firmeza.
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  — Eu não sei. — respondeu ele em sussurro. — Quando me dei conta, já estava te beijando.
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  Por certo que havia seguido os instintos do seu coração e não a razão. Seu corpo involuntariamente só pensou em segui-la e lá estava ele. se afastou um pouco e fechou a porta atrás dele. Ela não sabia o que fazer nem como reagir, apenas seguia estática.
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  — Como me encontrou aqui? — perguntou ela, sem rodeios.
  — Não é a única que tem informantes na cidade. — respondeu ele.
  — Não deveria ter vindo. — ela se virou para chegar na cozinha, mas foi parada por ele que segurou em sua mão.
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  — . — ele a chamou.
   não conseguia manter o olhar de raiva e por mais que quisesse, o amor que sentia por ela conseguia ser mais forte e nítido. Percorrendo suas mãos pelo braço dela, se aproximou mais um pouco. não conseguia entender o que se passava na cabeça dele. O encontro na cafeteria a dias atrás, resumido no soco em Fisher a fez pensar que jamais poderia querer vê-la novamente. Algo definitivo. O fato de ter invadido o restaurante bem no ápice do ataque não foi proposital. Pelo contrário, ela apenas agiu no impulso de não deixar que algo pior lhe acontecesse.
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  Ela sabia que Dominos tinha chances de se salvar sem sua ajuda, mas não valia correr o risco. O que importava agora? Se ele estava ali, é porque possivelmente ainda confiava nela, mesmo que fosse a porcentagem de 1%. De alguma forma queria que ele descobrisse todo o resto do seu segredo, mas não contaria diretamente para ele. Se teve a coragem de regar a semente da discórdia plantada por Felícia ao invés de confiar em sua sliter. o deixaria sofrer um pouco até que descobrisse tudo por si próprio.
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  E sim, uma parte de Miller se sentiu desapontada, indignada e raivosa pelas ações dele de ir atrás de Fisher. Afinal, ela já tinha planejado revelar a existência da sua família para ele.
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  — O que veio fazer aqui? Veio dizer mais uma vez o quanto eu sou falsa e desonesta? — ela o confrontou se afastando.
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  — Vim porque não aguento mais tudo isso… Ficar longe de você. — ele engoliu seco, sentia a garganta arder de amargura. — Mesmo que não sinta nada por mim, mesmo que ele seja mais importante em sua vida…
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  Ele se calou e tudo ficou silencioso por um momento. desviou o olhar para a janela vendo as luzes da rua.
  — Céus, estou indo contra todos os meus princípios por você… — ele passou a mão no cabelo e a olhou novamente. — O mundo pode cair, mas nada muda o fato de te amar… Eu te amo, Miller.
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  A sliter bem que gostaria de fazê-lo sofrer mais um pouco, mas diante daquela declaração tão sincera e direta, a jovem somente deixou seus sentimentos conduzirem-na até os braços dele. Um beijo doce e suave no início que foi dando espaço para a intensidade aplicada à saudade pela distância. Ambos sentiram falta um do outro o que podia ser notado na completa entrega daquele momento.
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   que ambicionou sua noite dos namorados sozinha e silenciosa, agora estava sentindo o calor do corpo de em seus braços, juntamente com o som dos seus sussurros. Era nítido que Miller sentia o mesmo amor forte e incondicional por ele, e mesmo temendo que aquilo pudesse ser um ponto negativo para desestruturá-los, não se importava mais. O chefe Dominos pertencia a ela, sem contestações.
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  — Devo me sentir mal pelo que acabamos de fazer? — perguntou em sussurro, ao brincar com os cabelos dela. — Porque não me sinto nenhum pouco.
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  Sentindo seu coração ainda acelerado.
  — Imagine que estamos somente eu e você, que nesta noite não existe mais nada além de nós dois nesse loft. — ela se remexeu e o olhou. — Não vale a pena pensar no que está atrás daquela porta.
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  — Você está se ouvindo? — questionou ele. — Você tem uma família, como vou ignorar isso?
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  — Se vai começar a discutir sobre coisas das quais não sabe além do que vê… — começou a se irritar.
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  — Espera. — ele tocou de leve nos lábios dela. — Não quero discutir, menos ainda estragar esse momento, mas você é uma caixinha de surpresas Miller, e me deixa louco a cada vez que nos encontramos.
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  — Por que foi tão fácil acreditar na carta da Felícia e não fazer o que eu pedi? — perguntou ela, com um olhar frustrado para ele.
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  — O que você quer tanto que eu descubra que não pode me dizer agora? — ele ergueu o corpo, com o olhar fixo nela. — Diga, estou aqui.
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  — E você acreditaria em mim? — retrucou.
  — Experimente. — sugeriu ele.
  — Você não confiou em mim quando foi para Lawrence. — argumentou ela. — Vai ter que descobrir sozinho, a não ser que queira continuar me odiando.
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  Ele revirou os olhos de raiva e jogou seu corpo para trás olhando o teto. Sabia que a sliter conseguia ser tão teimosa quanto ele, talvez até mais.
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  — Por que você é assim? — sussurrou ele.
  — Não seria eu se fosse de outra forma. — ela tomou impulso para se levantar.
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  — Onde você vai? — ele segurou em sua mão. — Não vai embora.
  — Vou preparar um chá! — respondeu ela.
  — Não quero um chá. — ele a puxou para que seu corpo caísse em cima dele. — Eu quero você.
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  — Você já me tem. — afirmou ela com segurança.
  Suas palavras fizeram o corpo dele se arrepiar.
  — Até amanhã de manhã? — indagou ele, não conseguia se esquecer do problema.
  — Voltaremos nesse assunto? — ela o olhou com seriedade. — Quantas provas a mais terei que lhe dar, ?
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  Ela se sentiu cansada por tudo aquilo.
  — Diga não apenas por causa da promessa de lealdade, pois é sempre isso que usa como argumento. — explicou ele o ponto chave.
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  Ela voltou o olhar para os cobertores da cama e respirou fundo. Então voltou o olhar para ele.
  — Eu te amo, Dominos. — a sinceridade de suas palavras fez o coração de ambos acelerar.
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   apenas reagiu iniciando outro beijo que prolongaria a noite de ambos em intensidade, amor e profundo desejo.
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Para provar nosso amor
Mesmo quando estou ferido,
Mesmo quando eu caio, ela é a única
Que permanece do meu lado.

– From U / Super Junior

36. To Be Continued

Instalações Darko, Rússia

  Nada como uma maratona de Harry Potter para fechar o momento nostalgia adolescente e fazer nossos refugiados esquecerem um pouco da realidade. Entretanto, um novo dia nasce para Fletcher e Bellorum, que se encontravam adormecidos na sala de multimídia. foi o primeiro a acordar e não se conteve em ficar em silêncio, apenas observando a bailarina. Seu coração em um misto de felicidade por ela estar mais próxima e tristeza por saber que aquele momento poderia terminar a qualquer momento.
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  — Bom dia. — Sussurrou ele, ao perceber ela acordando.
  — Bom dia. — sorriu de leve e ajeitou sua postura no sofá. — Acho que dormi na metade do Enigma do Príncipe.
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  Ele riu baixo.
  — Você nem chegou nele, me deixou assistindo sozinho o final da Ordem da Fênix. — Resmungou ele num tom brincalhão. — Quer o café agora ou prefere relaxar na cama um pouco?
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  — Ah, por mais que minhas costas estejam reclamando, a fome é maior. — Respondeu.
  Ambos riram.
   aconselhou que tomassem pelo menos um banho para relaxar o corpo e trocassem de roupa. seguiu para seu quarto. Minutos depois ao terminar de se trocar, se atentou ao novo celular que comprara antes de ir para Rússia. Havia uma mensagem singela de que fez seu coração apertar de culpa pela noite anterior.
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  — Bom dia para a pessoa que mais amo e decepcionei. — Sussurrou ela ao ler.
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  Num longo suspiro, ela reprimiu seus sentimentos assim como a lembrança do dia em que ela se encontrava mais abalada e ele terminou seu namoro. Ao mesmo tempo que sentia raiva pela decisão irracional do Dominos, uma aquecida veio em seu coração por saber que ele ainda a amava e parecia arrependido. Mas… E ? Fletcher ainda gostava dele, só não sabia classificar se era apenas em amizade ou não, estando ali e voltando às memórias do ensino médio, se sentia ainda mais confusa que na época em que o Bellorum apareceu em Seattle.
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  — Fletcher?! — A voz de Nissah soou da porta, seguida de dois toques.
  O que despertou a bailarina de seus devaneios amorosos. Guardando o celular no bolso da calça, seguiu até a porta e girou a maçaneta para abrir. Um singelo sorriso apareceu em seu rosto, para disfarçar suas preocupações sentimentais.
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  — Bom dia, Nissah. — a olhou curiosa por sua presença ali. — Pensei que estivesse em viagem com o capitão.
  — Vamos em dois dias, vim saber se está tudo bem e quer tomar o café da manhã comigo. — Respondeu.
  — Hum, é que
  — Ah, não se preocupe com o Bellorum, ele precisou se ausentar com urgência para resolver alguns problemas em Los Angeles e me pediu para te fazer companhia. — Explicou a agente com o olhar observador para a bailarina.
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  — Ah, então vamos, estou com muita fome. — riu disfarçando sua curiosidade.
  Em alguns dias ali já era a segunda vez que desaparecia do nada para resolver outros assuntos. Realmente a vida de um herdeiro da Continuum não deveria ser fácil, um exemplo disso foi a longa e impressionante história de vida que Annia contou a ela, no pouco tempo que ficaram juntas. Seguindo para o refeitório, Nissah foi parada no corredor por um agente que lhe repassou algumas informações. observou discretamente ambos conversarem por alguns segundos, até que a agente se aproximou dela novamente.
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  — Algum problema? — perguntou a bailarina.
  — Digamos que meus planos de te fazer companhia por hoje foram embargados por minha responsabilidade de agente Alpha. — Explicou Nissah. — Vou precisar sair hoje à tarde para ajudar um amigo em uma missão.
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  — Hum… — deixou seu olhar como o de uma criança abandonada. — Eu posso ir junto?
  — Não, é muito perigoso. — Nissah a olhou surpresa pelo pedido.
  — Por favor, Nissah, acho que já passei por momentos mais perigosos na minha vida e eu sei me defender. — Insistiu . — Sinto que vou entrar em surto se não sair daqui e fizer algo com mais adrenalina.
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  —
  — Nissah, por favorzinho?! — se manteve insistente. — Pedido de amiga.
  — vai me matar se eu deixar você sair daqui e Nikolai vai ajudar nisso. — Replicou ela.
  — Eles não precisam saber, eu não conto se você não contar. — Argumento final da bailarina que venceu a agente pelo cansaço.
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  Nissah assentiu com inúmeras preocupações em mente, mas faria aquilo pela amiga. Algo totalmente inimaginável pela agente era se tornar tão próxima das três garotas do quarto ao lado do orfanato Miral, anos depois de reencontrá-las e com aquelas circunstâncias. E de todas, Fletcher se mostrava mais receptiva e amigável com ela, apesar de Annia Baker ter-lhe despertado bastante admiração, assim como a impressionante Miller.
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  — Nada como um reforçado café da manhã para começar o dia bem. — Comentou saboreando sua panqueca.
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  — Você realmente estava com fome. — Comentou a agente que se satisfez com apenas algumas torradas e uma xícara de café.
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  — E você come pouco. — Brincou em risos.
  — Tenho uma alimentação balanceada, por causa das minhas cirurgias de reconstrução há coisas que não posso comer e outras que devo abusar. — Explicou ela. — Mas tenho que me alimentar regularmente de três em três horas, por isso não como muito.
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  — Ahh… Deve ter sido doloroso mesmo para você, ter passado por isso. — Comentou . — O que aconteceu comigo não foi nem a metade, Andrei Tenebrae foi até gentil demais.
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  — Isso também me deixou intrigada, porque comigo a ordem era para matar e com você, ele queria atrair as outras meninas. — Nissah começou a analisar o ocorrido. — Será que ele queria eliminar vocês juntas?
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  — Não sei, talvez, o lado bom é que ele não sabe que você sobreviveu. — tomou o último gole de suco e a olhou. — pegou meu material genético para fazer o teste.
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  — Sim, fiquei sabendo, Nikolai me contou e pediu sigilo, ele também pegou o meu. — Concordou Nissah. — Pelo que sei, a família Bellorum por ser da área militar são os responsáveis pelo cumprimento das leis da Continuum, e está concentrando todas as informações sobre a herdeira Tenebrae.
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  — Então ele sabe quem de nós é? — perguntou .
  — Não sei, mas se ele não sabe, está bem perto de descobrir. — Afirmou Nissah com certeza.
  — Bem, só há três possibilidades, porque Annia é filha do Dimitri, uma Lancaster. — Continuou no seu quebra-cabeças mental. — As duas meninas que faleceram, não sabemos, mas eu sei que tinha encontrado alguns documentos de registro em Seattle sobre o incêndio “acidental” no orfanato Miral.
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  — Também soube dessa história, muito oportuno esse acidental que fez com que os registros fossem todos incinerados, não acredito muito no encerramento do caso. — Nissah cruzou os braços voltando o olhar para a xícara vazia em sua frente. — Mas é certo que quem fez isso estava protegendo a verdadeira herdeira.
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  — Então somos três na fila de possibilidades. — E apontando para si. — E adivinha quem é o alvo fácil?!
  — Eu também já fui um alvo fácil, foi mesmo um milagre ter sido resgatada, . — Nissah era grata por aquilo, pela Darko ter cruzado em seu caminho. — Mas tem uma coisa.
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  — O que?! — Ela a olhou atentamente.
  — Sua avó… Sua avó com certeza sabe quem é a verdadeira herdeira. — Continuou Nissah. — Você nunca pensou em conversar com ela sobre isso?!
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  — Acho que eu ainda não tive a oportunidade, mas pensando sobre isso agora, estou começando a considerar… — olhou para ela. — Acho que meus dias na Darko serão abreviados.
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  — Está pensando em que? — Nissah manteve um olhar desconfiado.
  — Em fazer uma visita a minha avó, se ela tem as respostas, ela vai ter que revelar de alguma forma. — se mostrou segura de sua ideia imediata.
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  Mais alguns minutos de conversa, Nissah explicou para a bailarina o que exatamente elas fariam na capital da Rússia. Havia um cartel no bairro de Arbat que teriam documentos oportunos e ambicionados pela Darko, a missão era pegar esses documentos e levá-los à base de Moscou. como voluntária, se prontificou a ser a distração para que nossa agente alpha se infiltrasse nas instalações do For Pushkin, um restaurante de fachada para as transações clandestinas da família Pushkin.
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  E nada como um jatinho particular da Darko para facilitar o deslocamento daquela miniequipe tática de improviso. Com Nissah comandando, fora sorte Nikolai não ter se oferecido para acompanhá-la. Não por desconfiar de sua agente, mas por querer aproveitar ao máximo o tempo que tinham juntos, apesar de seu superior e responsável por ela, ele tinha outros assuntos a resolver pela Darko. E sempre que se distanciava de sua Petrov esquentada, seu coração vivia um misto de aperto e preocupação.
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  — Tem certeza de que quer fazer isso, ?! — perguntou Nissah com o coração apertado.
  — É claro que sim, sei dos riscos, mas estou mega animada. — Disse com os olhos brilhando.
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  — Acho que não tenho tanto medo assim dos Bellorum, minha preocupação é com outra pessoa. — Sussurrou Nissah, respirando fundo. — A Miller vai me matar depois disso.
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   foi na frente conforme o planejado, entrando no restaurante com Flint, o outro agente que pediu ajuda para elas. Ambos se sentaram em uma mesa cara fazendo o papel de um casal de turistas em lua de mel. Essa missão fez com que a bailarina se lembrasse das inúmeras peças de teatro que fora protagonista propositalmente com sendo seu par romântico. Para os alunos da escola secundária de Cliron, a diversão era ver os constantes embates entre Fletcher e Bellorum.
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  — E como estou me saindo? — perguntou .
  — Perfeita, parece mesmo minha esposa. — Brincou Flint, piscando de leve.
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  Eles caíram em risos.
  — Há quanto tempo você está na Darko? — perguntou ela, curiosa.
  — Há uns três anos. — Respondeu ele, observando as movimentações no restaurante. — Fui recrutado enquanto estava na academia da Donna Fletcher, queria ser um sliter e acabei como um agente.
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  — Até que não me parece tão ruim assim. — Comentou ela. — Pensando agora, vejo todos falando sobre a tal academia da minha avó e de como ela é importante na Continuum, fico realmente chocada com tudo isso… Eu a conheço de um ângulo totalmente diferente.
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  — Hum… — Flint voltou seu olhar para o lado e viu o rosto do alvo de Nissah. — , é agora.
  — Mas já? A conversa está tão boa. — Disse ela.
  — Concentre-se, Fletcher. — Ele riu.
  — Ok. — respirou fundo e já se levantou da cadeira em um rompante. — O que você pensa que está fazendo? Acabamos de nos casar e você fica olhando para as pernas de outra mulher?
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  Assim que a atenção de todos se voltou para eles, foi o sinal para Nissah entrar em cena e através dos dutos de ventilação com entrada pelo terraço, invadiu o escritório central do cartel. Claro que assim que foi acionado o alarme de invasão, foi questão de minutos para o caos se instalar no salão das mesas e despistar todos, seguindo pelas laterais até chegar na sala de lavagem de dinheiro.
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  Ao entrar, a inocente bailarina ficou estática com a quantidade de dinheiro que viu em sua frente, sendo separados por algumas mulheres. Que ao percebê-la se assustaram com a sua presença. Foi em um piscar de olhos que ela sentiu uma mão segura-la pelo braço e puxá-la para longe, era Nissah que já havia pegado os documentos que precisava. E agora já estava traçando uma nova rota de evacuação com a ajuda de Flint, que não poupou sua energia em lutar contra alguns dos homens do cartel.
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  — Uau! — disse ao ver Nissah derrubar dois homens em sua frente, sem o menor esforço.
  Claro que as partes de metal em seu corpo ajudavam bastante na parte defensiva e de resistência, além da agente ser mais do que habilidosa em combates diretos.
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  — Foco, , ainda não estamos seguras. — Nissah a alertou e voltou-se em direção a saído do beco.
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   a seguiu e logo ambas foram abordadas por um carro, era Flint com a saída estratégica pela lateral em um Sedan preto. Para uma missão improvisada, finalmente havia sentido a adrenalina que tanto imaginou suas amigas sentindo, quando ouviu suas histórias.
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  E com isso, a bailarina só imaginava viver algo assim novamente, e havia um único lugar que poderia lhe proporcionar tal experiência: a Academia Fletcher.
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Algum lugar de Seattle

  Três dias de Lua de Mel, foi o tempo precioso que o casal Baker-Sollary conseguiu ter de paz e tranquilidade. Até que Annia descobriu por terceiros o casamento às escondidas de seu irmão e demonstrou sua insatisfação em duas horas de ligação. Entretanto, ela estava feliz por seu irmão ter feito aquilo a seu modo, como um verdadeiro Baker que não deixa conduzir sua vida por outras pessoas.
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  Agora estava o casal desembarcando no aeroporto particular da Continuum na cidade, para voltar à sua rotina, ou melhor, formular uma nova rotina baseada em sua realidade de casados. As poucas malas dentro do táxi, parada direta no prédio onde moravam, a questão agora seria escolher qual apartamento seria a morada deles. Para Baker, pouco importava o lugar, ele estava mais do que feliz e realizado apenas por tê-la em seus braços todos os dias.
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  — Espera. — Disse ele, antes de ambos passarem pela porta do apartamento dela.
  — O que foi?! — o olhou confusa.
  — Falta uma coisa. — Disse ele.
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  — O que? — Ela não entendeu.
  Logo a pegou no colo e sorriu.
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  — Agora sim. — Disse ele.
  — O que você está fazendo, Baker? Me coloca no chão! — pediu ela.
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  — Não. — Ele passou pela porta e olhou para ela com carinho. — Agora sim, lar doce lar.
   soltou uma gargalhada boba e o olhou. Conseguia ver nítido o brilho no olhar de seu agora marido. Para a médica, a ficha ainda não tinha caído. Estar casada com era um misto de surto e coragem, que a deixava animada e temerosa do que poderia acontecer. Ter um amor tão perseverante e otimista como o dele fora o que despertou sua atenção.
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  — Agora pode me deixar no chão. — Disse ela.
  — Hum… Estava pensando mais em outra coisa. — Ele sorriu com malícia.
  — Seu tarado. — Ela bateu nele e se remexeu em seus braços, descendo de seu colo. — Pervertido.
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  — O que eu falei demais? — Ele se fez ofendido. — Você que tem uma mente maliciosa.
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  — Eu?! — Ela cruzou os braços o olhando atravessado.
  — Sim. — Ele se aproximou dela e segurou em sua cintura. — Hum… Já disse o quanto você fica sexy quando fica brava?
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  — Já, muitas vezes. — Respondeu ela, tentando ficar séria, porém não conseguindo.
  — Ainda temos vinte e quatro horas de lua de mel, o que me sugere? — perguntou ele.
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  — Me diz você, suas ideias acabaram? — Ela arqueou a sobrancelha.
  — Você sabe o que eu realmente quero. — um sorriso de canto surgiu em sua face.
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  — Pervertido. — Sussurrou ela.
   soltou uma gargalhada alta e engraçada. Em segundos iniciou um beijo longo e intenso em Sollary. Claro que o casal teria mais aquele dia somente para eles e aproveitaram ao máximo o momento.
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  Na manhã seguinte, lá estava em seu primeiro dia como a residente Baker. Isso nas palavras de sua amiga Hill, que não poupou comentários sarcásticos e engraçados sobre o anúncio surpreendente de sua amiga. Já se rendeu às brincadeiras de seus funcionários e riu muito quando James disse que sua vida seria totalmente de rendição total a Sollary.
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  — Senhor mecânico, poderia olhar meu carro por um instante?! — Soou uma voz melosa, próximo a ele.
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  Baker que estava embaixo de um carro, concentrado em seu trabalho, apenas virou o rosto para tentar ver quem era, porém somente conseguiu visualizar as atraentes pernas da mulher.
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  — Me desculpe, senhorita, mas estamos fechados e… — assim que ele deu impulso na base de rodinhas em que estava deitado e finalmente olhou para a mulher. — Uau.
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  Seu corpo arrepiou, não somente com o olhar atraente de , como também seu look totalmente empoderado.
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  — Então, senhorita, nós estamos fechados, mas para você posso abrir uma exceção. — Ele sorriu de canto malicioso, se colocando de pé.
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  — Sério?! — Ela se fez a inocente e deu mais alguns passos ficando bem próxima a ele. — Sua esposa não vai brigar?!
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  — Tenho certeza que não. — Ele segurou o riso, sentindo ela envolver os braços em seu pescoço. — Tem certeza disso?
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  — Baker, não estrague meu momento. — Sussurrou ela ao beijar seu pescoço.
  — , você pode sujar sua roupa. — Retrucou ele.
  — Quem entra na chuva é para se molhar, não acha? — Ela o olhou de forma sugestiva.
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  Arrancando mais arrepios dele, deixando o coração acelerado. Intencionalmente aquela oficina seria pequena para o amor de ambos que intensificava gradativamente. Se era um sonho ou desejo encubado de , não se pode afirmar, mas que aproveitaria cada minuto para conhecer todos os lados de seu marido naquela noite, sim, ela não se intimidaria.
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  Na manhã seguinte, sentindo algumas dores em suas costas, a residente foi despertando aos poucos. Abrindo os olhos lentamente, sentiu o sol entrando pelas frestas da persiana do escritório de , refletindo em seus olhos. O que a fez lembrar que a noite longa e em chamas na oficina não havia lhes permitido voltar para o apartamento, o que a fez dormir juntamente com ele, no sofá cama daquela pequena sala. Baker já não estava mais lá, havia acordado bem antes de sua esposa para receber seus funcionários e lhes dar a manhã de folga, assim os barulhos dos consertos de carro não atrapalhariam o sono de Sollary.
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  — Por que ele não me chamou?! — sussurrou ela, ao olhar pela persiana seu marido com uma prancheta na mão conferindo uma caixa de peças.
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  Enrolada em uma manta que servia de peça decorativa para o sofá, recolheu suas roupas ainda espalhadas pelo chão e se vestiu rapidamente. Ao descer as escadas para o galpão, atraiu a atenção dele para ela.
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  — Bom dia, flor do dia. — Brincou ele.
  — Bom dia. — Disse ela, seguindo até ele e lhe dando um selinho. — Por que não me chamou?
  — Você dormia tão bem que não quis te acordar. — Explicou ele. — Está com fome?
  — Um pouco, vou tomar um café reforçado no hospital e voltar a luta. — Ela se espreguiçou. — Estou com medo de encarar minha família depois desse casamento, se meu pai já estava raivoso por eu escolher a cárdio, imagina agora depois que frustramos os planos da tia Joseline.
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  — Hum… Que tal você não se preocupar com isso agora, e nós dois tomarmos um café juntos em nossa casa? — sugeriu ele. — Nossa noite foi mágica e podemos manter nosso dia ainda melhor.
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  — Suas sugestões são sempre atraentes, como você. — Ela sorriu de leve. — Tem certeza que não vai atrapalhar seu trabalho por aqui?
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  — Tenho. — Ele deixou a prancheta em cima da caixa e segurou a mão dela.
  Seguindo no carro de , não demorou minutos para entrarem no estacionamento do prédio onde moravam. Assim que chegaram na recepção, o casal foi parado pelo porteiro que estava acompanhado por uma pessoa que queria falar diretamente com Baker. O mesmo estranhou, entretanto, assentiu que fosse apresentado a tal pessoa. de início achou um tanto estranho, ainda mais se tratando de uma mulher desconhecida que aparentava ter a idade deles, acompanhada de uma criança.
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  — Prazer, eu sou o Baker. — Disse assim que se colocou frente à mulher. — Esta é Sollary Baker, minha esposa.
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  — Prazer em conhecê-los, seu porteiro disse que estavam em lua de mel, eu realmente não sabia que você tinha se casado. — Disse a mulher num tom confuso e perplexo.
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  — Você fala como se conhecesse o meu marido. — Indagou , num tom mais autoritário.
  — De certa forma sim. — Assentiu a mulher.
  — Posso entender quem é você? Não me lembro do seu rosto. — Pediu ele.
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  — Eu gostaria de ter essa conversa em um local mais reservado. — Pediu a mulher.
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  Não pelo ambiente em si, pois estavam no jardim privativo do prédio, o lugar mais silencioso e discreto que poderiam conseguir. Sua menção era relacionada a , que internamente já se sentia incomodada com aquilo.
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  — Tudo o que precisa dizer, pode dizer na frente da minha esposa. — Disse , já num tom mais firme. — O que a trouxe aqui?
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  — Meu nome é Rosalie Nevi, realmente você não se lembra de mim porque somente me viu uma vez, mas… Tenho certeza que vai se lembrar da minha irmã Giulia, vocês tiveram alguns momentos no passado, que não obteve sucesso por causa da sua mãe…
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  — Giulia, sim, acho que me lembro da sua irmã. — vasculhou em sua memória o rosto da garota a qual o nome pertencia.
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  — Como eu disse, sua mãe não permitiu que ela se aproximasse mais de você naquela época e nos ameaçou, mas acontece que… — Rosalie respirou fundo tomando coragem para continuar.
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  — O que?! — tentou não demonstrar sua ponta de ciúme quanto aquele assunto.
  — A senhora Allison Baker não contava com a gravidez de minha irmã. — Continuou ela.
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  — Gravidez?! — disseram o casal em conjunto.
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  — Sim. — Rosalie voltou o olhar para a pequena criança que brincava com um urso assentada no chão perto do jardim vertical. — Aquela é minha sobrinha Jullie, e também sua filha.
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  Um frio passou pelo corpo de , assim como uma leve paralisia na mente de . Era surreal acreditar que aquela menina que aparentava seus cinco anos de idade poderia ser uma quem sabe, futura herdeira Baker.
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Ela está me deixando louco,
Por que o meu coração está acelerado?

– Monster / EXO

37. Respostas

Laboratório Interno Baker, Los Angeles

  Por mais que Bellorum quisesse passar o máximo do seu tempo com , ele tinha compromissos não somente com sua família como também com outra pessoa. Acordos foram feitos em oculto, que devem ser cumpridos de ambas as partes e o caçula herdeiro tem consciência disso. Às nove horas da noite em ponto seu avião particular aterrissou no aeroporto da Darko de Los Angeles, e seguindo em um carro alugado estacionou bem em frente ao laboratório Baker.
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  — Boa noite senhor Bellorum, devo anunciá-lo? — perguntou a recepcionista assim que ele passou pela porta.
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  — Irina Baker já se encontra aqui? — perguntou ele, mantendo a seriedade no olhar.
  — Sim, senhor Bellorum, vou avisar de sua chegada — a moça pegou o telefone para digitar o ramal da sala de Irina.
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  Enquanto ela se mantinha em sua função, retirou seu celular do bolso da calça e digitou uma mensagem no Whatsapp para . Ainda se mantinha preocupado em deixar a bailarina sozinha na Darko mais uma vez, principalmente após prometer às suas amigas que cuidaria dela. Entretanto, uma mensagem de seu irmão apareceu na tela do seu telefone, algo mais do que estranho para ele já que aparentemente Vincent havia cortado relações com a família.
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  ainda posso pedir um favor a um irmão?
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   sorriu de canto, sabia que mais cedo ou mais tarde o primogênito se renderia ao orgulho e voltaria atrás nas juras de nunca pedir ajuda a família. Por mais que os patriarcas Bellorum estivessem raivosos e magoados pelos caminhos tortuosos que Vincent escolheu percorrer, ele ainda tinha o apoio do irmão caçula.
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  Depende se eu vou vê-lo no almoço de Ação de Graças.
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   riu baixo, esperando seu irmão digitar a resposta. Assim que recebeu todas as instruções pelo telefone, a recepcionista encerrou a ligação e voltou seu olhar novamente para ele, despertando a sua atenção.
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  — Senhor Bellorum, o senhor pode esperar na sala de reuniões no décimo andar. — anunciou ela. — Em quinze minutos a Dra. Baker irá ao seu encontro.
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  — Obrigado — ele se afastou do balcão seguindo para o elevador.
  Andares depois, o Bellorum saiu do elevador se deparando com o andar designado unicamente para a sala de reuniões. Um bela e longa mesa ao centro, com várias estantes recheadas de livros pela extensão do andar, sendo intercaladas com poltronas de tecido de couro sintético branco. As luzes dos prédios do lado externo eram nítidas ao serem vistas pela fachada de vidro, ele deu alguns passos e sentiu o celular vibrar em sua mão.
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  Outra mensagem:
  sabe que não voltarei mais naquela casa.
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   suspirou fraco, como seu irmão era teimoso. Ele se lembrava muito bem das muitas discussões entre o primogênito e seu pai, o xerife da cidade de Cliron, John Bellorum.
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Vincent, todos temos defeitos e erros na vida,
veja o que nosso pai me forçou a fazer com a
isso tem me custado bem caro até hoje
você pelo menos teve a coragem de enfrentá-lo

  não deixaria a minha filha em um orfanato
  menos ainda viver na prisão com a mãe

a Castelatto tem família
ela ainda te odeia?

  fui eu quem a colocou na prisão
  claro que ela me odeia,
  e não vou entregar minha filha para os Draconis

você teve um romance com uma Draconi
provavelmente para o orfanato a pequena Nina não iria

  eu me deixei levar pela situação
  minha missão era localizar o Andrei
  e descobrir seus planos com os Castelatto

não dá para voltar no tempo irmão
o que precisa de mim agora?

  sei que está à frente dos assuntos sobre a herdeira

isso chegou até você?

  é o óbvio
  você agora é o herdeiro dos Bellorum

para mim
sempre será seu este posto, irmão

  a Darko nunca foi minha ambição

e o Pentágono?

  kkkkkkkkkkk
  deixo para o general Bellorum
  estou bem como um agente da Interpol

Vincent?!

  vamos ao que interessa
  soube do ataque a também

me parece que você tem mesmo muitos informantes

  foi a Milla quem me contou
  ainda mantenho contato com ela

ah, então ela é a sua informante
traidora, ela disse que não tinha notícias suas
kkkkkkkkkkkkk
poderia conversar mais com o seu irmão

  você já tem problemas demais
  e ela tem me ajudado com a paternidade

sei kkkkk
então virou o pai do ano agora
é tão difícil cuidar de um bebê?

  minha pequena tem um ano e sim
  é difícil ser pai sozinho
  mas, voltando ao que interessa
  tenho suspeitas de onde Andrei se esconde

a suspeita é segura?

  sim
  depois do sequestro da
  ele foi visto por um dos contatos da Castelatto

uau, então ela está te ajudando?

  fizemos um acordo

como sempre
estamos sempre fazendo acordos
o que houve agora?
Andrei não está mais na proteção dos Draconis?

  me parece que ele é mais ganancioso do que imaginávamos
  e tentou roubar a influência de uma das famílias

qual?

  Savoia.

me parece que agora o mundo quer ele morto

  o mundo não sei, mas a Continuum e os Draconis sim

e aonde eu entro nessa história?

  Milla me disse que quer se apresentar como a herdeira
  e sei o que pensa sobre isso
  mas acho que podemos nos ajudar

como?

  te espero no aeroporto de Paris
  assim conversaremos melhor

  — ? — a voz de Irina soou pelo lugar, chamando a atenção dele.

  O Bellorum guardou o celular no bolso e olhou para ela com tranquilidade, mantendo a seriedade. Seu olhar desceu até as mãos dela, que segurava uma pasta preta.
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  — Dra. Baker — ele respirou fundo — O que tem para mim?
  — As respostas que tanto procura — respondeu ela com segurança.
  — Quem é a herdeira? — indagou ele.
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  — Não somente a herdeira, mas aqui tem toda a história de que precisa saber, todos os segredos ocultos da Continuum. — ela esticou a pasta para ele. — Não se esqueça do seu juramento, fez um acordo e terá que cumprir, independente do que ler aí.
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  Ela reforçou a importância da lealdade ele, com seu olhar.
  — Sempre cumpro minha palavra, e no momento certo a lei que rege a Continuum será cumprida, Lionel Tenebrae não ficará impune pelo que fez ao irmão, menos ainda pela morte da mãe da herdeira e do pai dos Dominos — assegurou com firmeza.
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  — Confio na sua integridade, Bellorum. — ela sorriu de canto atenta aos movimentos do rapaz ao folhear os documentos da pasta. — E como anda a família? Notícias do seu irmão?
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  — Estava falando com ele por mensagens, acho que estamos a um passo que encontrar o traidor — respondeu ele.
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  — A ganância de Andrei foi uma semente plantada pelo tio, cada família com seus problemas, a minha sempre foi a obsessão da Allison por controlar a vida de todos. — ele riu de leve se lembrando da infância com a irmã. — Como o Vincent sabe o paradeiro de Andrei?
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  — Meu irmão teve uma ajuda de onde menos esperamos, mas o fato é que Andrei traiu até mesmo eles, o que significa… — ele começou a contar.
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  — Que a lista de inimigos dele está aumentando — completou Irina.
  — Vou embarcar para Paris em algumas horas para encontrar Vincent, te agradeço pelas respostas — disse ele, fechando a pasta e olhando-a agradecido.
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  — Eu lamento que tenha que assumir tamanha responsabilidade de estar à frente de sua família. — comentou Iria, se voltando para a vidraça da fachada. — Mas fora todo o estresse causado por essa guerra silenciosa, como está seu irmão?
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  — Está bem, aparentemente, tentando ser um pai melhor do que o nosso — brincou ele rindo baixo.
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  Irina soltou uma gargalhada boba. Ela se lembrava muito bem de como o xerife John era rígido com seus filhos na infância dos meninos. Ao contrário de Isador Dominos, que sempre foi um pai compreensivo e atencioso com os filhos, os incentivando a serem fortes e corajosos.
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Em algum lugar de Chicago…

  Nem tudo na vida são flores e a realidade precisava voltar à vida do casal mais instável da Continuum. Após uma longa e doce noite de amor, despertou pela manhã com um raio de sol em seus olhos, logo sentiu o cheiro de café rescindindo no ar. Abrindo suas pálpebras, avistou ainda embaçado sua sliter na parte da cozinha preparando algo. Logo um sorriso espontâneo surgiu em seu rosto, assim como um vislumbre do que poderia ser uma vida normal com sua sliter.
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  — Bom dia — sussurrou ele, erguendo seu corpo da cama.
  — Como foi suas horas de sono, senhor Dominos? — perguntou ela, concentrada no que fazia.
  Ele permaneceu em silêncio, cruzando os braços. percebeu e o olhou, não se conteve em rir de leve da cara fechada dele. Ela sabia muito bem que seu chefe odiava quando ela o chamava assim, mas a sliter havia passado tantos anos o chamando desta forma que seu costume não a deixava tratá-lo informalmente, mesmo quando quisesse.
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  — Não me olhe assim. — disse ela num tom baixo e suave. — Força do hábito.
  — O que está fazendo? — perguntou ele, atento aos seus movimentos.
  — Voltando à rotina — ela se afastou da bancada com duas xícaras na mão, ao se aproximar da cama, se sentou na beirada entregando uma para ele.
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   pegou a xícara sentindo o aroma do líquido ainda mais forte, uma infalível receita caseira de cappuccino que ela aprendera com a pessoa mais especial e importante de sua vida. Ele a observou bebericar um pouco do líquido de sua xícara, ambos mantendo o contato visual fixo um no outro.
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  — Não podemos ser só nós dois por mais vinte e quatro horas? — perguntou ele, mantendo a seriedade no olhar.
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  — … — ela respirou fundo.
  — Não diga o que pretende, , eu sei que tenho que voltar, aqueles homens certamente foram enviados pelo Andrei. — ele tomou um gole e voltou o olhar para a janela. — Isso está indo longe demais.
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  — Sua família está segura, sabemos muito bem quais são os alvos dele. — explicou ela. — Os herdeiros da Continuum começaram com o atentado ao , depois a e a Annia, agora você.
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  — Se eu morrer, Genevieve, como a segunda mais velha será a próxima da lista, depois o e a Jass. — ele respirou fundo. — Eu me preocupo com meus irmãos, sou responsável por eles.
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  — Entendo como se sente. — ela deixou a xícara na mesa de cabeceira e o olhou com carinho. — Não deixarei que te machuquem.
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  — Você não é a Mulher Maravilha, sabia? — argumentou ele.
  — Mas sou sua sliter. — ela sorriu de canto, arrancando outro sorriso nele. — Você não confia em mim?
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  — Já disse que confio a minha vida — assegurou ele.
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  Ela inclinou seu corpo para frente se aproximando mais dele, de forma sinuosa o beijou com doçura. também não queria que aquele momento terminasse, pelo contrário, ter mais um dia sendo apenas uma mulher comum nos braços do homem que a deixava com o coração acelerado.
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  — Penso bem, acho que não é uma má ideia ter mais um dia de paz — disse ela, ao olhá-lo de forma sugestiva.
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  Um breve silêncio pairou entre ambos com uma troca de olhares, então começaram a rir em conjunto.
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  — Você cortou o cabelo — comentou ele, ao elevar sua mão direita pegando uma mecha.
  — Que comentário mais aleatório. — brincou ela, segurando o riso. — Você realmente nota essas coisas em uma mulher?
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  — Somente em você. — ele sorriu de canto e acariciou sua face. — Ficou ainda mais bonita assim.
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  Ela permaneceu em silêncio apenas o olhando, com uma ponta de brilho nos olhos.
  — Um beijo por seus pensamentos — disse ele.
  — É tentadora a sua oferta, mas apenas cinquenta por cento deles se resumem a você, — afirmou ela, tranquilamente.
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  — E a outra metade? — indagou.
  — Nem por todos os beijos do mundo. — ela sorriu de leve se aproximando mais dele novamente. — Terá que descobrir sozinho.
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  — Que sliter malvada — ele fez uma cara tristonha.
  — A sliter que você am. — ela o beijou de leve.
  — Que bom que você sabe disso. — ele a aninhou em seus braços. — Porque eu te amo mesmo.
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  O que seria uma rotina de um casal comum em seu dia de folga? Café da manhã, maratona de filmes? Piquenique no parque? não sabia exatamente como poderia aproveitar ao máximo seu tempo com , mas tinha certeza que tudo que fizesse, seria o mais intenso possível. A começar pelos beijos que ambos trocaram por mais um tempo antes de se levantarem da cama. Não seria um casal de revistas e nem de comerciais, mas o dia “comum” de Miller e Dominos seria o dia perfeito deles.
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  — , precisamos comer — riu, ao tentar se afastar dele sem sucesso.
  — Não quero de soltar — ele estava com seus braços envoltos na cintura dela, abraçando-a por trás, a seguindo para todos os lados.
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  Ambos se movimentando juntos pela pequena cozinha, com ela aos risos por aquilo. E assim foi por pelo tempo em que a sliter precisou para preparar o espaguete à carbonara para ambos, que por sinal havia ficado muito gostoso de acordo com o chefe Dominos.
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  — A louça suja é sua — disse ela, assim que terminou a última garfada do espaguete do seu prato.
  — Louça suja? — ele voltou seu olhar para o bojo da pia.
  — Foi você quem pediu um dia comum — ela soltou uma gargalhada maldosa.
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  — Não nesse sentido — ele voltou o olhar para ela.
  — Ah, Dominos, não acredito que vai se render a uma louça suja. — ela continuou rindo dele e o pegando pela mão. — Vamos trocar de lugar agora.
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  — O que está fazendo? — ele a observou se movimentando.
  — Nada. — ela envolveu seus braços envolto a cintura dele agora, por de trás, como ele fizera com ela. — Agora estamos prontos.
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   não se conteve em rir alto. Logo se sentiu aquecido não somente pelo corpo de sua sliter, como também pelo amor de ambos que era mais real do que ele imaginava.
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  — Estou fazendo isso corretamente? — perguntou ele, enquanto ensaboava os pratos.
  — Sim, e está fazendo isso muito bem. — elogiou ela, sorrindo de leve. — Se nada der certo e a Dominos Company falir, pode até encontrar um emprego de lavador de pratos.
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  Ela soltou uma gargalhada maldosa.
  — Não teve graça — ele ficou sério.
  — Ah, teve sim, você é muito bom fazendo isso — ela beijou o pescoço dele de leve.
  — , isso é covardia. — argumentou ele, sentindo seu corpo arrepiar. — Eu não te desconcentrei.
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  — O que eu fiz demais? — resmungou ela.
  — Me rouba toda a minha atenção — explicou ele, voltando a se concentrar na louça ensaboada.
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  Ela soltou mais uma risada rápida. E ficou em silêncio o observando, enquanto se mantinha agarrada nele. Até mesmo suas respirações poderiam ser sincronizadas.
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  — Posso te perguntar uma coisa? — perguntou ela.
  — O que quiser — assentiu.
  — Como foi para todos minha ausência? — ela estava curiosa, já que sempre havia sido considerada a segunda no comando daquela casa, mesmo sendo apenas uma sliter.
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  — Quer mesmo voltar ao assunto que está atrás da porta? — indagou ele.
  — Só fiquei curiosa — explicou ela.
  — Pedi que não mencionassem sobre o assunto, claro que todos ficaram tão curiosos quanto você — contou ele.
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  — Eu fiquei preocupada — continuou.
  — Eu sei… — ele sorriu de canto.
  — Estou vendo esse sorriso aí. — disse ela. — Você me ama.
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  — Sim.
  — Diga que me ama, — pediu ele.
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  — Já disse.
  — Disse ontem, hoje não — argumentou ele.
  Ela soltou outra gargalhada.
  — Apenas diga “eu te amo, ” — insistiu ele.
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  — Eu te amo, . — segurou o riso.
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  Mas conseguiu sentir o corpo dele se arrepiando com suas palavras. Foi como uma pausa em um filme, em que ambos só queriam ficar ali parados um sentindo o calor do corpo do outro. Até que voltou seu olhar para frente.
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  — A água, está gastando. — comentou ela.
  — Ahh… Viu como você me desconcentra? — comentou ele, voltando a enxaguar o último prato e desligar a torneira. — Pronto, acabamos.
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  — Não, não, você tem que secar agora — ela segurou o riso.
  — Miller.
  — Vida comum, lembra? — ela manteve o argumento. — É um absurdo você nunca ter entrado na cozinha da Dominos House.
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  — E agora a senhorita quer descontar? — ele virou seu corpo para ela, olhando-a atentamente. — Que mercenária.
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  Ela riu novamente.
  — Você nunca teve momentos assim? — perguntou ela.
  — Quando criança, com a minha mãe e meus irmãos, ela amava cozinhar de madrugada pra gente. — começou ele sua história. — Genevieve sempre acordava a casa toda com seus pesadelos da infância e ela sempre acalmava a todos com chocolate quente e cookies.
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  — Hum… Deixe-me adivinhar, você somente comia — brincou.
  — Não senhorita. — desta vez, ele a envolveu pela cintura, fazendo os braços dela se elevarem até seu pescoço. — Sou o filho mais velho, a bagunça sempre sobrava pra eu limpar.
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  — Então seu talento para lavar pratos vem de cedo — ela riu.
  — Ser o mais velho tem suas responsabilidades — comentou ele.
  — E você escondendo seu talento de mim — ainda admirada.
  — Jamais me subestime, há muitas coisas que escondo de você — assegurou ele.
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  — Interessante, depois eu é quem sou uma caixinha de segredos. — ela ergueu um pouco seu corpo e beijou novamente o pescoço dele. — Mas ao contrário de você, eu sei muito bem seu ponto fraco e como arrancar estes segredos.
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  — Mal posso esperar para ser torturado por você — ele sorriu de canto.
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  Assim que a sliter riu das palavras dele, não se conteve em iniciar mais um de seus beijos despreocupados e intensamente doces. Seu dia comum ainda tinha mais doze horas pela frente e não se importava em gastar parte daquele tempo apenas sentindo o amor do Dominos e retribuindo.
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  E quando mais queremos que o tempo congele, mais esse se apressa em passar. Para estava tudo bem em seu banho quente, havia deixado na cama vendo um filme de ação na Netflix. Quando retornou enrolado na toalha, encontrou o lugar vazio e a televisão falando para as paredes. Apenas um pequeno bilhete havia sido deixado por ela em cima da cama.
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  — Hora de voltar a realidade, vinte e quatro horas passam rápido — sussurrou ele ao ler.
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  Um breve sentimento de raiva passou por ele, o que o fez amassar o papel sem perceber. Voltando o olhar para sua roupa, deixada em cima da cadeira perfeitamente sobrada, ele se vestiu e pegou as chaves do carro e sua carteira, retornando para casa. Assim que chegou foi notificado por Dosan do retorno de para Seattle, bem como também do casamento às escondidas de e . O que o deixou surpreso e feliz pela amiga de infância.
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  — Ah, — a voz de sua tia soou pela sala assim que o viu.
  — Bom dia, tia Sophie — disse ele num tom baixo.
  — Onde estava? — perguntou ela. — Passou dois dias longe de casa, ficamos preocupados.
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  — Estou bem, estou de volta, está tudo certo. — ele se voltou para as escadas não se importando com a reação dela. — Eu estou aqui, em Seattle, está tudo onde deveria estar.
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  O final da frase soou num tom mais frustrado, o que deixou sua tia assustada. Ele manteve a mente distante dela, que fez mais algumas perguntas sem respostas do mesmo e começou a subir as escadas.
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  — , voltou. — comentou Genevieve ao passar por ele, percebendo-o estranho. — O que aconteceu com ele, tia?
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  Ela olhou para a matriarca da família assim que terminou de descer o último degrau.
  — Para ser honesta? Eu não sei. — respondeu Sophie. — Seu irmão nunca nos comunica nada, nunca se sabe quando está bem ou quando está mal.
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  — Se ele estivesse mal, a adega estaria aos pedaços de novo. — comentou ela, indo se sentar no sofá. — E para ser honesta, nunca entendi o que esse lugar tem de especial para que as pessoas dessa família descontem suas raivas e frustrações lá.
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  — Eu já perdi as contas de quantas vezes aquele lugar foi reformado. — Sophie suspirou fraco. — Bem, estava indo para o spa, me acompanha?
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  — Acho que sim, ando precisando relaxar, estou tão estressada com os primeiros passos da cerimônia de casamento — comentou ela.
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  — Ainda temos que preparar o jantar de noivado — lembrou a tia.
  — Sim, estamos esperando os pais do Lance voltarem da comemoração de aniversário de casamento, que estão fazendo no Paradise Kiss — contou ela.
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  — E você vai fazer a lua de mel, lá?
  — Ainda estou pensando, mas é uma possibilidade, sempre tive curiosidades para conhecer — comentou.
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  Enquanto tia e a sobrinha continuavam a conversa na sala, entrou em seu quarto e sem se importar em trocar a roupa do corpo, apenas se jogou na cama. Um misto de cansaço mental e físico que o deixou um pouco estático e sobrecarregado ao mesmo tempo.
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  Alguns dias depois, o chefe Dominos já estava totalmente na ativa cuidando de seus negócios na empresa da família. Foi após um almoço de negócios com Annia Baker, que avistou um rosto conhecido entre as ruas de Chicago. O que aquela pessoa ainda estava fazendo em sua cidade? Se perguntou ele. Inevitável para apenas ficar onde estava e não seguir sua razão. E não precisou de muitas desculpas para se despedir da milady de Manhattan.
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  Cauteloso para não perder a pessoa de vista, assim como surpreso ao vê-la entrando no prédio das Instalações da Darko da cidade, que dividia espaço com o Laboratório Interno das Indústrias Baker.
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  — Senhor Dominos — disse o recepcionista, ao reconhecê-lo de imediato — Em que posso ajudá-lo?
  — Carlton, sabe o que aquela pessoa veio fazer aqui? — disse chamando o funcionário pelo nome escrito no crachá.
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  — Aquela pessoa está instalada em um dos andares VIP, senhor. — respondeu ele, prontamente. — Destinado à família Fletcher.
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  — Qual o andar?
  — Oitavo, senhor. — respondeu. — Ele está no quarto 802.
   apenas pediu discrição e silêncio para Carlton, e seguiu para o elevador vip. Ele não deixaria passar daquela vez. Mesmo com todos os músculos do seu corpo ansiando socar a cara de Fisher, seu autocontrole o levaria a descobrir a verdade total daquela história. Assim que o elevador parou no tal andar, o Dominos respirou fundo e saiu a passos firmes e decididos, seguindo até o número e bateu na porta.
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  Ali estava o segredo que sua sliter tanto escondia de todos.
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  Se ele estava preparando para saber, internamente não podia afirmar, mas assim que Fisher abriu a porta, seu olhar de surpresa foi seguido por seu corpo que ficou estático.
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  — Não vai dizer nada? — sussurrou assim que sentiu a presença de atrás dele.
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  A porta do quarto 802 se manteve aberta até que a sliter chegasse ali. Os olhos de ainda não queriam acreditar em tudo que presenciou naquela tarde, mas precisava entender o restante da história pelas palavras dela e de mais ninguém.
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  — Como chegou aqui? — perguntou ela, ao finalmente entrar e fechar a porta.
  — Por um golpe de sorte eu o vi, fiquei com raiva por estar em minha cidade até que ao segui-lo, acabei aqui. — o Dominos manteve-se na mesma posição, de costas para ela. — Você não imagina como estou agora.
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  — Imagino que esteja confuso — ela manteve o olhar nele.
  — Por que não me contou antes? — ele se virou para ela. — Por que não me disse que tinha uma irmã gêmea?
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  E aí estava o segredo de Miller. Ela desviou seu olhar dele para a irmã que se mantinha ligada aos aparelhos médicos, em estado de coma induzido.
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  — Há dois dias você me perguntou qual era os outros cinquenta por cento dos meus pensamentos — comentou ela. — Aí está, se tivesse confiado totalmente em mim, eu ia te contar no melhor momento.
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  — Que momento? — ele se mostrou indignado. — Eu poderia tê-la ajudado a proteger sua irmã e a família dela.
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  — A minha irmã e a família dela são a minha família. — ela respirou fundo tentando se manter estável. — É uma responsabilidade só minha.
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  — Eu também sou a sua família, poderia ter dividido o peso comigo, , foi você quem não confiou em mim — ele deu um passo para se retirar.
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  — Espera, — ela segurou em seu braço.
  Pela primeira vez se deixou mostrar indefesa na frente dele. Seus olhos encheram de lágrimas, porém a sliter aguentou firme suas emoções.
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  — Não queria preocupá-lo com meus problemas, sabendo que tinha outro maiores. — ela continuou sua explicação. — Eu prometi à minha irmã que nunca iria envolvê-la na Continuum e nem colocar minhas sobrinhas em risco, eu achei que ela estava segura por isso compartilhamos o mesmo nome, mas quando a confundiram comigo e… Eu me descuidei e agora ela está assim por minha causa.
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  A primeira lágrima caiu dos olhos dela, o que deixou o coração dele apertado e em pedaços. apenas a puxou para perto e lhe abraçou forte, fazendo-a sentir- se segura.
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  — … — sussurrou ele.
  — Eu só tinha que protegê-la. Só isso e eu falhei. — ela sentia as lágrimas rolarem em seu rosto e não se importava mais, pois não tinha forças para lutar contra. — Eu deveria ter sido mais cuidadosa.
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  — Não se culpe, não foi sua culpa. — ele a aninhou mais em seus braços. — Está tudo bem.
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  — Foi por isso que eu viajava constantemente para Lawrence, minhas sobrinhas não sabiam até contarmos para elas na semana passada. — revelou ela. — Depois do que aconteceu com a , pedi ao Fisher para se mudarem para Chicago, queria eles por perto e…
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  — Não precisa me explicar mais nada. — ele a interrompeu, com um tom cuidadoso. — Eu vou cuidar de você e deles também.
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“Às vezes, eu fecho os meus olhos e penso em você
Seu habitual pensamento daquela imagem familiar de mim
Apesar da minha falta de jeito,
Você continua gostando de mim não importa o que
Mas eu mereço ser amado por você?”

– Promise / EXO

38. Le Petit

Algum lugar de Seattle…

  Se estar casada já era uma grande mudança para Sollary, o fato de seu agora marido ter uma filha a deixava ainda mais desnorteada. No fundo ela entendia que o fato ocorrido da aproximação de Baker com a tal Giulia, foi na época em que ambos nem se conheciam. Mas o argumento de seu lado racional não foi suficiente para que suas emoções a dominasse por completo, fazendo-a sair correndo em direção ao saguão do prédio.
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  — MIA! — as únicas coisas que ela conseguiu ouvir de seu marido que a gritava também confuso.
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  Por mais que Baker de imediato impulsionou seu corpo para correr atrás de sua esposa, não obteve sucesso. Perdendo-a de vista, assim que a mesma entrou no elevador. O desespero tomou conta de seu coração, fazendo-o se voltar para ao lado com o pretexto de subir correndo as escadas.
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  — Baker! — Rosalie gritou seu nome.
  — Por que está aqui? — ele tentou ponderar sua voz, percebendo o tom alterado. — Se essa criança é mesmo minha, por que somente agora apareceu?
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  — Porque a minha irmã está morta! — respondeu ela, deixando sua voz trêmula se elevar também. — Mataram ela e só não fizeram o mesmo com a Molly por sorte.
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  O corpo de Baker gelou, paralisando sua mente e pensamentos.
  — Após a ameaça da sua mãe, saímos do Brooklyn e nos mudamos para o Texas. — ela continuou contando sua história. — Juramos nunca mais mencionar seu nome e esquecer que a sua família e a Continuum existiam, era só nos três, perdemos nossos pais muito novas e nosso desejo era apenas viver nossa vida em paz e longe de tudo isso, mas…
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  Ela tentou contar as lágrimas formadas no canto do olho.
  — Mas? — insistiu ele tentando entender.
  — Mas a três meses atrás, alguns homens invadiram nossa casa e a sangue frio assassinaram minha irmã. — continuou Rosalie ao respirar fundo. — A princípio eu achei que fosse a sua mãe ou a sua irmã, alguém da sua família tentando apagar a gente do mapa, até que encontrei esse cartão caído debaixo de um dos móveis quando juntei nossas coisas para fugirmos.
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  Ela retirou o cartão do bolso e esticou para ele. Baker pegou o e ficou seu olhar no brasão em traços dourados que estava desenhado sobre o fundo preto na frente do cartão. Logo seus punhos se fecharam, deixando a raiva tomar conta do seu interior.
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  — Eu juro que se não fosse pela segurança da Molly, jamais teria vindo, mas ela é sua filha. — completou Rosalie sentindo uma lágrima escorrer no canto do olho. — Eu tentei lidar com tudo isso sozinha, mas quando saio na rua, sinto que estou sendo seguida e que posso colocar ela em perigo de novo… Não me importo comigo mesma, mas apenas com ela.
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  Assim que terminou de falar, o olhar de ambos se voltaram para a pequena que estava encolhida atrás de uma coluna. Seus olhos amedrontados despertaram certa ternura em Baker, que começou a jurar internamente que faria o responsável pagar por aquilo.
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  — Não se preocupe, vocês ficarão seguras agora. — afirmou ele, certo de suas palavras. — Venha comigo.
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  Ele se voltou para o elevador e apertou o botão, assim que as portas se abriram, Baker as levou para seu apartamento e deixou uma cópia com Rosalie. Mesmo com mais uma preocupação em sua vida, que chegou de forma inesperada, seus pensamentos se mantinham em Sollary.
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  Ao abrir o apartamento de , as luzes estavam todas apagadas. Baker acendeu a primeira no interruptor ao lado e fechou a porta. Não demorou para constatar o óbvio, o apartamento estava vazio e sua esposa nenhum sinal. Pegando o celular no bolso, digitou o número dela e iniciou a ligação:
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  Oi, aqui é a Drª Sollary, agora Baker, no momento não posso atender, ligue amanhã.
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  Escutou ele a gravação.
  — , por favor, eu sei que está segurando o celular agora. — disse ele após o sinal. — Me atende, precisamos conversar.
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  Ele insistiu em ligar mais algumas vezes.
  O que Baker menos queria naquele momento era ver sua esposa chateada com algo relacionado a ele, ter uma briga de casal então seria pior que todos os acidentes de moto que teve na vida. Em um vislumbre de raiva por toda a guerra da Continuum, com os olhos marejados de lágrimas, ele socou a parede desejando socar o causador de todo aquele caos gerado.
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   Baker sempre foi tido como o herdeiro mais tranquilo e pacífico da Continuum, entretanto um homem carregado de fúria era capaz de correr qualquer risco para proteger quem ama.
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Minutos antes…

  — ?! — disse ao abrir a porta de seu apartamento.
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  Seu olhar de surpresa era compreensível, pois como poderia imaginar que o dois toques na porta pudesse ser de sua amiga de infância recém-casada.
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  — Me deixe entrar, por favor. — pediu ela com os olhos visivelmente lacrimejando.
  — Claro. — ele abriu um pouco mais a porta para que ela pudesse entrar, então a fechou em seguida. — Está tudo bem? Você me parece abalada.
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  — É porque de fato estou. — confirmou ela, indo até o sofá e se sentando.
  — Bem… — ele se manteve sereno ao observá-la, mesmo preocupando-se com ela e sugeriu. — Que tal eu preparar um pouco de chá e você me contar o que aconteceu?
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   já estava tão acostumado com conflitos amorosos que não viu problema em tentar ajudar uma amiga. Seguindo para a cozinha, o Dominos pegou a chaleira para esquentar um pouco de água. de início se manteve sentada no sofá com o olhar fixo no quadro pendurado na parede à sua frente. Não queria pensar em nada, porém a mente cheia de informações não processadas.
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  — Estava tudo bem, , até que voltamos de lua de mel para casa e a realidade bateu em nossa porta. — iniciou ela, bufando em seguida. — Às vezes ser da Continuum…
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  — É uma perdição. — completou ele, rindo baixo começando a pensar no que poderia fazer para acalmá-la além do chá. — Esse é um fardo que poucos conseguem carregar, mas o que a Continuum tem a ver com você bater em minha porta?
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  — Brotou da terra, uma mulher com uma criança contando a história que a irmã teve uma filha com o Baker a cinco anos atrás. — ela segurou as lágrimas. — Você não imagina o quão sem estrutura eu estou me sentindo agora.
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  — Acredite, eu imagino sim. — sussurrou ele, enquanto continuava a mexer em alguns utensílios do armário embaixo da bancada da pia.
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  — Minha mente está em plena confusão, quando me dei conta, já estava batendo em sua porta. — confessou ela, controlando o desespero interno. — Não queria ir para casa e ter que ligar com essa enxurrada de informação e no desespero nem imaginei descer para a garagem.
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  — A quanto tempo conhece o Baker? — perguntou ele.
  — Há mais ou menos uns dois anos, quando o socorri no acidente que teve. — respondeu ela. — Foi até noticiado no Continuum Post.
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  — E a criança tem cinco anos? — reforçou ele.
  — Sim. — assentou , se pegando um pouco confusa agora. — Bem, ela parece ter cinco anos.
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  — E o sabia disso? — continuou ele em sua indagação, enquanto continuava concentrado no que preparava na cozinha.
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  — Não. — afirmou ela, agora num tom seguro. — Pelo pouco que conheço do , ele jamais ocultaria algo tão sério assim de mim, ainda mais depois de todo esse tempo tentando me conquistar.
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  — Então é provável que tenha a mão da mãe dele envolvida no fato dele não saber. — comentou .
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  — Sim, foi o que a mulher disse, que a irmã foi ameaçada pela Allison para se afastar dele, e só depois descobriu a gravidez e ocultou. — explicou . — Eu sei que é ilógico, mas estou com raiva de tudo isso.
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  — E você está abalada por saber que o é pai de uma criança que nem sabia que existia e que foi de um relacionamento de muitos anos antes de se conhecerem. — parou o que estava fazendo, ao concluir o desfecho de tudo e a olhou com certa indignação. — Onde está minha amiga Sollary racional que não se deixaria abalar pela situação, mas compreenderia o que aconteceu e estaria ao lado do homem que ama para apoiá-lo?
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  — ! — ela o olhou.
  — Essa mulher na minha frente não é a que eu conheço. — disse Dominos.
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  — Ai , eu também não sei o que aconteceu comigo, eu tinha tanta segurança quando estava sozinha e me desarmou de uma forma tão inesperada que… Eu já nem sei mais como reagir a diversidades como essa. — desabafou a residente, segurando suas emoções. — Só consigo ficar chateada com ele.
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  — Vou ser o amigo que sempre fui e te aconselhar como um dia fez comigo. — suspirou de leve. — Não falei aquelas coisas sobre apoiar o Baker por machismo ou algo assim, mas é que sua situação lembra muito a minha…
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  — Em quê? — perguntou ela.
  — No momento em que mais precisou de mim, eu apenas virei as costas para ela achando estar fazendo o certo, agora corro o risco de nunca mais tê-la de volta. — explicou ele, também segurando seus sentimentos, sentindo um aperto no coração. — Eu sei que as situações são totalmente diferentes uma da outra, mas o fato é que o homem que você ama precisa de você, o que vai fazer? Vai virar as costas pra ele?
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   ficou reflexiva por aquelas palavras, até que sua atenção foi despertada para o celular em seu bolso. Ela apenas olhou no visor o nome de Baker na chamada e colocou o aparelho no sofá ao seu lado. No fundo ela sabia que estava certo, mas precisava daquele momento distante para si.
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  — Posso me dar o direito de ficar com raiva dele apenas por hoje? — indagou ela, num tom manhoso fazendo-o rir.
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  — Sabe que a casa de um Dominos sempre estará aberta para uma Sollary. — brincou ele.
  — Se que não posso fugir dos problemas, mas preciso de um tempo para absorver cada um deles e lidar com tudo tem sido estressante. — ela soltou um suspiro fraco e se manteve a observá-lo.
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  — Isso inclui a residência? — perguntou.
  — Principalmente a residência. — assentiu.
   ficou em silêncio com a atenção voltada no que fazia em sua bancada. Logo a residente ficou curiosa o bastante para se levantar do sofá e ir até ele.
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  — O que está aprontando aí? — perguntou ela, curiosa.
  — Ainda é dia e tenho certeza que não tomou café da manhã. — respondeu ele. — Estou fazendo panquecas para nosso desjejum.
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  — Humm… Você bem que podia ensinar o meu marido a cozinhar. — comentou ela. — Baker é uma negação na cozinha.
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  — Meu marido. — brincou ele, tentando imitá-la.
  — Deixa de bobagens. — ela riu dele e ele também.
  — Você falou da , como estão? — perguntou ela, curiosa.
  — Distantes um do outro, pelo que sei ela está na base da Darko da Rússia. — respondeu ele, tentando não transferir para o alimento que preparava sua melancolia da separação. — Não foi fácil passar o dia dos namorados sem ela.
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  — Eu lamento que estejam afastados. — disse em consolo.
  — Obrigado. — ele sorriu de leve e ao ligar a trempe do cooktop da bancada, olhou para ela — Que tal me acompanhar em uma festa esta noite?
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  — Uma festa? — ela ficou estática — Olhe minha situação, não sei se tenho cabeça para festa, nem mesmo desejo ir para o hospital hoje.
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  — Você é Sollary, a dona daquele hospital, trabalha quando quer. — brincou ele.
  — Vai achando que é tão fácil assim, pergunte ao se ele vai a empresa quando quer. — retrucou ela, demonstrando seu grau de responsabilidade.
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  — Pois saiba que ele se ausentou por um tempo. — comentou — E eu tive que lidar com isso.
  — A demissão da . — disse , se lembrando do assunto mais comentado na Continuum. — Tenho que admitir que é um válido argumento para se ausentar, aquela sliter parece representar cinquenta por cento de tudo que o é.
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  — Senti uma ponta de ciúmes? — a olhou desconfiado.
  — Já passei dessa fase, Dominos, e estou mais do que curada das minhas cicatrizes. — revelou ela — Mas, voltando ao assunto, que festa seria essa?
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  — A tão esperada festa de inauguração do meu restaurante. — declarou com entusiasmo.
  — Uau, finalmente. — ela sorriu de felicidade pelo amigo — Fico feliz que esteja seguindo seus sonhos.
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  — Sim. — ele sorriu também, voltando a atenção para a frigideira das panquecas — Definitivamente ser um homem de negócios não é para mim e deixo este fardo com .
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  — Isso é verdade, não sei como ele consegue gostar disso. — ela riu — Ah, Genevieve me ligou contando do noivado, não acredito que ela será a primeira Dominos a se casar.
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  — Pois é, tem suas complexidades com a Miller, minha vida está indefinida e a Jass é muito nova. — explicou enquanto finalizava o preparo do café — Ficou para Gen atender o pedido da nossa tia em lhe dar sobrinhos netos.
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  — Como se ela não tivesse o Nigel para encher a casa. — comentou. — Falando nisso, em um tempo que não ligo para a Bella, da última vez ela me disse que estava em viagem.
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  — Sim, meu irmão a mandou numa missão de pesquisa de campo. — explicou — Vai entender o que seja isso.
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  — Se tratando do … — ela voltou olhar para a janela, num longo suspiro.
  As horas foram passando e chegando a noite. como um bom anfitrião, pediu para que sua assistente comprasse um vestido casual para que pudesse estar apresentável para a festa de inauguração do seu restaurante intitulado de Le Petit.
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   se encontrou ao entrar no empreendimento do amigo. Sua arquitetura industrial moderna trazia consigo um charme inusitado e a sensação aconchegante era transmitida pela disposição das luminárias com iluminação de cor quente. Toda a decoração lhe deixou admirada e orgulhosa do caçula dos Dominos, que não poupou modéstia em dizer que o projeto havia sido todo planejado por ele. Cada detalhe foi repassado à construtora que executou a obra de reforma do imóvel, desde o layout final até a cor das almofadas, revestimentos e toda decoração por completo.
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  — Você está de parabéns, aqui ficou maravilhoso. — elogiou ela, com um olhar brilhoso.
  — Que bom que gostou, sua opinião é sempre bem-vinda. — agradeceu.
  — Só porque sou muito crítica? — perguntou ela, fazendo a ofendida ao olhá-lo.
  — Exatamente por isso, sei que se tivesse ficado ruim, falaria sem medo. — brincou rindo — Fique à vontade, eu preciso cumprimentar algumas pessoas.
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  — Sem problema. — permaneceu próxima a entrada para o jardim de inverno, observando seu amigo se afastar.
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  Por mais que dissesse não ter jeito para os negócios, sua desenvoltura comunicativa era de causar inveja. Talvez pela genética dos Dominos, pois sua família tem um vasto histórico de comerciantes bem sucedidos.
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  — Sollary, não imaginava te encontrar aqui. — uma voz masculina conhecida se aproximou dela, o dono mantinha um sorriso de canto disfarçado.
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  — Carlise Tenebrae. — ela disse seu nome eu alto e bom tom — O que faz aqui em Seattle?
  — Estou de passagem, vim prestigiar o Dominos. — respondeu ele.
  — Só faltou dizer que ele é seu velho amigo. — sua voz soou debochada.
  Todos sabiam que as famílias Tenebrae e Dominos tinham uma rixa oculta, algo que iniciou na geração de seus pais.
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  — Para ser honesto, esperava um encontro casual com uma sliter. — confessou ele, passando o olhar pelo lugar, procurando sua assistente.
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  — Desde quando tem assuntos com a ? — perguntou ela, intrigada.
  — Desde quando a é a única sliter que existe na Continuum? — retrucou ele.
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  — Ok. — ela riu de leve, pegando uma taça de champanhe da bandeja do garçom que passava por eles — O que achou do restaurante?
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  — Estou surpreso. — confessou ele, fazendo o mesmo que ela, e pegando uma taça também — Mas sendo um Dominos, eu não esperava menos do .
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  — Cada família com sua especificidade. — comentou ela — E como vão as coisas para você? Soube do cargo de diplomata.
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  — Como você mesmo disse, cada família com sua especificidade. — ele riu de leve ao dar o primeiro gole — A política é como um quebra cabeças para mim, quanto mais complexo o governo, mais eu me interesso e como sou o herdeiro dos Tenebrae, preciso avançar na minha carreira política para chegar ao parlamento.
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  — Nada neste mundo consegue ser mais complexo que a Continuum, acredite. — brincou ela rindo também.
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  — Isso é verdade. — concordou.
  Logo o olhar de se direcionou para a entrada do lugar, reconhecendo outro rosto.
  — Eu não acredito, por que ele está aqui? — sussurrou consigo mesma.
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  — Qual o problema? — perguntou o Tenebrae olhando para a mesma direção — Mal casou e já quer o divórcio?
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  — Não soou bem seu comentário. — retrucou ela, deixando sua face mais séria.
  Sim. Na entrada estava Baker, trajando vestes formais e um all star básico, sendo recebido pelo dono do restaurante em pessoa.
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  — Agradeço por ter me ligado. — disse , percorrendo seu olhar pelo lugar até encontrar conversando com Carlise.
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  — Se fosse eu e a , tenho certeza que faria o mesmo. — assegurou ele — Espere no meu escritório no mezanino, vou pedir a ela para ir até você, precisam de privacidade e um território neutro.
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  — Nunca imaginei que um Dominos pudesse fazer o papel da Suíça. — brincou .
  — Apenas suba. — segurou o riso e apontou para a escada que levava para o mezanino.
   assentiu com o olhar e seguiu para o lugar indicado por ele. Afastando-se da entrada, Dominos se aproximou da amiga, que mantinha um olhar atravessado para ele. Carlise aproveitou a deixa para se retirar dali e seguir até o prefeito da cidade.
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  — Por que ligou para ele? — perguntou ela, em chateação.
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  — Acredite, você vai me agradecer amanhã de manhã. — ele sorriu de canto.
  — Sei. — ela cruzou os braços seriamente.
  — Minha avó sempre me disse que na vida a dois o casal jamais pode dormir brigado. — completou ele — Ele te espera no meu escritório no mezanino.
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   respirou fundo.
  Ela tinha duas escolhas: fugir dos problemas ou agir racionalmente.
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Embora o tempo passe, tem palavras,
Que eu não consigo explicar, afundando no meu coração
“Me desculpe” “eu te amo”
Estou te pedindo para acreditar em mim desta vez.

– Promise / EXO

39. Natal Passado

Inverno, anos atrás…
– Norte da Noruega

  Bem ao longe do centro comercial da cidade de Lavik, em uma casa nas montanhas contemplada pela aurora boreal que se formava no céu. Esta era a época do ano que não havia a presença do sol, seis meses de noite e agora com a presença da neve. Aquela modesta morada com sua estrutura toda em madeira de lei e muito bem iluminada decorrente da estação em que se encontrava, pertencia a Godric Tenebrae, o primogênito e atual chefe da família.
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  Quartos aconchegantes, sala de estar espaçosa com a presença de uma bela lareira revestida de mármore carrara. Por mais que houvesse a rusticidade da presença da madeira, seu estilo puxava para o neoclássico misturado ao moderno, finalizando com um sistema de aquecimento no piso para os dias mais frios do ano. Todo conforto que ele poderia oferecer através de sua fortuna, a mulher da sua vida a qual estava sendo ameaçada, ocultamente.
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  — Agradeço por ter vindo, meu amigo. — Disse Godric ao abrir a porta e receber o chefe dos Sollary na porta.
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  — Jamais deixaria de atender a um chamado de um amigo. — Retribuiu Gregory o cumprimento do amigo com um abraço de reconforto. — E trouxe reforços.
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  — O Dominos? — Godric se espantou ao ver o carro da pessoa que ele menos esperava estacionando mais à frente.
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  — Precisamos de aliados e sabemos que os Dominos possuem um compromisso com a palavra deles. — Reforçou Gregori.
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  — Ele está certo. — Donna Fletcher surgiu mais adentro da casa, descendo os últimos degraus da escada para o andar dos quartos. — Agora que descobrimos que seu irmão mantém contato com os Draconis e infiltrou uma em sua própria casa, precisamos de famílias que o apoiem como o chefe dos Tenebrae, e os Dominos são fundadores também.
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  — Um peso a mais. — Concordou Gregory.
  A sliter moveu seu olhar para a porta, observando a aproximação do convidado inesperado. Godric respirou fundo e assentiu, seus amigos estavam corretos e não havia argumentos para contestar. Seu irmão, Lionel, ambicionando o comando da família e a fortuna particular do irmão, apenas se deixou seduzir se envolvendo em acordos com a sociedade Draconis.
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  — Isador, agradeço por vir. — Disse Godric, mantendo um tom de humildade na voz. — Não somos amigos. Para ser honesto, nossas famílias sempre foram de opiniões contrárias, então…
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  O homem não possuía palavras para expressar-se.
  — Acredite, nada me deixa mais irritado que uma traição do mesmo sangue. — Confessou o Dominos, mantendo a seriedade e imponência no olhar. — Não importa se somos próximos ou não, as ações de seu irmão devem ser paralisadas pelo bem da Continuum.
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  — Serei sincero, agora não me importo mais com a Continuum, eu só quero protegê-las com minha vida se for necessário. — A sinceridade exalava em sua voz, Godric voltou seu olhar para Donna, pois a mesma sabia de quem mencionava.
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  A filosofia da geração dos Fundadores era simples: A vida é um mar de rosas, somos nós que a transformamos em espinhos. Pode parecer simples, mas nas gerações futuras, o ideal de amizade contínua foi se afastando e dando lugar a ambição pelo poder ou rivalidades causadas pelo coração. Lionel tinha seus motivos pessoais para causar o caos na Continuum, seus alvos eram o próprio irmão pelo desejo de controle da família, e também Isador Dominos, o homem que conquistou a mulher que ele amava.
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  Entretanto, mesmo diante das circunstâncias apresentadas, aquela casa das montanhas não seria somente um local para selar alianças e acordos. O Natal estava se aproximando e mais convidados se encaminharam para o refúgio do Tenebrae. Os quartos preparados, o sistema de segurança ativado e a ceia sendo preparada por Emily Sollary, a esposa de Gregory, na companhia de Donna Fletcher. Gustav Sollary, o obstetra caçula da sua família, chegou na véspera do Natal acompanhado de Irina Baker. A cientista e bioquímica, por mais que tivesse seu orgulho ferido por amar tanto Godric e ter sido rejeitada na juventude pelo mesmo, ali estava ela deixando que a amizade a conduzisse, para ajudá-lo no que fosse preciso.
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  — Adeline?! — disse Irina ao dar dois toques na porta do quarto principal, onde seu alvo de proteção se encontrava.
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  — Bom dia, Irina. — Ela ergueu um pouco mais seu corpo, se mantendo sentada na cama. — Ver você aqui é inesperado, mas ao mesmo tempo reconfortante.
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  — Bem, nunca se nega ajuda a um amigo. — Revelou ela.
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  A cientista adentrou um pouco mais e fechou a porta, observou de relance a sutil decoração do quarto, bem ao gosto simples da mulher a sua frente. Adeline Ross, Irina Baker e Godric Tenebrae poderiam ser considerados um clássico triângulo amoroso da Continuum, entretanto, existe uma quarta pessoa nessa complexa história: Hilary Tenebrae, a esposa dele.
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  O casamento de Godric e Hilary havia sido por conveniência e pelos negócios, bem no início da administração da família Sollary na Continuum. Sua mulher, filha de um diplomata importante e filiada aos Draconis, não poupou esforços para convencê-lo que a união matrimonial de ambos selaria a paz entre as sociedades. Afinal, ele era o único chefe de uma família fundadora que estava solteiro na época do acordo. Mas o que Godric não contava com o tal casamento por contrato, é que se apaixonaria pela sobrinha de sua empregada, após a mesma passar o verão com a tia.
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  E foi ao descobrir este romance proibido que a fúria de Hilary fora despertada, apresentando todos os benefícios da sociedade que pertencia ao ambicioso Lionel Tenebrae.
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  — Como está? Não acreditei quando Godric me contou a história toda. — Irina deu mais alguns passos e puxou uma cadeira próxima para se sentar de frente para ela. — Mais ainda pelo fato de estar com a cabeça a prêmio.
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  — Bem, eu não deveria ter me deixado levar pelo charme dele. — Adeline riu baixo, lembrando-se da primeira rosa que ganhara do Tenebrae. — Eu sabia que ele era casado, sabia de tudo sobre a Continuum e o acordo de paz com a Draconis, eu sou apenas a sobrinha da empregada e mesmo sabendo de todos os riscos… Deixei meu coração me conduzir.
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  — Às vezes o nosso coração nos trai e não podemos fazer nada. — Comentou Irina.
  Seu coração havia lhe traído ao se manter apaixonado pelo amigo de infância. Ela sabia muito bem que jamais conseguiria o tipo de afeto que desejava dele, pois o mesmo já havia deixado claro que haveria somente amizade entre eles.
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  — Sim, mas as consequências existem e minha tia perdeu a vida por minha causa. — Adeline segurou suas emoções, ainda estava abalada pelos eventos anteriores ocorridos e a levou a ser mantida escondida naquela casa ao norte da cidade de Lavik. — E para completar, minha cabeça está a prêmio.
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  — É, não há como negar que a situação está bem delicada. — Constatou Irina. — Mas vamos ajudá-los a te manter em segurança.
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  — Baker… Em algum momento eles irão nos encontrar, eu sinto isso, não me importo com o que pode acontecer comigo, mas… — ela sentiu as lágrimas rolarem no canto dos olhos. — Há um ser inocente crescendo aqui dentro, preciso protegê-la.
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  — Quando descobriu a gravidez? — A cientista focou seu olhar na barriga dela, que já estava crescida.
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  — Quando demitiram a minha tia, saímos de Londres para ficar em Lisboa; Godric tentou nos manter seguras e juramos não nos encontrar mais. — Adeline voltou o olhar para a janela, observando os flocos de neve caindo do lado de fora. — Foi quando eu comecei a ter mal-estar continuamente, até fazer os exames por uma suspeita dela.
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  — Como está indo a gestação? — perguntou ao se inclinar um pouco mais e tocar na barriga da outra.
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  — Bem, eu acho. — Ela soltou um suspiro cansado. — O doutor Gustav tem vindo com frequência me visitar, tenho me sentido cansada com facilidade e descobrimos que minha gravidez por ser de risco devido a tantas emoções vividas.
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  — Pelo tamanho da sua barriga, deve estar quase no final da gestação. — Comentou ela.
  — Ah, não, estou no sétimo mês ainda. — Revelou. — Ainda falta bastante tempo.
  — Hilary sabe que está grávida? — Irina reforçou a seriedade de sua voz.
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  — Eu não sei, espero que não, mas se eu morrer, não me importa, só quero que o bebê sobreviva. — Ela voltou o olhar para a outra mulher. — Poderia me prometer que o protegerá, caso eu não consiga? Por favor, meu ajude a protegê-lo.
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  Baker respirou fundo. Ela sabia o quão perigoso era o pedido dela, e mais ainda que sua consciência não a deixaria negar ajuda.
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  — Não se preocupe, eu irei ajudá-la no que for necessário. — Assegurou.
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  Ambas ficaram se olhando por alguns instantes em silêncio, até que dois toques soaram na porta.
  — Atrapalho? — Era Godric abrindo a porta.
  — Não. — Irina se levantou da cadeira e o olhou.
  — Segundo Emily, a ceia está servida. — Anunciou ele.
  — Bem, então eu descerei na frente. — Irina se afastou, caminhando em direção a porta.
  Como sempre, ela segurou seu coração acelerado e manteve a postura de amiga habitual. Assim que Irina se retirou, Godric se aproximou de Adeline e a ajudou a se levantar.
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  — Tem certeza que quer participar? Não iremos apenas jantar, mas será uma reunião bastante estressante, não quero que fique cansada. — Perguntou, mantendo-a apoiada a ele.
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  — Não ficarei, querido. — Ela sorriu de leve para o homem. — Mas eu quero participar, é o futuro do nosso bebê que estará em questão.
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  — Tudo bem. — Ele sorriu de volta para a mulher e se moveu para a porta. — Mas se sentir qualquer coisa…
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  — Godric, o doutor está aqui, vai ficar tudo bem. — Reforçou Adeline.
  — Ando preocupado além do normal com tudo. — Confessou ele. — Só quero deixá-la em segurança.
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  — Eu já estou ao seu lado. — ela o beijou de leve e depois o fez voltar a caminhar.
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  No andar de baixo, todos já se acomodavam à mesa para a ceia. Mesmo com a situação atual preocupante, o clima natalino não poderia ser ignorado. Assim que Adeline desceu as escadas apoiada em Tenebrae, seu olhar avistou a árvore de Natal montada pela Sollary.
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  — Ah, que lindo! — disse ela, em seu tom baixo.
  — Que bom que gostou. — Emily se aproximou dela com entusiasmo e a abraçou. — E estou feliz por estar bem. Quando eu cheguei, Godric me disse que estava descansando, e como a casa estava com um ar tão triste, resolvi montar essa árvore para vocês.
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  — Sim. — Assentiu. — Obrigada por tudo, tenho passado a maior parte do dia na cama, Donna Fletcher tem me ajudado muito.
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  — Sua tia foi uma grande amiga minha, sabe disso. — Disse Donna ao se aproximar de ambas.
  — Vamos, querida. — Disse Godric.
  Ela assentiu e se sentou na cadeira ao lado da dele. Todos acomodados, Godric fez um discurso inicial de agradecimento pela presença de todos e a disponibilidade que tinham em ajudá-lo. O assunto deu início com a fala de Irina sobre sua situação familiar.
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  — Todos sabem que minha família está sob o comando da minha irmã e Allison já anunciou que se manterá neutra neste assunto, temos alguns negócios com famílias Draconis. — Revelou Baker. — Por isso minha ajuda será o mais oculto possível, assim ninguém suspeitará de mim e poderei agir com mais liberdade.
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  — Obrigado, Irina. — Disse Godric.
  — Agora o principal é manter Adeline em segurança, até que o bebê nasça. — Pronunciou Donna, ao começar a servi-los com a ceia. — Com um herdeiro envolvido, os Bellorum se prontificaram a intervir nas ações de Lionel.
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  Diante deles estava uma mesa farta com os preparos de Fletcher e Sollary. Ambas se divertiram muito na cozinha, enquanto preparavam a ceia com empolgação e altos risos.
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  — Precisamos resolver isso sem quebrar o acordo de paz com a Draconis. — Observou Godric. — Temos nossos confrontos indiretos com eles há anos, precisamos nos precaver, não quero que uma ação minha prejudique as outras famílias.
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  — Sabemos que os negócios deles são todos ilegais, não há chance da Draconis nos derrubar economicamente, há? — perguntou Gustav.
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  — Nossa preocupação agora não é com dinheiro, irmão. — Gregory chamando sua atenção. — Mas sim com a segurança de um herdeiro que está a caminho.
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  — Eu conversei com John, ele afirmou se manter neutro inicialmente. — Isador se pronunciou. — Sabemos que os Bellorum somente intervêm quando há possibilidade de prejudicar a Continuum, nossa sociedade tem leis e regras a serem mantidas…
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  — O que significa que uma briga interna de família não é da jurisdição deles. — Concluiu Donna com precisão. — A menos que possa envolver as outras.
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  — Já envolveu. — Emily elevou um pouco sua voz. — Querendo ou não, o fato de Hilary ter influências na Draconis já é algo a se considerar.
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  — Não se preocupem com a Hilary, ela é problema meu e somente meu. — Disse Godric.
  — O que está pensando em fazer, querido? — Adeline o olhou temerosa do que ele poderia fazer ou causar à esposa.
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  — Não se preocupe comigo, Adel, vai ficar tudo bem. — Assegurou ele, com um olhar apaixonado.
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  — Mas agora temos um herdeiro a caminho. — Irina voltou a se pronunciar. — Ou herdeira… Vocês já sabem o sexo?
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  — Ainda não, deixamos para saber quando nascer. — Respondeu Adeline.
  Todos desejaram felicitações mais uma vez pela gravidez. Este seria um Natal recheado de alianças inesperadas como a de Isador e Godric, amizades surpreendentes como a de Emily com Adeline e promessas entre as famílias que jamais poderiam ser quebradas.
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Creo en ti y en este amor
Que me ha vuelto indestructible
Que detuvo mi caída libre.
– Creo en Ti / Reik

40. Donna Fletcher

Dias Atuais… Primavera de 2018
– Algum lugar do Texas

  O sol da primavera estava radiante no céu quando Fletcher desembarcou no aeroporto particular da Continuum, escoltada por Nissah Petrov, a agente alpha da Darko. De forma surpreendente, aqueles dias na companhia da agente, a amizade entre ambas havia crescido e se aprofundado, com ambas trocando histórias do seu passado pós adoção.
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  — Estou impressionada com essas histórias sobre seu pai, e mais ainda por saber que ele trabalhava para o Andrei Tenebrae. — comentou ao entrar no carro de aluguel.
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  — Para ser honesta, ele não trabalhava diretamente para o Andrei, e sim para Vladimir Smirnov, um homem que mantinha negócios com ele. — explicou melhor ela, entrando no banco do motorista — Foi assim que o Tenebrae chegou até mim, e tentou me eliminar.
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  — Vou ser sincera, estou até o pescoço envolvida na Continuum e ainda não entendo tudo o que está acontecendo. — comentou , dando um suspiro fraco e depois brincou de leve — A única coisa que sei é que querem me matar.
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  Nissah riu junto, mantendo o olhar na estrada.
  — Eu também sei pouca coisa dessa história maluca. — confessou a agente — Apenas o básico que Nikolai me contou.
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  — Compartilha com as amigas, porque a única coisa que me disse é: quanto menos souber, melhor. — reclamou , praticamente imitando a voz dele e cruzando os braços — Como se isso me deixasse mesmo ameaçada.
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  Nissah não se conteve em cair na gargalhada. A agente que havia deixado a frieza e a raiva entrar em seu coração após quase morte, encontrou na garota ao lado a leveza que perdera na vida. E quem diria que as garotas do orfanato Miral se tornariam grandes amigas no futuro?
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  — Eu sei que tudo começou com uma guerra oculta entre a Continuum e a Draconis na época em que nossa sociedade foi fundada pelos cinco amigos. — iniciou ela a história — Todos os negócios da Continuum são lícitos e dentro das leis, ao contrário da Draconis, que é composta por famílias da máfia. Se me lembro bem, tem a japonesa liderada pelos Yamazaki, a italiana pelos Castellato, portuguesa pelos Laurento, norueguesa pelos Ahlberg.
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  — Quatro famílias? Não são 5? — questionou , estranhando a contagem.
  — Para quem não sabe de nada, está bem informada. — brincou Nissah, segurando o riso, ao girar o volante para seguir pela estrada lateral em direção ao destino traçado.
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  — Digamos que eu tenha encontrado alguns livros na biblioteca da Darko. — ela brincou de volta com um sorriso sapeca.
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  — Eu sabia que você não estava somente lendo romances ali. — comentou Nissah rindo baixo, ao trocar de marcha — Mas sim, há uma quinta família que foi extinta, dizem que foi totalmente dizimada pelo chefe da família Ahlberg, uma guerra interna que quase destruiu toda a sociedade.
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  — Que loucura. — sussurrou .
  — Isso não te lembra nada? — Nissah olhou para o seu reflexo pelo retrovisor dianteiro — O mesmo aconteceu com os Dominos quando foram atacados, o que difere é que alguns sobreviveram, e na Continuum levamos muito à sério a palavra amizade.
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  — Tenho percebido isso. — comentou — Mas você sabe quem é essa família extinta?
  — Não. Os próprios Draconis não costumam pronunciar o nome, e não sabemos quem são, mas… Só sei que era uma família britânica. — completou ela, pensativa nas informações que Nikolai havia lhe repassado.
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  — E você sabe como a guerra da Continuum começou? — perguntou curiosa.
  — Poder, inveja e ganância, as três palavras que resume o início, além de um ser chamado Lionel Tenebrae. — Nissah finalmente estacionou o carro em frente a um portão de aço — Mas o restante, acho melhor você saber pela pessoa que mais conhece essa história.
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  — Quem? — ela olhou o portão e depois a amiga, confusa.
  — Sua avó. — Nissah voltou o olhar para ela — Donna Fletcher.
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   voltou o olhar para o portão, finalmente estava no lugar dos segredos: a Academia Fletcher. Ela respirou fundo antes de descer do carro. Nissah havia prometido levá-la até lá, porém não poderia permanecer por ter outro compromisso em sua agenda de responsabilidades como agente alpha. Assim que ajeitou a mochila nas costas e tocou o interfone se identificando, sua avó na sala de segurança arregalou os olhos, ao vê-la pelo monitor. Donna jamais imaginou sua neta chegando naquele lugar.
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  — Senhorita Fletcher. — disse o sliter que a atendeu no portão, o olhar do rapaz se mostrou admirado ao conhecer a famosa neta de sua chefe — Seja bem vinda à academia, por favor, siga-me.
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  — Obrigada. — assentiu com um sorriso delicado e adentrou os portões.
  Mais um longo suspiro. Assim que seus olhos se depararam com o lugar que parecia a mistura de um centro de treinamento militar com uma fazenda normal do interior do Texas. Após passarem pelo caminho de terra demarcado com fileiras de seixos brancos, foi observando os muitos arbustos e canteiros de flores, sabendo bem que sua avó amava paisagismo, não havia se espantado. Na lateral leste do lugar havia os dormitórios dos sliters, a oeste o galpão de treinamento, bem ao centro a casa principal onde a matriarca Fletcher morava e estabeleceu seu centro de comando e informações.
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  — — disse ela, assim que a neta se colocou diante dela — O que faz aqui? Deveria estar na Rússia.
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  — Então a senhora sabia onde eu estava. — observou a garota.
  — Não entendo a sua surpresa. — Donna sorriu de leve — Você já sabe quem eu sou na Continuum, minha querida.
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  — A senhora é a mulher que guarda os segredos. — seu tom foi de confirmação.
  Donna soltou uma gargalhada boba e logo puxou sua neta para lhe dar um abraço forte e carinhoso. retribuiu sentindo seu coração apertar, a última vez que a viu foi no natal e após isso muitas coisas aconteceram até sua chegada ali. Em instantes, as emoções da bailarina foram sendo demonstradas através das lágrimas que escorriam pelo rosto.
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  — , por que está chorando? — ela continuou abraçando-a para confortá-la.
  — Eu passei por tanta coisa, mas agora com a senhora, me sinto tão segura. — confessou ela — Por que não me contou, vovó?
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  — Sobre a Continuum? — Donna se afastou um pouco e a olhou, então secou sua lágrima com o dedo indicador.
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  — Sim, e sobre a possibilidade de eu ser a herdeira Tenebrae. — sussurrou ela — Eu sou, vovó?
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  Donna respirou fundo, mantendo o olhar mais preocupado para sua neta. Ela sabia a resposta, entretanto não podia contar a história por completo para ela.
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  — Querida, venha e descanse um pouco, a viagem foi longa e tenho certeza que também deve estar com fome. — ela pegou em sua mão — Vou lhe mostrar o quanto que poderá ficar.
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  — Vovó?! — insistiu ao perceber a rápida mudança de assunto — Por que não posso saber?
  — Porque este segredo não é meu. — explicou ela, ao conduzi-la para dentro da casa — A Continuum foi construída na base da amizade, mas foram os acordos e as promessas que a manteve de pé.
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  — E a senhora fez alguma promessa? — perguntou ao segui-la pela casa até chegar no corredor dos quartos.
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  — Sim, fiz muitas promessas e uma delas foi de deixá-la longe da Continuum e em segurança. — respondeu Donna, parando em frente a uma porta e abrindo para que ambas entrassem.
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  — Isso quer dizer que…? — insistiu na indagação tirando suas próprias conclusões.
  — Quer dizer que está segura aqui. — Donna observou sua neta entrar no quarto e olhar em volta toda a ambientação do lugar.
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  — Vovó, soube que chegou alguém da família… — a voz de Yasmin soou corredor até que a mesma apareceu da porta — .
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  — Minie! — a bailarina abriu um largo sorriso ao vê-la.
  As irmãs se abraçaram de imediato sob o olhar carinhoso da avó para elas. Era raro os momentos em que Yasmin visitava a academia, e naquele momento estava a negócios, pois a família Tenebrae havia requisitado mais sliters para protegê-los.
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  — O que faz aqui na casa da vovó? — perguntou Yasmin ainda surpresa pela presença da irmã.
  — Então… — olhou para a avó.
  — Sua irmã estará mais segura aqui. — confirmou Donna.
  — Ah, o lance da herdeira. — Yasmin pegou a referência e se afastou um pouco da irmã — Bem, eu tenho que ir, não posso demorar vovó.
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  — Mas já? Nem conversamos e colocamos as novidades em dia. — reclamou Jennie.
  — Eu também acho que você poderia ficar mais um dia aqui. — concordou Donna ao olhar a neta — Fique aí com sua irmã, vou preparar algo para vocês comerem.
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  Elas assentiram e ficaram em silêncio por um instante, até que iniciou sua chuva de perguntas.
  — E você Minie? O que está fazendo aqui? E como virou assistente de um Tenebrae? Sabia que o pai dele quer me ver morta? — encostou na parede olhando-a curiosa.
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  — Calma, , Lionel não quer te matar, não que eu saiba. — disse Yasmin — Mas Andrei, esse sim é a pessoa mais perigosa que existe.
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  — Você o conheceu de perto? — perguntou , caminhando até a cama para se sentar.
  — Trocamos palavras algumas vezes, bem no início do meu estágio no escritório de Carlise, mas nunca me aproximei muito de ninguém daquela família. — contou ela, lembrando-se da primeira vez que o vira em uma festa de campanha em que seu chefe apoiava a candidatura de um senador americano.
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  — Eu o vi quando fui sequestrada. — voltou o olhar para a janela relatando o ocorrido — Ele queria atrair a Annia e a .
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  — A sliter dos Dominos. — sussurrou Yasmin pensativa — Eu a vi algumas vezes e da última não gostei muito.
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  — Por quê? A é maravilhosa, gosto muito dela e queria ser tão forte quanto. — confessou .
  — Ela me dá medo. — retrucou Yasmin.
  — Te entendo, ela tem um olhar intimidador, assim como a Annia. — soltou um suspiro — Foi tão legal rever minhas amigas e saber mais sobre o que aconteceu com elas nesse tempo… Minie você não vai acreditar, mas a Annia Baker se casou com o Cedric, aquele Cedric que foi meu amigo desde o fundamental.
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  — O Cedric que eu achava que fosse se casar com você de tanto que viviam grudados? — Yasmin ficou boquiaberta.
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  — Sim, ele conheceu ela bem antes de mim, quando eram menores. — explicou se entusiasmando — E não, Cedric sempre foi como um irmão para mim, nunca a gente se viu assim como um casal.
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  A bailarina soltou uma gargalhada boba.
  — E enquanto isso, você namorada o Bellorum escondido. — concluiu a irmã.
  — Prefiro não comentar sobre o ocorrido. — fez um olhar sério, mantendo a serenidade.
  — Ah, por falar nisso, o que tem acontecido com você? O que realmente a trouxe aqui? — perguntou Yasmin curiosa — A última vez você estava com o Dominos e depois soube que estava na Darko da Rússia.
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  — A história é longa e por hora, estou solteira. — contou ela, tentando não se abalar mais uma vez por lembrar do ocorrido.
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  — Uau, nem e nem ? — boquiaberta ela estava.
  — Agora eu só quero me sentir capaz de proteger a mim mesma. — confessou sem medo — Estou cansada dessa história de herdeira e me sentir indefesa.
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  — E veio ao lugar mais difícil para isso? — ela não conseguia entender as intenções da irmã.
  — Sim, vim porque quero me tornar mais forte. — afirmou — E o único lugar capaz de me ajudar é aqui, quero ser tão imponente quanto minhas amigas e não precisar de ninguém para me salvar.
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  Yasmin compreendeu as palavras da irmã e com um sorriso reconfortante, deu alguns passos até ela e a abraçou. retribuiu o abraço, sabia que podia contar com o apoio da irmã. Elas passaram mais algum tempo conversando sobre os romances de Yasmin com o primogênito Tenebrae, as novidades sobre tia Beth querer expandir seu hostel em Seattle e montar uma filial em Chicago e outra em Los Angeles. E por fim, saber sobre o relacionamento de sua mãe adotiva Marie com o John Bellorum, o pai de .
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  — Eu juro que ainda estou em choque com a notícia da mamãe com o Bellorum. — tentava absorver a ideia dessa união.
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  — Pois é, eu também, principalmente com o fato dela ter proibido a todo custo sua aproximação com , mas é claro que agora sabemos o motivo. — comentou Yasmin.
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  Mesmo que na época do ensino médio da irmã, a mais velha estava em seu momento universitário bem longe, as mensagens que trocavam a deixava a parte de tudo o que acontecia. Ambas sempre ficaram inquietas com a forma em que o chefe Bellorum acatava todos os pedidos de Marie, pedidos esses que pareciam mais ordens ao ver das garotas.
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  — Mas agora não importa, nossa mãe não manda mais na minha vida e não vou deixá-la se intrometer mais. — as palavras de continham firmeza e segurança.
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  — Que orgulho da minha irmãzinha. — Yasmin sorriu de leve — Você tem amadurecido bem, .
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  — É, a vida tem feito isso, e de uma forma bem perigosa. — brincou.
  — Onde estão minhas netas? — a voz de Donna surgiu vinda da cozinha, assim como o cheiro de torta de maçã tirada do forno e chocolate quente feito na hora.
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  — Vovó! Estamos sentindo o cheiro — disse Yasmin ao segui até lá com a irmã.
  — Sim, e parece estar muito gostoso. — concordou , ao entrar na cozinha e já seguir para se sentar na banqueta — Esse cheiro me lembra do primeiro natal que passei com vocês depois de ser adotada, a senhora me levou uma bandeja de café da manhã no quarto e tinha chocolate quente porque o dia estava mais frio que o normal e um pedaço de torta de maçã.
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  Ela suspirou saudosamente ao lembrar-se.
  — A vovó sempre gostou de nos fazer essas surpresas. — contou Yasmin ao se sentar na banqueta ao lado da irmã — Também sinto saudade dos tempos de criança, não tínhamos muita preocupação.
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  — Nós crianças não. — voltou o olhar para a avó — Já nossa avó…
  — Eu sempre me preocupei com a segurança de vocês. — confessou ela, cortando duas fatias da torta para servi-las — Agora, que tal deixarem essa nostalgia e saborear essa torta?
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  — É tudo que eu precisava. — pegou o prato da mão dela e já deu a primeira garfada — Hum… Exatamente como eu lembrava.
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  Yasmin riu da cara dela e começou a comer a sua fatia. Por um lado, a matriarca Fletcher estava feliz de ter sua neta por perto, por outro lado, estava temerosa do que poderia descobrir estando ali em sua academia.
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  Dois dias depois da partida de Yasmin, se manteve silenciosa e observadora quanto ao treinamento dos sliter presentes. Ao pôr do sol de uma sexta-feira refrescante, da janela de seu quarto, ela ouviu barulhos vindos do galpão. Sua curiosidade a impulsionou a sair do quarto e seguir até lá, ao terminar de passar pelo corredor, ela avistou a porta do porão entreaberta. Era uma oportunidade para descobrir o motivo para que aquela única porta permanecesse trancada. Descendo as escadas lentamente, quase segurando a respiração para não fazer barulho, aos poucos conseguiu ouvir sua avó atender o telefone, deixando-o no viva voz.
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  — Castelatto?! — disse Donna, surpresa pela ligação — Não sabia que a Interpol deixava seus hóspedes fazerem ligações a qualquer momento.
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  — Bom dia, para você também, Donna Fletcher. — disse a voz feminina do outro lado da ligação — Estou surpresa por não saber que agora, estou sob a jurisdição da Darko, e não da Interpol.
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  — está por aí?! — perguntou a matriarca.
  — Oi Donna. — a voz de surgiu.
   arregalou os olhos, se abaixando um pouco para esconder atrás de um móvel, queria entender a ligação e quem era a tal Castelatto.
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  — O que faz com o inimigo? — perguntou Donna — Seu pai não te criou para isso.
  — Vou me sentir ofendido agora, Donna, achei que ainda gostasse de mim. — Vincent entrou na conversa, deixando um tom chateado na voz.
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  — Ah, Vincent, agora que agora estou entendendo. — contatou Donna o motivo da ligação — Inimigo do meu inimigo…
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  — É meu amigo. — completou Castelatto, tinha um tom de imponência na voz — Xeque-mate.
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  — Por que estão me ligando? — Donna sentou na cadeira, mantendo o olhar na tela do computador.
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  — Precisamos organizar um jantar com todos os herdeiros, da Continuum e dos Draconis. — respondeu Andrei está com os dias contados, no que depender de nós.
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  — Espera, então é mesmo verdade que ele traiu a Draconis? — perguntou Donna, surpresa.
  — Sim, por isso faremos um novo acordo com eles. — respondeu Vincent.
  — Em breve, a Draconis não vai mais existir e em seu lugar, teremos uma nova sociedade totalmente legalizada, então… Acho que podemos ter alguns acordos benéficos para ambos. — concluiu Castelatto.
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  — Devo presumir que sua família é a atual no comando então? — observou Donna.
  — Sim, e eu falo por todos. — assentiu a mulher.
  — Muito bem, digam-me o plano de vocês então. — continuou a Fletcher.
  Escondida, deu um passo para trás e se afastou. Ela poderia ter permanecido lá, mas sua mente estava tão confusa com as lembranças de seu sequestro que se viu desnorteada demais para continuar ali. Seus pés a conduziram para fora da casa e quando se deu conta já estava na porta do galpão. Assim que a bailarina despertou de seu devaneio, ela se deparou com uma competição de luta acontecendo ali.
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  — Ah, senhorita Fletcher. — o mesmo sliter que a recepcionou no dia de sua chegada se aproximou dela — Deseja alguma coisa?
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  — O que está acontecendo aqui? — perguntou curiosa, mantendo longe os pensamentos que a perturbavam.
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  — Estamos no nosso competição de luta mensal. — respondeu ele, num tom animado — Fazemos isso para medir o nível de força e habilidade dos sliters e detectar suas fraquezas para que melhorem.
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  — Interessante, posso assistir? — pediu ela.
  — Claro, senhorita.
  — Ah, por favor, me chame de . — disse ela, sorrindo de leve — E você? Como se chama?
  — Carl. — respondeu ele.
  Aquele momento de distração seria uma forma, meio louca, de fugir da realidade. E era o que precisava para paralisar seus pensamentos sobre tudo que envolvia a Continuum, mesmo que os sliters e todo o universo da academia pertencessem a ele.
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  — Uau. — sussurrou ela, após assistir a segunda luta, em que uma jovem sliter conseguiu derrotar um veterano bem mais robusto e forte que ela.
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  — Está impressionada, querida? — logo sua avó apareceu ao seu lado.
  — Sim, vovó. — ela olhou para a mulher, que mantinha os olhos fixos no ringue — Me fez lembrar a .
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  — A Miller é e sempre será a melhor sliter que já existiu aqui. — confessou a avó sem nenhuma entonação de favoritismo.
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  — Imagino que sim. — concordou ela, voltando o olhar para os dois lutadores que subiram para lutar.
  — Não vai me perguntar sobre a ligação? Eu sei que estava escondida atrás do móvel escutando. — comentou Donna, mantendo o olhar para frente, com rosto suave.
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  — Se eu perguntar, vai me responder? — indagou .
  — Talvez. — brincou ela, sorrindo de canto.
  — Talvez? — a olhou.
  — Você acha que está mesmo pronta para entrar na Continuum e assumir todos os perigos que isso trás? Está preparada para se defender sozinha quando for necessário? — Donna voltou seu olhar sério para ela — Há muitos segredos que você não consegue imaginar, sua mente está pronta para saber de toda a história?
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  — É por isso que estou aqui, vovó. — disse com firmeza — Quero ser mais forte que o meu inimigo.
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  — Isso me deixa orgulhosa. — disse a avó, controlando suas emoções, mas com um brilho no olhar.
  Com sua família Donna era a avó carinhosa e animada, que contava histórias e cozinhava para a família, entretanto ali na academia, ela era a imponente chefe que não se deixava abalar pelas dificuldades. Era o ponto de força para seus sliter.
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  — Se estiver disposta a aprender com sua avó. — continuou a matriarca — Ficarei orgulhosa em lhe transformar em minha herdeira.
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  — O que isso quer dizer, vovó? — perguntou ela, ficando meio confusa.
  — Quer dizer que se você quiser, posso te treinar para ficar em meu lugar como a próxima chefe da Academia e da família Fletcher. — explicou ela, deixando mais claro suas intenções.
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  É claro que a matriarca sabia que não viveria para sempre e precisava de alguém para substituí-la no legado da família, e nada melhor que a neta mais ousada e determinada para isso. Afinal, suas filhas Marie e Beth juraram não se envolverem com essa parte da vida de sua mãe, seus outros netos, como Yasmin e Junior, não tinham o perfil que ela ambicionava para uma boa líder. Restava Philip, o hacker da família que não tinha nenhuma aptidão para combate corpo a corpo.
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  Sim.
   era a melhor escolha para Donna Fletcher.
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  E por dentro, o coração da bailarina estava pulsando forte para finalmente conhecer o lado Continuum de sua avó.
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Se você não pode voar, então corra
Hoje nós vamos sobreviver
Se você não pode correr, então ande
Hoje nós vamos sobreviver
Se você não pode andar, então rasteje
Mesmo se você tiver que rastejar, dê um jeito (dê um jeito)
Preparar, apontar, fogo

– Not Today / BTS

41. Equilíbrio

Le Petit, Seattle

  Não há como negar, o coração de estava aflito e ansioso. Seu pulsar ficou mais forte assim que ele ouviu os passos de ao subir a escada, com uma ajudinha de seu salto alto. A residente finalmente havia voltado a sua razão, após ficar cinco minutos encarando os degraus, encerrando seu tempo de indecisão. Assim que a porta que estava entreaberta se abriu, o olhar de Baker elevou do chão até encontrar o rosto de sua esposa. Ela respirou fundo e terminou de entrar no escritório, fechando a porta em seguida.
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  — … — assim que iniciou sua fala.
  Sollary se impulsionou mais que depressa e lhe interrompeu com um beijo caloroso e intenso. ficou estático de início até que aos poucos sua mente foi despertando e em segundos retribuiu o carinho que vinha de sua esposa. Ele estava surpreso com a reação de , entretanto feliz por ela ter agido o contrário que ele imaginou temeroso.
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  — Devo levar seu gesto como um sinal de paz? — sussurrou ele, segurando o riso.
  Ela também tentou controlar seus sentidos com a malícia que sentia emanar dele.
  — Quem disse que estávamos brigados? — retrucou ela, com um tom de brincadeira — Imagino que esteja tão perdido quanto eu fiquei, me desculpe por minha reação.
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  — Uau, Sollary pedindo desculpas? — ele elevou sua mão direita até a testa dela — Está com febre?
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  — Seu chato, deixa de ser bobo. — ela retirou a mão dele, rindo de leve — Não estou doente… Só recebi conselhos sábios de um amigo, que me abriram os olhos.
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  — Um amigo Dominos? — supôs.
  Ela assentiu com um sorriso.
  — Você teve mais alguma conversa com a tal tia? — indagou , curiosa para saber o restante da história.
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  — Tal tia?! — ele olhou-a desconfiado e com um sorriso de canto bobo — Está com ciúmes, minha esposa?
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  — Claro que não, meu marido. — respondeu ela, devolvendo com um olhar debochado, então envolveu seus braços — Só quero me inteirar da história.
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  — Hum… — ele manteve o sorriso de canto, com um olhar mais malicioso — Acho que essa história pode ficar para depois, afinal… Este lugar tem me dado outras ideias…
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   soltou uma gargalhada boba, já entendendo as intenções indiscretas de Baker.
  — Baker, não estamos na sua oficina. — comentou ela, sendo aninhada pelos braços dele.
  — E o que nos impede? — sussurrou ele, com um olhar ousado.
  E sentindo o primeiro beijo instigante de seu marido em seu pescoço, apenas se rendeu, não se importando com o ambiente em que ambos se encontravam. Afinal, era um amigo e entenderia as aventuras românticas do recém-casados ali presente. No final, não se completaria nem vinte e quatro horas do pequeno afastamento do couple Baker-Sollary, e no que dependesse dele, jamais havia uma sequer briga entre ambos.
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   não havia tido nenhum exemplo de relacionamento estável ou algo do tipo vindo de sua mãe. Em toda a vida ele apenas vivenciou Allison Baker ser uma mulher manipuladora, fria e calculista, mas ele sabia que o único homem que sua mãe tanto desejou na vida, foi aquele do qual nunca conseguiu uma gota de amor. Se o feitiço havia caído contra o feiticeiro, ele não sabia, mas que foi uma surpresa e tanto saber que Dimitri era o pai biológico de Annia. Algo que apenas confirmou que sua mãe, que tanto controlou as outras pessoas, foi controlada por quem menos esperava.
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  — Não acredito que profanamos o escritório do . — deixou seu comentário soar com um tom de brincadeira, enquanto ajeitava sua roupa no corpo.
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  Ele deu uma risada rápida e se encostou na mesa, de braços cruzados observando-a atentamente.
  — O que está me olhando? — perguntou ela, ao perceber e olhá-lo de volta.
  — Esse vestido é novo. — comentou ele, em tom de afirmação.
  — Desde quando conhece meus vestidos? — ela ficou intrigada.
  — Está impressionada? — ele riu novamente, e se moveu para se aproximar dela — Já disse que conheço tudo a seu respeito.
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  — Hum… — ela esticou a mão direita o parando no meio do caminho, dando um espaço considerável entre os dois — E não está com ciúmes? Sabendo que sua esposa está usando um vestido desconhecido?
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  — Claro que estou. — brincou ele, arrancando um sorriso bobo dela — Mas tenho que admitir, a pessoa que comprou tem muito bom gosto, te deixou ainda mais sexy.
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  — Seu bobo! — ela riu alto e bateu de leve no ombro dele — Devemos sair à francesa?
  — O que você prefere? — perguntou ele.
  — Hum… Prefiro passar a noite com você! — respondeu ela, dando mais um passo para frente dele e ajeitando sua camisa.
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  Ele piscou de leve e segurou sua mão, então se moveram para sair do escritório. Ao abrirem a porta, deram de cara com Nancy, a gerente do restaurante. O olhar da garota tinha traços de constrangimento e surpresa, ela sabia que o casal estava no escritório, só havia ouvido coisas que não deveria, deixando-a envergonhada.
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  — Senhor e senhora Baker… — a mulher respirou fundo, mostrando-se serena — O senhor Dominos me pediu para acompanhá-los pela saída dos fundos, assim teriam mais privacidade.
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  — Uau, ele pensa em tudo. — comentou impressionado.
  — Está aí nossa saída à francesa. — concordou , assentindo.
  Nancy os acompanhou pela lateral até que acessaram a passagem dos funcionários. Da porta de saída até a moto de foi um espaço curto, seguro e principalmente discreto. Ao som do motor ligado, a residente se agarrou na jaqueta do marido e assentiu para que o mesmo os levasse para casa. Não demorou muito até que chegaram ao apartamento de , no qual definitivamente seria a morada dele.
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  — Preciso de um banho. — sussurrou ela, ao seguir em direção ao quarto.
  — Que sugestivo, depois eu é que sou o tarado. — brincou ele, enquanto retirava sua jaqueta.
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  — Eu só disse que preciso de um banho, você quem tem a mente maliciosa demais. — retrucou ela, ao parar no corredor e encará-lo.
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  — Quando se trata de você, todos os meus pensamentos são maliciosos. — ele sorriu de canto e a segurou pela cintura.
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  — Eu criei um monstro. — comentou ela, tentando empurrá-lo, mas se desequilibrando ao pisar em falso — Ai.
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  — O que foi? — perguntou ele, voltando o olhar para o tornozelo da esposa — Machucou?
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  — Não, eu só pisei em falso. — respondeu ela.
  — Tem certeza? — reforçou.
  — Tenho sim, está tudo bem. — ela sorriu de leve e piscou — Eu vou tomar um banho e você vai pedir pizza.
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  — Pizza? — ele riu — Sério?
  — Claro que sim, eu não brinco quando o assunto é comida. — ela cruzou os braços ficando séria — E minha favorita é…
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  — Quatro queijos, eu sei. — disse ele — Só é estranho sairmos da inauguração de um restaurante e chegar em casa pedindo pizza.
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  — Senti um desejo forte de comer pizza. — ela manteve a suavidade no olhar, enquanto ele ficou intrigado — E não Baker, eu não estou grávida ou algo assim.
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  — Eu não disse nada. — ele em sua defesa.
  — Mas seu olhar te condenou. — explicou ela — Agora vai.
   deu uma risada rápida da cara dele, enquanto seguia para o banheiro. Assim como pedido, ligou para o serviço de entregas e pediu duas pizzas grandes, uma de quatro queijos e outra de marguerita. Foram longos minutos da residente dentro da banheira relaxando, até que sentiu o cheiro da pizza rescindido no lugar.
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  — Que cheiro gostoso. — comentou ela, vestida com o roupão de banho, seguindo para a sala.
  — A melhor pizza de Seattle, segundo os meus funcionários. — disse ele, ao ajeitar as duas caixas em cima da mesa de centro, juntamente com a caixa de suco natural — Comprei no Post Alley para experimentar.
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  — Hum… Espero que seja boa mesmo, porque sempre comprei no Zeeks, apesar de ser mais cara, é uma delícia. — ela deu mais alguns passos e pegou a nota fiscal — Eu só estou vendo duas, por que ele cobrou três? — perguntou , confusa.
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  — Eu comprei mais uma e deixei com a Rosalie. — explicou ele — Achei que elas pudessem estar com fome, como sabe, meu apartamento não tem muita coisa interessante.
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  — Ah… — se sentiu incomodada internamente, claro que não seria fácil se acostumar com a inesperada realidade, então teria que ser mais paciente do que imaginou.
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  — Está tudo bem para você? — perguntou ele, ao olhá-la com seriedade.
  — Claro, você não pode deixar sua filha com fome e seja lá quem estiver com ela. — tentou disfarçar.
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  — Eu não sei se Rosalie vai ficar, para ser honesto, eu não pensei em muita coisa depois que o caos foi jogado em nosso meio, só estava preocupado com você e nós. — confessou ele — Mas nada como uma noite de descanso pra colocar as ideias em ordem.
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  — Do que está falando? — ela cruzou os braços.
  — Estou falando que amanhã resolveremos como tudo vai ficar. — ele se aproximou dela e descruzou os seus braços — Enquanto isso, vamos aproveitar nossa pizza hoje e que tal um filminho sugestivo?
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  Ela caiu na gargalhada.
  — O massacre da serra elétrica? — brincou ela, com um tom debochado.
  — Depois eu que sou perigoso. — ele fez um olhar de chocado — Estava pensando em algo mais, romântico.
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  — Romance para mim é uma maratona de Chicago Med. — disse ela, ao se desviar dele e sentar no sofá já pegando o controle.
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  — Pelo menos você não disse a série que os médicos morrem e os pacientes vivem. — ele segurou o riso esperando o olhar atravessado dela.
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  — Olhe como você fala de Grey’s Anatomy.
  — Eu tô mentindo? — a olhou tranquilamente.
  — Não, mas também não precisa falar tão abertamente assim, eu ainda não superei a morte do Derek. — reclamou ela, fazendo bico.
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  — Então é por isso que você não tem assistido mais? — ele riu de leve.
  — Não ria de mim, eu não estava preparada para aquela cena. — explicou ela, em sua defesa.
  — Tudo bem, vamos de Chicago Med então. — ele segurou o riso e sentou ao lado dela — Mas se você dormir, da próxima vez eu coloco Chicago Fire.
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  Ela o olhou de forma séria.
  — Cada um com a sua preferência, gosto mais dos bombeiros, tem menos sangue. — brincou ele.
  — Ha… Ha… Ha… Falou a pessoa que ama se machucar. — ela voltou o olhar para o joelho dele — Como estão esses pinos?
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  — Normal, não tem doído tanto quanto antes. — respondeu.
  — E os analgésicos? — insistiu.
  — A Torres mudou minha receita, está tudo bem. — ele pegou o primeiro pedaço e sorriu para ela — Vamos comer?
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   assentiu retribuindo o sorriso e pegando seu pedaço escorrendo queijo. A noite do casal foi mesmo romântica à moda da residente, se servindo de sua pizza favorita e sendo acariciada pelo mecânico que acelerava seu coração. Claro que antes que pudessem chegar no quarto episódio da terceira temporada, Sollary já havia se rendido ao sono e adormecido nos braços dele. ao perceber, apenas pausou o episódio e ficou longos minutos acariciando os cabelos de sua esposa, olhando-a com carinho.
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  — ? — sussurrou ele, ao notar que ela ainda vestia o roupão de banho — Amor?
  A residente sorriu de leve ao ouví-lo, mantendo seus olhos fechados.
  — Eu não estou dormindo. — sussurrou ela, de volta — Por que desligou a TV?
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  — Eu não desliguei a TV. — ele riu baixo — Acho melhor você vestir seu pijama e irmos dormir.
  — Não estou com sono, não quero dormir. — disse em sua teimosia.
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  — , você estava dormindo. — insistiu ele.
  — Não estava não. — ela abriu um pouco os olhos — Estava descansando minha vista.
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  — Sei. — ele a olhou sério.
  — Tá bom. — ela assentiu e meio cambaleando, se levantou do sofá.
  Em um piscar de olhos, a pegou no colo de surpresa, levando-a para o quarto.
  — Baker, eu tenho pernas, sabia? — comentou ela, assim que o mesmo a deixou de pé no centro do quarto.
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  — Só estava garantindo que você não tropeçasse pelo caminho. — ele piscou de leve e se virou para sair.
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  — Aonde vai? Me chama para dormir e me abandona no quarto? — ela estranhou.
  — Calma, senhora Sollary Baker, eu já volto. — disse ele, saindo pela porta — Preciso recolher as coisas da sala.
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  Ela assentiu ainda sonolenta e se virou para o closet. Enquanto a residente colocava seu pijama, ao chegar na sala foi recolhendo os copos e guardando o restante dos alimentos na geladeira. Desligou a televisão e ajeitou as almofadas no sofá, então apagou as luzes e retornou para o quarto. Ao chegar, encontrou sua esposa já deitada na cama e completamente adormecida.
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  — Não está com sono, não. — sussurrou ele, rindo baixo — Você vive com sono.
  Ele se espreguiçou um pouco, retirou o celular do bolso da calça e trocou de roupa. Antes de deitar ao lado de , Baker pegou novamente o celular e olhou as mensagens que recebeu. Algumas eram de James relatando alguns assuntos da oficina que somente ele poderia resolver, e uma em especial era de sua irmã Annia, comunicando que estava preparando um jantar em comemoração ao casamento deles, juntamente com Joseline Sollary.
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  Um suspiro cansado surgiu, assim que ele imaginou a possível reação da mulher ao seu lado, quando soubesse da notícia.
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  Na manhã seguinte, acordou ouvindo algumas vozes alteradas vindo da sala. Reconhecendo uma delas como a da sua cunhada. O que estaria Annia fazendo ali? Ela se trocou rapidamente e seguiu para sala, quando chegou se deparou com um clima pesado e de confronto de olhares sérios entre os irmãos.
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  — O que está acontecendo aqui? — só então o olhar de se voltou para o canto da sala, onde estavam Rosalie e Molly se escondendo atrás da tia.
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  — Oi cunhadinha, tudo bem? — Annia abriu um sorriso sarcástico, como se nada estivesse acontecendo — Vim visitar os recém-casados.
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  — ? — ela olhou para o marido.
  — Annia veio por outro propósito. — explicou ele, claramente — Ela sabia sobre a Molly.
  — Annia? — voltou seu olhar chocado para a cunhada.
  A chefe Baker por outro lado se manteve serena como sempre. Estava mais preocupada com outros assuntos que desenvolveram a situação até aquele estado.
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  — faz uma tempestade em um copo de água. — ela voltou o olhar para Rosalie — Eu estava cuidando muito bem de vocês duas, me chateia ter perturbado a lua de mel do meu irmão.
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  Annia foi sutil em suas palavras, mas o que realmente queria dizer é: Você estava em segurança e me desobedeceu, não era para meu irmão saber desta forma, então se prepare para arcar com as consequências.
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  — Me desculpe, senhora Baker, mas sabe muito bem meu motivo de vir. — retrucou Rosalie, segura de que nada lhe aconteceria, enquanto estivesse sob a proteção do pai de sua sobrinha.
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  — Afinal de contas, o que a trouxe aqui? — perguntou diretamente ao marido.
  — Há três meses a mãe de Molly foi assassinada, e quase chegaram na minha filha. — respondeu , retirando o cartão do bolso — Isso te lembra alguém?
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   pegou o cartão e fixou seu olhar no brasão e nas letras iniciais desenhadas.
  — Andrei Tenebrae. — afirmou ela, chegando a conclusão.
  — Por isso elas estão aqui. — concluiu ele.
  — Como não mataram meu irmão, atacaram sua descendência. — completou Annia com simplicidade — Eu jurei a nossa mãe que não te contaria sobre isso, por isso não contei, não se quebra um juramento de família.
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  — Mas poderia ter facilitado para que eu descobrisse. — retrucou ele, ainda indignado com a tranquilidade da irmã — Annia, era um direito meu saber.
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  — E mudaria em quê? Nossa mãe jamais aceitaria um bastardo na família. — disse a Baker, conhecendo quem a criou.
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  — E você é o quê? — ele não mediu as palavras, mas controlou a raiva.
  — Sou adotada legalmente, é diferente. — ela respirou fundo — Vou relevar seu ataque considerando que está chateado e raivoso.
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  — Não diga. — ele bufou.
  — Ok, o que importa é que a Molly agora está à salvo e descobriu que ela existe. — entrou no meio de ambos — O fato a ser avaliado é como ficará essa situação.
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  A residente olhos para Rosalie.
  — Elas ficarão morando no seu apartamento? — continuou Sollary.
  — Sim. — disse , ao mesmo tempo que Annia disse — Não.
  Ele se voltou novamente para a irmã.
  — Seria perigoso demais se as duas ficassem juntas. — argumentou Annia, antes que ele pudesse contestar — Eu já pensei em tudo no caminho para cá, Molly ficará com vocês dois, e Rosalie virá comigo para Manhattan.
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  — Eu não quero ir com você, prefiro ficar à minha sorte. — Rosalie se opôs de imediato.
  — Você não tem o direito de querer nada, então não ouse se negar. — reforçou a Baker com o olhar intimidador.
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  — Está me ameaçando? — retrucou Rosalie.
  — Ah não, querida, ainda não é uma ameaça. — respondeu Annia, com ar irônico.
  — Já chega, as duas. — elevou um pouco a voz e respirou fundo.
  Ele já não sabia como agir ou reagir a tudo. E conseguia sentir nitidamente que precisava apoiá-lo de alguma forma.
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  — Tudo que essa criança conhece na vida está relacionado à tia. — a residente se pronunciou — Por mais que eu odeie a ideia, acho que por agora, até que a Molly se acostume conosco, seria mais prudente a tia dela ficar por perto.
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  Mesmo relutante, Annia concordou com a sugestão de , que pareceu sensata. Mais alguns pontos daquele acordo foram alinhados entre e a sua irmã, que fez questão de deixar claro que manteria um sliter por perto para observar Rosalie.
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Eu apenas desejo esses pequenos confortos
Você não sabe do meu coração,
Que sempre quer fazer mais por você.
– No Other / Super Junior

42. Pausa para Felicidade

Em algum lugar de Chicago…

  O momento da verdade poderia ser considerado um recomeço para o casal complexo, mas claro que havia a possibilidade das coisas não voltarem a ser como antes. Era óbvio que o cargo de como a sliter segurança seria restituído, afinal, jamais aceitaria que a mesma continuasse distante. De braços cruzados, encostado na parede, ele a observava conversando com Fisher a poucos metros de distância. O corredor ficou silencioso até que duas garotinhas passaram por ele aos risos, indo em direção a sua sliter.
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  — Titia! — gritaram juntas.
  — Olá queridas! — as abraçou apertado e sorriu um pouco — Como estão?
  — Cansadas. — respondeu Margareth, retomando o fôlego.
  — Brincamos a tarde inteira no jardim. — contou Jullie em euforia.
  — Isso é bom, então devem estar famintas também. — se manteve abaixada para ficar na altura delas.
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  — Estamos sim. — assentiu Margareth.
  — Deixa que essa parte o papai cuida. — Fisher abriu um largo sorriso para as filha e pegando Jullie no colo — Que tal um sanduíche de queijo para o jantar e depois sorvete?
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  — Vamos poder tomar sorvete hoje? — Margareth perguntou com os olhos brilhando — O senhor está nos enganando?
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  — Claro que podem. — assegurou , rindo de leve — A tia não vai deixar o papai enganar vocês.
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  Ela piscou de leve para a sobrinha, que deu um pulo de felicidade.
  — Tia vai com a gente, papai? — Jullie perguntou esfregando de leve seu olho.
  — Não, querida. — Fisher respondeu com serenidade — Tia está muito ocupada agora e vocês duas, depois de comerem, vão tomar um banho e descansar.
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  — Isso mesmo, se eu ficar, passaríamos a noite toda acordadas vendo televisão. — brincou , ao fazer cócegas em Margareth — E como ficaria amanhã? Não acordariam cedo.
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  — Eu queria ficar mais tempo com a titia. — reclamou Jullie.
  — Eu também! — concordou Margareth.
  — Prometo que em breve teremos nossa festa do pijama das garotas. — assegurou ela, erguendo seu corpo e olhando mais seriamente para Fisher — Qualquer coisa, não hesite em me ligar.
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  — Vai ficar mesmo tudo bem? — Fisher voltou o olhar para Dominos, agora afastado da parede e com as mãos nos bolsos da calça — Com ele?
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  — Sim, não se preocupe. — olhou de relance para seu chefe e retornou para o cunhado — O Dominos é assunto meu.
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  — Eu sei, mas ainda me lembro do soco que ele me deu. — comentou o homem, com a cena nítida em sua mente.
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  — Agradeço por não ter revidado. — disse ela.
  — Compreensível, dadas as circunstâncias, até eu tinha feito o mesmo. — ele riu — Já te falei isso.
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  — Prometo não demorar para vir aqui. — ela olhou para Jullie e sorriu.
  Eles se despediram e seguiu em direção ao Dominos, que até o momento se manteve compreensível, principalmente depois de vê-la abraçar o cunhado. Ele sabia que ter uma irmã gêmea era o segredo mais precioso de sua sliter, porém não era o único e certamente sua busca para destravar aquela caixinha de surpresas estava longe de terminar.
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  — Vamos? — disse ela.
  — Para onde quer ir? — perguntou ele, mantendo a suavidade na voz.
  — Por que pergunta isso? Não quer voltar para a sua casa? — perguntou ela, intrigada — Imagino que todos estejam eufóricos pelo jantar de noivado da Genevieve.
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  — Posso ser sincero? — ele respirou fundo.
  — Não, porque eu sei o que vai dizer. — ela riu baixo — Não pode mais deixar de ser Dominos, nem por um dia.
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  — Que se dane tudo. — ele pegou na mão direita da sliter e a puxou consigo.
  — Para onde está me levando, Dominos? — perguntou ela, deixando-se ser guiada e dando risadas pelo caminho.
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  Ele apenas sorriu de canto, permanecendo em silêncio e direcionando-os para a saída do prédio. Na recepção, eles pegaram as chaves da moto de e os capacetes dirigindo-se para o estacionamento privativo, Dominos tomou a liberdade de pilotar no lugar dela, deixando-a perplexa por nunca tê-lo visto fazendo isso antes.
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  — Tem certeza que sabe o que está fazendo, Dominos? — perguntou ela, ao se agarrar no terno dele, assim que o mesmo deu a partida.
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  — Está com medo, Miller? — ele riu um pouco, mantendo sua atenção no trânsito.
  — Considerando o fato de nunca tê-lo visto pilotar antes, não sabia desse seu lado, surpreendente. — respondeu ela, o óbvio.
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  — Não é a única com segredos, já falei. — comentou ele.
  Ela soltou uma gargalhada boba e se manteve aninhada a ele por todo o restante do caminho, de olhos fechados apenas curtindo a sensação de adrenalina no corpo. Para a surpresa da sliter, seu chefe a levou para o prédio em que ela tinha uma quitinete alugada.
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  — Por que estamos aqui? — perguntou ela, ao descer antes dele.
  — Você não imagina mesmo? — ele desceu atrás, deixando a moto no espaço destinado a ela na lateral do prédio.
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   tentou segurar o riso, mas não conseguia diante do olhar de criança que permanecia nele.
  — Eu tenho as chaves agora. — ele retirou o chaveiro do bolso da calça e balançou para ela.
  — Desde quando? — ela colocou a mão na cintura, desacreditada.
  — Nada como um suborno por informações e uma boa oferta de compra. — ele sorriu de canto — Está olhando para o novo proprietário.
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  — Você comprou o loft? — indagou ela, em choque.
  — O prédio. — respondeu ele, com o olhar tranquilo.
  — Mercenário. — sussurrou ela.
   soltou uma gargalhada e segurou em sua mão novamente, tomando impulso para entrarem no prédio. Certamente era exagero de sua parte comprar todo o edifício, mas no fundo o Dominos só queria ter a certeza de que teria fácil acesso a sua sliter. Assim que entraram no loft, com o próprio fazendo as honras de abrir a porta e entrar carregando no colo.
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  — De onde tirou isso ? — se remexeu um pouco no colo dele, em risos.
  — Pare de se mexer, ou vou deixá-la cair de propósito. — reclamou ele, num tom de brincadeira.
  — Me coloque no chão, antes que eu caia mesmo. — pediu ela.
  — Ah, você não sabe o que é romantismo? — ele finalmente a deixou no centro da parte da sala e voltou para fechar a porta.
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  — Eu sei sim, mas essas coisas só acontecem em recém-casados em noite de núpcias. — explicou ela, o observando.
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  — E desde quando um Dominos se prende aos protocolos? — ele se afastou da porta seguindo até ela, com um olhar sugestivo.
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  — Dominos. — ela sussurrou apenas esperando as intenções dele.
  — Que tal uma pequena lua-de-mel? — ele piscou de leve ao tocar em sua cintura, puxando-a para mais perto.
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   assentiu ao iniciar o beijo doce e intenso que prolongaria o restante da noite de ambos. a envolveu ainda mais em seus braços, movimentando seus corpos pelo lugar sem se importar de derrubar alguns móveis pelo caminho. A atenção de ambos estava fixa um no outro em pela sincronia de desejo e malícia. Uma forte sensação de estar matando a saudade diante de alguns dias distantes um do outro, fazia se render sem o menor esforço.
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  — Dominos… — sussurrou ela.
  — . — corrigiu ele, ao beijar de leve seu pescoço.
  Eles se olharam por um tempo, até mesmo mantinha a respiração ofegante em plena sincronia.
  — Eu te amo. — sussurrou ele.
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  Aquelas palavras já soavam com tamanha facilidade de sua parte.
  — Eu também te amo. — sussurrou ela de volta, fazendo-o arrepiar.
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  Coração acelerado, instintos aflorados e nenhuma preocupação com o caos que havia do outro lado da porta. Nas próximas horas o mundo se resumiria a apenas os dois.
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  — Os médicos deram alguma previsão sobre a sua irmã acordar? — perguntou , mantendo-a aninhada a ele.
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  — Não, quando aconteceu o acidente, a única solução foi coma induzido. — respondeu ela, puxando mais o lençol para cobri-los — Espero que um dia ela possa acordar e voltar a viver a vida que sempre sonhou.
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  — Hum…
  Dominos se manteve em silêncio, pensativo por um momento, enquanto acariciava os cabelos dela.
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  — Pergunte. — incentivou ela, sabendo as muitas indagações que estariam passando em sua cabeça.
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  — Como é esse lance de gêmeas? Todos sempre acharam que Lauren Miller tinha apenas uma filha. — ele manteve sua voz num tom baixo, apenas para sentir a respiração dela.
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  — Minha irmã sempre teve a saúde mais frágil, então claro que ela não serviria para ser filha de sliter. — ela deu uma resposta direta e objetiva.
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  — Os registros do orfanato Miral foram queimados no incêndio, mas me lembro de algumas conversas do meu pai, sendo claro sobre não ter irmãs gêmeas na época que você passou por lá. — indagou mais uma vez tentando entender a história.
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  — Segundo a Donna, minhas irmã havia sido entregue a uma outra família antes mesmo de eu passar pelo orfanato para ser legalmente adotada pela Lauren. — explicou ela, mais claramente.
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  — Então a Fletcher sabia desde o início. — concluiu ele, impressionado.
  — Me diga um segredo que aquela mulher não saiba? — se remexeu um pouco, ficando de frente para ele — O que mais quer saber?
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  Ela pensou mais um pouco, em uma sutil troca de olhares.
  — Mesmo estando em famílias diferentes, como mantiveram contato? — este era o ponto de maior curiosidade dele — Você sendo filha de sliter e ela em uma família comum.
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  — Tivemos uma pequena ajuda do senhor Han, deve se lembrar dele, o coreano namorado da Lauren. — detalhou ela, voltando a se aninhar a ele.
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  — Você o matou por minha causa. — comentou , lembrando-se do ocorrido.
  — Ele sabia que uma promessa de sliter vale mais que sua própria vida. — ela começou a brincar com os dedos da mão esquerda dele, entrelaçando nos seus — Não se preocupe com isso.
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  — Só me sinto um tolo por ter dado espaço para dúvidas, mesmo depois de tantas provas de lealdade que me deu. — comentou ele, um pouco amargurado.
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   sabia muito bem que poderia ter evitado todo aquele afastamento se por um momento tivesse sido mais racional e menos emotivo.
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  — Não importa mais, estamos aqui, não estamos? — disse ela, com tranquilidade — Você vai mesmo levar a sério essa coisa de dia comum?
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  — Claro que sim. — assegurou ele, confiante em seu plano de improviso.
  — Então por que não falamos sobre algo bom? O casamento da Gen? — sugeriu ela — Soube que ela está muito feliz com o pedido do Lance.
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  — Sim, ela e a tia Sophie não falam sobre outra coisa. — comentou ele, rindo de leve — Estou feliz por ela, o Village é um cara legal e se não for, sabe o que acontece.
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  — Nossa, que irmão protetor! — virou o corpo o encarando novamente — Imagino quando tiver uma filha, o que fará com o rapaz que se aproximar dela.
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  — Bem, quando tivermos nossos filhos, eu serei um excelente pai. — ele piscou de leve, se remexendo um pouco e aproximando mais o corpo dela ao dele.
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  — E por que acha que teremos filhos? — perguntou , segurando o riso.
  — Porque vamos treinar muito bem agora. — ele inclinou seu corpo um pouco mais e a beijou com malícia.
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   apenas retribuiu com a mesma intensidade, uma vez mais sentindo todo o seu corpo se arrepiar com o amor do homem que a aquecia por dentro.
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  — Eu te amo, , mas não vou poder comparecer a sua inauguração. — a voz de estava baixa, entretanto, continuava nítida a audição da sliter.
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   apenas se remexeu na cama, ainda sonolenta, porém ouvindo a conversa com clareza.
  — Mande minhas felicitações a , ainda não consegui ligar para ela e parabenizar pelo casamento, mas diante do que está me contando. — que olhava da janela para os carros que passavam, voltou sua atenção para Miller que se espreguiçava na cama — Espero que tudo possa se ajustar para ela e o .
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  — Já que não terei meu irmão mais velho em um dia importante da minha vida por motivos óbvios, espero que possa aproveitar seu momento com a . — disse do outro lado da ligação — Te vejo quando em Seattle?
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  — Em breve, mas antes disso teremos o jantar de noivado da Gen. — respondeu ele — Não se atreva a faltar.
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  — Como poderia faltar, se eu vou preparar o jantar em pessoa. — retrucou , sentindo-se honrado pelo pedido da irmã.
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  — Ah… De alguma valia seus dotes na cozinha tem que ter. — brincou ele, rindo baixo.
  — Ha, ha… Muito engraçado. — fez uma careta do outro lado da ligação — Saiba que para você eu vou cobrar o triplo da conta quando vier aqui.
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  — Depois eu que sou o mercenário da família. — caiu em risos, mantendo seu olhar em , que o observava — Preciso desligar agora.
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  — Hum… A sliter acordou? — supôs .
  — Sim, te vejo no jantar da Gen. — assentiu o Dominos chefe.
  — Até e juízo. — brincou o caçula.
   riu um pouco mais ao encerrar a ligação.
  — Não precisava ter encerrado porque eu acordei. — comentou ela, se espreguiçando novamente.
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  — Já conversei o suficiente com meu irmão. — retrucou.
  — E sobre o que conversavam? Ouvi o nome da . — perguntou ela, mordiscando de leve o lábio inferior.
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  — Parece que ela e o estão em um desentendimento. — ele encostou no peitoril da janela e cruzou os braços — Acredita que o Baker tem uma filha?!
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  — Eu já sabia. — ela respirou fundo, não podia mentir para ele.
  — Como assim você sabia e não me disse nada? — ele se impressionou agora.
  — O segredo não é meu, não poderia contar… Mas é como eu disse, Donna Fletcher é a caixa de Pandora que guarda todos os segredos. — disse inicialmente de forma enigmática — Contudo, sendo mais clara, Annia me deve alguns favores ocultos e este é um deles.
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  — Como assim? — ele manteve o olhar atento para ela.
  — O que eu sei da história é que arrumou uma namorada há uns seis anos atrás, não era de nenhuma família importante e ambos foram afastados pela Allison Baker. — iniciou ela detalhando mais — Conhecendo bem a mãe, Annia teve seus motivos para não tê-la deixado descobrir que a tal namorada engravidou, assim ela pediu um favor a Donna que pediu para mim.
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  — Donna Fletcher tinha mesmo que te envolver? — ele pareceu chocado.
  — Nessa época ela estava focada em resolver alguns problemas familiares. — respondeu a sliter com serenidade — Mas, que bom que o Baker descobriu que é pai, Annia é quem deve estar surtando agora.
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  — Será que ela sabe que ele descobriu? — comentou ele — Ela parecia bem tranquila no nosso encontro ontem pela manhã.
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  — Vai saber, nem mesmo sei se Allison Baker descobriu depois do nascimento da criança. — ela finalmente se descobriu e levantou da cama — Mas sejamos francos, a situação deles ainda consegue ser melhor que a nossa.
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  Brincou ela.
  — Toda situação é melhor que a nossa. — comentou ele, impulsionando o corpo para se aproximar dela.
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  — Não, toda não, exceto a do com a . — observou ela sabiamente.
  — Ah, meu irmão, ainda não consigo entender o que deu nele. — , envolveu seus braços ao redor dela — Agora ela está na base da Darko na Rússia bem próximo ao Bellorum.
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  — Não está mais, me mandou uma mensagem dizendo que estava a caminho do acampamento da avó dela. — contou ela — Parece que minha amiga quer ser mais forte e independente como a avó, às vésperas de oficialmente se auto declarar a herdeira perdida.
  — De fato, eu recebi uma ligação de Irina Baker mencionando sobre isso, me parece que em breve receberei um convite formal de para o jantar dos herdeiros. — concordou ele — Certamente como o novo herdeiro Bellorum, ele vai garantir a segurança dela ao máximo.
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  — Disso eu não tenho dúvida. — ela envolveu seus braços no pescoço dele — Mas… Que tal não falarmos mais sobre outras pessoas e a Continuum? São assuntos do outro lado da porta.
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  — Foi a senhorita que começou ao perguntar sobre a . — disse ele em sua defesa — Mas a ideia é boa, que tal voltarmos ao assunto dos filhos que teremos?
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  Ela soltou uma gargalhada boba.
  — Senhor Dominos, não somos máquinas e eu estou com fome. — disse ela ao dar um selinho inesperado nele e se afastar — Aposto que também está.
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  — Você pode ser o meu alimento. — brincou ele, abraçando-a por trás, mantendo seus braços envoltos na cintura dela.
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  — Canibalismo não é bem visto pela sociedade, acho que já te disse isso. — brincou de volta, rindo de leve — Que tal espaguete ao sugo?
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  — Nada mal, eu sempre me esqueço que a Lauren era descendente de italianos. — comentou ele, ao se lembrar que todas as comidas favoritas dela eram provenientes da gastronomia italiana.
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  — Então vamos cozinhar, senhor Dominos. — disse ela, tentando se locomover até o armário.
  — Pare de me chamar assim. — ele deu uma mordiscada de leve no ombro dela, fazendo rir.
  — Não fala isso, faz cócegas e vai me desconcentrar. — reclamou ela, se encolhendo um pouco — Foi você quem pediu.
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  — Tudo bem, que homem exigente. — sussurrou ela, em reclamação.
  — Que mulher teimosa. — retrucou ele, em sussurro também.
  Uns instantes de silêncio, então caíram em risos.
  Era um fato que o desajustado improviso de estava saindo melhor que a encomenda e aquele pequeno loft seria a partir dali o mundo particular de ambos. O lugar onde poderiam viver nem que por algumas horas, uma vida normal e longe dos olhos da Continuum e seus inimigos.
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Eu perdi minha cabeça,
Desde o momento em que te vi.
Só de estar ao seu lado, meu mundo fica em câmera lenta,
Por favor, diga se isso é amor?

– What Is Love / EXO

43. Treinamento

– Algum lugar do Texas, 2018

  Final da primavera, a espera pelo nascer do sol nunca foi tão vibrante para . Seu coração acelerado para o primeiro dia de treinamento e um leve frio na barriga com medo do que poderia vir a seguir. Dois toques na porta foram o necessário para despertar a atenção da bailarina que estava nos raios de sol que adentrava o quarto. Seu olhar voltou para o relógio do celular, que marcava seis da manhã. Ao se levantar da cama, deu alguns passos até a porta.
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  — Tem alguém aí? — disse, ao ver a sombra de alguém no corredor.
  — Já está acordada, querida? — a voz de Donna soou do outro lado.
  — Sim. — a garota assentiu ao tocar na maçaneta e abriu a porta em seguida — Bom dia, vovó.
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  — Bom dia, minha criança. — Donna sorriu com suavidade — Está pronta?
  — Confesso que não consegui dormir essa noite, mas acho que estou sim. — ela respirou fundo, tentando controlar sua agitação interna.
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  — Troque de roupa e me encontre no galpão — ordenou a matriarca.
  A bailarina assentiu com a cabeça e fechou a porta. Dando alguns passos até o armário de roupas, abriu a segunda gaveta e ficou olhando por alguns segundos para descobrir o que poderia usar naquele primeiro dia. Rapidamente ela se lembrou de alguns conselhos de Nissah quanto ao vestuário, algo confortável e que lhe permitisse melhor mobilidade. Ou seja, um conjunto de moletom era a melhor pedida, não somente para os ensaios de dança, como também para os treinos que ela enfrentaria.
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  Após se trocar, saiu do seu quarto e seguiu pelo corredor até chegar às escadas. Descendo calmamente os degraus, percebeu que a casa estava levemente silenciosa. Como ordenado por sua avó, seguiu até o galpão. Para sua surpresa, Donna Fletcher era a única no lugar, parada bem ao centro esperando sua tão aguardada aprendiz.
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  — Estou aqui, vovó. — disse , ao se colocar em sua frente — Onde estão todos?
  — Os outros sliters estão em uma atividade na floresta aqui perto, ficarão o final de semana todo. — explicou a matriarca, mantendo a atenção em sua neta — Para iniciarmos seu treinamento, terá que seguir duas regras.
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   assentiu com a face, permanecendo em silêncio para ouvir o restante.
  — A primeira, enquanto estiver aqui, não vai mais me tratar como sua avó e eu não te tratarei como minha neta, aqui eu sou Donna Fletcher e você uma sliter em treinamento. — assim que a matriarca disse, ela engoliu seco — E a segunda, uma vez que iniciar, não vai poder desistir, terá que ir até o final… , você tem certeza que é isso que quer?
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  — Sim. — disse ela, sem dar espaço para dúvidas — Vamos iniciar.
  — Muito bem. — Donna olhou rapidamente para trás, na direção da parte mais escura dos fundos do galpão e logo um homem encapuzado apareceu, encostado na parede com o rosto parcialmente sombreado.
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  O homem mantém as mãos nos bolsos da calça, se afastando da parede, dando seus passos de forma lenta e misteriosamente. A cada passo, o coração de acelerava um pouco mais. Assim como sua curiosidade só aumentava.
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  — Quero que conheça o meu segundo melhor sliter, a partir de hoje ele será o seu treinador. — disse ela, ao apresentá-lo — Collins, está é Fletcher, minha aprendiz.
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  Ele permaneceu em silêncio, porém de relance a bailarina conseguiu ver um sorriso de canto em seu rosto que estava parcialmente escondido pelo capuz.
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  — Vou deixar vocês trabalharem. — disse ela, ao dar o primeiro passo para se retirar — Boa sorte, .
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  Agora o modo sliter de Donna Fletcher estava ativado.
  E aos olhos da avó, seria apenas uma novata em fase primária de aprendizado. A matriarca se afastou do galpão e retornou para casa, ela tinha uma missão: preparar o jantar dos herdeiros. E nada melhor que uma das chefs mais prestigiadas pela Draconis para estar à frente do cardápio da noite.
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  — Adeline Miller. — disse a mulher, assim que sua ligação foi atendida.
  — Donna Fletcher? — a voz da mulher demonstrou surpresa pela ligação — A que se deve essa ligação?
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  — Daqui três semanas eu darei um jantar em terreno neutro para todos os herdeiros, preciso da melhor chef que a Draconis possui. — ela foi direta e precisa.
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  — Você sabe que minha família é tão imparcial como a sua. — disse Adeline, criando argumentos para recusar.
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  — Por isso sei que o cardápio estará seguro em suas mãos e ninguém será envenenado. — brincou Donna, ao rir de leve — Você pode ter saído de casa e cortado relações com sua família, mas sempre será uma Miller onde quer que vá e o que quer que faça.
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  — Só um jantar e eu ficarei a noite inteira na cozinha. — Adeline soltou um suspiro, suas palavras expressavam suas condições para aceitar — Não quero me envolver além do necessário.
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  — Não vai, eu garanto. — prometeu a Fletcher.
  — E não quero que a saiba que estarei lá. — pediu.
  — Não posso impedir os convidados de cumprimentar a chef. — argumentou Donna.
  — Pode sim. — insistiu ela.
  — Por que não quer ver a ? — perguntou a sliter, esta parte da história ainda era uma incógnita para ela — Ambas são irmãs.
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  — Adotivas. — acrescentou Adeline o detalhe — Não é que eu tenha raiva dela ou algo assim, para ser sincera, agradeço a Deus pela ter sido adotada por minha mãe, assim pode lhe dar o orgulho de filha perfeita que eu não dei.
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  — E por que está fugindo dela? — insistiu Donna.
  — Porque ela me faz lembrar de todo esse mundo de segredos e mentiras que eu tento esquecer. — Adeline respirou fundo — Eu farei o seu jantar, mas é apenas isso que a Continuum e a Draconis terão de mim.
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  Antes que Donna pudesse dizer mais alguma coisa, a ligação encerrou. A sliter parou por alguns minutos para pensar nas palavras da garota. Ela se lembrava bem de como não foi fácil para Adeline seguir para sua liberdade, a Miller que renegou o legado da família e escolheu trilhar seu próprio caminho. Mas a Fletcher sabia que uma vez envolvida naquele mundo, era complicado viver sem se esbarrar nos conflitos que o mesmo carregava.
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  — Senhora Fletcher. — o sliter assistente se aproximou dela com uma prancheta nas mãos.
  — Diga Carl, o que houve agora? — perguntou ela, guardando o celular no bolso.
  — Estou montando a lista de convidados para o jantar dos herdeiros, assim o convite será entregue na segunda pela manhã. — disse o homem, em seu jeito competente de executar suas tarefas.
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  Mesmo que não fosse um sliter perfeito e completo assim como Collins e , a matriarca o tinha como seus olhos e ouvidos entre as duas sociedades. Aplicado, organizado e muito esperto para perceber os detalhes mais insignificantes, e que certamente são necessários para sua chefe.
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  — Quantos convidados ao total? — perguntou Donna, já se preocupando com a segurança de todos — me pediu algo impecável e conto com você para isso.
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  — Não se preocupe senhora, tudo sairá milimetricamente como planejado. — assegurou o rapaz, não seria sua primeira vez organizando um evento não importante como esse — Serão o total de nove herdeiros.
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  — Confirme os nomes. — ordenou ela.
  — Representando a Continuum, Dominos, Sollary, Annia Baker, Bellorum e Carlise Tenebrae. — iniciou ele a lista — Já a Draconis, Donatella Castelatto, Ichiro Yamazaki, Catrina Laurento e Damon Ahlberg
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  — Tenho certeza que você acrescentou os convidados. — indagou ela.
  — Sim senhora, a sliter Miller, o legítimo Baker e o primogênito Vincent Bellorum estão confirmados, juntamente com os convidados Draconis Niklaus Savoia e Hale Magnus. — completou ele, já com os nomes decorados.
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  — Então prossiga com o planejado, quero a proporção de três sliters para cada herdeiro e convidado. — ordenou ela.
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  — Devo contar com a Miller e o Dominos? — perguntou o rapaz confuso — Ela já vale por dez.
  Donna riu de leve com a inocência dele.
  — Vamos precisar de mais sliters para os dois, eles são o alvo principal do Andrei e esse jantar é a deixa perfeita para um ataque do inimigo. — concluiu ela, receosa pelo pedido dos irmãos Bellorum — Entretanto, não devemos temer o inimigo, certamente ele vai morrer de medo quando souber desse evento.
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  — Eu nunca acreditei no ditado inimigo do meu inimigo é meu amigo, mas estou impressionado por presenciar isso. — comentou o rapaz.
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  — Vai descobrir que essas palavras são tão reais quanto o café que tomou esta manhã. — assegurou ela — Agora, volte ao trabalho e se ver algum barulho suspeito vindo do galpão, me ligue.
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  — A senhora vai sair? — perguntou ela, intrigado.
  — Preciso visitar alguns familiares. — explicou ela — Deveriam ser 10 herdeiros e não 9.
  Carl assentiu com a face e permaneceu em silêncio, ao observá-la se retirar. O sliter só sabia da ponta do iceberg e se admirava com os diversos segredos que sua chefe mantinha para si. Donna Fletcher era mesmo a caixa de Pandora que até mesmo Andrei Tenebrae não se atreveria a abrir.
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– Enquanto isso, no galpão

   permanecia imóvel, apenas esperando alguma iniciativa do seu treinador. Ela sabia que sua amiga era o topo da lista dos melhores sliters, e já tinha visto do que Miller era capaz. Agora estava curiosa para saber em que o segundo melhor perdia para sua amiga, e se ele era tão destemido quanto ela.
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  — Não vai dizer nada?! — perguntou , sentindo uma aflição interna misturada ao medo.
  Aquele silêncio lhe deixava agoniada.
  — Primeiro passo para ser um bom sliter… — o homem finalmente se pronunciou para ela, mantendo sua postura estática — O silêncio, sem ele, você não consegue estudar seu inimigo.
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   assentiu com a face.
  — Já que está ansiosa demais para se tornar mais forte, vamos ver o seu nível. — ele fechou os punhos em um rápido movimento avançando contra ela — Defenda-se.
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   apenas fechou os olhos no susto.
  Segundo depois, ela os abriu novamente ao perceber que nada tinha lhe acontecido. A mão direita ainda fechada de Collins, estava em frente aos seus olhos, imóvel como um filme que tinha sido pausado. Seu coração acelerado e totalmente assustada, era visível em seu olhar.
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  O que viveu aqui? Como Annia sobreviveu a isso? Pensou ela, sentindo o corpo trêmulo. Nem mesmo havia iniciado e já precisava lutar com o arrependimento que surgia em seu interior.
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  — Exatamente como eu imaginei. — disse Collins, abaixando sua mão — A neta que acha que será forte, você não é a sua avó, não é a Annia, e nunca será a .
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  — Eu não vou desistir, se é isso que está tentando fazer. — retrucou ela, juntando sua confiança em suas palavras.
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  Ele sorriu de canto.
  — Veremos. — disse ele, virando-se de costas.
  — Aonde vai? — perguntou ela.
  — Nós vamos. — respondeu dando o primeiro passo — Siga-me.
  — Não vamos treinar aqui? — perguntou novamente — Nissah me ensinou alguns golpes e também, eu já sei me defender basicamente.
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  — Sabe? — ele voltou-se novamente para ela, rindo alto — Você sabe atacar também?
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  — Se for preciso. — disse ela.
  — Me ataque então. — disse ele, abrindo os braços.
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   ficou parada, tentando entender se era mesmo isso que ele queria.
  — Vamos, finja que sou o Andrei e me ataque. — ordenou ele.
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   não pensou em suas ações e menos ainda nas consequências. Ela simplesmente fechou os punhos e lembrando-se de algumas dicas de sua amiga Nissah, deu impulso em seu corpo para atacá-lo. Collins facilmente se desviou do primeiro soco e brincando com a garota, a deixou chegar bem perto de acertá-lo. Quanto mais a bailarina se irritava com a forma em que ele conduzia o que basicamente não se chamaria aquilo de luta, mais o sliter se divertia em como conseguia com tanta facilidade deixá-la desestabilizada.
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  — Foi só isso que aprendeu? — disse ele, em provocação.
   que estava caída ao chão pela milionésima vez, se levantou e tentou golpeá-lo mais uma vez. Ela não entendia o que estava fazendo de errado para não ter sucesso, todos os seus passos estavam sincronizados com o que tinha aprendido, mas parecia que não valia muito para Collins.
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  Já ele, tinha aproveitado todo aquele momento para avaliar sua aprendiz e descobrir suas fraquezas. Obtendo o sucesso esperado no final.
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  — Eu te odeio! — gritou , ao lançar sua perna direita para derrubá-lo.
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  Entretanto, o mesmo elevou seu tornozelo fazendo-a desequilibrar, e então derrubando-a com facilidade. Collins jogou seu corpo sobre o dela e prendendo suas mãos contra o chão a imobilizou de imediato. tentou se debater para se soltar sem sucesso, seus olhos continham uma mistura estranha de fascinação, raiva e medo.
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  — Você nem me conhece, como pode me odiar? — comentou ele, rindo baixo.
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  — Me solta. — disse ela, num tom firme e autoritário.
  Certamente havia aprendido aquilo de muito observar Annia, nos raros momentos juntas.
  — Pelo menos se parece com a sua avó, em dar ordens. — ele ficou sério por um tempo.
  — O que sabe sobre mim? — perguntou ela.
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  — O suficiente. — respondeu ele, olhando-a fixamente.
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  Só então conseguiu ver com clareza todo o seu rosto. Collins tinha os olhos azuis e profundos, como o mar, que é capaz de hipnotizar sua presa sem o menor esforço. Seus traços marcantes davam lugar a uma pequena cicatriz em forma de meia lua do lado esquerdo de seu rosto, pegando milímetros acima de sua sobrancelha, até o início da sua bochecha. O olhar da garota, por mais que se esforçasse para não encará-lo, continuava focado naquela cicatriz.
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  Um silêncio pairou entre ambos que podia ser ouvido a respiração ofegante vindo deles.
  — O segundo passo para ser um bom sliter… — pronunciou ele — Controle suas emoções.
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  Ela se manteve sem reação, apenas sentiu ele soltar seus pulsos e o observou se levantar. Permanecendo no chão, apenas ergueu seu corpo, mantendo o olhar nele.
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  — O que adianta aprender golpes dos quais não sabe aplicar? — ele voltou seu olhar para o lado e respirou fundo, também precisava se controlar internamente.
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  Logo o barulho de um rangido proveniente do portão dos fundos soou pelo lugar. Era a sliter Stelle adentrando o lugar com suas luvas de box na mão, acompanhando do seu olhar curioso por vê-los ali.
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  — Não sabia que o galpão estava ocupado. — comentou ela, mantendo o olhar em Collins.
  — Já terminamos. — disse ele, dando o primeiro passo para sair, e voltando-se para a bailarina — Descanse por hoje, iniciaremos amanhã antes do amanhecer.
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  Mais alguns passos para os fundos e Collins foi parado por Stelle ao passar por ela. A mulher de andar sinuoso visivelmente tinha interesses nele, e fazia questão de deixar claro para todos.
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  — Vai ficar de babá agora? — perguntou ela, num tom debochado.
  — Pense bem antes de prosseguir com seus comentários. — sussurrou ele — Mesmo sendo aprendiz, ela ainda é uma Fletcher.
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  Ele continuou seguindo para a saída. Enquanto finalmente se levantava do chão e tentava entender o que tinha acontecido.
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  — Fletcher, não é? — disse Stelle se aproximando dela.
  — Sim, e você? — indagou a bailarina.
  — Sou a número cinco, Stelle Ortiz. — respondeu ela, com traços de orgulho na voz.
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  — Prazer. — , apenas deu um passo para trás e se retirou do galpão.
  Assim que seu sangue esfriou, finalmente seu corpo deu traços de dores e ardência. Ao olhar para o braço, havia um pequeno corte que não tinha percebido até o momento. Um suspiro cansaço e uma olhada em volta para finalmente localizar a enfermaria. Quando entrou no lugar, a responsável não estava, porém ela conseguiu avistar uma pessoa deitada na última maca, onde uma cortina escondia parte do seu corpo.
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  — Enfermeira Kim? — disse uma voz feminina, vinda da pessoa acamada — É você?
  — Não — respondeu , se aproximando e abrindo a cortina.
  — Ah, achei que fosse ela, minhas dores estão começando a voltar. — reclamou a garota.
   percorreu os olhos por ela, vendo sua perna direita engessada assim como o braço esquerdo, havia escoriações em seu rosto e no abdômen que estava descoberto. Um olhar desanimado e também curioso pelo fato da bailarina ser novidade no centro.
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  — Quem é você? Não tem cara de enfermeira. — perguntou em tom brincalhão.
  — E não sou, meu nome é . — a bailarina se aproximou um pouco mais e sentou na beirada da cama — E você?
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  — Meg. — respondeu a sliter — Você é neta da senhora Fletcher.
  — Sou. — assentiu.
  — O que faz aqui? — a menina tentou conter o olhar curioso sem sucesso.
  — Comecei meu treinamento hoje. — respondeu.
  — Meus pêsames. — as palavras saíram espontaneamente dela.
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  — Por quê? — demonstrou preocupação.
  — Os treinamentos daqui não são nada fáceis. — explicou a garota, voltando o olhar para seu corpo — Isso foi o que restou de mim depois do último torneio.
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  — Lamento, por que está aqui? — indagou.
  Afinal, ninguém se torna um sliter obrigado.
  — Melhor passar por isso, do que ser abusada no orfanato onde eu morava. — a voz da garota ficou mais baixa e com traços de amargura.
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  — Eu lamento, você é órfã? — o olhar de demonstrou empatia na resposta dela.
  — Sim, aparentemente esse é um pré-requisito para ser um sliter se você não pertence a uma família com esse legado. — explicou a menina.
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   parou por um minuto para absorver a informação. Um pouco zonza por imaginar que certamente há mais histórias por trás disso.
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  — E como você se tornou? Como minha avó te achou? — indagou.
  — Eu fui recrutada por uma sliter chamada Anastasia Fulhan, ela é uma assassina profissional atualmente, mas na época trabalhava aqui para a senhora Fletcher. — explicou ela, lembrando-se de como a tinha conhecido — Eu estava correndo, era minha sexta tentativa de fuga quando cruzei o seu caminho, então me fizeram a oferta de ser uma sliter, eu aceitei e vim morar aqui.
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  — Você tinha quantos anos? — manteve sua atenção nela, não percebendo a chegada da enfermeira.
  — Dez. — respondeu.
  — Meg já está contando histórias de novo? Deveria se concentrar em ficar mais forte. — a enfermeira a repreendeu, inicialmente ignorando a presença da Fletcher — Você nem mesmo conseguiu subir de categoria, novamente.
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  — A culpa não foi minha, senhorita Kim, logo na primeira luta me colocaram contra a Ortiz. Como posso vencer a Top5? — a garota emburrou a cara, fazendo-a rir — Acabei fechando o torneio sem nenhum ponto.
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  — E você, deve ser . — comentou a enfermeira — O que faz aqui?
  — Eu acho que me acidentei. — explicou ela, no improviso.
  — Sente-se nessa cadeira, vou examinar. — disse Kim, um pouco desconfiada.
  — Acostume-se , o dia que você não vier aqui, é um dia vivido errado nesse lugar. — comentou Meg, em sua visão da realidade.
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  — Vou me lembrar disso. — disse , ao se sentar na cadeira.
  Era real a hierarquia entre os sliters.
  Naquela brutal pirâmide, estava na base da cadeia alimentar como uma mera aprendiz, e os 10 melhores integram o topo da pirâmide. A cada mês torneios e disputas eram lançados para medir o nível de cada sliter, que se dividiam em três categorias e ficavam abaixo do invejado Top 10. Havia um longo caminho a se percorrer para a bailarina, se caso ela almejasse pelo menos sair da base.
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  — Então, nesse Top 10, só temos a chance de ficar entre o 6º e o 10º lugar? — indagou , tentando entender aquela parte.
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  — Sim. — assentiu Meg — Os cinco primeiros nunca mudam, nunca mesmo, desde que eu entrei aqui.
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  — E quem são? Eu sei que a é a primeira, o treinador Collins é o segundo, e tem a Stelle, mas não conheço os outros. — comentou .
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  — Você conheceu a Stelle? — perguntou ela, tendo a resposta com o balançar da cabeça da bailarina — Nossa, que tristeza.
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  — Por quê? — ela se mostrou curiosa.
  — Ela é a sliter mais desprezível e arrogante que eu conheço. — explicou Meg, fazendo uma careta de leve — Além de invejosa, sempre quis ser a melhor e nunca conseguiu.
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  Meg riu.
  — Você conhece a Miller? — perguntou.
  — Sim, somos amigas de orfanato. — contou .
  — Uau, e ela é legal? — se mostrou impressionada.
  — Sim, ela é bem legal, muito divertida às vezes. — contou — Meg, quais são os outros? O três e o quatro?
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  — Ah, esqueci de te dizer, o três é o Carl, apesar de não ser tão forte assim, suas habilidades com tecnologia e espionagem são maravilhosas e a quarta é a minha salvadora Anastasia Fulhan, ela é maravilhosa com armas, uma especialista. — respondeu a garota, animada com a conversa.
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   passou o restante do dia na enfermaria conversando com Meg, descobrindo um pouco mais sobre o centro de treinamento de sua avó, com a mais nova amiga tagarela. Quanto mais ouvia, mais ela fica curiosa sobre seu treinador.
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  — Não acredito que sobrevivi ao primeiro dia. — sussurrou ela, ao entrar em seu quarto — Sinto que perdi parte da minha dignidade hoje.
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  Ela olhou para o celular que tinha deixado na cabeceira da cama. Tinha algumas mensagens de sua tia Beth, perguntando se estava tudo bem. Uma de dizendo estar surpreso por ela ter deixado a Darko, e de , dizendo estar com saudades. Respirando fundo, passou alguns instantes rolando sua lista de contatos até que caiu em sua amiga sliter. Ela pensou em ligar, porém desistiu e colocou o aparelho no lugar novamente.
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  Um banho quente e roupas confortáveis foi tudo o que se permitiu ter naquele final de noite. Antes de deitar, ela se aproximou da janela e olhou para o lado de fora para contemplar o horizonte por um tempo, até que avistou Collins treinando sozinho enquanto dava golpes ao vento. Logo os punhos de fecharam de forma espontânea, ao lembrar de todas as vezes que ele a derrubou naquele dia.
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  — Está atrasada. — o tom rude soou de Collins, assim que ele ouviu o barulho do portão principal do galpão se abrindo, mantendo o olhar no relógio em seu pulso.
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  — Você não estipulou um horário, então eu não estou atrasada. — disse ela, se aproximando.
  — Eu disse antes do amanhecer, consigo ver os raios do sol entrando pela janela. — retrucou ele, cruzando os braços e a olhando.
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  — O que vai acontecer agora? Serei punida? — bufou controlando sua irritação.
  — Me ter como instrutor já é uma punição. — ele riu baixo e se virou — Venha comigo, vamos iniciar seu treinamento.
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  — E para onde vamos? — perguntou ela, ao começar a segui-lo.
  — Terceiro passo para ser um bom sliter, não faça perguntas. — brincou ele, continuando em direção a saída.
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   se manteve logo atrás fazendo uma careta para ele.
  Longos minutos de caminhada que se transformaram em duas horas até chegarem em uma clareira. Collins se colocou bem ao centro do lugar e voltou sua atenção para a aprendiz que se negou até o último minuto a aceitar treinar.
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  — Então, o que vem agora? — perguntou ela.
  — Vamos começar trabalhando na sua resistência física. — explicou ele, retirando um cronômetro do bolso da calça — Que tal uma corrida para aquecer o corpo? Soube que era seu esporte favorito no ensino médio.
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  — Sim, mas prefiro no período noturno. — retrucou ela.
  — Será no período que eu quiser. — ele sorriu de canto, mostrando o cronômetro zerado — Valendo.
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  Ambos começaram com algumas voltas pela clareira, até encontrar seu ritmo. Tempo depois, Collins tomou impulso para adentrar a floresta a chamando consigo, era a hora da bailarina relembrar os velhos tempos de corridas noturnas pela reserva da cidade de Cliron com seu amigo Cedric. Pequenas escaladas pelos rochedos, árvores como obstáculos e uma cachoeira para incrementar a trilha.
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  Ao final de cada dia, já sentia todos os músculos do seu corpo pedirem por rendição.
  E foi uma dolorosa rotina que perdurou por mais alguns dias.
  — Boa noite, senhora Fletcher. — disse a bailarina, ao adentrar a cozinha da casa grande.
  — Boa noite. — Donna que mantinha sua atenção no jantar que preparava, sorriu de canto ao perceber o cansaço na voz de sua filha — Está com fome?
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  — Não sei, acho que estou cansada demais para ter forças para mastigar algo. — confessou ela, soltando um suspiro franco enquanto puxava a banqueta para se sentar.
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  A matriarca riu de forma espontânea, adorava a forma sincera de sua neta.
  — Realmente não tinha ninguém melhor que ele para me treinar? — perguntou , demonstrando seu esgotamento.
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  — Está pensando em desistir? — Donna terminou seu preparo e colocou a travessa de vidro no forno — Sabe que não pode.
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  — É claro que não. — disse com segurança — Não vou desistir, vovó, quer dizer, senhora Fletcher.
  — Então, qual o motivo de sua indagação? — ela olhou a neta atentamente, segurando o riso.
  — Parece que ele quer me matar ao invés de me treinar. — reclamou ela, mostrando seu braço enfaixado — Todos os dias eu termino na enfermaria com alguma parte do meu corpo cortada e todo resto em dores, isso não é normal, é um massacre de mim.
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  — Collins só está abaixo da Miller, acho que já sabe disso, deveria ser grata por ser treinada por ele. — Donna manteve uma sutil seriedade no olhar — Não se atinge em sete dias a habilidade de sete anos, tenha um pouco de paciência e fé em si mesma.
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  — Mas vovó! — ela tentou argumentar.
  — Nem te pedi em casamento e já está pedindo o divórcio? — brincou Collins ao aparecer na porta e dar alguns passos até a bancada lateral, pegando uma maçã para comer.
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  Donna Fletcher soltou uma gargalhada boba, ao se lembrar dos tempos em que treinava seus cinco melhores sliters. Havia uma forte competição entre Collins e que sempre a deixava em alerta, mas também a divertia muito.
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  — O jantar está quase pronto, e como eu sei que vocês precisam passar mais tempo juntos, vigiem o forno. — ordenou a matriarca — Preciso dar um telefonema.
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  Assim que a matriarca se retirou, o silêncio pairou pela cozinha. se manteve sentada onde estava, enquanto Collins encostou na parede da porta e ficou a encarando.
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  — Como está seu braço? — perguntou ele, movendo seu olhar para baixo.
  — Agora está preocupado? — retrucou ela ao olhá-lo — Disse que era frescura minha quando me machuquei.
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  — Em uma luta de verdade não se deve dar espaço para sentir dores quando se machuca. — argumentou ele.
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  — Você sempre tem uma resposta pronta pra todos os meus questionamentos. — reclamou ela, soltando um suspiro cansado.
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  — Porque eu já fiz cada um deles quando estava no seu nível. — contou ao rir baixo, olhando-a fixamente — Você acha que foi fácil me tornar o que sou hoje?
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  — Não quero me tornar arrogante como você. — retrucou ela.
  — Claro que não, esse charme é só meu. — ele piscou de leve e deu outra mordida na maçã.
  Ela revirou os olhos indignada.
  — Esse é o seu problema. — continuou ele — É ansiosa demais para esperar seu próprio tempo, se espelha em suas amigas, mas não sabe a metade do que elas passaram e não aguenta nem um quarto disso.
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  — Esse é o seu problema, você acha que me conhece. — ela o confrontou — Você não sabe nada sobre mim.
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  — Não? — ele riu.
  — Não. — confirmou ela.
  — Deixa eu ver, você é a neta da senhora Fletcher que foi criada no mundo de princesa longe de todos os perigos da Continuum, foi adotada pela família mais segura que existe e até foi para a faculdade. — iniciou ele, sua suposição — E agora só porque viu o quão incríveis são suas amigas de orfanato, você quer se tornar uma heroína como elas… Essa é você, e posso até supor que deva ter seu príncipe encantado a sua espera para a graduação final.
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   começou a rir de nervoso.
  — Você realmente não sabe nada sobre mim. — ela controlou seu tom de voz para não alterá-lo — Eu passei a minha vida inteira sendo escondida de algo que apenas serviu para sabotar a minha liberdade, o dia em que eu reencontrei as minhas amigas eu estava lutando para me manter viva, porque já se completava dias em que Andrei Tenebrae tinha me sequestrado e eu estava sobrevivendo naquele lugar sem poder comer e menos ainda sentir o gosto da água… Por causa da Continuum eu fui deixada pelos dois homens de eu amei na minha vida, alegando que era para me proteger, justo no momento em que mais precisei deles, e não, eu não quero um príncipe encantado. — nessa altura de sua resposta, ela já estava sentindo as lágrimas rolando em seu rosto — Eu estou aqui não porque vivi num conto de fadas e estou entediada como você deve achar, eu estou aqui porque estou cansada das pessoas decidirem a minha vida por mim, eu quero me defender sem depender de ninguém, principalmente de príncipes encantados.
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  Collins sorriu de canto, e se afastando da parede, caminhou até o fogão para desligar o forno. Então retornou para a porta.
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  — Me siga. — ordenou ele.
  — O quê? Pra onde? — perguntou .
  — Levante-se e venha comigo. — insistiu ele, continuando em direção a saída.
  — Ei! Eu estou morrendo, sabia? — reclamou ela, relutante, porém indo atrás dele.
  Segurando suas reclamações de como seu corpo doía, continuou o seguindo até a clareira. Ao chegarem, Collins olhou para o céu estrelado, a noite estava inspiradora, assim como a brisa que passava por eles.
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  — Por que viemos aqui? — perguntou ela.
  Ele a olhou, mantendo o silêncio.
  — Ok, já entendi, sem perguntas. — ela desviou o olhar para o lado, arrancando uma risada discreta dele.
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  O lugar estava tão iluminado pela lua que parecia dia.
  — Você é bailarina, não é? — perguntou ele.
  — Sim. — assentiu ela.
  — E gosta de dançar? — continuou ele.
  — Claro, dançar é como respirar para mim. — respondeu prontamente.
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  Ele retirou seu celular do bolso e colocou uma música para tocar.
  — O que está fazendo? — perguntou ela, com um olhar confuso e intrigado.
  — Tentando te conhecer. — ele aumentou o volume da música e colocou o aparelho no chão, então estendeu a mão para ela — Me concede essa dança?
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  — Isso é alguma brincadeira? — já não conseguia entender mais nada — Tem câmeras aqui?
  — Estou com cara de quem está brincando? — retrucou ele, mantendo a mão estendida.
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   respirou fundo, já tinha um tempo que ela não dançava principalmente com um parceiro. Isso lhe fez lembrar do grupo de dança que tinha com Cedric no ensino médio. Os muitos concursos que participaram contra a vontade de sua mãe, e do dia em que recebeu a carta da New York University para cursar dança moderna. As muitas aulas de rumba que teve dificuldade de acompanhar os passos do professor caribenho que mais parecia se importar em flertar com as alunas. E as trágicas falhas em conseguir um parceiro para fazer o dueto de apresentação especial para o final da sua graduação.
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  Ela deu o primeiro passo e segurou na mão de Collins, ainda insegura internamente, mas curiosa para saber o que aquele sliter planejava. Assim que seus corpos ficaram um pouco mais próximos, ele pousou sua mão esquerda na cintura da garota e com a direita, segurou a outra mão dela. A primeira música tinha a batida mais lenta e suave, algo clássico como uma valsa vienense. segurou o riso, após alguns giros ao se lembrar que estavam dançando sobre a grama um estilo de dança de salão.
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  O que seus professores de NY diriam se vissem aquilo? Pensou ela.
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  Então, a segunda música iniciou com um ritmo latino mais agitado, deixando também o clima bem mais quente entre ambos. Próximo do final da música, Collins se deixou levar pelo momento e se inclinou um pouco mais de forma espontânea para beijar . A bailarina por sua vez ficou sem reação a primeiro momento, e mesmo com o movimento automático e sincronizado de ambos pelo som da música, o corpo da bailarina reagiu involuntariamente fazendo um movimento de defesa que aprendera com Nissah.
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  Em consequência, ela o derrubou no chão, que no susto a puxou consigo. O corpo de caiu sobre o dele, proporcionando uma troca de olhares profunda entre eles.
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  — Parece que encontrei seu estilo de luta. — sussurrou ele, com um sorriso malicioso no canto do rosto.
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Só viva do seu jeito,
A vida é sua de qualquer maneira.

– Fire / BTS

44. Sollary’s Secret

Sollary Hospital, Seattle

  Para os cirurgiões apaixonados por um bisturi, nada como uma noite de plantão cheia de adrenalina com um fluxo inesperado de pacientes para distrair a mente e te fazer esquecer os problemas. Essa foi a válvula de escape para que seguia tentando se acostumar com a nova realidade, e não se referia ao fato de estar casada, mas sim de ter uma enteada.
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  — Amiga, você parece acabada. — comentou Hill, assim que ambas entraram na sala dos residentes.
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  — Acredite, meu cansaço tem sido mais mental que físico. — contou ela, seguindo até o seu armário — Se eu pudesse, ficaria mais um plantão aqui.
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  — E levar advertência do seu tio em pessoa? — retrucou Hill, retirando sua blusa para trocar por uma camiseta comum — Sabe que a Torres está de olho em você.
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  — Ah, minha madrinha realmente não me deixa abusar. — confessou , um pouco frustrada pegando sua bolsa — Mas tudo bem, é hora de encarar minha realidade doméstica.
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  — Como está sua vida de casada? — perguntou a amiga, curiosa —Tem se dado bem com sua enteada?
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  — Não sei, acho que sim. — ela respirou fundo, ao procurar por seu celular escondido dentro da bolsa — Eu não a vejo muito, claro que minha rotina no hospital ajuda com isso, mas… Ela tem ficado mais com a tia dela.
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  — E você acha isso certo? — Hill a olhou admirada — Eu acho que você deveria se aproximar mais dessa garotinha.
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  — Que olhar é esse de teorias da conspiração, Hill? — manteve sua atenção nela.
  — Dizem que a vida imita a arte e eu já vi muitos filmes em que a criança influencia no relacionamento dos pais. — comentou ela — Eu, se fosse você, não deixava a titia do ano tão próxima assim do seu marido.
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  — Eu confio no Baker e sei os sentimentos dele por mim. — assegurou , com firmeza.
  — Não falo por ele, você tem que desconfiar é dela, a intrusa. — Hill piscou de leve para a amiga.
  Amigas de infância, já tinha acompanhado as inúmeras aventuras de amor de Hill e sabia muito bem das muitas desilusões que a mesma teve. Mas uma coisa sua amiga estava certa, ela confiava somente em Baker. Após finalmente achar seu celular, mandou uma mensagem ao marido dizendo estar seguindo para casa e o intimando a chegar antes do jantar.
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  Ao chegar na recepção, se despediu do segurança da entrada e passando pela porta de saída, paralisou surpresa ao ver encostado em sua moto numa pose atraente para ela, lhe esperando.
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  — Acabei de te mandar uma mensagem. — disse ela, ao se aproximar dele — O que faz aqui? Não tinha uma entrega importante hoje na oficina?
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  — Tenho funcionários muito competentes lá. — explicou ele, já puxando sua esposa pela cintura e lhe roubando um beijo — Que tal um final de semana a dois?
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  — Nem chegamos no final do dia de hoje, senhor Baker, e já está pensando no amanhã? — ela o olhou desconfiada — O que está tramando?
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  — Eu só quero mais tempo com minha esposa. — ele manteve seus braços envoltos na cintura dela — Passamos por alguns contratempos depois do nosso casamento e, desde então, não conseguimos ter um tempo pra gente.