{"id":3790,"date":"2012-07-24T15:44:00","date_gmt":"2012-07-24T18:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/historia-sem-nome\/rascunho-automatico\/"},"modified":"2025-10-03T15:46:36","modified_gmt":"2025-10-03T18:46:36","slug":"unico","status":"publish","type":"capitular","link":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/historia\/forever-and-always\/unico\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo \u00fanico"},"content":{"rendered":"\r\n<p><span class=\"capitular1\">E<\/span>la se encontrava sentada naquele mesmo simp\u00e1tico restaurante que gostavam de passar o tempo em alguns finais de semana.<br \/>\u2003\u2003\u00c0 beira de uma represa onde patos passeavam com seus filhotinhos atr\u00e1s, e peixes pulando na \u00e1gua, mostrando que havia vida ali.<br \/>\u2003\u2003%Jennifer% olhou para o c\u00e9u suspirando forte. Olha mais uma vez para o rel\u00f3gio, ele deveria estar ali fazia quarenta minutos.<br \/>\u2003\u2003Casabella era um restaurante conhecido por poucos, mas com pratos bem elaborados e nada baratos. Por\u00e9m, para %John%, seu noivo, aquilo n\u00e3o era um problema. Ele era o vocalista de uma banda famosa, ent\u00e3o tinha dinheiro para lev\u00e1-la \u00e0quele restaurante todos os finais de semana, se ela assim desejasse.<br \/>\u2003\u2003Ele a levara pela primeira vez em seu primeiro encontro de verdade. Haviam se conhecido por um amigo em comum, em uma das festas que ela insistia em n\u00e3o querer ir, e ele adorava comparecer. Em uma das vezes, acabaram por se encontrar. Depois disso, %John% passou a frequentar menos as festas e %Jennifer% mais, a raz\u00e3o de ambos era a mesma: ter a companhia do outro.<br \/>\u2003\u2003Ela olha novamente pela janela que dava para a represa e pensa na maneira que ele a pediu em namoro, dizendo que ele nunca havia levado ningu\u00e9m para jantar naquele lugar sen\u00e3o a m\u00e3e dele, pessoa que ele amava incondicionalmente. Desde aquele dia, ela soube que %John% fazia muito para poucas pessoas, e que ela era sortuda o suficiente para ser uma da pequena porcentagem.<br \/>\u2003\u2003Olhou para o rel\u00f3gio mais uma vez, uma hora se passara. Ligara para a amiga que namorava um dos integrantes da banda, mas ela dissera que ele j\u00e1 havia sa\u00eddo. N\u00e3o queria ligar novamente, seria perturb\u00e1-la com uma preocupa\u00e7\u00e3o boba. %John%, sempre atrasado, talvez hoje n\u00e3o fosse uma exce\u00e7\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Suspirou mais uma vez. J\u00e1 havia perdido as contas sobre quantas vezes suspirara nas \u00faltimas horas. Mais uma vez vira a cabe\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 represa onde um casal de cisnes namoravam. Abre um sorriso ao imaginar que o relacionamento deles era exatamente como a dela e de %John%, homem que tanto amava.<br \/>\u2003\u2003Seu celular toca repentinamente, era a amiga. Sua voz era urgente e pede desesperadamente que ela fosse ao hospital. N\u00e3o conseguia explicar o que acontecia. Ao desligar, %Jennifer% tentou ligar para %John% e avisar que teria de ir embora, mas ele n\u00e3o atendera. Deixou uma mensagem com o gerente do restaurante e saiu correndo.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Ao chegar e perguntar pela amiga, n\u00e3o havia paciente com seu nome. Ouviu seu nome ser chamado e ao virar o rosto, l\u00e1 estava a amiga a abra\u00e7ando forte com o rosto inchado e vermelho. Entre l\u00e1grimas e gaguejos, %Jennifer% soube que era %John% ali. %John%. Internado. Imediatamente, seus pensamentos foram para meses atr\u00e1s, em Dezembro, \u00e9poca favorita dos dois por ser a \u00fanica que eles podiam ficar mais de duas semanas juntos. Se lembrou quando ele ajoelhou em sua frente em frente ao parque coberto pela neve. As luzes de natal piscando. Por um milagre, n\u00e3o ventava. E ele fizera a maior declara\u00e7\u00e3o que ela vira na vida. Disse pouco, mas o suficiente para saber que era ele e que seria para sempre.<br \/>\u2003\u2003Um m\u00e9dico que acompanhava a amiga pediu que ela o acompanhasse. Sem prestar muito aten\u00e7\u00e3o, o seguiu. Passou por diversas salas de espera. Todos com pessoas agoniadas sentadas ou em p\u00e9. Ao parar em um local, que comparado aos outros era mais calmo, o m\u00e9dico a olhou com paci\u00eancia e come\u00e7ara a explicar sobre o acidente. Ela n\u00e3o conseguia ouvir o que ele dizia, tinha seus olhos fixados na porta cuja placa ao lado mostrava o nome de %John%. Reconhecia todos os rostos que estavam parados naquele corredor. Os olhos de todos repletos de l\u00e1grimas, alguns ainda chorando, outros segurando as emo\u00e7\u00f5es e prestando aten\u00e7\u00e3o em %Jennifer% e o m\u00e9dico.<br \/>\u2003\u2003Um caminh\u00e3o batera em seu carro na sa\u00edda da cidade em dire\u00e7\u00e3o ao restaurante. Embriagado, o motorista dormiu na dire\u00e7\u00e3o com o p\u00e9 no acelerador. Fora um milagre %John% estar vivo at\u00e9 agora. A verdade era que as m\u00e1quinas o mantinham vivo. Um bot\u00e3o e adeus ao amor de sua vida.<br \/>\u2003\u2003Ela mal conseguia chorar. O choque ainda tomava conta de todos os seus pensamentos. Se sentia vazia. Sem esperan\u00e7as e acabada. Estava t\u00e3o feliz h\u00e1 minutos atr\u00e1s, vendo os animais e mantendo os pensamentos sobre o seu perfeito relacionamento com seu perfeito noivo.<br \/>\u2003\u2003Ouviu o m\u00e9dico parar de falar e n\u00e3o sabia se ele dissera se ela podia ou n\u00e3o adentrar ao quarto. Caminhou lentamente e girou a ma\u00e7aneta de prata.<\/p>\r\n<p>\u2003\u2003Ao entrar, os pais de %John% estavam com os olhos inchados. A m\u00e3e dele n\u00e3o conseguia parar de chorar e os amigos mais pr\u00f3ximos estavam ao redor tamb\u00e9m entristecidos. Todos ao redor do agora fr\u00e1gil corpo de %John%, que estava repleto de tubos. Tenta manter a express\u00e3o calma ao ver todo aquele desespero. N\u00e3o sabia que era assim t\u00e3o forte, mas tinha de faz\u00ea-lo. Fazia por %John%, que a olhava ansioso. Tenta abrir um sorriso ao se aproximar dele. Parece ter conseguido, ao ver o sorriso dele e sua m\u00e3o levantar, chamando-a para mais perto. Ela se senta no banco ao lado de sua cama e d\u00e1 a m\u00e3o para o noivo, que lhe encarava com um sorriso. Sem l\u00e1grimas, ou pesares, ou at\u00e9 desculpas. Um sorriso que dizia tudo. Que a amava. Que a queria bem. Que estava feliz por ela estar ali ao seu lado.<br \/>\u2003\u2003- Eu vou sair dessa. &#8211; sua fraca voz diz. Fora poss\u00edvel ouvir a m\u00e3e se desesperar logo atr\u00e1s, mas %Jennifer% n\u00e3o ousou olh\u00e1-la. Se esfor\u00e7ara demais para se manter sorridente. Ver a sogra seria o ponto m\u00e1ximo para ela despencar.<br \/>\u2003\u2003- Sei que vai. &#8211; ela murmura e aperta mais sua m\u00e3o. &#8211; Vamos nos casar.<br \/>\u2003\u2003- Eu n\u00e3o vou deix\u00e1-la no altar. &#8211; ele ri, se lembrando da conversa que tiveram sobre quando se conheceram, em que %Jennifer% dissera que achava que todos os m\u00fasicos tinham um dom de deixar noivas no altar. Ela ri sem gra\u00e7a. &#8211; Voc\u00ea sabe que n\u00e3o vou, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\u2003\u2003- Claro que sei. &#8211; ela responde rapidamente, o fazendo sorrir aliviado.<br \/>\u2003\u2003- E compraremos aquela casa no interior que voc\u00ea tanto quer. &#8211; ele comenta, a fazendo sorrir ainda mais.<br \/>\u2003\u2003- \u00c9 melhor para se criar filhos. &#8211; %Jennifer% responde.<br \/>\u2003\u2003- Meus pais ter\u00e3o onde passar as f\u00e9rias, j\u00e1 que ter\u00e3o de visitar as crian\u00e7as. &#8211; ele brinca, e %Jennifer% ri. &#8211; E teremos cachorros. Daqueles grandes.<br \/>\u2003\u2003- De jeito nenhum! &#8211; ela exclama. &#8211; Sem cachorros.<br \/>\u2003\u2003- Antes de ter as crian\u00e7as, viajaremos muito. &#8211; ele comenta, a voz falha em alguns momentos. &#8211; Iremos para todos os lugares que fui sozinho. Levarei voc\u00ea em todos os lugares que achei bonito.<br \/>\u2003\u2003- \u00c9 bom que me leve em todos. &#8211; ela diz. &#8211; E eu levarei voc\u00ea aos lugares que eu gostei.<br \/>\u2003\u2003- Podemos ir na lua de mel.<br \/>\u2003\u2003- Vou verificar na ag\u00eancia quanto fica um pacote. &#8211; ela sorri e ele concorda com a cabe\u00e7a. &#8211; E ent\u00e3o voltaremos para casa descansar.<br \/>\u2003\u2003- E fazer nossos filhos. &#8211; ele ri, fazendo-a rir ainda mais. &#8211; Cinco, se lembra?<br \/>\u2003\u2003- Ser\u00e1 o pr\u00f3ximo The Maine. &#8211; ela comenta. &#8211; Ficar\u00e3o ainda mais famosos que voc\u00eas.<br \/>\u2003\u2003- Isso eu duvido. &#8211; ele responde, a fazendo fazer uma careta.<br \/>\u2003\u2003Continuam conversando sobre o futuro. Os nomes que cada uma das cinco crian\u00e7as ter\u00e3o. O que elas ser\u00e3o de verdade quando crescerem. Como elas ser\u00e3o.<br \/>\u2003\u2003Horas passam e %John% parecia mais fraco. J\u00e1 n\u00e3o conseguia falar tanto, por isso %Jennifer% falava por ele. Queria manter o sorriso em seu rosto. Familiares e amigos agora estavam todos dentro do pequeno quarto compartilhando o momento. Muita gente, mas para os dois, pareciam que ali estavam somente eles. Riam ao ver %Jennifer% fazer drama sobre o vestido de casamento e %John% tentando adivinhar o que seria.<br \/>\u2003\u2003Quando o sil\u00eancio chegou, %Jennifer% rapidamente pensara em uma maneira de expuls\u00e1-lo. Antes que algu\u00e9m dissesse alguma coisa, teve uma ideia.<br \/>\u2003\u2003Se levantou correndo e foi at\u00e9 o quarto ao lado, onde havia visto um casal entrar enquanto estava perdidas em seus pensamentos seguindo o m\u00e9dico que lhe traria a m\u00e1 not\u00edcia. Pediu um favor ao casal e explicou sua situa\u00e7\u00e3o. Sorridentes, ambos n\u00e3o hesitaram em colaborar. Entregaram suas alian\u00e7as a %Jennifer%, que correu de volta at\u00e9 o quarto.<br \/>\u2003\u2003%John% j\u00e1 tinha os olhos fechados, ela se aproximou dele e o viu abri-los com um pouco de dificuldade. Mostrou as alian\u00e7as de ouro para ele. Viu o noivo sorrir. As enfermeiras trouxeram algumas flores mais para deixar o quarto ainda mais enfeitado.<br \/>\u2003\u2003%John% n\u00e3o conseguia mais falar direito, ent\u00e3o %Jennifer% falou primeiro:<br \/>\u2003\u2003- Voc\u00ea \u00e9 para sempre. &#8211; ela come\u00e7a, o fazendo sorrir. Um grande sorriso. &#8211; Eu quero voc\u00ea para sempre. Mesmo com as coisas ruins, feias ou boas, \u00e9 voc\u00ea quem eu quero. N\u00f3s vamos envelhecer juntos, e sempre nos lembrar que mesmo sendo ricos, pobres ou seja l\u00e1 o que for, n\u00f3s ainda vamos nos amar. Nos amar para sempre, %John%. Eu vou amar voc\u00ea para sempre.<br \/>\u2003\u2003Ele sorria e pela primeira vez naquele dia, todos viam seus olhos vermelhos. Os l\u00e1bios tremendo por querer se desculpar, mas ela sabia que ele n\u00e3o faria isso. Os fungos dos narizes das pessoas presentes mostravam qu\u00e3o emocionados estavam. %John% desvia o olhar para eles alguns segundos, e ent\u00e3o volta a olhar para %Jennifer%, que n\u00e3o lhe desviou a aten\u00e7\u00e3o por um segundo sequer. Aquele momento era deles.<br \/>\u2003\u2003Colocou a alian\u00e7a em seu dedo anelar e apertou-o fortemente. Ele apertou sua m\u00e3o de volta. Ouviram as batidas do cora\u00e7\u00e3o pelo monitor lerdear. %Jennifer% se aproximou ainda mais de %John%, que sorria e abria a boca para dizer em uma voz fraca e baixa, quase desaparecendo:<br \/>\u2003\u2003- Voc\u00ea \u00e9 para sempre. Minha %Jenny%. &#8211; acaricia seu rosto. &#8211; Eu te amarei para sempre. Por favor, n\u00e3o se esque\u00e7a. Se lembre sempre. Mesmo que eu n\u00e3o esteja mais aqui, eu irei te amar para sempre. Todo o sempre.<br \/>\u2003\u2003Mexeu o bra\u00e7o para %Jennifer% lhe dar a m\u00e3o e ela rapidamente depositou. Ele desligou a alian\u00e7a que era grande em seu dedo, no dedo dela. Beijou-lhe a m\u00e3o e sorriu. Olhou para a mulher, que sorria e se aproximava dele para lhe beijar os l\u00e1bios.<br \/>\u2003\u2003Antes mesmo que ela ousasse separar seus l\u00e1bios dos dele, o som do cora\u00e7\u00e3o agora parado tomara conta do quarto.<br \/>\u2003\u2003O sil\u00eancio se mantivera junto com o som do choro de alguns presentes. %Jennifer% n\u00e3o abriu os olhos. Separou seus l\u00e1bios dos de %John% e levou-os at\u00e9 a bochecha dele.<br \/>\u2003\u2003Deixou sua primeira l\u00e1grima cair.<\/p>\r\n<div class=\"nota\">\r\n<h3 style=\"text-align: center;\">Fim<\/h3>\r\n<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fim<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0},"historias":[1411],"class_list":["post-3790","capitular","type-capitular","status-publish","format-standard","hentry","historias-forever-and-always"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular\/3790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/capitular"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/capitular"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"historias","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocriativo.net\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/historias?post=3790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}