{"id":8637,"date":"2020-06-18T17:18:00","date_gmt":"2020-06-18T20:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-18T17:19:15","modified_gmt":"2025-11-18T20:19:15","slug":"capitulo-2","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/sirena-del-atlantis\/capitulo-2\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2"},"content":{"rendered":"\n<p>&emsp;&emsp;Quase n\u00e3o dormi durante a noite. Dana e Jack ficaram grande parte da madrugada acordadas comigo, me contando como acabaram prisioneiras. Assim, descobri que a hist\u00f3ria de Jack \u00e9 um pouco similar \u00e0 minha: os piratas invadiram sua cidade e a levaram, deixando seu irm\u00e3o mais novo e pais para tr\u00e1s. A garota de cabelos pretos est\u00e1 a tr\u00eas meses presa nesse navio, e apesar de n\u00e3o gostar, ela diz que se sente aliviada por ter sido a \u00fanica de sua fam\u00edlia a passar por isso. Jack tamb\u00e9m disse que, com frequ\u00eancia, consegue enviar para sua fam\u00edlia algumas moedas de ouro que ela recebe por seus servi\u00e7os aqui no navio; e que isso \u00e9 a \u00fanica boa de toda essa grande bagun\u00e7a, pois, segundo ela, sua fam\u00edlia n\u00e3o tinha uma condi\u00e7\u00e3o financeira muito boa, e agora com todas essas moedas de outro, ela sabia que estava os ajudando muito.<br>\n&emsp;&emsp;J\u00e1 Dana &#8211; a ador\u00e1vel -, como falou noite passada, est\u00e1 presa nesse navio por quatro anos. A mulher de cabelos curtos e vermelhos revelou sentir muito a falta de seus filhos e, principalmente, do neto. Entretanto, de alguma forma, percebi durante a nossa conversa que Dana n\u00e3o odeia os piratas ou qualquer coisa do tipo, ela, na verdade, parece se dar muito bem com eles, pelo que diz. Ela tamb\u00e9m confessou que estando h\u00e1 tantos anos cativa, teve tempo o suficiente para entender os piratas, passando, assim, a desenvolver uma esp\u00e9cie de afeto por eles.<br>\n&emsp;&emsp;Acabei sendo a \u00faltima a dizer alguma coisa, sendo breve. As duas me escutaram sem intromiss\u00f5es, e tentaram me consolar todas \u00e0s vezes em que fiquei triste ao pensar que daqui a alguns meses, talvez seja eu a consolar outra prisioneira, enquanto me conformo com o meu novo destino nos mares. E para me animar, Dana acabou me dando um apelido:&nbsp;<em>peixinho<\/em>, pois, segundo ela, os meus olhos azuis lembravam a imensid\u00e3o azul dos oceanos.<br>\n&emsp;&emsp;Ap\u00f3s muita conversa, n\u00f3s finalmente fomos dormir um pouco, e depois fomos acordadas pela mesma garota de cabelos loiros-escuros que me trouxe para o quarto ontem. Dana e Jack me disseram que ela se chama Inez, uma fiel pirata do Capit\u00e3o Hanna. As duas disseram que eu n\u00e3o deveria me preocupar com Inez, pois, ela era legal, contanto que eu seguisse as regras do navio.<br>\n&emsp;&emsp;Inez nos levou at\u00e9 um banheiro comunit\u00e1rio s\u00f3 para mulheres, que era nada al\u00e9m de grandes ton\u00e9is de \u00e1gua, algumas barras duras de sab\u00e3o, pequenas folhas de hortel\u00e3 e alguns barris que usar\u00edamos para fazer nossas necessidades, e que quando ancor\u00e1ssemos em terra, esses barris seriam esvaziados para novo uso. Depois de voltarmos para nosso quarto, Inez pediu que nos prepar\u00e1ssemos para uma manh\u00e3 limpando a cozinha do navio. Dana aproveitou desse nosso tempo para repassar um r\u00e1pido plano sobre como resgatar\u00edamos Duque: segundo ela, geralmente um tal de Namjoon supervisionava a limpeza da cozinha, pois ela era feita por pequenos grupos, que nos caso, dessa vez ser\u00edamos s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas. Dana disse que uma de n\u00f3s precisaria distrair o pirata, enquanto as outras se encarregam de roubar o molho de chaves que o pirata sempre carregava preso no seu cinto. Parece que esse tal de Namjoon era o guia do capit\u00e3o, o homem encarregado da b\u00fassola e mapas, ent\u00e3o era algu\u00e9m de confian\u00e7a e, por isso, tinha acesso ao molho de chaves que abria todas as portas e celas do navio.<br>\n&emsp;&emsp;Dana se voluntariou para ir at\u00e9 \u00e0s celas onde mantinham presos os animais. E depois de fazer uma breve descri\u00e7\u00e3o de como era Duque, pedi para ir com a Dana, alegando que Duque poderia estranh\u00e1-la caso ela fosse sozinha, e isso estragaria nosso plano. Jack estaria respons\u00e1vel por vigiar e nos alertar para que n\u00e3o fossemos descobertas.<br>\n&emsp;&emsp;Pacientemente e sentadas na parte debaixo do boliche, esperamos at\u00e9 que Inez voltasse para nos buscar. N\u00f3s sa\u00edmos do corredor de quarto das mulheres e voltamos parar o mesmo lugar onde, noite passada, nos amea\u00e7aram lan\u00e7ar aos tubar\u00f5es caso n\u00e3o entr\u00e1ssemos para a tripula\u00e7\u00e3o. Hoje, por estar de dia, eu conseguia enxergar com mais clareza alguns detalhes do navio, vendo pequenas janelas redondas em algumas partes, algumas redes penduradas e coisas escondidas por grandes panos.<br>\n&emsp;&emsp;Perto da primeira entrada, a dos quartos, havia uma segunda entrada que dava para mais uma bifurca\u00e7\u00e3o, onde o lado esquerdo nos levou para uma cozinha completamente improvisada com caixotes, um fog\u00e3o mais velho que Dana, utens\u00edlios de cozinha e uma mesa retangular cortada de qualquer jeito.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 S\u00e3o todas suas. \u2014 Inez diz para o homem alto parado na entrada da cozinha.<br>\n&emsp;&emsp;Sua pele era levemente bronzeada, provavelmente efeito das suas viagens debaixo do sol forte. Ele n\u00e3o parecia velho, na verdade, diria que tinha apenas poucos anos a mais do que eu e Jack. Ele vestia um grande casaco escuro, botas, um cinto de couro ao redor de suas cal\u00e7as e um pano amarrado na sua cabe\u00e7a.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Certo. \u2014 Ele diz para Inez e acena com a cabe\u00e7a, antes dela se virar e sair.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Bom dia, Namjoon. \u2014 Dana o cumprimenta assim que passa do seu lado.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Bom dia, Dana. \u2014 Ele acena com a cabe\u00e7a para ela tamb\u00e9m.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Namjoon. \u2014 A pr\u00f3xima \u00e9 Jack.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Jack. \u2014 O pirata a acompanha com os olhos entrando na cozinha, antes de me encarar.<br>\n&emsp;&emsp;Suas sobrancelhas se arqueiam levemente e ele me encara com uma express\u00e3o surpresa, ao mesmo tempo que mede todo o meu corpo coberto pelas roupas que recebi de Inez essa manh\u00e3.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Deve ser a novata. \u2014 Ele sorri sem-vergonha. \u2014 Voc\u00ea foi o assunto favorito dos piratas ontem de noite. Mas j\u00e1 falaram para tomar cuidado, parece que voc\u00ea morde como as piranhas. \u2014 Namjoon coloca sua m\u00e3o esquerda sobre o cinto de couro, perto de um pequeno molho de chaves que faz barulho. \u2014 Voc\u00eas acreditam que ela acertou uma chaleira bem no meio da fu\u00e7a do Stu? \u2014 Ele se vira parcialmente, fitando sobre seus ombros Dana e Jack.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Uma chaleira? Deveria ter usado algo mais pesado. \u2014 Dana se abaixa perto de alguns caixotes empilhados, onde havia baldes, panos, esfreg\u00f5es e pedras de sab\u00e3o. \u2014 Aquele maldito velho pervertido mexendo com uma garotinha.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Ao menos j\u00e1 sabemos que a Serena sabe se defender muito bem. Eu pagaria dez moedas de ouro pra ver voc\u00ea acertando uma chaleira na fu\u00e7a dele. \u2014 Segurando um pano rasgado, Jack simula uma batida no ar.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Vou me certificar de te deixar longe das chaleiras. \u2014 Enquanto ri, Namjoon mexe seus dedos sobre o cinto, fazendo o molho de chaves penduradas em uma argola, balan\u00e7ar.<br>\n&emsp;&emsp;Sem saber direito o que deveria responder, assinto para Namjoon, antes de me juntar com minhas duas novas companheiras.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Vamos limpar primeiro e depois pegamos seu cachorrinho. Assim, n\u00e3o levantamos suspeitas. \u2014 Dana sussurra para mim, e eu assinto para ela.<\/p>\n\n<p align=\"center\"><strong>***<\/strong><\/p>\n\n<p>&emsp;&emsp;Esfregamos cada peda\u00e7o do ch\u00e3o da cozinha, lavamos todos os utens\u00edlios e organizamos as comidas de todos os caixotes, e confesso que nunca vi tanta farinha, manteiga, carne, peixe, sal, azeite, sebo e vinagre estocados em um lugar s\u00f3. N\u00e3o sou uma pirata e muito menos uma navegadora experiente, mas acho que tanta comida assim logo estragar\u00e1 em alto-mar, nessas condi\u00e7\u00f5es abafadas e \u00famidas, fora a falta de luminosidade nesse lugar, tendo apenas uma pequena janela redonda do tamanho de um rosto. Dana me contou que as bebidas que n\u00e3o s\u00e3o \u00e1gua, como vinho e rum, ficam guardadas em outro lugar, e s\u00f3 o Capit\u00e3o e seus homens de confian\u00e7a t\u00eam acesso.<br>\n&emsp;&emsp;Escoro meu bra\u00e7o dobrado no topo de um dos esfreg\u00f5es, e solto o ar de uma vez pela boca, fazendo um barulho alto. Essa limpeza toda me cansou, e eu ainda nem tomei o meu caf\u00e9.<br>\n&emsp;&emsp;Discretamente, Jack me cutuca. Dana olha significativamente para n\u00f3s duas, falando sem voz &quot;se preparem&quot;. Quase que imperceptivelmente, assinto para ela e Jack faz o mesmo.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 H\u00e3&#8230; hum&#8230; Namjoon, n\u00e3o \u00e9? \u2014 Entrego o esfreg\u00e3o para Dana, antes de come\u00e7ar a caminhar para perto do pirata que estava de costas para n\u00f3s e de frente para a entrada\/sa\u00edda da cozinha.<br>\n&emsp;&emsp;Ele me olha sobre os ombros.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Algum problema, piranha?<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 N\u00e3o me chame assim. \u2014 Falo s\u00e9ria.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 T\u00e1 bom. N\u00e3o precisa ficar nervosa. Eu n\u00e3o quero levar uma chaleira nas fu\u00e7as tamb\u00e9m. \u2014 Ele ergue suas m\u00e3os sujas, em sinal de rendimento.<br>\n&emsp;&emsp;Respiro fundo, e coloco as m\u00e3os na cintura.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00ea pode nos trazer mais um balde com \u00e1gua?<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00eas n\u00e3o terminaram ainda? Dana, usaram toda a \u00e1gua? \u2014 Namjoon olha por cima da minha cabe\u00e7a.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Desculpe, mas a \u00e1gua j\u00e1 era, est\u00e1 cheia de sab\u00e3o, e n\u00f3s precisamos de \u00e1gua limpa.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Ora, est\u00e3o gastando \u00e1gua \u00e0 toa. N\u00f3s n\u00e3o vamos ancorar t\u00e3o cedo. A \u00e1gua boa do navio precisa durar. \u2014 Namjoon solta o ar pelo nariz, de forma frustrada.<br>\n&emsp;&emsp;Retiro minhas m\u00e3os da cintura e as levo para frente do rosto, juntando-as como se fosse rezar.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Por favor, nos traga a \u00e1gua limpa. Eu sei que voc\u00ea pode fazer isso. \u2014 Me coloco na ponta dos p\u00e9s e me esfor\u00e7o na minha melhor fei\u00e7\u00e3o am\u00e1vel, uma que aprendi com Duque toda vez que eu o negava mais comida.<br>\n&emsp;&emsp;Namjoon me encara por alguns segundos, antes de suspirar alto.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Certo. Certo. Eu n\u00e3o iria conseguir dizer n\u00e3o pra uma belezinha como voc\u00ea, mesmo. \u2014 Pela segunda vez, ele me lan\u00e7a um sorriso sem-vergonha.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Ah, s\u00e9rio? Muito obrigada. \u2014 Com falsa anima\u00e7\u00e3o, o abra\u00e7o, escutando as chaves penduradas em seu cinto, balan\u00e7arem de novo e de novo.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Ei, \u00e9 melhor voc\u00ea se afastar, Serena. Ou eu n\u00e3o responderei por minhas a\u00e7\u00f5es. \u2014 Sua voz era apavorada, e isso realmente me faz rir.<br>\n&emsp;&emsp;Ele cheirava a bebida destilada.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Me desculpe. \u2014 Solto Namjoon e me afasto, encolhendo os ombros com falsa timidez.<br>\n&emsp;&emsp;Ele segura na ponta do pano amarrado em sua cabe\u00e7a, e acena com ela, antes de se virar e sair da cozinha.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Isso \u00e9 sempre t\u00e3o f\u00e1cil. \u2014 Coloco a cabe\u00e7a para fora da cozinha para me certificar de que Namjoon estava longe o bastante para n\u00e3o me ouvir.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Piratas ou n\u00e3o, os homens s\u00e3o todos iguais. \u2014 Dana comenta, e Jack, ao seu lado, assente.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Tudo que voc\u00ea precisa \u00e9 de um rosto bonito como o de Serena, ou um belo par de peitos, ou pernas. \u2014 Jack debocha e n\u00f3s tr\u00eas rimos.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00ea tamb\u00e9m tem um belo rosto. \u2014 Dana bagun\u00e7a os cabelos de Jack, que faz uma careta.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Mas eu n\u00e3o me pare\u00e7o com um peixinho como Serena. \u2014 Mais uma vez, n\u00f3s rimos.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Certo. Fiquem atentas agora, ele vai voltar a qualquer momento. J\u00e1 sabemos o que fazer, certo? \u2014 Dana nos encara, e assentimos.<br>\n&emsp;&emsp;Conversando sobre qualquer assunto para n\u00e3o levantar suspeitas, esperamos at\u00e9 que Namjoon voltasse, o que n\u00e3o demorou. Logo o pirata surgiu na entrada da cozinha, carregando um grande balde nos bra\u00e7os, junto ao seu tronco.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Pode deixar que eu te ajudo. \u2014 Jack vai at\u00e9 Namjoon.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 N\u00e3o. Tudo bem, eu posso&#8230; \u2014 Namjoon nem tem tempo de terminar sua fala, pois Jack escorrega no ch\u00e3o que ainda secava, fingindo uma falsa queda, enquanto se apoia no cinto do pirata para n\u00e3o cair. Segurando o balde com apenas um bra\u00e7o, Namjoon agarra o bra\u00e7o direito de Jack, a puxando para cima e fazendo com que alguma quantidade de \u00e1gua saia do balde e o molhe parcialmente.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 bem, Jack? \u2014 Namjoon coloca o balde com \u00e1gua no ch\u00e3o, e encara Jack com preocupa\u00e7\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Sim. Acho que essa porcaria de ch\u00e3o ainda n\u00e3o secou. \u2014 Jack bufa, enquanto esconde a m\u00e3o esquerda atr\u00e1s do pr\u00f3prio corpo. \u2014 Me desculpe por ter te molhado. Foi culpa minha.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Tudo bem. \u2014 Namjoon suspira, sorrindo em seguida. \u2014 Vou tirar esse casaco, voc\u00eas podem ficar sozinhas por um tempo?<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Claro. Vai l\u00e1, garoto. Eu cuidarei dessas duas pestinhas aqui. \u2014 Dana sorri para o pirata, que acena com a cabe\u00e7a e sai da cozinha de novo.<br>\n&emsp;&emsp;Esperamos alguns segundos, em sil\u00eancio, e quando tudo parece seguro, Jack mostra sua m\u00e3o esquerda que estava escondida atr\u00e1s do corpo.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Menos uma moeda de ouro para os piratas malvados. \u2014 Jack balan\u00e7a o molho de chaves no ar, enquanto sorri vitoriosa.<br>\n&emsp;&emsp;Meu interior vibra, e meu cora\u00e7\u00e3o se agita ao pensar que vou ter Duque de volta.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Certo. Agora fique aqui e distraia o Namjoon quando ele voltar. Logo ele perceber\u00e1 que suas chaves sumiram. \u2014 Dana pega o molho de chaves das m\u00e3os de Jack. \u2014 Diga a ele que fui levar Serena no banheiro, porque ela ainda n\u00e3o sabe encontr\u00e1-lo sozinha.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Ok. Boa sorte. \u2014 Jack segura minhas m\u00e3os por um segundo e acena com a cabe\u00e7a.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Obrigada. \u2014 Sorrio fechado para ela, e me junto a Dana, que j\u00e1 estava na sa\u00edda da cozinha.<br>\n&emsp;&emsp;Dana sempre toma a frente, espiando por todo corredor que pass\u00e1ssemos. Depois ela faz o mesmo quando sa\u00edmos de um deles e entramos no mesmo espa\u00e7o com janelas, de antes. Atentas e escutando os passos que vinham da parte de cima do navio, n\u00f3s duas passamos por entre algumas redes penduradas e coisas tampadas por panos, at\u00e9 que encontr\u00e1ssemos um al\u00e7ap\u00e3o igual ao que levava para o andar superior. Por cima do ranger das escadas do al\u00e7ap\u00e3o, demos em uma parte escura e sem janelas, e se n\u00e3o fossem por algumas lamparinas sobre alguns amontoados de caixotes e gaiolas, e tochas nas paredes, n\u00e3o seria poss\u00edvel enxergar quase nada.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Aqui ficam os prisioneiros e os animais. \u2014 Dana pega uma das lamparinas e anda na minha frente. \u2014 Tente n\u00e3o fazer barulho, os prisioneiros ainda devem estar dormindo e n\u00e3o queremos acord\u00e1-los.<br>\n&emsp;&emsp;Assinto para Dana, andando atr\u00e1s e bem pr\u00f3xima a ela.<br>\n&emsp;&emsp;Na ponta dos p\u00e9s, passamos por um corredor de celas velhas com, no m\u00e1ximo, uma pequena janela redonda na parte de dentro. N\u00e3o havia cama ou qualquer coisa do tipo, os prisioneiros, mulheres e homens, dormiam sobre um pouco de feno amassado e escasso. Eu at\u00e9 podia sentir o desconforto deles. Isso era realmente maldoso.<br>\n&emsp;&emsp;Quando est\u00e1vamos prestes a passar em frente a \u00faltima cela, um dos prisioneiros adormecidos se mexe, nos fazendo parar no lugar. Engulo em seco e meus olhos se abrem bem. Uma sensa\u00e7\u00e3o gelada atinge a boca do meu est\u00f4mago quando o prisioneiro se vira para o outro lado, voltando a dormir. Automaticamente, meus ombros caem, ficando menos tensos. Solto o ar pela boca sem fazer barulho, e Dana faz um gesto para que continuemos andando.<br>\n&emsp;&emsp;Ap\u00f3s passarmos as celas, demos de frente com uma grande jaula onde ficavam os cachorros e gatos, todos juntos; e outras pequenas, abrigando p\u00e1ssaros. Grande parte dos animais tamb\u00e9m dormiam, acho que o balan\u00e7o do navio deve os acalmar um pouco. Um dos p\u00e1ssaros amea\u00e7a se exaltar, mas Dana pega um dos muitos panos velhos e sujos espalhados pelo ch\u00e3o, e cobre a gaiola onde ele estava preso.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Seja r\u00e1pida. \u2014 Dana sussurra, e eu assinto.<br>\n&emsp;&emsp;Me aproximo da grande jaula e me abaixo nos joelhos, observando cada um dos animaizinhos, do quais queria libertar, mas, infelizmente, n\u00e3o podia.<br>\n&emsp;&emsp;Mesmo que Dana tentasse me ajudar ao iluminar a jaula com a lamparina, ainda era bem escuro aqui, e como todos os animaizinhos estavam aglomerados, foi um pouco dif\u00edcil encontrar Duque. Mas meu cora\u00e7\u00e3o o conhecia bem, isso era um fato, e quando o sinto saltar em meu peito, eu sabia que havia visto a pequena bolinha branca de pelos que eu tanto amava.<br>\n&emsp;&emsp;Os meus olhos marejam s\u00f3 de v\u00ea-lo, mas engulo qualquer vontade de chorar.<br>\n&emsp;&emsp;Respiro fundo.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Duque. \u2014 O chamo de forma baixa, mas ele permanece deitado ao lado de um gato listrado. \u2014 Duque, voc\u00ea precisa acordar agora. \u2014 Ele nem se mexe.<br>\n&emsp;&emsp;O meu cora\u00e7\u00e3o salta mais uma vez.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Vamos l\u00e1, seu pequeno pregui\u00e7oso. \u2014 Seguro nas barras da jaula, pisco os olhos repetidas vezes, enquanto eles ardem. \u2014 Por favor, Duque, acorda.<br>\n&emsp;&emsp;Seu pequeno focinho se mexe e, de forma lenta, ele abre seus olhos pretos.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Isso. Duque, aqui. Olhe pra mim, Duque. \u2014 O chamo um pouco mais alto, e ele n\u00e3o demora ao reconhecer minha voz.<br>\n&emsp;&emsp;Ele late uma vez.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Calado, sua bola de pelos. N\u00e3o fa\u00e7a barulho. \u2014 Obedecendo minhas ordens, Duque n\u00e3o late mais. Ele corre para perto das barras da jaula, e Dana se apressa ao abri-la, tentando ao menos umas quatro chaves antes de acertar. Espio sobre os ombros, me certificando de que todos os prisioneiros continuam dormindo.<br>\n&emsp;&emsp;Dana abre uma pequena brecha na jaula, o suficiente para Duque passar. Da maneira como fizemos, n\u00e3o acordamos os animais com o barulho da jaula, e muito menos os deixamos escapar, esse era o plano.<br>\n&emsp;&emsp;Quando sai da jaula, Duque pula em meu colo. O abra\u00e7o com for\u00e7a, enquanto ele lambe meu rosto.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Foi s\u00f3 por uma noite, mas eu quase morri de saudades. \u2014 Encaro meu melhor amigo da vida, sentindo meu cora\u00e7\u00e3o quente por t\u00ea-lo comigo de novo.<br>\n&emsp;&emsp;Dana tranca a jaula, e pega um dos panos sujos do ch\u00e3o e joga para mim.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Cubra ele com isso. Vamos dar o fora antes que nos peguem.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Continue quietinho, Duque. \u2014 Falo para o meu cachorro, antes de cobri-lo com o pano sujo, embolando-o em um pequeno casulo.<br>\n&emsp;&emsp;Do mesmo jeito que entramos, Dana e eu sa\u00edmos. Passamos por todos os prisioneiros, e Dana deixou a lamparina no mesmo lugar que pegou. Depois subimos pelo al\u00e7ap\u00e3o, e Dana colocou sua cabe\u00e7a para fora, e quando viu que estava tudo certo, voltamos para o segundo andar do navio. Nos apressamos para a primeira entrada.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Me d\u00ea o cachorrinho, vou lev\u00e1-lo para o quarto e escond\u00ea-lo. Diga a Namjoon que voltei para o quarto porque meus joelhos estavam doendo por conta da faxina. \u2014 Assinto, entregando Duque para Dana.<br>\n&emsp;&emsp;Tiro o pano sujo de cima do Duque.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 N\u00e3o se preocupe, ela vai cuidar bem de voc\u00ea. Espere s\u00f3 mais um pouquinho por mim, Duque. \u2014 Beijo o topo de sua cabe\u00e7a peluda e o tapo com o pano de novo.<br>\n&emsp;&emsp;Dana me estende o molho de chaves.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Deixe isso no ch\u00e3o para que Namjoon o encontre e pense que perdeu quando Jack caiu em cima dele. \u2014 Pego o molho de chaves da sua m\u00e3o, e guardo no bolso das minhas cal\u00e7as de pano.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Obrigada, Dana.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Deu tudo certo. \u2014 Ela sorri. \u2014 Agora v\u00e1 de uma vez.<br>\n&emsp;&emsp;Suas palavras s\u00e3o ordens. Me viro e saio da primeira entrada, indo para a segunda. Entro na bifurca\u00e7\u00e3o da esquerda que me levaria para a cozinha, mas quando estou no meio do caminho, escuto uma voz masculina desconhecida, seguido por passos pesados.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Droga! Droga! Droga! \u2014 Resmungo baixo, e me viro, correndo por onde vim. Paro no centro da bifurca\u00e7\u00e3o da segunda entrada, e olho para todos os lados, sem saber o que fazer, mas quando os passos ficam mais altos e pr\u00f3ximos, sou obrigada a correr para o lado direito da bifurca\u00e7\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;<em>Eu estou ferrada. Eu realmente estou ferrada. Aqui \u00e9 escuro para um inferno. Eu n\u00e3o consigo enxergar nada. N\u00e3o tem lamparinas e muito menos tochas.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;Estendo as m\u00e3os e come\u00e7o a abanar elas at\u00e9 sentir uma parede, e apoiada a ela, come\u00e7o a andar para frente e de lado, como um caranguejo, com os olhos bem abertos na esperan\u00e7a de enxergar algo, o que parecia imposs\u00edvel.<br>\n&emsp;&emsp;Escuto os passos voltarem a ficar altos, e isso me faz pensar que quem quer que seja, tamb\u00e9m entrou onde eu estou.<br>\n&emsp;&emsp;<em>Eu estou ferrada. Eles v\u00e3o me jogar para os tubar\u00f5es.<\/em><br>\n&emsp;&emsp;As batidas nervosas do meu cora\u00e7\u00e3o, pareciam que ecoavam por todo o corredor escuro, tamanho era o meu nervosismo.<br>\n&emsp;&emsp;Continuo andando de lado, tateando a parede. Sinto a lateral da minha canela topar com alguma coisa.<br>\n&emsp;&emsp;Essa porcaria doeu.<br>\n&emsp;&emsp;Como se pudesse enxergar na falta de luz, encaro o corredor escuro, n\u00e3o vendo nada, apenas escutando os passos.<br>\n&emsp;&emsp;Passo as m\u00e3os sobre o que bateu contra minha canela e sinto degraus, dos quais, n\u00e3o penso duas vezes ao subir, usando p\u00e9s e m\u00e3os para isso. Minha cabe\u00e7a encosta no teto. Toco minha m\u00e3o nele, e percebo ser mais um al\u00e7ap\u00e3o. O for\u00e7o para cima e, para minha sorte, ele estava aberto. Subo para o primeiro andar do navio e trato de fechar o al\u00e7ap\u00e3o antes que o dono dos passos me encontre. Olho em volto e percebo estar em um corredor pequeno, com apenas duas op\u00e7\u00f5es de portas. E desesperada para me esconder, tento abrir a porta com ma\u00e7aneta dourada. Assim como o al\u00e7ap\u00e3o, essa porta tamb\u00e9m estava aberta. O lado de dentro tamb\u00e9m era escuro, e eu s\u00f3 conseguia enxergar a silhueta das coisas, e foi dessa maneira que optei por me esconder dentro de um pequeno arm\u00e1rio, ao inv\u00e9s da mesa. Puxo a porta dupla, que range, depois me enfio dentro do arm\u00e1rio. Meu corpo esbarra em algumas coisas penduradas, que sinto balan\u00e7arem. Tateio o que fez um baixo barulho met\u00e1lico, e sinto uma fisgada na palma da minha m\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Uma espada? \u2014 Sussurro baixo, espantada. \u2014 Onde voc\u00ea foi se enfiar, Serena? \u2014 Suspiro baixo, e fecho minha m\u00e3o que ardia, a sentindo sangrar.<br>\n&emsp;&emsp;O meu cora\u00e7\u00e3o se agita mais uma vez quando escuto a porta da sala se abrir. Os mesmos passos pesados ecoam por perto, e prende at\u00e9 mesmo minha respira\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ser descoberta.<br>\n&emsp;&emsp;O dono ou dona dos passos, anda para l\u00e1 e para c\u00e1, parecendo mexer e algumas coisas.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Inferno! Devo ter deixado essa porcaria em outro lugar. \u2014 Uma voz masculina, grave e imponente, resmunga do outro lado do arm\u00e1rio, seguido por mais passos e o barulho da porta batendo.<br>\n&emsp;&emsp;Acho que foi embora.<br>\n&emsp;&emsp;Permane\u00e7o por mais alguns segundos em meu esconderijo, para ter certeza que estava sozinha de novo. E quando as batidas do meu cora\u00e7\u00e3o se acalmam, cuidadosamente come\u00e7o a abrir a porta dupla do arm\u00e1rio. Coloco meus p\u00e9s para fora, e uso minha m\u00e3o n\u00e3o machucada para fechar um lado da porta dupla. Meu corpo inteiro paralisa quando o outro lado da porta fecha sozinho, ou melhor, \u00e9 fechado com for\u00e7a.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Parece que eu encontrei um pequeno rato no meu navio. \u2014 A mesma voz de antes, diz.<br>\n&emsp;&emsp;Lentamente, viro minha cabe\u00e7a para o lado, enxergando uma grande silhueta masculina escorada perto do arm\u00e1rio onde eu me escondi.<br>\n&emsp;&emsp;Me levanto em um pulo, e a silhueta se desencosta da parede, abrindo de novo o arm\u00e1rio e puxando uma das espadas guardadas l\u00e1 dentro.<br>\n&emsp;&emsp;Aflita, corro para perto da mesa, ficando atr\u00e1s de uma das pontas, de modo que essa mesa ficasse entre mim e a silhueta que empunhava uma espada.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Quem \u00e9 voc\u00ea? \u2014 A silhueta bate de novo a porta do arm\u00e1rio, e se aproxima da outra extremidade da mesa.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Eu?&#8230; Eu me juntei a tripula\u00e7\u00e3o ontem. Voc\u00ea deve ser o Capit\u00e3o, n\u00e3o \u00e9? \u2014 De maneira nervosa, seguro nas bordas da mesa, apertando-as, fazendo o corte na palma da minha m\u00e3o pulsar.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 \u00c9, voc\u00ea est\u00e1 certa. E estar\u00e1 mais certa ainda quando eu alimentar os tubar\u00f5es com o seu corpo morto. \u2014 Suas palavras fazem um arrepio ruim subir pela minha espinha.<br>\n&emsp;&emsp;A silhueta do Capit\u00e3o contorna a mesa, me fazendo correr para dire\u00e7\u00e3o aposta.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o pode me matar. Eu sou parte da tripula\u00e7\u00e3o agora. Isso n\u00e3o \u00e9 errado? \u2014 Quase solto um grito quando ele avan\u00e7a para o lado, me fazendo correr.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Eu posso fazer o que eu quiser com a minha tripula\u00e7\u00e3o. \u2014 A silhueta do Capit\u00e3o empurra a mesa, a jogando no ch\u00e3o, e isso \u00e9 o bastante para que ele consiga me prender perto da parede, colocando sua espada no meu pesco\u00e7o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Espera! N\u00e3o me mate! N\u00e3o fa\u00e7a isso!<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Me d\u00ea um bom motivo pra isso. \u2014 Ele rosna, empurrando um pouco a l\u00e2mina de sua espada contra minha pele, n\u00e3o ao ponto de cortar, mas n\u00e3o era l\u00e1 a melhor sensa\u00e7\u00e3o do mundo ter uma espada no pesco\u00e7o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 P-Porque&#8230; porque&#8230; porque se voc\u00ea fizer isso, nunca vai encontrar Atlantis. \u2014 Completamente tomada pelo desespero, falo sem nem pensar direito.<br>\n&emsp;&emsp;Com ele perto o suficiente para que eu sinta sua respira\u00e7\u00e3o quente, consigo vislumbrar apenas seus olhos escuros e alguns contornos do seu rosto.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 O que voc\u00ea sabe sobre Atlantis? \u2014 Sua voz ainda era cheia de irrita\u00e7\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Eu sei que voc\u00ea tem tr\u00eas partes do mapa, e que outro pirata possui mais duas. Esse tipo de not\u00edcia corre como o vento. \u2014 Engulo em seco, relembrando de todas as coisas que Adam me contava. Ele era um grande entusiasta das hist\u00f3rias dos piratas, por isso, sempre acabava me for\u00e7ando a ouvir tudo que escutava ou descobria. \u2014 Se n\u00e3o me matar, eu te ajudo a encontrar as \u00faltimas duas partes do mapa.<br>\n&emsp;&emsp;O contorno de seus olhos, se estreitam, e a espada se afrouxa em meu pesco\u00e7o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00ea sabe onde est\u00e3o? \u2014 Sua respira\u00e7\u00e3o quente bate outra vez contra o meu rosto, me deixando mais tensa a cada segundo.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Sim. \u2014 Eu n\u00e3o fa\u00e7o a menor ideia de onde est\u00e3o as outras partes dessa porcaria de mapa. Mas era mentir ou morrer.<br>\n&emsp;&emsp;Em um movimento r\u00e1pido, ele afasta sua espada do meu pesco\u00e7o, e eu respiro aliviada.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 \u00c9 bom que voc\u00ea saiba mesmo onde est\u00e3o, ou eu juro que arranco suas tripas com minhas pr\u00f3prias m\u00e3os e depois dou para os peixes. \u2014 Ele bufa alto.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Voc\u00ea tem a minha palavra. \u2014 Com isso, eu acabo de afundar o meu pr\u00f3prio barco.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Qual o seu nome? \u2014 Ele se afasta, jogando sua espada no ch\u00e3o.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Serena.<br>\n&emsp;&emsp;Ele fica em sil\u00eancio por alguns segundos.<br>\n&emsp;&emsp;\u2014 Fora da minha sala agora, Serena. \u2014 N\u00e3o penso muito ao correr em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta, deixando aquela sala escuro o mais r\u00e1pido que posso. E sem nem olhar para tr\u00e1s, abro o al\u00e7ap\u00e3o e des\u00e7o por ele, voltando para a cozinha.<br>\n&emsp;&emsp;Agora eu n\u00e3o tinha escolha, eu precisava fugir desse navio o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&emsp;&emsp;Quase n\u00e3o dormi durante a noite. Dana e Jack ficaram grande parte da madrugada acordadas comigo, me contando como acabaram prisioneiras. Assim, descobri que a hist\u00f3ria de Jack \u00e9 um pouco similar \u00e0 minha: os piratas invadiram sua cidade e a levaram, deixando seu irm\u00e3o mais novo e pais para tr\u00e1s. A garota de cabelos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":124,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2314],"class_list":["post-8637","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-sirena-del-atlantis"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/8637","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8637"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=8637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}