{"id":7619,"date":"2024-03-07T13:46:00","date_gmt":"2024-03-07T16:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-08T13:53:35","modified_gmt":"2025-11-08T16:53:35","slug":"capitulo-18","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/a-ordem\/capitulo-18\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo Dezoito"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Novamente eu me encontrava<\/span> em um ambiente sufocante onde a escurid\u00e3o se misturava \u00e0 neblina espessa, impedindo que eu visse qualquer fecho de luz. Essa mesma neblina parecia transformar o lugar em um cen\u00e1rio surreal. Era quase como se eu pudesse ver as sombras dan\u00e7ando de forma indistinta, mas no fundo eu sabia que esse sentimento era apenas minha inquieta\u00e7\u00e3o e desconforto perante toda a situa\u00e7\u00e3o que eu me encontrava. E a atmosfera pesada contribu\u00eda para o peso dos meus tormentos.<br>\u2003\u2003A dor no meu peito era dilacerante.<br>\u2003\u2003Era como se eu tivesse a sensa\u00e7\u00e3o ter uma ferida profunda, enraizada dentro do meu peito.<br>\u2003\u2003Ao tentar me levantar, minhas pernas fraquejaram como se estivessem presas por correntes invis\u00edveis. Cada movimento era uma luta contra uma for\u00e7a desconhecida que me prendia ao ch\u00e3o.<br>\u2003\u2003A neblina, agora, parecia se tornar mais densa, como se resistisse ao meu avan\u00e7o, amplificando minha sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia. E a vis\u00e3o das minhas m\u00e3os revelava uma imagem aterrorizante. Manchas de sangue escuro marcavam minhas palmas, uma representa\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia que se desenrolara. Essa vis\u00e3o me transportava de volta a conversa que tive com meus amigos, recordando a terr\u00edvel hist\u00f3ria de que as pessoas que eu amava estavam mortas.<br>\u2003\u2003O peso da culpa se abatia sobre mim como pedras que desciam e me acertavam. Eu me via como a maior culpada por essas desgra\u00e7as, uma vergonha para os ca\u00e7adores, uma trai\u00e7\u00e3o aos votos que fizemos.<br>\u2003\u2003O sangue nas minhas m\u00e3os era o s\u00edmbolo da minha falha, uma marca que me ligava diretamente \u00e0 trag\u00e9dia.<br>\u2003\u2003Em meio \u00e0 neblina espessa, a sensa\u00e7\u00e3o de isolamento e desespero se intensificava. Eu percebia que n\u00e3o s\u00f3 falhara como ca\u00e7adora, mas tamb\u00e9m como membro de uma fam\u00edlia que agora, sem d\u00favida, me considerava uma vergonha.<br>\u2003\u2003O ambiente hostil ao meu redor parecia ecoar os lamentos das v\u00edtimas e as acusa\u00e7\u00f5es silenciosas, criando um pesadelo onde a escurid\u00e3o f\u00edsica se alinhava perfeitamente com a escurid\u00e3o da minha alma atormentada.<br>\u2003\u2003\u00c9 nesse momento que sinto algu\u00e9m se aproximando, tento deixar meus olhos entreabertos, a fim de descobrir do que se tratava aquela sombra, mas falho miseravelmente.<br>\u2003\u2003- Ah, minha pequena ca\u00e7adora, voc\u00ea continua carregando o fardo sombrio de suas escolhas. \u2013 Uma voz sinistra, g\u00e9lida, sussurra em meu ouvido. \u2013 Voc\u00ea quem deveria ser a guardi\u00e3 dos inocentes, sucumbiu aos seus pr\u00f3prios pecados e os abandonou.<br>\u2003\u2003Cambaleio um pouco para lado, lutando contra a dor que eu sentia.<br>\u2003\u2003- Por favor, quem \u00e9 voc\u00ea? \u2013 o desespero ecoava em minha voz. Eu n\u00e3o aguentava mais aquela tortura.<br>\u2003\u2003- Ah, bobinha, voc\u00ea ainda n\u00e3o entendeu? Sou sua pr\u00f3pria sombra, a manifesta\u00e7\u00e3o dos seus medos, das suas falhas. \u2013 Sua risada ecoa perante a escurid\u00e3o. \u2013 Enquanto voc\u00ea continuar miser\u00e1vel com as suas escolhas, enquanto voc\u00ea evitar olhar para os seus erros, nada ser\u00e1 f\u00e1cil, porque essa \u00e9 a sua fraqueza, a falta de senso, a falta de empatia. \u2013 Suas palavras s\u00e3o como uma faca afiada penetrando meu cora\u00e7\u00e3o profundamente. A dor no meu peito se intensifica, quase como se tudo o que eu ouvisse fizesse com que minha alma se desprendesse um pouco mais de mim.<br>\u2003\u2003- Sei que fiz o meu melhor, sei que n\u00e3o fui forte o suficiente&#8230; \u2013 Sou interrompida pela risada sarc\u00e1stica da sombra.<br>\u2003\u2003- Sempre a eterna desculpa da fraqueza. \u2013 Sinto que ele para p\u00f4r um momento, e fecho minhas m\u00e3os em punhos. \u2013 Voc\u00ea n\u00e3o aprendeu que ca\u00e7adores devem ser fortes, destemidos, implac\u00e1veis? Tudo o que vejo na minha frente \u00e9 uma garotinha fraca, com medo das suas escolhas e que apenas d\u00e1 desculpas esfarrapadas. \u2013 Consigo me levantar para confronta-lo.<br>\u2003\u2003- Eu n\u00e3o sou fraca! \u2013 grito em pleno pulm\u00f5es.<br>\u2003\u2003- O sangue em suas m\u00e3os conta uma hist\u00f3ria diferente. \u2013 Encaro minhas m\u00e3os, o sangue que antes era vivo, agora est\u00e1 seco. \u2013 Voc\u00ea est\u00e1 presa, pois sua fraqueza \u00e9 um farol nessa escurid\u00e3o que alimenta as sombras perturbadas pelas suas escolhas. Eles riem perante a sua desgra\u00e7a, pois \u00e9 o seu desespero que as alimenta, que as mant\u00e9m vivas.<br>\u2003\u2003Minhas pernas, j\u00e1 fracas, amea\u00e7am ceder novamente, mas resisto \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de me render \u00e0 escurid\u00e3o que me cerca.<br>\u2003\u2003- Eu juro que tentei&#8230; \u2013 minha voz falha.<br>\u2003\u2003- Tentasse, mas n\u00e3o foi o suficiente. \u2013 Sua voz muda de repente, ficando mais s\u00e9ria. \u2013 A fraqueza \u00e9 como uma praga que se espalha e contamina tudo \u00e0 sua volta. \u2013 Ele avan\u00e7a lentamente, revelando um sorriso cruel em meio \u00e0 escurid\u00e3o. \u2013 A verdadeira for\u00e7a n\u00e3o vem da mudan\u00e7a, mas sim da resist\u00eancia. Como ca\u00e7adora voc\u00ea falhou, mas n\u00e3o por aquelas que morreram, e sim por ser sua pr\u00f3pria ru\u00edna.<br>\u2003\u2003A sombra some em meio a escurid\u00e3o, deixando um silencio perturbador ao meu redor.<br>\u2003\u2003O peso da culpa parece ser ainda pior ao absorver suas palavras. A escurid\u00e3o n\u00e3o era apenas hostil, mas ela significava que minha esperan\u00e7a era vacilante, que eu tinha falhado muito como humana e como ca\u00e7adora.<br>\u2003\u2003Sinto que minha energia vai se esvaindo aos poucos, e tudo o que eu vejo antes de apagar \u00e9 uma raposa de pelagem avermelhada se aproximando, e as \u00faltimas palavras que escuto \u00e9&#8230;<br>\u2003\u2003- Acorde! \u2013 ou\u00e7o uma voz distante.<br>\u2003\u2003- Voc\u00ea precisa acordar! \u2013 continuo ouvindo vozes, um eco que parece perfurar a n\u00e9voa densa que eu me encontrava.<br>\u2003\u2003Desesperada, tento me erguer. Por\u00e9m uma for\u00e7a invis\u00edvel me mant\u00e9m presa, como se as sombras ao meu redor tivessem adquirido uma vida pr\u00f3pria determinadas a me manterem aprisionada.<br>\u2003\u2003- %Faith%, voc\u00ea precisa acordar. \u2013 A voz antes n\u00edtida vai sumindo gradualmente enquanto tento a todo custo me levantar. Por um momento volto me sentir impotente, me sinto como uma marionete cujo os fios est\u00e3o sendo controlados por for\u00e7as que v\u00e3o al\u00e9m da minha compreens\u00e3o.<br>\u2003\u2003Eu podia sentir cada parte do meu corpo doer intensamente, como se eu tivesse enfrentado uma batalha sem fim comigo mesma. A dor me transporta para um dos piores dias da minha vida, o dia em que a gan\u00e2ncia e a teimosia resultaram na perda dos meus amigos, da minha fam\u00edlia.<br>\u2003\u2003A lembran\u00e7a dos seus rostos, agora distantes e sem vida, ecoa como um lamento constante das minhas m\u00e1s escolhas.<br>\u2003\u2003<i>Eu sou a maior culpada pelas mortes dos inocentes.<\/i> Uma confiss\u00e3o amarga dos meus pensamentos que foram levados pela sina que eu tinha em tomar decis\u00f5es que levavam as pessoas mais pr\u00f3ximas a mim \u00e0 ruina. Ainda consigo sentir os olhares de desgosto, da reprova\u00e7\u00e3o silenciosa que recebi h\u00e1 alguns dias dos meus amigos ao contarem sobre as mortes dos nossos, da nossa fam\u00edlia. Meu peito aperta s\u00f3 de lembrar que por culpa minha, meu primo perdeu toda a sua fam\u00edlia, sua matilha. Esses sentimentos apenas se intensificam e a sensa\u00e7\u00e3o de sufocamento se torna marcante em meus pensamentos, em meu cora\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003Cada palavra dita pelos meus amigos que sobreviveram, aumentam o peso da minha consci\u00eancia, pois eu, %Faith%, sinto que estou afundando em um abismo de culpa e de autodestrui\u00e7\u00e3o que eu mesma criei, e tudo por conta da \u00e2nsia de querer estar certa, de n\u00e3o recuar nos momentos certos.<br>\u2003\u2003Agora, todas as minhas escolhas s\u00e3o um fardo insuport\u00e1vel que terei que lidar para o resto da minha vida.<br>\u2003\u2003<i>Ru\u00edna&#8230;<\/i> Sussurro para mim mesma enquanto sinto o peso da sombra que me acompanha. Era como se ela estivesse \u00e0 espreita, apenas esperando o momento certo para consumir tudo, e eu sei que, se ela prevalecer, ningu\u00e9m que sobreviveu sa\u00edra ileso.<br>\u2003\u2003- Onde estou? \u2013 minha voz ecoa, perdida no desconhecido. A aus\u00eancia dos rostos dos meus amigos intensifica a sensa\u00e7\u00e3o de estar aprisionada, uma repeti\u00e7\u00e3o de pesadelos que continuam se entrela\u00e7ando.<br>\u2003\u2003- A viagem foi boa, %Faith%? \u2013 a pergunta flutua no ar, a voz que antes era enigm\u00e1tica, agora parecia familiar. Era uma voz que emergia do breu.<br>\u2003\u2003Tento me virar, mas a silhueta persiste em se esconder. A incerteza me envolve e meu c\u00e9rebro tenta de fato entender aonde estou; a distinguir o que \u00e9 real e o que \u00e9 fict\u00edcio.<br>\u2003\u2003- Quem \u00e9 voc\u00ea? \u2013 Apesar da minha voz falhar, pergunto novamente para entender o que estava acontecendo ao meu redor, a hostilidade do ambiente fazia tudo se tornar ainda mais ruim.<br>\u2003\u2003- Voc\u00ea realmente n\u00e3o entendeu nada ainda, n\u00e3o \u00e9 mesmo? \u2013 a voz solta uma risada sarc\u00e1stica e continua me chamando de bobinha repetidas vezes, causando um arrepio em minha alma.<br>\u2003\u2003- N\u00e3o! N\u00e3o entendi. \u2013 a confus\u00e3o e o desespero crescem em minha voz, e quando me dou conta, l\u00e1grimas caem, uma a uma, molhando meu rosto.<br>\u2003\u2003As sombras ao meu redor parecem gostar do meu desespero, pois elas se alimentam das minhas l\u00e1grimas e dan\u00e7am perante a escurid\u00e3o que me assombrava.<br>\u2003\u2003- \u00c9 exatamente assim que eu queria ver voc\u00ea \u2013 Ele se pr\u00f3xima, sua voz num tom de maior intimidade \u2013 \u00c9 t\u00e3o doce ver seu desespero, assistir suas l\u00e1grimas caindo uma a uma. \u2013 sinto uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia vinda de mim. \u2013 %Faith% \u2013 O sussurro g\u00e9lido em meu ouvido faz com que eu me arrepie \u2013 Como est\u00e1 sua fam\u00edlia? \u2013 a pergunta, cheia de familiaridade amea\u00e7adora, me pega de surpresa. O choque percorre meu corpo. Eu estava incr\u00e9dula, afinal, como ele poderia conhecer minha fam\u00edlia?<br>\u2003\u2003- O que est\u00e1 acontecendo? \u2013 meu corpo, antes mergulhado em dor e confus\u00e3o, parece ganhar um novo upgrade. Sou tomada por uma energia desconhecida que flui atrav\u00e9s de mim, dissipando a sensa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o.<br>\u2003\u2003- Lembra quando eu falei que eu era o seu maior pesadelo? \u2013 a voz, agora mais pr\u00f3xima parecia ainda mais sinistra, obscura. \u2013 Eu n\u00e3o estava brincando. \u2013 Sinto a proximidade dele, mas antes que eu possa discernir mais detalhes, um clar\u00e3o ofuscante irrompe, me tirando da escurid\u00e3o.<br>\u2003\u2003Num piscar de olhos sou arrastada de volta \u00e0 realidade, mas as fei\u00e7\u00f5es daquele que eu mais precisava ver permanecem um mist\u00e9rio.<br>\u2003\u2003- %Faith%! \u2013 sou puxada para a minha realidade e desperto num susto, sendo surpreendida pela presen\u00e7a de %Changbin% inclinado sobre mim com um rosto vermelho. Afinal, era dele a voz que me chamava incansavelmente? \u2013 Voc\u00ea est\u00e1 bem? \u2013 continuo tentando me orientar, e principalmente orientar minha mente ao ambiente que eu me encontrava.<br>\u2003\u2003- Aonde eu estou? \u2013 uma vertigem moment\u00e2nea faz com que meus sentidos fiquem confusos.<br>\u2003\u2003- Estamos na casa do %Felix%. \u2013 %Hyunjin% se aproxima, visivelmente fatigado, por\u00e9m seus olhos transmitiam um alivio ao me encontrar consciente.<br>\u2003\u2003- Mas&#8230; \u2013 tento me levantar, por\u00e9m sou detida por %Changbin%. \u2013 O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo aqui? \u2013 minha garganta estava seca, ent\u00e3o minha voz falha.<br>\u2003\u2003- Voc\u00ea se meteu em apuros, tive que largar tudo para vir ajudar. \u2013 Ele sorri de canto, uma express\u00e3o que oscila entre ironia e preocupa\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003- Isso n\u00e3o faz sentido, as pessoas est\u00e3o mortas. \u2013 Minha mente est\u00e1 turva, ainda tentando discernir entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o criada pelos meus pesadelos.<br>\u2003\u2003- %Faith%, voc\u00ea esteve apagada por tr\u00eas dias, ningu\u00e9m morreu. \u2013 %Minho% se aproxima, uma tentativa de me trazer para a realidade.<br>\u2003\u2003- Como assim? Eu vi voc\u00eas nessa mesma sala, todo mundo falou que pessoas inocentes tinham morrido. \u2013 minha voz revela o desespero ao mesmo tempo em que eu me sentia desacreditada de distinguir se o que eu vivenciei foi um mero del\u00edrio ou algo for\u00e7ado a me aprisionar.<br>\u2003\u2003- %Faith%, preste aten\u00e7\u00e3o. \u2013 %Minho% seguro minha m\u00e3o, tentando criar um elo entre mim e a realidade. \u2013 N\u00f3s perdemos a liga\u00e7\u00e3o com voc\u00ea assim que iniciamos, algo aconteceu e eu fui expulso. \u2013 As palavras dele me prendem em confus\u00e3o, desencadeado a ansiedade diante do desconhecido.<br>\u2003\u2003- Isso quer dizer que nada foi real? \u2013 a d\u00favida ecoa em minha voz, uma incerteza que me envolve pessoalmente.<br>\u2003\u2003- Isso mesmo! \u2013 %Minho% tento transmitir tranquilidade, mas a sensa\u00e7\u00e3o de que eu poderia voltar para o breu n\u00e3o me permitem relaxar.<br>\u2003\u2003- Nossos av\u00f3s est\u00e3o bem? \u2013 Meus olhos buscam %Seungmin%, que aparece de repente na sala.<br>\u2003\u2003- Acabei de voltar de l\u00e1, nossos av\u00f3s est\u00e3o \u00f3timos, assim como %Christopher% e %Jisung%. \u2013 Meu primo para de repente, farejando ao redor. \u2013 Sinto cheiro de alguma coisa anormal. \u2013 Sua express\u00e3o muda e meu corpo inteiro se arrepia.<br>\u2003\u2003- O que poderia ser? \u2013 %Changbin% se posiciona, cruzando os bra\u00e7os com uma express\u00e3o de alerta.<br>\u2003\u2003- Eu n\u00e3o sei, mas parece que algo n\u00e3o est\u00e1 certo. \u2013 O semblante s\u00e9rio de %Minho% adiciona uma camada de tens\u00e3o no ambiente.<br>\u2003\u2003- Voc\u00eas ficaram muito tempo aqui \u2013 %Felix% aparece, acompanhado por %Jeongin% &#8211; Devem ir embora. \u2013 Sua voz carregada de urg\u00eancia, e a seriedade do aviso refletem seus olhos. No entanto, minha aten\u00e7\u00e3o \u00e9 brutalmente desviada quando percebo a aus\u00eancia de %Echo%.<br>\u2003\u2003- %Echo%, onde est\u00e1 %Echo%? \u2013 pergunto, um tom de desespero ressaltando em minha voz.<br>\u2003\u2003- Ela est\u00e1 com os caras na casa da nossa av\u00f3. \u2013 %Seungmin% responde, sua voz indicando uma certa gravidade. \u2013 A lua de sangue est\u00e1 prestes a acontecer e todo cuidado \u00e9 pouco. \u2013 Logo a compreens\u00e3o e o alivio me pegam, aquela seria a primeira lua de sangue que %Christopher% passaria enfrentaria.<br>\u2003\u2003- Devemos ir ent\u00e3o? \u2013 tento me levantar, mas sou detida por uma fraqueza descomunal.<br>\u2003\u2003- Voc\u00ea est\u00e1 fraca? \u2013 %Changbin% se aproxima, a preocupa\u00e7\u00e3o estampada em seus olhos.<br>\u2003\u2003- Uhum. \u2013 Murmuro ao segurar sua m\u00e3o e aceitar sua ajuda silenciosa para me levantar.<br>\u2003\u2003- Deixa que eu carrego voc\u00ea. \u2013 Apesar da reputa\u00e7\u00e3o tem\u00edvel que n\u00f3s ca\u00e7adores carregamos, %Changbin% \u00e9 totalmente o oposto, pois ele revela um cora\u00e7\u00e3o gentil e sempre larga tudo o que estava fazendo para me ajudar.<br>\u2003\u2003- Voc\u00ea brigou com seus pais. \u2013 O questiono enquanto ele me auxilia.<br>\u2003\u2003- Eles nem sabem que estou aqui. \u2013 %Changbin% solta uma risada descontra\u00edda.<br>\u2003\u2003- Em uma miss\u00e3o? \u2013 fa\u00e7o refer\u00eancia \u00e0 uma desculpa que ele provavelmente deu.<br>\u2003\u2003- Na realidade, eu fugi de uma miss\u00e3o para estar aqui. \u2013 Um lampejo de preocupa\u00e7\u00e3o atravessa meus pensamentos. \u2013 N\u00e3o se preocupe, nada fora do normal. \u2013 Ele tenta me tranquilizar, mas percebo a sombra de apreens\u00e3o em seu olhar. \u2013 %Hyunjin%, voc\u00ea acha que ir\u00e1 conseguir abrir um portal? \u2013 a provoca\u00e7\u00e3o de %Changbin% para %Hyunjin% n\u00e3o era novidade, e acabo revirando meus olhos para essa din\u00e2mica de comunica\u00e7\u00e3o dos dois.<br>\u2003\u2003- Se voc\u00ea est\u00e1 t\u00e3o preocupado assim, por que n\u00e3o tenta voc\u00ea mesmo? \u2013 \u00c9 poss\u00edvel ver %Hyunjin% fazendo uma pausa dram\u00e1tica. \u2013 Ah! \u00c9 claro que voc\u00ea n\u00e3o iria conseguir, afinal, n\u00e3o \u00e9 um bruxo. \u2013 Ele passa por n\u00f3s com um sorriso de vit\u00f3ria, deixando %Changbin% sem palavras diante do desafio.<br>\u2003\u2003A viagem de volta para casa \u00e9 suave, um retorno ao conhecido, por\u00e9m que \u00e9 ofuscado pela nevoa dos meus pensamentos inquietos. Ao fundo \u00e9 poss\u00edvel ver o crep\u00fasculo que pinta o c\u00e9u em tons quentes, mas at\u00e9 a beleza dele parece distante, perdida pelos meus pensamentos.<br>\u2003\u2003O cansa\u00e7o crescente parece tingir o mundo ao meu redor, fazendo com que a paisagem perdesse a nitidez, onde as arvores \u00e0 beira da estrada se tornam borr\u00f5es de verde e marrom, que s\u00e3o beijados pelos raios de sol que se filtram pelas folhas criando um mosaico.<br>\u2003\u2003No entanto, um pensamento persiste.<br>\u2003\u2003A figura enigm\u00e1tica que se revelou no meu subconsciente permanece um mist\u00e9rio. Cada detalhe que tento lembrar escorrega entre os dedos da minha mem\u00f3ria, como se as fei\u00e7\u00f5es dela fossem feitas de sombras evanescentes.<br>\u2003\u2003Por que minha mente hesitava em recordar? Teria tudo isso sido preparado? Ou apenas foi uma proje\u00e7\u00e3o da minha imagina\u00e7\u00e3o? Um ser que nunca existiu?<br>\u2003\u2003As perguntas ecoam distantes, envolvendo meus pensamentos. Enquanto tento decifrar esse enigma, a verdade parece se esconder nas sombras inexploradas da minha mente, e eu me vejo envolta em um mist\u00e9rio que desafia a pr\u00f3pria ess\u00eancia da realidade que busco compreender.<br>\u2003\u2003- %Faith%? \u2013 desperto do meu devaneio, e percebo que estamos nos fundos da casa da minha av\u00f3.<br>\u2003\u2003- Estou bem. \u2013 Aquela era mais uma afirma\u00e7\u00e3o para mim mesma do que para qualquer outra pessoa.<br>\u2003\u2003- \u00d3timo! \u2013 %Changbin% afaga minhas costas. \u2013 Sua av\u00f3 est\u00e1 doida para v\u00ea-la. \u2013 Ele come\u00e7a a me conduzir para dentro de casa, enquanto murm\u00farios sussurrados seguem atr\u00e1s de mim.<br>\u2003\u2003- Algum problema? \u2013 pergunto para os meninos.<br>\u2003\u2003- Nada, apenas siga %Changbin%. \u2013 Ambos sorriem para mim. Mas eu sabia que no fundo algo estava acontecendo, pois, n\u00e3o era todo dia que %Minho%, %Hyunjin% e %Seungmin% estavam cochichando por a\u00ed.<br>\u2003\u2003Caminhamos em completo sil\u00eancio at\u00e9 alcan\u00e7armos a casa da minha av\u00f3. A madeira da porta range suavemente quando a abro e sou envolvida por um cen\u00e1rio que me deixa chocada.<br>\u2003\u2003N\u00e3o \u00e9 todo dia que me deparo com meus pais sentados no aconchego do sof\u00e1 da casa da minha av\u00f3. A atmosfera tranquila que paira no ambiente contrasta com o turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que meu retorno acarreta.<br>\u2003\u2003O c\u00f4modo, antes habitado apenas por pessoas conhecidas, agora abra\u00e7a uma presen\u00e7a adulta deslocada. O sof\u00e1, revestido com o tecido que conhe\u00e7o desde pequena, sustenta a figura de meus pais em uma inusitada proximidade. O rel\u00f3gio de parede continua seu tique-taque constante, marcando o tempo em um ritmo que agora soa estranhamente aud\u00edvel.<br>\u2003\u2003A express\u00e3o de minha av\u00f3, testemunha silenciosa dessa inesperada reuni\u00e3o familiar, parece misturar surpresa e uma ponta de descontentamento. Seu olhar, por\u00e9m, n\u00e3o interfere na din\u00e2mica que se desenrola, deixando-me imersa na incerteza de como esses dois mundos aparentemente distantes se ligaram neste instante.<br>\u2003\u2003O sil\u00eancio \u00e9 interrompido apenas pelo leve rangido da porta ao fechar-se atr\u00e1s de mim, fazendo com que o ambiente ficasse ainda mais estranho. Meus passos hesitantes ecoam pelo espa\u00e7o, enquanto a casa, agora povoada por presen\u00e7as familiares inesperadas, parece aguardar a revela\u00e7\u00e3o de verdades que se ocultam nas sombras do desconhecido.<br>\u2003\u2003- O que voc\u00eas est\u00e3o fazendo aqui? \u2013 De repente, me sinto tra\u00edda, algu\u00e9m deve ter contado a eles o que aconteceu e o motivo de eu estar tanto tempo fora de casa.<br>\u2003\u2003- Talvez voc\u00ea devesse explicar? \u2013 A voz da minha m\u00e3e \u00e9 autorit\u00e1ria, deixando claro que ela queria uma explica\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003- Nada demais. \u2013 Dou de ombros, tentando minimizar a gravidade da situa\u00e7\u00e3o, e me aproximo furtivamente da minha av\u00f3.<br>\u2003\u2003- N\u00e3o tente se esconder na barra de saia da sua av\u00f3. \u2013 Parece que minha av\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 satisfeita com as atitudes da minha m\u00e3e, embora prefira n\u00e3o se intrometer.<br>\u2003\u2003- O que eu fiz dessa vez? \u2013 mesmo diante as circunst\u00e2ncias, n\u00e3o posso baixar minha guarda na frente os meus pais.<br>\u2003\u2003- Liga\u00e7\u00e3o de mente? \u2013 mam\u00e3e me encara. \u2013 O que voc\u00ea realmente tem na cabe\u00e7a? \u2013 ela berra, me impedindo de responder.<br>\u2003\u2003- Eu&#8230; \u2013 Antes que eu possa continuar, minha m\u00e3e n\u00e3o d\u00e1 espa\u00e7o.<br>\u2003\u2003- Essa palha\u00e7ada termina agora. \u2013 Seu rosto estava vermelho. \u2013 Voc\u00ea e %Changbin%, entrem no carro agora! \u2013 meus olhos se arregalam; nunca vi minha m\u00e3e agir com tamanha intensidade.<br>\u2003\u2003- %Faith%&#8230; \u2013 %Changbin% me encara, indicando que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais s\u00e9ria do que imagin\u00e1vamos.<br>\u2003\u2003- E %Echo%? \u2013 Pergunto preocupada com minha amiga.<br>\u2003\u2003- Ela fica. \u2013 Minha m\u00e3e me agarra, e agarra %Changbin% pelos bra\u00e7os, nos puxando em dire\u00e7\u00e3o ao carro.<br>\u2003\u2003Nenhum de n\u00f3s ousa falar, o sil\u00eancio pesado ecoa, indicando que as coisas est\u00e3o prestes a se complicar para mim.<\/p>\r\n<hr>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>N\/a:<\/strong> Oii gente, algu\u00e9m aqui ficou aguardando essa atualiza\u00e7\u00e3o? Demorei muito tempo para voltar a escrever e ainda n\u00e3o estou 100%, mas n\u00e3o queria deixar voc\u00eas sem nada at\u00e9 que eu voltasse a escrever um capitulo com 10 p\u00e1ginas ou mais.<br>\u2003\u2003Espero que tenham gostado dessa atualiza\u00e7\u00e3o, e prometo que vou tentar voltar a atualizar ela o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u2003N\/a: Oii gente, algu\u00e9m aqui ficou aguardando essa atualiza\u00e7\u00e3o? Demorei muito tempo para voltar a escrever e ainda n\u00e3o estou 100%, mas n\u00e3o queria deixar voc\u00eas sem nada at\u00e9 que eu voltasse a escrever um capitulo com 10 p\u00e1ginas ou mais.\u2003\u2003Espero que tenham gostado dessa atualiza\u00e7\u00e3o, e prometo que vou tentar voltar a atualizar ela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":94,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2236],"class_list":["post-7619","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-a-ordem"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/7619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/94"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=7619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}