{"id":4486,"date":"2011-02-08T21:45:00","date_gmt":"2011-02-09T00:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-11-21T16:51:01","modified_gmt":"2025-11-21T19:51:01","slug":"capitulo-2","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/let-me-in\/capitulo-2\/","title":{"rendered":"II"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"capitular1\">A<\/span>s semanas passavam, os dias se arrastavam e eu continuava presa dentro de mim mesma. N\u00e3o havia conseguido muitas informa\u00e7\u00f5es sobre o que eu era, s\u00f3 tinha certeza de que o que estava em mim n\u00e3o era algo bom.<br>\u2003\u2003Em tr\u00eas semanas desde que despertei dessa forma, presenciei coisas horr\u00edveis das quais meu corpo fora protagonista. Primeiro as coisas acontecidas naquele bar de rodovia; depois tamb\u00e9m houve o fato do ataque a um padre, que diga-se de passagem, eu mal sabia ser isso. Agora, naquele exato instante, eu havia acabado de presenciar mais uma carnificina que meu corpo foi obrigado a fazer parte.<br>\u2003\u2003Dentro daquela casa \u00e0s minhas costas se encontravam os corpos de uma fam\u00edlia inteira: uma mulher, um homem e duas crian\u00e7as.<br>\u2003\u2003Queria estar desacordada naquele momento quando tudo aconteceu, mas uma das coisas estranhas dessa minha nova vida era que eu <em>nunca<\/em> dormia. O que havia acontecido foi uma coisa horr\u00edvel; os pais haviam sido obrigados a assistir as mortes sangrentas dos dois filhos. O primeiro \u2014 o mais velho \u2014 tivera a morte relativamente menos dolorosa que o irm\u00e3o teve; foi retalhado a tesouradas e meu corpo devorou o seu interior. J\u00e1 o menor, ah Deus, o menor&#8230; Num passe de m\u00e1gica seu pequeno corpinho indefeso estava em chamas a nossa frente \u2014 minha e de seus pais \u2014, seus gritos ecoavam \u2014 e ainda ecoam na minha cabe\u00e7a \u2014 pela casa inteira e seus pais amorda\u00e7ados tentavam se livrar do que quer que fosse que os prendiam, mas foi em v\u00e3o. Assistiram seu ca\u00e7ula ser carbonizado pelas chamas malditas, viram o fogo consumi-lo aos poucos, viram as chamas se alimentarem do garotinho cent\u00edmetro por cent\u00edmetro como um monstro impiedoso. Depois de alguns minutos os gritos da crian\u00e7a cessaram e as chamas foram aos poucos baixando, at\u00e9 n\u00e3o restar vest\u00edgios seus, a n\u00e3o ser o pequeno corpo carbonizado estirado no ch\u00e3o.<br>\u2003\u2003O cheiro de carne queimada impregnava o lugar e aquilo estava me deixando enjoada. Se eu tivesse um corpo e uma boca pela qual vomitar, eu o faria, mas n\u00e3o era o caso, eu s\u00f3 podia me sentir mal por toda aquela gente e rezar por suas almas.<br>\u2003\u2003Logo depois dos filhos, foram os pais, mas meu corpo n\u00e3o se importou em tortur\u00e1-los, fez como no bar da estrada, saiu pela porta da frente e instantes depois houve a explos\u00e3o.<br>\u2003\u2003<em>Eu<\/em> solu\u00e7ava e chorava sem l\u00e1grimas pelo que havia acontecido, quando um homem alto apareceu ao lado de meu corpo.<br>\u2003\u2003\u2014 Devia ser mais cuidadosa, Ayala, querida \u2014 ele murmurou com um sorriso discreto.<br>\u2003\u2003\u2014 Hunf, Boris, s\u00f3 estou me divertindo, voc\u00ea sabe, tirando o atraso&#8230; \u2014 ouvi Ayala murmurar em meu corpo.<br>\u2003\u2003\u2014 <em>Eles<\/em> v\u00e3o descobrir&#8230; \u2014 O tal Boris usou um tom de advert\u00eancia.<br>\u2003\u2003\u2014 Ca\u00e7adores? Querido, j\u00e1 dei conta de uns vinte s\u00f3 na \u00faltima semana. Eu me garanto \u2014 sussurrou com desd\u00e9m.<br>\u2003\u2003\u2014 Eles n\u00e3o s\u00e3o qualquer ca\u00e7ador, j\u00e1 deve ter ouvido falar deles, ca\u00e7ando fantasmas, seguindo nossas trilhas&#8230;<br>\u2003\u2003\u2014 Fa\u00e7a-me um favor, Boris. Cuide de si mesmo. \u2014 Ayala deu-lhe as costas e no instante seguinte est\u00e1vamos num lugar completamente diferente. Eu ainda pensava naquela fam\u00edlia tocada pelo mal&#8230;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[1576],"class_list":["post-4486","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-let-me-in"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/4486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=4486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}