{"id":5781,"date":"2020-10-24T13:04:00","date_gmt":"2020-10-24T16:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-21T18:40:07","modified_gmt":"2025-11-21T21:40:07","slug":"chapter-one","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/the-companions-tales\/chapter-one\/","title":{"rendered":"Chapter one"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003%Penelope% encarava a pra\u00e7a<\/span> cheia de crian\u00e7as brincando enquanto ouvia sua m\u00fasica favorita com seus headphones soando no \u00faltimo volume. Tentava se livrar da sensa\u00e7\u00e3o de tristeza que lhe rondava havia algum tempo e aquele lugar era para onde sempre ia depois de seu turno na ala infantil do hospital da cidade. Ela havia se voluntariado havia alguns anos para contar hist\u00f3rias aos pequeninos.<br>\u2003\u2003\u00c0s vezes desejava arduamente voltar a ser crian\u00e7a, quando seu pai e sua m\u00e3e ainda estavam ao seu lado e ainda tinha uma fam\u00edlia feliz. N\u00e3o que sua tia Lucy n\u00e3o fosse uma boa fam\u00edlia, mas n\u00e3o era a mesma coisa. Tia Lucy nunca havia se sentado ao seu lado na cama para faz\u00ea-la dormir quando crian\u00e7a; nunca lhe contou hist\u00f3rias maravilhosas ou cantou uma can\u00e7\u00e3o de ninar. Claro que ela lhe dera educa\u00e7\u00e3o e carinho, mas mesmo assim, faltava-lhe um abra\u00e7o maternal, um beijo de boa noite, um sorriso a mais&#8230;<br>\u2003\u2003%Pennie% suspirou vendo algumas m\u00e3es abra\u00e7arem seus filhos no parquinho.<br>\u2003\u2003Ela era bem pequena quando perdeu seus pais, mas lembran\u00e7as de pessoas como eles, seus pais, <em>t\u00e3o especiais<\/em>, n\u00e3o eram feitas para serem esquecidas.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003J\u00e1 estava come\u00e7ando a escurecer, a tarde j\u00e1 se ia e dava lugar ao anoitecer quando %Penelope% levantou-se para caminhar de volta para casa.<br>\u2003\u2003Andava lentamente pelo percurso que sempre fazia, sem parar de ouvir as m\u00fasicas que tocavam em seu fone. \u00c0s vezes olhava para tr\u00e1s e at\u00e9 para cima durante a caminhada, tinha a estranha sensa\u00e7\u00e3o de que algu\u00e9m a observava, mas tudo o que via eram as estrelas que come\u00e7avam a brilhar no c\u00e9u noturno de Londres.<br>\u2003\u2003A noite come\u00e7ava a esfriar quando finalmente entrou na casa de sua tia Lucy, seu \u00fanico lar.<br>\u2003\u2003\u2014 Boa noite, querida \u2014 Tia Lucy murmurou para a sobrinha sem tirar os olhos do que preparava para o jantar.<br>\u2003\u2003\u2014 Boa noite, tia \u2014 respondeu %Penelope% de volta caminhando diretamente para seu quarto.<br>\u2003\u2003Largou sua mochila num canto e se jogou em sua cama encarando a janela. Come\u00e7ou a cantarolar uma can\u00e7\u00e3o que sua m\u00e3e costumava cantar ao coloc\u00e1-la para dormir. Olhou para as estrelas que j\u00e1 brilhavam com certa intensidade no c\u00e9u noturno, lembrando de momentos de anos antes, quando ainda era uma crian\u00e7a. Sua m\u00e3e costumava dizer que estrelas cadentes costumavam dar sorte e realizar desejos, por\u00e9m, havia tempos que n\u00e3o via uma no c\u00e9u de Londres. Olhando naquela noite, ela decidiu, outras estrelas \u201ccomuns\u201d poderiam funcionar, <em>tinham <\/em>que funcionar. Ainda cantarolando a can\u00e7\u00e3o de ninar, fechou os olhos e desejou, desejou que sua vida mudasse, que pudesse ter nove ou dez anos de idade novamente, um tempo em que sua imagina\u00e7\u00e3o infantil conseguia fantasiar com lugares bonitos, com seus pais tomando ch\u00e1 no jardim, com sonhos coloridos&#8230; Sentiu suas p\u00e1lpebras pesarem com o cansa\u00e7o, seus olhos se fecharam e %Penelope% mergulhou num sono profundo e sem sonhos.<\/p>\r\n\u2003\u2003%Pennie% abriu os olhos e percebeu que j\u00e1 passava da meia-noite. Sentiu o est\u00f4mago reclamar de fome e foi at\u00e9 a cozinha ver se havia algo que lhe apetecesse. Sua tia Lucy havia deixado um prato fundo tampado em cima da mesa e embaixo dele, um pequeno bilhete.\r\n<p align=\"center\"><em>\u201cEu ia te acordar, mas estava dormindo t\u00e3o bem que decidi deixa-la descansar. Caso acorde com fome, deixei a sopa no prato.\u201d<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003%Penelope% sorriu. Apesar de tudo, Lucy ainda agia como uma m\u00e3e \u00e0s vezes.<br>\u2003\u2003Pegou o prato de sopa e o colocou no micro-ondas para esquentar. Adorava a sopa de legumes que a tia fazia. Era um dos pratos favoritos da garota. Terminou de comer em poucos minutos, lavou o prato e os talheres, deixando a cozinha arrumada como a encontrara antes. Caminhou para o quarto e pegou seu pijama, a fim de tomar banho antes de voltar a dormir.<br>\u2003\u2003Depois de um longo per\u00edodo no banheiro, escovando os dentes e relaxando no banho, finalmente sentiu-se bem para dormir, quentinha e limpa. Caminhou pregui\u00e7osamente em dire\u00e7\u00e3o ao seu quarto com um copo cheio de \u00e1gua em m\u00e3os. Durante a madrugada, %Penelope% costumava sentir bastante sede, e para poupar tempo, sempre deixava um copo com \u00e1gua em sua cabeceira.<br>\u2003\u2003Fechava a porta distra\u00edda quando percebeu que n\u00e3o estava sozinha, um rapaz com vestimentas um tanto peculiares observava o quarto com aten\u00e7\u00e3o e interesse; ao perceber a presen\u00e7a de %Penelope% ali, virou-se para a garota com um sorriso caloroso.<br>\u2003\u2003\u2014 %Penelope%! \u2014 exclamou se aproximando de bra\u00e7os abertos e com um sorriso largo estampando os l\u00e1bios.<br>\u2003\u2003A garota arregalou os olhos de susto. <em>Quem diabos era aquele homem?<\/em><br>\u2003\u2003Preparou os pulm\u00f5es para soltar um grande grito quando o rapaz chegou perto o bastante para segurar-lhe pelo bra\u00e7o e calar-lhe com o dedo indicador.<br>\u2003\u2003\u2014 Shhh! \u2014 sussurrou olhando para os lados.<br>\u2003\u2003Por algum motivo, o grito preso na garganta de %Pennie% se esvaiu aos poucos, e uma sensa\u00e7\u00e3o de calma a tomou fazendo seu corpo relaxar, o que consequentemente fez com que o estranho invasor a soltasse.<br>\u2003\u2003\u2014 Q-quem \u00e9 voc\u00ea? \u2014 gaguejou ela, ainda assustada.<br>\u2003\u2003\u2014 Sou o Doutor \u2014 o homem apresentou-se com um aceno e um sorriso. \u2014 H\u00e1 quanto tempo, %Penelope%! \u2014 exclamou deixando sua empolga\u00e7\u00e3o transparecer. \u2014 Veja como cresceu! \u2014 disse pegando na m\u00e3o da mo\u00e7a e a fazendo girar num rodopio elegante.<br>\u2003\u2003 %Pennie% achou melhor n\u00e3o dizer muita coisa, talvez aquele homem fosse um louco, afinal. Mas <em>por que<\/em> um louco saberia seu nome? E o que estaria fazendo em seu quarto? E ele dissera \u201cH\u00e1 quanto tempo\u201d?<br>\u2003\u2003\u2014 Desculpe, mas&#8230; \u2014 Ela se afastou um pouco do rapaz sentando-se perto da mesinha de cabeceira. Poderia usar o abajur em cima dela para se defender caso o estranho fizesse men\u00e7\u00e3o de atacar. \u2014 N\u00f3s nos conhecemos? \u2014 perguntou por fim, vendo a anima\u00e7\u00e3o no rosto jovem se esvair e dar lugar a uma express\u00e3o s\u00e9ria.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas \u00e9 claro que sim! \u2014 exclamou de forma bastante indignada e espalhafatosa. \u2014 N\u00e3o se lembra de mim? \u2014 perguntou chegando bem perto de %Pennie%, fazendo a mo\u00e7a recuar e se encolher um pouco na cama. \u2014 <em>O Doutor!<\/em> \u2014 continuou, aproximando seu rosto ainda mais do de %Penelope%, os dedos apontados para si mesmo.<br>\u2003\u2003O homem levantou-se resmungando para si mesmo quando percebeu o olhar confuso da garota em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pergunta. %Pennie% por sua vez, encarou-o com a sobrancelha erguida, questionando seriamente a sanidade daquele jovem rapaz, sentiu-se chocada e um pouco desapontada por ele ser um maluco. Ele era bastante atraente se fosse analisar bem, tirando o estilo nem um pouco convencional \u2014 as roupas n\u00e3o pareciam condizer com a \u00e9poca em que estavam, e nem o modo de falar&#8230; Ou talvez fosse <em>exatamente<\/em> esse ar exc\u00eantrico que o tornasse atraente. %Penelope% analisava o homem andar de um lado para o outro resmungando e falando consigo mesmo.<br>\u2003\u2003\u2014 Ah! \u2014 exclamou de repente, fazendo a garota pular de surpresa. \u2014 N\u00e3o se lembra das nossas viagens para planetas como aquele com rios de chocolate? \u2014 Perguntou gesticulando, sem parar de andar. \u2014 Talvez se lembre de Pitchgard e dos pequenos Pulchs&#8230; \u2014 tentou esperan\u00e7oso, mas nada recebeu em resposta a n\u00e3o ser o mesmo olhar de avalia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o reconhecimento. Voltou a resmungar sozinho enquanto andava em c\u00edrculos.<br>\u2003\u2003\u2014 Rios de chocolate? Pitchgard e Pulchs? \u2014 ele ouviu %Penelope% murmurar ap\u00f3s um tempo. A garota deixou a defensiva para encarar o jovem. \u2014 Smith&#8230; \u2014 ela se viu pronunciando o nome. Algo no fundo de sua mente parecia querer vir \u00e0 tona.<br>\u2003\u2003\u2014 Sim, Smith! \u2014 O rapaz parou de caminhar e virou-se completamente empolgado para a mo\u00e7a. \u2014 Lembra-se de Smith? \u2014 perguntou abaixando em frente \u00e0 mo\u00e7a para que seus rostos ficassem na mesma altura.<br>\u2003\u2003\u2014 Sim&#8230; Smith, o pulch&#8230; \u2014 %Pennie% murmurou concordando.<br>\u2003\u2003\u2014 Sim! O pulch! \u2014 o homem exclamou batendo uma m\u00e3o na outra e depois apontando o indicador para %Penelope%.<br>\u2003\u2003\u2014 O pequeno e simp\u00e1tico pulch&#8230; \u2014 ela murmurou. \u2014 <em>Com o qual eu sonhei dez anos atr\u00e1s<\/em> \u2014 ela soltou entredentes. \u2014 <em>Foi s\u00f3 um sonho<\/em>.<br>\u2003\u2003 O homem bateu de leve em sua pr\u00f3pria testa ao ouvir a \u00faltima parte.<br>\u2003\u2003 \u2014 Ah, humanos! \u2014 exclamou massageando as t\u00eamporas de forma teatral. \u2014 Por que precisam se tornar adultos? \u2014 Rresmungou.<br>\u2003\u2003\u2014 Desculpe, o qu\u00ea?<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00eas humanos! \u2014 o homem disse apontando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 %Penelope%. \u2014 Crescem e simplesmente se esquecem da magia do \u201cimposs\u00edvel\u201d! \u2014 disse fazendo aspas ao dizer a \u00faltima palavra.<br>\u2003\u2003\u2014 Talvez porque seja <em>imposs\u00edvel<\/em>? \u2014 a garota sugeriu o \u00f3bvio.<br>\u2003\u2003\u2014 Ah, %Penelope% %Simons%, acho que gostava mais de quando voc\u00ea tinha dez anos e me chamava de \u201cDoutor Pan\u201d. \u2014 O homem suspirou parecendo um pouco desapontado.<br>\u2003\u2003 %Pennie% encarou o tal \u201cDoutor\u201d e ao ouvir a frase que ele acabara de dizer, parou est\u00e1tica, os olhos ligeiramente arregalados e a boca entreaberta.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o pode ser&#8230; \u2014 murmurou com o olhar perdido. \u2014 <em>Foi s\u00f3 um sonho<\/em>&#8230; \u2014 Manteve-se dizendo para si mesma.<br>\u2003\u2003\u2014 Alguns sonhos podem ser reais&#8230; \u2014 Ouviu a voz do rapaz dizer ao fundo.<br>\u2003\u2003\u2014 Quem \u00e9 voc\u00ea&#8230;? \u2014 %Penelope% perguntou novamente, encarando o invasor de seu quarto.<br>\u2003\u2003\u2014 Sou o Doutor. \u2014 Sorriu apresentando-se novamente naquela noite. \u2014 E voc\u00ea, %Penelope% %Simons%, gostaria de viajar no tempo-espa\u00e7o e visitar mundos desconhecidos em minha companhia <em>novamente<\/em>? \u2014 o tal Doutor perguntou estendendo-lhe a m\u00e3o num convite.<br>\u2003\u2003%Pennie% sentiu-se uma completa louca naquele instante, mas todo o seu corpo e mente <em>queriam<\/em> que aquele convite fosse aceito. Ela estendeu o bra\u00e7o e aceitou a m\u00e3o que lhe era oferecida, logo foi puxada em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 janela escancarada, o que a fez parar por um instante.<br>\u2003\u2003\u2014 Pela <em>janela<\/em>? \u2014 ela perguntou descrente.<br>\u2003\u2003\u2014 Ora vamos, %Pennie%! \u2014 Oo Doutor exclamou, pegando a garota no colo sob protestos e pulando a janela com habilidade, sem esfor\u00e7o algum.<br>\u2003\u2003O homem correu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 uma cabine de pol\u00edcia azul, t\u00edpicas de Londres, que definitivamente n\u00e3o deveria estar ali, no quintal da casa de %Penelope%. O Doutor abriu a porta da cabine com certa dificuldade, j\u00e1 que ainda carregava a garota que retrucava e murmurava alguma coisa sobre estarem entrando numa cabine min\u00fascula, quando finalmente conseguiu entrar, o resmungar de sua nova companheira parou.<br>\u2003\u2003\u2014 Bem vinda de volta \u00e0 TARDIS! \u2014 ele exclamou.<br>\u2003\u2003O sil\u00eancio reinou por um minuto inteiro. Para o Doutor era inevit\u00e1vel se encantar todas as vezes em que embarcava em sua \u201ccaixa azul\u201d com um novo acompanhante de viagens, sua <em>sexy thing<\/em> era simplesmente deslumbrante a qualquer olhar, capaz de prender uma pessoa por horas e mais horas, apenas admirando-a.<br>\u2003\u2003O Doutor observava sua TARDIS com o olhar abobalhado. Sua fiel companheira desde o in\u00edcio de toda aquela sua jornada. Muitos iam e vinham, mas ela, sua <em>sexy<\/em>, permanecia. Ele poderia passar horas \u00e0 fio naquela mesma posi\u00e7\u00e3o, apenas observando. De fato ficaria, se n\u00e3o sentisse algo o cutucar de leve no ombro, chamando-lhe a aten\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003\u2014 Hum&#8230; Doutor&#8230;? \u2014 Ouviu a voz fininha de algu\u00e9m o chamar.<br>\u2003\u2003\u2014 Oh! \u2014 ele exclamou quando finalmente lembrou-se de %Penelope%, que ainda estava em seus bra\u00e7os. Deixou que a jovem se colocasse em p\u00e9 a sua frente, e esperou, esperou pela rea\u00e7\u00e3o que todos os adultos humanos tinham ao entrar pela primeira vez em sua m\u00e1quina do tempo. \u2014 E ent\u00e3o&#8230;?<br>\u2003\u2003\u2014 &#8230; Isso \u00e9 t\u00e3o&#8230; \u2014 %Pennie% caminhava um tanto cautelosa, observando tudo ao seu redor. \u2014 T\u00e3o&#8230;<br>\u2003\u2003\u2014 Sim&#8230;? \u2014 o jovem rapaz incentivou.<br>\u2003\u2003\u2014 T\u00e3o&#8230; \u2014 A garota n\u00e3o conseguia raciocinar direito para definir uma frase com algum sentido. Apenas conseguia se encantar com aquela cabine policial azul t\u00e3o peculiar.<br>\u2003\u2003\u2014 Maior por dentro \u2014 o Doutor decidiu completar a frase com o que todos diziam, ao mesmo tempo em que ouviu %Penelope% murmurar: <em>\u201cDiferente do que eu me lembrava\u201d<\/em>.<br>\u2003\u2003Os dois se encararam, o Doutor com uma express\u00e3o surpresa, j\u00e1 que sua nova companheira havia relutado tanto em aceitar que aquele sonho de dez anos atr\u00e1s n\u00e3o havia sido apenas um sonho; %Penelope% riu de leve com o efeito das frases ditas por ambos ao mesmo tempo, se cruzando.<br>\u2003\u2003\u2014 Bem! \u2014 o rapaz exclamou, recuperando-se rapidamente da surpresa, esfregando as palmas das m\u00e3os umas nas outras e seguindo em dire\u00e7\u00e3o ao centro de controle da TARDIS. \u2014 Por onde quer come\u00e7ar? \u2014 Sorriu encarando algumas informa\u00e7\u00f5es na tela de navega\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003%Penelope% ficou sem saber o que dizer. Por onde poderia come\u00e7ar? Ela mal sabia <em>o que <\/em>estava prestes a come\u00e7ar, tampouco para onde ir ou <em>quando<\/em> ir.<br>\u2003\u2003\u2014 Surpreenda-me! \u2014 Ela sorriu correndo at\u00e9 onde o Doutor se encontrava, para poder encarar melhor o que ele faria. \u2014 Mas antes&#8230; \u2014 Ela voltou a aten\u00e7\u00e3o ao rapaz que parou de mexer nos comandos da m\u00e1quina para encarar sua companheira.<br>\u2003\u2003\u2014 O qu\u00ea? \u2014 perguntou vendo-a um tanto em d\u00favida se devia ou n\u00e3o dizer alguma coisa.<br>\u2003\u2003\u2014 Por que eu? \u2014 %Penelope% disse por fim, o Doutor suspirou. Por que sempre lhe faziam aquele tipo de pergunta?<br>\u2003\u2003\u2014 Precisamos ter um motivo? \u2014 questionou voltando aos comandos da TARDIS.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Sempre<\/em> h\u00e1 \u2014 a garota disse ainda o encarando s\u00e9ria.<br>\u2003\u2003\u2014 Gosto de visitar velhos amigos de vez em quando \u2014 disse sem encarar a mo\u00e7a que o acompanhava enquanto ele dava voltas e mais voltas apertando bot\u00f5es e puxando alavancas.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003%Pennie% calou-se por algum tempo. Como aquele rapaz singular poderia considera-la amiga, mesmo quando descobrira que ela n\u00e3o se lembrava dele? Certamente, amigos devem se lembrar um do outro, mas tudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele nomeado Doutor, era apenas um borr\u00e3o em sua mente. N\u00e3o se lembrava direito daquele rosto ou das coisas que haviam vivido juntos, eram apenas flashes, lembran\u00e7as de um sonho turvo e inebriado.<br>\u2003\u2003A TARDIS deu um solavanco inesperado, o que fez com que %Penelope% perdesse o equil\u00edbrio e se segurasse por impulso no corrim\u00e3o da curta escada que se encontrava ao seu lado. Tinha a impress\u00e3o de que aquele tipo de coisa <em>sempre<\/em> acontecia quando o Doutor dava \u201cpartida\u201d na m\u00e1quina do tempo.<br>\u2003\u2003Ap\u00f3s a nave se estabilizar e a garota se sentir confiante para soltar a barra de ferro do corrim\u00e3o, ela caminhou ainda boquiaberta para mais perto do Doutor, olhando atentamente cada pequeno detalhe pelos quais seus olhos passavam. Tinha uma vaga lembran\u00e7a de ter corrido, subido e descido por todos os lados no interior daquela cabine azul, mas aquelas lembran\u00e7as estavam enterradas em algum canto de sua mente e inebriadas demais para ter certeza se n\u00e3o estava fantasiando com aquilo apenas para n\u00e3o se achar louca demais por ter entrado com um estranho numa m\u00e1quina do tempo.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o ajudou em nada&#8230; \u2014 resmungou para si mesma enquanto parava para raciocinar e pensar naquela hist\u00f3ria de m\u00e1quina do tempo.<br>\u2003\u2003\u2014 Desculpe, o qu\u00ea? \u2014 perguntou o Doutor tirando os olhos da tela de navega\u00e7\u00e3o para pous\u00e1-los em sua nova companheira.<br>\u2003\u2003\u2014 Nada \u2014 ela disse sorrindo sem gra\u00e7a.<br>\u2003\u2003\u2014 Bem, n\u00e3o importa. \u2014 O rapaz sorriu esfregando suas m\u00e3os. \u2014 Chegamos! \u2014 anunciou pegando %Penelope% pelos ombros e a empurrando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta da nave.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Onde?<\/em> \u2014 perguntou ela um pouco assustada. Ou ser\u00e1 que deveria ter perguntado <em>quando<\/em>?<br>\u2003\u2003\u2014 Abra a porta e descobrir\u00e1. \u2014 O Doutor se afastou um pouco com um pequeno sorriso nos l\u00e1bios.<br>\u2003\u2003%Pennie% encarou a porta a sua frente com certo receio. E se tivessem ido parar num planeta com criaturas ferozes que n\u00e3o gostassem dela? Ou ent\u00e3o, em um planeta <em>sem oxig\u00eanio<\/em>? Pensou bem na \u00faltima hip\u00f3tese e virou-se para encarar o homem que a observava curiosamente. Ele ainda mantinha o sorriso, e agora seu olhar tinha uma sombra de expectativa mascarada. %Penelope% suspirou. Se ele fosse <em>mesmo<\/em> o <em>seu<\/em> Doutor Pan, ent\u00e3o n\u00e3o lhe faria mal. E tamb\u00e9m n\u00e3o deixaria que abrisse a porta primeiro se o que estivesse do lado de fora fosse algo perigoso. Tomou coragem e um pouco da insanidade que lhe restara e abriu a porta da TARDIS com cuidado. Seus olhos demoraram alguns instantes para se acostumarem \u00e0 extrema claridade do lado de fora. Seu olfato captou um cheiro que lhe remetia \u00e0 mais lembran\u00e7as turvas. Era um cheiro de baunilha, ou talvez de amora, quem sabe morango? Ou talvez fossem <em>todos aqueles cheiros misturados<\/em>!<br>\u2003\u2003%Penelope% piscou v\u00e1rias vezes e ent\u00e3o finalmente se acostumou com a claridade, e ent\u00e3o foi que conseguiu enxergar um gigante peludo pulando em sua dire\u00e7\u00e3o. Com um gritinho agudo a garota saltou para dentro da nave novamente e com estrondo e desespero, fechou a porta.<br>\u2003\u2003Olhou assustada na dire\u00e7\u00e3o do Doutor, este apenas parecia se divertir com o pavor que ela deixava transparecer. %Pennie% ficara indignada com aquilo. Como ele p\u00f4de deixa-la correr perigo daquela forma e ainda se achar <em>amigo<\/em>? Foi ent\u00e3o que ouviu um choramingar baixo do lado de fora da cabine, algo parecido com um c\u00e3o, e tamb\u00e9m algo raspando a porta pelo lado de fora. %Penelope% parou at\u00e9 mesmo de respirar por um breve instante. Aquele choramingar puxara dezenas de imagens \u00e0 sua mente, um turbilh\u00e3o colorido na velocidade da luz em sua cabe\u00e7a. As coisas vieram t\u00e3o rapidamente, que chegava a ser dif\u00edcil entender tudo, mas a \u00fanica coisa que importava era: Ela conhecia muito bem aquele barulho do lado de fora da TARDIS.<br>\u2003\u2003%Penelope% olhou mais uma vez em dire\u00e7\u00e3o ao Doutor, este sorriu e ergueu a sobrancelha a encorajando a tentar novamente. A garota endireitou-se e respirou fundo, torcendo para que suas mem\u00f3rias n\u00e3o estivessem lhe pregando uma pe\u00e7a. Ent\u00e3o foi em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta com cautela e com mais cuidado ainda, abriu a mesma. N\u00e3o foi preciso muito tempo para a criatura do lado de fora pular em sua dire\u00e7\u00e3o de forma assustadora, a derrubando no ch\u00e3o da cabine. Surpreendentemente, o que se seguiu depois foi um ataque de lambidas e nada mais.<br>\u2003\u2003\u2014 Bem-vinda de volta \u00e0 Pitchgard! \u2014 O Doutor sorriu estendendo a m\u00e3o para %Penelope%, logo depois de tirar o grande animal \u2014 que a garota n\u00e3o sabia como descrever \u2014 de cima de sua companheira. \u2014 Parece que algu\u00e9m ficou feliz em te ver novamente \u2014 o rapaz murmurou rindo e fazendo carinho no topo da cabe\u00e7a do gigante animal peludo.<br>\u2003\u2003\u2014 Smith? \u2014 %Penelope% perguntou boquiaberta encarando o animal que se parecia com um dentes de sabre, mas completamente branco e bastante peludo. \u2014 Smith? \u2014 ela perguntou novamente, agora encarando o Doutor. \u2014 <em>Este<\/em> \u00e9 o <em>meu pequeno Smith<\/em>? \u2014 N\u00e3o conseguiu esconder a express\u00e3o espantada de seu rosto.<br>\u2003\u2003\u2014 Sim. \u2014 O homem sorriu dizendo simplesmente, e como para refor\u00e7ar a resposta, o animal aproximou-se e lambeu o rosto de %Pennie%.<br>\u2003\u2003\u2014 AH MEU DEUS, SMITH! \u2014 Ela finalmente se deixou levar pelas emo\u00e7\u00f5es, saltou em dire\u00e7\u00e3o ao animal, e logo ambos j\u00e1 estavam rolando no \u201chall de entrada\u201d da TARDIS, tal como fizeram dez anos atr\u00e1s.<\/p>\r\n<hr>\r\n<p>\u2003\u2003%Penelope% encarava tudo maravilhada. A Pitchgard de suas lembran\u00e7as \u2014 que h\u00e1 pouco haviam voltado, ao menos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele planeta \u2014 n\u00e3o conseguiam fazer jus ao que aquele lugar realmente era. As cores de Pitchgard eram diferentes de qualquer outra que j\u00e1 tivesse visto, t\u00e3o mais vivas, t\u00e3o mais vibrantes&#8230; <em>Como pudera esquecer de um lugar como aquele?<\/em><br>\u2003\u2003%Pennie% saltitava em todas as dire\u00e7\u00f5es enquanto era seguida por um Smith empolgado e um Doutor sorridente. Ela ainda usava o pijama de sapinhos com o qual embarcara naquela aventura, mas quem realmente estava ligando? N\u00e3o o Doutor. Na verdade ele sequer sabia o motivo dos humanos mudarem de roupa para tudo. Roupa para sair, roupa para ir ao parque, roupa para dormir&#8230; Qual o motivo para tantas roupas? %Penelope% poderia ficar de pijamas o resto da vida, ele n\u00e3o ligaria.<br>\u2003\u2003\u2014 Onde est\u00e3o os outros Pulchs? \u2014 %Pennie% finalmente parou de andar e virou-se para encarar o Doutor, questionando.<br>\u2003\u2003\u2014 Oh, bem \u2014 ele murmurou co\u00e7ando a nuca. \u2014 Em Pitchgard os pulchs dormem durante o ver\u00e3o \u2014 o rapaz come\u00e7ou explicando.<br>\u2003\u2003\u2014 Invernar no ver\u00e3o&#8230; \u2014 %Penelope% processava a informa\u00e7\u00e3o com express\u00e3o pensativa. \u2014 Por que Smith n\u00e3o est\u00e1 invernando tamb\u00e9m? \u2014 perguntou por fim, erguendo a sobrancelha.<br>\u2003\u2003\u2014 Ele \u00e9 um dos pulchs defensores de Pitchgard, enquanto os pequenos dormem para amadurecer, os defensores tomam conta das terras \u2014 o Doutor explicou voltando a caminhar, sendo acompanhado por %Penelope% que voltou a saltitar pelo caminho de grama baixa em que se encontravam.<br>\u2003\u2003\u2014 Quer dizer que meu pequeno Smith agora \u00e9 um guardi\u00e3o, hum? \u2014 A garota sorriu parando e virando-se na dire\u00e7\u00e3o do pulch, acariciando sua enorme cabe\u00e7a e recebendo lambidas em troca.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Defensor<\/em> \u2014 corrigiu o homem voltando a parar a caminhada para encarar sua companheira.<br>\u2003\u2003\u2014 Guardi\u00e3o soa muito melhor. \u2014 A garota deu l\u00edngua abra\u00e7ando o animal, completamente radiante.<br>\u2003\u2003O Doutor riu da imagem a sua frente. Como aquela jovem mo\u00e7a se parecia muito mais com a garotinha que conhecera anos antes agora. Com aquele brilho sonhador no olhar que toda crian\u00e7a tinha e que ele admirava com todo o seu ser. O brilho que se apagava aos poucos enquanto a idade ia chegando, junto com o que os humanos chamavam de maturidade. Por que n\u00e3o se podia crescer sem perder aquele brilho intenso nos grandes olhos curiosos? Ele n\u00e3o entendia muito bem aquilo, mas estava feliz em ver ao menos uma fa\u00edsca cintilante surgir nos olhos adultos daquela %Penelope% madura.<br>\u2003\u2003Os pensamentos de velho senhor do tempo foram interrompidos pelo soar de dois est\u00f4magos roncando quase que simultaneamente.<br>\u2003\u2003\u2014 Acho que \u00e9 hora de irmos \u2014 o rapaz murmurou.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas j\u00e1? \u2014 %Pennie% perguntou num tom desapontado, sendo acompanhada por um resmungar de Smith.<br>\u2003\u2003\u2014 Est\u00e1 na hora do almo\u00e7o dos defensores. N\u00e3o \u00e9 uma boa ideia ficarmos para o banquete \u2014 sussurrou para a garota que o encarou de sobrancelha erguida.<br>\u2003\u2003\u2014 Certo, por que est\u00e1 sussurrando? \u2014 perguntou ela no mesmo tom baixo do Doutor.<br>\u2003\u2003\u2014 Defensores ficam bastante sens\u00edveis quando est\u00e3o com fome \u2014 explicou empurrando discretamente a garota de volta pelo caminho de onde vieram.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas Smith \u00e9 nosso amigo&#8230; \u2014 ela tentava argumentar, mas se deixava ser empurrada pelo caminho.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas aqueles outros tr\u00eas n\u00e3o parecem estar dispostos a fazer novas amizades \u2014 o Doutor murmurou indicando discretamente mais tr\u00eas enormes pulchs que se aproximavam sorrateiramente de onde estavam, como le\u00f5es espreitando sua presa.<br>\u2003\u2003 No mesmo instante em que %Penelope% avistou os tr\u00eas, os mesmos arreganharam os dentes de forma feroz, preparando-se para atacar.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Corra!<\/em> \u2014 o Doutor exclamou empurrando a garota, que se p\u00f4s a correr em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 TARDIS. \u2014 Corra! Corra! \u2014 ele continuou exclamando.<br>\u2003\u2003%Penelope% chegou at\u00e9 a porta da cabine azul, mas no desespero acabou se atrapalhando ao tentar abrir a porta.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o abre! \u2014 Exclamou tentando puxar a porta.<br>\u2003\u2003\u2014 Empurre! \u2014 O Doutor vinha correndo olhando de relance para tr\u00e1s, em dire\u00e7\u00e3o aos pulchs famintos que os perseguiam.<br>\u2003\u2003\u2014 Mas est\u00e1 escrito <em>puxe<\/em>! \u2014 ela exclamou de volta batendo na porta, como que esperando um milagre.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Empurre!<\/em> \u2014 O Doutor chegou empurrando a porta da TARDIS e abrindo a mesma, logo puxando %Penelope% para dentro e fechando novamente a cabine azul.<br>\u2003\u2003 O homem correu em dire\u00e7\u00e3o ao centro de controle da m\u00e1quina e apertou alguns bot\u00f5es, logo a TARDIS partia de Pitchgard com um solavanco.<br>\u2003\u2003O Doutor escorregou teatralmente at\u00e9 o ch\u00e3o, ofegante de tanto correr. Ainda com a respira\u00e7\u00e3o descompassada, procurou %Pennie% com o olhar. Ela estava sentada no ch\u00e3o, encostada na porta da m\u00e1quina do tempo, o corpo largado e um pouco mole; seus olhos estavam encarando um ponto fixo no nada. O Doutor levantou-se imediatamente e foi em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 garota, um tanto preocupado.<br>\u2003\u2003\u2014 %Penelope%? \u2014 chamou enquanto agachava-se ao lado da mo\u00e7a. \u2014 %Penelope%, est\u00e1 tudo bem? \u2014 perguntou passando a m\u00e3o em frente aos olhos de %Pennie%, que piscou v\u00e1rias vezes e lentamente voltou seu olhar para o rapaz que a encarou cautelosamente.<br>\u2003\u2003 Ela apenas permaneceu encarando-o um pouco perdida. O Doutor come\u00e7ava a ficar realmente preocupado com o estado psicol\u00f3gico de %Penelope% quando ela finalmente sorriu.<br>\u2003\u2003\u2014 Isso foi&#8230; <em>De mais!<\/em> \u2014 soltou num tom empolgado, fazendo o rapaz soltar um suspiro de al\u00edvio por ver alguma rea\u00e7\u00e3o da garota. \u2014 Oh meu Deus! Estou me lembrando! Estou me lembrando! \u2014 ela continuou exclamando. \u2014 Tudo era t\u00e3o divertido! \u2014 Ela se levantou num pulo e rodopiou alegremente.<br>\u2003\u2003O Doutor sorriu. Mesmo por alguns instantes apenas, ele p\u00f4de vislumbrar o brilho encantador no olhar que a pequena %Penelope% %Simons% sempre tivera quando se conheceram. Ele sentia falta daquela juventude que toda crian\u00e7a carregava dentro de si.<br>\u2003\u2003 \u2014 E ent\u00e3o, Doutor Pan, qual vai ser nossa pr\u00f3xima parada? \u2014 %Penelope% voltou-se para o Doutor com um sorriso enorme nos l\u00e1bios com o brilho intenso e mais vivo do que nunca no olhar.<br>\u2003\u2003O rapaz levantou-se do ch\u00e3o onde permanecera enquanto observava sua companheira e ajeitou suas roupas.<br>\u2003\u2003\u2014 Qualquer lugar, qualquer hora. Para onde voc\u00ea quiser! \u2014 Sorriu correndo empolgado para os controles de sua TARDIS.<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu ia te acordar, mas estava dormindo t\u00e3o bem que decidi deixa-la descansar. 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