{"id":6238,"date":"2024-11-24T11:06:00","date_gmt":"2024-11-24T14:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-24T11:13:41","modified_gmt":"2025-10-24T14:13:41","slug":"capitulo-16","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/vincere\/capitulo-16\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 16"},"content":{"rendered":"\r\n<p align=\"right\"><strong><em>%Matteo% Perroni<\/em><\/strong><\/p>\r\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003O que eu estava<\/span> esperando? Que %Pietra% se atirasse em meus bra\u00e7os e agradecesse por eu ter salvado sua vida pela segunda vez, beijasse a minha boca e tudo ficaria bem depois de semanas me ignorando? Que ficar\u00edamos juntos e que nosso pai aceitaria de bom grado dois de seus filhos namorando, ou pior, casando? Quando foi que me tornei t\u00e3o delirante desse jeito?<br \/>\u2003\u2003Ali eu percebi o que ela queria: deixar tudo que aconteceu para tr\u00e1s e que volt\u00e1ssemos a ser duas pessoas estranhas sob o mesmo teto. Eu estava decepcionado, mas racionalmente eu sabia tanto quanto ela que era o melhor a se fazer, era isso ou acordar no plano superior, na verdade, mais prov\u00e1vel no inferior.<br \/>\u2003\u2003Desferi outro soco no saco de areia e enxuguei o suor que j\u00e1 escorria pela minha testa. Estava tenso pelas buscas que me trouxeram alguns soldados para interrogar e, consequentemente, matar. Irritado por ter vindo nessa vida como meio-irm\u00e3o da mulher que eu estava desejando em minha cama. Confuso por ter que tomar uma decis\u00e3o t\u00e3o importante quanto me casar com uma mulher que talvez nunca conseguisse amar de verdade.<br \/>\u2003\u2003<strong>%Pietra% podia at\u00e9 ter raz\u00e3o que eu talvez conseguisse ter uma fam\u00edlia completa, mas eu teria amor?<\/strong><br \/>\u2003\u2003Vi minha irm\u00e3 cruzar a porta da academia e sentar na cadeira perto das janelas de vidro, bem em frente a mim. Beatrice sempre me buscava para conversar, talvez por eu ter descoberto seu namoro com a dan\u00e7arina da <em>Fascino<\/em> por acidente, eu era o \u00fanico com quem ela poderia falar sobre isso. Respirei fundo e caminhei at\u00e9 o frigobar pegando uma garrafa de \u00e1gua em seguida e olhei para ela, que seguia me encarando como se quisesse dizer algo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 com aquele olhar de novo\u2026 \u2014 Dei um gole na \u00e1gua e voltei a encarar a ruiva.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu contei pra elas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estou feliz que tenha finalmente se desprendido disso. \u2014 Dei alguns passos e peguei uma toalha em cima da mesa para secar meu rosto. \u2014 Elas n\u00e3o iriam julgar voc\u00ea\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 dif\u00edcil saber.<br \/>\u2003\u2003\u2014 S\u00e3o suas irm\u00e3s, Beatrice. \u2014 Sentei no ch\u00e3o bem \u00e0 sua frente e apoiei meus cotovelos em meus joelhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00c9, eu sei, mas ser l\u00e9sbica continua sendo tabu, ainda mais na m\u00e1fia.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Um passo de cada vez, ok? \u2014 Ela sacudiu a cabe\u00e7a em positivo. \u2014 Como elas reagiram?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ficaram em choque, mas eu espero que a %Pietra% n\u00e3o fique irritada se souber que foi minha culpa Anita ter sa\u00eddo da <em>Fascino.<\/em><br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam a melhor rela\u00e7\u00e3o do mundo\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu quero pedi-la em casamento. \u2014 Arregalei os olhos e ela cruzou os bra\u00e7os me encarando chateada. \u2014 Est\u00e1 me julgando\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o t\u00f4 te julgando, estou surpreso. \u2014 Dei mais um gole em minha garrafinha de \u00e1gua. \u2014 Como fomos de relacionamento \u00e0s escuras para casamento?<br \/>\u2003\u2003\u2014 J\u00e1 faz 3 anos, %Teo%, e eu a amo. \u2014 Suspirei, esse era um bom motivo para um casamento, fico pensando se o meu motivo era bom o suficiente para isso. \u2014 Isso tamb\u00e9m me motivou a contar pra elas, eu s\u00f3 preciso enfrentar o nosso pai agora.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Bom, voc\u00ea \u00e9 adulta. \u2014 Dei de ombros.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sei, mas tudo com o papai \u00e9 um grande mist\u00e9rio, n\u00e3o sei como ele vai reagir.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estarei ao seu lado, caso queira, e tenho certeza que as suas irm\u00e3s tamb\u00e9m. \u2014 Curvei os l\u00e1bios demonstrando compreens\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Por que voc\u00ea n\u00e3o fala nossas?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como? \u2014 Franzi o cenho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nossas irm\u00e3s, %Matteo%. \u2014 Engoli em seco, nunca parei para pensar nisso, mas talvez seja o fato de n\u00e3o considerar a indom\u00e1vel como minha irm\u00e3. \u2014 Deixa pra l\u00e1\u2026 Obrigada por me ouvir. \u2014 Ela se apoiou nas coxas e se levantou indo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta, deixando-me com uma pedra pesando toneladas em minha cabe\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003<strong>Nunca me referi a %Pietra% como irm\u00e3.<\/strong><\/p>\r\n<p align=\"center\">[&#8230;]<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003O \u00faltimo bot\u00e3o da minha camisa social foi colocado em sua casa, olhei meu reflexo e respirei fundo. Homens demais para interrogar, problemas demais para lidar, uma fam\u00edlia conturbada o suficiente para tirar qualquer um do s\u00e9rio e claro, n\u00e3o vamos esquecer do meu pai me pressionando todos os dias, nem que fosse com o olhar, para ter um casamento infeliz que nem foi o dele. Coloquei minha pistola no coldre e coloquei o blazer preto, meu celular no bolso e o meu rel\u00f3gio. Caminhei para fora do meu quarto e desci, indo direto para o carro que j\u00e1 me esperava com Nero no volante e Filippo ao lado da porta aberta, esperando para que eu entrasse.<br \/>\u2003\u2003N\u00f3s dois entramos no carro e dei ordens para que Filippo seguisse o homem que estava vendendo drogas nas boates, se fosse um caso isolado eu teria miseric\u00f3rdia, caso fosse mais um pe\u00e3o dos Delanteras eu acabaria com isso da forma que eu sabia. Deixamos meu primo no <em>Monteros <\/em>para que seguisse minhas ordens,e seguimos caminho para uma das nossas casas de campo, afastadas o suficiente para alguns interrogat\u00f3rios.<br \/>\u2003\u2003Desci do carro e meu sapato amassou a grama, olhei uma de nossas muitas casas espalhadas pela Espanha e puxei um cigarro da minha carteira, acendi o mesmo e traguei a fuma\u00e7a. Olhei para Nero e indiquei a casa com o queixo, ele apenas assentiu e seguiu o caminho para tr\u00e1s do lugar, ele arrumaria o primeiro Delantera de muitos do dia. Eu tinha uma fila deles para arrancar alguma informa\u00e7\u00e3o e, dia ap\u00f3s dia, a frustra\u00e7\u00e3o me invadia pois n\u00e3o conseguia nem sequer uma pista do que aquele filho da puta estava planejando.<br \/>\u2003\u2003Eu achei que apenas expulsar o restante deles da Espanha seria o suficiente, mas meu pai errou nessa decis\u00e3o, dever\u00edamos t\u00ea-los exterminado, acabado com os Delantera quando tivemos a chance, no entanto, pela primeira vez na vida meu pai resolveu agir mais como Alenso. N\u00e3o era \u00e0 toa que ele era o <em>consegliere<\/em>, o \u00fanico a colocar ju\u00edzo na cabe\u00e7a de Otelo; eles eram t\u00e3o unidos que meu pai nunca quis escolher outro <em>consigliere<\/em>, apesar de ele levar o que Filippo dizia em considera\u00e7\u00e3o, talvez pelo sobrinho ser a c\u00f3pia de Alenso. Soltei a fuma\u00e7a que prendia em meus pulm\u00f5es e joguei o cigarro no ch\u00e3o, pisando em cima para apag\u00e1-lo, e dei a volta por fora da casa.<br \/>\u2003\u2003Caminhei alguns metros pelo pequeno pasto com ovelhas que viviam soltas e que eram cuidadas pelo caseiro da nossa propriedade, passei pelo celeiro e atr\u00e1s dele as portas do al\u00e7ap\u00e3o j\u00e1 estavam abertas. Desci com cuidado, apoiando-me no teto baixo e na parede, abri a porta e o cheiro de sangue envelhecido pelo ch\u00e3o me invadiu as narinas, fazia dias que est\u00e1vamos naquela rotina, sequer havia tempo para limpar entre um prisioneiro e outro. \u00c0s vezes eu achava conveniente, servia como mais um elemento na tortura deles, n\u00e3o era agrad\u00e1vel para mim ou para Nero, por\u00e9m, achava que ele n\u00e3o se importava.<br \/>\u2003\u2003Olhei o homem apenas de cueca, pendurado pelos pulsos no gancho onde penduravam porcos para abate h\u00e1 longos anos, tirei meu blazer, arregacei as mangas da minha camisa e respirei fundo, seria um longo dia. Dei alguns passos at\u00e9 a pequena mesa que tinha ali, tirei meus aneis e rel\u00f3gio e encaixei a soqueira em minha m\u00e3o, caminhei at\u00e9 o homem e inclinei a cabe\u00e7a para o lado, para conseguir ver o rosto do desgra\u00e7ado.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Seu nome?<br \/>\u2003\u2003Ele me olhou com um ar de soberba e aquilo me fez dar um sorriso lateral, eu gostava dos que me enfrentavam, que queriam ser dur\u00f5es, pois era sempre mais divertido. Eles se debatiam mais, com esperan\u00e7a de se soltarem ou at\u00e9 mesmo de me alcan\u00e7ar para me agredir e isso era instigante. Um dos motivos por gostar daquilo que eu tentava n\u00e3o gostar, uma parte de mim que eu tentava esconder at\u00e9 de mim mesmo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Seu \u2014 soquei a costela dele com for\u00e7a, fazendo-o tossir e grunhir de dor \u2014 nome?<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o foi t\u00e3o bom em me achar, seu peda\u00e7o de bosta? Descubra meu nome.<br \/>\u2003\u2003Caminhei at\u00e9 um canto da sala e peguei um cano de ferro, voltei at\u00e9 o homem pendurado e bati com for\u00e7a em seu joelho, causando o primeiro grito de dor, esperei para ter a minha resposta e como ela n\u00e3o veio, desferi o ferro mais uma vez, contra suas costelas dessa vez, e o grito foi mais alto. Vi ele sem ar e sorri satisfeito, parei em frente a ele novamente e o encarei nos olhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pronto pra falar?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 \u2014 engasgou-se com o que acreditava ser seu pr\u00f3prio sangue \u2014 perdendo seu tempo\u2026 \u2014 Tentou cuspir em mim, mas desviei.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Balde \u2014 disse, enquanto caminhava at\u00e9 a pia para lavar as m\u00e3os.<br \/>\u2003\u2003Nero sorriu, animado com aquilo, realmente ele gostava mais do que eu daquela parte do servi\u00e7o, eu ainda tinha um cora\u00e7\u00e3o, o de Nero foi delacerado por uma mulher da equipe de tortura do meu pai, aquilo tinha acabado com ele e qualquer resqu\u00edcio de humanidade que existia naquela mente que j\u00e1 era perturbada por ser o \u00fanico de sua fam\u00edlia a ter ficado vivo. Viu sua m\u00e3e e sua irm\u00e3 serem estupradas na sua frente quando ainda era s\u00f3 uma crian\u00e7a, meu pai o acolheu quando soube do massacre contra sua fam\u00edlia, tudo por dinheiro; o pai de Nero era viciado em jogatina, acabou devendo a quem n\u00e3o tinha o m\u00ednimo de escr\u00fapulos.\u00a0<br \/>\u2003\u2003Assim que me virei, o homem j\u00e1 estava sentado em uma cadeira, ainda preso ao gancho, agora rebaixado. Nero olhou para mim em uma pergunta muda se podia dar inicio e eu assenti. Meu soldado sorriu de maneira perversa antes de pegar o pano grosso, encharcar no balde cheio de \u00e1gua e colocar sobre o rosto do homem, que demorou o tempo de eu acender um cigarro e dar meu primeiro trago para come\u00e7ar a debater os p\u00e9s. Dei alguns passos, parando em frente a ele, longe o suficiente para ele n\u00e3o me alcan\u00e7ar e dei o sinal que meu soldado poderia retirar o pano.<br \/>\u2003\u2003\u2014 O dia aqui dentro tende a passar devagar, sabia?<br \/>\u2003\u2003Ele tossiu v\u00e1rias vezes, tentava puxar o ar e eu assenti para Nero colocar novamente, ele puxou o homem pelo cabelo e largou o pano em seu rosto de novo. Dei, pacientemente, mais alguns tragos em meu cigarro e meu soldado retirou o pano, colocando-o no balde, esperei o preso recuperar seu f\u00f4lego.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Rafael\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00d3timo, agora podemos conversar, Rafael. \u2014 Nero colocou uma cadeira atr\u00e1s de mim e ent\u00e3o sentei. \u2014 Ent\u00e3o, quais s\u00e3o os planos do Guillermo?<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o conhe\u00e7o\u2026 \u2014 Gargalhei alto, sem acreditar naquilo, sorri de maneira maligna.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 querendo brincar comigo, Rafael? \u2014 Olhei de soslaio para tr\u00e1s do homem e Nero j\u00e1 fazia a busca no tablet pelo nome do homem e onde ele se encaixava no banco de dados que Giulia fez. \u2014 Tenho diversos brinquedos aqui\u2026 \u2014 Ele arregalou os olhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 <em>Solo soy un soldado, hombre<\/em>\u2026\u00a0 (<em>Sou s\u00f3 um soldado, homem.)<\/em><br \/>\u2003\u2003Nero veio em minha dire\u00e7\u00e3o e me entregou o tablet, passei o olho rapidamente nas informa\u00e7\u00f5es que constavam ali e me recostei na cadeira, arqueei uma sobrancelha e olhei bem para o homem acorrentado, sem qualquer possibilidade de fugir, ele realmente estava querendo me enganar? Meu soldado foi at\u00e9 o homem e o socou no est\u00f4mago, o fazendo cuspir sangue e gemer de dor.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu posso pensar em ser um bom homem, Rafael, caso n\u00e3o minta de novo pra mim.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o estou mentindo! \u2014 gritou, assim que se recuperou do golpe.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o por que aqui diz que \u00e9 o bra\u00e7o direito de Alejandro? \u2014 Ele arregalou os olhos; bingo. Sorri vitorioso, eu estava com a porra de um capit\u00e3o, finalmente. Levantei e dei alguns passos at\u00e9 ele. \u2014 Vou dar mais uma chance pra voc\u00ea: qual o plano do seu Don na porra do meu territ\u00f3rio?! \u2014 gritei impaciente, ent\u00e3o vi ele ficando amedrontado e isso era bom, esse era o caminho a se seguir, mas ainda assim, tudo que recebi foi sil\u00eancio. \u2014 Est\u00e1 testando a minha paci\u00eancia, Rafael, e posso afirmar que isso n\u00e3o \u00e9 bom pra voc\u00ea. \u2014 Caminhei at\u00e9 a mesa no canto da parede e peguei um alicate, voltei at\u00e9 ele e abaixei, ficando na altura de seus olhos. \u2014 Pronto para brincar? \u2014 Curvei os l\u00e1bios levemente arqueando uma das sobrancelhas e o medo em seus olhos era o combust\u00edvel que eu precisava para continuar.<br \/>\u2003\u2003Empurrei seu rosto para o lado, segurando-o e quanto mais aproximava o alicate de seu rosto, mais ele gritava em desespero, cortei seu l\u00f3bulo devagar, mastigando a carne mole, o desespero dele aumentou, seu grito saiu alto e arrastado. Apertei seu maxilar e fiz ele olhar para mim, para ver o quanto eu estava me divertindo com o sofrimento dele e que eu n\u00e3o iria parar at\u00e9 conseguir o que queria. Levei o alicate mais uma vez at\u00e9 sua orelha e cortei mais em cima, devagar, quebrando a cartilagem aos poucos at\u00e9 cortar completamente e o sangue j\u00e1 escorria pelo seu pesco\u00e7o dos cortes feitos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pronto pra falar, Rafael? \u2014 Ele apenas gemia de dor e apertava os olhos com muita for\u00e7a para tentar, talvez, diminuir a dor. \u2014 Eu tenho o dia todo\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o sei de nada!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vamos trabalhar do jeito dif\u00edcil. \u2014 Olhei para Nero e dei a ordem: \u2014 Busque saber quem \u00e9 a fam\u00edlia dele.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o! Deixe minha fam\u00edlia fora disso\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 depende de voc\u00ea. \u2014 Sentei na cadeira novamente e acendi outro cigarro, com toda paci\u00eancia do mundo, encarava o homem todo ensanguentado e com alguns hematomas pelo corpo. Ele estava respirando pesado, estava cansado, se eu for\u00e7asse mais um pouco\u2026 s\u00f3 estava decidindo se seria fisicamente ou psicologicamente. N\u00e3o sabia se ele aguentaria mais algumas porradas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 J\u00e1 achei, chefe.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o, eu imploro\u2026 fa\u00e7o qualquer coisa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Me fale o que sabe.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Mas eu n\u00e3o sei de nada\u2026\u00a0<br \/>\u2003\u2003Caminhei lentamente para tr\u00e1s de Rafael onde ele n\u00e3o conseguia me ver, a arte da tortura \u00e9 voc\u00ea surpreender o torturado, lev\u00e1-lo ao limite com as armas que voc\u00ea tem e sabe usar. Peguei uma faca de l\u00e2mina curta e vim por tr\u00e1s dele, enfiei a faca em sua coxa, bem acima do joelho. Seu grito foi gutural, cheguei a ter um resqu\u00edcio de humanidade e senti at\u00e9 uma certa pena dele, por\u00e9m, passou r\u00e1pido.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem s\u00e3o? \u2014 Olhei para Nero e ele sorriu, adorando tudo aquilo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Esposa, Sara, e dois filhos, Miguel, de 8 anos, e Joaquin, de 13.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Interessante, dois homens, Rafael. \u2014 Parei bem em frente a ele, analisando o preso que sentia uma agonia tremenda. \u2014 Um homem de sorte eu diria, caso n\u00e3o tivesse dado de cara comigo. \u2014 Sorri para ele, que nitidamente ainda sentia a dor da faca cravada em sua perna.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Por favor, n\u00e3o fa\u00e7a nada com meus filhos\u2026 \u2014 Vi l\u00e1grimas em seus olhos e eu sabia que tinha conseguido, ele falaria.<br \/>\u2003\u2003Nero baixou o gancho onde ele estava pendurado para o sangue voltar a circular em seus bra\u00e7os. Necess\u00e1rio dar conforto para o preso quando voc\u00ea acha que est\u00e1 chegando perto de alguma informa\u00e7\u00e3o. Mostra que se ele come\u00e7ar a cooperar as coisas podem melhorar para o lado dele. \u00c9 quase como um adestramento, a recompensa \u00e9 algo fundamental.<br \/>\u2003\u2003\u2014 J\u00e1 falei, s\u00f3 depende de voc\u00ea. \u2014 Traguei meu cigarro, calmamente, antes de falar: \u2014 Se for bonzinho deixo at\u00e9 voc\u00ea encontrar seus filhos novamente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ele\u2026 quer reconquistar a Espanha.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Isso \u00e9 um insulto \u00e0 minha intelig\u00eancia, Rafael \u2014 falei de maneira calma e apoiei meu ombro na pilastra que havia ali, enquanto puxava a fuma\u00e7a para os meus pulm\u00f5es. \u2014 Me conte algo que eu j\u00e1 n\u00e3o saiba.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Tem um infiltrado na <em>Vincere<\/em>.<br \/>\u2003\u2003O qu\u00ea?! Fechei o cenho na mesma hora e endireitei meu corpo, isso era imposs\u00edvel. Uma pessoa n\u00e3o entra na <em>Vincere<\/em> sem antes Giulia passar um pente fino desde os primeiros dias de vida dela. Ele estava querendo me enrolar, s\u00f3 podia ser isso.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 tentando mentir pra mim de novo, <em>ragazzo<\/em>! \u2014 Fui at\u00e9 ele e soquei seu rosto. \u2014 Terei que matar um filho seu em sua frente para entender que n\u00e3o estou brincando?!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estou falando a verdade, eu juro!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem \u00e9 ele? \u2014 Ele ficou em sil\u00eancio e eu senti aquele tremor em meu est\u00f4mago e logo o calor da raiva me possuindo, puxei ele com for\u00e7a pelo pesco\u00e7o, levantando-o daquela cadeira e o olhando nos olhos. \u2014 Eu perguntei\u2026 Quem?! \u2014 falei entre dentes, bem pr\u00f3ximo do rosto dele.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Lu\u2026 ca\u2026 \u2014 Saiu num sopro de voz e ent\u00e3o joguei ele na cadeira, fazendo com que ele e a cadeira ca\u00edssem no ch\u00e3o, Rafael tossiu recuperando o ar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem seria esse?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Primog\u00eanito\u2026 do <em>consigliere<\/em>.<br \/>\u2003\u2003Virei para Nero e o encarei s\u00e9rio, franzindo o cenho, como n\u00e3o t\u00ednhamos essa informa\u00e7\u00e3o? Eu precisava falar com Giulia, uma varredura nos \u00faltimos soldados que foram recrutados para a <em>Vincere<\/em>, os empregados da casa, os seguran\u00e7as novatos dos restaurantes, eu precisava rever tudo. Minha mente n\u00e3o parava, em segundos eu pensei em v\u00e1rios cen\u00e1rios diferentes, pressionei minha testa com o polegar e o indicador e fechei os olhos; precisava de ar puro.<br \/>\u2003\u2003Sa\u00ed porta afora, irritado.<br \/>\u2003\u2003Passei a m\u00e3o pelo meu rosto, pelos cabelos e andei de um lado para o outro sem parar, aquilo era imposs\u00edvel, um infiltrado, quem? O <em>consigliere<\/em> dos Delantera foi morto por Filippo, sabe como \u00e9, olho por olho e dente por dente. Quem seria o novo conselheiro deles e quem era seu filho? Precis\u00e1vamos descobrir o rosto desse homem para conseguir localiz\u00e1-lo na <em>Vincere<\/em>. Peguei o celular para ligar para Giu, mas estava sem sinal.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Merda!<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Matteo%. \u2014 Virei para tr\u00e1s e vi Nero me olhando, esperando a pr\u00f3xima ordem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vamos voltar para a cidade, preciso achar esse <em>maledetto!<\/em><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>%Matteo% Perroni [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":54,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2100],"class_list":["post-6238","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-vincere"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/6238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/54"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=6238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}