{"id":7878,"date":"2015-11-11T10:56:00","date_gmt":"2015-11-11T13:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-11T11:00:30","modified_gmt":"2025-11-11T14:00:30","slug":"chapter-xii","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/forest-on-fire\/chapter-xii\/","title":{"rendered":"Chapter XII"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003Andar pela cidade e sentir um pouco daquele ar, como eu posso dizer, mais &#8220;moderno&#8221; fazia bem de vez em quando. Ressaltando que, bem, de vez em quando. Havia me acostumado com as \u00e1rvores, o verde rompendo o horizonte e o barulho harmonioso do vento sacudindo a minha janela. Nikolai era um \u00f3timo vizinho, os animais deixavam pegadas em meu pseudoquintal e a solid\u00e3o, a minha querida solid\u00e3o, me fazia um bom homem feliz com minhas gordices e meu vinho. Estava pra surgir no mundo algo que me satisfizesse mais que comer carne bebendo vinho. <br>\u2003\u2003 Morava h\u00e1 tanto tempo na floresta que havia esquecido como era morar entre tijolos e cimento, fazia anos e mais anos que a casa de ca\u00e7a de meu av\u00f4 havia se tornado meu lar. A casa dos meus pais ficara intacta assim como deixada da \u00faltima vez. Um enorme sobrado constru\u00eddo em madeira e pedra, a decora\u00e7\u00e3o era r\u00fastica, o fog\u00e3o da cozinha ilhado e a lareira enorme. As frigideiras de bronze da minha m\u00e3e reluziam penduradas sobre o fog\u00e3o. Meu quarto no s\u00f3t\u00e3o era um sonho infantil que eu carreguei at\u00e9 o \u00faltimo dia vivendo ali. Ent\u00e3o meu pai arrumou uma nova namorada, meu av\u00f4 faleceu. Eu fiquei e meu pai resolveu arejar novos ares na capital com sua nova esposa, uma \u00f3tima mulher por sinal. <br>\u2003\u2003 Os anos foram passando e ali, no meio das \u00e1rvores eu constru\u00ed minha fortaleza. Continuei minha fervorosa amizade com %Carl% quando %Gustav% j\u00e1 n\u00e3o estava mais na cidade. Vi o a\u00e7ougueiro se casar, ser pai pela primeira e pela segunda vez. Ele amava as filhas, eram seu tesouro, seu bem mais precioso. Tudo para ele se resumia \u00e0 sua amada mulher e suas princesas. O homem trabalhava duro todo santo dia e foi sujo de sangue, fedendo a peixe e com o cabelo bagun\u00e7ado que ele deu \u00e0s suas tr\u00eas meninas tudo que elas podiam desejar. Por\u00e9m, sua esposa n\u00e3o estava satisfeita. Foi quando ela sumiu no mundo o deixando sem ele e suas filhas. <br>\u2003\u2003 Algum tempo depois e as meninas estavam de volta e o papai %Carl% extremamente feliz sorridente. Suas filhas tinham um porto seguro novamente. Isso at\u00e9 Ana chegar. Isso at\u00e9 eu ser o cupido dos dois. Isso at\u00e9 ele colocar a mo\u00e7a de quatro no meu sof\u00e1 e mandar ver. Isso antes deles gozarem no meu tapete e capotarem por l\u00e1. <br>\u2003\u2003 As meninas precisavam comer, serem levadas \u00e0 escola e eu tive que me levantar logo cedo para incorporar o &#8220;tio %Fitzroy%&#8221;. Quando cheguei na porta da casa dos %Lindemann% e toquei a campainha n\u00e3o precisou mais que dois minutos para Katrine, a ca\u00e7ula de 14 anos, abrir a porta e me recepcionar. Logo atr\u00e1s estava Elaonora, a mais velha de 16 anos, tentando entender o ocorrido. <br>\u2003\u2003 &#8211; Nosso pai est\u00e1 bem? Ele saiu apressado ontem dizendo que voc\u00ea tinha ligado e era urgente. &#8211; Katrine me perguntou, a esperteza em seu tom de voz e os olhos ir\u00f4nicos entregavam que ela sabia que o pai havia aprontado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Seu pai est\u00e1 mais que bem, mas n\u00e3o pode vir at\u00e9 aqui, ent\u00e3o o tio %Fitzroy% vai lev\u00e1-las para tomar caf\u00e9 fora e at\u00e9 a escola, vamos? &#8211; eu n\u00e3o iria contar em detalhes o ocorrido, mas tamb\u00e9m n\u00e3o iria mentir. <br>\u2003\u2003 &#8211; Fala s\u00e9rio, %Fitzroy%, ele arrumou uma namorada, n\u00e3o \u00e9 isso? &#8211; Eleanora estava com uma express\u00e3o de t\u00e9dio engra\u00e7ada. <br>\u2003\u2003 &#8211; Nem adianta querer inventar alguma desculpa furada. Papai n\u00e3o iria sair de casa todo arrumado e perfumado uma hora daquelas por nada. &#8211; ok, aquelas duas tampinhas estavam me deixando constrangido. <br>\u2003\u2003 &#8211; E se for uma nova namorada, voc\u00eas v\u00e3o brigar com ele? &#8211; cruzei os bra\u00e7os e esperei por uma torrente de \u00f3dio. <br>\u2003\u2003 &#8211; At\u00e9 parece, n\u00e9? N\u00e3o sei porque ele ficou tanto tempo sozinho. Nossa m\u00e3e merecia ter levados muitos e muitos chifres e ele merece ser feliz. Afinal, onde vamos comer? &#8211; eu estava incr\u00e9dulo, n\u00e3o esperava aquela resposta t\u00e3o&#8230; positiva. Pelo menos, uma coisa a menos para me preocupar. <br>\u2003\u2003 &#8211; J\u00e1 que \u00e9 assim, onde querem comer? <br>\u2003\u2003 &#8211; Queremos panquecas. &#8211; respondeu Eleanora pelas duas. <br>\u2003\u2003 &#8211; Panquecas. Eu gosto de panquecas, panquecas s\u00e3o legais. Ent\u00e3o, vamos comer panquecas.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>xx<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Depois do caf\u00e9 da manh\u00e3, das conversas constrangedoras e as meninas me pondo contra a parede para lhes contar as aventuras do pai, finalmente consegui deix\u00e1-las no port\u00e3o da escola. Elas eram realmente garotas ador\u00e1veis, dificilmente eu teria filhos, mas, percebendo o qu\u00e3o divertidos poderiam ser, talvez, n\u00e3o fosse t\u00e3o ruim t\u00ea-los. <br>\u2003\u2003 &#8211; Tio, %Fitzroy%, posso pedir um favor? &#8211; Katrine, grudou em meu bra\u00e7o e me encarou manhosa. <br>\u2003\u2003 &#8211; Claro, pode falar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Alguns meninos da minha sala andam me perturbando e eu queria que algu\u00e9m desse uma li\u00e7\u00e3o neles. &#8211; seu sorriso sem gra\u00e7a e ao mesmo tempo esperan\u00e7oso me fez querer dar uns tabefes nos moleques. <br>\u2003\u2003 &#8211; Seu pai n\u00e3o presta pra fazer essas coisas, n\u00e3o \u00e9? &#8211; %Carl% era mole demais para dar bronca em alguns moleques arteiros. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sim, ele \u00e9 muito bonzinho e acha que os meninos n\u00e3o merecem. Mas eu acho que merecem sim. Voc\u00ea faria isso, por favor? &#8211; teria como negar? <br>\u2003\u2003 Eleanora foi caminhando em dire\u00e7\u00e3o a sua sala e eu entrei pelos port\u00f5es da escola segurando as m\u00e3os de Katrine. Eu havia estudado ali e tudo estava extremamente diferente. Onde antes era um p\u00e1tio aberto e com algumas \u00e1rvores agora era um p\u00e1tio coberto e sem natureza. O antigo palco de madeira agora era de concreto e possu\u00eda um ar bem mais moderno. A cantina vendia trocentas porcarias que n\u00e3o existiam na minha \u00e9poca, senti um misto de nostalgia com estranheza e por um momento me vi velho demais. Katrine me guiava entre os alunos, passamos por um corredor e chegamos a outro p\u00e1tio onde meninos e meninas que aparentavam ter sua idade estavam perambulando e fu\u00e7ando em seus celulares. <br>\u2003\u2003 &#8211; S\u00e3o aqueles infelizes ali. &#8211; ela apontou discretamente para cinco garotos. Eram magros demais, masculinizados de menos. <br>\u2003\u2003 &#8211; Pode ir pra sala, pequena. Ou pode assistir daqui se quiser, j\u00e1 sei o que fazer. &#8211; ela sorriu abertamente e me abra\u00e7ou desengon\u00e7ada. <br>\u2003\u2003 Caminhei tranquilamente com as m\u00e3os no bolso e uma express\u00e3o descontra\u00edda at\u00e9 chegar nos garotos. Eles n\u00e3o pareceram perceber minha chegada, estavam mais preocupados vendo um v\u00eddeo banal no celular. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ei, rapazes. &#8211; engrossei um pouco al\u00e9m do normal minha voz para chamar-lhes a aten\u00e7\u00e3o. <br>\u2003\u2003 &#8211; Que foi, tio? &#8211; um deles usava um bon\u00e9 multicolorido e as cal\u00e7as do rapaz me parece ca\u00edda demais, podia ver a marca da cueca aparecendo. <br>\u2003\u2003 &#8211; O tio tem um recado pra voc\u00eas. &#8211; cruzei os bra\u00e7os e olhei para tr\u00e1s, Katrine me olhava apreensiva. <br>\u2003\u2003 &#8211; Fala logo o que \u00e9, coroa. A gente t\u00e1 ocupado. &#8211; eu ri, em puro deboche e desprezo. Me aproximei mais um pouco deles e tomei o celular da m\u00e3o do \u00fanico de cabelo castanho entre eles. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu disse que tenho um recado e quero que prestem aten\u00e7\u00e3o em mim. &#8211; suas caras me olhavam nada satisfeitos. &#8211; Est\u00e3o vendo aquela garota ali? &#8211; apontei para Katrine que acenou dando um tchauzinho. &#8211; Ela \u00e9 filha do meu melhor amigo e eu sou quase um tio para ela. Acontece que ela me disse que voc\u00eas andam a perturbando e eu n\u00e3o gosto que perturbem minha sobrinha. Ent\u00e3o, voc\u00eas poderiam, por favor, a deixar em paz? &#8211; assim que terminei os molecotes come\u00e7aram a rir na minha cara como se eu tivesse contado a piada mais engra\u00e7ada do universo. <br>\u2003\u2003 &#8211; A gente n\u00e3o tem medo de voc\u00ea, ok? Nem vamos deixar ela quieta, ningu\u00e9m mandou a garota ser filha de um a\u00e7ougueiro. &#8211; coloquei minha m\u00e3o no ombro do mesmo garoto do bon\u00e9 multicolorido e apertei seu pseudotrap\u00e9zio com um pouco mais de for\u00e7a. Ele me olhou um tanto assustado e eu penetrei fundo meu olhar naqueles olhos cor de mel. <br>\u2003\u2003 &#8211; O a\u00e7ougueiro tem um arsenal imenso de facas e saber destrinchar um corpo como ningu\u00e9m. E esse coroa aqui manuseia muito bem um machado, se bem que, com esse f\u00edsico que voc\u00eas possuem, seria completamente f\u00e1cil acabar com vossas racinhas s\u00f3 com uma m\u00e3o. Ent\u00e3o, acho que voc\u00eas v\u00e3o sim deixar Katrine em paz. Estamos entendidos? &#8211; tentei parecer o menos assassino poss\u00edvel, n\u00e3o queria a pol\u00edcia na minha porta. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ei, ei cara. N\u00e3o precisa viol\u00eancia, a gente entendeu o recado. <br>\u2003\u2003 &#8211; \u00d3timo, assim espero que n\u00e3o tenhamos que conversar nunca mais. &#8211; preparei-me para sair e dei as costas a eles, at\u00e9 que um me chamou. <br>\u2003\u2003 &#8211; O celular, cara. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah, o celular. Podem ir buscar na diretoria. &#8211; sorri brevemente e continuei caminhando escutando os xingamentos abafados pelo medo. Encontrei Katrine que sorria de uma orelha \u00e0 outra. Levei-a at\u00e9 sua sala e fui procurar pela diretoria. Com cinco minutos de uma boa de conversa a convenci da mal \u00edndoles dos jovens rapazes e arrumei um bocado de trabalho para eles. <br>\u2003\u2003 Sa\u00ed da sala e fui caminhando vagarosamente pelos corredores tentando recobrar algumas lembran\u00e7as dali, mas estava tudo t\u00e3o diferente que eu n\u00e3o conseguia sentir que aquela escola uma vez tinha sido praticamente o meu lar. Resolvi ent\u00e3o dar uma volta pelo segundo andar, subi as escadas com muita paci\u00eancia e me deparei em um corredor com uma apar\u00eancia ainda mais moderna. Logo a minha frente um laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica gigantesco estava ocupado por trocentos computadores. Alunos mais velhos circulavam por ali, pude deduzir que era o ensino m\u00e9dio, pela falta de uniformes mais rigorosos, digamos assim. <br>\u2003\u2003 V\u00e1rios alunos estavam andando por ali, ainda n\u00e3o havia dado o hor\u00e1rio das aulas come\u00e7arem e eles pareciam bem \u00e0 vontade. N\u00e3o demorou muito tempo para que chamar aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seria dif\u00edcil perceber um homem do meu tamanho no meio de um monte de adolescentes. Os garotos me ignoravam, j\u00e1 as garotas&#8230; Elas cochichavam entre si, olhavam para mim e sorriam sem gra\u00e7a. Acho que em suas cabecinhas inocentes pensavam que eu n\u00e3o estava percebendo nada, mas sim, eu estava sentindo o cheiro de estrog\u00eanio adolescente fervilhando por ali. Acenei para uma delas que n\u00e3o soube disfar\u00e7ar o olhar e a garota respondeu o aceno mordendo os l\u00e1bios. C\u00e9us, o que andava acontecendo com a juventude? Na minha \u00e9poca as coisas n\u00e3o eram assim, ou talvez fossem. Tanto faz. <br>\u2003\u2003 Fui me esgueirando por ali procurando por algo que n\u00e3o havia perdido. Nada me parecia interessante at\u00e9 olhar ao longe, no fim do corredor. Foi l\u00e1 que eu a vi. A cal\u00e7a de cor preta da escola disfar\u00e7ava um pouco da abund\u00e2ncia de suas n\u00e1degas, mas eu ainda podia ver a marca de sua calcinha na mesma, um peda\u00e7o da barriga e seus peitos empinados marcados na camiseta de algod\u00e3o. Parab\u00e9ns, %Fitzroy%, voc\u00ea est\u00e1 se comportando feito um tarado ped\u00f3filo em uma escola, \u00e9 tudo que sua m\u00e3e esperava do filho quando ele se tornasse adulto. <br>\u2003\u2003 Tentei tirar as merdas da cabe\u00e7a e sair dali o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, encarei o ch\u00e3o e olhei novamente para frente e bem, a paisagem havia mudado um pouco. %Louise% estava sozinha me encarando fixamente como se eu fosse uma assombra\u00e7\u00e3o ou algo assim. Por um instante eu congelei. Diabo de menina que me fazia ficar feito um moleque retardado. Me escorei na parede e esperei pelo o que poderia acontecer, j\u00e1 estava ali mesmo, j\u00e1 me sentia sedento por conversar com ela de qualquer jeito. Por que n\u00e3o aproveitar a viagem? <br>\u2003\u2003 Aos pouquinhos e em passos covardes ela veio, seu olhar parecia encontrar a qualquer momento algum superior que pudesse puni-la e tir\u00e1-la dali. Virei o corredor e procurei por um lugar um pouco mais escondido. Por um momento senti medo que ela desistisse e sumisse, por\u00e9m, logo mais ela estava li na minha frente. <br>\u2003\u2003 &#8211; Que porra voc\u00ea est\u00e1 fazendo aqui, homem? &#8211; seus olhos estavam agoniados, de uma forma que dizia que ela me queria ali, mas n\u00e3o queria ao mesmo tempo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vim trazer as filhas do %Carl% para a escola e uma coisa levou a outra. &#8211; respondi tranquilamente encarando o qu\u00e3o inocente ela parecia naquele uniforme sem um pingo de maquiagem. <br>\u2003\u2003 &#8211; As filhas do %Carl%? Virou bab\u00e1? <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele teve uns probleminhas e eu como bom amigo resolvi lhe ajudar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah sim. &#8211; %Louise% virou os olhos para o ch\u00e3o, o assunto havia morrido e estamos vivendo um daqueles momentos constrangedores de sil\u00eancio. <br>\u2003\u2003 &#8211; E voc\u00ea, por que est\u00e1 aqui? &#8211; seus olhos me miraram julgando-me pela minha pergunta idiota. <br>\u2003\u2003 &#8211; Por que voc\u00ea acha? Por que eu estaria na escola, %Fitzroy%? Perdeu a capacidade de pensar? &#8211; tive que rir, minha pergunta tinha sido mal interpretada. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o quis questionar o porqu\u00ea de voc\u00ea estar na escola e sim o porqu\u00ea de estar aqui, junto comigo. &#8211; %Louise% travou por um segundo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sinceridade? Eu n\u00e3o sei. &#8211; sua respira\u00e7\u00e3o atingiu um ritmo longo, compassado, demorado. &#8211; E voc\u00ea, por que subiu at\u00e9 aqui? <br>\u2003\u2003 &#8211; Quis matar a saudade, estudava por aqui com %Gustav% e %Carl% h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah, claro. &#8211; o assunto foi morrendo lentamente, por mais estranho que fosse, estava com t\u00e9dio. %Louise% parecia bem incomodada e eu n\u00e3o sabia muito bem como me portar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Que horas come\u00e7am suas aulas? &#8211; foi a primeira pergunta n\u00e3o idiota que me veio \u00e0 mente. <br>\u2003\u2003 &#8211; Daqui uns 20 minutos. &#8211; respondeu seca, mexendo em seus cabelos. No movimento um peda\u00e7o de seu pesco\u00e7o ficou \u00e0 mostra e prestando aten\u00e7\u00e3o pude ver uma leve mancha um pouco mais escura que a pele de seu pesco\u00e7o. A mesma estava coberta com maquiagem, mas mesmo assim, n\u00e3o estava cem por cento disfar\u00e7ada. Comecei a sorrir, talvez houvesse uma chance da conversa ficar divertida. <br>\u2003\u2003 &#8211; Est\u00e1 com um chup\u00e3o, dona? &#8211; minha pergunta saiu cheia de perversidade, a divers\u00e3o estava finalmente come\u00e7ando. Ela sorriu afetada desviando o olhar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Fiquei com um cara meio sem no\u00e7\u00e3o das coisas. &#8211; me respondeu, de olhos fechados meio que, constrangida. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah, \u00e9? Ele \u00e9 meio fora da realidade? &#8211; assumo que eu estava come\u00e7ando a ficar afetado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele acha que manda em mim, que me domina e que pode me usar a hora que bem tiver vontade, mesmo tendo uma namorada. &#8211; finalmente ela me encarava e senti em sua \u00faltima frase um bocadinho de rancor. <br>\u2003\u2003 &#8211; Que cara mala, hein? Achar que te domina s\u00f3 porque voc\u00ea geme e goza com bastante vontade na m\u00e3o dele. Realmente, fora da realidade. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sem joguinhos, ok? Nunca disse que voc\u00ea n\u00e3o era bom. S\u00f3 estou sem saco pra ficar bancando a amante de um cara que n\u00e3o se importa comigo. &#8211; eu sentia que, desde o momento que %Louise% encasquetou que Ana era minha namorada, seu modo de agir tinha mudado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu precisaria ter uma namorada para voc\u00ea ser minha amante. <br>\u2003\u2003 &#8211; O qu\u00ea? Voc\u00ea t\u00e1 louco? Bebeu vodka no caf\u00e9 da manh\u00e3? &#8211; eu a abracei, sei l\u00e1 porque raios. Ela estava t\u00e3o fofa e meiga nervosinha e revoltadinha daquela maneira que eu n\u00e3o controlei meu impulso de abra\u00e7\u00e1-la. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o estou louco e \u00e9 melhor voc\u00ea parar de pensar nisso um pouco antes que voc\u00ea fique louca, %Louise%. &#8211; %Louise% estava meio arredia, seu corpo pulsava em tens\u00e3o. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00f3s estamos no meio de um corredor, %Fitzroy%. Qualquer um pode passar por aqui, ver esse absurdo e da\u00ed n\u00f3s estamos fodidos. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ningu\u00e9m vai ver nada, ningu\u00e9m vai passar por aqui e, %Louise%&#8230; &#8211; a chamei e ela me olhou curiosa -&#8230; se for pra voc\u00ea ficar fodida, quem vai te foder sou eu. &#8211; todos os dias eu andava pensando em qu\u00e3o maravilhoso e delicioso seria escorregar meu pau por ela e meter at\u00e9 o fim do universo, mas algo ainda n\u00e3o me permitia fazer aquilo. Ainda me sentia um corruptor, um vagabundo, um pecador por possu\u00ed-la. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah, e da\u00ed voc\u00ea vai me fazer gozar como eu nunca gozei antes, vai beijar minha testa e sumir no mundo como voc\u00ea sempre faz? &#8211; sua express\u00e3o de derrota era bem vis\u00edvel, por um momento me senti incrivelmente mal por deix\u00e1-la sempre a minha merc\u00ea. Mas precisava ficar claro que n\u00f3s n\u00e3o ir\u00edamos namorar, nos casar e viver felizes para sempre. Eu n\u00e3o entendia muito bem que tipo de coisa era aquilo que n\u00f3s t\u00ednhamos, romance n\u00e3o era meu forte. S\u00f3 sabia que de alguma forma estranha eu precisava dela. S\u00f3 sabia que eu queria dar a ela o maior prazer poss\u00edvel para um ser humano, s\u00f3 sabia que eu queria a fazer gozar quantas vezes fossem necess\u00e1rias para seu sistema nervoso travar. <br>\u2003\u2003 &#8211; E o que voc\u00ea espera que eu fa\u00e7a, h\u00e3? &#8211; nem ela mesmo sabia me responder. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o sei, %Fitzroy%, eu n\u00e3o sei de porra nenhuma. &#8211; finalmente seus bra\u00e7os se soltaram em meu corpo me abra\u00e7ando de verdade, quase que em um pedido de socorro. Eu n\u00e3o sabia que diabos fazer, n\u00e3o era um cavalheiro, um pr\u00edncipe ou um romancista. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu tamb\u00e9m n\u00e3o sei, s\u00f3 sei o que eu posso fazer agora. &#8211; se aquilo j\u00e1 n\u00e3o tinha conserto mesmo, que fodesse de uma vez. <br>\u2003\u2003 &#8211; O que, %Fitzroy%? &#8211; sua voz derrotada entregava que talvez j\u00e1 tivesse desistido de entender as coisas. <br>\u2003\u2003 &#8211; Judiar mais um pouco de voc\u00ea. &#8211; ela tentou falar e at\u00e9 fugir, por\u00e9m minha for\u00e7a extremamente maior que a sua a segurou, a prendeu ali. N\u00f3s nos encaramos em uma santa intensidade. <br>\u2003\u2003 &#8211; Quer saber? Que v\u00e1 tudo pro inferno. &#8211; %Louise% disse baixinho, fora quase inaud\u00edvel para mim e enquanto eu tentava assimilar o que aquilo poderia dizer, ela j\u00e1 havia esticado seus p\u00e9s, cruzado os bra\u00e7os no meu pesco\u00e7o e chocado sua boca contra a minha. A l\u00edngua de %Louise% ficou um tempo lambendo meus l\u00e1bios, at\u00e9 eu me toc\u00e1-lo para abri-los. \u2013 Vai, %Fitzroy%, acaba comigo e n\u00e3o se preocupe com o depois. &#8211; com ordens t\u00e3o incisivas como desobedecer? <br>\u2003\u2003 Alcei seu corpo sobre o meu e ela se suspendeu do ch\u00e3o com as pernas cruzadas em meu tronco. Apoiei minhas m\u00e3os em sua bunda a subindo mais um pouco procurando o equil\u00edbrio. Aquele com certeza era o beijo mais dessincronizado e n\u00e3o harmonioso do planeta. Os dois estavam perdidos tentando se ajeitar, tentando n\u00e3o se desmontar no ch\u00e3o. Dei um giro invertendo nossos corpos e a pressionei na parede com for\u00e7a, ela deu um leve gemido de dor com o impacto que foi abafado pela minha boca a grudando mais uma vez. <br>\u2003\u2003 &#8211; Isso \u00e9 pra voc\u00ea aprender a n\u00e3o esconder as marcas que deixo em voc\u00ea. &#8211; passei a l\u00edngua por seu pesco\u00e7o e mordi a \u00e1rea arroxeada mais uma vez. %Louise% suspirou fundo se controlando para n\u00e3o fazer mais barulho que o permitido. &#8211; E \u00e9 bom voc\u00ea ficar bem quietinha, se abrir a boca pra gemer eu te largo aqui e vou embora. &#8211; vi a garota prendendo o ar depois que disse aquilo, claro que n\u00e3o a deixaria, mas a fantasia s\u00f3 aumentava com essas amea\u00e7as. <br>\u2003\u2003 Larguei seu pesco\u00e7o e procurei-a para outro beijo, dessa vez mais compassado e menos desesperado. Foi ent\u00e3o que a hora em que aquilo n\u00e3o era mais o suficiente chegou, eu precisava de mais, ela precisa de mais e n\u00f3s quer\u00edamos mais. Prendi seus bra\u00e7os em meus ombros e comecei a carreg\u00e1-la pelo corredor, fiz um esfor\u00e7o descomunal para n\u00e3o cair ao ch\u00e3o com os arrepios e falta de controle que sentia com %Louise% ro\u00e7ando sua virilha na minha e com suas lambidas insistentes em meu pesco\u00e7o. <br>\u2003\u2003 Avistei uma porta \u00e0 minha esquerda, pelo r\u00e1pido olhar que dei percebi que era um banheiro dos professores. O local estava quieto e vazio, deveriam estar em suas salas tomando caf\u00e9, ali parecia um bom local. Fiz um sacrif\u00edcio enorme para abrir a porta com uma \u00fanica m\u00e3o. Um pouco depois e a porta estava trancada, %Louise% sentada na pia me puxando pelos cabelos e eu come\u00e7ando a ensaiar umas metidas no meio das pernas dela. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea tem dez minutos para me fazer gozar. \u2013 avisou com a voz incrivelmente falha. <br>\u2003\u2003 &#8211; Est\u00e1 duvidando da minha capacidade, mocinha? \u2013 passei minhas m\u00e3os por seus cabelos os enrolando entre meus dedos fazendo com que olhasse para mim. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o, s\u00f3 estou te avisando. \u2013 seu sorriso tinha a quantidade exata de esc\u00e1rnio para me deixar extremamente provocado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Conseguiria te fazer gozar em menos de sete minutos usando meus dedos, em menos de quatro usando minha l\u00edngua. S\u00f3 que h\u00e1 um jeito melhor de n\u00f3s aproveitarmos esse tempo. &#8211; Queria fod\u00ea-la, ah mas eu queria var\u00e1-la at\u00e9 o talo. Mas ainda me sentia sujo e perturbado, n\u00e3o sabia muito bem como proceder. Foder ou n\u00e3o foder? Eis a quest\u00e3o. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vai fazer o que estou pensando? \u2013 suas m\u00e3os foram calmamente indo at\u00e9 meu z\u00edper, tensionei o m\u00fasculo das coxas com fervor enquanto ela descia o mesmo. Acabei por sentir a musculatura do meu corpo inteiro retrair quando seus dedos passearam pelo tecido branco da minha cueca. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o sei. Quer tentar me convencer? \u2013 l\u00e1 estava eu, um homem do meu porte, do meu tamanho com medo de meter a vara. Em que \u00e9poca da minha vida eu tinha ficado t\u00e3o tapado? Ter um amigo padre estava mutilando minha sanidade. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea tem menos de sete minutos, %Fitzroy%. \u2013 meu cinto j\u00e1 estava desfivelado e ela desceu com um pouco de pressa minha cal\u00e7a deixando-me apenas de cueca. A vi mordendo os l\u00e1bios, jogando as ancas para frente pedindo por aquilo. Fiquei parado, pensando; pensando exatamente no que eu iria fazer e como eu iria fazer. Os sete minutos deveriam ser bem aproveitados, tinha que ser esperto para manter a promessa feita mais cedo, judiar dela. \u2013 E o tempo est\u00e1 correndo, daqui a pouco voc\u00ea vai ter menos de cinco. \u2013 nesse momento ela j\u00e1 n\u00e3o estava t\u00e3o mais segura que eu fosse fazer algo, j\u00e1 sentia uma pontadinha de inseguran\u00e7a nas palavras de %Louise%.<br>\u2003\u2003 Continuei cerca de mais um minuto ali, simplesmente parado com a cal\u00e7a no joelho, com meu p\u00eanis ereto apontando para frente como uma espingarda mirando seu inimigo. %Louise% at\u00e9 perdeu o sentido do que fazer, mal encostava em mim naquele momento, via o medo em seus olhos. Ela amea\u00e7ou se levantar, al\u00e7ou seu quadril para cima para sair dali e ent\u00e3o eu a grudei. Coloquei minhas m\u00e3os em sua cintura e a empurrei contra a parede. Seus olhos saltaram e por um momento ela se assustou at\u00e9 se entregar novamente. Fui extremamente r\u00e1pido em tirar sua cal\u00e7a o necess\u00e1rio o suficiente para poder fazer o que queria. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu l\u00e1 tenho cara de que n\u00e3o sabe o que est\u00e1 fazendo? \u2013 uma de minhas m\u00e3os foi para o seu queixo, o puxei com for\u00e7a para chegar bem pr\u00f3ximo do meu e mirei fundo seus olhos. \u2013 S\u00f3 abre essa boca pra gemer, %Louise%. \u2013 ela tentou falar algo, mas parou logo ap\u00f3s eu olh\u00e1-la com uma reprova\u00e7\u00e3o iminente. Livrei minhas m\u00e3os e fui com uma delas para sua calcinha, uma pequena pe\u00e7a de renda roxa. Puxei uma das laterais e abri espa\u00e7o suficiente para expor sua entrada. Os pelos que se acumulavam acima de seu clit\u00f3ris estavam arrepiados e levemente \u00famidos, eles pediam para ro\u00e7ar no meu pau.- Vai ser aqui, agora, e nem vou tirar sua calcinha. \u2013 ela foi falar algo, mas emudeceu-se assim que meu membro entrou de uma vez em si. Eu ent\u00e3o eu meti, sem d\u00f3, r\u00e1pido e desesperado. %Louise% iria gritar e por isso tapei sua boca. Por mais que eu quisesse ouvir sua voz manhosa e sedenta gemendo e chamando por mim, n\u00e3o seria uma boa ideia. Se quisesse isso tinha que lev\u00e1-la para casa em outro dia. \u2013 Fica quietinha, vai. \u2013 ela fez que sim com a cabe\u00e7a e se entregou a mim. Segurei seu corpo e dei mais impulso para a pr\u00f3xima estocada. O atrito entre meu pau e sua bocetinha encharcada estavam me deixando enlouquecido, eu queria encher a cara dela com a minha porra, tirar uma foto e pendurar na minha parede. Segurei em cada uma das coxas, enfiei a m\u00e3o com toda a minha for\u00e7a e diminui o espa\u00e7o entre n\u00f3s. Ela me olhava desesperada e minhas metidas ficaram ainda mais severas. Ela n\u00e3o conseguia se controlar, n\u00e3o podia evitar os sons de tes\u00e3o que sa\u00edam da sua boca. Aquilo s\u00f3 me dava vontade de com\u00ea-la com total brutalidade. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos tempo para muita coisa mais, o sinal iria tocar, todos iriam para sala e ela tinha que estar l\u00e1. Abruptamente parei com a mete\u00e7\u00e3o e ela pediu para que eu \u201cpor favor\u201d n\u00e3o parasse. <br>\u2003\u2003 &#8211; Shi, quietinha! \u2013 ela me olhava apreensiva e obviamente, n\u00e3o a deixaria ali quase morrendo de ataque card\u00edaco sem gozar. Me curvei um pouco at\u00e9 conseguir por minha l\u00edngua naquela del\u00edcia de boceta. Foi quando ela se arqueou desengon\u00e7ada e mordeu meu ombro que eu percebi que havia gozado, o l\u00edquido quente escorrendo pela minha barba n\u00e3o negava. <br>\u2003\u2003 &#8211; Agora que voc\u00ea est\u00e1 gozadinha pode assistir a aula tranquilamente. A gente se v\u00ea. \u2013 com o tradicional beijo na testa eu a deixei ali, respirando descompassadamente e toda suada. Guardei meu pau, fechei a cal\u00e7a e sai.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>Xx<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Narra\u00e7\u00e3o em Terceira Pessoa<br>\u2003\u2003 O padre se encontrava em s\u00fabito desespero, n\u00e3o podia acreditar nas palavras que acabara de ouvir. Seu pomo de ad\u00e3o subiu e descia conforme sua inconformidade palpitava. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea realmente tem certeza disso, Manterfos? \u2013 %Gustav% se ajoelhou perante o garoto. Sua fronte cheia de suor encostou-se na do menino que tremia levemente em nervosismo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Padre, juro por nosso bom Senhor que estou te dizendo a verdade. E voc\u00ea est\u00e1 me deixando nervoso com esse interrogat\u00f3rio. \u2013 %Gustav% segurou com carinho as bochechas de seu querido ajudante, ele realmente tinha grande apre\u00e7o pelo garoto e sentia ferver em seu corpo o \u00f3dio que mantinha por Armand. <br>\u2003\u2003 &#8211; Manterfos, voc\u00ea consegue entender a gravidade do que me disse? Consegue perceber o qu\u00e3o perigoso isso \u00e9? Consegue perceber a sujeira que o Cardel Armand fez com voc\u00ea e todos aqueles garotos? Voc\u00ea consegue? \u2013 Manterfos engoliu em seco compreendendo o que o padre lhe falava. Ele estava certo e um sentimento gigante de impot\u00eancia o tomou naquele momento, se sentiu um cordeiro demente por deixar tais serm\u00f5es tomarem espa\u00e7o em seu peito. <br>\u2003\u2003 &#8211; Perd\u00e3o, %Gustav%, eu n\u00e3o imaginava que fosse t\u00e3o grave. Mas n\u00f3s est\u00e1vamos dentro do Vaticano, recebendo serm\u00f5es de um Cardeal, como poderia desconfiar? \u2013 %Moore% apertou ainda mais suas m\u00e3os no rosto do garoto, ele sentia pena e compaix\u00e3o. <br>\u2003\u2003 &#8211; Manterfos, n\u00e3o \u00e9 porque estamos dentro de uma Igreja que estamos livres de coisas ruins. Tudo \u00e9 corrupt\u00edvel, at\u00e9 mesmos os anjos foram corrompidos no C\u00e9u. Esse homem lhes incitou a matar por uma causa mentirosa, ele plantou a uma semente banhada a sangue em seus cora\u00e7\u00f5es. O que nos diz o quinto mandamento, Manterfos? Me diga, em voz alta. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o matar\u00e1s. \u2013 Manterfos respondeu cabisbaixo e derrotado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Exatamente, n\u00e3o matar\u00e1s. Deus nos aconselhou a n\u00e3o matar, pois devemos amar nosso pr\u00f3ximo. Isso n\u00e3o quer dizer que devemos amar em verdadeiro amor at\u00e9 aqueles que nos fazem mal. Isso quer dizer que n\u00f3s, em nossa fraca humanidade, devemos deixar que o sentimento de vingan\u00e7a saia de nossas mentes pois a vingan\u00e7a a Deus pertence. Deus n\u00e3o quer nossas m\u00e3os sujas de sangue, mesmo dos que n\u00e3o s\u00e3o inocentes. Voc\u00eas s\u00e3o criaturas que est\u00e3o aqui para servir, fazer o bem e n\u00e3o trazer a disc\u00f3rdia. Voc\u00ea s\u00e3o coroinhas, meu querido Manterfos, pequenas almas lutando pelo bem. N\u00e3o s\u00e3o m\u00e1rtires de uma causa medieval. <br>\u2003\u2003 &#8211; Padre. \u2013 o garoto deixou sua afli\u00e7\u00e3o se transformar em l\u00e1grimas, ele chorava t\u00e3o verdadeiramente que %Gustav% ao ver aquilo, sentiu como se punhais atravessassem suas c\u00f3rneas. \u2013 Deus ser\u00e1 capaz de me perdoar? Ele vai me perdoar por sentir vontade de matar em nome dele? \u2013 %Moore% deixou-se inundar pela emo\u00e7\u00e3o e logo chorava junto com seu ajudante, eles se abra\u00e7aram e naquele gesto Manterfos se sentiu perdoado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ele perdoa a todos n\u00f3s, Manterfos. N\u00e3o importa o dia, o local, como e bem porqu\u00ea, quando pedimos perd\u00e3o verdadeiramente ele simplesmente nos perdoa. E agora, que entenda. Armand \u00e9 um perigo ambulante, o homem \u00e9 um dem\u00f4nio de saia cl\u00e9riga e voc\u00ea n\u00e3o pode deix\u00e1-lo saber dessa conversa e de que mudou seu pensamento, certo? Precisamos manter segredo. \u2013 o garoto concordou com a cabe\u00e7a e limpou seu rosto \u00famido. <br>\u2003\u2003 &#8211; Quando foi que me tornei t\u00e3o cego, padre? Deveria ter percebido que aquela conversa de matar e morrer pela Igreja era doente. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o se culpe, seu erro foi confiar em algu\u00e9m que realmente deveria ser confi\u00e1vel. Voc\u00ea sabe que um coroinha morreu nessa hist\u00f3ria, n\u00e3o? <br>\u2003\u2003 &#8211; Sim, eu fiquei sabendo e deveria ter desconfiado que tudo aquilo era merda saindo da boca do franc\u00eas. S\u00f3 n\u00e3o entendi o motivo pelo qual ele morreu, o corpo foi encontrado na floresta. Nunca vi sentido para isso. <br>\u2003\u2003 &#8211; Isso \u00e9 algo que voc\u00ea ainda n\u00e3o \u00e9 capaz de entender. \u2013 Seria melhor evitar jogar tanta informa\u00e7\u00e3o no pobre garoto. <br>\u2003\u2003 &#8211; E outra coisa que agora me parece confusa, por que Armand fez isso conosco? Por que ele quer que n\u00f3s matemos em nome da Igreja? <br>\u2003\u2003 &#8211; Algu\u00e9m tirou dele algo que o pertencia e agora ele est\u00e1 usando de todas as artimanhas, sendo elas sujas ou n\u00e3o para recuperar isso. E n\u00e3o se preocupe com isso agora, tenho tudo sobe controle. Agora, tire essa tristeza do seu olhar e v\u00e1 dar uma volta. E outra coisa, como andam as coisas com %Louise%? \u2013 %Gustav% n\u00e3o poderia perder a oportunidade de aprontar um pouco. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00f3s n\u00e3o nos vemos h\u00e1 uns dias, acho que ela j\u00e1 enjoou de mim. \u2013 o sorriso que Manterfos soltou parecia um pouco afetado. %Gustav% pelo outro lado, sabia muito bem o que havia acontecido. <br>\u2003\u2003 &#8211; Acha que ela arrumou outro? <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o sei, padre. Tamb\u00e9m n\u00e3o me importa muito, ela \u00e9 bonita e interessante, mas nada al\u00e9m disso para mim. \u2013 %Moore% levantou-se e deu as m\u00e3os para que o garoto tamb\u00e9m o fizessem, o padre ent\u00e3o abra\u00e7ou o jovem pelo ombro e ambos sa\u00edram da saleta desviando o assunto para algo mais informal.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>xx<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>%Louise% Point of View<\/strong><br>\u2003\u2003 Eram em momentos como aquele que eu voltava a ter quatro anos de idade. Ia bailando pelos corredores do mercado procurando por gordices em potencial, um novo chocolate, um bolo diferente, alguma nova bebida e coisas que na verdade eram s\u00f3 comidas f\u00fateis, n\u00e3o algo realmente necess\u00e1rio para a sobreviv\u00eancia. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Louise%, voc\u00ea sabe que essas batatas depois de fritas v\u00e3o todas pro seu quadril, n\u00e9? \u2013 meu pai adorava encher meu saco, de vez em quando ainda rolava o lance de me chantagear com a salada para poder comer sobremesa. <br>\u2003\u2003 &#8211; Pai, essa conversinha n\u00e3o cola mais. \u2013 coloquei v\u00e1rios pacotes de batata congelada em palitos no carrinho, n\u00e3o estava me importando com meu quadril. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ok, voc\u00ea venceu. Vamos l\u00e1 pegar minha cerveja para irmos logo para o caixa. J\u00e1 faz quase uma hora que estamos aqui, n\u00e3o faz sentido demorar tanto tempo no mercado. \u2013 ele foi guiando o carrinho e eu procurando algo mais que pudesse jogar l\u00e1 dentro. <br>\u2003\u2003 Meu pai olhava a prateleira de cervejas comparando pre\u00e7os e procurando por novas marcas. Um dos prazeres do meu velho se resumia a ligar a TV na ESPN, acender um cigarro e esquecer de tudo enquanto bebia sua cerveja. Minha m\u00e3e nem ao menos se dava ao trabalho de chegar perto dele naqueles momentos, ela sabia que n\u00e3o tinha chances competindo com os jogos de Ice Hockey. <br>\u2003\u2003 Meu t\u00e9dio j\u00e1 consumia minha musculatura, aquela era uma parte triste das compras. Algumas vezes meu pai demorava meia hora escolhendo a porra da cerveja para no final das contas, levar a de sempre. Retirei meu celular do bolso e resolvi colocar os fones de ouvido para abstrair um pouco. Fiquei por ali distra\u00edda cantarolando a m\u00fasica e acabei n\u00e3o percebendo que meu pai conversava com algu\u00e9m. Resolvi ignorar, quando sua risada grave ficou mais alta que o volume da m\u00fasica procurei por ele para entender o ocorrido. Ah, aquilo s\u00f3 podia ser alguma brincadeira maquiav\u00e9lica, algum tipo de zoeira demon\u00edaca. Meu pai estava conversando, rindo e se arreganhando para a ruiva dos infernos. Os dois conversavam como se conhecessem h\u00e1 muito tempo e tivessem uma certa intimidade. <br>\u2003\u2003 Nunca desejei tanto como naquele momento ter o poder de matar as pessoas com o olhar, em um universo paralelo bem naquele instante, meus olhos adquiriam uma colora\u00e7\u00e3o esverdeada como a do absinto e eu olhava fixamente para Ana. Aos poucos seu corpo come\u00e7aria a derreter como pl\u00e1stico colocado no fogo e ela se transformaria em uma meleca preta e fedida no ch\u00e3o. Eu pegaria meu pai pelo bra\u00e7o e n\u00f3s ir\u00edamos embora como se nada tivesse acontecido. <br>\u2003\u2003 Entretanto, no mundo real as coisas eram mais frustrantes. Eles ainda estavam ali conversando como velhos e bons amigos. N\u00e3o ouvi meu pai me chamando, mas vi suas m\u00e3os fazendo sinal para que eu me aproximasse. Respirei fundo e retirei meus fones, n\u00e3o poderia ser rebelde ou mal educada, meu pai n\u00e3o suportava esse tipo de comportamento, ainda mais quando a pessoa em sua concep\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha nos feito nada de mal. Afinal, ela realmente n\u00e3o tinha me feito mal algum, ela era a mais inocente na hist\u00f3ria. Pensando bem, ela que deveria me odiar por usufruir da carne de seu namorado e n\u00e3o o contr\u00e1rio. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Louise%, voc\u00ea se lembra dela? \u2013 meu pai me perguntou e por alguns segundos travei uma batalha com minha mente para n\u00e3o cometer uma besteira. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o pai, realmente n\u00e3o consigo me lembrar. \u2013 a ruiva me olhava com ternura e carinho, da onde diabos ela poderia me conhecer? <br>\u2003\u2003 &#8211; Meu Deus, %Louise%. Voc\u00ea est\u00e1 divinamente linda, que incr\u00edvel. \u2013 papai se encheu de orgulho naquele momento me puxando para um abra\u00e7o sem jeito. \u2013 Sempre soube que seria um espet\u00e1culo de mulher, parab\u00e9ns. \u2013 ela sorria de verdade para mim e suas palavras n\u00e3o continham um pingo de falsidade. Merda, eu estava me sentindo terr\u00edvel, o sentimento de \u00f3dio se transformou em culpa. <br>\u2003\u2003 &#8211; A gente se conhece? \u2013 perguntei tentando entender aquela confus\u00e3o. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ana era sua professora de bal\u00e9, %Louise%. Lembra, quando voc\u00ea era pequeninha ia para a escola de bal\u00e9 quase todos os dias, voc\u00ea amava vestir seu tutu e as sapatilhas. \u2013 ah, mas&#8230; que inferno. O bal\u00e9, eu lembro que amava ir ao bal\u00e9 e, al\u00e9m disso, lembro que a professora de bal\u00e9 era meu espelho para o futuro. Eu queria ser linda como ela, ter a leveza dos movimentos dela. Que merda. Dante, seu filho da puta, pode enfiar sua divina com\u00e9dia no cu, eu odeio essas ironias do destino. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea era definitivamente a melhor aluna, mesmo pequena demonstrava muita for\u00e7a de vontade, \u00e9 uma pena que n\u00e3o tenha continuado. \u2013 eu quase sucumbi ali, Ana me abra\u00e7ou. Um abra\u00e7o cheio de amor, me senti em volta em um monte de algod\u00e3o doce cheio de brilho. Ela parecia um unic\u00f3rnio fofinho e rosa beijando minha testa, juro por Deus que quando sorriu para mim eu enxerguei uma princesa de cabelos vermelhos. Maldito lenhador do capeta, %Fitzroy% cretino e sujo. Eu queria pegar Ana, ir at\u00e9 a floresta e contar tudo. N\u00f3s poder\u00edamos amarrar o infeliz em uma \u00e1rvore e a\u00e7oit\u00e1-lo at\u00e9 a morte. <br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea era minha diva na \u00e9poca. \u2013 tive de assumir, meu corpo gritava para que eu contasse aquilo, era a verdade, n\u00e3o era? Eu n\u00e3o podia deixar aquilo acontecer entre n\u00f3s, o %Fitzroy% n\u00e3o podia simplesmente por o pinto para fora e acabar com a minha inf\u00e2ncia. Ele n\u00e3o tinha esse direito. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah, que coisa mais fofa. \u00c9 lindo ouvir isso, ainda mais vindo de voc\u00ea. \u2013 acabei me contagiando por aqueles sorrisos da Ana, os dentes dela eram t\u00e3o alinhados. \u2013 Mas, me perdoem agora, tenho que ir pra fila logo, tenho que algumas coisas para cuidar. Foi um prazer rev\u00ea-los. \u2013 nos despedimos e meu pai voltou para as cervejas. Fechei meus olhos e me escorei em uma pilastra que havia ali. Sentia vontade de cavar um buraco e me enfiar dentro, aquilo n\u00e3o era justo nem comigo nem com ela. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vamos, %Louise%, preciso passar no a\u00e7ougue pra comprar carne e peixe. \u2013 acompanhei meu pai e fomos para a fila, finalmente.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>XX<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Nada de interessante na televis\u00e3o, mesmo com mais de 100 canais naquela porcaria, nada estava realmente me agradando. Desisti e deixei no E! Entertainment, se fosse pra distrair a cabe\u00e7a que fossem com futilidades. Meu pai e m\u00e3e sa\u00edram para visitar amigos que estavam na cidade, mais tarde viriam para casa comer algo que eu ainda n\u00e3o sabia ao certo o queria. <br>\u2003\u2003 Depois de sairmos do mercado, meu pai foi at\u00e9 o %Carl% encomendar umas coisas, combinaram que %Carl% levaria tudo at\u00e9 nossa casa e prepararia o prato para o jantar, gostava de quando meu pai fazia isso, %Carl% realmente entendia de carnes. Ele era um bom homem, todo mundo na cidade sabia disso e depois dos boatos do fim s\u00fabito e cruel de seu casamento, eu passei a admir\u00e1-lo mais. Um homem que sozinho comandava um neg\u00f3cio, criava as filhas e sempre era cordial com todos e por mais que alguns aristocratas malditos fizessem pouco caso do seu avental sujo de sangue e fedendo a peixe, ainda assim, ele me parecia um bom exemplo. Diferente daquele lenhador, musculoso, mas perverso. Pauzudo, mas cretino. Gostoso, mas sujo. <br>\u2003\u2003 Em poucos minutos eu acabei descobrindo que o meu exemplo feminino durante a inf\u00e2ncia era a namorada dele, que eu estava odiando a mulher que era minha aspira\u00e7\u00e3o para o futuro. Ah, eu amava as aulas de bal\u00e9. Adorava subir na ponta dos p\u00e9s e acompanhar o ritmo da m\u00fasica. Eu me sentia uma princesa, uma garotinha especial que poderia com glitter e tule conquistar sua fama em um palco. Esse tempo acabou passando, depois de um per\u00edodo eu abandonei o bal\u00e9 e fui procurar outras atividades. Fiz nata\u00e7\u00e3o, violino, arco e flecha e outras coisas, mas mantive a imagem da professora de bal\u00e9 comigo, ainda a achava uma das mais belas mulheres que mais vi. Certo, eu me sentia um lixo. <br>\u2003\u2003 Ent\u00e3o a campainha tocou, era %Carl%. Abri a porta para ele que sorria com o bra\u00e7o cheio de pacotes, uma t\u00e1bua de madeira e uma faca enorme com a l\u00e2mina protegida por uma borracha preta. Nos cumprimentamos e eu o acompanhei at\u00e9 a cozinha que ele conhecia extremamente bem. Jogou todas as coisas pela bancada de m\u00e1rmore e as organizou. Ele trazia de tudo, desde os temperos at\u00e9 a bebida, era um a\u00e7ougueiro de luxo. <br>\u2003\u2003 &#8211; Como v\u00e3o as meninas? \u2013 perguntei tentando puxar assunto para distrair as ideias. <br>\u2003\u2003 &#8211; Ah, eles est\u00e3o \u00f3timas. \u2013 era lindo ver o sorriso que ele abria ao falar nas filhas. \u2013 Claro que elas aprontam e conseguem me irritar algumas vezes por dia, mas nada que um \u201cPapai, me desculpe\u201d n\u00e3o resolva. \u2013 o cheiro de peixe inundou a cozinha quando ele abriu o embrulho, senti uma leve vontade de vomitar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Esse cheiro \u00e9 horr\u00edvel, %Carl%. \u2013 minha cara de nojo o fiz rir com vontade. <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu nem sinto mais, perfume e peixe pra mim tem o mesmo cheiro. As meninas vivem me enchendo o saco dizendo que nunca vou arrumar uma namorada desse jeito, talvez elas estejam certas. \u2013 o cheiro aliviou um pouco quando ele espremeu lim\u00e3o nos peixes. <br>\u2003\u2003 &#8211; Elas n\u00e3o se importam com isso? Por causa da m\u00e3e e tudo mais? <br>\u2003\u2003 &#8211; Pelo contr\u00e1rio. \u2013 sua express\u00e3o tornou-se um pouco afetada. \u2013 Elas perceberam que a m\u00e3e delas realmente n\u00e3o presta e resolveram me induzir a arrumar uma nova garota. Vivem tentando me enfiar goela abaixo de alguma m\u00e3e das coleguinhas. <br>\u2003\u2003 &#8211; Poxa, %Carl%, talvez elas estejam certas, \u00e9 ruim ficar sozinho. E aquele dia no bar voc\u00ea estava muito bem arrumado, desculpa, mas quase n\u00e3o te reconheci. \u2013 me lembro que no dia que fiquei com Manterfos na taverna, %Carl% estava realmente gostoso, por um momento eu pensei como seria ficar com ele. <br>\u2003\u2003 &#8211; Obrigado, %Louise%. E por incr\u00edvel que pare\u00e7a, depois daquele dia as coisas melhoraram. \u2013 %Carl% agora tinha um pouco de vergonha no olhar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Hmm, seu danadinho. Pode me contar, voc\u00ea me deixou curiosa, adoro romances. <br>\u2003\u2003 &#8211; %Louise%, isso \u00e9 estranho. \u2013 ri com vontade, ele ficava t\u00e3o fofo com aquele tamanho todo e morrendo de vergonha. <br>\u2003\u2003 &#8211; Vai, vai, me conta. \u2013 levantei a comecei a cutuc\u00e1-lo, ele abandonou a faca em cima da bancada e me olhou derrotado. <br>\u2003\u2003 &#8211; Segredo? <br>\u2003\u2003 &#8211; Eu juro. \u2013 bati contin\u00eancia e ele finalmente se sentiu mais confiante. <br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o sei se voc\u00ea vai se lembrar dela, mas sempre teve uma menina que me deixava louco na escola, mas ela n\u00e3o me dava muita moral. Ent\u00e3o ela apareceu por aqui esses dias, %Fitzroy% mexeu os pauzinhos e a gente acabou &#8230; fazendo coisas. \u00c9 a Ana, acho que ela era sua professora de bal\u00e9, a Ana. Se lembra dela? \u2013 quase morri engasgada com meu pr\u00f3prio ar. Como poderia uma coisa dessas acontecer? Como %Carl% estava tendo um caso com a namorada do %Fitzroy%? Ele me disse com todas as letras que estavam namorando. %Carl% estava traindo o amigo? Mas que porra era essa? <br>\u2003\u2003 &#8211; A Ana, tem certeza? <br>\u2003\u2003 &#8211; Oras, claro que eu tenho, %Louise%. %Fitzroy% fez nosso reencontro e foi bem interessante. \u2013 me controlei para n\u00e3o quebrar tudo dentro de casa, eu estava ficando louca. Algo me dizia que algu\u00e9m estava mentindo nessa hist\u00f3ria e n\u00e3o o pobre %Carl%, eu sentia verdade nele. %Fitzroy% estava fodido na minha m\u00e3o.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003Andar pela cidade e sentir um pouco daquele ar, como eu posso dizer, mais &#8220;moderno&#8221; fazia bem de vez em quando. Ressaltando que, bem, de vez em quando. Havia me acostumado com as \u00e1rvores, o verde rompendo o horizonte e o barulho harmonioso do vento sacudindo a minha janela. 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