{"id":6246,"date":"2025-01-05T11:30:00","date_gmt":"2025-01-05T14:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-24T11:36:10","modified_gmt":"2025-10-24T14:36:10","slug":"capitulo-20","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/vincere\/capitulo-20\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 20"},"content":{"rendered":"\r\n<p align=\"right\"><strong><em>%Pietra% Alonso Perroni<\/em><\/strong><\/p>\r\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003%Matteo% estava sendo irracional<\/span>, impulsivo e idiota, onde j\u00e1 se viu invadir a delegacia daquela forma e dar na cara que estava no limite por eu ter sido presa, a impulsividade dele ainda nos arrumaria uma merda grande. Depois de um caminho longo demais at\u00e9 em casa e uma discuss\u00e3o com %Matteo% de brinde, tomei um longo banho e deitei na minha cama com um pijama confort\u00e1vel, coloquei os fones e aproveitei o momento para pensar. Digerir tudo que tinha acontecido, principalmente ontem, aquilo n\u00e3o parecia nada com algo que eu j\u00e1 tivesse sentido antes. Minha cabe\u00e7a girou quando %Matteo% disse aquilo, o tempo pareceu passar devagar em frente aos meus olhos.<br \/>\u2003\u2003Foi estranho.<br \/>\u2003\u2003Uma sensa\u00e7\u00e3o de\u2026 abandono.<br \/>\u2003\u2003Meu cora\u00e7\u00e3o palpitou, parecia sentir o sangue correndo em cada veia do meu corpo, cada pulsar da press\u00e3o. Mordi o l\u00e1bio e abracei um travesseiro com for\u00e7a. Eu me sentia sozinha, aquele vazio come\u00e7ou a me alcan\u00e7ar de novo, eu precisava de uma bebida. Levantei e desci a escada com meu <em>headfone<\/em> tocando alto. Preparei uma dose dupla de whisky e subi para o meu quarto novamente. Agradecia por n\u00e3o ter cruzado com ningu\u00e9m no caminho.<br \/>\u2003\u2003Eu precisava me sentir anestesiada.<br \/>\u2003\u2003E foi assim que dormi.<br \/>\u2003\u2003Acordei com Giulia me sacudindo e eu fiquei completamente desorientada com ela berrando, dizendo para eu acordar que ela tinha que fazer uma reuni\u00e3o com todas n\u00f3s. Quando consegui finalmente focar no que estava acontecendo, entendi que precis\u00e1vamos ir at\u00e9 a sala de Giu com urg\u00eancia. Isso j\u00e1 me fez acordar disposta e sobressaltada, o que tinha acontecido agora?<br \/>\u2003\u2003Os Perroni n\u00e3o tinham um minuto de paz.<br \/>\u2003\u2003Nem vesti uma roupa, coloquei um robe e segui Giulia at\u00e9 sua sala, onde Luna e Beatrice j\u00e1 estavam, da mesma forma que eu, pijama, robe e uma cara de sono, para n\u00e3o falar do \u00f3dio em suas express\u00f5es por terem sido acordadas. Giu sentou na cadeira e come\u00e7ou a abrir arquivos e ent\u00e3o o rosto de um homem, que aparentava ter a mesma idade do nosso pai, apareceu na tela.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Esse \u00e9 o pai da Carolyn \u2014 come\u00e7ou Giulia e n\u00f3s ficamos tentando entender por que est\u00e1vamos olhando para uma foto do cara. \u2014 O nome verdadeiro dele \u00e9 Carlos Diaz\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 O qu\u00ea?! \u2014 todas n\u00f3s berramos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como voc\u00ea descobriu isso? \u2014 perguntou Luna.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quando ele foi pesquisado, anos atr\u00e1s, por quem fazia a seguran\u00e7a da <em>Vincere<\/em>, ningu\u00e9m checou a \u00e1rvore geneal\u00f3gica. \u2014 Ela digitou mais algumas coisas e apareceu uma mulher. \u2014 Essa \u00e9 a Camille, tia da Carolyn, ou, mais conhecida na Espanha como: Izabel Delantera, esposa do Consigliere dos Delantera, aquele que Filippo matou.<br \/>\u2003\u2003Nossas bocas ficaram entreabertas, eu n\u00e3o podia acreditar, como ele havia conseguido se infiltrar desse jeito nos nossos associados e, pior ainda, colocou o projeto de esposa dentro da nossa casa. Respirei fundo e tentei acalmar meus nervos, eu precisava pensar racionalmente como sempre, n\u00e3o era \u00e0 toa que eu achava que deveria ser uma das escolhidas para comandar a <em>Vincere<\/em>, meu psicol\u00f3gico inabal\u00e1vel, minha vontade de fazer a <em>Vincere<\/em> prosperar e, claro, minha forma de pensar. N\u00e3o pod\u00edamos simplesmente jogar essas informa\u00e7\u00f5es na cara de Carolyn, ela iria negar tudo.<br \/>\u2003\u2003Pensa, %Pietra%.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu preciso\u2026 \u2014 andei de um lado para o outro tentando me acalmar \u2014 respirar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Espera, %Pietra%\u2026 \u2014 pediu Beatrice e eu olhei para ela. \u2014 Precisamos decidir o que vamos fazer\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ela deve ser a infiltrada que est\u00e1 na <em>Vincere<\/em> \u2014 falei, preocupada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Mais um motivo para falarmos com %Matteo% ou at\u00e9 mesmo\u2026 com o papai \u2014 comentou Luna.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Me deem algumas horas, preciso pensar.<br \/>\u2003\u2003Sa\u00ed dali sem acreditar, estava tudo debaixo do nosso nariz esse tempo inteiro? Como meu pai foi t\u00e3o descuidado dessa forma? Confesso que eles foram astutos, mas n\u00e3o melhor que os Perroni, ningu\u00e9m nos engana e sai vivo para contar a hist\u00f3ria. Fui para o meu quarto e fiquei l\u00e1 at\u00e9 a hora de ir para a <em>Fascino<\/em>. Eu j\u00e1 estava com muita coisa na cabe\u00e7a para conseguir raciocinar e engolir aquela informa\u00e7\u00e3o t\u00e3o de repente, precisava de tempo, e acreditava que isso n\u00f3s t\u00ednhamos.<br \/>\u2003\u2003Entrei na <em>Fascino<\/em> precisando de tr\u00eas martinis, e acreditava que ainda seria pouco, encostei no balc\u00e3o onde coloquei minha bolsa e chaves, e pedi para Cristian o meu drink favorito.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aquela mulher est\u00e1 esperando voc\u00ea j\u00e1 tem algum tempo\u2026 \u2014 Ele apontou com o queixo e eu me virei, franzi o cenho e voltei a olhar meu barman.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem \u00e9?<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o disse o nome. \u2014 Ele colocou meu drink em minha frente, respirei fundo e peguei a ta\u00e7a antes de andar at\u00e9 a mesa que a mulher estava.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Boa tarde, posso ajud\u00e1-la? \u2014 Ela olhou para mim e fiquei um pouco surpresa ao ver seu rosto, ela parecia\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%\u2026 \u2014 Ela olhou para mim surpresa, como se visse algu\u00e9m que n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 muito tempo, seus olhos brilhavam e eu comecei a achar estranho. \u2014 Podemos conversar?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Podemos, mas gostaria de saber quem \u00e9 voc\u00ea. \u2014 Sentei na cadeira em frente a ela e cruzei as pernas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Meu nome \u00e9 Alessia\u2026 \u2014 Beberiquei meu martini enquanto esperava ela dizer o que fazia ali e o que queria comigo. \u2014 Eu sou\u2026 sua m\u00e3e.<br \/>\u2003\u2003Senti como se o mundo tivesse parado, um zumbido tomou conta da minha audi\u00e7\u00e3o e tudo desapareceu ao meu redor, s\u00f3 rest\u00e1vamos n\u00f3s duas, em um lugar completamente escuro e silencioso. Eu estava sonhando? N\u00e3o era poss\u00edvel que tudo pudesse acontecer em um dia s\u00f3. Acordei do meu choque com o barulho da minha ta\u00e7a se quebrando no ch\u00e3o. Movi meus olhos devagar para baixo, vendo os cacos de vidro espalhados. Finalmente consegui ouvir meus batimentos soando em meus t\u00edmpanos, minha respira\u00e7\u00e3o era lenta e eu seguia encarando os cacos de vidro, perdida em pensamentos.<br \/>\u2003\u2003Ainda lembro quando tinha apenas 6 anos, lembro, pois, Marta me contou essa hist\u00f3ria. Eu a chamei de m\u00e3e pois via quase todos os meus colegas da escola com as m\u00e3es e como era ela que cuidava da gente na maior parte do tempo, fazia sentido na minha cabe\u00e7a infantil. Com toda a delicadeza, Marta disse que ela n\u00e3o era minha m\u00e3e, que eu e as garotas t\u00ednhamos apenas o nosso pai, Otelo, ele era a nossa fam\u00edlia. Ent\u00e3o foi aos 10 que pensei pela primeira vez sobre a possibilidade de ter sido abandonada, lembro de ter pesadelos terr\u00edveis e acordar gritando, da\u00ed surgiu o meu problema de ins\u00f4nia.<br \/>\u2003\u2003Otelo n\u00e3o tinha muito tempo para cuidar de n\u00f3s, mas fazia o que podia, mas ser buscada na escola por seguran\u00e7as ao inv\u00e9s do nosso pai era frustrante. Quando cheguei aos 13, Otelo finalmente nos contou sobre as nossas m\u00e3es, ent\u00e3o foi a primeira vez que entendi que \u00e9ramos \u00f3rf\u00e3s, mesmo tendo um pai e uma casa sob nossas cabe\u00e7as, nossas m\u00e3es tinham escolhido que, por dinheiro, dariam suas filhas ao <em>Don<\/em> da m\u00e1fia. Era estranho pensar dessa forma, mas era a realidade.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Desculpe, eu n\u00e3o queria assustar voc\u00ea.<br \/>\u2003\u2003Levei meus olhos at\u00e9 a mulher ruiva de olhos azuis, foi como quebrar um espelho em mil peda\u00e7os e tentar juntar os cacos, furando os dedos, por\u00e9m querendo saber o que apareceria no reflexo quando ele estivesse inteiro novamente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea\u2026 \u2014 minha voz saiu um sopro, ent\u00e3o puxei o f\u00f4lego e continuei: \u2014 est\u00e1 mentindo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o estou, %Pietra%, me escute, eu sou sua m\u00e3e e da Beatrice.<br \/>\u2003\u2003Engoli o bolo de saliva que se formava em minha garganta, essa hist\u00f3ria estava muito errada. Ela n\u00e3o era bem por a\u00ed e sobre esse assunto eu sabia os detalhes, afinal, ficava remoendo em minha cabe\u00e7a h\u00e1 longos anos.<br \/>\u2003\u2003Eu ri, desacreditada e falei:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quer dinheiro, \u00e9 isso?<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o! \u2014 exaltou-se e suspirou, controlando seu comportamento, continuou: \u2014 Eu quero apenas\u2026 recuperar o tempo perdido, filha, eu me arrependo todos os dias de ter deixado voc\u00ea.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o me chame assim! Eu n\u00e3o sou nada sua\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Precisa acreditar em mim, %Pietra%. \u2014 Alessia estava quase implorando para ter um voto de confian\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003Eu n\u00e3o ia deixar aquele pesadelo voltar a minha mente, n\u00e3o agora, n\u00e3o quando tudo j\u00e1 estava bagun\u00e7ado demais para sequer pensar que essa poderia ser uma possibilidade.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Podia ao menos ter pegado uma fonte mais confi\u00e1vel. \u2014 Levantei e me inclinei para mais perto da mulher e falei: \u2014 Nosso pai comprou cada uma de n\u00f3s de uma puta sem cora\u00e7\u00e3o diferente. \u2014 Comecei a caminhar em dire\u00e7\u00e3o ao bar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aquele homem n\u00e3o \u00e9 seu pai!<br \/>\u2003\u2003Ouvi a confiss\u00e3o ao mesmo tempo que a cadeira arranhou o ch\u00e3o de madeira e travei onde estava, minha respira\u00e7\u00e3o parecia ter parado, engoli em seco e meu peito parecia pesado. Mordi o l\u00e1bio e l\u00e1grimas sa\u00edram dos meus olhos sem nenhum aviso. Minha vida inteira seria uma mentira se aquilo tudo fosse verdade, n\u00e3o podia ser. Otelo era o meu pai, a \u00fanica fam\u00edlia que eu tinha era ele e minhas irm\u00e3s, se isso fosse verdade, o que restaria?<br \/>\u2003\u2003N\u00e3o era, n\u00e3o podia ser.<br \/>\u2003\u2003Aquela mulher estava ali no intuito de me desestabilizar, talvez fosse mais um dos Delantera que descobriu um ponto fraco meu e estava usando isso para nos separar. S\u00f3 podia ser isso. Olhei para a frente e vi Cristian me encarando preocupado, respirei fundo e comecei a andar novamente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 O que eu posso fazer pra que acredite em mim?<br \/>\u2003\u2003Parei onde estava mais uma vez, limpei as l\u00e1grimas rapidamente e virei, encarando a mulher que j\u00e1 estava chorando, o desespero era n\u00edtido, mas eu n\u00e3o iria comprar aquele teatro. Fiz uma express\u00e3o altiva e encarei ela com raiva.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nada \u2014 falei, r\u00edspida. \u2014 Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer nada porque tudo que diz \u00e9 mentira e veio at\u00e9 aqui para me atormentar por dinheiro!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o quero o dinheiro sujo de Otelo!<br \/>\u2003\u2003Arregalei os olhos em surpresa e um certo p\u00e2nico. Como ela sabia? Ela realmente estava falando a verdade? N\u00e3o, n\u00e3o podia ser.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Se o que diz \u00e9 verdade, voc\u00ea j\u00e1 quis o dinheiro de Otelo uma vez, o que estaria te impedindo agora?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quero o amor da minha filha, algo muito mais importante que dinheiro.<br \/>\u2003\u2003Olhei para ela com um certo receio, aquela d\u00favida que eu sempre tive l\u00e1 no fundo da minha mente, pedindo para que eu descobrisse a verdade. Anos remoendo aquilo, anos sentindo que me faltava algo, que talvez ali n\u00e3o fosse o meu lugar. Depois de adulta, escolhi negar a mim mesma a vontade de acessar tal sentimento, eu estava no lugar certo, aquela era a minha fam\u00edlia, minha vida e eu sempre escolhi acreditar no meu pai.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Enrico, tire essa mulher daqui. \u2014 Virei as costas e peguei minha bolsa e chaves no balc\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%, por favor, me escute! \u2014 Ela gritava e se debatia enquanto meu seguran\u00e7a a levava para fora. \u2014 Eu vou provar! Eu vou provar!<br \/>\u2003\u2003Vi a tal da Alessia ser colocada para fora e eu ainda tentava respirar fundo para me controlar, fechei os olhos e soltei o ar devagar pelos l\u00e1bios, sentindo uma dor absurda no meu peito. Minha garganta parecia fechada e respirar se tornava dif\u00edcil cada vez que minha mente tentava encaixar as pe\u00e7as.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 bem, %Tita%? \u2014 Olhei para Cristian, totalmente ap\u00e1tica, e acenei com a cabe\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003Virei as costas e subi para o escrit\u00f3rio, assim que estava em meu territ\u00f3rio seguro, gritei a dor que sentia em meu peito com todo o ar dos meus pulm\u00f5es. Joguei tudo que estava em cima da mesa no ch\u00e3o e quebrei o cinzeiro de vidro na parede, parecia que a dor iria me rasgar o peito, e destruir algo iria me ajudar de alguma forma. Eu gritei mais forte, sentindo meu peito arder, encostei na mesa e meu choro foi silencioso a partir dali. Quando vi, estava no ch\u00e3o, abra\u00e7ada aos meus joelhos e olhando a bagun\u00e7a que eu tinha acabado de fazer. Abri a gaveta ao meu lado e puxei a garrafa de vodca, tirei a tampa e virei direto do gargalo.<br \/>\u2003\u2003Que dia infernal, j\u00e1 tinha come\u00e7ado ruim e foi piorando com o passar das horas, era uma merda atr\u00e1s da outra. Dei outro gole na garrafa. Apesar de escolher a hist\u00f3ria que acreditei a vida inteira, agora essa mulher tinha trazido uma d\u00favida que n\u00e3o me aterrorizava h\u00e1 anos. O rosto da tal Alessia vinha em minha mente e tudo que eu via era Beatrice, ela era muito parecida com a Bea.<br \/>\u2003\u2003C\u00e9us, e se ela estivesse falando a verdade?<br \/>\u2003\u2003N\u00e3o!<br \/>\u2003\u2003Outro gole.<br \/>\u2003\u2003Ser\u00e1 que essa era a pessoa que estava trabalhando junto com Carolyn? Como n\u00e3o obteve respostas, essa Alessia veio com esse plano para me desestabilizar? Filha da puta!<br \/>\u2003\u2003Outro gole.<br \/>\u2003\u2003Olhei para o lado e vi minha arma encaixada embaixo da mesa. Virei a garrafa mais uma vez e senti o amargo da vodka descer em minha garganta, fechei os olhos e senti um pouco da tontura do \u00e1lcool. Tinha bebido muito r\u00e1pido, mas n\u00e3o importava, iria arrancar tudo daquela vagabunda francesa. Enfiei a arma em minha cintura, peguei minha bolsa e sa\u00ed do escrit\u00f3rio com pressa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Tita%, a Beatrice est\u00e1 l\u00e1 na cozinha e disse\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Depois, Cristian. \u2014 Passei por ele rapidamente e sa\u00ed da boate, entrei no meu carro e dei a partida.<br \/>\u2003\u2003De tudo que passava em minha cabe\u00e7a, a pior delas era pensar que meu pai teria mentido para mim. N\u00e3o ficaria chateada se ele tivesse me criado como filha dele, mas esconder isso de mim seria demais. Aquela mulher s\u00f3 poderia ter ido at\u00e9 ali a mando de Carolyn, ou at\u00e9 mesmo do pai dela que nem sequer mandou mensagem para o celular dela desde que a prendemos.<br \/>\u2003\u2003Que bela bosta de pai.<br \/>\u2003\u2003Estacionei o carro de qualquer jeito na frente de casa devido ao alto teor alco\u00f3lico no meu sangue e entrei, eu s\u00f3 queria uma coisa, saber todos os planos daquela mulher, e eu iria, ah, como eu iria. Peguei a chave reserva do quarto de Beatrice que estava guardada em meu quarto, na gaveta da c\u00f4moda, abri a porta e entrei, caminhei at\u00e9 o closet e abri as portas duplas. Eu s\u00f3 notei que estava ofegante quando parei e olhei para o rosto de Carolyn, senti meu cora\u00e7\u00e3o martelar em meu peito e a raiva esquentar meu corpo. Dei alguns passos e arranquei a morda\u00e7a dela, mantive uma dist\u00e2ncia segura, n\u00e3o queria fazer nenhuma besteira.<br \/>\u2003\u2003\u2014 J\u00e1 descobrimos quem \u00e9 seu pai, Carolyn, agora voc\u00ea pode parar com o fingimento.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Do que est\u00e1 falando? \u2014 Ela tentou se fazer de desentendida.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Corta o papel da mocinha que nesse filme voc\u00ea \u00e9 a vil\u00e3, Carolyn. \u2014 Apontei para ela enquanto a olhava com uma raiva descomunal.<br \/>\u2003\u2003Vi sua express\u00e3o se transformar diante dos meus olhos, ela come\u00e7ou a rir ainda de cabe\u00e7a abaixada, aos poucos, levantou os olhos para me encarar como se ela estivesse solta e eu presa naquela cadeira. Por um momento foi como me senti, presa em um lugar que talvez eu n\u00e3o pertencesse mais, que talvez nem fosse para eu estar ali. Se Otelo n\u00e3o fosse meu pai, o que sobraria para mim naquela fam\u00edlia?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Acredita mesmo que eu seja a vil\u00e3? \u2014 Ela riu, debochada. \u2014 Voc\u00eas mataram meu tio! \u2014 gritou, seus olhos escureceram de raiva e sua express\u00e3o era mortal, de quem arrancaria minha cabe\u00e7a caso ela n\u00e3o estivesse presa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ele matou o meu primeiro, ent\u00e3o acredito que estejamos quites.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estamos longe de estar quites! \u2014 gritou ela, enraivecida, era n\u00edtido que ela queria se soltar dali e me matar, aquela era a verdadeira Carolyn. \u2014 Voc\u00eas expulsaram a gente da nossa casa, da nossa cidade, do nosso pa\u00eds!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00eas provocaram isso, mataram a minha tia, quem deveria estar buscando vingan\u00e7a era meu pai. \u2014 A palavra chegou a pinicar na minha l\u00edngua, agora eu nem mesmo sabia se ele era meu pai ou n\u00e3o. Do que eu estou falando? Entrando no jogo dessa vadia por causa de uma atriz. \u2014 Por que mandou uma mulher fingir ser minha m\u00e3e?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Qu\u00ea? \u2014 Ela franziu o cenho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ainda n\u00e3o cansou de fazer cena? \u2014 Avancei para cima dela e gritei: \u2014 \u00d3bvio que foi voc\u00ea que mandou uma atriz se passar por minha m\u00e3e e dizer que Otelo n\u00e3o \u00e9 meu pai!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea realmente est\u00e1 alucinando\u2026<br \/>\u2003\u2003Tirei a arma de tr\u00e1s da minha cintura e coloquei na cabe\u00e7a dela:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estou alucinando essa arma tamb\u00e9m, Carolyn? \u2014 Vi seus olhos arregalarem. \u2014 Pare de me enrolar, diga logo o que quer! Veio desgra\u00e7ar a minha fam\u00edlia\u2026<br \/>\u2003\u2003Que eu nem sabia se realmente era a minha fam\u00edlia agora.<br \/>\u2003\u2003Dei batidas na minha cabe\u00e7a e espremi os olhos, l\u00e1grimas come\u00e7aram a deixar meus olhos e eu sentia uma dor que me possu\u00eda cada vez mais, aquilo era insuport\u00e1vel, eu s\u00f3 queria respostas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Abaixa essa arma, %Pietra%\u2026 \u2014 Sua express\u00e3o mudou de raiva para preocupa\u00e7\u00e3o. \u2014 Eu juro, eu n\u00e3o mandei\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o minta pra mim! \u2014 gritei, interrompendo-a, balan\u00e7ando a arma na dire\u00e7\u00e3o dela. \u2014 Desde que chegou aqui tudo come\u00e7ou a desandar\u2026 O problema \u00e9 voc\u00ea e se \u2014 destravei a arma e mirei bem em sua cabe\u00e7a \u2014 eu acabar com voc\u00ea, os problemas acabam.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%\u2026 \u2014 Ela come\u00e7ou a chorar, desesperada. \u2014 Eu juro, por favor, abaixa essa arma\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Cad\u00ea a mulher que estava rindo e me confrontando ainda agora? \u2014 Eu comecei a rir e olhei para ela com piedade. \u2014 Conte tudo sobre Alessia\u2026 toda a verdade!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Mas eu n\u00e3o conhe\u00e7o essa mulher! \u2014 gritou ela, angustiada em provar sua inoc\u00eancia.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%! \u2014 Ouvi a voz grossa gritar o meu nome e, com o susto, meu dedo apertou o gatilho, o estouro alto e seco ecoou pelo closet, virei a tempo de ver a cabe\u00e7a de Carolyn pender para a frente e logo o sangue come\u00e7ar a pingar.<br \/>\u2003\u2003Eu travei onde estava, meu cora\u00e7\u00e3o parecia que tinha parado de bater junto com o dela, tamanho foi meu choque, mas foi uma ang\u00fastia silenciosa, latente dentro de mim. Meu corpo adormeceu como se eu tivesse perdido o controle dos meus m\u00fasculos, meus olhos estavam vidrados nela, meu cora\u00e7\u00e3o acelerou de repente e me ajoelhei perto dela.<br \/>\u2003\u2003Ela n\u00e3o estava se mexendo!<br \/>\u2003\u2003Levantei seu rosto e vi aqueles olhos sem nenhum brilho, olhando diretamente dentro dos meus.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o. N\u00e3o, eu n\u00e3o fiz isso.<br \/>\u2003\u2003Senti a m\u00e3o dela agarrar meu pulso e tive um sobressalto fazendo meu corpo gelar com um calafrio, pisquei os olhos e ela continuava parada, est\u00e1tica; morta. Senti meu corpo pesar toneladas e ca\u00ed sentada no ch\u00e3o, minha mente estava me pregando pe\u00e7as.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%! \u2014 Ouvi ao longe e virei para tr\u00e1s, percebendo %Matteo%, que parecia confuso com aquilo tudo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu matei\u2026 \u2014 falei baixo, olhando novamente para Carolyn, as l\u00e1grimas escorriam em meu rosto e eu n\u00e3o conseguia me mexer. \u2014 O que eu fa\u00e7o agora? Eu\u2026 Por qu\u00ea?<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%&#8230; \u2014 Senti a m\u00e3o de %Matteo% em meu ombro. \u2014 Pode soltar agora\u2026 \u2014 N\u00e3o entendia o que ele queria dizer, mas meus olhos arderam e fui voltando a mim, pisquei lentamente tentando controlar minha respira\u00e7\u00e3o e senti meu rosto molhado, s\u00f3 ent\u00e3o consegui notar que ele estava agachado ao meu lado, sua m\u00e3o acariciava meu bra\u00e7o indo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 arma que eu ainda segurava firmemente e nem tinha percebido. \u2014 Solta, %Tita%. \u2014 Ouvi a voz baixa de %Matteo% pr\u00f3ximo do meu ouvido e sua m\u00e3o acariciou a minha, fazendo eu abrir meus dedos devagar e deixando que ele pegasse a arma. \u2014 %Tita%\u2026 Fala comigo\u2026<br \/>\u2003\u2003Ele segurava meu rosto tentando olhar em meus olhos e, em um rompante, eu o abracei, eu n\u00e3o conseguia mais parar de chorar. Por um momento me senti bem por ter feito aquilo, como se aquilo tivesse chegado ao fim, mas eu era uma assassina agora.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sou\u2026 uma assassina, %Matteo%\u2026 \u2014 falei abafado, com o rosto enfiado em seu peito, em prantos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Foi um acidente, %Pietra%. \u2014 Ele seguiu me abra\u00e7ando, acariciando minha cabe\u00e7a. \u2014 Vai ficar tudo bem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Fui eu que matei, ela est\u00e1 morta, %Matteo%! \u2014 gritei ao me afastar dele. \u2014 Eu atirei aquela bala\u2026 Algu\u00e9m est\u00e1 morto por minha causa!<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Tita%, calma\u2026 \u2014 Ele foi me abra\u00e7ar novamente, mas comecei a me sentir claustrof\u00f3bica, levantei e comecei a andar para fora daquele closet, eu precisava de ar. \u2014 %Pietra%, pra onde voc\u00ea vai?! \u2014 Ele me seguiu pelo corredor. \u2014 Espera! \u2014 Ele me puxou pelo bra\u00e7o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Me solta, %Matteo% \u2014 falei s\u00e9ria, amassando a gola de sua camisa. \u2014 Me solta!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea precisa se acalmar antes que a Giulia escute algo, assim como escutei os gritos de voc\u00eas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como vou me acalmar?! \u2014 Olhei para baixo, sentindo as l\u00e1grimas se formando ainda mais e vi minhas m\u00e3os com sangue. \u2014 Minhas m\u00e3os\u2026 Minhas m\u00e3os\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vem comigo. \u2014 Ele me pegou no colo e eu n\u00e3o conseguia parar de encarar o sangue na minha pele.<br \/>\u2003\u2003%Matteo% entrou no meu quarto e fechou a porta com o p\u00e9, s\u00f3 entendi o que ele estava planejando quando senti a \u00e1gua quente escorrer pelo meu corpo, molhando todas as minhas roupas, assim como as de %Matteo%. Ele me colocou no ch\u00e3o devagar e ent\u00e3o olhei para ele, vendo que seguia me encarando como se esperasse uma resposta, no entanto, naquele momento eu n\u00e3o sentia que conseguiria falar. Vi o l\u00edquido vermelho escorrer e ir embora pelo ralo, como se n\u00e3o fosse nada. Uma morte em minhas m\u00e3os, eu tinha tirado a vida de algu\u00e9m.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%\u2026 \u2014 Seus dedos levantaram meu rosto pelo maxilar e eu olhei em seus olhos. \u2014 Vai ficar tudo bem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como vai ficar tudo bem?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Confia em mim? \u2014 Acenei que sim com a cabe\u00e7a. \u2014 Ent\u00e3o termine de tomar banho e venha comigo. \u2014 %Matteo% foi sair do box, mas eu segurei ele.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Fica. \u2014 Vi seus olhos negros me medirem, o cabelo pingando \u00e1gua e sua camiseta regata branca, quase transparente, mostrando v\u00e1rias das tatuagens que ele tinha escondidas pela pele. \u2014 Eu n\u00e3o quero ficar sozinha\u2026 \u2014 Ele balan\u00e7ou a cabe\u00e7a em positivo e voltou, fechando o vidro e ent\u00e3o eu abracei ele me permitindo chorar em sil\u00eancio.<br \/>\u2003\u2003Era bom.<br \/>\u2003\u2003Seus bra\u00e7os me seguravam com carinho, seu queixo apoiado em minha cabe\u00e7a e sua m\u00e3o fazendo carinho em minha nuca era tranquilizador. A diferen\u00e7a entre meu cora\u00e7\u00e3o em sofrimento, batendo r\u00e1pido enquanto o dele batia calmamente me deixava mais confiante de que tudo poderia mesmo ficar bem.<br \/>\u2003\u2003Depois de colocar um pijama, ouvi %Matteo% dando ordens para que levasse o corpo para o por\u00e3o. Sa\u00ed do meu closet e ele j\u00e1 estava com outra roupa, assim que me viu, falou no celular que precisava desligar. Caminhei at\u00e9 a cama e sentei, ainda olhava minhas m\u00e3os e a imagem da cabe\u00e7a de Carolyn pendendo para a frente ainda vinha em minha mente. Senti uma m\u00e3o em meu ombro, olhei para o lado, espantada, sentindo o cora\u00e7\u00e3o acelerar, mas era %Matteo% que tinha sentado ao meu lado, ent\u00e3o eu relaxei, soltando o ar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Prefere conversar amanh\u00e3? \u2014 Acenei que sim. \u2014 Tudo bem, voc\u00ea quer que eu traga algo? \u2014 Balancei a cabe\u00e7a em negativo. \u2014 Eu preciso resolver algumas coisas\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o me deixe sozinha, por favor\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu prometo que eu volto em alguns minutos. \u2014 Ele acariciou meu rosto, por mais que sempre que t\u00ednhamos contato f\u00edsico alguma fa\u00edsca de desejo aparecesse, naquele momento eu sentia que ele s\u00f3 queria me acalmar e me fazer ficar bem. \u2014 Vamos, deite.<br \/>\u2003\u2003Eu me recostei na cabeceira da cama e ele cobriu minhas pernas com o cobertor, minha respira\u00e7\u00e3o continuava dif\u00edcil, como se algo pressionasse meu peito. Meu corpo estava tenso, retesado, e minha mente n\u00e3o conseguia apagar o que eu tinha acabado de fazer e o que eu tinha visto.<br \/>\u2003\u2003Agora eu era uma assassina.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu j\u00e1 volto, %Tita%.<br \/>\u2003\u2003Vi %Matteo% levantar e sair do meu quarto, eu sabia o que ele ia fazer, ouvi ele no telefone, ele iria resolver a quest\u00e3o do corpo e provavelmente a limpeza do closet da minha irm\u00e3. Eu matei Carolyn, ainda n\u00e3o conseguia acreditar, eu sempre mandei soldados matarem, mas dar uma ordem te deixa longe da real perspectiva de matar algu\u00e9m. Fechei os olhos devagar e tentei me acalmar, pensar em outra coisa que n\u00e3o fosse a morte que eu causei. Por uma desconfian\u00e7a, um erro, talvez ela n\u00e3o tivesse mandado aquela mulher l\u00e1, talvez ela\u2026<br \/>\u2003\u2003<em>\u2014 Fique orgulhosa de ter matado uma Delantera.<\/em><br \/>\u2003\u2003Abri os olhos, assustada, mas eu continuava sozinha, meu cora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a bater mais r\u00e1pido de novo enquanto eu olhava para todos os cantos do meu quarto, buscando de onde tinha vindo aquela voz t\u00e3o familiar. Recolhi minhas pernas para junto do meu corpo, assim como meus ombros, meu est\u00f4mago revirou e senti minha boca secar.<br \/>\u2003\u2003<em>\u2014 Voc\u00ea deve ser a vergonha do legado da Cosa Nostra.<\/em><br \/>\u2003\u2003Dessa vez a voz feminina se fez mais pr\u00f3xima, me for\u00e7ando a olhar para o lado vazio da cama depressa, e foi assim que vi Carolyn sorrindo de um jeito vil, com aquele buraco em sua testa e o sangue escorrendo pela pele e nos cabelos loiros.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ah! \u2014 gritei caindo da cama, me arrastei para longe at\u00e9 encostar minhas costas na parede e quando abri os olhos, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m no colch\u00e3o ou no quarto. Mordi o l\u00e1bio com for\u00e7a e me encolhi, sentada no ch\u00e3o, abra\u00e7ando meus joelhos. \u2014 N\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 real, n\u00e3o \u00e9 real\u2026 \u2014 Eu me abra\u00e7ava e me balan\u00e7ava procurando ref\u00fagio daquilo, eu s\u00f3 podia ter entrado em um pesadelo. Senti meu rosto formigar, o ar parecia n\u00e3o entrar em meus pulm\u00f5es devido a minha garganta parecer cada vez mais fechada. As l\u00e1grimas molhavam meu rosto e eu apertava cada vez mais meus olhos fechados, tentando ignorar o que tinha acabado de acontecer. \u2014 N\u00e3o \u00e9 real, ela est\u00e1 morta\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ela t\u00e1 morta\u2026 \u2014 eu repetia sem parar, tentando me convencer de que tudo aquilo n\u00e3o passou de um del\u00edrio. \u2014 Eu a matei.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%\u2026 \u2014 Apenas senti %Matteo% me abra\u00e7ando. \u2014 O que houve?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ela\u2026 estava aqui\u2026 ela estava aqui \u2014 falei aos prantos, entre solu\u00e7os e l\u00e1grimas. \u2014 Ela n\u00e3o vai me deixar em paz\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o vou sair do seu lado, eu prometo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ela estava morta\u2026 Eu vi. \u2014 Ele me segurou e me puxou para mais perto dele, ouvi seu cora\u00e7\u00e3o batendo ritmado com o meu, em alerta, preocupado comigo, e era uma merda admitir, mas n\u00e3o existia mais ningu\u00e9m que eu quisesse ali comigo naquele momento.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vai ficar tudo bem \u2014 ele acariciou minha cabe\u00e7a \u2014, vai ficar tudo bem.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>%Pietra% Alonso Perroni<\/p>\n","protected":false},"author":54,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2100],"class_list":["post-6246","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-vincere"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/6246","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/54"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6246"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6246"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=6246"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}