{"id":8367,"date":"2016-11-17T17:24:00","date_gmt":"2016-11-17T20:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-17T17:26:51","modified_gmt":"2025-11-17T20:26:51","slug":"capitulo-02","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/superar\/capitulo-02\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 02"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003O corpo de Sarah, completamente inconsciente, adentrou o hospital em cima de uma maca enquanto uma equipe de enfermeiros e param\u00e9dicos a levavam para a ala de emerg\u00eancia. <br>\u2003\u2003\u2013 Coloquem um tubo tor\u00e1cico e levem-na! \u2013 Ordenou um dos param\u00e9dicos que a acompanhava bombeando um pequeno bal\u00e3o de pl\u00e1stico para ajudar em sua respira\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003Ao entrar no centro cir\u00fargico, Harry faz uma analise para saber a propor\u00e7\u00e3o dos ferimentos. <br>\u2003\u2003\u2013 Contus\u00f5es cerebrais, \u2013 disse ao olhar o exame da tomografia computadorizada da cabe\u00e7a da garota. \u2013 tamb\u00e9m h\u00e1 hemorragia interna e costelas quebradas. \u2013 Respondeu olhando os outros exames.<br>\u2003\u2003\u2013 N\u00e3o h\u00e1 muito que possamos fazer em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e9rebro. Temos que esperar para ver. \u2013 Ordenou. \u2013 Enquanto isso chamem o banco de sangue. Precisamos de duas unidades de O positivo e mais duas de reserva. \u2013 Dito isso, fez a higiene e prote\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para come\u00e7ar a cirurgia.<br>\u2003\u2003A sala de cirurgia era pequena e estava cheia, repleta de luzes fluorescentes, o que destacava as marcas de ferrugem no ch\u00e3o que, apesar de polido, \u00e9 perceptivelmente manchado de sangue antigo. Os m\u00e9dicos s\u00e3o precisos nos movimentos, cortando e costurando como se fosse um quebra-cabe\u00e7a, s\u00f3 que com bastante cuidado com as pe\u00e7as, pois \u00e9 uma vida que est\u00e1 em jogo. E era isso que pesava nos ombros de Harry. Nunca queixou-se da responsabilidade que ser medico o trazia, ao contrario, sentia como se tivesse um dom, como se outra pessoa tomasse conta de suas m\u00e3os e o mostrasse como fazer. E sempre tinha um resultado positivo em rela\u00e7\u00e3o a isso. Porem, n\u00e3o deixava de haver tens\u00e3o na hora da cirurgia, o medo de errar e falhar com o paciente o deixava bastante aflito. <br>\u2003\u2003Apesar de ser jovem e com poucos anos de resid\u00eancia no local, Harry mostrava ser um m\u00e9dico competente. Mostrava resultados no que fazia e com isso adquiriu o respeito de todos.<br>\u2003\u2003A anestesista ao seu lado observava os sinais vitais da garota, ajustando a quantidade de l\u00edquidos, gases e drogas que s\u00e3o injetadas. Qualquer cuidado \u00e9 pouco em um trabalho duro e complicado como esse, a cirurgia parece intermin\u00e1vel, mas Harry ainda consegue energia para continuar ali, em p\u00e9, trabalhando.<br>\u2003\u2003Depois de 4 horas no centro cir\u00fargico, terminaram os procedimentos e a levaram para a sala de recupera\u00e7\u00e3o. A <strong>Unidade de Tratamento Intensivo<\/strong>. No meio do quarto havia um computador que registrava os sinais vitais de Sarah, e uma escrivaninha enorme com uma enfermeira sentada e mais duas enfermeiras que a observam, al\u00e9m de in\u00fameros m\u00e9dicos ligando os tubos em sua garganta \u2013 para ajuda-la a respirar \u2013 outro em seu nariz \u2013 mantendo o estomago vazio \u2013 em seu peito &#8211; registrando seus batimentos card\u00edacos &#8211; e em seu dedo, registrando sua pulsa\u00e7\u00e3o. <br>\u2003\u2003Os pais de Sarah aguardavam na sala de espera noticias da cirurgia. Eva ainda n\u00e3o acreditava no que estava acontecendo. Saiu do trabalho indo direto para o hospital, recebendo a noticia de que sua filha tinha sofrido um acidente de carro, e o mesmo havia capotado. Seu estado era grave, pois n\u00e3o usava sinto de seguran\u00e7a. Tentava acalmar-se nos bra\u00e7os do marido, mas isso n\u00e3o afastava a agonia que sentia por n\u00e3o poder fazer nada.<br>\u2003\u2003\u2013 Por que diabos demoram tanto? \u2013 Perguntou, j\u00e1 sem paci\u00eancia, levantando e saindo do abra\u00e7o do marido.<br>\u2003\u2003\u2013 Ei, amor, n\u00e3o se agite tanto, pode fazer mal para o beb\u00ea. \u2013 Disse o mesmo, levantando tamb\u00e9m.<br>\u2003\u2003\u2013 Eu n\u00e3o consigo ficar calma! Sinto-me uma in\u00fatil por estar aqui parada sem poder fazer nada! \u2013 Alterou seu tom de voz, descarregando sua afli\u00e7\u00e3o. <br>\u2003\u2003\u2013 Eu tamb\u00e9m estou preocupado, mas temos que esperar! N\u00e3o temos outra escolha. \u2013 Respondeu calmo e se aproximou para um abra\u00e7o, que foi retribu\u00eddo. <br>\u2003\u2003\u2013 Porque ela faria uma coisa dessas? N\u00e3o faz sentido! \u2013 Falou com a voz entrecortada. \u2013 N\u00e3o quero perd\u00ea-la, Dylan!<br>\u2003\u2003\u2013 Ainda estou tentando entender as coisas, assim como voc\u00ea. Vai dar tudo certo, a Sarah \u00e9 forte, vai sobreviver. \u2013 Disse para confortar a esposa, que manchava seu ombro com as lagrimas.<br>\u2003\u2003\u2013 Sr. E Sra. Poesy? \u2013 Uma voz feminina soou na sala, atraindo a aten\u00e7\u00e3o do casal. Uma enfermeira de pele escura e cabelo curto leu o nome dos respons\u00e1veis em sua prancheta. <br>\u2003\u2003\u2013 Somos n\u00f3s! \u2013 Pronunciou o pai. Os dois caminharam em sua dire\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2013 Como ela est\u00e1? \u2013 Eva perguntou receosa.<br>\u2003\u2003\u2013 Ela ainda est\u00e1 sedada devido a cirurgia e continua respirando com ajuda de aparelhos, enquanto seu corpo se recupera do trauma. Mas, est\u00e1 em coma. Para os pacientes nessa situa\u00e7\u00e3o, ajuda muito escutar a voz de seus familiares. \u2013 Explicou a enfermeira. <br>\u2003\u2003\u2013 E quando podemos v\u00ea-la? \u2013 Perguntou sua m\u00e3e.<br>\u2003\u2003\u2013 Agora mesmo. Sigam-me, por favor. \u2013 Disse e os mesmos a seguiram. <br>\u2003\u2003Depois de caminharem a passos largos no corredor da UTI, entram no quarto em que Sarah se encontrava. Ent\u00e3o Eva, ao ver o estado da filha, desaba em lagrimas. Deitada naquela cama completamente im\u00f3vel e com o rosto cheio de curativos e arranh\u00f5es por todo o corpo, parecia que Sarah havia entrando em um sono profundo. Lembrou-se que a filha quando crian\u00e7a era fascinada pela hist\u00f3ria da bela adormecida, que fantasiava que um dia seria acordada por um pr\u00edncipe que se apaixonaria por ela dormindo. Mas a vida real n\u00e3o \u00e9 como um conto de fadas, em que os pr\u00edncipes aparecem e se apaixonam do nada e com um simples beijo despertam a princesa de uma maldi\u00e7\u00e3o. E no momento em que ia se aproximando da filha, uma sensa\u00e7\u00e3o de alivio tomou conta de si, talvez haja uma exce\u00e7\u00e3o, talvez ainda reste esperan\u00e7a. <em>Aconteceu um milagre, minha filha ainda est\u00e1 aqui, ainda est\u00e1 viva!<\/em> \u2013 pensava positivamente a mulher.<br>\u2003\u2003\u2013 Oi, meu docinho! \u2013 Disse entre solu\u00e7os, acariciando cuidadosamente a cabe\u00e7a da filha.<br>\u2003\u2003\u2013 Ela pode realmente nos ouvir? \u2013 Perguntou Dylan evitando o contato visual na cena.<br>\u2003\u2003\u2013 N\u00e3o duvidem nem por um segundo que ela consegue ouvi-los. A presen\u00e7a de voc\u00eas pode ser reconfortante desde que o que disserem possa realmente ajud\u00e1-la. \u2013 Respondeu a enfermeira. \u2013 Com licen\u00e7a, vou deixa-los a s\u00f3s. <br>\u2003\u2003Ainda sem coragem de olhar diretamente para filha, Dylan se aproximou e sentou-se ao lado da esposa, que n\u00e3o desgrudava da menina. Sentia-se culpado por ver sua filha naquele estado, fingia n\u00e3o saber o motivo pelo qual Sarah estava em seu carro. Certamente n\u00e3o soube o que fazer ao presenciar o pai tendo um caso com a empregada e agiu por impulso. O que era compreens\u00edvel para ele, mas vendo o que seu erro causou pesou em sua consci\u00eancia. Era seu momento de se redimir com sua filha e rezar para que ficasse bem e que o perdoasse um dia. Tinha que manter o equil\u00edbrio, mas algumas l\u00e1grimas foram dif\u00edceis de evitar. Mesmo que n\u00e3o quisesse, ele era o culpado por tudo que aconteceu com ela.<br>\u2003\u2003\u2013 N\u00f3s estamos aqui, meu amor! \u2013 Dizia a esposa \u2013 Est\u00e1 se sentindo melhor agora? \u2013 Perguntou, como se fosse poss\u00edvel obter uma resposta. \u2013 Voc\u00ea me assustou, pensei que iria&#8230; \u2013 Fez uma pausa \u2013 Seja qual for o motivo, eu te perdoo, estou aqui e e-eu&#8230; Eu&#8230; \u2013 N\u00e3o conseguiu completar a frase e apagou no colo de Dylan.<br>\u2003\u2003\u2013 Eva? \u2013 Perguntou balan\u00e7ando seu corpo. \u2013 Eva? Acorda! \u2013 Chamou pela segunda vez, preocupado. \u2013 Eva? Enfermeira! \u2013 Gritou, segurando o corpo desfalecido da esposa nos bra\u00e7os.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\">(&#8230;)<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Ap\u00f3s encher o copo de caf\u00e9 pela segunda vez, Harry andava pelo corredor para o quarto da paciente que operara horas antes e n\u00e3o tivera not\u00edcias. Aproximou-se e viu que a porta estava entre aberta, abriu por completo e encontrou uma enfermeira ali. <br>\u2003\u2003\u2013 Doutor Styles. Boa noite. \u2013 Falou quando a jovem entrou.<br>\u2003\u2003\u2013 Boa noite senhorita Moore, como ela est\u00e1? \u2013 Perguntou olhando o ritmo do respirador.<br>\u2003\u2003\u2013 Bem, seus pais estiveram aqui, e sua m\u00e3e passou mal. Apesar do susto, n\u00e3o houve altera\u00e7\u00e3o quanto ao seu estado. Ent\u00e3o Sarah ainda continua inconsciente, mas seus sinais vitais est\u00e3o melhorando. \u2013 Respondeu, escrevendo em sua prancheta. \u2013 Tamb\u00e9m, mais tarde os fisioterapeutas vir\u00e3o fazer os testes para averiguar como est\u00e3o os pulm\u00f5es dela, para saber se consegue respirar sem a ajuda dos aparelhos.<br>\u2003\u2003\u2013 Se ela conseguir respirar sozinha ser\u00e1 um bom sinal. \u2013 Disse olhando para a garota \u2013 \u00c9 triste ver uma garota jovem desse jeito. \u2013 Comentou sentindo pena. Deu uma ultima checada nos registros antes de se retirar. \u2013 Com licen\u00e7a, senhorita Moore.<\/p>\r\n<p style=\"text-align: center;\">(&#8230;)<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003J\u00e1 se passavam da meia-noite e o trafego de carros era ameno. Aumentou a velocidade e ligou o radio para saber das noticias. Harry tinha pressa para chegar em casa, tudo que mais desejava no momento era relaxar e se desligar um pouco do seu trabalho. Ao chegar ao pr\u00e9dio de imediato o seguran\u00e7a o reconheceu e abriu a garagem. Saiu e desligou o carro, indo para o elevador. Naquele momento nada passava em sua cabe\u00e7a, era apenas mais um dia comum para ele. Pegou o molho de chaves, abriu a porta e tomou um susto quando acendeu a luz. <br>\u2003\u2003- SURPRESA! \u2013 Muitas pessoas disseram em un\u00edssono.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003O corpo de Sarah, completamente inconsciente, adentrou o hospital em cima de uma maca enquanto uma equipe de enfermeiros e param\u00e9dicos a levavam para a ala de emerg\u00eancia. \u2003\u2003\u2013 Coloquem um tubo tor\u00e1cico e levem-na! \u2013 Ordenou um dos param\u00e9dicos que a acompanhava bombeando um pequeno bal\u00e3o de pl\u00e1stico para ajudar em sua respira\u00e7\u00e3o.\u2003\u2003Ao entrar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":122,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2307],"class_list":["post-8367","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-superar"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/8367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/122"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=8367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}