{"id":9426,"date":"2026-01-05T18:53:58","date_gmt":"2026-01-05T21:53:58","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2026-01-05T19:13:00","modified_gmt":"2026-01-05T22:13:00","slug":"capitulo-1","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/no-coracao-da-fazenda\/capitulo-1\/","title":{"rendered":"CAP\u00cdTULO 1"},"content":{"rendered":"\r\n<p align=\"center\"><em>05 de Mar\u00e7o de 2019<\/em><\/p>\r\n<p><span class=\"capitular1\">T<\/span>antas coisas acontecem em nossas vidas, e \u00e0s vezes, de repente nos vemos perdidos e incr\u00e9dulos. Perdidos, por sentir as m\u00e3os atadas, sem no\u00e7\u00e3o do rumo a se tomar. Incr\u00e9dulos, por olhar \u00e0 nossa volta e n\u00e3o compreender os dramas da vida. Ent\u00e3o surgem perguntas como: <em>\u201cComo isso foi acontecer?\u201d, \u201cQuando eu deixei que as coisas caminhassem para isso?\u201d, \u201cE agora, qual a decis\u00e3o?\u201d.<\/em>\u00c9 t\u00e3o comum passar por pegadinhas da vida! Mais comum at\u00e9 do que andar para frente, mas n\u00f3s nunca estamos verdadeiramente preparados para estes baques. Para cada pessoa h\u00e1 um caso diferente que pesa o tamanho do problema. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 bem poss\u00edvel que as mesmas situa\u00e7\u00f5es se repitam em pessoas distintas e tenham solu\u00e7\u00f5es iguais. Ou diferentes. Ou solu\u00e7\u00e3o nenhuma.<br>\u2003\u2003Nicole estava bastante confusa com os \u00faltimos acontecimentos. E pensava neles enquanto o \u00f4nibus seguia estrada afora. Logo ela, a Nicole dada como a inabal\u00e1vel. Aquela que todos olhavam com admira\u00e7\u00e3o por empenhar-se em tudo o que acreditava e n\u00e3o se deixar desanimar. Quem diria que a delegada de trinta anos de idade, t\u00e3o nova na profiss\u00e3o para algumas pessoas, teria preocupa\u00e7\u00f5es como diria seu pai: \u201cde gente grande\u201d. Herdou dele o amor \u00e0 profiss\u00e3o e como sua m\u00e3e, professora apaixonada, Nicole tamb\u00e9m tinha o fulgor na alma pelo que fazia. Dos pais lhe restavam mem\u00f3rias, as quais ela evitava reviver, por ser aquela uma dor ainda recente. Ambos j\u00e1 estavam falecidos acerca de dois anos e ela morava sozinha no centro de S\u00e3o Paulo h\u00e1 algum tempo.<br>\u2003\u2003Tudo caminhava de modo lento em sua vida, desde que se viu sozinha no mundo, depositando toda a sua energia no trabalho e em seu recente noivado. As coisas seguiam de uma forma saud\u00e1vel, at\u00e9 que mais uma vez, a vida se mostrou um grande cen\u00e1rio de lutas. O mundo lhe ca\u00eda sobre a cabe\u00e7a, sem pausa para um caf\u00e9. H\u00e1 semanas, seu ambiente de trabalho havia dado uma reviravolta e no meio da turbul\u00eancia que enfrentava, Nicole recebeu uma carta de sua parenta distante. Sua tia, por parte paterna, de Minas Gerais. Desde o vel\u00f3rio de Rodolfo, que ela n\u00e3o recebia muitas not\u00edcias de parentes e nem mesmo via, essa irm\u00e3 do falecido.<br>\u2003\u2003Na carta ela avisava que estava a caminho de visitar a sobrinha. E assim foi. Abra\u00e7os e beijinhos ao se reencontrarem e todos aqueles rituais de <em>\u201ccolocar as fofocas em dia\u201d<\/em>. Por\u00e9m, dona Laura n\u00e3o viera apenas a passeio, a senhora tinha uma miss\u00e3o que lhe tirava o sono desde a partida do irm\u00e3o e da cunhada. Apesar de julgar impertinente que se envolvesse naquela revela\u00e7\u00e3o, quem mais diria a verdade \u00c0 mulher, se n\u00e3o ela? Conversas iam, conversas vinham e Nicole descobriu que era adotada, ou seja, dona Laura tamb\u00e9m n\u00e3o era a sua tia. E not\u00edcia ou vest\u00edgio algum existia, sobre a sua origem biol\u00f3gica.<br>\u2003\u2003\u2014 Como assim, adotada? \u2014 perguntou surpresa a mulher paulistana.<br>\u2003\u2003\u2014 Desculpe querida, eu deveria t\u00ea-la dito isso antes. Afinal, faz dois anos que eles faleceram. \u2014 Sua tia desculpava-se com aparente arrependimento \u2014 Mas, eu n\u00e3o sabia como surgir depois de algum tempo sem lhe ver e contar algo assim.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas, por que eles nunca disseram nada, titia?<br>\u2003\u2003\u2014 Seus pais n\u00e3o te viam como uma filha adotada. Para eles, voc\u00ea sempre foi filha e ponto! Sem qualquer tipo de r\u00f3tulos. Mas, eu compreendo que \u00e9 importante que voc\u00ea saiba disso.<br>\u2003\u2003\u2014 C\u00e9us&#8230; N\u00e3o bastando, as \u00faltimas confus\u00f5es!<br>\u2003\u2003O semblante cansado de Nicole, beirando a tristeza foi notado por Laura desde que pusera os olhos na sobrinha do cora\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 O que est\u00e1 acontecendo, querida?<br>\u2003\u2003\u2014 Eu fui v\u00edtima de uma arma\u00e7\u00e3o corrupta no trabalho e estou respondendo a um inqu\u00e9rito judicial! Minha carreira est\u00e1 praticamente acabada! Minha casa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 minha, titia. Desde que a loquei eu pago os impostos e aluguel, e isso come\u00e7ou um tempo depois de papai falecer. E agora estou tendo problemas com isso tamb\u00e9m.<br>\u2003\u2003\u2014 E a antiga casa dos seus pais?<br>\u2003\u2003\u2014 Eu tive que vend\u00ea-la pelo tratamento da mam\u00e3e. Na \u00e9poca eu trabalhava, mas ainda me preparava para um concurso e pagava o preparat\u00f3rio. Sem falar que n\u00e3o adiantaria largar uma coisa por outra, porque as d\u00edvidas do tratamento eu n\u00e3o teria como sanar. Papai gastou muito com aquilo e depois que ele faleceu, eu tive que me virar. Infelizmente, a mam\u00e3e n\u00e3o resistiu&#8230; E bem! Eu precisei pagar a conta do Instituto.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas, n\u00e3o sobrou dinheiro algum daquela casa?<br>\u2003\u2003\u2014 Sobrou, \u00e9 claro. Mas, est\u00e1 guardado. Eu pretendia juntar um pouco mais e comprar uma casa pr\u00f3pria. N\u00e3o mexo naquele dinheiro, e nem na poupan\u00e7a que papai deixou para mim. Gra\u00e7as a Deus eu tamb\u00e9m consegui economizar desde cedo e tenho uma boa reserva, mas quero evitar mexer nela&#8230; Afinal, agora mais do que nunca, eu n\u00e3o sei quando e nem quanto, eu vou poder repor do dinheiro que eu tirar.<br>\u2003\u2003\u2014 Minha nossa, Nicole! Por que n\u00e3o me disse antes?<br>\u2003\u2003\u2014 Ah! Titia, n\u00f3s n\u00e3o temos muito contato, n\u00e3o \u00e9?<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 verdade&#8230; Eu deveria ter sido mais presente, me desculpe por isso.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o h\u00e1 o que desculpar!<br>\u2003\u2003\u2014 Mas, Nicole, por que est\u00e1 preocupada com o aluguel? Est\u00e1 atrasado? Voc\u00ea precisa de ajuda para pag\u00e1-lo?<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o tia, n\u00e3o \u00e9 como se eu n\u00e3o tivesse dinheiro para pagar as contas. \u00c9 s\u00f3 que eu terei de entregar a casa, e vai ser dif\u00edcil encontrar uma moradia com um pre\u00e7o t\u00e3o bom como este. Sem trabalhar, eu recebo metade do meu sal\u00e1rio pelo afastamento obrigat\u00f3rio, mas meu futuro \u00e9 incerto e eu ainda n\u00e3o tenho planos.<br>\u2003\u2003\u2014 Quanto tempo para entregar a casa?<br>\u2003\u2003\u2014 Trinta dias.<br>\u2003\u2003\u2014 Nossa, mas j\u00e1?! \u2014 Dona Laura levou a m\u00e3o \u00e0 boca e lhe ocorreu um pensamento, mas n\u00e3o achou em bom tom compartilhar naquela hora.<br>\u2003\u2003\u2014 Pois \u00e9&#8230; Mas, eu darei um jeito! N\u00e3o se preocupe!<br>\u2003\u2003\u2014 Eu estou dispon\u00edvel para te ajudar Nicole! Conte comigo! Irei pensar em algo&#8230;<br>\u2003\u2003Se n\u00e3o fosse pela infelicidade do propriet\u00e1rio da casa alugada por Nicole, falecer, era poss\u00edvel que ela ainda estivesse ali, lidando com todos os seus problemas. Descontroladamente, sim, por\u00e9m em seu pr\u00f3prio teto.<br>\u2003\u2003Ap\u00f3s a revela\u00e7\u00e3o da ilegitimidade paterna, tia Laura mantinha contato frequente com a sobrinha adotiva. Nicole n\u00e3o sabia se aquele contato acontecia por culpa, por zelo, ou apenas por solidariedade, mas tamb\u00e9m, n\u00e3o fazia diferen\u00e7a para ela. Ela n\u00e3o a culpava. Afinal, a senhora era apenas a sua tia e n\u00e3o portava obriga\u00e7\u00f5es de sinceridade, sobre um assunto que seus falecidos pais deveriam ter esclarecido. No entanto, seus desvelos foram acolhedores e as duas se tornaram mais pr\u00f3ximas. Assim como sua tia fazia quest\u00e3o, o carinhoso parentesco entre as duas continuava.<br>\u2003\u2003Ao saber de toda aquela desola\u00e7\u00e3o pela qual Nicole passava, dona Laura quis convid\u00e1-la para morar consigo no interior de Minas.<br>\u2003\u2003<em>\u2014 Bom, por que n\u00e3o passa uma temporada conosco na fazenda? Pelo menos, at\u00e9 voc\u00ea ter um plano!<\/em> \u2014 falou sua tia, dias ap\u00f3s t\u00ea-la visitado, em uma das liga\u00e7\u00f5es ao telefone.<br>\u2003\u2003Nicole n\u00e3o desejava ir, mas tamb\u00e9m, n\u00e3o tinha como ficar. Ela \u201cgozava\u201d de ser uma sem-teto no momento. E mesmo tendo os seus amigos, Ver\u00f4nica e \u00c2ngelo, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, ela sabia que o recente noivado em que os dois preparavam-se para morarem juntos, lhes atribuiria muito trabalho para ainda terem que receb\u00ea-la.<br>\u2003\u2003Ela detestava se sentir uma pedra no sapato de qualquer pessoa que fosse. Sentia-se assim com os pais na adolesc\u00eancia: queria a independ\u00eancia, trabalhar, e saber que n\u00e3o precisava faz\u00ea-los gastar tanto com ela. Nunca compreendia a necessidade paterna de cuidar e n\u00e3o aceitar aquilo. Passou sua juventude estudando firme para ser mais aut\u00f4noma e retribuir aos pais um pouco de todo o seu esfor\u00e7o por ela. Mas naquele momento, a \u00fanica sa\u00edda era apelar para a estadia de titia. E tomar provid\u00eancias e justificativas perante a lei para que o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, ela reconquistasse o controle da pr\u00f3pria vida. Talvez, uma temporada na fazenda at\u00e9 lhe fizesse bem.<br>\u2003\u2003Ent\u00e3o, l\u00e1 estava a delegada dentro do \u00f4nibus que acabara de pegar em Belo Horizonte, ap\u00f3s desembarcar no aeroporto de Confins, e seguindo para uma fazenda in\u00f3spita. Nicole n\u00e3o tinha nada contra fazendas, mas nunca foi uma garota do campo. Era de fato, um desastre com atividades de cultura rural.<br>\u2003\u2003A vida dela deu um n\u00f3. Virou de ponta cabe\u00e7a e s\u00f3 lhe restavam fortes desafios. Se felicitava de uma \u00fanica coisa: poderia estar completamente sozinha nos problemas e na vida, mas a tia Laura com generosidade fora sol\u00edcita. E embora ela n\u00e3o soubesse se havia motivos escondidos para isso, ou at\u00e9 quando seria assim, Nicole era muito grata a ela. L\u00f3gico, em seus pensamentos, o seu \u201cpasseio\u201d a casa dela seria provis\u00f3rio. Daria um jeito logo naquela situa\u00e7\u00e3o!<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>~ \u2665 ~<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003O \u00f4nibus chegou \u00e0 rodovi\u00e1ria pacata de apenas quatro plataformas ao fim da tarde. Dona Laura j\u00e1 a esperava. Pareceu-lhe muito diferente e mais saud\u00e1vel do que quando fora \u00e0 sua casa em S\u00e3o Paulo. Ares de interior fazem isso! Os cabelos presos em coque com um vestido floral que batia \u00e0 altura das canelas, despojado e confort\u00e1vel. Um casaco de l\u00e3 grosso, pois fazia bastante frio e nisso Nicole acabou pecando. Logo ela, uma paulista da garoa! Nicole percorreu os olhos de forma discreta pela senhora que a aguardava e achou muito singelo o chinelinho de \u201cvov\u00f3\u201d que titia usava com meias, pretas. Bem t\u00edpico. Pegou a sua pouca bagagem, duas malas apenas, caminhou em dire\u00e7\u00e3o a ela que lhe estendia os bra\u00e7os em postura crist\u00e3, apoderando-se de um largo sorriso. E sentiu titia dar-lhe aquele abra\u00e7o forte.<br>\u2003\u2003\u2014 Bem vinda querida.<br>\u2003\u2003\u2014 Muito obrigada, dona Laura!<br>\u2003\u2003\u2014 Dona? N\u00e3o sou dona de nada! Me chame de tia, por favor. \u2014 ralhou com a garota como se ela fosse uma crian\u00e7a.<br>\u2003\u2003\u2014 Certo. Tia.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o abatida, Nicole!<br>\u2003\u2003Os olhos exageradamente azuis da tia denunciavam o reflexo de uma face sem cor, abatida e frustrada: a face de Nicole.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o tem sido muito f\u00e1cil. \u2014 A mulher respondeu sem muito humor.<br>\u2003\u2003\u2014 As coisas v\u00e3o se ajeitar, confie em Deus! Quero que se sinta bem aqui. Agora vamos! N\u00e3o repare o carro.<br>\u2003\u2003Nicole a abra\u00e7ou de volta e sorriu. As duas caminhavam at\u00e9 o carro, e o primeiro faiscar de admira\u00e7\u00e3o surgiu no olhar da paulistana. O ve\u00edculo era uma picape <em>Ford F-100<\/em>, ano sessenta e cinco na cor preta. Conservada. Nicole, apaixonada por autom\u00f3veis como o pai, logo gostou. A tia Laura, uma senhora de sessenta e tr\u00eas anos dirigia como uma tartaruguinha, mas, muito bem at\u00e9. As duas foram conversando durante o trajeto, que fez Nicole ficar bem mais cansada pela vagareza, e o trepidar da estrada de cascalhos.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o \u00e9 longe, eu que sou um pouquinho devagar. Mas tamb\u00e9m, para qu\u00ea, pressa? \u2014 Titia lhe disse e riu complementando: \u2014 Meu filho n\u00e3o gosta nada que eu pegue um volante. Um bobo!<br>\u2003\u2003Por n\u00e3o terem muito contato ao longo de suas vidas, Nicole n\u00e3o sabia quase nada da titia. Sabia que ela era vi\u00fava. Mas, se novamente havia se casado, desquitado, ou como eram seus filhos, se tinha ou n\u00e3o netos, bisnetos\u2026 Eram informa\u00e7\u00f5es pouco claras. Seu pai, ao longo de sua vida, poucas vezes mostrou-lhe fotografias da fam\u00edlia de sua irm\u00e3. Nicole recordava-se que a cada vez que uma carta de sua tia Laura chegava Rodolfo e Teresa, liam-na com saudades e lhe comentavam sobre as not\u00edcias do interior, \u00e0 mesa de jantar. Mas boa parte da adolesc\u00eancia de Nicole, ela passara enfiada em livros e fones de ouvido. Ent\u00e3o n\u00e3o se atentava muito ao que os pais diziam daqueles parentes, que para ela, eram t\u00e3o distantes quanto desconhecidos.<br>\u2003\u2003\u00c0s vezes que vira sua tia, em toda a sua vida \u2014 ao menos que se recordava \u2014 foram quatro, e bem r\u00e1pidas. A primeira e a segunda quando ela tinha dois e quatro anos, soubera por seus pais, n\u00e3o tinha mem\u00f3rias daquilo. A terceira quando ela era uma rebelde de quinze e a quarta, ao vel\u00f3rio de seu pai. Sem contar, a \u00faltima, mais recente em sua casa ao reencontrarem-se. De tudo o que conversavam pela estrada trepidante, dona Laura lhe falava da filha mais velha e da neta. Contava-lhe ardilosa, as aventuras da netinha de sete anos e vagamente, sobre os planos futuros da filha de trinta e cinco. Dizia que elas se dariam muito bem, mas nada comentara sobre o filho. Ao chegarem diante de uma grande porteira, tia Laura pediu sorrindo para Nicole abri-la.<br>\u2003\u2003\u2014 Cuidado com a lama. \u2014 Ela advertiu assim que a mulher abriu a porta.<br>\u2003\u2003Nicole olhou para o ch\u00e3o e certamente se seus t\u00eanis pudessem enxergar, sofreriam com a vis\u00e3o que ela teve. Desceu concentrando-se em n\u00e3o escorregar e cair numa grande po\u00e7a de lama e foi andando sem perceber o lugar. N\u00e3o por desinteresse, mas por possuir uma mente cheia de preocupa\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias e descompromissada com as novidades daquele lar. Olhou \u00e0 frente, logo que chegou \u00e0 porteira e a fachada do casar\u00e3o antigo era bem bonita, e bem simples tamb\u00e9m.<br>\u2003\u2003\u2014 Puxe essa <em>alavanquinha<\/em>! \u2014 disse a tia ao perceber a total falta de intimidade da sobrinha com a porteira.<br>\u2003\u2003Nicole sorriu discreta do sotaque que lhe soava muito bonitinho. Empurrou a porteira r\u00fastica um pouco pesada e as galinhas que estavam soltas no quintal corriam loucas e desnorteadas, assim como outros animais pequenos. Um cachorro franzino, com olhos pregui\u00e7osos de esguelha, eri\u00e7ou as orelhas ca\u00eddas, em pontudas, ao ver que a velhinha adentrava com o carro. Assim que dona Laura desceu, o canino correu espevitado at\u00e9 ela latindo alegre. Era mansinho, pois, nem mesmo se aproximou de Nicole, a estranha que chegava.<br>\u2003\u2003Ela fechou a porteira e j\u00e1 pr\u00f3xima ao carro pegou as malas. Na companhia de sua tia, a caminhar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 varanda da frente, avistou uma garotinha e uma mulher, ambas lindas, rec\u00e9m-chegadas e lhes esperando. Titia adiantou-se a se colocar ao lado delas e sorria \u00e0 medida que as duas olhavam curiosas para Nicole. Atenta \u00e0 conversa que teve com sua tia pelo caminho, Nicole sup\u00f4s serem aquelas, a neta e a m\u00e3e, filha da titia.<br>\u2003\u2003\u2014 Rosa e Carolina, esta \u00e9 a Nicole.<br>\u2003\u2003Rosa, a filha, apresentava um sorriso grande, os olhos em cor de mel, cabelos ondulados e escuros, bra\u00e7os e pernas fortes, mas sem uma defini\u00e7\u00e3o muscular muito evidente. Ela aproximou-se de Nicole e a abra\u00e7ou, muito simp\u00e1tica, desejando as boas-vindas. Carolina, a garotinha, apenas olhava t\u00edmida para a mulher, aos seus olhos, t\u00e3o bonita.<br>\u2003\u2003\u2014 Carol, n\u00e3o vai cumprimentar a Nicole?<br>\u2003\u2003Rosa disse sorrindo para a menininha. A pequena levou os olhos ao rosto de Nicole, acenou positivamente com a cabe\u00e7a e se aproximou apertando a pr\u00f3pria boneca em seus bra\u00e7os.<br>\u2003\u2003\u2014 Oi! \u2014 Nicole disse.<br>\u2003\u2003\u2014 Oi!<br>\u2003\u2003\u2014 Gostei muito do seu vestido. \u2014 abaixou-se para ela sorrindo.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea \u00e9 muito bonita. \u2014 A garotinha falou com os olhinhos redondos de jabuticaba, brilhando.<br>\u2003\u2003\u2014 Ora, obrigada. Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 muito linda. Parece uma bonequinha! \u2014 Nicole sorriu acariciando o rostinho dela.<br>\u2003\u2003Assim que mencionou se levantar, a menina a abra\u00e7ou e lhe puxou pela m\u00e3o para dentro da casa.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 gelada! L\u00e1 dentro tem uma fogueirinha. Vamos!<br>\u2003\u2003Nicole, surpresa, olhou para titia e para Rosa que sorriam satisfeitas as seguindo. Tirou os sapatos sujos antes de entrar e dona Laura mais do que rapidamente, quase como um vulto, pegou-os de sua m\u00e3o entrando pelos c\u00f4modos. A sala era t\u00e3o aconchegante! Colchas de fuxico cobriam os sof\u00e1s e poltronas. Havia cortinas longas e brancas nas janelas, um enorme tapete que cobria parte do ambiente onde se encontravam os sof\u00e1s e, no meio do tapete, uma mesinha r\u00fastica feita \u00e0 m\u00e3o. Pequenos artefatos artesanais e outras mob\u00edlias espalhavam-se na casa. Um pil\u00e3o de madeira enfeitava o canto da sala pr\u00f3ximo \u00e0 janela.<br>\u2003\u2003A mulher novata n\u00e3o p\u00f4de deixar de rir quando viu Carolina sentada com a boneca no colo, sorrindo para ela e batendo com a m\u00e3ozinha no ch\u00e3o ao seu lado. A fogueirinha na qual ela se referia, era, na verdade, uma lareira.<br>\u2003\u2003\u2014 Vem, <em>senta<\/em> aqui comigo. Voc\u00ea <em>vai acabar ficando<\/em> <em>tossinha<\/em>.<br>\u2003\u2003\u2014 Ficando <em>tossinha<\/em>?<br>\u2003\u2003\u2014 O pai dela a chama assim quando ela fica resfriada. \u2014 Rosa explicou e as duas sorriram.<br>\u2003\u2003Cora retornou \u00e0 sala com o caf\u00e9 que Rosa tinha preparado antes de chegarem e alguns biscoitos caseiros em uma tigelinha.<br>\u2003\u2003\u2014 Coma querida, depois voc\u00ea sobe, toma um banho e descansa. \u2014 falou a senhora que colocou a bandeja perto da garotinha na lareira, e pediu a filha: \u2014 Rosa chame o seu irm\u00e3o, por favor.<br>\u2003\u2003E Rosa saiu pela porta da sala, apressada. Nicole observava atenciosa ao c\u00f4modo, e sorria para Carolina que lhe encarava cheia de caras e bocas, indicando a del\u00edcia que era saborear aquele biscoito caseiro. Contudo, perspicaz como era, Nicole logo notou que sua tia havia ficado cheia de dedos ap\u00f3s pedir que o filho fosse chamado. Com aquilo, uma pulga se instalou atr\u00e1s de sua orelha, e logo houve uma confirma\u00e7\u00e3o de um problema:<br>\u2003\u2003\u2014 Nicole, gostaria de pedir desculpas a voc\u00ea por qualquer coisa que Bernardo possa dizer. Eu gostaria de t\u00ea-la dito antes, mas talvez voc\u00ea n\u00e3o viesse\u2026<br>\u2003\u2003\u2014 O que houve titia?<br>\u2003\u2003\u2014 Ele \u00e9 um pouco dif\u00edcil, sabe\u2026 Turr\u00e3o, teimoso. E est\u00e1 um pouco desconfort\u00e1vel por recebermos uma nova moradora, desconhecida para ele. Mas, assim que voc\u00eas se conhecerem melhor, se dar\u00e3o muito bem!<br>\u2003\u2003Aquilo era a pior coisa aos ouvidos de Nicole no momento. Como se n\u00e3o bastasse todo o peso de se sentir um estorvo, ela realmente era inc\u00f4modo para algu\u00e9m.<br>\u2003\u2003\u2014 Tudo bem, tia. Eu compreendo. \u2014 respondeu num falso sorriso seguido de um suspiro.<br>\u2003\u2003Ela n\u00e3o poderia dizer outra coisa, poderia?<br>\u2003\u2003Carolina comia gostosamente os biscoitos e advertiu-a que, se ela n\u00e3o os comesse ficaria fraquinha. Fazia caretas enfatizando o quanto estavam deliciosos. E Nicole sorriu, percebendo qu\u00e3o am\u00e1vel, era a pequenina.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>~ \u2665 ~<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Rosa se aproximava das cocheiras dos equinos, depois de correr um pouco para apressar-se. Adentrou pelo galp\u00e3o e observou o irm\u00e3o, que ajeitava o feno no comedouro de Lunia, assobiando tranquilo.<br>\u2003\u2003\u2014 B\u00ea! \u2014 chamou e o irm\u00e3o virou-se para ela sorridente.<br>\u2003\u2003\u2014 Ora, ora! A professorinha veio sujar um pouco os p\u00e9s? \u2014 Rosa que j\u00e1 estava parada ao lado dele deu-lhe uma cotovelada.<br>\u2003\u2003\u2014 Da forma como diz at\u00e9 parece que eu n\u00e3o ajudo nesta fazenda!<br>\u2003\u2003\u2014 Ajuda, pouco. Mas ajuda.<br>\u2003\u2003\u2014 Vou te fazer comer este capim, Bernardo!<br>\u2003\u2003A irm\u00e3 vociferou dando um belisc\u00e3o no homem que. risonho e dolorido desculpou-se:<br>\u2003\u2003\u2014 Estou apenas implicando, irm\u00e3zinha! \u2014 esticou-se para beijar o rosto dela \u2014 O que houve? Por que veio aqui?<br>\u2003\u2003Rosa mordeu os l\u00e1bios e respirou fundo com uma m\u00e3o na cintura e outra a passear pela testa. Encarou Bernardo com sua express\u00e3o de quem sabia que n\u00e3o gostaria de ouvir algo.<br>\u2003\u2003\u2014 Olha s\u00f3, B\u00ea! Antes de qualquer coisa voc\u00ea sabe que esta \u00e9 a casa da mam\u00e3e e ela&#8230;<br>\u2003\u2003\u2014 O que ela fez, Rosa? \u2014 Logo interrompeu largando o garfo de feno num canto e limpando o suor da testa com a pr\u00f3pria camisa.<br>\u2003\u2003\u2014 Ela foi \u00e0 cidade buscar a prima.<br>\u2003\u2003\u2014 Prima!? \u2014 alarmou esbravejando: \u2014 Mas&#8230; Ser\u00e1 poss\u00edvel que a m\u00e3e agora deu para enlouquecer!? Ela realmente veio?<br>\u2003\u2003\u2014 Bernardo! Voc\u00ea sabia que ela viria! Sabia que a m\u00e3e estava preparando tudo, n\u00e3o vai dar de maluco agora!<br>\u2003\u2003\u2014 Sinceramente&#8230; \u2014 Bernardo bufou com o semblante estressado e encarou a irm\u00e3: \u2014 E ent\u00e3o? A mulher chegou e \u00e9 para eu ir l\u00e1, e fazer sala agora!?<br>\u2003\u2003\u2014 Abaixa esta crista comigo que eu sou a sua irm\u00e3 mais velha, moleque! \u2014 Rosa bateu na testa do irm\u00e3o \u2014 Sim, venha logo! E desamarra esta burra!<br>\u2003\u2003Rosa observou o irm\u00e3o de cima a baixo, e saiu tranquila com um sorriso que Bernardo n\u00e3o poderia ver. Ela sabia que ele entraria em surto logo que ela se afastasse. E tal como pensava, aconteceu. Bernardo juntou todos os utens\u00edlios que usava, terminando o seu servi\u00e7o com uma cara nada amig\u00e1vel, lavou m\u00e3os e rosto e encaixou o chap\u00e9u com for\u00e7a em sua cabe\u00e7a. Estava a ponto de chaleira.<br>\u2003\u2003Assim que Nicole se levantou levando as x\u00edcaras \u00e0 cozinha, titia advertiu que n\u00e3o era para ela lav\u00e1-las, sob a justificativa de que a visitante estaria muito cansada. E mesmo que a mulher tenha argumentado contra, aquela senhora era muito boa com argumentos. A visita, como dito, seguiu pelo corredor que ligava sala e cozinha avistando de relance, Carolina correr at\u00e9 a porta de entrada na dire\u00e7\u00e3o de um homem, que sup\u00f4s ser Bernardo. Ele tamb\u00e9m a notou e assim que p\u00f4s os olhos em Nicole, seu rosto n\u00e3o demonstrou rea\u00e7\u00e3o alguma. Seus olhos estavam est\u00e1ticos e ele respirava de modo lento. Ela, silenciosa, tamb\u00e9m o encarava um pouco surpresa pela beleza dele, mas bem mais desconfiada, como se estivesse diante de algu\u00e9m que lhe atacaria. Se estivesse com seu coldre, com certeza a m\u00e3o estaria a postos de puxar sua arma.<br>\u2003\u2003Bernardo voltou o olhar para Carol, e sorriu colocando a garotinha no ch\u00e3o, desfazendo a cara feliz, por uma fei\u00e7\u00e3o desprez\u00edvel, novamente direcionada \u00e0 mulher. Rosa sussurrou que ele se comportasse ao ouvido dele, e sorriu para a sua quase prima. Nicole ainda estava im\u00f3vel encarando-os, a espera de alguma rea\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Bernardo, esta \u00e9 a Nicole. \u2014 Rosa disse os olhando, curiosa: \u2014 Vou at\u00e9 \u00e0 cozinha chamar a mam\u00e3e.<br>\u2003\u2003\u2014 Boa tarde. \u2014 disse ele: \u2014 Ou melhor, boa noite.<br>\u2003\u2003Pronunciou sem olhar para a mulher, apenas colocando seu chap\u00e9u em um suporte atr\u00e1s da imensa porta dupla do casar\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Boa noite. \u2014 respondeu ela.<br>\u2003\u2003Titia chegou e sorriu para os dois, com seu olhar apreensivo para o homem. Carolina brincava com seus brinquedos perto da lareira e j\u00e1 n\u00e3o se importava muito ao que lhe ocorria. Apenas quando fosse conveniente, porque afinal, Carolina era uma crian\u00e7a muito esperta!<br>\u2003\u2003\u2014 Boa noite meu filho, j\u00e1 cumprimentou a Nicole?<br>\u2003\u2003\u2014 Sim. \u2014 respondeu olhando de cima a baixo e indiferente \u00e0 mulher parada a certa dist\u00e2ncia.<br>\u2003\u2003\u2014 Ela \u00e9 muito bonita. \u2014 Carolina disse olhando para ela e sorrindo t\u00edmida.<br>\u2003\u2003\u2014 E voc\u00ea \u00e9 uma princesinha!<br>\u2003\u2003Nicole respondeu agradecida \u00e0 crian\u00e7a e lhe deu uma piscadela com um largo sorriso, logo tornando a falar com os adultos:<br>\u2003\u2003\u2014 Tia, eu gostaria de me repousar e tomar um banho se for poss\u00edvel.<br>\u2003\u2003\u2014 Claro, minha querida. O pen\u00faltimo quarto \u00e0 esquerda, no corredor superior \u00e9 o seu. O banheiro fica na \u00faltima porta de frente para o corredor.<br>\u2003\u2003\u2014 Obrigada. Se todos me d\u00e3o licen\u00e7a\u2026<br>\u2003\u2003Ela disse pegando as malas \u00e0 beirada das escadas enquanto Bernardo a olhava de soslaio.<br>\u2003\u2003\u2014 Bernardo ajude-a com as malas, por favor.<br>\u2003\u2003A ordem da tia se fez, e Nicole tentou evitar simpaticamente.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o \u00e9 preciso, muito obrigada. \u2014 sorriu para ele, que a ignorou completamente.<br>\u2003\u2003Bernardo tirou as bagagens das suas m\u00e3os e subiu. Nicole ent\u00e3o o seguiu pelas escadas, calada e com olhos espantados. Ele manteve-se em sil\u00eancio pelo curto trajeto abrindo a porta do novo quarto da mulher. Entrou e deixou as malas ao p\u00e9 da cama enquanto ela o aguardava sair, parada \u00e0 porta.<br>\u2003\u2003\u2014 O banheiro \u00e9 ali. \u2014 apontou a porta pr\u00f3xima \u00e0 do quarto, por\u00e9m de frente para o corredor.<br>\u2003\u2003\u2014 Obrigada, e me desculpe por incomod\u00e1-lo.<br>\u2003\u2003A resposta de Nicole soou arrogante. Ela compreendia que era a intrusa, mas reconhecia que n\u00e3o tinha um g\u00eanio muito f\u00e1cil. Temeu que n\u00e3o seria muito agrad\u00e1vel conviver com Bernardo, mas agarrava-se \u00e0 ideia de que tudo seria provis\u00f3rio. Ele saiu do quarto, encarando-a sobre os ombros e ela tentou n\u00e3o dar tanta import\u00e2ncia \u00e0quilo.<br>\u2003\u2003Seu quarto era simples e agrad\u00e1vel. Compunha-se de um guarda-roupa antigo com espelho, uma escrivaninha em um canto, tapete no meio. Uma pequena mesinha de abajur ao lado da cama, acima dela uma janela e ao lado uma sacadinha pequena e florida com longas cortinas em tom verde-claro. As portas e janelas em esquadria de madeira com vidra\u00e7as.<br>\u2003\u2003Nicole acabou adormecendo de cansa\u00e7o, e n\u00e3o ouviu Rosa lhe chamando mais tarde para o jantar. Ela estava exausta dos problemas, da viagem e chateada por uma recep\u00e7\u00e3o grosseira de Bernardo, mas confort\u00e1vel por ser bem recebida pelas mulheres da casa. Afinal, era s\u00f3 manter dist\u00e2ncia dele, que um n\u00e3o pisaria no calo do outro.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>05 de Mar\u00e7o de 2019 ~ \u2665 ~ ~ \u2665 ~<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2469],"class_list":["post-9426","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-no-coracao-da-fazenda"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/9426","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9426"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9426"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=9426"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}