{"id":7882,"date":"2015-11-11T11:31:00","date_gmt":"2015-11-11T14:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-11T11:37:47","modified_gmt":"2025-11-11T14:37:47","slug":"chapter-xiv","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/forest-on-fire\/chapter-xiv\/","title":{"rendered":"Chapter XIV"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003As caixas voavam longe. Ele estava suando \u00e0quela altura, os bot\u00f5es da camisa preta foram hiperativamente abertos. Estava cansado de vasculhar e apenas dar de cara com a frustra\u00e7\u00e3o. Armand pensou que seria f\u00e1cil. Por um momento chegou a se iludir que ningu\u00e9m mais precisaria morrer para que seu objetivo se concretizasse. Ledo engano. Todo lugar que ia, toda porta que abria, toda caixa que fu\u00e7ava o deixava mais emputecido.<br>\u2003\u2003 Todos os lugares que lhe passaram \u00e0 cabe\u00e7a foram fu\u00e7ados. Nada encontrado. \u201cEnfiaram essa merda no cu?\u201d, chegou a pensar em seu \u00e1pice da irrita\u00e7\u00e3o. O tesouro n\u00e3o estava por ali, seu esconderijo era um local muito mais enfiado, mocado, secreto. Algu\u00e9m deveria saber, mas n\u00e3o o bispo, ele era bobo demais para isso. Foi ent\u00e3o que o chamariz da l\u00f3gica se acendeu: %Gustav%.<br>\u2003\u2003 Armand deslocou-se com seu corpo magro pelos estreitos corredores at\u00e9 chegar \u00e0 \u00e1rea comum da Igreja. Chielline estava sentado ao lado do bispo. Uma mesa de caf\u00e9 da tarde estava servida, geleias de frutas vermelhas pintavam as torradas.<br>\u2003\u2003 &#8211; Posso me juntar \u00e0 voc\u00eas? \u2013 Armand sorria, Chielline olhava para sua testa suada com desconfian\u00e7a e o bispo nem ao menos possu\u00eda maldade em seu ser para perceber algo errado naquela cena. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas que pergunta idiota, Armand. Sinta-se \u00e0 vontade. \u2013 o bispo ofereceu lugar ao cardeal que prontamente sentou-se. <br>\u2003\u2003 &#8211; E como andam os preparativos para a missa em homenagem aos pobres? N\u00e3o gostaria que demorasse muito, o fervor dos fi\u00e9is pode esfriar. \u2013 Chielline olhava o acontecimento com a ironia correndo em suas veias. Ele sempre tivera dificuldade para compreender a tamanha facilidade que Armand possu\u00eda para dissimular. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o \u00e9 preciso esperar mais que tr\u00eas dias, Armand, podemos faz\u00ea-la assim que voc\u00ea desejar. A popula\u00e7\u00e3o ir\u00e1 amar a sua missa, eles necessitam de algu\u00e9m t\u00e3o eloquente e fervoroso como voc\u00ea. \u2013 o cardeal continuava sorrindo, mesmo que de esc\u00e1rnio. Abriu a garrafa de leite quente e despejou-o l\u00edquido branco fumegante em sua x\u00edcara. <br>\u2003\u2003 &#8211; Me desculpe desapont\u00e1-lo bispo, mas eu possuo outros planos para essa missa. <br>\u2003\u2003 &#8211; Outros planos? \u2013 Chielline foi contagiado pelo riso infame do Cardeal. O do bispo era muito mais ben\u00e9volo. O mais jovem cardeal sabia que daquela conversa sairia alguma sujeira disfar\u00e7ada. <br>\u2003\u2003 &#8211; Agrade\u00e7o os elogios \u00e0 mim feitos, por\u00e9m o povo por aqui n\u00e3o tem empatia por minha pessoa, n\u00e3o sei se seria capaz de toc\u00e1-los como realmente \u00e9 necess\u00e1rio. Creio eu que %Gustav% seria o mais indicado para essa situa\u00e7\u00e3o. \u2013 o bispo assustou-se levemente. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas voc\u00ea que me pediu o afastamento do pobre %Gustav% para que se recuperasse da perda. \u2013 Chielline olhou para Armand franzindo a testa, o pobre n\u00e3o conseguia entender onde aquele maldito plano iria dar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu sei, meu querido irm\u00e3o, eu sei. Mas veja, a poeira j\u00e1 abaixou. Resolvemos os problemas com a pol\u00edcia e estamos nos recuperando aos poucos. Acho que %Gustav% j\u00e1 possui racionalidade para voltar \u00e0 n\u00f3s. O que acha? \u2013 com o tom totalmente persuasivo de Marion, seria imposs\u00edvel neg\u00e1-lo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Tudo bem, acho que podemos pedir para que ele volte. S\u00f3 h\u00e1 um problema. \u2013 Armand odiava ouvir a palavra \u201cproblema\u201d naquele tom de voz. <br>\u2003\u2003 &#8211; Qual problema, meu querido irm\u00e3o? <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o sei onde %Gustav% est\u00e1, ele saiu t\u00e3o amargurado que esqueceu de me p\u00f4r a par disso. \u2013 Chielline mirou Marion pedindo calma com o olhar, ele n\u00e3o poderia deixar Armand se descontrolar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas ora, ele n\u00e3o saiu do pa\u00eds. \u2013 riu por um momento e continuou \u2013 Tenho que certeza que o encontraremos. <br>\u2003\u2003 &#8211; Tudo bem ent\u00e3o. Deixarei a responsabilidade dessa m\u00e3o em suas m\u00e3os. Agora se me permitem, tenho que resolver algumas coisas. Nos vemos no jantar. \u2013 o bispo levantou-se e saiu em dire\u00e7\u00e3o ao corredor. Percebendo a total aus\u00eancia do religioso, Chielline logo resolveu indagar Armand. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Gustav%? De volta? Rezando a missa? Voc\u00ea \u00e9 bipolar? \u2013 Chielline parecia bem incomodado, as trocas de ideia de Armand lhe tiravam do s\u00e9rio. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o, Chiello, meu querido. Eu sou esperto. \u2013 Marion sentou-se mais desleixado na cadeira, tirou um cantil cromado do bolso de seu casaco e deu um longo gole, limpando a boca em seguida. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ent\u00e3o me explique, porque eu n\u00e3o entendi. O plano era manter o padre longe e agora o quer por perto? Onde isso \u00e9 esperto? <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o achei nada, nem um rastro sequer da porra do ba\u00fa. Tenho certeza que deve ter sido muito bem escondido por algu\u00e9m, n\u00e3o exatamente ele. Sendo assim, preciso de algu\u00e9m daqui de dentro que conhe\u00e7a bem a igreja e possa at\u00e9 me dar uma planta dela. Essa pessoa \u00e9 o %Gustav%. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o creio que seja, ele \u00e9 inteligente, perceberia a artimanha. O bispo \u00e9 bem mais f\u00e1cil de ser usado. \u2013 Marion suspirou fundo, foi com suas m\u00e3os para as de Chielline e as segurou fraternalmente. <br>\u2003\u2003 &#8211; O bispo \u00e9 inocente, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito devagar com essas coisas. %Gustav% \u00e9 mais esperto, mas eu ainda poderia faz\u00ea-lo ajudar sem que percebesse. E al\u00e9m do mais, ele daria menores problemas caso fosse eliminado. \u2013 Chielliene gelou-se e arregalou os olhos. Ele sabia o que eliminado dizia quando proferido por Armand. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eliminado? \u2013 Chiello for\u00e7ou com seu olhar uma resposta negativa de Armand. O mesmo pareceu n\u00e3o querer agradar seu amigo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea sabe o que eliminado quer dizer. N\u00e3o sabe? \u2013 Armand deixou o riso da malefic\u00eancia ecoar naquele pequeno espa\u00e7o. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu acho estupidez. \u2013 Chielline n\u00e3o queria aceitar, nem acreditar. Al\u00e9m do mais os planos de Armand n\u00e3o eram os seus. <br>\u2003\u2003 &#8211; Descubra onde o padre est\u00e1, traga-o de volta e o resto, eu mesmo cuido. Estamos entendidos? \u2013 o cardeal de menos idade respirou fundo concordando. Ele nunca negaria, n\u00e3o era isso que faria. Contrariar Armand \u00e0quela altura seria estupidez. Teria que resolver seus problemas e agir pelas beiradas.<\/p>\r\n<p align=\"center\">xx<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Estava jogada na minha cama, assim como no dia inteiro. Nem ao menos havia descido para comer, meu pai trouxera um prato de bife com batatas para mim e insistiu em perguntar se tudo estava bem. Argumentei que estava \u00f3tima, apenas com pregui\u00e7a. Ele ent\u00e3o beijou minha testa, me deu boa noite e encostou a porta. Beijos na testa agora possu\u00edam um novo significado para mim. Por um momento eu me senti t\u00e3o&#8230; coisada. Ao sentir os l\u00e1bios do meu pai me veio a calmaria que me invadia ap\u00f3s %Fitzroy% me fazer gozar. Mas raios, era meu pai ali, que porra de pensamento nojento. <br>\u2003\u2003 O nervosismo me fez descascar o esmalte. Eu queria entender como, eu queria entender a raz\u00e3o. %Fitzroy% era s\u00f3 mais um homem que passou por mim, como tantos outros. Olhando o retrospecto dos dias, percebi que eu havia deixado ele invadir minha vida e que eu havia deixado meus impulsos dominarem minha mente. <br>\u2003\u2003 Me enfiei no meio do mato, quase fui comida por um lobo, confessei todas minhas insanidades para um padre e&#8230; deixei meus seios serem chupados por um estranho na praia. Eu bem poderia ter morrido naquele instante, eu bem poderia ter sido assassinada a sangue frio. Ele poderia ser um s\u00e1dico, um tarado, um sociopata, um mendigo b\u00eabado, um ilusionista, um satanista, a personifica\u00e7\u00e3o do mal. E mesmo assim, mesmo sabendo de todos os riscos, o que eu fiz? Me entreguei \u00e0 ele. <br>\u2003\u2003 Deixei ele me possuir, me invadir. Um estranho, um completo estranho. O que eu havia me tornado? Que esp\u00edrito infernal tomava conta do meu corpo? <br>\u2003\u2003 Me lembrei da tatuagem dele. Era t\u00e3o diferente, os tra\u00e7os negros eram t\u00e3o fortes, possu\u00edam uma esp\u00e9cie de relevo que deixava-o mais intenso. O vermelho tamb\u00e9m possuia uma incr\u00edvel intensidade. Eu n\u00e3o reconheci o desenho, nem ao menos o entendi. Quando percebi estava jogada naquele abra\u00e7o, e tudo por causa dele. Tudo porque eu queria provar algo invis\u00edvel para <em>ele<\/em>.<br>\u2003\u2003 Talvez fosse um dos momentos mais est\u00fapidos que eu teria em vida. Eu, na minha cama, repassando todos os momentos que andei vivendo. E quando eu imaginava que meu c\u00e9rebro iria pifar, a chama da lembran\u00e7as de %Fitzroy% ro\u00e7ando no meu corpo, os resqu\u00edcios dos orgasmos, o chamariz de um prazer t\u00e3o suculento me recompunha. Eu poderia passar a noite ali, amargurando cada peda\u00e7o daquela realidade. <br>\u2003\u2003 Eu queria conversar com algu\u00e9m, precisava desabafar. Mas \u00e0quela hora e sobre aquele assunto? Nenhuma amiga minha me daria um conselho sensato. Meus pais? Pff, jamais. %Gustav%? O coitado havia passado por um mal bocado. Eu n\u00e3o entendia muito bem o que havia acontecido, meu pai me contou tudo por cima. Apenas havia sabido que os pobres que ele alimentava morreram de um jeito tr\u00e1gico, trazendo a pol\u00edcia federal para c\u00e1. Mas, pelo jeito, tudo tinha sido resolvido. Menos a dor de %Gustav%, eu imaginava como ele estava se sentindo. Derrotado e fraco. <br>\u2003\u2003 Levantei da cama em completa pregui\u00e7a. Procurei pelo meu aquecedor port\u00e1til e o liguei na tomada, o maldito %Fitzroy% havia deixado o servi\u00e7o em casa pela metade e a instala\u00e7\u00e3o do aquecedor da casa estava com problemas. O calor finalmente deixou o ambiente mais agrad\u00e1vel, agrad\u00e1vel o suficiente para eu abandonar minha jaqueta de moletom cinza e ficar apenas com uma blusa de alcinhas. <br>\u2003\u2003 Olhei ao redor do quarto e me lembrei de como eu queria mud\u00e1-lo. De como eu tinha planos para transformar totalmente o local. Eu at\u00e9 tinha desejado um projeto mal feito, iria compartilh\u00e1-lo com o homem que meu pai contratou para trabalhar em casa. O homem que depois pediu demiss\u00e3o para se afastar de mim e acabou apenas ficando ainda mais pr\u00f3ximo. Destino totalmente ir\u00f4nico. <br>\u2003\u2003 Fui at\u00e9 minha escrivaninha e abri uma gaveta que continha todo o tipo de porcaria antiga. Cartinhas de namoradinhos, bilhetes escritos no meio de aulas, adesivos de princesas da Disneys, canetas gel com brilho sem tinta, clipes coloridos, cotocos de l\u00e1pis de cor, um mp3 velho, pilhas usadas e meu antigo di\u00e1rio. <br>\u2003\u2003 Aquela coisa, aquele caderno de capa roxa e cheia de frescura que me serviu por muito tempo para escrever os desaforos da vida. Olhei para ele e percebi como eu menina boba, uma menina mimada. Como %Fitzroy% gostava de dizer, eu era uma filhinha de papai, uma princesinha mal acostumada. Eu realmente era assim, fui criada com todas pompas, com uma \u00e1urea purpurinada ao meu redor, n\u00e3o era culpa minha. E apesar de tudo, eu gostava de ser assim. Quando eu tentei tirar isso de mim, eu me tornei a irrespons\u00e1vel que invade florestas. Infelizmente, colocar palavras em um papel com tinta rosa n\u00e3o resolvia mais os meus problemas. <br>\u2003\u2003 Repensei em %Gustav%. Ser\u00e1 que ele me negaria ajuda? Ser\u00e1 que seria ego\u00edsmo demais ir at\u00e9 l\u00e1 esperar por paz quando era ele que precisava? Ou n\u00f3s poder\u00edamos nos ajudar? Olhei no rel\u00f3gio do notebook que tocava alguma m\u00fasica que eu nem ao menos prestava aten\u00e7\u00e3o. Eram 20 horas e 36 minutos, se eu sa\u00edsse \u00e0quela hora meus pais n\u00e3o estranhariam. Resolvi me trocar e arriscar, no m\u00ednimo eu poderia passar alguns minutos com o padre. <br>\u2003\u2003 Meu pai me questionou com toda a calma de sempre, eu respondi a real para ele, que iria \u00e0 igreja. Era algo totalmente comum, com o passar dos anos meus pais acharam que eu pararia de ir at\u00e9 l\u00e1, mas acabou tornando-se um h\u00e1bito agrad\u00e1vel. No come\u00e7o foi press\u00e3o da minha av\u00f3, como sempre ela me fazia sentir uma potencial alma para arder no inferno. Se eu ainda tinha crises de consci\u00eancia e mantinha a sanidade quase pegando fogo, era por causa dela. Toda noite eu ia dormir com a cabe\u00e7a pesando em culpa, foi com %Gustav% me mostrando um outro da coisa que acabei me acalmando. Eu precisava dele, definitivamente. <br>\u2003\u2003 Desci a ladeira em passos pouco apressados. A noite estava bem fria para o que est\u00e1vamos acostumados, era sempre assim, uma leve oscila\u00e7\u00e3o de temperatura no ver\u00e3o. N\u00e3o muito tempo depois estava quase de frente para a igreja. Olhei aquele enorme e imponente pr\u00e9dio e uma calmaria tomou conta de mim. Continuei a caminhada subindo as escadas at\u00e9 adentrar o local. Ela estava vazia e mais cheia de velas que o normal. Os candelabros estavam apagados, as luzes artificiais da lateral tamb\u00e9m, apenas o fogo das velas iluminava seu interior. <br>\u2003\u2003 Achei tudo muito silencioso, %Gustav% n\u00e3o parecia estar por ali. Sentei-me em um dos bancos pr\u00f3ximo ao altar e encarei o enorme Jesus Cristo pregado na cruz. Aquela imagem mexia comigo quando pequena, eu sentia agonia, pena, tristeza. Depois de grande aprendi a ver um pouco de alegria e reden\u00e7\u00e3o naquela figura. <br>\u2003\u2003 Rezei um Pai Nosso, seguido de uma Ave Maria, iria come\u00e7ar um Credo quando ouvi passos. Passos que me distra\u00edram e me fizeram mirar logo \u00e0 frente. Nunca rezei com tanta f\u00e9 para meus olhos estarem errados. Eu devo ter ficado numa postura bem rid\u00edcula, pelo riso que ele mostrava estava engra\u00e7ado olhar minha cara de toupeira. Como? Por qual raz\u00e3o ele estava ali? <br>\u2003\u2003 &#8211; Surpresa? \u2013 era o homem da praia. Mesmo vestido, com a pele menos p\u00e1lido e os cabelos secos eu poderia reconhec\u00ea-lo. O olhar animal e a postura incandescente seriam reconhecidas por mim em qualquer canto do planeta. <br>\u2003\u2003 &#8211; Que porra \u00e9 essa? \u2013 meu questionamento saiu baixinho, mas o suficientemente aud\u00edvel para ele. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea \u00e9 interessante. Vem rezar, pedir perd\u00e3o em santu\u00e1rio, mas fala palavras de baixo cal\u00e3o na frente de Jesus. Isso n\u00e3o soa errado? \u2013 eu n\u00e3o sei dizer quantas vezes respirei fundo, aquilo n\u00e3o fazia sentido algum. Mo\u00e7o, quem \u00e9 voc\u00ea? <br>\u2003\u2003 &#8211; Que tipo de coisa voc\u00ea \u00e9? \u2013 ele estava se aproximando e eu fui escorregando pelo banco tentando me manter distante. <br>\u2003\u2003 &#8211; Me desculpe, eu n\u00e3o queria te assustar. Sou o cardeal Giorgio Chielline, assistente pessoal do Cardeal Armand Marion. Seja bem-vinda \u00e0 casa de Deus. O que posso fazer por voc\u00ea? \u2013 o cara da praia era um cardeal? Mais que um padre ou um bispo, o filho da puta era um cardeal? Que merda? <br>\u2003\u2003 &#8211; Onde est\u00e1 o padre %Gustav% %Moore%? \u2013 n\u00e3o sei dizer se estava desesperada, assustada ou em choque. Eu precisava do %Gustav%, eu queria ele de qualquer jeito. <br>\u2003\u2003 &#8211; Lamento lhe informar, mas o padre %Gustav% %Moore% est\u00e1 afastado por uns dias, n\u00e3o est\u00e1 na Igreja no momento. \u2013 Como? Por qu\u00ea? %Gustav%, eu preciso de voc\u00ea. Cardeal maldito, vai embora, eu quero meu %Gustav%. <br>\u2003\u2003 &#8211; Onde ele est\u00e1? Eu preciso dele! \u2013 o Cardeal sentou-se no mesmo banco que eu. Senti minha espinha vibrar, minha cabe\u00e7a rodou por uns segundos. Por que esses homens do capeta infligiam tanta influ\u00eancia sobre mim? Que raio de ser fraco era eu? <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o sei onde ele est\u00e1, como disse, eu lamento. \u2013 suas palavras pareciam verdadeiras, mas carregadas de uma intensidade nefasta. Quem era aquele homem? Por que agia como agia? Era outro ser masculino dif\u00edcil de decifrar assim como %Fitzroy%? Sim, ele era. Eu suspirei fundo e pesado, fechei os olhos e escorei-me no banco da frente sentindo vontade de chorar. Ent\u00e3o ele foi se aproximando, aos pouquinhos. Eu sentia seu calor cada vez mais perto do meu corpo. \u2013 Por que eu n\u00e3o posso te ajudar? Na praia voc\u00ea confiou em mim, por que n\u00e3o confiar agora? <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea \u00e9 um cardeal que n\u00e3o respeite as regras da Igreja, por que deveria confiar em voc\u00ea? \u2013 eu revisei a cena passada na minha cabe\u00e7a. Com certeza eu era a melhor pessoa do planeta em se meter em encrenca. Tinha liberado meu corpo para um homem desconhecido completamente e ent\u00e3o, descoberto que o mesmo era um cardeal. Se eu n\u00e3o podia confiar no meu pr\u00f3prio bom senso, na minha pr\u00f3pria mente, em quem poderia? O certo e errado j\u00e1 n\u00e3o eram n\u00edtidos para mim. <br>\u2003\u2003 &#8211; \u00c9 realmente uma boa pergunta. \u2013 ele estava rindo. Todos riam da minha cara, das minhas perguntas. Bem, eu s\u00f3 sentia vontade de desatar em l\u00e1grimas. Qual foi a barreira que eu cruzei para tornar tudo uma verdadeira loucura? <br>\u2003\u2003 &#8211; Me diz algo, por favor. N\u00e3o estou entendendo nada e voc\u00ea est\u00e1 me deixando mais perturbada do que eu j\u00e1 estava. \u2013 finalmente tomei coragem para encar\u00e1-lo. Os olhos castanhos estavam avermelhados pelo fogo das velas, sua barba reluzia o calor que eu estava come\u00e7ando a sentir. <br>\u2003\u2003 &#8211; Se lembra das coisas que te disse? Lembra que falei para voc\u00ea que havia uma parte animalesca dentro de mim que eu n\u00e3o poderia deixar morrer? Mas que ao mesmo tempo era preciso ser alimentada? Eu sou um homem da Igreja, proibido de dar vaz\u00e3o aos prazeres da carne. \u00c9 horr\u00edvel, garota, a tenta\u00e7\u00e3o sucumbe a minha alma e eu n\u00e3o posso me entregar \u00e0 ela. Por isso eu n\u00e3o podia lhe beijar, o beijo \u00e9 o sinal mais \u00edntimo do tes\u00e3o. Mais que uma penetra\u00e7\u00e3o, mais que um ro\u00e7ar de corpos, mais que tudo. Por isso eu fiz uma promessa a mim mesmo. Estabeleci uma meta, tenho um prop\u00f3sito maior que esse. Minha vida \u00e9 cercada de dilemas e miss\u00f5es. Ent\u00e3o eu prometi a mim mesmo que n\u00e3o deixaria o animal daqueles que n\u00e3o participam dessa vida morrer. Eu sinto o potencial do le\u00e3o que mora dentro de voc\u00ea, eu sei por que est\u00e1 aqui. %Gustav% lhe d\u00e1 paz, n\u00e3o \u00e9? Os seres humanos s\u00e3o assim, eles pecam e veem at\u00e9 aqui para se confessar. \u00c9 um jeito de tirar o peso da mente para voltar a pecar. Por isso sua agonia, n\u00e3o pode voltar a pecar at\u00e9 ser perdoada, n\u00e3o \u00e9 mesmo? \u2013 meu corpo estava derretendo. Toda aquela torrente de palavras atingiu meu peito como um raio de extrema pot\u00eancia. Como sem ao menos me conhecer ele poderia saber exatamente como estava me sentindo? <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea n\u00e3o me conhece. \u2013 aquela foi minha defesa, meu extinto de prote\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podia permitir, novamente, que um completo estranho tomasse conta de mim porque eu n\u00e3o era capaz de aguentar meus pr\u00f3prios impulsos sozinha. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea est\u00e1 certa. \u2013 seu riso saiu nasalado e at\u00e9 meio cansado. \u2013 Mas eu posso ler seus olhos. N\u00e3o \u00e9 magia, truque ilusionista, nem nada disso. Nossos olhos falam, as vezes at\u00e9 mesmo gritam. Voc\u00ea parece ser o tipo de pessoa que n\u00e3o procura por confus\u00e3o, ela que procura por voc\u00ea, n\u00e3o \u00e9? <br>\u2003\u2003 &#8211; %Gustav% realmente n\u00e3o est\u00e1 aqui? \u2013 eu j\u00e1 estava me considerando no colo da derrota. %Moore% n\u00e3o estava ali, eu sabia, era s\u00f3 um jeito idiota de enganar o c\u00e9rebro. <br>\u2003\u2003 &#8211; Por que eu mentiria? \u2013 ele tinha um olhar t\u00e3o calmo, t\u00e3o sereno. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o sei de mais nada, cardeal. \u2013 se %Gustav% n\u00e3o estava ali e eu estava, n\u00e3o poderia perder a viagem. O tal Chielline teria que servir. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas, sobre o que voc\u00ea quer falar? O que quer confessar? <br>\u2003\u2003 &#8211; A gente n\u00e3o precisa ir no confession\u00e1rio pra isso? Al\u00e9m mais, at\u00e9 onde eu sei, o fiel tem direito a anonimato enquanto se confessa. \u2013 estava com muito medo. Aquele homem seria capaz de fazer mal \u00e0 mim? Al\u00e9m do mais, de maneira alguma eu poderia contar-lhe qualquer coisa que envolvesse %Fitzroy%, seria uma loucura colossalmente impens\u00e1vel. Pela primeira vez em v\u00e1rias tentativas frustradas, eu deveria agir racionalmente e ir embora. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sou um cardeal, minha bela, os procedimentos n\u00e3o precisam ser os mesmos. Comigo as coisas s\u00e3o diferentes. <br>\u2003\u2003 &#8211; Quer saber? Eu n\u00e3o confio em voc\u00ea, acho melhor ir embora. \u2013 iria me levantar e rumar para casa, da onde nunca deveria ter sa\u00eddo desde que conheci o lenhador. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o ouse. \u2013 seu bra\u00e7o prendeu meu joelho. Virei o rosto e olhei-o no fundo de sua alma. O fogo que estava queimando minhas entranhas possuiu as \u00edris de cor marrom. Diabo! <br>\u2003\u2003 &#8211; Me solte, voc\u00ea n\u00e3o pode me obrigar a ficar. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o posso obrigar, mas posso convencer. O que te faz querer ir embora? \u2013 deixe-me ver. Tudo? Tudo naquela hist\u00f3ria estava errado. O meio, o come\u00e7o e o fim que nem havia chegado. Minha inconsequ\u00eancia estava me levando para um po\u00e7o, sem fim. At\u00e9 onde seria interessante levar meu corpo pelos rastros do desejo? Onde foi que deixei de ser a garota temerosa e com f\u00e9 em Deus que n\u00e3o deixava o tes\u00e3o simplesmente lhe aflorar \u00e0 cabe\u00e7a? Onde raios havia se enfiado a neta que rezava o ter\u00e7o com a av\u00f3 todo domingo \u00e0 noite? O que havia mudado? Olhei para tr\u00e1s no tempo, busquei por respostas. Eu me via perdida, sem explica\u00e7\u00e3o. Agora eu era uma garota impulsiva com fama de sem ju\u00edzo que n\u00e3o sabia dizer n\u00e3o aos seus impulsos. O padre %Gustav% fora uma pe\u00e7a importante. Com sua sabedoria, com seu jeitinho fofo e carism\u00e1tico de ser ele me ensinou muitas coisas. Ele me ensinou sobre o pecado e sobre o perd\u00e3o. Me mostrou que Deus n\u00e3o nos julga por sermos meros seres que tendem ao erro, ele me mostrou que eu poderia confiar nos meus sentimentos e seguir em frente. %Moore% me perdoou pelo que fiz de errado e me permitiu errar de novo. E ah, eu errei de novo e de novo. Errei em cada vez que deixei %Fitzroy% encostar em mim, errei em cada vez que gozei gemendo no ouvido dele, errei em cada vez que sa\u00ed de casa sem me preocupar com as consequ\u00eancias, errei em cada vez que masturbei pensando nele, errei em cada vez que o matei mentalmente, errei em cada santa vez. Meus mais novo erro era o Cardeal, a praia. O que eu deixei ele fazer a mim era extremamente \u00edntimo. Se naquele momento eu deixei minha confian\u00e7a nele, por que raios n\u00e3o deixaria agora? Eu s\u00f3 tinha um problema \u00e0quela altura. %Gustav% me ensinou a come\u00e7ar a errar, mas n\u00e3o me ensinou a parar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Por qu\u00ea? \u2013 minha alma estava gritando, eu queria entender. N\u00e3o sei, no fundo eu esperava que algu\u00e9m pudesse me responder, me explicar. Sonhava com o dia em que acordaria com um anjo sobre minha cabe\u00e7a contando-me sobre os mist\u00e9rios da vida. Ele faria carinho na minha testa, me acalmaria e ent\u00e3o me diria a raz\u00e3o daquelas coisas que eu ainda n\u00e3o era capaz de entender. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o tenho resposta, minha bela. \u2013 n\u00e3o sei como, mas o olhar dele tornou-se mais terno e de certa forma me atingiu com mais intensidade. \u2013 Mas, eu posso tentar. \u2013 suas m\u00e3os prenderam-se nas minhas. O homem me puxou mais para perto, minhas canelas ro\u00e7aram no tecido social da cal\u00e7a que ele usava. Um toque m\u00ednimo e at\u00e9 idiota, por\u00e9m, o suficiente para tornar aquele local um pouco mais abafado. \u2013 Existem muitas pessoas no mundo, como voc\u00ea sabe. Hoje em dia nossos objetivos s\u00e3o grandes, s\u00e3o muitos. Trabalhar, estudar, enriquecer, comprar. Houve um tempo que homens viviam para conquistar terras, lutar guerras que nem ao menos eram suas. Alguns homens dessa \u00e9poca tinham que cuidar da alma, ser respons\u00e1vel por estar perto de Deus, \u00e9 assim que a humanidade funciona. N\u00e3o digo a humanidade como um grupo de humanos, falo dela como ess\u00eancia. Esses homens precisavam comunicar-se com Deus, serem puros, castos e assim aqueles que iam para a guerra poderiam ser perdoados. \u00c9 assim que nossa religi\u00e3o funciona at\u00e9 hoje. Homens como eu e como %Gustav% nos abstemos, fiquemos longe da tenta\u00e7\u00e3o da carne para que garotas como voc\u00ea possam pecar. Foi por isso que Jesus morreu na cruz, n\u00e3o foi? Um sacrif\u00edcio para que seus filhos n\u00e3o permanecessem no pecado, para que tivessem a esperan\u00e7a de um dia subir aos c\u00e9us e viver ao Dele. \u2013 as palavras do cardeal come\u00e7avam a iluminar minha mente. De certa forma eu me sentia mais leve, um pouco mais viva. As pessoas da igreja tinham feito uma esp\u00e9cie de lavagem cerebral em mim. Era uma vida nega\u00e7\u00e3o, de abstin\u00eancia a qual eu percebi n\u00e3o ter nascido para viver. E de repente \u00e9 como se toda a culpa tivesse ido embora, se todo o medo simplesmente tivesse fugido. Estava pronta para me entregar. Foi ent\u00e3o que percebi que eu sempre estive pronta, mas, havia um freio. Uma for\u00e7a contr\u00e1ria que me fazia parar e pensar, essa for\u00e7a era %Fitzroy%. Por\u00e9m, ainda me restavam d\u00favidas, d\u00favidas as quais n\u00e3o me deixariam dormir em paz. <br>\u2003\u2003 &#8211; E voc\u00ea? Se voc\u00ea precisa se abster o que foi aquilo na praia? \u2013 o homem sorriu, mais uma vez. <br>\u2003\u2003 &#8211; No come\u00e7o achava que eu jamais poderia pensar em uma mulher, que eu jamais poderia sequer imaginar sentir prazer. Foi com o tempo e com um homem que eu aprendi que as coisas n\u00e3o funcionam assim. Eu vi muita maldade, muitos erros sendo cometidos bem \u00e0 minha frente. Foi ent\u00e3o que me dei conta que n\u00e3o precisava deixar o meu animal morrer, eu poderia aliment\u00e1-lo. Foi por isso que houve a praia, eu entendo que meu corpo deve se livrar dos sentimentos da carne. <br>\u2003\u2003 &#8211; E isso quer dizer&#8230; <br>\u2003\u2003 &#8211; Isso quer dizer que, eu posso n\u00e3o poder ter prazer, mas eu posso dar prazer. \u00c9 sobre isso que a vida na Igreja se trata. O prazer de perdoar, o prazer de ajudar, o prazer de amar e o prazer de uma garotinha perdida na vida que procura por respostas as quais eu n\u00e3o tenho. Eu n\u00e3o posso te ajudar como %Gustav%, mas h\u00e1 algo que eu posso fazer por voc\u00ea. Eu posso te dar prazer. \u2013 eu fechei meus olhos clamando para n\u00e3o cair ao ch\u00e3o, n\u00e3o havia sanidade mundo que pudesse me fazer aguentar aquilo. Qual era o plano? Trepar no banco da Igreja? <br>\u2003\u2003 &#8211; Aqui? \u2013 meu \u00edmpeto fora pensar que aquilo era errado. Sujo, doente. E ent\u00e3o todo o meu julgamento de certo e errado caiu por terra no momento em que sua m\u00e3o direito soltou a minha e caminhou para a minha cintura. No momento em que sua m\u00e3o esquerda soltou a minha e puxou-me pelo queixo. Acho que n\u00e3o tinha nada mais para falar depois de toda aquela conversa. Eu queria, eu podia. Uma nega\u00e7\u00e3o constante n\u00e3o me salvaria daquela loucura. Por um momento eu pensei <em>nele<\/em>. Por alguns segundos a imagem de %Fitzroy% veio \u00e0 minha mente e uma esp\u00e9cie de amargo invadiu meu corpo me fazendo frear. Ele era meu freio, a \u00fanica pessoa que olhava para mim e me impedia de fazer as coisas sem pensar. Ali naquele momento eu percebi a verdade. Os meus questionamentos n\u00e3o eram sobre o pecado, sobre o perd\u00e3o. N\u00e3o eram sobre a vida, sobre justi\u00e7a, sobre poder ou n\u00e3o poder. Minha mente queria entender quando foi e como foi que <i>ele<\/i> se impregnou no meu corpo, nas minhas veias circulando pelos meus m\u00fasculos. Eu queria entender o porqu\u00ea do inferno de ter me apaixonado por %Fitzroy%, o lenhador frio, bruto e solit\u00e1rio. Um homem fechado, r\u00edspido e ao mesmo tempo t\u00e3o cheio de compaix\u00e3o e carinho. Eu ainda estava arredia e meio aflita, ele pareceu perceber. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ei, n\u00e3o entre em p\u00e2nico. N\u00e3o estou te obrigando, estou te fazendo uma oferta, voc\u00ea n\u00e3o precisa aceitar. A escolha \u00e9 sua, se quiser voc\u00ea pode sair por aquela porta e voltar para sua. O tempo \u00e9 seu. &#8211; A d\u00favida tornou-se maior. Eu queria tir\u00e1-lo do meu sistema? Eu queria bot\u00e1-lo para fora? S\u00f3 havia uma maneira de saber, eu precisa tentar. Eu precisava tentar, ali, naquele instante. Naquele banco, com aquele homem, sob o julgamento de Jesus Cristo. <br>\u2003\u2003 Minha boca pareceu desaprender falar. Fechei os olhos e respirei fundo por poucos segundos. \u201cCoragem, %Louise%\u201d, murmurei internamente. Quando voltei a ver, ele estava esperando por mim. Um \u00faltimo segundo de d\u00favida. Para acabar logo com agonia que estava me entorpecendo, eu me entreguei. Procurei pela m\u00e3o dele que estava em minha cintura e fiz for\u00e7a sobre ela tornando o toque mais intenso. Essa era a resposta que ele esperava. O cardeal contraiu minha carne e eu respirei fundo entregando-me. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea sabe como isso funciona, sim? \u2013 balancei a cabe\u00e7a positivamente. &#8211; Eu n\u00e3o posso te beijar, eu n\u00e3o posso te penetrar e voc\u00ea n\u00e3o pode tocar em meu membro, mas, juro pelo Deus que sou devoto e oro todas as noites que seu prazer vai ser o mais intenso quanto eu puder te dar. \u2013 a saliva da minha l\u00edngua molhou meus l\u00e1bios e me colocar mais para perto dele. O homem encostou minha coluna no apoio do banco e p\u00f4s-se entre minhas pernas. As m\u00e3os fortes foram por baixo da minha roupa tocando minha pele. A diferen\u00e7a t\u00e9rmica quase me matou, at\u00e9 meu corpo come\u00e7ar a se consumir pelo calor. Eu comecei a adorar o jeito que ele me apertava e me arranhava. Tinha um qu\u00ea de brutalidade misturado \u00e0 ternura, um equil\u00edbrio de for\u00e7as. <br>\u2003\u2003 Ele respirava pr\u00f3ximo demais da minha boca e naquele impulso imbecil procurei por seus l\u00e1bios. Ele desviou rapidamente evitando o toque e guiou-a para perto da minha orelha. Ah, meu Pai, aquele ar quente que ele soltava ali iria me matar. O infeliz mal me tocava e eu j\u00e1 estava sentindo minha calcinha estupidamente molhada. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea quer sentir minha boca? \u00c9 isso? \u2013 sua voz sa\u00edra baixinha em um tom rouco, grave. Putamente excitante. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu quero. \u2013 a minha por sua vez era manhosa, delicada e quase inaud\u00edvel. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea sabe que eu n\u00e3o posso ter beijar, n\u00e3o sabe? \u2013 meu \u201csim\u201d saiu t\u00e3o baixo como a frase anterior. Ele ent\u00e3o foi para o meu pesco\u00e7o, passando a l\u00edngua por ele, enchendo aquela parte com sua saliva. Procurei por sua nuca e forcei o contato, s\u00f3 fiquei satisfeita quando ele finalmente mordeu minha carne e arranhou a barba. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu preciso de mais. \u2013 a garotinha safadinha queria e precisava de mais. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea vai ter tudo. \u2013 finalmente eu senti suas pernas tocando as minhas, seu tronco forte e definido ro\u00e7ando meus peitos. Eu arfei baixinho jogando a cabe\u00e7a para tr\u00e1s. Foi ent\u00e3o que suas m\u00e3os invadiram meus peitos que n\u00e3o estava vestindo um suti\u00e3 naquela noite. Os dedos atacaram meus mamilos, apertando-os de uma forma que me fez querer gritar. Ele ent\u00e3o levantou minha blusa os deixando de fora. Os dois j\u00e1 estavam duros como o pau do cardeal. Eu via sobre a cal\u00e7a. Um volume n\u00e3o t\u00e3o grande, mas incrivelmente grosso. Ao olhar praquilo delirei imaginando aquele caralho me invadindo, seria algo incrivelmente delicioso. O cardeal percebeu minha carinha pervertida mirando seu membro e sorriu safado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele n\u00e3o pode ser seu, mocinha. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea tem certeza? \u2013 fiz um biquinho manhoso, quem sabe eu poderia faz\u00ea-lo mudar de ideia. <br>\u2003\u2003 &#8211; Total e absoluta. S\u00f3 eu posso toc\u00e1-lo, senti-lo. Voc\u00ea s\u00f3 pode fantasiar. \u2013 eu mal conseguia olhar para ele. Era uma tortura muito maldita. Uma porra de um pinto na minha frente, em riste, duro, latejante e eu sem poder ao menos encostar. Ah, que desgra\u00e7a. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele \u00e9 grosso como eu imagino que seja? \u2013 o cardeal fechou os olhos recuperando o controle da situa\u00e7\u00e3o. Por um momento eu senti pena dele. Passar por uma situa\u00e7\u00e3o daquelas e n\u00e3o se permitir prazer pr\u00f3prio era terr\u00edvel demais. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vou te mostrar como ele \u00e9, j\u00e1 que voc\u00ea insiste em saber. \u2013 meus olhos se encheram de esperan\u00e7a, eu me empolguei. Seria agora que ele abriria o z\u00edper e colocaria o pau para fora. Eu iria olhar, lamber meus l\u00e1bios e enfiar minha m\u00e3o antes que ele pudesse me impedir. Qual foi minha surpresa quando eu senti minha cal\u00e7a de moletom caindo por minha pernas. Um arrepio, um frio cretino correu minhas coxas. O homem lambeu os l\u00e1bios ao me ver exposta. Minha calcinha branca, pequena e de renda mostrava meus pelos, marcava meu clit\u00f3ris que estava rogando, pedindo para ser ro\u00e7ado. Eu sentia meu corpo tremer, minha pernas estavam fora de controle. Minha bocetinha estava acesa de um jeito doente. A porra do tes\u00e3o que eu estava sentindo me queimava de dentro para fora. Ele estava me observando, comendo cada pedacinho do meu corpo com os olhos. <br>\u2003\u2003 Vagarosamente uma de suas m\u00e3os foi para o meu p\u00e9. Ent\u00e3o com um dedo ele subiu cheio de paci\u00eancia pela minha canela, senti sua curta unha arranhando meu joelho e depois correndo pela parte interna das minhas coxas. Mirou-me mordendo os pr\u00f3prios l\u00e1bios quando o mesmo dedo puxou minha calcinha para o lado. O vento que atingiu meu clit\u00f3ris quase me derrubou desmaiada no ch\u00e3o. Qualquer toque naquele momento me faria gritar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Preciso que voc\u00ea me prometa que vai ficar bem quietinha. Se algu\u00e9m nos ouvir n\u00f3s teremos problemas, tudo bem? \u2013 eu iria responder, mas ele pediu sil\u00eancio colocando a outra m\u00e3o sob sua boca. Respirei fundo esperando pelo toque e a impaci\u00eancia estava me matando. Anda homem, mete essa porra a\u00ed. Mas ele fora paciente. Seu dedo circulava por cada cantinho da minha pele. Ia, voltava. Ele beliscava o canto da minha coxa, ro\u00e7ava com pouca for\u00e7a no meu grelo. Passava as unhas pelos grandes l\u00e1bios e sorria satisfeito em ver o efeito que causava sobre mim. Me impulsionei para frente for\u00e7ando o contato, mas ele mantinha-se firme em enrolar mais um pouco. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea queria sentir minha boca, n\u00e3o queria? \u2013 eu faria uma loucura para poder morder aquele l\u00e1bio fino e vermelho. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu ainda quero. \u2013 bitch, por favor. Seria imposs\u00edvel desistir da ideia de ter aquela l\u00edngua rebolando na minha boca. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o pode ser na sua, mas pode ser aqui. \u2013 agora sua m\u00e3o inteira apertou todo o volume da minha boceta. Vibrei atordoada fazendo um esfor\u00e7o infernal para n\u00e3o gritar em alto e bom som. De repente sua vontade em ir devagar morreu, s\u00f3 deu tempo para buscar o ar ao sentir sua l\u00edngua l\u00e1 embaixo. Minha coluna perdeu o apoio. Retrai a musculatura de todo o meu corpo. Uma das m\u00e3os dele grudou minha coxa de uma forma em que marcas seriam inevit\u00e1veis. A outra encontrou um dos meus seios dando um tapa nele. PUTA MERDA! Ele procurou minha entrada com a l\u00edngua. Mesmo sem tocar ali eu sabia, eu senti que o qu\u00e3o estava ensopada e vibrante. Ele engolia meu caldo, jogava a l\u00edngua de um lado para outro sentindo minha boceta por inteira. <br>\u2003\u2003 &#8211; Shi! Quietinha. N\u00e3o quero ter que parar de te chupar porque voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 se comportando. <br>\u2003\u2003 Quietinha? Como poderia ficar sem gemer numa situa\u00e7\u00e3o daquelas? Eu queria gritar que nem uma maluca no cio. Queria estourar os t\u00edmpanos dele pedindo em alto e bom som para que ele me fodesse sem o m\u00ednimo de piedade. Mas ele n\u00e3o faria aquilo, ele n\u00e3o podia. A qualquer momento meu c\u00e9rebro iria estourar feito um bal\u00e3o por ter de aguentar essa nega\u00e7\u00e3o. Resolvi morder meu pulso. Aquela l\u00edngua aben\u00e7oada, literalmente, passeava por toda minha entrada. Ele ent\u00e3o resolveu dar aten\u00e7\u00e3o especial para meu cl\u00edtoris. Chupadinhas leves e curtas que foram ao poucos ficando cada vez mais insanas. Eu tinha um cardeal, um puto do Vaticano me chupando. De alguma forma eu me sentia especial. <br>\u2003\u2003 A porra estava maravilhosa. Da\u00ed, sem eu entender a raz\u00e3o, ele parou. Fiquei em desespero. Olhei para ele assustada quase chorando. N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o seu filho de uma vadia, n\u00e3o pare! Eu pedi para voc\u00ea parar? <br>\u2003\u2003 &#8211; Cardeal&#8230; \u2013 minha voz foi raivosa. Como um aviso de que ele seria punido por interromper as coisas drasticamente. <br>\u2003\u2003 &#8211; Calma, respira. \u2013 minhas unhas estavam prontas pra grudar naquele rostinho perfeito. Eu sentia tanta raiva, uma vontade louca de voar nele e n\u00e3o sair dali at\u00e9 deixar aquele pau todo ralado de tanto rebolar. \u2013 Eu n\u00e3o vou fazer o que voc\u00ea est\u00e1 pensando. \u2013 Giorgio mostrou-se assustado em um primeiro momento. Depois de segurar minhas m\u00e3os para garantir que eu n\u00e3o o matasse ele voltou a sorrir. Os homens gostavam de sorrir ao me ver sem controle. <br>\u2003\u2003 &#8211; E o que \u00e9 que eu estou pensando, cardeal? \u2013 arqueei meu corpo, sentando-me. Puxei o infeliz pelo colarinho da camisa alinhando-me bem de frente \u00e0 ele. Com a buceta aberta, os peitos duros, o pulso cheio de marcas de dente e morrendo de tes\u00e3o. O cardeal grudou cada um dos meus bra\u00e7os com for\u00e7a, deixando-me im\u00f3vel. Com a mesma intensidade me trouxe para frente quase colando nossas bocas, quase. Enquanto ele respirava com a boquinha aberta eu podia sentir meu pr\u00f3prio cheiro. <br>\u2003\u2003 &#8211; Est\u00e1 sentindo esse cheiro? \u2013 eu via o movimento de sua l\u00edngua, os l\u00e1bios se movendo com sutileza e paci\u00eancia de uma forma provocante. <br>\u2003\u2003 &#8211; Seria imposs\u00edvel n\u00e3o sentir. \u2013 aquela merda n\u00e3o era nada justa. Tentei lan\u00e7ar-me sobre ele, mas fui impedida pelos bra\u00e7os que me seguravam. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sabe o que \u00e9 isso? \u00c9 o cheiro da sua bocetinha. \u00c9 o cheiro dessa sua xoxotinha extremamente molhada, encharcada pedindo pra que eu meta meu caralho bem no meio dela. Voc\u00ea quer sentir isso, n\u00e3o quer? Eu sei que voc\u00ea quer ser fodida, aberta. Eu sei que voc\u00ea est\u00e1 louquinha pra que eu meta sem parar. Voc\u00ea quer gemer alto, quer pedir por mais. Sabe, se fosse por mim eu beberia isso aqui na hora da missa ao inv\u00e9s de vinho. Minha boca est\u00e1 inteirinha possu\u00edda por voc\u00ea, pela sua excita\u00e7\u00e3o, pelo seu tes\u00e3o. Eu juro que te colocaria de quatro aqui e agora no meio dessa porra e te possuiria com a brutalidade que voc\u00ea tanto deseja. Mas eu n\u00e3o posso. \u2013 ele soltou um dos meus bra\u00e7os. Foi r\u00e1pido. A m\u00e3o do cardeal foi meio sem jeito para sua calca. O z\u00edper desceu em extrema dificuldade, deixando um peda\u00e7o de pano branco aparecer. Da maneira que pode ele puxou o tecido da cueca para baixo e trouxe o membro para fora. Aquela merda apontou para frente. Mordi meus l\u00e1bios de um jeito maluco, provavelmente eles sangrariam. Se era enorme? N\u00e3o, o de %Fitzroy% era maior. Mas aquele peda\u00e7o de carne dos infernos era grosso. Grosso como uma tora, cheio de veias, com uma cabe\u00e7a mais vermelha que uma ma\u00e7\u00e3 madura. Eu n\u00e3o sabia o que falar, eu deveria saber? Eu queria chupar aquela porra. \u2013 Ent\u00e3o, meu amor, vou te dar o que posso. \u2013 Um, dois, tr\u00eas. Ele alinhou um por um na frente de seu membro. Quatro dedos, quatro infelizes dedos. \u2013 Voc\u00ea \u00e9 quem sabe, ainda quer sentir meu pau? \u2013 ele posicionou os quadro dedos \u00e0 frente da minha entrada. Eram dedos demais, eu fiquei com medo. Aquilo ia entrar? Ia doer? Quer saber? Foda-me. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mete! \u2013 eu n\u00e3o tinha um arsenal maior de palavras. Ele n\u00e3o esperou, n\u00e3o hesitou e nem falou mais nada. Foi tudo de uma vez. Minha espinha quase quebrou, aquilo tudo me invadiu e foi l\u00e1 no fundo. Minha boceta estava realmente molhada pra caralho porque, duvido que aquilo entraria daquela forma se n\u00e3o estivesse. Ent\u00e3o, ele tirou at\u00e9 que entrassem de novo. Indo e vindo, me fodendo, me arrombando. Ele me deixou gemer. Soltou meu outro bra\u00e7o e foi me masturbar. O cardeal sabia o que estava fazendo. N\u00e3o ia demorar, eu ia gozar e escorrer naquele banco. Olhei para baixo, vi aquele p\u00eanis desesperadamente pedindo para gozar. Tirei a m\u00e3o dele que estava me masturbando e coloquei em cima de seu membro. <br>\u2003\u2003 &#8211; Fa\u00e7a isso, voc\u00ea merece. \u2013 ele beijou minha testa e come\u00e7ou a organizar os movimentos. Chielline me fodia e batia uma punheta para si mesmo. Estava hipnotizada vendo aquela cena, n\u00e3o conseguia desgrudar os olhos dele se masturbando, deslizando as m\u00e3os sobre aquele po\u00e7o de del\u00edcia. Mas a cena teve que se interromper. Senti minha vagina travar, uma sensa\u00e7\u00e3o de rasgo. Um s\u00fabito arrepio. Era o orgasmo. \u2013 Ah, eu vou gozar! \u2013 saiu alto demais. Ele grudou a testa na minha metendo mais r\u00e1pido, mais fundo. Continuou se dando prazer do jeito que podia e dava. Mordi meu pulso novamente para n\u00e3o berrar. Eu gozei, escorri, quase faleci. Enquanto eu gozava ele continuava metendo. <br>\u2003\u2003 Abri os olhos e o observei. Como ele era lindo mordendo aquela boquinha, grunhindo de forma rouca e com a testa franzida. Queria ajud\u00e1-lo, mas eu n\u00e3o podia. Ele procurou meu olhar e piscou para mim antes de gozar. A porra voou para cima e ele oscilou para frente se desmontando em mim. Aquele l\u00edquido branco e viscoso n\u00e3o parava de sair. Ele xingou no meu ouvido e deu um tapa no meu clit\u00f3ris. Os dois estavam acabados, rindo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Am\u00e9m. \u2013 ele pronunciou. Que homenzinho herege. <br>\u2003\u2003 &#8211; A gente n\u00e3o t\u00e1 ferrado? Devem ter nos ouvido. <br>\u2003\u2003 &#8211; O bispo n\u00e3o est\u00e1, meu supervisor est\u00e1 enfiado longe daqui. Fique tranquila, se vista. \u2013 eu me recompus do jeito que dava. Mais loucura na minha vida, eu merecia um pr\u00eamio. <br>\u2003\u2003 Me levantei ajeitando a mente, arrumei minha postura, estalei as costas. Estava pronta para sair quando ele me chamou. <br>\u2003\u2003 &#8211; Qual o nome da minha fiel? \u2013 ele vestiu a cueca branca, mas aquela coisa dos deuses ainda estava dura. Eu vi a cabe\u00e7a vermelha e manchada de gozo para fora. Depois dessa cena, definitivamente, eu iria para o inferno. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Louise%. <br>\u2003\u2003 &#8211; Certo %Louise%. Depois de tudo que fizemos, quero que me responda. Encontrou aqui as respostas que procurava? \u2013 parei para pensar enquanto ele subia por fim o z\u00edper. Eu queria entender %Fitzroy%. Queria saber os porqu\u00eas sobre ele. Se eu entendi nosso \u201crelacionamento\u201d? N\u00e3o. Se eu descobri o que ele sentia por mim? N\u00e3o. Se eu entendia o que eu estava sentindo? N\u00e3o. Eu n\u00e3o tinha merda de resposta nenhuma. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o. \u2013 minha resposta fora de certa forma, triste. Dali eu pude tirar uma certeza, eu queria %Fitzroy%. O cardeal me enlouqueceu, ele me fodeu do jeito que pode. Quase tive um treco, foi uma coisa transcendental, mas, ainda n\u00e3o era <em>daquele<\/em> jeito. Do jeito do <em>meu<\/em> lenhador. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sendo assim, %Louise%, sinto muito. V\u00e1 procurar por elas onde voc\u00ea sabe que elas est\u00e3o. Se precisar de mim, pra isso, de novo&#8230; \u2013 um sorriso animado estava em sua boca -&#8230; estarei aqui. Boa noite. \u2013 respirei fundo. Pr\u00f3ximo destino: floresta.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>xx<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003H\u00e1 tempos e eu %Gustav% n\u00e3o t\u00ednhamos uma noite daquelas. Jogando conversa fora, falando sobre bobagens. Tocamos em assuntos que meu c\u00e9rebro tinha enfiado l\u00e1 no fundo, numa gaveta empoeirada esquecida no tempo. Est\u00e1vamos naquilo h\u00e1 cerca de uma hora. Antes disso, Nikolai estava por l\u00e1. Ele tinha ido avisar que sairia fora da cidade pelo dia seguinte e que voltaria pela noite e esperava conversar conosco para bolarmos algumas teorias. Fazer nossa pr\u00f3pria teoria da conspira\u00e7\u00e3o sobre a morte dos pobres e as merdas que haviam acontecido. <br>\u2003\u2003 Depois de tantos anos curtindo a solid\u00e3o, eu fiquei daquele jeito. Um z\u00e9 man\u00e9, um babaca de primeira. Claro, eu sempre fui mais arredio e quieto. Olhando as coisas de longe, analisando antes de me oferecer ao risco. Acontece que com mais amigos por perto e com, bem, com aquela garotinha inconsequente minha guarda estava mais aberta. Acabamos chegando no assunto %Louise%. N\u00e3o sabia decidir seu eu gostava de falar sobre ela ou n\u00e3o. <br>\u2003\u2003 &#8211; A m\u00e3e, %Fitzroy%? Voc\u00ea \u00e9 mais sujo do que eu pensava. <br>\u2003\u2003 &#8211; Foi uma merda que aconteceu de um jeito errado. Eu fui idiota, ela foi abusada, as coisas se confundiram e acabou acontecendo. \u2013 eu me lembrava bem do dia. Eu sabia que a mulher estava se acendendo pro meu lado, era n\u00edtido, estava escrito na testa dela. Mas, eu juro que ir at\u00e9 adega e levar aquela cantada n\u00e3o tinha sido algo proposital. Quando dei por mim a boca estava grudada l\u00e1. N\u00e3o foi bom. A mulher tentou me seduzir e eu at\u00e9 tentei me excitar, por\u00e9m&#8230; n\u00e3o deu certo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah sim, ela te beijou \u00e0 for\u00e7a com todo esse seu tamanho. Para de querer que eu acredite nessa conversinha fiada. Voc\u00ea quis experimentar as duas, ahn? \u00c9 um fetiche e tanto. \u2013 nada foi planejado, isso me matava. Eu odiava coisas n\u00e3o planejadas. <br>\u2003\u2003 &#8211; Man\u00e9 fetiche, padre abusado. Me respeita, eu jamais iria ficar com a %Louise% depois de ter dado uma bitoca idiota na m\u00e3e por causa de uma porra de um fetiche. Vai \u00e0 merda. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah \u00e9? Ir \u00e0 merda? Ent\u00e3o me conta, sen\u00e3o foi por fetiche, por que foi? \u2013 ele me olhava com aquela cara de toupeira mal intencionada. Eu odiava os olhos verdes dele, eles sabiam me ler. %Gustav% me conhecia como a palma da m\u00e3o, n\u00e3o podia mentir para ele. Padre dos infernos. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o sei, %Gustav%. Foi uma atra\u00e7\u00e3o, um tes\u00e3o. Quando dei por mim, tinha ido. \u2013 era estranho. Minha vida era totalmente organizada, eu tinha meus hor\u00e1rios, minha rotina. Nada aconteceu fora do que eu havia planejado, eu tinha meu esquema. E dai ela apareceu e tudo saiu dos eixos. Eu parei de ser t\u00e3o racional. E se tinha uma porra nesse mundo que me deixava puto para caralho era agir por impulso. Odiava pessoas impulsivas que sa\u00edam fazendo o que dava na telha sem medir os riscos. Isso me deixava arredio com %Louise%, a garota era a personifica\u00e7\u00e3o da impulsividade. E ah, outra mulher na minha vida sem responsabilidade, totalmente impulsiva que faz uma merda enorme e depois vem pedir perd\u00e3o como se nada tivesse acontecido? Jamais. <br>\u2003\u2003 &#8211; E depois voc\u00ea quer dar bronca na menina como se ela fosse a \u00fanica culpada na hist\u00f3ria? Voc\u00ea deixou continuar, deu linha. N\u00e3o seja hip\u00f3crita. &#8211; Virou defensor dela agora? Que inferno, %Gustav%! \u2013 eu sei, eu sei. N\u00e3o era o homem mais respons\u00e1vel do planeta. Estava colecionando merdas, erros e coisas do g\u00eanero. Isso me incomodava e me assustava, eu sabia onde aquilo iria levar e eu n\u00e3o queria trilhar aquele caminho. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00f3s conversamos, eu sei de coisas. Eu disse coisas. E n\u00e3o adianta fazer essa cara, n\u00e3o vou te contar nada. Segredo de confiss\u00e3o, sou um padre honesto. \u2013 o maldito tinha mexido os pauzinhos dele, isso era ineg\u00e1vel. %Gustav% tinha podia interferir na minha vida, ele tinha poder para isso. Admito que eu tinha uma curiosidade imensa de saber o que os dois j\u00e1 tinham falado sobre mim, entretanto, acho que eu morreria sem saber. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea \u00e9 um padre filho de uma \u00e9gua, isso que voc\u00ea \u00e9. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Fitzroy%, meu amor. \u2013 olhei torto para ele. Toda vez que %Moore% me tratava daquele jeito era sinal de serm\u00e3o vindo a tona. \u2013 A garota tem algo por voc\u00ea, um sentimento meio confuso e perturbado, mas tem. E eu sei que voc\u00ea tem por ela. Eu te conhe\u00e7o lidando com mulheres, sei seus truques. Sei o que voc\u00ea quer dizer com cada coisa que faz. Voc\u00ea tentou mandar ela sumir, mas n\u00e3o conseguiu nem mant\u00ea-la longa e nem conseguia ficar longe. Pare de se negar isso, o fantasma Henrietta j\u00e1 morreu. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o ouse citar esse nome dentro minha casa. Eu vou morrer com o rancor dessa pessoa me consumindo, n\u00e3o me tire esse direito. \u2013 Henrietta, meu primeiro amor. A namoradinha que teve o melhor de mim. O %Fitzroy% rom\u00e2ntico, atencioso, gente fina. N\u00f3s transamos, ela engravidou. Disse que o filho era meu. Eu idiota, tapado, apaixonado a pedi em casamento. Ela negou, sumiu no mundo. Voltou um ano depois com a crian\u00e7a em seus bra\u00e7os, sozinha e fodida pedindo por ajuda. Eu vi o moleque e me derreti. Ainda daria uma chance \u00e0 ela. Ent\u00e3o o moleque perguntou pelo pai. A m\u00e3e tentou disfar\u00e7ar a hist\u00f3ria. Resumidamente? O filho era de outro, outro cara, um rica\u00e7o. Um rica\u00e7o que n\u00e3o quis ela. Apenas um dos quais ela me traiu enquanto est\u00e1vamos namorando. Ela disse que foi um impulso. Seis impulsos dos infernos. Ela precisou de quatro testes de DNA para descobrir quem era o pai. Quando o cara n\u00e3o quis nem saber, ela resolveu voltar para o corno. Fora a primeira vez que mandei uma mulher \u00e0 merda na vida. Fiquei com pena da crian\u00e7a e por isso, apenas por isso eu a levei at\u00e9 a casa dos av\u00f3s do coitado do menino. Ele ficou com os av\u00f3s; cresceu bem e tinha tudo que precisava. Com esse peso nas costas eu n\u00e3o viveria. Depois disso, fui ao m\u00e9dico e fiz uma cirurgia. Do meu pinto n\u00e3o sairia gozo para engravidar ningu\u00e9m. <br>\u2003\u2003 &#8211; Isso n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel. Mas tudo bem, n\u00f3s temos essa discuss\u00e3o h\u00e1 22 anos, n\u00e3o \u00e9 hoje que voc\u00ea vai mudar de ideia. <br>\u2003\u2003 &#8211; Isso, esse \u00e9 o %Gustav% que gosto. E perd\u00e3o amig\u00e3o, mas eu preciso me deitar. Essas conversas com voc\u00ea me fazem pensar e eu n\u00e3o quero pensar. Vou deitar antes que alguma crise de consci\u00eancia me invada. <br>\u2003\u2003 &#8211; Certo campe\u00e3o, vou pegar uma \u00e1gua e ir dormir. \u2013 %Gustav% foi se levantar, mas n\u00e3o. Foi pego de surpresa assim como eu com a batida na porta. Tenho certeza que j\u00e1 citei o fato das visitas terem ficado cada vez mais abusadas. Eu odiava visitas, aquilo tamb\u00e9m n\u00e3o iria mudar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas que diabo, visita uma hora dessas? <br>\u2003\u2003 &#8211; %Carl%, ser\u00e1? <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o, eu duvido. Vou ter que ver com meus pr\u00f3prios olhos. \u2013 fui at\u00e9 a porta. Qual foi minha surpresa, deveria ter suspeitado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Oi, por favor, n\u00e3o me xingue. N\u00e3o brigue, n\u00e3o me d\u00ea bronca. Preciso falar com %Gustav% e fui at\u00e9 a Igreja e ele n\u00e3o estava l\u00e1. Deduzi eu que ele estaria aqui e eu preciso muito, muito, muito falar com ele. Por favor, me deixa entrar. \u2013 ela falou t\u00e3o r\u00e1pido que me deixou tonto. %Moore% previu que eu iria surtar e se p\u00f4s pelo meio puxando-a para dentro. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vai pra l\u00e1, deixa eu conversar com a garota. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah sim, certo. Agora eu nem mando mais na minha pr\u00f3pria casa. \u00d3timo. Vou me enfiar na casinha de cachorro, quando precisarem de mim \u00e9 s\u00f3 chamar o \u201cRex\u201d.<\/p>\r\n<p align=\"center\">xx<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003- Pode come\u00e7ar, mocinha. Se veio at\u00e9 aqui falar comigo \u00e9 porque fez o que n\u00e3o devia. \u2013 sim, eu estava julgando a garota. Eu me sentia respons\u00e1vel por ela. %Louise% fazia todos ao seu redor terem essa sensa\u00e7\u00e3o de que tinham de proteg\u00ea-la e ajud\u00e1-la. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Gustav%, n\u00e3o sei nem pode onde come\u00e7ar. \u2013 ela parecia bem envergonhada. <br>\u2003\u2003 &#8211; Que tal pelo come\u00e7o? N\u00e3o precisa ter medo ou vergonha, n\u00e3o vou brigar, certo? <br>\u2003\u2003 &#8211; Certo. \u2013 ela parou e tomou ar. O que estava por vir era grande. \u2013 O dia que eu discuti com %Fitzroy% por ter, voc\u00ea sabe, feito coisas com a minha m\u00e3e eu fui pra praia. Queria esvaziar a cabe\u00e7a. L\u00e1 eu encontrei esse homem. N\u00f3s fizemos coisas tamb\u00e9m. \u2013 a garota tinha uma formiguinha l\u00e1 embaixo, com certeza. \u2013 Depois de tudo eu fiquei confusa. Fui at\u00e9 a Igreja porque precisava falar com voc\u00ea. E %Gustav%, isso fica confuso. \u2013 ela abriu um riso constrangido. <br>\u2003\u2003 &#8211; Me conta isso de uma vez. Eu sou padre, mas eu tamb\u00e9m sou humano e a curiosidade est\u00e1 corroendo minhas entranhas, ent\u00e3o conte logo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Estava tudo vazio, silencioso. Ent\u00e3o apareceu um padre. <br>\u2003\u2003 &#8211; Um padre? \u2013 n\u00e3o podia ser um padre, eu era o \u00fanico padre. E ela tamb\u00e9m pelo visto n\u00e3o era o bispo, pois ela o conhecia. Oh sim, eu sabia quem deveria ser. \u2013 N\u00e3o era um padre, provavelmente era Chielline, o cardeal que est\u00e1 aqui por esses dias. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sim, era ele. E voc\u00ea sabe quem \u00e9 ele? <br>\u2003\u2003 &#8211; Claro que eu sei, eu o conhe\u00e7o h\u00e1 anos. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele \u00e9 o homem da praia, %Gustav%. \u2013 me segurei para n\u00e3o tombar para tr\u00e1s. Chielline havia transado com %Louise%. Mas, por Deus! <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea est\u00e1 me dizendo que transou com o Cardeal Chielline na praia? \u2013 um servo de Deus metendo a piroca nas menininhas? N\u00e3o tava certo, celibato era algo s\u00e9rio. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o transamos, nem nos beijamos. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Louise%, seja mais direta e objetiva, por favor. \u2013 meu c\u00e9rebro tinha um n\u00f3 n\u00e3o desat\u00e1vel em seu topo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele disse que n\u00e3o podia me beijar ou transar comigo. N\u00f3s come\u00e7amos a conversa na Igreja, ele disse que poderia me ajudar. E ent\u00e3o n\u00f3s acabamos ficando de novo. \u2013 o sentido havia se escondido embaixo da cama. Eu teria que pesquisar melhor sobre isso depois, n\u00e3o era nada certo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas se voc\u00eas n\u00e3o fizeram sexo e n\u00e3o se beijaram, como ficaram de novo? Eu n\u00e3o estou entendendo isso. Puta merda. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele disse que n\u00e3o podia me beijar ou me penetrar com o p\u00eanis. Mas, que podia fazer outras coisas&#8230; \u2013 doente? Herege? Sacril\u00e9gio? N\u00e3o conseguia decidir. <br>\u2003\u2003 &#8211; Quais coisas, %Louise%? Voc\u00ea est\u00e1 me matando. <br>\u2003\u2003 &#8211; Com detalhes? \u2013 a vergonha corou seu rosto por inteiro. A menina aprontava de tudo, mas, na hora de contar ela sentia vergonha. Pensando bem, era plaus\u00edvel, \u00e9 nossa intimidade. \u00c9 dif\u00edcil contar aos outros, principalmente quando era uma merda t\u00e3o grande como aquela. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o vou te julgar, nem sou pervertido pra usar essa hist\u00f3ria depois para outros fins. Pode ir fundo nisso. <br>\u2003\u2003 &#8211; Tudo bem, vou falar r\u00e1pido, assim d\u00f3i menos. Chielline me masturbou e fez sexo oral em mim. \u2013 ela mordeu os l\u00e1bios, a postura decaiu. Oh sim, aquilo era pesado. No banco da minha Igreja, agora eu sei como %Fitzroy% se sentia quando invadiam a floresta dele. <br>\u2003\u2003 &#8211; Com qual finalidade? Voc\u00ea foi l\u00e1 pra se confessar e&#8230; isso? <br>\u2003\u2003 &#8211; Pensando bem eu tamb\u00e9m n\u00e3o sei. S\u00f3 sei que no fim de tudo, ele me perguntou se o que n\u00f3s hav\u00edamos feito tinha matado minhas d\u00favidas. Eu disse que n\u00e3o. Ent\u00e3o ele me disse para que eu fosse procurar as respostas onde eu sabia que elas estavam e aqui estou eu. \u2013 foi a\u00ed que eu entendi tudo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea foi at\u00e9 l\u00e1 pra falar sobre %Fitzroy%. Eu n\u00e3o estava e ent\u00e3o ele apareceu. Da\u00ed voc\u00ea decidiu fazer coisas com ele para ver se conseguia deixar nosso amigo pra l\u00e1 e viu que n\u00e3o conseguiu. Por isso est\u00e1 aqui, certo? <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea \u00e9 \u00fanico, %Gustav%. \u2013 ela se jogou em mim me abra\u00e7ando. Foi estranho, mas eu devolvi o abra\u00e7o. A garota estava apaixonada justo por %Fitzroy%, o ser mais complexo do universo. Sentia uma leve pena dela. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o \u00e9 comigo que precisa conversar, \u00e9 com ele. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea sabe como ele \u00e9. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu sei, mas chegou a hora de parar com essa frescura. Rasgue o verbo, fale tudo. Conte essa hist\u00f3ria. <br>\u2003\u2003 &#8211; Mas, %Gustav%, ele vai ficou todo ciumento quando ficou sabendo do Manterfos que \u00e9 um garoto, imagine sabendo do cardeal. \u2013 comecei a rir e ela me olhou estranho. %Fitzroy% tamb\u00e9m n\u00e3o era nenhum santo. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Fitzroy% fez uma festinha aqui esses dias, v\u00e1 por mim, ele n\u00e3o est\u00e1 em posi\u00e7\u00e3o de brigar. E nem h\u00e1 por que, voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o namorados nem tem um relacionamento. Ent\u00e3o se quer que esta hist\u00f3ria acabe, \u00e9 melhor resolver isso logo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele trouxe mulheres pra c\u00e1? \u2013 %Louise% ficou bravinha. Sim, ele havia levado. Tr\u00eas para ser mais exato. Fui at\u00e9 dar uma volta pra n\u00e3o presenciar barulhos. A noite foi boa, quando cheguei tinha garrafa de cerveja pra todo lado, um %Fitzroy% de cueca deitado no sof\u00e1 todo arranhado. Mas nenhuma mulher. Ele n\u00e3o deixava elas ficarem na casa. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vou respirar fundo e tentar ignorar isso. Ci\u00fames d\u00f3i. \u2013 eu sabia muito bem o quanto do\u00eda. Me tornei padre por uma ex, era meio especialista no assunto. <br>\u2003\u2003 &#8211; Agora, vai por mim. Eu j\u00e1 conversei com ele sobre o assunto. Converse, isso tem que se ajeitar. Voc\u00eas v\u00e3o dar um jeito.<\/p>\r\n<p align=\"center\">xx<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003A cerveja n\u00e3o estava t\u00e3o gelada quanto eu gostaria, talvez meu corpo estivesse quente demais. Me deixaram isolado na cozinha sem muitas op\u00e7\u00f5es. Essa era minha vida, n\u00e3o decidia nada mais por mim mesmo. Tr\u00eas batidas leves no batente da porta. J\u00e1 sabia quem era. <br>\u2003\u2003 &#8211; Senta aqui. \u2013 %Louise% estava envergonha de uma forma estranha. Seu olhar baixo, suas m\u00e3os cruzadas, o que voc\u00eas fez, garotinha? <br>\u2003\u2003 &#8211; Oi. \u2013 era t\u00edmido, suave. Eu reconhecia aquele rostinho que parecia indefeso, mas n\u00e3o era. %Louise% tinha uma vontade pr\u00f3pria. Um \u00edmpeto destrutivo e forte. Eu queria faz\u00ea-la parar, por algumas r\u00e9deas. Mas sempre falhava. <br>\u2003\u2003 &#8211; Se acertou com %Gustav%? <br>\u2003\u2003 &#8211; Sim e ele me disse para vir at\u00e9 aqui falar com voc\u00ea. Isso&#8230; \u2013 apontou para mim e para ela na sequ\u00eancia -&#8230; n\u00e3o est\u00e1 certo, \u00e9 confuso demais. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu sei. Mas sinceramente, n\u00e3o sei onde isso&#8230; \u2013 fiz o mesmo movimento que ela -&#8230; vai dar. \u00c9 confuso demais, n\u00e3o quero ter que escolher entre dor e prazer. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Fitzroy%, juro que eu tentei deixar pra l\u00e1. Eu me envolvi com outra pessoa, de um jeito maluco e insano&#8230; \u2013 tive que interromper. Meu corpo inteiro come\u00e7ou a queimar, n\u00e3o estava ouvindo aquilo. Eu queria bater a cabe\u00e7a na parede, odiava o sentimento de posse. Ela n\u00e3o era minha, n\u00e3o tinha direito de proibi-la de fazer nada. Mas, mesmo assim, aquele sentimento ruim tomava conta de mim. Eu pegaria meu machado e iria at\u00e9 os confins do inferno perseguir o maldito que encostou nela e foi a\u00ed que a ficha caiu. N\u00e3o podia fazer isso, n\u00e3o cabia \u00e0 mim, porque eu nunca dei \u00e0 ela a op\u00e7\u00e3o de ter a mim e ser s\u00f3 minha. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Louise%, juro por tudo que estou me controlando para n\u00e3o te xingar, para n\u00e3o brigar e falar alto. Eu quero ser uma pessoa melhor. Eu n\u00e3o mando na sua vida, n\u00e3o tenho direito sobre voc\u00ea, s\u00f3 me conte isso direito. \u2013 falei tudo com os olhos fechados, era uma defesa do meu corpo. <br>\u2003\u2003 &#8211; \u00c9 confuso, tudo bem? Conheci-o no dia que discutimos. A gente teve contato na praia, contato&#8230; sexual. Hoje tamb\u00e9m, antes de vir pra c\u00e1. \u00c9 bem doente, porque foi na Igreja. Foi com o tal cardeal Chielline. \u2013 fechei os olhos com mais for\u00e7a. Grudei as minhas m\u00e3os nas minhas pr\u00f3prias pernas e segurei como se fosse arrancar um peda\u00e7o fora. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea fez sexo com um cardeal na Igreja? <br>\u2003\u2003 &#8211; Olha, \u00e9 confuso, ok? Eu sei que \u00e9 bem doente. A gente n\u00e3o fez sexo, mas fez coisas sexuais. O que importa n\u00e3o \u00e9 isso. Nem adianta surtar porque %Gustav% me contou da sua festinha. A quest\u00e3o \u00e9, fui at\u00e9 l\u00e1 porque precisava esclarecer coisas na minha cabe\u00e7a. Coisas sobre voc\u00ea. E depois do orgasmo maravilhoso que ele me deu, eu percebi que&#8230; \u2013 ela parou de falar. Respirou t\u00e3o profundamente que chegou a roubar o meu ar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sim, eu fiz uma festinha. Fazia tempo que n\u00e3o encostava numa garota sem ser voc\u00ea. Foi brutal, animal. Mas foi vazio, %Louise%. Eu sei onde voc\u00ea quer chegar, eu juro que sei, s\u00f3 que, eu n\u00e3o sei falar sobre isso. Eu n\u00e3o sinto essas coisas h\u00e1 muitos anos. N\u00e3o sei lidar direito. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Fitzroy%&#8230; \u2013 ela segurou minhas m\u00e3os e me fez olh\u00e1-la, l\u00e1 no fundo, intensamente &#8211; Eu n\u00e3o sou forte o suficiente. Ao mesmo tempo em que eu n\u00e3o quero vir at\u00e9 voc\u00ea, eu quero. \u00c9 completamente maluco. E ent\u00e3o quando eu venho, voc\u00ea tem esse feito. Eu sinto que voc\u00ea n\u00e3o me quer do jeito eu quero, como eu posso lidar com isso sem enlouquecer. \u2013 n\u00e3o era justo, sei que n\u00e3o era. N\u00e3o podia iludir aquela menina e nem enganar \u00e0 ela sobre minhas inten\u00e7\u00f5es. Minhas inten\u00e7\u00f5es, meu lado racional n\u00e3o queria se apaixonar e nem ao menos se relacionar com algu\u00e9m. Esse era o meu racional, que andavam bem fraco. A minha alma, sentia totalmente o oposto. <br>\u2003\u2003 &#8211; J\u00e1 foderam minha vida uma vez. Sei que voc\u00ea tem nada com isso, n\u00e3o foi voc\u00ea, n\u00e3o \u00e9 culpa. Eu fico me controlando e te controlando para que nada saia do eixo, mas j\u00e1 saiu n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o sei o que falar, %Louise%. Eu sinto por voc\u00ea, algo que eu n\u00e3o sei o que \u00e9. Eu n\u00e3o entendo, eu n\u00e3o entendo dessas merdas sentimentais. Mas eu n\u00e3o consigo me desligar, n\u00e3o quero ficar longe. S\u00f3 de pensar que voc\u00ea deixou outro homem encostar em voc\u00ea &#8230; me d\u00e1 vontade de matar. <br>\u2003\u2003 &#8211; O que a gente faz? \u2013 era um pedido de socorro. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu nunca pensei que eu fosse precisar de algu\u00e9m voc\u00ea e eu nunca sonhei que eu fosse precisar de algu\u00e9m com voc\u00ea. Eu n\u00e3o quero me apaixonar, %Louise%. \u2013 Chris Isaak. Wicked Game. O tema da minha vida. Ela iria falar, mas eu interrompi. \u2013 Que jogo malvado de se jogar, fazer eu me sentir desse jeito. Que coisa malvada de se fazer, deixar eu sonhar com voc\u00ea e que coisa malvada de se dizer, que voc\u00ea nunca se sentiu desse jeito. %Louise%, que filha da putice voc\u00ea fazer eu sonhar com voc\u00ea. Eu n\u00e3o quero me apaixonar, mas&#8230; \u2013 eu vi uma l\u00e1grima descer pelos olhos dela. Pulei aquela porra de mesa e a abracei. \u2013 Olha pra mim. \u2013 aqueles olhinhos malditos estavam me dando uma coisa ruim no est\u00f4mago. \u2013 Eu n\u00e3o quero me apaixonar&#8230; <br>\u2003\u2003 &#8211; %Fitzroy%, eu &#8230; <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o, n\u00e3o fale nada. Eu j\u00e1 sei. Olha, Susi me ligou pouco antes de voc\u00ea chegar. Seus pais sa\u00edram para jantar e n\u00e3o v\u00e3o demorar a voltar. Ela queria saber se voc\u00ea estava comigo e eu disse que sim, mesmo com voc\u00ea n\u00e3o estando. %Gustav% iria dormir e sem ele saber eu iria procurar por voc\u00ea e te trazer pra c\u00e1, inventar uma desculpa pros seus pais. Eu iria te trazer pra c\u00e1 e dar umas palmadas nessa sua bunda. E a\u00ed, dorme aqui? <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea n\u00e3o vai brigar, certo? S\u00f3 palmadas? \u2013 a safadinha ria. Era bem a cara dela. <br>\u2003\u2003 &#8211; E outra, eu ronco e roubo a coberta de noite e n\u00e3o se assuste se eu te derrubar da cama, ok? N\u00e3o sou acostumado com isso. Vem, voc\u00ea precisa descansar.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003As caixas voavam longe. Ele estava suando \u00e0quela altura, os bot\u00f5es da camisa preta foram hiperativamente abertos. Estava cansado de vasculhar e apenas dar de cara com a frustra\u00e7\u00e3o. Armand pensou que seria f\u00e1cil. Por um momento chegou a se iludir que ningu\u00e9m mais precisaria morrer para que seu objetivo se concretizasse. Ledo engano. 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