{"id":9245,"date":"2025-12-21T10:40:36","date_gmt":"2025-12-21T13:40:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-12-21T10:46:27","modified_gmt":"2025-12-21T13:46:27","slug":"prologo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/eternal-sins\/prologo\/","title":{"rendered":"PR\u00d3LOGO"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Eles n\u00e3o nasceram para<\/span> o amor.Isso foi a primeira coisa que o tempo fez quest\u00e3o de ensinar.<br>\u2003\u2003Entre noites longas demais e sil\u00eancios pesados demais, eles aprenderam a viver com a aus\u00eancia. De esperan\u00e7a, de futuro, de reden\u00e7\u00e3o\u2026<br>\u2003\u2003<strong>As maldi\u00e7\u00f5es vieram antes dos sentimentos.<\/strong><br>\u2003\u2003Vieram como puni\u00e7\u00e3o. Como senten\u00e7a. Como cicatriz que o tempo n\u00e3o apagava.<br>\u2003\u2003Cada um deles carregava o pr\u00f3prio fardo.<br>\u2003\u2003<strong>A solid\u00e3o.<\/strong><br>\u2003\u2003<strong>A ira.<\/strong><br>\u2003\u2003<strong>A sede.<\/strong><br>\u2003\u2003<strong>O vazio.<\/strong><br>\u2003\u2003<strong>A culpa.<\/strong><br>\u2003\u2003<strong>O impulso.<\/strong><br>\u2003\u2003<strong>E\u2026 aquele que sempre observava\u2026 em sil\u00eancio.<\/strong><br>\u2003\u2003Por anos, s\u00e9culos talvez, eles aprenderam a sobreviver assim: <em>Distantes. Frios. Intoc\u00e1veis.<\/em><br>\u2003\u2003Mas foi quando o destino resolveu cruzar os caminhos deles com o improv\u00e1vel\u2026 Com cora\u00e7\u00f5es humanos, fr\u00e1geis, confusos\u2026 e perigosamente vivos demais, que tudo come\u00e7ou a desmoronar.<br>\u2003\u2003Porque o problema nunca foi a eternidade. <em>O problema\u2026 sempre foi sentir.<\/em><br>\u2003\u2003Eles seguiam suas rotinas como sempre fizeram.<br>\u2003\u2003<strong>O primeiro,<\/strong> como sempre, evitava la\u00e7os. Mantinha dist\u00e2ncia de tudo que respirava\u2026 de tudo que pulsava.<br>\u2003\u2003<strong>O segundo<\/strong> afogava a raiva em treinos, golpes e explos\u00f5es de energia\u2026 mas nunca conseguia se livrar dela por completo.<br>\u2003\u2003<strong>O terceiro<\/strong> se escondia atr\u00e1s de sorrisos e provoca\u00e7\u00f5es noturnas, mascarando o v\u00edcio que o consumia.<br>\u2003\u2003<strong>O quarto\u2026<\/strong> bom\u2026 o quarto j\u00e1 tinha aceitado que nada mais o tocaria. A frieza era a \u00fanica constante.<br>\u2003\u2003<strong>O quinto<\/strong> carregava um peso invis\u00edvel, ajudando os outros\u2026 sempre na tentativa in\u00fatil de perdoar a si mesmo.<br>\u2003\u2003<strong>O sexto\u2026<\/strong> continuava correndo, quebrando regras, buscando qualquer coisa que o fizesse sentir vivo\u2026 nem que fosse o perigo.<br>\u2003\u2003<strong>E o s\u00e9timo\u2026<\/strong> apenas observava. Sempre soube mais do que os outros. Sempre soube que o ciclo uma hora iria se repetir.<br>\u2003\u2003Naquela noite em especial, o c\u00e9u parecia mais pesado. O vento estava diferente.<br>\u2003\u2003Como se o pr\u00f3prio mundo respirasse mais fundo\u2026 se preparando para algo que vinha chegando.<br>\u2003\u2003Eles ainda n\u00e3o sabiam. Mas os caminhos estavam tra\u00e7ados.<br>\u2003\u2003Na manh\u00e3 seguinte, um deles ouviria uma frase que o desmontaria.<br>\u2003\u2003Outro trocaria farpas com uma desconhecida de olhos afiados.<br>\u2003\u2003Um terceiro, atr\u00e1s de um balc\u00e3o, entregaria mais do que um simples drink.<br>\u2003\u2003Haveria um olhar trocado em meio a uma sess\u00e3o de fotos\u2026<br>\u2003\u2003Um toque inesperado em uma oficina bagun\u00e7ada\u2026<br>\u2003\u2003Uma troca de palavras em um parque\u2026<br>\u2003\u2003E uma conversa breve\u2026 onde um pedido de ajuda se transformaria em tudo.<br>\u2003\u2003Nada daquilo foi planejado.Nenhum deles escolheu.<br>\u2003\u2003Mas como sempre acontece com as maldi\u00e7\u00f5es\u2026 <em>A escolha nunca foi deles.<\/em><br>\u2003\u2003E a partir dali\u2026<em>Sentir se tornaria inevit\u00e1vel.<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\">\ud83e\ude78\ud83e\ude78\ud83e\ude78<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 O que foi agora? \u2014 Jay bufou, largando o saco de sangue sobre a bancada da cozinha como se fosse lixo comum. \u2014 N\u00e3o me diga que vamos ter outra reuni\u00e3o de terapia em grupo.<br>\u2003\u2003Jake, jogado de qualquer jeito no sof\u00e1, girava uma moeda entre os dedos, entediado.<br>\u2003\u2003\u2014 Se for pra ouvir o discurso do <em>&#8220;precisamos nos controlar&#8221;<\/em>, j\u00e1 deixo avisado que t\u00f4 fora.<br>\u2003\u2003Do outro canto da sala, Sunghoon nem se deu ao trabalho de levantar os olhos do livro que fingia ler h\u00e1 horas.<br>\u2003\u2003\u2014 Como se algum de voc\u00eas soubesse o significado da palavra <em>&#8220;controle&#8221;<\/em> \u2014 murmurou.<br>\u2003\u2003Ni-ki riu, aquele riso curto e debochado que sempre vinha antes de alguma provoca\u00e7\u00e3o:<br>\u2003\u2003\u2014 Falou o morto por dentro \u2014 respondeu, enquanto equilibrava uma garrafa de vidro nas pontas dos dedos, como se desafiasse a gravidade.<br>\u2003\u2003Jungwon, sentado perto da janela, s\u00f3 suspirou.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00eas sabem que a cada s\u00e9culo essa palha\u00e7ada s\u00f3 piora, n\u00e9? \u2014 Ele falou baixo, mas com um cansa\u00e7o que parecia vir de s\u00e9culos. \u2014 Estamos rodando em c\u00edrculos.<br>\u2003\u2003\u2014 S\u00e9culo\u2026 d\u00e9cada\u2026 ano\u2026 dia\u2026 \u2014 Jay deu de ombros, os olhos escuros fixos no teto como se j\u00e1 tivesse decorado cada rachadura. \u2014 Pra mim, tudo j\u00e1 parece igual.<br>\u2003\u2003\u2014 Porque \u00e9. \u2014 Heeseung finalmente quebrou o sil\u00eancio, a voz baixa e arrastada, como quem fala mais pra si mesmo do que pros outros. \u2014 Sempre foi.<br>\u2003\u2003Por um segundo, ningu\u00e9m disse nada.<br>\u2003\u2003O ar na sala ficou pesado. Como sempre ficava quando algu\u00e9m tocava naquele assunto.<br>\u2003\u2003<strong><em>Na maldi\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><br>\u2003\u2003<strong><em>Na eternidade.<\/em><\/strong><br>\u2003\u2003Na fome disfar\u00e7ada, no t\u00e9dio sufocante, <strong><em>na culpa<\/em><\/strong> que cada um carregava de um jeito diferente.<br>\u2003\u2003Sunoo, do canto mais escuro do c\u00f4modo, apenas os observava em sil\u00eancio.<br>\u2003\u2003Ele n\u00e3o ria, n\u00e3o provocava, n\u00e3o reclamava.<br>\u2003\u2003S\u00f3\u2026 via.<br>\u2003\u2003Como sempre fazia.<br>\u2003\u2003Os outros podiam fingir. Podiam brincar com as pr\u00f3prias feridas, zombar da fome, da solid\u00e3o, da culpa\u2026 Mas ele? Ele j\u00e1 sentia. Sentia tudo.<br>\u2003\u2003Antes mesmo de acontecer.<br>\u2003\u2003Foi Jay quem quebrou o sil\u00eancio de novo, com um sorriso torto nos l\u00e1bios:<br>\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 pra constar\u2026 quando a pr\u00f3xima tempestade vier\u2026 n\u00e3o digam que eu n\u00e3o avisei.<br>\u2003\u2003Jake soltou uma risada baixa, sarc\u00e1stica.<br>\u2003\u2003\u2014 Que tempestade?<br>\u2003\u2003Ningu\u00e9m respondeu. Mas, de algum jeito\u2026 todos sabiam.<br>\u2003\u2003Por alguns segundos, o sil\u00eancio reinou de novo. Aquele tipo de sil\u00eancio que s\u00f3 existe entre quem j\u00e1 viu demais\u2026 perdeu demais\u2026 e sobreviveu tempo demais.<br>\u2003\u2003O rel\u00f3gio na parede marcou meia-noite com um estalo seco. Do lado de fora, o vento mudou de dire\u00e7\u00e3o. E, em algum lugar da cidade, seis cora\u00e7\u00f5es humanos batiam\u2026 alheios ao fato de que, nas pr\u00f3ximas horas, seus destinos seriam permanentemente cruzados com o deles.<br>\u2003\u2003Nenhum deles sabia os nomes ainda. Nenhum deles conhecia os rostos. Mas o cheiro da mudan\u00e7a\u2026 O gosto do inevit\u00e1vel\u2026 J\u00e1 pairava no ar.<br>\u2003\u2003<em>Porque o problema nunca foi a sede\u2026 Ou a maldi\u00e7\u00e3o\u2026Ou a eternidade.<\/em><br>\u2003\u2003O problema\u2026 <em>Era que, mais uma vez\u2026 eles estavam prestes a <strong>sentir<\/strong><\/em>.<br>\u2003\u2003E dessa vez\u2026 <strong><em>Ningu\u00e9m sairia ileso.<\/em><\/strong><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\ud83e\ude78\ud83e\ude78\ud83e\ude78<\/p>\n","protected":false},"author":152,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2451],"class_list":["post-9245","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-eternal-sins"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/9245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/152"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=9245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}