{"id":6660,"date":"2025-07-04T21:22:00","date_gmt":"2025-07-05T00:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-26T21:24:47","modified_gmt":"2025-10-27T00:24:47","slug":"prologo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/o-brilho-eterno-de-um-coracao-quebrado\/prologo\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3logo"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003A noite de 02 de agosto de 1932 estava fria e escura como o pequeno e fr\u00e1gil cora\u00e7\u00e3o de Marissa.<br \/>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Sentada na ponta da<\/span> cama, tentava n\u00e3o olhar para frente, na dire\u00e7\u00e3o de seu marido. Noites atr\u00e1s, enquanto preparava-lhe um delicioso jantar, Albert se castigava por ter feito o que prometera jamais fazer ao desposar-lhe. Marissa percebeu o quanto o marido estava distante e pensou que talvez um jantar pudesse faz\u00ea-los esquecer da pior briga que j\u00e1 tiveram em anos. Albert, ao ver o esfor\u00e7o de sua mulher, sabia que deveria lhe contar tudo o que fez, o quanto era culpado e o quanto estava arrependido. Decidiu que contaria ap\u00f3s o jantar, mas ver Marissa cuidando de seu rec\u00e9m-nascido beb\u00ea, fruto do amor que cultivavam h\u00e1 anos, fazia seu cora\u00e7\u00e3o doer ainda mais por saber que isso a machucaria. Mas sua inexpressividade mostrou \u00e0 Marissa que ele n\u00e3o estava feliz.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Albie, est\u00e1 tudo bem? \u2014 Tocou-lhe o rosto. \u2014 Nosso beb\u00ea est\u00e1 aqui! N\u00e3o consegue ficar feliz por isso? \u2014 O colar de Albert mudara de cor. Num instante, estava negro. Recheado de culpa e medo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Precisamos conversar, Marissa. \u2014 Segurou as m\u00e3os da esposa e, com l\u00e1grimas nos olhos enquanto olhava o pequeno, lhe disse: \u2014 Eu me deitei com outra mulher.<br \/>\u2003\u2003A revela\u00e7\u00e3o de Albert trouxe grande m\u00e1goa e sofrimento para a mulher. Ela n\u00e3o o olhava, nem lhe falava h\u00e1 dias. Nem a mesma cama eles dividiam mais. Sentia nojo e repulsa do pai de seu pequenino beb\u00ea. Tudo o que sonhara para um futuro ao lado do pequeno e seu amado se desfez pouco a pouco com os dias. N\u00e3o conseguiu coloc\u00e1-lo para fora, mas sabia que perdo\u00e1-lo n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o. Decidiu ent\u00e3o \u2014 ap\u00f3s a vig\u00e9sima tentativa de um perd\u00e3o \u2014 sair do quarto, seria melhor para os dois.<br \/>\u2003\u2003Mas&#8230; E se ele viesse atr\u00e1s dela? N\u00e3o conseguiria neg\u00e1-lo e n\u00e3o queria ter que olhar para ele. N\u00e3o agora, n\u00e3o depois de ouvir a p\u00e9ssima explica\u00e7\u00e3o do homem que amava. Trancou o quarto com Albert a gritar por ela, esbravejar e pedir, incont\u00e1veis vezes, perd\u00e3o. Bateu, socou e chutou a porta muitas vezes, at\u00e9 perceber que n\u00e3o conseguiria desse jeito. Ent\u00e3o, sem pensar duas vezes, arrombou a porta. Marissa reclamaria, mas ele logo colocaria outra ao amanhecer. Duas tentativas, r\u00e1pidas e precisas, e logo Albert conseguiu derrub\u00e1-la. Escorada no corrim\u00e3o, ao alto da escada, Marissa sobressaltou-se e, pelo susto e desequil\u00edbrio, rolou escada abaixo, parando ao fim dela, desacordada e ensanguentada. Albert viu seu mundo paralisar e sua vida ao lado de Marissa passar como filme a seus olhos. Correu at\u00e9 seu corpo, pequeno e fr\u00e1gil, segurando suas m\u00e3os, constatando que toda a vida dela esvaiu pelo sangue que insistia em fugir de seu corpo e ao ver seu pequeno cora\u00e7\u00e3o, quebrado, espatifado e sem cor, sentiu profunda dor.<br \/>\u2003\u2003Percebeu, ao ver sua esposa morta ao fim dos degraus, que a amava com todo o cora\u00e7\u00e3o e que tra\u00ed-la foi o pior erro cometido em toda a sua vida. Desejava ele que nada tivesse acontecido e que sua mulher pudesse voltar, mesmo que ele tivesse que ser levado em seu lugar. Pensando nisso, Albert pegou seu cora\u00e7\u00e3o e entregou \u00e0 sua amada, na esperan\u00e7a de que ela voltasse. O que, por dois segundos, parecia ser a melhor ideia de sua vida, Albert viu-se acabado. Sua esposa n\u00e3o abriu os olhos novamente e Albert viu seu cora\u00e7\u00e3o partir-se ao meio e perder a cor. Poucos segundos depois, perdeu suas for\u00e7as e tamb\u00e9m se foi.<br \/>\u2003\u2003Somente o perd\u00e3o \u00e9 capaz de reconstruir. Marissa se foi antes de perdoar o erro de Albert, que sentiu a mais profunda dor em seu cora\u00e7\u00e3o agora negro. Negro de medo, de arrependimento, de culpa. Sabia que a morte de sua esposa era culpa exclusivamente sua e que nada no mundo seria capaz de faz\u00ea-lo morrer tanto quanto isso.<br \/>\u2003\u2003<em>O amor \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla. Voc\u00ea ama e ser\u00e1 amado de volta. Mas se voc\u00ea trai e escurece o cora\u00e7\u00e3o dessa pessoa, o amor puro e genu\u00edno deixa de existir. Resta ali, naquele cora\u00e7\u00e3o, apenas um amor ressentido e luxurioso. E um cora\u00e7\u00e3o traidor jamais consegue doar-se a algu\u00e9m, pois ele \u00e9 ego\u00edsta, frio e mentiroso. Marissa morreu duas vezes. A trai\u00e7\u00e3o foi sua primeira morte, porque seu amor por Albert era toda a sua vida.<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2172],"class_list":["post-6660","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-o-brilho-eterno-de-um-coracao-quebrado"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/6660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=6660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}