{"id":6530,"date":"2025-09-08T10:17:00","date_gmt":"2025-09-08T13:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-26T10:22:36","modified_gmt":"2025-10-26T13:22:36","slug":"capitulo-1","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/a-vida-de-agnes-de-breitaigne-livro-1\/capitulo-1\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 1"},"content":{"rendered":"\r\n<p>\u2003\u2003<span class=\"versalete\">Ana era a \u00fanica<\/span> filha de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Francisco_II,_Duque_da_Bretanha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Francisco<\/a> e Margarida que sobreviveu \u00e0 inf\u00e2ncia (sua irm\u00e3, Isabel, morreu em 1490, com 12 anos). Tradicionalmente, ela foi criada como a herdeira do ducado. Foi educada pelo poeta Jean Meschinot. Antes da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Guerra_da_Sucess%C3%A3o_Bret%C3%A3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guerra da Sucess\u00e3o Bret\u00e3<\/a>, a Bretanha operava de acordo com uma semi <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lei_s%C3%A1lica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei s\u00e1lica<\/a>, no caso, uma mulher poderia herdar o trono apenas se a linhagem masculina tivesse se extinguido. Por\u00e9m, a guerra terminou com o Tratado de Gu\u00e9rande, que declarava que na aus\u00eancia de um herdeiro da Casa de Montfort, os herdeiros de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Joana,_Duquesa_da_Bretanha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Joana, Duquesa de Bretanha<\/a> os sucederiam. Quando Ana nasceu, seu pai era o \u00fanico homem restante dos Montfort. Durante o s\u00e9culo, o acordo foi violado e reinterpretado m\u00faltiplas vezes. Por isso, para garantir a sucess\u00e3o da filha, o duque a teve oficialmente reconhecida como a herdeira em 1486.\u00a0<br \/>\u2003\u2003A manh\u00e3 na Bretanha come\u00e7ava devagar, como se o sol hesitasse em estender seus raios dourados sobre a pequena vila de Saint-Malo. O aroma do mar misturava-se ao cheiro de terra molhada ap\u00f3s a chuva da noite anterior, enquanto as ondas quebravam suavemente nas rochas. Era nesta cena id\u00edlica que %Agnes% de Bretaigne, com apenas dez anos, caminhava descal\u00e7a pela praia, sentindo a areia fria entre os dedos dos p\u00e9s.<br \/>\u2003\u2003%Agnes% era conhecida por seu sorriso iluminado, mas, desde a morte de seu pai, uma nuvem de tristeza pairava sobre seus olhos negros. Ela se esfor\u00e7ava para manter a apar\u00eancia de alegria, principalmente na presen\u00e7a da m\u00e3e, Madame Maria, mas dentro de seu cora\u00e7\u00e3o havia uma tempestade. A vida, que antes parecia um conto de fadas, agora era repleta de incertezas e luto.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Agnes%, minha querida! \u2014 chamou Madame Maria, sua voz suave ecoando na brisa. \u2014 Venha, o caf\u00e9 da manh\u00e3 est\u00e1 pronto.<br \/>\u2003\u2003%Agnes% respirou fundo, levando consigo a frescura do mar, antes de voltar para casa. A casa de pedra, que antes ressoava com risos e hist\u00f3rias contadas \u00e0 luz do fogo, agora parecia vazia. Cada canto guardava ecos de mem\u00f3rias do conde Henri, seu pai, que partira de forma abrupta, deixando para tr\u00e1s apenas um buraco imenso em suas vidas.<br \/>\u2003\u2003No pequeno refeit\u00f3rio, o cheiro do p\u00e3o quente se misturava ao aroma do caf\u00e9. %Agnes% se sentou \u00e0 mesa, onde sua m\u00e3e j\u00e1 a aguardava com uma express\u00e3o preocupada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o comeu nada, %Agnes% \u2014 disse Maria, enquanto cortava um peda\u00e7o de p\u00e3o. \u2014 \u00c9 importante que voc\u00ea se alimente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estou bem, mam\u00e3e. \u2014 %Agnes% for\u00e7ou um sorriso, mas sua voz soava distante. \u2014 S\u00f3 n\u00e3o estou com muita fome.<br \/>\u2003\u2003Maria a observou atentamente, percebendo que a crian\u00e7a n\u00e3o estava bem. Com um olhar que carregava a dor de perder um amor, chegou mais perto e segurou a m\u00e3o da filha.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sei que est\u00e1 dif\u00edcil, minha linda. O luto \u00e9 uma sombra que nos acompanha, mas precisamos encontrar a luz novamente. Voc\u00ea sabe que seu pai gostaria que f\u00f4ssemos felizes.<br \/>\u2003\u2003%Agnes% assentiu, embora a dor ainda fosse intensa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sinto tanto a falta dele \u2014 a menina murmurou, baixando os olhos. \u2014 Ele sempre me dizia que eu era a sua estrela.<br \/>\u2003\u2003\u2014 E voc\u00ea sempre ser\u00e1, querida \u2014 Maria respondeu, envolvendo %Agnes% em um abra\u00e7o apertado, como se o calor de seu corpo pudesse livrar a menina do frio da solid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Ap\u00f3s o caf\u00e9 da manh\u00e3, %Agnes% decidiu caminhar pelas ruas pr\u00f3xima, um lugar onde costumava se perder em suas fantasias. As \u00e1rvores altas formavam um canopy natural que filtrava a luz do sol, criando um palco m\u00e1gico ao seu redor. Chegando a uma clareira, encontrou seu lugar favorito, uma pedra coberta de musgo onde costumava se sentar e sonhar acordada.<br \/>\u2003\u2003Mas naquele dia, um novo som quebrou o sil\u00eancio. O som de risadas, sons que n\u00e3o eram familiares a ela. Curiosa, %Agnes% se aproximou cautelosamente e, para sua surpresa, encontrou um grupo de crian\u00e7as brincando. Entre elas estava um menino de cabelos castanhos claros, que parecia ao mesmo tempo travesso e gentil.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea deve ser a %Agnes%! \u2014 disse ele, sorrindo. \u2014 Eu sou Eduardo, conde de Aquit\u00e2nia. Estava ouvindo algumas hist\u00f3rias sobre voc\u00ea.<br \/>\u2003\u2003%Agnes% ficou perplexa. Um conde? Naquela vila pacata, onde os nobres pareciam t\u00e3o distantes de sua realidade? Ela hesitou antes de responder.<br \/>\u2003\u2003\u2014 E\u2026 o que voc\u00ea ouviu? \u2014 indagou, tentando esconder a timidez.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Que voc\u00ea \u00e9 a menina mais corajosa da Bretanha! \u2014 ele exclamou, com um brilho travesso nos olhos. \u2014 Que pode conversar com os p\u00e1ssaros e as \u00e1rvores. O que \u00e9 verdade?<br \/>\u2003\u2003Ela sorriu, um pouco mais \u00e0 vontade, encantada com a ideia.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu&#8230; bem, eu gosto de imaginar que posso.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea pode! \u2014 Eduardo disse, como se tivesse certeza. \u2014 Eu sempre digo que as hist\u00f3rias t\u00eam mais poder quando acreditamos. Quer brincar comigo e os outros?<br \/>\u2003\u2003%Agnes% hesitou, um misto de excita\u00e7\u00e3o e temor a envolvia. Faria sentido se aproximar de outras crian\u00e7as ap\u00f3s tanto tempo? Mas algo no olhar de Eduardo a encorajou. Era a sua oportunidade de formar uma nova amizade, de descobrir a vida al\u00e9m da dor.<br \/>\u2003\u2003\u2014 T\u00e1 bom! \u2014 respondeu finalmente, dando um passo \u00e0 frente. \u2014 O que vamos fazer?<br \/>\u2003\u2003Eduardo gritou de alegria, e logo %Agnes% se viu envolvida em brincadeiras, risadas e corridas pela floresta. Aquelas horas pareciam m\u00e1gicas, e por um momento, ela se esqueceu da dor da perda. Naquela nova amizade, %Agnes% encontrou um pequeno ref\u00fagio, um espa\u00e7o seguro onde poderia ser simplesmente uma crian\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003Ao final do dia, quando o sol come\u00e7ava a se p\u00f4r, Eduardo e as crian\u00e7as se despediram.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Amanh\u00e3, %Agnes%! Podemos explorar a caverna \u00e0 beira-mar! \u2014 Eduardo exclamou, piscando um olho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sim, amanh\u00e3! \u2014 respondeu ela, sua voz mais confiante.<br \/>\u2003\u2003Enquanto caminhava de volta para casa, %Agnes% sentiu-se leve, como se uma parte do peso em seu cora\u00e7\u00e3o tivesse sido aliviada. Encostou-se \u00e0 porta de casa e observou o c\u00e9u colorido do entardecer. O luto ainda estava presente, mas agora havia uma luz que come\u00e7ava a brotar em meio \u00e0 escurid\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Dentro de casa, sua m\u00e3e a aguardava.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como foi o seu dia, minha filha? \u2014 Maria perguntou, a ansiedade em sua voz.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Foi bom, mam\u00e3e \u2014 %Agnes% respondeu, seu sorriso genu\u00edno agora mais brilhante. \u2014 Eu conheci um novo amigo.<br \/>\u2003\u2003Maria olhou, um brilho de esperan\u00e7a em seus olhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Isso \u00e9 maravilhoso, %Agnes%. Os amigos s\u00e3o importantes nesta vida.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ele \u00e9 um conde! \u2014 %Agnes% exclamou, sua excita\u00e7\u00e3o transbordando. \u2014 Eduardo \u00e9 divertido e tem hist\u00f3rias incr\u00edveis!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o parece que voc\u00ea fez um \u00f3timo come\u00e7o \u2014 disse Maria com um sorriso maternal.<br \/>\u2003\u2003%Agnes% subiu as escadas para seu quarto, seu cora\u00e7\u00e3o leve. O luto ainda a acompanhava, mas agora havia tamb\u00e9m um fio de esperan\u00e7a entrela\u00e7ado com a nova amizade que come\u00e7ava a florescer. Naquele momento, ela percebeu que a vida, apesar de seus desafios, sempre oferecia novas oportunidades, novos come\u00e7os. E assim, com um novo significado come\u00e7ando a se formar em sua vida, %Agnes% de Bretaigne dormiu, sonhando com novas aventuras ao lado de um amigo inesperado.<\/p>\r\n<p align=\"center\">********<\/p>\r\n\u2003\u2003%Agnes% acordou cedo no dia seguinte. A m\u00e3e estava preparando o caf\u00e9 da manh\u00e3. Aquele ano foi uma reflex\u00e3o de onde amizades poderiam ir e vir. Eduardo e ela se tornaram bons amigos, dividindo tudo um com o outro. At\u00e9 que um dia, Eduardo sumiu sem dar nenhuma explica\u00e7\u00e3o, iniciando um conflito que iniciaria muitas coisas&#8230;\r\n<p>\u2003\u2003<strong>NATAL DE 1487<\/strong><br \/>\u2003\u2003Aquele era o ano que Lizzie de York havia dado \u00e0 luz Arthur, tamb\u00e9m era o mesmo ano em %Agnes% de Bretaigne estava completando seus dez anos. Ela n\u00e3o estava animada, pois estar sem o pai estava sendo dif\u00edcil. Mas ali estava ela, tentando. Depois que Eduardo e ela pararam de se falar, e ela se culpou por isso, ela decidiu que tentaria deixar o pai onde quer que ele estivesse orgulhoso dela. E \u00e9 assim, que come\u00e7amos nossa hist\u00f3ria&#8230;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>******** \u2003\u2003NATAL DE 1487<\/p>\n","protected":false},"author":80,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2155],"class_list":["post-6530","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-a-vida-de-agnes-de-breitaigne-livro-1"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/6530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/80"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6530"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=6530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}