{"id":9912,"date":"2026-03-09T22:09:01","date_gmt":"2026-03-10T01:09:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-03-09T22:09:01","modified_gmt":"2026-03-10T01:09:01","slug":"capitulo-25","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/depoisdameianoite\/capitulo-25\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 25"},"content":{"rendered":"<p>\u2003\u2003Um segundo depois, %Aidan% estava agachado ao meu lado.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 %Lexi%, o que foi? Voc\u00ea se machucou, o que-<br \/>\n\u2003\u2003Ent\u00e3o ele viu o bilhete, os sapatinhos. Assisti ao exato momento em que ele terminou de ler o bilhete, uma express\u00e3o de pura tristeza tomando conta de seu rosto. Eu vi os olhos dele marejarem e ent\u00e3o percebi que os momentos que ele parecia triste e culpado pelo meu acidente n\u00e3o significavam apenas isso.<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o era s\u00f3 por isso.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 %Aidan%&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003Ele me encarou com carinho e uma l\u00e1grima solit\u00e1ria escorreu por seu rosto.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 Eu sinto muito, %Lexi%.<br \/>\n\u2003\u2003Um solu\u00e7o ent\u00e3o irrompeu de mim. Chorei, desconsolada, sentindo um s\u00fabito peso no peito.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 Eu&#8230; Voc\u00ea sabia? \u2014 consegui perguntar.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 O m\u00e9dico disse que voc\u00ea perdeu o beb\u00ea no acidente. A batida foi forte e ele n\u00e3o sobreviveu ao trauma.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 E foi assim que voc\u00ea descobriu \u2014 afirmei. N\u00e3o era uma pergunta, mas %Aidan% assentiu mesmo assim, em sil\u00eancio. \u2014 Foi por minha causa&#8230; Por minha causa, o nosso beb\u00ea morreu.<br \/>\n\u2003\u2003Desviei o olhar dele, pura vergonha tomando conta de mim.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o, amor. A culpa \u00e9 da pessoa que te atropelou. E minha, que n\u00e3o estive com voc\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003Balancei a cabe\u00e7a, solu\u00e7ando outra vez, as l\u00e1grimas jorrando de mim como um rio, enquanto pensamentos que nunca cogitei me atingiam. Eu lembrei de tudo, tudo. E n\u00e3o sei dizer se aquilo foi pior ou melhor. Uma parte de mim preferia nunca ter descoberto; a outra, se sentia culpada por causar aquele sofrimento a %Aidan%.<br \/>\n\u2003\u2003Agora tudo parecia t\u00e3o \u00f3bvio. O dia em que ele apareceu de olhos vermelhos e eu inocentemente perguntei se ele estava gripando, ou se tinha fumado. N\u00e3o. Ele se escondeu para chorar. Ele estava passando pelo luto do nosso beb\u00ea sozinho e eu n\u00e3o fazia ideia, porque ningu\u00e9m me contou.<br \/>\n\u2003\u2003Me senti mal at\u00e9 por chorar por aquilo. Eu n\u00e3o tinha direito de lamentar. A culpa era minha. Se eu tivesse ficado em casa, isso n\u00e3o teria acontecido. Eu teria visto %Aidan% no dia seguinte e estar\u00edamos bem. Mas fui ego\u00edsta e fiquei chateada por algo que ele nem tinha controle. O meu orgulho ocasionou o meu acidente e a morte do nosso beb\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003Eu estava apavorada em ser m\u00e3e. Achei que %Aidan% ia ficar apavorado tamb\u00e9m, mas ele ficaria feliz. No fundo, eu sabia que sim. Mas como eu seria capaz de encar\u00e1-lo de agora em diante?<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea pode sair? Eu quero ficar sozinha \u2014 pedi, baixinho.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o, %Alexa% \u2014 %Aidan% disse, firme. \u2014 N\u00e3o vou te deixar sozinha. N\u00f3s podemos passar por isso juntos, amor. N\u00f3s temos que passar por isso juntos.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 Eu lembrei de tudo, %Aidan% \u2014 confessei, com a voz falha. \u2014 Eu sa\u00ed porque fiquei chateada com voc\u00ea, por n\u00e3o aparecer no dia em que combinamos. Eu vi um filme que voc\u00ea queria ver sozinha, s\u00f3 pra te irritar com spoilers quando a gente fosse assistir juntos. Eu tinha preparado uma surpresa, mas teria que adiar. \u2014 Encarei a caixa com os sapatinhos. \u2014 Eu nem consigo olhar pra voc\u00ea agora. N\u00e3o consigo. \u2014 Solucei. \u2014 Eu n\u00e3o me sinto merecedora nem de chorar pela perda do nosso beb\u00ea. Foi minha culpa, minha culpa&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003Abracei meus pr\u00f3prios ombros, cravando as unhas em minha pele. Eu merecia sentir dor depois de tudo aquilo. Solucei, correndo as unhas violentamente pelos meus bra\u00e7os, sentindo verg\u00f5es se formando.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 %Lexi%, n\u00e3o! \u2014 %Aidan% me agarrou, passando os bra\u00e7os ao redor de mim, de modo que eu n\u00e3o conseguia mexer os bra\u00e7os. Tentei me afastar, mas foi em v\u00e3o. Ele continuou me segurando firmemente, como se seus bra\u00e7os fossem feitos de ferro. \u2014 Voc\u00ea n\u00e3o pode se machucar, t\u00e1 ouvindo? N\u00e3o pode fazer isso consigo mesma! Eu n\u00e3o vou deixar, %Alexa%.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 Foi minha culpa, minha culpa&#8230; \u2014 Solucei outra vez. De repente, era tudo o que eu conseguia fazer: chorar e lamentar. Uma parte de mim tinha consci\u00eancia de que eu estava parecendo descontrolada, que n\u00e3o deveria agir assim, mas eu n\u00e3o me importava. Eu merecia sentir dor, merecia a culpa de ser a respons\u00e1vel por aquilo. Por fazer %Aidan% passar um m\u00eas inteiro aguentando sozinho, fingindo que estava bem.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 Amor, por favor. N\u00e3o faz isso, %Lexi% \u2014 %Aidan% murmurou. \u2014 N\u00f3s vamos superar juntos, eu prometo. N\u00e3o foi sua culpa, n\u00e3o foi sua culpa.<br \/>\n\u2003\u2003A gentileza em sua voz me matava. Eu me sentia um ser humano mesquinho e desprez\u00edvel e, mesmo assim, aquele homem estava ao meu lado.<br \/>\n\u2003\u2003Ele esteve ao meu lado durante toda a minha recupera\u00e7\u00e3o, fazendo de tudo para que eu me lembrasse dele, de n\u00f3s. %Aidan% me amava como ningu\u00e9m. Era o tipo de amor que nunca esperei receber um dia, que eu n\u00e3o sabia nem se existia mesmo. O tipo de amor de hist\u00f3rias \u00e9picas, que existia apenas em livros. E eu o amava de volta com todo o meu ser; cada pedacinho de mim vibrava por ele, por t\u00ea-lo ao meu lado.<br \/>\n\u2003\u2003Os \u00faltimos tr\u00eas anos haviam sido os mais felizes da minha vida, mas eu n\u00e3o merecia essa felicidade.<br \/>\n\u2003\u2003Eu n\u00e3o merecia o amor de %Aidan%.<br \/>\n\u2003\u2003Talvez n\u00e3o merecesse ser m\u00e3e tamb\u00e9m, visto como aquilo tudo tinha acabado. A minha ginecologista tinha suspendido o anticoncepcional por conta da gravidez, agora eu sabia. A consulta de retorno era para iniciar o pr\u00e9-natal, porque ela tamb\u00e9m era obstetra. De todo modo, eu ainda precisava fazer o teste de gravidez que tinha escondido de %Aidan%. N\u00e3o sabia nem se eu devia contar aquilo para ele.<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o queria que fosse um lembrete do beb\u00ea que t\u00ednhamos perdido, tampouco provocar algum tipo de esperan\u00e7a.<br \/>\n\u2003\u2003Mesmo querendo ficar sozinha, %Aidan% n\u00e3o me largou at\u00e9 eu me acalmar.<br \/>\n\u2003\u2003Eu solucei e solucei em seu ombro at\u00e9 ficar com dor de cabe\u00e7a, e senti l\u00e1grimas quentes pingando em meu pr\u00f3prio ombro. Ele tamb\u00e9m estava chorando, em sil\u00eancio, enquanto esfregava minhas costas, tentando me consolar.<br \/>\n\u2003\u2003Mas ningu\u00e9m estava consolando ele.<br \/>\n\u2003\u2003Quando meus solu\u00e7os silenciaram, eu tentei me afastar e, dessa vez, %Aidan% me deixou ir. Por um breve instante, consegui encar\u00e1-lo, apenas para ver seus olhos vermelhos e inchados tamb\u00e9m. Ele segurou meu rosto entre as m\u00e3os e encostou a testa na minha.<br \/>\n\u2003\u2003Mordi o l\u00e1bio inferior para n\u00e3o come\u00e7ar a solu\u00e7ar outra vez. Eu n\u00e3o conseguia lidar com a bondade dele. %Aidan% deveria estar me culpando, ele devia ter se afastado de mim, n\u00e3o ficado ao meu lado. Eu deveria estar sendo tratada como um p\u00e1rea por fazer aquele homem sofrer quando havia prometido justo o contr\u00e1rio. As nossas promessas&#8230; Agora pareciam ter um peso ainda maior depois que me lembrei delas.<br \/>\n\u2003\u2003De repente, as palavras da Xam\u00e3 come\u00e7aram a fazer sentido.<br \/>\n\u2003\u2003<i>A crian\u00e7a que n\u00e3o vingou.<\/i><br \/>\n\u2003\u2003Eu achava que ela estava se referindo \u00e0 \u00e9poca em que a maldi\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada, n\u00e3o que estava se repetindo em todas as minhas vidas. Minha mente come\u00e7ou a trabalhar com o pouco resqu\u00edcio de consci\u00eancia que me restava. <i>As minhas escolhas v\u00e3o influenciar no resultado final. <\/i>Talvez fosse um sinal. No fim, eu deveria abrir m\u00e3o de algo importante para que a maldi\u00e7\u00e3o fosse quebrada.<br \/>\n\u2003\u2003Respirei fundo, ainda sentindo as l\u00e1grimas correrem pelo meu rosto silenciosamente. Eu estava com pensamentos acelerados, raciocinando r\u00e1pido sobre diversas possibilidades apenas para voltar para a \u00fanica que eu achava que seria a certa.<br \/>\n\u2003\u2003A \u00fanica escolha que eu acho que devia fazer. Por mim, por %Aidan% e pela crian\u00e7a que se foi. Por mais dif\u00edcil que fosse para n\u00f3s dois.<br \/>\n\u2003\u2003Por mais que fosse doer em n\u00f3s dois, eu tinha que dar um fim naquilo.<br \/>\n\u2003\u2003Ent\u00e3o, respirando fundo mais uma vez, me afastei para encar\u00e1-lo novamente.<br \/>\n\u2003\u2003\u2014 %Aidan%&#8230; Eu quero terminar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":97,"featured_media":7670,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"template-historia-longa.php","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2251],"class_list":["post-9912","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","historias-depoisdameianoite"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/9912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/97"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9912"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=9912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}