{"id":5474,"date":"2025-06-24T09:06:00","date_gmt":"2025-06-24T12:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-17T09:07:39","modified_gmt":"2025-10-17T12:07:39","slug":"capitulo-15","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/segredo-de-escritorio\/capitulo-15\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 15"},"content":{"rendered":"\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003Eu segurei o bra\u00e7o<\/span> dela antes mesmo de pensar no que estava fazendo.<br>\u2003\u2003Era impulso. Era instinto. Era&#8230; ela.<br>\u2003\u2003%Alice% parou, r\u00edgida, como se estivesse decidindo entre me encarar ou continuar seguindo em frente como se eu fosse s\u00f3 mais uma lembran\u00e7a ruim. Mas ela virou. Lenta. Hesitante. E os olhos dela \u2014 aqueles olhos que eu jurava j\u00e1 ter aprendido a decifrar \u2014 eram uma bagun\u00e7a de coisas que ela n\u00e3o sabia como esconder.<br>\u2003\u2003Raiva.<br>\u2003\u2003Tristeza.<br>\u2003\u2003Saudade.<br>\u2003\u2003Medo.<br>\u2003\u2003\u2014 O que voc\u00ea t\u00e1 fazendo aqui? \u2014 minha voz saiu mais rouca do que eu gostaria. Ela ergueu o queixo, a armadura intacta, mas eu conhecia as rachaduras.<br>\u2003\u2003\u2014 Vim&#8230; \u2014 a palavra vacilou nos l\u00e1bios dela, coisa rara \u2014 Vim te parabenizar. Pelo novo trabalho. \u2014 For\u00e7ou um meio sorriso que n\u00e3o chegou nem perto dos olhos, mostrando o vinho que estava na m\u00e3o direita. \u2014 Mas vejo que voc\u00ea j\u00e1&#8230; seguiu em frente.<br>\u2003\u2003A forma como ela olhou brevemente para a porta aberta atr\u00e1s de mim \u2014 onde a risada abafada da Clara e do Marcos ainda ecoava \u2014 foi como levar um soco sem usar as m\u00e3os.<br>\u2003\u2003Respirei fundo.<br>\u2003\u2003\u2014 A Clara \u00e9 minha irm\u00e3, %Alice%. \u2014 falei, baixo, para n\u00e3o assustar o que ainda existia entre n\u00f3s. \u2014 Aquele cara na sala \u00e9 o namorado dela.<br>\u2003\u2003\u2014 Ah. \u2014 ela soltou, t\u00e3o baixinho que pareceu mais pra ela mesma do que pra mim. O rosto dela perdeu parte da cor.<br>\u2003\u2003Soltei devagar o bra\u00e7o dela, como quem solta algo fr\u00e1gil demais para se arriscar a quebrar.<br>\u2003\u2003\u2014 Vem. \u2014 pedi, em voz baixa. \u2014 Vamos conversar. Por favor.<br>\u2003\u2003%Alice% hesitou. A velha %Alice% \u2014 a que calculava todos os riscos \u2014 teria dado meia-volta na hora. Mas essa %Alice%&#8230; essa que estava parada na minha frente, com o cora\u00e7\u00e3o nos olhos mesmo que tentasse esconder&#8230; ela s\u00f3 assentiu, sem palavras.<br>\u2003\u2003Dei um passo para o lado, abrindo espa\u00e7o para que ela entrasse. E, quando ela passou por mim, o perfume dela \u2014 familiar e devastador \u2014 me acertou em cheio.<br>\u2003\u2003Fechei a porta da sala devagar. O sil\u00eancio entre n\u00f3s era t\u00e3o denso que eu podia quase toc\u00e1-lo.<br>\u2003\u2003N\u00e3o queria que a Clara e o Marcos ouvissem \u2014 ou vissem \u2014 o que estava prestes a acontecer. Ent\u00e3o, sem soltar a m\u00e3o dela, fiz um gesto com a cabe\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao corredor, porque certas conversas merecem ser protegidas do resto do mundo. Mesmo que o que estivesse para acontecer ali, entre quatro paredes, fosse doer pra caralho.<br>\u2003\u2003\u2014 Vamos pro meu quarto. \u2014 falei, num tom que n\u00e3o aceitava muita discuss\u00e3o.<br>\u2003\u2003%Alice% hesitou por um segundo. S\u00f3 um segundo. Depois assentiu. O caminho at\u00e9 l\u00e1 foi curto, mas parecia que cada passo pesava toneladas.<br>\u2003\u2003Empurrei a porta e entrei primeiro, abrindo espa\u00e7o pra ela passar. O quarto estava do jeito que sempre foi: simples, pequeno, meio bagun\u00e7ado \u2014 mas cheio de peda\u00e7os meus: fotos pregadas na parede, um sketchbook aberto na escrivaninha, a cama desfeita e uma camisa jogada na cadeira.<br>\u2003\u2003%Alice% entrou devagar e olhou tudo. Como se absorvesse cada detalhe. Como se, pela primeira vez, estivesse realmente vendo quem eu era fora das gravatas, fora das paredes de vidro da empresa.<br>\u2003\u2003Ela parou diante da parede de fotos. Fotos de fam\u00edlia. Eu pequeno na praia. Clara de chap\u00e9u de anivers\u00e1rio. Meus pais sorrindo em algum Natal antigo. Eu fiquei ali, encostado na porta, s\u00f3 observando. Deixando ela ver.<br>\u2003\u2003Sem m\u00e1scaras. Sem cen\u00e1rio.<br>\u2003\u2003S\u00f3 eu.<br>\u2003\u2003%Alice% virou lentamente para mim. E pela primeira vez naquela noite, ela parecia&#8230; perdida.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea&#8230; \u2014 ela come\u00e7ou, a voz rouca \u2014 &#8230;voc\u00ea tem tanto aqui. Tanta vida. Tanta&#8230; hist\u00f3ria.<br>\u2003\u2003Dei um passo pra mais perto dela.<br>\u2003\u2003\u2014 E voc\u00ea, %Alice%? \u2014 perguntei, baixo. \u2014 O que voc\u00ea tem?<br>\u2003\u2003Ela piscou r\u00e1pido. Como se quisesse afastar algo que amea\u00e7ava transbordar.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o vem aqui s\u00f3 pra fugir, %Alice%. \u2014 insisti, minha voz saindo mais firme agora. \u2014 Voc\u00ea veio porque precisa dizer algo. Ent\u00e3o diz. Eu t\u00f4 aqui. Eu aguento.<br>\u2003\u2003Ela fechou os olhos com for\u00e7a. Respirou fundo. Quando abriu, havia uma dor crua brilhando neles.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu sou uma covarde. \u2014 sussurrou. \u2014 Eu&#8230; \u2014 a voz falhou e ela engoliu em seco \u2014 eu estraguei tudo porque n\u00e3o sei amar. Porque amar, pra mim&#8230; sempre significou perder.<br>\u2003\u2003Fiquei em sil\u00eancio. Deixei ela falar. Deixei ela se despeda\u00e7ar. Porque \u00e0s vezes&#8230; \u00e9 s\u00f3 assim que a gente consegue juntar os peda\u00e7os de volta.<br>\u2003\u2003\u2014 Meu pai&#8230; \u2014 ela come\u00e7ou, o queixo tremendo \u2014 ele foi embora. Me deixou. Deixou a minha m\u00e3e. Saiu daquela casa como se a gente fosse nada.<br>\u2003\u2003%Alice% se abra\u00e7ou, como se ainda sentisse o frio daquele dia.<br>\u2003\u2003\u2014 E minha m\u00e3e&#8230; \u2014 continuou, a voz um fiapo \u2014 ela nunca me abra\u00e7ou pra dizer que ia ficar tudo bem. Ela me ensinou a ser dura. A desconfiar. A n\u00e3o precisar de ningu\u00e9m. \u2014 Fechou os olhos de novo. \u2014 Porque depender de algu\u00e9m&#8230; significa dar a eles o poder de te destruir.<br>\u2003\u2003Ela tremia.<br>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o eu cresci assim. Me armando. Me blindando. Construindo um mundo onde ningu\u00e9m podia me alcan\u00e7ar.<br>\u2003\u2003Dei mais um passo.<br>\u2003\u2003\u2014 At\u00e9 voc\u00ea. \u2014 ela disse, num sussurro quebrado.<br>\u2003\u2003O peito do\u00eda s\u00f3 de v\u00ea-la assim.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea me viu. Voc\u00ea&#8230; me desarmou. E eu n\u00e3o soube lidar. \u2014 ela apertou as m\u00e3os contra o peito, como se quisesse se segurar. \u2014 Ent\u00e3o eu fiz o que sempre fiz. Empurrei. Fingi que n\u00e3o importava. Fingi que era s\u00f3 mais um erro que podia consertar com sil\u00eancio.<br>\u2003\u2003As l\u00e1grimas desciam agora. Silenciosas. Sem drama. S\u00f3&#8230; verdade.<br>\u2003\u2003Eu n\u00e3o aguentei.<br>\u2003\u2003Dei os \u00faltimos passos e a puxei pra mim, sem pedir permiss\u00e3o. Ela desabou nos meus bra\u00e7os, o rosto enterrado no meu peito, os ombros sacudindo com o choro contido por anos \u2014 d\u00e9cadas.<br>\u2003\u2003Passei uma m\u00e3o pelos cachos dela, sentindo a textura suave, apertando-a contra mim como se pudesse, de alguma forma, proteg\u00ea-la de tudo que j\u00e1 doeu.<br>\u2003\u2003Ficamos assim.<br>\u2003\u2003Ali.<br>\u2003\u2003No meio do meu quarto bagun\u00e7ado. No meio de todos os medos dela. No meio de tudo que nunca foi dito.<br>\u2003\u2003S\u00f3 eu e ela.<br>\u2003\u2003S\u00f3 a verdade.<br>\u2003\u2003Depois de um tempo \u2014 minutos, talvez horas \u2014 ela ergueu o rosto, os olhos vermelhos e a express\u00e3o vulner\u00e1vel de um jeito que eu nunca tinha visto.<br>\u2003\u2003\u2014 Me desculpa. \u2014 ela sussurrou, a voz embargada. \u2014 Por tudo. Pelo medo. Pela covardia. Por ter te ferido quando tudo que eu queria&#8230; \u2014 a voz quebrou de novo \u2014 era te amar do jeito certo.<br>\u2003\u2003Segurei o rosto dela entre as m\u00e3os, for\u00e7ando-a a me olhar.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea ainda quer tentar? \u2014 perguntei, baixo, rouco, sentindo cada palavra nascer direto do peito.<br>\u2003\u2003%Alice% fechou os olhos, e uma nova l\u00e1grima rolou, mas quando abriu&#8230; havia algo novo ali. Algo mais forte que o medo.<br>\u2003\u2003\u2014 Quero. \u2014 ela disse, sem hesitar dessa vez.<br>\u2003\u2003E eu\u2026 eu a beijei.<br>\u2003\u2003Mas n\u00e3o foi s\u00f3 um beijo. Foi um mergulho. Uma rendi\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003Beijei como quem volta pra casa depois de se perder por tempo demais. Como se, naquele toque, eu pudesse apagar cada palavra n\u00e3o dita, cada medo que a afastou de mim.<br>\u2003\u2003Os l\u00e1bios dela tremiam contra os meus no come\u00e7o \u2014 hesitantes, como se ainda lutassem contra a pr\u00f3pria vontade. Mas quando suas m\u00e3os se agarraram aos meus ombros, como se precisassem de algo para se ancorar, eu soube.<br>\u2003\u2003Ela estava ali. Inteira. Pra mim.<br>\u2003\u2003Minha m\u00e3o subiu pela curva delicada das costas dela, puxando-a ainda mais para perto, sentindo o calor, a entrega. %Alice% se encaixou em mim como se nunca tivesse pertencido a outro lugar.<br>\u2003\u2003O beijo se aprofundou, urgente e doce ao mesmo tempo, como se dissesse tudo que a boca dela sempre teve medo de falar.<br>\u2003\u2003N\u00e3o era s\u00f3 desejo.<br>\u2003\u2003N\u00e3o era s\u00f3 saudade.<br>\u2003\u2003Era amor. Cru, vulner\u00e1vel, ineg\u00e1vel.<br>\u2003\u2003Sem m\u00e1scaras, sem defesas.<br>\u2003\u2003S\u00f3 n\u00f3s dois.<br>\u2003\u2003Finalmente.<br>\u2003\u2003De verdade.<br>\u2003\u2003O beijo foi se desfazendo devagar, como quem ainda tentava se manter preso ao momento por mais um segundo, mais um suspiro, mais uma batida de cora\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003Nossas testas se encostaram. A respira\u00e7\u00e3o dela batia quente contra a minha pele. E ent\u00e3o, com a voz rouca e embargada, ela disse:<br>\u2003\u2003\u2014 Eu amo voc\u00ea, %Arthur%. \u2014 Aquelas palavras sa\u00edram baixas, mas carregadas de uma for\u00e7a quase f\u00edsica. \u2014 Eu amo voc\u00ea&#8230; muito. Mais do que eu sei lidar. Mais do que eu pensei que fosse capaz de amar algu\u00e9m.<br>\u2003\u2003Fechei os olhos, sentindo o peso e a leveza que vinham junto com aquela confiss\u00e3o. Porque vindo dela, que ergueu muralhas t\u00e3o altas e paredes t\u00e3o frias, aquelas tr\u00eas palavras valiam mais do que qualquer promessa no mundo.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o tem ideia&#8230; \u2014 minha voz saiu rouca, falhada \u2014 n\u00e3o tem ideia do quanto eu esperei pra ouvir isso de voc\u00ea. Eu te amo.<br>\u2003\u2003Segurei o rosto dela entre as m\u00e3os, com uma ternura desesperada, como quem segura algo precioso demais para deixar escapar.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o importa o tempo que leve \u2014 continuei, os olhos cravados nos dela \u2014 eu vou passar o resto da vida te provando que amor n\u00e3o \u00e9 abandono. N\u00e3o \u00e9 dor. N\u00e3o \u00e9 perda. \u00c9 isso. \u2014 beijei a testa dela. \u2014 \u00c9 a gente. Aqui.<br>\u2003\u2003%Alice% soltou um solu\u00e7o baixo, se permitindo se aninhar contra mim, como se, finalmente, estivesse aceitando que podia descansar. Que podia confiar. Abracei-a forte, sentindo seu cheiro, sua pele quente, o tremor leve que ainda percorria seu corpo.<br>\u2003\u2003Ela era minha.<br>\u2003\u2003E, agora, sabia disso tamb\u00e9m.<br>\u2003\u2003Terminamos o nosso abra\u00e7o, %Alice% ajeitou a blusa com discri\u00e7\u00e3o, passando a m\u00e3o pelos pr\u00f3prios cabelos, enquanto eu apenas observava \u2014 ainda meio zonzo com tudo o que t\u00ednhamos dito e sentido minutos atr\u00e1s.<br>\u2003\u2003Ela deu um passo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta, mas hesitou. Olhou para mim por cima do ombro, os olhos escuros brilhando com uma mistura de nervosismo e do\u00e7ura que era rara de se ver nela.<br>\u2003\u2003\u2014 Eles v\u00e3o te amar. \u2014 murmurei, caminhando at\u00e9 ela, com um sorriso que eu mal conseguia segurar.<br>\u2003\u2003Ela ent\u00e3o parou de novo. Respirou fundo. E antes que eu pudesse abrir a porta, a m\u00e3o dela tocou meu bra\u00e7o, me detendo.<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 disse, hesitante, baixando um pouco o tom de voz \u2014 Antes de&#8230; antes de eu sair dessa porta e me apresentar pra sua fam\u00edlia&#8230; \u2014 ela mordeu de leve o l\u00e1bio inferior, procurando as palavras \u2014 me fala um pouco sobre <em>ela<\/em>. Sobre voc\u00eas.<br>\u2003\u2003Eu pisquei, surpreso pela pergunta t\u00e3o simples e t\u00e3o&#8230; \u00edntima.<br>\u2003\u2003\u2014 A Clara? \u2014 sorri de leve, apoiando o ombro na parede, s\u00f3 pra me manter em p\u00e9 enquanto olhava pra ela. \u2014 Minha melhor amiga antes de ser minha irm\u00e3. Vive me infernizando, me provocando&#8230; mas \u00e9 metade do que me mant\u00e9m s\u00e3o nesse mundo. \u00c9 como&#8230; \u2014 procurei uma compara\u00e7\u00e3o \u00e0 altura \u2014 como uma \u00e2ncora. N\u00e3o importa qu\u00e3o perdido eu esteja, ela me puxa de volta.<br>\u2003\u2003%Alice% abaixou os olhos por um segundo, como quem grava algo precioso.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu quero conhec\u00ea-la. \u2014 murmurou, t\u00e3o baixo que parecia um pedido. \u2014 Quero conhecer tudo. \u2014 levantou o olhar e, por um segundo, n\u00e3o havia muralhas ali, s\u00f3 a vulnerabilidade crua dela. \u2014 N\u00e3o s\u00f3&#8230; \u2014 ela respirou fundo \u2014 &#8230;n\u00e3o s\u00f3 o seu corpo, %Arthur%. Eu quero conhecer cada partezinha da sua vida. Cada peda\u00e7o que voc\u00ea deixou escondido at\u00e9 agora.<br>\u2003\u2003Meu peito apertou. De um jeito bom. De um jeito que s\u00f3 ela conseguia. Dei um passo para mais perto, segurando o rosto dela entre minhas m\u00e3os com delicadeza.<br>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o vem. \u2014 sorri, encostando minha testa na dela por um instante. \u2014 Deixa eu te apresentar direito pra tudo que \u00e9 meu.<br>\u2003\u2003%Alice% fechou os olhos por um segundo, se permitindo apenas sentir. Depois, assentiu, com aquele sorrisinho que era s\u00f3 dela \u2014 metade arrogante, metade vulner\u00e1vel.<br>\u2003\u2003Abri a porta do quarto, e o cheiro de pizza e risadas invadiu o corredor.<br>\u2003\u2003\u2014 Sobreviv\u00eancia b\u00e1sica: n\u00e3o estranha o jeito da Clara. \u2014 sussurrei no ouvido dela, enquanto sa\u00edamos do quarto<br>\u2003\u2003Quando chegamos \u00e0 sala, Clara estava de costas para n\u00f3s, terminando de colocar os pratos na mesa improvisada da cozinha. Marcos estava do outro lado, tentando abrir uma garrafa de refrigerante como se fosse uma opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica.<br>\u2003\u2003Foi Clara quem nos viu primeiro. Ela se virou, deu uma olhada r\u00e1pida \u2014 e quase deixou o prato cair.<br>\u2003\u2003\u2014 Opa! \u2014 soltou, com um sorris\u00e3o de quem j\u00e1 estava armando alguma. \u2014 Temos visita. Oficialmente, agora?<br>\u2003\u2003Ergueu uma sobrancelha para mim de um jeito t\u00e3o \u00f3bvio que eu quis cavar um buraco no ch\u00e3o e me esconder.<br>\u2003\u2003\u2014 Boa noite. \u2014 %Alice% disse, t\u00e3o educada quanto elegante, estendendo a m\u00e3o para a Clara.<br>\u2003\u2003Minha irm\u00e3 aceitou o cumprimento, mas com aquele brilho travesso nos olhos.<br>\u2003\u2003\u2014 Clara. E voc\u00ea&#8230; bom, voc\u00ea \u00e9 a %Alice%, n\u00e9? \u2014 riu. \u2014 J\u00e1 ouvi muita coisa sobre voc\u00ea. Tipo&#8230; <em>muita <\/em>mesmo.<br>\u2003\u2003Eu pigarreei, tentando abafar o constrangimento. Marcos, coitado, parecia n\u00e3o saber se ria ou se mantinha neutro para n\u00e3o apanhar de ningu\u00e9m.<br>\u2003\u2003\u2014 Espero que tenha ouvido as partes boas. \u2014 %Alice% respondeu, com um sorriso que surpreendeu at\u00e9 a mim: genu\u00edno, leve, com aquele toque afiado que s\u00f3 ela tinha.<br>\u2003\u2003Clara riu, j\u00e1 se sentando \u00e0 mesa como se nada fosse mais natural.<br>\u2003\u2003\u2014 Algumas partes boas&#8230; outras traumatizantes. \u2014 provocou, lan\u00e7ando um olhar significativo pra mim. \u2014 Mas relaxa, eu tamb\u00e9m sou \u00f3tima em pegar no p\u00e9 do %Arthur%.<br>\u2003\u2003\u2014 J\u00e1 percebi. \u2014 %Alice% respondeu, os l\u00e1bios curvando em um sorriso divertido.<br>\u2003\u2003Sentamos \u00e0 mesa e o jantar come\u00e7ou meio atrapalhado \u2014 Marcos tentando servir as fatias de pizza, Clara derrubando guardanapos, e eu tentando impedir que minha irm\u00e3 transformasse aquilo num circo, mas n\u00e3o adiantou muito.<br>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o, j\u00e1 posso saber? \u2014 Clara perguntou, com aquele ar de quem estava apenas esperando a hora certa de atacar. \u2014 Voc\u00eas t\u00e3o namorando oficialmente ou a gente ainda chama de &#8220;amizade colorida 2.0&#8221;?<br>\u2003\u2003Eu abri a boca para desconversar, enrolar, sair pela tangente como sempre. Mas antes que eu pudesse emitir qualquer som, %Alice% \u2014 impec\u00e1vel, segura e mais linda do que nunca \u2014 cruzou as pernas com eleg\u00e2ncia e disse:<br>\u2003\u2003\u2014 Estamos namorando. \u2014 como quem afirma uma senten\u00e7a sem medo.<br>\u2003\u2003Eu pisquei, pego totalmente desprevenido. Clara deu um gritinho de comemora\u00e7\u00e3o, batendo palmas como uma crian\u00e7a.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu sabia! \u2014 exclamou, quase derrubando o copo de refrigerante. \u2014 Marcos, anota a\u00ed: eu <em>sabia<\/em>!<br>\u2003\u2003\u2014 Eu&#8230; t\u00f4 anotando. \u2014 respondeu Marcos, rindo baixo, provavelmente aceitando que naquela casa, era mais seguro s\u00f3 seguir o fluxo.<br>\u2003\u2003Enquanto Clara comemorava como se tivesse ganhado na loteria, eu olhei para %Alice%. Ela s\u00f3 me encarava, calma, tranquila, como se dizer aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.<br>\u2003\u2003E naquele olhar dela \u2014 sem muralhas, sem m\u00e1scara \u2014 eu entendi. Ela n\u00e3o s\u00f3 queria estar ali. Ela escolheu estar ali. Conosco. Comigo.<br>\u2003\u2003A noite seguiu com pizza, piadas ruins e lembran\u00e7as de inf\u00e2ncia que a Clara insistia em jogar na roda, s\u00f3 pra me envergonhar mais a cada fatia devorada.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00eas sabiam que o %Arthur% tinha um ursinho chamado Sr. Fofura at\u00e9 os doze anos? \u2014 Clara disparou, com a boca cheia de pizza.<br>\u2003\u2003\u2014 Clara! \u2014 reclamei, jogando um guardanapo nela.<br>\u2003\u2003%Alice%, sentada ao meu lado, soltou uma gargalhada verdadeira \u2014 aquela que eu raramente ouvia.<br>\u2003\u2003\u2014 Sr. Fofura? \u2014 ela repetiu, ainda rindo, virando-se para mim com um brilho nos olhos que eu n\u00e3o via h\u00e1 muito tempo. \u2014 Isso explica tanta coisa&#8230;<br>\u2003\u2003\u2014 Trai\u00e7\u00e3o dentro da pr\u00f3pria casa. \u2014 murmurei, fingindo indigna\u00e7\u00e3o enquanto pegava outra fatia de calabresa.<br>\u2003\u2003Marcos riu junto, completamente \u00e0 vontade. %Alice% apoiou o cotovelo na mesa, inclinando o queixo na m\u00e3o, e me olhou como quem olha um segredo que acabou de desvendar.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu gosto disso. \u2014 disse, num tom baixo que talvez s\u00f3 eu tenha escutado. \u2014 De ver voc\u00ea assim. Rindo. Relaxado. Sem o peso do mundo nos ombros.<br>\u2003\u2003\u2014 Isso aqui \u00e9 quem eu sou de verdade. \u2014 falei, de volta, sem filtros.<br>\u2003\u2003Ela sorriu pequeno, aquele sorriso de canto que dizia tudo sem precisar de tradu\u00e7\u00e3o. Marcos levantou a ta\u00e7a de refrigerante como se fosse um brinde improvisado:<br>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o&#8230; a n\u00f3s! \u2014 disse, meio encabulado, mas sincero.<br>\u2003\u2003\u2014 A n\u00f3s. \u2014 repetimos, quase em un\u00edssono, rindo, brindando com copos de vidro e latas amassadas de refrigerante.<br>\u2003\u2003E eu&#8230; eu s\u00f3 conseguia pensar em como era f\u00e1cil am\u00e1-la daquele jeito.<br>\u2003\u2003Sem esfor\u00e7o.<br>\u2003\u2003Sem medo.<br>\u2003\u2003Talvez, pela primeira vez, eu estivesse vendo a %Alice% que ela sempre guardou \u2014 e ela estivesse, finalmente, se permitindo ser vista.<br>\u2003\u2003E era lindo.<br>\u2003\u2003T\u00e3o lindo que do\u00eda, mas do\u00eda do jeito certo.<br>\u2003\u2003O jantar j\u00e1 tinha virado mais conversa do que comida. As risadas diminu\u00edram, a luz amarelada da cozinha deixava tudo com um clima aconchegante, e eu sabia que era hora de encerrar a noite. Pelo menos, para os convidados.<br>\u2003\u2003Empurrei a cadeira para tr\u00e1s e olhei para %Alice%, que ainda segurava a m\u00e3o entrela\u00e7ada \u00e0 minha.<br>\u2003\u2003\u2014 Vamos? \u2014 perguntei, com um sorriso leve. Ela assentiu, ajeitando discretamente a bolsa no colo. \u2014 Vou te levar em casa. \u2014 completei, j\u00e1 me levantando.<br>\u2003\u2003Foi a\u00ed que Clara soltou uma risada alta e debochada, segurando a barriga.<br>\u2003\u2003\u2014 Levar? \u2014 perguntou, ainda rindo. \u2014 Voc\u00ea vai pegar carona, isso sim! O carro \u00e9 dela, g\u00eanio.<br>\u2003\u2003Marcos, que tentava se conter, lan\u00e7ou um olhar c\u00famplice para Clara e riu junto, com aquela risadinha maliciosa que s\u00f3 tornava a cena mais \u00f3bvia. %Alice% ergueu uma sobrancelha, divertida, e eu revirei os olhos, cruzando os bra\u00e7os.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00eas s\u00e3o insuport\u00e1veis. \u2014 murmurei, fingindo irrita\u00e7\u00e3o, o que s\u00f3 fez eles rirem mais.<br>\u2003\u2003%Alice% apenas se levantou, com aquela compostura elegante de sempre, como se estivesse acima daquela bagun\u00e7a toda \u2014 mas o sorriso escondido no canto da boca a entregava.<br>\u2003\u2003\u2014 Vamos. \u2014 disse ela, olhando pra mim de um jeito que s\u00f3 n\u00f3s entend\u00edamos agora.<br>\u2003\u2003Peguei a chave do carro que ela estendeu pra mim e seguimos at\u00e9 a rua, ela tinha deixado estacionado em frente a nossa casa. Clara ainda soltava uns &#8220;boa sorte, hein!&#8221; entre risinhos enquanto fechava a porta.<br>\u2003\u2003No carro, a atmosfera mudou. O sil\u00eancio entre n\u00f3s era confort\u00e1vel. Expectante. %Alice% colocou uma playlist baixa no celular \u2014 jazz suave \u2014 e eu dirigi pelas ruas adormecidas da cidade, uma m\u00e3o no volante, a outra sobre a perna dela, num toque discreto, mas cheio de significado.<br>\u2003\u2003Quando estacionei em frente ao pr\u00e9dio dela, olhei para a fachada iluminada, depois para ela.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o t\u00f4 pronto pra te deixar ir ainda. \u2014 confessei, a voz rouca de t\u00e3o sincera.<br>\u2003\u2003%Alice% tirou o cinto devagar, se inclinou na minha dire\u00e7\u00e3o e sussurrou:<br>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o&#8230; n\u00e3o deixa.<br>\u2003\u2003Sem pensar duas vezes, desliguei o motor e seguimos para o apartamento dela. Nenhum dos dois precisava dizer nada \u2014 estava escrito na maneira como nossas m\u00e3os se encontraram no elevador, na forma como ela encostou a cabe\u00e7a no meu ombro no caminho at\u00e9 a cobertura.<br>\u2003\u2003A porta da cobertura se fechou atr\u00e1s de n\u00f3s com um clique suave, abafando o mundo l\u00e1 fora.<br>\u2003\u2003Ficamos ali, parados no corredor iluminado pela luz baixa. Olhando um para o outro como se, de repente, n\u00e3o soub\u00e9ssemos como atravessar o pequeno espa\u00e7o que nos separava. Ou talvez&#8230; soub\u00e9ssemos bem demais.<br>\u2003\u2003%Alice% deu um passo na minha dire\u00e7\u00e3o. Pequeno, quase impercept\u00edvel, mas foi o suficiente para quebrar o feiti\u00e7o.<br>\u2003\u2003Fui at\u00e9 ela.<br>\u2003\u2003Minhas m\u00e3os encontraram seu rosto, moldando as linhas suaves que eu j\u00e1 conhecia t\u00e3o bem. E, dessa vez, ela n\u00e3o recuou. N\u00e3o levantou muralhas. Apenas fechou os olhos sob meu toque e se entregou.<br>\u2003\u2003Aproximei meu rosto do dela e, por um segundo, apenas respirei seu cheiro \u2014 aquela mistura inconfund\u00edvel de sabonete caro e algo que era s\u00f3 dela. Meu cora\u00e7\u00e3o batia forte, r\u00e1pido, urgente.<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 ela sussurrou, a voz rouca de emo\u00e7\u00e3o.<br>\u2003\u2003E ent\u00e3o eu a beijei.<br>\u2003\u2003N\u00e3o como quem toma. N\u00e3o como quem rouba.<br>\u2003\u2003Beijei como quem agradece.<br>\u2003\u2003Foi um beijo lento, profundo, carregado de tudo que a gente tinha guardado \u2014 a saudade, o medo, o amor rec\u00e9m-confessado. Minhas m\u00e3os deslizaram pela sua cintura, sentindo a curva quente do corpo dela se moldar ao meu. Ela se pendurou no meu pesco\u00e7o, puxando-me para mais perto, como se tivesse medo que eu escapasse de novo.<br>\u2003\u2003Entre beijos, trope\u00e7amos rindo baixinho at\u00e9 o quarto.<br>\u2003\u2003%Alice% se sentou na beira da cama, puxando-me pela camisa, desabotoando cada bot\u00e3o com uma delicadeza quase reverente. Como se estivesse, de fato, me descobrindo pela primeira vez.<br>\u2003\u2003Eu a observei, hipnotizado, enquanto ela tirava os pr\u00f3prios sapatos, a blusa branca simples deslizando pelos bra\u00e7os at\u00e9 cair no ch\u00e3o, suas roupas \u00edntimas tendo o mesmo destino. O cabelo solto, bagun\u00e7ado, emoldurava o rosto dela de um jeito t\u00e3o bonito&#8230;<br>\u2003\u2003Me ajoelhei na frente dela, com as m\u00e3os firmes em suas coxas, e beijei seu ventre exposto, seu est\u00f4mago, seu cora\u00e7\u00e3o. Sentia cada arrepio dela sob meus l\u00e1bios. Cada suspiro dela se misturava ao meu.<br>\u2003\u2003Desci os beijos at\u00e9 sua boceta, com a rever\u00eancia de quem sabe exatamente o valor do que tem nas m\u00e3os.<br>\u2003\u2003%Alice% se apoiou para tr\u00e1s, os dedos cravando nos len\u00e7\u00f3is, o corpo arqueando na minha dire\u00e7\u00e3o como se fosse imposs\u00edvel resistir. Seus gemidos, primeiro contidos, logo se tornaram mais aud\u00edveis, mais desesperados, \u00e0 medida que ela se rendia ao que sentia \u2014 a n\u00f3s.<br>\u2003\u2003\u2014 %Alice%, eu quero tanto te chupar\u2026 \u2014 murmurei, com a voz rouca de desejo.<br>\u2003\u2003Os olhos dela, brilhando com fome e entrega, encontraram os meus. E, sem hesitar, %Alice% se moveu, posicionando-se sobre mim, as coxas firmes ao redor da minha cabe\u00e7a, o perfume dela me deixando b\u00eabado antes mesmo do primeiro toque.<br>\u2003\u2003Quando ela abriu as pernas, eu mergulhei fundo, faminto.<br>\u2003\u2003Lambi sua boceta com a devo\u00e7\u00e3o de quem tinha encontrado a melhor parte do mundo ali. Cada gemido que escapou dos l\u00e1bios dela era como combust\u00edvel correndo pelas minhas veias, me fazendo querer mais, me fazer melhor.<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 ela gemeu, arrastado, a voz embargada pela necessidade. \u2014 Mais&#8230; mais r\u00e1pido, porra!<br>\u2003\u2003O sorriso que se formou em meus l\u00e1bios se perdeu entre suas curvas.<br>\u2003\u2003Acelerei os movimentos, focando em seu clitoris, explorando cada rea\u00e7\u00e3o, cada tremor. %Alice% se movia sobre mim, se esfregando, procurando mais, buscando seu pr\u00f3prio ritmo, enquanto eu a incentivava, a segurava, a puxava para mais perto da minha cara, se \u00e9 que aquilo era poss\u00edvel.<br>\u2003\u2003Meus dedos deslizaram para dentro de sua boceta no mesmo compasso da minha l\u00edngua em seu cl\u00edtoris, aprofundando o prazer, arrancando gemidos ainda mais altos \u2014 gemidos que ela n\u00e3o tentava mais conter.<br>\u2003\u2003Ela se entregava inteira. E eu a levava at\u00e9 o limite, com gosto, com fome, com amor.<br>\u2003\u2003\u2014 Meu Deus, eu t\u00f4 quase\u2026 \u2014 Ela falou, enquanto gemia alto. Cada suspiro, cada rebolada dela contra a minha boca, cada s\u00faplica rouca, era como escrever na pele dela que ela era minha \u2014 e eu era dela.<br>\u2003\u2003Quando senti os tremores intensos atravessando o corpo dela, diminu\u00ed o ritmo, prolongando a onda de prazer que a dominava, lambendo sua boceta com mais suavidade at\u00e9 senti-la quase desabar sobre mim.<br>\u2003\u2003%Alice% ofegava, os olhos fechados, o corpo ainda em espasmos leves, as coxas tremendo ao redor da minha cabe\u00e7a. Um sorriso satisfeito se formou nos meus l\u00e1bios antes de, com cuidado, segur\u00e1-la pela cintura e gui\u00e1-la de volta para a cama.<br>\u2003\u2003Subi devagar, beijando sua barriga, passando pelos seus seios, onde eu suguei rapidamente seu mamilo direito, at\u00e9 finalmente encontrar seu rosto. %Alice% abriu os olhos, ainda turvos de prazer, e sorriu \u2014 um sorriso pequeno, terno, verdadeiro. Um sorriso s\u00f3 meu.<br>\u2003\u2003Beijei seu queixo, a linha do maxilar, cada pedacinho como se estivesse mapeando seu corpo de novo. Quando nossas bocas finalmente se encontraram, o beijo foi calmo, diferente do primeiro. Um beijo de adora\u00e7\u00e3o, de rever\u00eancia.<br>\u2003\u2003Ela me puxou para mais perto com as m\u00e3os tr\u00eamulas, como se n\u00e3o quisesse \u2014 como se n\u00e3o pudesse \u2014 me deixar afastar nem um cent\u00edmetro. Seus dedos entrela\u00e7aram nos fios do meu cabelo, e eu senti seu corpo ainda quente sob o meu.<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 ela murmurou, a voz rouca. \u2014 Eu senti tanto a sua falta.<br>\u2003\u2003Parei o beijo apenas o suficiente para encostar minha testa na dela.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu tamb\u00e9m. \u2014 sussurrei, olhando nos olhos dela. \u2014 Muito.<br>\u2003\u2003%Alice% fechou os olhos por um instante, como se absorvesse minhas palavras. Como se quisesse grav\u00e1-las sob a pele.<br>\u2003\u2003Ainda colados, nossos corpos buscaram naturalmente mais.<br>\u2003\u2003%Alice% me puxou para si, com as pernas envolvendo minha cintura, um pedido silencioso que eu entendi sem precisar de palavras. Nossos olhos se encontraram \u2014 e naquele instante, havia ali uma certeza que nunca existiu antes.<br>\u2003\u2003Eu me alinhei a ela devagar, sentindo a ponta do meu pau ro\u00e7ar contra a entrada de sua boceta, e respirei fundo, como se pudesse guardar aquele momento para sempre. Com cuidado, sem pressa, a penetrei, deslizando para dentro dela de forma lenta, profunda, reverente.<br>\u2003\u2003%Alice% soltou um suspiro rouco, arqueando o corpo contra o meu, recebendo-me como se finalmente estiv\u00e9ssemos ocupando o espa\u00e7o que sempre foi reservado para n\u00f3s.<br>\u2003\u2003Ficamos assim, unidos, apenas sentindo. O calor, o pulsar, o cora\u00e7\u00e3o dela batendo forte sob o meu peito.<br>\u2003\u2003Eu comecei a me mover, lento, ritmado, cada estocada mais uma jura silenciosa, mais uma promessa entre nossos corpos. %Alice% me acompanhava, os olhos fechados primeiro, depois abertos, fixos em mim, como se estivesse tentando decorar cada tra\u00e7o, cada sensa\u00e7\u00e3o. Minhas m\u00e3os deslizavam por suas costas, seus quadris, sua cintura, como se eu pudesse grav\u00e1-la em minhas mem\u00f3rias, tatu\u00e1-la em mim.<br>\u2003\u2003\u2014 Olha pra mim, <em>amor<\/em>&#8230; \u2014 pedi, com a voz rouca.<br>\u2003\u2003%Alice% abriu os olhos de novo, t\u00e3o abertos, t\u00e3o vulner\u00e1veis, t\u00e3o cheios de amor que me atravessaram como uma l\u00e2mina suave.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu t\u00f4 aqui. \u2014 ela sussurrou, com um sorriso tr\u00eamulo, como se prometesse mais do que apenas presen\u00e7a. \u2014 Sempre estive.<br>\u2003\u2003Acariciei seu rosto com as costas dos dedos, sem parar de me mover dentro dela, sentindo cada gemido, cada suspiro arrancado pela minha pele tocando a dela.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o vou deixar voc\u00ea sozinha. Nunca. \u2014 falei contra sua boca, selando a promessa com um beijo terno, desesperado, que misturava tudo que a gente era e tudo que a gente ainda queria ser.<br>\u2003\u2003%Alice% soltou um gemido baixo, os quadris se moldando ao meu ritmo, os olhos cravados nos meus, sem fugir.<br>\u2003\u2003\u2014 Me ama assim&#8230; \u2014 ela pediu, quase num choro, a voz falhando entre um suspiro e outro. \u2014 Sem medo. Sem parar.<br>\u2003\u2003\u2014 Eu j\u00e1 amo. \u2014 respondi, afundando o rosto no pesco\u00e7o dela, respirando seu cheiro, seu amor, sua entrega. \u2014 Sempre amei.<br>\u2003\u2003Aumentei o ritmo aos poucos, sentindo o prazer se construir entre n\u00f3s com a mesma intensidade de tudo que sent\u00edamos, de tudo que nunca foi dito, mas que agora estava ali, estampado em cada toque, em cada gemido abafado contra a pele do outro.<br>\u2003\u2003%Alice% sussurrava meu nome entre os dentes, como se fosse uma prece. E eu&#8230; eu gemia baixinho contra sua boca, perdido nela, perdido naquele amor que era t\u00e3o grande que parecia imposs\u00edvel caber s\u00f3 dentro de n\u00f3s dois.<br>\u2003\u2003Quando ela gozou, foi lindo. Seu corpo inteiro estremeceu contra o meu, como se cada c\u00e9lula estivesse explodindo de prazer. %Alice% jogou a cabe\u00e7a para tr\u00e1s, os l\u00e1bios entreabertos, e gemeu meu nome \u2014 <em>&#8220;%Arthur%&#8221;<\/em> \u2014 num som s\u00f4frego, rasgado, carregado de entrega e \u00eaxtase. Era como se, naquele gemido, ela despejasse tudo: o prazer, o amor, o medo, a entrega que ela nunca tinha permitido a ningu\u00e9m.<br>\u2003\u2003Senti meu pr\u00f3prio cl\u00edmax se aproximando r\u00e1pido, avassalador. Foi ent\u00e3o que %Alice%, ainda ofegante, puxou meu rosto com as duas m\u00e3os, os olhos brilhando de desejo e algo mais, algo s\u00f3 nosso.<br>\u2003\u2003\u2014 Goza na minha boca&#8230; \u2014 pediu, num sussurro rouco, cheio de entrega.<br>\u2003\u2003Meu corpo inteiro reagiu. Sa\u00ed de dentro de sua boceta com cuidado, tremendo, e ela se ajeitou rapidamente, se ajoelhando \u00e0 minha frente, t\u00e3o linda, t\u00e3o minha, olhando pra mim como se eu fosse tudo.<br>\u2003\u2003Segurei seu queixo com uma das m\u00e3os, tentando prolongar o momento s\u00f3 um pouquinho mais, mas era imposs\u00edvel. Bastou o calor da boca dela se abrindo, a l\u00edngua \u00famida tocando meu pau, para que eu me desmanchasse ali, gemendo seu nome, entregando tudo o que eu era.<br>\u2003\u2003Ela engoliu tudo, cada parte de mim com a mesma devo\u00e7\u00e3o com que me amava \u2014 sem medo, sem reservas.<br>\u2003\u2003Quando terminei, %Alice% encostou a testa na minha, os olhos fechados, nossas respira\u00e7\u00f5es misturadas, nossos corpos ainda tr\u00eamulos, mas t\u00e3o completos como nunca tinham sido antes.<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 ela sussurrou, a voz rouca pelo prazer. \u2014 Voc\u00ea tem ideia do que acabou de fazer comigo?<br>\u2003\u2003Sorri contra seus cabelos, beijando o topo da sua cabe\u00e7a.<br>\u2003\u2003\u2014 Se for o mesmo que voc\u00ea fez comigo&#8230; \u2014 murmurei, a voz ainda falha \u2014 &#8230;ent\u00e3o eu nunca mais vou ser o mesmo.<br>\u2003\u2003Ela soltou um riso baixinho, sem for\u00e7as para mais, e eu senti seus l\u00e1bios tocarem meu peito, bem sobre onde meu cora\u00e7\u00e3o batia desgovernado.<br>\u2003\u2003Ficamos assim. S\u00f3 respirando juntos. S\u00f3 sentindo. At\u00e9 que, no meio do sil\u00eancio confort\u00e1vel, ouvi sua voz de novo \u2014 suave, hesitante, mas t\u00e3o sincera que me desmontou:<br>\u2003\u2003\u2014 Me promete uma coisa?<br>\u2003\u2003Passei a m\u00e3o em seus cabelos cacheados, afastando-os do rosto dela, antes de responder:<br>\u2003\u2003\u2014 Qualquer coisa.<br>\u2003\u2003%Alice% ergueu os olhos at\u00e9 encontrar os meus. Brilhavam de um jeito que era s\u00f3 dela, s\u00f3 nosso.<br>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o desiste de mim. \u2014 pediu. \u2014 Mesmo quando eu for dif\u00edcil. Mesmo quando eu errar. Mesmo quando eu esquecer que posso ser amada.<br>\u2003\u2003Apertei-a contra mim, sentindo a garganta fechar com a intensidade do que ela pedia \u2014 do que ela se permitia sentir.<br>\u2003\u2003\u2014 Nunca. \u2014 prometi, a voz quase quebrada. \u2014 Eu n\u00e3o desisto de voc\u00ea, %Alice% %Dias%. Nunca.<br>\u2003\u2003E ali, naquele quarto, naquela cama bagun\u00e7ada, naquele peda\u00e7o pequeno de mundo s\u00f3 nosso\u2026 Eu soube que, finalmente, ambos t\u00ednhamos encontrado o que sempre buscamos sem saber: um lar. Um no outro.<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 ela chamou, com a voz mais inocente do mundo, deslizando uma perna por cima da minha cintura.<br>\u2003\u2003\u2014 Hm? \u2014 murmurei, j\u00e1 desconfiando da travessura. Ela sorriu. Aquele sorriso devastador.<br>\u2003\u2003\u2014 Acho que a gente merece um segundo round&#8230; \u2014 sussurrou no meu ouvido, a m\u00e3o descendo perigosamente pela minha barriga.<br>\u2003\u2003Soltei uma risada rouca, puxando-a pela cintura, invertendo nossas posi\u00e7\u00f5es de um jeito que arrancou um gritinho surpreso dela.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Princesa<\/em>&#8230; \u2014 murmurei contra sua boca, antes de beij\u00e1-la com fome renovada \u2014 &#8230;voc\u00ea vai acabar me matando.<br>\u2003\u2003\u2014 Que seja uma morte maravilhosa. \u2014 ela riu contra meus l\u00e1bios, entrela\u00e7ando as pernas nas minhas costas, puxando-me para ela sem nenhuma vergonha.<br>\u2003\u2003E eu&#8230; eu mergulhei nela de novo.<br>\u2003\u2003Na mulher que eu amava.<br>\u2003\u2003Na vida que, finalmente, era nossa.<br>\u2003\u2003E, pela primeira vez, o mundo l\u00e1 fora podia esperar.<\/p>\n<p align=\"center\">\ud83d\udc60\ud83d\udcbb<\/p>\n<p>\u2003\u2003A noite anterior tinha sido um fio intermin\u00e1vel de beijos, car\u00edcias e confiss\u00f5es sussurradas. Depois que nossos corpos finalmente se acalmaram, %Alice% me puxou para o banheiro, onde dividimos um banho quente, lento, cheio de toques que n\u00e3o queriam dizer adeus \u00e0 pele do outro.<br>\u2003\u2003Entre risos abafados e beijos encharcados de espuma, lavei seus cachos com uma delicadeza que arrancou dela um olhar t\u00e3o doce que meu cora\u00e7\u00e3o quase se partiu. Ela retribuiu, passando os dedos com calma pelo meu cabelo, como se estivesse tentando memorizar cada tra\u00e7o meu com as m\u00e3os.<br>\u2003\u2003Voltamos para a cama ainda molhados, apenas enrolados nos len\u00e7\u00f3is, grudados, o corpo dela colado ao meu de um jeito que parecia feito para caber ali. Dormimos entrela\u00e7ados, como se o mundo inteiro tivesse se resumido \u00e0quele colch\u00e3o.<br>\u2003\u2003E, pela primeira vez, eu dormi em paz.<br>\u2003\u2003Acordei com o calor do sol filtrado pelas cortinas batendo de leve no meu rosto.<br>\u2003\u2003Mas n\u00e3o foi isso que me despertou. Foi o toque suave dos dedos dela passeando pelo meu peito, seguido de um sussurro rouco no meu ouvido:<br>\u2003\u2003\u2014 %Arthur%&#8230; \u2014 a voz dela arranhava, pregui\u00e7osa, deliciosa \u2014 &#8230;quero voc\u00ea de novo.<br>\u2003\u2003Abri os olhos devagar, dando de cara com a mulher mais linda que j\u00e1 tinha passado pelos meus sonhos \u2014 e agora, pela minha realidade. %Alice% estava em cima de mim, os cabelos cacheados emoldurando seu rosto ainda amassado de sono, e um sorriso pregui\u00e7oso que s\u00f3 ela sabia dar.<br>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o cansa de mim? \u2014 brinquei, passando as m\u00e3os pela sua cintura nua.<br>\u2003\u2003\u2014 Nunca. \u2014 respondeu, antes de me beijar devagar, com uma do\u00e7ura que desmontou qualquer tentativa de resistir.<br>\u2003\u2003Fizemos amor de novo, mais lento dessa vez, com uma ternura que me deixou sem f\u00f4lego. Cada toque dela dizia: &#8220;Eu fico.&#8221; E cada suspiro meu respondia: &#8220;Eu quero que fique.&#8221;<br>\u2003\u2003Depois, rindo como adolescentes que sabem que quebraram todas as regras, voltamos para o chuveiro.<br>\u2003\u2003Outro banho.<br>\u2003\u2003Outra desculpa para n\u00e3o desgrudar.<br>\u2003\u2003Ela me lavava com as m\u00e3os leves, brincava com os respingos, passava os dedos molhados pelas minhas costas como se pudesse redesenhar meu contorno s\u00f3 para ela. Eu fazia o mesmo, rindo das c\u00f3cegas, beijando a ponta do nariz dela, o ombro, a clav\u00edcula. Era tudo t\u00e3o simples. T\u00e3o \u00edntimo. T\u00e3o <em>nosso<\/em>.<br>\u2003\u2003Minutos depois, est\u00e1vamos na cozinha impecavelmente branca e moderna da cobertura da %Alice%. O m\u00e1rmore brilhava sob nossos p\u00e9s descal\u00e7os, o aroma de caf\u00e9 caro se misturava ao perfume suave dela, e a luz natural da manh\u00e3 filtrava pelas enormes janelas de vidro que cercavam o apartamento.<br>\u2003\u2003%Alice%, usando uma camiseta minha que tinha ficado l\u00e1 \u2014 e nada mais \u2014, tentava, com uma express\u00e3o concentrada e divertida, operar a m\u00e1quina de caf\u00e9 autom\u00e1tica que, apesar de car\u00edssima, parecia exigir um diploma para ser manuseada.<br>\u2003\u2003\u2014 Isso aqui \u00e9 de qual era? \u2014 ela resmungou, batendo de leve na m\u00e1quina, sem muita paci\u00eancia. \u2014 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial?<br>\u2003\u2003Soltei uma gargalhada, cortando frutas com uma habilidade que ela, claramente, n\u00e3o dominava.<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9 s\u00f3 tecnol\u00f3gica demais pra quem est\u00e1 acostumada a mandar fazer caf\u00e9 perfeito, Srta. %Dias%. \u2014 brinquei, piscando.<br>\u2003\u2003\u2014 Tem personalidade de sucata chique. \u2014 retrucou, rindo baixo, antes de aceitar a x\u00edcara que estendi para ela.<br>\u2003\u2003Sentamos \u00e0 pequena ilha de m\u00e1rmore, nossos joelhos se tocando de vez em quando, dividindo caf\u00e9, torradas e peda\u00e7os de frutas frescas que %Alice% admitiu n\u00e3o ter comprado \u2014 tinha sido a governanta, claro.<br>\u2003\u2003A simplicidade daquele momento \u2014 mesmo em meio ao luxo \u2014 era o que fazia tudo mais perfeito.<br>\u2003\u2003Foi no meio de uma mordida num peda\u00e7o de mam\u00e3o que ela soltou, de forma t\u00e3o casual que quase passou despercebida:<br>\u2003\u2003\u2014 A gente podia&#8230; viajar no pr\u00f3ximo feriado.<br>\u2003\u2003Pisquei, surpreso, o garfo pairando no ar por um segundo.<br>\u2003\u2003\u2014 Viajar?<br>\u2003\u2003\u2014 \u00c9. \u2014 ela deu de ombros, o tom despreocupado, mas o brilho nos olhos a entregando. \u2014 Um lugar s\u00f3 nosso. Onde ningu\u00e9m conhe\u00e7a a %Alice% CEO nem o %Arthur% certinho. S\u00f3&#8230; n\u00f3s dois.<br>\u2003\u2003Meu peito aqueceu.<br>\u2003\u2003Era t\u00e3o simples.<br>\u2003\u2003T\u00e3o sincero.<br>\u2003\u2003T\u00e3o diferente de tudo o que j\u00e1 vivi com ela \u2014 ou com qualquer outra pessoa. Dei um sorriso torto, sentindo meu cora\u00e7\u00e3o bater mais r\u00e1pido s\u00f3 de imaginar.<br>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o vamos. \u2014 murmurei, deslizando a m\u00e3o sobre a dela, entrela\u00e7ando nossos dedos. \u2014 Vamos pra qualquer lugar que tenha voc\u00ea.<br>\u2003\u2003%Alice% desviou o olhar por um segundo, como quem luta contra um sorriso bobo. Um sorriso lindo, meio t\u00edmido, meio atrevido \u2014 100% %Alice%.<br>\u2003\u2003E eu soube, naquele instante, com a mesma certeza de quem sente o sol esquentando a pele depois de uma longa tempestade:<br>\u2003\u2003Era s\u00f3 o come\u00e7o.<br>\u2003\u2003Nosso come\u00e7o.<\/p>\n<hr>\n<p>\u2003\u2003<strong>Nota da Autora: <\/strong>Gente&#8230; eu n\u00e3o sei nem como come\u00e7ar essa nota sem surtar porque\u2026 ELES. FINALMENTE. EST\u00c3O. JUNTOS!!! \ud83e\udd79\ud83d\udd25 Depois de tanta fuga, tanta tens\u00e3o, tanto desencontro, tanto orgulho, tanto medo&#8230; Arthur e Alice, agora, s\u00e3o eles. Sem m\u00e1scaras. Sem desculpas. S\u00f3 amor, s\u00f3 entrega, s\u00f3 pertencimento.<br>\u2003\u2003E olha&#8230; se ficou alguma d\u00favida de qu\u00e3o absurdamente apaixonado o Arthur \u00e9 pela Alice, esse cap\u00edtulo tratou de deixar isso ESCANCARADO! E, sim, ela tamb\u00e9m ama ele desse jeitinho: inteiro, intenso e sem volta.<br>\u2003\u2003E pra deixar mais especial? Tivemos esse encontro absolutamente tudo da Clara com a Alice! Um encontro que entregou tudo: aquele jeitinho debochado da Clara, aquele clima de \u201cagora a fam\u00edlia t\u00e1 completa\u201d, aquele al\u00edvio c\u00f4mico que a gente AMA e&#8230; aquele selo oficial de que eles n\u00e3o t\u00e3o mais brincando de amorzinho escondido. Eles s\u00e3o um casal.<br>\u2003\u2003E, sim, meus surtos, minhas queridas e meus queridos&#8230; estamos oficialmente entrando na reta final da fanfic. \u00c9 aquele momento agridoce de pensar \u201cmeu Deus, eles est\u00e3o vivendo o que a gente tanto torceu&#8230;\u201d mas tamb\u00e9m perceber que o fim t\u00e1 logo ali, acenando. Segura na minha m\u00e3o, respira fundo, que daqui pra frente \u00e9 emo\u00e7\u00e3o atr\u00e1s de emo\u00e7\u00e3o. Porque quando o amor vence&#8230; a vida vem e bagun\u00e7a tudo. \ud83d\udc40<br>\u2003\u2003Obrigada por estarem aqui, lendo, torcendo, surtando comigo. Essa hist\u00f3ria s\u00f3 \u00e9 t\u00e3o especial porque voc\u00eas fazem parte dela tamb\u00e9m. \ud83d\udc99<br>\u2003\u2003Nos vemos no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo, porque, meus amores&#8230; AINDA TEM MAIS! \ud83d\udd25<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\ud83d\udc60\ud83d\udcbb \u2003\u2003Nota da Autora: Gente&#8230; eu n\u00e3o sei nem como come\u00e7ar essa nota sem surtar porque\u2026 ELES. FINALMENTE. EST\u00c3O. JUNTOS!!! \ud83e\udd79\ud83d\udd25 Depois de tanta fuga, tanta tens\u00e3o, tanto desencontro, tanto orgulho, tanto medo&#8230; Arthur e Alice, agora, s\u00e3o eles. Sem m\u00e1scaras. Sem desculpas. 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