{"id":9595,"date":"2026-02-04T10:55:24","date_gmt":"2026-02-04T13:55:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-02-04T11:03:27","modified_gmt":"2026-02-04T14:03:27","slug":"capitulo-2","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/novela-coroa-negra\/capitulo-2\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<em>1498, FRAN\u00c7A<\/em><br>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Em 1498, Luis XII<\/span> torna-se rei em virtude da morte acidental de seu primo, Carlos VIII, que morreu sem deixar descendentes, devido a uma hemorragia cerebral, ap\u00f3s chocar-se contra um lintel, durante um jogo de pelota com seus pajens no Castelo de Amboise. Luis XII foi coroado \u00e0 27 de maio de 1498, na Catedral de Reims. Casado com Ana, duquesa da Bretanha, o segundo casamento dela, Luis XII esperava que Ana lhe desse filhos:<br>\u2003\u2003\u2014 Espero que voc\u00ea engravide \u2014 disse ele.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu tamb\u00e9m \u2014 sussurrou Ana da Bretanha para si mesma.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 MAM\u00c3 \u2014 disse Francisco de Angouleme de apenas quatro anos ao ver a m\u00e3e, %Lu\u00edsa% de %Saboia%, aparecer no luxuoso quarto dos %Saboia% Angouleme.<br><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 Filho \u2014 disse %Lu\u00edsa% maternalmente. \u2014 Um dia voc\u00ea exercer\u00e1 um bom papel na corte. Ser\u00e1 como um pr\u00edncipe. Receber\u00e1 o legado de seu pai j\u00e1 n\u00e3o mais vivo, Carlos de Angouleme.<\/p>\r\n<p align=\"center\">&nbsp;<\/p>\r\n<p><\/p>\r\n<p align=\"center\">***********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<em>UM ANO DEPOIS&#8230;<\/em><br>\u2003\u2003<em>1499, FRAN\u00c7A<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 For\u00e7a, rainha! \u2014 disse o m\u00e9dico real para Ana da Bretanha. \u2014 Est\u00e1 vindo.<br>\u2003\u2003Um choro sereno se seguiu.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 uma menina!<br>\u2003\u2003\u2014 Vai se chamar %Claudia%.<\/p>\r\n<p align=\"center\">**********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 Matero, eu estou gr\u00e1vida \u2014 disse uma mulher portuguesa para o marido.<br>\u2003\u2003\u2014 Mais um filho! \u2014 disse Matero impressionado. \u2014 J\u00e1 tivemos a %Rita% e agora ganharemos mais uma crian\u00e7a.<br>\u2003\u2003\u2014 O m\u00e9dico disse que a gravidez \u00e9 complicada \u2014 disse Maria Cruz. \u2014 Mas vamos ter um filho.<br>\u2003\u2003\u2014 Descanse, Maria Cruz! \u2014 diz Matero. \u2014 Eu cuido da pequena %Rita%, voc\u00ea deve descansar para essa gravidez.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas eu estou bem, posso ajudar nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos \u2014 disse Maria.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu fa\u00e7o isso \u2014 disse Matero. \u2014 As luzes ainda est\u00e3o fracas, a pequena %Rita% trouxe cor e luz a nosso mundo, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que voc\u00ea deve prejudicar essa segunda gravidez, Maria Cruz. Voc\u00ea est\u00e1 gr\u00e1vida! \u2014 ele disse acariciando a barriga da esposa.<\/p>\r\n<p align=\"center\">**********<\/p>\r\n\u2003\u2003Enquanto isso, Ana da Bretanha olhava sua pequena filha ainda beb\u00ea, %Claudia% da Fran\u00e7a, que tinha um olhar sereno enquanto dormia profundamente.\r\n<p align=\"center\">**********<\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro Fino<br>De longe eu avistava a figura de um menino<br>Que corria, abria a porteira, depois vinha me pedindo<br>Toque o berrante, seu mo\u00e7o, que \u00e9 pra eu ficar ouvindo<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Quando a boiada passava e a poeira ia baixando<br>Eu jogava uma moeda, e ele sa\u00eda pulando<br>&#8220;Obrigado, boiadeiro, que Deus v\u00e1 lhe acompanhando&#8221;<br>Pra aquele sert\u00e3o afora, meu berrante ia tocando<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>No caminho desta vida, muito espinho eu encontrei<br>Mas nenhum calou mais fundo do que isto que eu passei<br>Na minha viagem de volta, qualquer coisa eu cismei<br>Vendo a porteira fechada, o menino n\u00e3o avistei<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Apeei do meu cavalo num ranchinho beira-ch\u00e3o<br>Vi uma mulher chorando, quis saber qual a raz\u00e3o<br>&#8220;Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estrad\u00e3o<br>Quem matou o meu filhinho foi um boi sem cora\u00e7\u00e3o&#8221;<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>L\u00e1 pras bandas de Ouro Fino, levando gado selvagem<br>Quando passo na porteira, at\u00e9 vejo a sua imagem<br>O seu rangido t\u00e3o triste mais parece uma mensagem<br>Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>A cruzinha do estrad\u00e3o do pensamento n\u00e3o sai<br>Eu j\u00e1 fiz um juramento que n\u00e3o esque\u00e7o jamais<br>Nem que o meu gado estoure, que eu precise ir atr\u00e1s<br>Neste peda\u00e7o de ch\u00e3o, berrante eu n\u00e3o toco mais<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<em>1506, FRAN\u00c7A<\/em><br>\u2003\u2003\u2014 Vai, m\u00e3e! \u2014 pediu Francisco de Angouleme com seus doze anos. \u2014 Me deixa ir! Por favor.<br>\u2003\u2003\u2014 Visitar Portugal? \u2014 perguntou %Lu\u00edsa% de %Saboia% pela mil\u00e9sima vez. \u2014 Por que insiste nisso, meu filho?<br>\u2003\u2003\u2014 Eu queria viajar pelo mundo. Queria conhecer ao menos Portugal. Deixa, m\u00e3e! \u2014 pediu Francisco.<br>\u2003\u2003\u2014 Tudo bem \u2014 respondeu %Lu\u00edsa% de m\u00e1 vontade. \u2014 Mas tem de voltar para c\u00e1 em um m\u00eas e meio, literal. Voc\u00ea est\u00e1 sendo educado e crescido para se casar com a princesa da Fran\u00e7a, %Claudia%. Ela pode ter apenas 5 anos, mas \u00e9 sua prometida.<br>\u2003\u2003\u2014 Tudo bem, m\u00e3e. \u2014 Francisco revira os olhos n\u00e3o muito animado em casar com %Claudia% no futuro, ele tinha doze anos e ela apenas cinco. Mas sabia que n\u00e3o tinha como convencer a m\u00e3e por enquanto, mas seu sonho de viajar pelo mundo era maior que tudo. \u2014 Quando partimos?<br>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o vou, mas meus servos o levar\u00e3o. Tenho que cuidar de tudo para quando voc\u00ea voltar para continuar cuidando de seus estudos para te preparar para ser rei da Fran\u00e7a um dia.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<em>PORTUGAL, 1506 <\/em><br>\u2003\u2003\u2014 Olha, %Rita% \u2014 disse a pequena %Ane% Jeane para a irm\u00e3 mais velha, %Rita%, uma jovem morena. \u2014 Achei essas cordas que o pai comprou para a gente. \u2014 A garotinha de cinco anos gesticulava animada. \u2014 Vamos brincar \u2014 pediu com entusiasmo.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas voc\u00ea nem sabe pular corda, %Ane% \u2014 disse %Rita% com um sorriso gentil, mas divertido.<br>\u2003\u2003\u2014 A gente aprende.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas voc\u00ea s\u00f3 tem cinco anos \u2014 argumentou %Rita%.<br>\u2003\u2003\u2014 E voc\u00ea doze \u2014 contrap\u00f4s %Ane%. \u2014 Vamos brincar.<br>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 bem \u2014 %Rita% concordou com um sorriso.<br>\u2003\u2003As duas irm\u00e3s come\u00e7aram a pular corda, brincando animadamente.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 Que lugar bonito esse! \u2014 disse Francisco de Angouleme. \u2014 Portugal deve ser incr\u00edvel \u2014 disse olhando cada passo ao redor que se aproximava de Portugal com interesse crescente.<br>\u2003\u2003As ruas movimentadas, pessoas brincando, outras conversando, algumas rindo. Crian\u00e7as brincando, outras trabalhando como camponeses e outros ainda andando ou trabalhando, tudo era novo para Francisco de Angouleme.<\/p>\r\n<p align=\"center\">**********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Ai da rebelde e contaminada, da cidade opressora!<br>\u2003\u2003N\u00e3o obedeceu \u00e0 sua voz, n\u00e3o aceitou o castigo; n\u00e3o confiou no Senhor; nem se aproximou do seu Deus.<br>\u2003\u2003Os seus pr\u00edncipes s\u00e3o le\u00f5es rugidores no meio dela; os seus ju\u00edzes s\u00e3o lobos da tarde, que n\u00e3o deixam os ossos para a manh\u00e3.<br>\u2003\u2003Os seus profetas s\u00e3o levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santu\u00e1rio, e fizeram viol\u00eancia \u00e0 lei.<br>\u2003\u2003O Senhor \u00e9 justo no meio dela; ele n\u00e3o comete iniquidade; cada manh\u00e3 traz o seu ju\u00edzo \u00e0 luz; nunca falta; mas o perverso n\u00e3o conhece a vergonha.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 Oremos sobre essa ora\u00e7\u00e3o que o padre falou hoje na col\u00f4nia mais cedo \u2014 disse Matero a fam\u00edlia.<br>\u2003\u2003\u2014 Pai, que cidade opressora o profeta fala? \u2014 perguntou %Rita% com curiosidade infantil, sedenta por aprender mais sobre Deus.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o acho que seja um assunto para crian\u00e7as \u2014 disse Maria Cruz a fam\u00edlia.<br>\u2003\u2003\u2014 A mulher tens raz\u00e3o \u2014 concordou Matero. \u2014 Vamos orar. Pai nosso&#8230; \u2014 A fam\u00edlia come\u00e7ou a orar.<br>\u2003\u2003Eles come\u00e7aram a almo\u00e7ar.<br>\u2003\u2003A tarde, %Ane% e %Rita% come\u00e7am a brincar novamente com as cordas.<\/p>\r\n<p align=\"center\">***********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003No dia seguinte, as duas meninas acordam cedo. %Rita%, de doze anos, e %Ane%, de cinco, est\u00e3o brincando e se divertindo juntos em um jardim florido perto da cidade, quando Francisco para a carruagem. Assim que as v\u00ea, Francisco observa as duas meninas brincando e parece pensar um pouco. As duas crian\u00e7as brincavam livremente. Uma leveza que ele queria poder ter. Mesmo com seus doze anos, ele n\u00e3o tinha liberdade. No pal\u00e1cio da Fran\u00e7a, ele nunca p\u00f4de brincar ou ser ele mesmo. Na Fran\u00e7a ele era um pr\u00edncipe, mas em Portugal poderia ser diferente.<br>\u2003\u2003\u2014 Ol\u00e1, mo\u00e7as \u2014 ele disse ap\u00f3s pedir para parar a carruagem. \u2014 Posso brincar com as Srtas.? \u2014 pediu.<br>\u2003\u2003\u2014 Quem \u00e9 voc\u00ea? \u2014 perguntou %Rita% em d\u00favida entre a desconfian\u00e7a e curiosidade. Aquele jovem de 12 anos tinha roupas francesas e alguns falavam mal da Fran\u00e7a, diziam que eles eram perigosos.<br>\u2003\u2003\u2014 Talvez fosse bom, %Rita% \u2014 disse %Ane% gentilmente. \u2014 Eu gosto de fazer novas amizades. Sou %Ane% Jeane<br>\u2003\u2003\u2014 Francisco \u2014 respondeu o adolescente com um sorriso. \u2014 Vamos brincar ent\u00e3o.<br>\u2003\u2003Os tr\u00eas come\u00e7am a pular corda juntos.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Faz muito tempo que eu n\u00e3o escrevo nada,<\/em><br><em>Acho que foi porque a TV ficou ligada<\/em><br><em>Me esqueci que devo achar uma sa\u00edda<\/em><br><em>E usar palavras pra mudar a sua vida.<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Quero fazer uma can\u00e7\u00e3o mais delicada,<\/em><br><em>Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,<\/em><br><em>Mas n\u00e3o consigo concordar com esse sistema<\/em><br><em>E quero abrir sua cabe\u00e7a pro meu tema<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Que fique claro, a juventude n\u00e3o tem culpa.<\/em><br><em>\u00c9 o eletronico fundindo a sua cuca.<\/em><br><em>Eu tamb\u00e9m gosto de dan\u00e7ar o pancad\u00e3o,<\/em><br><em>Mas \u00e9 saud\u00e1vel te dar outra op\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u20031498, FRAN\u00c7A ********* *********** \u2003\u2003UM ANO DEPOIS&#8230;\u2003\u20031499, FRAN\u00c7A ********** ********** ********** Toda vez que eu viajava pela estrada de Ouro FinoDe longe eu avistava a figura de um meninoQue corria, abria a porteira, depois vinha me pedindoToque o berrante, seu mo\u00e7o, que \u00e9 pra eu ficar ouvindo Quando a boiada passava e a poeira ia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2523],"class_list":["post-9595","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-novela-coroa-negra"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/9595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=9595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}