{"id":4903,"date":"2025-06-09T17:29:00","date_gmt":"2025-06-09T20:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-11T17:32:16","modified_gmt":"2025-10-11T20:32:16","slug":"unico","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/no-more-training-season\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"capitular1\">O<\/span> gar\u00e7om deixou a conta na mesa com uma delicadeza quase ir\u00f4nica. Eu agradeci com um sorriso autom\u00e1tico e deslizei o cart\u00e3o antes mesmo de olhar para o valor. J\u00e1 sabia. Eu sempre sabia. Do outro lado da mesa, Bruno ainda tentava, desesperadamente, me impressionar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sabe, %Isa%, eu <em>realmente<\/em> acho que coaching \u00e9 a profiss\u00e3o do futuro. As pessoas precisam de direcionamento, sabe? Eu sou muito bom nisso.<br \/>\u2003\u2003Apertei os dedos ao redor da ta\u00e7a de vinho quase vazia. Precisei de toda a minha for\u00e7a mental para n\u00e3o revirar os olhos.<br \/>\u2003\u2003Coaching. Claro. O cara que chegou vinte minutos atrasado, confundiu meu nome duas vezes e passou metade do jantar falando sobre \u201c<em>mindset de alta performance<\/em>\u201d enquanto n\u00e3o conseguia sequer lembrar o nome da pr\u00f3pria ex-namorada.<br \/>\u2003\u2003Meu \u201c<em>mindset<\/em>\u201d naquele momento era simples: <em>fugir.<\/em><br \/>\u2003\u2003\u2014 Interessante\u2026 \u2014 murmurei, olhando o rel\u00f3gio discretamente.<br \/>\u2003\u2003Ele sorriu, satisfeito, como se minha resposta fosse o selo de aprova\u00e7\u00e3o que ele tanto buscava. Mal sabia ele que a \u00fanica coisa que eu aprovava ali era a sobremesa que, infelizmente, n\u00e3o pedi.<br \/>\u2003\u2003Quando finalmente sa\u00ed do restaurante, o ar frio da noite bateu no meu rosto como um al\u00edvio. Desci a rua caminhando r\u00e1pido, os saltos ecoando na cal\u00e7ada vazia.<br \/>\u2003\u2003Suspirei, pegando o celular da bolsa e dando uma r\u00e1pida olhada nele. Resolvi renomear o contato do Bruno no aparelho e bloque\u00e1-lo. Bruno agora era o n\u00famero 17. Sim, voc\u00ea n\u00e3o leu errado, eu tive 17 <em>dates <\/em>ruins!<br \/>\u2003\u2003Fechei o celular. Respirei fundo. Olhei para o c\u00e9u escuro.<br \/>\u2003\u2003Chega.<br \/>\u2003\u2003Destranquei a porta do meu apartamento com a mesma energia de quem est\u00e1 prestes a se livrar de um sapato apertado. Me joguei no sof\u00e1, larguei a bolsa no ch\u00e3o e encarei o teto por alguns segundos. Sil\u00eancio.<br \/>\u2003\u2003O celular vibrou. Uma notifica\u00e7\u00e3o no WhatsApp: Juliana. Minha melhor amiga e, infelizmente, c\u00famplice moral de todos os meus dates fracassados.<br \/>\u2003\u2003<strong>Juliana<\/strong>: <em>E a\u00ed? Deu bom? <\/em>\ud83d\ude0f\ud83d\udd25<br \/>\u2003\u2003Soltei uma risada seca. Digitei de volta.<br \/>\u2003\u2003<strong>Eu<\/strong>: <em>17, amiga. 17.<\/em><br \/>\u2003\u2003Nem precisou de mais nada. Ela entendeu. A resposta veio segundos depois.<br \/>\u2003\u2003<strong>Juliana<\/strong>: <em>Pqp. Mais um?<\/em><br \/>\u2003\u2003<strong>Juliana<\/strong>: <em>Desisto, %Isa%. Voc\u00ea vai acabar virando freira.<\/em><br \/>\u2003\u2003Revirei os olhos e apoiei o celular no peito, olhando para o teto.<br \/>\u2003\u2003<em>\u201cFreira n\u00e3o, Juliana. S\u00f3 cansei de dar aulas particulares de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica emocional.\u201d<\/em><br \/>\u2003\u2003Suspirei fundo, fechando os olhos por um instante.<br \/>\u2003\u2003O pior n\u00e3o era nem o fracasso dos encontros. Era essa sensa\u00e7\u00e3o de que todo mundo ainda estava na pr\u00e9-escola emocional\u2026 e eu, sei l\u00e1, fazendo doutorado em independ\u00eancia afetiva.<br \/>\u2003\u2003<em>Chega de testes com caras aleat\u00f3rios<\/em>, eu repeti mentalmente. E dessa vez, prometi pra mim mesma: era definitivo.<\/p>\r\n<p align=\"center\">\ud83d\udc96\u2728<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003O alarme tocou como se fosse um ataque de emerg\u00eancia.<br \/>\u2003\u2003Resmunguei, rolei para fora da cama e encarei meu reflexo amassado no espelho. Olheiras, cabelo rebelde, a cl\u00e1ssica express\u00e3o de \u201cn\u00e3o estou pra brincadeira\u201d.<br \/>\u2003\u2003Vesti meu uniforme de guerra: cal\u00e7a de alfaiataria preta, blusa de seda branca e salto. O batom vermelho era opcional, mas hoje eu precisava dele. Um lembrete silencioso de que ainda controlava alguma coisa na vida.<br \/>\u2003\u2003No caminho para o escrit\u00f3rio, decidi desviar para a livraria da esquina. Precisava de um presente para a minha secret\u00e1ria, ela faria anivers\u00e1rio amanh\u00e3. E, sinceramente? Poucas coisas me acalmavam tanto quanto o cheiro de papel novo.<br \/>\u2003\u2003Passei pelos corredores tranquilos, vasculhando capas e t\u00edtulos, at\u00e9 que me abaixei para pegar uma edi\u00e7\u00e3o especial de arquitetura. Foi quando aconteceu.<br \/>\u2003\u2003Um corpo colidiu de leve com o meu, e a minha bolsa \u2014 fiel escudeira \u2014 se abriu como um espet\u00e1culo de trag\u00e9dia: celular, chaves, batom, fone de ouvido e, para meu horror, minha lista com os nomes dos 17 homens com quem eu havia sa\u00eddo impressa, n\u00e3o me julgue, eu sou do papel.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Droga\u2026 \u2014 murmurei, me abaixando apressada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nossa, me desculpa! \u2014 uma voz masculina disse, agachando ao meu lado para ajudar.<br \/>\u2003\u2003Levantei o olhar. E parei.<br \/>\u2003\u2003Ele usava um moletom cinza, barba por fazer, cabelo bagun\u00e7ado de prop\u00f3sito. Tinha olhos castanhos absurdamente calmos. E um sorriso pequeno, sincero, quase t\u00edmido. Ele estendeu a m\u00e3o com meu batom.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Aqui\u2026 \u2014 sorriu. \u2014 E\u2026 hum\u2026 seu \u201crelat\u00f3rio confidencial\u201d, eu acho?<br \/>\u2003\u2003Me entregou a folha dobrada. O papel onde, em letras garrafais, estava escrito: <strong>17 HOMENS: CASOS E CAUSAS DE FRACASSO.<\/strong><br \/>\u2003\u2003Que vontade de evaporar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ah. \u00c9\u2026 \u00e9 uma\u2026 brincadeira interna. Coisa de amiga. \u2014 Enfiei tudo na bolsa de qualquer jeito. Ele riu, um som leve, nada debochado.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Relat\u00f3rios s\u00e3o sempre \u00fateis. Sou ilustrador, vivo fazendo anota\u00e7\u00f5es estranhas. N\u00e3o julgo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Isabela% \u2014 me apresentei r\u00e1pido, antes que a situa\u00e7\u00e3o ficasse ainda mais pat\u00e9tica.<br \/>\u2003\u2003\u2014 %Rafael%. \u2014 Ele estendeu a m\u00e3o, ainda ajoelhado. \u2014 Prometo tomar mais cuidado na pr\u00f3xima colis\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Apertei a m\u00e3o dele. Calor. Contato. Uma fa\u00edsca inesperada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Melhor n\u00e3o ter pr\u00f3xima, n\u00e9?<br \/>\u2003\u2003Ele sorriu. E naquele sorriso havia algo que n\u00e3o tentava me impressionar. Era s\u00f3\u2026 genu\u00edno.<br \/>\u2003\u2003Pela primeira vez em muito tempo, n\u00e3o senti aquela pontada de cansa\u00e7o habitual. Talvez s\u00f3 tivesse sido um acidente. Talvez n\u00e3o.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Dois dias depois, eu estava atrasada. De novo.<br \/>\u2003\u2003Equilibrei caf\u00e9 em uma m\u00e3o, pasta de projetos na outra e tentei abrir a porta do coworking com o cotovelo. Um desastre anunciado. A porta n\u00e3o cedeu. Eu suspirei, pronta para soltar um coment\u00e1rio sarc\u00e1stico para mim mesma, quando algu\u00e9m do lado de dentro puxou gentilmente a ma\u00e7aneta.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Achei que tinha prometido mais cuidado nas colis\u00f5es, lembra?<br \/>\u2003\u2003Virei devagar. <em>%Rafael%<\/em>.<br \/>\u2003\u2003Mesmo sorriso calmo, moletom novo (azul dessa vez) e aquele jeito desconcertantemente tranquilo de existir.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea trabalha aqui? \u2014 perguntei, surpresa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 De vez em quando. Fa\u00e7o freelas pra uma editora que tem sala nesse pr\u00e9dio.<br \/>\u2003\u2003Eu pisquei, sem saber se estava mais surpresa pela coincid\u00eancia ou pela leve onda de&#8230; empolga\u00e7\u00e3o? N\u00e3o, definitivamente era s\u00f3 curiosidade.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Bom, obrigada pela gentileza. \u2014 Passei por ele tentando soar indiferente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sempre \u00e0s ordens, %Isabela% do relat\u00f3rio confidencial.<br \/>\u2003\u2003Parei e virei o rosto, semicerrando os olhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o vai esquecer daquilo, n\u00e9?<br \/>\u2003\u2003Ele deu uma risada baixa, mexendo distraidamente no chaveiro pendurado na mochila.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nem se eu quisesse. Foi a coisa mais inusitada que j\u00e1 aconteceu comigo numa livraria.<br \/>\u2003\u2003Me peguei sorrindo antes de conseguir me controlar. Perigo. Sorriso bonito e senso de humor leve.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sabe que voc\u00ea ainda me deve uma\u2026 \u2014 ele completou, me olhando nos olhos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Uma o qu\u00ea?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Uma recomenda\u00e7\u00e3o de livro. N\u00e3o tive chance de perguntar naquele dia.<br \/>\u2003\u2003Fiquei alguns segundos o encarando. \u201cRespira, %Isa%. N\u00e3o \u00e9 flerte. \u00c9 s\u00f3 educa\u00e7\u00e3o. Ele nem deve estar interessado. E mesmo se estivesse&#8230; <em>voc\u00ea prometeu.<\/em>\u201d<br \/>\u2003\u2003\u2014 Passa na livraria na hora do almo\u00e7o \u2014 respondi casual. \u2014 Te indico o melhor.<br \/>\u2003\u2003Ele assentiu, com aquele maldito sorriso de canto que quase me fez trope\u00e7ar na pr\u00f3pria l\u00f3gica.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Combinado.<br \/>\u2003\u2003Na hora do almo\u00e7o, eu quase desisti.<br \/>\u2003\u2003S\u00e9rio. Ainda estava tentando me convencer de que aquilo era s\u00f3 um favor educado, uma gentileza profissional. Nada mais. Mas l\u00e1 estava eu, entrando de novo na livraria da esquina, a mesma onde meu \u201crelat\u00f3rio confidencial\u201d havia se tornado um epis\u00f3dio digno de terapia.<br \/>\u2003\u2003E l\u00e1 estava ele. %Rafael%. De novo de moletom (verde dessa vez; definitivamente ele tinha uma paleta), encostado casualmente na prateleira de lan\u00e7amentos, folheando um livro como se pertencesse \u00e0quele lugar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pensei que n\u00e3o viesse. \u2014 Ele fechou o livro e sorriu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pensei tamb\u00e9m \u2014 respondi, tirando os \u00f3culos escuros e pendurando na gola da blusa. \u2014 Mas prometi a mim mesma ser menos anti social em 2025.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Estamos em maio.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Pequenos passos.<br \/>\u2003\u2003Ele riu, me acompanhando pelos corredores silenciosos. Eu puxei um exemplar de capa azul.<br \/>\u2003\u2003\u2014 <em>\u201cA Arquitetura da Simplicidade\u201d<\/em>. Minimalista, direto ao ponto. Acho que combina com voc\u00ea.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Como assim?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sem excessos. Sem firulas. Sem prometer o que n\u00e3o entrega.<br \/>\u2003\u2003Ele pegou o livro das minhas m\u00e3os e examinou com aten\u00e7\u00e3o, depois me olhou por cima da capa, aquele olhar calmo e penetrante que eu j\u00e1 come\u00e7ava a temer.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Engra\u00e7ado. Acho que \u00e9 exatamente como voc\u00ea tamb\u00e9m parece ser.<br \/>\u2003\u2003Parei. Um segundo a mais. Um batimento a mais. Respirei fundo.<br \/>\u2003\u2003\u201cN\u00e3o, %Isa%. N\u00e3o embarca. Ele s\u00f3 foi gentil.\u201d<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o costumo ser simplificada t\u00e3o f\u00e1cil assim \u2014 retruquei, com um sorriso lateral.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Nem eu.<br \/>\u2003\u2003Por algum motivo, aquilo ficou no ar por tempo demais. Ele passou os dedos pelas bordas do livro.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Posso te pagar um caf\u00e9 como agradecimento?<br \/>\u2003\u2003Alerta vermelho. Sinal de emerg\u00eancia interno ativado.<br \/>\u2003\u2003<em>Chega de testes com caras aleat\u00f3rios, %Isabela%. <\/em>Mas a boca respondeu antes da raz\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Tem uma cafeteria na esquina. O caf\u00e9 deles \u00e9 decente.<br \/>\u2003\u2003Ele sorriu de novo. Maldito sorriso de canto.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vamos?<br \/>\u2003\u2003Peguei minha bolsa e caminhei na frente, ainda tentando me convencer de que era s\u00f3 caf\u00e9. Nada mais. Mas a verdade? Pela primeira vez em muito tempo, eu n\u00e3o me importava se fosse um pouco mais do que isso.<br \/>\u2003\u2003A cafeteria era charmosa, com mesas pequenas de madeira e uma vitrine de doces que me encarava com a mesma insist\u00eancia do %Rafael%.<br \/>\u2003\u2003Sentamos perto da janela. Ele pediu um cappuccino. Eu fui direto no espresso duplo. Sem a\u00e7\u00facar. Sem frescura.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ent\u00e3o\u2026 ilustrador? \u2014 perguntei, cruzando as pernas e me apoiando na mesa com o cotovelo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Freelancer. Fa\u00e7o capas de livros, ilustra\u00e7\u00e3o editorial, \u00e0s vezes storyboard para ag\u00eancias.<br \/>\u2003\u2003\u2014 E vive disso?<br \/>\u2003\u2003Ele sorriu, balan\u00e7ando a cabe\u00e7a de leve.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Sobrevivo. Mas gosto. Prefiro isso do que ficar tentando me encaixar em algo que n\u00e3o sou.<br \/>\u2003\u2003Mordi o canto do l\u00e1bio sem perceber. <em>Sem se encaixar, sem buscar aprova\u00e7\u00e3o\u2026 quem \u00e9 esse ser mitol\u00f3gico?<\/em><br \/>\u2003\u2003\u2014 Acho corajoso.<br \/>\u2003\u2003Ele deu de ombros, mexendo devagar o caf\u00e9.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o \u00e9 coragem. \u00c9 cansa\u00e7o. Cansei de tentar ser a vers\u00e3o que as pessoas esperam de mim.<br \/>\u2003\u2003Dei uma risada curta.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Bem-vindo ao clube.<br \/>\u2003\u2003Nos encaramos por um segundo a mais do que o aceit\u00e1vel para simples conhecidos. O suficiente pra me fazer lembrar que tinha prometido a mim mesma: <em>chega de testes com caras aleat\u00f3rios.<\/em><br \/>\u2003\u2003\u2014 E voc\u00ea? \u2014 ele perguntou. \u2014 Arquiteta, certo? \u2014 Assenti.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Escrit\u00f3rio pr\u00f3prio. Pequeno, mas meu. Passei anos \u201ctreinando\u201d colegas, chefes, clientes&#8230; Um dia resolvi parar de ajustar os outros e ajustar minha pr\u00f3pria rota.<br \/>\u2003\u2003Ele apoiou o rosto na m\u00e3o, com aquele olhar de quem realmente ouve. N\u00e3o finge. N\u00e3o formula a pr\u00f3xima frase pra se gabar.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Parece que a gente tem mais em comum do que imaginei.<br \/>\u2003\u2003Eu sorri, mas levantei a guarda. Era cedo demais pra pensar em <em>qualquer<\/em> coisa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vamos ver\u2026 ainda \u00e9 s\u00f3 o primeiro caf\u00e9. \u2014 Ele riu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Justo. Nenhuma pressa.<br \/>\u2003\u2003A forma como ele disse aquilo me desmontou um pouquinho. Nenhuma pressa. Nenhuma cobran\u00e7a. Nenhuma expectativa escondida.<br \/>\u2003\u2003Terminamos o caf\u00e9 falando sobre livros, m\u00fasica, lugares preferidos da cidade. Nenhuma tentativa for\u00e7ada de impressionar. S\u00f3 duas pessoas existindo no mesmo espa\u00e7o.<br \/>\u2003\u2003Quando nos levantamos, ele puxou a porta para mim, como na primeira vez.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Obrigada pelo livro. E pelo caf\u00e9.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu que agrade\u00e7o pela recomenda\u00e7\u00e3o e pela companhia inesperada.<br \/>\u2003\u2003Nos despedimos com um aceno discreto. Sem convite para \u201cmarcar algo\u201d, sem troca de n\u00famero, sem joguinhos. Enquanto voltava para o escrit\u00f3rio, pela primeira vez em muito tempo, pensei: talvez nem todo cara precise ser treinado.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Depois daquele caf\u00e9, eu tinha certeza que n\u00e3o veria %Rafael% de novo. N\u00e3o porque n\u00e3o quisesse, claro. Mas porque era assim que essas coisas aconteciam. Casual. R\u00e1pido. Passava.<br \/>\u2003\u2003Spoiler: n\u00e3o passou.<br \/>\u2003\u2003Na semana seguinte, eu esbarrei com ele tr\u00eas vezes. Na cal\u00e7ada, saindo da farm\u00e1cia. Na padaria, escolhendo o mesmo p\u00e3o integral que eu. No coworking, no mesmo hor\u00e1rio do meu intervalo.<br \/>\u2003\u2003Coincid\u00eancia? Talvez. O universo dando risadinhas ir\u00f4nicas? Prov\u00e1vel.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vai come\u00e7ar a parecer persegui\u00e7\u00e3o \u2014 brinquei na terceira vez.<br \/>\u2003\u2003Ele riu, segurando um copo de ch\u00e1 na m\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Se fosse, eu n\u00e3o seria t\u00e3o \u00f3bvio.<br \/>\u2003\u2003N\u00e3o consegui conter o sorriso. Maldito.<br \/>\u2003\u2003Nosso \u201cacaso\u201d virou rotina silenciosa. Ele sentava algumas mesas longe, mexendo no iPad com a caneta, fones no ouvido. \u00c0s vezes, quando levantava o olhar e me pegava encarando, s\u00f3 levantava uma sobrancelha em sil\u00eancio e voltava pro desenho.<br \/>\u2003\u2003Zero flerte barato. Zero \u201cpreciso da sua aten\u00e7\u00e3o agora\u201d.<br \/>\u2003\u2003E eu\u2026 bem, eu estava <em>acostumada<\/em> a caras que precisavam ser alimentados emocionalmente a cada cinco minutos. A confian\u00e7a quieta de %Rafael% era t\u00e3o desconcertante quanto magn\u00e9tica.<br \/>\u2003\u2003Num final de tarde, quando eu sa\u00eda carregada de amostras de revestimento, ele apareceu ao meu lado sem aviso.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Precisa de ajuda?<br \/>\u2003\u2003Balancei a cabe\u00e7a, teimosa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Dou conta.<br \/>\u2003\u2003Ele n\u00e3o disse nada. Apenas pegou metade das caixas das minhas m\u00e3os.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sei. Mas \u00e0s vezes aceitar ajuda n\u00e3o \u00e9 sinal de fraqueza.<br \/>\u2003\u2003Parei. Fiquei olhando pra ele. Calmamente determinado. Nenhuma inten\u00e7\u00e3o escondida.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Voc\u00ea sempre d\u00e1 li\u00e7\u00f5es de vida aleat\u00f3rias assim?<br \/>\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 quando vale a pena.<br \/>\u2003\u2003Maldito de novo.<br \/>\u2003\u2003Acompanhei o caminho at\u00e9 o carro em sil\u00eancio. No fundo, sabia que ele tinha raz\u00e3o. Pela primeira vez em muito tempo, algu\u00e9m oferecia algo sem esperar nada em troca.<br \/>\u2003\u2003Quando coloquei a \u00faltima caixa no banco de tr\u00e1s, respirei fundo.<br \/>\u2003\u2003<em>Chega de testes com caras aleat\u00f3rios, %Isabela%. N\u00e3o complica. S\u00f3 aceite.<\/em><br \/>\u2003\u2003Na sexta-feira, Juliana me mandou um \u00e1udio ca\u00f3tico:<br \/>\u2003\u2003<em>\u201c%Isa%, feira de rua na pra\u00e7a das Cerejeiras! Vai, mulher! Desconecta um pouco! Aproveita e compra aquelas velas arom\u00e1ticas car\u00edssimas que voc\u00ea AMA.\u201d<\/em><br \/>\u2003\u2003Eu estava quase dizendo n\u00e3o. Quase. Mas alguma parte minha \u2014 a parte que andava sorrindo mais ultimamente \u2014 decidiu ir.<br \/>\u2003\u2003O sol de outono deixava o c\u00e9u absurdamente bonito. As barracas coloridas, o cheiro de caf\u00e9 fresco, bolo de milho, e incenso competindo no ar. E adivinha quem eu encontrei, parado casualmente numa banca de prints art\u00edsticos?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Se isso for uma persegui\u00e7\u00e3o, parab\u00e9ns. Est\u00e1 sutil. \u2014 Cruzei os bra\u00e7os, erguendo uma sobrancelha.<br \/>\u2003\u2003%Rafael% sorriu, virando-se para mim com uma sacola de papel na m\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu te disse. Se eu perseguisse, seria melhor do que isso.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Modesto.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Realista.<br \/>\u2003\u2003Ele apontou para a banca ao lado.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vem. Quero sua opini\u00e3o sobre algo.<br \/>\u2003\u2003Me peguei seguindo sem resist\u00eancia. Ele mostrou duas ilustra\u00e7\u00f5es minimalistas em aquarela.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Qual combina mais com meu espa\u00e7o? \u2014 Olhei de lado, intrigada.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Isso \u00e9 um truque pra fazer compras comigo? \u2014 Ele fingiu indigna\u00e7\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Juro que n\u00e3o. Preciso de ajuda de algu\u00e9m com bom gosto.<br \/>\u2003\u2003Me detive, observando o desenho. O cora\u00e7\u00e3o um tiquinho acelerado \u2014 <em>n\u00e3o era nada, %Isa%, respira<\/em>.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Essa. \u2014 Apontei para a obra com tra\u00e7os suaves em azul e dourado. \u2014 Tem equil\u00edbrio. \u00c9 simples, mas tem presen\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003Ele me encarou por um instante a mais do que o necess\u00e1rio.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Que coincid\u00eancia&#8230; exatamente como voc\u00ea.<br \/>\u2003\u2003Corei. Sim. Eu, %Isabela% Costa, a rainha da muralha emocional, <strong>corei<\/strong>. Disfarcei, apontando pra frente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Vamos andar. Antes que eu cobre por consultoria.<br \/>\u2003\u2003Caminhamos devagar pela feira. Ele me deixou escolher um buqu\u00ea pequeno de flores secas, segurou minha sacola quando eu lutei para equilibrar o caf\u00e9 e o celular, comentou calmamente sobre as pe\u00e7as expostas. E no meio daquele caos bonito de feira, barulhos, cores e aromas, eu pensei o que n\u00e3o queria pensar:<br \/>\u2003\u2003<em>\u201cTalvez, s\u00f3 talvez\u2026 o treinamento realmente tenha acabado.\u201d<\/em><br \/>\u2003\u2003A feira terminou e come\u00e7amos a andar de volta, sem pressa.<br \/>\u2003\u2003\u2014 T\u00e1 tarde\u2026 \u2014 comentei, olhando o c\u00e9u escurecendo. \u2014 E eu estou faminta.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu tamb\u00e9m. \u2014 %Rafael% apontou pra esquina. \u2014 Minha casa \u00e9 logo ali. Tem uma varanda legal e, se voc\u00ea n\u00e3o tiver medo, posso fazer um macarr\u00e3o decente.<br \/>\u2003\u2003Parei. Olhei pra ele. O alerta interno soou forte.<br \/>\u2003\u2003Perigo. Proximidade + comida + varanda = alt\u00edssimo risco de criar expectativas.<br \/>\u2003\u2003Mas o sorriso dele era t\u00e3o leve, t\u00e3o despretensioso\u2026<br \/>\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 se eu supervisionar a cozinha \u2014 respondi.<br \/>\u2003\u2003Ele levantou as m\u00e3os como quem se rende.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Fechado.<br \/>\u2003\u2003O apartamento dele era exatamente como eu imaginava. Paredes Julianas, m\u00f3veis de madeira simples, plantas nas janelas, livros e cadernos de desenho espalhados com organiza\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Amei. \u2014 Me surpreendi dizendo.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Obrigado. N\u00e3o \u00e9 muito, mas \u00e9 meu.<br \/>\u2003\u2003Ficamos na cozinha pequena, lado a lado, preparando o jantar. O sil\u00eancio era confort\u00e1vel. De vez em quando, nossos bra\u00e7os se encostavam, e eu me pegava pensando se aquilo era normal. (<em>spoiler: n\u00e3o era.<\/em>)<br \/>\u2003\u2003Quando sentamos na varanda para comer, %Rafael% serviu duas ta\u00e7as de vinho. A luz amarelada da lumin\u00e1ria fazia tudo parecer calmo, \u00edntimo, quase cinematogr\u00e1fico.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Por que voc\u00ea me convidou hoje? \u2014 perguntei de repente. Ele apoiou o cotovelo na mesa, girando a ta\u00e7a com os dedos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Porque gosto da sua companhia. E porque, por alguma raz\u00e3o, estar com voc\u00ea parece f\u00e1cil.<br \/>\u2003\u2003Fiquei em sil\u00eancio. O vento frio brincava com uma mecha solta do meu cabelo. %Rafael% esticou a m\u00e3o e, com cuidado, ajeitou-a atr\u00e1s da minha orelha. Toque leve, quase reverente.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Posso te perguntar algo? \u2014 ele sussurrou. Assenti, incapaz de formar palavras. \u2014 Por que voc\u00ea sempre parece pronta pra fugir?<br \/>\u2003\u2003Minha respira\u00e7\u00e3o prendeu. Pega. Na hora. Sem escapat\u00f3ria.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Porque eu j\u00e1 perdi muito tempo tentando ter algo decente com outros \u2014 confessei. \u2014 N\u00e3o quero mais fazer isso. N\u00e3o quero cair nesse ciclo de novo.<br \/>\u2003\u2003Ele me olhou fundo, com aquela calma devastadora.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu n\u00e3o sou os outros, %Isa%. Eu sou eu. N\u00e3o quero ser um projeto. S\u00f3 quero ser eu. Com voc\u00ea, se voc\u00ea deixar.<br \/>\u2003\u2003Meu cora\u00e7\u00e3o deu um salto dolorido de t\u00e3o intenso. Eu devia recuar. Dizer alguma coisa sarc\u00e1stica. Manter o controle. Mas tudo que consegui foi sussurrar:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Ainda \u00e9 s\u00f3 o primeiro jantar\u2026 \u2014 Ele sorriu.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu sei. Sem pressa.<br \/>\u2003\u2003Brindamos em sil\u00eancio. E pela primeira vez, eu quis que o momento n\u00e3o terminasse t\u00e3o cedo.<br \/>\u2003\u2003Eu devia ter previsto, sempre fa\u00e7o isso.<br \/>\u2003\u2003Dois dias depois daquele jantar perfeito, fui tomada pelo p\u00e2nico. Pela necessidade desesperada de controle. Pela voz interior gritando: n\u00e3o se entregue, ele vai te decepcionar como todos os outros.<br \/>\u2003\u2003Ent\u00e3o fiz o que sabia fazer melhor: me afastei.<br \/>\u2003\u2003Respondi as mensagens dele com frieza educada. Evitei o coworking. Mudei minha rota matinal pra n\u00e3o cruzar com ele. Esperei. Esperei ele insistir. Procurar. Mandar flores, \u00e1udios, convites dram\u00e1ticos. Porque era assim que sempre tinha sido. Sempre.<br \/>\u2003\u2003Mas %Rafael%&#8230; n\u00e3o jogou o jogo.<br \/>\u2003\u2003Sil\u00eancio. Nenhuma cobran\u00e7a. Nenhum &#8220;por que voc\u00ea sumiu?&#8221; Nenhum &#8220;voc\u00ea n\u00e3o responde minhas mensagens!&#8221;<br \/>\u2003\u2003Ele simplesmente respeitou meu espa\u00e7o.<br \/>\u2003\u2003E foi isso que me desmoronou.<br \/>\u2003\u2003Na terceira noite, sentada no sof\u00e1, com um copo de coca-cola e a lista impressa dos \u201c<strong>17 HOMENS: CASOS E CAUSAS DE FRACASSO<\/strong>\u201d amassada na m\u00e3o, eu finalmente entendi. Ele n\u00e3o precisava de mim pra ser melhor. Ele j\u00e1 era.<br \/>\u2003\u2003E eu? Eu \u00e9 que estava t\u00e3o viciada na ideia de me proteger que n\u00e3o sabia mais reconhecer quando algu\u00e9m vinha inteiro, n\u00e3o pela metade.<br \/>\u2003\u2003Peguei o celular. As m\u00e3os tremiam.<br \/>\u2003\u2003<strong>%Isa%:<\/strong> <em>Podemos conversar?<\/em><br \/>\u2003\u2003A resposta chegou em segundos.<br \/>\u2003\u2003<strong>%Rafael%:<\/strong> <em>Claro. Quando quiser.<\/em><br \/>\u2003\u2003Fechei os olhos. Suspirei. Pela primeira vez em anos, eu n\u00e3o sentia medo. Sentia paz.<br \/>\u2003\u2003Peguei as chaves e sa\u00ed.<br \/>\u2003\u2003A porta do est\u00fadio de %Rafael% estava entreaberta. A luz suave escapava pelas frestas.<br \/>\u2003\u2003Bati levemente. Ele apareceu, ainda com o l\u00e1pis preso atr\u00e1s da orelha e um olhar sereno, como se j\u00e1 soubesse que eu viria.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Oi \u2014 sussurrei.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Oi. \u2014 Ele deu aquele meio sorriso de sempre.<br \/>\u2003\u2003Ficamos em sil\u00eancio por alguns segundos que pareceram eternos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Eu fugi. \u2014 Fui direta. Pela primeira vez, sem muralhas, sem sarcasmo. \u2014 N\u00e3o por voc\u00ea. Por mim. Porque n\u00e3o soube lidar com algu\u00e9m que n\u00e3o tentasse me convencer, que n\u00e3o me perseguisse, que simplesmente&#8230; fosse.<br \/>\u2003\u2003Ele assentiu lentamente, sem interromper.<br \/>\u2003\u2003\u2014 E agora? \u2014 perguntou baixinho.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Agora eu quero tentar. Sem jogos. Sem proje\u00e7\u00f5es. Sem achar que voc\u00ea precisa ser consertado ou me provar nada. S\u00f3 voc\u00ea. E eu. Se voc\u00ea ainda quiser.<br \/>\u2003\u2003Ele se aproximou devagar, encurtando a dist\u00e2ncia entre n\u00f3s, e tocou de leve minha m\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003\u2014 S\u00f3 se for de igual pra igual, %Isa%.<br \/>\u2003\u2003Meu cora\u00e7\u00e3o deu aquele salto de novo. Mas dessa vez n\u00e3o foi medo, foi al\u00edvio. Sorri, entrela\u00e7ando nossos dedos.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Igual pra igual.<br \/>\u2003\u2003Ele inclinou o rosto, e o beijo aconteceu do jeito mais natural do mundo: sem pressa, sem fogo de urg\u00eancia, mas cheio de promessas. Quando nos afastamos, ele sussurrou com a testa encostada na minha:<br \/>\u2003\u2003\u2014 Isso conta como nosso primeiro encontro oficial? \u2014 Dei uma risada leve.<br \/>\u2003\u2003\u2014 N\u00e3o. Esse foi s\u00f3 o pr\u00e9-requisito. O primeiro encontro oficial vem depois.<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quando?<br \/>\u2003\u2003\u2014 Quando eu quiser.<br \/>\u2003\u2003Ele sorriu, e eu soube que ele entenderia. Sem pressa. Sem cobran\u00e7a.<br \/>\u2003\u2003<em>No more training season.<\/em><\/p>\r\n<center><strong>Fim<\/strong><\/center>\r\n<p>\u2003\u2003<strong>Nota da autora:<\/strong> Confesso: foi um desafio e tanto escrever essa hist\u00f3ria, que m\u00fasica dificil. Criar uma protagonista que fosse forte, mas tamb\u00e9m ferida. Que colocasse limites, mas ainda tivesse espa\u00e7o pra amar de novo. E encontrar em Rafael n\u00e3o um homem \u201cperfeito\u201d, mas um cara que j\u00e1 fez seu pr\u00f3prio caminho e n\u00e3o precisava de mais uma mulher tentando consert\u00e1-lo.<br \/>\u2003\u2003Essa hist\u00f3ria \u00e9 sobre cansa\u00e7o, sim. Sobre listas de fracassos amorosos, sobre bloquear contatos e sobre o sil\u00eancio que vem depois de tanto barulho. Mas tamb\u00e9m \u00e9 sobre recome\u00e7os, sobre algu\u00e9m que aparece sem fazer alarde\u2026 e fica.<br \/>\u2003\u2003Obrigada por acompanhar at\u00e9 aqui. Beijos!<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\ud83d\udc96\u2728 Fim \u2003\u2003Nota da autora: Confesso: foi um desafio e tanto escrever essa hist\u00f3ria, que m\u00fasica dificil. Criar uma protagonista que fosse forte, mas tamb\u00e9m ferida. Que colocasse limites, mas ainda tivesse espa\u00e7o pra amar de novo. 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