{"id":6207,"date":"2024-08-20T21:03:00","date_gmt":"2024-08-21T00:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-23T21:06:02","modified_gmt":"2025-10-24T00:06:02","slug":"capitulo-2","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/vincere\/capitulo-2\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2"},"content":{"rendered":"\r\n<p align=\"right\"><strong><em>%Matteo% Perroni<\/em><\/strong><\/p>\r\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003Eu sa\u00ed da <em>Fascino<\/em><\/span> por volta das 2:40 e desde o momento que vi %Pietra% antes de abrir o estabelecimento, n\u00e3o a vi mais; era uma pena. Eu gostava de infernizar a vida da indom\u00e1vel. Desde a adolesc\u00eancia %Pietra% tinha uma personalidade explosiva, e eu gostava de v\u00ea-la irritada, gritando comigo e me xingando como s\u00f3 uma boa Perroni sabia fazer. Era divertido v\u00ea-la inflar as bochechas e aqueles olhos verdes, escuros, quase pegando fogo, eu tinha certeza que em certos momentos ela pensava em arrancar a minha cabe\u00e7a pelo jeito que me olhava.<br \/>\u2003\u2003Eu n\u00e3o a odiava como ela achava, e sabia que ela pensava assim pela sua cara de desgosto toda vez que me via, pelo ar sendo expulso de seus pulm\u00f5es quando eu fazia alguma gracinha, ou at\u00e9 mesmo o jeito que ela corria da minha presen\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003Era divertido irrit\u00e1-la, que culpa eu tenho?<br \/>\u2003\u2003No fim das contas eu sabia que o culpado de tudo isso era eu, e precisava continuar, manter o \u00f3dio dela por mim era necess\u00e1rio. Deveria mant\u00ea-la longe, pois eu sabia o quanto ela abominava o trabalho sujo da <em>Vincere<\/em> e eu n\u00e3o queria que ela tivesse apenas a vis\u00e3o do carrasco que mata e tortura sem piedade.<br \/>\u2003\u2003Esse era o verdadeiro motivo para mant\u00ea-la o mais longe poss\u00edvel de mim.<br \/>\u2003\u2003Aprendi com meu pai que manter as garotas afastadas dessa parte do trabalho era o melhor a se fazer, est\u00e1vamos poupando elas de saberem demais ou de nos ver como homens sem cora\u00e7\u00e3o. Elas n\u00e3o eram santas e sabiam de tudo, mas entre saber e ver, sentir e fazer tinha um enorme abismo.<br \/>\u2003\u2003Beatrice tomava conta do laborat\u00f3rio, Giulia ficava na parte da seguran\u00e7a cibern\u00e9tica, %Pietra% e Luna ficavam na parte mais comercial, digamos assim. %Pietra% \u00e0 frente da boate e Luna na confeitaria onde lav\u00e1vamos o dinheiro da venda das armas, e como elas trabalhavam mais expostas, n\u00e3o usavam o sobrenome do nosso pai em p\u00fablico.<br \/>\u2003\u2003Elas resolveram escolher o sobrenome que usariam, nenhuma nunca quis conhecer ou ter nada a ver com suas m\u00e3es, pois mulheres que entregavam as filhas de boa vontade n\u00e3o mereciam que elas usassem os seus sobrenomes. Esse era um pensamento un\u00e2nime entre as quatro.<\/p>\r\n<p align=\"center\">[&#8230;]<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Cheguei em casa naquela madrugada um pouco b\u00eabado j\u00e1 que acabei dispensando dois dos tr\u00eas soldados que estavam fazendo minha seguran\u00e7a para eu n\u00e3o beber sozinho. A verdade era que ser o subchefe de uma m\u00e1fia n\u00e3o era nada do que as pessoas imaginavam, era ma\u00e7ante, era exaustivo, uma responsabilidade sem tamanho e isso \u00e0s vezes me deixava sem dormir algumas noites e o \u00e1lcool resolvia o problema.<br \/>\u2003\u2003Otelo esperava muito de mim, fui o \u00fanico filho homem que ele gerou antes de descobrir que tinha ficado est\u00e9ril, infelizmente. Por causa de uma infec\u00e7\u00e3o ocasionada por um tiro que sofreu 2 anos depois de Luna e Giulia nascerem, ele n\u00e3o poderia mais gerar filhos.<br \/>\u2003\u2003A fam\u00edlia ficou um pouco menor do que ele planejava e agora tudo estava em minhas m\u00e3os, pois com apenas um herdeiro homem, Otelo ficava receoso, j\u00e1 que se acontecesse algo comigo tudo ia por \u00e1gua abaixo. E essa responsabilidade pesava toneladas nos meus ombros, tentava amenizar em minha cabe\u00e7a, mas a grande realidade \u00e9 que isso me deixava pilhado em certos momentos. Como quando meu pai dizia que eu precisava casar logo e ter no m\u00ednimo 4 filhos homens, e esse assunto estava pesando a cada ano que passava. Eu faria 33 anos em alguns meses e para ele, eu j\u00e1 tinha passado da idade de estar casado e com a prole garantida. O herdeiro da <em>Vincere<\/em> deveria se casar cedo, segundo meu pai.<br \/>\u2003\u2003N\u00e3o era algo que me chamava muito a aten\u00e7\u00e3o, mas eu sabia que ele s\u00f3 estava querendo o melhor para mim. Eu sabia o quanto incomodava ele ter se envolvido com v\u00e1rias mulheres, mas nenhuma o amava de verdade, elas queriam apenas dar um filho e deixar nas m\u00e3os dele para que cuidasse e, claro, queriam receber a boa grana que vinha com a proposta de gerar o filho do Don.<br \/>\u2003\u2003Eu sabia que minha m\u00e3e tinha sido a \u00fanica que ele amou e foi rec\u00edproco, mas ap\u00f3s anos naquele mundo, Aurora n\u00e3o sabia mais como lidar com a vida da <em>famiglia<\/em>. Ent\u00e3o ela me pegou e saiu de casa comigo nos bra\u00e7os, mas n\u00e3o sem antes receber o aviso que eu teria treinamento mesmo em sua casa e que deveria me entregar a ele anos depois, aos 16 para ser mais exato. Essa era a idade de inicia\u00e7\u00e3o na m\u00e1fia e do treinamento mais pesado para assumir o lugar do meu pai quando fosse a hora.<br \/>\u2003\u2003Foi a\u00ed que tudo desandou, eu era um garoto normal, tive uma inf\u00e2ncia tranquila no interior da It\u00e1lia. Estudava em uma escola comum, jogava bola na rua e tinha amigos no meu bairro. Apesar do treinamento com o capit\u00e3o do meu pai ser di\u00e1rio, era a \u00fanica coisa diferente que eu fazia: aprender a lutar. Eu at\u00e9 gostava, era divertido para um garoto de 10 anos saber lutar, por\u00e9m, quando tudo parecia s\u00e9rio demais eu ficava irredut\u00edvel e n\u00e3o sa\u00eda do meu quarto.<br \/>\u2003\u2003Minha m\u00e3e sofreu muito por mim e eu n\u00e3o entendia, mas hoje consigo compreender o motivo. Enquanto estava na It\u00e1lia a visitei, por mais que \u00e0s vezes ela me olhasse com aquela express\u00e3o de desgosto por ter me tornado algu\u00e9m t\u00e3o parecido com quem ela tentou ao m\u00e1ximo me manter longe, era minha m\u00e3e e eu a amava. Eu tentava entender a recusa dela de ter algum v\u00ednculo mais profundo comigo, por\u00e9m achava que quando ela casou com um Don, ela deveria saber onde estava se metendo e o que vinha com aquele sim.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Levanta, %Matteo%! \u2014 Ouvi a voz irritada e grossa ecoar pelo quarto, assim como fui cegado pela claridade, que entrou inundando o quarto quando meu pai abriu as cortinas. \u2014 Foi farrear ontem, n\u00e3o \u00e9? Esqueceu do carregamento que vai chegar hoje?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Que horas s\u00e3o? \u2014 Virei na cama em busca do meu celular na mesa de cabeceira. \u2014 Caralho! \u2014 berrei levantando em um salto da cama ao ver as horas.<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00c9, caralho mesmo, %Matteo%! \u2014 Otelo gritou enquanto eu ia at\u00e9 o banheiro. \u2014 Voc\u00ea nunca faz esse tipo de coisa, qual o seu problema?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Perd\u00e3o, pai, n\u00e3o vai se repetir. \u2014 Voltei at\u00e9 o quarto j\u00e1 fechando o z\u00edper da cal\u00e7a jeans e a camisa branca faltando apenas fechar os bot\u00f5es.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ah, n\u00e3o vai mesmo. \u2014 Vi ele sair do quarto e bater a porta.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Cacete, j\u00e1 comecei o dia bem\u2026<br \/>\u2003\u2003Peguei meu celular e a chave do carro e sa\u00ed de casa \u00e0s pressas com mais dois carros com soldados me seguindo. Chegamos ao porto em cima da hora, mas alguns subordinados j\u00e1 estavam l\u00e1 \u00e0 minha espera, desci do carro e Manuel, um dos soldados, cumprimentou-me abaixando levemente a cabe\u00e7a demonstrando subservi\u00eancia, passei por ele e fui diretamente falar com o capi, Giovanni.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Conferiu tudo?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sim, senhor Perroni. Est\u00e1 tudo certo, vamos separar em 4 carros.<br \/>\u2003\u2003\u2014 \u00d3timo. \u2014 Entrei no container e averiguei a quantidade de caixas, abri uma com a faca que tinha em meu bolso e conferi. \u2014 Vou esperar no carro, assim que terminar \u00e9 para ir direto para o laborat\u00f3rio. \u2014 Virei as costas e segui at\u00e9 meu carro, sentei no banco do motorista e abri o vidro.<br \/>\u2003\u2003Fiquei esperando os soldados carregarem os carros com a mercadoria, peguei o ma\u00e7o de cigarro, bati no volante e um cilindro saltou da caixa, coloquei-o na boca e o acendi, pois aquilo parecia que ia demorar. Respirei fundo e tentei apreciar a paisagem al\u00e9m do trabalho ilegal que estava acontecendo h\u00e1 poucos metros de mim, aquele momento era o mais pr\u00f3ximo que eu tinha chegado do mar nos \u00faltimos 3 anos.<br \/>\u2003\u2003Meu celular vibrou no meu bolso, puxei o aparelho, dei mais um trago no cigarro e ent\u00e3o atendi.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Al\u00f4?<br \/>\u2003\u2003<em>\u2014<\/em> <em>%Matteo%, preciso que assim que finalizar volte imediatamente para casa.<\/em><br \/>\u2003\u2003\u2014 Aconteceu alguma coisa?<br \/>\u2003\u2003<em>\u2014 Falaremos quando chegar.<\/em><br \/>\u2003\u2003Meu pai desligou antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta, a liga\u00e7\u00e3o tinha me deixado preocupado pelo tom de voz que ele utilizou, estava s\u00e9rio demais para ser um problema pequeno. Giovanni chegou na janela do meu carro e avisou que estava tudo pronto, acenei para que fossemos embora, dei um \u00faltimo trago e joguei o cigarro pela janela. Virei a chave e acelerei, acompanhando pelo retrovisor os outros 4 carros que me seguiam.<br \/>\u2003\u2003Chegamos no laborat\u00f3rio e as a\u00e7\u00f5es, principalmente quando envolvia carregamentos ilegais, eram feitas rapidamente. Os soldados colocaram todas as caixas no dep\u00f3sito e dispensei seus servi\u00e7os por aquela hora e fechei o port\u00e3o, conferi o carregamento e pedi para que um dos qu\u00edmicos conferisse a qualidade.<br \/>\u2003\u2003Por mais que estivesse pensando apenas no que meu pai poderia querer e no que tinha acontecido, n\u00e3o queria enfrentar a f\u00faria da minha irm\u00e3 caso eu fosse embora sem falar com ela. Abri a porta que dava acesso ao por\u00e3o e desci a escada, assim que coloquei o p\u00e9 no \u00faltimo degrau, pude ver o cabelo vermelho chamando aten\u00e7\u00e3o naquela sala toda branca, com tubos transparentes e luzes claras demais para o meu gosto.<br \/>\u2003\u2003Beatrice estava concentrada em algo que eu definitivamente n\u00e3o sabia e bem saberia o que era caso ela me explicasse, caminhei devagar entre as mesas, com outros poucos funcion\u00e1rios e encostei em seu bra\u00e7o. Ela olhou por cima do ombro e sorriu:<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Teo%\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Carregamento est\u00e1 no dep\u00f3sito.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Obrigada, maninho. \u2014 Ela tirou os \u00f3culos transparentes e me olhou de um jeito estranho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Que foi? \u2014 perguntei franzindo o cenho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aconteceu alguma coisa?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea \u00e9 curiosa demais, <em>Bee<\/em> \u2014 reclamei, chamando ela pelo apelido que dei quando \u00e9ramos mais novos devido a sua curiosidade, achava que era por isso que ela era t\u00e3o boa na qu\u00edmica e em suas cria\u00e7\u00f5es.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Obrigada. \u2014 Ela sorriu empinando o nariz.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o foi um elogio. \u2014 Pisquei o olho direito com um sorriso arteiro no rosto, dei as costas e fui andando para a escada. \u2014 Vou descobrir o que houve quando chegar em casa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quero saber a fofoca depois.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o sei se vai querer saber\u2026 \u2014 Olhei para ela assim que a minha m\u00e3o alcan\u00e7ou o corrim\u00e3o e a vi fazer careta, fazendo com que eu risse. \u2014 At\u00e9 o jantar, maninha.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Assim que estacionei meu carro, sa\u00ed dele com pressa, por\u00e9m n\u00e3o o suficiente para demonstrar meu nervosismo. Entrei em casa e fui direto at\u00e9 a biblioteca, onde ficava tamb\u00e9m o escrit\u00f3rio de meu pai em uma sala adjacente, separada por portas duplas de madeira. Entrei no ambiente e vi dois <em>Capis<\/em> em p\u00e9, aparentemente esperando apenas a minha presen\u00e7a, meu pai ofereceu a cadeira em frente \u00e0 sua mesa para mim e sentei.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pegamos um dos Delantera, quero que interrogue ele.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pai&#8230; \u2014 Fui advertido pelo olhar do Don. \u2014 Don Otelo, temos homens treinados para isso.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea \u00e9 o melhor e sabe disso. \u2014 Eu engoli em seco e assenti. \u2014 Conto com voc\u00ea.<br \/>\u2003\u2003Levantei da poltrona abrindo dois bot\u00f5es de minha camisa e arrega\u00e7ando as mangas, sabia que o trabalho sujo come\u00e7aria e, a partir daquele momento, n\u00e3o teria hora para terminar. Caminhei lentamente com os capit\u00e3es me acompanhando, passei pelo <em>hall<\/em> de entrada e cruzei meu olhar com o de %Pietra%, que estava pegando as chaves do seu carro, ela nos acompanhou com os olhos e eu abaixei a cabe\u00e7a respirando fundo.<br \/>\u2003\u2003Caminhamos pelo corredor extenso no qual ao final tinha a porta onde estava o inimigo, girei a ma\u00e7aneta e desci os degraus at\u00e9 o por\u00e3o, que utiliz\u00e1vamos para esses trabalhos de \u00faltima hora, o homem j\u00e1 estava vendado e amarrado, sentado em uma cadeira.<br \/>\u2003\u2003Filippo, meu primo e capit\u00e3o, colocou uma cadeira em frente ao homem, ent\u00e3o sentei-me tamb\u00e9m, soltei o ar com for\u00e7a, me preparando para assumir o %Matteo% sanguin\u00e1rio, aquele que s\u00f3 existia ali em circunst\u00e2ncias como aquela, peguei a carteira do bolso da cal\u00e7a puxando um cigarro e o acendi, fazendo sinal com a m\u00e3o para que Filippo tirasse a venda e a morda\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003O homem, assustado, olhou para os lados e finalmente olhou para frente, notando minha presen\u00e7a; levantei o canto dos meus l\u00e1bios e soprei a fuma\u00e7a para o alto.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o, qual o seu nome? \u2014 Apoiei meus cotovelos em meus joelhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Paco\u2026 Paco Mendez.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vai ser do jeito f\u00e1cil ou dif\u00edcil, Paco? \u2014 Dei outro trago em meu cigarro, soltei a fuma\u00e7a esperando uma rea\u00e7\u00e3o, mas tudo que recebi foi sil\u00eancio. Maneei a cabe\u00e7a para Filippo, que socou o est\u00f4mago do inimigo, fazendo-o se contorcer de dor at\u00e9 onde as cordas deixavam. \u2014 Do jeito dif\u00edcil ent\u00e3o\u2026 Me conte, quais s\u00e3o os planos do seu Don?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o sei, sou apenas um soldado\u2026 \u2014 Outro soco desferido em seu abd\u00f4men, e o homem tossiu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Claro que sabe, os soldados s\u00e3o mais bem informados do que pensamos. \u2014 Sorri e me ajeitei na cadeira, cruzando as pernas. \u2014 Quero saber como ele acha que vai tomar os nossos neg\u00f3cios.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Senhor, eu juro, eu n\u00e3o sei\u2026 \u2014 O outro Capit\u00e3o, <strong>Gian<\/strong>, socou o rosto do homem uma, duas, tr\u00eas vezes, vi o sangue saltar e um corte se abrir na ma\u00e7\u00e3 do rosto e na boca do nosso interrogado.<br \/>\u2003\u2003Eu suspeitava que os Delantera ainda existiam e que estavam aos poucos se infiltrando onde n\u00e3o deviam em Madri. Acontece que aquele era o nosso territ\u00f3rio, a Espanha agora nos pertencia, a <em>Vincere<\/em> comandava o lugar desde que a conquistamos.<br \/>\u2003\u2003Meu pai j\u00e1 vinha em uma guerra que se arrastava durante anos pela morte da minha tia Victoria, por\u00e9m, ele resolveu enxotar os Delantera da Espanha como puni\u00e7\u00e3o por um dos capit\u00e3es deles ter matado o meu tio, que era o <em>sottocapo,<\/em> e o nosso <em>consegliere, <\/em>que tamb\u00e9m estava com ele na emboscada.<br \/>\u2003\u2003Depois de matar mais da metade do que eles chamavam de m\u00e1fia espanhola &#8211; j\u00e1 que aquilo estava mais para gangue de bairro -, eles fugiram com o rabo entre as pernas. Contudo, eu sabia que aquele ser arrogante e ganancioso estava se armando e se preparando para algum dia vir buscar a sua vingan\u00e7a, e claro, conquistar o espa\u00e7o que um dia foi dele.<br \/>\u2003\u2003Levantei e caminhei a passos lentos, agachei para ver o homem dos cabelos castanhos de perto e ele possu\u00eda uma cicatriz que ia do centro da sua testa at\u00e9 o fim do nariz, que era perceptivelmente quebrado, presentes de quem faz parte desse mundo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o, Paco, o chefe vai ficar irritado se eu n\u00e3o conseguir o que ele quer, entende? Preciso voltar com alguma informa\u00e7\u00e3o importante para ele, algo que o satisfa\u00e7a\u2026 \u2014 Dei um trago no cigarro, e assim que ele olhou para mim, apaguei o cigarro em sua bochecha. S\u00f3 vi ele engolir em seco e fechar os olhos, definitivamente estava segurando o grito que queria sair. \u2014 Ele \u00e9 dur\u00e3o\u2026 \u2014 Olhei para os meus subordinados e disse: \u2014 Peguem o kit de casqueamento bovino.<\/p>\r\n<p align=\"center\">[&#8230;]<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Os gritos aterrorizados pela dor ainda ecoavam em minha cabe\u00e7a, eu precisava de um tempo. Talvez o coitado do soldado n\u00e3o soubesse mesmo de nada, se fosse um capit\u00e3o seria mais dif\u00edcil eu acreditar que estivesse no escuro. Respirei fundo assim que sa\u00ed pelas portas laterais, precisava de ar puro, aquele cheiro de sangue j\u00e1 estava me deixando enjoado.<br \/>\u2003\u2003Acendi um cigarro e olhei para o c\u00e9u, j\u00e1 era noite fechada, acreditava que tinha ficado l\u00e1 embaixo por mais ou menos 9 horas. Precisava de uma bebida. Caminhei at\u00e9 a sala \u00edntima e servi o whisky, virei a dose de uma vez, e s\u00f3 ent\u00e3o coloquei duas pedras de gelo e mais uma dose para apreciar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Papai j\u00e1 disse para n\u00e3o fumar dentro de casa. \u2014 Pela voz eu sabia quem era, saberia at\u00e9 de olhos fechados.<br \/>\u2003\u2003Peguei meu copo e me virei, apoiando meu cotovelo no balc\u00e3o do pequeno bar que t\u00ednhamos ali, %Pietra% estava segurando sua bolsa e chaves, parecia que tinha acabado de chegar em casa da boate.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o deveria estar na boate, %Tita%? \u2014 Dei um gole em meu copo e a vi colocar a bolsa em cima do sof\u00e1 e vir em dire\u00e7\u00e3o a mim, ela foi at\u00e9 a parte interna do bar e come\u00e7ou a fazer um martini.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Deixei a Gi cuidando de tudo, n\u00e3o estou me sentindo muito bem. \u2014 Ela pegou a ta\u00e7a e deu um gole, fechou os olhos, parecia degustar a bebida, ent\u00e3o engoliu e passou a l\u00edngua pelos l\u00e1bios de uma forma sensual demais para ela fazer isso em qualquer lugar.<br \/>\u2003\u2003Era intrigante, parecia quase um ritual, ela sempre fazia isso e eu sempre ficava preso em cada m\u00ednimo movimento.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Hm\u2026 \u2014 murmurei, dando um trago em meu cigarro, que dei pela metade, j\u00e1 que ela tomou dos meus dedos e colocou nos l\u00e1bios enquanto se afastava de mim. \u2014 Se queria um, era s\u00f3 pedir.<br \/>\u2003\u2003Ela tirou os sapatos, segurando a ta\u00e7a nas m\u00e3os e o cigarro pendurado nos l\u00e1bios pintados de vermelho; puta merda, ela era sexy.<br \/>\u2003\u2003<em>Caralho, %Matteo%, cala a boca.<\/em><br \/>\u2003\u2003Me censuro em minha mente, apenas caminho novamente at\u00e9 o lado de fora, acendo outro cigarro e sinto a brisa fresca balan\u00e7ar os fios de cabelo em meu rosto. %Pietra% passa por mim e vai em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 piscina, assisto de longe, encostado em uma das pilastras da varanda, ela sentar na borda da piscina. \u00c0s vezes consegu\u00edamos ficar no mesmo espa\u00e7o sem discutir, acreditava ser mais por minha causa, j\u00e1 que eu n\u00e3o a provocava.<br \/>\u2003\u2003Tirei os sapatos, as meias e andei lentamente, sentindo a grama abra\u00e7ar meus p\u00e9s, eu amava essa sensa\u00e7\u00e3o, sentei na borda do outro lado, ficando ao seu lado esquerdo, mas longe o suficiente. Conseguia v\u00ea-la de perfil, os olhos verdes admiravam as estrelas e eu podia notar o quanto estava cansada, baixei mais os olhos e vi seu pulso roxo, franzi o cenho e uma raiva instant\u00e2nea me tomou.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem fez isso com voc\u00ea? \u2014 Minha voz saiu mais autorit\u00e1ria do que eu pretendia.<br \/>\u2003\u2003Ela me olhou sem entender, ent\u00e3o viu onde meus olhos estavam vidrados.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o foi nada\u2026 \u2014 Ela acariciou com a outra m\u00e3o, tentando esconder e desviou os olhos de mim.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Pietra%\u2026 Quem? \u2014 Travei os dentes, sentindo meu corpo esquentar com o pensamento de algu\u00e9m machucando ela.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Foi um cliente, b\u00eabado, pedi para os seguran\u00e7as o tirarem da <em>Fascino<\/em> \u2014 falou como se n\u00e3o fosse nada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Coloque mais soldados na boate \u2014 ordenei.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o precisa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 J\u00e1 que voc\u00ea foi <em>agredida\u2026<\/em> \u2014 falei o \u00f3bvio \u2014, precisa sim, e voc\u00ea n\u00e3o tem escolha.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Matteo%, eu sei me defender, n\u00e3o se meta na minha boate. \u2014 Ela jogou o cigarro dentro da ta\u00e7a com o resto da bebida, fazendo o barulho inconfund\u00edvel da brasa de apagando, e levantou virando-se para entrar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Seu bra\u00e7o est\u00e1\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sei o que meu bra\u00e7o est\u00e1, %Matteo%. \u2014 Ela me interrompeu, voltando seus olhos para mim. \u2014 \u00c9 o meu bra\u00e7o, e \u00e9 a porra da minha boate. N\u00e3o se meta, <em>cazzo<\/em>! \u2014 Vi seus olhos desceram para o meu corpo e ela deu um sorriso seguida de um riso de esc\u00e1rnio. \u2014 V\u00e1 cuidar de seja l\u00e1 o que voc\u00ea estava fazendo \u2014 ela apontou para a minha camisa \u2014, s\u00f3 me deixe em paz. \u2014 Ela seguiu a passos firmes para dentro da mans\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Desci meus olhos para a camisa que tinha respingos de sangue.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Merda.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>%Matteo% Perroni [&#8230;] [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":54,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2100],"class_list":["post-6207","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-vincere"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/6207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/54"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=6207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}