{"id":7443,"date":"2025-11-06T11:00:09","date_gmt":"2025-11-06T14:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-06T11:07:15","modified_gmt":"2025-11-06T14:07:15","slug":"capitulo-14","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/as-rainhas-e-princesas-de-aragao-parte-2\/capitulo-14\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 14"},"content":{"rendered":"\r\n\u2003\u2003\u201c<span class=\"versalete\">V\u00ea, eu tenho poderes<\/span>. E eu posso machucar qualquer um com meus poderes, basta eu querer\u201d\r\n<p>\u2003\u2003<strong>1979, BRASIL<\/strong><br \/>\u2003\u2003O apito ressoou. Assim que o jovem atravessou o trem, o mesmo parou. Ele adentrou o trem, vendo as pessoas que ali estavam. O jovem se sentou em uma das poltronas e come\u00e7ou a folhear as p\u00e1ginas de seu livro. O livro que estava lendo. Dava para ver o trem andando em meio \u00e0 cidade. O jovem olhava a paisagem animado.<br \/>\u2003\u2003Assim que chegou em casa, viu o irm\u00e3o assistindo TV, enquanto o outro folheava revistas e a irm\u00e3 mais nova vestia seu vestido rosa e sua chupeta, da qual n\u00e3o largava. O jovem foi para dentro de casa, o pai estava tendo mais uma briga com a esposa. Ao entrar em seu quarto, o jovem fez suas ora\u00e7\u00f5es matinais. Ajudou nos servi\u00e7os dom\u00e9sticos, at\u00e9 encontrar um anel brilhante, um anel com a cor da vermelhid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Use-me \u2014 dizia a voz vinda do anel vermelho. \u2014 Molde a realidade a seu modo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 O que ser\u00e1 que \u00e9 isto? \u2014 se perguntou o jovem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sou o anel vermelho. Eu sou aquele que tem poder do tempo, use-me com sabedoria e molde a hist\u00f3ria do seu jeito.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como? \u2014 se perguntou o jovem.<\/p>\r\n<p align=\"center\">***********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003A figura que se aproximava sorriu. Ali estava ela ou ele observando tudo. Se aproximou da jovem que tinha aspecto triste. A jovem parecia estar triste, chorando como se tivesse perdido algo que realmente era importante. As pessoas l\u00e1 fora n\u00e3o pareciam ver al\u00e9m da superf\u00edcie, mas Vermelhid\u00e3o do Tempo sempre via.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Por que choras, jovem? \u2014 perguntou.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu&#8230; meu pai, ele morreu, meu tio tamb\u00e9m, e agora essa mulher, Margaret Beaufort, assumiu o poder junto com seu filho Henry VII. Minha m\u00e3e quer que eu me case com ele, mas eu n\u00e3o quero.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o n\u00e3o se case, querida. Voc\u00ea tem o poder de decidir se quer casar ou n\u00e3o \u2014 disse Vermelhid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim, se eu n\u00e3o me casar&#8230; \u2014 come\u00e7ou a jovem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Escolhas. Sempre dif\u00edceis, minha querida \u2014 disse Vermelhid\u00e3o. \u2014 Talvez eu possa ajuda-la nisso, mas h\u00e1 um pre\u00e7o. Um pequeno pre\u00e7o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Qual? Eu pago \u2014 disse a jovem ainda com l\u00e1grima nos olhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea far\u00e1 tudo que eu mandar, sem hesitar \u2014 pronunciou Vermelhid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu aceito \u2014 concordou a jovem.<\/p>\r\n<p align=\"center\">***********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>1486, INGLATERRA<\/strong><br \/>\u2003\u2003\u2014 Veja, minha m\u00e3e \u2014 Henry VII aponta um beb\u00ea para a m\u00e3e \u2014, \u00e9 meu filho com Isabel de York. Um menininho. Vai se chamar Artur.<br \/>\u2003\u2003O beb\u00ea sorriu graciosamente para o pai e a av\u00f3.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*******<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>NOVEMBRO DE 1495, INGLATERRA<\/strong><br \/>\u2003\u2003\u2014 Vermelhid\u00e3o! \u2014 exclamou Isabel de York saudando a figura misteriosa. \u2014 Voc\u00ea voltou!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vim apenas cobrar sua d\u00edvida, pequena Isabel de York \u2014 murmurou Vermelhid\u00e3o com um sorriso malicioso nos l\u00e1bios. \u2014 Vim pegar o que \u00e9 meu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 O que \u00e9 seu? \u2014 perguntou Isabel de York, preocupada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Esse beb\u00ea que voc\u00ea vai ter. Ele \u00e9 meu pagamento. Voc\u00ea vai pegar uma espada, um fio, um metal, uma tesoura, um alicate, o que quer que seja, e vai cortar sua barriga de forma que a crian\u00e7a que est\u00e1 esperando n\u00e3o nas\u00e7a. Ao menos n\u00e3o agora.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o vou fazer isso! \u2014 protestou Isabel.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Que pena, criarei uma maldi\u00e7\u00e3o que matar\u00e1 todos seus filhos. \u2014 Vermelhid\u00e3o sorriu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Por favor, n\u00e3o \u2014 pediu Isabel.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Me pague \u2014 ordenou Vermelhid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 bem \u2014 disse Isabel indo at\u00e9 certo lugar do castelo e cortando sua pr\u00f3pria barriga, sangrando.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*******<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>18 DE MAR\u00c7O DE 1500<\/strong><br \/>\u2003\u2003\u2014 Tem certeza que essa crian\u00e7a est\u00e1 segura? \u2014 perguntou Henry VII \u00e0 esposa, Isabel de York.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sim, acredito que esta crian\u00e7a realmente vem \u2014 disse Isabel.<br \/>\u2003\u2003Ela come\u00e7ou a sentir contra\u00e7\u00f5es dando \u00e0 luz uma menina, a qual chamou de Maria, em 1500.<\/p>\r\n<p align=\"center\">**********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>1509, PORTUGAL<\/strong><br \/>\u2003\u2003\u2014 Chegaram mais cartas de Castela, mensageiro? \u2014 perguntou Manuel I de Portugal.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nenhuma, Vossa Majestade \u2014 respondeu o mensageiro.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Querido \u2014 disse %Maria% de Arag\u00e3o \u2014, soube que a irm\u00e3 mais nova do novo rei fez nove anos hoje!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Dizem que ela \u00e9 filha do diabo ou de um bruxo \u2014 retorquiu Manuel. \u2014 A forma como ela nasceu cinco anos depois da rainha sangrar rios n\u00e3o \u00e9 normal.<\/p>\r\n<p align=\"center\">********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>INGLATERRA<\/strong><br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu anuncio a v\u00f3s \u2014 disse Henrique VIII \u2014 minha rainha e esposa, %Catarina% de Arag\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Viva a rainha! \u2014 gritou a multid\u00e3o.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*********<\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Nossa, hein?<\/em><br \/><em>Que que \u00e9 isso!<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Nossa (nossa)<\/em><br \/><em>(Assim voc\u00ea me mata)<\/em><br \/><em>Ai (se eu te pego)<\/em><br \/><em>(Ai, ai, se eu te pego)<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Vamo que vamo, turma!<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Del\u00edcia, (del\u00edcia)<\/em><br \/><em>(Assim voc\u00ea me mata)<\/em><br \/><em>(Ai, se eu te pego)<\/em><br \/><em>Ai, ai, se eu te pego, hein! (Vai!)<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Vamo comigo, turma!<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>S\u00e1bado na balada<\/em><br \/><em>A galera come\u00e7ou a dan\u00e7ar<\/em><br \/><em>E passou a menina mais linda<\/em><br \/><em>Tomei coragem e comecei a falar<\/em><\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Como \u00e9 que \u00e9, hein?<\/em><\/p>\r\n\u2003\u2003\u2014 Pai, tu ouves? \u2014 disse a princesa de Portugal. \u2014 L\u00e1 vem Jo\u00e3o tentar travessuras novamente.\r\n<p align=\"center\">******<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>1516, INGLATERRA<\/strong><br \/>\u2003\u2003\u2014 For\u00e7a, rainha \u2014 disse a parteira para %Catarina% de Arag\u00e3o. \u2014 For\u00e7a. Est\u00e1 vindo. Est\u00e1 vindo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 uma menina! \u2014 disse %Catarina% segurando a beb\u00ea nos bra\u00e7os. \u2014 Seu nome ser\u00e1 Mary.<\/p>\r\n<p align=\"center\">*******<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 Verde. \u2014 Vermelhid\u00e3o fez uma rever\u00eancia. \u2014 Onde estava?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu estava vendo as pessoas. Elas sempre parecem diferentes.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Viu minha pupila? \u2014 perguntou Vermelhid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Qual, voc\u00ea tem tantas \u2014 disse Verde rindo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aquela&#8230; A alma mais pura que j\u00e1 vi.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aquelazinha&#8230; \u2014 Verde se inclinou.<\/p>\r\n<p align=\"center\">***********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003A jovem regava plantas. As plantas eram belas. O pal\u00e1cio era rico e a beleza do plantio da jovem tamb\u00e9m.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem sabe um dia eu encontro meu caminho&#8230; \u2014 murmurou para si mesma.<\/p>\r\n<p align=\"center\">******<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003\u2014 Ela \u00e9 diferente \u2014 disse Verde.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ela \u00e9 especial \u2014 murmurou Vermelhid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sim, parece mesmo \u2014 concordou Verde.<\/p>\r\n<p align=\"center\">***********<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003O sol da primavera repousava gentil sobre os canteiros do Jardim Real de Fontainebleau, tingindo de ouro as p\u00e9talas rec\u00e9m-desabrochadas. L\u00e1 estava Isabel de Valois, com as mangas de linho arrega\u00e7adas at\u00e9 o cotovelo, recolhendo folhas secas de lavanda. Seu rosto refletia calma e concentra\u00e7\u00e3o; em cada gesto, revelava a serenidade e o carinho que dedicava \u00e0s plantas. Para ela, aquelas fileiras de rosas, violetas e hortel\u00e3 eram muito mais do que meras ornamenta\u00e7\u00f5es: eram confidentes silenciosas, prontas a ouvir sonhos e suspiros de uma jovem prestes a descobrir que a vida raramente se inclina aos pr\u00f3prios planos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Isabel! \u2014 chamou, ao longe, uma voz firme, por\u00e9m afetuosa. Henrique, rei da Fran\u00e7a e seu pai, aproximou-se com as m\u00e3os cruzadas atr\u00e1s da larga capa real. N\u00e3o era incomum ele encontr\u00e1-la ali, mas a express\u00e3o grave que ostentava naquela manh\u00e3 exigia aten\u00e7\u00e3o imediata.<br \/>\u2003\u2003Ela dispensou a paz do pequeno sussurro das flores por seus olhos verdes. Ergueu o queixo, limpou as m\u00e3os num avental de linho branco e curvou-se numa rever\u00eancia suave.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pai querido, o que vos traz t\u00e3o cedo aos meus dom\u00ednios? \u2014 perguntou, tentando mascarar o tremor leve na voz.<br \/>\u2003\u2003O rei silenciou por um breve instante, admirando o cuidado dela com as plantas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Minha filha, o tempo urge e as alian\u00e7as n\u00e3o podem aguardar. \u2014 Ele suspirou, olhando-a com a mistura de orgulho e pesar de quem confia um fardo maior que a pr\u00f3pria adolesc\u00eancia. \u2014 Tens dezesseis anos completos, e o reino da Fran\u00e7a precisa consolidar la\u00e7os duradouros com Castela. Por isso, deveis tornar-vos esposa de seu pr\u00edncipe, Felipe.<br \/>\u2003\u2003O mundo de Isabel pareceu ganhar contornos distintos. As flores ao redor, antes companheiras silenciosas, tornaram-se testemunhas de um an\u00fancio t\u00e3o inesperado quanto vital.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Casar-me com o pr\u00edncipe de Castela? \u2014 murmurou, sentindo o cora\u00e7\u00e3o disparar. \u2014 Mas, pai\u2026 eu mal o conhe\u00e7o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ele chega amanh\u00e3 \u00e0 corte. Tua m\u00e3e e eu esperamos que, ao encontr\u00e1-lo, possas perceber em Felipe n\u00e3o apenas o herdeiro de Castela, mas um jovem com quem partilhar\u00e1s sonhos e esperan\u00e7as. \u2014 Henrique suspirou novamente. \u2014 Sei bem que n\u00e3o pediste essa jornada, Isabel. Contudo, como princesa da Fran\u00e7a, dever\u00e1s cumprir com o destino de garantir paz e prosperidade entre nossos reinos.<br \/>\u2003\u2003Isabel ergueu a cabe\u00e7a, respirou fundo e caminhou at\u00e9 uma roseira. Passou o indicador sobre uma p\u00e9tala macia.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Entendo, pai. Farei o poss\u00edvel para honrar nossa fam\u00edlia. Mas temo partir t\u00e3o longe\u2026 os jardins franceses ser\u00e3o apenas uma lembran\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<br \/>\u2003\u2003O rei pousou a m\u00e3o no ombro dela. Por um breve instante, foi apenas pai e filha, n\u00e3o monarca e princesa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sempre haver\u00e1 rosas esperando por ti, onde quer que estejas. E ser\u00e1s bem-vinda nos jardins de Castela, se assim o desejarem.<\/p>\r\n<p align=\"center\">***<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Na manh\u00e3 seguinte, o c\u00e9u despontou l\u00edmpido, como se espantasse qualquer pren\u00fancio de nuvens. No p\u00e1tio principal do pal\u00e1cio, tendas pavilhonadas ondulavam ao vento para acolher convidados de alto escal\u00e3o. Isabel, vestida com um vestido cor de marfim e detalhes em azul-celeste \u2014 as cores de sua casa \u2014, aguardava atr\u00e1s de um arco coberto de glic\u00ednias. Seu cora\u00e7\u00e3o palpitava com a cada passo de Felipe II, que se aproximava em trajes castanhos e dourados, acompanhado de guardas e criados.<br \/>\u2003\u2003Quando o pr\u00edncipe ergueu os olhos, encontrou-os nos de Isabel. Havia neles curiosidade e um leve nervosismo que combinava com o seu pr\u00f3prio. Em seguida, sorriu, inclinou o corpo em rever\u00eancia e estendeu a m\u00e3o branca e refinada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Princesa Isabel de Valois, \u00e9 uma honra conhec\u00ea-la \u2014 disse com voz suave, por\u00e9m confiante. \u2014 Espero que esta alian\u00e7a n\u00e3o seja apenas pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m o in\u00edcio de uma sincera amizade.<br \/>\u2003\u2003Isabel aceitou a sauda\u00e7\u00e3o, sentindo o calor discreto da palma dele. Surpreendeu-se com a firmeza do aperto, t\u00e3o distinto de muitos nobres que conhecera.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pr\u00edncipe Felipe, o prazer \u00e9 meu. \u2014 Ao pronunciar as palavras, ela se lembrou dos conselhos de sua m\u00e3e: \u201cSeja gentil e verdadeira. Mostre ao pr\u00edncipe quem \u00e9s, pois \u00e9 com a honestidade que se constr\u00f3i a confian\u00e7a\u201d. \u2014 Bem-vindo \u00e0 Fran\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003A comitiva castelhana acomodou-se pr\u00f3xima ao trono improvisado. Henrique, satisfeito pela cortesia m\u00fatua, tomou a palavra em tom solene:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Hoje selaremos, em nome de nossos reinos, a uni\u00e3o de Isabel de Valois e Felipe II de Castela. Que a alian\u00e7a flores\u00e7a t\u00e3o exuberantemente quanto o jardim que vossa filha tanto ama.<br \/>\u2003\u2003A cerim\u00f4nia, ainda que simples, reverberou pelo p\u00e1tio em aplausos contidos. Ap\u00f3s as formalidades, serviram-se canap\u00e9s de queijo e figos, refrescos de hortel\u00e3 e ceramista fina. Sob o peso dos olhares curiosos e dos coment\u00e1rios dos embaixadores, Isabel e Felipe retiraram-se para um pequeno bosque reservado nos fundos do jardim.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Gosto deste lugar secreto \u2014 observou Felipe, inclinando-se para franzir a testa diante de um carvalho retorcido. \u2014 Parece guardado s\u00f3 para n\u00f3s.<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 aqui que venho ler quando preciso pensar longe dos festejos \u2014 confidenciou Isabel. \u2014 As \u00e1rvores parecem guardar segredos de outros tempos. H\u00e1 um sil\u00eancio acolhedor que acalma o esp\u00edrito.<br \/>\u2003\u2003Felipe contou, com surpresa, que tamb\u00e9m encontrara, em Seg\u00f3via, um recanto parecido, onde lia poemas castelhanos. Logo come\u00e7aram a trocar versos de Racine e de Garcilaso de la Vega, experimentando as nuances de cada l\u00edngua. A conversa fluiu com naturalidade: sonhos de juventude, receios sobre as obriga\u00e7\u00f5es futuras, lembran\u00e7as de festas de primavera e at\u00e9 as pequenas confid\u00eancias sobre o gosto pela m\u00fasica \u2014 ela tocava ala\u00fade, ele cantava nos corredores do pal\u00e1cio.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Dizem que a realeza exige sangue frio \u2014 brincou Felipe, pousando os olhos verdes nos dela. \u2014 Mas eu prefiro acreditar que um cora\u00e7\u00e3o aberto faz um governante melhor.<br \/>\u2003\u2003Isabel sorriu, surpreendida pela sinceridade at\u00edpica de um herdeiro t\u00e3o jovem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem sabe, unidos, faremos dos nossos reinos n\u00e3o apenas aliados, mas irm\u00e3os? \u2014 prop\u00f4s ela, estendendo a m\u00e3o para ele, como se oferecesse um acordo al\u00e9m dos tratados.<br \/>\u2003\u2003Felipe apertou os dedos dela com ternura.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Fechado. Que nossas cortes vejam um casamento de paz. E que, entre n\u00f3s, flores\u00e7a uma amizade que nem o tempo apagar\u00e1.<br \/>\u2003\u2003No exato momento em que suas m\u00e3os se separaram, uma brisa percorreu o bosque, espalhando p\u00e9talas de madressilva pelo ar \u2014 como um selo perfumado daquele pacto juvenil. Isabel apanhou uma delas e ajeitou-a no cabelo loiro, imaginando-se, em breve, esposa de Castela, mas \u2014 ousava crer \u2014 tamb\u00e9m companheira e amiga de um pr\u00edncipe que compartilhava esperan\u00e7as e sonhos semelhantes.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2003\u20031979, BRASIL *********** *********** \u2003\u20031486, INGLATERRA ******* \u2003\u2003NOVEMBRO DE 1495, INGLATERRA ******* \u2003\u200318 DE MAR\u00c7O DE 1500 ********** \u2003\u20031509, PORTUGAL ******** \u2003\u2003INGLATERRA ********* Nossa, hein?Que que \u00e9 isso! Nossa (nossa)(Assim voc\u00ea me mata)Ai (se eu te pego)(Ai, ai, se eu te pego) Vamo que vamo, turma! 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