{"id":7866,"date":"2015-11-11T08:31:00","date_gmt":"2015-11-11T11:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-11T08:35:37","modified_gmt":"2025-11-11T11:35:37","slug":"chapter-vi","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/forest-on-fire\/chapter-vi\/","title":{"rendered":"Chapter VI"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003A batina de pura seda da cor bege escorria pelo ch\u00e3o daquele corredor. As paredes de puro ouro, enfeitadas pelas mais belas pinturas que o mundo teve o prazer de conhecer l\u00e1 estavam, aumentando o poder e o valor daquele local. As colunas imponentes e o teto celestial eram sua paisagem. Sua mitra estava pendurada em sua m\u00e3o, caminhava por ali tranquilamente.<br>\u2003\u2003 Sabia muito bem para qual lugar deveria ir e de que assunto trataria. Virou o corredor que dava caminho para a sala que era seu destino e desceu alguns degraus atingindo um n\u00edvel mais baixo. E l\u00e1 estava a porta pela qual deveria passar, imponente de uma madeira escura, folheada a ouro e com grandes al\u00e7as de metal enferrujado. <br>\u2003\u2003 Se aproximou da mesma dando tr\u00eas batidas fortes e pausadas, deu um passo para tr\u00e1s e se afastou esperando. Pouco demorou para que o dono daquele c\u00f4modo o atendesse e percebendo quem era, sorriu. O saudou com cumprimentos em latim e permitiu que o outro entrasse. Sua mesa de m\u00e1rmore branco estava cheia de livros e documentos, alguns antigos e outros recentes. A jarra de ferro estava repleta de vinho santo e uma ta\u00e7a de cristal ao lado continha \u00e1gua mineral. Sua enorme prateleira de livros que ocupava quase que todas as paredes do local estava bagun\u00e7ada em partes e arrumada em outras. Pediu para que o outro se sentasse na cadeira \u00e0 frente da porta, forrada de veludo nobre cor escarlate. Deu a volta na mesa e sentou em sua bela cadeira Lu\u00eds XVI decorada com folhas de prata, bronze e betume da Jud\u00e9ia. A assento revestido por um tecido nobre de cor dourada reluzia com a luz do enorme candelabro de ouro que ostentava seu teto. Ambos se olharam, um pedindo por respostas e outro esperando para respond\u00ea-las.<br>\u2003\u2003 &#8211; O <em>Justice for Saint Mary<\/em> me procurou. &#8211; disse o jovem de cabelos negros e voz grave.<br>\u2003\u2003 &#8211; E o que eles t\u00eam para n\u00f3s desta vez? &#8211; indagou o mais velho, um importante e muito, mas, muit\u00edssimo importante cardeal.<br>\u2003\u2003 &#8211; Parece-me que h\u00e1 m\u00e3os procurando por nossos velhos pertences. &#8211; o cardeal corou de raiva por um minuto e sua express\u00e3o de preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia ser escondida.<br>\u2003\u2003 &#8211; Como? Eles sabem quem s\u00e3o? Da onde v\u00eam? O que querem?<br>\u2003\u2003 &#8211; Eles n\u00e3o souberam me informar. &#8211; confessou, com o suor do nervosismo tomando suas t\u00eamporas. &#8211; Apenas descobriram que h\u00e1 algu\u00e9m pagando por isso, mas n\u00e3o sabem quem efetuar\u00e1 o servi\u00e7o. Os nomes do &#8220;submundo&#8221; n\u00e3o os conhecem e nem sabem de seu paradeiro. &#8211; o mais velho bufou e tomou um longo gole de seu vinho benzido pelo esp\u00edrito santo.<br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o quero saber se o &#8220;submundo&#8221; os conhece ou n\u00e3o, quero nomes, quero uma solu\u00e7\u00e3o, quero um basta. Os pagamos muito, muit\u00edssimo bem para que n\u00e3o deixem essas coisas passar. <br>\u2003\u2003 &#8211; Sinto muito, Vossa Santidade. Irei trabalhar para que tal problema se resolva o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Agora se me permite, o que conseguimos em rela\u00e7\u00e3o ao outro assunto? \u2013 o cardeal respirou fundo, tomando um pouco da \u00e1gua ao seu lado. Soltou um leve suspiro antes de responder.<br>\u2003\u2003 &#8211; J\u00e1 tenho um homem para o servi\u00e7o, ele n\u00e3o imagina do que se trata, s\u00f3 recebeu ordens distorcidas para realizar algumas tarefas. N\u00e3o temos certeza de onde est\u00e3o localizados os nossos pertences t\u00e3o antigos, pois o <em>Justice for Saint Mary<\/em>, apenas o guarda e n\u00e3o nos concede seu paradeiro. Por\u00e9m, estou resolvendo isso, para que consigamos agir por suas costas. Medidas j\u00e1 foram tomadas, apenas precisamos de paci\u00eancia.<br>\u2003\u2003 &#8211; Mas, Vossa Santidade, se o <em>Justice for Saint Mary<\/em> descobrir que estamos agindo por m\u00e3os pr\u00f3prias, podemos sofrer s\u00e9rias consequ\u00eancias, eles s\u00e3o extremamente perigosos.<br>\u2003\u2003 &#8211; Perigosos? &#8211; riu, em desprezo. &#8211; Perigosos somos n\u00f3s, somos n\u00f3s. Fazemos todos ca\u00edrem aos nossos p\u00e9s e conseguimos apagar todas nossas gigantescas falhas. Fazendo tal coisa, apenas estamos nos protegendo como sempre fizemos. Ningu\u00e9m neste mundo, conseguir\u00e1 ter poder contra n\u00f3s. Aquiete-se, tudo dar\u00e1 certo. &#8211; o mais jovem silenciou-se por um momento, acatando as palavras do cardeal, que agora, estava muito mais tranquilo.<br>\u2003\u2003 &#8211; E o padre? O que faremos? Ele n\u00e3o \u00e9 de nossa confian\u00e7a.<br>\u2003\u2003 &#8211; Sim, meu jovem, eu o sei. &#8211; suas m\u00e3os agora procuravam por seus \u00f3culos de leitura. Os colocou procurando por alguns pap\u00e9is timbrados sobre a mesa e ao encontrar o de seu desejo, o entregou ao jovem. &#8211; A ida do mesmo para l\u00e1 fora um equ\u00edvoco brutal, por\u00e9m, irremedi\u00e1vel. Entretanto, j\u00e1 tenho planos para o pr\u00f3prio. Tome este envelope e fa\u00e7a com que chegue em suas m\u00e3os o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. &#8211; o jovem pegou o envelope e analisou sua textura. Sua cor era de um bege amarelado e o papel era alguma vers\u00e3o mais cara que o verg\u00ea. O selo vermelho do Vaticano estava l\u00e1 e o remetente era o mais novo padre da Escandin\u00e1via.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>xx<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Tr\u00eas batidas na porta. %Gustav% se despertou de sua leitura do jornal e olhou para a mesma, parado l\u00e1 estava um servi\u00e7al da igreja com um leve sorriso no rosto. &#8220;Bom dia. Correspond\u00eancia.&#8221; disse ele simp\u00e1tico. %Gustav% pediu que o mesmo deixasse o envelope sobre a poltrona no canto e lhe ofereceu alguns biscoitos de maizena cobertos com a\u00e7\u00facar cristalizado. O rapaz agradeceu e pegou tr\u00eas em sua m\u00e3o, parecia estar com fome. <br>\u2003\u2003 %Gustav% lhe perguntou se estava com fome e o mesmo respondeu positivamente. Ent\u00e3o o padre o instruiu \u00e0 ir at\u00e9 a cozinha e conversar com Hagard, o cozinheiro. O rapaz agradeceu colocando um dos biscoitos na m\u00e3o e partiu porta \u00e0 fora.<br>\u2003\u2003 %Gustav%, sorriu. Ficou mais alguns minutos lendo seu jornal e acabou se esquecendo da correspond\u00eancia. Depois de tomar um gole de seu ch\u00e1 e comer mais alguns biscoitos levantou-se indo at\u00e9 a poltrona e olhou fixamente para o envelope. L\u00e1 estava o timbre do Vaticano, que o mesmo conhecia t\u00e3o bem. Seus olhos se acenderam em curiosidade e o mesmo parecia intrigado. O papa sempre lhe mandava cartas, uma vez por m\u00eas, todo dia 15. Era dia 23, j\u00e1 havia recebido a carta do Papa daquele m\u00eas e retornado alguns dias depois, pelos c\u00e1lculos, o mesmo ainda n\u00e3o deveria ter lido.<br>\u2003\u2003 Outros assuntos chegavam por e-mail, sim, a cidade era pequena e simples, mas havia internet por aqueles cantos. O que raios estaria aquela carta fazendo ali? <br>\u2003\u2003 Abrir. %Gustav% s\u00f3 descobriria ao abrir. N\u00e3o muito depois e o selo vermelho estava num canto de sua mesa e o envelope aberto. O papel de cor envelhecida e textura r\u00edgida estava escrito em uma masculina grafia. O preto e alguns burr\u00f5es sutis indicavam que a mesma havia sido escrita com tinteiro. %Moore% estranhou. N\u00e3o conhecia aquela letra e ficou mais uma vez, intrigado. Caminhou pela sala procurando sua cadeira e sentou-se finalmente lendo a carta. Nela n\u00e3o havia nenhum tipo de identifica\u00e7\u00e3o, timbre ou selo, apenas a escrita.<\/p>\r\n<p><strong>\u2003\u2003Vaticano, It\u00e1lia.<\/strong><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>&#8220;\u00c9 com imenso prazer que lhe escrevo tal carta. \u00c9 de nosso saber que est\u00e1s realizando um servi\u00e7o espl\u00eandido em sua nova cidade. Ficamos felizes em sab\u00ea-lo, a Su\u00e9cia precisa de mais f\u00e9 cat\u00f3lica, temos que nos fortificar neste mar de protestantismo e falsas cren\u00e7as. Sendo assim, desta forma, caro %Gustav% %Moore%, eu, como portador do cargo que tenho, sendo Cardeal e muito ligado ao Cardeal Secret\u00e1rio de Estado, portador dos princ\u00edpios cat\u00f3licos e defensor da Virgem Maria, lhe rogo que em suas pr\u00f3ximas missas, leve \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o uma mensagem mais pesada e incisiva. Quero lhe pedir, meu querido padre, que pregue sofre o calor e poder dos grandes m\u00e1rtires de nossa Igreja. De como morreram em nome de nossa causa e eliminaram os perigos que causavam \u00e0 nossa Santidade. Leve esta mensagem \u00e0 eles, os irradie com esse calor, com o calor da justi\u00e7a e da verdade. Tamb\u00e9m pedi ao bispo que contribu\u00edsse com tal, creio que ele lhe cobrar\u00e1 isso e tamb\u00e9m se prontificar\u00e1 a lutar por nossa causa.<br>\u2003\u2003 Um cordial abra\u00e7o e desejos de uma boa semana. Que Deus nos aben\u00e7oe e que a Virgem Maria esteja em nossa prote\u00e7\u00e3o.&#8221;<br>\u2003\u2003 Cardeal Armand Marion.<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003O padre releu o nome do destinat\u00e1rio v\u00e1rias vezes. Uma, duas, tr\u00eas&#8230; dez. &#8220;Cardeal Armand, como? Por qu\u00ea?&#8221;, ele pensou. Mas n\u00e3o poderia haver uma resposta sensata para aquilo. Cardeal Armand era um inimigo camuflado no vaticano. Sempre olhara %Gustav% com uma express\u00e3o desconfiada e sabia fazer seus &#8220;infernos&#8221; para que o sueco tivesse problemas por l\u00e1, por isso, n\u00e3o fazia sentido algum aquela carta. <br>\u2003\u2003 Sua d\u00favida vagava entre falar ou n\u00e3o com o bispo sobre aquilo, mas, n\u00e3o houve muito tempo para pensar. Novamente bateram \u00e0 sua porta e logo ele p\u00f4de ver o solid\u00e9u p\u00farpura do Bispo. O olhar de felicidade do mesmo surgiu ao permitir que entrasse.<br>\u2003\u2003 &#8211; Recebera as boas-novas, %Gustav%? N\u00f3s precisamos conversar. Permita-me sentar, temos coisas a tratar.<\/p>\r\n<p align=\"center\">xx<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Eram quase quatro horas da tarde e eu n\u00e3o havia feito nada o dia inteiro. Depois de ter ido at\u00e9 a casa de %Louise% e feito aquela tamanha besteira, estava recuperando minha vergonha cara. O que eu havia feito era muito grave, deveria de todas as formas ter evitado. Minha culpa s\u00f3 n\u00e3o era maior pelo fato de saber que %Louise% tamb\u00e9m possu\u00eda o mesmo desejo. A garota tinha me dado todos os sinais poss\u00edveis de que tamb\u00e9m queria aquilo. Afinal, o que poderia ter feito de t\u00e3o errado?<br>\u2003\u2003 Tudo! Essa era a resposta, estava tudo errado. A libertinagem com %Louise% e os infiltrados na floresta. Aquilo n\u00e3o sa\u00eda da minha cabe\u00e7a, n\u00e3o poderia sair. Nunca havia acontecido nada do tipo, nunca. Estranhos naquela cidade eram t\u00e3o raros como ouro. Meu faro de ca\u00e7ador dizia que nada cheirava bem, algum tipo de tramoia cretina estava rolando pelas redondezas e era minha obriga\u00e7\u00e3o descobrir. Os olhos n\u00e3o viam, os ouvidos n\u00e3o ouviam, mas eu, %Fitzroy%, iria lidar com aquilo feito homem.<br>\u2003\u2003 Depois de mexer com minha n\u00e3o muito habitual &#8220;faxina&#8221;, se \u00e9 que eu podia chamar aquilo de faxina, o t\u00e9dio se instalou em meu corpo. N\u00e3o tinha porra nenhuma para fazer ent\u00e3o, resolvi que seria uma boa hora para cortar madeira. Peguei meu machado que ficava pendurado em cima da lareira e fui para meu quintal, brincar um pouco. Havia muita madeira r\u00fastica, \u00e1rvores ainda com casca, folhas e pequenos galhos.<br>\u2003\u2003 Tirei todas as folhas verdes e as coloquei em um barril de metal onde deixava as folhas para secarem e separei os galhos menores os amontando num canto. Usava-os para fogueiras e coisas do g\u00eanero. Depois de deixar tudo no devido jeito, posicionei um tronco enorme \u00e0 minha frente. Apoiei meu coturno na base e machadei. Uma, duas, tr\u00eas, quatro, cinco vezes. E novamente e novamente e novamente. Meus m\u00fasculos do bra\u00e7o vibravam, minha testa come\u00e7ava a suar e eu n\u00e3o sabia viver sem tal sensa\u00e7\u00e3o. Nada melhor que usar meu machado na madeira para me tranquilizar.<br>\u2003\u2003 Quando o cansa\u00e7o me pegou e aquele tronco j\u00e1 estava todo despeda\u00e7ado \u00e0 minha frente, fui procurar por \u00e1gua. A garganta estava seca implorando por l\u00edquido. Ao virar de costas encontrei um %Gustav% %Moore% parado com aquele sorrisinho que s\u00f3 ele tinha.<br>\u2003\u2003 &#8211; Virou rotina o padre mais cobi\u00e7ado da cidade visitar meu humilde lar? &#8211; perguntei, colocando o machado com cuidado em cima de minha mesa, tirando minha camisa.<br>\u2003\u2003 &#8211; Eu gosto daqui, %Fitzroy%. \u00c9 calmo, tranquilo, tem um bom vento e eu posso tomar um pouco de vinho sem ser julgado. Me convide para entrar.<br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea \u00e9 um cretininho, Padre %Moore%. &#8211; sorri sarc\u00e1stico e o mesmo tomou minha frente entrando pela portas do fundo. Entrei logo atr\u00e1s dele, abrindo a torneira e enchendo um copo de \u00e1gua para me saciar. Bebi uns quatro copos at\u00e9 recuperar o f\u00f4lego para falar.<br>\u2003\u2003 &#8211; Quer vinho? &#8211; perguntei, j\u00e1 sabendo a resposta.<br>\u2003\u2003 &#8211; Se voc\u00ea n\u00e3o se importar&#8230; &#8211; fui at\u00e9 minha adega pegando uma garrafa e duas ta\u00e7as. Logo est\u00e1vamos servidos do rubro l\u00edquido do amor.<br>\u2003\u2003 &#8211; Mas falando s\u00e9rio agora, %Fitzroy%. &#8211; colocou sua ta\u00e7a em cima da mesa da cozinha, puxando uma cadeira para se sentar. &#8211; Aconteceu algo muito estranho na Igreja hoje e eu tinha que lhe contar.<br>\u2003\u2003 &#8211; Manda bala.<br>\u2003\u2003 &#8211; Estava na minha sala pela manh\u00e3, quando o rapaz que entrega nossa correspond\u00eancia me trouxe uma carta. Mas n\u00e3o era uma carta qualquer, era uma carta do vaticano. E eu estranhei totalmente aquilo. O Papa sempre me manda uma carta, que chega todo dia 15 e hoje \u00e9 dia 23, certo? N\u00e3o poderia ser outra carta dele. Ent\u00e3o eu a abri e a li. E a carta estava assinada nada mais, nada menos que pelo meu principal &#8220;calo&#8221; no vaticano, Cardeal Armand. Uma peste dos infernos em forma de velho. &#8211; fiquei um pouco confuso, sem entender muita coisa.<br>\u2003\u2003 &#8211; E o que dizia a carta?<br>\u2003\u2003 &#8211; Bem, a carta me saudava de uma forma exagerada e eu diria at\u00e9 falsa. E a mensagem? \u00c9 rid\u00edcula e n\u00e3o faz sentido nenhum, nenhum, %Fitzroy%, nenhum. L\u00e1 ele falava o quanto \u00e9 importante n\u00f3s preservamos e pregarmos a f\u00e9 cat\u00f3lica na Su\u00e9cia, por termos t\u00e3o poucos fi\u00e9is aqui e ent\u00e3o ele me fez um pedido. E aqui mora a pior parte. Ele me pediu para fazer uma missa glorificando os m\u00e1rtires da Igreja Cat\u00f3lica. Ele me pediu para falar para o povo que vai \u00e0s missas o quanto esses homens foram importantes por morrerem e <strong>matarem<\/strong> em nome da Igreja. Isso \u00e9 rid\u00edculo, %Fitzroy%, \u00e9 bestial, \u00e9 insano. Eu n\u00e3o posso fazer isso, mas&#8230; n\u00e3o tenho escolha. E ainda tem mais uma coisa, ele tamb\u00e9m mandou uma carta ao bispo, falando a mesma coisa s\u00f3 que de maneira mais &#8220;suave&#8221;. O bispo veio at\u00e9 mim todo feliz e empolgado com a missa de hoje.<br>\u2003\u2003 &#8211; Que diabos \u00e9 isso, %Gustav%, n\u00e3o faz sentido algum. O cara te foder l\u00e1 e mandar carta? Voc\u00ea n\u00e3o questionou com o bispo?<br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o, eu n\u00e3o posso questionar essas coisas. Aprendi que na Igreja voc\u00ea deve guardar tais coisas para voc\u00ea e apenas observar o que lhe parece estranho. O m\u00e1ximo que combinei com ele fora que, ele pregasse sobre os m\u00e1rtires e eu finalizasse a missa com a h\u00f3stia e essas coisas. N\u00e3o vou falar isso para o povo ouvir, eu me recuso. Morrer e <strong>matar<\/strong> pela Igreja? Que diabo \u00e9 isso?<br>\u2003\u2003 Morrer e <strong>matar<\/strong> pela Igreja. Aquilo ficou martelando na minha cabe\u00e7a, n\u00e3o podia ter liga\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003 &#8211; E voc\u00ea acha que essa carta tem algo a ver com os estranhos rondando nossa regi\u00e3o?<br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o sei o que pensar. &#8211; %Gustav% parecia derrotado. &#8211; \u00c9 muita maluquice isso chegar \u00e0s minhas m\u00e3os nesse momento, com essa mensagem t\u00e3o forte logo ap\u00f3s isso. Por isso vim at\u00e9 aqui. Sei que odeia a Igreja e que eu j\u00e1 te pedi na marra que fosse \u00e0 missa, mas hoje \u00e9 diferente. Preciso de voc\u00ea l\u00e1 pra ser o meu terceiro e quarto olho, preciso que preste aten\u00e7\u00e3o nas pessoas e na igreja, preciso saber se isso \u00e9 um sinal ou alguma artimanha. &#8211; eu n\u00e3o podia negar isso, podia? Afinal, era um grand\u00edssimo amigo pedindo uma ajuda e por outro lado, eu teria chance de entender a merda que estava acontecendo.<br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea sabe que n\u00e3o te diria n\u00e3o. \u00c9 \u00f3bvio que aceito e fico feliz que confie em mim para isso. Posso pedir ao %Carl% que tamb\u00e9m preste aten\u00e7\u00e3o nas coisas? Ele conhece o pessoal e sempre tem algu\u00e9m indo at\u00e9 l\u00e1 contar fofocas.<br>\u2003\u2003 &#8211; \u00c9 claro que pode, sinta-se \u00e0 vontade. Confio em voc\u00eas e acho que somos os \u00fanicos que podemos entender essa porcaria. &#8211; sorrimos um para outro, assim como quando \u00e9ramos crian\u00e7as, quando est\u00e1vamos prestes a aprontar alguma coisa que n\u00e3o dev\u00edamos. Seria mais que divertido do que eu esperava.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>xx<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Faltavam alguns minutos para missa come\u00e7ar pontualmente \u00e0s 19 horas e 30 minutos. %Carl% estava comigo ao lado de fora da Igreja conversando algumas asneiras, seria bom de descontrair por algum tempo.<br>\u2003\u2003 &#8211; Estou me sentindo um agente infiltrado, agora s\u00f3 falta a parte das gostosas na minha cama. &#8211; %Carl% falou, com seu tom hiperativo e engra\u00e7ado.<br>\u2003\u2003 &#8211; %Carl%, depois que sua mulher foi embora voc\u00ea nunca mais comeu ningu\u00e9m? &#8211; ele me olhou atravessado, com as narinas indicando raiva, mas, rapidamente seu semblante mudou de forma mostrando um a\u00e7ougueiro triste e frustrado.<br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o h\u00e1 muitas mulheres por aqui, %Fitzroy%, e desde os tempos da escola eu namorei a mesma mulher e nunca mais tive outra em minha vida, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil quanto parece. &#8211; ver meu amigo daquela forma era muito desprazeroso, me do\u00eda no peito de verdade. Eu daria um jeito naquilo, por\u00e9m, depois da missa de hoje.<br>\u2003\u2003 &#8211; Relaxe, meu bom peda\u00e7o de costela, seu amigo %Fitzroy% vai te ajudar. &#8211; dei uma piscadela irreverente e ele apenas me respondeu com um olhar desafiador.<br>\u2003\u2003 &#8211; Eu duvido, %Fitzroy%, est\u00e1 devidamente desafiado.<br>\u2003\u2003 &#8211; Oh, voc\u00ea est\u00e1 me desafiando? Me d\u00ea tr\u00eas dias pra ter uma mulher gemendo na tua cama, babe. &#8211; ele apenas riu e me chamou para entrar, o sino indicava que a missa iria come\u00e7ar.<br>\u2003\u2003 N\u00f3s nos sentamos ao fundo, na \u00faltima fileira, dali seria mais f\u00e1cil visualizar todo o movimento. Para que n\u00f3s dois n\u00e3o nos distra\u00edssemos eu me sentei \u00e0 esquerda e ele no \u00faltimo banco da direita, desta forma, nosso plano de vis\u00e3o seria maior. Os burburinhos das pessoas conversando se cessou quando os coroinhas adentraram ao local e sentaram-se em seus lugares, logo atr\u00e1s vieram %Gustav% e o bispo. Podia-se ouvir como sempre as pessoas dizendo sobre como %Gustav% era bonito, jovem e querido.<br>\u2003\u2003 Assim que o mais absoluto sil\u00eancio reinou o bispo posicionou-se atr\u00e1s do altar e colocou algumas folhas sobre o mesmo, todas as pessoas tamb\u00e9m pegaram seus panfletos e iniciaram suas rezas. Respondiam ao bispo quando era hora e todo o cerimonial de uma missa. Quase uma hora se passou com toda aquela &#8220;ladainha&#8221; e nada de interessante acontecia. Eu estava sonolento e abrindo a boca com frequ\u00eancia, por\u00e9m, quando o bispo proferiu pela \u00faltima vez &#8220;<em>o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo<\/em>&#8221; e as pessoas se preparavam para o fim da missa ele lhes chamou aten\u00e7\u00e3o para algo especial. Finalmente, a hora da a\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003 Foi ent\u00e3o que ele come\u00e7ou a disparar todo o discurso que tirou a paz de %Gustav% naquela manh\u00e3, falando sobre como a for\u00e7a da Igreja Cat\u00f3lica precisava aumentar e que principalmente na Su\u00e9cia, um pa\u00eds de maioria protestante, o catolicismo precisava de cada vez mais fi\u00e9is dispostos a lutar por ele e fazer o mesmo crescer. Exaltou m\u00e1rtires como S\u00e3o Cosme, S\u00e3o Dami\u00e3o e tantos outros que morreram e mataram em nome da Igreja. As pessoas se empolgavam, dava para ver a anima\u00e7\u00e3o que tomava conta dos fi\u00e9is naquele momento.<br>\u2003\u2003 Meus ouvidos e olhos estavam atentos e os de %Carl% tamb\u00e9m pareciam estar. O bispo continuava seu discurso, dizendo que os membros daquela igreja deveriam se fazer ouvir. Deveriam levar o catolicismo consigo onde quer que fossem e deveriam n\u00e3o poupar esfor\u00e7os para isso, mesmo que tivessem de agir de maneira <strong>err\u00f4nea<\/strong>. Foi ent\u00e3o que eu senti algu\u00e9m h\u00e1 poucos metros de minhas costas. N\u00e3o queria ter que olhar para tr\u00e1s e perder a vis\u00e3o da minha dianteira. Fiz um sinal para que %Carl% olhasse. Rapidamente ele direcionou sua cabe\u00e7a para minha traseira e olhou para mim novamente. Seus balbuciar dizia <em>&#8220;\u00e9 um coroinha&#8221;<\/em>.<br>\u2003\u2003 Meu c\u00e9rebro hesitou, o que diabos um coroinha fazia ali, naquele momento? Ele deveria estar juntamente com os outros ao lado de %Gustav%. Ao olhar impulsivamente para tr\u00e1s, percebi que n\u00e3o havia mais ningu\u00e9m ali. Isso n\u00e3o podia ser normal, n\u00e3o podia ser coincid\u00eancia. Me levantei do banco e sinalizei para %Carl% que sairia. Ele confirmou e buscou o olhar de %Gustav%, que ao me ver em p\u00e9 lan\u00e7ou os olhos \u00e0 porta. Ele havia percebido o mesmo que n\u00f3s e sendo assim, eu sai.<\/p>\r\n<p align=\"center\">xx<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003%Louise% estava sentada, quieta e calma ao lado de seus pais. A missa parecia estar ao fim e a mesma j\u00e1 se preparava para levantar, segurou a fofura de sua saia e levemente girou seu corpo para tr\u00e1s. Ent\u00e3o, l\u00e1 no fundo da igreja, na \u00faltima fileira ela o viu. Os cabelos penteados para tr\u00e1s, o olhar cerrado e os bot\u00f5es da camisa social preta que deixavam os pelos do torso de %Fitzroy% levemente \u00e0 mostra. Ela se sentiu arrepiar, por que ele estava indo \u00e0 igreja com tanta frequ\u00eancia? Louise sentiu sua alma sair de seu corpo e ir ao lado de %Fitzroy% sentir sua pele.<br>\u2003\u2003 Por\u00e9m, seus pensamentos foram encerrados quando a mesma ouviu a voz do bispo pedindo aten\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003 Ele come\u00e7ou a proferir um digno discurso de santa inquisi\u00e7\u00e3o, moldado aos par\u00e2metros medievais, glorificando os santos m\u00e1rtires da Igreja Cat\u00f3lica. Ela n\u00e3o parecia entender muito bem aquilo, mas os mais velhos se empolgavam a escutar nomes que ela nunca havia ouvido. N\u00e3o demorou para muito para a aten\u00e7\u00e3o dela se esvair, assim seus olhos voltaram a procurar pelo homem e os mesmos o viram de costas saindo pela porta.<br>\u2003\u2003 Seu peito se retraiu e ela se sentiu mais fraca. Queria gritar para ele voltar, mas n\u00e3o podia. O que fazer naquele momento? Suas pernas queriam se levantar, ela queria correr atr\u00e1s dele, mas, como?<br>\u2003\u2003 <em>&#8220;M\u00e3e, preciso ir ao banheiro&#8221;<\/em><br>\u2003\u2003 N\u00e3o esperou seus pais a repreenderem, apenas levantou-se, andou o mais r\u00e1pido que pode pelo corredor vendo %Fitzroy% logo mais \u00e0 frente. Ela o iria seguir, mesmo que estivesse o desobedecendo e fosse punida mais tarde.<\/p>\r\n<p align=\"center\">xx<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Me escondi atr\u00e1s de uma das pilastras da escadaria da igreja e observei o coroinha. Ele estava com sua batina puxada, para acelerar seu passo. Caminhava rapidamente, tentando n\u00e3o ser notado. A cidade estava vazia naquele momento, j\u00e1 era noite e praticamente todos estavam na missa. Era o momento perfeito para agir. Espreitei mais meus olhos tentando enxerg\u00e1-lo quando a luminosidade j\u00e1 n\u00e3o era o suficiente para ver com clareza, mas, ainda pude v\u00ea-lo indo para a trilha que levava a floresta. <em>&#8220;Filho de uma puta&#8221;<\/em>, pensei.<br>\u2003\u2003 Infelizmente estava sem meu rifle, ou uma arma, ou um canivete sequer, mas mesmo assim, n\u00e3o seria um moleque que me faria ter medo. Como conhecia cada entrada da floresta, peguei um atalho pr\u00f3ximo ao a\u00e7ougue do %Carl%. Comecei a correr para chegar \u00e0 sua frente no caminho principal da mata. Fiquei escondido atr\u00e1s de uma \u00e1rvore menor esperando que ele passasse, n\u00e3o demorou muito para que seus passos sem coordena\u00e7\u00e3o se aproximassem e continuassem pelo caminho. Eu fui o seguindo entre as \u00e1rvores, quando finalmente chegamos no fim da trilha. Ali havia uma pequena clareira que abria em v\u00e1rios trechos pequenos de terra, o resto era tudo mata fechada. <br>\u2003\u2003 No primeiro trecho, havia \u00e1rvores marcadas por corte de machado, era a trilha da minha casa. Assim que mudei para o local e n\u00e3o o conhecia, fiz as marcas para n\u00e3o me perder. Logo \u00e0 frente, num min\u00fasculo corredor de \u00e1rvores menores ficava a &#8220;entrada&#8221; da mata fechada, do perigo iminente da floresta. Era se enfiando por meio dali que se chegava na casa de Nikolai, o \u00fanico que dividia a floresta comigo. N\u00e3o muito mais velho que eu, de cabelos grisalhos e excelente humor. <br>\u2003\u2003 O moleque hesitou, pensou por alguns minutos e tirou sua batina, amarrando-a na cabe\u00e7a. Esperto, pensei. Se entrasse ali vestido daquele jeito ele ficaria preso no primeiro galho. O mesmo ficou apenas de cueca, meias e sapatos. Quebrou uns galhos \u00e0 sua frente e foi se enfiando no meio das \u00e1rvores. Por que diabos ele iria para a casa de Nikolai? N\u00e3o havia nada ali al\u00e9m da casa dele. Assim que o vi se perder entre as \u00e1rvores, peguei o rumo da minha casa, sabia muito bem como chegar l\u00e1 antes dele.<br>\u2003\u2003 Menos de cinco minutos correndo, minha camisa estava suada, meu coturno cheio de terra e meu cabelo todo bagun\u00e7ado. Fiquei \u00e0 espreita antes da casa de meu companheiro e fiquei esperando o coroinha chegar. Eu ainda n\u00e3o tinha visto seu rosto, n\u00e3o sabia se o conhecia ou n\u00e3o, mas de qualquer forma, ele era um suspeito. <br>\u2003\u2003 A criatura finalmente apareceu. Seus bra\u00e7os sangravam, seu abd\u00f4men magrelo estava todo arranhado e uma de suas canelas estava quase rasgada sangrando muito. N\u00e3o pude evitar rir, afinal, essas pessoas achavam que podiam se enfiar na floresta e sair bem.<br>\u2003\u2003 Ele ficou um tempo parado \u00e0 espreita, suas m\u00e3os tremiam e ele parecia estar meio perdido, com o olhar desconexo. Desamarrou a batina da cabe\u00e7a e a virou do avesso procurando por algo. Ent\u00e3o o vi tirar um punhal brilhante de l\u00e1, o mesmo reluzia com o reflexo da lua. Ele tomou a coragem que lhe faltava e riu em esc\u00e1rnio antes de correr em dire\u00e7\u00e3o a porta. Nesse momento sai correndo da onde estava e fui em sua dire\u00e7\u00e3o, com meus passos longos n\u00e3o foi dif\u00edcil alcan\u00e7\u00e1-lo, o grudei pela boca com uma m\u00e3o e com a outra busquei seu pulso. O garoto perdeu o equil\u00edbrio do punhal e o derrubou. Assobiei, do modo caracter\u00edstico para me comunicar com o Nikolai e em poucos segundos, l\u00e1 estava ele de cueca e descal\u00e7o, com um charuto na boca, segurando uma espingarda.<br>\u2003\u2003 &#8211; N\u00e3o atire, Nikolai, eu preciso saber o que o mocinho aqui quer e o motivo de estar aqui.<br>\u2003\u2003 &#8211; Voc\u00ea quem manda, %Fitzroy%. &#8211; Nikolai veio em nossa dire\u00e7\u00e3o, tirando seu charuto da boca.<br>\u2003\u2003 &#8211; Ora, ora, veja se n\u00e3o \u00e9 um cordeirinho de cristo vindo aqui pra me matar. &#8211; Nikolai pegou seu charuto, tragou, soltou uma baforada no garoto e jogou as cinzas em seu cabelo loiro.<br>\u2003\u2003 &#8211; Eu n\u00e3o vou falar nada, seu porco imundo. &#8211; o adolescente, soltou um cuspe na cara de Nikolai, que apenas ria da situa\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003 Eu iria lev\u00e1-lo para dentro, amarr\u00e1-lo talvez e obrig\u00e1-lo a falar. Por\u00e9m, alguns passos me tiraram a aten\u00e7\u00e3o. Me virei ainda segurando o moleque. Foi a\u00ed que vi uma saia rodada cheia de frufrus. Os bra\u00e7os cruzados dela pressionavam os seios que apareciam de leve em sua blusa verde. Nesse deslize, o moleque escapou e a mesma soltou um grito. O bastardo tentou correr em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 ela para fazer algo que eu n\u00e3o entendi muito bem. %Louise% ficou em choque parada, com as m\u00e3os levantadas. Tentei correr, mas n\u00e3o fora mais r\u00e1pido que o tiro de Nikolai. O proj\u00e9til atingiu as costas do moleque o fazendo cair no ch\u00e3o.<br>\u2003\u2003 &#8211; <strong>Porra<\/strong>! &#8211; berrei chutando tudo que estava \u00e0 minha frente.<br>\u2003\u2003 &#8211; Calma, n\u00e3o acertei nenhuma parte vital, o moleque est\u00e1 vivo. Pegue a menina que eu o trago pra dentro.<br>\u2003\u2003 Olhei para Louise e l\u00e1 estava ela, com o semblante assustado e desesperado. N\u00e3o queria ter que berrar, gritar ou at\u00e9 bater na cara dela, mas era imposs\u00edvel ficar calmo. Por que me desobedecer, por qu\u00ea? A puxei pelo o bra\u00e7o e pedi que ficasse muda, at\u00e9 que n\u00f3s dois pud\u00e9ssemos conversar a s\u00f3s.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003A batina de pura seda da cor bege escorria pelo ch\u00e3o daquele corredor. As paredes de puro ouro, enfeitadas pelas mais belas pinturas que o mundo teve o prazer de conhecer l\u00e1 estavam, aumentando o poder e o valor daquele local. As colunas imponentes e o teto celestial eram sua paisagem. 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