{"id":5891,"date":"2011-01-11T17:56:00","date_gmt":"2011-01-11T20:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-20T17:58:04","modified_gmt":"2025-10-20T20:58:04","slug":"prologo","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/the-sunrise\/prologo\/","title":{"rendered":"Pr\u00f3logo"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003Eu podia sentir a<\/span> dor da tortura em ver o amor de sua vida morrer. Podia entender todas as emo\u00e7\u00f5es que passavam por entre seu corpo como pequenos choques que corriam de segundo em segundo, n\u00e3o o deixando esquecer de que ele estava vivo. Tamb\u00e9m sabia que tudo isso era em v\u00e3o. A vontade de morrer era maior. \u00c9 o que sentimos quando estamos de frente com a morte, mas ela n\u00e3o escolhe nos levar, e sim aquela que sempre dissemos dar a vida por.<br>\u2003\u2003O que eu poderia dizer? O que poderia fazer? Nada. Essa era a resposta.<br>\u2003\u2003Porque eu sabia como ele estava, o que ele queria. Ele queria ser consolado, ao mesmo tempo queria ser deixado em paz. Queria sua garota de volta. Mas n\u00e3o se pode reviver os mortos.<br>\u2003\u2003A chuva ca\u00eda torrencialmente, indicando a tristeza de Deus. As gotas eram suas l\u00e1grimas, o vento seus suspiros de pesar e o c\u00e9u escuro seu mundo. At\u00e9 Deus era contra a morte dela. Desnecess\u00e1ria.<br>\u2003\u2003Meus p\u00e9s estavam parados na lama que se tornava mais pastosa cada vez que a \u00e1gua do c\u00e9u lhe tocava. Eu o assistia chorar e se lamentar. Prometer vingan\u00e7a.<br>\u2003\u2003- Temos que ir. \u2013 digo em tom suficiente para que ele pudesse me ouvir.<br>\u2003\u2003- V\u00e1 voc\u00ea. \u2013 ou\u00e7o em resposta.<br>\u2003\u2003- N\u00e3o posso, voc\u00ea ir\u00e1 fazer alguma besteira se eu for.<br>\u2003\u2003Ele sabia que eu estava certa. Sabia que sua sanidade n\u00e3o estava cem por cento e que tentaria se matar.<br>\u2003\u2003Aos poucos e lentamente ele foi se levantando, limpando o nariz com a manga do casaco que vestia. Me aproximo com o guarda-chuva que segurava e impe\u00e7o as gotas de continuarem o molhando. Sem dizer mais nada, deixamos o corpo dela deitado, como se estivesse dormindo, o sangue lavado pela chuva.<br>\u2003\u2003O grupo que acompanh\u00e1vamos havia nos deixado para tr\u00e1s. Mas isso n\u00e3o nos apavorava mais do que a ideia de que est\u00e1vamos sozinhos no mundo.<\/p>\n<p>\u2003\u2003- Como voc\u00ea conseguiu? \u2013 me perguntou no dia seguinte, enquanto comia a lata de feij\u00e3o que eu havia lhe dado. A comida estava ficando escassa. T\u00ednhamos de pensar em algo para sobreviver, mas isso estava por minha conta. Ele ainda estava fragilizado demais.<br>\u2003\u2003Levanto meu olhar e ele, com a boca cheia, explica:<br>\u2003\u2003- Sobreviver, sabendo que a sua vida se foi para sempre.<br>\u2003\u2003Desvio o olhar para o desenho que eu fazia no ch\u00e3o. Um sol. Eu amava o sol. Seus raios, sua claridade, seu brilho, seu calor, a felicidade que trazia \u00e0s pessoas, sua fun\u00e7\u00e3o em mostr\u00e1-las da maneira que elas s\u00e3o. Eu sempre admirei essa estrela maior. Sempre tive o sonho de um dia acordar em uma bela casa, ao lado de Liam, e me deparar com o sol brilhando em nossa janela. Abro um pequeno sorriso.<br>\u2003\u2003- Minha vida se foi, mas n\u00e3o \u00e9 por isso que devo matar a dele, que sou eu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[2018],"class_list":["post-5891","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-the-sunrise"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/5891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=5891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}