{"id":9158,"date":"2025-12-09T14:23:39","date_gmt":"2025-12-09T17:23:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-12-09T14:24:18","modified_gmt":"2025-12-09T17:24:18","slug":"epilogo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/chame-por-cigana\/epilogo\/","title":{"rendered":"Ep\u00edlogo"},"content":{"rendered":"<p>\u2003\u2003Kalisto estava atrasado.<br \/>\n\u2003\u2003Imprecava incessantemente pelo filho da puta do juiz ter remarcado a audi\u00eancia para s\u00e1bado de manh\u00e3 e o amaldi\u00e7oava pelo atraso de quase duas horas.<br \/>\n\u2003\u2003Agora, na casa dos quarenta anos, sua apar\u00eancia era diferente. A barba crescera um pouco e deixara os cabelos ao natural, com seus pequenos cachos fartos.<br \/>\n\u2003\u2003A vida dele mudou radicalmente em virtude da ado\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Amou a nova rotina e o ser humano quem se tornou junto a Rafael no papel de pais.<br \/>\n\u2003\u2003N\u00e3o era f\u00e1cil a responsabilidade paternal. Alguns precoces fios brancos eram exemplos perfeitos disso. As travessuras foram in\u00fameras. Descobrira que o problema n\u00e3o era quando a casa estava barulhenta com gritos, risos, palmas ou falas. O problema era quando o sil\u00eancio existia. Foi assim como comprou um sof\u00e1 novo. Em quest\u00e3o de minutos Luciana foi capaz de derramar um litro de \u00f3leo de cozinha no piso da sala para brincar de escorregar. Completamente melada, usava o sof\u00e1 como apoio para se equilibrar \u2013 e, \u00e9 claro, o encharcando com \u00f3leo vegetal tamb\u00e9m.<br \/>\n\u2003\u2003De outra feita, o beb\u00ea, quando come\u00e7ou andar, sabe-se l\u00e1 Deus como, conseguiu escalar um m\u00f3vel numa altura fatal caso ca\u00edsse. Kalisto, empalidecido, o retirou de l\u00e1 sem fazer movimentos bruscos para n\u00e3o assust\u00e1-lo.<br \/>\n\u2003\u2003Como se n\u00e3o fosse o suficiente, o casal encontrou Luciana brincando com o irm\u00e3o de pintar. Nada de demais. O problema foi que usaram n\u00e3o apenas tinta guache, mas tamb\u00e9m as maquiagens de Rafael. Para tentar se limpar das sombras, r\u00edmel e l\u00e1pis de olho \u2013 tudo com uma forte pigmenta\u00e7\u00e3o preta \u2013 encontrou uma toalha branca intacta a manchando.<br \/>\n\u2003\u2003Ao ver a cena, o susto do ruivo foi t\u00e3o grande que pulou soltando um berro de olhos arregalados.<br \/>\n\u2003\u2003Depois desse epis\u00f3dio, comprou diversas maquiagens infantis. Pelo menos, dessa maneira, n\u00e3o lidaria com o preju\u00edzo de quase setecentos reais, inclusive porque algumas sequer usara ainda.<br \/>\n\u2003\u2003Na \u00faltima semana, enquanto agradecia aos c\u00e9us por n\u00e3o haver fortes assombros das crian\u00e7as, Kalisto assistia a TV tranquilamente. O marido fora ao mercado com a filha, ent\u00e3o estava sozinho com Gabriel, agora com cinco anos. Infelizmente, seu momento de sossego durou nem dez segundos.<br \/>\n\u2003\u2003O menino veio do banheiro saltitando. Parou na frente do pai falando:<br \/>\n\u2003\u2003- Papai, eu bem vi um v\u00eddeo de um mo\u00e7o dando mortal. Deixa eu ver se \u00e9 assim.<br \/>\n\u2003\u2003O moreno sequer teve tempo de emitir som. P\u00f4de jurar que o cora\u00e7\u00e3o falhou algumas batidas ao ver o filho reproduzindo um mortal pra tr\u00e1s perfeito sem jamais antes ter realizado o movimento ou, pelo menos, treinado com o aux\u00edlio de algu\u00e9m.<br \/>\n\u2003\u2003- Consegui! \u2013 comemorou o pequeno.<br \/>\n\u2003\u2003Tr\u00eamulo, suando e sentindo fraqueza, Kalisto foi para a cozinha o levando junto para evitar um poss\u00edvel ataque card\u00edaco. Bem, pelo menos foi uma prova concreta do qu\u00e3o bem seu cora\u00e7\u00e3o funcionava. Colocou uma pitada de sal embaixo da l\u00edngua pela press\u00e3o ter abaixado subitamente.<br \/>\n\u2003\u2003Os tr\u00e2mites legais correram r\u00e1pido para conseguirem a autoriza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para ficarem com Luciana e Gabriel. No \u00fanico problema ocorrido, o qual deixou toda a fam\u00edlia em pavorosa, apenas ouvira de Bianca, quem se aborreceu com a situa\u00e7\u00e3o:<br \/>\n\u2003\u2003- Ah, mas essa porra ser\u00e1 solucionada, sim! Nem que pra isso eu tenha que dar o nome de cada um de voc\u00eas pra Maria Padilha quando for conversar com ela no terreiro que meu irm\u00e3o vai.<br \/>\n\u2003\u2003Jamais saberiam se Mia honrou sua palavra porque, no dia em quest\u00e3o da gira, Princess teve um show para ir. Por\u00e9m, em menos de cinco dias o problema foi solucionado e as coisas se encaminhariam.<br \/>\n\u2003\u2003Apesar da correria cotidiana, seu menino conseguia tempo h\u00e1bil para aproveitar com os pequenos. Se divertiu quando as laces foram encontradas guardadas no arm\u00e1rio. N\u00e3o era incomum v\u00ea-los com suas perucas ou passando maquiagens \u2013 agora, maquiagens infantis, bem diferente das suas em consequ\u00eancia da travessura citada anteriormente.<br \/>\n\u2003\u2003As crian\u00e7as cresciam com dignidade. Tinham acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, atividades extras, vestimentas adequadas&#8230; Os pais se alegravam em proporcionar festas de anivers\u00e1rio, passeios, viagens e diversos momentos de alegria os quais eram registrados pelos familiares. E, \u00e9 claro, assim como toda e qualquer crian\u00e7a, de vez em quando se deparavam com o que n\u00e3o deveria.<br \/>\n\u2003\u2003Foram obrigados a guardas alguns produtos indevidos para menores de idade \u2013 mais especificamente, o lubrificante. Na noite de uma ter\u00e7a-feira, Mia quase arrancou os cabelos do irm\u00e3o. Batia incessantemente nele com o travesseiro dentro do quarto do casal, bem longe das vistas das crian\u00e7as.<br \/>\n\u2003\u2003- Guarda direito as suas coisas, cacete! \u2013 pedia entredentes \u2013 Nem sei qual foi a hist\u00f3ria doida que inventei pra explicar o que era o KY pra Lulu!<br \/>\n\u2003\u2003- Voc\u00ea falou que era pra passar no c\u00fa?! \u2013 Rafael berrou petrificado.<br \/>\n\u2003\u2003Ao se dar conta da frase, Mia teve um acesso de riso e o irm\u00e3o gritou diversas vezes em pleno desespero:<br \/>\n\u2003\u2003- Cozido! Cozido do almo\u00e7o! \u00c9 pra temperar a carne pro cozido pra comer depois.<br \/>\n\u2003\u2003- Teoricamente voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 errado. \u2013 Mia mal conseguia soar compreens\u00edvel de tanto rir.<br \/>\n\u2003\u2003Estacionou o carro na rua faltando duas quadras para alcan\u00e7ar o teatro pelo engarrafamento horroroso, ent\u00e3o chegou ao teatro sem f\u00f4lego de tanto correr.<br \/>\n\u2003\u2003Se localizou em meio \u00e0 multid\u00e3o com a ajuda do marido, quem sacudia a m\u00e3o para se aproximar.<br \/>\n\u2003\u2003A apar\u00eancia de Rafael tamb\u00e9m sofrera altera\u00e7\u00f5es. Deixou o cabelo crescer caindo em ondas macias contornando o rosto \u2013 e escolhia cortar alguns poucos cent\u00edmetros quando atingiam os ombros. Colocou piercing no nariz e o gosto por maquiagens leves para real\u00e7arem a beleza permaneceu. Agora, completamente confiante, acordava bem cedo para malhar durante a semana. Se perguntassem o motivo de n\u00e3o aproveitar mais algumas horas de sono, respondia a mesma frase:<br \/>\n\u2003\u2003- Tenho um marido exemplar, dois filhos maravilhosos, amigos incr\u00edveis, um emprego que adoro e uma fam\u00edlia que me ama pra cacete! N\u00e3o tenho tempo pra perder correndo o risco de ter uma crise de ansiedade por causa de estresse.<br \/>\n\u2003\u2003Hoje n\u00e3o malhava por inseguran\u00e7as com o corpo ou pra perder peso \u2013 assim como Andr\u00e9 queria quando eram namorados. Malhava para controlar a ansiedade com o aux\u00edlio do exerc\u00edcio f\u00edsico.<br \/>\n\u2003\u2003- Que demora da porra foi essa, amor?<br \/>\n\u2003\u2003Deu um selinho nele, se acomodando na cadeira ao seu lado.<br \/>\n\u2003\u2003- Foi uma merda. \u2013 sussurrava aproveitando a troca de turmas pra explicar \u2013 O tr\u00e2nsito est\u00e1 um c\u00fa, o juiz se atrasou&#8230; \u2013 cansado, afrouxava a gravata \u2013 Corri igual um filho da puta. \u2013 apanhou a garrafinha de \u00e1gua estendida pela m\u00e3e, tomando o l\u00edquido em longas goladas.<br \/>\n\u2003\u2003- Ainda bem que chegou. Do contr\u00e1rio eu ficaria puto contigo de um jeito que nem sei.<br \/>\n\u2003\u2003Kalisto sabia. Sabia, sim. E como sabia.<br \/>\n\u2003\u2003Da primeira e \u00faltima vez que se atrasou para um evento das crian\u00e7as, nesse caso na escola, passou quase tr\u00eas meses sem transar. Quando finalmente o cora\u00e7\u00e3o de Rafael amoleceu por compreender que a culpa n\u00e3o foi do moreno, j\u00e1 que houvera um acidente envolvendo pessoas feridas na estrada, o que ocasionou um engarrafamento terr\u00edvel, deixaram os filhos com uma das av\u00f3s durante o dia. Quando retornaram, o ruivo caminhava de uma maneira um pouco desengon\u00e7ada com semblantes bem tranquilos, al\u00e9m de passarem o resto do m\u00eas num bom-humor admir\u00e1vel.<br \/>\n\u2003\u2003Agora, estavam sentados com sua fam\u00edlia no teatro para assistirem \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de jazz de Luciana, quem completara seus oito anos. Os pais eram doidos para v\u00ea-la com o figurino ador\u00e1vel de ballet, entretanto a menina detestava aquela modalidade.<br \/>\n\u2003\u2003- Pai&#8230; \u2013 reclamou ao ouvir pela quinta vez o quanto ficaria fofa naquela roupa \u2013 Olha pra mim. Aonde que eu faria ballet por pura e espont\u00e2nea vontade? Tem nada a ver comigo, poxa.<br \/>\n\u2003\u2003Era verdade.<br \/>\n\u2003\u2003A personalidade da menina n\u00e3o combinava com a modalidade. Era teimosa \u2013 como Kalisto \u2013, forte, costumava falar alto sem notar \u2013 assim como Rafael. N\u00e3o gostava de nada excessivamente delicado ou rosa demais. Al\u00e9m disso, praticava capoeira desde os seis anos. Capoeira, jazz e sapateado se alinhavam bem mais na sua personalidade, bastante diferente do ballet.<br \/>\n\u2003\u2003Micaela seguiu os avisos passados pelo filho sobre a causa que entrara em julgamento, influenciado pela mo\u00e7a. Conseguira provar legalmente que n\u00e3o foi ressarcida pelo seu acidente, ent\u00e3o recebeu um alto montante pelos anos sem receber o sal\u00e1rio devido al\u00e9m do custo extra pelo crime cometido pelo ex chefe. E, devido a outros tr\u00e2mites, pelo INSS, ganhava um valor extra todo m\u00eas. Por causa disso, conseguiu reformar a casa, comprar roupas melhores e ter uma melhor qualidade de vida junto com a filha, agora na faculdade de Psicologia. Pelo sal\u00e1rio, aproveitou para pagar uma atividade extracurricular de cada neto.<br \/>\n\u2003\u2003Observando as crian\u00e7as, deu-se conta de como era ruim para elas passarem o dia inteiro em casa depois da escola. Ent\u00e3o, foram matriculados em outras atividades para n\u00e3o ficarem em \u00f3cio. Canalizavam a energia e a aten\u00e7\u00e3o em outras \u00e1reas, como dan\u00e7a, luta e a aprendizagem de outro idioma, mais especificamente ingl\u00eas. Como energia n\u00e3o falta na inf\u00e2ncia, os pais adoravam quando chegavam sonolentas no per\u00edodo da noite.<br \/>\n\u2003\u2003Gabriel, com cinco anos, estava no colo da av\u00f3. Costumava assistir aos ensaios de outras turmas \u2013 dentre elas a infantil que se apresentaria ap\u00f3s a da irm\u00e3 \u2013 enquanto aguardava junto com Micaela, Mia, o av\u00f4 ou Lisandra a irm\u00e3 sair das aulas. Por causa disso, logo notou a falta de um menino, quem havia passado mal e n\u00e3o pudera ir. Como havia sequ\u00eancias em dupla, uma menina ficaria sem par \u2013 e era n\u00edtido como a menina estava triste com isso.<br \/>\n\u2003\u2003- Vov\u00f3, quero fazer xixi. \u2013 pediu com outros planos em mente.<br \/>\n\u2003\u2003Aproveitou a distra\u00e7\u00e3o de Lisandra, quem entregara a bolsa para a filha. Pulou do colo e correu para o palco. Os pais s\u00f3 o viram quando se aproximava do palco, ent\u00e3o n\u00e3o tiveram tempo de alcan\u00e7a-lo. Por\u00e9m, ao verem a cena, Kalisto abra\u00e7ou Rafael por tr\u00e1s, lutando contra as l\u00e1grimas de emo\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Gabriel, por conhecer a coreografia simples, a dan\u00e7ou, fazendo par com a menina de quatro anos. A cena sensibilizou o p\u00fablico, isso sem mencionar Rafael cujas l\u00e1grimas desciam embora tivesse um largo sorriso no rosto e o marido beijasse o topo de sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2003\u2003No encerramento do espet\u00e1culo de dan\u00e7a Gabriel se distraiu com uma borboleta. A acompanhou voando, se distanciando cada vez mais da fam\u00edlia. Muitos foram parabeniza-los pelo comportamento doce do menino, ent\u00e3o foi f\u00e1cil sair das vistas deles.<br \/>\n\u2003\u2003A ampla \u00e1rea externa estava vazia, exceto por ele. Brincava tentando pegar a borboleta cuja cor das asas era amarela \u2013 a sua favorita.<br \/>\n\u2003\u2003Uma figura o observava ao longe cheia de amor maternal.<br \/>\n\u2003\u2003Agora, L\u00facia estava recuperada. Trajava um volumoso vestido preto cujo corpete vinho delineava a cintura. Por sempre gostar de flores, era comum v\u00ea-la com uma rosa vermelha nos cabelos fartos. Havia se fortalecido, j\u00e1 trabalhando para ajudar meninas como quem ela fora \u2013 e seu trabalho era maravilhoso.<br \/>\n\u2003\u2003A mulher come\u00e7ou a entoar um c\u00e2ntico para atrair a voz do filho.<\/p>\n<p><em>\u2003\u2003\u201cPapai, me mande um bal\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Mas com todas crian\u00e7as que t\u00eam l\u00e1 no c\u00e9u<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Papai, me mande um bal\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Mas com todas crian\u00e7as que tem l\u00e1 no c\u00e9u<\/em><\/p>\n<p><em>\u2003\u2003Tem doce, papai<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Tem doce, mam\u00e3e<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Tem doce l\u00e1 no jardim<\/em><\/p>\n<p><em>\u2003\u2003Tem doce, papai<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Tem doce, mam\u00e3e<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Tem doce l\u00e1 no jardim\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003Por ouvir a m\u00fasica seguiu a voz feminina at\u00e9 encontrar a sua origem. N\u00e3o teve medo da desconhecida ao se deparar com ela. Os sentimentos de L\u00facia eram t\u00e3o fortes, leves e verdadeiros que essa energia era emanada at\u00e9 ele, o atingindo.<br \/>\n\u2003\u2003- Meu anjinho. \u2013 se agachou ficando na altura dele \u2013 Voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o bonito, t\u00e3o bem cuidado, tratado&#8230; Fico feliz por estar t\u00e3o bem.<br \/>\n\u2003\u2003- Quem \u00e9 voc\u00ea, tia?<br \/>\n\u2003\u2003A m\u00e3e fez um muxoxo pelo t\u00edtulo.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu me sinto muito velha sendo chamada de tia.<br \/>\n\u2003\u2003- Desculpa.<br \/>\n\u2003\u2003- Ah, n\u00e3o tem problema. Pode me chamar de mo\u00e7a. Tudo bem?<br \/>\n\u2003\u2003- Tudo bem.<br \/>\n\u2003\u2003- Ent\u00e3o, respondendo a sua pergunta. Eu sou uma amiga. Ajudo a cuidar de voc\u00ea e da sua irm\u00e3.<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9, mesmo? \u2013 os olhinhos brilharam com a informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9. E o que est\u00e1 fazendo aqui fora?<br \/>\n\u2003\u2003Apontou para o inseto repousado numa flor branca.<br \/>\n\u2003\u2003- Gosta de borboletas?<br \/>\n\u2003\u2003- Gosto.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu tamb\u00e9m, mas aqui fora est\u00e1 vazio. Por que n\u00e3o me acompanha? Seus pais devem estar te procurando.<br \/>\n\u2003\u2003- Ti, quero dizer, mo\u00e7a.<br \/>\n\u2003\u2003- Sim?<br \/>\n\u2003\u2003- Se meus papais perguntarem de voc\u00ea, o que eu falo?<br \/>\n\u2003\u2003- Avisa pro seu papai baixinho que ele n\u00e3o poderia cumprir melhor a promessa que fez pra mim h\u00e1 muito tempo.<br \/>\n\u2003\u2003- Qual promessa foi?<br \/>\n\u2003\u2003- Cuidar de voc\u00ea e da sua irm\u00e3. \u2013 se p\u00f4s de p\u00e9 \u2013 Vamos?<br \/>\n\u2003\u2003E assim, a m\u00e3e o levou at\u00e9 os seus pais de cora\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003Agarrado na perna de Lisandra, acenava para a m\u00e3e, rindo com as caretas engra\u00e7adas feitas por ela para diverti-lo.<br \/>\n\u2003\u2003- O que foi, Gabriel? \u2013 indagou Rafael observando o filho.<br \/>\n\u2003\u2003- A tia, papai. Quero dizer, mo\u00e7a. Ali, olha.<br \/>\n\u2003\u2003Apontou para um ponto onde n\u00e3o havia ningu\u00e9m.<br \/>\n\u2003\u2003- Ela \u00e9 muito bonita. \u2013 comentou batendo palmas se divertindo por v\u00ea-la girar algumas vezes com uma m\u00e3o na cintura.<br \/>\n\u2003\u2003- Ah, \u00e9? \u2013 intrigado, se agachou ao lado da crian\u00e7a \u2013 Quem \u00e9 ela?<br \/>\n\u2003\u2003- Me contou que \u00e9 uma amiga. Protege eu e a Lulu.<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o te contou mais nada?<br \/>\n\u2003\u2003- S\u00f3 que voc\u00ea est\u00e1 cumprindo bem a promessa de cuidar da gente.<br \/>\n\u2003\u2003Mesmo sem ver, sentiu o olhar carregado de agradecimento de L\u00facia, quem seria eternamente grata.<\/p>\n<p>\u2003\u2003Ap\u00f3s colocar Gabriel para dormir, Rafael acompanhou a filha at\u00e9 o quarto.<br \/>\n\u2003\u2003- Boa noite, Lulu.<br \/>\n\u2003\u2003Ia apagar a luz, mas a menina o chamou.<br \/>\n\u2003\u2003- Papai, me tira uma d\u00favida?<br \/>\n\u2003\u2003Foi at\u00e9 ela, se agachando no ch\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Claro.<br \/>\n\u2003\u2003- Hoje quando fomos lanchar depois da minha apresenta\u00e7\u00e3o, vi uma mo\u00e7a com um vestido vermelho muito bonito e um mo\u00e7o de terno com uma bengala. N\u00e3o foi a primeira vez. J\u00e1 os vi antes e sempre est\u00e3o perto da gente. Voc\u00ea os conhece?<br \/>\n\u2003\u2003- Sim, minha princesinha.<br \/>\n\u2003\u2003- Quem s\u00e3o?<br \/>\n\u2003\u2003- S\u00e3o amigos meus e do seu pai. Foram eles quem ajudaram voc\u00ea e o Gabe a ficarem conosco.<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9 por isso, tamb\u00e9m, que eu sinto cheiro de perfume e fuma\u00e7a aqui?<br \/>\n\u2003\u2003- \u00c9, sim. N\u00e3o precisa ter medo deles, n\u00e3o. J\u00e1 nos ajudaram bastante.<br \/>\n\u2003\u2003- Posso conhecer eles?<br \/>\n\u2003\u2003- N\u00e3o s\u00f3 pode, como vai.<br \/>\n\u2003\u2003- Eles devem ser bonzinhos, mesmo, porque a gente n\u00e3o podia ter melhores papais.<br \/>\n\u2003\u2003A declara\u00e7\u00e3o encheu o cora\u00e7\u00e3o do adulto de emo\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- E a gente n\u00e3o poderia ter melhores filhos, princesa. Anda, vai descansar. Est\u00e1 ficando tarde. \u2013 deu um beijo na testa \u2013 Boa noite. Te amo.<br \/>\n\u2003\u2003- Te amo, papai.<br \/>\n\u2003\u2003O aguardou bater a porta para, furtivamente, descer da cama. Descal\u00e7a, foi at\u00e9 a janela, de onde podia ver o c\u00e9u.<br \/>\n\u2003\u2003- Mam\u00e3e, voc\u00ea me viu dan\u00e7ando hoje, n\u00e9? Foi muito legal. Eu n\u00e3o pude te ver, mas eu acho que estava l\u00e1. Te amo, mam\u00e3e. \u2013 mandou um beijo em dire\u00e7\u00e3o a Lua \u2013 Boa noite porque estou ficando com soninho.<br \/>\n\u2003\u2003Instantes depois de deitar na cama, sentiu o afago maternal de L\u00facia nos cabelos ondulados.<br \/>\n\u2003\u2003- Tamb\u00e9m te amo, anjinha. \u2013 murmurou quando a menina adormeceu.<\/p>\n<p>\u2003\u2003Kalisto deixou a porta do quarto encostada, ent\u00e3o viu quando Kiara e o vira-lata de porte pequeno entraram sorrateiros.<br \/>\n\u2003\u2003- H\u00e3, h\u00e3, h\u00e3. Nada disso.<br \/>\n\u2003\u2003Repreendeu os c\u00e3es indo at\u00e9 eles.<br \/>\n\u2003\u2003Da \u00faltima vez, n\u00e3o entendeu o motivo deles simplesmente desaparecerem de vez em quando sem o port\u00e3o estar aberto. Depois descobriram que se escondiam embaixo da cama do casal para dormir. Desde ent\u00e3o, era uma regra manter o c\u00f4modo fechado. Al\u00e9m de, \u00e9 claro, comprarem um m\u00f3vel novo com uma tranca na gaveta ao lado da cama onde guardavam o lubrificante cuja chave foi escondida num lugar incapaz das crian\u00e7as alcan\u00e7arem.<br \/>\n\u2003\u2003- Kiara, Rams. Venham.<br \/>\n\u2003\u2003Atravessou a sala com os c\u00e3es, um caramelo e outro preto.<br \/>\n\u2003\u2003Costumavam dizer que eram um casal no mundo animal. Um n\u00e3o sa\u00eda de perto do outro. Dormiam juntos, brincavam e, quando Kiara precisou passar por um procedimento cir\u00fargico, Rams ficou cabisbaixo. A procurou em todos os c\u00f4modos. Sequer se alimentava. Pareceu ganhar vida quando a gata passou pela porta, indo de imediato ao seu encontro.<br \/>\n\u2003\u2003Quinze minutos depois Rafael se acomodou em seu colo sem esquecer de trancar a porta. O beijou com ternura, arrancando do marido um suspiro de satisfa\u00e7\u00e3o. O finalizou dando uma mordidinha no l\u00e1bio inferior.<br \/>\n\u2003\u2003- Como \u00e9 bom sentir voc\u00ea assim de novo comigo.<br \/>\n\u2003\u2003O ruivo comentou se virando de costas para ele, quem separou as pernas para acomoda-lo. Recostou as costas no peitoral, sentindo o calor emanado dele.<br \/>\n\u2003\u2003- Digo o mesmo. \u2013 o apertou contra si do jeitinho como sabia que o ruivo gostava \u2013 Te amo, beb\u00ea.<br \/>\n\u2003\u2003Aproveitaram aquela uni\u00e3o por longos minutos. Como ainda era s\u00e1bado, podiam continuar mais tempo acordados sem se importarem de acordar cedo no dia seguinte. Trocavam carinhos m\u00fatuos, sentindo batimentos card\u00edacos, as respectivas respira\u00e7\u00f5es e toques.<br \/>\n\u2003\u2003Mais tarde conversaria com Rafael sobre um assunto que j\u00e1 vinha pensando em trazer a pauta.<br \/>\n\u2003\u2003Amava a sua vida tanto quanto seu menino. Era devoto aos filhos, era \u00f3timo no trabalho e estava satisfeito com a sua fam\u00edlia. Por\u00e9m, havia algo que estava sendo deixado de lado devido \u00e0 rotina corrida \u2013 o casal.<br \/>\n\u2003\u2003Os dois se amavam como antes. Era ineg\u00e1vel. Todavia, existia muito a se pensar no decorrer do dia. Em consequ\u00eancia, a vida deles como casal era ignorada. Era importante estarem conectados, por mais corrida fosse a rotina com trabalho, os afazeres dom\u00e9sticos, a vida art\u00edstica de Princess e a cria\u00e7\u00e3o de duas crian\u00e7as \u2013 crian\u00e7as essas que j\u00e1 conheciam a persona art\u00edstica.<br \/>\n\u2003\u2003Uma vez Rafael precisou se arrumar em casa junto a sua equipe. Quando estavam saindo, quase duas da manh\u00e3, Gabriel cambaleava em dire\u00e7\u00e3o a cozinha co\u00e7ando o olho. Ao avist\u00e1-la, pestanejou sonolento algumas vezes sem reconhecer a loira com mechas rosas, quem tamb\u00e9m congelara ao ver o menino.<br \/>\n\u2003\u2003- Gabriel, meu lindo. Por que est\u00e1 acordado?<br \/>\n\u2003\u2003- Papai ou mam\u00e3e? \u2013 reconheceu a voz do pai, mas n\u00e3o entendeu porque estava vestido como menina e maquiado.<br \/>\n\u2003\u2003- Sou seu pai, mas, agora, estou&#8230; \u2013 fez um movimento de cima abaixo pelo corpo \u2013 Assim.<br \/>\n\u2003\u2003- Ah&#8230;<br \/>\n\u2003\u2003Foi at\u00e9 ela, a segurando pela m\u00e3o.<br \/>\n\u2003\u2003- Mam\u00e3e, pega \u00e1gua pra mim? Estou com sede.<br \/>\n\u2003\u2003Desde ent\u00e3o, Gabriel e Luciana passaram a ter mais contato com Princess, se divertindo com ela quando gravava os v\u00eddeos.<br \/>\n\u2003\u2003De olhos fechados, sentia os toques de Kalisto percorrendo o corpo. O arranhava pelas car\u00edcias se tornarem cada vez mais lascivas. Quando a l\u00edngua percorreu o pesco\u00e7o, se remexeu entregue ao prazer.<br \/>\n\u2003\u2003O pau endurecera rapidamente, reclamando por aten\u00e7\u00e3o. O moreno parecia desejar instiga-lo cada vez mais, tocando-o em todos os lugares, exceto onde mais queria. Por fim, j\u00e1 ofegante e sem conseguir elaborar algum pensamento, agarrou a m\u00e3o morena e a direcionou entre as pernas.<br \/>\n\u2003\u2003- Safadinho. \u2013 murmurou com a voz rouca.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu preciso de voc\u00ea. \u2013 choramingou.<br \/>\n\u2003\u2003De imediato abaixou o short pu\u00eddo com a cueca branca, apanhando o membro grosso sem se demorar a iniciar a masturba\u00e7\u00e3o lenta. O ruivo estava relaxado com o marido suportando o peso do pequeno corpo.<br \/>\n\u2003\u2003- Beb\u00ea&#8230; Eu sinto falta de ficar assim contigo. \u2013 sussurrou contra a bochecha.<br \/>\n\u2003\u2003- Eu tamb\u00e9m. \u2013 gemeu mudando aos poucos a express\u00e3o f\u00e1cil a medida que o prazer aumentava.<br \/>\n\u2003\u2003Impaciente pelas roupas atrapalharem, Kalisto, seguido pelo marido, retirou as pe\u00e7as, ficando desnudos. Rafael sentou em seu colo. Arquejou quando Kalisto voltou a masturba-lo. Se contorcendo, deitou a cabe\u00e7a no ombro do amado o abra\u00e7ando.<br \/>\n\u2003\u2003- Preciso de mais momentos s\u00f3 nossos. Te amo demais pra querer o contr\u00e1rio. \u2013 confidenciou em sua orelha antes de distribuir lambidas nela.<br \/>\n\u2003\u2003- Aiiiiin&#8230; \u2013 o gemido baixinho arrepiou o outro \u2013 Vamos come\u00e7ar a passar um tempo sozinhos com mais fr\u00ea&#8230; \u2013 cravou as unhas nas costas largas \u2013 Com mais frequ\u00eancia.<br \/>\n\u2003\u2003- Pode ser semana que vem, ent\u00e3o? Passamos o dia num hotel ou voltamos no dia seguinte.<br \/>\n\u2003\u2003- O que voc\u00ea quiser. Agora, por favor, me beija ao inv\u00e9s de falar.<br \/>\n\u2003\u2003Num sorriso satisfeito, Kalisto lhe deu um beijo de tirar o f\u00f4lego.<br \/>\n\u2003\u2003De fato, o combinado seria seguido. N\u00e3o passaram mais do que cinco meses sem terem um ou dois dias separados exclusivamente para eles. Anos mais tarde, quando as crian\u00e7as atingissem a maioridade, aproveitariam para viajar por, no m\u00e1ximo, sete dias quando fosse poss\u00edvel. Amavam, sim, os filhos. Por\u00e9m, se amavam t\u00e3o intensamente quanto.<\/p>\n\u2003\u2003Do lado de fora, tr\u00eas figuras distintas passavam pela cal\u00e7ada \u2013 mais especificamente uma Cigana com vestes vermelhas, uma mo\u00e7a com um vestido negro de corpete vermelho e um elegante malandro de terno branco com chap\u00e9u e bengala. O c\u00e2ntico da cigana ecoava pela rua enquanto a Menina da Estrada soltava gargalhadas e Z\u00e9 fumava seu charuto.\n<p><em>\u2003\u2003\u201cNuma noite linda<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Numa noite estrelada<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u20037 pontos de estrela marcavam a encruzilhada<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u20037 passos \u00e0 esquerda um acampamento<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Uma dama cigana marcava o movimento<\/em><\/p>\n<p><em>\u2003\u2003Com seu leque de cartas<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Ao lado da fogueira<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Ela leu a minha m\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003E me falou da minha vida inteira<\/em><\/p>\n<p><em>\u2003\u2003O seu nome eu perguntei<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Ela me respondeu<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003O meu nome eu te dou<\/em><br \/>\n<em>\u2003\u2003Sou Esmeralda, a Cigana do amor\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u2003\u2003E assim como a Pombo-Gira Cigana e Z\u00e9 Pilintra do Morro socorreram Rafael, Kalisto e Bruno os retirando da escurid\u00e3o para encaminh\u00e1-los de encontro a felicidade, Pombo-Gira Menina da Estrada cuidava dos seus filhos na espiritualidade ap\u00f3s entrega-los aos seus pais adotivos.<br \/>\n\u2003\u2003O trio se encaminhava pela larga cal\u00e7ada deserta para socorrer outra pessoa quem passava por dificuldades similares as de Rafael h\u00e1 alguns anos.<br \/>\n\u2003\u2003O destino de Rafael foi alterado n\u00e3o quando Andr\u00e9 armou o terr\u00edvel plano para separ\u00e1-lo de quem amava, mas sim quando permitiu que seus caminhos fossem direcionados por entidades as quais ingeriam bebida alco\u00f3lica, fumavam cigarro e charuto e xingavam simplesmente porque suas energias eram mais humanas, portanto, compat\u00edveis com a energia do planeta. Entretanto, isso n\u00e3o as tornavam inferiores. De maneira alguma. Eram \u00f3timas trabalhadoras, focadas em auxiliar quem as procurava.<br \/>\n\u2003\u2003Dizem que, ao passar numa encruzilhada, num cemit\u00e9rio, na areia de praia ou numa estrada, \u00e9 comum sentir a presen\u00e7a delas. E, se por acaso ouvir uma gargalhada feminina estridente ou uma risada mais rouca quando estiver na rua, agrade\u00e7a. N\u00e3o poderia estar mais protegido, mesmo caminhando sozinho.<br \/>\n\u2003\u2003A rua tem dono \u2013 Ex\u00fas, Pombo-Giras, Malandragem. Portanto, jamais a tema. A respeite e saiba ser grato quando acontecer um livramento da porta da sua casa pra rua. Foram eles que n\u00e3o permitiram. E se algo aconteceu&#8230; Bem, j\u00e1 sabem a quem o algoz prestar\u00e1 contas \u2013 e n\u00e3o ser\u00e1 bonito de se presenciar.<\/p>\n\u2003\u2003Boa noite, para quem \u00e9 de boa noite.\n<h2 align=\"center\">FIM<\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003\u201cPapai, me mande um bal\u00e3o \u2003\u2003Mas com todas crian\u00e7as que t\u00eam l\u00e1 no c\u00e9u \u2003\u2003Papai, me mande um bal\u00e3o \u2003\u2003Mas com todas crian\u00e7as que tem l\u00e1 no c\u00e9u \u2003\u2003Tem doce, papai \u2003\u2003Tem doce, mam\u00e3e \u2003\u2003Tem doce l\u00e1 no jardim \u2003\u2003Tem doce, papai \u2003\u2003Tem doce, mam\u00e3e \u2003\u2003Tem doce l\u00e1 no jardim\u201d \u2003\u2003\u201cNuma noite linda \u2003\u2003Numa noite [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2247],"class_list":["post-9158","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-chame-por-cigana"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/9158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=9158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}