{"id":5290,"date":"2024-01-24T17:07:00","date_gmt":"2024-01-24T20:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-15T17:08:24","modified_gmt":"2025-10-15T20:08:24","slug":"unico","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/resposta\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\r\n<p align=\"center\"><em>Bem mais que o tempo que n\u00f3s perdemos, ficou pra tr\u00e1s tamb\u00e9m o que nos juntou&#8230;<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>1993<\/strong>.<\/p>\r\n<p><span class=\"versalete\">\u2003\u2003Samuel estava parado ao<\/span> sem\u00e1foro aguardando para arrancar com o carro at\u00e9 a pr\u00f3xima esquina, onde seus amigos j\u00e1 aguardavam no port\u00e3o da casa de Lelo.<br \/>\u2003\u2003Os jovens de vinte anos, formavam uma banda no in\u00edcio de carreira, e estavam a caminho de mais um ensaio na garagem da casa de Samuca. Henrique Portugal era o guitarrista, Haroldo Ferreti, o batera, Lelo Zaneti no baixo, e Samuel Rosa, guitarra e vocal. Juntos, os quatro formavam a banda Skank mineira, h\u00e1 dois anos. E tinham futuro! O rock balada rom\u00e2ntica dos meninos, faziam-nos serem populares n\u00f3s barzinhos de BH, assim tamb\u00e9m como por sua simpatia. Tinham um qu\u00ea de Beatles na sua forma\u00e7\u00e3o, aquela aura de banda inteligente e alternativa, dentro do r\u00f3tulo <em>rock&#8217;n roll<\/em>.<br \/>\u2003\u2003Na esquina da casa de Lelo, havia um cruzamento e uma faixa de pedestre onde Samuca estava estacionado a aguardar. Eles chamaram o amigo que riu e apontou ao sinal, mostrando que n\u00e3o ia furar. Os tr\u00eas ficaram de papo na cal\u00e7ada aguardando, e Samuel observou a faixa. Uma mo\u00e7a t\u00edmida apareceu \u00e0 beira da faixa, aguardando o sinal dos pedestres tamb\u00e9m, segurava seus cadernos colados ao corpo como se fossem muito preciosos. Olhava para baixo, e fugia encarar ao rapaz que surgiu do outro lado da rua. Mas, Samuel estava reconhecendo aquelas pessoas. J\u00e1 havia visto o rapaz num barzinho que tocou, trabalhando de <em>barman<\/em>, e a garota\u2026 n\u00e3o sabia de onde, mas ela n\u00e3o era estranha\u2026<br \/>\u2003\u2003Enquanto tentava se recordar a origem do rosto angelical da mulher, Samuca observou que ela encarava furtiva e t\u00edmida, de um jeito fofo, o rapaz que esperava o sinal abrir, do outro lado da rua. Boa pinta ele, Samuel notou. Logo atr\u00e1s do homem, duas mulheres bem bonitas e desenvoltas surgiram e trocaram olhares entre si, sobre o rapaz, Samuca olhou para mo\u00e7a t\u00edmida notando ela ficar sem gra\u00e7a. Parecia se comparar as outras, ent\u00e3o o sinal abriu. As mo\u00e7as que observavam o rapaz em sua frente o alcan\u00e7aram na faixa e puxaram assunto, mas foi naquele momento, que olhando os pr\u00f3prios p\u00e9s, nervosamente, a t\u00edmida garota de rosto angelical, esbarrou no rapaz derrubando os pr\u00f3prios cadernos. Ela se abaixou nervosa para pegar as folhas e rascunhos, ele acompanhou e notou-a. Samuel sorriu, havia testemunhado o momento em que o cara se deu conta da beleza sutil da garota, e nem percebeu as outras duas indo embora.<br \/>\u2003\u2003Lelo, Haroldo e Henrique chegaram de repente, tirando Samuel de seu transe como telespectador daquela cena, quando Lelo notou o que ele observava.<br \/>\u2003\u2003\u2014 O que aconteceu ali!? \u2013 perguntou o amigo ao ver Samuel atento \u00e0s duas pessoas atravessando a rua, um para cada lado.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nada. Ele teve a chance de pegar o telefone dela, mas n\u00e3o fez\u2026 \u2013 Samuel disse, quase t\u00e3o triste quanto a garota que sa\u00eda apressada.<br \/>\u2003\u2003Deu partida enquanto os tr\u00eas rapazes falavam ao mesmo tempo num di\u00e1logo que estavam tendo antes.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><strong>\u00d7\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u00d7<\/strong><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Os quatro amigos entraram no bar com seus instrumentos, em altas risadas. J\u00e1 fazia um m\u00eas e meio que n\u00e3o tocavam no bar do V\u00e9io, e era um dos lugares que mais ficavam \u00e0 vontade para tocar. Samuel entrou indo em dire\u00e7\u00e3o ao palco, enquanto Henrique cumprimentava seu contratante e dono do bar. O movimento era baixo, mas n\u00e3o demoraria a encher, ent\u00e3o queriam estar prontos para come\u00e7ar logo. Na mesa lateral ao palco, escondidinha, a garota escrevia em seus pap\u00e9is soltos e amarelados, o gar\u00e7om trouxe a bebida que ela pediu e a \u00e1gua para os m\u00fasicos. Foi ent\u00e3o que Samuca a viu. Estava vestida com uma saia de courim, uma blusa florida ombro a ombro, de mangas compridas, botas at\u00e9 metade da canela, e o cabelo solto, jogado de lado. Nas orelhas brincos coloridos em formato de gota, pequenos, o rosto com nenhuma ou pouca maquiagem, e um vinco na testa que mostrava o qu\u00e3o concentrada ela estava. Samuel olhou para as m\u00e3os dela que n\u00e3o paravam de escrever e j\u00e1 ia se aproximar, de impetuosa curiosidade, quando Lelo o chamou para iniciarem.<br \/>\u2003\u2003Naquela noite, Lis percebeu como poucas vezes a banda <em>cover<\/em> do bar, e se perdeu nas m\u00fasicas cantadas por eles que mal viu que havia largado seu texto. Ningu\u00e9m entendia como Lis conseguia escrever no meio de tanto tumulto, mas era ali, na mesinha de uma pessoa s\u00f3, que ela conseguia \u2013 seja \u00e0 noite, bebendo cerveja, ou pela tarde, bebendo caf\u00e9 \u2013 escrever seus poemas e romances. J\u00e1 fazia aquilo h\u00e1 dois anos no mesmo lugar, come\u00e7ou a escrever com dezoito, e agora aos vinte sentia que n\u00e3o poderia mais parar com aquilo. O vocalista tinha uma voz doce e gostosa de ouvir, Lis queria ficar at\u00e9 o final, mas n\u00e3o podia, no dia seguinte teria est\u00e1gio na escola, e precisaria levantar cedo. Juntou suas coisas sobre a mesa, pendurou a bolsa carteiro atravessada ao corpo e acenou para Douglas, o gar\u00e7om amigo.<br \/>\u2003\u2003Samuel estava cantando e nem viu quando a mocinha saiu pela tangente, mas percebeu quando ela cruzou a porta do estabelecimento, deixando s\u00f3 a vis\u00e3o de seus cabelos brilhantes, e seu olhar fixo em pap\u00e9is, na mem\u00f3ria do jovem cantor.<br \/>\u2003\u2003\u2014 E a\u00ed, Doug! \u2013 Samuel cumprimentou o gar\u00e7om quando fizeram uma pausa do <em>show<\/em>.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Fala Samuca! Bom ouvir voc\u00eas tocando aqui de novo!<br \/>\u2003\u2003\u2014 Poxa, obrigado! A gente fica muito feliz que voc\u00eas curtam nosso som! \u2013 sorriu sem gra\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quem n\u00e3o curte! Tinha gente perguntando de voc\u00eas j\u00e1, os clientes sempre consomem mais quando voc\u00eas tocam! O V\u00e9io adora! Mas fala a\u00ed, vai querer algo? \u2013 o rapaz falou se apressando pro balc\u00e3o, com Samuca seguindo ele.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aquela mo\u00e7a sentada na mesa ao lado do palco. Quem era, voc\u00ea sabe!?<br \/>\u2003\u2003Douglas olhou para a dire\u00e7\u00e3o que Samuca apontou e pensou, ao constatar de quem ele falava, sorriu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ah! A Lis! Ela est\u00e1 sempre por aqui escrevendo! Mas, o que tem ela?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sempre, em que dias? \u2013 Samuel perguntou sorrindo largo e curioso.<br \/>\u2003\u2003\u2014 P\u00f4 Samuca, n\u00e3o acho que voc\u00ea seja de bagun\u00e7ar, mas\u2026 A Lis \u00e9 t\u00f3pico sens\u00edvel pra mim\u2026 \u2013 Doug falou envergonhado.<br \/>\u2003\u2003\u2014 P\u00f4 cara, foi mal\u2026 Voc\u00eas tem algo?<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 isso\u2026 \u2013 ele riu \u2014 Mas ela \u00e9 como uma irm\u00e3 mais nova para mim, ent\u00e3o eu n\u00e3o conto nada dela para os caras que ficam atr\u00e1s de mim por isso\u2026<br \/>\u2003\u2003Samuel olhou nos olhos de Douglas de forma confusa, e foi sincero:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu s\u00f3 quero conhecer ela. Outro dia ela estava na frente do sinal da casa do Lelo, e eu a vi, n\u00e3o achei que fosse esbarrar nela enquanto preparava o som\u2026 \u2013 Samuel soou sincero.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Volta a\u00ed, amanh\u00e3. Ela deve aparecer pra curtir a sexta sem pressa de voltar.<br \/>\u2003\u2003Douglas entregou e Samuca sorriu grato.<br \/>\u2003\u2003Samuel voltou no dia seguinte,\u00a0 n\u00e3o como cantor e nem acompanhado. Voltou como um cliente do bar \u00e1vido para encontrar com Lis. E ela surgiu, novamente como um ritual sentou em sua mesa de cantinho escondida, pediu sua bebida, aperitivos e se p\u00f4s a escrever. Samuel se aproximou dela, um pouco deslocado ao que diria, mas inventou uma desculpa em um<em> \u201cOi, voc\u00ea tamb\u00e9m curte escrever?\u201d<\/em> que no final deu certo.<br \/>\u2003\u2003Ele voltou em dias variados, alternados e sempre ao encontro dela. Mas quando ia tocar, n\u00e3o se falavam. At\u00e9 que um dia, ele foi apresentar os amigos \u00e0 Lis, e o Lelo de cara a reconheceu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Cara, a Lis passa todo dia na frente l\u00e1 de casa!<br \/>\u2003\u2003\u2014 E eu n\u00e3o acredito que voc\u00eas s\u00e3o amigos! \u2013 ela respondeu incr\u00e9dula.<br \/>\u2003\u2003Samuca, Henrique e Haroldo estavam sem entender bem.<br \/>\u2003\u2003\u2014 A Lis \u00e9 aquela garota! \u2013 Lelo fomentou para os amigos se lembrarem \u2014 A garota do curso de piano!<br \/>\u2003\u2003E ent\u00e3o um estalo lhes tomou. Os amigos lembraram. H\u00e1 muito tempo, quando Lelo estava metido num curso de piano da escola de m\u00fasica perto da casa dele, havia conhecido uma adolescente t\u00edmida e segundo ele \u201cuma gracinha\u201d, que logo se tornou a namoradinha de curso dele. Descobriu que eram vizinhos e ficavam de namorico na aula, mas nunca passaram muito dos flertes na escola, e tampouco tinham uma rela\u00e7\u00e3o de muita amizade, depois que Lis falou para ele que n\u00e3o iria namorar de verdade. No fim, foi um caso de ver\u00e3o adolescente.\u00a0 Samuca estava um pouco frustrado, e n\u00e3o deu muita ideia para conversas aquela noite, mas Lis notou que houvera uma mudan\u00e7a nas rea\u00e7\u00f5es dele. Mudan\u00e7as que duraram pouco, porque os dias se passaram e os dois continuaram se vendo e conversando normalmente no bar vez ou outra.<\/p>\r\n<p align=\"center\"><em>Ainda lembro que eu estava lendo, s\u00f3 para saber o que voc\u00ea achou dos versos que eu fiz, e ainda espero resposta&#8230;<\/em><\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Dez meses de amizade entre Samuca e Lis e ele havia se apaixonado. Mas Lis ainda estava focada em seu trabalho de escritora, revisora, musicista e era apaixonada por um bobalh\u00e3o da faculdade.\u00a0 Ineg\u00e1vel que Samuel frequentava a garagem de Lelo mais vezes do que aquelas direcionadas aos ensaios da banda, ensaios que eram alternados entre a casa de Samuca e de Lelo, mas passaram a ser mais frequentes na garagem do \u00faltimo. Haroldo j\u00e1 n\u00e3o aguentava mais o enrolar do amigo, e juntou-se com Henrique e\u00a0 Lelo para impulsionar aquilo, sem que Samuel soubesse que eles haviam pego os versos que ele escrevera para Lis. E sem saber tamb\u00e9m, que ela era\u00a0 envolvida por outro.<br \/>\u2003\u2003Samuel caiu numa armadilha do bem, quando foi levado pela ideia de que Lis estava o esperando na faculdade dela, para sair. Tinha em m\u00e3os um livro de Mill\u00f4r Fernandes,pois desde que descobriu ser aquela recente leitura de Lis, ele se debru\u00e7ou no texto tamb\u00e9m. Para saber o que falar, mas tamb\u00e9m para ajudar ele a compor algo a ela. Algo esse, que estava nas m\u00e3os de uma Lis tr\u00eamula e assustada.<br \/>\u2003\u2003Ela havia recebido o bilhete de Lelo um pouco antes de Samuca chegar e nenhum dos dois sabia daquilo. No corredor que caminhava, sentou-se numa muretinha e come\u00e7ou a ler os versos. Samuel que estava de p\u00e9 naquele corredor, lendo o livro, notou a garota e foi at\u00e9 ela. E logo que viu o homem se aproximando, Lis se levantou e o estendeu o papel perguntando:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Isso \u00e9 algum tipo de confiss\u00e3o?<br \/>\u2003\u2003Samuca n\u00e3o entendeu mas reconheceu rapidamente seus versos e letra. Como aquilo havia ido parar nas m\u00e3os dela? N\u00e3o sabia, mas suspirou e em sil\u00eancio assentiu, e Lis disse prontamente juntando suas coisas:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Desculpe Samuel, talvez a gente devesse se ver outro dia&#8230; Eu realmente n\u00e3o posso corresponder ou responder isso agora.<br \/>\u2003\u2003O pavor nos olhos t\u00edmidos de Lis eram n\u00edtidos. Ela estava com medo sim, Samuel n\u00e3o sabia, mas era medo de magoar e ferir o amigo que ela mais vinha pensando a respeito. Quase como se estivesse superando a outra paix\u00e3o. Naquele dia, Lis foi embora para sua casa, mas Samuel n\u00e3o apareceu mais. N\u00e3o foi no bar tocar. N\u00e3o apareceu mais na garagem do Lelo. Ele e os amigos deram um jeito de mudar um pouco a trajet\u00f3ria. E na verdade, come\u00e7aram a viajar amadoramente pra fazer <em>shows<\/em> em outras cidadezinhas. E foi assim que ele e a Lis n\u00e3o mais se viram, encerraram uma amizade, sem respostas de versos que diziam muito.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>2012<\/strong><br \/>\u2003\u2003Aquele sinal de tr\u00e2nsito onde Samuca havia estacionado o seu carro ainda era o mesmo. Dez anos atr\u00e1s, sua banda Skank estourou de uma forma, que ele, Haroldo, Henrique e Lelo se mudaram para S\u00e3o Paulo. Gravaram outros discos de sucesso e nunca mais tinham voltado naquela esquina. Lelo j\u00e1 descia do carro, atravessando esbaforido o cruzamento, ao lado dos amigos para ver depois de tantos anos, a casa dos pais e a antiga garagem que ensaiavam. Samuel desceu um pouco depois do autom\u00f3vel, se recordando que foi ali naquele cruzamento que ele encontrou Lis pela primeira vez. E como se o destino estivesse ouvindo-o, a brisa forte que bateu levantando algumas folhas do p\u00e9 de Jatob\u00e1 do ch\u00e3o, tamb\u00e9m fizera-o olhar para o c\u00e9u. N\u00e3o iria chover, mas algo estava prestes a cair sob sua cabe\u00e7a. E caiu.<br \/>\u2003\u2003Lis, a mulher por quem se apaixonou e ainda era apaixonado, estava atravessando a rua, de frente \u00e0 casa de Lelo e caminhando at\u00e9 os seus amigos. A mulher surpreendeu-se por sair da escola de piano onde dava aulas de composi\u00e7\u00e3o musical, e ver os tr\u00eas antigos amigos ali. Como se estivesse o procurando, ela virou seu rosto na dire\u00e7\u00e3o oposta, e percebeu, ali, naquele lugar que nenhum deles mais pisou, estava Samuel. Todos os dias, Lis passava naquela rua para voltar a sua casa e pensava no que faria se tivesse aceitado os versos de Samuel anos atr\u00e1s. S\u00f3 depois que ele partiu ela descobriu que o amava. S\u00f3 depois que percebeu que n\u00e3o era outro quem fazia seu cora\u00e7\u00e3o palpitar e suas melhores inspira\u00e7\u00f5es surgirem.<br \/>\u2003\u2003Trocaram algumas palavras, colocaram as novidades em dia, e antes de se despedirem ela lhe disse:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Samuel&#8230; Voc\u00eas v\u00e3o ficar por quanto tempo aqui? \u2013 apontou a casa antiga, onde os pais de Lelo ainda moravam.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Lelo ficou muito tempo sem visitar a casa dos pais por longos dias,ent\u00e3o, como vamos todos tirar f\u00e9rias aqui em Belo Horizonte, \u00e9 capaz de ficarmos por um m\u00eas ou dois&#8230; \u2013 respondeu buscando nos olhos dela alguma esperan\u00e7a de uma resposta antiga.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o&#8230; \u2013 ela falou t\u00edmida, pegando um caderninho velho em sua bolsa, e que sempre a acompanhava e o entregou: \u2014 Fique com ele. Leia, e me devolva. Mas&#8230; N\u00e3o me devolva sem ao menos alguns versos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu ainda espero resposta dos versos que te deixei. Os mesmos que eu sei que devem estar aqui. \u2013 ele falou diretivo olhando o caderninho dela sem abrir.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea&#8230; Realmente ainda espera?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu fiz uma m\u00fasica&#8230; Que diz mais ou menos assim&#8230; \u2013 pigarreou e cantou \u00e0 capela: \u2014 <em>Desfaz o vento, o que h\u00e1 por dentro desse lugar que ningu\u00e9m mais pisou. Voc\u00ea est\u00e1 vendo o que est\u00e1 acontecendo? Nesse caderno sei que ainda est\u00e3o, os versos seus, t\u00e3o meus que pe\u00e7o, nos versos meus t\u00e3o seus que esperem que os aceite em paz\u2026<\/em><br \/>\u2003\u2003Lis escutou atentamente sem tirar os olhos do olhar emocionado de Samuel. Ela andou alguns passos na dire\u00e7\u00e3o dele, aproximando-se e ele abaixou a m\u00e3o que segurava o caderninho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Samuel&#8230; Eu tenho uma resposta. Eu a tenho h\u00e1 dez anos, mas era tarde demais para dizer&#8230; Voc\u00eas se mudaram, estouraram e eu achei que&#8230; Voc\u00ea jamais ia me reencontrar ou&#8230;<br \/>\u2003\u2003Lis n\u00e3o conseguiu terminar. Samuel segurou de forma calma o rosto dela, mas rapidamente selou os l\u00e1bios aos dela. Lis n\u00e3o conseguia acreditar que ele estava ali t\u00e3o pr\u00f3ximo, beijando-a como ela havia desejado tantas vezes, por tanto tempo! Samuel sentindo-a a permiss\u00e3o dela para prosseguir, abra\u00e7ou-a pela cintura aprofundando o beijo. Os dois consumaram naquele \u00f3sculo, o in\u00edcio de um romance que daria ainda, muitos outros versos. A professora de composi\u00e7\u00e3o musical e escritora, e o m\u00fasico compositor, uma dupla que ainda renderia muito amor e sucesso.<\/p>\r\n<div class=\"nota\">\r\n<h3 style=\"text-align: center;\">Fim<\/h3>\r\n<\/div>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>Nota de autora:<\/strong> Ei pessoal, espero que tenham gostado dessa short! Obrigada por lerem e se voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui, por favor, deixa um coment\u00e1rio! =)<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem mais que o tempo que n\u00f3s perdemos, ficou pra tr\u00e1s tamb\u00e9m o que nos juntou&#8230; \u2003\u20031993. \u00d7\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u2022\u00d7 Ainda lembro que eu estava lendo, s\u00f3 para saber o que voc\u00ea achou dos versos que eu fiz, e ainda espero resposta&#8230; \u2003\u20032012 Fim \u2003\u2003Nota de autora: Ei pessoal, espero que tenham gostado dessa short! 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