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Capa por Equipe EC

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Bom, com o tempo vou adicionando mais, porém trouxe algumas.
Só leiam se já tiverem lido até o capítulo 16/16.2, pois contém spoiler.
Espero que curtam <3

  • 1. O nome do Killian seria Kieran, mas durante a pesquisa de nomes pras personagens, optei por deixar Kieran pro seu irmão;
  • 2. O familiar da Bella é uma serpente, e eu tenho pavor de cobras em geral kkkkkkkkk sempre imagino a Nymph como uma cobra fofinha e inofensiva, e geralmente, ela aparece em sua forma humana (é mais pelo fato dela só ficar na forma animal quando alguma situação é ruim, não só pelo medo da autora hehe);
  • 3. Inicialmente, Bella não acordaria sua magia, e ela nem teria. Isso foi algo que decidi de última hora enquanto conversava com uma amiga sobre a história;
  • 4. O admirador secreto de Ethan até certo momento não tinha identidade, e eu escolhi pôr o Mya-Mya depois de também conversar com minha amiga, já que gosto muito de conexão entre personagens e ela adorou a ideia;
  • 5. Eu literalmente montei a história toda antes de começar a escrever, e só iniciei as postagens quando já tinha 10 capítulos prontos;
  • 6. A mãe da Arabella ia se chamar Zelda (autora ama esse nome), mas achei que Celine combinou mais;
  • 7. Giovanna é uma amiga da vida real, e é bem legal falar com ela “aí você faz tal coisa na fic” HAHAHAHAHA <3Por enquanto, é isso! Se quiserem saber algo específico, é só deixarem nos comentários que na próxima att das curiosidades eu adiciono

A Vilã da Casa Bellerose

Capítulo 12

  O canto dos pássaros anunciava a chegada de mais um mês, trazendo as ondas de calor características da região norte juntamente das brisas que tentavam refrescar os pobres mortais. Menos de 24 horas após a competição e o movimento do castelo voltou a sua normalidade, com os seus empregados em suas funções desde cedo; suspirei pesadamente ao olhar pela janela do closet – que se localizava em um espaçoso quarto no primeiro andar do recinto –, com o desejo de estar caminhando pelos jardins e aproveitar a sombra das árvores. Minha cabeça doía um pouco, o falatório incomodava e não consegui esconder a feição de descontentamento ao escutar pela milésima vez a voz do estilista pessoal da duquesa. Não é como se a culpa da minha ressaca fosse dele, afinal, por conta da bebedeira com Killian e Ethan na noite anterior, esqueci completamente que eu e a duquesa tínhamos horário marcado com o homem e, para melhorar, ele é tão pontual que chegou ao castelo às sete em ponto. O lado bom de me distrair com a sua falta de paciência é que eu ignorava o fato do quase beijo entre eu e Lian que surgia na minha mente de cinco em cinco minutos. Senti as bochechas esquentarem e respirei fundo, tentando esquecer o fatídico acontecimento e lembrei do envelope que Lion entregou, contendo informações tanto sobre o futuro sequestro como da organização – o marquês não foi citado em um todo, apenas o que já sabíamos em relação aos meus irmãos.
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  – Senhorita, estou finalizando os últimos detalhes, contudo, preciso que colabore, sim?
  – Peço desculpas, Sir Hyde. Agradeço pela paciência e por fazer esse vestido rapidamente. – Sorri sem graça.
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  – A única coisa que preciso é que esses quadris não se mexam com tanta frequência, senhorita – ele abanou a mão, dispensando as desculpas e agradecimentos. – Sei que vivemos em uma hierarquia, entretanto, não fui batizado com um nome tão bonito para ser chamado de “Sir” – comentou com as mãos na cintura.
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  Viviene tentou conter a sua risada, já esperando essa fala do homem e olhou para mim, observando os ajustes do vestido. Alfonso Hyde é conhecido por todo o reino como o estilista favorito da família Bellerose e por sua lealdade com os seus clientes: boatos que ele já até negou trabalhar com a rainha! O homem está na casa dos trinta e a sua marca registrada é o seu longo cabelo em um tom de pêssego, além de confeccionar peças ímpares, o que as tornam raras. O costureiro possui uma loja em cada região, entregando um esplêndido trabalho em todas as suas coleções das estações, fazendo com que filas quilométricas se formem em seus estabelecimentos.
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  Como estilista particular, Hyde só atendia a duquesa; a amizade deles é de longa data e frequentaram juntos a academia, prometendo apoiar um ao outro quando a maioridade chegasse. Viviene não mediu esforços para investir em seu amigo, já que a família de Alfonso sempre foi contra a sua profissão e viraram as costas para ele. Sem o seu título de nobreza, o estilista se tornou uma pessoa comum, mas que fez o seu nome ser tão conhecido por conta de seu talento como costureiro, sendo procurado em todos os lugares. A sua popularidade cresceu ao Viviene usar o seu primeiro vestido em um dos eventos da alta nobreza, e em alguns meses, sua loja foi aberta.
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  A duquesa me informou que como eu começaria a ir para os eventos, ela solicitaria a Alfonso que fizesse as minhas roupas; eu recusei, óbvio. Todavia, não é como se ela tivesse me dado realmente uma escolha desde o início. Hyde tirou todas as medidas para os futuros vestidos, contudo, o que eu vestia no momento é o qual usarei a noite, na minha primeira aparição pública. No final do mês passado, folheei as cartas que Anna havia enviado com a sua, vendo que eu tinha sido convidada para vários aniversários e festas de chá por pessoas que não recordo de ter conversado antes. Com o título de futura marquesa e sendo filha da soldada da ordem, as jovens eram induzidas por seus parentes a enviarem o convite, com intenção de formarem uma amizade entre suas filhas e eu, para que pudessem estar perto de mamãe. Não é como se eu ligasse para os seus propósitos, se eles complementam os meus, não ligaria de comparecer aos seus eventos, já que, quanto mais gente ao meu favor, melhor.
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  – Alfonso, querido! É impressionante o modo que me surpreende com cada vestido, estou muito orgulhosa do meu investimento! – A duquesa bateu palmas animadamente, abraçando o amigo em seguida.
  – Receber elogios da minha cliente favorita é música para os meus ouvidos – ele fingiu limpar uma lágrima. – Bem, a modelo também ajudou… Do seu jeito.
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  – Ei! – Tentei retrucar, mas desisti. – Uma pergunta: como é possível ter feito esse vestido em um dia?
  – Na verdade, há cerca de um mês, Viviene me procurou e pediu que eu fizesse algumas roupas de acordo com as medidas que me deu, então apenas perguntei as ocasiões e comecei a elaborar. Finalmente conheci a sortuda modelo que vestirá as minhas peças!
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  – Certeza que está tudo bem em usá-las? Alfonso não é conhecido por ser exclusivo da duquesa?
  – Sim e sim, senhorita. – Hyde pôs as mãos nos meus ombros. – Foi um pedido especial da minha querida amiga, e acredito que eu possa abrir uma exceção para a futura marquesa, certo? – O encarei surpresa. – Como eu sei? Simples: a senhorita é a cópia de sua mãe. Só não entendo como as pessoas não fazem essa ligação.
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  Ainda estava boquiaberta com a sua fala, nunca parei e pensei em ser parecida com mamãe, nem mesmo quando o marquês dizia que eu não era a sua filha. Analisei o meu reflexo no espelho e suas características, tentando puxar nas memórias imagens de nós duas juntas – falhando no final. Viviene penteou o meu cabelo amorosamente em forma de conforto, se juntando a Alfonso para reverem outras informações enquanto eu me trocava.
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*

  Caminhei lentamente para o campo, massageando as têmporas e rezando para que a dor de cabeça me deixasse. Rin aconselhou que eu tomasse um remédio e assim o fiz, mas não havia passado tempo o suficiente para o efeito. Adentrei o lugar e todos os olhares caíram em mim, mostrando que mais uma vez eu seria o centro das atenções; avistei os meus colegas acenando para mim e andei até eles, iniciando os alongamentos em conjunto.
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  Ash aparentava estar mais entusiasmado do que o normal depois da competição, resultando em um treino pesado para uma simples segunda–feira ensolarada. Contrário do que eu pensava, o tempo passou rápido e finalmente a ressaca foi embora, me permitindo ressurgir das cinzas como uma fênix. Hoje a aula foi mais curta, e os meus colegas comentaram que podia ser por conta dos novos materiais que precisavam ser vistoriados pelos treinadores, então decidimos almoçar no refeitório.
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  Sentar e jogar conversa fora durante a refeição me faz sentir como se realmente fossemos amigos, e eu gostava disso. Nosso singelo grupo é composto por três donzelas e dois rapazes: Olive, Olívia, eu, Frederick e Mark, respectivamente. Desde o meu primeiro dia, eles eram as pessoas que estavam debaixo da sombra por ter tido a mesma ideia que eu, o que me deu uma ótima impressão sobre suas personalidades, óbvio. Nas aulas seguintes, acabávamos nos juntando e treinando em grupo, resultando no início da nossa amizade, que é baseada em fofocas. Basicamente, se existisse um jornal apenas de acontecimentos de dentro do castelo, esses quatro seriam a equipe jornalística por sua incrível habilidade em espionagem. Felizmente, como grande conhecedora da vida alheia que sou, não demorei para me enturmar nos últimos rumores, coletando dados interessantes sobre Molly Price e seus amigos.
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  – Parece que além de suspensa, Molly pode acabar perdendo sua vaga no exército – Fred comentou de boca cheia, fazendo com que Olive o repreendesse e o resto de nós ríssemos da situação. – Está bem, está bem! Mastiguei tudo, feliz?
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  – É o mínimo, Frederick – ele lhe mostrou a língua. – Continuando, descobrimos que ela não só recebeu um sermão de Ash, mas da duquesa também. Nossas fontes disseram que Price saiu com os olhos marejados e o seu irmão repassou os sermões no caminho para o dormitório.
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  – Bom, que pena, certo? – Olívia deu de ombros, saboreando o seu pedaço de frango. – Sinceramente, nunca gostei dela e de seu grupinho, sempre de nariz em pé só por terem um título. E daí que eles possuem um título? Eu tenho mais força que todos juntos e não saio por aí praticando maldades com outros por causa disso.
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  – Concordo com a Liv – beberiquei o suco de uva –, desde quando vieram me “desafiar”, já percebi o tipo dessa gente. Não tenho paciência e, se me recordo bem, eles têm um contato meio diferenciado com um “instrutor”, não é?
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  – Connor? – Mark sussurrou. – Esse aí é o que mais tem contato com os alunos, Arabella. Na verdade, ele se diz instrutor quando na verdade é apenas um estudante que viaja de região em região para aprender novas técnicas e se aproveita do status que recebe.
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  – Suas Graças não fazem nada por saberem que ele mesmo se queimará brevemente, por isso o deixam viver nesse mundo da ilusão. Soubemos também que o seu visto está por um fio por conta de todas as reclamações que recebeu. – Olívia apontou o garfo para Mark. – E você não deveria estar chamando nossa querida amiga de senhorita?
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  – Perdoe–me, senhorita Arabella Fiore – Mark fez uma breve reverência.
  – Pelos deuses, parem com a formalidade, por favor!
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  Joguei as mãos para o alto, como se estivesse me rendendo; contei a eles sobre a minha verdadeira identidade ao sentarmos na mesa, causando uma pequena comoção de rostos surpresos e cochichos compreensíveis. Optei que soubessem por mim a verdade, a fim de continuar a estabelecer a nossa amizade, ainda mais com as minhas futuras aparições nos eventos da nobreza. Não pedi que mantenham essa informação em segredo, entretanto, sei que eles não falarão nada se não forem perguntados previamente. Com uma piadinha aqui e ali, prosseguimos com nosso almoço e nos despedirmos no pátio. Antes que eu adentrasse o grande hall do castelo, senti um braço envolver o meu ombro:
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  – A minha aluna favorita é o assunto número 1 na turma avançada! Que orgulho do meu pupilo! – Ethan estava sorridente.
  – Sou a sua única aluna, LeBlanc – rolei os olhos brincando. – Treino acabou cedo?
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  – Sim, e por falar nisso, a senhorita teria míseros minutos para conceder ao seu querido professor?
  – Preciso ser entregue até as duas e meia, tenho que me arrumar para o aniversário da Lady Marcelle Monsour e, se eu me atrasar, Rin não pegará leve com você.
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  – Juntamos o útil ao agradável! Te mostrarei as cartas e enquanto a senhorita lê, falarei um pouco sobre o que sei sobre a família Monsour. Vamos? – Ele estendeu seu braço e eu aceitei, indo para o seu dormitório. Assim como eu, Ethan tem o seu próprio quarto, sendo em uma parte mais afastada do castelo e facilitando as minhas visitas sem ter rumores circulando por aí.
  – Bem–vinda ao meu humilde quarto!
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  Ethan estava sendo irônico com a palavra “humilde”: seus aposentos são tão completos quanto o meu e de meus irmãos, mas consegue ser um pouco maior. Sentei em uma das poltronas e o vi se ajeitar ao meu lado, com três caixas pequenas em suas mãos.
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  – Essa é dos pedidos de encontros e casamentos; a com um laço vermelho é a sua e a do laço dourado é do admirador secreto – apontou para cada uma em ordem.
  – Você guardou as minhas cartas?
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  – Sim? Não comentei que só duas pessoas me interessaram no meio de todos esses convites? – Quase engasguei com sua resposta direta e senti as bochechas corarem, em sinal de uma pequena vergonha.
  – Touché – falei enquanto pegava a caixa.
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  – Começarei sobre os Monsour: família pequena, apenas uma herdeira; o barão e a baronesa se casaram por meio de um casamento arranjado e se apaixonaram conforme o passar dos anos. Eles são extremamente inteligentes e festeiros, então não se assuste ao vê-los se divertindo mais do que os meros jovens presentes na festa. Lady Marcelle possui seu grupo de amigas próximas e é simpática, tendo várias amizades em cada canto do reino. Uma dica é: se conseguir acompanhar o seu ritmo, há chances de ela querer se aproximar de você futuramente. Ela não é difícil de lidar, diferente das amigas, mas creio que Arabella lidará muito bem com esse detalhe, sim?
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  – Alguém fez o dever de casa – o olhei com um sorriso atrevido. – Obrigada pelas informações, Eth. Agora, gostaria que me falasse sobre o conteúdo das cartas – pausei. – São várias e eu não quero invadir a privacidade de vocês dois.
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  – Não há problema algum nisso, Bell – Ethan me chamou pelo apelido que criou para mim, mas sinto como se estivesse chamando uma ovelha. – Eu decidi te mostrar, certo? No entanto, posso resumir alguns pontos que talvez nos ajudem com mais precisão. Hum… aqui, se olharmos o endereço, vemos que a maioria vem dessa pensão.
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  – A que você já foi?
  – Sim, mas tem outras que variam – ele as folheou. – As cartas sempre eram enviadas de alguma pensão, o que me faz pensar que essa pessoa é da região oeste.
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  – É uma possibilidade, contudo, se as cartas vinham semanalmente e você as enviava para o último endereço delas, quer dizer que pelo menos de sexta a domingo essa pessoa se hospedava nessas pensões, então ela pode ser uma viajante ou uma soldada em missão.
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  – Oh – o vi surpreso –, não havia cogitado essa possibilidade.
  – Sem problemas, LeBlanc – peguei duas cartas que chamaram a minha atenção, analisando mais a fundo. – Percebi que na maioria, e principalmente nesses, há citações de machucados e estudo de magia?
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  – O admirador nunca falou com precisão o que fazia da vida, me deixando a mercê das suposições – ele suspirou e encostou o corpo no sofá. – Por sempre comentar que se machucava, imaginei que podia ser um cavalheiro, contudo, ele sempre mencionava que não passava muito tempo machucado, o que me fez pensar que era uma alquimista e/ou feiticeira. Talvez seja tudo isso em uma única pessoa.
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  – Realmente… Inclusive, isso me faz lembrar de uma dúvida que tenho: seus pais treinam uma parte do exército, certo? – Assentiu. – Por que você não treina com eles?
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  – Ah, acho que nunca comentei. Meus pais são feiticeiros e eles treinam os feiticeiros de cura para os campos de batalha. Todo final de semestre os seus alunos se juntam com os da duquesa para treinarem durante uma semana e se acostumarem a trabalhar em grupo. Como eu não nasci com magia, optei por ficar sob os cuidados dos Bellerose.
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  Eu tinha esquecido desse detalhe: nesse mundo, a magia não é passada de geração para geração seguidamente. Então, mesmo o Ethan sendo filho de dois feiticeiros, não quer dizer que ele teria magia. Outro exemplo é Killian, já que seus pais e avós não tinham poderes mágicos e ele nasceu com – é um fator meio que aleatório.
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  – Bom, acho que podemos dar uma olhada nas outras pensões e procurar por essas inicialmente – todas as cartas estavam assinadas por C.M –, além de olharmos os registros. Afinal, como vocês começaram a escrever se vocês não conhecem a verdadeira identidade um do outro? – Guardei as cartas e suspirei, tentando decifrar o mistério do nome dessa pessoa.
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  – A pedido dos meus pais fui verificar alguns acontecimentos na fronteira, e depois de muito cansaço, eu bebi um pouco mais do que devia e escrevi uma carta. Não lembro muito bem do conteúdo, mas eu sei que estava desabafando sobre a minha vida e acabei deixando-a em algum lugar da pensão. Uma semana se passou e eu tive uma inesperada resposta – Eth coçou a nuca. – Loucura, não é?
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  – Se essa pessoa fosse um assassino, sim, seria… – me diverti com a sua expressão amedrontada. – Contudo, o seu admirador se expôs até demais nas cartas que li, se fosse alguém querendo brincar com os seus sentimentos, não se daria a um trabalho desses.
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  – Obrigado, Bell. Por tudo. – LeBlanc segurou a minha mão e depositou um beijo nela.
  – Amigos são para isso, certo? – Sorri animadamente.
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  – Melhores amigos! – Ethan parecia estar contente ao me consertar sobre a nossa amizade – Acho que alguém tem que se preparar para a festa. Vem, vou te acompanhar até o hall.
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*

  Lady Marcelle é a filha única do Barão Ricardo Monsour, sendo conhecida por suas festas de aniversário extravagantes e regadas a todos os tipos de bebidas que o reino oferecia. Seu pai, um homem sério, fazia todas as vontades de sua filha, e não abria mão de entrar na competição de quem bebe mais junto com ela; por não ter irmãos, Marcelle sempre gostou de reunir o seu grupo fixo de amigas para fofocarem ou terem uma tarde de chá, tendo as reuniões variando de casa para casa.
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  Não é novidade que a família Monsour possui alguns imóveis espalhados por outras regiões de Bellary, servindo como lugares para se passar férias ou apenas um final de semana.
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  O seu convite direcionado para mim não foi uma surpresa, tampouco acidental: mesmo sem me conhecerem pessoalmente, os nobres têm o conhecimento que a marquesa e o marquês possuem três filhos, e um deles sou eu. Os diversos convites que recebi todos esses anos eram por puro interesse dos integrantes da nobreza em estabelecerem uma conexão com a minha mãe e a sua fama, então optei por me aproximar de quem poderia me favorecer futuramente.
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  Em seu último contato, Giovanna enviou para mim as cartas que chegavam na casa Fiore, e ao escolher os eventos que eu participaria, as respondi prontamente confirmando a minha presença. Ao todo, decidi responder somente 3 convites, já que há outros eventos em que comparecerei como acompanhante da duquesa, e também não quero me sobrecarregar por conta dos meus afazeres como soldada e irmã mais velha.
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  O cocheiro anunciou que havíamos chegado, e Felippa abriu a porta da carruagem, estendendo sua mão para me ajudar na descida. Quando conversávamos sobre as festas, Viviene deixou claro que por eu ser uma nobre, precisaria de um cavalheiro para me acompanhar. Depois de avaliarmos o perfil de alguns, Felippa foi a que mais chamou a atenção e logo aceitou o cargo, dizendo que seria uma honra.
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  Caminhamos até a entrada, adentrando o glamouroso espaço que é a mansão Monsour, devidamente decorada em rosa e dourado com diversos balões pendurados pelo hall. Um homem nos deu as boas-vindas, guardando o meu casaco assim que o entreguei, e outro veio em nossa direção, solicitando que o seguíssemos para o local onde a festa estava sendo dada.
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  Se eu falasse que não estava surpresa com o evento, seria mentira.
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  Mesmo já sabendo o que esperar por conta da fama dos Monsour, fiquei boquiaberta com o espaço; há duas grandes fontes de chocolate, mesas fartas de diferentes pratos de salgados e doces e bebidas para todos os lados. O salão é na parte de fora e rodeado por um jardim bem cuidado, mas é coberto, o que dá uma certa privacidade e protege caso o tempo decidisse mudar. A maioria das pessoas se embebedavam sem pensar muito no amanhã, enquanto várias dançavam com as garrafas nas mãos e poucas se encontravam sentadas conversando. O homem que nos guiou parou em uma das mesas, anunciando a minha presença para a aniversariante:
  – Apresento-vos a senhorita Arabella Fiore – o guia foi dispensado após falar.
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  – Agradeço imensamente pelo convite, Lady Marcelle. Desejo-lhe feliz aniversário! – Sorri cordialmente, sendo correspondida pela jovem.
  – Senhorita Arabella, seja bem-vinda a mansão Monsour! Estou feliz em vê-la e agradecida pela senhorita comparecer – ela me reverenciou. – Sente-se conosco.
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  Analisei os rostos conhecidos e cumprimentei todas as garotas, me acomodando ao lado da aniversariante. Minha presença não as incomodou, visto que mantiveram a sua conversa assim que se apresentaram. Beberiquei o vinho que me foi servido ao ser questionada por Lady Louise Lee:
  – Senhorita Arabella, já se recuperou do seu resfriado?
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  – Verdade! Ficamos sabendo que a senhorita estava tão resfriada que estaria indisposta a comparecer a qualquer evento… – por mais que a malícia fosse mínima na fala de Lady Paola Geththx, sua real intenção era me testar.
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  – Muito obrigada pela preocupação, senhoritas – abri o meu leque e me abanei levemente. – Não há como uma descendente direta da ordem ficar tanto tempo doente, correto? O marquês apenas não queria estragar as surpresas do meu futuro.
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  Ter citado as minhas raízes as fizeram ficar em silêncio, sem saber o que responder. Reparei no riso abafado de Lady Marcelle que passou despercebido pelas demais, e trocamos olhares como cúmplices.
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  – Se me permite – a anfitriã virou para mim –, quais são as surpresas, senhorita Arabella?
  – Oh! – Escondi parte do meu rosto com o leque, observando todas as meninas. – Será que eu deveria revelar o meu segredinho?
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  – Sim! – Exceto por Monsour, as meninas responderam prontamente, cheias de curiosidade.
  – Hum… acho que tudo bem, já que somos amigas, certo?
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  Sorri amigavelmente, depositando minhas mãos em cima das outras que estavam ao meu lado, sendo um ato inesperado por elas. Não foi necessário conversarem entre si para chegarem a um consenso: que eu as beneficiaria bastante portanto que estabelecêssemos um grau de amizade. Elas se entreolharam e corresponderam ao meu gesto, fixando sua total atenção em mim, aguardando a minha fala:
  – Ainda não é de conhecimento público, mas… Agora faço parte do exército do norte!
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  – Senhorita Arabella, parabéns! – Marcelle bateu palma, animada com a notícia.
  – Isso é incrível – Paola limpou os lábios. – Talvez a senhorita esbarre com o meu noivo… E se esbarrar, por favor, dê um tapa nele por mim.
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  – Ora, ora – soltei um riso com o seu pedido – Problemas no paraíso?
  – Ele não a visitou nas duas últimas semanas, senhorita – Louise afagou o braço da amiga. – Inadmissível esse comportamento dele!
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  – Concordo – assenti com os seus cochichos. – Contudo, os últimos treinos foram intensos e há alguns cavalheiros prestes a serem promovidos. Sir Nicholas é um deles.
  – Como sabe quem é ele? – Paola questionou confusa.
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  – O rapaz me pediu que lhe entregasse essa carta – tirei o envelope da minha bolsa. – Eu iria perguntar a Lady Marcelle, mas acabamos nos reunindo por conta do destino, não?
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  Sir Nicholas veio me procurar depois de eu ter me despedido de Ethan, dizendo que ouviu comentários sobre eu comparecer à festa em que sua noiva estaria e solicitou que eu fosse a intermediária. Como algumas horas se passaram desde que o meu nome começou a ser falado pelo castelo, as pessoas que nem olhavam para mim vieram me cumprimentar, e agiam como se gostassem de mim. Todavia, o pedido do soldado foi sincero e decidi bancar a pombo correio, sabendo que ele ficaria me devendo um favor – assim como sua noiva.
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  – Muito obrigada, senhorita Arabella – a feição de Paola estava diferente, um tanto emocionada. – Escreverei a resposta assim que chegar em casa.
  – Não há necessidade de agradecer, Lady Paola. Fico feliz que o desentendimento foi resolvido, mas, caso ainda precise dar um tapa nele, é só me avisar.
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  Em meio de risadas e mais fofocas, duas horas se passaram desde que cheguei a festa e tudo estava correndo bem. A ansiedade ainda estava comigo, entretanto, fui chamada pelas meninas para dançarmos e bebermos mais, me distraindo das minhas aflições. Algumas vezes eu encontrava o barão Ricardo rodopiando com uma garrafa na mão, acompanhado de sua esposa e amigos, igualmente bêbados. Lady Marcelle não ficou para trás, depois de seis copos de cerveja se retirou e correu para o banheiro com as meninas, que não se encontravam tão bem. As ajudei a ficarem sóbrias e as levei para suas carruagens, explicando a situação para as suas empregadas. Rin e Felippa se encarregaram das que faltavam, enquanto Lady Marcelle estava apoiada no meu ombro, me guiando para os seus aposentos. Sua babá nos achou na metade do caminho, me agradecendo por trazê-la em segurança e eu me despedi, recebendo beijos no ar da aniversariante.
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  – Bom, agora preciso encontrar o meu caminho para dar o fora daqui. Esses saltos estão me matando…
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  Por mais que a mansão não se compare ao castelo do duque, o local é desconhecido por mim, e há diversos corredores que parecem dar no mesmo fim. Aproveitei para observar o espaço, me perdendo nos quadros dos antecessores do barão e da baronesa por alguns minutos, até que uma voz surgiu no final do corredor.
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  – A senhorita está perdida?
  – Talvez? – Procurei o dono da voz. – Quem gostaria de saber?
  – Prazer, sou Ryle Tartosa, senhorita Arabella Fiore.
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  O olhei minuciosamente fazer sua reverência, tentando lembrar de onde o conhecia; seu cabelo loiro estava penteado perfeitamente para trás, e seus olhos azuis cintilavam com o contraste da luz. Ele se aproximou calmamente, com um sorriso largo e beijou a minha mão, me guiando seguidamente para fora do corredor.
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  – Agradeço pela companhia – sorri gentilmente.
  – Eu que devo lhe agradecer, senhorita. Estava esperando a oportunidade para cumprimentá-la, mas nunca conseguia achar o momento certo. – O vi coçar a nuca, desconcertado.
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  – Oh! – Abri o leque, suspeitando ainda mais de sua aparição. – Algum motivo em especial?
  – Trocamos cartas no início da estação e faz um tempo que elas pararam… – o encarei confusa. – A senhorita deve ter se sentindo tão solitária sem as minhas correspondências, certo?
  – Como? – Tentei compreender o seu raciocínio, contudo, que merda esse garoto está falando?
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  – Com o aumento do trabalho, não pude mais corresponde-la, então imagino o quão triste os seus dias se passaram sem poder conversar comigo – Ryle se expressava como se estivesse em um monólogo teatral; o centro das atenções com o seu ego inflado. – Não temas mais, senhorita! Estou aqui para lhe fazer companhia em todos os momentos a partir de hoje!
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  Pisquei os olhos algumas vezes para ter certeza de que isso não é uma alucinação ou uma peça de mau gosto. O rapaz estava orgulhoso de agir como se eu precisasse de um príncipe encantado, prestes a me salvar me salvar do terrível vilão. Por mais que eu nunca tenha namorado em ambas vidas, na passada eu saí com algumas pessoas, e várias tinham esse exato perfil: complexo de superioridade com egocentrismo no máximo, achando que tudo girava ao seu redor e que seu dinheiro me faria super interessada em manter um relacionamento. Enquanto ocupado com o seu teatro, relembrei uma fraca memória da história original que nem sequer a autora deu tanta importância, o que quase passou despercebida por mim. Antes de tirar conclusões, precisava confirmar com o garoto em questão:
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  – Ryle Tartosa? – O chamei fingindo interesse. – Seus pais estão tendo um bom retorno com a loja de brinquedos?
  – A senhorita lembrou! – Bingo!
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  Não dei importância para o restante da sua resposta, pois só de observar a sua animação o meu estômago revirou – assim como os meus olhos. Ryle Tartosa e sua família tem uma das lojas mais famosas do reino, especializadas em brinquedos para crianças e pelúcias com um preço acessível para os demais moradores. É claro que um indivíduo que tem o seu trabalho pensado em crianças com baixa renda causaria um certo interesse em Arabella, já que, anteriormente, o seu dinheiro era extremamente escasso.
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  Em um dos trabalhos que o marquês a mandou efetuar, havia sobrado umas moedas e ela gastou nessa loja, por ter certeza que conseguiria comprar dois novos ursinhos para os seus irmãos. Tipo aquelas promoções de leve dois pelo preço de um, Ryle Tartosa veio como um brinde ao surgir na frente dela, encantado por sua beleza e simpatia. Não perdeu tempo em se apresentar e prometeu entrar em contato, tendo Bella recebido sua carta dois dias depois desse primeiro encontro. Arabella, feliz por ter alguém diferente para conversar, nunca enxergou o rapaz como interesse romântico, mas possuía esperanças que se tivesse que se casar, talvez ele seria uma boa opção – afinal, seu repertório de pretendentes era que nem a sua carteira: vazia. Por outro lado, Ryle se apaixonou por ela e sonhava com os dois namorando e noivando, como em uma bela história de amor.
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  Eles trocaram cartas e mais cartas, até o momento que Tartosa não obteve mais respostas. De início, continuou a enviar, contudo, logo desistiu ao descobrir os inúmeros rumores que rondavam a Arabella Fiore, a pintando como vilã. Para alguém com um bom perfil e reputação a zelar, o tão carinhoso e amoroso Ryle decidiu dar as costas para sua amada, e quando seus amigos acharam as cartas que trocava com a garota, Tartosa disse em alto e bom som que nunca gostou dela, e que era Arabella Fiore quem corria atrás de si, visto que “sou tão incrível, como alguém não gostaria de conversar comigo?”. A partir disso, o herdeiro da loja de brinquedos começou a adicionar mais boatos aos que já circulavam, demonstrando ser o que sua personalidade exalava: um merda. Sorri assustadoramente por trás do leque, sentindo o gosto amargo saindo para dar espaço ao delicioso sabor da vingança.
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  “Pobre, Ryle”, pensei. Será que ele ainda não tinha ouvido as últimas notícias? A mulher que ele irá jurar que está apaixonado é a vilã que ele mais temerá ter por perto.
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  – Senhorita – Felippa pôs a mão no meu ombro. – A carruagem está pronta.
  – Oh – olhei para Tartosa com os olhos semicerrados. – Ryle, preciso ir.
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  – Nos veremos novamente, senhorita? – ele gritou conforme eu me afastava.
  – Por que não? – respondi curtamente, revirando os olhos assim que lhe dei as costas.
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  Comentei com Rin e minha cavaleira sobre a ocorrência, evitando falar sobre a vida passada – mas as deixando a par de que eu não gostava desse cara. Não acredito que Ryle será o tipo de pessoa que vá ter alguma redenção, entretanto, permitirei que o rapaz tente se aproximar e mostrar a sua verdadeira face. Encostei a cabeça na janela, satisfeita com a festa no geral; a atmosfera foi bem agradável, todos se divertiram e eu senti como se fosse uma noite de folga depois de semanas intensas de trabalho. Independente do cansaço, estou animada para conversar com Lian e falar sobre a forma que o barão e a baronesa se divertem, e talvez eu devesse sugerir uma noite de bebedeira para nós dois também. O avistei assim que a carruagem parou, com seu cabelo solto e sua roupa usual, pronto para me receber. Ele me ajudou a descer e ouvimos as minhas acompanhantes se despedirem, nos deixando a sós.
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  – Estou em casa, Lian – sorri animadamente, tirando os saltos.
  – Bem-vinda de volta, Bella – Killian beijou a minha testa e apertou as minhas bochechas. – Quer que eu te carregue para dentro?
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  – Seria uma honra, Bellerose – o reverenciei e caímos na gargalhada. – Tenho tanto para te contar! Acredita que fiz amizades?
  – Ou aliados? – Deitei a cabeça no meu ombro, ponderando.
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  – Os dois. Lady Marcelle é a cópia dos pais, os quais amam beber e dançar a noite toda; Lady Paola abaixou a guarda quando entreguei a carta de seu noivo, e Lady Louise é a mais inocente do grupo. Conversei com outras pessoas, dancei, bebi bastante cerveja… Ah! Não posso esquecer do empecilho – falei rapidamente, quase me atropelando com as palavras. – O castelo estar vazio assim é estranho!
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  – Bella, respire um pouco, sim? – Bellerose me pôs sentada na minha cama com cuidado.
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  O encarei curiosa ao vê-lo pegar uma bacia e encher com água, procurando umas toalhas em seguida. Percebendo que eu ia lhe perguntar, ele pediu para que eu tomasse banho e depois o encontrasse. Terminei o banho um pouco depois, saindo do banheiro com a camisola por baixo de um roupão e me deparei com um Killian de roupão vermelho, com uma abertura que dava para ver o seu peitoral. O rapaz colocou o livro de lado e se levantou, me conduzindo a sentar no sofá e ele se acomodou na poltrona em frente, juntamente dos objetos de antes.
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  – Imagino o quão cansada deva estar, Bella. Pensei em preparar essa massagem para os pés para ajudar a aliviar a dor, tudo bem? – Meu rosto esquentou bem rápido e eu sorri, concordando com a sua ideia. – Devo dizer que estou feliz que você tenha se divertido e que tenha encontrado amizades. Mas, devemos nos preocupar com esse empecilho?
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  – Talvez – bocejei sonolenta, fechando os olhos. – Nós trocamos algumas cartas no passado; aparentemente, ele sente algo por mim e eu não podia ligar menos.
  – Algum problema com o rapaz?
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  – Nenhum, só não gosto dele – abracei o travesseiro e encostei meu rosto, sentindo a sua maciez. – Entretanto, é provável que ele cause problemas, visto a sua personalidade…
  – E qual é o seu nome?
  – Ryle. Ryle Tartosa.
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  N/A: ATENÇÃO!!!!
  – Antes de comentarmos o capítulo, um aviso: A Vilã Da Casa Bellerose terá uma mudança na classificação etária. A partir desse capítulo, a classificação passará a ser +18 e não +16 (como era quando comecei a postar); isso se deve a futuras situações que acontecerão no desenrolar dos capítulos, e achei mais apropriado fazer essa mudança. Espero que continuem lendo <3
  – Agora, vamos aos comentários:
  E começamos mais um mês, yaaaay \o/
  Vocês piscaram e a Bella finalmente foi segundar (quem é que faz festa em uma segunda se não a galera rica que não precisa se preocupar em ir trabalhar no próximo dia, né?), acredito que ela tenha gostado mais do que ela mesma imagina.

O que acharam do Alfonso e das novas amigas da nossa protagonista? Será que são amigas de verdade?
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“Ethan e Bella, os melhores detetives de Bellary.
Tem um admirador secreto e acha que está sendo enganado?
Não caia no catfish e venha nos contratar! Entregaremos o resultado em três dias.
Para contratar, favor mandar uma carta para o castelo Bellerose.
Responderemos o mais breve possível”

  

Se essa dupla tivesse um negócio, esse seria o conteúdo do panfleto HAHAHA Inclusive, vocês acham que o admirador secreto do Eth pode estar enganando ele? Teorias?
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  Ryle Tartosa mal apareceu e já estou sem paciência para ele KKKKKKK (Lelen, essa vai para você, que sempre quis que aparecesse um ex interesse romântico HAHAHA <3)
  Próximo capítulo teremos uma NOVIDADE!!! Não vou dar spoiler, mas estou animada, viu? Acho que vocês vão gostar hihihi
  ENTÃO: nesse lindíssimo mês de outubro, a sua querida escritora (eu) faz aniversário \o/ gostaria de saber se vocês querem saber de alguma curiosidade específica sobre a história e as personagens, uma att dupla, coisas assim. Não é muito, mas pensei nisso para ser um presente meu para vocês!
  Até a próxima atualização <3

Capítulo 13 – ‘cause you’re more than just a dream

Killian Bellerose

  – Vocês devem estar se perguntando o porquê de eu ter chamado vocês aqui.
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  Encostei o meu corpo na mesa e cruzei os braços, mantendo uma feição séria. As quatro crianças me olhavam curiosas, esperando que eu revelasse o motivo de tê-las reunido – ou só queriam ser liberadas para brincarem antes das aulas começarem. Caminhei em suas direções, ainda fazendo o suspense e me abaixei para ficar em suas alturas, recebendo mais olhares intensos e inquietos.
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  – Primeiro, comam esses doces. – Coloquei a caixa de chocolates no centro da mesa.
  – O que o irmão mais velho quer de nós? – Kira perguntou ao comer o chocolate.
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  – Não posso apenas desejar agradar os meus irmãos e seus amigos? – Fingi estar ofendido com a sua suposição.
  – Isso você já faz desde sempre, irmão – Kieran deu de ombros, saboreando mais um chocolate.
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  – Tudo bem, eu me rendo! – Joguei as mãos para o alto. – Bom, solicitei as suas ilustres presenças para pedir um favor: preciso de um dos anéis da Arabella, entretanto, que seja um que ela não use muito para não perceber que sumiu. Sem perguntas, e a senhorita em questão não pode saber.
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  – Irmão mais velho? – Antonella se levantou e parou na minha frente séria. – Nós somos crianças, mas sabemos que você quer dar um anel a nossa irmã. Antes de aceitarmos, temos que conversar.
  – É claro, senhorita – me afastei do quarteto, achando uma graça eles serem tão espertos.
  – Depois de pensarmos, ajudaremos o irmão mais velho – Thoni foi o porta–voz da vez. – Mas, queremos uma recompensa.
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  – E qual seria? – Ele estava com a mão no queixo, ponderando o que os demais provavelmente gostariam de ganhar. Se juntaram novamente, cochichando tão baixo que não dava para espiar nem um pouquinho. Será que pediriam bolos, tortas ou brinquedos? Talvez mais doce?
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  – Queremos duas moedas para cada, e autorização para irmos à cidade comprar doces. – Quase engasguei com o chocolate ao ouvir os seus pedidos. – Serene poderá nos levar, Cliff e Noel também.
  – Vocês só precisavam de uma autorização, certo? – Passei os meus dedos pelo meu cabelo. – Nossos pais negaram?
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  – Eles disseram para virmos falar com o irmão mais velho – ah, como é bom ser filho do duque e da duquesa, que agem igual a família real, jogando a responsabilidade pros outros, como sempre.
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  – Tudo bem, joaninhas – afaguei a cabeça de Nell e Kieran. – Aqui estão as moedas de adiantamento, e a permissão por minha parte está concedida. Precisamos falar com sua irmã, Antonella e Anthoni.
  – Sem tempo a perder!
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  Assisti eles correrem para fora do meu escritório e os acompanhei, indo para os aposentos de Bella. Na noite anterior, a recebi quando chegou do aniversário e conversamos enquanto eu fiz uma massagem nela, que a levou a adormecer pouco depois de conversarmos sobre Ryle Tartosa. A coloquei na cama e, antes de sair do quarto ainda sonolenta, Arabella puxou a minha mão e eu caí em seu lado, sendo abraçado pela garota e sem muita escolha de me desvencilhar – não é como se eu quisesse sair de seus braços, na verdade. Às vezes esqueço que tanto eu quanto ela temos uma força diferente das pessoas comuns, mas é um fator que estamos acostumados e nem percebemos muito no dia a dia.
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  Assim que despertei, a vi se espreguiçar e me desejar um bom dia, logo me expulsando do quarto, já que tinha que se arrumar. Nesse meio tempo, organizei os meus afazeres e chamei as crianças, pondo o meu plano em prática; Lion perguntou gentilmente se eu não tinha vergonha de pedir aos mais novos para fazer o trabalho “sujo”, contudo, apenas o dispensei. Se eu fosse até a Rin, provavelmente a empregada não gostaria da ideia de mexer nos pertences de Bella, e eu a compreendo perfeitamente, não a colocaria em uma situação que havia chances de prejudicá-la. O quarteto, no entanto, é mais fácil de não serem suspeitados, e Nell e Thoni sabem onde a irmã guarda as suas joias – o que eu não imaginava nisso tudo era que os quatro estavam esperando a perfeita oportunidade para pedirem algo.
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  Cada criança deu uma batida na porta, ansiosas para verem Arabella e não há como negar que eu também estava. Mesmo que tenhamos dormido juntos, a vontade de estar consigo não desgrudava de mim, o que eu usaria como desculpa para ter outras chances de ficar com ela durante o decorrer dessas vinte e quatro horas.
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  – Bom dia, gatinhos! – Fiore os abraçou e olhou para mim. – Bom dia, Lian.
  – Bom dia! – responderam sorridentes.
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  – A que devo a honra de ter a figura dos quatro pequenos lordes desse castelo nos meus humildes aposentos?
  – Irmã, podemos ir à cidade com a Serene? – Nell segurou a mão da mais velha, lançando o melhor olhar de coitada que conseguiu.
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  – Cliff e Noel vão? – Assentiram. – Só se me prometerem usar suas capas direitinho e não soltar as mãos da Serene e dos cavaleiros.
  – Prometemos!
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  – Eles não vão para longe – me aproximei de Bella e enrolei uma mecha de seu cabelo no meu dedo, sussurrando em seu ouvido. – Nossos cavaleiros já estão cientes e os que patrulham a cidade também. Serene disse que vão a uma confeitaria a meia hora do castelo.
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  – Ótimo… – ela suspirou. – Não pretendo mantê-los presos no castelo, de qualquer maneira… Mas, ainda fico um tanto preocupada.
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  – Eu sei – as crianças já tinham se despedido de nós dois e seguiram com Serene e Rin para a carruagem. – Não sei se meus pais comentaram com você, mas temos essa esfera – mostrei –, e ela serve para nos comunicarmos.
  – Sério? – Bella a pegou e a observou minuciosamente, maravilhada com a descoberta.
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  – Funciona por conta da magia. A esfera troca de cor de acordo com a mensagem que você deseja passar: vermelho é para perigo e azul quer dizer que está tudo bem; verde é para quando queremos que alguém se apresse e laranja é para tomarmos cuidado. Ela também consegue rastrear a outra pessoa que a usa, se algo acontecer, seremos os primeiros a saber. – Tirei do meu bolso uma pequena caixa, lhe dando em seguida. – Nós gostaríamos de ter te dado antes, é um item que você pode comprar em lojas especializadas, entretanto, as que usamos são especialmente designadas pela viscondessa e o diferencial é que conseguimos escolher com quem entrar em contato.
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  – Como assim?
  – As esferas são acessíveis e muitos as utilizam no nosso reino, só que possuem suas limitações. Geralmente, as esferas só podem ser conectadas a apenas uma outra, e caso você queira conversar com uma pessoa distinta, é necessário desconectar a ligação e conectá-la a quem você queira, sendo necessário ser pessoalmente. Vejamos, pense em uma mãe e um filho: a esfera dela está conectada com a dele, e se ela quiser entrar em contato com um parente, ambos terão que desligar a conexão para que a senhora possa ligar para o parente.
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  – Oh, que nem um telefone… – Bella sussurrou, me fazendo estranhar essa última palavra.
  – Tele… fone?
  – Ah! Não é nada, prossiga com a explicação, Lian! – Ignorei dessa vez, voltando ao assunto principal.
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  – Um indivíduo pode ter quantas esferas quiser, e há muitos que preferem manter a comunicação por cartas por acharem mais prático. As que usamos, no entanto, são modelos mais exclusivos e que só quem tem uma condição boa pode pagar. O diferencial é que a nossa consegue se conectar com várias pessoas ao mesmo tempo, então, se eu estiver andando no centro e precise entrar em contato tanto com Lion quanto com Serene, basta eu dizer a esfera que desejo falar com Lion e Serene na mesma conexão.
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  – Oh… é interessante, realmente – Arabella analisou mais profundamente o objeto, porém não aparentava estar tão surpresa com o seu funcionamento. – Vocês também possuem gravadores?
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  – Sim, a esfera pode ser usada apenas para gravações também. É uma bela invenção, certo? Ah, elas precisam ser recarregadas com mana, e possuem uma longa durabilidade. Você pode recarrega-las em algumas lojas ou, se tiver mana em si, basta apertá-las na palma da mão até elas começarem a brilhar.
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  – Agradeço pelo presente, Lian – Bella sorriu ternamente, pondo a mecha de seu cabelo atrás da orelha. – Creio que já esteja configurada com o contato de todos, certo?
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  – Sim, a duquesa preferiu que fosse entregue à dona já completa. Agora que já sabe da esfera, se importaria de ceder um tempo do seu almoço para esse mero rapaz?
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  – E qual seria a ocasião?
  – Arabella Fiore – segurei seus dedos e os beijei –, aceitaria a ir em um encontro comigo?
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  A sua feição surpresa se desmanchou em forma de risada, mas as suas bochechas estavam coradas e ela me olhou tímida. Coloquei a palma de sua mão no meu rosto e senti o calor que vinha dela, aproveitando também o aroma doce que saía de seu cabelo conforme o vento o bagunçava.
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  – Seria uma honra, Killian Bellerose.
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*

  O intervalo entre o café e o almoço, normalmente, é caótico no nível que Lion deseja ser um polvo para ter mais braços. As tarefas de comandar um ducado não são fáceis e por mais que há dias e épocas calmas, o trabalho continua. O legado da família é longo, indo de questões administrativas das casas em nosso domínio até preparar mais de duzentos indivíduos para guerras e para servirem ao reino. Em Bellary, é normal os pais se aposentarem mais cedo e os seus primogênitos assumirem seus cargos, provocando que sejamos treinados desde novos a termos conhecimento sobre as suas responsabilidades.
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  Mesmo que tenha dias que sejam exaustivos, nunca me importei em herdar esse legado; com pais ainda joviais e compreensivos, eles sempre diziam que eu precisava manter a minha vida pessoal em dia, o que me fazia não encarar o título de duque com um pesar – afinal, o duque e a duquesa não deixariam esse título se tornar um martírio para mim. Contudo, isso não os impedia de uma vez ou outra jogarem em cima da minha mesa mais e mais papeladas que alegavam não ter tempo para processar, restando para eu e meu querido companheiro, Lion, lidar com as enormes pilhas.
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  Hoje a quantidade de papel está acima do de costume e ao invés de estar no meu escritório, vim para o de Giovanni. Optamos por trabalharmos juntos para acabar rapidamente, e independente de tentarmos, não conseguíamos ficar sérios por mais de meia hora.
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  – Killian, revise essa ficha e faça um relatório – o duque sentou na beirada da minha mesa. – Cheque os registros desses locais e veja se estão dentro da lei. Lion?
  – Sim, Sua Graça?
  – Como está o andamento da comunicação com o reino de Dellavecchia?
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  – Fluindo muito bem, Sua Graça – o mordomo organizou os envelopes em seus braços, pronto para partir. – Eles enviaram o relatório sobre o fluxo de pessoas que tem atravessado as fronteiras e as suas investigações sobre a organização, além de deixarem claro que a segunda princesa, Melissa Madelyn Dellavecchia, é a encarregada desses assuntos relacionados ao seu reino. Deseja algo mais, Sua Graça?
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  – Não, obrigado, Lion. Está dispensado.
  – O relatório do trio trouxe mais informações do que o esperado – comentei ao descansar as costas na cadeira. – Parece que o sequestro está se encaminhando para a parte final.
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  – As negociações com os membros da organização no reino vizinho estão a par – o duque folheou o relatório. – De acordo com o informante da princesa, todo o crime ocorrerá em um único dia para não levantarem tanta suspeita.
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  – Não é difícil perceber que a organização usará a vítima para pedir dinheiro, fingindo que ainda estão com ela. – Viviene adentrou a sala, completando a fala de seu esposo. – O que falta é saber quem será a vítima.
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  Minha mãe se sentou na cadeira do meu pai e leu alguns dos papéis que ele estava trabalhando; Giovanni se aproximou e beijou o topo de sua cabeça, recebendo um olhar carinhoso da mulher que logo voltou a sua atenção para as folhas. Assim que recebemos uma resposta do trio, descobrimos que a organização está prestes a dar início a um tráfico de crianças com o reino Dellavecchia, nos levando a contatar os representantes do reino o mais breve possível e a manter uma “parceria” com a segunda princesa.
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  Melissa Madelyn Dellavecchia é a segunda princesa na linha de sucessão ao trono e a caçula de sua família. Com 18 anos, o seu histórico de feitos pelo seu reino é admirável e o local que ocupava no conselho da família real não lhe foi dado de graça. Por lidar com diversos casos – relacionados a crimes ou não –, Melissa foi designada para resolver conosco a situação da organização criminosa, sendo solícita a tudo que pedimos e informamos, seja por carta ou pela esfera. Nunca nos conhecemos pessoalmente, mas os relatos e fotos mostram que todos os integrantes da família real possuem cabelo rosa em uma única tonalidade, característica restrita que confirma que o indivíduo tem sangue real.
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  Em Bellary, cada região tem suas cores predominantes, no entanto, há bastante diversidade. O rei, por exemplo, é loiro e a rainha é ruiva, sendo que no norte a cor predominante é o preto.
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  É provável que ocorra um encontro entre os dois reinos assim que resolvermos a questão da organização, contudo, isso é algo que darei a devida atenção mais tarde, já que se a segunda princesa vier para Bellary, quem cuidará de sua estadia é a família real, não a do duque.
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  Finalizei as papeladas e as arrumei em uma pilha, pondo na mesa de Giovanni que me olhou curioso, juntamente de Viviene.
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  – Compromisso? – Meu pai perguntou despretensiosamente, assobiando.
  – Está mais para um encontro, não? – A duquesa sorriu atrevida. – Killian parece com você mais novo, usando o mesmo estilo de roupa para quando ia se encontrar comigo.
  – Realmente, como pude ignorar as fofocas quentes desse castelo, certo?
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  Ah, as fofocas. Desde que a empregada nos pegou acordando juntos, Arabella e eu viramos o alvo do foco dos residentes do castelo e não ligávamos para os comentários, ao contrário do meu querido duque, que amava ficar por dentro do que estava em alta em sua casa.
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  – Se a Sua Graça tem tempo para saber das fofocas – peguei mais uma pilha de papéis da minha mesa –, tem tempo para efetuar o seu trabalho que esteve negligenciando e jogando para o seu filho, não é? – Sorri cinicamente e o vi suspirar, percebendo a situação que tinha se enfiado.
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  – Ele se parece mais com você, esposa.
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  A última coisa que ouvi ao sair da sala foi a risada da minha mãe, provavelmente concordando com o meu pai. Continuei o caminho até a porta principal, encontrando Arabella já a minha espera: seu cabelo estava totalmente solto e ela vestia um vestido preto, com alguns detalhes em suas bordas. Com o vento contra si, a vi segurar o seu chapéu para que não voasse, e em seguida reparou em mim, não deixando de sorrir.
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  – Você está tão bela – beijei a sua mão –, como sempre.
  – Faço as suas palavras minhas! – Fiore riu, encaixando seu braço no meu – Para onde vamos?
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  – Pensei em irmos a um restaurante no centro, dizem que o chefe deles é um dos melhores. Também temos a opção de um local mais reservado, se desejar. O que você quiser, eu quero, meu sol.
  – Você sabe como tratar uma dama, mocinho! – Franzi o nariz com sua fala, me segurando para não rir.
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  – A senhorita está parecendo uma senhora falando desse jeito.
  – Esse é o intuito, meu querido. – Caminhamos para a carruagem e a ajudei a subir, me acomodando a sua frente. – Estou satisfeita com a primeira opção, Lian. Afinal, eu me tornar uma figura pública foi a minha escolha.
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  – Como quiser, meu sol. – Avisei ao cocheiro o destino, recebendo um murmúrio afirmativo de volta.
  – O seu cabelo está tão bonito, Killian.
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  Arabella sorriu contidamente e começou a observar a paisagem pela janela, me deixando com o coração um tanto acelerado; depois que nos despedimos na parte da manhã, fui me preparar para o nosso encontro e, por sorte, a roupa eu já havia decidido na noite anterior. Pude, então, dar mais atenção para o meu cabelo, pensando em qual penteado eu poderia fazer. Após meia hora decidindo, acabei fazendo duas tranças em cada lateral e prendendo-as juntas, assim como Bella já tinha feito. Felizmente, o tempo gasto valeu a pena: o elogio dela combinado com o seu adorável rosto me deixou bastante alegre, de modo que tentei me conter durante o trajeto para não parecer que estava muito empolgado e acabar assustando-a.
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  A fachada do restaurante se destacava das demais com o seu letreiro estando em uma altura que se fazia visível a metros de distância; as cores do estabelecimento variavam entre um tom de verde musgo e branco, tendo suas mesas bem localizadas no interior e bancos no exterior, onde vários clientes se sentaram com seus acompanhantes para desfrutarem do clima agradável. Eu e Arabella estávamos ainda com os braços entrelaçados ao adentrarmos o ambiente, ganhando todos os olhos do público conforme os passos que dávamos.
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  – Aquele é o Killian Bellerose? – Escutei um dos comentários.
  – Acho que sim! Nunca o tinha visto de tão perto, ele é tão bonito! Mas… quem é a moça ao seu lado?
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  – Será que é a amante dele? Ouvi dizer que ele…
  – Killian Bellerose, que honra é recebê-lo em meu humilde estabelecimento com a sua bela acompanhante. Poderia me dizer o seu nome, senhorita? – Fomos recepcionados pelo chef que falou em alto e bom som.
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  – É Arabella Fiore, chef Montez. É um prazer conhecê-lo pessoalmente.
  – Oh, quanta excelência! – O homem bateu palmas, animado. – Temos duas figuras importantes do nosso reino em meu restaurante. Vou atendê-los pessoalmente! Gideon os levará para seus assentos enquanto me preparo para servi-los.
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  O timing não poderia ser mais que perfeito; o silêncio que se fez ao escutarem o nome de Bella foi o suficiente para saber que os cochichos não retomariam até nos perderem de vista, provocando um sorriso atrevido em meus lábios. Suas feições surpresas não passaram despercebidas por ela, que apenas se limitou em acenar com a cabeça e quando sentamos na nossa mesa no segundo andar, Fiore sorriu triunfante. Um suspiro escapou de sua boca, e eu sei que por mais que o seu plano esteja saindo como desejado, a ansiedade de ficar no holofote é grande – entretanto, se depender de mim, não há possibilidade alguma de eu sair de seu lado, não importa os acontecimentos futuros.
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  Não terá nada nesse reino que me fará soltar a sua mão, e eu mal via a hora de poder expor todo o meu sentimento por ela na hora certa.
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  – A comida daqui é realmente divina! – Bella bebericou o seu vinho e se virou para o chef após terminar de comer. – Essa carne de cordeiro está tão suculenta e macia, e o acompanhamento foi muito bem elaborado. Ah! E a sobremesa? O zabaione foi feito com vinho branco, certo? Ficou tão equilibrado o sabor, gostei bastante do toque das frutas secas ao fundo.
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  – Senhorita Fiore, fico lisonjeado com os seus elogios. Não sabia que tinha alguém nesse reino tão apaixonada e estudada sobre confeitaria como eu! – Montez falou dramaticamente, colocando a mão sobre seu peito.
  – Esse é um dos meus doces favoritos, chef Montez! É difícil achar uma pessoa que saiba deixá-lo no ponto certo. Fico contente em ter vindo ao seu restaurante; definitivamente, se tornou um dos meus favoritos.
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  – Senhorita – o homem segurou suas mãos, visivelmente emocionado –, sempre que quiser experimentar algo novo, venha ao meu estabelecimento. Farei questão de me aprimorar para estar a par de todas as suas expectativas.
  – Não há necessidade de se incomodar, chef Montez – ela negou com a cabeça.
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  – Eu insisto, senhorita. Nada me fará mais feliz do que uma boa apreciadora da minha culinária!
  – Tudo bem, chef Montez.
  – Por favor, me chame de Volkov, senhorita.
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  – Aceito o seu ilustre convite, chef Volkov – Bella se levantou. – Muito obrigada pela hospitalidade.
  – Igualmente, chef Montez. Obrigado por ter nos servido tão bem, esperamos que algum dia você possa nos visitar no castelo.
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  – Será uma grande honra, Killian Bellerose – ele nos reverenciou. – Tenham um ótimo dia!
  – Bella? – A chamei ao nos afastarmos do lugar.
  – Sim?
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  – Quer dar uma volta? – indaguei ao segurar sua mão, usando a outra para mandar um sinal ao cocheiro que demoraríamos um pouco.
  – Claro! – Sua resposta me deixou entusiasmado.
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  Caminhamos pelas ruas do centro e conversamos sobre assuntos aleatórios, lembrando que não podíamos esquecer de comprar alguns doces para nossas famílias, senão, não entraríamos em casa.
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  – Killian, você percebeu também? – Eu sabia exatamente do que ela estava falando.
  – Sim, Bella.
  – Avise aos cavaleiros depois do sinal – Fiore disse ao entrelaçar nossas mãos.
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  – Sinal?
  – Você saberá, pois estará comigo! – Não tive tempo de responder. Arabella me puxou pela mão e saímos correndo em direção ao beco.
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  Nos preparamos para caso algo assim acontecesse; não é novidade que o seu nome circulava pela cidade em menos de dois dias, nos levando a imaginar que Perci Fiore colocaria pessoas nas ruas para observar cada passo de Bella, mas o que ele não contava é com a falta de eficácia que seus empregados possuíam. No minuto que entramos no corredor estreito e o tal informante tentou fugir, só vi o meu sol lhe dando um chute nas costas, o fazendo cair no chão grunhindo de dor.
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  – Isso se chama “voadora”! Saudades de acertar uma em cheio desse jeito! – A garota estava feliz com seu ato.
  – Meu sol, você está bem? – A abracei pela cintura, verificando se não havia se machucado.
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  – Estou bem, minha lua. Agradeço pela preocupação – ela passou a mão na minha bochecha. – Agora vamos descobrir quem é essa pessoa? Ei, você – Bella se abaixou. – Se importaria de dizer quem te mandou atrás de mim e do meu amante? Estávamos tendo um ótimo encontro até você aparecer.
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  – Não me informaram que os riscos desse trabalho seriam tão ruins – ouvimos ele tossir um pouco, tentando se levantar.
  – Não tão rápido – pisei em seu peito, o impossibilitando de se mover. – Ao aceitar o trabalho você devia estar ciente dos seus alvos, não?
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  – Se eu fosse daqui, sim. Eu só recebi a foto de vocês.
  – Quem te mandou? – Arabella lhe lançou um olhar assustador que o fez engolir a seco.
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  – O contratante só deu as ordens, não apareceu em pessoa e usou uma magia para distorcer a voz. Solicitou que eu escrevesse um relatório com todos os passos do rapaz – apontou para mim – e que conseguisse informações sobre a senhorita.
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  – As pessoas desse lugar só sabem contratar pessoas de fora, não é? Que patético – Fiore suspirou e colocou a mão no meu ombro, pedindo que eu tirasse meu pé do homem e estendeu a outra para ajudá-lo a levantar. – Faça como o seu chefe pediu, envie o relatório e diga a ele que se ele não parar de bisbilhotar a vida alheia, eu o farei parar, sim?
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  O homem assentiu, ainda recuperando o seu fôlego. Ele se preparou para sair, mas Bella o impediu:
  – Uma dica: você é jovem, há diversos empregos por aí. Quer dinheiro fácil? Procure a Donna Langraab, dona da pensão próxima ao centro. Espionagem não é para você, querido – Bella limpou o vestido ao voltar para o meu lado. – Tenha uma boa tarde!
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  Encarei Arabella um pouco perplexo, mas sabia que o seu modo de lidar com as situações realmente era único. Joguei a cabeça para trás e ri, encostando meu corpo na parede atrás de mim e respirei fundo, digerindo toda a situação. Senti ela se encaixando entre as minhas pernas, trazendo seus dedos para o meu pescoço e deslizou as unhas por toda a parte, deixando a pele levemente avermelhada.
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  – Tenso?
  – Surpreso – a olhei. – Vai acabar marcando o meu pescoço, Bella.
  – Não posso? – Me olhou inocente, no entanto, com seu sorriso um tanto malicioso.
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  – Você pode me usar como quiser, Bella. – Beijei a sua testa.
  – Eu sei – ela sussurrou travessa. – Vamos para casa?
  – Sim, temos meia hora até os treinos começarem.
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*

  O restante da tarde passou sem maiores problemas; os treinos tinham acabado e eu voltei ao trabalho depois do banho, finalizando o que estava pendente. O incidente de mais cedo havia sido a grande causa da minha dor de cabeça, todavia, não somente ele que era o culpado.
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  – Lion, preciso que investigue alguém para mim – lhe entreguei um envelope contendo as informações básicas e descansei as costas na cadeira, soltando um suspiro pesado.
  – Algo em específico? – Ele folheou atentamente, aguardando as minhas ordens.
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  – Preciso que verifique o seu histórico e de sua família e, se possível, ponha alguém para observá-lo.
  – Tudo está correndo bem, Killian? – Seu tom não demonstrava, mas dava para perceber que Lion estava minimamente preocupado.
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  – Até onde eu sei, sim. Anualmente, o duque checa todos os negócios da região norte, certo? Esse ano, ele solicitou que eu cuidasse dessa parte, então estou dando andamento em seu pedido o mais rápido possível.
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  Não é uma mentira – por mais que pareça –, meu pai vem dividindo o seu trabalho comigo recorrentemente e coincidiu de eu pegar os arquivos da família Tartosa. Eles nunca levantaram suspeita, sempre agiram de acordo com a lei e há pouquíssimas reclamações em relação a sua loja, entretanto, o comportamento de Ryle Tartosa incomodou Bella. Com alguns rumores circulando a cidade, não seria difícil que o herdeiro dos Tartosa tentasse algo contra ela, ou quisesse tirar vantagem de sua situação, o que me faz preferir manter um olho nele – com a permissão que Arabella me concedeu.
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  – Chegou uma carta para Sua Graça – Lion falou, me tirando dos meus pensamentos. – A remetente é a senhorita Alicia Mendes.
  – Pode queimar – comentei sem dar muita importância e revirei os olhos.
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  – Killian Bellerose – o rapaz chamou a minha atenção, visivelmente sem querer reprovar o meu ato, contudo, tinha que manter o seu posto.
  – Ponha na pilha de cartas, como todas as outras.
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  Massageei as têmporas enquanto observava Lion guardar mais um pedaço de papel dentro de uma caixa com diversas outras; não é a primeira vez que recebo linhas de amor ou pedidos de casamento, tampouco seria a última vez que as senhoritas mandariam seus pedidos. Desde o berço, a minha posição na hierarquia me põe em um holofote onde há pessoas que acham normal fazerem acordos de casamentos com seus filhos ainda crianças; cresci ouvindo meus pais recusarem esses pedidos, achando desnecessária a comoção para um matrimônio que eu deveria ter a chance de escolher, ao contrário deles. Por mais que tenham tido sorte em casar com alguém legal, eles sempre foram contra essa prática, além de deixarem claro que eu deveria me casar se eu gostasse realmente de alguém. Se essa pessoa fosse alguém que eu tivesse ou não sentimentos românticos prontamente, o importante é eu estimar e cuidar de quem eu vou me comprometer pelo resto da vida, assim como é o casamento dos meus pais. Ambos nunca esconderam seu relacionamento, sempre contaram para mim o início de tudo e como foram construindo sua amizade e confiança, até chegarem no momento que descobriram que iam ter um filho e toda a trajetória de começarem a nutrir algo a mais um pelo outro.
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  A ideia de casamento era algo distante para mim, sinceramente.
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  Todas as vezes que alguém vinha em algum evento pedir uma dança, eu aceitava porque é da minha natureza tratar todos bem. Do meu lado, nunca demonstrei nada além de simpatia e sempre tomei cuidado para não ferir os sentimentos dos outros, mas não negligenciava as minhas vontades e desejos. Sendo filho dos meus pais, aprendi desde cedo que tudo bem eu não me sentir confortável em certas situações, e que também não precisava agradar ninguém para deixá-los felizes enquanto eu ficava na miséria. Por mais sortudo que eu seja, entendo que a realidade está longe de ser esse âmbito familiar que amamos em nosso castelo, e já observei muito de perto o dia a dia de pessoas que não tinham metade do que tenho.
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  No entanto, voltando ao foco principal, esses pedidos são interesseiros e incômodos, visto que os boatos de eu ter uma amante estão circulando aproximadamente há um mês; Arabella não se importou em embarcar na minha mentira na loja de roupas, nem mesmo ligou de terem nos visto em seu quarto ao acordarmos. Desde a primeira vez que a vi, me peguei preso em seus olhos dourados e no seu olhar determinado. Foi uma surpresa para os demais ao verem que a primogênita da casa Fiore estava de pé, em meio de machucados, na nossa sala, pedindo para que déssemos proteção a ela e aos seus irmãos. Nesse dia, tive a certeza que a sensação que eu sentia naquela semana estava ligada a ela, independentemente de ter ou não uma explicação racional. Assim que meu olhar cruzou com o de Bella, foi como se meu corpo tivesse relaxado e o peso dos ombros tivesse sumido, de forma que eu me assustei com a leveza que fiquei.
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  Não queria abusar muito do poder, entretanto, aproveitei a oportunidade e comecei a tratá-la informalmente; com meus amigos próximos, não fazia questão de formalidades e foi meio que automático a vontade de quebrar a parede entre uma classe e outra por mais pequena que fosse – afinal, entre o rei e o marquês, tinha o duque. Mais uma vez, ela não se importou com esse fator e, para a minha surpresa, ao voltarmos para o castelo no dia seguinte, ela sugeriu que usássemos apelidos.
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  Arabella se tornou uma parte importante nos meus dias, e eu já não me via mais sem a sua presença; seu espírito animado e vívido me faz querer acompanhá-la em qualquer situação, independente do risco que correremos. Quando suspeitamos e descobrimos os seus motivos, o sangue de toda a minha família ferveu de um jeito que não tínhamos sentido anteriormente. Mas, sabíamos que a vingança é dela, e não queremos tirar o seu protagonismo, então optamos em ser seus aliados sem pensar duas vezes. Foi unânime a vontade de mantê-la conosco, e todas as vezes que ela sentia algo, eu sentia também.
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  Assim como nosso primeiro encontro, os dias que se passavam me faziam ter mais certeza que havia algo nela que de alguma maneira estava conectado a mim, contudo, não sei dizer o que é realmente. Gostaria de saber se Bella sente o mesmo, mas, não a encheria de perguntas desnecessárias para um pedido egoísta meu, ainda mais quando ela tem muita coisa em sua cabeça. Suspirei fundo, sabendo que se eu quisesse a resposta, teria que esperar o dia que ela viesse.
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  Andei até a bendita caixa, pensando se a queimava ou não; o meu debute ocorreu antes dos meus dezoito por ser o futuro duque do reino de Bellary, e se acontecesse alguma coisa com meus pais, eu teria que assumir o cargo prontamente. Antes dessa festividade, Alicia Mendes me seguia desde que éramos crianças, no entanto, quando soube que eu poderia me casar a qualquer momento – por conta do debute antecipado –, ela começou a ser mais persistente.
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  Nunca fomos próximos a ponto de sermos considerados amigos, todavia, tive ciência que ela gostava de espalhar entre os grupos de amigas que íamos casar ao crescermos. Sempre neguei e deixei claro que não tinha intenções de me comprometer com a garota, já que nem amigos éramos. Eu ter recusado seus diversos convites não parece ter sido o bastante, e creio que nem o boato de eu já ter alguém a afetou; joguei a cabeça para trás, desistindo de pensar nisso, por mais que um detalhe me incomodasse: suas cartas haviam parado de chegar há três meses, e levou um mês após os rumores sobre a minha amante para que ela solicitasse uma audiência. Acredito que o meu encontro com a Arabella não tenha passado despercebido, e isso me preocupa… Não de ter sido visto com ela publicamente, porém, de ter mais pessoas problemáticas indo atrás de Bella por minha causa.
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  Analisei um pouco mais a caixa, imaginando que teria que pedir para Lion investigar também Alicia, mesmo tendo noção que ela só pararia de me procurar se eu a recusasse publicamente. Ri sem humor em perceber que o drama da minha vida estava sendo resumido em casamento, e se eu tivesse que realmente me casar, só há uma pessoa que vem em minha mente…
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  – Bella?! – perguntei surpreso ao vê-la atrás da porta, esperando que eu a deixasse entrar. – Você sabe que não precisa da minha permissão.
  – Enquanto estivermos sendo observados por certas pessoas, é necessário, Sua Graça – Fiore soltou um riso anasalado ao ver minha careta para a formalidade.
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  – Está tudo bem?
  – Sim – ela estava com dois copos na mão. – Algo me dizia que você estava meio ansioso, portanto, trouxe uma bebida quente para bebermos.
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  Meu corpo gelou. Será que ela também se sentia como eu? Afastei esse pensamento e a chamei para se sentar comigo no sofá, logo abraçando a sua pequena figura. Apoiei o meu rosto na curva de seu pescoço, respirando fundo.
  – Você está cheirosa – fechei os olhos e descansei em seu ombro.
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  – Isso é bom, não é. A menos que você queira que eu venha te ver depois do treino.
 – Eu gosto de te ver de qualquer maneira, Bella. Não me importa a circunstância, só venha me ver. – A trouxe para mais perto.
  – Eu também, Lian – Fiore se desvencilhou dos meus braços e pôs o copo na mesa, se virando na minha direção e segurou meu rosto com seus dedos finos. – Agora, desembucha. O que está te deixando assim?
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  – Eu recebi uma carta de uma senhorita chamada Alicia Mendes. Ela é uma conhecida desde que éramos crianças e sempre disse que se casaria comigo. Suas cartas pararam de chegar faz um tempo e hoje recebi uma, após a nossa ida à cidade. Por mais que eu saiba que não deixarei nada te afetar, me preocupa o fato de você ter mais uma dor de cabeça.
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  – Killian, olhe para mim. Foi ela quem mandou o informante, certo? – Assenti surpreso.
  – Como sabe?
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  – Perci Fiore não é tão burro de mandar alguém inexperiente e os espiões dele estavam disfarçados de cidadãos comuns.
  – Você reparou também?
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  – Sim, alguns reconheci por irem na casa Fiore. Por isso o “não é tão burro”, mas continua sendo um – sua fala me fez rir. – Não é culpa sua ter uma stalker barata que nem compreende como funciona uma espionagem, minha lua. Se isso te fará se sentir melhor, eu também tenho um, então nós dois temos uma dor de cabeça em comum.
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  – Não sei se isso me fará sentir melhor – fiz um leve bico, arrancando uma risada sua. – Às vezes me pergunto se você realmente existe; às vezes você parece ser mais que um sonho, Bella.
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  A abracei mais forte, tendo o seu calor contra o meu corpo. A garota se acomodou nos meus braços, afagando meus cabelos enquanto dividíamos esse momento em silêncio, apenas aproveitando a companhia um do outro. As perguntas surgiam na minha mente sempre que estávamos juntos, de forma que eu me questionava se estava tudo bem em querê-la só para mim; se Arabella sentia o mesmo, ou se pensava em mim o tanto quanto eu nela. Não queria soar egoísta, mas se alguém pudesse aliviar pelo menos uma parte de todas as suas preocupações, eu quero ser essa única pessoa.
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  – Eu também me pergunto se eu realmente existo – seu rosto ainda estava contra o meu ombro –, e se você é real. Mas, toda vez que essa dúvida surge, uma pessoa chamada Killian Bellerose aparece na minha frente e me faz ter certeza de que é tudo, sim, real. Por isso, não se preocupe muito com isso, minha lua. Eu não vou a lugar nenhum sem você.
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  N/A: Killian é o último romântico do mundo e digo mais: é cadelinha demais da Bella HAHAHAHA gostaram do sexto sentido do gato?

  Gente, curtiram o pov dele?
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O capítulo ficou maior do que eu imaginava, e estou feliz com o resultado final. Queria mostrar um pouco da rotina dele – falhei um pouco rsrsrs –, além da interação dele com a Arabella (que foi bastante nesse capítulo, hehehehe). Tivemos muitos diálogos também, então espero que tenham gostado!
  E, sim! Teremos mais pov dele no futuro! \o/
  Tivemos a menção de uma certa princesa… alguma ideia de quem ela é na história original (rs)?
  Seguindo o mesmo caminho do Ryle, conhecemos a Alicia, que não é bem um ex interesse amoroso, mas que já estou sem paciência também (pai amado, proteja o nosso casal dessas pessoas).
  Ah! Estou organizando as curiosidades sobre a fic, e a att dupla virá daqui uns três/quatro capítulos (prometo que valerá a pena a espera <3).
  Mais uma coisinha: nos capítulos que tem música (seja no título, ou no meio/final), vocês gostariam de saber os nomes?
  Enfim, não esqueçam de comentar!
  Até a próxima atualização <3

Capítulo 14

Arabella Fiore

  – Isso já está virando um hábito…
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  Bocejei sonolenta ao me espreguiçar, vendo que Lian ainda estava adormecido ao meu lado. Passei a mão em sua bochecha e o vi resmungar, levando mais alguns segundos até começar a despertar. Ele sorriu e abraçou a minha cintura, descansando a cabeça no travesseiro novamente e eu o chamei, fazendo-o acordar totalmente. Lhe desejei bom dia e saí do sofá – onde dormimos –, fui ao seu banheiro e lavei o rosto com a água gelada da bacia; voltei para o quarto, sendo recebida com um Killian somente de roupão e tampei meus olhos, fingindo estar envergonhada em ver o seu peitoral. Ouvi sua risada um tanto rouca e ele beijou a maçã do meu rosto quando me despedi e, ao abrir a porta, dei de cara com Rin ao meu aguardo.
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  – Bom dia, senhorita – a empregada estava com uma carta nas mãos. – Foi designada para a senhorita, chegou há pouco tempo.
  – Bom dia, Rin. Obrigada – sorri. – Como sabia a minha localização?
  – Se a senhorita não está nos seus aposentos ou no dos seus irmãos, só resta um lugar. Ou pode se dizer que é intuição – touché.
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  Continuamos o nosso caminho para o meu quarto em silêncio e eu soltei um suspiro, me dando por vencida nessa situação. Rin sempre aparecia nos locais que eu estava mesmo sem ter sido avisada do meu paradeiro – o que não me incomoda, sinceramente. Seu jeito de falar e tratar se parecia com o de Giovanna, e eu não via a hora de apresentar uma a outra, aposto que virariam amigas instantaneamente! Depois de me arrumar, finalizei os últimos preparativos para a festa do chá de Lady Paola Geththx, integrante do grupo de Lady Marcelle. Por termos nos conhecido na segunda-feira, o seu convite foi entregue a mim às pressas por sua empregada, que surgiu nos portões do castelo bem cedo na terça. Lhe pedi que informasse que eu compareceria e conversei com Rin e Viviene sobre, tendo duas mulheres animadas em me vestirem como se eu fosse uma boneca. Apenas aceitei, afinal, se não posso ir contra a maré, é melhor me juntar a ela.
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*

  – Senhorita Arabella Fiore, está esplêndida! – Paola exclamou e abriu os braços para um abraço. Acho que alguém ainda está feliz por eu ter ajudado a manter o contato com seu noivo.
  – Lady Paola, aprecio por ter me convidado para a sua adorável festa – retribuí o seu abraço. – Espero que tenha um ótimo aniversário.
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  – Agradeço pelas gentis palavras, e é claro que eu não a deixaria de fora, somos amigas, certo? – Concordei com um sorriso. – Se sinta à vontade, todas as meninas já chegaram.
  – Arabella! – Lady Marcelle veio na minha direção prontamente. – Estava me perguntando quando que chegaria. Não tenho como lhe agradecer o bastante pela ajuda no meu aniversário, e sinto muito se te causamos problemas.
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  – Não há com o que se preocupar, Lady Marcelle. Adorei ter comemorado o seu dia tão importante, sim? Vejo que há rostos desconhecidos, devo me apresentar? – Abri o leque e o balancei brevemente ao analisar as outras presentes.
  – Claro, vamos! – A garota segurou a minha mão, me puxando consigo.
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  – Senhoritas – Paola as chamou –, estamos na presença de uma pessoa importante para o reino e uma das minhas amigas mais próximas: Arabella Fiore! – Essa introdução soou mais como uma exibição, mas, é algo que não me importa.
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  – É um prazer conhecê-las, espero que possamos nos dar bem e aproveitar esse almoço que minha querida amiga preparou.
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  Em meio a sorrisos, comidas finas e chás, posso afirmar que é agradável poder me distrair por algumas horinhas, ainda mais estando com amizades que genuinamente gostam de te ter por perto. Achei engraçado o modo como a festa do chá, na verdade, é um almoço em que tomamos chás de diversos lugares e expomos nossas opiniões, além de escolhermos um sabor vencedor. Particularmente, não sou muito fã de bebidas quentes – com exceção do chocolate quente que Lian sempre trazia para mim –, contudo, esses aromas diferenciados eram deliciosos, e o meu paladar estava satisfeito.
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  – Esse chá não é daqui, não é? – perguntei ao observar a sua coloração rosa.
  – Oh, esse? Não, é uma iguaria do reino de Dellavecchia. O meu irmão trouxe ao retornar dos seus estudos por lá – Paola bebericou o líquido da sua xícara.
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  – Dizem que esse chá tem a mesma coloração do cabelo da família real e foi criado em forma de homenageá-los. É muito comum entre os moradores – Lady Marcelle completou.
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  – Por falar neles, ouvi comentários sobre a segunda princesa de Dellavecchia ser tão linda, e que os seus cabelos parecem seda – uma das meninas comentou, apoiando o queixo na mão. – Senhorita Arabella, nunca a conheceu? – Eu quase engasguei com o chá e tive uma crise de tosse, causando uma certa comoção entre as convidadas.
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  – Não, só sei sobre a princesa o tanto que vocês sabem – levei a xícara aos meus lábios, escondendo o fato de que eu a conhecia.
  – Ah, é uma pena. Já que estamos no assunto sobre realezas, vocês ficaram sabendo das últimas notícias? – Paola fez um suspense antes de prosseguir. – O casamento da nossa princesa parece ter sido decidido.
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  – Com o príncipe do reino Lebonny?
  – Sim, príncipe Edgar Blake Matheo Lebonny. De acordo com as minhas pesquisas – Geththx fingiu endireitar os seus óculos invisíveis –, ele é o sucessor de seu trono, mas com o casamento, ele teve que desistir.
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  – No final, ele se tornará rei de qualquer maneira – Lady Louise Lee falou, dando de ombros. – Sempre achei que tentariam casar a princesa Lilachy com o Sir Killian Bellerose, visto que ambos são amigos desde crianças. – Engasgo número dois com sucesso.
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  – Não escutaram os rumores da amante de Killian, meninas? – Outra participante iniciou. – Há um mês que essa questão não sai da boca do povo, e minhas empregadas falaram que o viram ontem na cidade com uma dama.
  – Oh! – Lady Paola bateu na mesa, animada. – Naquele restaurante famoso do centro, não é?
  – Esse mesmo! Disseram que a moça tinha cabelos avermelhados e usava um vestido longo preto, com alguns detalhes nas mangas. Comentaram também que eles formavam um par bem bonito.
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  – É mesmo? Parece até alguém que conhecemos. – Monsour, Geththx e Lee me encararam com sorrisos maliciosos, que diziam que gostariam de saber de tudo mais tarde. Assenti silenciosamente, me dando por vencida mais uma vez no dia.
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  O resto do almoço seguiu sem maiores problemas, e eu prometi as meninas que contaria tudo em uma outra oportunidade – provavelmente adiaria o máximo possível. O relógio marcava três horas em ponto quando chegamos no castelo, e eu queria contar a Lian como que foi a festa, já que ele pediu para eu compartilhar na volta. Tirei os saltos, agradecendo aos deuses por poder usar as botas tão confortáveis com as minhas roupas estilo as de soldada. Joguei meu corpo na cama e por um momento eu esqueci que tinha recebido uma carta de manhã; me arrastei até a escrivaninha e abri a gaveta, tirando o envelope creme de lá. A letra cursiva que meu nome foi escrito é muito bonita, e o pedaço de papel possuía um cheiro doce. Respirei fundo, lembrando o quão divertido foi estar com as meninas e espero que o meu dia continue assim, tranquilo e longe de problemas!
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*

  “Senhorita Arabella Fiore,

  Espero que esteja bem e usufruindo de uma boa saúde, assim como de sua estadia no castelo Bellerose. Gostaria de marcar um encontro para discutirmos alguns assuntos familiares de seu interesse. Peço que, se for possível e se sinta confortável, responda esta carta rapidamente e envie para o endereço ao final da página.
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  Assim que terminá-la, por favor, a queime para que ninguém descubra o nosso contato.
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  Atenciosamente,
  Jade Mya Castillo.”
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  Como toda alegria de pobre dura pouco, o conteúdo da carta não era o que eu aguardava que fosse. Observei o espaço ser invadido pelo barulho das chamas consumindo lentamente os papéis, destruindo qualquer evidência do nosso contato. Assisti a carta sendo queimada até escutar a voz de Killian me chamando para se sentar consigo; joguei o meu corpo no seu sofá, sentindo o impacto das minhas costas com as confortáveis almofadas e grunhi, sem saber o que pensar a respeito sobre essa pessoa chamada “Jade”. Não há menção alguma na história original relacionada a outros parentes além dos que eu conheço, e por mais que tudo esteja saindo como imaginei, não pensei que as notícias sobre o meu paradeiro correriam tão rápido assim. Não é algo que me incomoda, no entanto, ter parentes que nunca se deram o trabalho de me procurar anteriormente estarem atrás de mim ao ter ciência de que estou morando no castelo do duque é um tanto irritante. Mas, sendo da parte da família de Perci, é compreensível que só venham a ter interesse quando tenho algo a oferecer que os beneficiaria – no final, são todos farinha do mesmo saco.
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  – Já sabe quem pode ser? – Lian questionou após escutar sobre a carta.
  – Talvez um primo ou prima? Sinceramente, nunca conheci nem os meus avós – bufei.
  – Mas o sobrenome não é diferente do seu?
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  – Ah, sim. Muitas pessoas não sabem, mas ao se casarem, Perci ficou com o sobrenome de mamãe… algo relacionado aos meus avós maternos não quererem abrir mão do legado da família. Pelo menos alguma coisa eles fizeram direito – falei mais para mim do que para Lian.
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  Em qualquer lugar, independente do reino, é comum as mulheres adotarem o sobrenome do esposo ao casarem. Contudo, para Perci, foi mais que cômodo usufruir da fama que os Fiore sempre tiveram, então não teve nenhuma reclamação do seu lado, mesmo que seus pais quisessem intervir para manter a “tradição”.
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  – Perci Castillo era o seu nome de solteiro – as palavras deixaram um gosto amargo na boca –, e como já ouvi comentarem sobre o seu irmão e sua família, creio que Jade seja por volta da minha idade.
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  – Oh, não sabia. Todo dia aprendendo algo novo sobre você, Bella – Lian se aproximou, levando uma mecha do meu cabelo aos seus lábios. – Certeza de que você se encontrará pessoalmente com essa pessoa?
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  – Sim – suspirei. – Não posso negar que estou curiosa e ansiosa também. Na pior das hipóteses, eu tenho dois cavaleiros, uma Rin e uma espada! – Nada como fazer picadinho de quem tentar me machucar!
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  – Tudo bem, tudo bem, senhorita – Bellerose gargalhou. – Você está com aquele sorriso assustador novamente.
  – Desculpa – ri sem graça.
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  – Não precisa se desculpar, eu adoro quando você sorri assim. – Lian beijou a minha testa e estendeu a sua mão. – Já estamos chegando na carruagem. Qualquer problema que tenha, é só me ligar pela esfera, certo?
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  – Claro, Lian! Esperará por mim?
  – Sempre, meu sol. Faça uma boa viagem. – Ele me ajudou a subir na carruagem, acenando várias vezes.
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  – Bom dia, senhorita. – Fui cumprimentada assim que me despedi de Killian.
  – Bom dia, Rin – respondi ao me acomodar na carruagem. – Avisou ao cocheiro para pararmos na cidade?
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  – Sim. Tenho uma loja de uma conhecia que vende chocolates, iremos nela antes de irmos ao nosso destino, como desejado.
  – Obrigada por todo o trabalho, Rin.
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  A agradeci coçando a nunca, ainda um pouco desconcertada por ela ter que me esperar sair do quarto de Killian mais cedo. Definitivamente conversaria com a duquesa para aumentar o seu salário. Não demorou muito para descermos na nossa primeira parada; a loja é pequena e aconchegante, tendo uma boa variedade de bombons e trufas. Decidi comprar uma caixa com sabores variados para Jade e falei a Rin que escolhesse o que ela quisesse, sem ter o direito de recusar. Outro ensinamento que os pais da Akira deixaram foi: não vá visitar a casa de alguém com as mãos vazias. Vindo dos dois, é irônico, contudo, eles nunca visitaram os seus amigos sem uma lembrancinha, por menor que fosse – já que quase nunca tínhamos dinheiro sobrando. Jade ser ou não uma pessoa ruim eu descobriria daqui a pouco, só que eu não conseguia não levar um presente por culpa de hábitos antigos. Então, bem lá no fundo, torço para que seja um indivíduo com o mínimo de noção e moral.
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  A carruagem deu partida de novo e comecei a pensar como seria sua reação, visto que eu não respondi sua carta e nem responderia. O tempo que gastaria em esperar a sua seria prejudicial a uma nobre lady tão ocupada como eu, sem contar que prefiro conversar pessoalmente para analisar as suas reais intenções. O trajeto do centro a sua casa foi de vinte minutos, e fiquei surpresa ao ver que sua residência é rodeada por uma parte da floresta, trazendo uma imagem perturbadora de tranquilidade.
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  – Senhorita, está tudo bem? – Rin questionou ao chegarmos.
  – Sim, só me senti um pouco tonta – tentei sorrir, a assegurando que não tinha nada errado. – Felippa, Cliff, fiquem de guarda e estejam preparados para sairmos. Não pretendo demorar.
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  Obtive suas confirmações e segui pelo caminho de pedra, me deparando com uma larga porta de madeira – como o restante da casa parecia ser feita. Dei três batidas, sendo atendida por uma empregada com uma feição um tanto… suspeita?
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  – Residência Castillo, como posso ajudar?
  – Estou aqui para ver Jade Mya Castillo – ela parecia estar meio relutante a me deixar entrar –, nós marcamos um encontro e eu vim buscar Jade, algum problema, senhorita? – Nunca viu uma bela moça vir buscar o seu par, querida?
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  – N-nenhum! – Sorriu envergonhada – Temo que Jade demorará, veja…
  – Oh, sem problemas! Não estou com pressa, diga a Jade que pode levar o tempo que precisar.
  – Por favor, siga-me – com um suspiro cansado, a mulher abriu espaço para que eu e Rin passássemos.
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  Como julguei, a casa é de madeira e possui um aspecto de frieza até nas decorações; um arrepio percorreu o meu corpo e eu ignorei, não permitindo que os pensamentos desnecessários tomassem conta. A emprega se retirou e eu comecei a olhar os quadros e as fotografias da família Castillo, sentindo novamente o amargo específico ao ver uma foto do Perci com o seu irmão. A semelhança entre os dois é nítida, o que fez o meu estômago revirar.
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  – Não tem como eles não serem iguais em personalidade…
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  Coloquei o retrato de volta no seu lugar e continuei a observar a sala, percebendo que dez minutos passaram e nenhum sinal de Jade. Investigando mais a fundo, vi uma porta entreaberta e tinha uma mala em cima da cama. Logo olhei a etiqueta e as iniciais “J.M.C” gravadas me fizeram lembrar de quando eu estava prestes a fugir da casa Fiore: as malas prontas, quarto devidamente organizado e vazio, apenas esperando a oportunidade perfeita para sair do inferno que era aquele local. Algo me dizia que o motivo de Jade entrar em contato comigo não era somente para informações, e antes que eu pudesse pensar mais, escutei o barulho de algo se chocando contra a parede.
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  – É o mesmo som de quando eu era agredida… Rin! – A chamei ao voltar para a sala. – Pegue essa mala e me espere na carruagem. Avise aos demais que não quero que eles entrem, certo?
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  – Arabella, tenha cuidado.
  – Eu sempre tenho, Rin.
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  Virei as costas e meus pés me guiaram pelo longo corredor, indo atrás dos sons cada vez mais altos; meu corpo estava ficando dormente e a minha mente ignorou tudo ao meu redor, focando apenas no barulho estridente do vidro quebrando de fundo e de alguém levando um tapa. Esse som tão específico que eu cresci ouvindo me assombrava, de modo que eu senti o meu sangue começar a ferver.
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  Eu queria correr.
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  Correr para o castelo Bellerose, me esconder debaixo do cuidado de todos de lá e fingir que eu não fui acostumada a viver com marcas por todo o meu corpo, sem ter o direito de chorar ou pedir ajuda. Mas, outra parte de mim não deixaria um dos meus passar por tudo o que eu passei e ser conivente com esse ato tão horrível. Minha personalidade se baseia na impulsividade, e agora não seria diferente. Eu não tinha escolha a não ser lidar com o meu trauma cara a cara, por mais que fosse difícil ver todo o filme das agressões passar diante dos meus olhos.
  A porta tinha uma brecha, a qual utilizei para ver o que diabos estava acontecendo dentro daquela sala.
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  Sangue.
  Sangue no carpete.
  Sangue pingando no carpete.
  Sangue que escorria do rosto de alguém.
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  Um homem com a garrafa quebrada em seus dedos, apontando para a figura esguia; uma mulher bloqueando o caminho, rindo com a situação e concordando com as palavras do outro. Tosse.
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  Mais sangue.
  Gemidos de dor.
  Gritos.
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  Um ciclo repetitivo que era feito por duas pessoas que deviam estar protegendo a silhueta em sua frente, e não causando a dor. Por que ninguém está protegendo essa pessoa? Por que ninguém faz nada? Por que só assistem o sofrimento do outro e acham graça de assisti-lo sangrar até a morte?
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  Minha mente ficou dormente por alguns segundos, raciocinando todas as informações que acabei de testemunhar. Minha mão trêmula segurou a espada, entretanto, sinto que meu corpo não obedece aos meus comandos.
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  Eu quero correr, todavia, meus pés estão presos no chão – não ousando a dar um passo. O ciclo se repetia de novo e de novo, como um disco arranhado emitindo um barulho tão sufocante que eu sentia o ar sendo sugado de mim.
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  Sangue.
  O cheiro do sangue começava a me deixar enjoada;
  Gritos.
  Tampei as orelhas com as minhas mãos, tentando abafar as vozes;
  Violência.
  O homem apontava a garrafa para o outro, prestes a jogá-la em seu rosto.
  Trauma.
  Alguém, por favor, faça eles pararem!
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  – Eu não te criei para ser um desgraçado! Você acha que está tudo bem em se vestir desse jeito? Sabe quantos comentários tenho que escutar por sua culpa? Pouco me importa se você não quer se casar com a filha do meu sócio – o homem o pegou pelo colarinho, o pondo contra a parede –, você irá, está me entendendo, seu bastardo?
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  – Querido, você tem que ser mais duro com ele! Nosso Jade não pode achar que tem permissão para sair usando as minhas roupas, como ficará a nossa fama na cidade?
  – Elas não são suas.
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  – Como disse? – O homem pressionou o seu braço no pescoço do rapaz com muito mais força.
  – As roupas – falou com dificuldade –, são minhas.
  – Seu…!
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  Bastou mais meio segundo para minha mente voltar a funcionar claramente e compreender o que acontecia. O estrondo que causei ao chutar a porta e quebrá-la foi o suficiente para ver os seus rostos aterrorizados, sem entenderem como entrei em sua casa. Caminhei arrastando a ponta da espada no chão, cortando o carpete manchado e parei entre o homem e Jade, levantando a cabeça para encará-los.
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  – Não adianta correr, querida, a minha lâmina é mais rápida do que seus passos – apontei a espada para a mulher amedrontada que se escondia atrás do seu marido. – Se importam de compartilhar o que está havendo aqui?
  – Q-quem é você? Como entrou na minha casa?
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  – Mais gritos, não é? Estou cansada desses gritos, sabia?
  – Responda-me! Como ousas entrar em uma propriedade…
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  – Quieto! – ordenei, pegando um pedaço de vidro do chão e enfiei em seu braço, o vendo grunhindo de dor. – Você deveria se esforçar um pouco para reconhecer a sua própria sobrinha.
  – A-Arabella? – ele gaguejou.
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  – Sim! A única, me chamou? – Sorri. – Achei curioso nunca ter ouvido falar de vocês… e gostaria de continuar sem saber, mas, quem imaginaria que Richard Castillo é o mesmo pedaço de merda que seu irmão? – Enrolei meus dedos em seu cabelo e os puxei, o fazendo me olhar. – Agora, se importa de compartilhar o que pretendia fazer com o seu filho ou preciso enfiar mais vidro na sua pele até não sobrar nenhum no chão? Hum… querida, se eu fosse você, não faria isso. É muito ingênua em achar que eu não percebi você pegando a sua esfera.
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  A empurrei com a minha mão livre e a assisti se chocar contra a parede, e pude voltar a minha atenção para Richard, que tinha acabado de enfiar a garrafa de vidro na minha coxa. A ardência se tornou mínima ao ter os meus sensos tomados pela adrenalina, o que provocou um sorriso assustador nos meus lábios ao olhá-lo.
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  – Oh, titio, ninguém te contou que sempre devemos retribuir quando alguém faz algo pra gente? – O segurei pelo pescoço, apertando a região firmemente enquanto eu enfiava o vidro quebrado em sua coxa, girando o que sobrou da garrafa ao vê-lo começar a implorar. Puxei sem cerimônia o objeto e o escutei reclamar, logo repetindo todo o processo lentamente na sua outra perna, cortando a sua pele lentamente.
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  – Perci devia ter te matado – foi a primeira coisa que falou ao recuperar o fôlego.
  – Talvez ele devesse – coloquei a lâmina da espada em seu pescoço, apertando-a. – Agradeça a ele depois por ter sido tão misericordioso, sim?
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  Caminhei até Jade e o ajudei a se levantar, o apoiando em mim; meu coração doía ao vê-lo nessa situação, e se depender de mim, ele nunca mais pisaria nessa casa.
  – Você tem algo que quer levar? A sua mala está na minha carruagem – ele negou.
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  – Aonde vocês pensam que vão? – Richard gritou.
  – Ainda está falando? – Me aproximei e chutei a sua costela, assistindo o seu corpo cair no carpete. – Jade, se quiser fazer algo com ele, agora é a sua chance.
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  Meu primo sorriu e o chutou, imitando a minha ação. Uma graça.
  – Se vocês tentarem contatar um de nós dois, estarão assinando a própria sentença de morte. Espero que queimem no inferno, família Castillo.
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*

  – Arabella Fiore! Você sai por alguns minutos e volta com um novo morador para o castelo? – Viviene cruzou os braços e me encarou séria, esperando as explicações. – Ainda por cima, coberta de sangue?
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  – Então – ri cansada –, sabe como é, meu coração é fraco para quem precisa de ajuda.
  – Ela é igual a você, esposa – Giovanni tentou melhorar o clima.
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  – Com licença, Sua Graça – Jade me impediu de falar –, meu nome é Jade Mya Castillo, é uma honra estar em suas presenças. Por favor, não briguem com a Arabella, fui eu que acabei a induzindo a entrar nessa situação. Se forem brigar com alguém, briguem comigo.
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  – Jade… – o olhei emocionada, ele é realmente adorável!
  – Não vamos brigar com ninguém, Jade – o duque sorriu ternamente –, só queremos compreender a situação.
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  – Resumidamente: Jade entrou em contato comigo dizendo que tinha informações sobre Perci, e eu decidi encontrá-lo pessoalmente. Mas, quando cheguei… Hum… – Não sabia se continuava ou não, já que pode ser uma situação delicada para meu primo.
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  – Arabella me encontrou sendo agredido pelos meus pais – ele estava com a cabeça baixa e as mãos trêmulas. – Ela não pensou duas vezes em me defender, e eu serei eternamente grato a minha prima por isso – Mya sorriu fraco. – Eu já pretendia fugir de casa, de qualquer maneira.
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  – Eu sinto muito, Jade. – A duquesa se levantou e parou a sua frente, se abaixando e afagou seus cabelos. – E Arabella?
  – Sim? – Por que eu sentia que estava sendo repreendida pela minha mãe?
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  – Você continua me deixando orgulhosa! – Ela me abraçou. – Mas, da próxima vez, nos comunique pela esfera que trará um convidado. O que Jade pensará ao ter que esperar o quarto dele ficar pronto?
  – Tudo bem, e sinto muito – a abracei de volta. – Jade poderá ficar com a gente?
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  – O que você não me pede sorrindo que eu não faço? Ele pode, entretanto, tenha em mente que terá que se manter ocupado. Quais são as suas habilidades, rapaz? – Ela mudou o assunto rapidamente, trazendo um outro ar para o ambiente.
  – Posso mostrá-la? – Viviene concordou.
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  Jade se ajoelhou na minha frente e posicionou as suas mãos a poucos centímetros da minha coxa machucada; eu sorri para meu primo ao receber o seu olhar de dúvida, e logo percebi uma luz azul sair de sua palma, envolvendo toda a região ferida. Um calor atingiu a minha coxa e segundos após não havia mais cortes, deixando todos na sala boquiabertos.
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  – Uau! Eu já tinha ouvido falar sobre feiticeiros com magia de cura, porém, nunca vi um de perto – comentei.
  – É verdadeiramente incrível. Há poucos com esse poder no reino – Giovanni ponderou.
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  – Não o encheremos com perguntas… agora. – A duquesa caminhou até a sua mesa. – Tampouco obrigaremos a usar o seu poder, contudo, se quiser, pode se juntar a nossa equipe de feiticeiros e alquimistas. Temos dois instrutores que treinam uma parte do nosso exército composto por feiticeiros. Morar com eles é uma possibilidade.
  – Prefiro ficar aqui com a minha prima – Jade respondeu prontamente, sem hesitar.
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  – Tudo bem, Jade – a mulher riu. – Não precisa me dar uma resposta no momento. Solicitarei ao doutor Lúcio que examine vocês dois em seu quarto, Arabella. Jade ficará nos aposentos ao lado dos de Ethan, se avistá-lo pelos corredores, o informe. Se precisarem de algo, é só falarem conosco, sim? – Assentimos. – Ótimo, pedi anteriormente para Rin preparar um banho para ambos.
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  – O jantar será em família hoje, esperamos que compareça, Jade. – Bellerose nos acompanhou até a saída e Rin e Lion nos aguardavam.
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  Fingi não perceber os olhares reprovadores deles; sei que estavam preocupados e não tiro suas razões para isso. Seguimos cada um para um banheiro e combinamos de nos encontrarmos ao terminarmos de nos arrumarmos.
  Seria um longo dia.
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*

  – Eu achei que o doutor Lúcio não pararia de falar até começar a sair fumaça de sua cabeça.
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  Não contive a risada ao imaginar a cena, sendo acompanhada por Jade. Havíamos acabado de sair do meu quarto, devidamente medicados e cansados mentalmente depois de ouvir um dos sermões que o médico se empenhou em dar. Antes do jantar, decidi mostrar o castelo para meu primo ir se familiarizando, visto que moraria conosco a partir de hoje. Por mais que eu ficasse em alerta, toda vez que Jade me olhava sorrindo inocentemente por estar conhecendo um castelo de perto, meu coração se aquecia. É difícil de explicar, mas eu meio que me via nele, e a minha intuição dizia que Mya é uma boa pessoa.
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  – Bella! – Observei Killian e Ethan correrem na minha direção, e eu fui abraçada por um Lian preocupado. – Você está bem?
  – Lian – acariciei sua bochecha. – Estou, minha lua. Inclusive, gostaria de apresentar uma pessoa a vocês: Killian, Ethan, esse é Jade Mya Castillo, meu primo. Jade, esses são Killian Bellerose e Ethan LeBlanc.
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  – É um prazer conhecê-los.
  – O prazer é nosso – os melhores amigos falaram juntos.
  – Jade morará conosco a partir de hoje, espero que possam se dar bem. Ethan, a duquesa me pediu para lhe informar que Jade ocupará o quarto ao lado do seu, então, por favor, cuide bem do meu primo.
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  – Não precisa pedir duas vezes, Bell – Ethan sorriu gentilmente.
  – Jade, Ethan é filho dos instrutores dos feiticeiros, vulgo visconde e viscondessa do Norte. Se quiser conversar com ele e tirar dúvidas, se sinta à vontade – me aproximei dele e sussurrei. – Ethan é inofensivo, pode ficar tranquilo perto dele – Mya riu baixinho e continuamos o nosso tour, juntamente dos outros dois.
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*

  A mesa do jantar estava quase totalmente ocupada; quatro vezes na semana jantávamos reunidos, e com a presença de Jade e Ethan, o chefe fez o dobro do que estava acostumado. As crianças haviam adorado o Mya e o alugaram por um tempinho durante a tarde, e imagino que ele tenha gostado delas também. De alguma forma, depois de um tempinho, o assunto acabou parando em mana e magia.
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  – Primo Jade, qual é o seu elemento? – Nell perguntou curiosa.
  – O do Killian é o fogo! – Kieran comentou animado, enchendo a boca de salada seguidamente.
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  – Feiticeiros de cura não possuem um elemento específico, podemos usar qualquer um para auxiliar nos tratamentos. No entanto, eu tenho um familiar, e a sua forma é de coruja. Mais tarde mostro a vocês, tudo bem? – As crianças comemoraram animadamente.
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  – Oh, não sabia – comentei. – Eu adoro ter essa força, mas deve ser legal ser portador de magia – apoiei o meu queixo na mão, suspirando.
  – Você não tem mana? – Jade questionou incrédulo.
  – Não? – falei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
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  – Arabella, você não sentiu nada de diferente quando me defendeu? Não percebeu o olhar aterrorizado de Richard?
  – Ele me encarou daquele jeito por medo de morrer, não? – Inclinei a cabeça sem entender em qual lugar meu primo queria chegar.
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  – Arabella, no exato minuto que você entrou na sala a sua figura estava sendo envolta por uma serpente.
  É o quê?!
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N/A: Corta pra Arabella falando “repete” pro primo depois de ouvir que estava envolta por uma serpente HAHAHAHA
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  Gente, e a vida social da Bella nunca esteve tão ativa, né? A gata foi pra segunda festinha na mesma semana (enquanto a autora trabalha que nem doida só desejando uma folguinha UASUHAUSHAU).
  A cena do Jade era uma que eu já pensava há muito tempo, e ter a Arabella revivendo o trauma dela foi difícil. Pelo menos os dois têm um ao outro agora.
  Falando nele, o Jade é um cristalzinho e merece ser protegido, assim como nossa protagonista. Espero que gostem dele, pois escrever as cenas que ele aparece tem sido bem divertido. Mya é um personagem que finalmente ganhou vida \o/
  Meus planos para esse capítulo mudaram completamente, e acabei o dividindo para não ficar algo muito extenso e cheio de acontecimentos hehehe
  Capítulo que vem teremos a continuação desse jantar e digo apenas uma coisa: será caótico.
  Só pra avisar: essa semana é o aniversário dessa querida autora (cof cof) e o presente de vocês (atualização dupla) chega daqui dois capítulos! Creio que em meados de novembro seja postado, então, aguardem só mais um pouquinho <3
  Até a próxima atualização <3

Capítulo 15

Arabella Fiore

  A sala parecia girar por conta da comoção que as palavras de Jade causaram; a equipe de feiticeiros foi acionada, chegando no ambiente em menos de cinco minutos e eu me senti mal por eles – já que deviam estar ocupados com algo mais importante. Acho que Mya não imaginou que revelar essa questão na frente dos demais resultaria nesse alvoroço, seus olhos pediam desculpas incessantes e eu apenas segurei a sua mão discretamente e sorri sem mostrar os dentes, tentando assegurar-lhe que estava tudo bem. Viviene e Giovanni conversavam com a sua equipe e pude ver doutor Lúcio também presente, comentando alguma coisa brevemente com Killian. Independente da situação, as únicas pessoas com feições diferenciadas de aflição eram as crianças, que deviam estar me agradecendo mentalmente por terem terminado o jantar mais cedo para que fossem brincar antes do horário de dormir. Serene as acompanhou e dispensei Rin, solicitando que ela preparasse um banho com alguma erva que me fizesse relaxar, visto que a noite seria mais longa do que o meu dia já foi.
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  – Senhorita, se importa se eu analisar a sua mão? – Uma mulher beirando os seus cinquenta se aproximou, carregando uma grande esfera. Neguei com a cabeça. – Hum, não há nada de anormal com as suas linhas e não consigo sentir algum resquício de mana. Por favor, posicione as duas palmas no objeto.
  – Essa esfera é capaz de mostrar qual é o seu elemento e o seu nível de mana que não percebemos a olho nu.
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  Doutor Lúcio explicou um pouco mais sobre o funcionamento da esfera enquanto aguardávamos o resultado. Basicamente, a esfera muda de cor de acordo com a sua especialidade, sendo que, para a quantidade de mana, só há três colorações: rosa é a baixa, roxa intermediária e branca é avançada. Não que eu tivesse alguma expectativa, mas se a magia realmente corre pelas minhas veias, aposto que é bem baixa.
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  – A esfera continua inalterada – um dos assistentes notificou –, não seria melhor usarmos um estímulo?
  – É uma boa e arriscada ideia, entretanto, todos nessa sala possuem um elemento, e isso afetaria os resultados – Marlla respondeu pensativa. – O ideal seria termos alguém da cura, mas até solicitarmos os nossos colegas da equipe da família real, levaria um bom tempo.
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  – Hum… – Jade caminhou para o meu lado – Eu meio que tenho?
  – Jade, não precisa…
  – Está tudo bem, Arabella – ele me cortou, sorrindo sem graça –, é uma forma de agradecê-la por ter me ajudado. – Mesmo que eu contestasse mais, Mya se recusaria a escutar os meus argumentos.
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  Quando alguém transfere sua mana para outra pessoa, existem altas chances de o doador adoecer caso a outra não tenha controle nenhum da sua. Meu primo passando a sua mana para mim pode resultar em sua frágil saúde – independente dele ser um feiticeiro da cura – caso eu realmente tenha alguma mana, pois não saberei como manuseá-la se ela sair dos trilhos e a mesma tentará sugar toda a mana de Jade.
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  – Você tem certeza disso, jovem? – Doutor Lúcio perguntou pela terceira vez, recebendo a confirmação de Mya prontamente. – Há uma equipe bem treinada a sua volta, se sentir algum desconforto, se afaste imediatamente, não importa o quanto a mana da senhorita Arabella te suplicar, entendido?
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  – Sim. – Jade se virou para mim e posicionou as suas mãos acima das minhas. – A partir do momento que você sentir dor, me avise. Grite, me bata, me peça para parar mesmo que o seu interior fale o contrário, certo? No três vou iniciar a transferência.
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  Concordei e respirei fundo, esperando o processo que deixava todos ansiosos; confesso que estou um tanto nervosa, o modo que os outros agem não me permite a ficar tranquila, nem que seja por alguns segundos. Assim que meu primo finalizou a contagem, a luz azul saiu de suas palmas, levando o calor de mais cedo para os meus dedos, se assemelhando a sensação de tomar uma injeção: dá para sentir a mana sendo injetada na pele, provocando um formigamento na ponta dos dedos; a dor que ia surgindo gradativamente é tolerável, no entanto, ia se espalhando velozmente por todo o meu braço e logo a notei tomando conta do meu corpo, da cabeça aos pés. Um gemido escapou de meus lábios ao sentir uma pontada forte na nuca, dando espaço para uma voz que clamava por mais e que parecia querer assumir o controle dos meus sentidos. Agarrei com força a cadeira, tentando me manter em pé. Todos estavam afastados do círculo que envolvia eu e Mya, e a julgar por suas expressões, não havia nada que pudessem fazer.
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  A minha mana estava descontrolada e sedenta.
  A dor consumiu os meus ossos e a minha garganta se fechava, pedindo por ar; Jade tinha uma feição de desespero e no momento que ele cometeria a loucura de me abraçar e se deixar ser levado pela minha sede, eu o empurrei com um tipo de força incomum, distinta da que eu já tinha nascido.
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  – E-essa dor é a da morte? – sussurrei para mim, ainda agarrada a cadeira. – M-meu coração dói.
  As lágrimas desceram pelas bochechas e eu comecei a tossir ao cair no chão de joelhos.
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  Eu não quero morrer…
  Eu não posso morrer.
  Não pela terceira vez.
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  Um clarão preencheu o espaço por completo, fazendo todos se protegerem automaticamente. Por uma fração de segundo, senti o meu corpo leve e os meus olhos começaram a pesar. A última coisa que ouvi foi uma voz terna falar enquanto me segurava em seus braços:
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  – Pode descansar agora, Arabella. Tenha bons sonhos, sim?
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*

  – Oh, um sonho?
  Eu estava em um jardim com um pequeno lago no fundo, observando uma criança sentada na beirada que balançava os seus pés dentro da água. Ela cantarolava uma melodia e mexia a sua cabeça de um lado para o outro, perdida em seu próprio mundo. A menina levantou e começou a andar ao redor do lago, mas, quando menos esperava, ela tropeçou. Corri em sua direção, desesperada com a sua queda, contudo, antes que eu fizesse algo, ela foi envolvida por uma luz branca e posta no chão, afastada da água. A criança sorria e pedia desculpas a quem lhe salvou, apertando a silhueta contra as suas bochechas rosadas. Quando me viu, parou na minha frente e puxou um pedaço do meu vestido para que eu ficasse na sua altura:
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  – Quem é você?
  – Você consegue me ver? – perguntei surpresa.
  – Sim! Eu e a Nymph!
  – Nymph? – Ponderei. – Você sabe o que significa o nome dela, pequenina?
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  – É claro! Nymph é Nymph, a minha única amiga! – Ela fez um bico, incomodada por eu duvidar de seu conhecimento.
  – Peço desculpas a você e a Nymph, ok? – Afaguei seu cabelo vermelho.
  – Tudo bem! Quer conhecer a minha amiga?
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  – Claro.
  – Nymph, cadê você? Ah, te achei! A garota foi para trás da árvore e voltou com uma serpente em seu pescoço, sussurrando para a réptil. Sim, é ela.
  – Já nos conhecemos? – A encarei confusa.
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  – Nymph diz que sim, já que somos a mesma pessoa!
  – Você e a cobra?
  – Não – ela segurou os meus dedos. – Eu e a senhorita somos a mesma pessoa. Bom, é isso que Nymph disse.
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  Não sei exatamente a hora que acordei, mas o sonho ainda estava fresco em minha memória. O quarto tinha apenas a iluminação do luar, e ao tentar levantar, senti todo o meu corpo doer, me fazendo falhar. Percebi que, além de mim, a minha cama era ocupada por quatro crianças abarrotadas uma em cima da outra em um sono profundo, e os sofás eram ocupados por Lian, Ethan e Jade. Descansei a cabeça na cabeceira, respirando fundo e comecei a lembrar do que havia acontecido.
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  – Boa noite, Arabella – uma figura feminina estava sentada na cadeira ao meu lado, lendo um livro –, como se sente?
  – Nymph? – Cocei os olhos.
  – Você não sabe como eu senti saudades da minha mestra – ela me abraçou delicadamente. – Sinto muito por ter te deixado sozinha por tanto tempo.
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  – Mas… você sempre esteve comigo, certo?
  – Sim.
  – Por que não conseguimos nos comunicar? Até pouco tempo eu não sabia que tinha mana, e o sonho que eu tive quando mais nova…
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  – Acho que assim que você se recuperar, devemos esclarecer tudo. – Ela passou a mão no meu rosto carinhosamente. – Agora, quero que descanse mais, tudo bem? Ninguém aqui vai a lugar algum, tenha mais sonhos tranquilos.
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  – Não sei se conseguirei dormir novamente – alonguei os braços –, essas crianças são muito fofas, mas roncam muito, sabe?
  – Sim – Nymph soltou uma risadinha. – Nesses três dias…
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  – Três dias?! – Por conta da surpresa, minha voz saiu um pouco alta, quase acordando os outros. – Eu dormi por três dias?!
  – Por mim, dormiria por mais! A senhorita precisa descansar, sabia? Vai acabar me dando mais trabalho do que o esperado!
  – Desculpa?
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  – Estou brincando, Bella – ela riu –, contudo, acho que você poderia descansar mais. Sobre a sua pergunta, a resposta é a única possível: inibidores. Não acho que Perci Fiore suspeitasse da sua mana, afinal, eu sempre fiz um ótimo trabalho em esconder as evidências; a questão é que acho que ele preferiu prevenir do que remediar. Seria uma ameaça a ele se você tivesse poderes, certo? – Assenti. – Os efeitos dos inibidores, se tomados com frequência e por bastante tempo, são demorados para saírem totalmente do seu sistema, então, é compreensível que você nunca tenha suspeitado também.
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  – E a sua aparição?
  – Oh, isso? O efeito do inibidor começou a desaparecer do seu corpo lentamente e eu consegui despertar do que parecia ser um sono sem fim. Eu pensei em te surpreender, entretanto, ao analisar a situação, percebi que precisava ser o seu braço direito e te ajudar no que fosse preciso. Acho que demos um belo susto naquele velhote e, sinceramente, acho que podíamos ter feito…
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  – Nymph – a chamei seriamente, com as mãos trêmulas. – Você sabe, não é?
  A figura fechou o livro e o pôs na cômoda, enrijecendo a sua postura na cadeira; ela soltou o ar e me olhou, me respondendo prontamente:
  – Sim, eu sei que você não é aquela Arabella.
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  Ouvir suas palavras trouxe à tona pela primeira vez desde a transmigração o sentimento de culpa, que eu havia empurrado para o fundo da minha alma.
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  – Não me diga que você está se culpando pelo o que aconteceu? – Nymph segurou o meu rosto. – Tudo o que você sente, eu sinto também, não precisa esconder isso de mim. E não tem por que sentir culpa, a Arabella devia ter deixado isso mais claro.
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  – C-como você sabe? – As lágrimas rolavam sem permissão.
  – Tudo o que você sente, eu sinto, Bella. Mesmo em sono profundo, eu sentia todas as suas emoções. Eu sou a sua familiar, sou alguém que você pode compartilhar o peso de suas vidas.
  – M-mas você não me vê como uma impostora?
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  – E por que eu a veria assim? – Nymph gargalhou. – Não importa quem você já foi, agora você é a Arabella Fiore, a minha mestra, e nada disso mudou e nem mudará. Compreendo que seja difícil lidar com essa questão sozinha, e espero que quando tiver dúvidas, venha compartilhar comigo.
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  – Nymph, posso te fazer uma pergunta?
  – Claro, Bella. – Ela sorriu.
  – Familiares não conseguem prevenir a morte de seu mestre?
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  Um silêncio se instaurou no cômodo, causando uma inquietação no meu dolorido corpo. Respirei fundo, tamborilando os dedos aflita ao esperar a resposta.
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  – Familiares possuem o dever de proteger os seus mestres, não importa o que aconteça. Nós nascemos com eles e vivemos nossos dias em prol de seu bem-estar e felicidade. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance, até o impossível; no entanto, a partir do momento que corre o risco de interferir no seu livre arbítrio, não podemos ultrapassar essa barreira. Se quisermos, podemos tentar impedir algo, mas estaríamos agindo por egoísmo, visto que devemos servir sem segundas intenções.
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  – Então, resumindo…
  – Se um mestre quiser morrer e for de sua verdadeira vontade, não há nada que um familiar ou alguém possa fazer. Arabella deixou esse mundo com a certeza que alguma pessoa viria salvá-la, independente de estar presente fisicamente para presenciar tudo de perto. Então, pequena senhorita – Nymph tocou na minha testa, e antes de eu digerir as suas palavras, senti as minhas pálpebras pesarem –, não se preocupe muito com o passado e continue visando a viver o futuro.
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  Jade e eu fomos ao centro, em busca de alguns materiais para o começo de suas aulas com a equipe de feiticeiros do castelo Bellerose. Depois do que aconteceu comigo, ele deu a sua resposta final à duquesa e ela cuidou de tudo, mas não que fosse difícil: como o poder da cura é algo raro no nosso reino, os monitores chefes ficaram empolgados em terem um membro como Mya na equipe. Nesses três dias que fiquei desacordada, meu primo, Ethan e Killian passaram a maior parte do tempo juntos com as crianças, então, não me assustei tanto quando acordei e os vi conversando como se fossem melhores amigos. Principalmente Jade e Eth, que só se desgrudaram ao me ouvirem ameaça-los antes de virmos para a cidade.
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  Encarei meu primo com um sorriso cansado; o rapaz tinha a mesma disposição que os meus irmãos, e não é como se eu não estivesse animada, porém havia me recuperado recentemente – o que resultou nas nossas inúmeras pausas. A sensação que tenho é a de estar levando o meu filho para comprar materiais para a escola, o que me fez soltar uma risada anasalada.
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  – Arabella, você está bem? Se quiser, podemos descansar um pouco – ele colocou a mão na minha testa, medindo a minha temperatura, preocupado.
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  – Vamos prosseguir, Mya – segurei o seu braço e ajeitei o meu vestido. – Ser descendente da Ordem tem as suas vantagens, uma delas é a quase rápida recuperação! Ah, e temos que voltar a tempo das suas aulas, não queremos um sermão do doutor Lúcio…
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  – Senhorita Arabella?
  Um indivíduo apareceu atrás da gente e logo nos viramos para descobrir quem era. Apertei levemente o braço do meu primo, esperando que ele entendesse a mensagem: eu não tinha vontade alguma em estabelecer uma conversa com Ryle Tartosa, ainda mais quando eu e Jade tínhamos um combinado. Tentei, de uma forma natural, agir como se estivesse feliz ao vê-lo, afinal, era só uma questão de tempo até o rapaz mostrar a sua verdadeira face, e eu gostaria de que ele cavasse a sua cova com o seu próprio mérito.
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  – Sir Ryle Tartosa, que coincidência! – Sorri amigavelmente.
  – Vejo que está feliz em me ver, senhorita. – O ego inflado ataca novamente, como da última vez. – Estava a caminho de pedir que entregassem essa carta à senhorita, mas, já que nos esbarramos, aqui. – Ele me deu o envelope e eu passei para Mya, que guardou em sua bolsa transversal.
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  – Agradeço pela carta… Precisamos ir, mas foi bom te ver, Sir Tartosa.
  – Sir?! – o escutei sussurrar incrédulo. – Erm, quem é ele?
  – Oh? – meu primo murmurou, sem interesse no bate-papo. – Sou o acompanhante de Arabella, algum problema, sir Tartosa?
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  – Qual é o seu nome? – Seu tom começava a se alterar, assim como a sua postura.
  – Meu nome? É qualquer um que a minha querida Arabella desejar. – Jade sorriu, depositando sua mão em cima da minha. – Estamos realmente com pressa, foi um prazer conhecê-lo, Sir Tartosa.
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  Não permitimos que o loiro retrucasse e ao nos afastarmos o suficiente, começamos a ter uma crise de risos, parando somente quando lacrimejamos. Contei para o meu primo sobre Ryle Tartosa e como nos conhecemos; não foi nada demorado, porém, meu primo deixou claro que já não gostava dele. Agora mais do que nunca, Mya não soltou seu braço do meu, com receio de que Ryle ou alguém viesse me perturbar. Prosseguimos com as compras e, depois de uma hora, finalizamos nossas agendas. Como recebi uma semana de licença médica, estou longe dos campos de treinamento, então convidei Jade para aproveitarmos a tarde juntos. Sentamos em uma confeitaria pequena, que ficava escondida no meio de várias lojas maiores. Passamos em frente dela por acaso e decidimos voltar quando terminássemos de ver os materiais. Enquanto esperávamos nosso pedido, observei Mya pentear o seu cabelo levemente e ajeitar o botão de sua camisa de manga longa. Ele usava uma saia que cobria parte de seus sapatos, combinando com a minha; sorri para o outro, que me correspondeu.
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  – Mya Mya – o chamei pelo apelido que lhe dei –, você quer conversar sobre o que aconteceu na sua casa?
  – Hum… – agradecemos ao garçom pelas bebidas, e o garoto ponderou. – Tudo bem. Acho que vai ser bom pôr para fora, sabe?
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  – Eu também quero desabafar – assenti. Cortei um pedaço da torta e levei à boca, saboreando antes de prosseguir –, te ver naquela situação fez o meu trauma vir à tona. Não é sua culpa, não se sinta mal, está bem? – Concordou. – O barulho do vidro quebrando foi o gatilho inicial; eu percebi que tinha algo de errado quando a emprega se mostrou relutante para me deixar entrar.
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  “Eu entrei no seu quarto, e desculpa por pegar a sua mala sem autorização, mas foi uma ação impulsiva. Com Rin em um lugar seguro, fui ao encontro dos sons e a primeira coisa que eu vi foi sangue. Tinha tanto sangue no chão que eu paralisei, minha mente não raciocinava direito. Todos os anos de agressão e de violência constante passavam na frente dos meus olhos e isso me deixou muito mal, no entanto, eu sabia que não podia te largar para trás. Eu nem tinha noção se você era ou não uma boa pessoa, contudo, lá no fundo, a minha intuição dizia que, de fato, você é. Quando retomei o controle do meu corpo, eu quebrei a porta; foi uma forma rápida de fazê-los se afastarem de você, e, Mya, pelos deuses, quando eu te vi pela primeira vez, envolvido em machucados e sangrando tanto, minha vontade foi de matá-los. De enfiar minha espada em seus corações e acabar logo com todo o seu sofrimento… No entanto, mais do que ninguém, entendo que não é assim que as coisas funcionam, e não poderia tirar a sua chance, caso queira, de vingança. Não quando eu passei pela mesma situação e entendo que nada é tão fácil como desejávamos que fosse.”
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  Encostei as costas na cadeira e soltei o ar, controlando a respiração para que eu não chorasse na frente dele. Meus dedos trêmulos mal conseguiam cortar um pedaço da torta, e eu desisti, empurrando o prato para frente.
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  – Eu fico feliz por ter escolhido ficar comigo e por ter me mandado a carta. Eu não tinha conhecimento da sua existência porque nunca fui próxima dos meus familiares, e eu queria tanto que você não precisasse passar por isso. Eu odeio Perci Fiore e a sua família, eu odeio o fato de ter vivido a minha vida inteira com cicatrizes pelo corpo e pelos meus irmãos terem que sofrer junto. – As lágrimas rolavam sem permissão pelo meu rosto, e a minha voz estava alterada. Eu já não ligava mais se estávamos em público, eu só queria externar o que eu sentia. – Mas, se Mya quiser, podemos criar novas memórias juntos; memórias mais felizes, com as pessoas a nossa volta e em novos lugares. Não peço que se jogue de cabeça no meu plano, entretanto, se quiser se vingar da sua família, eu posso te ajudar. Sei que eu deveria deixar isso para lá, mas é algo que eu preciso resolver para poder seguir a minha vida. Não me importa se pensar que eu sou…
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  – Arabella! – Jade jogou os braços no meu pescoço, me puxando para um abraço. – Você aguentou muita coisa e, assim como eu, sei que ainda está. Eu não tenho que achar nada, mas – ele segurou o meu rosto – eu acho que Arabella Fiore é uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci. E não é preciso passar muito tempo com você para perceber isso. Eu sinto muito por termos que sofrer tanto, nenhum de nós merecia isso. Eu prometo que vamos nos vingar deles e que iremos fazer novas lembranças longe de todo o mal que essas pessoas nos causaram… – pausou. – Não foi nada fácil para mim…
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  Sua voz saiu por um fio e eu pus a minha mão por cima da sua, na tentativa de consola-lo. O nó preso na garganta ia se desfazendo de pouco a pouco, de modo que em algum dia, estaríamos livres dele para corrermos mundo à fora sem preocupações.
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  – Meus pais nunca gostaram de mim e viviam me comparando a você. Não que tivéssemos contato, todavia, só do meu pai saber que o seu irmão possuía um título tão grandioso quanto o de “marquês”, era o suficiente para ele descontar em mim. A sua esposa, Sally, não é minha mãe biológica; ela nunca gostou do fato de eu lembrar muito a minha mãe, então Sally sempre me ignorou. Quando as agressões começaram, a mulher ficava ao lado de Richard o incentivando, e ao me ver usando outros tipos de roupa, ela enlouqueceu. Para ela, eu usar roupas consideradas femininas a fazia pensar em mamãe, o que atiçava o seu ciúme… Ciúme de uma pessoa morta, estranho, não é? – Mya riu sem humor, mexendo sem interesse na sua torta. – Ela sempre me viu como uma ameaça por achar que eu assumiria o papel de Richard e herdaria a casa, o que a levou a me matricular em alguns trabalhos voluntários perto das fronteiras; a única coisa decente que ela já fez por mim. De quinta-feira à segunda, eu ficava longe da casa, e como os trabalhos eram em um único dia, eu aproveitava os restantes para fazer pesquisas e aprender mais sobre a magia da cura. Felizmente, eles não sabem disso.
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  Jade relaxou o corpo na cadeira e suspirou. Escutar sua história me fazia sentir ainda mais raiva de toda a família Castillo, e ele continuou dizendo que só soube me contatar por eu ter sido a notícia em sua residência. Richard escutou os comentários sobre minha ida à festa e à cidade, falando em casa sobre, o que fez com que Jade no mesmo instante me procurasse. Ele foi pessoalmente até o castelo e ficou esperando ser atendido por mais de meia hora até que Rin fosse investiga-lo. Mya contou com detalhes a feição que minha empregada fez, além dela deixar claro que não se responsabilizaria pela falta de resposta, já que sou muito ocupada. Sorri com o seu relato, Rin definitivamente é uma ótima amiga e merecia um aumento.
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  Depois de limparmos as lágrimas e finalizarmos nossos lanches, comprei metade dos doces da vitrine, em forma de desculpas para a confeiteira que pensou que choramos por não gostar de seu trabalho.
  – Não sei o que vamos fazer com tantas tortas – meu primo suspirou.
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  – Distribuiremos entre os empregados do castelo, aposto que não vão negar um mimo, sim? – Começamos a andar, indo a última loja que era perto da confeitaria.
  – Arabella, já peguei o que faltava – Jade surgiu ao meu lado depois de sumir por alguns minutos – Vamos?
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  – Claro, Felippa foi na frente para informar ao cocheiro. Sabe, Mya… – me virei para ele, o vendo confuso. – Está tudo bem em reclamar pelo modo que o Sir Tartosa te olhou. Não quero que se cale por achar que não deva expressar o seu descontentamento.
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  Meu primo suspirou, como se pensasse “fui pego”; não foi difícil observar os olhares dos demais em si, e muitos deles, como de Ryle Tartosa, foram discriminatórios.
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  – Isso é algo que eu já estou acostumado, então a tendência é apenas ignorá-los. Nenhum deles pagará os meus bens, certo?
  – Exato – apertei sua mão em forma de conforto. – Contudo, está tudo bem em respondê-los, ninguém no castelo te julgará por isso, caso você se preocupe com a opinião deles.
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  – Oh… Eles são bem receptivos, não é? Fiquei surpreso, sempre achei que a duquesa fosse alguém rígida e séria… Não que ela não seja, entretanto, ela é mais carinhosa do que falavam. O duque até me elogiou, disse que saia caía bem em mim. – Perceber a felicidade de Jade em seu olhar aqueceu o meu coração, o que me deu vontade de apertar suas bochechas.
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  – Hum… Acho que devemos lhes mostrar nossas novas roupas, certo?
  – Só pra eles? – Mya fez um bico, arrancando uma gargalhada minha.
  – Para quem mais você quer se amostrar, Mya Mya? – Arqueei uma sobrancelha, curiosa para saber se minhas suspeitas estavam corretas.
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  – Para o Eth – ele assobiou e desviou o olhar. As suas bochechas começaram a corar em seguida.
  – Ah, é por isso que vocês estavam grudados e eu precisei ameaçá-los?
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  – Falando assim parece até que não fiz outra coisa a não ser estar com ele… – Jade me ajudou a subir na carruagem, se acomodando assim que sentei.
  – E o que vocês fizeram nesses três dias que eu dormi?
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  – Ficamos com você! E… – ele respirou fundo, enrolando uma mecha de seu longo cabelo no seu dedo. – Conversamos sobre muitos assuntos relacionados à magia, e percebemos que temos muito em comum, além de nossas viagens pelo reino. – É impressão minha ou todas as pessoas desse mundo se conectam rapidamente?
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  – Ah, realmente! – Bati a mão na testa. – Isso me fez lembrar que gostaria de sua ajuda em algo. Vejamos, Ethan tem um admirador secreto…
  – Ele tem? – Vi seu ânimo murchar.
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  – Não precisa ficar tão desanimado, Mya Mya. Voltando ao assunto, estamos nos programando de ir para perto da fronteira com a região oeste para reunirmos algumas informações, e como você viajou para diversos lugares, queremos que nos ajude.
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  – Hum, tudo bem. Não posso ficar chateado, afinal, também tenho um admirador que tenho um grande apreço. – Jade empinou o nariz.
  – Ora ora, mais trabalhos para a nossa trupe, então! – Bati palmas animadas.
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  – Não será algo fácil, Arabella. Se essa pessoa for que nem eu, encontra-la vai ser complicado. O fluxo de pessoas que passam por aquelas pensões é enorme, e as que não usam o nome real é o dobro; eu, por exemplo, assinava apenas com as iniciais, enquanto alguns correspondentes utilizavam pseudônimos. Veja…
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  Nossa conversa se estendeu mais um pouco, e tentávamos pensar em possibilidades plausíveis para investigarmos a fundo.
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  A volta para o castelo foi tranquila, e ao sermos recebidos por todos ontem, fui informada que mais cartas de Ryle haviam chegado. Não sei o que ele está querendo com isso tudo, porém, compreendo que ele continua o mesmo da história original, ou seja: já deve estar arrumando uma forma de conseguir me ver. Os pedaços de papéis eram recheados de frases clichês e cheiravam ao seu ego inflado, o que me fazia rolar tanto os olhos que eu achei por um momento que eles sairiam de seus lugares. Soube também que Alicia Mendes continuava a contatar Killian, causando o mesmo incômodo que Ryle provocava, me deixando ainda mais em alerta. Em um universo de romance, como em muitos que já li, é comum ter “rivais” amorosos, e creio que tanto Tartosa como Mendes seriam os nossos – mesmo que ambos não tenham chance alguma. E por falar em Lian, ele estava ajeitando as madeiras da lareira do meu quarto, a fim de manter o ambiente um pouco mais quente, já que hoje é uma das noites em que está fazendo frio. O observei alongar as costas, namorando o seu físico que o roupão me mostrava, desejando que ele o abrisse por completo. Antes que eu começasse a babar pelo rapaz, Bellerose me entregou uma xícara e se juntou a mim na cama, me puxando para mais perto.
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  – Finalmente, um momento a sós! – Killian ergueu a mão. – Um brinde para o nosso reencontro!
  – Será que os cidadãos de Bellary sabem que o futuro duque deles é tão dramático? – O encarei brincalhona. – Só fiquei fora por três dias, minha lua.
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  – Para mim parece que foi bem mais, Bella. Foi desesperador te ver daquele jeito.
  – Eu sei, Lian – coloquei o chocolate quente de lado e me posicionei entre as suas pernas, deitando a cabeça em seu peito. – O importante é que está tudo bem agora, sim?
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  – A senhorita está proibida de me assustar desse jeito, e sem direito a argumentar. – Ele riu. – Todos ficaram extremamente preocupados com você, tão preocupados que decidiram dormir no seu quarto. Nymph achou uma graça.
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  – Ela deve ter adorado… – sorri com a menção dela. – Inclusive, quando conhecerei o seu familiar?
  – Você já o conheceu, Bella – o olhei confusa. – Se lembra que em um dos treinos, apareceu um gato na árvore? – Assenti. – Então, é o Rose. A sua forma é de um felino.
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  – Mentira! Você precisa nos introduzir formalmente, Killian Bellerose!
  – Tudo bem, tudo bem, meu sol. Todavia, só amanhã, tudo bem? – Suspirei pesadamente. – Não fique assim, agora Rose e Nymph devem estar vagando pelas ruas. Ambos alegaram que precisavam pôr a fofoca em dia, algo assim.
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  Lian e eu combinamos de passar a noite juntos por conta do pouco tempo que teríamos até o festival; desde que acordei, ele fez questão de estar comigo sempre que podia, e optamos por deixar as nossas noites livres pelo restante da semana para que possamos ter esses momentos de chocolate quente e conversas aleatórias. O duque e a duquesa decidiram em levar as crianças para passeios noturnos nos diversos jardins que o castelo tinha, acompanhados de Serene, Rin, Cliff e Noel. Meus irmãos e os de Killian vinham após suas aulas para brincarmos e lancharmos, e os jantares, ao invés de 3 vezes por semana, foram feitos em família todos os dias. Nós abrimos mão de algum dos afazeres ou mudávamos nossos horários para podermos estar reunidos, e isso fazia com que cada vez mais eu sentisse como se eu pertencesse a um lugar. Afastei os pensamentos a tempo de evitar algumas lágrimas de rolarem, e envolvi ainda mais Lian no meu abraço, adormecendo com o seu calor.
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  N/A: Oi, xuxus!

  O que acharam desse capítulo? Muita informação, massss, eu estava ansiosa para introduzir a Nymph pra vocês! E o sonho da Bella, ela com a mini Arabella? Fofas demais, manoooo. Inclusive, qual elemento vocês acham que é o da Bella? Opiniões sobre ela ter acordado os poderes dela?
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  A próxima att será a dupla e eu APOSTO que vocês irão A-M-A-R!!!
  E por falar na att dupla, infelizmente, não sei se sairá esse mês ainda 🙁 rolou uns imprevistos com a autora, então não sei quando exatamente postarei os capítulos. Maaas, em dezembro, teremos capítulos diferentes! Um deles será um especial de natal, espero que gostem!
  Até o próximo capítulo <3

Capítulo 16 – Middle Of The Night

Festival das flores

  O festival das flores é uma das maiores comemorações que marcam a chegada da primavera no reino de Bellary, reunindo cidadãos de todas as regiões em um único lugar, assim como é uma ótima atração para os turistas de outras localidades. A mudança de estação era perceptível pelo agradável clima que fazia nessa manhã, trazendo um descanso após incansáveis ondas de calor – não que tenhamos nos livrado totalmente delas. Alonguei os braços ao levantar da cama, me sentindo mais animada do que o normal; eu sempre gostei de festivais, e quando vivia como Akira, essa era uma das coisas que eu não abria mão de participar, mesmo que chegasse no final por conta de algum trabalho. Comidas diferentes e deliciosas, barraquinhas com prêmios, música… Eu poderia passar o dia citando tudo o que mais gosto em um festival! Quando li na história original sobre a festividade, não pude deixar de imaginar como seria esse cenário na vida real – por mais que a autora tenha usado vários elementos do século XXI –, então, as minhas expectativas para tal são altas. Saí do banho pronta para me vestir e analisei as duas opções de roupa deixadas por Rin: um vestido ou um conjunto de blusa e calça. Não posso negar que ambas são tentadoras, contudo, para casar ainda mais com a estação que eu tanto gosto, decidi ir com o vestido em um tom claro de amarelo. O tecido é leve e forrado, além da sua amarração ser feita na frente, as mangas curtas são bufantes; abaixo do busto até a cintura, o seu design é semelhante à de um corset, seguido da sua saia que ia até o meu tornozelo. Ajeitei o chapéu e pus a minha bolsa transversal, dando uma última olhada no espelho e logo escutei batidas. Ganhei a visão de quatro crianças alegres e devidamente combinando com suas roupas em coloração semelhante à minha assim que abri a porta. Rin estava atrás delas e me desejou bom dia juntamente dos pequeninos, e fomos em direção ao grande hall onde Killian, Ethan e Mya nos aguardavam. Curiosamente, o trio também estava com vestimentas que harmonizavam com as nossas, o que me fez lembrar do dia do treino em conjunto; os encarei com os olhos semicerrados, tentando dizer apenas com o olhar que eu sabia o que eles tinham planejado, no entanto, só recebi assobios e sorrisos que diziam “não sabemos de nada”.
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  – Oh, achei que os nossos oito filhos já tinham saído sem se despedirem dos seus pais. – Escutamos a voz da duquesa no pé da escada sendo acompanhada do duque, devidamente dentro das normas da moda de hoje.
  – Querida, quem diria que nossas crianças criariam asas tão cedo e agora nem querem mais saber de seus pais… – Giovanni agiu da forma mais dramática que conseguiu, arrancando risadas dos presentes.
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  – Mamãe! Papai! – Os quatro correram em suas direções e foram levantados pelos mais velhos.
  – Parece que a chantagem funcionou com as crianças. – Ethan riu.
  – Como está o planejamento do dia? – Viviene perguntou enquanto recebia beijos na bochecha de Nell e Kira.
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  – Pretendemos andar por todo o festival com as crianças e ir nas atrações. – Killian se acomodou ao meu lado.
  – Também queremos experimentar os novos cardápios das barraquinhas, ouvi comentarem que nesse ano teremos novidades! – Mya completou entusiasmado, ansiando a ida a cidade.
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  – É um bom plano… – a mulher sorriu, mas algo me dizia que ela tinha uma outra ideia. – Temos uma proposta: até o horário do almoço vocês ficam com os gêmeos; na parte da tarde, cuidaremos deles.
  – Não há necessidade, duquesa – neguei prontamente.
  – Pequenos lordes? – Giovanni se dirigiu a eles. – Gostariam de passar a tarde conosco?
  – Sim!
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  – Bom, obtivemos a nossa resposta. Aproveitem o festival da melhor maneira, sim? Vocês precisam viver de acordo com suas idades, deixem as tarefas de pais para quem se deve ser.
  – Ah, e não façam nada que não faríamos. Ou o contrário, se pensarmos no nosso histórico – o duque completou, soltando um risinho abafado.
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  Fomos ao encontro das carruagens em meio de gargalhadas e reparei que as que nos levariam para o centro eram maiores do que as normais. As crianças foram com Serene e Rin, enquanto eu, meu primo, Ethan e Lian dividíamos uma.
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  – O que seus pais quiseram dizer? – perguntei inocentemente.
  – Acho melhor você perguntar a eles, Bella. – Killian sorriu suspeito, sussurrando em seguida – Desde quando eles são inseparáveis?
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  – Também não sei – dei de ombros –, mas parecem que foram feitos um para o outro, não é? Agem como se fossem amigos há tempos… Sabia que os dois têm um admirador secreto? – Killian negou e se mostrou interessado no que eu tinha para contar. – É engraçado, visto que quanto mais eu os escuto, mais semelhanças encontro em relação aos seus admiradores, como na vez em que… Oh! – Bati as mãos, atraindo seus olhares.
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  Tudo fazia sentido agora.
  – Tudo bem, Bell? – Ethan perguntou após eu observá-los por longos segundos. Assenti, mantendo a minha suspeita em silêncio.
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  – Uau!

  Desci da carruagem maravilhada com a minha visão. A decoração do festival estava repleta de flores e havia também algumas outras espécies de plantas, quase transformando o centro da cidade em uma enorme estufa. As ruas, as casas e os estabelecimentos tinham arranjos e vasos para compor o cenário perfeitamente, tendo a entrada para a festividade um grande arco produzido inteiramente com orquídeas de diferentes cores. As barracas estavam lado a lado, com suas plaquinhas as distinguindo para uma melhor organização; as de floricultura tinham os seus funcionários na função de vender rosas para os casais, enquanto as de brincadeira anunciavam suas promoções e prêmios. É incrível poder presenciar um dos eventos que eu mais gostei na leitura, e hoje é um dia em que nobres e cidadãos comuns convivem cordialmente. Acenei animadamente para meus irmãos que, assim como eu, estavam maravilhados, já que nunca viemos a um festival de Bellary. Eles deram as mãos para Kira e Kieran e passaram correndo por debaixo do arco, dando a largada; entrelacei os meus dedos com os de Lian e repeti os passos dos pequenos, sentindo como se todo o meu corpo fosse invadido por uma explosão de euforia, sendo acompanhada também por Mya e Eth. A recepção foi feita por algumas pessoas que usavam colares florais, que nos entregaram folhetos contendo as possíveis rotas que poderíamos tomar, e em unanimidade, optamos por começarmos com as tendas gastronômicas.
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  Um fato curioso sobre o festival é que ele é organizado por partes, então não é estranho todas as barracas de comidas estarem juntas – normalmente, elas ficam espalhadas entre as de lembrancinhas e prêmios –, além de terem sido ordenadas por “café da manhã, almoço, lanche/petiscos e janta”. Desse modo, não precisaremos nos preocupar em perder alguma refeição e degustaremos um pouco de cada tipo de culinária, afinal, as regiões de Bellary possuem suas próprias especiarias. O café prosseguiu sem problemas e a cargo das crianças, nossa próxima parada foi uma barraca de doces, mas com a condição que eles só comeriam as guloseimas após o almoço. O descontentamento logo foi esquecido no momento que avistaram as tendas de brincadeiras, visivelmente hipnotizados pelas inúmeras atividades e seus respectivos prêmios. Partilhando de suas ansiedades, não perdi a oportunidade de tentar ganhar alguns bichinhos de pelúcia, que posteriormente eu lhes presentearia. O trio maravilha também tentou a sorte, e o restante da manhã fluiu incrivelmente bem, e com uma brisa que trazia o aroma das pétalas, causando uma ótima sensação de conforto.
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  Sensação a qual não durou por muito tempo.
  Quando percebemos, o horário do almoço já tinha chegado e Lion havia se unido ao grupo, informando as mudanças que foram feitas em nosso itinerário. Como os pequenos lordes estariam aos cuidados de Giovanni e Viviene, queríamos dar uma avançada maior do que a planejada para o dia, visto que o trio entrou em contato conosco recentemente e solicitaram que os encontrássemos em um dos pubs afastados do centro.
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  – Bella, posso dar uma mordida no seu espetinho? – Encarei Antonella com a sobrancelha arqueada, me questionando como já tinham terminado de comer tão rápido.
  – Nell, a senhorita já comeu dois e o seu almoço, certo? – Ela assentiu. – Não acha melhor aproveitar a sobremesa?
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  Suspendi a caixa com seus doces e obtive suas atenções em mim, logo distribuindo as suas porções para cada, e aguardei que finalizassem para que eu pudesse auxiliar a Serene em limpar suas mãos. Enquanto esperávamos pelo casal Bellerose, ficamos conversando com a babá e Rin, pois Jade e Ethan ficaram de visitar outras barracas; trinta minutos depois, as duas silhuetas surgiram cheias de sacolas e algodão-doce.
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  – Sua Graça, estão adiantados, não? – Serene comentou.
  – Realmente, no entanto, ao vermos esses doces, pensamos nos nossos filhos, e quisemos vê-los o mais rápido possível. – Viviene entregou a todos o algodão–doce.
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  – Mamãe! – Kira e Kieran correram em suas direções, juntamente dos meus irmãos.
  – Assumiremos daqui, minhas crianças – Giovanni falou enfatizando a sua ironia, fazendo com que Killian rolasse os olhos. – Aproveitem a sobremesa e o dia de vocês.
  – Bella – Nell e Thoni voltaram –, estamos indo com… Hum…
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  Thoni e Nell puxaram o meu vestido, e eu me abaixei para ficar na mesma altura que os dois, tentando entender o motivo de suas feições. Suas bochechas estavam coradas, em sinal do nervosismo que sentiam; eu sorri amorosamente para eles e segurei suas mãos, aguardando ambos se sentirem prontos para compartilhar o que quer que fosse. Meus irmãos se entreolharam e respiraram fundo, concordando um com o outro com a cabeça e trouxeram os seus olhos dourados para os meus, com uma determinação espelhada neles.
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  – Bella! – falaram em uníssono e um tanto afobados.
  – Sim? – perguntei curiosa, vendo o duque se aproximar.
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  – Antonella, Anthoni, vamos? – Giovanni abriu seus braços para pegá-los no colo, mas ainda em uma distância considerável para que os dois tivessem o seu momento de expor o que queriam.
  – Nós amamos a Bella! – exclamaram mais uma vez. – Nossos pais estão nos esperando.
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  Seus dizeres atravessaram a minha mente lentamente e eu pude perceber que eles devem ter ensaiado essa conversa diversas vezes. O peso em seus ombros foi prontamente embora e meus irmãos me encaravam na expectativa da minha resposta. Thoni e Nell não queriam permissão, entretanto, estavam preocupados o bastante com o que eu poderia achar, e não queriam que eu sentisse como se o meu lugar em suas vidas tivesse sido roubado. Compreender os dois gatinhos nunca foi difícil e as suas emoções ficavam estampadas claramente; levei meus dedos a suas bochechas, apertando de leve e sorri novamente, aliviada de vê-los mais tranquilos. Antes que as lágrimas caíssem, olhei para o duque e a duquesa, que mostravam estar contentes por serem considerados os pais dos meus irmãos, então, voltando a atenção para os pequenos, os respondi:
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  – Eles estão, não é mesmo? Se divirtam bastante, gatinhos. Bella também ama vocês!
  Recebi um abraço em conjunto e logo eles correram em direção ao mais velho, se encaixando em seus braços.
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  Para os negócios se manterem na ativa, é fundamental saber em quem e o quanto você estará disposto a investir, além de estabelecer uma relação amistosa com o seu sócio. Com a experiência de duas vidas e em saber como Perci Fiore opera, decidi que agora é uma ótima hora para começar os meus investimentos, afinal, uma hora o dinheiro acaba e eu não tenho acesso aos bens da família Fiore. Por mais que todos os alunos do exército recebessem uma forma de auxílio – já que, em sua maioria, era composto por cidadãos comuns –, se eu quiser dar uma vida digna aos meus irmãos, eu precisaria ter um fundo reserva para alguma eventualidade que possa vir a ocorrer. Independência é algo ótimo e como Arabella, eu quero continuar a ter os meus próprios bens sem depender de herança – mesmo que a Akira lamentasse por não ter nascido herdeira. Abri o meu leque e me abanei, escutando os espirros abafados de Ethan por conta da poeira. O homem a minha frente pedia inúmeras desculpas, e surgiu com quatro pratos e uma torta, oferecendo para nós.
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  – Senhorita Arabella! Nos encontramos novamente! – O homem se curvou brevemente. – Perdoe-me por não ter um local um pouco mais apresentável para recebê-los, finalizei as papeladas ontem e não esperava ganhar visitas.
  – Oh, parece que fui descoberta – comentei casualmente –, na primeira vez que nos esbarramos não tivemos todas essas formalidades.
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  – É impossível não a tratar de acordo com sua posição após ter ciência – ele riu. – Os cidadãos de Bellary têm falado bastante da senhorita.
  – Acho que eu me tornei um assunto bem popular nesses dias… – apoiei o meu queixo nos meus dedos entrelaçados. – Contudo, vamos ao que interessa: o que acha da minha proposta, Olívio Bauman?
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  Olívio Bauman é um dos mais jovens promissores no ramo da confeitaria de Bellary. Ainda com seus vinte e três anos, a sua jornada de viagens tinha chegado ao fim e o rapaz finalmente abriria a sua loja como tinha me contado ao nos conhecermos pela primeira vez. Desde que comprei os seus doces no centro, pude ter a certeza de que o seu futuro seria brilhante nesse ramo, e nada mais justo que ele recebesse um investimento de um patrocinador. Eu lhe mostrei a minha proposta, o que o deixou um pouco surpreso, todavia, pensativo; não tenho como dizer o que ele deva estar cogitando, porém, aguardo que a sua resposta esteja alinhada com as minhas expectativas.
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  – Senhorita? – O encarei curiosa, assentindo para que ele continuasse. – Não sei o que Arabella Fiore achou em mim, mas seria uma honra tê-la como minha investidora.
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  – Esplêndido! – Apertamos as mãos, selando o acordo. – Preciso que assine esses papéis, leve o tempo que precisar para lê-los e peço que os envie para o castelo Bellerose. Ah, e antes que eu esqueça: sempre que precisar falar de mim para alguém, use a inicial “F”, e não diga que me conhece pessoalmente.
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  – Como desejar, senhorita Arabella. – Olívio e eu nos despedimos, com a promessa que eu viria para a sua inauguração.
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  A escolha da inicial e de fingir que ele não sabia quem sou é tudo uma questão de segurança; não quero que tenham conhecimento de que o confeiteiro e eu somos colegas, já que o fariam virar um alvo para me atingirem, e odiaria que pessoas inocentes entrassem no meio dessa merda de situação. O nome, por outro lado, é para que ninguém tire vantagem do meu status, e é o suficiente para fazer com que Perci Fiore se irrite ao tentar procurar essa pessoa.
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  Felippa e Thales – meu novo cavaleiro – voltaram com um relatório de todos os locais que eu indiquei para que fizessem a parceria em meu nome, como solicitei de manhã. Por mais que eu queira resolver tudo sozinha, ir em vários bares e pensões seria inviável em um único dia, ainda mais esse dia sendo o do festival. Confiar 100% neles é algo que eu ainda não conseguia, no entanto, a dupla insistiu tanto para que pudessem ajudar e se mostrarem dignos de serem meus cavaleiros, o que acabou me deixando meio sem escolha. Os dois não tinham conhecimento do meu plano, no entanto, suas percepções ligeiras os fizeram juntar os pauzinhos ao escutarem os boatos sobre mim, e fico feliz por permanecerem comigo. Outro fato que me deixa contente é ler os nomes riscados da lista, e poder dizer com toda a certeza que a primeira parte do trabalho estava concluída. Uma das condições em estabelecermos um contrato é não tentarem descobrir a minha identidade, já que, na hora certa, eu revelaria tudo e assistiria quem se manteria ao meu lado verdadeiramente. Fazer dinheiro não é algo fácil, e o que é meu por direito está nas mãos erradas, então, usarei todo e qualquer recurso ao meu dispor!
  – Bom, vamos para a próxima parada!
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  – Chefe, temos o relatório das últimas reuniões. – O rapaz mais alto me entregou um envelope depois de me reverenciar.
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  O relógio marcava três horas em ponto quando fomos para os fundos do pub, avistando o trio já a nossa espera. Eles disseram na carta que uma nova movimentação ocorreu na última semana, e que guardaram o máximo de detalhes que conseguiram, mas que precisavam nos ver rapidamente.
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  – Aparentemente, tudo está fluindo como eles desejam – o do meio falou, articulando mais do que o de costume. – A identidade da criança ainda é um mistério, parece que eles escolhem em cima da hora e odeiam que perguntem com quem teremos que lidar. Juntamos informações úteis sobre os envolvidos nesse envelope. Não só os de Bellary, temos os nomes dos do reino de Dellavecchia também.
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  – Por um descuido, um dos mais próximos do chefe estava bêbado o suficiente para falar mais do que lhe foi permitido – o último completou, ajeitando os seus óculos antes de terminar sua fala. – Fizemos questão de garantir que ele não se lembrasse de nada, então o colocamos para dormir, chefe.
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  – Devo me preocupar com a forma utilizada? – perguntei ao folhear as páginas juntamente de Lian e Lion.
  – Não é nada que a lei do nosso reino proíba.
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  – Muito bem – os olhei e abri um sorriso de lado, interessada no que relataram –, espero que o andamento para subirem de cargo esteja conforme planejado.
  – Estão finalizando os detalhes, e fomos incluídos na equipe que lidará de frente com o sequestro, no transporte. Qualquer ordem que a nossa chefe nos dê, seguiremos. – Eles me reverenciaram ao mesmo tempo.
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  – Podem se levantar. Continuaremos com a nossa conversa por meio de terceiros, como já estamos fazendo. Na véspera, enviaremos a vocês três esferas para melhor contato durante a operação. A prioridade é a segurança da criança, solicito que fiquem encarregados dela e a tranquilize até chegarmos.
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  Após alguns minutos, Lion finalizou a conversa com os três, os relembrando de todo o planejamento para a data escolhida. O relatório trouxe muito mais do que imaginávamos e a organização é tão descuidada por não ficar de olho em seus subordinados, o que nos dá uma ótima vantagem sobre eles. As despedidas foram feitas e eu olhei ao redor, vendo que realmente essa parte da cidade não tem ninguém. E se tivesse, não teria tanto problema por estarmos em um grupo grande, afinal, o festival continua rolando.
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  Killian e Ethan chamavam a atenção, assim como eu e Mya, contudo, pode-se dizer que o nosso final de tarde estava tranquilo; quem vinha falar conosco era, em sua maioria, indivíduos simpáticos, respeitando o nosso momento – a sensação que tive era a de ser uma celebridade. Muitos se surpreendiam ao saber quem sou, mas nenhum foi rude comigo ou com Jade. Meu nome e sobrenome era o assunto mais quente do momento, independente de terem noção da minha feição – o que realmente importa é falarem sobre mim; suspirei alegremente pelo meu plano estar prosseguindo esplendidamente, e hoje é um dia crucial para ele.
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  A lista de objetivos foi concluída, o que nos deixa com algumas horinhas livres para curtirmos mais ainda o que o reino de Bellary preparou de melhor para os seus cidadãos.
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  Perdemos a conta de quantas barracas visitamos e, nesse meio tempo, Mya-Mya e Eth haviam se separado de nós dois, algo que não me incomodou. Eu ficava feliz em ver meu primo podendo se divertir livremente, e Ethan é o meu melhor amigo, alguém a quem posso confiar a segurança de Jade sem problemas.
  – Já escolheu o presente para sua amiga? – A voz de Killian soou no pé da minha orelha, me fazendo voltar a realidade.
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  Estávamos analisando algumas tendas que vendiam diversos tipos de joias, a fim de acharmos lembranças para nossos amigos. A chegada de Giovanna está marcada para amanhã, causando uma ansiedade que tinha o seu lado bom e ruim. Poder rever minha melhor amiga depois de quase dois meses é uma das coisas que eu mais desejava desde a nossa última carta, entretanto, ter Letícia perto novamente fazia o meu sangue ferver. Percebendo a minha inquietação, Lian apertou meus dedos levemente e sorriu carinhosamente, enquanto me mostrava algumas pulseiras. Passei os dedos por alguns dos cordões, até parar em um que o pingente era uma pedra azul. De acordo com o vendedor, o topázio azul pode significar a harmonia e estabilidade, além de ser capaz de afastar energias ruins – entre outras coisas –, sendo um bom presente para se dar a um amigo. Pedi que colocasse em uma embalagem de presente e o vendedor entregou o saquinho depois de poucos minutos.
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  – Pegou tudo o que precisava, Bella?
  – Sim, e você? – Guardei as compras na minha bolsa. – Alguma notícia do Ethan e Jade?
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  – Ethan disse que nos encontraria na floresta do castelo, já que a festividade se estende para lá. – O olhei sem entender. – Todo ano, depois do festival, alguns empregados do castelo se reúnem na floresta e brincam um jogo. As regras são ditas na hora e sempre é em dupla. Aparentemente, Jade gostou da ideia. Gostaria de ir?
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  – Oh, por que não me contou antes, Lian? – Segurei em seu braço. – Eu adoro jogos!
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  Descemos da carruagem na expectativa de adentrarmos a floresta o mais rápido possível, resultando na nossa corrida para o lugar designado. Com folhas em nossos cabelos, avistamos um grupo de vinte pessoas aguardando os demais, logo nos cumprimentando. Encontramos Mya e Ethan, e engatamos em um assunto aleatório para disfarçar a ansiedade de descobrir qual seria o jogo. Killian me contou mais sobre, e eu criei expectativas por conta de toda a atmosfera, mas paramos de falar assim que escutamos a voz do líder:
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  – Boa noite, senhoritas e rapazes! Espero que tenham tido um ótimo dia e, agora, teremos uma boa noite. – O seu sorriso malicioso quase fez todos rirem. – Hoje é dia de pique esconde, ou seja: vocês formarão duplas e ao fim da contagem, se esconderão em uma parte da floresta. O dever da dupla é um achar o outro primeiro, e o perdedor terá que fazer o que o vencedor pedir sem reclamar. Ao formarem os pares, peço que fiquem perto dessa árvore – apontou para a sua esquerda –, para que possamos começar a contagem.
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  Outros funcionários se juntaram durante a explicação do jogo e a movimentação iniciada não durou tanto, no entanto, ao ver Ethan e Jade sem saber muito para onde ir, eu empurrei gentilmente Eth na direção do Mya, e o líder fez a contagem de pares e a da brincadeira.
  – Boa sorte!
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  O ar úmido que envolvia a floresta fazia com que um arrepio percorresse o meu corpo, indo da minha nuca às pontas dos meus dedos; soltei a respiração e a vi sair em forma de fumaça dos meus lábios avermelhados, sendo vigiada pelos animais noturnos que me acompanhavam em cima dos galhos no momento que cheguei. Dedilhei a madeira e balancei as minhas pernas, curtindo o som dos bichanos que andavam no térreo, rondando a árvore que eu estava sentada na esperança que eu descesse para brincar com eles. Olhei para ambos os lados e observei os demais correndo, ansiosos com suas buscas atrás dos seus parceiros e para serem os vencedores. É difícil segurar a risada ao imaginar suas feições animadas e aflitas, tendo o trabalho em dobro de se esconderem e mesmo assim, ter que encontrar o seu par. Não é como se eu não estivesse procurando o meu, contudo, a minha visão é bem ampla daqui de cima, então acabo ganhando essa vantagem de não precisar me locomover por aí. Sustentada somente pelas minhas pernas, fiquei de cabeça para baixo na tentativa de imitar um dos animais – que reprovou o meu ato –, pensando que desse modo eu conseguiria tirar todo o resquício do tédio que existe em mim. Confesso que há a adrenalina em ser tanto a caçadora como presa, a didática desse jogo é interessante e eu gosto de brincar de pique esconde, mas, desde o final do mês passado, a imagem do nosso quase beijo não saía da minha mente – e eu podia sentir o tesão se acumulando ao ficar sozinha. Senti algumas gotas respingarem no meu rosto, provocando que a minha atenção fosse voltada para outro detalhe que não seja as imitações baratas, percebendo – finalmente – a sua presença.
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  Mais cedo, decidimos nos separar do grupo, indo a uma tenda pedir por bebidas e sentamos afastados de toda a população, escondidos de seus olhares curiosos. A tarde ficou tão abafada que Killian optou por beber no meu corpo, no intuito de transferir o foco de seus lábios para, provavelmente, minha pele nua posteriormente. Nossos olhares se cruzaram e foi o bastante para encher várias e várias vezes os copos, fazendo com que os dois saíssem extremamente satisfeitos e ainda assim, pedindo por mais. Palavras não mensuravam o quanto a necessidade de nos encontrarmos intimamente gritava, sempre impaciente para sentir o contato dos corpos um contra o outro, transbordando de luxúria e ardência pelo toque. Às vezes eu tenho a sensação de que nosso relacionamento é um quase eclipse; eu sou o seu sol e ele é a minha lua, sendo uma descrição perfeita para dois amantes que não completavam a sua dança juntos. A atenção que recebemos durante o dia era esperada, e por mais que tentassem nos alertar sobre os possíveis comentários, ignoramos. Afinal, o sol e a lua não se importavam com as opiniões públicas sobre as suas próprias personalidades, a não ser que fossem direcionadas aos seus amantes – o que fazia com que eles mostrassem as suas garras nas entrelinhas.
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  A floresta úmida é um dos palcos do eclipse, transformando cada pedaço do castelo em um cenário excepcionalmente propício para o encontro dos amantes. As curtas visitas ao quarto um do outro não são o bastante para quem cultiva a vontade da maneira que o sol e a lua cultivavam, então, designaram qualquer local para terem finalmente um momento a sós. As folhas que caíam por culpa da ventania são testemunhas do amor dos amantes que aconteceria em breve, mantendo o segredo desse sentimento em seus galhos.
  – Meus cumprimentos para a tão amável lua de seu império.
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  Aterrissei em seus braços perfeitamente e suas mãos apertaram a minha cintura enquanto eu cruzava as pernas em volta de seu tronco, aproveitando a sensação de seu quente toque. Analisei os seus olhos vermelhos e aproximei meus lábios do seu, deslizando a minha língua por toda a extensão e a estalando, sentindo o gosto tão delicioso que me fez sedenta por tanto tempo. A sua boca avermelhada se entreabriu, encontrando a minha sem delongas e logo desfrutei mais profundamente do beijo; arfei com o contato das minhas costas no tronco da árvore gelado, sem coragem de afastar o meu rosto e quebrar o contato que nossas línguas tanto gostavam. Senti seu dedo dedilhar a minha coxa por cima do tecido, trazendo uma sensação gostosa ao vê-lo fechar os olhos quando puxei o seu cabelo. A pele de seu pescoço exposta me fez salivar, e logo abri os primeiros botões de sua camisa para ter mais espaço para explorar com as mordidas que eu queria deixar ali. Tracei as minhas marcas sem me importar se ele faria o mesmo; o meu desejo é que Killian Bellerose me faça ser dele o tanto quanto que quero que ele seja meu.
  – Killian, para onde estamos indo?
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  Quero que ele me consuma por inteira,
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  – Para uma passagem secreta. Vamos para o meu quarto.
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  Que me deixe bêbada
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  – Killian – falei o seu nome em um sussurro enquanto sentia os seus beijos percorrem o interior da minha coxa, deslizando a sua língua por toda a pele nua.
  – Bella – o seu olhar veio ao meu, entregando a deliciosa visão de seu lindo rosto entre as minhas pernas, enquanto me chamava diversas vezes pelo meu apelido com sua voz rouca.
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  E me foda até minhas pernas não aguentarem mais.
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  – Apenas chame pelo meu nome, sou sua para ser domada.
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  Killian Bellerose sorria atrevidamente ao dizer o meu nome, que parecia ter sido feito para sair de seus lábios úmidos perfeitamente, como uma melodia viciante. O empurrei com o meu pé, ficando de joelhos em cima da cama e o chamei com meu dedo, podendo sentir o seu corpo contra o meu, pressionando-o sobre meus mamilos eretos. Estávamos a poucos centímetros de distância, com as respirações se fundindo em um único som; dedilhei todo o seu braço até pegar em sua mão, trazendo para a manga do meu vestido e o encarei travessa, usando seus dedos para brincar com o decote do meu busto.
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  – Eu estou me sentindo meio quente, sabe? – Sentei sobre minhas pernas dobradas, segurando seu quadril. – Você não pode me ajudar a ficar mais à vontade, Lian?
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  – Como quiser – ele enrolou o meu cabelo em seus dedos e o puxou para trás, me fazendo soltar um gemido baixo, logo sussurrando em meu ouvido: –, Arabella.
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  Molhei meus lábios ao sentir a sua boca explorar sem piedade todo o meu pescoço e busto, chupando com toda a vontade que tinha em si a minha pele. Lentamente, ele desceu cada manga do vestido com os dentes, e desamarrou o laço rapidamente, usando o pedaço de pano para prender os meus pulsos, impossibilitando que eu movesse mais do que ele permitiria.
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  – Tudo bem por você, Bella? – perguntou enquanto beijava o meu rosto. – Se quiser que eu pare, é só me avisar.
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  Passei meu pé em cima de seu pau, o fazendo arfar; pressionei contra o seu membro e encaixei o seu pescoço entre os meus braços, selando os nossos lábios com força.
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  – Isso serve como resposta? – Nos separamos brevemente para recuperarmos o fôlego, e o encarei com um sorriso malicioso, aguardando como seria a sua resposta.
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  Killian mordeu o meu lábio inferior e desceu a sua boca pro meu pescoço, depositando beijos molhados por toda a extensão até chegar nos meus peitos. Gemi só de assisti-lo passar o seu dedão sobre o meu mamilo, e enquanto se divertia com um, logo envolveu o outro e o lambeu, mordiscando conforme eu gemia pedindo por mais. Ele parecia se divertir com a minha reação, sorrindo maliciosamente ao observar o efeito que causava em mim – a verdade é que Killian Bellerose não precisava de muito para me deixar de quatro por ele. Ele posicionou suas mãos na minha cintura, apertando-a ao levantar um pouco o meu quadril, tirando o restante da minha roupa por completo. O seu olhar parecia estar em transe, maravilhado com a visão do meu corpo totalmente nu e clamando por si, de modo que não demorou a inclinar novamente o meu quadril na sua direção, beijando, lambendo e mordendo toda a minha barriga até chegar entre as minhas coxas. Lian as dedilhou, causando mais um arrepio em mim, logo encaminhando o seu dedo para a minha vagina úmida, que clamava pelo seu toque.
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  Meu corpo estremeceu assim que seu dedo pressionou com mais firmeza o meu clitóris, provocando aquela sensação tão boa que eu gostava. O olhei com a boca entreaberta e passei a língua nos meus lábios, umedecendo-os para receber a sua. Mas, antes que eu sentisse o seu beijo, sua língua passeou entre as minhas coxas até chegar na minha vagina molhada, lambendo toda a sua extensão; o seu encontro com meu clitóris sensível fez com que eu puxasse as minhas pernas em reflexo, e ele me olhou enquanto mordiscava a pele, perguntando se continuava. Enrolei seu cabelo nos meus dedos e ergui a sua cabeça, sorrindo atrevidamente com a sua pergunta; a imagem de Killian Bellerose com o rosto entre as minhas coxas é algo tão gostoso quanto senti-lo me chupar por completo, sem deixar uma única parte de fora. Os seus movimentos iam se adequando as minhas reboladas, e inclinei o meu quadril, querendo que ele aprofundasse ainda mais a sua boca. Empurrei sua cabeça contra o meu clitóris, o prendendo com as minhas pernas trêmulas.
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  – Você pode introduzir os seus dedos, se quiser – Lian atendeu o meu pedido prontamente, enfiando um dedo. – Mais, por favor.
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  Sem parar os movimentos com a língua, ele enfiou mais um, controlando o ritmo. Arqueei as costas, sem conseguir manter os meus gemidos só para mim. A leve ardência ia desaparecendo conforme o meu corpo ia se enchendo de prazer, e eu pedi por mais um. Agarrei os lençóis da cama, mas puxei seu cabelo ao perceber que eu gozaria na sua boca. Lian se deliciava com as respostas do meu corpo, contudo, não ousou em parar os seus movimentos até me ver ofegante e chamando pelo seu nome. O trouxe para mim, lambendo sua boca e o beijando ferozmente, sem lhe dar tempo de raciocinar o meu próximo passo. Deslizei minhas mãos por suas costas, arranhando toda a pela nua e troquei nossas posições, causando atrito entre minha vagina e o seu pau. O vi gemer baixinho, e sorri com sua reação, pensando em como retribuiria o prazer que havia me dado.
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  – Lian – mordi o seu pescoço, chupando a área sem cerimônias. – Se não se sentir à vontade com algo, é só me falar para parar – subi a língua para sua orelha, lambendo toda a região e sussurrei – Lembre–se: apenas chame o meu nome, eu sou sua para ser domada. Como bem entender.
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Capítulo 16 + 1 – a dream in a field of dandelions

Killian Bellerose

  Arabella escorregou uma de suas mãos pelo meu peito enquanto sua boca se divertia com o meu pescoço, mordendo e chupando a pele. As marcas que ficariam pouco me importavam: Bella podia mostrar a todos que eu pertenço a si como quisesse. Suspirei pesadamente ao sentir a sua língua deslizar pelo meu peito, mais especificamente no meu mamilo. Ela mordiscou, lambendo em seguida a área, o que causou uma sensação estranha, mas ao mesmo tempo, excitante. Alternando os mamilos, ela continuou a passar sua língua e eu percebi que estava gostando mais do que imaginava ao soltar um gemido baixo, que deixou Arabella satisfeita ao subir o seu olhar para mim. Com um sorriso atrevido, a vi puxar as minhas pernas e se encaixar no meio delas; sua boca avermelhada distribuiu beijos pela minha barriga, descendo calmamente para as minhas coxas, onde suas unhas complementaram o trabalho, cravando suas marcas na região. Um delicioso arrepio correu pelo meu corpo, e o meu coração estava acelerado; Arabella pegou o meu pau e arfei, não conseguindo conter a excitação ao observar a sua mão masturbar o meu membro lentamente, aumentando a velocidade conforme eu pedia por mais. O seu dedão brincava com a cabeça do meu pau, e ela parecia se divertir com a minha reação, sempre com o seu sorriso satisfeito estampado. Por um momento, senti a palma da sua mão cobrindo a área antes ocupada somente pelo seu dedo, e Bella prosseguiu com os movimentos de vai e vem, me levando a um nível de prazer que não sabia que era possível.
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  Cada vez mais eu sentia a velocidade da sua mão aumentar, e com a outra continuava a esfregar a região, mas sem tirá-la. Meu corpo se contorcia de prazer, e eu segurei o lençol, sem ter forças pra manter o som abafado.
  Arabella Fiore explorava os meus gemidos como se quisesse testar algo, me fazendo implorar por mais.
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  – Bella – a chamei com certa dificuldade –, eu acho que vou…
  – Hum? – ela perguntou em um tom curioso, como se não tivesse ideia do que eu estava falando. – Se não me falar com todas as letras, como posso garantir o seu desejo, Killian?
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  Joguei a cabeça para trás, tentando controlar alguma reação, mas meu corpo não me dava atenção. A sua voz saiu em um tom extremamente sedutor, e eu queria que ela tirasse a sua mão da cabeça do meu pau e desfizesse esse maldito sorriso, mas eu sabia que ela estava se divertindo bastante com o meu sofrimento. Arabella Fiore me levava à loucura de várias formas, e ela me impedir de gozar é só uma delas.
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  E eu não podia negar que eu estava me deliciando com cada segundo disso.
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  – Bella? – Segurei o seu queixo, a fazendo me encarar.
  – Sim?
  – Eu quero gozar. – Parecendo que não estava me ouvindo, ela pressionou a palma da sua mão contra meu pênis, me fazendo gemer alto.
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  – Quais são as palavras mágicas, minha lua?
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  Porra!
  – Arabella Fiore – a sua atenção ficou completamente fixada em mim, na expectativa da minha próxima fala. – Por favor, me faça gozar.
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  O seu olhar encontrou o meu e ela suspirou, pondo de novo o sorriso maléfico em seu rosto antes de começar a diminuir a velocidade. A encarei confuso, com o meu membro clamando pelo seu toque, e cheguei a conclusão de que Bella realmente queria me ver sofrer. Mas, antes de eu pensar em algo, a vi de quatro na minha frente, segurando o seu cabelo de lado.
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  – Porra!
  Exclamei sem cerimônias ao ter seus lábios deslizarem por todo o meu pau, me chupando sem aviso prévio. A visão de suas costas curvadas e sua bunda nua empinada provocou uma sensação extraordinariamente excitante e ao mesmo tempo tão gostosa no meu corpo; enrolei o seu cabelo nas minhas mãos, empurrando sua cabeça para baixo, e a escutei soltar um gemido abafado. Seus movimentos não pararam e enquanto sua língua se deliciava com o meu pênis, senti cada parte do meu corpo estremecer, sendo invadido pelo prazer assim que gozei em sua boca.
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  – Bella, pode cuspir na minha mão – a puxei para mim, checando se estava tudo bem. – Eu pego uma toalha…
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  – Para que todo esse trabalho se eu já lidei com isso, Lian?
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  Arabella passou o dedo na boca após engolir a minha porra como se fosse algo que já estava acostumada. A assisti lamber os lábios lentamente, os deixando entreabertos; segurei o seu pescoço firmemente, trazendo a sua boca para a minha no próximo segundo. Ela se acomodou no meu colo, envolvendo os seus braços em volta de mim e cruzou suas pernas atrás da minha cintura, apertando nossos corpos um contra o outro. Ela começou a se movimentar, roçando sua vagina no meu pau, sem quebrar o beijo. Não foi difícil notar a minha ereção surgindo novamente, assim como evitar que o gemido escapasse da minha boca por conta dos seus dedos que brincavam impiedosamente com os meus mamilos. Eu queria que ela me usasse como o seu fantoche favorito, que fizesse o que bem entendesse com o meu corpo; que não tenha medo de continuar explorando cada parte minha, e que continue gostando de mim mesmo que eu seja inexperiente em alguns aspectos. Eu quero que Arabella Fiore tome o controle de mim o tanto quanto eu quero tomar o seu.
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  Quero que ela saiba que só existe uma mulher no mundo que eu queira tanto que continue me fodendo em todos os sentidos.
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  Não há como negar: eu sou louco por ela.
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  Troquei nossas posições, ficando por cima de si e espalhei beijos rápidos por todo o seu rosto e pescoço.
  – Arabella, tudo bem se eu pôr? – A escutei rir baixinho.
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  – Achei que nunca fosse perguntar, minha lua – Bella segurou o meu rosto e continuou a olhar para mim.
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  – Se quiser parar, é só falar, meu sol.
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  Nossas testas se tocaram e eu introduzi o meu pau na sua vagina, a sentindo cravar suas unhas nos meus ombros; fiquei parado até que ela me desse permissão para ir mais fundo, sempre perguntando se ela estava bem. As nossas respirações iam se misturando conforme o processo, e ambos não estavam com pressa para essa próxima etapa. Eu odiaria continuar com o sexo se Arabella não estivesse se sentindo confortável. Alguns minutos se passaram até que Fiore disse que eu podia começar a me mover, então, lentamente fiz como disse, e iniciei o movimento de vai e vem. A sensação de êxtase que ia invadindo o meu interior é como a que experienciei quando Arabella me chupou, mas, é algo que vai enchendo o meu corpo ainda mais gradativamente. Nossos gemidos saíam um pouco tímidos de nossas bocas, e era difícil não sorrir ao vê-la se sentindo satisfeita. Ela envolveu a minha cintura com suas pernas mais uma vez, fazendo uma pequena pressão e sussurrou para eu continuar; aos poucos, eu ia aumentando a velocidade, sentindo o meu corpo pedir por mais, e logo Bella me puxou para um beijo. Seus dentes cravaram o meu lábio inferior, e eu arfei assim que ela arranhou as minhas costas, tendo um arrepio percorrendo toda a extensão. Seus dedos deslizaram pelos meus braços até chegarem ao meu pulso, envolvendo a região. A olhei curioso, diminuindo o movimento.
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  – Lian – sua voz deixava transparente o quão excitada estava, a tornando mais sexy do que o normal – Eu quero que me enforque.
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  A encarei confuso por breves segundos, o que a fez soltar outro risinho abafado; segurei o seu rosto com a minha mão, a beijando sem cerimônias e a desci para seu pescoço, posicionando-a ao seu redor. Me deitei atrás de si, encaixando meu pau na sua vagina molhada com calma, e retomei as estocadas, recuperando o ritmo. A sensação de vê–la chamando o meu nome entre os seus gemidos de prazer me deixava completamente louco e rendido por ela, e conforme Arabella rebolava, eu a acompanhava na sua velocidade, até que comecei a sentir o meu corpo mais quente. Quente e sensível.
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  A escutei gemer mais alto e sua boca clamou pela minha, engatando mais um beijo; nesse momento, eu tirei o meu pau e terminei de masturba-lo, soltando um gemido alto entre nosso beijo. A breve exaustão que tomou conta de mim se desfez após eu descansar alguns minutos com Bella deitada no meu peito, tão ofegante quanto eu.
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  – Meu sol – beijei o topo de sua cabeça, chamando a sua atenção –, vamos tomar banho?
  – Sim! – Ela se enrolou no lençol. – Mas…
  – Hum? – Beijei a maçã do seu rosto.
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  – Só se a Sua Graça me carregar até o banheiro.
  – O seu pedido é uma ordem, senhorita.
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*

  O amanhecer trouxe consigo os raios solares, que invadiam o meu quarto pelas brechas da cortina; Arabella havia despertado, mas não ousou em mudar nossa posição, o que resultou em mais alguns minutinhos de sono para ambos.
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  – Meu sol – a chamei. – Bom dia, teve uma boa noite de sono?
  – Sim, e você? – Concordei. – Só estou com dor nas costas, por culpa de um certo alguém…
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  – Não foi você que pediu por mais?
  – Touché. Contudo, não irei parar de te culpar. – Ela me mostrou a língua.
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  – Tudo bem, eu assumo a responsabilidade – beijei o topo de sua cabeça.
  – Agora que acordei, tenho uma dúvida. As crianças ficaram com Serene e Rin após o festival?
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  – Não, elas receberam folga assim que meus pais buscaram os gêmeos no almoço. Eles levaram as crianças para terem uma festa do pijama ao voltarem para o castelo.
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  – Oh, queria ter participado da festa… – Bella fechou os olhos, sorrindo marotamente. – Parece até que estamos casados, não acha?
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  – Até que não é uma realidade ruim – recebi um tapa leve no meu braço. – Estou apenas brincando, mas… Senhorita Arabella Fiore – ela enrijeceu o seu corpo rapidamente, sentada sobre as suas pernas –, podemos começar com esse anel.
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  Abri a caixinha vermelha, revelando o par de joias pretas com o interior vermelho, contendo os desenhos de sol e lua, o que representa nós dois. Respirei fundo, fingindo que não estava nervoso ao ponto de sentir as minhas mãos suarem; desde que recebi os anéis, fiquei imaginando qual seria a reação que Arabella podia fazer com seu perfeito rosto, no entanto, no final, eu ficava a mercê da ansiedade por não ter noção do que viria a seguir. Uma lágrima escorreu por sua bochecha, e quando me dei conta, as minhas estavam igualmente úmidas, porém, as dúvidas se foram ao ter seus dedos segurando o meu rosto delicadamente.
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  – Killian Bellerose, você é muito mais do que um sonho. E eu não tenho hesitação alguma em aceitar esse anel. – Ela se jogou em mim, selando nossos lábios brevemente.
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  – Arabella Fiore – encaixei a joia no seu anelar –, durante os meus dezoito anos, eu nunca tive tanta certeza de que eu queria que todas as minhas primeiras vezes fossem com alguém como tenho agora. Não há palavras que descrevam o quão apaixonado eu estou por você, e sempre que eu te tenho em meus braços, o meu interior arde pelo desejo de te ter sempre para mim. Uma vez eu ouvi falar de um amor que acontece apenas uma vez na vida, e eu tenho a certeza de que você é o da minha. E será o de todas elas. – Colei nossas testas, soltando com o ar o nervosismo que me consumiu nesses minutos. A puxei para mais perto, não querendo que o nosso tempo chegasse ao fim.
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  – Sua Graça é tão injusta – Bella disse contra o meu pescoço. – Como posso dizer qualquer coisa que supere o que dissestes?
  – Só quero ouvi-la falar que também gosta de mim.
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  – Isso eu não posso dizer. – A garota se afastou, me encarando seriamente. – Porque Killian Bellerose é a pessoa que eu amo, e não existe um momento sequer que eu não pense em como você é o único para mim. Quando você olha para mim, eu penso que posso ser egoísta em imaginar um futuro onde o “felizes para sempre” é o nosso destino. Eu me sinto tão viva, tão livre e tão feliz.
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  – Eu amo você, Arabella Fiore.
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  As lágrimas caíam incessantes, e não existem palavras suficientes para descrever o que estou sentindo; eu a envolvi em meus braços, pensando o quão incrível é o fato disso não ser apenas um sonho, e sim, a realidade.
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  A garota que eu amo me ama de volta!
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  E se depender de mim, não haverá um dia em que ela não saiba que é amada.
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  – Meu sol, infelizmente odeio ter que quebrar esse clima, mas – comentei massageando as têmporas, com uma chateação evidente –, temos bastante trabalho hoje.
  – Eu sei, minha lua. Depois da tempestade, estaremos aqui de novo, na calmaria.
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*

  Me despedir da Arabella não é uma tarefa fácil, ainda mais depois de tudo que aconteceu em menos de 24 horas. Segurei entre meus dedos o anel, que assim como ela, usava em forma de cordão; nossas posições pouco nos importava, no entanto, há diversas situações que precisamos lidar antes que pudéssemos exibir as joias como promessa de nosso amor, por mais que não fosse segredo para ninguém no castelo que estávamos juntos. As pessoas de fora, por outro lado, sabiam dos rumores sobre a gente, mas já eram acostumados a cada quinzena sair boatos sobre integrantes da nobreza que se cortejavam.
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  Segui, por fim, para o campo de treinamento, encontrando com o Ethan assim que pisei no espaço. Julgando pela sua olheira, diria que mais duas pessoas não tiveram uma noite de sono completa, e antes que eu pudesse fazer uma piada com a situação, a voz da minha mãe ecoou pelo centro:
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  – Não preciso lembrar que o festival já acabou, certo? – Ela sorriu sarcástica ao ver o descontentamento de seus alunos, visto que o festival das flores é o único que dura apenas um dia. – Prosseguiremos o treinamento de combate e espada, as duplas serão livres e quero que me mostrem uma disposição que combine com a disciplina do reino. Espero não ter que lutar com ninguém nesse dia maravilhoso, sim?
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  Ah, lutar com a duquesa só quer dizer uma coisa: você está ferrado. Do modo que falo, pode parecer que é algo agressivo, no entanto, minha mãe só chamava alguém para o combate quando essa pessoa ultrapassava de todos os limites. Não é novidade para ninguém no exército que sempre há aqueles que acham que suas habilidades estão um nível acima dos demais, e que isso te dá o direito de ridicularizar os seus colegas. Quatro meses atrás, um dos alunos achou que seria uma boa ideia desafiar metade da turma dos iniciantes – o que resultou em mais alunos nas turmas intermediárias por demonstrarem ser muito bons –, além de alegar em alto e bom som que nenhum de nós estava em seu nível. Até que, Viviene apareceu atrás de si, como uma assombração, e o desafiou para uma luta. Minha mãe não usava a sua verdadeira força ao treinar com os alunos, contudo, era o suficiente para deixar o rapaz envergonhado após demonstrar ter um ego inflado. Acabou que ele foi expulso do exército por sua má conduta em várias situações, mas esse dia ficou marcado e é usado como exemplo de como um soldado não deve agir.
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  O treino de hoje pode parecer um tanto desvantajoso, e é, só que a dinâmica te permite estar preparado caso tenha que enfrentar um oponente mais equipado do que você. Ethan estava com a espada, e logo estávamos lutando de acordo com os nossos instintos; os seus movimentos são extremamente bons, e a sua postura nunca desmancha, nem mesmo se estiver perdendo a partida. Ser sua dupla é ter a garantia que tiraríamos o melhor proveito dos estudos, e como sempre, declaramos empate depois de quase uma hora.
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  – Água? – Ofereci assim que sentamos, bebendo a minha em seguida. – Não sei se a turma está animada ou com medo da duquesa. – Inclinei a cabeça, observando os pares.
  – Diria que os dois? Mal vejo a hora de voltar ao meu quarto.
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  – Para tomar um banho ou será que tem alguém a sua espera? – Sorri meio atrevido, fazendo-o rolar os olhos. Suas bochechas coradas o entregaram, e particularmente eu achava uma graça a sua reação.
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  – Do que está rindo? – O rapaz me deu um soco no braço. – E sim, quero tomar um banho para poder ver o Jade.
  – O amor está no ar, não é mesmo? Fico feliz por vocês dois – encostei a cabeça em seu ombro –, ainda mais por se gostarem por tanto tempo e finalmente se encontrarem.
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  – Pelo visto Bell te contou tudo, mas em algum momento eu contaria. Não há como esconder algo do meu melhor amigo, e por ser algo importante para mim, eu queria compartilhar o mais breve contigo. – Ele deitou sua cabeça em cima da minha, suspirando profundamente. – Pensei em marcarmos de sair nós quatro na nossa próxima folga.
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  – É uma ótima ideia, Eth – acenei para alguns colegas que passavam por nós –, mas temos que lidar com um problema antes.
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  – É hoje, certo? – murmurei em concordância. – Não sei o que esperar, no entanto, já sei que não gosto dela.
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  – Somos dois, porém não há com o que se preocupar. – Levantei e estendi a minha mão na sua direção. – Ela não durará mais do que uma semana.
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*

  Puxar o histórico de Letícia July Brown não foi algo difícil, tampouco tem muito o que adicionar a sua ficha, o que facilitou em reunir os seus dados. Nascida e crescida na região leste, veio ao norte aos seus vinte e cinco anos, sendo contratada pelos Fiore quando Arabella tinha cinco.  Por não ter nada que diga se trabalhou anteriormente, a sua única experiência é a de babá, mas isso não impede que investiguemos mais a fundo. Para conseguir a vaga não bastava apenas ser uma pessoa simpática, provavelmente a mulher mentiu, além de omitir o seu passado. Algumas informações foram entregues a mim por Margareth, que solicitou cuidar da parte burocrática para diminuir a preocupação de Bella, e por mais que eu tenha ficado levemente surpreso, já era esperado que a nossa governanta fizesse a sua própria pesquisa – afinal, a mais velha é quem organiza e mantém a ordem desse castelo, e é claro que não deixaria qualquer um pôr os pés em nossa casa. O retorno do informante estava programado para depois da chegada de Letícia, pois a região leste ficava boas horas de distância, então não seria possível atravessar a fronteira velozmente. Combinamos em usar a esfera apenas se ocorresse uma emergência, já que ele tinha outros trabalhos para efetuar, e não queríamos atrapalhar um ao outro.
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  Encarei os papéis a minha frente, pegando a papelada que precisava ser protocolada e tratei de finalizar o meu trabalho, mesmo que isso me entediasse – e muito. Eu gostava de mexer com a parte administrativa, todavia, se me perguntassem qual caminho eu gostaria de seguir, eu diria que é a parte do exército. Muitos estranhariam a minha escolha, porém, o que fazia o meu coração bater mais rápido é a adrenalina que somente o combate pode me proporcionar, e isso possui uma forte influência da primeira vez que vi minha mãe em campo.
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  No final de semana que antecedeu a minha ida à academia, aos cinco anos, meu pai me contava algumas das histórias que mais gostava envolvendo ele e a duquesa; como eu ficaria longe deles durante a semana, os dois ficaram mais tempo comigo, alegando que já sentiam saudades. O duque disse que íamos assistir um treino de Viviene, e ao adentrarmos o local, não consegui desgrudar o olhar da cena. Como se estivesse em uma dança, a sua movimentação me mantinha vidrado em cada passo – como se a espada e ela fossem uma só. Desde então, eu decidi em qual área atuar ao assumir o ducado.
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  Com o trabalho terminado, segui para a sala de jantar, encontrando toda a família sentada na mesa.
  – Eu adoro essa visão de todos juntos – Giovanni comentou, bebericando sua bebida. – Infelizmente, não teremos isso por um tempo…
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  – Às vezes esqueço que um dos homens mais temidos do reino é o meu tão dramático esposo. O máximo que a estadia dela durará será de uma semana, em respeito ao plano de Arabella.
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  – Por mim, ela não colocaria os pés dentro desse castelo – Bella falou, descansando o queixo em sua mão –, mas é a forma de tirar um peão da jogada. O que me incomoda é o contato dela com as crianças.
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  – Não há com o que se preocupar, senhorita – Serene sorriu. – Rin, Cliff e Noel estarão o tempo todo conosco, além dos demais empregados que estão cientes da situação.
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  – Vai dar tudo certo, Bella! – as crianças disseram com suas bocas cheias.
  – Eu sei, eu sei. E agradeço a todos por me apoiarem nessa situação.
  – Um brinde para o sucesso do plano! – o duque exclamou, levantando a sua taça.
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  Ninguém estava contente com a chegada de Letícia, e se dependesse de nós, a faríamos implorar pela sua vida no segundo que descesse da carruagem. O plano de Bella consistia em fingirmos que não gostávamos dela e de seus irmãos, fazendo a babá acreditar que a acolhemos por pena – e por causa da amizade de Celine com Viviene. Agiríamos como se não soubéssemos das violências cometidas por eles e, que na verdade, pensávamos que o próprio Perci Fiore havia mandado os filhos para o castelo, já que é o que a Arabella teria nos contado. Ethan e Bella terão mais contato para que Letícia ache que ambos estão se cortejando, pois quando Perci tivesse ciência desse fator, tentaria intervir através da mulher. Meus irmãos se demonstrariam igualmente indiferentes, e os quatro tinham suas esferas escondidas, caso aconteça algum problema. Serene e Rin vão tentar uma amizade, no entanto, só Rin se tornará amiga, visto que Serene viraria um alvo no olhar de Letícia. Giovanna informou que o plano de Perci é fazer que Brown assuma o cargo de Serene, de forma que ele acha que isso faria com que criássemos uma parceria, então não será difícil iludir a babá com falsas promessas de que ela poderia ser a cuidadora dos gêmeos Bellerose. Ao questionarmos Bella se essas pessoas não pensariam que é tudo uma farsa, Fiore respondeu que Perci nunca suspeitaria que a garota teria uma rede de apoio, e Letícia só enxergava duas coisas: o ódio por si e seus irmãos, e o seu amor, que é o Perci. O plano estava prestes a ser iniciado, e eu entrelacei os meus dedos com os de Arabella, sussurrando que ficaria tudo bem. Nymph estava em seu ombro, no seu formato original, a espera de alguma ordem de sua mestra – e pronta para protegê-la. Margareth entrou na sala, anunciando a chegada:
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  – Letícia Julie Brown e Giovanna Francis Ricci estão passando pelos portões principais.
  – É a hora do show. – Fiore bebeu de uma vez o restante do seu vinho, sorrindo maliciosamente.
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  – Aqueles que ousarem mexer com a minha família – a cor dos olhos do meu pai mudaram, demonstrando juntamente com o seu sorriso também malicioso o quanto ele gostaria de dar um fim nisso – estarão cometendo o último erro de suas vidas. Mal posso esperar para ouvi-los implorando para que eu tire suas vidas.
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  Bella e Giovanni tinham as mesmas feições, aparentando ser pai e filha; caminhamos para o grande hall, com determinação e sangue no olhar, aguardando as novas hóspedes.
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  As pessoas realmente esquecem que os Bellerose valorizam a família acima de qualquer coisa, e será delicioso assistir um por um cair.
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  N/A: Depois de 84 anos prometendo essa atualização, aqui estou eu \o/
  Deixei para comentar sobre tudo nesse capítulo, então, vamos lá:

  - O que acharam do festival?
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Bella e o grupo curtindo, pondo o plano em prática, reunindo informações… E o mais importante: os gêmeos chamando o duque e a duquesa de pais. Fala sério, que coisa mais linda (autora morre de fofura, entenda HAHAHAHA) <3
  - Quem imaginaria que um simples pique esconde poderia render tanto (cof cof)?
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Adorei escrever essa cena no ponto de vista dos dois, e nada como acordar com um Killian Bellerose se declarando para você, né? Ele e a Bella são sortudos demais (e fofos hihi);
  - Nesse capítulo quis mostrar um pouco mais da rotina dele, para conhecermos mais sobre o querido (e a interação dele com o Eth, muito fofinhos);
  - Caso estejam se perguntando: sim, temos mais um casal hihihi A história de Mya-Mya e Ethan será contada futuramente;
  - E FINALMENTE CHEGAREMOS EM OUTRA PARTE QUE EU QUERIA MUITO ESCREVER!!!!! Gente, essa reta que a história entrará será frenética, e tô MUITO animada para os acontecimentos futuros. E sobre o especial de natal, como podem ver, não teve, mas vou adicioná-lo em algum momento na história.
  Espero que continuem acompanhando!
  Até a próxima atualização <3

Capítulo 17

Arabella Fiore

  Letícia Julie Brown segurava sua mala firmemente, caminhando ao lado de Giovanna com a postura perfeitamente ereta, atenta para não cometer nenhum erro ao se aproximar. A mulher parou em uma curta distância, cuidadosa para não demonstrar o ódio em seu olhar ao se virar milimetricamente na minha direção, como se dissesse que não estava satisfeita em ser recebida por mim – mal sabe ela que se não fosse pela minha presença, a sua cabeça teria voltado para Perci Fiore em questão de minutos. Não é preciso de muito para notar que a sua irritação por ser designada aos meus irmãos novamente é evidente, já que a falta de ternura espelhava nos seus olhos. Giovanna, por outro lado, se mantinha indiferente, de modo que não saísse de sua personagem para não levantar suspeitas; ambas inclinaram o corpo para frente, levando uma mão ao busto e a outra ao vestido, reverenciando a todos.
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  Que sabor assistir Letícia tendo que me tratar de acordo com o meu título.
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  – Suas Graças, duquesa Viviene Bellerose e duque Giovanni Bellerose, Sir Killian Bellerose e pequenos lordes, é uma honra estar diante da família que mantém o nosso reino de pé. – Brown não poderia ter escolhido palavras piores para se dirigir aos Bellerose. Julgo que suas aulas de etiquetas ficaram pela casa Fiore. – Meu nome é Letícia Julie Brown, babá dos pequenos jovens mestres da casa Fiore. Agradeço pela hospitalidade.
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  – Que a graça dos deuses possa continuar agraciando as rosas do nosso reino – minha melhor amiga levantou a cabeça, terminando sua apresentação. – Sou Giovanna Francis Ricci, empregada e acompanhante da senhorita Arabella Fiore e de seus irmãos, Antonella e Anthoni Fiore. Por favor, perdoem a fala da senhorita Letícia, creio que a emoção de estar perto de pessoas tão importantes para a nossa comunidade a tenha feito esquecer os seus modos.
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  Se não fossemos tão bons atores, estaríamos rolando no chão de tanto rir – o que não nos impedia de gargalhar por dentro. A babá estava visivelmente com raiva por ter passado por uma situação tão constrangedora, mas que foi plantada por si própria. Em Bellary há suas etiquetas e formas de se dirigir a figuras importantes hierarquicamente, como em qualquer lugar. Aprendemos como se comunicar dessa maneira ainda jovens, e todos os cidadãos sabem como se portar diante a essas situações, diferente de Letícia. Provavelmente, a mando de Perci, uma de suas funções é ganhar a família com elogios e bajulações baratas, tentando ter um favoritismo dentro do castelo para que conseguisse colocá-los contra mim futuramente. A mulher realmente não enxergava o quão usada era, e talvez nem quisesse. Ela dizer que os Bellerose são quem mantêm o reino de pé é equivalente a afirmar que a família real não é nada comparada a eles, um insulto para as realezas.
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  Como se ensaiasse fielmente o seu teatro, Brown fez uma feição de arrependida, e antes que abrisse sua boca para falar, Viviene a interrompeu:
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  – Não há com o que se preocupar, senhorita Giovanna. Sejam bem-vindas ao castelo Bellerose. – A duquesa sorriu. – Esperamos que tenham uma ótima estadia conosco, e acredito que os representantes da casa Fiore estão igualmente contentes em vê-las. Agora, por que não nos dirigimos a sala de estar e aguardamos por Margareth, enquanto tomamos uma xícara de chá?
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  Andamos em conjunto até o local, e nem deu tempo para engatarem uma conversa com a chegada da governanta. Margareth adentrou a sala de estar com a sua feição neutra, agindo de acordo com seus princípios; ela sempre deixou claro que seguiria os planos, todavia, que não trataria Letícia como trata os outros funcionários, visto que é uma pessoa que não merece a sua atenção. Por fora, a governanta pode parecer rígida e de poucas amizades, no entanto, desde que chegamos no castelo, ela é uma das que mais nos acolheu com carinho e atenção, além de adorar meus irmãos tanto quanto os Bellerose. 
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  – Margareth mostrará o castelo para a senhorita Letícia Julie Brown, enquanto Giovanna poderá se acomodar e começar a atender a senhorita Fiore. – Anna concordou, se dirigindo para o meu lado.
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  – Já está tarde, Sua Graça – a babá falou. – Não há necessidade de incomodar a senhora Margareth com a minha presença.
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  – Não me lembro de lhe questionar algo, senhorita – a duquesa sorriu após sua fala afiada, trazendo em seguida uma leveza para balancear a frase. – Margareth está mais do que feliz em lhe ter aqui conosco, assim como nossa família. Por que não a acompanha e ao finalizar a visitação, poderá desfrutar de um banho quente. Abrimos essa exceção somente para a senhorita.
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  Bingo.
  Os dizeres da duquesa caíram como luva nos ouvidos de Brown, que fingiu estar profundamente agradecida com o que achava ser um privilégio. No castelo, água quente é algo que qualquer um tinha acesso, e Giovanni fez questão de disponibilizar a verba necessária para que os mecanismos pudessem ser instalados em todos os prédios. Mesmo com o intenso calor que fazia na maior parte do ano, o inverno no Norte é extremamente frio, então a água quente vinha a calhar. Letícia, acostumada com as duchas geladas na casa Fiore – já que Perci só pôs em seu banheiro a água aquecida –, ser tratada com tamanha atenção a levaria cada vez mais a acreditar que se tornaria uma aliada rapidamente de Viviene, e o olhar que lançou para mim ao sair da sala acompanhada da governanta só confirmou o meu achismo. Aguardamos que se afastassem para soltamos um suspiro em conjunto, e eu e a mais velha nos encaramos, contendo as risadas por fazermos as ações iguais.
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  – Obrigada por manterem o plano – comentei, levantando da poltrona –, se não fosse por vocês, demoraria mais para eu ter a minha vingança.
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  – A senhorita não tem com o que se preocupar – o duque parou na minha frente, pondo a mão no meu ombro. – Família é para isso, certo?
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  Suas palavras me pegaram de surpresa, e uma sensação estranha correu pelo meu corpo; é realmente maravilhoso poder ter com quem contar e confiar, ter uma família que é a sua rede de apoio, contudo, às vezes, ao pensar em como me sentir em relação aos Bellerose me assusta. Para mim ainda é difícil nomear alguém para um espaço que me foi traumatizado, e considerar duas pessoas como meus pais quando o meu progenitor foi a causa de todo o meu sofrimento é algo que não consigo quebrar a barreira tão facilmente – sem contar que tem um detalhe chamado Celine Fiore.
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  Enfim, claro que se um dia eu e Killian nos casássemos, seus pais virariam os meus…
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  – Arabella, está tudo bem, querida? – Viviene se aproximou. – Seu rosto está vermelho.
  – Ah, sim. Apenas preciso tomar um ar. – Decidi espantar a ideia de casamento.
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  Por enquanto.
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  – Bom, deixaremos que as senhoritas retomem o tempo perdido. Nossas esferas estão sempre ligadas, qualquer problema, é só entrar em contato.
  Serene e Rin chamaram as crianças para irem aos seus aposentos, e antes de partirem, Thoni e Nell correram para os braços de Anna, a apertando sem dó. A saudade que sentiam dela era evidente, e pude perceber um sorriso tímido brotando na face da minha melhor amiga, também feliz por vê-los novamente. Eles se despediram alegremente e Killian segurou o meu rosto, beijando os meus lábios brevemente. Escutamos algumas vaias de nossos amigos, e logo os meninos foram para seus destinos, enquanto eu e Giovanna fomos para o meu quarto. O caminho parecia ser uma eternidade, e confesso que a vontade de pular direto no abraço da minha amiga era tentadora; no momento que abri a porta e a tranquei em seguida, eu a puxei para o meu, a apertando mais que tudo. Tê-la comigo depois de dois meses me fazia ficar emocional, e não tinha ninguém no mundo que poderia substituir a sua importância para mim. Anna é como se fosse a minha irmã e confidente, uma das pessoas que mais amo nesse mundo, e a falta que ela fez foi tão grande.
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  Finalmente, podíamos ficar juntas sem separações!

*

  – Então, quando você me disse que estava se dando bem com os Bellerose, esqueceu de mencionar esse anel?
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  A governanta trouxe um carrinho com diversos lanchinhos, dizendo que é importante nos mantermos com o estômago cheio. Eu e Anna conversávamos de tudo e mais um pouco, sem entrar no mérito da casa Fiore ou aqui do castelo. Optamos em atualizar uma a outra dos acontecimentos externos para depois ir para os internos, e eu fiquei impressionada com o quanto de coisa aconteceu na sua vida nesse período. Além de ter uma renda distinta da sua de empregada por conta dos seus colegas que vinham suplicar a sua ajuda, Giovanna havia ido a encontros com algumas pessoas, mas nenhuma foi boa o suficiente para satisfazer a garota. Ela recebeu um pedido de relacionamento, porém, não quis se comprometer, alegando que “do que adianta ter alguém se eu não correspondo os sentimentos?”
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  Lembro que sempre amei a presença de Ricci na história original, e que queria ter uma amizade que nem a dela. E agora, estar vivenciando isso parece realmente um sonho!
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  – Bella, sonhando acordada? – Anna me entregou um lencinho.
  – Só pensando no quão sortuda eu sou por ter a melhor amiga do universo.
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  – Não há como negar tal fato – ela falou com sinceridade, sorrindo. – Todavia, quero muito saber como que você entrou em um namoro com Killian Bellerose.
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  – Oh – deitei a cabeça em seu colo, bocejando –, aconteceu de uma forma bem simples e fluída. Quando me dei conta, eu estava completamente apaixonada por ele – a contei em detalhes tudo o que tinha ocorrido até hoje de manhã, me divertindo com suas reações. – E eu fui surpreendida com esse anel, é lindo, não é?
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  Dedilhei a joia, lembrando de suas palavras que ecoavam na minha mente a todo momento.
  Eu amo um homem!
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  – O amor está no ar, ou no castelo? – Colocou uma de suas mãos no queixo, ponderando. – O seu primo e o Ethan também estão juntos… Será que a chave para ter um relacionamento é morar no castelo Bellerose?
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  – Você percebeu tão rápido que Mya-Mya e Eth viraram um casal – gargalhei com a sua fala. – Aposto que você sairá daqui quase casada, querendo ter uma casa cheia de crianças!
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  – Eles emanam a aura de pombinhos, Bella – ela bebericou o seu chá, comendo um pedaço de bolo. – E sobre o que você disse, quem sabe? Quero ter quatro filhos.
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  A sua revelação não me surpreendeu, Anna vivia contando que quando chegasse a hora, gostaria de ter uma família grande e uma casa onde pudessem ter uma área externa para que as crianças brincassem. Eu adorava escutá-la compartilhar seus objetivos, e ficava animada em ganhar afilhados – mesmo que nesse universo o apadrinhamento não tenha o sentido igual ao do da Akira.
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  – Mudando de assunto, alguma novidade na casa Fiore?
  – Nada de diferente, apenas alguns funcionários foram demitidos de seus cargos. De acordo com meu informante, Perci está se livrando de quem não lhe traz benefício, ou que poderia se virar contra ele. – Já era de se esperar esse comportamento, pois nem todos lá são hostis e que puxam o saco de seu chefe. – As negociações também não andam do jeito que deseja, o que o faz ficar extremamente irritado.
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  – Que música para os meus ouvidos! – Bati palmas animadas, rindo. – Nunca foi tão doce o gosto da vingança.
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  Virei o restante da bebida em meu copo e limpei os lábios, como se estivesse bebendo uma taça de vinho; Giovanna contou que havia chegado aos ouvidos de Perci sobre o novo investidor secreto, e que o homem estava louco por perder os seus contratos. Os funcionários, percebendo a sua mudança de temperamento, iniciaram os burburinhos, logo sendo contidos pela empregada chefe, Lorelai William. Foi ela, inclusive, que demitiu os demais, com medo de que todo o seu império dentro daquela casa caísse em ruínas, e não só para salvar o chefe. Diferente de Letícia, a mais velha até gostava do seu patrão, contudo, não era burra em perder os seus privilégios por causa dele, afinal, o seu grande amor pelo dinheiro que roubava de mim e dos meus irmãos massageava a sede de sua ganância. Então, em um modo de prosseguir com os desvios de dinheiro conosco fora da residência, ela sabia que precisava manter as conexões certas para que não houvessem rumores fora dali.
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  – Anna – a chamei depois de meia hora de conversa sobre assuntos distintos –, tenho um presente para você.
  – No entanto, não é o meu aniversário?
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  – E desde quando você nega presentes ou moedas? – Arqueei uma sobrancelha ao voltar do armário com a pequena embalagem em minhas mãos.
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  – Touché. – A garota respondeu ao tirar o lacinho, analisando o cordão em seguida. – Oh, é muito bonito, senhorita. Poderia colocar em mim?
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  – Achei que tivesse deixado as formalidades em casa, Giovanna – me posicionei atrás de seu corpo, envolvendo seu pescoço com o colar. – Espero que goste, e que sempre se lembre de que eu sou sua família.
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  – Devo ficar emocionada? – A abracei e revirei os olhos com a sua brincadeira, recebendo sua risada. – A senhorita sabe que eu não sou a sua única família, certo? Quer conversar sobre a sua reação na sala? – Eu sabia que ela tinha reparado.
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  – Não sei, acho que sim… – grunhi baixinho, empurrando meu rosto contra suas costas. – Thoni e Nell os consideram como pais. Todos nesse castelo são como uma grande, feliz e amorosa família, e eu sou eternamente grata por tudo. Eles são tudo o que eu sempre quis e sonhei, e quando eu estava esquecendo desse sonho bobo, os cinco apareceram na minha frente, me fazendo relembrar que esse tipo de amor existe. Que pais podem sim cuidar e proteger seus filhos sem os machucarem no caminho, e que demonstram o tempo todo que são alegres por tê-los em sua vida. – Respirei fundo ao sentir as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. – Eu não sinto inveja deles, mas é muito estranho para mim pensar em colocá-los em posições que só me trazem angústia e dor. Para Thoni e Nell, que ainda são crianças e só tiveram maior contato com Perci, eu fico mais que contente em ver esses dois encontrando a figura paterna e materna nos Bellerose; não há como descrever a felicidade que senti em vê-los dando uma chance a Giovanni e Viviene, pois significa que a dor deles gradativamente está indo embora…
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  Encostei as costas na cama, chorando tanto de soluçar. Com tanta coisa acontecendo, eu não consigo digerir tudo direitinho, e o acúmulo provoca que eu desmorone de uma vez, sem trégua. Ter a dificuldade de expor sentimentos e pensamentos específicos é uma característica minha que me acompanha desde a vida passada, principalmente envolvendo o assunto “pais“. Qual é o motivo de ser abandonada várias e várias vezes? Por que não assumem a porra de seus papéis e agem como tais? É muito injusto deixar a sua própria filha a mercê de alguma alma bondosa o bastante para que cuide dela, fazendo com que a criança reze as vinte e quatro horas do dia para que alguém estenda a mão em sua direção, por não aguentar mais ficar sozinha. É extremamente cansativo procurar respostas para perguntas que nem deveriam ser feitas, se eles agissem como seus devidos papéis.
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  – Você sabe que não tem culpa de nada, Bella – Anna afagou meus cabelos, me encaixando em seus braços. – O duque e a duquesa não querem nada em troca, ambos só querem que você saiba que não está sozinha. Seus irmãos os considerarem como pai e mãe não te obrigada a fazer o mesmo. Para os pequenos, é mais maleável deixar duas pessoas que os tratam com tanto carinho assumirem essa posição, lembrando que pai e mãe é quem cuida. Com a marquesa longe, não é difícil entender que a figura parental deles seria assumida por outros indivíduos. Agora – ela segurou o meu rosto e limpou as lágrimas, sorrindo –, não tente encher esse vazio só por sentir obrigação. Aposto toda a minha fortuna que Suas Graças odiariam te ver assim. E estaria tudo bem se fosse inveja, Bella. No final, você continua sendo humana.
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  Giovanna me entregou um pedaço de bolo, prometendo que assim que eu comesse, a tristeza iria desaparecer.
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  Já tinha perdido a noção do horário ao parar de chorar, e depois que me acalmei, Anna retirou o carrinho e solicitou que levassem de volta para a cozinha. Minha amiga preparou um banho quente para me ajudar a relaxar, e por pouco eu não adormeci dentro da banheira. As pétalas e o cheiro agradável das flores transformaram o peso dos meus ombros em penas, e a garota penteou o meu cabelo carinhosamente. Coloquei a camisola, pronta para deitar na cama macia e me deixar ser levada pela exaustão. Antes de eu pegar no sono, Ricci me olhou curiosa.
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  – Eu deveria me preocupar por ter uma serpente na janela? – Francis não demonstrou reação, simplesmente se manteve indiferente.
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  – Essa é a Nymph, minha familiar. – Apontei para as cortinas, a vendo mudar sua forma. – Nymph, essa é a minha melhor amiga, Giovanna. Apresentações feitas, vamos dormir, sim?
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  A última coisa que escutei foram os seus risos abafados, e nos próximos minutos, adormeci.
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*

  – Não esperava ser convidada para tomar o café da manhã com Suas Graças e você não estar lá, Arabella.
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  O leque que me abanava foi usado para tampar os raios solares da minha visão, infelizmente, com a finalidade de que eu encarasse a mulher na minha frente. Sua feição de escárnio era tão clara que me permiti rolar os olhos, ignorando a sua existência. Letícia odiava quando eu fazia isso, e não tardou para que seu rosto fechasse, em sinal de leve irritação. Uma parte do plano era que eu e os gêmeos só participaríamos das refeições à noite, além de nos isolarmos o bastante para que ela achasse que ninguém se importava com a gente.
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  Brown era como uma marionete, facilmente manipulada.
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  A babá pôs a mão no meu ombro, e diferente do passado, manteve seus dedos intactos; tendo a noção que independente de não gostarem de nós, a mulher não poderia agir no impulso por estar sendo observada, o que mudou o seu jeito. Seu objetivo seria nos atingir indiretamente, evitando dar brechas para possíveis rastros que fossem incriminá-la.
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  – É tão bom vê-la do que jeito que merece: sozinha. Nem a mencionaram durante a refeição.
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  – Sabe quem sempre me menciona e nunca se esquece de mim? – Me encarou brevemente confusa. Aproximei meus lábios de sua orelha, conferindo anteriormente quem estava a nossa volta. – Perci Fiore.
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  O seu nome saiu com o gosto amargo, e a vontade de cuspir no chão era grande, mas observar Letícia perder a sua compostura e pôr mais força em seus dedos não tinha preço. O melhor é que eu podia assistir Ethan vindo ao nosso encontro de longe, e isso com certeza a pegaria de surpresa.
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  – Como ousa insinuar algo? Você realmente não sabe o seu lugar!
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  – Senhorita Arabella! – Brown se assustou com a voz masculina, se tratando de virar no segundo seguinte para descobrir quem era. – Não percebi que estavas acompanhada.
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  – Sir Ethan LeBlanc – o cumprimentei. – Essa é a senhorita Letícia Julie Brown, babá dos meus irmãos.
  – É um prazer conhecê-la.
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  – A honra é minha, Sir LeBlanc.
  – Por favor – ele sorriu cordialmente antes de depositar um beijo nas costas da mão da mulher –, pode me chamar apenas de Ethan.
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  Mais um ponto. As bochechas coradas de Letícia não negavam que o futuro visconde havia feito seu caminho para enganar a si mesma, e a mais velha se iludia novamente. Afinal, se ganhasse o favoritismo das figuras importantes do reino, Perci a favoreceria e poderiam finalmente viver o amor platônico dela. Só de ter essa conclusão o meu estômago revirava, e tive que me limitar para não demonstrar o nojo que sentia diante disso.
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  – O que lhe traz aqui, Sir Ethan? – a babá questionou, genuinamente curiosa.
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  – Hoje o treino foi adiado, então decidi convidar a senhorita Arabella para passearmos pelo centro. O que acha? – O seu sorriso estava radiante, atuando como se estivesse apaixonado por mim.
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  – Tem certeza, Sir LeBlanc? O seu dia pode ser aproveitado de formas melhores, e eu…
  – Mas é claro, senhorita – Eth me entregou uma flor –, essa rosa é um presente para que não duvide de meu convite.
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  O teatro do centro estava perdendo dois ótimos atores, e eu tinha noção que meu melhor amigo se segurava para não rir. Brown, por outro lado, analisava a nossa conversa a fundo, sem acreditar que alguém queria estar comigo. E é claro que colocaria a prova:
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  – Oh, não quero ser rude – comentou, entrando no assunto –, no entanto, eu e Arabella havíamos marcado de irmos a algumas lojas para comprarmos roupas novas para ela e seus irmãos. Temo que não será possível que a senhorita lhe acompanhe, Sir Ethan. – Empata foda.
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  – Perdoe-me pela intrusão – ele fingiu ficar envergonhado. – Que tal se formos juntos, os três?
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  – Perdão? – Letícia engasgou com a própria saliva ao ouvir a proposta de Ethan. – Temo que não será possível, visto que…
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  – Letícia! – alguém a interrompeu, a chamando de novo. – Letícia!
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  A figura alta de Serene subia os degraus da área externa com pressa, acenando para a outra que claramente não ficou contente ao ser atrapalhada.
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  – Margareth solicitou que fôssemos para a cozinha para pegarmos o almoço das crianças, hoje os quatro têm aula. – Ela entrelaçou o braço com o de Brown, que a olhou confusa. – Você precisa aprender o itinerário deles, ninguém quer ser responsável pelos filhos dos outros e você é paga para isso, certo? – Para não levantar suspeitas por dar uma bronca em Julie, Serene me encarou séria, de modo que parecesse ser a minha culpa elas terem que cuidar dos gêmeos. – Vamos.
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  Assistimos ambas se afastarem e logo Eth envolveu os seus dedos com os meus, me guiando para uma parte mais vazia do castelo.
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  – Você está bem?
  – Sim, só cansada. – Massageei a nuca. – Dormi tarde.
  – Ela não te machucou? – Reparei que o rapaz se preocupou com a vermelhidão em meu ombro.
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  – Pode ficar tranquilo, Eth. O modus operandi de Letícia sempre foi usar as palavras e ser uma grande filha da puta indiretamente, diferente da empregada chefe. – Deitei a cabeça em seu ombro, recebendo um cafuné.
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  – Terei pesadelos ao lembrar de como agi – LeBlanc soltou um gemido irritado. – Eu não gosto dela, Bell.
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  – Eu sei, eu sei. Aqui, pra você tirar o gosto amargo da boca, sim? – Abri a embalagem da bala, pondo em sua palma. – Feliz?
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  – Com você comigo? Sempre.
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  Ethan e eu começamos a rir, e prosseguimos com o bate-papo até dar o horário de nossos afazeres.

*

  “Cara Ivy,

  Venho por meio desta te convidar para uma tarde de chá, onde conversaremos sobre uma ótima oferta de trabalho, valendo moedas bellary. Espero que possa vir, aguardarei sua resposta ansiosamente.
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  Com amor e saudade,
  meio dia.
  Ps: não mate ninguém no caminho
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  Depositei a carta na caixa de correios do castelo mais cedo e avistei o carteiro recolhê-la agora, sumindo ao atravessar os grandes portões. Ivy é uma amiga de Arabella na história original, que por conta de algumas ocorrências, escolheu sair do reino e ir para um vizinho, a fim de se aventurar na gastronomia. No passado, Bella recebia prévias de seus pratos e degustava alegremente, dando o feedback para sua amiga. Elas se conheceram ainda crianças, na época que Celine estava de licença de seu trabalho, e desde a mudança de Ivy, as duas conversavam de tempo em tempo por meio de cartas. A minha amiga tem um temperamento muito curto, no entanto, quando se trata de estratégias e entrar em campo, a garota é uma das melhores soldadas que eu já vi. Como o sequestro estava se aproximando, todo o preparo é pouco para o que virá, e é importante ter mais uma opção caso algo dê errado. Ivy, mais conhecida como meia-noite por mim – sim, nossos apelidos são combinados –, disse que ficaria no Leste por semanas, coincidindo com a movimentação da organização. Demoraria em média dois dias para o envelope chegar para ela, e dependendo da sua resposta, creio que a veria na semana que vem.
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  Viviene marcou uma reunião para discutirmos mais detalhes do assunto, e por sorte, todos os gêmeos estavam com Rin, Giovanna e Serene, brincando nos aposentos dos Bellerose, longe de Letícia – que estava sendo mantida ocupada por Margareth. Para termos privacidade, a sala que usamos é em um dos pequenos palácios do castelo, um que é bem cuidado, mas que não há habitantes. Sendo mais afastado, não corremos riscos de ter alguém espiando sem querer. Se passou meia hora desde que adentrei o espaço e repassamos as informações que tínhamos. O trio enviou ontem outro relatório com fotos dos envolvidos, e não demorou para reconhecermos vários rostos listados.
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  – Lian, se lembra? Esses quatro foram os que vimos no galpão – apontei para as imagens. – Eles frequentavam a casa Fiore, são nobres com títulos comprados.
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  – Não é de se admirar. – Giovanni leu em voz alta mais nomes, anotando em sua agenda. – Aparentemente, Perci os patrocina em troca de fazerem a parte suja de seu trabalho.
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  – E há a menção de uma leva de munições?– Lion mostrou a página que continha os dados.
  – É estranho, considerando o fato de que não tivemos nenhum comunicado do rei sobre novos tipos de armas.
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  As dúvidas que brotaram nos fizeram engatar em outra discussão, debatendo o que poderia ser. Se minhas suspeitas estivessem corretas, essa arma é uma conhecida do mundo de Akira, porém, preciso investigar.
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  Perci Fiore, qual será a dessa vez?
  – Prestem atenção – Viviene estalou os dedos, me tirando dos meus pensamentos –, recebi de manhã uma carta dizendo que por pedido da própria segunda princesa, Melissa Madelyn Dellavecchia, ela ficará conosco em nosso castelo em vez do da família real. Espero que possam cuidar da hospitalidade dela, sim?
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  A sua fala pegou todos de surpresa, e uma animação misturada com ansiedade percorreu o meu corpo: dentro de alguns dias eu finalmente conheceria a heroína.
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  N/A: E aí, amores?
  ATENÇÃO!!!
  Antes de comentarmos o capítulo, gostaria de compartilhar com vocês a arte MARAVILHOSA DE LINDA da Arabella e do Killian, feita pela lindona Greek! Foi ela também que fez a capa <3
  Não deixem de conferir o trabalho dela (link!)
  (eu tô surtando até agora hihihi greek, obrigada novamente <3)
  Agora, vamos para o capítulo!
  - Letícia e Giovanna chegaram! Claro que só estamos animadas com a chegada de uma, rs.

  - Será que Letícia é tão iludida a ponto de não suspeitar de nada? Qual será o seu plano para tentar difamar a Bella?
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  - Arabella e a batalha com seus sentimentos de duas vidas, que dó da minha bichinha 🙁
  - Eu amo a amizade do Ethan com a Bella demais, e qual será a próxima atuação dos dois?
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  - Suspeitas sobre o plano de Perci?
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  - E o que acham que pode acontecer no encontro da vilã com a heroína? Alguma ideia?
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  Bom, por hoje é só.
  Até a próxima att <3

Capítulo 18

Killian Bellerose

  As longas madrugadas foram repletas de hipóteses e voltadas ao assunto do momento: a nova arma. Não é novidade que o reino visa abranger suas opções, contudo, os especialistas que cuidavam dessa parte não tinham se movimentado e tampouco aparentavam estar cientes do que corria por debaixo dos panos. Claro que há alguém de seu meio que está envolvido, ainda mais pela rapidez que estava sendo feita, mas o que não nos surpreende é saber quem está sendo um dos patrocinadores.
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  Felizmente, Perci Fiore e seus cúmplices são burros, facilitando a chegada de informações; ao tentar ser discreto sobre um projeto, o jeito mais eficiente é ter uma equipe que tenha assinado um contrato de sigilo absoluto e que seja de sua confiança, não pessoas que só enxergam suas próprias ganâncias. O mundo dos negócios gira extremamente rápido e não são todos que se deixam enganar por promessas rasas – sempre tem os que irão contra-atacar um minuto após apertarem as mãos com os “sócios”. A organização estar direcionando a produção não é surpresa, se tudo der errado, é o pescoço deles que serão cortados, não o dos patrocinadores.
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  Massageei as têmporas e bebi o chocolate quente, assistindo o amanhecer. Ethan coçou os olhos e se espreguiçou, com olheiras evidentes que nem eu depois de passarmos esses dias resolvendo as papeladas referentes a inúmeros assuntos – acho que nunca tivemos tantos acontecimentos em um espaço pequeno de tempo. Lhe entreguei uma xícara e me sentei ao seu lado na cama, esticando minhas pernas e encostando a cabeça na parede, extremamente cansado. Ele deitou a sua no meu ombro – como de costume –, e logo voltamos a conversar.
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  – O castelo não ficava tão agitado dessa forma desde que decidimos soltar os filhotes de dragões.
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  – Consigo visualizar até hoje as feições horrorizadas dos empregados com medo da reação dos meus pais. O bom é que os dragões só queriam brincar – dei de ombros, relembrando o fato.
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  – Nós tínhamos sete anos, certo? – Ethan sorriu. – Às vezes sinto falta de quando não tínhamos preocupações – o vi fechar os olhos e suspirar, se acomodando mais. – Será que eles continuam na montanha? Queria mostrar para Bell.
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  – Podemos chamá-los para o castelo, porém temos que comunicar aos meus pais. Não queremos todos se assustando mais uma vez.
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  – Mas eles são tão fofos – meu amigo se espreguiçou, sentando na minha frente.
  – Definitivamente são – concordei sonolento.
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  – Mês que vem terá a caça… alguma novidade dos preparativos? – Encarei Eth. Quase esqueci desse evento.
  – Nenhuma… pelo menos não somos nós que estamos organizando. Já temos muito em nossas mãos.
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  Todo ano a família real conduzia a caça, designando uma das famílias da alta sociedade para serem os organizadores. Principalmente na região norte e nessa estação, as espécies gelatinosas – chamadas de monstros – atacavam mais ainda a nossa flora e os animais, então era necessário um período em que se concentrasse uma força maior para lidar com elas. A sua proliferação na primavera acontece muito rapidamente e é sempre nas mesmas semanas. Infelizmente, não há uma maneira de se livrar delas de uma vez por todas, o que resulta no dia anual da caça.
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  O castelo já ficou encarregado de conduzir o evento mais do que deveria, e às vezes me pergunto se o rei realmente só é afeiçoado pela minha família ou preguiçoso demais, contudo, a família do barão é quem será a liderança no mês que vem. Os boatos que teremos um banquete e em seguida uma festa corriam pelos quatro cantos do reino, e não me surpreendia vindo dos mais festeiros de Bellary. Seria uma ótima oportunidade para descansarmos de todo o trabalho até agora e, claro, do evento também. Isso me faz lembrar quanto tempo não vou a uma festa e, pelos deuses, que saudade que estou! Dançar, degustar de diversas bebidas e não ter que me preocupar com as papeladas na manhã seguinte por estar de ressaca. Pelo visto, Ethan desejava isso assim como eu, já que aparentava estar sonhando acordado; mal via a hora de festejar com nossos amigos, Jade e principalmente com o meu sol. A falta que a Bella faz é demais e mesmo que nos esbarremos por aí, temos um papel a seguir, o que incluía nada de dormir juntos.
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  A raiva que sentia de Letícia só crescia, todavia, tenho noção que ela não durará por mais de uma semana. A sua chegada mais atrapalhou do que qualquer outra coisa, mas sei que era necessária para dar um fim em uma parte do sofrimento dos meus amores. No entanto, ainda há riscos da princesa Melissa chegar enquanto nosso plano está em ação e, para tal, nossa prioridade é que tanto Brown quanto a realeza de Dellavecchia não se encontrem. Os conselheiros do castelo já vinham com seus comentários baratos, dizendo que seria ótimo se formássemos uma união – e o restante nem fiz questão de ouvir. Os seus próprios interesses estavam explícitos, e não duvido que tentariam arranjar um encontro a sós para mim e para a princesa, sem se importarem com nossas opiniões. Confesso que achava certa graça acreditarem que tinham algum poder sobre mim e gostaria de assisti-los até onde iriam.
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  Talvez fosse a hora de algumas demissões.
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  – Quais são suas ideias malignas, Killian Bellerose? – Ethan arqueou uma sobrancelha ao me olhar.
  – Nenhuma? – o respondi despretensiosamente.
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  – Se precisar de ajuda, é só dizer – ele piscou para mim, me fazendo rir. LeBlanc sempre seria meu parceiro do crime e o seu rostinho fofo era apenas uma de suas armas para enganar as pessoas. Ninguém sabia do que o meu melhor amigo era capaz.
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*

  A movimentação dos nobres estava em dia e nada de anormal parecia acontecer – exceto os que patrocinavam a organização. A checagem mensal dos relatórios havia sido quase finalizada e, após duas casas em específico, poderia finalmente alongar o corpo que ficara na mesma posição por três horas. Os pais de Alicia Mendes fizeram uma grande compra, contudo, nada que levantasse suspeitas. Depois de terem se envolvido em muitas confusões, o rei os perdoou com a condição de que eles deveriam prestar contas conosco, por isso todo mês recebíamos um envelope deles. Por incrível que pareça, o casal estava há um ano vivendo em harmonia com os demais, e o financeiro da casa se manteve constante, sem cair ou ter alterações drásticas.
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  Até um mês atrás.
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  Acredito que ainda não perceberam que as contas não fecham e, se eu aprofundar a minha pesquisa, é óbvio que o “pequeno” desvio de dinheiro vai ser notado só quando estiverem de fato perdendo os seus bens. Não é complicado perceber que Alícia é mais esperta que seus pais e que tem plena noção de que eles não reparariam nas moedas que faltavam, sendo fácil bancar os seus gastos. Não sei se a esperteza subiu à cabeça a ponto de esquecer que sua família está sob aviso, entretanto, ela aparentava não se importar.
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  – As compras variam entre lojas de esferas, roupas e esse nome aqui… – circulei a palavra, respirando fundo. Algumas provas a mais e eu teria o que entregar para os parentes. – Toca do coelho feliz.
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  Coelho Feliz é como se fosse uma loja de itens antigos tanto de Bellary e de outros reinos, e a sua aparência era de um comércio comum, mas o que quase ninguém sabia era que a toca é um lugar de prestação de serviços de espionagem e venda de informações pessoais. Suas atividades estão ativas há tempos e mesmo que fosse de certa forma, desconhecida, a guilda serve como ponte para outros contratantes. Resumidamente, quando Alicia Mendes enviou o espião atrás de mim e Bella, a guilda foi quem a apresentou a outra organização que lida com essa parte, sendo apenas um intermediário. A toca não seria tão imprudente de ser pega, e se quem a contatasse fosse tão ingênuo de achar que não sobraria para si e sim para a guilda, então o problema é exclusivamente da burrice dos contratantes.
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  Bati sete vezes na porta, localizada nos fundos da loja; o beco estava deserto e logo escutei o ranger da madeira ao dar de cara com o dono do local: Viktor. Ele abriu espaço para que eu passasse, e assim que trancou a fechadura, me levou para o seu escritório.
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  – Cabelo branco dessa vez? – questionou com o sorriso atrevido, oferecendo uma bebida. Sua sala se encontrava do mesmo jeito da última visita, agora com alguns vasos de plantas a mais.
  Viktor era apaixonado por plantas.
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  – Luva vermelha dessa vez?
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  – É para combinar com a Sua Graça. – Soltei um riso baixo com sua resposta, abanando a mão para que ele parasse com a formalidade. – No que posso ser útil a você, Killian?
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  – Preciso de informações sobre Alícia Mendes – cruzei a perna e apoiei a mão no queixo, prosseguindo – e sua última aquisição.
  – Oh, essa senhorita? – Segundos depois ele apontou para um envelope. – Imaginei que em algum momento você precisaria desses documentos, os mantive guardados para a sua chegada.
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  Como imaginava, ela havia gastado boas horas de sua semana contratando “espiões” que o seu dinheiro conseguisse pagar, e também fez uma boa aquisição de esferas e de fotografias, deixando rastros por todo lugar. A senhorita não desiste nunca. Não é a primeira vez que solicita alguém para te espionar.
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  – Eu sei – massageei as têmporas impaciente. Estava cansado de toda essa história com Alícia, porém, tenho mais um assunto para tratar. – E o outro?
  – Aqui – empurrou pela mesa outro envelope –, não foi tão fácil encontrar algumas das informações, todavia, nobres têm a péssima mania de se acharem demais.
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  Viktor sentou em sua cadeira encostando suas costas na mesma e acendeu o seu charuto, falando dos últimos acontecimentos. A ficha de Perci Fiore é completa e tudo o que precisávamos ter conhecimento sobre o homem estava nesses papéis, assim como os de seus sócios e da organização. Viktor e sua equipe trabalhavam muito bem e juntando com o que temos, colocaríamos essas pessoas em um lugar que combinava muito com elas: o inferno.
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  – Deve ter ouvido os boatos – o encarei confuso, aguardando que continuasse – que o castelo do duque está abrigando Arabella Fiore, mais conhecida atualmente como a vilã do norte.
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  – Ele já entrou em ação. – Era só questão de tempo até que Perci iniciasse os rumores, batendo de acordo com a previsão de Bella. – E a opinião do público?
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  – Dividida, como sempre – ele soltou a fumaça que preencheu a pequena sala. Me levantei e arrumei a capa, preparado para sair. – Porém, o marquês está investindo na sua imagem de bom pai. E tem cidadãos caindo nessa.
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  – Obviamente – respondi sem delongas guardando os envelopes na minha bolsa –, qualquer novidade, pode mandar uma mensagem que venho pessoalmente. O pagamento – coloquei a bolsa na mesa, além de vários potinhos com diversos cactos.
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  – Você é um homem de ouro, Bellerose. Sabe que não precisa me pagar – comentou enquanto checava a quantia e sorriu agradecido pelas plantas. – Qualquer urgência eu vou ao castelo, pode ficar tranquilo, meu parceiro!
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  Já se passava do horário do almoço quando avistei o castelo com o sol o iluminando e as turmas no campo de treinamento. As miniaturas iam crescendo conforme eu me aproximava e, assim que cheguei, fui imediatamente para a entrada alternativa para que ninguém me visse com o “disfarce”. Senti a água gelada tocar meus dedos e logo entrei na banheira, aproveitando para me refrescar; apoiei a cabeça na beirada, soltando um suspiro alto e fechei os olhos, pensando em quanta coisa acontecia ultimamente.
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  Lidar com certas situações é certamente desgastante e não ter o controle de tudo pode ser frustrante na maioria das vezes, porém, nem tudo depende de uma única pessoa. Tem momentos que eu gostaria de agir mais como um recém jovem adulto, sem me preocupar se me achariam imaturo ou idiota, apenas degustando do que a vida tinha a me oferecer sem ter uma carga mental tão grande. Queria poder sair correndo pelas ruas debaixo da chuva, pular no rio e ver o amanhecer nas montanhas, festejar e descansar depois de um dia de estudos ou trabalho. Eu não odeio o meu título e sei que meus pais me ajudam para que não tenha tanto peso, mas há tantos e tantos dias exaustivos, os quais eu queria poder ficar dentro do meu quarto sem ter que interagir com o mundo.
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  – Lian? – Ao escutar o meu apelido ser chamado, dei de cara com a pessoa que eu mais queria ver. – Achei que já tivesse voltado, então vim trazer esses doces que as crianças fizeram.
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  – Oh, hoje foi a aula com o chef! – comentei ao provar um dos chocolates. – Está muito bom!
  – É mesmo? – ela sorriu. – Deixe-me provar.
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  Arabella ajoelhou próxima da borda, puxando o meu rosto com suas mãos e me beijou carinhosamente.
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  – Tem gosto de menta – disse ao grudar nossas testas. – Você parece cansado.
  – Eu sei – sorri fraco –, e como você está?
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  – Cansada – gargalhou. – A presença da Letícia é um verdadeiro incômodo, no entanto, dizem que a vingança é um prato que se come frio, certo?
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  – De fato, senhorita. E por falar nela, onde Brown se encontra?
  – Com as crianças na cozinha, a mulher precisou ficar lá. Creio que daqui meia hora eles irão para o jardim. – Bella se sentou em um banquinho atrás de mim e pegou uma escova. Ela estalou a língua e levou seus dedos ao meu cabelo, desfazendo o coque. – Agora, farei um penteado, sim?
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  – Como desejar, meu sol.
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  O perfume das flores tomava conta de toda a extensão do jardim, e sempre é revigorante fazer uma caminhada por ele, ajudando o corpo relaxar. Coletei várias para fazer coroas de flores para as crianças, uma pena que só poderia entregar quando estivessem fora do alcance de Letícia. Pus com cuidado na minha bolsa para que não caísse as pétalas, e o que eu achava que seria um passeio tranquilo, se tornou uma breve confusão.
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  – O que está acontecendo aqui?
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  O meu tom sério provocou um desconforto em Letícia, que pela reação estava tentando algo contra as crianças; Serene veio para a minha frente e abaixou rapidamente a cabeça como se me reverenciasse, sinal o qual combinamos que ela usaria ao estarmos no mesmo lugar para que me comunicasse qualquer problema causado por Brown. Com a atenção da outra babá em cima de mim, meus irmãos e os de Bella sorriram por trás da mulher, mostrando que se encontravam bem. Encarei Ethan e Jade, sendo que Eth “prestava” ajuda para Letícia, falsamente abalada com o que quer que seja que tenha acontecido. Mya estava com o braço ao redor de Arabella, a auxiliando a ficar de pé e eu pude perceber um pequeno corte na perna de Bella – o suficiente para fazer o meu sangue ferver.
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  – Sua Graça – a mulher começou a falar, exagerando no tratamento –, estávamos tendo um piquenique e a senhorita Arabella se juntou, mas quando fui falar sobre os seus irmãos que foram injustos com os pequenos lordes, a senhorita se mostrou irritadiça e jogou esse copo no chão. Serene não demonstrou parar a briga dos mais novos, acabei ficando sem saber o que fazer. Sinto muito. – Sua tentativa de inventar uma história era em vão, nem conseguir passar credibilidade ela era capaz. É perceptível em seu olhar o ódio que sentia pelos Fiore e não havia sequer um resquício de remorso em sua face.
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  Uma pequena discussão se iniciou novamente e antes que se alongasse, eu os chamei:
  – Pela discussão, não há o que debater. Senhorita Arabella Fiore e seus irmãos, espero que o ato de hoje não se repita. Serene, como posso confiar um papel tão importante se não consegue conter uma briga boba de crianças? – Dei as costas para os demais. – E Letícia, venha comigo.
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  Assistir a babá se sentir vitoriosa me deu vontade enorme de rir, realmente mordera a isca com muita facilidade. Eu contava os dias para que ela fosse embora e finalmente a segunda parte do plano entraria em ação.
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  N/A: Cheguei com mais um capítulo \o/
  Esse foi mais curtinho, mas tivemos várias interações, personagem novo e alguns que nem queríamos ter que mencionar… hehe
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  Alguma ideia do que está por vir?
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  Espero que estejam gostando!
  Até a próxima atualização <3

Capítulo 19

  Jade ajoelhou para poder olhar o meu corte, logo posicionando sua mão em frente ao machucado e, em alguns segundos, não havia mais nada na pele. Agradeci pela ajuda e preocupação, recebendo um abraço rápido desajeitado e a risada dos demais. Por Letícia não saber que ele é o meu primo, podemos manter o nosso relacionamento da maneira de sempre, a fazendo acreditar que ele e Ethan eram os únicos que gostavam de mim. Meus irmãos me deram um beijo na bochecha e me apertaram em seus braços juntamente de Kieran e Kira, e nos despedimos assim que Serene anunciou que eles tinham atividades para concluírem antes da aula de amanhã. Eu e o casal seguimos para dentro do castelo, conversando sobre o treino que eu e Eth estávamos marcando, já que diminuímos nossa carga horária no exército por conta dos inúmeros acontecimentos.
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  – Senhorita Arabella – um dos empregados me chamou sorridente –, a duquesa solicitou sua presença em seus aposentos.
  – Obrigada, Edward. – Sorri de volta. – Pode informar que irei encontrá-la.
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  O vi sumir no lance de escadas enquanto dava tchau aos outros dois que me desejaram boa sorte. Soltei uma gargalhada sincera e subi os degraus, curiosa com o que Viviene queria falar. Bati na porta três vezes até escutar sua voz permitindo a entrada e girei a maçaneta, adentrando no seu quarto com uma leve expectativa. Para a minha surpresa, Giovanna estava sentada no sofá oposto ao da mais velha, bebendo uma xícara de chá sem demonstrar alguma reação – típico da minha melhor amiga.
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  – A que devo a honra de estar em seu quarto, duquesa?
  – Conversa de mulheres, talvez? – Inclinou a cabeça para me ver melhor. – Creio que saiba o motivo.
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  – Deixe-me adivinhar – ponderei –, é sobre a segunda princesa?
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  – Sim. Gostaria que cuidasse de sua estadia, Margareth está arrumando tudo, mas como a princesa escolheu ficar conosco, queria que se tornassem conhecidas. – A mulher cruzou as penas, balançando a sua taça de vinho. – Você sabe dos comentários, não sabe?
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  Engoli a seco ao ouvir sua pergunta, tendo plena noção do que ela queria dizer. A chegada de Melissa não foi aberta ao público, contudo, a família real e a do duque compartilhavam alguns dos conselheiros que infelizmente acabaram descobrindo tal informação. Se minhas suspeitas se concretizarem, provavelmente encheriam Lian com baboseiras relacionadas a casamento – se bobear, já estão –, e tentariam empurrar a ideia para a segunda princesa sem se importarem com a opinião de ambos. Esse fator me incomoda pelo simples fato de pensarem em formar uma aliança obrigando duas pessoas a terem um casamento arranjado, e eu estou pouco me fodendo se isso é uma prática antiga, é algo completamente idiota e errôneo. Pelo menos na história original não foram tão inconvenientes, visto que a autora fez Killian e Melissa se apaixonarem à primeira vista, então nem precisaram se meter no meio dos dois. Imaginar em como será o encontro dos dois causa uma pequena insegurança, no entanto, eu afastava tais pensamentos ao lembrar todos os momentos partilhados com o meu namorado, e em como nos amamos e estamos bem.
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  Sinceramente, não há ninguém que tomaria o meu lugar e eu não deixaria.
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  Meus sentimentos por Melissa não são negativos, eu me encontrava ansiosa para conhecer a heroína do meu manhwa favorito e ser encarregada de sua estadia. Seria legal se tudo ocorresse como a duquesa deseja e acabássemos virando amigas, contudo, pelas minhas experiências com leituras do gênero, a probabilidade é escassa. Se virarmos apenas conhecidas, estarei no lucro – a última coisa que eu quero é ter uma princesa de um reino vizinho me odiando. Me questiono sobre a forma que a princesa lidará com o caso da organização, dado que é uma das raras ocasiões que Bellary e Dellavecchia enfrentam um problema juntos, e me pego indagando se a sua personalidade é igual à da história original: calma, amável e justa. Essas são algumas de suas características, e a curiosidade crescia mais e mais enquanto eu aguardo para vê-la.
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  – Já posso enxergar as manchetes! – Afastei as mãos na altura dos meus olhos, imaginando a chamada dos jornais. – “Qual lado escolher: o da vilã ou o da heroína?”
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  – É possível – Anna concordou com a cabeça –, Perci já está com o plano em movimento, afinal. A segunda princesa será apenas a cereja do bolo.
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  – Acho que precisarei ir à cidade – comentei despretensiosa, recebendo um olhar suspeito de Viviene. – Tenho que saber como está o favoritismo do público, não que isso afete muito os meus sentimentos, mas para minha imagem, é importante
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  – Para isso eu já tenho pessoas investigando. – A mais velha encostou as costas no sofá, apoiando os pés no pequeno puf. – Não te impedirei caso queira ir ao centro, no entanto, não é necessário se preocupar com isso nesse exato momento.
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  A agradeci por estar um passo à frente e é como se um peso fosse aliviado; com tantos problemas, a sensação que dá é a de não ter um mísero minuto para checar o restante do mundo, e ter a noção de que alguém está fazendo isso por mim é boa, e me deixa feliz.
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  Nossa atenção se voltou a Nymph, que nos distraiu com sua entrada pela janela com uma feição alegre e com o cheiro de álcool, provocando uma certa culpa nela.
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  – Lembrou que tem casa?
  – Desculpe-me, mestra. – Ela se transformou na sua versão de serpente e se enroscou em meu colo, chorosa. – Eu não curtia por anos e na primeira oportunidade acabei por estragar a saída.
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  – Com tudo o que, Nymph?
  – Com aquele maldito gato. – Oh, eu não esperava por essa. – Temos saído com outros familiares que moram por perto e é muito agradável estar com Rose… Até que o gato simplesmente me deu uma rosa e disse que eu estava linda, e eu meio que surtei?
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  Se Nymph estivesse em sua forma humana, estaria com as bochechas coradas e se escondendo atrás de uma das almofadas. Considerando que os familiares nascem com seus mestres, ela não teve muito tempo para curtir a sua vida por culpa de Perci e as merdas de seus inibidores, portanto, suas descobertas estão sendo algo novo, por mais que eu ache que desde sempre ela teve uma quedinha pelo gato.
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  – Os mestres namorando e os familiares indo pelo mesmo caminho. Adorável, não é? – Viviene sorriu atrevidamente, se divertindo com a reação da serpente.
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  – E eu ainda não conheci o gato, acredita? – Revirei os olhos, anotando mentalmente que teria que reclamar com Lian sobre. – Avise o seu queridíssimo Rose que se ele quiser se relacionar com você, terá que vir me pedir primeiro, sim?
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  – Mestra! – Nymph rastejou para debaixo do sofá, visivelmente envergonhada pela nossa brincadeira. Me agachei e a peguei, vendo que a familiar se enrolou de maneira confortável no meu braço.
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  – Está tudo bem, Nymph. Não precisa lidar com os seus sentimentos tão rápido. Por que vocês não saem só os dois e conversam sobre isso, se estiverem à vontade? Aposto que o gato gostará do encontro.
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  – Tudo bem… – Minha familiar veio para o meu pescoço, se acomodando nos meus ombros para que eu voltasse para o sofá.
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  – Ah, ser jovem e estar apaixonado. – A duquesa suspirou encantada.
  – Mas Sua Graça também é nova e apaixonada, correto?
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  – Realmente. – Ela apontou sua taça para mim. – Contudo…
  – Contudo? – Anna perguntou.
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  – Isso é história para outro dia. Estão liberadas, meninas. – Ela gargalhou. – Arabella, comunique Killian sobre Ivy e Gian assim que possível. Se me dão licença, vou tomar um delicioso banho e ignorar o meu trabalho enquanto aguardo um certo duque recordar que tem uma esposa.
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*

  – Deve ser muito bom ser herdeira.
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  Após sermos dispensadas, eu e Giovanna concordamos em utilizar nosso tempo livre na banheira usufruindo das novas pétalas de banho e dos lanchinhos que o chef preparou com muita dedicação. O nosso tempo livre não duraria tanto, mas esse fator não impediria duas jovens de curtirem a água morna que estava à disposição; seu comentário me leva a relembrar a minha vida como Akira e o meu desejo de ter pais ou parentes ricos para não passar os perrengues que passei. Mesmo que eu tenha que lidar com vários problemas, meus dias no castelo estão sendo bons e, independente de ter o meu dinheiro, o duque e a duquesa faziam questão de demonstrar que esse fator não é uma preocupação que eu deveria ter. No início do mês que vem eu começaria a ver o resultado das minhas parcerias, pois, segundo o relatório de Felippa e Thales, os meus beneficiários estavam se saindo super bem.
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  – Tenho uma dúvida, Bella.
  – Como se tornar herdeira? Também tenho. – A respondi prontamente, vendo-a bufar.
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  – É sobre Ivy. O tio dela tem ciência que a sobrinha estará aqui?
  – Essa, minha cara, é a pergunta que vale um milhão. – Mordisquei um pãozinho. – Ivy e Lúcifer são um caso a ser estudado.
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  Ivybelle James Morningstar, mais conhecida como Ivy: a “mad dog” de Bellary, foi adotada ao nascer por ninguém mais ninguém menos que o rei do submundo. Ao ler pela primeira vez a aparição do diabo, não acreditava que os dois reinos tinham uma ótima amizade e que a igreja cederia para tal aliança. Confesso que achei incrível a harmonia que possuíam, e a autora não abordou o suficiente como eu gostaria, entretanto, ao entrar na história, soube que Ivybelle e Arabella eram melhores amigas também, e acabei por entender melhor a situação. A decisão da menina viajar com o seu melhor amigo, Gian O’Malley, não foi tão aceita por seu tio e caso achem que é por não gostar do garoto, estão enganados. Lúcifer só não queria que sua sobrinha que adotou como filha ficasse longe de si por muito tempo, e eu achava uma graça esse lado mais “adorável” de seu pai – que só era chamado por esse título quando estavam sozinhos ou na minha presença. É um grupo seleto que tem conhecimento de seu parentesco e felizmente é algo que nunca vai ser exposto para o mundo, já que é a vontade de ambos. Além dos julgamentos – que não ligavam –, haveria uma enorme cobrança para que James assumisse o cargo de seu tio, e o homem não queria que ela tivesse que herdar um reinado que não desejasse.
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  – Não sei como vai ser ao descobrir, porém, não duvido que a duquesa o chamará para um “chá”. De qualquer modo, Lúcifer não consegue ficar chateado com a garota.
  – Será que ele me adotaria também? – Giovanna suspirou.
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  – Por que não tenta a sorte? A duquesa te adotaria.
  – É, não são opções ruins. – Deu de ombros. – Ser herdeira e ter pais. Gosto do som disso.
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  Abafamos a risada para não parecermos insensíveis, mas minha amiga não se importava por não ter pais e vivia soltando piadinhas. Creio que seja o seu jeito de levar esse fato, igualmente à Akira.
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  – É melhor sairmos da água ou ficaremos enrugadas. – Alertei.
  – E o que faremos depois?
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  – A hora diz que tenho que me arrumar para treinar com Eth e você é livre para vagar por aí. Ouvi os empregados cochicharem sobre tomarem umas cervejas na floresta.
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  Anna agradeceu pela fofoca e fomos para os meus aposentos, a fim de vestir roupas adequadas para cada evento.
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Capítulo 19.2

Killian Bellerose

  O meu escritório se encontrava limpo e organizado, trazendo uma atmosfera agradável para a encenação; sentei atrás da mesa, apontando para a poltrona na frente para que Letícia se acomodasse, caso contrário, ela ficaria em pé parecendo uma estátua com a sua postura ereta. Observei que sua feição séria era mantida e não havia nenhum sinal de que estaria sinceramente incomodada ou comovida com a situação como disse anteriormente – o que não me surpreendia, já que qualquer oportunidade de criar uma mentira seria conveniente, sem se importar em prosseguir com a atuação depois de terminá-la. Sua falta de consistência é o que a fazia não ter nenhuma credibilidade, e utilizar isso ao meu favor não seria difícil e tampouco cansativo, considerando que a própria possui apenas uma única missão.
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  E eu a ajudaria a acreditar que seu objetivo se situava mais perto do que imaginava.
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  – Como está a sua estadia no castelo? Espero que a hospitalidade seja a qual aguardava. – Levei a xícara de chá aos lábios, sentindo o gosto amargo que eu tanto odiava.
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  – Óbvio, a família que mantém nosso reino em pé não falharia em acolher bem um convidado. – Despretensiosa, abriu um pequeno sorriso ao repetir a frase errônea, como se não tivesse percebido. Letícia definitivamente gostava de brincar com o fogo. – Mas…
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  – Pode continuar. Se há algo incomodando a senhorita – descansei as costas na cadeira –, não precisa guardar para si.
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  A vi ponderar, provavelmente decidindo o quanto deveria me falar. É claro que suas reclamações serão envolvendo a Arabella, todavia, há um momento ou outro que a mulher se recordava da posição que estava.
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  – Se me permite – enrijeceu o corpo mais uma vez, pondo a xícara no pires –, por que a senhorita está morando no castelo?
  – Apenas estamos retribuindo um favor. – Sua pergunta foi diferente do que pensei. – E a marquesa solicitou que a treinássemos no exército. Um pedido de uma velha amiga da família não pode ser ignorado.
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  – Realmente… – Citar a matriarca Fiore a desestabilizou, sendo interessante ver o seu comportamento mudar a cada cinco minutos. Nem os meus inimigos eram tão ruins assim. – Contudo, não acho que devesse passar por cima da palavra do marquês.
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  – Algum motivo em especial? – O que achou ser um sussurro não escapou facilmente da minha audição.
  – Nenhum – deu de ombros –, é só uma opinião pessoal. Perdoe-me, Sua Graça.
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  – Todos temos direito de ter opiniões – o seu semblante se animou –, o que não quer dizer que estamos certos ou que devemos expor.
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  – Erm, concordo plenamente, Sua Graça. – Minha resposta a pegou desprevenida, a deixando envergonhada.
  – Mudando de assunto, se importa de explicar novamente o que houve? – Brown assentiu prontamente.
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  – Aproveitando que perguntou, eu não queria estressar nenhum de vocês com os nossos… desentendimentos. Veja bem, a senhorita sempre foi complicada de lidar e o seu temperamento não é o dos melhores. Todos na casa Fiore tiveram dor de cabeça para cuidar dela, e os seus irmãos irão pelo mesmo caminho.
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  – Não imaginávamos que esse era o cenário, a senhorita Arabella não nos informou muito. – Mal vejo a hora de mandar Perci e seus cúmplices para o inferno. – Agradeço por abrir nossos olhos, senhorita Letícia.
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  – Não precisa agradecer, Sua Graça. – O seu sorriso vitorioso surgiu rapidamente. – Gostaria de falar sobre a Serene também.
  – O que tem a babá?
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  – Percebo que a cuidadora não tem o devido cuidado com os pequenos lordes… a confusão de hoje se estendeu por sua culpa e quando tento alertá-la, recebo um olhar reprovador.
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  – Oh, entendo. – Fingi surpresa ao ouvir seu relato. – Posteriormente a chamarei para conversarmos, pode ficar tranquila.
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  – Não! – Seu tom levemente desesperado a entregou, como se eu não soubesse que tudo é uma invenção sua. – Veja bem, Sua Graça, se falar com a Serene, provavelmente ela ficará irritada comigo e eu quero a sua amizade… por mais difícil que seja.
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  – E quem eu seria se permitisse que alguém a destrate? – Sorri cordialmente. – Nós possuímos uma política no castelo, creio que conheça.
  – É claro! Os seus empregados são como família e vocês não hesitam em proteger quem está em seus cuidados.
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  – Certamente. É interessante que mantenha isso em sua cabeça durante a sua estadia, senhorita Letícia.
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  A mulher aparentava estar perdida em seu próprio mundo para compreender o verdadeiro sentido da frase, achando que a minha família garantia a sua proteção; sei que este bate-papo terminará em breve e eu contava os minutos para visualizar qualquer outra coisa sem ser a silhueta de Brown, contudo, tem mais um detalhe que é preciso ser checado antes de mandá-la embora.
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  – Gosto muito do seu modo de trabalho, senhorita. – Me encarou sem entender, já que não aguardava que eu a “elogiasse”. – Não deveria estar compartilhando, mas pretendo trocar a posição de Serene em breve… cá entre nós – fiz um sinal para que se aproximasse –, não estou satisfeito com a sua performance. Seria ideal que Serene cometesse mais erros, todavia, nem todos chegam aos meus ouvidos. Posso contar com a senhorita?
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  – É uma honra, Sua Graça. – Colocou sua mão em cima da minha.
  – Sir Killian é o suficiente. Está dispensada.
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  Letícia pediu licença e se retirou, batendo a porta atrás de si. Dei dois minutos para ter a certeza de que estava sozinho e abri a gaveta, tirando meu lenço de dentro e limpei a minha mão, a fim de tirar os resquícios da última ação de Brown.
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  Será que Bella, Nell e Thoni se sentiam assim? Eu queria tanto poder vê-los.
  – Irmão mais velho? – Observei os olhares curiosos dos dois.
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  – O que estão fazendo aqui? – Me levantei quase que correndo, abraçando ambos em seguida. – Cadê Kira e Kieran? Está tudo bem?
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  – No banho.
  – Não era para vocês também estarem?
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  – Touché. – Thoni cutucou minha barriga com seu indicador, como se fosse uma espada e eu soltei uma risada. Fofo demais.
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  – Letícia esqueceu da gente após sua conversa, porém, ela nunca nos dá banho. – Antonella deu de ombros. – Giovanna que cuida de nós dois quando a babá Serene está ocupada.
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  – É mesmo? – Brown conseguia cavar mais fundo a sua própria cova, impressionante. – O que vocês acham da Serene também ser a babá definitiva dos dois?
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  – Isso é possível? – perguntaram ansiosos, claramente animados com a ideia.
  – Tudo é possível para os meus amores. – Eles me abraçaram apertado. – Oficializarei a papelada logo, certo?
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  – Nós amamos você, irmão mais velho!
  – Eu amo vocês, Thoni e Nell. – Retribuí o abraço. – Todavia… vocês precisam de um banho, não?
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  – Ei! Somos cheirosos por natureza!
  – Tudo bem, tudo bem. Vamos encontrar a Giovanna.
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*

  Jade se ofereceu para me auxiliar com a parte burocrática da chegada da princesa Melissa, alegando que estudara bastante durante suas viagens para a região oeste. Com Ethan ocupado, eu mais que agradeci sua ajuda, pois corria o risco de eu não comparecer ao jantar se ficasse sozinho adiantando os papéis. Mya tem um ritmo ótimo, além de uma percepção extremamente boa, e eu só não lhe oferecia um espaço no conselho do castelo por saber que recursaria, visto que sua felicidade se encontra com os feiticeiros – uma pena, de verdade.
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  – Para uma realeza, a segunda princesa virá com seis pessoas somente. – Voltou a se sentar na beirada da mesa, folheando o bloco de notas. – Ela não quer chamar atenção ou?
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  – Ninguém sabe ainda. Não era nem para termos essa preocupação, no entanto, por alguma razão a princesa solicitou em ficar no castelo ao invés do da família real.
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  – Considerando o seu status – Jade pulou de seu assento, trazendo os protocolos para mim –, talvez apenas deseje ficar fora dos holofotes? Se eu fosse um príncipe com assuntos a resolver em outro reino e que o público não tenha noção, iria preferir manter minha aparição em sigilo, para poder respirar de vez em quando. Por mais que a conheçam, se não souberem que está em Bellary, como que irão tratá-la como celebridade?
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  – Esperto como sempre, Mya-Mya.
  – Você e Arabella têm mais em comum do que eu pensava. – O vi rolar os olhos brincalhão. – Se tivermos sorte, o chef guardou nossa janta.
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  – Só mais um carimbo e – entreguei os envelopes organizados para Lion que acabara de entrar na sala, carimbando o que faltava – estamos livres disso.
  – O doce gosto da liberdade!
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  Fomos para a cozinha e pegamos nosso jantar, caminhando para a estufa depois de ouvir um pequeno sermão do chefe. De acordo com o homem, não deveríamos pular refeições ou demorar muito para fazê-las e Jade e eu concordamos, cansados demais para argumentar – não que estivesse sem razão. Após jantarmos, Mya-Mya disse que tinha algo para me mostrar, fazendo todo um suspense; o segui pelos longos corredores do castelo, até chegarmos no que tivemos a reunião sobre a organização.
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  – Veja, Killian. – Ele abriu espaço e eu me debrucei no concreto. – Adoráveis, não?
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  Ethan e Bella estavam sentados no chão, a garota com a cabeça deitada em seu ombro e os braços entrelaçados; ambos tinham adormecido. As suas espadas denunciavam que estiveram treinando e com os últimos acontecimentos, nós três diminuímos a frequência de presença nas aulas. Por mais que o dia tenha 24 horas, é muito desgastante ter todo o trabalho que temos e ainda restar tempo de sobra, então conversamos com meus pais sobre. Eles não ligaram, tampouco nos repreenderam; mais do que ninguém, os mais velhos sabiam como é difícil enfrentar tais situações, e não queriam que perdêssemos o nosso tempo livre.
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  – Realmente adoráveis. – Sorri. – Deveríamos levá-los pros quartos?
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  – Seria arriscado, não é? – Mya apoiou as costas na mureta, suspirando. – Todos estão dando o seu melhor. Fico feliz por termos essa rede de apoio, pela sua família nos acolher independente do nosso passado. Às vezes viver é difícil, e só entramos no modo de existência, sabe? – O rapaz encarou o céu com uma feição tristonha. – Eu tenho medo de como ela vai lidar quando isso acabar.
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  Eu o entendia completamente.
  Arabella suportava muita coisa sem deixar de enxergar um amanhã de maneira alegre, como se tivesse a certeza absoluta que tudo acabaria bem no final. O que me preocupava era em como os danos a atingiriam, e tinha momentos que eu me perguntava como eu posso aliviar o que quer que esteja sentindo.
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  – Não se perca nos seus pensamentos – Jade me deu um peteleco na minha testa –, Arabella ama você. Assim como minha prima ama a mim e a Eth, e nós a amamos… Eu também me questiono como posso ajudá-la e sei que Bella se sente do mesmo jeito. Afinal, nós só temos 18 anos – Mya-Mya riu sem humor –, com o mundo inteiro em nossas costas.
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  – Pois é. – Concordei, mudando de assunto. – Que tal viajarmos quando tudo isso acabar?
  – Agora está falando a minha língua! Mas, para isso, precisamos focar em duas pessoas sonolentas que acordaram.
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  Rimos ao vermos suas reações ao repararem na gente, e logo descemos para retornar ao castelo principal com ambos.
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  – Ivybelle James Morningstar e Gian O’Malley?
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  Li a carta de Bella um pouco antes de Lion entrar na sala e anunciar suas chegadas, não me surpreendendo com a repentina aparição. Uma hora ou outra os ex-cavaleiros teriam que aparecer, voltando ou não para os seus postos; Ivy é uma das melhores soldadas de Bellary, e a sua fama vinha de seu esforço e temperamento, já que não é descendente de ninguém da Ordem. Por mais que tenha sido adotada pelo rei do submundo, Lúcifer nunca interferiu nas suas escolhas ou lhe “deu” algum tipo de poder que a ajudasse, então, o fato de ser uma das melhores é mérito próprio e não há uma alma sequer que ousasse falar mal dela. Infelizmente, vários acontecimentos a levaram a sair do exército e mais cedo ou mais tarde ela acabaria sendo expulsa.
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  Seu comportamento impulsivo e explosivo não era bem visto por colegas e instrutores e, por mais compreensível que sejam suas opiniões, Ivy nunca fez algo fora das ordens que lhe foram dadas. Creio que parte disso era inveja, afinal, quando James entrava em campo, não tinha uma única pessoa que não suplicasse por misericórdia. Entretanto, a garota decidiu pôr o seu melhor amigo na bagagem e a nossa querida dupla de incríveis cavaleiros saiu em uma aventura gastronômica, aprendendo receitas de vários reinos. Aparentemente, ambos se encontravam em Dellavecchia ao serem convidados por Bella para virem para cá, e obviamente eu sabia o motivo de serem chamados. Arabella, sabendo que sua amiga estava “próxima”, não deixaria a chance passar de ter aliados a mais no dia do sequestro e, de quebra, poderia ver Ivy depois de tanto tempo – que fez questão de enfatizar a saudade que sentia de Morningstar no papel.
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  No momento que me levantei detrás da mesa para recebê-los, a minha porta abriu com um estrondo, e a visão de uma Ivybelle bastante furiosa surgiu.
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  É, alguém iria morrer hoje.
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  – Então, deixa eu ver se entendi: minha melhor amiga e seus irmãos sofriam em casa, ela foi expulsa, salvou os seus irmãos – apontou para mim – e veio morar aqui. Além disso, no meio de toda essa zona, vocês estão juntos e todos planejam uma vingança?
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  James e O’Malley estavam com os pés em cima da mesinha de centro, assimilando todas as informações entregues; a garota girava o seu canivete nos dedos, pronta para acertar alguma coisa que entrasse no seu caminho a qualquer minuto. Abrir o plano para a dupla não é um problema, e sei que Bella falaria para a outra cedo ou tarde como acabou vindo viver aqui. A maneira que Morningstar estava irritadiça é a resposta para sanar as dúvidas que poderiam restar, e se Arabella pedisse que matasse Letícia agora, ela provavelmente faria. Ivy e Gian são meus amigos, e nos anos que lutamos lado a lado ficou claro que eles levavam a sério suas amizades, contudo, possuem plena noção de que não podem ser impulsivos até que Brown mostre suas verdadeiras intenções.
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  – E para completar – a garota ficou em pé e colocou as mãos na cintura, inconformada –, tem uma organização criminosa que tem patrocínio dos nobres e sequestram crianças inocentes para lucrarem em cima do desespero de seus familiares, não somente em Bellary, mas como em Dellavecchia e a segunda princesa virá para cá?
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  – Exatamente, Ivy – Bella respondeu. – Esse é o “resumo” desses dois meses.
  – Quem eu tenho que meter a faca?
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  – Por enquanto em ninguém, meu lindo dragãozinho. – Fiore a abraçou em modo de acalmar os seus ânimos. – Prometo que quando for a hora, te entregarei os que precisarão ser interrogados, sim?
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  – Está bem, posso lidar com isso. – A vi bufar, arrancando uma risadinha dos demais. – Talvez seja melhor enfrentar o rei do inferno para ter o apoio dele. Vamos, Gian.
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  – Acho que não será necessário, Ivy.
  – Como assim…
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  Encaramos o portal em chamas que apareceu no meu escritório e pude ver Morningstar engolindo a seco ao perceber a figura de Lúcifer de braços cruzados, a encarando seriamente.
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  – Oh, merda.
  – Estou feliz em vê-la também, Ivybelle James Morningstar. Boa noite, queridos amigos da minha filha. Temo que terei que conversar a sós com ela, e você – olhou para Gian – vem conosco. Os vejo depois, Killian e Arabella.
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  – É, posso riscar da minha lista “conhecer o rei do submundo pessoalmente”.
  – Nunca tinha conhecido? – Observamos o portal terminar de fechar e caminhamos para as poltronas.
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  – Não, só pelas histórias que Ivy me contava. – Bella sentou no meu colo, envolvendo meu pescoço em seus braços.
  – Aposto que ele nos convidará para irmos em seu reino.
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  – Eu adoraria ir. – Ela bocejou preguiçosa, deitando a cabeça no meu ombro.
  – Cansada?
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  – Sim, e você?
  – Somos dois. Ontem eu e seu primo resolvemos as papeladas da segunda princesa, e hoje não parei até agora. Só quero um banho e dormir.
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  – Gostaria de companhia?
  – Não é necessário perguntar, meu sol. – Não demorei para guiá-la aos meus aposentos.
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*

  “Querido Perci,
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  Essa semana que passei no castelo não podia ter sido melhor. O favoritismo que recebi foi melhor do que imaginamos e, excluindo pessoas não importantes a serem mencionadas, Arabella não tem nenhum apoio da família Bellerose.
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  É certo que ganharei uma posição importante no castelo, só preciso de mais alguns dias para me livrar do meu obstáculo.
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  Espero que esteja bem e saudável.
  Letícia Julie Brown”
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  A carta em minhas mãos é a cópia que fizemos da original antes de ser enviada, e a babá realmente não sabia esconder o seu rastro. Termos guardado esse pedaço de papel como prova é essencial, além do fato de que ela confessaria assim que fosse pressionada ao julgar por sua personalidade. A raiva acumulada seria o estopim para abrir o seu jogo ao descobrir que tudo não era nada mais do que uma farsa e que ninguém nesse lugar gostava de sua presença.
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  Joguei o corpo contra a cadeira, soltando o ar pesadamente; após o meu banho com a Bella, precisei voltar ao escritório e lá se foi mais uma madrugada vendo o amanhecer da minha janela. Recebemos o relatório do trio às três e meia, e dessa vez os envelopes continham muito mais detalhes do que os últimos, o que fez eu, Bella e Lion dividirmos o trabalho para que adiantássemos o possível antes que outro problema surgisse.
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  Alonguei os braços e beberiquei o chocolate, ligando para a esfera da segunda princesa, que para a minha surpresa, não estava recebendo ligações. Enviei uma mensagem para o seu mordomo, esperando que alguma resposta viesse hoje, no entanto, não tinha muito o que fazer. Finalizei minhas anotações e o mapa que havia desenhado com base no que já temos conhecimento, desenhando outros para os envolvidos no caso. Margareth bateu na porta, entrando com um saco contendo ervas entre seus dedos e uma prancheta, informando os efeitos do que suspeitávamos que Letícia usaria contra Serene.
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  – Mostrou a Jade e Dr Lúcio?
  – Sim, e ambos estão preparados. – Ajeitou os seus óculos calmamente. – Tenho um palpite, Killian.
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  A mordoma é uma das poucas pessoas que me chamava pelo nome, e isso se deve ao fato de ter me visto nascer. Mas, é difícil ela se dirigir a mim dessa maneira, e sei que só utilizava o meu primeiro nome quando possui 100% de algo.
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  – Prossiga.
  – Hoje é o dia. – Não tem sinal algum de hesitação na sua voz, e a sua feição séria reforçou. – Em seus aposentos há um número considerável da erva e, magicamente, Letícia quis oferecer uma tarde de chá para Serene e as crianças, com a desculpa de querer se aproximar da outra babá. A mulher veio me pedir autorização para usar o jardim do castelo vazio, agindo de acordo com as normas para não levantar suspeitas.
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  – Esse jardim não é o mais longe e deserto?
  – Exato, está claro o seu plano. Felizmente, é um planejamento ruim e previsível. – Espiei o seu pequeno sorriso.
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  – Peça o reforço dos guardas e avise a todos. No horário, iremos nos esconder pelos arredores. – Enviei mensagens para os outros com o nosso código secreto. – Deixe explícito para Serene que não é para ela beber o chá, só pôr na boca e devolver para o copo. Eu já a avisei, contudo…
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  – Conheço bem a senhorita e sei que pode ser impulsiva que nem a senhorita Ivy.
  – Pois é, Margareth. – Massageei as têmporas ao lembrar das vezes que Serene discutia com as pessoas por serem rudes. Ela não estragaria o plano, porém, as crianças são muito importantes para si, e se tivesse que beber o chá para salvá-las, beberia até a última gota. E quebraria a xícara na face de Letícia.
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  O que não é uma má ideia.
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*

  Estávamos espalhados pelo ambiente, posicionados de modo que pudéssemos escutar tudo; Serene gravaria a conversa com sua esfera e meus irmãos tinham as suas ativadas para que Cliff, Noel, Felippa e Thales soubessem o momento de intervir.
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  A tensão é densa, inquieta e perturbadora, causando uma agitação interior em cada um. O tempo estava em câmera lenta, tão devagar que é possível ouvir as batidas do meu coração. Os corpos estáticos e enrijecidos, tomados por uma sensação violenta de ansiedade que não permitia nenhum movimento fora do programado. Letícia conduzia a cena como se fosse a estrela de seu show, entretendo seus convidados com risadas e simpatia, servindo-lhes biscoitos e tortas como se estivesse feliz em servi-los. Até que, mais rápido do que pensamos, o vidro se estilhaçou ao tocar o solo e um grito de horror saiu da boca de Brown.
  Juntamente de sangue.
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  – Serene, como pôde? – A mulher insistiu na sua atuação. – Ser tão patética em achar que continuaria com seu cargo… – o seu ar de satisfação sumiu no minuto em que percebeu que não se encontrava sozinha, dando espaço a um olhar amedrontado.
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  – O que está acontecendo? – Os cavaleiros correram em sua direção, prestando socorro a Serene.
  – Senhorita Serene tentou envenenar a mim e as crianças! – exclamou exasperada. – As crianças beberam um pouco do chá.
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  Os meus sentidos pararam por míseros milésimos ao raciocinar as suas palavras. O líquido escorrendo pelo queixo dos quatro foi o suficiente para eu dar um passo para o jardim, com a feição mais transtornada que já tive.
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  – Sir Killian, você precisa acreditar em mim! – Ela veio com um falso desespero, sem demonstrar qualquer sinal de arrependimento. – Serene, ela…
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  – Serene. – Me virei para encará-la, o seu rosto pálido a denunciava. – Por que nunca segue as minhas ordens?
  – Como… Sir Killian?
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  – Cliff, convoque o Dr Lúcio e Jade. Agora. – Não foi preciso mais de um minuto para que estivessem presentes, e logo foram cuidar da babá e das crianças, as quais reparei que usavam sangue falso.
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  – O que está havendo? O crime que Serene cometeu deveria resultar em sua morte!
  – A única morte que deveríamos presenciar hoje é a sua, Letícia Julie Brown.
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  Arabella saiu de seu esconderijo com Nymph em seu ombro, em uma versão maior e assustadora. O restante dos guardas foram acionados e Letícia começou a caminhar para trás, visivelmente aterrorizada com o que acabara de ver. O seu choque foi o bastante para não perceber que os guardas a seguravam, e assistir a sua confusão é uma ótima visão. Não mais deliciosa do que observar o meu sol tendo o gosto da sua vingança.
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  – Você acreditou fielmente que a família Bellerose gostou de uma pessoa como você? Que eles são tão tolos que cairiam no seu conto cheio de falhas? Ou que eu, Arabella Fiore – Bella apertou o maxilar de Brown com seus dedos, a forçando a olhá-la –, futura marquesa da casa Fiore perderia a oportunidade de me vingar por todos esses anos? Olhe para você, Letícia – a garota gargalhou –, não há mais patética e descartável que você. Oh, espere – pausou –, talvez Perci venha correndo te salvar como em um conto de fadas? Acorde, querida babá, aquele homem nunca te viu como algo mais do que um peão… Contudo, se isso te faz se sentir em êxtase, aposto que ele adorou usar uma marionete como você. Manipulável e burra, do jeitinho que aquele filho da puta gosta.
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  Nymph rastejou e se acomodou no pescoço de Letícia, mostrando as suas presas gradativamente. A sua ficha ainda estava intacta, sem entender como havia sido enganada no próprio plano; minha família, Margareth e mais cavaleiros tinham vindo ao jardim, todos nós atrás de Arabella. Letícia arregalou o seu olho, tentando suplicar que alguém a ajudasse, no entanto, ninguém se moveria.
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  – Não adianta pedir, correr ou até mesmo culpar outra pessoa. – Meu sol puxou uma cadeira e a colocou ao contrário, se sentando nela. – Suas cartas são as provas de seus nojentos e desleixados rastros. Não posso esquecer do dia que pediu a uma certa organização para que sequestrasse os meus irmãos, mas sabe o que resultou? No meu encontro com os gêmeos Bellerose, e tcharam! Acabei parando aqui, incrível, não é? Vou te contar um segredo, Letícia, bem baixinho para que fique entre nós: eu sou o seu karma, seu destino ou sei lá o que quiser me chamar. Não há como nós duas coexistirmos nesse mundo e, felizmente, a escolhida para o inferno foi você! Infelizmente, não posso enfiar minha espada em seu pescoço, porém a prisão combina com a sua personalidade, certo? Gostaria de escutá-la implorando por sua própria morte, entretanto, meu posto como marquesa me aguarda. O que você nunca terá.
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  – Você devia estar morta! – Letícia bradou fervorosa.
  – Mas não estou? – Bella deu de ombros, chutando a cadeira para longe. – Talvez seja uma boa ideia mandar a sua cabeça para Perci, será que ele gostaria?
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  – Mas deveria! Você, seus irmãos e aquela mulher. Aquela vadia que não sabe de outra coisa a não ser…
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  A mão de Arabella foi certeira no rosto de Letícia, não limitando a sua força; a vermelhidão acompanhada de sangue ficou aparente e Bella enrolou o cabelo da mulher em sua mão, fazendo uma pressão para baixo para que conseguissem se encarar.
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  – Eu deveria ter te matado quando tive a chance. – Brown falou com dificuldade. – O meu plano estava tão perfeito, as ervas fáceis de se ter e a um passo de ser adorada pelo meu chefe. E tem você, Arabella, arruinando toda a minha vida com a sua insignificante existência. A única coisa que você sabe fazer é ser um martírio para todos ao seu redor. E sua mãe – o tom de ódio se intensificou –, ah, o que dizer da mulher que prefere estar em guerra do que com os filhos? Provavelmente ela deve estar debaixo dos lençóis do rei, agindo como a bela vadia que é!
  – A soltem.
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  Bella ordenou aos guardas e, em uma fração de segundos, Letícia foi golpeada com um chute na boca do estômago, caindo no chão imediatamente. Por cima dos grunhidos de dor, uma risada bizarra saiu de sua boca e, mais uma vez, não havia sequer um sentimento de remorso em sua face.
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  – O seu final será triste, Arabella Fiore! Ninguém vai te amar ou te querer por perto. Em quem vão acreditar ao verem o meu estado? Em mim ou em uma vilã?
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  – Letícia, tem uma coisa que você não sabe. – A garota se virou, levantando a outra pelos cabelos mais uma vez e se aproximou de sua orelha. – Eu não sou somente a vilã da casa Bellerose. Eu sou a futura duquesa do castelo Bellerose.
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  Arabella a largou e lhe deu as costas após falar tais palavras que fariam Brown perder a sanidade. Tudo o que a ex-babá queria era uma posição na nobreza e ao lado de Perci Fiore, desejando essa ilusão durante as vinte e quatro horas de seus dias – então, saber que a pessoa que odiava teria tudo isso e mais, a deixou transtornada.
  A ponto de sacar uma arma e tentar ferir Bella.
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  – Na minha filha você não encostará.
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  Giovanni chutou a arma de seus dedos, apontando sua espada para o pescoço de Brown. Ele apertou a ponta de sua lâmina contra a pele, o suficiente para o líquido vermelho deslizar. A reação de todos foi o silêncio e ao observar o meu sol, percebi que ela entrou em um estado de dormência. A fala de meu pai a surpreendeu – e aos presentes –, e antes que abrisse seus lábios para tentar reagir, a ordem de prisão foi feita.
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  – Letícia Julie Brown, você está presa por ofender a família real, as honras de um dos cavaleiros da Ordem e por tentativa de assassinato.
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  Não sei em qual momento, porém, a guarda real havia chegado no castelo e prendeu Letícia, que saiu algemada e gritando mais ofensas. Peguei o meu sobretudo e coloquei por cima dos ombros de Bella, que acordou de seu transe ao me abraçar.
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  – Uma parte já foi, meu sol. – A mantive em meus braços até ter certeza de que estava melhor. – Tem certeza que consegue andar?
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  – Não sei, as minhas pernas estão fracas – sorriu –, contudo, foi ótimo assisti-la se afundar sozinha. – Concordei e beijei a sua testa.
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  É, a fala do meu pai a desestabilizou por completo.
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  – Vamos para dentro? – Minha mãe pôs a sua mão no ombro de Bella.
  – Irmã mais velha! – Os quatro a abraçaram. – Que bom que está bem! Vamos comer muito e descansar!
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  – É claro, meus gatinhos. O que Bella mais quer é poder descansar com vocês…
  – Suas Graças! Temos problemas!
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  – O que houve? – Viviene perguntou à soldada afobada.
  – É a segunda princesa de Dellavecchia. Ela acabou de cruzar os portões do castelo.
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  N/A: Pensei bastante se eu já finalizava o arco da Letícia nesse capítulo, e aqui estamos com o seu fim. E o final do mês será um período agitado, além de que entraremos no terceiro e penúltimo mês da fic muito em breve.
  Vamos aos comentários?
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  - Esse capítulo era para ser o 19, sem ser a parte 2. Mas eu fiquei com um bloqueio criativo ferrado, e não estava gostando nem um pouco desse capítulo (crying). Então pensei em trazer o POV da Bella no 19, mesmo que bem curtinho e isso me ajudou bastante a prosseguir com o 19.2. Um exemplo foi introduzir a Ivy, minha outra protagonista de uma songfic (Kill Bill: Leia aqui), no POV da Arabella, já que as duas são amigas e obviamente ela saberia falar mais sobre a bff;
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  - Letícia sendo Letícia: simplesmente só enxerga o Perci e sempre foi assim, desde o primeiro dia que o encontrou. Ela foi um ótimo peão para o marquês enquanto durou, e em algum momento até o seu julgamento talvez perceba que não passava disso para ele. Ou não;
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  - Tô adorando a amizade do pop entre Lian e Mya-Mya;
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  - Alguma suspeita sobre a babá e o chofer? O que eles irão fazer quando receberem a notícia de que Letícia foi presa? Ah, e como Perci reagirá? Será que tentará melhor o seu lado com os Bellerose ou aproveitará a situação para soltar mais rumores sobre Arabella?
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  - O que acharam da cena do confronto???? A dor de cabeça que tive para escrever esse capítulo valeu a pena ao ver essa cena passada pro “papel”;
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  - Corta pra Arabella alguns capítulos depois chegando para o Giovanni e falando “pai” – tal qual o fiuk. (tadinha, deu pane no sistema dela ser chamada de filha);
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  - E esse final? A princesa que alguns temem chegou! Expectativas em como a presença de Melissa Madelyn Dellavecchia afetará não só o castelo, mas como a vida de alguns personagens? Finalmente chegamos nessa parte, e eu estava tão ansiosa para trazê-la!
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  Espero que continuem acompanhando, e deixe um comentário se puder, faz toda a diferença <3
  Só avisando que a autora está desanimada com algumas coisas e ocupada com outras, então não sei se mês que vem teremos att.
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  Até a próxima att <3

Capítulo 20 – i’m in love

Arabella Fiore

  A comoção foi unânime, todos tentando entender o motivo que a fez adiantar a sua chegada em três dias. Caminhamos rapidamente em direção ao grande hall, a minha dor de cabeça começava a incomodar mais e mais, a ponto de eu pressionar as têmporas para ver se passava. Jade colocou sua mão na parte de trás do meu pescoço e logo senti o calor de sua mana, fazendo o grande incômodo sumir em segundos. Sorri para ele discretamente e o meu primo voltou para o lado de Eth, aguardando o próximo passo.
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  As carruagens eram simples, contudo, de boa qualidade; no total eram duas, e assim que pararam em frente ao lance de escadas que dava para onde estávamos, confirmamos que a segunda princesa veio apenas com seis pessoas, sendo três delas visivelmente sua escolta mesmo estando em roupas comuns. A última a descer foi Melissa, vestindo um capuz que cobria o seu lindo cabelo cacheado, que ao cruzar o olhar com os demais, o retirou, revelando o tom rosa pastel que combinava com o cinza cintilante de seus olhos.
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  Melissa Madelyn Dellavecchia é simplesmente uma das mulheres mais belas que já vi.
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  Não é de se esperar menos, a autora da história original tem um traço impecável e um amor por personagens bonitos, então era óbvio que seus protagonistas seriam extremamente lindos.
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  Quando todas as malas foram postas no chão, Margareth a anunciou:
  – Princesa Melissa Madelyn Dellavecchia e sua equipe, sejam bem-vindos ao castelo Bellerose. Meu nome é Margareth e sou a mordoma e responsável por vossa estadia.
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  – Muito obrigada, Margareth. – Sua voz doce soou pelo ambiente.
  – A sala de estar está preparada, a própria família Bellerose guiará vossa majestade e os demais.
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  Todos a reverenciamos e seguimos para o outro cômodo, deixando que Melissa se acomodasse primeiro. Ela levantou uma mão em sinal para que seus guardas se afastassem um pouco, e os três ficaram juntos com Felippa e Thales próximos a porta. O restante se sentou nos lugares vagos, e espiei Killian, que também estava me encarando, e nossa atenção foi redirecionada à princesa.
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  – Vossa Majestade, é um prazer tê-la em nossa residência. – Viviene sorriu como a boa anfitriã que era. – Eu sou Viviene Bellerose, a duquesa de Bellary. Esses são o meu marido, Giovanni, e Killian, que acredito que já são conhecidos. As crianças estão se preparando para dormir, temo que só as verá amanhã.
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  – É uma honra conhecê-la em pessoa, princesa Melissa – Lian comentou cordialmente.
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  – Por favor, só Melissa é o suficiente. – Ela soltou uma risada sem graça. – Suas Graças são mais velhos que eu e o meu propósito da estadia é passar despercebida.
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  – Senhorita Melissa, então. – O duque encontrou um meio termo. – Esperamos que possamos efetuar um excelente trabalho.
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  – Oh, é ótimo! – A garota ficou feliz por ser chamada de “senhorita”. – Não há dúvida que daremos um fim a quem ousar mexer com crianças inocentes. – O seu rosto mudou para uma feição um tanto assustadora.
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  – Certamente – a matriarca concordou. – Na minha direita temos Ethan LeBlanc, Jade Mya Castillo e Leonard, nosso mordomo. À esquerda temos a senhorita Arabella Fiore, que será a sua guia e acompanhante durante os seus dias aqui.
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  Seu olhar foi fixado em mim, e um arrepio correu pela minha espinha; a estudei por breves segundos e percebi a sua curiosidade, provavelmente sem saber quem eu sou de fato. Respirei fundo, dando-lhe o meu melhor sorriso:
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  – Espero que possamos nos dar bem, Melissa. – Usar seu primeiro nome não é algo difícil quando eu sei que a Melissa da história original odiava ser vista só como uma princesa.
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  – Também anseio por isso, Arabella! – A sua animação pareceu genuína, o que achei ser uma graça. – Falaremos mais sobre a organização?
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  – Amanhã, senhorita. Recomendo que todos descansem o bastante para podermos lidar com a situação posteriormente, sim? – Viviene se levantou. – Leonard os acompanhará aos seus aposentos.
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  – Agradecemos imensamente pela hospitalidade. – Madelyn se juntou ao seu grupo, sumindo no corredor.
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  – E você, mocinha – quase me assustei com Giovanni vindo na minha direção –, trate de se cuidar, está bem? Solicitei que levassem seu jantar e alguns medicamentos para o seu quarto, caso sinta algo diferente, não hesite em nos chamar. – O homem bagunçou um pouco o meu cabelo e eu concordei, sem saber como reagir ao certo.
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  Por mais que não pudéssemos dormir no mesmo lugar, Lian disse que ficaria comigo até eu adormecer e depois de comermos, deitamos na minha cama. Ele me abraçou e eu aproveitei o seu calor, fechando os olhos em seguida.
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*

  Acordei um pouco mais tarde que o normal, mas não é algo que atrapalhará o planejamento do dia. Ter tido esse tempinho a mais de descanso foi fundamental para me recompor da noite anterior e, sendo honesta, achei que as palavras de Letícia iriam me atingir de uma maneira pior. Seu ódio por mim e pelos meus irmãos é de conhecimento quase que público, entretanto, a sua hostilidade em relação a Celine era um fator desconhecido por mim. Faz todo sentido, de qualquer modo, visto que a babá nutre um amor platônico por Perci, e é claro que veria mamãe como uma rival – não que tivesse chance contra ela.
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  Brown ter dito que minha mãe prefere estar na guerra do que com os filhos não me afetou, talvez se fosse no passado eu teria ficado triste, contudo, atualmente esses pensamentos quase não surgem em minha mente, já que tenho preocupações o suficiente para lidar. Se Celine prefere ou não ir para guerras, é uma questão dela, e eu cansei de procurar justificativas e motivos para a sua ausência – o meu amor por mamãe permanece, obviamente. De resto, eu poder bater ainda mais em Letícia, porém, sua burrice me poupou de sujar minhas delicadas mãos, e agora era uma questão de dias até seu julgamento. Proibi de liberarem informações sobre o acontecimento para que não chegasse aos ouvidos da casa Fiore, dando vantagem para o amigo de Anna coletar as provas que solicitei contra a empregada chefe e o chofer. As de Perci vinham de outras fontes que eu nem precisava das do espião, todavia, quanto mais, melhor.
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  Gio puxou as cortinas para a lateral, abrindo a janela em seguida; me espreguicei preguiçosamente, alongando os braços e me dirigi ao banheiro. Não demorei no banho e logo a minha amiga arrumou o meu cabelo em um penteado semi-preso, me entregando o meu café da manhã.
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  – Quais são suas primeiras impressões? – perguntei curiosa.
  – Acredito que ela trabalhará bem com vocês e, que se puder, baterá em toda a organização. – Soltei uma gargalhada sincera, imaginando Melissa agredindo alguém.
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  - A acho fofa demais para isso – comentei em meio dos risos -, no entanto, eu adoraria poder acabar com eles.
  – É claro que adoraria, Bella. – Anna deu de ombros. – E a segunda princesa é realmente fofa. E linda.
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  Arqueei uma sobrancelha para a garota, vendo que sua feição permanecia a mesma: indiferente. Rolei os olhos e me levantei, indo para o grande hall encontrar os demais.
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*

  – Bom dia, Arabella! – A princesa acenou alegremente.
  – Bom dia, Melissa. Espero que tenha tido uma ótima refeição.
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  – Foi excelente, mas sabe o que deixaria melhor? – A encarei com certa dúvida. – Ter a sua companhia! Por isso, pedi autorização para a duquesa para almoçarmos na estufa. Ouvi dizer que é um local muito belo.
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  – Como desejar, Melissa – a respondi depois de olhá-la por longos segundos, digerindo com calma a quantidade de informações que ela falou. – Oh, antes de começarmos o nosso passeio, gostaria de lhe apresentar a minha empregada pessoal: Giovanna.
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  – É um prazer conhecê-la, Melissa. – Anna agiu de acordo com o que a princesa gostava.
  – O prazer é meu, senhorita Giovanna! Você virá conosco?
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  – Infelizmente Gio terá que cuidar de alguns assuntos meus, porém, é provável que nos esbarraremos durante a tarde. – Sorri. – Vamos?
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  Aparentemente a garota dispensou a sua equipe, sendo apenas nós duas pelos enormes corredores do castelo; dei-lhe um tour completo pela residência, colocando em prática todo o meu conhecimento adquirido em dois meses, aposto que Margareth ficaria orgulhosa ao saber. Melissa é exatamente como descrita na história original, a sua natureza vívida e contente acaba sendo contagiante, e estar em sua presença se tornou rapidamente algo tranquilo, me fazendo ter a sensação de que nos daríamos bem daqui pra frente. Com o tamanho do local, terminamos praticamente na hora do almoço a visitação, e antes de nos prepararmos para irmos a estufa, avistei Lian, Eth e Jade com as crianças e Anna caminhando pela grama.
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  – Aquele não é o Killian? Por que não vamos cumprimentá-lo? – A princesa entrelaçou o braço no meu, me puxando consigo. – Olá, pessoal!
  – Oh, Melissa, Arabella, bom dia. – Meu namorado sorriu. – Ao que devemos a honra de suas companhias?
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  – Só queríamos dizer “oi”. Como meus gatinhos estão?
  – Ótimos! – falaram juntos. – A princesa e Bella querem comer conosco?
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  – Que tal marcarmos um piquenique? – Melissa se abaixou para igualar as suas alturas. – Prometo que farei um prato doce típico de Dellavecchia.
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  – Combinado! – Não é difícil ganhar os quatro quando se trata de doce.
  – Nos veremos no jantar, sim? – Nos despedimos do grupo e finalmente fizemos o trajeto para a estufa.
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  – Seus irmãos são tão adoráveis, Arabella! – Melissa bebericou o seu suco e mordiscou um aperitivo. Já tinha se passado 30 minutos desde que ajeitamos a mesa e iniciamos um bate papo. – Os de Killian também. Eu queria ter um irmão mais novo, contudo, meus pais não pretendem ter outro bebê. Espero um dia ter uma família grande.
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  – Gostaria de ter filhos? – A garota assentiu. – Se me permite, quantos?
  – Quatro. – Quase engasguei com a sua resposta, era igual a de uma pessoa que eu conhecia.
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  – Como não sou a futura rainha, quero morar em uma casa grande e super espaçosa, nada de castelos. – Será que estava tudo bem partilhar seus sonhos íntimos comigo? – E você?
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  – Nunca parei para pensar – descansei a cabeça na minha mão –, algumas coisas aconteceram e eu cuidei dos meus irmãos a vida inteira, então a ideia de ter filhos não é algo que me interesse no momento.
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  Suspirei ao contar-lhe a verdade, mesmo se eu acabar virando mãe, espero que seja em um futuro distante.
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  – Arabella – o seu rosto ficou sério e um tanto assustador –, quais os nomes de quem teremos que nos livrar?
  – Perdão? – Pisquei os olhos com seu questionamento repentino, extremamente confusa.
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  – Não é justo que uma filha tenha que fazer o papel de seus pais e se eles não podem exercer suas funções propriamente, não há razões que me faça perdoá-los. – Engraçado como tínhamos a mesma opinião. – Desculpe-me, eu devo ter assustado você, certo?
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  – Não se preocupe, Melissa, são poucas coisas que me assustam, e você definitivamente não é uma delas. – Bebi o líquido do meu copo. – A senhorita é adorável.
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  – Oh, obrigada! – Suas bochechas coraram. – Será que tal pessoa acha o mesmo?
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  O seu sussurro não saiu despercebido por mim, e tratei de enfiar uma garfada de salada na boca para que não falasse qualquer besteira. Mas a única certeza é de que sua frase me atormentaria pelo resto do dia.
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*

  A tarde com Melissa foi agradável, a não ser pelas vezes que esbarrávamos com o grupo e a princesa fazia questão de ir cumprimentá-los em todas as ocasiões; eu e Jade trocamos olhares na tentativa falha de compreender a real intenção da garota, porém, a suspeita mútua de que alguém havia pescado sua atenção era óbvia. Eu não queria dar o braço a torcer, no entanto, Melissa se comunicava mais comigo e com Killian – o qual não conversou direito com a sua namorada o dia inteiro. Sentimentos pessoais a parte, sei que é necessário afastar esses achismos, todavia, na prática é outra história.
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  – Arabella? Tenho algo para te contar.
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  Escutei a voz da princesa ecoar pelo ambiente, me trazendo à realidade; após retornarmos aos nossos aposentos, ela solicitou que eu fosse ao seu quarto antes do jantar. Novamente, éramos só nós duas sozinhas, e reparei que Melissa estava nervosa, andando de um lado para o outro incessantemente murmurando.
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  – Melissa? – a chamei. – Por que não se senta e respira fundo? Não vou a lugar algum.
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  – Tudo bem. – Sorriu meio sem graça. – Nem eu entendo o motivo de estar agindo assim.
  – Fique calma, sim? Estarei aqui quando estiver pronta.
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  As mil e uma teorias que minha mente criava era em relação a organização ou de um problema de seu reino. Melissa também foi descrita como uma pessoa ansiosa e sem filtro, que fala a primeira coisa que lhe vem à mente, e eu não queria que a garota ficasse mal em seu primeiro dia conosco, afinal, eu sou sua acompanhante e a duquesa tem esperanças que possamos ser amigas.
  – Se sente melhor? – Concordou. – Ótimo.
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  – Arabella – ela se levantou velozmente e se posicionou na minha frente, visivelmente decidida –, eu estou apaixonada.
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  Oh. Por essa eu não esperava.
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  N/A: Hoje venho com um capítulo curtinho, mas queria apresentar a princesa para vocês <3
  Eu adoro escrever as partes dela, sério HAHAHAHA
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  Me conteeeem, por quem a Melissa está apaixonada? Façam suas apostas!
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  Até a próxima atualização <3

Capítulo 21

Arabella Fiore

  A palavra “apaixonada” repetia em minha cabeça em um looping infinito, de modo que, por breves segundos, eu simplesmente fiquei boquiaberta sem conseguir raciocinar algo além dela. Melissa parecia que tinha entrado em seu próprio mundo ao começar a balbuciar suas inquietações para si mesma, talvez esquecendo da minha presença; respirei fundo, me recompondo do susto e afirmando para mim que essa pessoa definitivamente não é o Killian – apesar da princesa ter feito questão de ir até ele várias e várias vezes durante o dia. Mas, também sei que Melissa precisava de uma amiga no momento, e não é à toa que ela me contou o seu “segredo”. Só não sei o motivo da garota estar tão nervosa, mais do que qualquer indivíduo que assumiria o seu amor por alguém para uma amizade.
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  – Será que essa pessoa sentirá o mesmo por mim? – escutei sua voz em um tom bem baixinho comentar. – Será que se eu tentar, dará certo? E se essa pessoa não gostar de mim por ser uma princesa? Contudo… se eu não tentar, como poderei encará-la e me olhar daqui para frente? Não posso me permitir a ser covarde!
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  – Melissa? – Coloquei a mão em seu ombro, a chamando carinhosamente. – Você quer me contar quem é? Se quiser, posso ajudá-la.
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  – Bella… – Ela enrolou uma mecha de seu cabelo no seu dedo, indecisa do que perguntar. – A senhorita Giovanna gosta da realeza?
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  – Oh, considerando que eu sou da nobreza e o contato mais próximo à realeza, diria que sim.
  – E de príncipes? – Percebi a sua curiosidade crescer.
  – Sim, e de princesas também.
  – Princesas também?! – Ela segurou minhas mãos em total euforia, e não tardou para eu compreender a razão do seu nervosismo.
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  – É a Giovanna, não é? – A vi assentir com as bochechas extremamente coradas, uma graça. – Melissa, está tudo bem gostar dela, e ninguém aqui, pelo menos dentro do castelo, te julgará por isso. Ethan e Jade vivem andando de braços ou mãos entrelaçadas, e o duque e a duquesa apoiam eles, então é meio óbvio que ninguém teria a coragem de falar alguma coisa. Ou de espalhar pela cidade. Se esse é o seu nervosismo, te dou a minha palavra que aqui é o local mais acolhedor que a princesa encontrará.
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  Seus ombros relaxaram no final da minha fala, e eu apertei levemente seus dedos, em sinal de conforto; gostar e ser recíproco já é um fator que mexe com a nossa ansiedade, ainda mais quando a outra pessoa é do mesmo sexo que o seu e a sociedade encara isso como “errado”. Bellary é um reino bem mais avançado do que outros, e que aceita relacionamentos homossexuais com mais facilidade, ao contrário de Dellavecchia, que, infelizmente, se mantém conservador em diversos assuntos.
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  – É por isso que você ia toda hora no Lian – a olhei com os olhos semicerrados –, já que Anna estava o acompanhando por causa das crianças.
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  – Culpada. – Recebi um sorriso meio envergonhado. – É que desde que eu a vi senti a necessidade de conhecê-la e estar perto, tenho certeza que é amor à primeira vista!
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  – Você é tão adorável, Melissa! – Apertei suas bochechas. – Eu entendo o sentimento.
  – É claro que entende – observei uma pequena ironia –, você e o Killian não tentam esconder que estão juntos.
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  – Culpada? – Caímos na gargalhada. – Impressionante você ter reparado.
  – Posso nunca ter namorado, mas conheço olhares apaixonados de longe. Minha irmã e o seu noivo não conseguiam esconder que se gostavam antes mesmo das famílias pensarem em casar os dois.
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  – Compreendo. – Descansei as costas no sofá, sentindo um alívio por ajudá-la a se tranquilizar. – Confesso que passou em minha cabeça que talvez você estivesse apaixonada pelo Killian.
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  – Mesmo se eu estivesse, eu não correria atrás de alguém comprometido. Ainda mais quando o seu par é minha amiga.
  – Melissa! – Como pode alguém ser tão adorável? – Agora, o que posso fazer para te ajudar com a Giovanna?
  – Poderia tentar arrumar um momento a sós?
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  – É claro, amanhã eu me juntarei com a Ivy e você está convidada! O plano será esse aqui.

*

  A conversa com a princesa se resumiu em como eu bancaria a cupido, contudo, tenho certeza que não teria tanto trabalho assim. Bocejei preguiçosamente e alonguei os braços, encostando os pés no chão gelado em seguida e respirei fundo, levantando da minha tão amada cama. Eu sei que dormir tarde e acordar cedo não combina, no entanto, foi meio impossível ignorar a rápida visita do meu namorado, então eu estava a colher as consequências dos meus atos. O bate-papo com a outra foi bom e me ajudou a eliminar qualquer insegurança em relação à história original – no quesito do romance de Lian e ela –, entretanto, com a sua presença, os conselheiros do castelo tentariam de diversas maneiras forçar um casamento entre ambos, e eu e Killian tínhamos que ser mais discretos sobre nosso relacionamento apenas por aparências. Não que concordássemos com isso, porém, não queremos que manchetes como “a vilã ou a princesa” realmente se espalhem, e não desejo que Melissa tenha que lidar com esse fator também – além de que Alicia possa fazer algo caso saiba que tem mais uma “concorrente”. Soltei um riso anasalado ao pensar que a garota me via como sua rival, sendo que a mesma nunca teria uma chance, assim como Ryle Tartosa.
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  – Ah, se meus problemas fossem só esses!
  Suspirei e segui para a banheira, repassando a programação do dia: eu e as meninas marcamos de tomar chá após o almoço, depois eu participaria do treino e à noite teríamos uma reunião para tratarmos da organização. Finalizei o meu banho e Giovanna me arrumou, e em seguida fomos encontrar meus irmãos.
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*

  – Estamos reunidas para chegarmos a uma conclusão do que faremos com ele. Como sabemos, além de ter brincado com os sentimentos da nossa querida Ivybelle, aparecendo no dia seguinte ao término com outra, o rapaz em questão roubou o seu prato da competição gastronômica.
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  O silêncio que surgiu na mesa não foi interrompido por nenhuma de nós. A manhã passou rapidamente e logo deu o horário do chá, o que significava que nossas mentes trabalhavam de uma maneira mais rápida, buscando alternativas para lidar com o caso que tínhamos recebido de forma simples e fatal, de modo que faria Blake Aspen O’Brien desejar nunca ter sido filho da puta com a minha amiga.
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  – Humilhá-lo publicamente seria um bom começo – Giovanna comentou casualmente, bebericando o seu chá.
  – Fazê-lo provar do seu próprio veneno! – Sorri maliciosamente com a fala de Melissa, vendo que estávamos na mesma página.
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  – E como faremos isso? – Ethan perguntou genuinamente curioso, atraindo a atenção das meninas para si.
  – O que ele está fazendo aqui? – Ivy apontou para o rapaz.
  – Mya-Mya e Killian expulsaram ele do escritório e seus parentes estão pelo castelo. – Dei de ombros, sem me incomodar com a sua presença.
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  – Oh, basicamente você está fugindo e não tinha para onde ir? – Caímos na risada com os dizeres da princesa, que definitivamente não tinha um filtro.
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  – Assim você fere os meus sentimentos, princesa. – Eth soou o mais dramático possível, recebendo um pedido de desculpas.
  – Voltando ao assunto… – Entrelacei as mãos na frente do meu rosto, encarando todos com os olhos semicerrados. – Não há nada melhor que reunir algumas informações, não é? Felippa e Thales já estão pela cidade em busca do que nos pode ser útil, e a duquesa me informou que como terei que preparar o meu debute, preciso fazer provas de várias coisas: roupas, decorações, comidas… O que nos leva a termos uma pequena competição culinária entre alguns chefes, incluindo a nossa querida Ivy!
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  Continuei a contar sobre o meu plano inicial: a competição teria um tema relacionado ao meu debute, e todos os chefes participantes teriam que elaborar pratos de acordo com o que lhe foi proposto. Dias antes da competição, vazaríamos somente uma lista de receitas que tecnicamente seriam as “oficiais” que os jurados mais gostavam, o que fará Blake pensar que terá vantagem, todavia, essas receitas serão comidas que fogem do tema. Como Morningstar relatou, o rapaz não possuía técnica alguma e se gabava por conseguir ganhar as premiações, quando na verdade ele apenas copiava os pratos dos colegas e levava todo o crédito.
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  – Com isso, somando a opinião dos jurados mais a humilhação da estrela do evento, vulgo eu, o homem não cogitará agir como um babaca novamente. Alguma dúvida?
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  – Eu amo como essa cabeça pensa! – Melissa me elogiou e eu ri.
  – Tenho que fazer jus a minha fama, certo? – Dei de ombros. – Se é pra ser conhecida como a vilã, é melhor agir como tal. Agora, minhas caras, eu e Ivy precisamos ir ao campo de treinamento, então peço encarecidamente que Giovanna cuide da Melissa enquanto estou fora. Se quiserem, podem assistir a prática.
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  – Como desejar, Arabella. – Espiei a reação de Melissa e suas bochechas estavam extremamente coradas após escutar Giovanna concordar com o meu pedido. Eu sabia que mesmo se eu não falasse, Giovanna agarraria a oportunidade de ficar a sós com a princesa.
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  – E você, mocinho – entrelacei minha mão com a de Ethan, o puxando –, vai conosco. A menos que a duquesa te dê menos medo do que seus pais, nesse caso pode continuar se escondendo.
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  – Bell! – Eth me chamou com sua voz arrastada, quase que suplicando para eu escondê-lo.
  – Toda vez que você usa esse apelido parece que sou uma ovelha.
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  – A mais fofa delas – Ivy resmungou e Eth assentiu.
  – Nada como ser amada pelos meus melhores amigos…
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  Sorri para os dois e prosseguimos para o próximo destino, comigo no meio e as mãos entrelaçadas com as deles.

*

  O treino durou a tarde inteira, e a sua energia caótica transformou todo o ambiente em algo estranho, sendo um tanto complicado se concentrar perfeitamente. O anúncio sobre Ivybelle causou uma grande comoção – alguns felizes e outros nem tanto –, e para a cereja do bolo, Viviene convidou o visconde e a viscondessa para participarem, provocando uma onda de cochichos e olhares amedrontados. Ninguém esperava tamanhas surpresas e que elas seriam três pessoas importantes para o reino, então os presentes se sentiram obrigados em darem o melhor de si, resultando na esquisita tarde que compartilhamos. A duquesa não aparentava estar nem um pouco impressionada, contudo, deixou passar por conta das visitas, e tinha algo em seu olhar que me dizia para não me aproximar muito de Ariel e Zahara. Nem se eu quisesse eu conseguiria, visto que Eth se agarrou em mim e me usava como seu escudo – mesmo ele tendo 1,86 de altura, e eu, 1,60 –, e ao fundo pude avistar Lian e Jade vindo ao nosso encontro.
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  Eu entendia perfeitamente o comportamento do meu amigo.
  Seus pais, principalmente o visconde, o pressionavam para se casar, sem se importarem muito com a opinião do próprio filho. Isso foi abordado na história original, e uma parte de seu arco foi sobre esse fator e a catastrófica briga que teve com os mais velhos por culpa da pressão deles. No final do manhwa, Eth terminou sozinho, mas sinceramente aliviado por ter saído definitivamente da casa dos pais – o que não quer dizer que toda a discussão não tenha o feito se sentir chateado por ter que cortar relações com os demais. Eu não sei se ele conversou com meu primo sobre isso, no entanto, LeBlanc não é do tipo que esconderia o namorado, a menos que o próprio Mya-Mya peça. Seu medo é de acabar tendo que fazer sua pessoa amada presenciar uma cena desconfortável, e de ter seus pais empurrando alguma lady independente de já estar com alguém. Soltei um suspiro e segurei em sua mão, todavia, as vozes que soaram atrás de mim nos fizeram estremecer.
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  – É um prazer finalmente conhecê-la, senhorita Arabella Fiore.
  Enrijeci a postura e virei o meu corpo, sorrindo cordialmente e Zahara me analisou sutilmente, se limitando a estender a mão para nos cumprimentarmos. A mulher é extremamente bonita e elegante – e o seu marido não ficava de escanteio –, e Eth era praticamente a cópia da mulher, embora o formato dos seus olhos fossem iguais ao do pai. Ethan e a viscondessa são negros de pele retinta, com cabelos crespos em uma tonalidade de castanho escuro e olhos castanhos esverdeados, enquanto Ariel é amarelo, com cabelos ondulados e olhos pretos.
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  – Igualmente, Viscondessa Zahara LeBlanc. – Fiz um pequeno aceno com a cabeça.
  – Devo dizer que adoraria que entrasse para nossa família! Ethan e a senhorita trocavam cartas, é errado eu assumir que estão juntos? – A fala do patriarca me fez engasgar. Sua esposa o reprovou com o olhar quase que instantaneamente, e a sua feição de confusão foi nítida.
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  – Sinto-me honrada com o seu pensamento, contudo, devo recusar a proposta. Creio que seja mais apropriado que o seu filho faça essa escolha tão importante, afinal, quem estará casando para o restante de sua vida é ele, certo? – Por mais que me envolvesse, eu sei que talvez eu não devesse me meter na família dos outros, entretanto, não concordo com suas opiniões e a forma que estão tratando o meu amigo.
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  – Arabella Fiore é nossa, meus caros amigos – a duquesa entrou na conversa, comentando casualmente ao pôr o braço no meu ombro. – E muito bem comprometida.
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  – Oh – Zahara arqueou a sobrancelha, dando a impressão de ter sido desafiada –, e se ela quisesse sair com nosso filho?
  – Isso seria algo que caberia totalmente à minha filha decidir. – Definitivamente eu não me acostumaria nem tão cedo em ser chamada de “filha” pelo duque e duquesa.
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  – Nós perdemos, não é? – Ariel suspirou e sussurrou para a esposa, que ainda não estava totalmente convencida. – Com a troca de cartas, imaginei que…
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  – Eu já tenho alguém.
  Em uma fração de segundos os presentes se viraram para Ethan, que mesmo sendo foco do assunto, havia sido deixado de lado por seus responsáveis. É óbvio que a altura da sua voz foi o suficiente para todos ouvirem, principalmente seus pais, e na rápida troca de olhares com Jade, reparei que meu primo estava a bordo do que meu melhor amigo escolhesse, e eu simplesmente sorri. O importante para este casal é estar juntos, independente se terão ou não aprovação dos mais velhos.
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  – Por que não disseste antes? – O visconde está visivelmente contente. – Quem é ela?
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  – Uma pessoa bem querida, excepcionalmente talentosa e que me aceita por ser quem eu sou. Acho que não existe palavras que expliquem os meus sentimentos por completo, mas não há um minuto sequer que eu não pense no quão sortudo eu sou por ter essa pessoa comigo, seja por cartas ou pessoalmente. E espero que eu possa continuar tendo essa sorte pelo resto da minha vida. – O garoto respirou fundo, prosseguindo. – Ah, mãe, pai, ele está atrás de vocês.
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  Os adultos em questão levaram suas atenções para Mya-Mya, totalmente perplexos e sem conseguirem digerir os dizeres de seu primogênito; já Jade chorava lágrimas de felicidade por ouvir uma bela declaração de amor, se apressando para se apresentar, mesmo sabendo que não seria respondido.
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  – Meu nome é Jade Mya Castillo, primo da senhorita Arabella. É um prazer conhecê-los, Visconde Ariel LeBlanc e Viscondessa Zahara LeBlanc. – Por não ser parte da nobreza, o rapaz era obrigado a seguir com a etiqueta.
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  – Entendo que possam estar surpresos, entretanto, é feio ignorar quem está se apresentando, sim? Se não podem manter a educação, peço que se retirem. – Viviene se dirigiu aos amigos, mostrando que não toleraria nenhuma hostilidade em sua residência.
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  – Vamos embora – Ariel anunciou, começando a fazer o seu caminho para fora do campo. – Zahara?
  – Se cuidem, crianças – a viscondessa se limitou a essas palavras, indo ao encontro de seu esposo.
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  O clima foi se desmanchando gradativamente, mas ainda é perceptível o quão abalado Ethan ficou por Jade ter sido tratado assim, e não demorou para que envolvêssemos os dois em um abraço. Lian e eu os apertamos bastante, a ponto do meu primo pedir um tempo – visto que são três descendentes da ordem contra um mero mortal –, e fomos para o castelo, a fim de deixá-los a sós.
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*

  A equipe que montamos para lidar com a situação da organização continha 22 integrantes, incluindo o trio e um amigo de Lian que foi convidado para o castelo. O relógio marcava dez pras onze quando o duque e a duquesa trancaram a porta, solicitando que Viktor – amizade de Killian – colocasse na mesa as cópias da papelada que o homem arrumou em um só arquivo, contendo os pontos chaves para atuarmos em menos de uma semana.
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  – Arabella, Killian, Melissa e Lion guiarão esse encontro – Giovanni falou, se sentando com sua esposa à mesa.
  – Faltam cinco dias até o sequestro e, de acordo com o primeiro tópico – os demais analisaram o papel –, as vítimas serão de três famílias diferentes.
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  – Infelizmente, não temos conhecimento das famílias, apenas que são três – meu namorado completou. – Mas o trio: Michael, Dwigth e Jim, nos informarão pela esfera, já que foram encarregados de cuidar das crianças durante a viagem.
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  – Com a guarda de Dellavecchia a postos na fronteira, a dificuldade da organização passar sem problemas é quase nula, a menos que eles optem por pegar um desvio. – Melissa distribuiu algumas fotos do caminho. – Essa é uma rota pouco conhecida e mais usada pelos mais velhos, o que nos leva à lista de pessoas envolvidas na organização do meu reino. Esses homens são os mesmos que se opuseram ao meu pai e algumas de nossas leis, mas que, infelizmente, possuem seus assentos da nobreza garantidos por causa de seus títulos.
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  – Já os de Bellary são os mais previsíveis possíveis. As informações estão em suas mãos. – Revirei os olhos. – O valor do resgate é avaliado em 30 moedas bellary, ou seja, as famílias teriam que vender os seus títulos, moradias e muito mais para conseguirem pagar as 10 moedas cada. O que nos encaminha para o plano principal: interceptá-los no momento que pisarem na fronteira.
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  – A parte da organização que estará em Dellavecchia será presa primeiro e a de Bellary, assim que descerem da carruagem. Thales, Felippa e os outros cuidarão dos integrantes espalhados pela floresta, e a equipe que ficará na linha de frente será composta por Arabella, Killian, Viviene, Ethan, Ivy e eu – Lian informou. – Giovanni, Jade, Melissa, Luiza e Gian vão pelo desvio juntamente de mais dois soldados para garantirem que o caminho não foi usado, além de ser uma forma rápida de resgatarem as crianças ao confrontarmos a organização e suas guardas baixarem. Alguma dúvida?
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  – Ótimo. Os últimos detalhes teremos somente no dia, então peço que se mantenham saudáveis e alertas caso precisemos agir antes por conta de uma eventualidade.
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  Lion entregou as esferas que preparamos, por isso os pais de Ethan estiveram no castelo mais cedo; o fim da organização está mais próximo do que imaginávamos, e felizmente sei que seremos vitoriosos, o que resultará em uma deliciosa madrugada de interrogatório.
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  E eu mal podia aguardar para fazer umas… perguntas.
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  N/A: Depois de um mês, vim com a att \o/
  Perdoem a demora, viu?

  Enfim, antes de começarmos os comentários, queria dizer que em julho comemoramos UM ANO que a “A Vilã Da Casa Bellerose” está sendo postada!!!!!! Inclusive, já completou um ano que eu comecei a escrevê-la, e tô bem feliz com o resultado hihihi
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  Mas queria saber o que vocês querem para essa comemoração. Capítulos extras? Side story de quais personagens? Um especial sem ser no mundo do manhwa, mas no mundo da Akira? Podem mandar suas ideias <3
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  Agora, vamos aos comentários:
  - Melissa e Giovanna, será que vem aí? Em um dos capítulos passados nossa querida Anna fez um comentário sobre a princesa, cof cof…
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  - Melisa super fofa e uma ótima amiga! Diga não a talaricagem, viu? HAHAHAHAHA
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  - A reunião das meninas foi curtinha, mas foi tudo KKKKKKKKK sério, esse grupo + Ethan é muito maravilhoso.
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  - O climão se formou entre os brothers… Visconde e Viscondessa finalmente apresentados! Infelizmente, a situação não foi a melhor, mas no futuro espero que eles possam ser mais compreensivos e conversem mais com seu filho, e com o Mya-Mya também.
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  - Outra reunião, a reunião FINAL!!!!! Vocês não sabem o quão ansiosa eu estava para chegar nessa parte, e no capítulo que vem (spoiler rs) teremos essa ótima – e enorme – equipe combatendo o mal e metendo a porrada em uns filhas da puta <3
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  - E finalmente os integrantes do trio lá do início receberam um nome hehehe
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  Essa nota está grandinha já, vou ficando por aqui.
  Ah, sim, o segundo mês da fic está chegando ao fim 🙁
  Até a próxima att <3

Capítulo 22 – let’s play a game, shall we?

Arabella Fiore

Madrugada do quinto dia

  Ninguém tinha sido capaz de dormir, e as tentativas de descanso eram preenchidas com mais ansiedade e adrenalina, tornando praticamente impossível fechar os olhos enquanto não recebíamos o sinal para agir. Arrumei o meu cinto e coloquei as adagas em seus devidos lugares, visto que concordamos em não usar as espadas por chamarem atenção, sendo liberadas apenas para os guardas que ficariam com os nossos cavalos.
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  A ligação do trio foi finalizada há dez minutos, e nela trouxeram as informações importantes que precisávamos, como o estado das crianças e suas famílias. Felizmente, apesar de assustadas, as vítimas estão bem e Jim me garantiu que ele e Michael cuidariam delas, as distraindo com os brinquedos e lanchinhos que conseguiram esconder dentro da carruagem; já Dwight estava encarregado de lidar com qualquer um que fosse inspecioná-los, e por ser o mais forte dos três, foi o escolhido para protegê-los.
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  A identidade de seus familiares não foi uma surpresa, contudo, também não achávamos que seriam os primeiros alvos da organização. Lion guardou os documentos relacionados às casas e a duquesa designou alguns soldados para as residências dos nobres, a fim de informá-los em primeira mão quando as crianças forem resgatadas. Uma mensagem foi enviada à família real e, por mais que o duque soubesse que se estivesse de acordo com as famílias das vítimas, o rei daria o seu aval para lidarmos como bem entendermos com os criminosos, ainda é um assunto que envolve dois reinos e é necessário o governante estar ciente do que acontece em seu território.
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  Meu grupo e o de Melissa seguiram em conjunto até avistarmos o desvio, e a separação foi feita no próximo minuto, ao descermos dos cavalos e cada um seguir por sua rota. Não teriam suspeitas de nos verem andando em bando pelo simples fato da área da fronteira ser mais deserta de madrugada; as pessoas com bom senso sabiam que as probabilidades de serem saqueadas nesse horário eram enormes e, não importa a quantidade de guardas na ativa, não é fácil parar os saqueadores. No nosso caso, nossa investigação concluiu que eles tinham hora e dias certos para agirem, mas mesmo que nos deparássemos com alguns, nenhum seria páreo para Ivy e Gian.
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  O caminho da floresta estava encoberto por uma névoa densa, o que nos dificultaria se não tivéssemos Rose e Nymph conosco, sendo os guias por conta de suas visões e sentidos apurados. Minha familiar se transformou na sua forma humana, nos impedindo de dar mais um passo e sumiu na névoa, voltando minutos depois com um homem desmaiado em seu ombro.
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  — Esse aqui se escondeu atrás de um tronco, totalmente despreparado. — Rolou os olhos com tamanha burrice. — Eu cuido dele, podem prosseguir com o Rose. Estão quase chegando.
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  Trocamos olhares rápidos e eu assenti, sabendo que logo menos Nymph se encontraria comigo. Andamos por cerca de mais cinco minutos e percebi que a névoa nessa região era menor, no entanto, o suficiente para ajudar a organização a se camuflar mais. A fronteira não é tão longe assim, porém, só a região norte que se beneficia da curta distância, de qualquer maneira.
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  — De dois a quatro homens em cada um dos oito pontos — Rose anunciou ao nos aproximarmos o suficiente da beirada do pequeno “penhasco”, vulgo pequena elevação de terreno com uma rampa logo a frente —, todos com armas menores, e os que guardam a carruagem com as vítimas possuem mais de uma. Os chefes estão na fronteira, tentando negociar com os guardas.
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  — Estimativa de tempo? — perguntei ao gato.
  — O suficiente para lidarmos com a situação. Ou seja, vinte minutos até voltarem por causa do barulho.
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  — Obrigada, Rose. — Afaguei sua cabeça. — Agora vá confortar as crianças, sim?
  O familiar ronronou e pulou da beirada, indo para a carruagem sem problemas até ser visto pelos homens que faziam a ronda dela.
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  — Um gato? — um deles questionou arqueando uma sobrancelha.
  — Parece dos raros — outro analisou rapidamente. — Põe na carruagem com as crianças, ele vai agregar no valor.
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  — Miau?
  O miado do bichano foi o sinal para que pudéssemos pôr o plano em prática; com a curta distração criada, meu grupo e o de Melissa se dividiram em duplas, e partimos para cima dos membros da organização, os pegando verdadeiramente de surpresa.
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  Não foi difícil repararem que haviam sido descobertos e, por mais que alguns demonstrassem ter medo, aparentemente todos estavam dispostos a lutar, talvez por medo de seus chefes. A questão é que, apesar de suas vontades extraordinárias, os únicos treinados eram os de fora da carruagem e os que a conduziam, então o nosso maior problema seria o total de pessoas que saiu de quatro para sete.
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  Mesmo em maior quantidade, Jade e Luiza não fariam parte do embate com os demais, já que meu primo usaria suas habilidades para proteger as crianças e atacar de longe caso necessário, e a guarda pessoal de Melissa fará a sua segurança. Isso me deixava um pouco mais tranquila, mas o meu foco tem que ser completamente do homem que vinha correndo para cima de mim. A sua tentativa de me acertar foi falha por eu ter sido rápida o bastante para me esquivar, contudo, diferente da luta que eu e o trio tivemos, esse cara sabia dosar os seus movimentos e golpes, tornando suas próximas ações difíceis – mas não impossíveis – de adivinhar.
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  — É sério que eu sou a última a terminar? — comentei ao olhar ao redor. — Não tem jeito, não é?
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  Saí de cima das costas do meu adversário que estava de bruços no chão, a um passo de perder a consciência. Definitivamente, depois de quinze minutos o enfrentando, consegui ler o seu jeito de lutar e, consequentemente, o venci sem maiores problemas.
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  — Única exigência é que permaneçam com vida até chegarmos — os guardas amarraram os braços e pernas dos demais e os enfiaram nas carruagens preparadas para levá-los à masmorra do castelo —, no mais, estão dispensados.
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  — Senhorita Arabella — Felippa e Thales falaram em uníssono —, os dois chefes da organização estão voltando.
  — Ótimo. É o suficiente até a barreira quebrar. — Lian pôs uma em volta da carruagem com as crianças para que elas não escutassem barulhos externos.
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  — É incrível como a guarda de Dellavecchia é fácil de ser comprada! Um saco de dinheiro e já podemos passar, incrível!
  — Eu não disse que o meu reino é fácil de transitar? A segurança é tão ruim que se quiséssemos chegar na princesa, seria mais fácil do que sequestrar essas crianças.
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  — Imagine a recompensa que ganharíamos pela segunda princesa… Ei! Quem são vocês?
  Os dois homens pararam abruptamente, prestes a sair correndo; suas feições se dividiam entre assustados e irritados, e no momento que decidiram dar as costas para nós, Melissa puxou o seu arco e flecha e os acertou com maestria, em uma velocidade sem igual. Sua habilidade era um segredo que foi compartilhado conosco durante a preparação final; aparentemente, seus treinos eram escondidos e a garota também sabia usar a espada, tudo sem o seu pai ter conhecimento.
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  — Demoraram o bastante para perceberem que sua equipe sumiu. — Me agachei entre os dois corpos estirados no chão. — Contem para mim: qual seria a recompensa?
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  — Quem é você? — um deles bradou enraivado.
  — Resposta errada. — Pressionei a flecha em seu ombro. — Qual seria a recompensa pela princesa? Afinal, não é tão fácil chegar nela? Sabe esse objeto preso em sua carne que está te fazendo ficar paralisado tão lentamente que a dor será uma das piores da sua vida? Quem a acertou foi a segunda princesa, e vocês acham mesmo que teriam a mínima chance de colocar essas mãos imundas nela? Pobrezinhos. Agora, vamos jogar um jogo, que tal?
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*

  — As regras são simples: eu pergunto e vocês respondem. Só que temos uma pequena condição: a única resposta aceita será a verdadeira, se decidirem recusar, sofrerão uma penalidade. Apesar que com o efeito do veneno, aposto que a colaboração será fácil, certo?
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  Sentei na cadeira e os olhei sem muita paciência, quase bocejando de tédio; por conta do veneno, eles apagaram por alguns minutos no caminho para as masmorras, então tive que esperá-los acordar para dar início ao interrogatório. Observar um dos chefes e o seu secretário fiel não me causava comoção, tampouco empatia por estarem transtornados e aterrorizados, e a cada segundo que passava, o meu pavio encurtava.
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  — Acho que estão acordados o suficiente para começarmos o nosso jogo! — Bati palmas animadas.
  — Quem é você?! — o mais velho gritou, me fazendo revirar os olhos.
  — Não fomos apresentados ainda — Lion me entregou um par de luvas que eu pus de maneira delicada para não machucar minhas mãos — e nem seremos, Russel Esposito e Gustavo Leroy. Não se esqueçam que sou eu que faço as perguntas, sim? Uma simples para aquecermos! Vejamos, quais são os nomes dos nobres que financiam a organização?
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  Seus olhos arregalaram instantaneamente, como se não esperassem que eu soubesse de tudo. A parte da atuação é essencial para fazê-los acreditar que teriam alguma chance de se livrarem, e ao falarem os nomes, nós gravaríamos com as esferas para termos mais provas concretas contra todos.
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  — Tratamento de silêncio não funcionará, queridos. Sou boazinha o bastante para dar um minuto para suas respostas, mas meu tempo é muito valioso. E se eu ficar impaciente, talvez a minha adaga escorregue dos meus dedos e atinja um de vocês. — A girei entre meus dedos, posicionando-a na perna do chefe da organização. — Cada segundo a mais é um risco que farei em sua perna direita, depois na esquerda, até subir para o seu pescoço. Ah, não se preocupem! Não matarei vocês, como disse, isso é apenas um jogo.
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  — Você é uma vadia maluca! — Esquivei dos resquícios do cuspe de Russel, um tanto enojada com seu gesto.
  — Resposta errada, Esposito.
  Finquei a lamina em sua perna como se a cravasse em um tronco de árvore, escutando o seu grunhido conforme eu a retirava e inseria novamente, rasgando toda a pele sem dificuldade alguma. Segurei o seu cabelo e soquei o seu rosto, acertando o seu nariz em cheio e o sangue começou a escorrer, sujando minha bela luva. Limpei o líquido em sua blusa, voltando a me sentar na cadeira.
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  — Não são todos que possuem conhecimento de nosso trabalho. — Gustavo abriu a boca, recebendo um berro de Russel. O seu secretário foi o cara que Nymph encontrou, e basicamente só estávamos o usando para atingir o chefe, já que seu fim não seria decidido por mim, Killian e Lion, e sim pelo duque e duquesa, que tinham os seus motivos. — Alguns se beneficiam do dinheiro sem saber o tipo de trabalho que fazemos, outros usam pseudônimos para não serem descobertos. Creio que isso já devam saber.
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  — Será? Por que não me surpreende, Leroy? — Parei de andar pela sala e fiquei atrás de si, com as minhas mãos em volta de seu pescoço e cheguei mais perto de sua orelha, sussurrando: — Quais os nomes?
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  — Casa Biancardi, Ivanov, Petrova, Smith, Armani e… — Pressionei os meus dedos lentamente, ouvindo a sua respiração ficar descompassada. — Fiore.
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  — Quem possui o conhecimento? — Lian ocupou o meu lugar na cadeira e cruzou as pernas.
  — Gustavo, não ouse! — Russel tentou se mover por conta de tamanha raiva, no entanto, sua tentativa foi falha.
  — Resposta errada, Esposito. — Repeti o processo em sua outra perna, como informado anteriormente. — Será que é tão difícil entender as condições do nosso jogo? Aposto que alguém que trabalha com sequestro e venda de crianças teria mais noção do que acontece quando as regras não são seguidas. Por ter interrompido o seu adorável secretário, serei obrigada a puni-lo de acordo. As duas pernas já foram, agora subirei com essa pequena e frágil adaga até a metade de sua barriga.
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  — Por favor, poupem ele. Responderei tudo o que precisarem. — Leroy suspirou.
  — Eu não lembro de ter dado permissão para falar além do que é perguntado. — Me voltei ao secretário, apertando o seu maxilar. — A menos que não queira acabar que nem o seu tão amado chefe, é melhor saber os passos da dança. Gustavo Leroy, você acha mesmo que eu pouparia uma pessoa que se beneficia do sofrimento de pessoas indefesas? Você acredita que alguém como Russel Esposito merece misericórdia?
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  O rapaz quase caiu da cadeira com o tapa que lhe dei, contudo, o segurei pela gola da camisa para bater em sua face novamente. O seu lábio inferior começou a sangrar e o vi cuspir em si mesmo a saliva misturada com o sangue.
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  — Quem tem o conhecimento? — Me acomodei no colo de Killian.
  — Primeira, terceira e quarta. As demais sabem que trabalhamos com a ilegalidade, porém, sem terem noção do que é realmente. O dinheiro é mais importante que investigar a organização a fundo, e não nos importamos em explanar o trabalho para quem não quer saber. A única exceção é a Casa Fiore, o marquês é um homem estranho — pausou. — Ele é o único que não se importa, contanto que tenha a sua quantia no final do mês. Se fossemos uma associação de assassinos ou se sequestrássemos um dos seus, Perci Fiore não se importaria.
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  Sua fala não me surpreendeu, Perci Fiore não ligava para ninguém além de si, e isso era só mais uma prova de um fato concreto.
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  — Como as crianças são escolhidas?
  — Aleatoriamente. Temos uma lista com as que podemos sequestrar ou não e o quanto seremos beneficiados no final. São raras as que valem a pena de serem vendidas para ganharmos uma recompensa maior. A família dessas três possuem bastante dinheiro independente de não mostrarem, então foram um alvo estudado por meses, consequentemente sendo o nosso maior trabalho. Geralmente invadíamos suas casas ou a interceptávamos durante uma ida ao centro ou algum lugar, e as vítimas eram mantidas no máximo uma semana conosco.
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  — Quantidade de membros dos dois reinos?
  — Trinta, sem contar os patriarcas das famílias da nobreza que lhe dei os nomes. No total, contando com os nobres de Dellavecchia, quarenta e cinco.
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  — Agora, quero que me contem um pouco sobre esse projeto. — Mostrei o desenho da arma.
  — Não temos muita informação — Russel, pela primeira vez, respondeu um tanto a contragosto —, apenas pediram que cuidássemos da produção.
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  — Na verdade, quem trouxe essa ideia foi Perci Fiore, solicitando que entregássemos o mais rápido possível. Não é um modelo tão difícil considerando algumas das armas que Bellary já tem, contudo, são poucos os que trabalham com a criação delas em nossa organização, o que atrasaria a data de finalização.
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  — Motivações?
  — Não sei — deu de ombros —, ninguém tem ideia do que se passa em sua cabeça. Para quem tenta incriminar todos a sua volta, creio que seja uma forma de obter poder e capital, a fim de se tornar invencível. A lista de crimes dele deve ser alta.
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  — Quer perder a cabeça, garoto? Nunca fale de um membro da alta nobreza para pessoas que você não conheça. Esse na sua frente é Killian Bellerose e, se não percebeu, estamos nas masmorras do castelo Bellerose. — Gustavo parecia extremamente confuso, e o espaço foi tomado pelo silêncio.
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  — Oh — foi a única coisa que disse antes de levar um chute no estômago, e o outro receber mais um corte fundo em todo o seu tronco.
  — As regras ainda estão valendo até terminarmos o jogo, rapazes. Há perguntas que precisam de suas respostas.
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*

  O interrogatório seguiu por mais uma hora, dando bons frutos; tudo o que coletamos seria útil para o dossiê e além de gravarmos com as esferas, Lion anotava todas as informações para garantir caso acontecesse alguma emergência. Observei o rosto de Russel quase desfigurado e ensanguentado e soltei o ar, massageando minhas mãos. Escutar os seus pedidos de misericórdia era um porre, e fazia com que a minha paciência se esvaísse.
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  — Apesar de um participante não ter compreendido muito bem as regras, o nosso jogo chegou ao fim. Gustavo Leroy, gostaria de dizer as suas últimas palavras para o seu querido pai?
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  — Últimas palavras? E quem é o pai desse garoto?
  — Russel, Russel, não consegue reconhecer o seu próprio filho? — Limpei meus dedos na toalha. — Digamos que você tenha tido um filho há vinte e seis anos e, cansado de bater na sua esposa, se mudou para a região norte e fundou a organização. Seu filho, sendo largado no mundo ainda criança, decide ir atrás do pai e, para ganhar o seu reconhecimento, entrou na organização e se tornou o seu secretário. Para ter o mínimo de contato com o seu progenitor, Gustavo foi capaz de se envolver em sequestros de crianças, mas, o que Gustavo não sabia é que homens que nem o seu pai não se importam com nada além de sua ganância. Fim da história. Ah, Leroy — me virei para ele —, se você fosse uma criança nobre, você seria a vítima da organização. Seu pai não se importa se é o próprio filho ou de outra pessoa, o principal é o dinheiro sujo que enche os seus bolsos.
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  — Como assim “últimas palavras”?! Você disse que não ia nos matar! — Russel ignorou a história que contei, não me surpreendendo. O cara iria se priorizar até o fim, mesmo ouvindo que tinha um filho.
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  — Eu disse que eu não os mataria, não que vocês não iriam morrer? — comentei como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Bom, tenho outros problemas para resolver. Espero que tenham gostado do jogo, seus merdas!
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  — Quem é você?!
  — Bem, como não verão a luz do dia, não há mal em contar, certo? Meu nome é Arabella Fiore, e eu espero do fundo do meu coração que vocês tenham uma morte tão dolorosa e da pior maneira possível para se adequar aos seus pecados.
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  N/A: Mais um capítulo para vocês e finalmente a organização chegou ao sem fim (ou quase)!
  No próximo capítulo vocês saberão qual foi o fim dos outros, por mais que já imaginem rs e o que acontecerá com os nobres envolvidos.
  Estamos cada vez mais próximos do final do segundo mês, e tô ansiosa para o que vem a seguir hihihi
  Ah, para não ter confusão, essa madrugada é contada a partir do dia da reunião deles no último capítulo, que não é o quinto dia do segundo mês (caso alguém tenha esquecido as datas dos acontecimentos do segundo mês). Depois vou fazer uma recapitulação das datas que nem no final do primeiro mês!
  Até a próxima att <3
  E muito obrigada por mais de 1300 visualizações! Espero que estejam gostando o tanto quanto eu, e obrigada por lerem A Vilã Da Casa Bellerose <3

Capítulo 23

Arabella Fiore

  Ainda era possível escutar os gritos de Russel Esposito ao sairmos da sala, preocupado unicamente com sua própria pele e me chamando de vilã. Suspirei pesadamente, massageando minha mão e rolei os olhos, cansada de todo o drama que o homem fazia. Antes de sair da masmorra, o duque e a duquesa vieram ao nosso encontro com suas feições preocupadas, visto que por mais que confiassem em mim, não conseguiam deixar de ficar aflitos em como eu lidaria com o peso da situação. Senti as mãos da duquesa segurarem o meu rosto, se assegurando que eu estava bem.
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  — Como vocês estão?
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  — Bem. — Sorri pequeno com seu gesto.
  — Isso é um alívio. — Giovanni analisou Lian e Lion para conferir se não tinham se ferido.
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  — Nós adiantamos a questão da paternidade — Leonard ajeitou os óculos —, creio que será mais fácil terminar de interrogá-los.
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  — Agradeço pelo trabalho de vocês, crianças. — Viviene fez um sinal para os guardas entrarem na cela. — O relatório da princesa será enviado para vocês durante o dia, então não precisam se preocupar com isso no momento. Aconselho que se juntem aos demais nas fontes termais e descansem, concluiremos as questões pendentes e assim que terminarmos podemos tomar café todos juntos.
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  — Escutem a mãe de vocês e se adiantem — o duque riu —, os adultos vão se divertir um pouco.
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  Por serem tão amáveis e carinhosos comigo, às vezes eu esquecia como a família Bellerose é a mais temida em todo o reino, e ver um casal tão poderoso de pertinho me fazia querer ser como eles. Encarei Killian, relembrando a sua forma de encaminhar o interrogatório e pude ter a certeza absoluta que assim como na história original, ele era o pior pesadelo dos seus inimigos. Apertei sua cintura levemente, recebendo um beijo no topo da minha cabeça conforme andávamos até o nosso destino.
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  As fontes termais são o “tesouro” do castelo, local do qual quase ninguém tinha ciência da existência. Elas podiam ser encontradas na parte “abandonada” do recinto que continuava tendo uma boa manutenção, e por mais que não fossem enormes, eram espaçosas o suficiente para abrigar a quantidade de pessoas que estavam nelas. Tecnicamente, uma era para as mulheres e a outra para os homens, contudo, não é uma regra que seguiríamos à risca, sinceramente. E dando mais uma olhada, parecia uma piscina pública que a Akira costumava ir no verão em sua cidade.
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  — Bella, Lian, senhor Leonard — vimos Ethan e Melissa acenando animados para nós —, se juntem rápido! A água está muito boa!
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  — Eth — Jade o interrompeu, saindo da água apenas com sua roupa debaixo —, preciso saber se algum de vocês se machucou no processo. — Negamos.
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  — Viu? — A princesa arqueou uma sobrancelha. — Eu disse que eles voltariam são e salvos.
  — Como foi o interrogatório, Melissa? — perguntei ao começar a me despir, sendo acompanhada por Lian, já que Lian se juntou a Rin, Anna e nossos guardas para beberem um pouco.
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  — Chato. E um porre. — Deu de ombros. — “Por favor, princesa Melissa, tenha piedade”, o homem só sabia repetir isso enquanto eu lhe batia. Os demais deixei para Luiza cuidar, mas como recebi autorização da minha irmã, decretei suas mortes… Claro, após passarem um tempinho sendo interrogados pela futura rainha de Dellavecchia.
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  — Oh — sorri com ela —, o seu julgamento é ótimo, querida.
  Conversamos mais sobre a sua parte, que não se diferenciava muito da minha; basicamente os homens possuíam interesses em comum e se uniram criando a organização, recrutando pessoas para trabalharem a base de ameaças e promessas falsas de dinheiro. Já os nobres descobriam por causa da amizade que tinham com algum participante, e a fim de encherem seus bolsos de dinheiro, patrocinavam os criminosos sem problemas. Melissa decretou a morte do chefe e seus aliados mais próximos, e a prisão perpétua dos nobres envolvidos e os seus capangas. Mesmo que estivesse com um ódio tremendo, ela precisava agir de acordo com a legislação de seu reino, o que acabava a limitando.
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  No nosso caso, combinamos que o duque e a duquesa dariam a palavra final para o chefe e o secretário – suas mortes –, e os demais também seriam presos, porém julgados pela corte a pedido do rei. Os nobres que tem o conhecimento receberiam a sentença perpétua e os que “não sabiam”, vulgo casa Ivanov, Armani e Fiore, seriam monitorados vinte e quatro horas por dia, tendo boa parte de seus bens apreendidos e deveriam entregar um relatório diário sobre suas atividades. Não é o ideal, contudo, é o que temos que fazer por conta da nossa legislação, além de que não seria difícil tentarem recorrer se fossem a julgamento.
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  Independentemente de serem cúmplices, as três casas alegariam que não havia conhecimento prévio e a fala de Gustavo provaria esse ponto, então, dificultar suas vidas ao máximo seria a medida viável por enquanto. É impressionante o quanto Perci Fiore consegue se safar das suas merdas, todavia, felizmente o dossiê contra ele ia sendo abastecido dia pós dia, e no momento que eu tiver que acabar com esse filho da puta, Perci não terá para onde correr.
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  Nem se me suplicasse.
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  — Suas habilidades com o arco e flecha foram esplêndidas, Melissa.
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  Ao sairmos das águas termais, cada um se encaminhou para os seus aposentos a fim de descansar, e quando o relógio marcou oito e meia, nos reunimos na sala de jantar para fazermos o café da manhã. Espiei Viviene e Giovanni, assumindo que eles não haviam retornado para seu quarto, no entanto, os adultos não aparentavam cansaço por não dormirem nem uma horinha sequer.
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  — Não foi nada, Jade. — A princesa tentou esconder o seu ar de exibida.
  — Arco e flecha? — Nell inclinou a cabeça, curiosa. — Nós queremos ver!