{"id":6460,"date":"2014-01-27T19:55:00","date_gmt":"2014-01-27T22:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-25T19:56:49","modified_gmt":"2025-10-25T22:56:49","slug":"capitulo-3","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/youth\/capitulo-3\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 3"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"capitular1\">N<\/span>a quinta-feira, quando fui informado que Luna estava em processo de parto no hospital, tive imediatamente de parar a reuni\u00e3o com os japoneses e eles rapidamente concordaram ao saberem que a raz\u00e3o era o nascimento do meu filho. Ao contr\u00e1rio de qualquer pessoa normal enquanto est\u00e1 no meio de uma negocia\u00e7\u00e3o, eles se curvaram me parabenizando e n\u00e3o pude fazer nada sen\u00e3o dar um sorriso de agradecimento de volta. Revirei os olhos assim que sa\u00ed da sala e mandei a secret\u00e1ria marcar outro hor\u00e1rio com eles.<br \/>\u2003\u2003No hospital, tive de passar por um momento terr\u00edvel de espera, onde outros pais e familiares estavam sentados conversando sobre o nome da crian\u00e7a, ou o quarto do beb\u00ea. Me limitei a olhar no rel\u00f3gio e enviar mensagens de textos para todos que eu lembrava que tinha compromisso. Isso era servi\u00e7o das minhas secret\u00e1rias, mas uma vez que eu n\u00e3o podia sair daquela sala por causa da imprensa, e n\u00e3o podia fazer muito barulho por estar em um ambiente que necessitava sil\u00eancio, era a \u00fanica escolha que eu tinha para me distrair.<br \/>\u2003\u2003Duas horas haviam se passado e eu ainda estava sentado naquela poltrona dura. Perguntei pela nona vez a uma enfermeira que passava se iria demorar muito mais, mas, novamente, ela n\u00e3o soube me responder. Disse que o processo de parto \u00e9 demorado e que eu tivesse paci\u00eancia que tudo daria certo. Eu n\u00e3o queria saber se daria certo, seria at\u00e9 melhor que n\u00e3o desse; mas eu queria ir embora. Respirei fundo e perguntei onde havia uma cafeteria e ela apontou para uma m\u00e1quina onde uma mulher analisava o menu, provavelmente escolhendo alguma bebida. Ouvi a enfermeira se retirar ao ouvir uma chamada. Me levantei, marcando em minha mem\u00f3ria de reclamar \u00e0 administra\u00e7\u00e3o sobre essa falta de considera\u00e7\u00e3o com os propriet\u00e1rios de parte dos quartos do hospital, e segui at\u00e9 a tal m\u00e1quina, onde a mulher continuava pensativa.<br \/>\u2003\u2003- A senhora vai&#8230; &#8211; come\u00e7o a dizer e aponto para a m\u00e1quina, ela vira seu rosto para mim em uma express\u00e3o surpresa e ri sem gra\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003- Ainda estou decidindo, fique \u00e0 vontade. &#8211; deu um passo para tr\u00e1s e sorri agradecido em retorno. Aulas de etiqueta enfim dando resultado. Madame Lou ficaria orgulhosa, se j\u00e1 n\u00e3o estivesse a sete palmos abaixo da terra.<br \/>\u2003\u2003Olhei para as op\u00e7\u00f5es da m\u00e1quina e eles realmente tinham alguns nomes esquisitos para os tipos de bebida. Me endireitei e voltei as m\u00e3os no bolso s\u00e9rio. Talvez um deles fosse meu caf\u00e9 di latte. Deveria ser um nome comum ou minhas secret\u00e1rias n\u00e3o teriam tanta dificuldade em encontrar para trazerem a mim todas as manh\u00e3s.<br \/>\u2003\u2003- S\u00e3o um pouco diferentes, n\u00e3o \u00e9? &#8211; ou\u00e7o a voz da mulher logo atr\u00e1s de mim. Desvio o olhar para ela, que encarava a m\u00e1quina com a mesma express\u00e3o que a minha. Balan\u00e7o a cabe\u00e7a:<br \/>\u2003\u2003- Um pouco. &#8211; concordo. &#8211; Existe algu\u00e9m que explique qual \u00e9 o caf\u00e9 tradicional? \u2013 olho para os lados. J\u00e1 que n\u00e3o havia o di latte, pelo menos o tradicional poderia ser facilmente explicado.<br \/>\u2003\u2003- Perguntei \u00e0 enfermeira, mas ela murmurou qualquer coisa e saiu. Acho que est\u00e3o ocupadas demais para dar uma informa\u00e7\u00e3o assim banal&#8230; &#8211; ela sorri sem gra\u00e7a. Encaro seus olhos e a vejo corar. &#8211; E-er&#8230; Eu vou&#8230; Ver se descubro. &#8211; e d\u00e1 dois passos para tr\u00e1s, se virando rapidamente e mexendo a cabe\u00e7a a procura de algu\u00e9m.<br \/>\u2003\u2003Levantei a sobrancelha e, como n\u00e3o tinha nada para fazer, me deixei observar a mulher que tentava perguntar para um grupo de adolescentes que estava com um senhor &#8211; provavelmente pai de uma das crian\u00e7as que estava nascendo -, qual a diferen\u00e7a dos caf\u00e9s da m\u00e1quina. Os jovens pareciam ter em torno dos dezesseis anos e falavam em voz alta sobre um ter mais leite, outro ser descafeinado, outro para diab\u00e9ticos, etc. Por mais arrogante que aqueles adolescentes fossem, em momento algum a mulher pareceu se aborrecer com seus comportamentos. Vi-a agradecer ainda com um sorriso e voltar at\u00e9 a m\u00e1quina, onde eu estava parado com as m\u00e3os no bolso. Ao ver que eu aguardava uma resposta, limpou a garganta:<br \/>\u2003\u2003- Esta \u00e9 a cl\u00e1ssica. &#8211; apontou para o quinto bot\u00e3o. Balan\u00e7o a cabe\u00e7a e pego minha carteira \u00e0 procura de alguma moeda, mas nada acho. Solto o ar impaciente e ela sorri mais uma vez sem gra\u00e7a:<br \/>\u2003\u2003- Pode deixar. &#8211; diz, tirando uma moedeira de tecido em formato redondo e retirou de l\u00e1 algumas moedas, colocando-as no compartimento da m\u00e1quina. Tr\u00eas minutos depois, n\u00f3s dois est\u00e1vamos com o caf\u00e9 quente em m\u00e3os.<br \/>\u2003\u2003- Obrigado. &#8211; levanto o copo de isopor e ela balan\u00e7a a cabe\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003- N\u00e3o h\u00e1 de qu\u00ea.<br \/>\u2003\u2003Voltamos a nos calar e, por n\u00e3o estar afim de voltar a me sentar, n\u00e3o me movi de meu lugar.<br \/>\u2003\u2003- Menino ou menina? &#8211; ou\u00e7o a mesma voz de h\u00e1 pouco. Olho para o lado e a mulher me olhava.<br \/>\u2003\u2003- Como?<br \/>\u2003\u2003- O beb\u00ea. \u00c9 menino ou menina? &#8211; ela aponta para a porta por onde os enfermeiros ou enfermeiras sa\u00edam para dar a not\u00edcia do nascimento do filho de diversos pais que estavam ali, informando peso e sexo, al\u00e9m do estado de sa\u00fade da mulher.<br \/>\u2003\u2003- N\u00e3o sei. &#8211; respondo friamente, a fazendo balan\u00e7ar a cabe\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003- Ser uma surpresa deve ser muito mais emocionante&#8230; &#8211; ela comenta, concordando com a cabe\u00e7a. Vi-a abrir um pequeno sorriso e encarar as fam\u00edlias que chegavam para acompanhar a comemora\u00e7\u00e3o dos pais no nascimento de seus filhos. &#8211; \u00c9 uma boa escolha&#8230;<br \/>\u2003\u2003Nada falei. Manter um di\u00e1logo com uma estranha, por mais que ela tenha pago meu caf\u00e9, n\u00e3o era o que eu queria no momento, portanto, me mantive calado at\u00e9 ouvi-la falar novamente.<br \/>\u2003\u2003- \u00c9 admir\u00e1vel, seu comportamento.<br \/>\u2003\u2003Olho de esguelha para ela e a vejo sorrindo enquanto observava as pessoas naquele espa\u00e7o. Ao perceber que eu n\u00e3o falaria nada, continuou:<br \/>\u2003\u2003- A maioria dos pais aqui est\u00e3o nervosos ou fora de controle por causa da tens\u00e3o. Alguns est\u00e3o no terceiro filho e mesmo assim n\u00e3o conseguem evitar o stress. O senhor \u00e9 o primeiro que vejo controlado.<br \/>\u2003\u2003Troco o peso de perna.<br \/>\u2003\u2003- Hoje obtive essa estranha informa\u00e7\u00e3o sobre os pais que s\u00e3o donos de quartos deste hospital. &#8211; ela insiste. Fecho os olhos impaciente e dou um longo suspiro tentando me manter s\u00e3o. &#8211; Eles n\u00e3o esperam nesta sala pelo nascimento dos filhos. S\u00e3o avisados quando as crian\u00e7as nascem, e ent\u00e3o aparecem por obriga\u00e7\u00e3o com a m\u00eddia. Eu me pergunto de onde eles tiram essa coragem&#8230; Quero dizer&#8230; \u00c9 um filho.<br \/>\u2003\u2003- Algumas pessoas possuem outras prioridades. &#8211; respondo obviamente me pondo do lado do que ela achava um absurdo.<br \/>\u2003\u2003- Pode ser&#8230; &#8211; disse ainda calma. &#8211; Mas se sabem que ser\u00e1 assim&#8230; Por que fazem? O que as crian\u00e7as t\u00eam a ver com as prioridades ego\u00edstas de seus pais? Ser educada por um estranho&#8230; Algu\u00e9m pago&#8230; &#8211; at\u00e9 ent\u00e3o meu olhar n\u00e3o pode evitar se virar para ela. Sua express\u00e3o era dolorosa, como se ela sentisse a dor de ser educada por uma bab\u00e1. &#8211; Quero dizer, sei que n\u00e3o h\u00e1 tempo o suficiente para essas pessoas importantes; mas uma educa\u00e7\u00e3o dada com amor n\u00e3o \u00e9 diferente de uma educa\u00e7\u00e3o comprada?<br \/>\u2003\u2003- O melhor lugar para ser educado \u00e9 a escola, at\u00e9 onde eu sei, as melhores s\u00e3o as pagas. &#8211; digo jogando o copo de isopor no lixo.<br \/>\u2003\u2003- N\u00e3o esse tipo de educa\u00e7\u00e3o&#8230; O do tipo, aprenda a amar e respeitar. N\u00e3o a ler e escrever.<br \/>\u2003\u2003Solto uma risada deboche, o que a fez virar seu rosto para mim.<br \/>\u2003\u2003- O qu\u00ea? Acha isso uma piada?<br \/>\u2003\u2003- Parece uma. &#8211; digo em tom de riso. &#8211; Para estas crian\u00e7as, elas ter\u00e3o as aulas de etiqueta, onde aprender\u00e3o a se portar. Ent\u00e3o ter\u00e3o as aulas de filosofia, que questiona os sentimentos e as raz\u00f5es. Crian\u00e7as nascidas em ber\u00e7os assim&#8230; N\u00e3o s\u00e3o azaradas.<br \/>\u2003\u2003- Pois eu acho que sim! Que mem\u00f3rias ter\u00e3o elas sobre seus passados?<br \/>\u2003\u2003- Para qu\u00ea viver do passado, quando h\u00e1 um futuro para se preocupar? &#8211; a retruco mais uma vez. A conversa, apesar de estar estampado na testa dela que a estava aborrecendo, a mim estava divertido. Olhava com um sorriso nos l\u00e1bios, e a vi soltar um muxoxo e balan\u00e7ar a cabe\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003- Senhor %Blanc%? &#8211; ou\u00e7o a voz de uma enfermeira, chamando a aten\u00e7\u00e3o da sala inteira. Sil\u00eancio. Algo que achava imposs\u00edvel ouvir naquele local onde eu estava, mas todos estavam ocupados demais em me olhar para poderem soltar algum tipo de ru\u00eddo. A \u00fanica pessoa que n\u00e3o tinha interesse em mim era a mulher com quem estava discutindo at\u00e9 h\u00e1 pouco. &#8211; Seu filho nasceu, tr\u00eas quilos e duzentos. A m\u00e3e&#8211;<br \/>\u2003\u2003- Obrigado. &#8211; corto a mulher, que sorri e volta de onde havia sa\u00eddo.<br \/>\u2003\u2003- O senhor&#8230; \u00c9 %Luke% %Blanc%? &#8211; um homem diz receoso se aproximando. O olho e confirmo. &#8211; Sou Gordon Streiss da Mart. Estamos tentando entrar em contato com o senhor h\u00e1 meses!<br \/>\u2003\u2003- Minha agenda anda bastante cheia. &#8211; respondo o que sempre respondo quando algu\u00e9m fala sobre tentar me contatar.<br \/>\u2003\u2003- Entendo, o senhor n\u00e3o teria um espa\u00e7o? Temos esse novo projeto que \u00e9 muito inovador&#8230;<br \/>\u2003\u2003- N\u00e3o \u00e9 por nada &#8211; a mo\u00e7a com quem discutia h\u00e1 pouco se intromete. -, mas o senhor aqui acabou de receber a not\u00edcia que seu filho nasceu. &#8211; olhamos os dois para ela. &#8211; Ele quer ver a crian\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003- Ah &#8211; o homem diz, olhando para o lado e ent\u00e3o de volta para mim sem gra\u00e7a -, claro, claro. Desculpe o inconveniente, senhor %Blanc%&#8230; &#8211; balan\u00e7o a cabe\u00e7a, mostrando que n\u00e3o havia me importado, mesmo tendo. &#8211; Parab\u00e9ns pelo beb\u00ea.<br \/>\u2003\u2003Abro um sorriso por educa\u00e7\u00e3o e caminho em dire\u00e7\u00e3o ao local por onde a enfermeira havia se retirado.<br \/>\u2003\u2003Antes de entrar, olho para tr\u00e1s e vejo todos ainda com suas aten\u00e7\u00f5es em mim, menos a mulher com quem havia discutido, que olhava atentamente para seu rel\u00f3gio. Logo que a porta se fechou atr\u00e1s de mim, pensei sobre a proposta de Sophia.<br \/>\u2003\u2003Talvez&#8230;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2151],"class_list":["post-6460","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-youth"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/6460","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=6460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}